Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

DESCRIÇÃO
Apresentação dos conceitos de metodologia ativa, bem como suas estratégias, seus métodos e suas
relações com as tecnologias.
PROPÓSITO
Compreender os fundamentos das metodologias ativas, identificando estratégias de aprendizagem ativa
e recursos tecnológicos que as viabilizam.
OBJETIVOS
MÓDULO 1
Discutir conceitos e princípios das metodologias ativas de aprendizagem
MÓDULO 2
Identificar estratégias e métodos ativos de aprendizagem
MÓDULO 3
Reconhecer estratégias e ferramentas tecnológicas facilitadoras da aprendizagem ativa
 Fonte: Solis Images | Shutterstock
INTRODUÇÃO
As metodologias ativas são abordagens, estratégias e técnicas de aprendizagem individual e
colaborativa que engajam os alunos enquanto realizam atividades pedagógicas e desenvolvem projetos
que articulam teoria e prática. Constituem alternativas que colocam o foco do processo de ensino no
aprendiz, envolvendo-o na aprendizagem por descoberta, por investigação ou resolução de problemas.
A ênfase é dada ao protagonismo de quem aprende, ao seu envolvimento direto, participativo e reflexivo
em todas as etapas do processo − experimentando, desenhando e criando sob a orientação do
professor.
Neste tema, conheceremos algumas abordagens pedagógicas, teorias de aprendizagem e alguns
princípios que fundamentam a adoção de metodologias ativas. Analisaremos estratégias e métodos que
podem ser aplicados em sala de aula, ambientes digitais e nas organizações, entre outros espaços de
aprendizagem ativa. Por fim, exploraremos as tecnologias digitais de suporte para adoção de
metodologias ativas e elegeremos algumas delas para compor o desenho de um curso, uma disciplina
ou aula em diferentes ambientes educativos (presenciais, online ou híbridos). 
MÓDULO 1
 Discutir conceitos e princípios das metodologias ativas de aprendizagem
 Fonte: Goodluz | Shutterstock
MODELO PEDAGÓGICO
Nas referências pedagógicas, encontramos diferentes perspectivas que explicam como o fenômeno da
aprendizagem humana ocorre. Entretanto, alguns estudos defendem a implementação de metodologias
ativas na educação básica, superior e continuada, fundamentadas em abordagens pedagógicas que
influenciam a forma como um curso ou uma disciplina são concebidos, organizados e vivenciados pelos
alunos e professores.
Cada professor adota um modelo, que é o modo como ele conduz as suas ações na prática pedagógica.
Podemos dizer que o modelo pedagógico é a forma pessoal de ensino adotada pelo docente. É como
ele determina as suas finalidades educacionais, os objetivos de aprendizagem e os meios que utilizará
para atingi-los.
Esses modelos são construídos, geralmente, a partir de recortes pessoais de determinadas abordagens
ou teorias de aprendizagem. O modelo pedagógico pode ser visto, portanto, como um “recorte
multidimensional”, que traz em seu cerne um elemento denominado de “Arquitetura Pedagógica”
(AP), conforme apresenta Behar (2009). Essa arquitetura pedagógica é composta pelos seguintes
aspectos:
ORGANIZACIONAL
Refere-se ao planejamento das ações pedagógicas, como os objetivos do processo de
ensino/aprendizagem, o cronograma/período e o espaço. Enfim, refere-se ao plano de ensino de uma
disciplina, aula ou de um curso.
CONTEÚDO
Refere-se à seleção do que será trabalhado, como o tema, os conceitos e as competências a serem
desenvolvidas.
METODOLÓGICO
Refere-se à forma ou ao método por meio do qual será conduzido o currículo, ou seja, como os
conteúdos programáticos serão organizados e trabalhados para que o aluno aprenda. Refere-se à
organização de sequências didáticas, de comunicação, de interação e conexão entre os sujeitos do
processo de ensino/aprendizagem (professor e alunos).
TECNOLÓGICO
Refere-se à seleção de recursos para trabalhar com os conteúdos planejados, que precisam estar
coerentes com a proposta pedagógica adotada.
Todos esses aspectos precisam ser concebidos de forma bem articulada e integrada para que a
concepção da proposta educacional seja coesa. As estratégias de aplicação da AP referem-se ao modo
como o professor coloca em prática o modelo pedagógico, ou seja, como adota e articula as técnicas de
ensino em suas aulas para atingir os objetivos de aprendizagem.
Quando pensamos em adotar as metodologias ativas de aprendizagem, torna-se necessário conhecer
os fundamentos que embasam seu uso para que possamos conceber modelos pedagógicos centrados
na aprendizagem dos alunos, não no ensino.
ABORDAGENS PEDAGÓGICAS E TEORIAS DE
APRENDIZAGEM EM METODOLOGIAS ATIVAS
Como principais teorias que embasam o uso das metodologias ativas na aprendizagem, temos:
COGNITIVISMO
No processo de aprendizagem, a estrutura cognitiva é tida como a organização e a integração de
conteúdos de suas ideias em uma área reservada de conhecimento, resultando na aprendizagem. De
uma maneira mais simples, podemos dizer que cognição é a forma como o cérebro percebe, aprende,
recorda e pensa sobre toda a informação captada por intermédio dos cinco sentidos.
Como teorias cognitivistas que embasam as metodologias ativas, temos a Aprendizagem Significativa,
de David Ausubel e a Teoria da Cognição Situada, de Lave e Wenger.
javascript:void(0)
javascript:void(0)
javascript:void(0)
javascript:void(0)
javascript:void(0)
APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA
Tem menos a ver com o que os alunos fazem e mais com o que eles sabem e como adquirem esse
saber. Nela, os novos conhecimentos devem se relacionar de forma significativa com as informações ou
o conhecimento prévio do aluno.
DAVID AUSUBEL
Psicólogo da educação e pesquisador norte-americano. Ausubel (1918-2008) entendia que a maior
influência no aprendizado do aluno é exatamente aquilo que ele já conhece.
TEORIA DA COGNIÇÃO SITUADA
Baseada na compreensão de que o conhecimento é distribuído socialmente, enfatizando o contexto
social da aprendizagem. Esse contexto deverá ser muito próximo da situação ou experiência na qual o
aluno usará o conhecimento.
LAVE
Antropóloga social norte-americana e professora emérita da Universidade de Berkeley, Califórnia.
WENGER
Etienne Wenger é um teórico da educação suíço.
