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Argumentação baseada em falácias
Apresentação
A argumentação é uma habilidade sofisticada na comunicação humana; porém, quando baseada em 
falácias, pode levar a conclusões errôneas e ao obscurecimento da verdade. As falácias são erros 
lógicos que surgem no processo de argumentação, muitas vezes utilizadas intencionalmente para 
persuadir ou convencer sem fundamentos válidos.
Essas armadilhas retóricas podem parecer convincentes à primeira vista, mas, ao serem examinadas 
mais detalhadamente, revelam-se como ilusões de lógica, carecendo de substância e veracidade. A 
habilidade de reconhecer falácias não só protege o indivíduo contra a desinformação, mas também 
aprimora sua própria capacidade de argumentação.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai conhecer a arte da retórica e descobrir os mecanismos 
por trás dos artifícios comumente utilizados em debates para capturar a adesão do auditório. Além 
disso, vai diferenciar argumentos comprobatórios e demonstrativos dos retóricos, compreendendo 
como cada um contribui para a construção de discursos eficazes. Por fim, vai ver o reconhecimento 
e o desmonte de falácias para discernir e argumentar com clareza, precisão e persuasão ética.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Identificar os tipos de argumentos falaciosos.•
Distinguir uma falácia de um argumento comprobatório.•
Defender uma tese por meio da retórica.•
Laiane
Laiane
Desafio
No campo da argumentação, é essencial discernir entre raciocínios lógicos sólidos e aqueles que se 
baseiam em falácias. As falácias são erros de raciocínio que podem parecer argumentos válidos à 
primeira vista, mas, ao serem analisados com mais atenção, revelam-se fundamentados em 
premissas falsas ou distorcidas. Frequentemente empregadas para manipular opiniões ou distorcer 
a verdade, as falácias são obstáculos à compreensão e ao diálogo honesto. Portanto, identificar e 
compreender falácias é crucial para qualquer debate informado e para a manutenção da integridade 
intelectual.
Acompanhe a situação a seguir:
Aponte a câmera para o 
código e acesse o link do 
conteúdo ou clique no 
código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/c3e9b7ed-225d-4af7-9cac-2dc3c09f5857/f8d849c0-4c05-480a-ad08-0eacddee31a1.png
Baseando-se na pesquisa fornecida, que estratégia falaciosa você utilizaria para apresentar tal 
argumento? Identifique uma falácia específica que poderia ser utilizada para distorcer 
intencionalmente os dados apresentados e, em seguida, explique por que essa estratégia seria 
eficaz em ocultar a verdadeira interpretação dos fatos, apesar de ser eticamente questionável e 
logicamente incorreta.
Laiane
PADRÃO DE RESPOSTA ESPERADO:Para argumentar de forma falaciosa que não existe desigualdade racial nas universidades, é possível empregar a falácia da generalização apressada. Essa falácia ocorre quando se faz uma conclusão baseada em dados insuficientes ou seletivos. Para empregar essa tática, poderia ser destacado o aumento percentual de negros no ensino superior, de 5,5% para 12,8%, como prova de progresso e igualdade, ignorando o contexto mais amplo e os detalhes que apontam para a desigualdade persistente.Além disso, poderia adotar a falácia do falso dilema, sugerindo que, uma vez que houve avanços, a desigualdade racial não pode mais existir, desconsiderando que a melhoria não significa necessariamente a resolução completa do problema. Também poderia utilizar a falácia da causa falsa, atribuindo o aumento da presença de negros nas universidades exclusivamente às políticas de ação afirmativa, sem reconhecer outras variáveis sociais e econômicas que contribuem para a complexidade do cenário educacional.Apesar de essas estratégias poderem temporariamente obscurecer a realidade da desigualdade racial nas universidades, é importante reconhecer que o uso de falácias é uma prática enganosa e antiética, que impede o progresso verdadeiro e informado em questões sociais complexas.
Infográfico
A arte da argumentação é uma peça central na comunicação humana, mas nem todos os 
argumentos são construídos com base na lógica sólida e válida. A argumentação retórica muitas 
vezes se vale de estratégias que, embora possam parecer convincentes à primeira vista, são 
fundamentadas em falácias lógicas. Essas falácias, que se manifestam de diversas formas, distorcem 
a validade dos argumentos, desviando a discussão da busca pela verdade para a manipulação 
emocional ou cognitiva.
Neste Infográfico, você vai conhecer os tipos mais comuns de falácias na argumentação, ilustrando 
e explicando cada uma com exemplos práticos e compreensíveis para ajudar na identificação desses 
equívocos lógicos. Ao entender e reconhecer essas falácias, é possível aprimorar a habilidade de 
análise crítica, permitindo ser mais perspicaz na avaliação dos argumentos encontrados diariamente 
em debates, discursos políticos, mídia e interações sociais.
Laiane
Laiane
Aponte a câmera para o 
código e acesse o link do 
conteúdo ou clique no 
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https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/4e68d95e-306d-4ea4-94f9-8d1512d0561f/479e0bb9-3720-4811-bddf-2c5ebc3d474e.png
Conteúdo do livro
No mundo complexo da comunicação, a habilidade de argumentar e persuadir é fundamental. 
