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RELAÇÃO TENSÃO X DEFORMAÇÃO
Apresentação
Nesta Unidade de Aprendizagem, primeiramente, você conhecerá o conceito de tensão x 
deformação, exemplificados para alguns tipos de materiais. Após, você identificará os mecanismos 
de compressibilidade dos solos, em especial os argilosos saturados, que possuem um 
comportamento especial para o qual devemos ter atenção extrema nas obras de engenharia. 
Veremos, então, uma analogia que contribui para o entendimento do fenômeno da 
compressibilidade nos solos.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Aprender o conceito básico de tensão x deformação nos materiais.•
Entender a relação tensão x deformação no tempo (adensamento) para os solos moles 
adensáveis.
•
Conhecer a analogia de Terzaghi para o conceito de deformabilidade dos solos adensáveis.•
Desafio
Uma das técnicas mais aplicadas para o tratamento de solos moles compressíveis é a execução de 
sobrecargas temporárias sobrejacentes a uma camada arenosa. Este método promove a aceleração 
do tempo de recalque. Após a camada de argila mole sofrer o recalque desejado, por exemplo 95% 
do recalque total, poderemos remover esta camada de aterro temporária.
Essa solução é muito adotada na construção de rodovias, por exemplo.
 
 
A partir disso, responda aos seguintes questionamentos: 
1. Qual o excesso de pressão neutra e o acréscimo na tensão efetiva logo após a construção do 
aterro? Considere tempo igual a zero (t=0). 
2. Calcule o excesso de poro-pressão e o acréscimo na tensão efetiva para 50% do recalque e 95% 
do recalque. 
3. Você manteria o aterro até que ocorresse 100% do recalque? Por quê?
Infográfico
Quando estamos falando de comportamento tensão versus deformação, os principais elementos 
que temos que ter em mente são os seguintes:
Conteúdo do livro
Acompanhe o capítulo Tensão x Deformação, da obra "Mecânica Aplicada dos Solos", que abordará 
com mais detalhes a relação tensão x deformação para diferentes materiais, em especial os solos 
argilosos. 
Boa leitura! 
MECÂNICA 
DOS SOLOS 
APLICADA
Cleber Floriano
Catalogação na publicação: Poliana Sanchez de Araujo – CRB 10/2094
F635m Floriano, Cleber.
 Mecânica dos solos aplicada / Cleber Floriano. – Porto 
 Alegre : SAGAH, 2017.
 263 p. : il. ; 22,5 cm. 
 ISBN 978-85-9502-064-1
 1. Mecânica do solo. 2. Engenharia. I. Título. 
CDU 624.131 
Livro_MecanicaSolo.indb 2Livro_MecanicaSolo.indb 2 13/03/2017 16:48:2313/03/2017 16:48:23
Relação tensão X 
deformação
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 Aprender o conceito básico de tensões X deformações nos materiais.
 Entender a relação tensão X deformação no tempo (adensamento),
para os solos moles adensáveis.
 Conhecer a analogia de Terzaghi, para o conceito de deformabilidade 
dos solos adensáveis.
Introdução
Neste texto, vamos primeiro apresentar de forma genérica o conceito de 
tensão X deformação, exemplificando alguns tipos de materiais. Após, 
vamos identificar o que é a compressibilidade dos solos através do co-
nhecimento dos mecanismos que fazem os solos, em especial os solos 
argilosos saturados, terem um comportamento mecânico especial (tensão 
X deformação com o tempo) em que devemos ter atenção extrema nas 
obras de engenharia. Veremos, então, uma analogia que contribui para 
o entendimento do fenômeno da compressibilidade nos solos.
Tensão x deformação nos materiais sólidos
Nesta primeira parte do capítulo, vamos abordar de forma genérica o conceito 
de tensão X deformação. Essa relação pode ser plotada em um gráfi co cujo 
eixo das abscissas estará representando as tensões, e o eixo das ordenadas 
apresentará as deformações (quando medidos são deslocamentos), como pode 
ser visto na Figura 1. 
