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Argumentação baseada em falácias Apresentação A argumentação é uma habilidade sofisticada na comunicação humana; porém, quando baseada em falácias, pode levar a conclusões errôneas e ao obscurecimento da verdade. As falácias são erros lógicos que surgem no processo de argumentação, muitas vezes utilizadas intencionalmente para persuadir ou convencer sem fundamentos válidos. Essas armadilhas retóricas podem parecer convincentes à primeira vista, mas, ao serem examinadas mais detalhadamente, revelam-se como ilusões de lógica, carecendo de substância e veracidade. A habilidade de reconhecer falácias não só protege o indivíduo contra a desinformação, mas também aprimora sua própria capacidade de argumentação. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai conhecer a arte da retórica e descobrir os mecanismos por trás dos artifícios comumente utilizados em debates para capturar a adesão do auditório. Além disso, vai diferenciar argumentos comprobatórios e demonstrativos dos retóricos, compreendendo como cada um contribui para a construção de discursos eficazes. Por fim, vai ver o reconhecimento e o desmonte de falácias para discernir e argumentar com clareza, precisão e persuasão ética. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar os tipos de argumentos falaciosos.• Distinguir uma falácia de um argumento comprobatório.• Defender uma tese por meio da retórica.• Laiane Laiane Desafio No campo da argumentação, é essencial discernir entre raciocínios lógicos sólidos e aqueles que se baseiam em falácias. As falácias são erros de raciocínio que podem parecer argumentos válidos à primeira vista, mas, ao serem analisados com mais atenção, revelam-se fundamentados em premissas falsas ou distorcidas. Frequentemente empregadas para manipular opiniões ou distorcer a verdade, as falácias são obstáculos à compreensão e ao diálogo honesto. Portanto, identificar e compreender falácias é crucial para qualquer debate informado e para a manutenção da integridade intelectual. Acompanhe a situação a seguir: Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/c3e9b7ed-225d-4af7-9cac-2dc3c09f5857/f8d849c0-4c05-480a-ad08-0eacddee31a1.png Baseando-se na pesquisa fornecida, que estratégia falaciosa você utilizaria para apresentar tal argumento? Identifique uma falácia específica que poderia ser utilizada para distorcer intencionalmente os dados apresentados e, em seguida, explique por que essa estratégia seria eficaz em ocultar a verdadeira interpretação dos fatos, apesar de ser eticamente questionável e logicamente incorreta. Laiane PADRÃO DE RESPOSTA ESPERADO:Para argumentar de forma falaciosa que não existe desigualdade racial nas universidades, é possível empregar a falácia da generalização apressada. Essa falácia ocorre quando se faz uma conclusão baseada em dados insuficientes ou seletivos. Para empregar essa tática, poderia ser destacado o aumento percentual de negros no ensino superior, de 5,5% para 12,8%, como prova de progresso e igualdade, ignorando o contexto mais amplo e os detalhes que apontam para a desigualdade persistente.Além disso, poderia adotar a falácia do falso dilema, sugerindo que, uma vez que houve avanços, a desigualdade racial não pode mais existir, desconsiderando que a melhoria não significa necessariamente a resolução completa do problema. Também poderia utilizar a falácia da causa falsa, atribuindo o aumento da presença de negros nas universidades exclusivamente às políticas de ação afirmativa, sem reconhecer outras variáveis sociais e econômicas que contribuem para a complexidade do cenário educacional.Apesar de essas estratégias poderem temporariamente obscurecer a realidade da desigualdade racial nas universidades, é importante reconhecer que o uso de falácias é uma prática enganosa e antiética, que impede o progresso verdadeiro e informado em questões sociais complexas. Infográfico A arte da argumentação é uma peça central na comunicação humana, mas nem todos os argumentos são construídos com base na lógica sólida e válida. A argumentação retórica muitas vezes se vale de estratégias que, embora possam parecer convincentes à primeira vista, são fundamentadas em falácias lógicas. Essas falácias, que se manifestam de diversas formas, distorcem a validade dos argumentos, desviando a discussão da busca pela verdade para a manipulação emocional ou cognitiva. Neste Infográfico, você vai conhecer os tipos mais comuns de falácias na argumentação, ilustrando e explicando cada uma com exemplos práticos e compreensíveis para ajudar na identificação desses equívocos lógicos. Ao entender e reconhecer essas falácias, é possível aprimorar a habilidade de análise crítica, permitindo ser mais perspicaz na avaliação dos argumentos encontrados diariamente em debates, discursos políticos, mídia e interações