Porém, essa arte da argumentação muitas vezes se depara com desafios, principalmente quando a 
retórica da argumentação se baseia em falácias, que são armadilhas lógicas comuns no discurso 
humano. As falácias permeiam debates, propagandas políticas, meios de comunicação e até mesmo 
conversas cotidianas, obscurecendo a clareza e a validade dos argumentos apresentados.
Identificar e entender as falácias permite uma análise crítica mais aprofundada dos argumentos, 
fortalecendo a capacidade de discernimento entre raciocínios válidos e falhos. Conhecer os 
diversos tipos de falácias aprimora a habilidade de construir argumentos sólidos e capacita a 
identificação e a correção de falhas nos argumentos alheios, promovendo debates mais produtivos 
e esclarecedores.
No capítulo Argumentação baseada em falácias, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, 
você vai compreender como são construídas essas armadilhas lógicas ao identificar os tipos de 
argumentos falaciosos, oferecendo exemplos elucidativos para cada um. Vai conhecer as diferenças 
entre uma falácia e um argumento comprobatório, promovendo a habilidade de discernimento 
entre raciocínios válidos e inválidos. Por fim, pode aprimorar sua capacidade de defender uma tese 
por meio da retórica, enfatizando a importância de uma argumentação fundamentada e 
convincente.
Boa leitura.
Laiane
Laiane
COMUNICAÇÃO 
E EXPRESSÃO
Letícia Sangaletti
Argumentação 
baseada em falácias
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Identificar os tipos de argumentos falaciosos.
 � Distinguir uma falácia de um argumento comprobatório.
 � Defender uma tese por meio da retórica.
Introdução
Neste texto, você estudará a arte de falar bem, ou seja, a retórica. Tam-
bém conhecerá os artifícios normalmente usados pelos debatedores 
para conseguir a adesão do auditório. Reconhecer e aplicar argumentos 
comprobatórios, demonstrativos e retóricos é um passo muito importante 
rumo ao uso funcional e eficiente da língua.
Tipos de argumentos falaciosos
Antony Weston (1996) apresenta, em seu livro A arte de argumentar, uma 
lista de falácias. As falácias são, de acordo com o autor, erros e incorreções 
em argumentos. O estudioso explica que 
Muitas delas são tão tentadoras e, portanto, tão comuns que até têm nomes 
próprios. Isto pode fazê-las parecer um tópico novo e separado, mas, na ver-
dade, dizermos que algo é uma falácia é apenas outra forma de dizermos que 
uma das regras dos bons argumentos foi violada. (WESTON, 1996, p. 46). 
Weston (1996) afirma que, para o leitor compreender as falácias, primeiro 
necessita entender quaisregras foram violadas. Por isso, apresenta duas falácias 
gerais e expõe uma lista de falácias frequentemente usadas. 
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A primeira falácia citada por Weston (1996) é a da generalização a partir 
da informação incompleta. Para o teórico, um dos erros mais comuns é 
tirar conclusões a partir de dados insuficientes. “Fácil ver este erro quando 
os outros o fazem, mas é mais difícil vê-lo quando somos nós a fazê-lo [...]”, 
Weston (1996) afirma.
Já a segunda falácia, que também é considerada comum para o autor, é a 
que consiste em ignorar alternativas. Isso acontece, entre outras situações, 
quando as pessoas estão tentadas a tomar decisões, por exemplo. Além disso, 
em questões éticas também há tendência para que alternativas sejam ignoradas. 
Diz-se, por exemplo, que ou o feto é um ser humano, com todos os direitos 
que isso implica, ou então que é um bocado de tecido, sem qualquer significado 
moral. Diz-se que qualquer uso de produtos animais é errado, ou que todos 
os usos correntes são aceitáveis. E assim por diante. Contudo, como você 
sabe, existem com certeza outras possibilidades além das que acabou de ler. 
Tente sempre aumentar o número de opções a considerar, e não diminuí-lo! 
(WESTON, 1996, p. 47).
O teórico cita uma lista de falácias. A seguir, você pode ver algumas delas 
(WESTON, 1996, p. 47-51).
 � Ad hominem (contra o homem): atacar pessoalmente uma putativa 
autoridade, e não as suas qualificações. 
 � Ad ignorantiam (apelo à ignorância): argumentar que uma afirmação 
é verdadeira só porque não se mostrou falsa. 
 � Ad misericordiam (apelo à compaixão): apelar à compaixão como 
argumento para obter um tratamento especial. 
 � Ad populum (apelo à multidão): apelar às emoções da multidão. Inclui 
também o apelo para que alguém “se deixe ir” com a multidão. 
 � Causa falsa: termo genérico para uma conclusão discutível acerca de 
causas e efeitos. 
 � Composição: assumir que o todo tem de ter as mesmas propriedades 
das partes. 