MecanicaSolos_U1C02.indd 43MecanicaSolos_U1C02.indd 43 13/03/2017 16:22:0613/03/2017 16:22:06
Figura 1. Gráfico da tensão (σ) em função deformação (ε), medido em deslocamento.
Para um material qualquer é normal que tenhamos, pequenas tensões em 
relação à capacidade deste material, um comportamento predominantemente 
elástico. Isso significa que, para esse nível de tensões, as deformações decor-
rentes são reversíveis (até o ponto A). Bastando remover as tensões, o material 
volta a sua forma original (de A para 0). Neste espaço tensão X deformação, 
governa as leis da teoria da elasticidade, em que se tem o importante conceito 
de módulo de elasticidade de Young (E). Este módulo corresponde à reta que 
tangencia o ponto. No referido espaço, portanto, o módulo de Young corres-
ponde, simplesmente, a razão σA⁄εE.
A medida que se atinge elevadas tensões relativas ao material, temos 
uma parcela considerável de deformações permanentes, ou seja, quando ali-
viarmos a tensão aplicada, veremos que o material não retorna a sua forma 
de origem, permanecendo com uma deformação residual daquele estado de 
tensões atingido anteriormente. Neste patamar (A para B) predominam as 
deformações elastoplásticas, ou seja, há uma parcela elástica além da intrans-
ferível deformação plástica decorrente. O módulo de Young, nesta posição, 
não é mais constante.
É comum nos materiais sólidos (especialmente nos solos) a indefinição 
nítida de ruptura, ou seja, o material pode seguir se deformando à medida 
Mecânica dos solos aplicada44
MecanicaSolos_U1C02.indd 44MecanicaSolos_U1C02.indd 44 13/03/2017 16:22:0613/03/2017 16:22:06
que se aplica um pequeno acréscimo de tensões. Para isso, é preciso ter um 
critério para definir o momento da ruptura (εR). Em outros casos, a ruptura é 
nítida com decaimento de tensão com o aumento de deformações. 
Estes são os conceitos gerais que serão relembrados em capítulos poste-
riores. Veremos com maior propriedade no estudo da tensão de cisalhamento, 
os solos, o que eles apresentam, o comportamento mecânico semelhante aos 
que citamos genericamente aqui e quando submetidos a tensões de compressão. 
É necessário destacar que, para alguns tipos de solo, predomina o fenômeno 
apresentado por Terzaghi (1943) conhecido como teoria da consolidação dos 
solos compressíveis.
Tensão x deformação e compressibilidade
Já vimos que qualquer material pode ser compressível. No instante em que 
se aplica alguma solicitação (carregamento externo), um material deve sofrer 
uma resposta àquele estado de tensões. E, normalmente o material se deforma. 
É possível citar dois exemplos clássicos, antes de falarmos sobre os solos, 
os quais são os materiais objeto de nossos estudos: uma borracha de apagar 
e um bloco intertravado cúbico de concreto. É possível dizer, mesmo intui-
tivamente, que eles apresentam propriedades muito diferentes. A borracha 
apresenta comportamento elástico, ou seja, quando se aplica um carregamento 
(a força dos dedos apertando-a) o material deforma-se muito e após a descarga, 
a borracha volta ao seu tamanho original. É evidente que o carregamento não 
pode ser exagerado. Já o concreto quando aplica-seum nível de carregamento 
de capacidade física de um ser humano (apertar com os dedos), nota-se que 
não ocorre deformações visíveis. Pode-se pensar que o concreto é um ele-
mento indeformável. No entanto, ao colocarmos a peça em uma prensa é 
possível medir sua deformação. Portanto, para o concreto existe um patamar 
onde as solicitações passam a ter expressão resultando em deformações na 
peça. Primeiro vão acontecer as deformações como aquelas visualizadas na 
borracha, que são chamadas de deformações elásticas, ou seja, aquelas que 
quando descarrega-se as cargas a peça volta a sua dimensão original. Mas 
se o carregamento for aumentando em um determinado estado de tensão, 
a peça de concreto entra no patamar de escoamento, o que corresponde a 
plastificação do concreto. 
