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3 SUMÁRIO 1 – FUNDAMENTOS GERAIS 1.1 – PLANO DE FLUTUAÇÃO 1.2 – IDENTIFICAÇÃO DAS ORIENTAÇÕES A BORDO 1.3 – IDENTIFICAÇÃO DOS MOVIMENTOS DE UMA EMBARCAÇÃO 1.4 – IDENTIFICAÇÃO DAS TERMINOLOGIAS USADAS NA MARINHA MERCANTE 1.5 – CONCEITO DOS VÁRIOS TIPOS DE NAVEGAÇÃO 2 – NAVEGAÇÃO 2.1 – PARALELOS, MERIDIANOS E COORDENADAS GEOGRAFICAS 2.2 – CARTAS NÁUTICAS 2.3 – RUMOS E MARCAÇÕES 2.4 – PLOTAGEM 2.5 – DERROTA NA CARTA NAÚTICA 2.6 – EQUIPAMENTOS NAÚTICOS 2.6.1 – AGULHA MAGNÉTICA 2.6.2 – AGULHA GIROSCÓPICA 2.6.3 – PILOTO AUTOMÁTICO 2.6.4 – ODÔMETRO 2.6.5 – ANEMÔMETRO 2.6.6 – RADAR 2.6.7 – ECOBATÍMETRO 2.6.8 – SISTEMA DE POSICIONAMENTO GLOBAL (GPS) 2.7 – BALIZAMENTO 2.7.1 – CONCEITOS 2.7.2 – SISTEMAS DE BALIZAMENTO 2.7.3 – SISTEMA IALA “B” 3 – MANOBRAS DA EMBARCAÇÃO 4 – COMUNICAÇÕES 4.1 – MODOS DE OPERAÇÃO SIMPLEX, DUPLEX E SEMI-DUPLEX 4.2 – OPERAÇÃO DO EQUIPAMENTO VHF 4.3 – OPERAÇÃO DO EQUIPAMENTO HF/MF 4.4 – UTILIZAÇÃO DA FAIXA CIDADÃO 4.5 – REDES DE COMUNICAÇÕES 4.5.1 – SERVIÇO MÓVEL MARÍTIMO 4.5.2 – ÁREAS MARÍTIMAS BRASILEIRAS 4.5.3 – SERVIÇOS PRESTADOS PELA RENEC 4.5.4 – FREQUÊNCIAS DE ESCUTA, DE CHAMADA E DE TRABALHO 4.5.5 – PRINCIPAIS PUBLICAÇÕES AFETAS AO SMM 4.5.6 – ÓRGÃOS NORMATIVOS DAS COMUNICAÇÕES MARÍTIMAS 4.5.7 – FUNCIONAMENTO DAS RÁDIOS BALIZAS 4.5.8 – ESTAÇÕES MÓVEIS MARÍTIMAS 4.6 – PROCEDIMENTOS RADIOTELEFÔNICOS 4.6.1 – REGRAS DE OPERAÇÃO RÁDIO 4.6.2 – UTILIZAÇÃO DOS CÓDIGOS Q, S, R E ALFABETO FONÉTICO 4.6.3 – A FRASEOLOGIA PADRÃO E A DISCIPLINA NO CIRCUITO 4 5 1. FUNDAMENTOS GERAIS 6 Estudaremos os principais planos de referência de uma embarcação 1.1 de É um plano horizontal longitudinal que contém a superfície em que a embarcação está flutuando. Este plano divide o casco em obras vivas (parte que fica abaixo da superfície da água) e obras mortas (parte que fica fora de É o plano horizontal que passa pelo fundo de uma embarcação, interiormente à quilha. É um plano vertical longitudinal compreendido entre a proa e a popa que a embarcação em duas partes: bombordo e boreste. É o plano vertical, perpendicular ao plano de base e ao plano diametral, situad comprimento do navio e que divide a embarcação em duas partes: proa e . 1.2 das a Os navios são divididos ao meio formando os corpos de vante e de Proa – é a região da extremidade de vante da embarcação. Estruturalmente, tem a forma exterior afilada para melhor cortar a água. Popa – é a região da extremidade de ré da embarcação. Estruturalmente, sua forma exterior é projetada para facilitar o escoamento da água e para tornar a ação do leme e do hélice mais eficiente. Meia-nau – é a parte do casco que divide os dois corpos; é um referencial de uma região da embarcação que se situa entre a proa e a popa. Bordos – são os lados da embarcação, ou seja, as duas partes em que o casco é dividido por um plano que corte a proa e a popa. Um observador posicionado na linha diametral do navio e voltado para a proa, terá boreste (BE) à sua direita e bombordo (BB) à sua esquerda. Veja na figura a seguir um pouco sobre as direções que se pode obter, estando a bordo de uma embarcação. 7 Bochechas– são as partes curvas do costado de um bordo e de outro, próximas à proa. Amura é o mesmo que bochecha, significa também uma direção qualquer entre a proa e o través. Través – é a direção perpendicular ao plano longitudinal que corta o navio de proa a popa. Alheta – são as partes curvas do costado de um bordo e de outro, próximas à popa. 1.3 dos movimentos de uma embarcação O navio está sujeito a seis tipos de movimentos, três translacionais e três rotacionai Translacionais são conhecidos como: Surge que o movimento de translação no eixo longitudinal. Sway que é o movimento de translação no eixo ansversal. Heave que é o movimento de translação no eixo vertical. 8 Rotacionais - são conhecidos Roll (jogo ou que o movimento de rotação em torno do eixo longitudinal. Pitch (arfagem ou que o movimento de rotação em torno do transversal. Yaw (guinada) - que o movimento de rotação em torno do eixo vertical. 1.4 Identificação das terminologias usadas na Marinha Mercante A figura mostra partes de grande importância em uma embarcação. Veremos a seguir em que cada uma Casco – é uma espécie de vaso que serve de base à embarcação. Em sua parte inferior corre a quilha, que acompanha todo o casco, desde a proa até a popa, servindo-lhe de peça principal de sustentação da sua estrutura. A quilha funciona no casco como a coluna vertebral no corpo humano e o divide em dois bordos. Para a sustentação do chapeamento do casco, saem as cavernas para um bordo e para outro, como se fossem as nossas costelas, que partem da coluna vertebral. O conjunto de cavernas que dá forma ao casco é chamado de cavername. Depois de formado o esqueleto do casco, este recebe o chapeamento ou revestimento. O casco é protegido total ou parcialmente por uma espécie de cerca que pode ser 9 toda metálica ou de madeira, denominada borda. Em outras embarcações a proteção é feita com balaustradas formadas por balaústres e correntes nelas passadas. Chapeamento – é o conjunto de chapas metálicas que compõem o revestimento que envolve as cavernas (exterior) ou que dividem o espaço interior do casco de uma embarcação (interior). Contribui para a estrutura resistente do casco a esforços longitudinais. Linha d’água – é uma faixa pintada no casco da embarcação, que representa a região em que ela flutua. A linha de flutuação é a interseção entre o casco da embarcação e a superfície da água em um determinado momento em que ela flutua. Na figura abaixo se pode ver o casco da embarcação, seu chapeamento e a linha água pintada de vermelho. Calado a distância vertical compreendida entre o fundo da embarcação e a superfície da água onde flutua a embarcação. As embarcações têm marcadas nos costados, a BE e a BB, as escalas numéricas dos calados ou marcas de calado. 