 � Definição persuasiva: definir um termo de uma forma que parece 
correta, mas que é, de fato, sutilmente tendenciosa. 
 � Divisão: supor que as partes do todo têm de ter as propriedades do todo. 
 � Equivocidade: usar uma única palavra em mais de um sentido.
 � Espantalho: caricaturar uma opinião oposta para que seja, assim, 
fácil de refutar. 
 � Falso dilema: reduzir as opções possíveis a apenas duas, muitas vezes cla-
ramente opostas e injustas para a pessoa contra a qual o dilema é colocado. 
Argumentação baseada em falácias174
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 � Irrelevância: introduzir um assunto irrelevante ou secundário, des-
viando assim a atenção do assunto principal. Em geral, para desviar 
a atenção se usa um assunto acerca do qual as pessoas têm opiniões 
fortes, para que assim não se note que a atenção está sendo desviada. 
 � Negação do antecedente: uma falácia dedutiva da forma. O argumento 
não considera explicações alternativas. 
 � Non sequitur (literalmente: não se segue): tirar uma conclusão que “não 
se segue”, ou seja, uma conclusão que não é uma inferência razoável a partir 
dos dados disponíveis. Termo muito geral para um mau argumento. Procure 
saber especificamente o que (se afirma que) está errado com o argumento. 
 � Palavra ambígua: mudar o sentido de uma palavra no meio de uma 
argumentação, de maneira que a conclusão possa se manter, apesar de 
o sentido poder ter mudado radicalmente. Geralmente, é uma manobra 
realizada debaixo da pressão de um contraexemplo.
 � Pergunta complexa: fazer uma pergunta ou introduzir um assunto 
de tal forma que uma pessoa não possa concordar ou discordar sem se 
comprometer com outra posição que o autor da pergunta quer promover. 
 � Petitio principii (petição de princípio): usar implicitamente a sua 
conclusão como premissa. 
 � Poço envenenado: usar uma linguagem tendenciosa para denegrir um 
argumento ainda antes de este chegar a ser apresentado. 
 � Post ergo, ergo propter hoc (literalmente: depois disto, logo por causa 
disto): assumir uma relação causal demasiado depressa com base na 
mera sucessão temporal. 
 � Provincianismo: tomar um fato local por um fato universal. 
 � Supressão de dados: apresentar unicamente a parte dos dados que 
sustenta a afirmação, ignorando as partes que a contradizem.
Falácia x argumento comprobatório
Para compreender o que é falácia, você precisa entender o que é argumento. 
De acordo com Labossiere (c2002-2010), um argumento consiste de uma ou 
mais premissas e uma conclusão: “A premissa é uma declaração (uma frase 
que é verdadeira ou falsa) que é oferecida em apoio à afirmação feita, que é 
a conclusão (que também é uma sentença que pode ser verdadeira ou falsa).” 
(LABOSSIERE, c2002-2010).
De acordo com o teórico, são dois os principais tipos de argumentos, como 
você pode ver a seguir (LABOSSIERE, c2002-2010).
175Argumentação baseada em falácias
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 � Argumento dedutivo: premissas oferecem ou parecem oferecer suporte 
completo para a conclusão. É conhecido como um argumento válido e, 
se todas as suas premissas são verdadeiras, a conclusão também será.
 � Argumento indutivo: nesse caso, as premissas proporcionam ou pa-
recem proporcionar certo grau de apoio para se chegar à conclusão. É 
conhecido como um argumento indutivo forte ou “convincente”. Assim, 
se há premissas verdadeiras, a conclusão provavelmente será verdade.
Labossiere (c2002-2010) fala que o argumento será bom se as premissas 
fornecerem realmente o necessário grau de apoio para a conclusão. Se o argu-
mento é válido e todas as suas premissas são verdadeiras, ele será conhecido 
como um argumento sólido. Porém, se for inválido, ou possuir uma ou mais 
premissas falsas, será vulnerável. 
No caso dos argumentos comprobatórios, há a sustentação dos argumentos 
a partir de dados, estatísticas, percentuais, que são informações apresentadas 
pelo interlocutor. Esse tipo de argumento é bastante usado para contestar um 
ponto de vista equivocado. 
Observe, a seguir, uma reportagem da revista Exame (SANTOS, 2017).
Os números da violência contra mulheres no Brasil
São Paulo — Uma em cada três mulheres sofreu algum tipo de vio-
lência no último ano. Só de agressões físicas, o número é alarmante: 503 
mulheres brasileiras vítimas a cada hora.
Esses números, que mostram o persistente problema da violência 
contra as mulheres no Brasil, fazem parte de uma pesquisa feita pelo 
Datafolha e encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança.
Os dados, divulgados hoje, no Dia Internacional da Mulher, mostram 
que 22% das brasileiras sofreram ofensa verbal no ano passado, um total 
de 12 milhões de mulheres. Além disso, 10% das mulheres sofreram 
ameaça de violência física, 8% sofreram ofensa sexual, 4% receberam 
ameaça com faca ou arma de fogo. E ainda: 3% ou 1,4 milhão de mulheres 
sofreram espancamento ou tentativa de estrangulamento, e 1% levou 
pelo menos um tiro.