Como já citado anteriormente, dois comportamentos mecânicos governam 
os materiais em geral: o comportamento elástico e o comportamento plástico. 
Ambos são intrínsecos do material, podendo acontecerjuntos ou de forma 
45Relação tensão X deformação
MecanicaSolos_U1C02.indd 45MecanicaSolos_U1C02.indd 45 13/03/2017 16:22:0613/03/2017 16:22:06
expressivamente separada (desconsideramos aqui o tempo de carregamento). 
Estas diferenças de comportamento mecânico estão plotadas na Figura 2.
Nos solos, a resposta à aplicação de tensões é semelhante. No entanto, 
na maioria dos casos, a carga que aplicamos é a partir da superfície - um 
carregamento externo de compressão numa massa confinada. A resposta a 
estas solicitações instiga muitos engenheiros a entender e compreender como 
que os solos se comportam mecanicamente. Essa situação é semelhante a 
materiais como a borracha ou se assemelha ao comportamento do concreto? 
Na prática, os solos como materiais naturais comportam-se de maneira única. 
Cada local ou cada ambiente levaram milhares ou mesmo milhões de anos para 
se formarem, compondo uma estrutura complexa trifásica, algumas vezes, 
quase homogênea, que na maioria dos casos é difícil até mesmo de definir 
como se distribuem as camadas no espaço subterrâneo.
Com essa instigante atividade da engenharia, durante muitos anos, há 
acúmulo de conhecimento sobre a ciência da mecânica dos solos que vem 
evoluindo e trazendo diariamente novas experiências de cada obra de enge-
nharia importante no planeta. Podemos citar alguns limiares classicamente 
identificados, como o caso da divisão do comportamento mecânico de areias 
(granulares, de fácil drenagem e deformações em curto prazo) e das argilas 
(solos muito finos, com dificultosa drenagem e deformações de longo prazo). 
Vale ressaltar que a drenagem, aqui, é a passagem de água pelo interior (poros) 
do solo. Sobre a compressibilidade dos solos, portanto, é importante notar que 
a resposta à deformabilidade dos solos, em especial dos solos argilosos, está 
diretamente relacionada ao tempo de carregamento. 
As deformações plásticas e elásticas ocorrem gradativamente. Na prática, 
é a velocidade de acontecimentos das obras (cargas). Nos casos de solos argi-
losos saturados, podem também ocorrer posterior à execução destas. Eis que 
surge um grande desafio, pois as deformações diferenciais no solo implicam 
em danos à estrutura.
É fato que a deformabilidade dos solos depende de diversas condições, 
como o estado do solo, a granulometria, o tipo de grão, o índice de vazios, 
a permeabilidade, etc. O que tenta-se é padronizar ao máximo os diversos 
comportamentos mecânicos, ou seja, buscar uma forma de matematização 
da natureza. Para isso, usa-se as respostas de ensaios de laboratório e campo 
combinado com o sucesso e insucesso das obras geotécnicas monitoradas, 
fundado no embasamento científico. Assim, constata-se que pode existir 
modelos que se aproximam do comportamento destes materiais naturais.
A condição de grande importância prática na engenharia civil sob o ponto 
de vista da compressibilidade dos solos é a definição de recalque e o tempo 
Mecânica dos solos aplicada46
MecanicaSolos_U1C02.indd 46MecanicaSolos_U1C02.indd 46 13/03/2017 16:22:0713/03/2017 16:22:07
que leva para acontecer o recalque em uma camada saturada e confinada 
lateralmente. Portanto, vamos enfatizar esta situação neste e nos próximos 
capítulos.
Figura 2. Gráfico da deformação relativa (Δh/h) em função da carga de compressão (q). 
Fonte: Floriano (2016).