10 Compartimentos são as divisões internas de uma embarcação. Anteparas são divisórias verticais, que formam os compartimentos da embarcação. Não há paredes, mas sim anteparas. Convéses os pavimentos de uma embarcação. Um convés é corrido quando não sofre interrupção de proa a popa, sendo o mais elevado chamado de convés principal. Há vários outros conveses superiores não corridos, sobretudo nas embarcações de passageiros. Neste caso, passam a ser numerados (convés por diante) e se situam na superestrutura da embarcação. são as elevações construídas sobre o convés principal. Existem vários tipos de superestrutura, como castelo e tombadilho, sendo a principal denominada central. Em navios mercantes nela ficam situados diversos compartimentos como: a câmara do comandante, os camarotes, o refeitório, o escritório, a cozinha e o camarim de navegação. O castelo e o tombadilho são pequenos conveses situados na proa e na popa, respectivamente, usados nas manobras de atracação, desatracação e reboque. Os conveses se comunicam com o interior do casco e com a parte externa da embarcação por meio de aberturas, como portas estanques, escotilhas, vig as, etc. 11 Portas são aberturas que permitem a passagem de pessoal de um compartimento para outro, no mesmo convés. Escotilha abertura no convés ou nas cobertas, geralmente retangular por onde passamsão bastante simples, mas devem ser seguidas algumas regras. O princípio básico consiste em manter-se consciente a respeito da disciplina no tráfego das comunicações, o que significa dizer que não basta somente ouvir mais do que falar, mas, sobretudo, saber identif icar os procedimentos, após recebê-las. Outro ponto importante a ser destacado refere-se à linguagem utilizada nas mensagens dessas comunicações, que deve ser clara, formal e sucinta, ou seja, deve-se falar pausadamente, de forma concatenada, resumida, de fácil entendimento, nunca empregando gírias ou palavras impróprias. Os sistemas na radiotelefonia são, normalmente, Simplex, o que significa que é necessário aguardar que o interlocutor termine a sua mensagem para que se possa, depois, responder. Caso contrário, haverá interferência na freqüência de trabalho, causando interrupção na recepção e impossibilidade da emissão. As comunicações a bordo, inclusive a própria radiotelefonia, devem se encaradas como instrumentos de segurança e de trabalho e, como tal, devem ser monitoradas, registradas e disciplinadas. Para tanto, recomenda-se que se adote a bordo um livro de 78 registro das comunicações (transmissão e recepção) e, principalmente, estabelecendo-se responsabilidade de utilização. A seguir, explicaremos como efetuar uma chamada radiotelefônica. As chamadas em radiotelefonia, quanto à prioridade, são divididas em quatro tipos: Rotina, Segurança, Urgência e Socorro. A chamada de Rotina tem a menor prioridade e a chamada de Socorro a maior prioridade, ou seja, se ao mesmo tempo, em um mesmo canal, houver as duas chamadas, a chamada de rotina deve ser interrompida para dar vez à chamada de Socorro. Chamada de Rotina A chamada de rotina é a chamada que tem a menor prioridade, mas é a mais utilizada; deve ser utilizada nas comunicações do dia-a-dia, de assuntos que não envolvam Segurança, Urgência e Socorro. As chamadas radiotelefônicas de rotina devem ser iniciadas no canal de chamada, com uma denominação da estação a que se destina a mensagem, repetida no máximo três vezes, seguida da palavra “aqui” e do indicativo da estação que vai transmitir a mensagem e, em seguida, diz-se “câmbio”, aguardando a resposta da estação chamada. A palavra “câmbio” é utilizada para indicar o fim de uma chamada ou mensagem, passando a vez a outra estação. Como denominação podemos usar: • o indicativo de chamada. Exemplos: PPNZ, PP1234 – Indicativo de chamada da embarcação. PPR, PPA – Indicativo de chamada da estação costeira. • O nome da estação. Exemplos: Navio Nilza, Rebocador Zeus, Rio Rádio, Salvador Rádio. • Pode ser usada qualquer outra informação que identifique a estação. Esta denominação é utilizada quando não se sabe o nome ou o indicativo de chamada. Exemplo: Navio no meu través de bombordo, embarcação fundeada próxima à Ilha Rasa. Uma chamada em VHF (canal 16) deve ocorrer da seguinte forma: Exemplo: Rebocador Zeus, Rebocador Zeus, Rebocador Zeus aqui Navio Nilza, Navio Nilza, Navio Nilza, câmbio. A resposta da estação chamada, ainda no canal de chamada, deve ocorrer da seguinte forma: Exemplo: Navio Nilza aqui Rebocador Zeus, vamos ao canal 6, câmbio. As duas estações mudam do canal 16 para o canal 6 e começam a falar 79 alternadamente. Após o término da comunicação, as duas estações retornam para o canal 16. Chamada de Segurança A chamada de Segurança indica que a estação vai transmitir uma mensagem relativa: • à segurança da navegação; ou • a um aviso meteorológico importante. O sinal de segurança é SÉCURITÉ (pronuncia-se SECURITÊ) e deve ser repetido três vezes, antes da mensagem, e sua prioridade é 3, sendo suplantado pelos sinais de Socorro e de Urgência. Exemplo: SÉCURITÉ SÉCURITÉ SÉCURITÉ Aqui Rebocador Zeus, Rebocador Zeus, Rebocador Zeus Posição 10 milhas ao sul da Ilha Rasa Farol da Ilha Rasa está apagado Câmbio. Chamada de Urgência A chamada de Urgência indica que a estação vai transmitir uma mensagem relativa: • à segurança de uma embarcação; e • à segurança de uma pessoa (auxílio médico). O sinal de Urgência é PAN PAN (pronuncia-se PANE PANE) e deve ser repetido três vezes, antes da mensagem, e sua prioridade é 2, só sendo suplantado pelo sinal de Socorro. Exemplo: PAN PAN, PAN PAN, PAN PAN Aqui Navio Minerva, Navio Minerva, Navio Minerva Estou 15 milhas ao sul do Farol de Cabo Frio Perdi o leme, não posso manobrar Necessito de Reboque Câmbio. Chamada de Socorro A chamada de Socorro indica que a embarcação está sob ameaça de grave perigo (risco de vida humana) e necessita de ajuda rápida. A chamada de Socorro é MAYDAY (pronuncia-se MEIDEI) e deve ser repetida três vezes, antes da mensagem, e sua prioridade é 1, ou seja, todas as outras mensagens devem dar a vez às mensagens de Socorro. Toda estação que ouvir uma mensagem de Socorro deve parar, imediatamente, qualquer transmissão que possa perturbar a mensagem e ficar escutando no canal de chamada e Socorro até ter a certeza de que poderá ajudar. 