CONSTRUTIVISMO
Constitui-se pela interação do indivíduo com o meio físico e social, com o simbolismo humano, com o
mundo das relações sociais por força de sua atividade e não por qualquer dotação prévia. Desenvolvida
pelo biólogo e psicólogo suíço Jean Piaget (1896-1980), a ciência da Epistemologia Genética,
entendida como estudo dos mecanismos de formação do conhecimento, é caracterizada como uma
visão interacionista do desenvolvimento e propunha, antes mesmo da metade do século XX, um ensino
no qual:
O aluno é o centro do processo de aprendizagem; o nível de amadurecimento de cada estudante é
respeitado;
O ensino é visto como processo dinâmico, no qual o aluno interage, e não estático, como acontece
com frequência em métodos pedagógicos tradicionais;
O aprendizado é construído gradualmente, e cada novo conhecimento é aprendido a partir de
conceitos anteriores;
O conhecimento não é visto como a única verdade possível ou como uma versão exata da
realidade.
Jean Piaget e a Teoria da Epistemologia Genética são os representantes da abordagem construtivista
que embasa as metodologias ativas.
CONHECIMENTO
Daí o termo “epistemológica”: epistemo = conhecimento; logia = estudo.
javascript:void(0)
SOCIOCONSTRUTIVISMO
A grande referência do socioconstrutivismo é o psicólogo bielorrusso Lev Vygotsky (1896-1934), que
defende como ponto central dessa abordagem a concepção de que a aprendizagem e o
desenvolvimento humano são produtos da interação social. Para Vygotsky, a natureza humana só pode
ser entendida quando se leva em conta o desenvolvimento sociocultural dos indivíduos. Não existe um
indivíduo crescendo fora de um ambiente cultural, e o papel da linguagem é fundamental nesse
processo.
Como teorias socioconstrutivistas que embasam as metodologias ativas, temos a teoria sócio-histórica
(ou sociointeracionista), de Vygotsky, a AbordagemSociocultural, de Paulo Freire (1921-1997) e a
Teoria da Aprendizagem Experimental, de John Dewey (1859-1952) e David Kolb (1939-).
ABORDAGEM SOCIOCULTURAL
Na abordagem sociocultural de Paulo Freire, a educação não está restrita às situações formais de
ensino e aprendizagem, mas se torna bem mais ampla. A Ciência e o conhecimento são vistos como
produtos históricos e culturais. Nessa concepção, o aluno é o sujeito de sua educação, devendo interagir
de forma crítica com o mundo a fim de também transformá-lo.
javascript:void(0)
javascript:void(0)
javascript:void(0)
javascript:void(0)
javascript:void(0)
PAULO FREIRE (1921-1997):
Educador e filósofo brasileiro de fama internacional e um dos principais influenciadores da Pedagogia.
TEORIA DA APRENDIZAGEM EXPERIMENTAL
O conceito de aprendizagem experimental ou experiencial pode ser entendido como “aprender fazendo”,
o que atualmente se costuma chamar de “mão na massa”.
JOHN DEWEY (1859-1952)
Filósofo norte-americano conhecido pela sua filosofia pragmatista e sua ligação com o progressismo
estadunidense. Foi professor nas Universidades de Michigan, Minnesota, Chicago e Columbia. Escreveu
sobre filosofia, psicologia, política e educação, entre outros temas. As ideias de John Dewey inspiraram
no Brasil o surgimento do movimento denominado Escola Nova, liderado pelo educador brasileiro Anísio
Teixeira.
DAVID KOLB
Psicólogo norte-americano e teórico da educação com mestrado e doutorado em educação pela
Universidade de Harvard. Foi professor no Massachusetts Institute of Technology (MIT) e na Case
Western Reserve University, onde se aposentou em 2012, tornando-se professor emérito. Kolb é o
fundador do Experience Learning Based Systems (EBLS), que desenvolve atividades, exercícios,
questionários e outros recursos voltados para aprendizagem experiencial. Entre outros assuntos, Kolb é
um estudioso dos estilos de aprendizagem, da educação corporativa e profissional.
CONECTIVISMO
Criada por George Siemens, apresenta como pressuposto que as teorias de aprendizagem existentes
no início do século XXI não são suficientes para compreender as características do aprendiz moderno
em face das novas realidades de desenvolvimento tecnológico e da sociedade organizada em rede. O
javascript:void(0)
conhecimento na sociedade atual é um processo complexo, dinâmico e contínuo que envolve uma série
de etapas preparatórias e o desenvolvimento de metacompetências. A abordagem metodológica
proposta por Siemens é o aprendizado por toda a vida, dentro e fora da escola. Ocorre pelas conexões
entre conteúdos variados (especialmente acessíveis em ambientes digitais) e pelas experiências de
vida. É uma rede em construção contínua, passando por mudanças e transformações que a vão
reconfigurando.
Temos como representante da teoria conectivista os estudos de George Siemens.
GEORGE SIEMENS
Escritor, teórico e professor canadense muito interessado nos processos de aprendizagem nos meios
digitais.
PRINCÍPIOS DAS METODOLOGIAS ATIVAS DE
APRENDIZAGEM
 Fonte: wavebreakmedia | Shutterstock
Enquanto na educação tradicional o foco é a transmissão de informações e o professor é o protagonista,
nas metodologias ativas os estudantes ocupam o centro das ações educativas e o conhecimento é
construído colaborativamente.
Torna-se fundamental, ao se trabalhar com metodologias ativas, elaborar uma arquitetura pedagógica
(AP) que contemple situações de aprendizagem nas quais os alunos tenham condições de criar e de
refletir sobre sua atividade. Eles devem ser capazes de conceituar o que fazem, de construir
conhecimentos sobre os conteúdos relacionados com suas atividades. Segundo Moran (2018), devem,
ainda, desenvolver a capacidade crítica, refletir sobre suas práticas, dar e receber feedbacks, aprender a
se relacionar com colegas e professores e explorar atitudes e valores pessoais.

MÉTODO TRADICIONAL
Apresenta-se inicialmente a teoria e depois a interpretação e a ação; o ensino centrado no aluno
partirá da ação para a reflexão e a conceitualização. De acordo com Moran (2018), nesse percurso
há uma “migração” do ensinar para o aprender, o desvio do foco do docente para o aluno, que
assume a corresponsabilidade pelo seu aprendizado.
Foco no ensino.
Vejamos o exemplo!
CONCEITO
INTERPRETAÇÃO
AÇÃO
METODOLOGIAS ATIVAS
Dão ênfase ao envolvimento direto, participativo e reflexivo do aluno em todas as etapas do
processo, sob a orientação do professor.
Foco na aprendizagem.
Vejamos o exemplo!
AÇÃO
REFLEXÃO
CONCEITO
O quadro a seguir expressa a configuração dos princípios essenciais das metodologias ativas:
 Quadro 1: Princípios das metodologias ativas.
PROTAGONISMO
REFLEXÃO E AÇÃO
COLABORAÇÃO
PROTAGONISMO
O uso de metodologias ativas para promover a aprendizagem prevê que o aprendiz assuma o papel de
protagonista e que seja autônomo para construir novos conhecimentos e resolver problemas complexos.