Por serem materiais de massas notáveis, verificamos que os solos apresentam ní-
vel de confinamento dependente da sua profundidade. Portanto, quanto maior a 
profundidade, mais confinado estará o solo. Este nível de confinamento culmina em 
comportamentos mecânicos distintos para um mesmo material.
47Relação tensão X deformação
MecanicaSolos_U1C02.indd 47MecanicaSolos_U1C02.indd 47 13/03/2017 16:22:0713/03/2017 16:22:07
Tensões aplicadas nos solos compressíveis
Para explicar como ocorre o fenômeno da compressibilidade em especial nos 
casos das argilas saturadas, como já frisamos anteriormente, será apresen-
tado um exemplo típico de uma condição de obra, como é o caso da Figura 
3. Observe a construção de um aterro sobre uma fi na camada de areia e, 
logo abaixo, uma camada de argila saturada compressível limitada pelo leito 
rochoso impermeável. 
O aterro funciona como sobrecarga neste caso. Assim, para um ponto M 
qualquer da camada compressível de argila saturada, admitimos que a tensão 
transmitida pela sobrecarga do aterro seja q0.
Nota-se que o nível da água encontra-se junto à superfície do terreno natural, 
assim, parte desta pressão, u, será transmitida à água que está preenchendo 
os vazios do solo, e a outra parte, q, a pressão entre contato de partículas 
sólidas, sendo, portanto:
q0 = q + u
O acréscimo de pressão q0 pode ser reconhecido como um ∆σ, ou seja, um 
acréscimo de tensão total que é convertido em acréscimo de tensão efetiva, 
q, representada pela parcela de pressão de contato grão a grão mais a parcela 
de acréscimo de pressão neutra, u, conhecida como sobrepressão hidrostática.
Figura 3. Aterro condicionando sobrecarga em uma camada compressível de solo argiloso 
saturado. 
Fonte: Floriano (2016).
Mecânica dos solos aplicada48
MecanicaSolos_U1C02.indd 48MecanicaSolos_U1C02.indd 48 13/03/2017 16:22:0713/03/2017 16:22:07
Como a água é praticamente incompressível, ou seja, despreza-se as de-
formações à ação de carregamento, esta sobrepressão busca um caminho de 
dissipação, e este caminho será vertical e de encontro à camada de areia, como 
mostrado na Figura 4. Sabendo-se que as argilas têm baixíssima permeabi-
lidade, notaremos que este processo de migração da água é bastante lento. 
À medida que a água migra lentamente dos poros da argila para os poros 
da areia (que apresenta permeabilidade elevada), a sobrepressão, u, vai dimi-
nuindo até anular-se, enquanto que a tensão efetiva, de contato entre grão, 
ganha magnitude, aumentando na mesma proporção, uma vez que q0 (altura 
da camada de aterro), é constante.
Figura 4. Direção do fluxo de dissipação de sobrepressão da água nos poros saturados 
do solo argiloso. 
Fonte: Floriano (2016).
No instante da aplicação da carga, temos que u = q0 e q = 0. Passado o 
tempo necessário para dissipar a sobrepressão hidrostática, quando termina 
a transferência de u para p, na prática temos u = 0 e q = q0. Em qualquer outra 
fase, ou seja, no meio tempo entre inicio de carregamento e final de dissipação 
de sobrepressão hidrostática, teremos:
q0 = q(t) + u(t)
Visto que tanto q quanto u são funções do tempo. 
Ao final do estágio, a expulsão de água acarreta em perda volumétrica 
correspondendo uma redução de volume da camada de argila e concomitan-
temente proporcionando um recalque (δ), que poderia ser medido no topo do 
aterro, como pode ser observado na Figura 5. 
49Relação tensão X deformação
MecanicaSolos_U1C02.indd 49MecanicaSolos_U1C02.indd 49 13/03/2017 16:22:0713/03/2017 16:22:07
Figura 5. Adensamento final da camada de argila. 
Fonte: Floriano (2016).
