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Fundamentos do direito processual penal
Prof. Edison Burlamaqui
Descrição Fundamentos do direito processual penal, nomeadamente seus
princípios fundamentais, as fontes, os sujeitos e a lei processual no
tempo e no espaço.
Propósito O estudo dos fundamentos do processo penal é de extrema relevância,
pois estabelecem as bases que organizam todo o sistema, tanto na
criação das leis como em sua aplicação, isto é, determinam como será a
investigação, a acusação, o procedimento, como o juiz sentenciará e
como as partes devem se comportar.
Preparação Antes de iniciar o estudo, tenha em mãos o Código de Processo Penal.
Objetivos
Módulo 1
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Princípios fundamentais
Identificar os princípios fundamentais do processo penal.
Módulo 2
Sistemas processuais penais
Distinguir os sistemas penais.
Módulo 3
Lei processual no tempo e no espaço, fontes e
sujeitos
Analisar as características da lei processual no tempo e no espaço, as fontes e os sujeitos.
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Introdução
Como já dito, o estudo dos fundamentos do direito processual penal é de
extrema relevância, pois estabelecem as bases de todo o sistema. Assim,
para compreender o funcionamento das instituições, as regras e, até mesmo,
os diversos posicionamentos doutrinários e jurisprudenciais, é essencial
conhecer os alicerces do sistema processual penal atual, bem como parte de
sua história.
Iniciaremos nosso estudo com a análise dos principais princípios do direito
processual penal, cujo conhecimento é de grande importância por
funcionarem como um “norte” para a legislação e para a jurisprudência,
auxiliando na aplicação do direito.
Em seguida, passaremos a analisar os sistemas processuais penais, para que
possamos compreender a evolução do direito processual penal, bem como
um pouco de sua história.
Por fim, vamos verificar como se dá a aplicação da lei processual penal no
tempo e no espaço, sendo de grande importância tal estudo para que
possamos definir a legislação aplicável.

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1 - Princípios fundamentais
Ao final deste módulo, você será capaz de identificar os princípios fundamentais
do processo penal.
Ligando os pontos
Você conhece os princípios do direito processual penal? Para entendermos
melhor tais conceitos, vamos analisar um caso fictício.
João foi denunciado pela prática do crime de homicídio qualificado em razão de
motivo torpe (art. 121, §2º, I do CP). A denúncia foi recebida, sendo João
devidamente citado para apresentar defesa prévia.
A defesa de João, por sua vez, alegou preliminares e refutou a acusação,
requerendo, ao final, a impronúncia do acusado, inclusive arrolando testemunhas
e juntando documentos. Após a instrução processual, João foi pronunciado nos
termos da denúncia, tendo tal decisão transitado em julgado.
João então foi levado a plenário do júri. No dia do julgamento, foi feito o pregão,
estando presentes o acusado, as testemunhas de acusação e de defesa, os
jurados, o juiz presidente, o promotor de justiça e o advogado de defesa. O juiz
então declarou aberta a sessão de julgamento e, após cumpridas as
formalidades iniciais, passou ao sorteio dos jurados, sendo formado o conselho
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formalidades iniciais, passou ao sorteio dos jurados, sendo formado o conselho
de sentença.
Foi então iniciada a sessão, tendo sido ouvidas as testemunhas e colhido o
interrogatório do acusado. Após os debates, o juiz questionou os jurados se
estes estavam aptos a realizar a votação. Com a resposta positiva, a leitura e a
explicação dos quesitos, foram todos para a sala secreta. Finalizada a votação, o
acusado foi condenado a 17 anos de reclusão, sendo sua sentença lida em
plenário, tendo o juiz determinado o recolhimento do condenado ao cárcere,
mesmo tendo este respondido o processo em liberdade, e, após, foi encerrada a
sessão de julgamento.
Após a leitura do case, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar
esses pontos?
Questão 1
O processo penal brasileiro é regido por uma série de princípios
previstos na Constituição e na legislação. Aponte qual princípio
não é aplicável ao julgamento realizado no tribunal do júri pelo
conselho de sentença.
A Presunção de inocência
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Parabéns! A alternativa D está correta.
No tribunal do júri, há mitigação da obrigatoriedade de
motivação, pois o conselho de sentença, formado por juízes
leigos, não pode motivar nem fundamentar o seu entendimento,
vigorando o princípio da incomunicabilidade dos jurados e da
íntima convicção.
Questão 2
Como vimos no caso, a Constituição Federal, em seu art. 5º,
XXXVIII, “d” determina que é reconhecida a instituição do júri,
com a organização que lhe der a lei, assegurada a competência
para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida, sendo este
o juiz natural para julgar tais crimes. Nesse sentido, analise as
afirmativas a seguir sobre os desdobramentos do princípio do
juiz natural em um tribunal do júri.
I. Somente aqueles investidos legalmente de jurisdição podem
exercê-la.
II. É vedado o tribunal de exceção.
III. Deve haver uma distribuição específica e taxativa da
B Ampla defesa
C Devido processo legal
D Motivação
E Contraditório
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III. Deve haver uma distribuição específica e taxativa da
competência para o julgamento.
IV. O promotor natural há de ser sempre aquele previamente
estatuído em lei.
Está correto o que afirma em
Parabéns! A alternativa D está correta.
O princípio do juiz natural, decorrente da Constituição (art. 5º,
XXXVII e LIII), apresenta três facetas: i) somente aqueles
investidos legalmente de jurisdição podem exercê-la; ii)
ninguém será processado e julgado por um órgão instituído
após o fato (vedação ao juízo de exceção); e iii) deve haver uma
distribuição específica e taxativa da competência para o
julgamento. Entretanto, parte da doutrina fala ainda no princípio
do promotor natural. Para essa parte, esses princípios vedam a
designação arbitrária, pela chefia da instituição, de promotor
para patrocinar caso específico, ou seja, o promotor natural há
de ser sempre aquele previamente estatuído em lei.
A I e II apenas.
B II e III apenas.
C IV apenas.
D I, II e III apenas.
E II, III e IV apenas.
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Questão 3
Após a leitura do caso, foi possível verificar que, ao final do processo, o juiz
determinou o recolhimento do acusado ao cárcere, mesmo este se encontrando
em liberdade. Considerando as recentes alterações no Código de Processo
Penal, discorra sobre a legalidade de tal decisão.
Digite sua resposta aqui
Chave de resposta
No que se refere ao tribunal do júri, a Lei nº 13.964, de 24 de dezembro de
2019, trouxe uma importante previsão acerca das apelações oriundas dos
julgamentos plenários. Atualmente, admite-se a execução provisória da
pena nos casos de condenação no tribunal do júri a uma pena igual ou
superior a 15 anos de reclusão. Dessa forma, segundo o art. 492, § 4º do
CPP, a apelação nesses casos não terá efeito suspensivo, salvo
determinadas exceções. Logo, poderia o magistrado ter determinado a
prisão do acusado.
Conceituação de princípios
Segundo Miguel Reale (1986, p. 60), “princípios são, pois, verdades ou juízos
fundamentais, que servem de alicerce ou de garantia de certeza a umOutra hipótese indicada expressamente é aquela em que devem ser aplicadas as
prerrogativas constitucionais do presidente da República, dos ministros de
Estado, nos crimes conexos com os do presidente da República, e dos ministros
do STF, nos crimes de responsabilidade. Essa hipótese se refere aos crimes de
natureza político-administrativa, e não aos delitos comuns, sendo o julgamento
dessas infrações realizado pelo Poder Legislativo e não pelo Judiciário.
Atenção!
Os processos de competência da Justiça Militar, isto é, os crimes militares,
seguem os ditames do Código de Processo Penal Militar (Decreto-lei nº 1.002, de
21 de outubro de 1969), e não da legislação processual comum.
Quanto aos processos por crimes da imprensa, vale destacar que o Supremo
Tribunal Federal, no julgamento da ADPF 130-7/DF, declarou que tal norma não
foi recepcionada pela Constituição, de modo que, atualmente, os antigos crimes
da Lei de Imprensa (Lei nº 5.250, de 9 de fevereiro de 1967) deverão ser
enquadrados, quando possível, na legislação comum, e a apuração ocorrerá nos
termos do Código de Processo Penal.
Por fim, importante indicar que o art. 5º, §4º, da CF prevê que o Brasil se
submete à jurisdição do Tribunal Penal Internacional. Dessa forma, ainda que um
delito seja cometido em território nacional, havendo denúncia a esse tribunal, o
agente deverá ser entregue para que lá seja julgado, aplicando-se as regras de
direito internacional.
Aplicação da lei processual penal
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Aplicação da lei processual penal
no tempo
Como regra geral, aplica-se o princípio do efeito imediato ou princípio da
aplicação imediata ou sistema do isolamento dos atos processuais. Assim
dispõe o CPP:
Art. 2º - A lei processual penal aplicar-se-á desde logo,
sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a
vigência da lei anterior.