80 Exemplo: MAYDAY MAYDAY MAYDAY Aqui Navio Nilza, Navio Nilza, Navio Nilza Posição 20 milhas ao sul da Ilha Grande Estou afundando Necessito de auxílio imediato Câmbio. Uma embarcação nas proximidades, que possa prestar socorro, deverá transmitir o “RECIBO” (significa que ouviu o pedido de Socorro e vai prestar socorro). Exemplo: Navio Nilza, Navio Nilza, Navio Nilza Aqui Lancha Progresso, Lancha Progresso, Lancha Progresso MAYDAY recebido. Após a transmissão do “RECIBO”, a Legislação recomenda que a Estação que irá prestar socorro informe quando chegará ao local da embarcação que pediu socorro. 4.6.2 Utilização dos códigos Q, S, R, o Código de Número e Sinais e o Alfabeto Fonético Internacional No Serviço Móvel Marítimo, são utilizados códigos para facilitar as comunicações entre embarcações que falam idiomas diferentes e nas comunicações com interferências. Utilizamos os seguintes códigos: Código “Q” Código composto de três letras, sempre iniciado pela letra “Q”, podendo ser seguido por um número. O código “Q” pode ser transmitido na interrogativa (pergunta) ou na afirmativa (normalmente resposta). Citaremos apenas os mais utilizados: QRA? – Qual o nome da sua estação? QRA – O nome da minha estação é ..... QRG? – Qual é a sua freqüência exata? QRG – Minha freqüência exata é ..... KHz. QRM? – Sofre interferência? QRM – Sua transmissão está interferida por ..... (1. nenhuma; 2. ligeira; 3. moderada; 4. considerável; 5. extrema). QRN? – Está sendo perturbado por estática? QRN – Estou perturbado por estática (1 a 5 como para interferência). QRT? – Devo cessar a transmissão? QRT – Cesse a transmissão. QRU? – Tem algo para mim? QRU – Nada tenho para você. QRY? – Qual é a minha vez? QRY – Sua vez é número ..... QSA? – Qual a intensidade de meus sinais? 81 QSA – A intensidade dos seus sinais é ..... (1. apenas perceptível; 2. fraca; 3. satisfatória; 4. boa; 5. ótima). QSL? – Pode acusar recebimento? QSL – Acuso recebimento. QSO? – Pode comunicar-se diretamente com ..... ? QSO – Posso comunicar-me diretamente com ..... QTH? – Qual é a sua localização? QTH – Minha localização é ..... (denominação ou posição em latitude e longitude). Código “S” Código composto da letra “S” acompanhado do número de 1 a 9, significa a intensidade relativa de recepção dos sinais de uma Estação. S1 – Sinal apenas perceptível S2 – Sinal muito fraco S3 – Sinal fraco S4 – Sinal regular S5 – Sinal razoavelmente bom S6 – Sinal bom S7 – Sinal moderadamente forte S8 – Sinal forte S9 – Sinal extremamente forte Código “R” Código composto da letra “R” acompanhado dos números de 1 a 5, significa a intensidade relativa de recepção dos sinaisde uma Estação. R1 – Sinal inaudível R2 – Sinal pouco audível R3 – Audível com alguma dificuldade R4 – Audível praticamente sem dificuldade R5 – Sinal perfeitamente audível Número e Sinais Número ou Sinal Palavra Pronúncia 0 Nadazero nadaziro 1 unaone u-na-uan 2 bissotwo bi-so-tu 3 terrathree te-ra-tri 4 kartefour kar-te-for 5 pentafive pen-ta-faif 6 soxisix sok-si-six 82 7 setteseven se-te-seven 8 oktoeight ok-to-eite 9 novennine no-ve-naine Vírgula coma coma Decimal decimal decimal Ponto stop stop Alfabeto Fonético Internacional Letra Palavra Pronúncia A Alfa Al fa B Bravo Bra vo C Charlie Char lie D Delta Del ta E Echo E co F Foxtrot Fox trote G Golf Gol fe H Hotel Ho tel I India In dia J Juliet Ju li ete K Kilo Ki lo L Lima Li ma M Mike Mai ke N November No vem ber O Oscar Os car P Papa Pa pa Q Quebec Que bek R Romeo Ro meo S Sierra Si e rra T Tango Tan go U Uniforme Iu ni form ou U ni form V Victor Vic tor 83 W Whiskey Uis ki X X-Ray Ex rey Y Yankee Ian qui Z Zulu Zu lu 4.6.3 A fraseologia padrão e a disciplina nos circuitos A fraseologia e os procedimentos radiotelefônicos, assim como a disciplina nos circuitos do Serviço Móvel Marítimo têm como objetivo padronizar e tornar eficientes as comunicações. Antes de utilizar um canal radiotelefônico verifique se está sendo utilizado por outras Estações. Para isso, ouça o canal alguns segundos antes de usá-lo, para não interferir em uma comunicação em andamento. Quando estiver fazendo uma comunicação radiotelefônica, fale pausadamente para que a outra Estação possa compreendê-lo. Use as comunicações com profissionalismo, pois elas podem vir a salvar sua vida ou a vida de outra pessoa. Bibliografia BARROS, Geraldo Luiz Miranda de, Radiotelefonia Marítima. Rio de Janeiro: Marítimas, 1994.a carga, o pessoal e a luz Cobertas são os espaços compreendidos entre os conveses abaixo do principal. Vigia abertura circular no ou na antepara da superestrutura, guarnec metálica para fixação de tampa espessa de Pela vigia passar o ar e a claridade. Castelo ou castelo de proa – é uma espécie de plataforma na proa, onde ficam situados os escovéns (aberturas onde fica gurnida a âncora de vante ou ferro de vante), as espias (cabos de amarração da embarcação), as buzinas (aberturas por onde passam as espias para terra) e todo o material das fainas de atracação e fundeio. Tombadilho – é a superestrutura situada na popa, destinada também às manobras de atracação, desatracação e reboque. 12 Conceitos dos vários tipos e métodos de Tipos e métodos de navegação Podemos classificar a navegação de diversas formas, mas, neste caso, a classificaremos conforme o método utilizado para se determinar a posição e também pela distância de terra (da costa) que se encontra a embarcação Navegação Costeira É aquela feita à vista da terra, valendo-se o navegante de acidentes naturais e artificiais como: montanhas, pontas, edifí etc, existentes ou dispostos adequadamente em terr para determinar a posição no mar. É reali ada normalmente a embarcação se encontra entre 3 e 50 milhas da costa Navegação Estimada É aquela feita à vista de terra ou não É utilizada quando a posição da embarcação é determinada em função de outra previamente conhec da, podendo ser uma posição visual, astronômica ou eletrônica. É realizada em qualquer fase da navegação sempre que não se tem a com precisão. Navegação Astronômica É aquela que se vale da observação dos corpos celestes (Sol, Lua, planetas, estrelas) para a determinação da posição da embarcação. Normalmente, só é utilizada em alto-mar e 50 milhas da costa Navegação Eletrônica É utilizada quando a posição da embarcação é determinada com auxílio de equipamentos eletrônicos. Assim, temos a navegação radar, por satélites, et Navegação em Águas Restritas É a navegação que se prat em portos ou em suas proximidades, em baías, É utilizada quando se navega a menos de 3 milhas da costa, onde a metros ou É o tipo de maior são 13 2. NAVEGAÇÃO MARÍTIMO CFAQ-I-C-M 14 Introdução Um dos assuntos mais importante para os marítimos é a arte de navegar, que propicia o conhecimento da sua posição no mar e de como chegar ao seu destino. Esta disciplina transmite conhecimentos sobre navegação que são fundamentais para todos os que escolheram o mar como ambiente da sua profissão. 