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FALÁCIA - Texto e exercícios

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IDEOLOGIA E “FALÁCIA” 
A falácia é um tipo de raciocínio incorreto, embora tenha a aparência de correção. É conhecida também como sofisma ou 
paralogismo, e alguns estudiosos fazem a distinção entre eles, dando ao sofisma o sentido pejorativo decorrente da intenção 
de enganar o interlocutor, enquanto no paralogismo não haveria essa intenção. 
As falácias podem ser formais, quando contrariam as regras do raciocínio correto, e não-formais, quando, segundo o professor 
norte-americano Irving Copi, os erros decorrem de “inadvertência ou falta de atenção ao nosso tema, ou então porque 
somos iludidos por alguma ambigüidade na linguagem usada para formular nosso argumento”. 
São inúmeros os tipos de falácia e por isso vamos nos restringir a alguns poucos. 
 
Falácias não-formais 
Comecemos pelas falácias não-formais, bastante comuns na vida diária. 
Muitas falácias decorrem do fato de algumas premissas serem irrelevantes para a aceitação da conclusão, mas são usadas 
com a função psicológica de convencer, mobilizando emoções como medo, entusiasmo, hostilidade ou reverência. 
Por exemplo, já havíamos nos referido ao argumento de autoridade como um tidpo de indução aceitável, desde que a autori-
dade fosse um especialista, tornando-se irrelevante se, por exemplo, recorremos à autoridade do cientista Einstein para 
justificar posições religiosas ou ao jogador Pelé para avaliar política. Trata-se de recurso desviante, em que é usado o pres-
tígio da autoridade para outro setor que não é da competência do especialista. Isso é muito comum na propaganda, quando 
artistas famosos “vendem” desde sabonetes até idéias (quando apóiam, por exemplo, um candidato às eleições). 
Há ainda o argumento de autoridade “às avessas”, no sentido de ser pejorativo e ofensivo, conhecido como argumento contra 
o homem. Ele ocorre quando consideramos errada uma conclusão porque parte de alguém por nós depreciado. Ao refutar a 
verdade, atacamos o homem que fez a afirmação: desconsiderar a filosofia de Francis Bacon porque ele perdeu seu cargo 
de Chanceler da Inglaterra depois de terem sido constatados atos de desonestidade; ou ainda desmerecer o valor musical 
de Wagner a partir de sua adesão aos movimentos anti-semitas. 
A falácia de acidente consiste em considerar essencial algo que não passa de acidente como, por exemplo, concluir que a 
medicina é inútil devido ao erro de um médico. Ou, sob outro aspecto, aplicar o que é válido como regra geral em circuns-
tâncias particulares e “acidentais” em que a regra se torna inaplicável. É o caso de pessoas excessivamente moralistas e 
legalistas, desejosas de aplicar cegamente as normas e as leis, independentemente da análise cuidadosa das circunstâncias 
específicas dos acontecimentos. 
A falácia de ignorância da questão consiste em se afastar da questão, desviando a discussão para outro lado. Um advogado 
habilidoso, que não tem como negar o crime do réu, enfatiza que ele é bom filho, bom marido, trabalhador, etc.; um verea-
dor acusado de ter gasto sem a autorização da Câmara põe em relevo a importância e urgência dos gastos; ou, ainda, o 
deputado que defende o governo acusado de corrupção em comissão de inquérito não se detém para avaliar os atos devi-
damente comprovados, mas discute questões formais do relatório da comissão ou enfatiza o pretenso revanchismo dos 
deputados oposicionistas. 
Há também falácias como a petição de princípio, ou círculo vicioso, que consiste em supor já conhecido o que é objeto da 
questão. Por exemplo: “Por que o ópio faz dormir? Porque tem uma virtude dormitiva” ou “Tal ação é injusta porque é 
condenável; e é condenável porque é injusta”. Nessas citações é fácil perceber o erro, mas nem sempre se descobre à pri-
meira vista que a afirmação da conclusão está presente entre as premissas, como no exemplo relatado por Copi: “Permitir 
a todos os homens uma liberdade ilimitada de expressão deve ser sempre, de um modo geral, vantajoso para o Estado; pois 
é altamente propício aos interesses da comunidade que cada indivíduo desfrute de liberdade, perfeitamente ilimitada, para 
expressar os seus sentimentos”. 
Outras vezes, as falácias não-formais decorrem de ambigüidades e falta de clareza, quando conceitos ou frases não são 
suficientemente esclarecidos ou são empregados com sentidos diferentes nas diversas etapas da argumentação. Trata-se de 
equívoco usarmos a palavra fim em dois sentido diferentes como se fosse o mesmo: “O fim de uma coisa é a sua perfeição; a 
morte é o fim da vida; logo a morte é a perfeição da vida”. 
 