Exemplos de mecanismos como este podem ser aplicados também para uma fundação 
superficial. Por exemplo, uma sapata de um prédio solicitando uma camada de solo, 
em que o acréscimo de tensões atinge uma segunda camada de solo compressível e 
venha a ocorrer ao final do processo o recalque. Nas estruturas prediais, grande parte 
de patologias provenientes de fundações ocorrem em função desta imprevisibilidade. 
Chamamos este mecanismo de recalques diferenciais. 
Alguns autores identificam esta equação fundamental como a mais impor-
tante da mecânica dos solos. Portanto, trata-se da lei fundamental que rege o 
fenômeno do adensamento das camadas de solo mole e dita o comportamento 
tensão X deformação no tempo dos solos argilosos saturados.
A analogia mecânica de Terzaghi
A conhecida analogia de Terzaghi, apresentada por Taylor (1948), relaciona 
o fenômeno de adensamento com uma mola dentro de um êmbolo com água. 
A explicação da analogia segue a orientação da Figura 6, em que é possível 
verifi car um passo apasso, indicando as diferentes situações do fenômeno. 
Podemos associar o seguinte: 
a) o êmbolo é o espaço confinado do solo argiloso;
Mecânica dos solos aplicada50
MecanicaSolos_U1C02.indd 50MecanicaSolos_U1C02.indd 50 13/03/2017 16:22:0713/03/2017 16:22:07
b) a mola representa as partículas sólidas do solo argiloso (o contato 
entre estas);
c) a torneira é o mecanismo que associa a baixa permeabilidade das argilas, 
que corresponde à vazão de drenagem interporo do solo;
d) o carregamento externo ao êmbolo (20kN) corresponde ao acréscimo 
de tensão de um aterro sobre o solo argiloso, por exemplo:
 ■ Na posição 1, observamos a condição inicial em que temos o êmbolo 
cheio de água com a mola totalmente esticada e a torneira de saída de 
água permanece fechada. Isso corresponde ao estado natural do solo.
 ■ Na posição 2, aplicamos o carregamento externo de 20kN, mas 
permanecemos com torneira fechada. Isso corresponde à situação 
do carregamento instantâneo de uma camada de aterro ou de uma 
fundação no solo. Veja que, nesta condição, a carga aplicada é trans-
ferida na sua totalidade para a água.
 ■ Na posição 3, abre-se a torneira. Neste instante, a carga aplicada ainda 
é absorvida 100% pela água dentro do êmbolo. Isso corresponde ao 
instante t=0 onde inicia-se o processo de adensamento.
 ■ Na posição 4, mantendo-se a torneira aberta, observamos que a carga 
aplicada de 20kN está sendo lentamente transferida para a mola, 
sendo que 15kN ainda é suportado pela água e 5kN pela mola. Isso 
corresponde a uma etapa do adensamento de 25% do tempo total, 
onde a tensão efetiva está aumentando à medida que a pressão neutra 
vai sendo dissipada.
 ■ Na posição 5, mantendo-se a torneira aberta, observamos que da 
carga aplicada de 20kN já foram transferidos 10kN para a mola, 
e a água restante suporta os outros 10kN do carregamento. Isso 
corresponde a uma etapa do adensamento de 50% do tempo total, 
onde a tensão efetiva continua a aumentar à medida que a pressão 
neutra está sendo dissipada.
 ■ Na posição 6, mantendo-se a torneira aberta, observamos que da 
carga aplicada de 20kN já foram transferidos 15kN para a mola e a 
água restante suporta os outros 5kN do carregamento. Isso corres-
ponde a uma etapa do adensamento de 75% do tempo total, onde a 
tensão efetiva continua a aumentar à medida que a pressão neutra 
está sendo dissipada.
 ■ Na posição 7, mantendo-se a torneira aberta, observamos que da 
carga aplicada de 20kN foi absorvida completamente para a mola. 