sociais. Laiane Laiane Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/4e68d95e-306d-4ea4-94f9-8d1512d0561f/479e0bb9-3720-4811-bddf-2c5ebc3d474e.png Conteúdo do livro No mundo complexo da comunicação, a habilidade de argumentar e persuadir é fundamental. Porém, essa arte da argumentação muitas vezes se depara com desafios, principalmente quando a retórica da argumentação se baseia em falácias, que são armadilhas lógicas comuns no discurso humano. As falácias permeiam debates, propagandas políticas, meios de comunicação e até mesmo conversas cotidianas, obscurecendo a clareza e a validade dos argumentos apresentados. Identificar e entender as falácias permite uma análise crítica mais aprofundada dos argumentos, fortalecendo a capacidade de discernimento entre raciocínios válidos e falhos. Conhecer os diversos tipos de falácias aprimora a habilidade de construir argumentos sólidos e capacita a identificação e a correção de falhas nos argumentos alheios, promovendo debates mais produtivos e esclarecedores. No capítulo Argumentação baseada em falácias, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você vai compreender como são construídas essas armadilhas lógicas ao identificar os tipos de argumentos falaciosos, oferecendo exemplos elucidativos para cada um. Vai conhecer as diferenças entre uma falácia e um argumento comprobatório, promovendo a habilidade de discernimento entre raciocínios válidos e inválidos. Por fim, pode aprimorar sua capacidade de defender uma tese por meio da retórica, enfatizando a importância de uma argumentação fundamentada e convincente. Boa leitura. Laiane Laiane COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO Letícia Sangaletti Argumentação baseada em falácias Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Identificar os tipos de argumentos falaciosos. � Distinguir uma falácia de um argumento comprobatório. � Defender uma tese por meio da retórica. Introdução Neste texto, você estudará a arte de falar bem, ou seja, a retórica. Tam- bém conhecerá os artifícios normalmente usados pelos debatedores para conseguir a adesão do auditório. Reconhecer e aplicar argumentos comprobatórios, demonstrativos e retóricos é um passo muito importante rumo ao uso funcional e eficiente da língua. Tipos de argumentos falaciosos Antony Weston (1996) apresenta, em seu livro A arte de argumentar, uma lista de falácias. As falácias são, de acordo com o autor, erros e incorreções em argumentos. O estudioso explica que Muitas delas são tão tentadoras e, portanto, tão comuns que até têm nomes próprios. Isto pode fazê-las parecer um tópico novo e separado, mas, na ver- dade, dizermos que algo é uma falácia é apenas outra forma de dizermos que uma das regras dos bons argumentos foi violada. (WESTON, 1996, p. 46). Weston (1996) afirma que, para o leitor compreender as falácias, primeiro necessita entender quaisregras foram violadas. Por isso, apresenta duas falácias gerais e expõe uma lista de falácias frequentemente usadas. Laiane Laiane A primeira falácia citada por Weston (1996) é a da generalização a partir da informação incompleta. Para o teórico, um dos erros mais comuns é tirar conclusões a partir de dados insuficientes. “Fácil ver este erro quando os outros o fazem, mas é mais difícil vê-lo quando somos nós a fazê-lo [...]”, Weston (1996) afirma. Já a segunda falácia, que também é considerada comum para o autor, é a que consiste em ignorar alternativas. Isso acontece, entre outras situações, quando as pessoas estão tentadas a tomar decisões, por exemplo. Além disso, em questões éticas também há tendência para que alternativas sejam ignoradas. Diz-se, por exemplo, que ou o feto é um ser humano, com todos os direitos que isso implica, ou então que é um bocado de tecido, sem qualquer significado moral. Diz-se que qualquer uso de produtos animais é errado, ou que todos os usos correntes são aceitáveis. E assim por diante. Contudo, como você sabe, existem com certeza outras possibilidades além das que acabou de ler. Tente sempre aumentar o número de opções a considerar, e não diminuí-lo! (WESTON, 1996, p. 47). O teórico cita uma lista de falácias. A seguir, você pode ver algumas delas (WESTON, 1996, p. 47-51). � Ad hominem (contra o homem): atacar pessoalmente uma putativa autoridade, e não as suas qualificações. � Ad ignorantiam (apelo à ignorância): argumentar que uma afirmação é verdadeira só porque não se mostrou falsa. � Ad misericordiam (apelo à compaixão): apelar à compaixão como argumento para obter um tratamento especial. � Ad populum (apelo à multidão): apelar às emoções da multidão. Inclui também o apelo para que alguém “se deixe ir” com a multidão. � Causa falsa: termo genérico para uma conclusão discutível acerca de causas e efeitos. � Composição: assumir que o todo tem de ter as mesmas propriedades das partes. � Definição