(CÓDIGO DE PROCESSO PENAL, DECRETO-LEI Nº
3.689/1941)
Dessa forma, o art. 2º do CPP adotou o princípio da imediata aplicação da lei
processual penal, também chamado de princípio tempus regit actum. De acordo
com esse princípio, os novos dispositivos processuais podem ser aplicados a
crimes praticados antes de sua entrada em vigor. Assim, para a definição da lei
aplicável, considera-se a data da realização do ato e não a data da infração
penal.
Ante o exposto, a lei processual será aplicada imediatamente, ainda que
prejudicial ao réu. Destaca-se que não há violação ao art. 5º, XL, da CF, pois a
vedação incorporada nesse dispositivo constitucional não se refere às normas
puramente processuais penais, mas apenas às normas de natureza penal.
Vale ressaltar que o art. 3º da Lei de Introdução ao CPP dispõe que “o prazo
já iniciado, inclusive o estabelecido para a interposição de recurso, será
regulado pela lei anterior, se esta não prescrever prazo menor do que o fixado
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regulado pela lei anterior, se esta não prescrever prazo menor do que o fixado
no CPP”. Assim, se um determinado prazo já estiver em andamento, incluindo
o prazo recursal, valerá o prazo da lei anterior se o prazo da nova lei for
menor do que aquele outro. Tal situação apresenta uma hipótese de
ultratividade da lei processual penal.
É importante, contudo, diferenciar as chamadas normas processuais
heterotópicas e normas processuais mistas ou híbridas:
Normas processuais heterotópicas 
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Como sabemos, normas processuais são aquelas que regulamentam
aspectos relacionados ao procedimento ou à forma dos atos
processuais, possuindo aplicações imediatas. Já as normas materiais
são aquelas que objetivam assegurar direitos ou garantias, possuindo
efeitos retroativos nas hipóteses que beneficiam o réu, mas jamais
retroagindo para prejudicá-lo.
Ocorre que existem determinadas regras que, apesar de inseridas em
diplomas processuais penais, possuem conteúdo material, retroagindo
para beneficiar o réu. Outras, ao revés, incorporadas a leis materiais,
apresentam um conteúdo processual, regendo-se pelo critério tempus
regit actum. Essas são chamadas de normas heterotópicas.
São aquelas que possuem preceitos de direito material e de direito
processual. Nessas hipóteses, prevalece o conteúdo material da norma,
assim devem respeitar o princípio que veda a aplicação retroativa da lei
penal quando seu conteúdo for prejudicial ao réu. Ou seja, a regra de
irretroatividade não se aplica às normas processuais que também
possuem em seu conteúdo natureza de direito material.
Eficácia da lei processual penal
no tempo e espaço
Veja mais sobre a eficácia da lei processual no tempo e no espaço.
Normas processuais híbridas 

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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
(Pefoce - Auxiliar de perícia - 2021 - Idecan) Em caso de alteração legislativa
no Código de Processo Penal, que traga apenas disposições de direito
processual, é correto afirmar que referida alteração legislativa será aplicada
A com ressalvas, respeitando-se a irretroatividade maligna.
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Parabéns! A alternativa E está correta.
Segundo o art. 2º do Código de Processo Penal, a lei processual penal será
aplicada desde logo, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a
vigência da lei anterior.
Questão 2
(Instituto AOCP - 2021 - PC-PA - Investigador de polícia civil) De acordo com o
Código de Processo Penal, assinale a alternativa correta.
B
apenas quando se iniciar uma nova fase processual, sendo
certo que as fases são: postulatória, instrutória, decisória e
recursal.
C
a depender do caso concreto, podendo as partes solicitar a
manutenção do regramento anterior se este se revelar mais
eficiente ao caso já em andamento.
D
apenas para os delitos praticados após a entrada em vigor de
referida lei processual, exceto se a lei nova se revelar mais
benéfica, ocasião em que deverá retroagir.
E
desde logo, sem prejuízo dos atos praticados sob a égide de
lei processual penal anterior.
A
A lei processual penal veda expressamente o uso de
interpretação extensiva e analógica.
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Parabéns! A alternativa B está correta.
O Código de Processo Penal, em seu art. 1º, adotou o princípio da
territorialidade, ou seja, a lei processual penal só se aplica no âmbito do
território nacional.
Considerações finais
interpretação extensiva e analógica.
B
O princípio processual penal da territorialidade é regra que
assegura a soberania nacional, pois não convém ao Estado
brasileiro aplicar normas procedimentais estrangeiras para
apurar e punir um delito ocorrido dentro do território brasileiro.
C
A nova lei processual penal não se aplica desde logo, mas
aguarda o término do processo já instaurado.
D
O processo penal rege-se em todo o território brasileiro,
excetuados os territórios da União.
E
O processo penal terá estrutura inquisitória, permitida a
iniciativa do juiz na fase de investigação.
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Considerações finais
Conforme visto, os fundamentos do processo penal são de grande importância
para a compreensão do nosso sistema e do ordenamento jurídico vigente atual.
Verificamos que os princípios de direito processual penal funcionam como
verdadeirasgarantias para os investigados, possuindo a finalidade de conter
eventuais abusos por parte do Estado.
Prosseguindo, por meio da análise dos sistemas processuais penais, foi possível
verificar a evolução do direito processual penal e perceber que tais sistemas
possuem relação direta com os regimes políticos vigentes. Da mesma forma,
verificamos que o sistema brasileiro possui características do sistema
inquisitório e do sistema acusatório, o que é objeto de muitas críticas pela
doutrina.
Por fim, analisamos os sujeitos e as fontes do processo, bem como a aplicação
da lei processual penal no tempo e no espaço. Tal estudo se mostra de grande
relevância para a definição da norma aplicável.
Podcast
Para encerrar, ouça uma revisão geral dos princípios, abordando aspectos de
maior relevo.
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Confira a indicação que separamos especialmente para você!
Leia o Título 1 do livro Manual de processo penal – volume único de Renato
Brasileiro de Lima, publicado pela JusPodivm.
Referências
BARROSO, L. R. Interpretação e aplicação da Constituição: fundamentos de uma
dogmática constitucional transformadora. São Paulo: Saraiva, 1999.
BRASILEIRO DE LIMA, R. Manual de processo penal: volume único. 10. ed. rev.,
ampl. e atual. Salvador: JusPodivm, 2021.
CARVALHO, L. G. G. Castanho de. Momentos entre o passado e o presente do
processo penal no contexto do sistema criminal. Revista Eletrônica de Direito
Processual, ano 13, v. 20, n. 1, p. 288-314, jan./abr. 2019.
DINAMARCO, C. R. A instrumentalidade do processo. 3. ed. São Paulo:
Malheiros, 1993.
FERRAJOLI, L. Direito e razão: teoria do garantismo penal. Tradução de Ana
Paula Zomer Sica e outros. 3. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais. 2002.
GRECO, L. O princípio do contraditório. Revista Dialética de Direito Processual, n.
24, p. 71-79, mar. 2005.
LOPES JUNIOR, A. Direito processual penal. 16. ed. São Paulo: Saraiva, 2019.
MARQUES, J. F. Elementos de direito processual penal. V. I. São Paulo:
Bookseller, 1998.
NUCCI, G. de S. Curso de direito processual penal. 18. ed. Rio de Janeiro:
Forense, 2021.
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Forense, 2021.
PRADO, G. Sistema acusatório. 3. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2005.
REALE, M. Filosofia do direito. 11. ed. São Paulo: Saraiva, 1986.
RODRIGUES, M. A. dos S. A modificação do pedido e da causa de pedir no
processo civil. Rio de Janeiro: GZ, 2014.
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de juízos, ordenados em um sistema de conceitos relativos à dada porção da
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de juízos, ordenados em um sistema de conceitos relativos à dada porção da
realidade. Às vezes também se denominam princípios certas proposições, que,
apesar de não serem evidentes ou resultantes de evidências, são assumidas
como fundantes da validez de um sistema particular de conhecimentos, como
seus pressupostos necessários”.
Para Luís Roberto Barroso (1999, p. 147), princípios "são o conjunto de normas
que espelham a ideologia da Constituição, seus postulados básicos e seus fins.
Dito de forma sumária, os princípios constitucionais são as normas eleitas pelo
constituinte como fundamentos ou qualificações essenciais da ordem jurídica
que institui".
Ante o exposto, os princípios possuem duas funções
principais: normativa e interpretativa. Com efeito, os
princípios são normas jurídicas, possuindo força coercitiva e
podendo ser invocados para a solução de casos concretos.
Além disso, na hipótese de dúvida na interpretação das
normas, os princípios podem ser utilizados para eventual
esclarecimento na sua aplicação.
Os princípios característicos do processo penal funcionam ainda como garantias
dos investigados, possuindo a finalidade de conter eventuais abusos por parte
do Estado. Dessa forma, sua análise é essencial para o estudo e a compreensão
do direito processual penal brasileiro. Passemos agora a analisar os principais
princípios aplicáveis ao direito processual penal.
Princípios ligados diretamente
ao processo
Princípio do devido processo legal
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O princípio do devido processo legal é uma garantia basilar do processo penal, e
que abarca outras tantas garantias constitucionais. Trata-se de uma forma de
assegurar a todos um julgamento justo. O julgamento justo, por sua vez,
pressupõe o respeito as regras do processo penal e a observância de garantias
constitucionais, como o mencionado devido processo legal, por exemplo. Busca-
se, com isso, proteger o cidadão contra o uso arbitrário do poder punitivo estatal.