A partir deste instante, não há mais deformações da mola, nem 
saída de água pela torneira. Isso corresponde 100% do tempo total 
51Relação tensão X deformação
MecanicaSolos_U1C02.indd 51MecanicaSolos_U1C02.indd 51 13/03/2017 16:22:0713/03/2017 16:22:07
de adensamento, onde já ocorreu dissipação total da sobrepressão e 
ocorreu transferência total da carga aplicada para as tensões efetivas 
do solo. Nesse instante o adensamento está hipoteticamente finalizado 
para a carga de 20kN. 
Desta analogia, extrai-se que, para a ocorrência de adensamento, precisa-
mos da presença de solos compressíveis, que corresponde aos solos de baixa 
permeabilidade, como os solos argilosos. A analogia é válida para o caso de 
solos saturados de água. Quando aplicamos um carregamento numa camada 
de solo compressível, verificamos que existe um acréscimo de tensões e 
este acréscimo de tensões é instantaneamente transferido como pressão de 
água e lentamente dissipada com ganho de tensões efetivas. A consequência 
da dissipação e expulsão vertical da água corresponde ao adensamento da 
camada de solo que será exposta através de um deslocamento (recalque) na 
superfície.
Figura 6. Analogia mecânica de Terzaghi para o fenômeno de adensamento.
Fonte: Adaptada de Taylor (1948).
Mecânica dos solos aplicada52
MecanicaSolos_U1C02.indd 52MecanicaSolos_U1C02.indd 52 13/03/2017 16:22:0713/03/2017 16:22:07
Nos terrenos muito permeáveis como os solos arenosos ou pedregulhosos sem a 
presença de matriz argilosa, não se aplica a situação explicita do fenômeno de aden-
samento em função do tempo, pois as deformações são instantâneas neste caso.
1. Os solos argilosos apresentam que 
tipo de comportamento mecânico?
a) Puramente elástico.
b) Elástico e também plástico, 
mas com importante 
desenvolvimento das 
deformações ao longo do tempo.
c) Elástico, mas com importante 
desenvolvimento das 
deformações ao longo do tempo.
d) Plástico, com pouca importância 
com o desenvolvimento das 
deformações ao longo do tempo.
e) Puramente plástico.
2. A carga de um aterro sobre um solo 
argiloso saturado instantaneamente 
aplicada é transferida para o 
solo como: 
a) Deformação instantânea.
b) Deformação elástica.
c) Excesso de pressão neutra.
d) Excesso de tensão efetiva.
e) Recalque por adensamento.
3. Em um prédio de 6 andares, uma 
fundação superficial do tipo 
sapata foi construída sobre um 
solo muito argiloso saturado, 
outra fundação do mesmo tipo 
foi construída sobre uma camada 
espessa de areia. As duas fundações 
pertencem à mesma estrutura 
edificada. O que é esperado que 
venha ocorrer a longo prazo?
a) Nenhum problema deve 
ser constatado. 
b) Grandes recalques junto a 
camada de areia e pequenos 
recalques argilosos.
c) Recalques muito rápidos na 
camada de argila e muito 
lentos na camada de areia.
d) Recalques diferenciais e 
patologias na edificação.
e) Recalques somente na 
camada de argila.
4. Uma carga de 500 kN foi aplicada 
sobre uma camada de solo 
adensável. Passados 60% do 
tempo de adensamento máximo 
estimado da camada, mediu-se 
a sobrepressão hidrostática 
(excesso de pressão neutra). Qual 
o valor mais esperado pela leitura 
considerando as condições ideais 
com a analogia de Terzaghi?
a) 263 kN.
b) 241 kN.
c) 222 kN.
d) 201 kN.
e) 183 kN.
53Relação tensão X deformação
MecanicaSolos_U1C02.indd 53MecanicaSolos_U1C02.indd 53 13/03/2017 16:22:0713/03/2017 16:22:07
FLORIANO, C. Mecânica dos solos. Porto Alegre: SAGAH, 2016.
TAYLOR, D. W. Fundamentals of soil mechanics. New York: John Wiley e Sons, 1948.
TERZAGHI, K. Theoretical soil mechanics. New York: John Wiley e Sons, 1943.