persuasiva: definir um termo de uma forma que parece correta, mas que é, de fato, sutilmente tendenciosa. � Divisão: supor que as partes do todo têm de ter as propriedades do todo. � Equivocidade: usar uma única palavra em mais de um sentido. � Espantalho: caricaturar uma opinião oposta para que seja, assim, fácil de refutar. � Falso dilema: reduzir as opções possíveis a apenas duas, muitas vezes cla- ramente opostas e injustas para a pessoa contra a qual o dilema é colocado. Argumentação baseada em falácias174 Laiane Laiane Laiane Laiane � Irrelevância: introduzir um assunto irrelevante ou secundário, des- viando assim a atenção do assunto principal. Em geral, para desviar a atenção se usa um assunto acerca do qual as pessoas têm opiniões fortes, para que assim não se note que a atenção está sendo desviada. � Negação do antecedente: uma falácia dedutiva da forma. O argumento não considera explicações alternativas. � Non sequitur (literalmente: não se segue): tirar uma conclusão que “não se segue”, ou seja, uma conclusão que não é uma inferência razoável a partir dos dados disponíveis. Termo muito geral para um mau argumento. Procure saber especificamente o que (se afirma que) está errado com o argumento. � Palavra ambígua: mudar o sentido de uma palavra no meio de uma argumentação, de maneira que a conclusão possa se manter, apesar de o sentido poder ter mudado radicalmente. Geralmente, é uma manobra realizada debaixo da pressão de um contraexemplo. � Pergunta complexa: fazer uma pergunta ou introduzir um assunto de tal forma que uma pessoa não possa concordar ou discordar sem se comprometer com outra posição que o autor da pergunta quer promover. � Petitio principii (petição de princípio): usar implicitamente a sua conclusão como premissa. � Poço envenenado: usar uma linguagem tendenciosa para denegrir um argumento ainda antes de este chegar a ser apresentado. � Post ergo, ergo propter hoc (literalmente: depois disto, logo por causa disto): assumir uma relação causal demasiado depressa com base na mera sucessão temporal. � Provincianismo: tomar um fato local por um fato universal. � Supressão de dados: apresentar unicamente a parte dos dados que sustenta a afirmação, ignorando as partes que a contradizem. Falácia x argumento comprobatório Para compreender o que é falácia, você precisa entender o que é argumento. De acordo com Labossiere (c2002-2010), um argumento consiste de uma ou mais premissas e uma conclusão: “A premissa é uma declaração (uma frase que é verdadeira ou falsa) que é oferecida em apoio à afirmação feita, que é a conclusão (que também é uma sentença que pode ser verdadeira ou falsa).” (LABOSSIERE, c2002-2010). De acordo com o teórico, são dois os principais tipos de argumentos, como você pode ver a seguir (LABOSSIERE, c2002-2010). 175Argumentação baseada em falácias Laiane Laiane Laiane � Argumento dedutivo: premissas oferecem ou parecem oferecer suporte completo para a conclusão. É conhecido como um argumento válido e, se todas as suas premissas são verdadeiras, a conclusão também será. � Argumento indutivo: nesse caso, as premissas proporcionam ou pa- recem proporcionar certo grau de apoio para se chegar à conclusão. É conhecido como um argumento indutivo forte ou “convincente”. Assim, se há premissas verdadeiras, a conclusão provavelmente será verdade. Labossiere (c2002-2010) fala que o argumento será bom se as premissas fornecerem realmente o necessário grau de apoio para a conclusão. Se o argu- mento é válido e todas as suas premissas são verdadeiras, ele será conhecido como um argumento sólido. Porém, se for inválido, ou possuir uma ou mais premissas falsas, será vulnerável. No caso dos argumentos comprobatórios, há a sustentação dos argumentos a partir de dados, estatísticas, percentuais, que são informações apresentadas pelo interlocutor. Esse tipo de argumento é bastante usado para contestar um ponto de vista equivocado. Observe, a seguir, uma reportagem da revista Exame (SANTOS, 2017). Os números da violência contra mulheres no Brasil São Paulo — Uma em cada três mulheres sofreu algum tipo de vio- lência no último ano. Só de agressões físicas, o número é alarmante: 503 mulheres brasileiras vítimas a cada hora. Esses números, que mostram o persistente problema da violência contra as mulheres no Brasil, fazem parte de uma pesquisa feita pelo Datafolha e encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança. Os dados, divulgados hoje, no Dia Internacional da Mulher, mostram que 22% das brasileiras sofreram ofensa verbal no ano passado, um total de 12 milhões de mulheres. Além disso, 10% das mulheres sofreram ameaça de violência física, 8% sofreram ofensa sexual, 4% receberam ameaça com faca ou arma de fogo. E ainda: 3% ou 1,4 milhão de mulheres sofreram espancamento ou tentativa de estrangulamento, e 1% levou pelo menos um