A pesquisa mostrou que, entre as mulheres que sofreram violência, 
52% se calaram. Apenas 11% procuraram uma delegacia da mulher e 13% 
preferiram o auxílio da família.
E o agressor, na maior parte das vezes, é um conhecido (61% dos 
casos). Em 19% das vezes, eram companheiros atuais das vítimas e em 
16% eram ex-companheiros.
Argumentação baseada em falácias176
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As agressões mais graves ocorreram dentro da casa das vítimas, em 
43% dos casos, ante 39% nas ruas.
Assédio
O levantamento do Datafolha apontou que 40% das mulheres acima 
de 16 anos sofreram algum tipo de assédio, o que inclui receber comen-
tários desrespeitosos nas ruas (20,4 milhões de vítimas), sofrer assédio 
físico em transporte público (5,2 milhões) e/ou ser beijada ou agarrada 
sem consentimento (2,2 milhões de mulheres).
Os assédios mais graves aconteceram entre adolescentes e jovens de 
16 a 24 anos e entre mulheres negras. Só entre as vítimas de comentários 
desrespeitosos, 68% eram jovens e 42% mulheres negras. Já em assédio 
físico em transporte público,17% eram jovens e 12% negras.
E esse tipo de violência todo mundo percebe. Cerca de 66% dos 
brasileiros presenciaram uma mulher sendo agredida fisicamente ou 
verbalmente em 2016.
E, em vez de o cenário ter melhorado, a sensação da maioria dos 
brasileiros (73%) é de que a violência contra a mulher aumentou ainda 
mais na última década. A maior parte das mulheres (76%) acredita no 
mesmo.
Esses números, que mostram o persistente problema da violência contra as 
mulheres no Brasil, fazem parte de uma pesquisa do Datafolha encomendada 
pelo Fórum Brasileiro de Segurança, como você viu.
É possível observar que todo o texto possui argumentos com base em dados 
apresentados, para comprovar o que está sendo narrado. Caso não apresentasse 
esses dados, as informações poderiam ser falaciosas.
No que concerne à falácia, Labossiere (c2002-2010) considera, ge-
nericamente, que se trata de um erro de raciocínio, o que é diferente de 
um erro factual, que implica estar errado sobre os fatos: “Para ser mais 
específico, uma falácia é um ‘argumento’ em que as premissas dadas para 
a conclusão não fornecem o necessário grau de apoio.” (LABOSSIERE, 
c2002-2010, p. 4). 
A falácia dedutiva é um argumento dedutivo inválido. Dessa forma, todas 
as premissas podem ser verdadeiras e ainda assim haver uma conclusão falsa. 
Uma falácia indutiva é menos formal do que uma falácia dedutiva. Ela inclui 
simplesmente “argumentos” que parecem ser argumentos indutivos, mas as 
premissas não dão suporte suficiente para a conclusão. Nesses casos, mesmo 
se as premissas forem verdadeiras, a conclusão não seria mais provável de ser 
verdade (LABOSSIERE, c2002-2010, p. 4).
177Argumentação baseada em falácias
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Para saber mais sobre o processo, leia o texto “Retórica e Argumentação” (SERRA, 1996).
Como defender uma tese por meio da retórica
Conhecida como a arte de falar bem, a retórica usa argumentos, falácias, expres-
sões faciais, corporais e estratégias argumentativas para convencer o interlocutor. 
Os argumentos quase lógicos são os de compatibilidade ou incompati-
bilidade, regra de justiça, definição e identidade, ridículo, pragmático, ad 
personam, exemplo, ilustração, modelo, analogia e emoção.
Já os argumentos baseados em falácias ou sofismas — que são argumentos 
que parecem ser corretos e lógicos, mas são errados ou não conclusivos — e 
os argumentos falsos que induzem ao erro podem ser falácias formais ou 
informais. As falácias formais são consideradas falhas na organização do 
pensamento. Já as falácias não formais são falsos argumentos usados inten-
cionalmente. Como exemplos de falácias não formais, você pode considerar: 
recurso à força, recurso ofensivo, recurso à ignorância, apelo à piedade, apelo 
popular/emocional, generalização, enquadramento manipulador, dilema, falso 
argumento de autoridade, pergunta retórica, pergunta complexa, argumentação 
em círculos, expressões faciais, gestos, tons de voz, silêncio, etc.
Quando se fala de retórica, é importante retomar o filósofo Aristóteles, conhecido, entre 
outros pontos, por dois estudos importantes: a Poética e a Arte Retórica. O estudioso 
afirmava que a função da retórica não é de persuadir, mas de discernir os meios de 
persuasão (DAYOUB, 2004). 
Reboul (2004, p. 44) explica que, de acordo com a tradição da Grécia 
antiga, a retórica é decomposta por quatro etapas. Essas etapas representam 
quatro fases: invenção, disposição, elocução e ação. A partir delas, se chega 
à defesa de uma tese. 