REFLEXÃO E AÇÃO
O aprendiz se envolve em atividades fundamentais para a sua aprendizagem, enquanto reflete sobre o
que aprendeu.
COLABORAÇÃO
A produção colaborativa de conhecimentos propiciada na aprendizagem ativa permite que grupos de
alunos desenvolvam projetos, discutam diferentes pontos de vista, vivenciem experiências,
compartilhem os resultados de sua produção dentre outros aspectos que enriquecem a construção de
saberes.
Segundo Bacich e Moran (2018), planejar um programa, uma disciplina, uma aula ou um curso
fundamentado em metodologias ativas requer pensar em como se aprende. É certo que as pessoas não
aprendem todas da mesma forma, no mesmo ritmo e ao mesmo tempo. A aprendizagem é um processo
complexo que pode ocorrer de diversas formas.
A adoção de metodologias ativas é considerada uma forma de pensar a educação sob uma nova
perspectiva: uma educação inovadora e disruptiva, que engaja os alunos no processo, contribuindo para
uma aprendizagem mais personalizada, que respeita o modo e o ritmo de cada indivíduo. Isso significa
redesenhar as formas de ensinar e aprender, a organização dos ambientes educacionais e o próprio
currículo.
Assista ao vídeo a seguir para saber mais sobre os principais fundamentos teóricos, ou conceitos,
que embasam as metodologias ativas.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
MÓDULO 2
 Identificar estratégias e métodos ativos de aprendizagem
 Fonte: Fizkes | Shutterstock
A aplicação de metodologias ativas é ampla e pode variar de acordo com o nível de protagonismo
assumido pelo estudante. Ou seja, dependendo da atividade, estratégia ou tendência proposta, o aluno
assume diferentes papéis − simples ou complexos −, provocando um dinamismo em seu ensino.
A seguir, vamos conhecer algumas dessas estratégias e selecionar aquelas que podem compor o
planejamento de um curso, uma disciplina ou aula, ou que possam ser aplicadas em um contexto real de
sua escolha.
 Fonte: Metamorworks | Shutterstock
COMPETÊNCIAS DO SÉCULO XXI E
METODOLOGIAS ATIVAS
Usar estratégias ativas visando a promover uma educação inovadora aponta para a possibilidade de
transformar o ensino em experiências de aprendizagem mais significativas, coerentes com as demandas
de formar as pessoas para fazer a diferença na sociedade digital contemporânea.
Como as metodologias ativas podem ajudar os educadores nessa missão?
Ensino centrado no aluno.
Desenvolvimento de competências com base na aprendizagem ativa, colaborativa e na
interdisciplinaridade.
Mas o que é competência? Competência compreende:
Os conhecimentos (aquilo que uma pessoa sabe);
As habilidades (o que a pessoa sabe fazer);
As atitudes (o saber ser).
 Fonte: MF production | Shutterstock
Desde o final dos anos 1990, muitos pesquisadores e educadores vêm se debruçando sobre questões
que permeiam a formação dos cidadãos e profissionais para bem viver e produzir num mundo em
constantes mudanças, de tal modo que esses profissionais estejam aptos para atuar em setores e
mercados que ainda não existem atualmente.
Alguns pesquisadores e teóricosbuscaram respostas a partir da proposição de competências
fundamentais que devem ser desenvolvidas para o sucesso em um mundo profissional incerto e
desafiador. São as chamadas “competências para o século XXI”.
Dentre as muitas perspectivas teóricas que discutem quais são as competências necessárias
atualmente, elegemos as apontadas pelo especialista em educação Tony Wagner, professor da Escola
de Educação da Universidade de Harvard.
Segundo Wagner (2010), as competências essenciais para o século XXI são:
 Fonte: Adaptado de Wagner (2010)
Para Filatro e Cavalcanti (2018), as competências propostas por Wagner estão alinhadas com a
concepção do uso de metodologias ativas em contextos educacionais e formativos, podendo ser
adotadas para desenvolver as competências essenciais do século XXI.
 ATENÇÃO
Partindo do pressuposto de que não há uma única forma de aprender e, por consequência, não há uma
única forma de ensinar, as estratégias ativas permitem que estudantes e profissionais desenvolvam
essas competências.
Como a aplicação de metodologias ativas é ampla e pode ser diversa de acordo com o nível de
protagonismo assumido pelo estudante, do mais simples ao mais complexo, organizamos algumas
técnicas e estratégias que apresentaremos a seguir. Selecionamos aquelas consideradas de maior
potencial inovador, pois promovem a ação-reflexão e permitem variações e adaptações a diferentes
estilos de aprendizagem.
 Fonte: Hananeko_Studio | Shutterstock
ABORDAGENS E ESTRATÉGIAS PARA A
APRENDIZAGEM ATIVA
SALA DE AULA INVERTIDA
 Fonte: Billion Photos | Shutterstock
Este é um modelo ativo de aprendizagem que faz todo o sentido num mundo conectado, móvel e digital.
Bergmann e Sams (2017) foram os pioneiros da sala de aula invertida (Flipped Classroom) ao gravarem
suas aulas conceituais e disponibilizá-las às suas turmas da Woodland Park High School (uma escola de
ensino médio no Colorado, EUA). O objetivo dos professores era oferecer as videoaulas como material
de estudo prévio, permitindo que cada aluno tivesse acesso às informações iniciais sobre um tema ou
problema, de forma flexível e personalizada, pois eles poderiam assistir às aulas nos seus ritmos,
quantas vezes quisessem, solicitando a colaboração dos colegas e pais, se necessário.
A aprendizagem invertida transfere para o digital uma parte do que era explicado em aula pelo professor.
Os estudantes acessam materiais, fazem pesquisas no seu próprio ritmo e como preparação para a
realização de atividades de aprofundamento, debate e aplicação – predominantemente em grupo −
feitas na sala de aula presencial, com orientação docente (BERGMANN e SAMS, 2016).
Há muitas estratégias que podem ser adotadas nessa abordagem, além das videoaulas. Vejamos:
1
O professor pode pedir para que o aluno faça uma pesquisa sobre determinado tema/conceito, assista a
um vídeo, a uma animação, leia um texto/artigo, acesse informações disponíveis na internet ou na
biblioteca escolar. O livro Sala de aula invertida: uma metodologia ativa de aprendizagem, de Bergmann
e Sams (2017), oferece uma série de experiências de técnicas para o uso e a implementação dessa
estratégia.
Em seguida a essa primeira etapa, é importante que seja feita uma avaliação diagnóstica para verificar
o que a turma compreendeu daquele tema. Uma rápida avaliação, com três ou quatro questões sobre o
assunto que permita ao professor ter uma visão geral do que foi aprendido e os pontos nos quais os
alunos necessitam de ajuda.