tiro. A pesquisa mostrou que, entre as mulheres que sofreram violência, 52% se calaram. Apenas 11% procuraram uma delegacia da mulher e 13% preferiram o auxílio da família. E o agressor, na maior parte das vezes, é um conhecido (61% dos casos). Em 19% das vezes, eram companheiros atuais das vítimas e em 16% eram ex-companheiros. Argumentação baseada em falácias176 Laiane Laiane Laiane Laiane As agressões mais graves ocorreram dentro da casa das vítimas, em 43% dos casos, ante 39% nas ruas. Assédio O levantamento do Datafolha apontou que 40% das mulheres acima de 16 anos sofreram algum tipo de assédio, o que inclui receber comen- tários desrespeitosos nas ruas (20,4 milhões de vítimas), sofrer assédio físico em transporte público (5,2 milhões) e/ou ser beijada ou agarrada sem consentimento (2,2 milhões de mulheres). Os assédios mais graves aconteceram entre adolescentes e jovens de 16 a 24 anos e entre mulheres negras. Só entre as vítimas de comentários desrespeitosos, 68% eram jovens e 42% mulheres negras. Já em assédio físico em transporte público,17% eram jovens e 12% negras. E esse tipo de violência todo mundo percebe. Cerca de 66% dos brasileiros presenciaram uma mulher sendo agredida fisicamente ou verbalmente em 2016. E, em vez de o cenário ter melhorado, a sensação da maioria dos brasileiros (73%) é de que a violência contra a mulher aumentou ainda mais na última década. A maior parte das mulheres (76%) acredita no mesmo. Esses números, que mostram o persistente problema da violência contra as mulheres no Brasil, fazem parte de uma pesquisa do Datafolha encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança, como você viu. É possível observar que todo o texto possui argumentos com base em dados apresentados, para comprovar o que está sendo narrado. Caso não apresentasse esses dados, as informações poderiam ser falaciosas. No que concerne à falácia, Labossiere (c2002-2010) considera, ge- nericamente, que se trata de um erro de raciocínio, o que é diferente de um erro factual, que implica estar errado sobre os fatos: “Para ser mais específico, uma falácia é um ‘argumento’ em que as premissas dadas para a conclusão não fornecem o necessário grau de apoio.” (LABOSSIERE, c2002-2010, p. 4). A falácia dedutiva é um argumento dedutivo inválido. Dessa forma, todas as premissas podem ser verdadeiras e ainda assim haver uma conclusão falsa. Uma falácia indutiva é menos formal do que uma falácia dedutiva. Ela inclui simplesmente “argumentos” que parecem ser argumentos indutivos, mas as premissas não dão suporte suficiente para a conclusão. Nesses casos, mesmo se as premissas forem verdadeiras, a conclusão não seria mais provável de ser verdade (LABOSSIERE, c2002-2010, p. 4). 177Argumentação baseada em falácias Laiane Laiane Para saber mais sobre o processo, leia o texto “Retórica e Argumentação” (SERRA, 1996). Como defender uma tese por meio da retórica Conhecida como a arte de falar bem, a retórica usa argumentos, falácias, expres- sões faciais, corporais e estratégias argumentativas para convencer o interlocutor. Os argumentos quase lógicos são os de compatibilidade ou incompati- bilidade, regra de justiça, definição e identidade, ridículo, pragmático, ad personam, exemplo, ilustração, modelo, analogia e emoção. Já os argumentos baseados em falácias ou sofismas — que são argumentos que parecem ser corretos e lógicos, mas são errados ou não conclusivos — e os argumentos falsos que induzem ao erro podem ser falácias formais ou informais. As falácias formais são consideradas falhas na organização do pensamento. Já as falácias não formais são falsos argumentos usados inten- cionalmente. Como exemplos de falácias não formais, você pode considerar: recurso à força, recurso ofensivo, recurso à ignorância, apelo à piedade, apelo popular/emocional, generalização, enquadramento manipulador, dilema, falso argumento de autoridade, pergunta retórica, pergunta complexa, argumentação em círculos, expressões faciais, gestos, tons de voz, silêncio, etc. Quando se fala de retórica, é importante retomar o filósofo Aristóteles, conhecido, entre outros pontos, por dois estudos importantes: a Poética e a Arte Retórica. O estudioso afirmava que a função da retórica não é de persuadir, mas de discernir os meios de persuasão (DAYOUB, 2004). Reboul (2004, p. 44) explica que, de acordo com a tradição da Grécia antiga, a retórica é decomposta por quatro etapas. Essas etapas representam quatro fases: invenção, disposição, elocução e ação. A partir delas, se chega à defesa de uma tese. Argumentação baseada em falácias178 Laiane Laiane O teórico afirma ainda que as quatro etapas podem ser entendidas como tarefas (erga) que devem ser cumpridas pelo orador. A etapa da invenção consiste em compreender o assunto e reunir todos os argumentos pertinentes. A da disposição significa pô-los em