Argumentação baseada em falácias178
Laiane
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O teórico afirma ainda que as quatro etapas podem ser entendidas como 
tarefas (erga) que devem ser cumpridas pelo orador. A etapa da invenção 
consiste em compreender o assunto e reunir todos os argumentos pertinentes. 
A da disposição significa pô-los em ordem. Já a elocução se trata de redigir 
o discurso da melhor forma possível. Por último, a ação é o ato de proferi-lo. 
Se o orador cumprir com as tarefas, o discurso terá menor possibilidade de 
se tornar vazio, desordenado ou mal escrito (REBOUL, 2004).
Essas etapas são descritas por Vanoye (2007) de modo diferente, mas 
seguindo a mesma lógica. O teórico explica que a retórica possui quatro 
tempos, nos quais é feita a composição e a organização do discurso verbal.
Num primeiro, tem-se como tarefa encontrar o que se vai dizer (argumentos); 
num segundo, procura-se dispor o que se encontrou numa ordem que depende do 
objetivo traçado (informar, demonstrar, convencer, emocionar: cada uma dessas 
operações conduz a uma organização particular dos elementos do discurso). 
Em suma, é preciso construir um plano e, em especial, cuidar da elaboração do 
começo e do fim do discurso. Num terceiro tempo, a tarefa é a de atentar para o 
modo de apresentação dos argumentos, recorrendo-se às figuras. Finalmente, 
no quarto tempo, o trabalho constitui-se em dizer o discurso, utilizando os 
recursos vocais (dicção) e os gestuais. (VANOYE, 2007, p. 47-48).
Como exemplo, considere o texto a seguir, de Andrea Ramal, publicado 
no site G1, em 26/10/2017.
Redação do Enem dá um passo à frente na liberdade de expressão
Está suspenso provisoriamente pela Justiça Federal o item do edital 
do Enem que prevê nota zero e, portanto, desclassificação para quem 
expressar desrespeito aos direitos humanos na prova de redação. Se os 
responsáveis pelo exame tiverem juízo, devem simplesmente acatar a 
decisão.
É um silogismo: entre os direitos humanos, está a liberdade de expres-
são. Logo, para um candidato ser julgado em condições iguais que os 
demais, deveria ter a sua liberdade de pensamento e expressão respeitada. 
O Enem previa que, dependendo dos pensamentos que os candidatos 
manifestassem, eles pudessem ser eliminados. Não é um contrassenso?
A prova de redação pede um texto dissertativo-argumentativo, em geral 
sobre um problema atual e polêmico. Entre os temas, já tivemos o racismo, 
a violência contra a mulher, a intolerância religiosa, o trabalho infantil. É 
requerido do candidato que, além de analisar as questões e defender seus 
pontos de vista, apresente possíveis soluções, viáveis e factíveis.
179Argumentação baseada em falácias
Laiane
Laiane
Ao longo dos anos, com o aumento das posturas radicais, já se leu 
de tudo entre as soluções propostas pelos candidatos. Na lógica do 
edital do Enem, o ensino superior não desejaria contar com indivíduos 
que não tivessem afinidade com a mentalidade e as atitudes de um 
cidadão do século XXI. Portanto, redações que defendessem violência, 
exclusão, agressividade ou qualquer tipo de extremismo radical seriam 
desconsideradas pelos avaliadores.
Se a tese faz sentido, a prática não é tão simples. O que é exatamente 
ferir os direitos humanos num texto? Por exemplo, suponhamos uma 
redação cujo autor defende um pensador ou candidato político rotulado 
como “direita” ou “esquerda”. Outro texto que defende práticas comuns 
em outros países, como pena de morte ou porte de armas. Outro, ainda, 
que defende o princípio de “olho por olho, dente por dente”. Essas ideias 
devem anular um texto? Sim, não, ou depende do avaliador?
Corrigir uma redação já é uma atividade carregada de subjetividade; 
quanto mais será o ato de avaliar os limites de um posicionamento ideoló-
gico. Ao retirar o critério do respeito aos direitos humanos do julgamento 
da qualidade de uma redação, o Enem dá um passo rumo à isenção e à 
neutralidade da análise, quesitos necessários num exame que envolve 
tais dimensões e tal heterogeneidade, com 7 milhões de participantes 
e 10 mil avaliadores.
Valem nota, agora ao menos provisoriamente, aspectos puramente 
técnicos, como a capacidade de usar a linguagem para argumentar, ou 
a clareza na expressão das ideias.
Quanto aos que desrespeitam os direitos humanos, sua sentença ficará 
para depois. A própria vida ensinará — assim esperamos — que todos 
os seres humanos nascemos livres e iguais em dignidade e em direitos. 
Quem tiver razão e consciência respeitará esses princípios dentroe fora 
da prova do Enem.
A seguir, você pode ver as etapas propostas por Reboul (2004) aplicadas 
ao texto que acabou de ler.