2
3
Em sala de aula, o professor orienta aqueles que ainda não adquiriram o básico para que possam
avançar. Ao mesmo tempo, oferece problemas mais complexos a quem já domina o essencial, agrupa
os alunos em pares para que discutam os assuntos previamente estudados (os que tiveram maior
compreensão podem discutir e explicar os assuntos aos alunos com menor compreensão do tema).
 ATENÇÃO
Podemos dizer, portanto, que a inversão se refere à mudança da prática exercida no ensino tradicional,
em que a sala de aula serve para o professor transmitir informação ao aluno que, após a exposição do
tema/conteúdo, deve estudar o assunto exposto e realizar alguma atividade de avaliação para mostrar
que esse conteúdo foi assimilado.
Na abordagem invertida, o aluno estuda antes da aula, e esta se torna o lugar de aprendizagem ativa,
onde há perguntas, discussões e atividades práticas.
Como pontos positivos na inversão da aula, temos:
 Fonte: eViola | Shutterstock
A personalização e individualização da aprendizagem;
O uso de diversas linguagens (textos, vídeos, áudios, entre outros) que são mais coerentes com os
alunos (usuários de diversos recursos digitais; sujeitos conectados com as mídias);
Maior interação do professor com os alunos (o professor passa a circular na sala de aula);
Uso de um “programa reverso de aprendizagem para o domínio”, no qual os alunos progridem
dentro do seu próprio ritmo. (BERGMANN e SAMS, 2017)
A SALA DE AULA INVERTIDA TEM SIDO IMPLANTADA TANTO NA
EDUCAÇÃO BÁSICA QUANTO NO ENSINO SUPERIOR. ELA
POSSIBILITA O DESENVOLVIMENTO DAS COMPETÊNCIAS DO
SÉCULO XXI, UMA VEZ QUE PROMOVE O PROTAGONISMO E A
PROATIVIDADE DO ALUNO, EXERCITANDO SUA CURIOSIDADE E
IMAGINAÇÃO, COLABORAÇÃO, ACESSO A INFORMAÇÕES,
ANÁLISE E REFLEXÃO E, FINALMENTE, CONTRIBUI PARA
TRABALHAR DE FORMA MAIS SIGNIFICATIVA O CONHECIMENTO
(VALENTE, 2014).
As regras básicas para essa inversão, de acordo com o relatório Flipped Classroom Field Guide (2014),
são:
As atividades em sala de aula devem envolver uma quantidade significativa de questionamento,
resolução de problemas e de outras atividades de aprendizagem ativa, obrigando o aluno a recuperar,
aplicar e ampliar o material aprendido online.
Os alunos devem receber feedback imediatamente após a realização das atividades presenciais.
javascript:void(0)
javascript:void(0)
Os alunos precisam ser incentivados a participar das atividades online e presenciais, sendo computadas
na avaliação formal do aluno, ou seja, devem valer nota.
Tanto o material a ser utilizado online quanto os ambientes de aprendizagem em sala de aula devem ser
altamente estruturados e bem planejados.
O tipo de material ou atividade que o aluno realiza virtualmente e na sala de aula varia de acordo com a
proposta a ser implantada, criando diferentes possibilidades para essa abordagem pedagógica.
javascript:void(0)
javascript:void(0)
APRENDIZAGEM BASEADA EM PROJETOS (ABP)
A Aprendizagem Baseada em Projetos (ABP) é uma metodologia ativa capaz de atender às novas
demandas da educação, sendo considerada como uma das estratégias de ensino e aprendizagem mais
apropriadas para o século XXI.
A ABP pode ajudar a criar um ambiente em que professores e alunos “formam uma comunidade de
aprendizagem poderosa focada na realização, no autodomínio e na contribuição para a comunidade”. A
ABP, assim como qualquer outro método de ensino, pode ser utilizada de maneira efetiva ou não.
Caberá ao professor saber destacar ideias centrais e questões focais em seu programa de ensino para
criar atividades envolventes e instigantes na sala de aula, promovendo uma aprendizagem autônoma
entre os alunos, o que a ABP é capaz de favorecer (BIE, 2018).
 Fonte: Monkey Business Images | Shutterstock
A PROPOSTA METODOLÓGICA DA ABP É REAFIRMADA POR
BENDER (2014) QUANDO ESCLARECE QUE ELA “ENVOLVE UMA
MUDANÇA PARA A APRENDIZAGEM CENTRADA NO ALUNO,
BASEADA EM QUESTÕES E PROBLEMAS AUTÊNTICOS E
ENVOLVENTES”, ALÉM DO USO CRESCENTE DOS RECURSOS
TECNOLÓGICOS DIGITAIS NO PROCESSO DE ENSINO-
APRENDIZAGEM.
AINDA SEGUNDO O AUTOR, A ABP ENVOLVE UMA ABORDAGEM
DIFERENTE DE ENSINO QUANDO COMPARADA À SALA DE AULA
TRADICIONAL. AO TRABALHAR COM A METODOLOGIA DE
PROJETOS, OS ALUNOS ASSUMEM UM PAPEL MUITO MAIS ATIVO E
PARTICIPATIVO, ALÉM DE POSSIBILITAR UMA OPORTUNIDADE
PARA O ENSINO DIFERENCIADO, A APRENDIZAGEM DE
CONTEÚDOS E O DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS.
A ABP segundo Moran (2018), é uma metodologia de aprendizagem em que os alunos se envolvemcom
tarefas e desafios para resolver um problema ou desenvolver um projeto que tenha ligação com sua vida
fora da sala de aula. O autor aborda três níveis de desenvolvimento:
PROJETO CARACTERÍSTICA
Disciplinares Desenvolvido no interior da disciplina.
Integradores
Desenvolvido interdisciplinarmente, integrando mais de uma disciplina,
professores e áreas de conhecimento.
Transdisciplinares
Desenvolvido a partir de problemas ou projetos individuais ou grupais,
superando o modelo disciplinar.
Quadro 2: Diferentes níveis de desenvolvimento de projetos/Fonte: Adaptado de Moran (2018)
 Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal
O reconhecido educador brasileiro Paulo Freire (1996) defende que a autonomia é fator fundamental
para o processo de aprendizagem e de formação humana. Indica que autonomia é a capacidade de uma
pessoa agir por si mesma e de tomar decisões que refletem, posteriormente, em suas ações. Explica
que a construção da autonomia deve ocorrer a partir de experiências estimuladoras que permitam a
tomada de decisão e a possibilidade daquele que está em formação de assumir a responsabilidade por
sua própria aprendizagem e prática. Assim, produz autoconfiança ao permitir que a pessoa que está
sendo formada assuma um papel ativo no processo de aprender.