Esse princípio está previsto no art. 5º, LIV da Constituição Federal, que
determina que ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido
processo legal.
O exame desse princípio, originário do due process of law, nos permite identificar
alguns direitos ou prerrogativas essenciais à sua configuração como garantia da
ordem constitucional. São exemplos de tais prerrogativas:
O direito ao processo ou garantia de acesso ao Poder Judiciário.
O direito à citação e ao conhecimento prévio do teor da acusação.
O direito a um julgamento público e célere.
O direito ao contraditório e à plenitude de defesa.
O direito de não ser processado e julgado com base em leis ex post
facto.
O direito à igualdade entre as partes.
O direito de não ser processado com base em provas ilícitas.
O direito à gratuidade de justiça.
O direito à observância do princípio do juiz natural.
O direito ao silêncio ou a não autoincriminação.
O direito à prova.
O direito de presença e de participação ativa nos atos de interrogatório
judicial.
Assim, o devido processo legal garante ao acusado um processo justo, em que
todas as garantias previstas na Constituição e nas leis sejam observadas e, ao
final, a prolação de uma sentença por um juiz imparcial.
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final, a prolação de uma sentença por um juiz imparcial.
Princípio da busca da verdade real
Também chamado de princípio da verdade material ou da verdade substancial,
determina que, no processo penal, devem ser realizadas as diligências
necessárias e adotadas todas as providências cabíveis para tentar descobrir
como os fatos realmente se passaram, de forma que o jus puniendi seja exercido
com efetividade em relação àquele que praticou ou concorreu para a infração
penal.
No entanto, é necessário ter em vista que a procura da verdade real não pode
implicar violação de direitos e garantias estabelecidos na legislação. Assim,
temos como exemplos de exceções à verdade real: a inadmissibilidade das
provas obtidas por meios ilícitos (art. 5º, LVI, da CF) e a impossibilidade de
revisão criminal contra a sentença absolutória transitada em julgado.
Importante destacar que muitos criticam a ideia de que se deve buscar a
verdade real. Confira o que pensa Aury Lopes Junior:
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A visão de que o processo penal busca a mitológica
verdade real é um ranço inquisitório superado há
séculos. Trata-se de uma concepção vinculada ao
sistema inquisitório e aos sistemas autoritários, que
em nome da busca da verdade legitimaram as
maiores atrocidades que a história da humanidade
conheceu. Ademais é uma tese absurda, na medida
em que confunde o real com o imaginário, pois o
crime é sempre passado, logo, nunca é real. É
memória, história, imaginação. É sempre imaginário,
nunca é real.
(LOPES JUNIOR, 2019, p. 513)
Dessa forma, a crítica a tal noção se encontra no fato de que nunca se irá
alcançar a verdade real, servindo esse princípio, muitas vezes, para justificar a
atuação de ofício do magistrado, violando o sistema acusatório previsto na
Constituição.
Princípio da publicidade
O princípio da publicidade determina que o Estado garanta a transparência a
seus atos, reforçando, com isso, a ideia de independência, imparcialidade e
responsabilidade do juiz.
A publicidade surge como uma garantia individual, determinando que os
processos civis e penais sejam, em regra, públicos, para evitar abusos dos
órgãos julgadores, limitar formas opressivas de atuação da justiça criminal e
facilitar o controle social sobre o Judiciário e o Ministério Público.
Esse princípio está previsto expressamente na Constituição:
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Art. 93, IX - Todos os julgamentos dos órgãos do
Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas
todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a
lei limitar a presença, em determinados atos, às
próprias partes e a seus advogados, ou somente a
estes, em casos nos quais a preservação do direito à
intimidade do interessado no sigilo não prejudique o
interesse público à informação.
(CONSTITUIÇÃO FEDERAL, 1988)
E também no Código de Processo Penal:
Art. 792 - As audiências, sessões e os atos
processuais serão, em regra, públicos e se realizarão
nas sedes dos juízos e tribunais, com assistência dos
escrivães, do secretário, do oficial de justiça que
servir de porteiro, em dia e hora certos, ou
previamente designados.
(CÓDIGO DE PROCESSO PENAL, DECRETO-LEI Nº
3.689/1941)
Dessa forma, como visto, tal princípio se consagra como uma verdadeira
garantia para o acusado, que estará menos suscetível a eventuais violências ou
arbitrariedades por parte do Estado.
Princípio do contraditório (art. 5º, LV, CF)
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O princípio do contraditório é considerado um dos princípios centrais do
processo judicial moderno, sendo elemento substancial do acesso à Justiça,
possuindo diversos desdobramentos. Nas palavras de Leonardo Greco:
Numa noção elementar poderia ele ser definido como
o princípio que impõe ao juiz a prévia audiência de
ambas as partes antes de adotar qualquer decisão
(auditur et altera pars) e o oferecimento a ambas das
mesmas oportunidades de acesso à justiça e de
exercício do direito de defesa.
(GRECO, 2005,p. 71)
Assim sendo, trata-se do direito assegurado às partes de serem cientificadas de
todos os atos e fatos havidos no curso do processo, podendo manifestar-se e
produzir as provas necessárias antes de o magistrado decidir.
Tal princípio possui expressa previsão na Constituição Federal que afirma, em
seu art. 5º, LV, que aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos
acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os
meios e recursos a ela inerentes.
Logicamente, tal concepção não determina um total distanciamento do
magistrado, pelo contrário, este deve efetivamente integrar o contraditório,
ordenando e equilibrando a atuação das partes de maneira a garantir a isonomia
processual.
Na realidade, no exercício do contraditório, o magistrado assume uma posição
de controle, a partir da qual pode e deve agir para equacionar a ação dos
envolvidos, garantindo um tratamento igualitário, sempre com o cuidado de não
afetar a sua parcialidade, tema a ser tratado no tópico seguinte.
Atenção!
Esse princípio é mitigado em determinados casos, como ocorre no denominado
contraditório diferido ou postergado, no qual a ciência ou impugnação do
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contraditório diferido ou postergado, no qual a ciência ou impugnação do
investigado ou acusado ocorre em momento posterior. Em tais situações, a
urgência da medida ou a sua natureza exige um provimento imediato, sob pena
de prejuízo ao processo ou, no mínimo, de ineficácia da determinação judicial.
Princípio da ampla defesa
A ampla defesa traduz o dever do Estado de facultar ao acusado toda a defesa
possível quanto à imputação que lhe foi realizada.
É bem verdade que grande parte da doutrina entende que o contraditório e o
direito de defesa são distintos. Entretanto, mesmo esta concorda que são
indissolúveis, afinal é do contraditório que surge o exercício da ampla defesa.
Não é outro o entendimento de Marco Antonio Rodrigues:
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Para que se possa definir o conteúdo do contraditório,
é preciso primeiro verificar sua relação com a ampla
defesa, já que ambos estão previstos no artigo 5º, LV
da Lei Maior. Com efeito, não se trata de sinônimos,
até porque não seria útil que o legislador
estabelecesse em um mesmo dispositivo duas
previsões de sentido idêntico.
Assim, a ampla defesa se constitui num elemento do
contraditório, pois aquele significa permitir às partes
que apresentem adequadamente as alegações que
embasem sua pretensão ou defesa, com a
consequente possibilidade de provar seus
argumentos, bem como de interpor os recursos
cabíveis em face das decisões proferidas.
(RODRIGUES, 2014, p. 159)
O exercício da ampla defesa é de fundamental importância na concretização do
contraditório e da justiça. Afinal, o que fundamenta o acesso à justiça é a busca
pela verdade — seja real ou processual — e somente por meio da garantia às
partes dos meios para reconstruir os fatos é que se torna possível aplicar o
direito de forma legítima. Na realidade, a própria essência do contraditório se
consubstancia em uma fórmula para buscar a verdade.
A concepção moderna da garantia da ampla defesa reclama, para a sua
verificação, seja qual for o objeto do processo, a conjugação de três realidades
procedimentais, genericamente consideradas, a saber: a) o direito à informação;
b) a bilateralidade da audiência; e c) o direito à prova legalmente obtida ou
produzida.
É importante destacar ainda que, para a doutrina, a ampla
defesa pode ser exercida de duas formas distintas:
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defesa pode ser exercida de duas formas distintas:
autodefesa e defesa técnica.
A autodefesa é realizada facultativamente pelo próprio agente, sendo permitido
calar-se ou trazer qualquer elemento de convicção, ainda que não jurídico, o que
pode ser bastante útil perante os jurados no tribunal do júri, que decidem de
acordo com a íntima convicção.
Já a defesa técnica é realizada obrigatoriamente por advogado habilitado,
conforme o art. 261 do CPP, não podendo o réu se autorrepresentar no processo
penal, a não ser que seja advogado (art. 263 do CPP), sendo esta defesa
irrenunciável.