2. Conceitos básicos 2.1 Paralelos, meridianos e coordenadas geográficas Paralelos Para facilitar a orientação, a Terra foi dividida em círculos horizontais a partir do Equador, 90º para o norte e 90º para o sul; esses círculos aparecem nas cartas náuticas como linhas horizontais e são chamados de Paralelos. Eles vão determinar as latitudes dos lugares. PARALELOS Meridianos A Terra foi dividida em círculos máximos passando pelos pólos; como ponto de partida para contagem, foi escolhido o meridiano de Greenwich que passa na cidade de Londres na Inglaterra. A partir desse meridiano são contados 180º para o leste e 180º para oeste. Eles vão determinar as longitudes dos lugares. 15 Meridianos Latitude É o arco de meridiano compreendido entre o Equador e o paralelo do lugar. É contada de 00° a 90° a partir do Equador para o Norte e para o Sul. Latitude Exemplos: φ = 20° 30.0’ N φ = 30° 45.5’ S Longitude É o arco de Equador compreendido entre o 1° meridiano (meridiano de Greenwich) e o meridiano do lugar. É contada de 000° a 180° para leste e para oeste. 16 Longitude Exemplos: λ = 045° 25.3’ W λ = 157° 54.6’ E 2.2 Cartas náuticas A carta náutica é acessório indispensável a quem navega, pois é a representação gráfica do litoral e dos mares apresentando acidentes geográficos, profundidades e dando outras indicações necessárias ao navegante. Tendo-se terra à vista ou não, o uso da carta é indispensável, pois é sobre ela que: • coloca-se a posição da embarcação; • traçam-se os rumos a navegar ou navegados; e • medem-se as distâncias aos pontos de terra e as que foram percorridas na derrota. Escala As cartas náuticas são fabricadas em escala de acordo com a sua utilização. Escala natural É a relação entre a distância de dois pontos medidos na carta e a distância entre esses mesmos pontos medidos na Terra. Se tivermos uma escala de 1:200.000 significa que 1 cm medido na carta representam 200.000 cm na Terra. As cartas para trechos longos são chamadas de cartas gerais; é como se fossem fotografias tiradas de longe, abrangendo um grande trecho de costa e de mar, tendo uma escala pequena e, por isso, apresentam os detalhes em tamanho reduzidos. 17 As cartas chamadas de particulares abrangem um trecho menor; é como se fosse uma fotografia tirada mais de perto. Possuem escalas maiores permitindo mostrar mais detalhes sobre o local. Os planos são utilizados para áreas que exijam todos os detalhes do local: portos, trechos de rios, etc. Nas cartas náuticas são apresentadas várias informações importantes para o navegador, tais como: latitudes (nas laterais da carta), longitudes (nas partes de cima e de baixo) e as profundidades do local (em metros) dispostas ao longo de toda a extensão da carta. Os trechos de mesma profundidade são representados por uma linha chamada de isobática. Aparecem na carta náutica outras informações, tais como: título e número da carta, autoridade que a confeccionou e fez os levantamentos de dados (no caso do Brasil é a DHN o órgão responsável por essas informações), nível de redução das sondagens, altitudes, etc. São apresentados nas cartas náuticas auxílios à navegação, tais como: faróis, faroletes e pontos notáveis do relevo da costa. Para orientação são impressas rosas dos ventos com a orientação do Norte Verdadeiro e informações para se identificar o Norte Magnético. 18 trecho de uma carta náutica 2.3 Rumos e marcações As cartas náuticas são orientadas pelo norte verdadeiro, Norte Padrão, sem interferência da declinação magnética local. 19 Apresentam também uma rosa dos ventos com o Norte Magnético ou a declinação magnética local representada e com os dados para as correções necessárias. Rumo É direção e o sentido que sua embarcação segue para ir de um ponto a outro. Rumo Verdadeiro É o ângulo entre o Norte Verdadeiro e a proa de embarcação. É contado no sentido horário de 000° a 360°. rumo verdadeiro Declinação Magnética (dmg) Uma agulha magnética indica o Norte-Sul magnéticos, porém existe uma diferença 20 angular entre o Norte Verdadeiro e o Norte Magnético. Essa diferença é chamada de declinação magnética. De acordo com a região da Terra, ela pode ser leste ou oeste. Essa diferença consta das cartas náuticas e pode ser atualizada. Declinação magnética Atualização da declinação magnética Exemplo: Declinação magnética para 2000 é de 22°30’W, aumento de 10’ ao ano. Em 2003 a declinação magnética no local será calculada da seguinte forma: 2000 – 22° 30’ Correção – +30’ 2003 – 23° 00’ Desvio da Agulha Magnética (dag) A bordo de um navio mercante fabricado em aço, existe um campomagnético causado pela sua própria estrutura e a carga que está transportando. Por essa razão, devemos calcular o desvio da agulha frequentemente através de alinhamentos ou azimutes. Os desvios da agulha podem ser para leste ou para oeste. 