 Educador e filósofo, Paulo Reglus Neves Freire. Fonte: Wikipédia
A ABP adota o princípio de aprendizagem colaborativa, baseada no trabalho coletivo. Viabiliza a
construção da autonomia, tomada de decisão, promove o protagonismo e o engajamento dos alunos de
forma mais significativa e profunda. É uma das estratégias que pode desencadear processos disruptivos
e inovadores em contextos educacionais.
APRENDIZAGEM BASEADA EM PROBLEMAS (PBL =
PROBLEM-BASED LEARNING)
A aprendizagem baseada em problemas (ABP ou PBL) surgiu na década de 1960 na Universidade
McMaster, Canadá, e em Maastricht, na Holanda, inicialmente nos cursos das Escolas de Medicina.
Atualmente, tem sido utilizada em várias outras áreas do conhecimento (MORAN, 2018).
 McMaster University Medical School – Canadá. Fonte: Wikipédia
A PBL TOMA COMO BASE OS PRINCÍPIOS DA ESCOLA ATIVA, DOS
PROCEDIMENTOS DO MÉTODO CIENTÍFICO, DE UM ENSINO
INTEGRADO E INTEGRADOR DOS CONTEÚDOS, DOS CICLOS DE
ESTUDO E DAS DIFERENTES ÁREAS ENVOLVIDAS, LEVANDO O
ALUNO A “APRENDER A APRENDER” E A DESENVOLVER
COMPETÊNCIAS PARA RESOLVER FUTUROS PROBLEMAS NA SUA
VIDA PROFISSIONAL. NUM SENTIDO MAIS ABRANGENTE, PROPÕE
UMA MATRIZ CURRICULAR NÃO DISCIPLINAR OU
TRANSDISCIPLINAR, ORGANIZADA POR TEMAS, COMPETÊNCIAS E
PROBLEMAS DIFERENTES, EM NÍVEIS DE COMPLEXIDADE
CRESCENTES, EM VEZ DE ORGANIZADA RIGIDAMENTE A PARTIR
DE DISCIPLINAS (MORAN, 2018).
Tem sido muito utilizada para estruturar todo o currículo de cursos de ensino superior e para moldar
projetos na educação corporativa (FILATRO e CAVALCANTI, 2018).
Como proposta de reestruturação curricular, a PBL objetiva a integração de disciplinas privilegiando a
pratica (BERBEL, 1998). Para isso:
São selecionadas situações que o aluno deverá saber/dominar, considerando o tipo de organização
curricular

Essas situações são analisadas para que se determine quais conhecimentos o aluno deverá ter e
mobilizar para cada uma delas

O tema/problema apresentado deve incentivar o levantamento de hipóteses

Objetivos serão traçados para serem mais bem estudados

Pesquisas e estudos serão propostos

Nova discussão em grupo será feita para síntese e aplicação do novo conhecimento
 ATENÇÃO
A PBL pode ocorrer de forma individual (o aluno trabalha sozinho) ou em grupo. Quando a atividade é
realizada em grupo, há oportunidade de desenvolver mais competências, como interagir com o outro,
aprender a ouvir, partilhar ideias, aceitar e assimilar críticas, colaborar, comunicar-se oralmente,
desempenhar ações de liderança, entre outras.
PEER INSTRUCTION
Peer Instruction (Instrução por Pares) é uma metodologia ativa que consiste em uma mudança na
relação aluno-professor e aluno-aluno. Desenvolvida pelo físico e educador holandês Eric Mazur no
início dos anos 1990, na disciplina de Física Básica na Universidade de Harvard, a técnica ganhou
projeção e reconhecimento internacional. As pesquisas realizadas por Mazur e sua equipe passaram a
ser utilizadas em muitas instituições escolares e acadêmicas, em diferentes áreas do conhecimento.
A metodologia combina a aula invertida e a aprendizagem em grupo. Consiste na utilização do espaço
da sala de aula para explorar o conteúdo por meio do diálogo e de questionamentos que surgem de
forma individual ou coletiva. Para isso, o aluno deve ter contato com o tema antes do período de aula.
Ele deve ser incentivado a realizar a leitura do conteúdo de maneira autônoma para desenvolver
habilidades interpretativas, criativas e críticas. A partir daí, o próprio material ganha relevância e maior
significado na medida em que, na sala de aula, surgem diferentes perspectivas e questões que
provavelmente o professor, em seu planejamento, não teria optado em abordar.
 Fonte: Nampix | Shutterstock
ASSIM, O MÉTODO CONSISTE EM UMA SÉRIE DE PROCEDIMENTOS
QUE SE INICIAM ANTES DA AULA. DIANTE DISSO, PARA HAVER
SUCESSO NESSA METODOLOGIA EM QUALQUER CONTEXTO
EDUCATIVO, É NECESSÁRIO O PROFESSOR INICIAR SUA
DISCIPLINA DIALOGANDO COM OS ALUNOS SOBRE
METODOLOGIAS ATIVAS DE APRENDIZAGEM E APRESENTANDO A
PROPOSTA DE INSTRUÇÃO POR PARES, SEUS OBJETIVOS E SUAS
ESTRATÉGIAS DE AVALIAÇÃO.
Atualmente, a aplicação da metodologia se diversificou muito, mas as etapas do método em linhas
gerais são:
1. INDICAÇÃO DO CONTEÚDO
2. LEITURA PRÉVIA
3. EXPOSIÇÃO DO CONTEÚDO
4. TESTE CONCEITUAL
5. FORMULAÇÃO INDIVIDUAL
6. AVALIAÇÃO DAS RESPOSTAS
7. DISCUSSÃO ENTRE PARES
8. TESTE CONCEITUAL
9. AVALIAÇÃO DAS RESPOSTAS
1. INDICAÇÃO DO CONTEÚDO
O professor indica o conteúdo e o material de referência a serem abordados em sala de aula (manuais,
livros didáticos e textos relevantes à área de estudos).
2. LEITURA PRÉVIA
Estudo prévio do conteúdo/tema pelos alunos
3. EXPOSIÇÃO DO CONTEÚDO
Em aula, o professor faz uma breve exposição oral do assunto, dando ênfase a questões conceituais
centrais à compreensão do conteúdo.
4. TESTE CONCEITUAL
O professor propõe uma questão para os alunos responderem individualmente fazendo uso do método
Polling (essa atividade pode ser realizada usando aplicativos como Kahoot, Socrative, Mentimeter,
Google Forms, ou mesmo utilizando cartões físicos com alternativas de respostas quando não for
possível ou conveniente conexão com a internet).
5. FORMULAÇÃO INDIVIDUAL
Os alunos refletem sobre as questões e respondem individualmente.
6. AVALIAÇÃO DAS RESPOSTAS
Os alunos apresentam as respostas. A partir dos resultados, o professor deve avaliar se é possível
seguir o conteúdo ou se os alunos devem interagir com a finalidade de formular novas respostas.