ordem. Já a elocução se trata de redigir o discurso da melhor forma possível. Por último, a ação é o ato de proferi-lo. Se o orador cumprir com as tarefas, o discurso terá menor possibilidade de se tornar vazio, desordenado ou mal escrito (REBOUL, 2004). Essas etapas são descritas por Vanoye (2007) de modo diferente, mas seguindo a mesma lógica. O teórico explica que a retórica possui quatro tempos, nos quais é feita a composição e a organização do discurso verbal. Num primeiro, tem-se como tarefa encontrar o que se vai dizer (argumentos); num segundo, procura-se dispor o que se encontrou numa ordem que depende do objetivo traçado (informar, demonstrar, convencer, emocionar: cada uma dessas operações conduz a uma organização particular dos elementos do discurso). Em suma, é preciso construir um plano e, em especial, cuidar da elaboração do começo e do fim do discurso. Num terceiro tempo, a tarefa é a de atentar para o modo de apresentação dos argumentos, recorrendo-se às figuras. Finalmente, no quarto tempo, o trabalho constitui-se em dizer o discurso, utilizando os recursos vocais (dicção) e os gestuais. (VANOYE, 2007, p. 47-48). Como exemplo, considere o texto a seguir, de Andrea Ramal, publicado no site G1, em 26/10/2017. Redação do Enem dá um passo à frente na liberdade de expressão Está suspenso provisoriamente pela Justiça Federal o item do edital do Enem que prevê nota zero e, portanto, desclassificação para quem expressar desrespeito aos direitos humanos na prova de redação. Se os responsáveis pelo exame tiverem juízo, devem simplesmente acatar a decisão. É um silogismo: entre os direitos humanos, está a liberdade de expres- são. Logo, para um candidato ser julgado em condições iguais que os demais, deveria ter a sua liberdade de pensamento e expressão respeitada. O Enem previa que, dependendo dos pensamentos que os candidatos manifestassem, eles pudessem ser eliminados. Não é um contrassenso? A prova de redação pede um texto dissertativo-argumentativo, em geral sobre um problema atual e polêmico. Entre os temas, já tivemos o racismo, a violência contra a mulher, a intolerância religiosa, o trabalho infantil. É requerido do candidato que, além de analisar as questões e defender seus pontos de vista, apresente possíveis soluções, viáveis e factíveis. 179Argumentação baseada em falácias Laiane Laiane Ao longo dos anos, com o aumento das posturas radicais, já se leu de tudo entre as soluções propostas pelos candidatos. Na lógica do edital do Enem, o ensino superior não desejaria contar com indivíduos que não tivessem afinidade com a mentalidade e as atitudes de um cidadão do século XXI. Portanto, redações que defendessem violência, exclusão, agressividade ou qualquer tipo de extremismo radical seriam desconsideradas pelos avaliadores. Se a tese faz sentido, a prática não é tão simples. O que é exatamente ferir os direitos humanos num texto? Por exemplo, suponhamos uma redação cujo autor defende um pensador ou candidato político rotulado como “direita” ou “esquerda”. Outro texto que defende práticas comuns em outros países, como pena de morte ou porte de armas. Outro, ainda, que defende o princípio de “olho por olho, dente por dente”. Essas ideias devem anular um texto? Sim, não, ou depende do avaliador? Corrigir uma redação já é uma atividade carregada de subjetividade; quanto mais será o ato de avaliar os limites de um posicionamento ideoló- gico. Ao retirar o critério do respeito aos direitos humanos do julgamento da qualidade de uma redação, o Enem dá um passo rumo à isenção e à neutralidade da análise, quesitos necessários num exame que envolve tais dimensões e tal heterogeneidade, com 7 milhões de participantes e 10 mil avaliadores. Valem nota, agora ao menos provisoriamente, aspectos puramente técnicos, como a capacidade de usar a linguagem para argumentar, ou a clareza na expressão das ideias. Quanto aos que desrespeitam os direitos humanos, sua sentença ficará para depois. A própria vida ensinará — assim esperamos — que todos os seres humanos nascemos livres e iguais em dignidade e em direitos. Quem tiver razão e consciência respeitará esses princípios dentroe fora da prova do Enem. A seguir, você pode ver as etapas propostas por Reboul (2004) aplicadas ao texto que acabou de ler. Invenção/encontrar: aqui, o interlocutor precisa compreender o tema e reunir argumentos. Observe: � texto de redação é dissertativo-argumentativo; � candidato deve analisar as questões; � candidato deve defender seus pontos de vista; � candidato deve apresentar soluções possíveis, viáveis e factíveis. Argumentação baseada em falácias180 Laiane Disposição/dispor: essa etapa significa colocar os argumentos em ordem. Veja (RAMAL, 2017): “A prova de redação pede um texto dissertativo-argumentativo, em geral sobre um problema atual e polêmico. Entre os temas, já tivemos o