21 desvio da agulha magnética Exemplo: dag = 2° W Variação da Agulha Magnética (vag) A variação da agulha magnética é o somatório algébrico da declinação magnética com o desvio de agulha. variação da agulha magnética 22 Exemplos de cálculo: a) dmg = 18° W e dag = 2° E Vag = 18 – 2 Vag = 16° W b) dmg = 17° W e dag = 1° W Vag = 17 + 1 Vag = 18 W Rumo Magnético É o ângulo entre o Norte Magnético e a proa do navio. É contado no sentido horário de 000° a 360°. Rumo magnético 23 Rumo da Agulha É o ângulo entre o Norte da Agulha e a proa do navio. É contado no sentido horário de 000° a 360°. Rumo da agulha 24 Marcação verdadeira É o ângulo entre o Norte Verdadeiro e o objeto a ser marcado: farol, ponta, ilha, etc. É contada de 000º a 360º no sentido horário. Marcação verdadeira Marcação Magnética É o ângulo entre o Norte Magnético e o objeto a ser marcado. É contada de 000° a 360° no sentido horário. Marcação magnética 25 Marcação da Agulha É o ângulo entre o Norte da Agulha e o objeto a ser marcado. É contado de 000° a 360° no sentido horário. Marcação da agulha Marcação Relativa É o ângulo entre a proa da embarcação e o objeto. É contada no sentido horário de 000° a 360° a partir da proa da embarcação. Marcação relativa 26 Marcação Polar É o ângulo entre a proa da embarcação e o objeto. É contada da proa para boreste e para bombordo de 000° a 180°. Marcação polar 2.4 Plotagem da posição A determinação da posição na carta náutica é feita através das coordenadas geográficas: latitude e longitude. São utilizados os instrumentos normais do navegador: a régua de paralelas e o compasso de navegação. Régua de paralelas e compasso 27 a) Dadas as coordenadas, plotar uma posição na carta: Seja por exemplo: plotar a posição 41º 09.5’ N e 070º 44.0’ W. Com a régua paralela traça-se um paralelo correspondente à latitude. Com o compasso, mede-se na escala de longitude a abertura conveniente que leva-se para cima do paralelo traçado. Plotando uma posição na carta b) Dado um ponto na carta, determinar suas coordenadas: Com o compasso de navegação e uma das pontas na posição, descreve-se um arco tangenciando o paralelo mais próximo. Leva-se, sem mexer na abertura, até a escala das latitudes. Posiciona-se sobre o paralelo da maneira indicada e lê-se o número de graus e minutos. Com o compasso e uma das pontas na posição, descreve-se um arco tangenciando o meridiano mais próximo. Leva-se, sem mexer na abertura, até a escala de longitudes. Posiciona-se sobre o meridiano da maneira indicada na figura e lê-se o número de graus e minutos. Determinando as coordenadas de um ponto 28 c) Dados dois pontos, determinar o rumo entre eles: Na figura aparecem dois pontos A e B já plotados; vamos traçar o rumo entre os dois pontos. Para se medir o rumo entre eles, une-se por uma linha reta os dois pontos, coloca-se a régua de paralelas sobre a linha e leva-se a régua até a rosa dos ventos mais próxima; encontraremos o rumo verdadeiro 055º. Determinando o rumo entre dois pontos d) Medir distância entre dois pontos: As distâncias são medidas em milhas náuticas; cada milha náutica tem 1.852 metros. Nas cartas náuticas as distâncias são medidas na escala de latitudes. Devemos colocar uma das pontas do compasso no início do trecho a medir e a outra ponta no outro ponto; pega-se esta distância medida no compasso e lê-se na escala de latitude quantos minutos vão corresponder (cada minuto de latitude corresponde a uma milha náutica). No caso de grandes distâncias, divide-se o trecho e mede-se passo a passo. Medindo distâncias 29 2.5 Derrota na carta náutica O traçado da derrota na carta náutica exige conhecimentos sobre utilização das cartas náuticas; é necessário estabelecer o ponto de partida e o ponto de chegada e o caminho que será utilizado para ir de um ponto a outro. Após determinados estes pontos, traçam-se os rumos entre os trechos como já foi explicado, considerando-se os efeitos de ventos e correntes da região na qual se pretende navegar. Nos trechos da derrota devemos ter informações sobre as distâncias entre os pontos, velocidade que o navio vai navegar e o tempo de viagem que vai ser necessário. Com esses dados e mais os dados de vento e corrente, podemos saber os momentos das mudanças de rumo e o próximo rumo a seguir, o tempo de viagem em cada trecho e a Hora Estimada de Chegada (ETA). Trecho de derrota com pontos A, B e C. Rumos AxB _________ BxC __________ Distâncias AxB _________ BxC __________ Tempo de Viagem AxB _________ BxC __________ 30 2.6 Equipamentos náuticos 2.6.1 Agulhas Agulha magnética É baseada na propriedade de que uma barra magnética suspensa levemente por um fio aponta sempre para o Norte Magnético. A bordo, a agulha magnética está instalada no tijupá, o mais longe possível das influências dos ferros de bordo. Requisitos essenciais para uma boa agulha: • Sensibilidade A agulha deve indicar as inúmeras variações de rumo. • Estabilidade O rumo indicado pela agulha deve ser mantido a despeito dos movimentos de caturro, balanços e arfagem do navio. Agulha magnética 2.6.2 Agulha giroscópica É a agulha que nos fornece o Norte Verdadeiro. Ela se baseia no princípio do giroscópio livre, um motor que tem liberdade para girar em torno de três eixos: um eixo de rotação, um eixo horizontal e um eixo vertical. Um giroscópio, quando em alta velocidade, apresenta duas propriedades: inércia giroscópica e precessão. 31 Inércia giroscópica é a propriedade que o giroscópio livre tem de manter seu eixo de rotação sempre apontado para o mesmo ponto. Precessão é a propriedade que o giroscópio livre tem de, ao ser aplicada uma força tentando deslocar o eixo de rotação de sua direção, em vez de o eixo se mover na direção da força o faz num plano que forma 90° com a direção da força aplicada. Aproveitando-se dessas duas propriedades e aplicando-se forças convenientes, podemos orientar nosso rotor para o meridiano geográfico. Agulha giroscópica 2.6.3 Piloto automático É um aparelho para controle automático do rumo. Este aparelho permite manter o navio no rumo sem necessidade de timoneiro. Além de dispensar o homem do governo do navio, o piloto automático apresenta a vantagem no consumo de combustível e menor desgaste de máquina do leme. Piloto automático 32 2.6.4 Odômetro São aparelhos que indicam a distância percorrida. • Odômetro do tipo Pitot (odômetro de fundo) Pressão estática do fluido é a pressão que o fluido em repouso exerce sobre um corpo imerso. Pressão dinâmica é a pressão que o corpo exerce devido a seu movimento. OdômetroPressão total é a soma das duas pressões. O odômetro do tipo Pitot possui uma haste sensora, em cujo interior existem dois tubos; um tubo que abre para vante e outro que abre para ré. Quando o navio se movimenta para vante, a porta de vante recebe pressão total. O tubo que abre para ré fica exposto à pressão estática. Conhecendo-se as duas pressões, pode-se calcular a pressão dinâmica que dá a velocidade do navio. • Odômetro Doppler Efeito Doppler é a mudança da freqüência de uma onda quando a fonte de vibração e o observador estão em movimento. Um odômetro Doppler possui no corpo um transdutor de emissão e um de recepção. A diferença de entre a emissão e a recepção do sinal é diretamente proporcional à velocidade do navio. 