7. DISCUSSÃO ENTRE PARES
Se o número de acertos for inferior a 35%, o professor deve repetir a explicação; se a média de acerto
estiver entre 35% a 70%, então se propõe a discussão da questão entre pares, objetivando chegar a
consensos sobre quais seriam as respostas corretas.
8. TESTE CONCEITUAL
O professor aplica o teste conceitual novamente, como forma de avaliar se os alunos chegaram a uma
melhor compreensão do conteúdo a partir da interação com os colegas.
9. AVALIAÇÃO DAS RESPOSTAS
O professor analisa o resultado junto com os estudantes: se o resultado for superior a 70%, ele pode
fazer uma síntese da resposta e seguir para um novo conteúdo. Se ainda for inferior a 70%, precisará
propor uma nova questão conceitual do tema discutido.
Quadro 3: Etapas de aplicação do método instrução entre pares/Fonte: Adaptado de Lasry, Mazur e
Watkins (2008)
 SAIBA MAIS
Polling é um método pelo qual os dados estatísticos podem ser coletados de um grupo de pessoas. A
pesquisa pode ser usada para determinar a opinião popular e pode influenciar, moldar ou guiar os
processos de tomada de decisão. Tambémpermite que outras pessoas vejam uma análise estatística
das respostas.
Como usar o polling? Para reunir dados dos participantes, é necessário criar uma pesquisa. Há uma
variedade de ferramentas online gratuitas que podem ser usadas para criar enquetes e coletar
respostas. Por exemplo, há uma ferramenta chamada Polls, que pode ser usada para coletar dados de
participantes em um curso ou site do projeto.
A instrução por pares ajuda a promover uma aula dinâmica e engajadora, com a exposição do conteúdo
e a aplicação dos testes ocorrendo em um período curto. O importante nessa metodologia é a
combinação da estratégia da aula invertida com aprendizagem em grupo, valendo-se de discussões,
dinâmicas ou atividades para aprender ativamente, sempre com a orientação e supervisão do professor.
Assista ao vídeo a seguir para saber mais sobre a explicação e exemplificação sobre alguns
métodos ativos de aprendizagem.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
MÓDULO 3
 Reconhecer estratégias e ferramentas tecnológicas facilitadoras da aprendizagem ativa
 Fonte: Somkid Thongdee | Shutterstock
Vamos verificar, neste módulo, como as tecnologias digitais podem apoiar a adoção de metodologias
ativas, apresentando diferentes grupos de tecnologias e alguns exemplos de como podem apoiar a
aprendizagem ativa.
RECURSOS TECNOLÓGICOS E
APRENDIZAGEM ATIVA
Incorporar as tecnologias sem aliá-las às inovações pedagógicas em contextos educativos não resultará
em melhorias educacionais. O uso efetivo das tecnologias para uma aprendizagem mais significativa e
engajadora deve estar associada às estratégias ativas.
Atualmente, podemos aprender em múltiplos espaços − tanto físicos quanto digitais −, sozinhos e em
grupo, de modo formal ou informalmente, usando e explorando diferentes recursos, caminhos e
métodos. A variedade de estratégicas metodológicas a serem adotadas no planejamento das aulas deve
estimular nossa reflexão sobre novas maneiras de ensinar e aprender.
 Fonte: Monkey Business Images | Shutterstock
VAMOS REFLETIR!
COMO COLOCAR EM PRÁTICA ESSAS ESTRATÉGIAS
DE MODO A TORNAR O PROCESSO DE
APRENDIZAGEM DOS ALUNOS MAIS ATIVO,
ENGAJADOR E SIGNIFICATIVO?
RESPOSTA
Já vimos que as estratégias ativas promovem alternativas pedagógicas que valorizam o aluno, a
aprendizagem colaborativa, a construção do conhecimento por meio de projetos e resolução de problemas,
entre outros aspectos importantes. Tudo isso é potencializado e viabilizado quando integramos as estratégias
ativas com as tecnologias e mídias digitais, realidade virtual e aumentada, plataformas adaptativas que
trazem mais mobilidade, possibilidade de personalização, de compartilhamento, de design de experiências
diferentes de aprendizagem − seja em ambientes presenciais, online ou híbridos.
Muitos são os pesquisadores que estudam e investigam as possibilidades do uso das tecnologias como
suporte para as metodologias ativas, divulgando experiências e projetos de instituições com diferentes
propostas de aprendizagem ativa personalizada com apoio de tecnologias digitais. Essas pesquisas
discutem as potencialidades que as tecnologias têm para enriquecer o processo de aprendizagem,
devido às características de mobilidade e conectividade que possuem.
AS TECNOLOGIAS MÓVEIS, CONECTADAS, LEVES,
UBÍQUAS SÃO O MOTOR E A EXPRESSÃO DO DINAMISMO
TRANSFORMADOR, DA APRENDIZAGEM SOCIAL POR
COMPARTILHAMENTO, DA APRENDIZAGEM POR DESIGN,
DAS TENTATIVAS CONSTANTES DE APERFEIÇOAMENTO E
DE INTRODUÇÃO DE NOVOS PRODUTOS, PROCESSOS E
RELAÇÕES [...].
(MORAN, 2018)
Existe uma tendência na área de tecnologia educacional em agrupar as mídias em grandes categorias,
de acordo com as diferentes aplicações na educação. São elas:
TECNOLOGIAS DISTRIBUTIVAS
Disponibilizam o conteúdo de um para muitos, ou seja, preveem a utilização dentro de uma proposta
mais tradicional, com o sujeito em uma posição passiva, de receptor da informação. São as tecnologias
empregadas quando o objetivo é distribuir informação e conteúdo, como o rádio, a televisão e as
javascript:void(0)
plataformas ou os aplicativos de podcast. Seu uso acaba privilegiando a transmissão do conhecimento,
por isso elas devem ser integradas a outras tecnologias mais interativas.
TECNOLOGIAS INTERATIVAS IMERSIVAS
Disponibilizam o conteúdo de um para um, isto é, prevê um aluno mais ativo, que interage com a
tecnologia e que aprende por meio dela, mas de forma isolada. São as tecnologias adotadas quando o
objetivo for desenvolver habilidades. Como exemplo, temos os multimídias interativos com exploração
individual e com feedbacks, jogos eletrônicos, simuladores, óculos de realidade virtual ou aumentada.
São modelos de atividades nas quais o aluno está interagindo sozinho com os conteúdos disponíveis no
espaço virtual.