A falta de defesa técnica, no processo penal, nos termos da
Súmula nº 523 do STF, constitui nulidade absoluta, mas, se
for deficiente apenas, só anulará o processo caso exista
prova do prejuízo do réu.
Por fim, é preciso ressaltar que não é suficiente garantir à parte, como exercício
da legítima defesa, o direito à prova e a possibilidade de participar do processo,
sendo essencial a efetiva capacidade de influenciar o julgador na tomada de sua
decisão. Assim, de nada adianta a parte produzir provas e evidências se o
magistrado não está inclinado ou obrigado a considerá-las.
Princípios ligados diretamente às
partes
Princípio do in dubio pro reo
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Também chamado de princípio da prevalência do interesse do réu, favor rei, favor
libertatis ou favor inocente, esse princípio privilegia a garantia da liberdade em
detrimento da pretensão punitiva do Estado, decorrendo diretamente da
presunção de inocência.
Segundo tal princípio, a dúvida deve militar em favor do acusado. Dessa forma,
na ponderação entre o direito de punir do Estado e o status libertatis do
imputado, este último deve prevalecer.
A doutrina indica que tal princípio está previsto implicitamente no art. 386, VII do
Código de Processo Penal, que determina que o juiz absolverá o réu quando não
existir prova suficiente para condenação.
Destaca-se que esse princípio é mitigado em determinados
momentos, como na decisão de pronúncia, em que não se
exige a certeza da autoria do crime, mas apenas a existência
de indícios suficientes e prova da materialidade, imperando,
nessa fase final da formação da culpa, o chamado in dubio
pro societate.
Da mesma forma, tal princípio também é mitigado na decisão de recebimento da
denúncia, ou seja, caso haja dúvida sobre a pertinência da ação penal, deve ela
ser admitida.
Princípio da presunção de inocência
Esse princípio está previsto no art. 5º, LVII da Constituição Federal que
determina que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de
sentença penal condenatória.
Também chamado de princípio do estado de inocência ou da situação jurídica de
inocência ou da não culpabilidade, esse princípio deve ser considerado em três
momentos distintos:
 Na instrução processual, como presunção legal
relativa de não culpabilidade, invertendo-se o
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O princípio de presunção de inocência é de extrema importância no direito
processual penal, pois impõe que o réu deve ser considerado inocente até a
última decisão. Da mesma forma, também permite ao réu o uso de todos os
meios para que prove sua inocência.
Comentário
Vale destacar que, até 2009, o Supremo Tribunal Federal entendia ser possível a
execução provisória da pena desde a prolação da sentença condenatória em
primeiro grau. Entretanto, houve uma mudança de posicionamento, passando a
Corte Suprema a entender que a execução provisória da pena era
inconstitucional, devendo ser aguardado o trânsito em julgado, em razão do
princípio da presunção de inocência.
Ocorre que tal entendimento somente prevaleceu até 2016, quando, no
julgamento do HC 126292, o STF decidiu que era possível a execução provisória
da pena, desde que proferido acórdão condenatório em segundo grau. Contudo,
relativa de não culpabilidade, invertendo-se o
ônus da prova.
 Naavaliação da prova, impondo-se a valoração
das provas em favor do acusado quando houver
dúvidas sobre a existência de responsabilidade
pelo fato imputado.
 No curso do processo penal, como parâmetro de
tratamento ao acusado, em especial no que
concerne à análise quanto à necessidade ou não
de sua segregação provisória.
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da pena, desde que proferido acórdão condenatório em segundo grau. Contudo,
em novo julgamento, a Corte revisou seu entendimento sobre o tema e decidiu
nas ADC 43/DF, 44/DF e 54/DF, em 7 de novembro de 19, que a execução
provisória da pena ofende o princípio da presunção de inocência, sendo este o
entendimento mais atual.
Cabe ressaltar que, no que se refere ao tribunal do júri, a Lei nº 13.964/2019
trouxe uma importante previsão acerca das apelações oriundas dos julgamentos
plenários. Atualmente, admite-se a execução provisória da pena nos casos de
condenação no tribunal do júri a uma pena igual ou superior a 15 anos de
reclusão. Dessa forma, segundo o art. 492, §4º do CPP, a apelação nesses casos
não terá efeito suspensivo, salvo determinadas exceções.
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Art. 492
§4º - A apelação interposta contra decisão
condenatória do Tribunal do Júri a uma pena igual ou
superior a 15 (quinze) anos de reclusão não terá
efeito suspensivo.
§5º Excepcionalmente, poderá o tribunal atribuir
efeito suspensivo à apelação de que trata o §4º deste
artigo, quando verificado cumulativamente que o
recurso:
I - não tem propósito meramente protelatório; e
II - levanta questão substancial e que pode resultar
em absolvição, anulação da sentença, novo
julgamento ou redução da pena para patamar inferior
a 15 (quinze) anos de reclusão.
§6º O pedido de concessão de efeito suspensivo
poderá ser feito incidentemente na apelação ou por
meio de petição em separado dirigida diretamente ao
relator, instruída com cópias da sentença
condenatória, das razões da apelação e de prova da
tempestividade, das contrarrazões e das demais
peças necessárias à compreensão da controvérsia.
(CÓDIGO DO PROCESSO PENAL, DECRETO-LEI Nº
3.689/1941)
Por fim, importante destacar que a decisão do STF que firmou o entendimento
de que é inconstitucional a execução provisória da pena deve ser aplicada às
penas restritivas de direitos. Não é outro o entendimento do STJ sobre o tema,
com forme a Súmula nº 643: “A execução da pena restritiva de direitos depende
do trânsito em julgado da condenação.”
Princípio ne procedat judex ex o!cio
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Também conhecido como princípio da ação, princípio da demanda ou princípio
da iniciativa das partes, consolida a regra da inércia da jurisdição e produz
consequências práticas importantes em relação ao desenvolvimento do
processo.
Esse princípio se desenvolveu no direito romano e busca
estabelecer a independência e imparcialidade da
magistratura, determinando que o juiz não deve agir de ofício,
ou seja, sem a provocação das partes.
Com base nesse princípio, o STF editou a Súmula nº 160, que determina: “É nula
a decisão do Tribunal que acolhe, contra o réu, nulidade não arguida no recurso
da acusação, ressalvados os casos de recurso de ofício”.
Importante destacar que, mesmo sendo aplicável tal princípio ao direito
processual penal brasileiro, tanto o Código de Processo Penal, quanto leis penais
extravagantes preveem diversas hipóteses em que o juiz pode agir de ofício.
Cite-se, como exemplo, o art. 156 do CPP e o art. 4º da Lei de Lavagem de
Dinheiro.
Princípios ligados diretamente
ao juiz
Princípio da imparcialidade do juiz
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A imparcialidade significa que o magistrado, situando-se no vértice da relação
processual triangulada entre ele, a acusação e a defesa, deve possuir
capacidade objetiva e subjetiva para solucionar a demanda, isto é, julgar de
forma equidistante, vinculando-se apenas às leis, aos fatos e às provas.
A imparcialidade do julgador é princípio basilar do processo e imprescindível
para que seu desenvolvimento conduza a uma sentença justa. Afinal, a ideia de
um terceiro alheio aos interesses das partes é essencial para um processo
legítimo. Como afirma Renato Brasileiro:
[...] a necessidade de um terceiro imparcial é a razão
de ser da própria existência do processo, enquanto
forma de heterocomposição de conflitos, sendo
inviável conceber a existência de um processo em
que a decisão do feito fique a cargo de um terceiro
interessado em beneficiar ou prejudicar uma das
partes.
(BRASILEIRO DE LIMA, 2021, p. 68)
O juiz imparcial é aquele que ocupa a posição do Estado no processo, ou seja, de
um terceiro supraordenado às partes. Assim, deve ser aquele que não possui
qualquer interesse na causa, senão a resolução do conflito em conformidade
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qualquer interesse na causa, senão a resolução do conflito em conformidade
com o sistema jurídico vigente.
Para evitar a contaminação da imparcialidade do juiz que atua na fase da
investigação, a Lei nº 13.964/2019 trouxe a figura do juiz das garantias, que, em
suma, é o juiz que atua da fase das investigações até o recebimento da inicial
acusatória, quando então dá lugar ao juiz da instrução e julgamento.
No entanto, vale lembrar que o STF, por meio de medida cautelar proferida
monocraticamente pelo min. Luiz Fux no bojo das Ações Diretas de
Inconstitucionalidade 6300, 6305, 6299 e 6298, decidiu suspender, até o
julgamento do mérito da ação penal, todos os dispositivos da nova legislação
que versam sobre o juiz das garantias.
Atenção!
Embora prezem pela imparcialidade do juiz, diversos dispositivos do Código de
Processo Penal permitem a atuação de ofício do magistrado, o que, para muitos
doutrinadores, representa uma clara violação a tal princípio.
Princípio do juiz natural
O princípio do juiz natural, decorrente da Constituição (art. 5º, XXXVII e LIII),
apresenta três facetas: i) somente aqueles investidos legalmente de jurisdição
podem exercê-la; ii) ninguém será processado e julgado por um órgão instituído
após o fato (vedação ao juízo de exceção); e iii) deve haver uma distribuição
específica e taxativa da competência para o julgamento.