Invenção/encontrar: aqui, o interlocutor precisa compreender o tema e 
reunir argumentos. Observe:
 � texto de redação é dissertativo-argumentativo;
 � candidato deve analisar as questões;
 � candidato deve defender seus pontos de vista;
 � candidato deve apresentar soluções possíveis, viáveis e factíveis.
Argumentação baseada em falácias180
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Disposição/dispor: essa etapa significa colocar os argumentos em ordem. 
Veja (RAMAL, 2017):
“A prova de redação pede um texto dissertativo-argumentativo, em geral 
sobre um problema atual e polêmico. Entre os temas, já tivemos o racismo, a 
violência contra a mulher, a intolerância religiosa, o trabalho infantil.” 
“É requerido do candidato que, além de analisar as questões e defender 
seus pontos de vista, apresente possíveis soluções, viáveis e factíveis.”
“Ao longo dos anos, com o aumento das posturas radicais, já se leu de tudo 
entre as soluções propostas pelos candidatos.” 
“Na lógica do edital do Enem, o ensino superior não desejaria contar com 
indivíduos que não tivessem afinidade com a mentalidade e as atitudes de 
um cidadão do século XXI. Portanto, redações que defendessem violência, 
exclusão, agressividade ou qualquer tipo de extremismo radical seriam des-
consideradas pelos avaliadores”.
Elocução/figuras: trata-se de redigir o discurso da melhor forma possível, 
recorrendo a figuras. Observe (RAMAL, 2017):
“O que é exatamente ferir os direitos humanos num texto? Por exemplo, 
suponhamos uma redação cujo autor defende um pensador ou candidato político 
rotulado como ‘direita’ ou ‘esquerda’. Outro texto que defende práticas comuns 
em outros países, como pena de morte ou porte de armas. Outro, ainda, que 
defende o princípio de ‘olho por olho, dente por dente’. Essas ideias devem 
anular um texto? Sim, não, ou depende do avaliador?”
Ação/dizer: nesse caso, a forma de “proferir” o texto é por escrito, mas ele 
completaria as fases propostas por Reboul (2004) e Vanoye (2007) se fossem 
utilizados gestos e sons. 
181Argumentação baseada em falácias
Laiane
Laiane
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DAYOUB, K. M. A ordem das ideias: palavra, imagem, persuasão: a retórica. Barueri: 
Manole, 2004.
LABOSSIERE, M. C. 42 falacies. [S.l.], c2002-2010. Disponível em: . Acesso em: 18 nov. 2017.
RAMAL, A. Enem: veja ‘redação modelo’ sobre educação para surdos. G1, Rio de 
Janeiro, 05 nov. 2017. Disponível em: . Acesso em: 18 nov. 2017.
REBOUL, O. Introdução à retórica. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2004.
SANTOS, B. F. Os números da violência contra mulheres no Brasil. Exame, São Paulo, 
08 mar. 2017. Disponível em: . Acesso em: 18 nov. 2017.
SERRA, P. Retórica e argumentação. Covilhã: Universidade da Beira Interior, 1996. Dis-
ponível em: . Acesso em: 18 nov. 2017.
VANOYE, F. Usos da linguagem. 13. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
VARGAS, G. Carta testamento. Rio de Janeiro, 1954. Disponível em: . 
Acesso em: 19 nov. 2017.
WESTON, A. A arte de argumentar. Lisboa: Gradiva, 1996.
Leitura recomendada
DOWNES, S. Guia das falácias de Stephen Downes. Edmonton: University of Alberta, 
1996. Disponível em: . 
Acesso em: 18 nov. 2017.
Argumentação baseada em falácias182
Dica do professor
A retórica, como arte da persuasão, utiliza uma gama variada de instrumentos para alcançar seus 
objetivos. Entre essas ferramentas, encontramos as falácias, armadilhas lógicas que, embora 
possam parecer convincentes à primeira vista, distorcem a validade dos argumentos. A habilidade 
de reconhecer e compreender essas falácias é fundamental para uma análise crítica mais 
aprofundada dos discursos, debates e textos que encontramos em nossa jornada comunicativa.
Nesta Dica do Professor, você vai embarcar em uma jornada para desvendar as engrenagens por 
trás das falácias. Vai compreender como são construídas essas armadilhas lógicas ao identificar os 
tipos de argumentos falaciosos, acompanhados de exemplos elucidativos para cada um.
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Exercícios
1) Os argumentos falaciosos são raciocínios inválidos que, apesar de parecerem lógicos, 
contêm erros que os tornam inadequados para fundamentar uma conclusão. Identificar 
esses tipos de argumentos é crucial para analisar criticamente textos e discursos, evitando 
ser influenciado por informações enganosas ou mal fundamentadas.
Leia as descrições dos argumentos a seguir:
I. O governo afirma que a economia está melhorando, mas sabemos que eles mentem com 
frequência, então não podemos acreditar nessa informação. 
II. Todos os professores de matemática que conheço são chatos, então todos os professores 
de matemática devem ser chatos. 
III. Estudos científicos mostram que a maioria das pessoas prefere assistir à televisão a ler 
livros, portanto, a leitura de livros não é uma atividade comum. 
