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// CURSO CONSTRUÇÕES SUSTENTÁVEIS 19 OBJETIVOS: Conhecer as técnicas construtivas sustentáveis; Analisar os meios de construções sustentáveis; Entender sobre os princípios de transferência de calor. Nesse módulo, veremos sobre as técnicas construtivas sustentáveis empregadas na elaboração e confecção de casas e edifícios também sobre o aglomerado de técnicas que permite o reaproveitamento de materiais. Na construção civil, as alternativas sustentáveis são um assunto cada vez mais relevante, principalmente, com o crescimento das pautas relacionadas à utilização mais consciente dos recursos naturais. Para poder entender um pouco mais, vale ressaltar que o conceito de sustentabilidade é justamente a preservação desses recursos. E este conceito aplicado na construção civil é a garantia para a redução dos impactos ambientais durante todos os processos da obra, potencializando uma boa qualidade de vida para as atuais e futuras gerações. TÉCNICAS CONSTRUTIVAS SUSTENTÁVEIS MÓDULO 2 2.1 Principais técnicas de construções sustentáveis Algumas das principais técnicas utilizadas na construção civil, são: A. Retrofit Uma tendência europeia que tem o intuito de recuperar prédios antigos, mas man- tendo sua arquitetura original. A principal vantagem deste tipo de construção é preservar prédios históricos e construções urbanas, além de tornar um espaço antigo, como casas e prédios históricos mais seguros e modernos, adequados com a legislação e estrutura do local. // CURSO CONSTRUÇÕES SUSTENTÁVEIS 20 Basicamente, o retrofit é uma técnica de revitalização de construções antigas. Portanto, a ideia é fazer alterações para garantir a melhoria das instalações, a atualização estética e a modernização da construção, mas, ao mesmo tempo, sem descaracterizar seus elementos originais históricos e arquitetônicos. Fonte: Domingos (2021). Figura 19 – Pinacoteca de São Paulo. B. Construção modular É uma metodologia de construção por etapas que já possui peças prontas para confecção de casas e prédios. Estas peças são transportadas e montadas. As principais vantagens desse modelo de construção são a economia, rapidez, facilidade e a sustentabilidade, pois diminui bastante o acúmulo de entulhos e outros materiais que sobram de uma construção. Fonte: AEA (2020). Figura 20 – Condomínio construído com base na construção modular. // CURSO CONSTRUÇÕES SUSTENTÁVEIS 21 C. Jardim vertical Com as cidades cada vez mais aglomeradas, os jardins verticais têm a função de levar mais o verde, com certeza, mais saúde a todos. A sua principal vantagem é diminuir os poluentes concentrados no ar, calcula-se que jardins de grande porte como este da figura 21 podem diminuir em até 30% dos gases poluentes presentes na atmosfera do local. Outra vantagem é a de ajudar a reduzir também a poluição sonora e a temperatura do local. Fonte: Alves (2022). Figura 21 – Exemplares de jardim vertical. D. Utilização de material reciclável A lista com os materiais sustentáveis para utilização em uma construção é imensa. Ela pode ir da tinta, feita a partir de recursos naturais sem componentes tóxicos, até mesmo ao tijolo, feito de garrafas pets ou mesmo de entulhos, moldados em uma prensa hidráulica evitando a queima e, consequentemente, a poluição. O principal intuito dessa prática é poder reaproveitar materiais que antes não tinham mais serventia, diminuindo, assim, a quantidade de elementos que seriam descartados na natureza. 2.2 Análise de transferência de calor em paredes e coberturas O Brasil devido a sua localização geográfica é caracterizado como um país tropical, pois encontra-se nas proximidades da Linha do Equador. Logo, o nosso território sofre bastante incidência dos raios solares. // CURSO CONSTRUÇÕES SUSTENTÁVEIS 22 Fonte: Mendonça (2020). Figura 22 – Trópicos da Terra. Sabe-se, então, que o calor está muito presente em grande parte do país. Ele pode gerar desconforto e, em casos mais graves, até mesmo problemas de saúde, como insolação e problemas respiratórios. Dessa forma, se faz necessária a análise de como esse calor se comporta nas estruturas, porque isso promove descobertas de novas tecnologias que visam o conforto térmico. Para isso, deve-se ter em mente alguns conceitos, como: Temperatura: trata-se do nível de agitação molecular de um corpo. Basicamente, este conceito provém de análises qualitativas de quente ou frio e está relacionado diretamente com a energia cinética das moléculas. Ou seja, com o nível de movimentação delas. Portanto, quanto maior a temperatura de um objeto, maior será o grau de movimentação de suas moléculas; Calor: no ramo da física, o calor representa temperatura em transição. Dessa forma, haverá condução de temperatura entre dois objetos quando ambos tiverem temperaturas diferentes. 