Assim, esse princípio consiste objetivamente no direito que
cada cidadão possui de conhecer previamente o juiz ou
tribunal responsável por julgá-lo, caso pratique uma conduta
em dissonância com o ordenamento jurídico estabelecido.
Dessa forma, é verdadeiro fundamento do Estado
democrático de direito.
Parte da doutrina fala ainda no princípio do promotor natural. Para esse
princípio, veda-se a designação arbitrária, pela chefia da instituição, de promotor
para patrocinar caso específico, ou seja, o promotor natural há de ser sempre
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para patrocinar caso específico, ou seja, o promotor natural há de ser sempre
aquele previamente estatuído em lei.
Princípio da motivação
A exigência de motivação, prevista no art. 93, IX, da CF e no art. 381 do CPP, tem
a finalidade de permitir às partes a impugnação das decisões tomadas no
âmbito do Poder Judiciário, conferindo, ainda, à sociedade a garantia de que
essas não resultam de posturas arbitrárias.
Destaca-se que, no tribunal do júri, há mitigação da obrigatoriedade de
motivação, pois o conselho de sentença, formado por juízes leigos, não pode
motivar nem fundamentar o seu entendimento, vigorando o princípio da
incomunicabilidadedos jurados e da íntima convicção.
Com base no princípio da motivação, a Lei nº 13.964/2019 trouxe a
determinação de que decisões que decretem medidas cautelares diversas da
prisão deverão ser justificadas e fundamentadas.
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Art. 282, §3º - Ressalvados os casos de urgência ou
de perigo de ineficácia da medida, o juiz, ao receber o
pedido de medida cautelar, determinará a intimação
da parte contrária, para se manifestar no prazo de 5
(cinco) dias, acompanhada de cópia do requerimento
e das peças necessárias, permanecendo os autos em
juízo, e os casos de urgência ou de perigo deverão ser
justificados e fundamentados em decisão que
contenha elementos do caso concreto que justifiquem
essa medida excepcional.
(CÓDIGO DO PROCESSO PENAL, DECRETO-LEI Nº
3.689/1941)
Da mesma forma, o legislador determinou expressamente a necessidade de
motivação das decisões que decretam a prisão preventiva e indicou ainda o que
não se deve considerar como decisão devidamente fundamentada.
Art. 312
§2º - A decisão que decretar a prisão preventiva deve
ser motivada e fundamentada em receio de perigo e
existência concreta de fatos novos ou
contemporâneos que justifiquem a aplicação da
medida adotada. [...]
Art. 315 - A decisão que decretar, substituir ou
denegar a prisão preventiva será sempre motivada e
fundamentada.
§1º Na motivação da decretação da prisão preventiva
ou de qualquer outra cautelar, o juiz deverá indicar
concretamente a existência de fatos novos ou
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concretamente a existência de fatos novos ou
contemporâneos que justifiquem a aplicação da
medida adotada.
§2º Não se considera fundamentada qualquer
decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou
acórdão, que:
I - limitar-se à indicação, à reprodução ou à paráfrase
de ato normativo, sem explicar sua relação com a
causa ou a questão decidida;
II - empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem
explicar o motivo concreto de sua incidência no caso;
III - invocar motivos que se prestariam a justificar
qualquer outra decisão;
IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no
processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão
adotada pelo julgador;
V - limitar-se a invocar precedente ou enunciado de
súmula, sem identificar seus fundamentos
determinantes nem demonstrar que o caso sob
julgamento se ajusta àqueles fundamentos;
VI - deixar de seguir enunciado de súmula,
jurisprudência ou precedente invocado pela parte,
sem demonstrar a existência de distinção no caso em
julgamento ou a superação do entendimento.
(CÓDIGO DO PROCESSO PENAL, DECRETO-LEI Nº
3.689/1941)
Por fim, a ausência de motivação por parte do magistrado leva ao
reconhecimento da nulidade das decisões proferidas, conforme determina a
Constituição Federal em seu art. 93, IX.
Princípios processuais penais
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Princípios processuais penais
Veja os princípios que regem o processo penal.

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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
(Cespe/Cebraspe - 2022 - PC-PB - Delegado de polícia civil) No processo
penal brasileiro, a revisão pro societate
A
permite que o réu seja indiciado e processado mais de uma
vez pelo mesmo fato.
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Parabéns! A alternativa B está correta.
No processo penal, a revisão criminal somente pode ser oferecida em favor
do réu (pro reo), em proteção ao seu estado de liberdade, atendendo ao favor
rei e à verdade real, não sendo possível, portanto, o manejo dessa ação pro
societate.
Questão 2
(FAPEC - 2021 - PC-MS - Delegado de polícia) Em relação aos princípios do
direito processual penal abordados pela jurisprudência do Supremo Tribunal
Federal, marque a alternativa correta.
vez pelo mesmo fato.
B
não é admitida, mesmo que o réu tenha sido absolvido
injustamente por decisão já transitada em julgado.
C
é admitida quando a sentença absolutória for proferida por
juízo incompetente.
D
não admite o reexame de sentença que extingue a
punibilidade com base em falsa certidão de óbito do réu.
E
é assegurada devido à possibilidade do Poder Judiciário de
rever os próprios atos de ofício quando eivados de nulidade.
Viola as garantias do juiz natural, da ampla defesa e do devido
processo legal a atração por continência ou conexão do
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Parabéns! A alternativa B está correta.
Segundo a Súmula nº 523 do STF, no processo penal, a falta da defesa
constitui nulidade absoluta, mas a sua deficiência só o anulará se houver
prova de prejuízo para o réu.
A
processo legal a atração por continência ou conexão do
processo do corréu ao foro por prerrogativa de função de um
dos denunciados.
B
No processo penal, a falta da defesa constitui nulidade
absoluta, mas a sua deficiência só o anulará se houver prova
de prejuízo para o réu.
C
A renúncia do réu ao direito de apelação, manifestada sem a
assistência do defensor, impede o conhecimento da apelação
por este interposta.
D
No mandado de segurança impetrado pelo Ministério Público
contra decisão proferida em processo penal, é dispensável a
citação do réu como litisconsorte passivo.
E
Constitui nulidade a falta de intimação do denunciado para
oferecer contrarrazões ao recurso interposto da rejeição da
denúncia, salvo se houver nomeação de defensor dativo.
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2 - Sistemas processuais penais
Ao final deste módulo, você será capaz de distinguir os sistemas penais.
Ligando os pontos
Você conhece os sistemas processuais penais? Para entendermos melhor tais
sistemas, vamos analisar um caso fictício.
Pedro foi denunciado pela prática do crime de roubo majorado pelo uso de arma
de fogo (art. 157, §2º-A, I do CP). A denúncia foi recebida, sendo Pedro
devidamente citado para apresentar defesa prévia.
A defesa de Pedro alegou preliminares e refutou a acusação, requerendo, ao
final, a absolvição do acusado, inclusive arrolando testemunhas e juntando
documentos. Não tendo o juiz absolvido sumariamente o acusado, foi designada
audiência de instrução e julgamento.
No dia da audiência de instrução e julgamento, foi certificado que a vítima não
foi encontrada para prestar depoimento, tendo o Ministério Público desistido de
sua oitiva. O juiz então, sem qualquer requerimento das partes, determinou a
oitiva dos policiais responsáveis pela prisão em flagrante de Pedro, sendo
designada nova audiência. Nesse novo ato, os policiais confirmaram a prisão do
acusado na posse dos bens subtraídos e da arma de fogo, indicando que a
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acusado na posse dos bens subtraídos e da arma de fogo, indicando que a
vítima o reconheceu como autor do crime. As testemunhas de defesa
apresentaram informações sobre a conduta do acusado e este, por sua vez,
permaneceu em silêncio.
Após a audiência, o juiz concedeu prazo para que as partes apresentassem
alegações finais por memoriais, sendo, posteriormente, proferida sentença, na
qual entendeu pela condenação de Pedro pela prática do crime de roubo
majorado, fundamentando sua sentença no depoimento dos policiais, no laudo
da arma de fogo apreendida e no reconhecimento da vítima realizado em sede
policial.
Após a leitura do case, é hora deaplicar seus conhecimentos! Vamos ligar
esses pontos?
Questão 1
Conformemente delineado no caso, o juiz — sem qualquer
iniciativa probatória das partes — determinou a oitiva de
testemunhas necessárias para o deslinde do caso, afinal o juiz
ainda não estava suficientemente convencido (racionalmente)
para proferir sua decisão final. À vista disso, analise os itens a
seguir, que indicam características do sistema inquisitório:
I. Prova tarifada.
II. Imparcialidade do órgão julgador.
III. Gestão da prova pelo juiz.
IV. Ampla defesa.
Está correto o que se afirma em
A I e II apenas.
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Parabéns! A alternativa D está correta.
A marca central do sistema inquisitório é a gestão da prova
pelo próprio juiz, havendo a exclusão da participação do réu no
processo. Adicionalmente, com a inserção do sistema
inquisitório, passou a vigorar o sistema da valoração ou da
chamada prova tarifada, em que as sentenças não faziam coisa
julgada e a regra geral era de que o acusado responderia ao
processo preso.