Falácias formais 
Além das falácias não-formais, há as falácias formais, quando o argumento não atende às regras do pensamento correto e 
válido. (...) 
Entre as regras da conversão de proposições nas chamadas inferência imediatas, só se pode converter simplesmente uma 
proposição universal quando se trata de uma definição. Caso contrário, trata-se de falácia: “Todos os mamíferos são verte-
brados, logo, todos os vertebrados são mamíferos”. O certo seria: “...logo, alguns vertebrados são mamíferos”. 
Agora examinemos os seguintes argumentos: 
 
a) Todos os homens são loiros. Ora, eu sou homem. Logo, eu sou loiro. 
 
b) Todos os homens são vertebrados. Ora, eu sou vertebrado. Logo, eu sou homem. 
 
À primeira vista ficamos tentados em dizer que o argumento a é falso e b é verdadeiro. Mas não é assim tão simples. Embora 
a tenha a primeira premissa materialmente falsa (ou seja, o conteúdo dela não corresponde à realidade), trata-se de um 
raciocínio formalmente correto. Segundo as regras da lógica, colocadas tais premissas, a conclusão se põe necessariamente. 
Por outro lado, o raciocínio b, que tendemos a considerar verdadeiro, é formalmente inválido. Não importa se a conclusão 
corresponde à realidade, mas sim que não se trata de uma construção logicamente válida. Segundo uma das regras do 
silogismo, o termo médio deve ser, pelo menos uma vez, total. O termo médio (que no caso é “vertebrado”) é aquele que 
aparece nas duas premissas e permite estabelecer a ligação entre os outros dois termos. Essa regra não é atendida no racio-
cino b, pois os homens são alguns dentre os vertebrados, e eu sou um dos vertebrados. Para tornar mais clara esta evidência, 
vamos substituir “eu” por “meu gato”: 
Todos os homens são vertebrados. Meu gato é vertebrado. Logo, meu gato é homem. 
 
Os exemplos a e b são falácias, sendo o primeiro uma falácia quanto à matéria, embora se trate de argumento formalmente 
correto, enquanto o segundo é uma falácia quanto à forma, pois desatende uma regra do argumento válido. 
 
 
EXERCÍCIO DE ANÁLISE E FIXAÇÃO 
Identificar, abaixo, para cada item, o tipo de raciocínio (dedutivo ou indutivo) e, quando se tratar de um sofisma (falácia), 
correlacioná-lo, de acordo com os vários tipos apresentados pelo texto, correlacionando os raciocínios com as várias clas-
sificações apontadas a seguir. 
INDICAR O TIPO DE RACIOCÍNIO 
1. Todos os homens são mortais. João é homem. Logo, João é mortal. 
Tipo de raciocínio:_______________________________________ 
 
2. Todos os banhistas observados até hoje estavam queimados pelo sol. Logo, o próximo banhista que for observado es-
tará queimado pelo sol. 
Tipo de raciocínio:_______________________________________ 
 
Correlacionar os tipos de falácia ou sofismas indicados a seguir com os exemplos respectivos, abaixo, indicando a letra 
correspondente: 
a) Apelo à Piedade (Argumentum ad Misericordiam). Faz-se apelo à misericórdia do auditório de forma a que a conclusão 
seja aceite. 
b) Apelo à Ignorância (Argumentum ad Ignorantiam). Utiliza-se uma premissa baseada na insuficiência de evidências para 
sustentar ou negar uma dada conclusão. 
c) Apelo à Força (Argumentum ad Baculum). Pressão psicológica sobre o auditório. 
d) Apelo à Autoridade (Argumentum ad Verecundiam). Faz apelo à autoridade e prestígio de alguém para sustentar uma 
dada conclusão. 
e) Contra a Pessoa (Argumentum ad Hominem). Coloca-se em causa a credibilidade do oponente, de forma a desvalorizara 
importância dos seus argumentos. 
f) Petição de Princípio (Petitio Principi). Pretende-se provar uma conclusão, partindo de uma premissa que é a própria 
conclusão. 
g) Falsa Causa (Post hoc). A conclusão é extraída de uma sucessão de acontecimentos. 
h) Falso Dilema. Apenas são apresentadas duas alternativas, sendo omitidas todas as outras. 
 
1. Quem não está por mim, está contra mim. SOFISMA: ___ 
2. As minhas ideias são verdadeiras, quem não as seguir será castigado. SOFISMA: ___ 
3. Sr. Juiz não me prenda, porque se o fizer meus filhos ficam desamparados. SOFISMA: ___ 
4. O dinheiro desapareceu do cofre depois do João ter saído da loja. Logo.... SOFISMA: ___ 
5. Toda a gente sabe que as autarquias são corruptas. Por isso não faz sentido provar o contrário. SOFISMA: ___ 
6. Einstein, o maior gênio de todos os tempos, gostava de batatas fritas. Logo, as batatas fritas são o melhor alimento do 
mundo. SOFISMA: ___ 
7. Ninguém provou que Deus existe. Logo, Deus não existe. (OU) Ninguém provou que Deus não existe. Logo, Deus 
existe. SOFISMA: ___

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