IV. Os cientistas afirmam que o aquecimento global é causado pela atividade humana, mas 
essas informações são difíceis de compreender e normalmente requerem análises mais 
técnicas.
Selecione a alternativa correta.
A) As assertivas I e III são falácias.
B) As assertivas II e III são falácias.
C) As assertivas III e IV são falácias.
D) As assertivas I e IV são falácias.
E) As assertivas I e II são falácias.
No contexto histórico brasileiro, o fragmento transcrito da carta-testamento de Getúlio 
Vargas reflete um momento de intensa pressão política e social, revelando as adversidades 
enfrentadas pelo líder político em meio a acusações e ataques.
“Mais uma vez as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se 
desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam, e não me 
dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu 
não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes. Sigo o 
destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos 
2) 
Laiane
Laiane
Indicar que o governo sempre mente é um exemplo de argumento ad hominem, em que se ataca o caráter ou a credibilidade de quem apresenta a informação, em vez de contestar diretamente o argumento. Já indicar que todos os professores de matemática são chatos é um exemplo de generalização apressada, em que uma conclusão é tirada com base em uma amostra muito pequena.Ao afirmar com base nos estudos científicos que a atividade de leitura incomum é baseada em um argumento lógico e plausível, supõe-se que a maioria está sempre correta. Já a afirmativa sobre o aquecimento global, embora se utilize de argumento com apelo à ignorância, a complexidade de um argumento não afeta sua validade. Portanto, as assertivas I e II podem ser consideradas exemplos de falácias.
econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci” (Carta [...], 
[2001]).
Diante do trecho destacado da carta-testamento de Getúlio Vargas, identifique a alternativa 
correta:
A) Reforça a imagem de um herói defensor do povo humilde brasileiro.
B) Ridicularizar os opositores que enfrentam o herói.
C) Demonstrar a compatibilidade entre o que ele diz e o que dizem dele.
D) Construir uma argumentação ofensiva contra o herói nacional. 
E) Apresentar o discurso do dilema entre o bem e o mal.
3) Quando se trata de debater ou defender pontos de vista, é fundamental compreender a 
diferença entre argumentos baseados em evidênciassólidas e aqueles que se baseiam em 
lógica defeituosa.
Considerando essa relevância, assinale a alternativa que representa um exemplo de 
argumento comprobatório e não uma falácia:
A) "Muitas pessoas acreditam que a homeopatia é eficaz, portanto, é verdade que a homeopatia 
funciona." 
B) "O diretor da empresa garantiu que o novo produto é excelente, então deve ser verdade, pois 
ele tem muitos anos de experiência na área." 
C) "Segundo estudos científicos recentes, a vacina contra determinada doença reduziu 
drasticamente os casos da enfermidade, comprovando sua eficácia." 
D) "Todos os médicos concordam que o exercício físico é benéfico para a saúde, logo, o exercício 
é inquestionavelmente benéfico." 
E) "Eu nunca vi um gato voar, portanto, é impossível que gatos possam voar."
Na história da filosofia, os estudos sobre argumentação e persuasão foram debatidos por 
muitos pensadores. A argumentação lógica e a retórica são dois desses enfoques. A 
argumentação lógica enfatiza a apresentação de evidências e a estruturação de raciocínios 
consistentes para sustentar uma tese. Por sua vez, a retórica se concentra em persuadir o 
público por meio de técnicas persuasivas e emocionais.
4) 
Laiane
Laiane
Laiane
No fragmento transcrito da carta-testamento de Getúlio Vargas, é possível constatar que o esforço de Getúlio é para reforçar a imagem de um herói em defensor do povo humilde brasileiro, pois ele se apresenta e se identifica ao leitor como alguém que luta incessantemente em favor do povo e consegue vencer os adversários. Além disso, ele situa os opositores como vilões, não com o objetivo de ridicularizá-los, assim como demonstra incompatibilidade entre o que ele diz e o que dizem dele. A carta é uma argumentação defensiva, em favor de si próprio. O fragmento não retrata um dilema, ou seja, a dúvida entre o bem e o mal.​​​​​​​
Laiane
argumentação lógica se concentra na apresentação de evidências, na lógica e na construção de argumentos racionais para sustentar uma tese ou posição. Por sua vez, a retórica utiliza técnicas persuasivas, muitas vezes apelando para as emoções e os valores do público-alvo, sem necessariamente se apoiar em evidências ou raciocínio lógico. Portanto, é correto afirmar que a argumentação lógica enfatiza a apresentação de evidências, e a retórica se baseia na argumentação persuasiva e emocional.
A partir desse contexto, identifique a alternativa correta sobre qual é a principal diferença 
entre a argumentação lógica e a retórica?
A) A argumentação lógica visa persuadir o público por meio de técnicas emocionais, já a retórica 
se baseia em evidências e raciocínio lógico.
B) A retórica busca persuadir por meio de técnicas lógicas, já a argumentação lógica é baseada 
na persuasão emocional.