Questão 2
Considerando que o caso tratou do poder probatório do juiz no
processo penal, marque a alternativa que você julgue incorreta
sobre o sistema acusatório:
B I apenas.
C III apenas.
D I e III apenas.
E II e IV apenas.
A
O sistema acusatório caracteriza-se pela clara
distinção entre as funções de julgar e de acusar.
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Parabéns! A alternativa C está correta.
No sistema acusatório, a iniciativa probatória deve ser das
partes, mantendo-se o juiz afastado, apenas como um terceiro
imparcial, sem interferir de qualquer modo na investigação e na
coleta da prova. Em tal sistema, ambas as partes (acusação e
defesa) têm tratamento igualitário, predominando o
procedimento oral, a publicidade dos atos, o contraditório e a
ampla defesa. Assim, o sistema acusatório possui estrutura e
mecanismos de zelar pela imparcialidade do julgador.
Questão 3
Após a leitura do caso, foi possível verificar que o juiz determinou de ofício a
oitiva de duas testemunhas. Considerando tal fato, discorra sobre o sistema
processual penal estabelecido no Brasil e sobre a possibilidade da produção de
distinção entre as funções de julgar e de acusar.
B
No sistema acusatório, a iniciativa probatória
deve ser das partes, mantendo-se o juiz
afastado, apenas como um terceiro imparcial.
C
No sistema acusatório, predomina o
procedimento escrito.
D
No sistema acusatório, os julgamentos são
públicos.
E
No sistema acusatório, aplica-se o contraditório
e a ampla defesa em todas as suas fases.
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processual penal estabelecido no Brasil e sobre a possibilidade da produção de
provas de ofício pelo magistrado.
Digite sua resposta aqui
Chave de resposta
Atualmente, há quem defenda no Brasil a existência de um sistema misto,
decorrente da composição do sistema inquisitório e acusatório, sendo
assim um sistema que possui características de ambos. Grande parte da
doutrina afirma que o Brasil adota tal sistema, predominando na fase pré-
processual (fase de investigação) o modelo inquisitorial e na fase
processual (instrução e julgamento) o modelo acusatório.
Destaca-se que o CPP, em seu art. 156, possibilita ao juiz determinar, no
curso da instrução ou antes de proferir sentença, a realização de
diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante. Da mesma forma, o
art. 209 afirma que o juiz, quando julgar necessário, poderá ouvir outras
testemunhas, além das indicadas pelas partes.
Estrutura do processo penal:
sistemas penais
A estrutura do processo penal sofreu grandes alterações ao longo dos séculos,
sempre acompanhando os dogmas, as ideologias e a estrutura social e política
vigente, se mais punitiva ou libertária. Dessa maneira, é possível associar o
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vigente, se mais punitiva ou libertária. Dessa maneira, é possível associar o
sistema processual penal estabelecido com o viés democrático ou autoritário de
determinado governo ou nação.
Como dito, o processo funciona como garantia, instrumento de controle do
poder do Estado. Assim, pela forma que este é conduzido, é possível verificar-se
maior ou menor o grau de proteção dos direitos humanos fundamentais do
sujeito submetido a ele. Não é outra a opinião de José Frederico Marques:
O processo é instrumento de atuação estatal
vinculado, quase sempre, às diretrizes políticas que
plasmam a estrutura do Estado. Impossível, por isso,
subtrair a norma processual dos princípios que
constituem a substância ética do Direito e a
exteriorização de seus ideais de justiça. No processo
penal, então, em que as formas processuais se
destinam a garantir direitos imediatamente tutelados
pela Constituição, das diretrizes políticas desta é que
partem os postulados informadores da legislação e
da sistematização doutrinária.
(MARQUES, 1998, p. 37)
No mesmo sentido, Cândido Rangel Dinamarco afirma o seguinte:
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O processualista moderno adquiriu a consciência de
que, como instrumento a serviço da ordem
constitucional, o processo precisa refletir as bases do
regime democrático, nela proclamadas; ele é, por
assim dizer, o microcosmo democrático do Estado de
direito, com as conotações da liberdade, igualdade e
participação (contraditório), em clima de legalidade e
responsabilidade.
(DINAMARCO, 1993, p. 27)
Como veremos nos tópicos seguintes, o sistema acusatório possui
características democráticas, observando os direitos e as garantias das partes
envolvidas. Já o sistema inquisitório, mais próximo de modelos autoritários,
apresenta características que, muitas vezes, colidem com os direitos
fundamentais dos acusados.
Sistema inquisitório
O sistema processual penal inquisitório teve sua gênese nos tribunais
eclesiásticos. Nesse modelo, o processo penal apresenta características
autoritárias, não havendo uma objetiva separação de funções. A marca central
de tal sistema é a gestão da prova pelo próprio juiz, havendo a exclusão da
participação do réu no processo.
Dessa forma, tal modelo vai de encontro a garantias e direitos fundamentais dos
acusados, que são sujeitos de um processo em que a produção probatória é
conduzida pelo órgão responsável pelo julgamento. Nesse sentido, Gustavo
Grandinetti aponta:
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No sistema inquisitório, a busca é pela perseguição
penal, pela realização do direito penal material, ou
seja, a punição é o elemento central, pouco
importando qual o custo do alcance do resultado.
Desse modo, o juiz, cumprindo função de segurança
pública, deve adotar medidas que soem compatíveis
com o múnus que exerce.
Em sua gênese, o discurso dos que defendem o
sistema inquisitorial, está relacionado à sacralização
da figura do Juiz, fiador da justiça social, e possível
agente capaz de evitar a perpetração de injustiças,
especialmente porque na conformação moderna,
trata-se de um agente que exerce a função de julgar,
que é divina.
(CARVALHO, 2019, p. 428)
Com a inserção do sistema inquisitório, passou a vigorar o sistema da valoração
ou da chamada prova tarifada, em que as sentenças não faziam coisa julgada e
a regra geral era de que o acusado responderia ao processo preso. Esse sistema
foi amplamente aplicado no chamado Tribunal da Inquisição, que tinha como
finalidade básica reprimir aqueles que se opusessem aos dogmas da Igreja
Católica.
Com a Inquisição, foram abolidos direitos e garantias,tais como a separação de
atribuições e a publicidade dos atos. Dessa forma, em tal sistema predominava
a concentração de funções, sendo os responsáveis por julgar os mesmos que
investigavam, acusavam e instruíam o processo.
Logo, no sistema inquisitório, o juiz atua de ofício, muitas vezes buscando uma
condenação, em razão da busca de uma suposta verdade, sendo assim violadas
as garantias do investigado, entre elas o contraditório e a ampla defesa.
Sistema acusatório
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Sistema acusatório
Em oposição ao sistema inquisitorial, o sistema acusatório caracteriza-se pela
clara distinção entre as funções de julgar e de acusar. Da mesma forma, a
iniciativa probatória deve ser das partes, mantendo-se o juiz afastado, apenas
como um terceiro imparcial, sem interferir de qualquer modo na investigação e
na coleta da prova. Este é o entendimento de Geraldo Prado:
A construção teórica do princípio acusatório há de
consumar-se mediante oposição ao princípio
inquisitivo. São antagônicas as funções que os
sujeitos exercem nos dois modelos de processo. É
desse antagonismo, portanto, que as diferenças
devem ser extraídas.
Assim, se na estrutura inquisitória o juiz ‘acusa’, na
acusatória a existência de parte autônoma,
encarregada da tarefa de acusar, funciona para
deslocar o juiz para o centro do processo, cuidando
de preservar a nota de imparcialidade que deve
marcar a sua atuação.
(PRADO, 2005, p. 175)
Em tal sistema, ambas as partes — acusação e defesa — têm tratamento
igualitário, predominando o procedimento oral, a publicidade dos atos, o
contraditório e a ampla defesa. Assim, o sistema acusatório possui estrutura e
mecanismos de zelar pela imparcialidade do julgador. Nesse sentido, veja o que
afirma Aury Lopes Junior:
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É importante destacar que a posição do ‘juiz’ é
fundante da estrutura processual. Quando o sistema
aplicado mantém o juiz afastado da iniciativa
probatória (da busca de ofício da prova), fortalece-se
a estrutura dialética e, acima de tudo, assegura-se a
imparcialidade do julgador.
O estudo dos sistemas processuais penais na
atualidade tem que ser visto com o ‘olhar da
complexidade’ e não mais com o ‘olhar da Idade
Média’. Significa dizer que a configuração do ‘sistema
processual’ deve atentar para a garantia da
‘imparcialidade do julgador’, a eficácia do
contraditório e das demais regras do devido processo
penal, tudo isso à luz da Constituição. Assegura a
imparcialidade e a tranquilidade psicológica do juiz
que irá sentenciar, garantindo o trato digno e
respeitoso com o acusado, que deixa de ser um mero
objeto para assumir sua posição de autêntica parte
passiva do processo penal.
Em última análise, é a separação de funções e, por
decorrência, a gestão da prova na mão das partes e
não do juiz (juiz-espectador), que cria as condições de
possibilidade para que a imparcialidade se efetive.