TECNOLOGIAS COLABORATIVAS
Disponibilizam o conteúdo de muitos para muitos, ou seja, preveem a participação do aluno e sua
interação com outras pessoas. São as tecnologias usadas quando o objetivo é que os sujeitos formem
outros esquemas mentais, aprendam e trabalhem de forma colaborativa, produzindo coletivamente. São
exemplos dessas tecnologias: fórum de discussão, chats, aplicativos de comunicação, editores
colaborativos de textos, planilhas, apresentações e redes sociais.
TECNOLOGIAS ANALÍTICAS
Coletam, tratam e transformam dados relativos à aprendizagem humana em gráficos, possibilitando a
análise desses dados, "apoiando assim a tomada de decisões de professores, especialistas, designers
instrucionais, gestores" (FILATRO e CAVALCANTI, 2018) para propor percursos de aprendizagem
adaptativos. Como exemplo temos: mineração de dados educacionais (educational data mining), Big
data, analítica da aprendizagem (learning analytics), analítica acadêmica/institucional
(academic/institucional analytics), dentre outras.
 Fonte: Nattakorn_Maneerat | Shutterstock
VARIEDADE DE TECNOLOGIAS DE APOIO
As tecnologias de apoio ampliam as possibilidades de o aluno ter acesso a recursos de aprendizagem e
conteúdos relevantes disponibilizados em diversas mídias e formatos.
As tecnologias digitais permitem a interação e o aprendizado de grupos de estudantes em diferentes
locais, cidades e até mesmo países, rompendo barreiras de tempo e espaço. Além disso, algumas
dessas tecnologias levam o aluno a conhecer e explorar virtualmente localidades, instituições e
experiências às quais dificilmente teria acesso se não fosse o recurso digital, como a visita virtual a
vários museus.
Atualmente, há uma multiplicidade de recursos tecnológicos disponíveis na internet, muitos deles com
acesso gratuito para educadores, podendo ser utilizados para promover a aprendizagem, estimular o
desenvolvimento cognitivo e o desenvolvimento de competências.
 DICA
Uma possibilidade muito interessante de adoção das metodologias ativas com suporte das tecnologias
está relacionada com a sala de aula invertida (Flipped Classroom). O material utilizado pelos alunos
antes das aulas geralmente é postado num ambiente virtual − em plataformas, redes sociais ou mesmo
num site ou blog criado pelo professor para sua turma de alunos. Embora os vídeos sejam os recursos
mais utilizados, há também podcasts, animações, textos, apresentações gráficas, jogos com feedback,
entre outros, que podem ser utilizados nessa estratégia ativa de aprendizagem.
Como vimos anteriormente, é recomendável que o aluno, após ter acessado o conteúdo, tenha
oportunidade de responder a um questionário (quiz), que o professor pode deixar preparado no
ambiente virtual. Na internet, é possível encontrar diferentes programas ou ferramentas gratuitas para
criar questionários online.
 Fonte: niroworld | Shutterstock
Podemos perceber, portanto, que esse modelo de ensino utiliza bastante os recursos das tecnologias
digitais.
VAMOS REFLETIR!
QUAIS TECNOLOGIAS PODEM APOIAR
ADEQUADAMENTE A ADOÇÃO DA SALA DE AULA
INVERTIDA?
RESPOSTA
Graças ao acesso aos dispositivos móveis, cada vez maior por parte dos alunos da educação básica e doensino superior, temos disponível uma variedade de aplicativos, softwares e sites que podem apoiar a sala
de aula invertida. Temos facilmente acesso a diferentes tipos de mídias, vídeos, documentos e recursos
de pesquisa ou busca.
Todas essas tecnologias e mídias digitais trazem mais mobilidade, possibilidade de personalização do
conteúdo, de trabalho colaborativo, de compartilhamento, de design de experiências diferentes de
aprendizagem, seja no ensino presencial ou no virtual. Enfim, adotar as tecnologias como apoio às
estratégias ativas de aprendizagem significa integrá-las ao currículo, à prática pedagógica para inovar os
processos educacionais (ALMEIDA e VALENTE, 2011).
O uso dos recursos tecnológicos aliado às metodologias ativas deve ser criterioso e atender aos
objetivos de aprendizagem. Por isso, vale lembrar a classificação proposta por Benjamin Bloom (1913-
1999), conhecida como Taxonomia de Bloom, apoiada em três domínios de aprendizagem: domínio
cognitivo (reconhecimento da informação e desenvolvimento de compreensão e habilidades
javascript:void(0)
javascript:void(0)
intelectuais); domínio psicomotor (movimento físico e uso de habilidades motoras) e domínio afetivo
(modo de lidar com sentimentos e emoções).
 Benjamin Bloom. Fonte: Wikipédia
BENJAMIN BLOOM (1913-1999)
Psicólogo e pedagogo norte-americano que se dedicou à pesquisa na área da psicologia educacional.
Foi um dos fundadores da Associação Internacional para a Avaliação do Desempenho Educacional (IEA)
e desenvolveu o programa MESA (Mediação, Avaliação e Análise Estatística), voltado para crianças em
idade escolar. Bloom foi professor na Universidade de Chicago e atuou como consultor educacional
junto a governos de vários países, como Israel e Índia.
Vamos destacar aqui somente o domínio cognitivo para identificar as seis habilidades ou processos
cognitivos, que podem ser expressos por meio dos seguintes verbos:
MEMORIZAR
COMPREENDER
APLICAR
ANALISAR
AVALIAR
CRIAR
A partir dessas habilidades cognitivas, propomos a seguir um quadro que relaciona alguns recursos
digitais com objetivos de aprendizagem, conforme a Taxonomia de Bloom:
 Quadro 4: Objetivos de aprendizagem e recursos tecnológicos digitais/Fonte: Autora
Esse quadro ilustra algumas possibilidades de uso dos recursos tecnológicos a partir dos objetivos de
aprendizagem que definimos para as atividades pedagógicas ou os métodos ativos. Essas tecnologias
móveis podem contribuir para dinamizar e transformar os processos educacionais, desde que utilizadas
de forma planejada, crítica e criativa.
Ferramentas que viabilizam o compartilhamento de ideias, reflexão e conhecimento são a expressão da
aprendizagem social, por design, do aperfeiçoamento e da prototipação de novos produtos, processos e
relações, podendo ajudar na adoção de diversas metodologias ativas.
 EXEMPLO
Por exemplo, no caso da ABP (Aprendizagem Baseada em Projetos), podemos utilizar sites de busca
(Google, Yahoo, Bing etc.) para as pesquisas, trabalhar com as plataformas de colaboração do Google
Drive ou do Microsoft Teams para a construção coletiva do processo de desenvolvimento do projeto,
como também podemos nos valer dos aplicativos Padlet, Jamboard, Powtoon, Animaker e Book Creator
para produzir portfólios e o produto final do projeto.