2.6.5 Anemômetro Instrumento utilizado para medir a velocidade do vento, que é obtida em m/seg, km/h, nós ou através da escala de Beaufort, que coloca faixas de velocidade do vento numa escala que vai até a força 12 (furacões). O anemômetro consiste basicamente de três ou mais conchas montadas em hastes horizontais, que são fixadas em um eixo vertical. As rotações do eixo vão gerar informações de velocidade do vento para um indicador; as leituras dos anemômetros são afetadas pela velocidade do navio e devem ser corrigidas para se determinar a velocidade real do vento; isto é feito por meio de comparações dos vetores velocidade e direção do vento aparente e rumo e velocidade do navio. Anemômetro 33 Antena radar 2.6.6 Radar Radar é um aparelho eletrônico que usa a reflexão de ondas-rádio para detectar objetos que não são visíveis normalmente, por estarem na escuridão, ocultos por nevoeiros ou por estarem a grandes distâncias, etc. A palavra RADAR tem origem nas letras iniciais da frase em inglês: “Radio Detection And Ranging “. Os radares para navegação marítima operam nas faixas de freqüências “X” e “S”. Os radares modernos são radares ARPA, que fornecem todas as informações para o navegador automaticamente. Além de apresentarem muitos recursos, fornecem uma imagem bem definida e colorida, facilitando a tomada de decisões. Koden Radar PC 34 A apresentação do PPI (Plan Position Indicator) de um radar pode ser de dois tipos: • apresentação em movimento relativo • presentação em movimento verdadeiro Na apresentação em movimento relativo o navio aparece fixo no centro da tela; os alvos e a terra é que se movimentam. Na apresentação em movimento verdadeiro o navio e os alvos se movimentam na tela; a terra e os alvos fixos permanecem parados. Apresentação em movimento relativo não estabilizada. Em (A) temos que o nosso navio segue um rumo qualquer. Então ele altera o rumo para boreste de 60º. Em (B) temos que a imagem se desloca sobre a tela para bombordo, ficando toda borrada e impedindo a tomada de marcações e distâncias acertadas até uns poucos minutos após a alteração. O pequeno eco, que representa uma bóia, também fica borrado. 2.6.7 Ecobatímetro Os ecobatímetros medem a profundidade local, por meio da emissão de pulsos e a recepção do seu eco após tocar no fundo do mar. A profundidade medida é a partir do fundo da embarcação; para encontrarmos a profundidade do local, devemos somar o calado da embarcação. Ecobatímetro 35 2.6.8 Sistema de posicionamento global (GPS) O GPS é um sistema de rádio-navegação baseado em 24 satélites, dimensionado e aprovado pelo sistema de defesa dos Estados Unidos. O GPS permite que os usuários, em terra, no mar ou no ar determinem suas posições através das coordenadas geográficas: latitude e longitude, altitude, velocidade e hora. O sistema fornece informações vinte e quatro horas para qualquer lugar do mundo, não sofrendo interferências das condições atmosféricas no local. Componentes do sistema Seguimento espacial São 24 satélites transmitindo sinais em 6 órbitas a 20.200 km, com uma inclinação de 55º, cada satélite efetuando uma volta a cada 12 horas. Os satélites têm vida útil de 10 anos aproximadamente, necessitando de periódicas substituições. Seguimento de controle É responsável pela monitoração, geração, correções e avaliação de todo o sistema, existe uma estação central nos Estados Unidos e monitoras em outros pontos da terra. Diferencial GPS (DGPS) É uma técnica usada em tempo real para remover a maioria dos erros que o GPS possa apresentar. O DGPS consiste em um receptor GPS estacionário sobre um ponto de coordenadas conhecidas (estação base), que no caso de navegação na costa brasileira são utilizadas as estações radiogoniométricas da Marinha. Como esses receptores conectados à estação base estão relativamente próximos, irão experimentar erros similares que serão corrigidos, chegando à precisão de 5 m. DGPS, receiver e antena Termos utilizados no GPS: Ao navegar utilizando o GPS, devemos levar em consideração alguns termos próprios do equipamento: 36 • TRK ou BRG É o rumo apresentado pelo GPS: o instrumento já fornece o rumo verdadeiro. • COG Rumo no fundo: é a direção resultante realmente navegada, desde o ponto de partida até o ponto de chegada, num determinado momento, ou seja, o rumo no fundo é a resultante entre o rumo na superfície e a corrente. • VMG Velocidade no fundo: é a velocidade ao longo da derrota realmente seguida em relação ao fundo do mar, desde o ponto de partida até o ponto de chegada. • SOA Velocidade de avanço: é aquela com a qual se pretende progredir ao longo da derrota planejada. Os cálculos do ETA e do ETD são feitos baseados nesta velocidade. • ETA Hora estimada de chegada • ETD GPS Hora estimada de partida • MOB Homem ao mar: esta tecla do GPS permite que, em caso de homem ao mar, imediatamente após ser acionada, o GPS insere um ponto chamado MOB com a posição atual e ao mesmo tempo executa a função GO TO (vá para), considerando este ponto como destino. 2.8 Sistema de Socorro e Segurança Marítimos (GMDSS) A Convenção SOLAS determina que o Comandante de qualquer navio no mar ao receber um sinal de perigo de outro navio, aeronave ou embarcação de sobrevivência deverá prosseguir a toda velocidade para o local do incidente a fim de prestar auxílio às pessoas em perigo. O princípio básico do GMDSS é que as autoridades de busca e salvamento, localizadas em terra e os navios que estejam nas proximidades, sejam rapidamente alertados sobre o incidente, assim como poderão participar das operações de busca e salvamento. Os equipamentos requeridos para serem instalados em um navio são determinados basicamente pela sua área de operação. • Área A1 Área dentro da cobertura radiotelefônica com no mínimo uma estação costeira VHF, em que um permanente alerta de chamada seletiva (DSC) seja disponível, cerca de 20 a 30 milhas náuticas. • Área A2 Área excluindo a área A1 dentro da cobertura radiotelefônica, com no mínimo uma estação em MF, em que um permanente alerta DSC seja disponível cerca de 100 milhas náuticas. 