C) A retórica utiliza raciocínio lógico e estruturado, já a argumentação lógica se baseia na 
persuasão por meio de emoções.
D) A argumentação lógica enfatiza a apresentação de evidências, já a retórica se baseia na 
argumentação persuasiva e emocional.
E) A argumentação lógica e a retórica são idênticas em seus objetivos e métodos de persuasão.
5) No estudo da argumentação, identificar e compreender os diferentes tipos de argumentos é 
crucial para avaliar a validade e a eficácia de um ponto de vista apresentado. Entre as 
diversas categorias de argumentação, os argumentos comprobatórios são fundamentais. 
Esses argumentos se caracterizam por fornecerem evidências, dados ou exemplos que 
apoiam uma afirmação ou tese.
A partir disso, qual das opções abaixo representa corretamente um tipo de argumento 
comprobatório?
A) Refutar o argumento que pareça mais forte.
B) Apresentar ilustrações reais, por meio de pequenas narrativas.
C) Atacar e realçar os pontos fracos da argumentação contrária.
D) Utilizar a técnica de redução, levando os argumentos contrários ao máximo de sua extensão.
E) Escolher uma autoridade que tenha dito exatamente o contrário do que afirma o opositor.
Laiane
Laiane
Laiane
questão3:A sentença “Segundo estudos científicos recentes, a vacina contra determinada doença reduziu drasticamente os casos da enfermidade, comprovando sua eficácia" é um exemplo de um argumento comprobatório, pois utiliza evidências e resultados de estudos científicos para sustentar a afirmação. Já o argumento "Muitas pessoas acreditam que a homeopatia é eficaz, portanto, é verdade que a homeopatia funciona" é um exemplo de falácia de generalização, supondo que algo é verdadeiro apenas porque muitas pessoas acreditam nele. A sentença "O diretor da empresa garantiu que o novo produto é excelente, então deve ser verdade, pois ele tem muitos anos de experiência na área" é um exemplo de apelo à autoridade, assumindo que a afirmação é verdadeira porque uma pessoa em posição de autoridade a fez. O argumento "Todos os médicos concordam que o exercício físico é benéfico para a saúde, logo, o exercício é inquestionavelmente benéfico" é um exemplo de generalização excessiva, em que se assume que algo é sempre verdadeiro com base em um grupo específico. Já o argumento "Eu nunca vi um gato voar, portanto, é impossível que gatos possam voar" é um exemplo de argumento de falsa analogia, usando uma comparação inválida para sustentar uma conclusão.
Laiane
QUESTÃO 5: A ilustração, uma pequena narrativa usada em um texto dissertativo, é considerada como argumento comprobatório, caso o fato narrado seja real. Já refutar o argumento que pareça mais forte é uma estratégia argumentativa, não um argumento em si. Assim como atacar e realçar os pontos fracos da argumentação contrária é uma estratégia argumentativa, não um argumento em si. Utilizar a técnica de redução, levando os argumentos contrários ao máximo de sua extensão, também é uma estratégia argumentativa, não um argumento em si. Do mesmo modo, escolher uma autoridade que tenha dito exatamente o contrário do que afirma o opositor é uma estratégia argumentativa, não um argumento em si.
Na prática
A argumentação baseada em falácias pode ser uma estratégia produtiva na publicidade. No 
entanto, a dificuldade de caracterização de um argumento como falacioso pode gerar disputas 
jurídicas. Foi o que aconteceu em 2008, quando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) 
determinou a suspensão das propagandas de um iogurte.
Neste Na Prática, você vai conhecer um exemplo prático de como a argumentação falaciosa pode 
ser difícil de se identificar categoricamente, tanto que em alguns casos é necessário recorrer às 
instâncias jurídicas para defini-la.
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Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Falácias, pós-verdade e ensino-aprendizagem de ciências
Confira neste artigo uma reflexão sobre os impactos nocivos da disseminação de fake news e 
teorias pseudocientíficas, que alimentam o ódio e o negacionismo científico. Além disso, o artigo 
examina a ironia do uso de teses relativistas por pseudointelectuais conservadores.
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Falácias
Neste vídeo, é apresentado um conteúdo sobre a lógica e as falácias não formais. A partir de uma 
discussão sobre a relevância desse estudo no contexto brasileiro atual, a compreensão dessas 
falácias é essencial para navegar em um ambiente repleto de informações muitas vezes enganosas.
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Retórica e interdisciplinaridade: uma conversa com 
Christopher Tindale
Confira uma entrevista com o Professor Christopher Tindale, integrante do Centre for Research in 
Reasoning, Argumentation and Rhetoric (CRRAR) da Universidade de Windsor. O foco principal é 
no trabalho de Tindale sobre a teoria da argumentação, abordando temas como retórica,falácias, 
pensamento crítico e antropologia da argumentação, além da história e conceitos de seus livros.
https://periodicos.unespar.edu.br/index.php/ensinoepesquisa/article/view/3932/2964
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https://periodicos.uesc.br/index.php/eidea/article/view/3414/2248

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