racismo, a violência contra a mulher, a intolerância religiosa, o trabalho infantil.” “É requerido do candidato que, além de analisar as questões e defender seus pontos de vista, apresente possíveis soluções, viáveis e factíveis.” “Ao longo dos anos, com o aumento das posturas radicais, já se leu de tudo entre as soluções propostas pelos candidatos.” “Na lógica do edital do Enem, o ensino superior não desejaria contar com indivíduos que não tivessem afinidade com a mentalidade e as atitudes de um cidadão do século XXI. Portanto, redações que defendessem violência, exclusão, agressividade ou qualquer tipo de extremismo radical seriam des- consideradas pelos avaliadores”. Elocução/figuras: trata-se de redigir o discurso da melhor forma possível, recorrendo a figuras. Observe (RAMAL, 2017): “O que é exatamente ferir os direitos humanos num texto? Por exemplo, suponhamos uma redação cujo autor defende um pensador ou candidato político rotulado como ‘direita’ ou ‘esquerda’. Outro texto que defende práticas comuns em outros países, como pena de morte ou porte de armas. Outro, ainda, que defende o princípio de ‘olho por olho, dente por dente’. Essas ideias devem anular um texto? Sim, não, ou depende do avaliador?” Ação/dizer: nesse caso, a forma de “proferir” o texto é por escrito, mas ele completaria as fases propostas por Reboul (2004) e Vanoye (2007) se fossem utilizados gestos e sons. 181Argumentação baseada em falácias Laiane Laiane Laiane DAYOUB, K. M. A ordem das ideias: palavra, imagem, persuasão: a retórica. Barueri: Manole, 2004. LABOSSIERE, M. C. 42 falacies. [S.l.], c2002-2010. Disponível em: . Acesso em: 18 nov. 2017. RAMAL, A. Enem: veja ‘redação modelo’ sobre educação para surdos. G1, Rio de Janeiro, 05 nov. 2017. Disponível em: . Acesso em: 18 nov. 2017. REBOUL, O. Introdução à retórica. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2004. SANTOS, B. F. Os números da violência contra mulheres no Brasil. Exame, São Paulo, 08 mar. 2017. Disponível em: . Acesso em: 18 nov. 2017. SERRA, P. Retórica e argumentação. Covilhã: Universidade da Beira Interior, 1996. Dis- ponível em: . Acesso em: 18 nov. 2017. VANOYE, F. Usos da linguagem. 13. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007. VARGAS, G. Carta testamento. Rio de Janeiro, 1954. Disponível em: . Acesso em: 19 nov. 2017. WESTON, A. A arte de argumentar. Lisboa: Gradiva, 1996. Leitura recomendada DOWNES, S. Guia das falácias de Stephen Downes. Edmonton: University of Alberta, 1996. Disponível em: . Acesso em: 18 nov. 2017. Argumentação baseada em falácias182 Dica do professor A retórica, como arte da persuasão, utiliza uma gama variada de instrumentos para alcançar seus objetivos. Entre essas ferramentas, encontramos as falácias, armadilhas lógicas que, embora possam parecer convincentes à primeira vista, distorcem a validade dos argumentos. A habilidade de reconhecer e compreender essas falácias é fundamental para uma análise crítica mais aprofundada dos discursos, debates e textos que encontramos em nossa jornada comunicativa. Nesta Dica do Professor, você vai embarcar em uma jornada para desvendar as engrenagens por trás das falácias. Vai compreender como são construídas essas armadilhas lógicas ao identificar os tipos de argumentos falaciosos, acompanhados de exemplos elucidativos para cada um. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/efc707c4b5b972002bd5684c2f913617 Exercícios 1) Os argumentos falaciosos são raciocínios inválidos que, apesar de parecerem lógicos, contêm erros que os tornam inadequados para fundamentar uma conclusão. Identificar esses tipos de argumentos é crucial para analisar criticamente textos e discursos, evitando ser influenciado por informações enganosas ou mal fundamentadas. Leia as descrições dos argumentos a seguir: I. O governo afirma que a economia está melhorando, mas sabemos que eles mentem com frequência, então não podemos acreditar nessa informação. II. Todos os professores de matemática que conheço são chatos, então todos os professores de matemática devem ser chatos. III. Estudos científicos mostram que a maioria das pessoas prefere assistir à televisão a ler livros, portanto, a leitura de livros não é uma atividade comum. IV. Os cientistas afirmam que o aquecimento global é causado pela atividade humana, mas essas informações são difíceis de compreender e normalmente requerem análises mais técnicas. Selecione a alternativa correta. A) As assertivas I e III são falácias. B) As assertivas II e III são falácias. C) As assertivas III e IV são falácias. D) As assertivas I e IV são falácias. E) As assertivas I e II são falácias. No contexto histórico brasileiro, o fragmento transcrito da carta-testamento de Getúlio Vargas reflete um momento de intensa pressão política e social, revelando as adversidades enfrentadas pelo líder político em meio a acusações e ataques. “Mais uma vez as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam, e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes. Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos 2) Laiane Laiane Indicar que o governo sempre mente é um exemplo de argumento ad hominem, em que se ataca o caráter ou a credibilidade de quem apresenta a informação, em vez de contestar diretamente o argumento. Já indicar que todos os professores de matemática são chatos é um exemplo de generalização apressada, em que uma conclusão é tirada com base em uma amostra muito pequena.Ao afirmar com base nos estudos científicos que a atividade de leitura incomum é baseada em um argumento lógico e plausível, supõe-se que a maioria está sempre correta. Já a afirmativa sobre o aquecimento global, embora se utilize de argumento com apelo à ignorância, a complexidade de um argumento não afeta sua validade. Portanto, as assertivas I e II podem ser consideradas exemplos de falácias. econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci” (Carta [...], [2001]). Diante do trecho destacado da carta-testamento de Getúlio Vargas, identifique a alternativa correta: A) Reforça a imagem de um herói defensor do povo humilde brasileiro. B) Ridicularizar os opositores que enfrentam o herói. C) Demonstrar a compatibilidade entre o que ele diz e o que dizem dele. D) Construir uma argumentação ofensiva contra o herói nacional. E) Apresentar o discurso do dilema entre o bem e o mal. 3) Quando se trata de debater ou defender pontos de vista, é fundamental compreender a diferença entre argumentos baseados em evidênciassólidas e aqueles que se baseiam em lógica defeituosa. Considerando essa relevância, assinale a alternativa que representa um exemplo de argumento comprobatório e não uma falácia: A) "Muitas pessoas acreditam que a homeopatia é eficaz, portanto, é verdade que a homeopatia funciona." B) "O diretor da empresa garantiu que o novo produto é excelente, então deve ser verdade, pois ele tem muitos anos de experiência na área." C) "Segundo estudos científicos recentes, a vacina contra determinada doença reduziu drasticamente os casos da enfermidade, comprovando sua eficácia." D) "Todos os médicos concordam que o exercício físico é benéfico para a saúde, logo, o exercício é inquestionavelmente benéfico." E) "Eu nunca vi um gato voar, portanto, é impossível que gatos possam voar." Na história da filosofia, os estudos sobre argumentação e persuasão foram debatidos por muitos pensadores. A argumentação lógica e a retórica são dois desses enfoques. A argumentação lógica enfatiza a apresentação de evidências e a estruturação de raciocínios consistentes para sustentar uma tese. Por sua vez, a retórica se concentra em persuadir o público por meio de técnicas persuasivas e emocionais. 4) Laiane Laiane Laiane No fragmento transcrito da carta-testamento de Getúlio Vargas, é possível constatar que o esforço de Getúlio é para reforçar a imagem de um herói em defensor do povo humilde brasileiro, pois ele se apresenta e se identifica ao leitor como alguém que luta incessantemente em favor do povo e consegue vencer os adversários. Além disso, ele situa os opositores como vilões, não com o objetivo de ridicularizá-los, assim como demonstra incompatibilidade entre o que ele diz e o que dizem dele. A carta é uma argumentação defensiva, em favor de si próprio. O fragmento não retrata um dilema, ou seja, a dúvida entre o bem e o mal. Laiane argumentação lógica se concentra na apresentação de evidências, na lógica e na construção de argumentos racionais para sustentar uma tese ou posição. Por sua vez, a retórica utiliza técnicas persuasivas, muitas vezes apelando para as emoções e os valores do público-alvo, sem necessariamente se apoiar em evidências ou raciocínio lógico. Portanto, é correto afirmar que a argumentação lógica enfatiza a apresentação de evidências, e a retórica se baseia na argumentação persuasiva e emocional. A partir desse contexto, identifique a alternativa correta sobre qual é a principal diferença entre a argumentação lógica e a retórica? A) A argumentação lógica visa persuadir o público por meio de técnicas emocionais, já a retórica se baseia em evidências e raciocínio lógico. B) A retórica busca persuadir por meio de técnicas lógicas, já a argumentação lógica é baseada na persuasão emocional. C) A retórica utiliza raciocínio lógico e estruturado, já a argumentação lógica se baseia na persuasão por meio de emoções. D) A argumentação lógica enfatiza a apresentação de evidências, já a retórica se baseia na argumentação persuasiva e emocional. E) A argumentação lógica e a retórica são idênticas em seus objetivos e métodos de persuasão. 