37 • Área A3 Área excluindo as áreas A1 e A2 dentro da cobertura de um satélite geo-estacionário INMARSAT, em que um permanente alerta seja disponível. Esta área está entre 70º N e 70º S, que é a faixa de cobertura dos satélites INMARSAT. • Área A4 Área que fica fora das áreas A1, A2, A3. Sistema de comunicação no GMDSS As comunicações por satélite são particularmente os elementos mais importantes do GMDSS. O sistema INMARSAT emprega quatro satélites geo-estacionários e opera as estações terrenas de navio (SES) na banda 1.5 e 1.6 GHz banda L, provendo-as com os recursos de alertade socorro e capacidade para comunicação por radioteleimpressão e radiotelefonia. As Balizas Radio Indicadoras de Posição em Emergência (EPIRB) de 1,6 GHz (banda L) também são usadas para gerar alerta de socorro, assim como as EPIRBs de 121,5 e 406 MHz que utilizam o sistema COSPAS-SARSAT com seis satélites que estão em órbita polar, sempre com o objetivo de identificar o navio e sua posição em caso de alerta de socorro. Comunicação a longa distância É utilizada a comunicação em HF como alternativa para a comunicação por satélite. HF Comunicação a média distância Neste tipo de comunicação é utilizada a MF fazendo-se a comunicação navio/terra, navio/navio e terra/navio. É utilizada a frequência 2.187,5 KHz usada para alerta de socorro e chamadas de segurança usando-se o DSC. VHF Comunicação a curta distância O VHF é utilizado na freqüência de 155.525 MHz (canal 70) para alertas de socorro e chamadas de segurança, usando- Se DSC e 156.800 MHz (canal 16) para tráfego de socorro e segurança por radiotelefonia, inclusive comunicação de coordenação SAR na área de ação. VHF portátil 38 Bibliografia BARROS, Geraldo Luiz Miranda de. Navegar é fácil. Rio de Janeiro: Marítima, 1999. BARROS, Geraldo Luiz Miranda de. Navegando com a eletrônica. 1 ed. Rio de Janeiro: Catau, 1995. BRASIL. Marinha do Brasil. Diretoria de Portos e Costas. Regulamento Internacional para Evitar Abalroamento no Mar – RIPEAM-1972. Rio de janeiro, 1996. 39 2.7 Balizamento 2.7.1 Conceitos Balizamento pode ser definido, resumidamente, como o conjunto de regras aplicadas a todos os sinais fixos e flutuantes (com exceção de faróis, faróis de setores, sinais de alinhamento, barcas faróis e bóias gigantes) que permitem a todos os navegantes identificar os limites laterais dos canais navegáveis, os perigos naturais e outras obstruções, entre as quais cascos soçobrados, outras zonas ou acidentes marítimos importantes para os navegantes e os novos perigos. Sem estes limites determinados, o navegador teria muita dificuldade de navegar; seria preciso o conhecimento pleno do lugar, suas modificações naturais, pela prática aplicada, como fazem os práticos da barra oriental do rio Amazonas. Este sistema de balizamento compreende cinco tipos de sinais. 2.7.2 Sistemas de balizamento No Brasil, na Europa e em muitos outros países, o balizamento adotado é a IALA B. “IALA”, que em Inglês quer dizer “International Association of Lighthouse Authorities”, pode ser dividido em “IALA A” e “IALA B”. Para se distinguir basicamente a IALA B (sistema usado no Brasil) e a IALA A (usado nos Estados Unidos), simples e basicamente, invertem-se as bóias que determinam as margens encarnadas para verdes e vice-versa. 40 2.7.3 Sistema IALA B Sinais laterais Os sinais laterais são geralmente utilizados para os canais bem definidos. Estes sinais indicam os lados de Boreste e Bombordo do caminho a seguir. Por exemplo, na entrada de um canal, acesso de um porto ou entrada de um rio (ou seja, subindo o rio no sentido contrário da sua direção natural) a bóia encarnada ficará a BE da embarcação (pode ser cega ou luminosa; se for luminosa, exibe vários lampejos encarnados em qualquer ritmo (exceto 2 + 1). A bóia verde, cega ou luminosa, que exibe vários lampejos verdes em qualquer ritmo (exceto 2+1) fica a BB da embarcação. Exemplo: a bóia encarnada que fica a BE da entrada do canal pode ser da forma cônica, pilar ou charuto. A bóia verde fica a BB da entrada do canal; pode também ser da forma cônica, pilar ou charuto. 41 Sinais de canal preferencial Há também a possibilidade de bifurcação dos canais. Então aparecerão bóias encarnadas com uma faixa verde (canal preferencial a BB desta bóia); Ou ao contrário, quando se encontra uma bóia verde com uma faixa encarnada (Canal preferencial a BE desta bóia). Elas piscarão em 2 lampejos + 1 lampejo encarnado se for preferencial a BB e verde (2 lampejos + 1 lampejos verde ) se for preferencial a BE. 42 Sinais cardinais Bóia de Sinal Cardinal Norte As bóias do sinal cardinal norte, tanto de dia (dois cones, um sobre o outro com o vértice para cima, de cor preta sobre a amarela - PA), quanto de noite, com lampejos brancos rápidos ou muito rápidos ininterruptos, indicam que as águas mais profundas estão ao norte deste sinal, ou indicam ainda o quadrante em que o navegador deve se manter. Bóia de Sinal Cardinal Leste Tanto de dia (dois cones pretos unidos pela base, de cor preta com uma larga faixa de cor amarela - PAP), quanto de noite, com 3 lampejos brancos rápidos (10s) ou muito rápidos (com intervalos de 5s), indicam que as águas mais profundas estão a leste deste sinal, ou indicam o quadrante em que o navegante deve se manter. 43 Bóia de Sinal Cardinal Sul Tanto de dia (2 cones pretos com os vértices para baixo de cor amarela sobre preto - AP), quanto de noite, com 6 lampejos brancos rápidos (em intervalos de 15s) ou muito rápidos (em intervalos de 10s), indicam que as águas mais profundas estão ao Sul deste sinal, ou indicam o quadrante em que o navegante deve se manter. Bóia de Sinal Cardinal Oeste Tanto de dia (2 cones pretos um sobre o outro unidos pelo vértice de cor amarela com uma larga faixa preta - APA), quanto de noite (9 lampejos brancos rápidos em intervalos de 15s ou muito rápidos em intervalos de 10s), indicam que as águas mais profundas estão a Oeste do sinal, ou o quadrante em que o navegante deve se manter. 