Somente no processo acusatório-democrático, em
que o juiz se mantém afastado da esfera de atividade
das partes, é que podemos ter a figura do juiz
imparcial, fundante da própria estrutura processual.
(LOPES JUNIOR, 2019, p. 48)
Assim, conforme dito, o processo acusatório tem como uma de suas principais
características a separação entre o juiz e as partes, não interferindo o julgador
na investigação e na instrução processual, sendo efetivamente garantida sua
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na investigação e na instrução processual, sendo efetivamente garantida sua
imparcialidade até o julgamento final. Não é outro o entendimento de Luigi
Ferrajoli ao diferenciar os dois modelos:
Está claro que aos dois modelos são associáveis
sistemas diferentes de garantias, sejam orgânicas ou
procedimentais: se o sistema acusatório favorece
modelos de juiz popular e procedimentos que
valorizam o contraditório como método de busca da
verdade, o sistema inquisitório tende a privilegiar
estruturas judiciárias burocratizadas e procedimentos
fundados nos poderes instrutórios do juiz,
compensados talvez pelos vínculos das provas legais
e pela pluralidade dos graus de juízo (instâncias).
(FERRAJOLI, 2002, p. 452-453)
Em suma, no sistema acusatório, existe separação entre os órgãos incumbidos
de realizar a acusação e o julgamento, o que garante a imparcialidade do
julgador e, por conseguinte, assegura a plenitude de defesa e o tratamento
igualitário das partes.
>
Sistema brasileiro
Atualmente, há quem defenda a existência de um sistema misto, decorrente da
composição dos sistemas inquisitório e acusatório. Seria, assim, um sistema
que possui características de ambos. Grande parte da doutrina afirma que o
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que possui características de ambos. Grande parte da doutrina afirma que o
Brasil adota tal sistema, predominando na fase pré-processual (fase de
investigação) o modelo inquisitorial e na fase processual (instrução e
julgamento) o modelo acusatório.
É importante mencionar a crítica que parte da doutrina faz à
qualificação de um sistema processual penal como misto, em
razão da impossibilidade de existirem sistemas inteiramente
puros, sendo todos mistos, uns se aproximando do
inquisitorial e outros do acusatório.
Também é importante sublinhar a crítica que sustenta a impossibilidade de um
sistema misto, apoiado em dois princípios que se excluem reciprocamente: o
inquisitorial e o acusatório.
Analisando o sistema processual penal brasileiro atual, é possível perceber
claramente de que modelo ele se aproxima. Evidente tal proximidade com o
modelo inquisitório, quando, apesar de muitas reformas, ainda permanecem
dispositivos que dão amplos poderes ao julgador para intervir na produção
probatória:
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Art. 156 - A prova da alegação incumbirá a quem a
fizer, sendo, porém, facultado ao juiz de ofício:
I - ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal, a
produção antecipada de provas consideradas
urgentes e relevantes, observando a necessidade,
adequação e proporcionalidade da medida;
II - determinar, no curso da instrução, ou antes de
proferir sentença, a realização de diligências para
dirimir dúvida sobre ponto relevante.
[...]
Art. 209 - O juiz, quando julgar necessário, poderá
ouvir outras testemunhas, além das indicadas pelas
partes.
[...]
Art. 234 - Se o juiz tiver notícia da existência de
documento relativo a ponto relevante da acusação ou
da defesa, providenciará, independentemente de
requerimento de qualquer das partes, para sua
juntada aos autos, se possível.
(CÓDIGO DE PROCESSO PENAL, DECRETO-LEI Nº
3.689/1941)
Um dos fundamentos mais utilizados para a concessão de tais “poderes” é o de
que caberia ao magistrado a busca pela “verdade real”. Entretanto, sob o manto
de tal justificativa, permite-se que o juiz, supostamente imparcial, atue de
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de tal justificativa, permite-se que o juiz, supostamente imparcial, atue de
maneira ativa na investigação e na instrução.
É preciso destacar que a interpretação sistemática da Constituição Federal do
Brasil estabelece a garantia de que o processo penal deve seguir o sistema
acusatório. Tal constatação decorre dos próprios princípios estabelecidos, como
a dignidade da pessoa humana, a valorização do homem, bem como a própria
transição de um regime autoritário para um regime democrático.
Adicionalmente, diversos são os institutos e as garantias previstas
constitucionalmenteque decorrem do sistema acusatório: i) contraditório e
ampla defesa; ii) devido processo legal; iii) presunção de inocência; iv)
publicidade dos atos; e v) titularidade do Ministério Público sobre a ação penal
pública.
Comentário
É possível perceber que a nossa Constituição estabeleceu um sistema em que a
responsabilidade pela produção probatória deve ser regida pelas partes
envolvidas, sendo o juiz desprovido de tal iniciativa. Entretanto, não é o que se
verifica da legislação que rege o processo penal brasileiro.
Sistemas inquisitório e
acusatório
Saiba mais sobre os sistemas inquisitório e acusatório.

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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
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(Idecan - 2021 - PC-CE - Escrivão de polícia civil - adaptada) A Lei
13.964/2019, entre as várias alterações na legislação, incluiu o artigo 3º-A no
Código de Processo Penal, com a seguinte redação: “O processo penal terá
estrutura acusatória, vedadas a iniciativa do juiz na fase de investigação e a
substituição da atuação probatória do órgão de acusação.” Portanto, desde a
alteração supracitada, está expressa na legislação processual a escolha pelo
sistema processual acusatório. Nas alternativas a seguir, enumeraram-se
algumas características desse sistema, assinale a correta:
Parabéns! A alternativa A está correta.
Algumas das principais características do procedimento de acusação são a
separação do juiz e das partes; a não ingerência na investigação e orientação
processual do juiz; e a garantia efetiva de sua imparcialidade até o
julgamento final.
Questão 2
(FCC - 2021 - DPE-BA - Defensor público) Endossa o sistema inquisitivo a
A Separação entre as funções de acusar, julgar e defender.
B
Os princípios do contraditório e da ampla defesa não
informam todo o processo, mas apenas algumas fases.
C A possibilidade de o juiz produzir provas para dirimir dúvidas.
D A publicidade dos atos processuais como exceção.
E
A imparcialidade do julgador, entretanto o juiz fica próximo do
conflito de interesses instaurado entre partes.
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(FCC - 2021 - DPE-BA - Defensor público) Endossa o sistema inquisitivo a
seguinte disposição vigente no Código de Processo Penal:
Parabéns! A alternativa C está correta.
A marca central do sistema inquisitório é a gestão da prova pelo próprio juiz,
havendo a exclusão da participação do réu no processo. Dessa forma, a
possibilidade de o juiz determinar a oitiva de testemunhas de ofício é uma
A
Em qualquer fase da investigação policial ou do processo
penal, caberá a prisão preventiva decretada pelo juiz, de ofício,
se no curso da ação penal, ou a requerimento do Ministério
Público, do querelante ou do assistente, ou por representação
da autoridade policial.
B
As perguntas serão formuladas pelas partes diretamente à
testemunha, não admitindo o juiz aquelas que puderem
induzir a resposta, não tiverem relação com a causa ou
importarem na repetição de outra já respondida.
C
O juiz, quando julgar necessário, poderá ouvir outras
testemunhas além das indicadas pelas partes.
D
Ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por
ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária
competente, em decorrência de prisão cautelar ou em virtude
de condenação criminal transitada em julgado.
E
O réu não poderá apelar sem recolher-se à prisão ou prestar
fiança, salvo se for primário e de bons antecedentes, assim
reconhecido na sentença condenatória, ou condenado por
crime que se livre solto.
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possibilidade de o juiz determinar a oitiva de testemunhas de ofício é uma
das características de tal sistema.
3 - Lei processual no tempo e no espaço, fontes e
sujeitos
Ao final deste módulo, você será capaz de analisar as características da lei
processual no tempo e no espaço, as fontes e os sujeitos.
Ligando os pontos
Você conhece as regras que regem a aplicação da lei processual penal no tempo
e no espaço? Para entendermos melhor tais regras, vamos analisar um caso
fictício.
João foi denunciado pela prática do crime de homicídio qualificado em razão do
uso de meio cruel torpe (art. 121, §2º, III do CP), praticado no ano de 2017. A
denúncia foi recebida, sendo João devidamente citado para apresentar defesa
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denúncia foi recebida, sendo João devidamente citado para apresentar defesa
prévia.
A defesa de João alegou preliminares e refutou a acusação, requerendo, ao final,
a impronúncia do acusado, inclusive arrolando testemunhas e juntando
documentos. Após a instrução processual, João foi pronunciado nos termos da
denúncia, tendo tal decisão transitado em julgado.
João, então, foi levado a plenário do júri. No dia do julgamento, foi feito o pregão,
estando presentes o acusado, as testemunhas de acusação e de defesa, os
jurados, o juiz presidente, o promotor de justiça e o advogado de defesa. O juiz
então declarou aberta a sessão de julgamento e, após cumpridas as
formalidades iniciais, passou ao sorteio dos jurados, sendo formado o conselho
de sentença.