5) No estudo da argumentação, identificar e compreender os diferentes tipos de argumentos é crucial para avaliar a validade e a eficácia de um ponto de vista apresentado. Entre as diversas categorias de argumentação, os argumentos comprobatórios são fundamentais. Esses argumentos se caracterizam por fornecerem evidências, dados ou exemplos que apoiam uma afirmação ou tese. A partir disso, qual das opções abaixo representa corretamente um tipo de argumento comprobatório? A) Refutar o argumento que pareça mais forte. B) Apresentar ilustrações reais, por meio de pequenas narrativas. C) Atacar e realçar os pontos fracos da argumentação contrária. D) Utilizar a técnica de redução, levando os argumentos contrários ao máximo de sua extensão. E) Escolher uma autoridade que tenha dito exatamente o contrário do que afirma o opositor. Laiane Laiane Laiane questão3:A sentença “Segundo estudos científicos recentes, a vacina contra determinada doença reduziu drasticamente os casos da enfermidade, comprovando sua eficácia" é um exemplo de um argumento comprobatório, pois utiliza evidências e resultados de estudos científicos para sustentar a afirmação. Já o argumento "Muitas pessoas acreditam que a homeopatia é eficaz, portanto, é verdade que a homeopatia funciona" é um exemplo de falácia de generalização, supondo que algo é verdadeiro apenas porque muitas pessoas acreditam nele. A sentença "O diretor da empresa garantiu que o novo produto é excelente, então deve ser verdade, pois ele tem muitos anos de experiência na área" é um exemplo de apelo à autoridade, assumindo que a afirmação é verdadeira porque uma pessoa em posição de autoridade a fez. O argumento "Todos os médicos concordam que o exercício físico é benéfico para a saúde, logo, o exercício é inquestionavelmente benéfico" é um exemplo de generalização excessiva, em que se assume que algo é sempre verdadeiro com base em um grupo específico. Já o argumento "Eu nunca vi um gato voar, portanto, é impossível que gatos possam voar" é um exemplo de argumento de falsa analogia, usando uma comparação inválida para sustentar uma conclusão. Laiane QUESTÃO 5: A ilustração, uma pequena narrativa usada em um texto dissertativo, é considerada como argumento comprobatório, caso o fato narrado seja real. Já refutar o argumento que pareça mais forte é uma estratégia argumentativa, não um argumento em si. Assim como atacar e realçar os pontos fracos da argumentação contrária é uma estratégia argumentativa, não um argumento em si. Utilizar a técnica de redução, levando os argumentos contrários ao máximo de sua extensão, também é uma estratégia argumentativa, não um argumento em si. Do mesmo modo, escolher uma autoridade que tenha dito exatamente o contrário do que afirma o opositor é uma estratégia argumentativa, não um argumento em si. Na prática A argumentação baseada em falácias pode ser uma estratégia produtiva na publicidade. No entanto, a dificuldade de caracterização de um argumento como falacioso pode gerar disputas jurídicas. Foi o que aconteceu em 2008, quando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão das propagandas de um iogurte. Neste Na Prática, você vai conhecer um exemplo prático de como a argumentação falaciosa pode ser difícil de se identificar categoricamente, tanto que em alguns casos é necessário recorrer às instâncias jurídicas para defini-la. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/dcb113ac-94ed-4498-8103-49bdb524a31d/c7e0b969-1390-4f08-b796-90d7084ed4ae.png Saiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Falácias, pós-verdade e ensino-aprendizagem de ciências Confira neste artigo uma reflexão sobre os impactos nocivos da disseminação de fake news e teorias pseudocientíficas, que alimentam o ódio e o negacionismo científico. Além disso, o artigo examina a ironia do uso de teses relativistas por pseudointelectuais conservadores. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Falácias Neste vídeo, é apresentado um conteúdo sobre a lógica e as falácias não formais. A partir de uma discussão sobre a relevância desse estudo no contexto brasileiro atual, a compreensão dessas falácias é essencial para navegar em um ambiente repleto de informações muitas vezes enganosas. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Retórica e interdisciplinaridade: uma conversa com Christopher Tindale Confira uma entrevista com o Professor Christopher Tindale, integrante do Centre for Research in Reasoning, Argumentation and Rhetoric (CRRAR) da Universidade de Windsor. O foco principal é no trabalho de Tindale sobre a teoria da argumentação, abordando temas como retórica,falácias, pensamento crítico e antropologia da argumentação, além da história e conceitos de seus livros. https://periodicos.unespar.edu.br/index.php/ensinoepesquisa/article/view/3932/2964 https://www.youtube.com/embed/tF6rxXM0Mcw?si=YpVAIj-Y7uoWnio1 Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://periodicos.uesc.br/index.php/eidea/article/view/3414/2248