2.3 Transferência de energia térmica Para que possa haver um fluxo de calor entre dois objetos, é preciso que ambos estejam com temperaturas diferentes entre si. Essa transferência pode ocorrer de três formas: por condução, por convecção e por radiação. // CURSO CONSTRUÇÕES SUSTENTÁVEIS 23 Fonte: Adaptado de Tópicos da Física (2012). Figura 23 – Princípio de transferência de calor. 1) Condução A condução se caracteriza pelo fato de a temperatura ser conduzida de um corpo para outro. Ela é transmitida pelo contato físico entre objetos com temperaturas distintas. Dessa forma, os átomos dos objetos vibram (por estarem mais quentes) e acabam distribuin- do essa vibração para seus vizinhos, até alcançar o outro objeto. Fonte: Adaptado de Tópicos da Física (2012). Figura 24 – Bastão conduzindo calor. // CURSO CONSTRUÇÕES SUSTENTÁVEIS 24 2) Convecção Transmite temperatura com a movimentação dos fluidos que ocorre devido à dife- rença de temperatura entre as partes dele. Ao transitar pelo ambiente, o calor se espalha e aumenta a temperatura de todo o local onde fluido se encontra. Fonte: Adaptado de Helerbrock (2020). Fonte: Coelho (2020). Figura 25 – Ciclo de ar dentro de uma panela aquecida. Figura 26 – Transferência das ondas de calor pelo espaço 3) Radiação Transmite temperatura por meio de ondas eletromagnéticas que são lançadas pelo objeto irradiador até o objeto irradiado. A transmissão de calor pela irradiação é a única que pode viajar no vácuo. // CURSO CONSTRUÇÕES SUSTENTÁVEIS 25 Na construção civil, pode-se estender esses conceitos de transferência de calor para as seguintes ocasiões: Radiação: calor produzido pela luz do sol. Condução: calor que passa pela parede. Convecção: calor espalhado pela casa por convecção. CURIOSIDADE ? ? O Efeito Estufa É um fenômeno natural que acontece no planeta devido a sua atmosfera. Entre os raios solares que chegam à Terra, uma parte acaba sendo refletida e mandada de volta ao espaço, porém a nossa atmosfera acaba retendo parte desses raios, de modo que nem todos conseguem escapar para o espaço. Entretanto, quando os gases do efeito estufa se intensificam na atmosfera em virtude da má conduta ambiental do ser humano, o fenômeno eleva a temperatura mundial além do necessário. Podemos, então, fazer uma comparação entre o efeito estufa que acontece no planeta e o efeito do Sol em muitas casas em particular. A iluminação solar nas paredes e coberturas de uma residência, por exemplo, acaba esquentando o ambiente interno. Dessa forma, análogo ao efeito estufa, a falta de medidas para diminuir a temperatura da casa faz com que o calor fique armazenado dentro dela. 2.4 A influência das cores Quando se planeja uma construção, é comum definir nas plantas também as cores utilizadas na pintura. As cores, além da estética, influenciam na absorção de calor das áreas pintadas. Cores mais claras absorvem menos calor, pois refletem mais a luz do Sol (principal agente). Dessa forma, as mais escuras absorvem mais calor porque refletem menos luz. Portanto, atémesmo a cor de uma parede deve ser levada em consideração ao se planejar o conforto térmico de uma edificação. // CURSO CONSTRUÇÕES SUSTENTÁVEIS 26 2.5 Revestimento isolante em paredes As paredes igualmente podem ser grandes responsáveis pelo aumento de temperatura em uma casa, mesmo com a proteção do beiral. Dessa forma, em diversos casos, é interessante projetar um isolante térmico para diminuir a transferência de calor entre o ambiente e a casa. Essa camada isolante pode ser colocada externa à parede ou dentro dela, sendo nesse caso preciso construir duas fiadas de tijolos. Fonte: Revista Blocom (2019). Figura 27 – Parede constituída por isopor. Nesses