Existe também uma variedade de recursos educacionais abertos, conhecidos pela sigla REA,
disponíveis para todas as áreas do conhecimento, constituindo-se em excelentes ferramentas de apoio
às metodologias ativas.
javascript:void(0)
RECURSOS EDUCACIONAIS ABERTOS
São materiais de ensino, aprendizado e pesquisa, em qualquer suporte ou mídia, que estão sob domínio
público, ou estão licenciados de maneira aberta, permitindo que sejam utilizados ou adaptados por
terceiros.
No Brasil, você tem acesso a objetos de aprendizagem ou recursos educacionais abertos na Plataforma
MEC de Recursos Educacionais Digitais.
De acordo com Moran (2018), a combinação de metodologias ativas com tecnologias digitais
móveis é atualmente estratégia para a inovação pedagógica. Saber integrar os recursos digitais
disponíveis na web nas atividades educativas deve fazer parte da prática pedagógica, sendo que é
possível e conveniente priorizar a utilização de aplicativos e recursos gratuitos, online,
colaborativos e sociais.
AS TECNOLOGIAS FAVORECEM, PORTANTO, AS ESTRATÉGIAS
ATIVAS DE APRENDIZAGEM, POSSIBILITANDO A PESQUISA, A
AUTORIA, A COMUNICAÇÃO VERBAL E ESCRITA, O
COMPARTILHAMENTO EM REDE, A PUBLICAÇÃO DE PRODUTOS, A
CRIATIVIDADE, A DISCUSSÃO EM GRUPO, A CONSTRUÇÃO
COLETIVA DE CONHECIMENTO. AMPLIAM AS POSSIBILIDADES DE
PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO, DE COMPARTILHAMENTO DE
IDEIAS, DE CONHECIMENTO E INFORMAÇÃO E DE DESIGN DE
EXPERIÊNCIAS DIFERENTES DE APRENDIZAGEM, SEJA EM
AMBIENTES PRESENCIAIS, ONLINE OU HÍBRIDOS.
As metodologias com tecnologias podem iniciar dentro de disciplinas isoladas, depois serem
compartilhadas em projetos integradores interdisciplinares. O importante é criar experiências, formas
inovadoras de ensino e aprendizagem, que possibilitem a autonomia intelectual dos alunos e permita o
desenvolvimento das competências e habilidades do século XXI.
Assista ao vídeo a seguir para saber mais sobre recursos tecnológicos e metodologias ativas.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
CONCLUSÃO
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao longo deste tema, vimos a importância de enfrentar os desafios educacionais por meio de novos
modelos de ensino e aprendizagem. Pudemos perceber que as metodologias ativas não devem ser
vistas como um modismo, mas como necessidade educacional na busca pelo protagonismo do aluno,
baseadas em diferentes conceitos e teorias pedagógicas.
Compreendemos, ainda, como utilizar as tecnologias para apoiar a adoção de estratégias ativas. Além
disso, identificamos diferentes grupos de recursos − com exemplos de integração entre as metodologias
ativas, os objetivos de aprendizagem e as tecnologias digitais − que podem favorecer práticas
pedagógicas inovadoras em ambientes de aprendizagem atuais.
 PODCAST
Agora, o professor Luiz Rafael Silva da Silva encerra o tema falando sobre Metodologias ativas na
educação.
AVALIAÇÃO DO TEMA:
REFERÊNCIAS
ALMEIDA M. E. B.; VALENTE, J. A. Tecnologias e currículo: trajetórias convergentes ou divergentes?
São Paulo: Paulus, 2011.
BACICH, L.; MORAN, J. M. (Org.) Metodologias ativas para uma educação inovadora: uma
abordagem teórico-prática. Porto Alegre: Penso, 2018.
BEHAR, P.A. (Org). Modelos pedagógicos para a educação a distância. Porto Alegre: Artmed, 2009.
BENDER, W. N. (2014). Aprendizagem baseada em projetos: educação diferenciada para o século
XXI. Porto Alegre: Penso.
BERBEL, N.A.N. A problematização e a aprendizagem baseada em problemas: diferentes termos ou
diferentes caminhos? In: Interface – Comunic., Saúde, Educ. 1998.
BERGMANN, J.; SAMS, A. Sala de aula invertida: uma metodologia ativa de aprendizagem. Tradução
Afonso Celso da Cunha Serra. 1. ed. [Reimpr.]. Rio de Janeiro: LTC, 2017.
BUCK INSTITUTE FOR EDUCATION – BIE. Aprendizagem baseada em projetos: guia para
professores de ensino fundamental e médio. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2008.
FILATRO, A.; CAVALCANTI, C. C. Metodologias Inov-ativas na educação presencial, a distância e
corporativa. São Paulo: Saraiva Uni, 2018.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. Rio de Janeiro: Paz e
Terra, 1996.
LASRY, N.; MAZUR, E.; WATKINS, J. Peer instruction: from Harvard to the two-year college. American
Journal of Physics, v. 76, n. 11, p. 1066-1069, nov. 2008.
MAZUR, E. Peer instruction: getting students to think in class. AIP Conference Proceedings, v. 399, n.
1, p. 981-988, mar. 1997.
MORAN, M. Metodologias ativas para uma aprendizagem mais profunda. In: BACICH, L.; MORAN,
J. M. (org.) Metodologias ativas para uma educação inovadora: uma abordagem teórico-prática. Porto
Alegre: Penso, 2018.
RIBEIRO, E. C. O. Ensino/aprendizagem na escola médica. In: MARCONDES, E.;GONÇALVES, E.
(Orgs.). Educação médica. São Paulo: Sarvier, 1998. p. 40-9.
VALENTE, J. Blended learning e as mudanças no ensino superior: a proposta da sala de aula
invertida. In: Educar em Revista, Curitiba, Brasil, Edição Especial n. 4/2014, p. 79-97. Editora UFPR.
WAGNER, T. The global achievement gap: why even our best schools don´t teach the new survival
skills our children need – and what we can do about it. New York: Basic Books, 2010.
EXPLORE+
Leia o texto Tecnologias digitais para uma aprendizagem ativa e motivadora, de José Moran, para
conferir algumas reflexões e orientações sobre a integração entre tecnologia e metodologias
ativas, além de dicas de leitura e de recursos tecnológicos.
Assista ao vídeo Ensino híbrido, no qual Lilian Bacich apresenta uma palestra com informações
detalhadas sobre o ensino híbrido e cita exemplos de estratégias para a integração das
tecnologias em contexto educativo.
Assista ao vídeo Tecnologias Digitais, que traz uma entrevista feita pelo professor João Mattar ao
professor José Moran. O tema está alinhado às possibilidades do uso das tecnologias aliadas a
estratégias inovadoras em contextos educativos.
CONTEUDISTA
Ana Claudia Loureiro
 CURRÍCULO LATTES
javascript:void(0);

Mais conteúdos dessa disciplina