Foi, então, iniciada a sessão, tendo sido ouvidas as testemunhas e colhido o
interrogatório do acusado. Após os debates, o juiz questionou os jurados se
estes estavam aptos a realizar a votação. Com a resposta positiva, a leitura e a
explicação dos quesitos, foram todos para a sala secreta. Finalizada a votação, o
acusado foi condenado a 20 anos de reclusão, sendo sua sentença lida em
plenário, tendo o juiz determinado o recolhimento do condenado ao cárcere,
mesmo tendo este respondido o processo em liberdade, com fundamento no art.
492, §4º do CPP.
Após a leitura do case, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar
esses pontos?
Questão 1
Considere os itens abaixo:
I. Os tratados, as convenções e regras de direito internacional.
II. Os processos da competência da Justiça Militar.
III. Os processos de competência da Justiça Eleitoral.
IV. Os crimes praticados fora do território nacional e julgados
no Brasil.
Não há aplicação das regras do Código de Processo Penal,
conforme disposição expressa do referido diploma legal, na
situação que consta em
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situação que consta em
Parabéns! A alternativa A está correta.
Segundo o art. 1º do CPP, o processo penal será regido, em
todo o território brasileiro, pelas regras do CPP, ressalvados: I –
os tratados, as convenções e regras de direito internacional; II –
as prerrogativas constitucionais do presidente da República,
dos ministros de Estado, nos crimes conexos com os do
presidente da República, e dos ministros do STF, nos crimes de
responsabilidade; III – os processos da competência da Justiça
Militar; IV – os processos da competência do tribunal especial;
V – os processos por crimes da imprensa. Ainda, cabe destacar
que o art. 364 do Código Eleitoral determina que, no processo e
julgamento dos crimes eleitorais e dos comuns que lhes forem
conexos, assim como nos recursos e na execução que lhes
digam respeito, o Código de Processo Penal será aplicado
como lei subsidiária ou supletiva.
Questão 2
A I e II apenas.
B I apenas.
C III apenas.
D I e III apenas.
E II e IV apenas.
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Sobre a aplicação da lei processual penal no tempo, considere
os itens abaixo:
I. O CPP adotouo princípio da imediata aplicação da lei
processual penal, também chamado de princípio tempus regit
actum.
II. Para a definição da lei aplicável, considera-se a data da
realização do ato e não a data da infração penal.
III. O prazo já iniciado, inclusive o estabelecido para a
interposição de recurso, será regulado pela lei anterior, se esta
não prescrever prazo menor do que o fixado no CPP.
Está correto o que se afirma em
Parabéns! A alternativa D está correta.
O art. 2º do CPP adotou o princípio da imediata aplicação da lei
processual penal, também chamado de princípio tempus regit
actum. De acordo com esse princípio, os novos dispositivos
processuais podem ser aplicados a crimes praticados antes de
sua entrada em vigor. Assim, para a definição da lei aplicável,
considera-se a data da realização do ato e não a data da
A I e II apenas.
B I apenas.
C III apenas.
D I, II e III.
E II e III apenas.
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considera-se a data da realização do ato e não a data da
infração penal.
Vale ressaltar que o art. 3º da Lei de Introdução ao CPP dispõe
que “o prazo já iniciado, inclusive o estabelecido para a
interposição de recurso, será regulado pela lei anterior, se esta
não prescrever prazo menor do que o fixado no CPP”.
Questão 3
Na leitura do caso, foi possível verificar que o magistrado determinou o
recolhimento à prisão do acusado, fundamentando sua decisão no art. 492, §4º
do CPP. Discorra sobre as chamadas normas híbridas e sobre a legalidade da
decisão do magistrado.
Digite sua resposta aqui
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Chave de resposta
Normas híbridas são aquelas que possuem preceitos de direito material e
de direito processual. Nessas hipóteses, prevalece o conteúdo material da
norma, devendo respeitar o princípio que veda a aplicação retroativa da lei
penal quando seu conteúdo for prejudicial ao réu. Ou seja, a regra de
irretroatividade não se aplica às normas processuais que também
possuem em seu conteúdo natureza de direito material.
Diante disso, considerando que o crime foi praticado no ano de 2017 e que
o art. 492, §4º do CPP foi incluído pela Lei nº 13.964 de 2019, sendo norma
diretamente relacionada à liberdade do acusado e possuindo conteúdo
material e processual, não poderia ser aplicada ao caso em análise, pois é
prejudicial ao réu.
Fontes e sujeitos
Podemos definir como fonte do direito tudo aquilo de que provém um preceito
jurídico. Sabemos que o processo penal é um meio necessário para a aplicação
do direito material. Ele é representado por um conjunto de procedimentos que
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do direito material. Ele é representado por um conjunto de procedimentos que
vinculam os sujeitos e as partes do processo a fim de trazer legitimidade ao
exercício do poder punitivo do Estado, buscando evitar eventuais abusos. Dessa
forma, as fontes são pilares que servem de suporte para a interpretação precisa
do sistema.
As fontes do direito processual são divididas basicamente em duas:
É a fonte de produção, refere-se ao ente que tem competência para
elaborar as normas, ou seja, é aquela que cria o direito. No que se refere
às fontes materiais, o art. 22, inciso I, dispõe que compete privativamente
à União legislar sobre direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral,
agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho. Assim, no caso do
direito processual penal, o poder constituinte originário definiu que cabe à
União legislar sobre sua estrutura e seus pilares fundamentais.
É aquela que revela o direito. As fontes formais se subdividem em fontes
primárias ou imediatas, que são as leis, a Constituição Federal, as
emendas à constituição, os tratados, convenções e regras de direito
internacional, e fontes secundárias ou mediatas, que são a analogia, os
costumes, a jurisprudência, a doutrina e os princípios gerais do direito.
Sujeito processual, por sua vez, é definido como toda pessoa que intervém na
relação jurídico-processual, ou seja, aqueles que atuam no processo. Tal sujeito
pode ser classificado como principal ou secundário.
Fonte material 
Fonte formal 
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pode ser classificado como principal ou secundário.
Os sujeitos principais participam da relação em caráter de obrigatoriedade, de
modo que, sem eles, não se constitui um processo. São sujeitos processuais
principais:
juiz;
acusado;
Ministério Público;
querelante.
Deles, forma-se a relação angular-processual, estando o juiz acima e entre as
partes em decorrência de sua imparcialidade.
Sujeitos processuais secundários (acessórios ou colaterais), por sua vez,
integram a relação processual sem caráter de obrigatoriedade. Em suma, sua
presença é facultativa. É chamado também de colateral, haja vista que se
agregam ao polo ativo ou passivo processual. Fazem parte desse grupo o
assistente de acusação, o fiador do réu e os auxiliares da justiça.
Aplicação da lei processual penal
no espaço
O processo penal, em todo o território nacional, rege-se pelo Código de Processo
Penal. Tal regra está prevista em seu art. 1º, caput, que adotou, quanto ao
alcance de suas normas, o princípio da territorialidade, segundo o qual seus
dispositivos se aplicam a todas as ações penais que tramitem pelo território
brasileiro.
Destaca-se que o Código de Processo Penal adota o princípio da
territorialidade absoluta (locus regit actum), no sentido de que, no Brasil, não
se admite a aplicação de direito processual estrangeiro, apesar de se admitir
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se admite a aplicação de direito processual estrangeiro, apesar de se admitir
a aplicação de regras de direito internacional.
Da mesma forma, o CPP adota, ainda, o princípio da territorialidade estrita, pois a
lei processual penal brasileira, ao contrário do que ocorre com a lei penal, não
possui extraterritorialidade. Entretanto, isso não significa que ela não possa ser
aplicada a crimes cometidos fora do território nacional, para isso, basta que o
crime seja julgado em território nacional. Assim dispõe o Código de Processo
Penal sobre o tema:
Art. 1º - O processo penal reger-se-á, em todo o
Território Brasileiro, por este Código, ressalvados:
I - os tratados, as convenções e regras de direito
internacional;
II - as prerrogativas constitucionais do Presidente da
República, dos ministros de Estado, nos crimes
conexos com os do Presidente da República, e dos
ministros do STF, nos crimes de responsabilidade
(Constituição, arts. 86, 89, §2º, e 100);
III - os processos da competência da Justiça Militar;
IV - os processos da competência do tribunal especial
(Constituição, art. 122, nº 17);
V - os processos por crimes da imprensa.
(CÓDIGO DE PROCESSO PENAL, DECRETO-LEI Nº
3.689/1941)
Diante disso, é possível verificar que o próprio Código de Processo Penal elenca
hipóteses em que este não terá aplicação, ainda que o fato tenha ocorrido em
território nacional.
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território nacional.
Os tratados, as convenções e as regras de direito internacional, firmados pelo
Brasil, mediante aprovação por decreto legislativo e promulgação por decreto
presidencial, afastam a jurisdição brasileira, ainda que o fato tenha ocorrido no
território nacional, de modo que o infrator será julgado em seu país de origem. É
o que ocorre, por exemplo, com agentes diplomáticos aqui acreditados, como
embaixadores e secretários de embaixadas.

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