casos, costuma-se usar um tipo de isopor mais resistente, como é o caso do EPS que se caracteriza por ter uma densidade maior, garantindo-lhe mais resistência, além de não ser inflamável. Sua principal característica é a baixa condutibilidade térmica que, quando instalado, gera uma baixa troca de energia térmica entre o interior da casa e o meio ambiente. Fonte: Mundo Isopor (2017). Figura 28 – Aplicação de revestimento com uso de isopor. // CURSO CONSTRUÇÕES SUSTENTÁVEIS 27 2.6 Desempenho térmico de mantas cartonadas As coberturas de mantas térmicas têm o objetivo de trazer conforto e bem-estar por meio, principalmente, do isolamento térmico para as famílias que empregam este sistema. Existe uma pequena distinção a ser feita entre o material profissional e o reciclável. Profissional: trata-se de um material vendido e instalado por empresas especializadas. Existem diversos tipos com várias qualidades. Em geral, possuem uma camada isolante térmica e uma aluminizada. Fonte: Conecta FG (2020). Figura 29 – Manta térmica. Reciclável: trata-se de uma manta feita com caixas TETRA PAK unidas, formando uma área que cubra toda a cobertura. Também possui uma camada aluminizada e uma isolante. Essas caixinhas possuem uma face aluminizada que será a parte utilizada. Ela impede que o calor seja transmitido para dentro ou para fora do corpo ao refletir cerca de 95% do calor. Se mostrando, assim, um ótimo material para exercer a função de manta térmica, tendo consigo a vantagem de ser um produto reciclável. Fonte: Edificasa Revendedora (2019). Figura 30 – Mantas térmicas recicláveis. // CURSO CONSTRUÇÕES SUSTENTÁVEIS 28 As mantas térmicas têm a função de refletir os raios infravermelhos emitidos pelo Sol. Parte desses raios atravessam as telhas ou transmitem esse calor para o ambiente interno, causando desconforto. A parte aluminizada da manta tem a capacidade refletora que diminui bastante essa geração de calor no ambiente. Essa manta é instalada logo abaixo do telhado para um maior desempenho, com a parte aluminizada voltada para cima. Além disso, a parte isolante serve para que o calor não passe para o ambiente por meio da condução. RESUMO Caro(a) cursista, Neste módulo, vimos sobre as técnicas construtivas sustentáveis as quais buscam reduzir o impacto ambiental gerado pela construção civil. São elas: o retrofit; a construção modular; o jardim vertical. Estudamos também a reciclagem de materiais, o assunto central do módulo. Técnicas que remetem a diminuição de gastos com o reaproveitamento de peças e a redução dos impactos ambientais que uma construção comum geralmente causaria. Consequentemente, trata-se sobre o uso de alguns materiais recicláveis, no âmbito do conforto térmico e os princípios de transferência de energia térmica, sendo estes fundamentais para a compreensão de dissipação de calor em uma região. A título de exemplificação, são apresentadas as mantas térmicas oriundas de embalagens de leite. Na oportunidade, se expõe a diferenciação entre uma manta térmica comum e uma reciclada devido à análise de transferência de calor realizada pelos dois modelos, e analisa-se os benefícios e o custo benefício nas construções. // CURSO CONSTRUÇÕES SUSTENTÁVEIS 29 REFERÊNCIAS FURUKAWA, F. M.; CARVALHO, B. B. Técnicas construtivas e procedimentos sustentáveis – estudo de caso: edifício na cidade de São Paulo. 2011. 109f. Monografia (Graduação em Engenharia Civil) – Faculdade de Engenharia do Campus de Guaratinguetá, Universidade Estadual Paulista, Guaratinguetá, 2011. MICHELS, C. Análise da transferência de calor em coberturas com barreiras radiantes. 2007. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil) - Programa de Pós Graduação em Engenharia Civil, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2007. PRADO, D. F. Desenvolvimento de placas de embalagens ‘longa vida’ e estudo de seu comportamento como material térmico. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Engenharia Civil) - Universidade Federal do Pampa, Alegrete, RS, 2015. SANTOS, A. R. C. Avaliação da emissividade de embalagens cartonadas por termografia e modelagem computacional. 2019. 67 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Ambientais) – Universidade de Cuiabá, Cuiabá, 2019.