Leitura recomendada
ALMEIDA, M. S. S.; MARQUES, M. E. S. Aterros sobre solos moles: projeto e desempenho. 
São Paulo: Oficina de Textos, 2010. 
CAPUTO, H. P. Mecânica dos solos e suas aplicações. Rio de Janeiro: LTC, 2016. (Fun-
damentos, v. 1). 
CRAIG, R. F.; KNAPPETT, J. A. Craig mecânica dos solos. 8. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2015. 
NASH, W. Resistência dos materiais. Lisboa: MacGraw-Hill, 2001.
PINTO, C. S. Curso básico de mecânica dos solos em 16 aulas. 3. ed. São Paulo: Oficina 
de Textos, 2012.
5. Qual dos solos abaixo deve 
apresentar maior deformabilidade 
ao longo do tempo: 
a) Pedregulhos com areia 
fina saturada.
b) Silte com areia saturada.
c) Solo residual saprofítico com 
presença de nível freático acima.
d) Solo argiloso de ambiente 
bem drenado com presença 
de argilas caulinitas.
e) Solo argiloso de ambiente 
mal drenado com presença 
de argilas ilitas.
Mecânica dos solos aplicada54
MecanicaSolos_U1C02.indd 54MecanicaSolos_U1C02.indd 54 13/03/2017 16:22:0713/03/2017 16:22:07
Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para 
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual 
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.
 
Dica do professor
Aqui vai uma síntese ilustrada dos conceitos mais importantes que aprendemos sobre tensão x 
deformação e compressibilidade dos solos! Assista ao vídeo!
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
 
Exercícios
1) Os solos argilosos apresentam que tipo de comportamento mecânico?
A) Puramente elástico.
B) Elástico e também plástico.
C) Elástico, mas com importante desenvolvimento das deformações ao longo do tempo.
D) Plástico, com pouca importância com o desenvolvimento das deformações ao longo do 
tempo.
E) Puramente plástico.
2) A carga de um aterro sobreum solo argiloso saturado instantaneamente aplicada é 
transferida para o solo como:
A) Excesso de pressão neutra.
B) Deformação elástica.
C) Deformação instantânea.
D) Excesso de tensão efetiva.
E) Recalque por adensamento.
3) Em um prédio de 6 andares, uma fundação superficial do tipo sapata foi construída sobre um 
solo muito argiloso saturado, outra fundação do mesmo tipo foi construída sobre uma 
camada espessa de areia. As duas fundações pertencem à mesma estrutura edificada. O que 
espera-se que venha a ocorrer a longo prazo?
A) Nenhum problema deve ser constatado.
B) Grandes recalques junto a camada de areia e pequenos recalques na argilosa.
C) Recalques muito rápidos na camada de argila e muito lentos na camada de areia.
D) Recalques diferencias e patologias na edificação.
E) Recalques somente na camada de argila.
4) Uma carga de 500 kN foi aplicada sobre uma camada de solo adensável. Passados 60% do 
tempo de adensamento máximo estimado da camada, mediu-se a sobressão hidrostática 
(excesso de pressão neutra). Qual o valor mais esperado pela leitura se considerado 
condições ideais com a analogia de Terzaghi?
A) 500 kN.
B) 400 kN.
C) 300 kN.
D) 200 kN.
E) 100 kN.
5) Qual dos solos abaixo deve apresentar maior deformabilidade ao longo do tempo:
A) Pedregulhos com areia fina saturado.
B) Silte com areia saturado.
C) Solo residual saprofítico com presença de nível freático acima.
D) Solo argilosos de ambiente bem drenado com presença de argilas caulinitas.
E) Solo argilosos de ambiente mal drenado com presença de argilas ilitas.
Na prática
Veja no Na Prática, um exemplo de ocorrência do recalque diferencial:
Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Mecanalisando o ENSAIO DE TRAÇÃO
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Leaning Tower of Pisa: Behaviour after Stabilization 
Operations
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Tensões nos Solos
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