44 Outros sinais do balizamento e suas características luminosas Sinais de perigo Isolado Indicam os perigos isolados, de tamanho limitado, que devem ser entendidos como aqueles em torno dos quais as águas são seguras. De dia - duas esferas pretas uma sobre a outra de cor preta com uma ou mais faixas encarnadas horizontais; de noite - 2 lampejos brancos por período. Sinais de águas seguras Indicam que em torno de tais sinais as águas são seguras (de dia - apresenta uma esfera encarnada, se houver. É de cor branca com faixas encarnadas verticais; de noite – luz branca isofásica, de ocultação ou de lampejo de 10s por período, ou exibe a letra A do código morse. 45 46 3. MANOBRAS DA EMBARCAÇÃO MARÍTIMO CFAQ-I-C-M 47 Manobras da Embarcação Construção flutuante, feita de madeira ou ferro, que transporte com segurança pessoas ou carca, quer no mar ou no rio. das do Proa - É a região que fica na extremidade de vante da embarcação. Popa - É a região que fica na extremidade de ré da embarcação. da Meia É a que fica a É lado da É o da BB É lado da É o que o É o que o É a do que fica da É a do que fica da São as do ou do na de do na de ré da que a que as das É uma de ou aço a do de do 48 de Tipo É um dos em todo o dos o seu é não " As mais são: e 49 do É a das do as e " " na É de e de São de nas de em É um tipo de nas de no ou a que não É um tipo que só um com a de que a da Sua é o de fixa tipos de em São de ou e tem e para de 50 de um e Éum ou cujo C furo na da É a ou da ao o É uma de que cruz com a e o a das É uma de cuja é aos na um furo ao do É a da com os Unhas - São as extremidades dos braços em forma de pontas Patas - São as extremidades dos braços em forma triangular Braços - São dois ramos de uma barra de ferro curva, unida à extremidade mais grossa da Haste; finalmente Orelhas - São as extremidades laterais das patas Âncora de Roça ou Esperança É uma âncora sobressalente, do mesmo tipo e peso das âncoras de fica instalada no escovem próprio para ela, ou no convés Âncora de leva ou É a âncora utilizada nas manobras de fundeio do navio e fica instalada nas Cada normalmente possui duas. 51 Âncora de Popa É qualquer âncora instalada na popa das embarcações, sem levar em conta seu tipo utilização Identificação das posições do Ferro em Manobra Espartilhar uma Âncor Significa colocá-la sobre a borda deixando o cepo quase na vertical; Entocar: Diz-se os braços do Ferro estão por voltas da Encepado: Diz-se do Ferro quando apresenta o Cepo preso por voltas da Gurnir: É a de introduzir o Ferro no Arrancou Quando o Ferro arranca do fundo Verifica-se quando a amarra fica oscilando na vertical; Ferro a Olho: Quando o Anete do Ferro surge na Superfície; Pelos Quando a Cruz do ferro surge ao lume água Ferro em Cima: Quando o Anete chega ao Ferro no Quando o ferro no Bóia de arinque É uma peça de metal, ferro ou fibra, com formato de losango, empregada para local que foi lançado o Ferro. O Arinque deve ter 1" de bitola e seu cumprimento é de 1/3 da profundidade do Ponto de Fundeio. Seu tamanho padrão é de 35 cm de diâmetro por 65 cm de compriment Serve para facilitar a do Ferro em caso de a amarra partir. Bóia de arinque 52 Amarras São fortes correntes de ferro ou aço forjado formadas de elos com Estáis ou Malhetes destinadas ao serviço de arriar ou içar o Ferr Amarras Quartéis da Amarra Cada Amarra possui divisões chamadas de Quartel Cada Quartel 15 Braças ou 27, Os Quartéis são ligados através de Elos Patentes ou Manilhas de Ligação O 1° Quartel tem 20 Braças Amarra Pad Possui 185 m Que é igual a da milha marítim ; Uma milha marítima equivale a Estáis ou Malhetes São travessões que ligam internamente os elos da Amarra Possui 20% a mais de resistência do que os elos comuns da Amarra Posição da Amarra em ao Navio Amarra a Pique; Amarra a Pique de Estái; Amarra dizendo para Vante ou Amarra dizendo para BE ou BB 53 Amarra a Pique Quando a direção é perpendicular a superfície da água Amarra a Pique de Estái Amarra a Pique de Estái Quando a direção da Amarra está paralela ao estái de vante mastro. Amarra para Vante ou Ré Quando a mesma estiver paralel a uma dessas posições Amarra para BE ou uma que o ao de onde ela Finalidade dos estáis e malhetes Aumentar a resistência de cada elo; e Impedir a deformação dos demais elos quando submetidos a um esforço muito grande. das Elo e da É uma de ferro que giro da não a 54 da É uma trapa em das um gato de No um e na uma no da da o bem no a o e a junto com o freio do o de nas de ligar os da de para o do à Fixação da Amarra ao Paiol A Amarra desce por uma abertura circular existente no convés chamada de Gateira. Chegando ao Paiol, passa por dentro de um arganéu chamado de Paixão, indo talingar o chicote em um gato de escape ou manilha que fica fixo ao teto ou antepara de ré do paiol, chamada de Malha ou Braga. Marcação da Amarra Pinta-se os Elos de Ligações dos Quartéis nas cores: Vermelho, Branco e Azul, conforme o número de ordem dos Quartéis. O Branco facilita a contagem durante a noite e todos os Elos do Penúltimo e último quartel, são pintados de Amarelo e Vermelho. Fundeio a Pé de Galo Consiste em depois de fundeado o navio, largar o outro ferro Notas sobre Suspender e Fundear: Sempre que o navio estiver com o ferro no fundo, o outro tem que estar pronto para largar. "A Garra", é quando o navio é levado pelo vento ou maré, mesmo estando fundeado. Notas sobre Suspender e Fundear: Navio a Matroca: Quando o navio segue ao sabor da correnteza sem arrastar âncoras ou amarras; 55 Sempre deverá manter-se um vigia para informar ao Comando a posição da marra; e Em profundidade de mais de 20m deve-se arriar parte da amarra pelo guincho para evitar que caia com grande velocidade. Requisitos de um bom Fundeadouro Deve ser abrigado, sem correntes, ventos ou vagas fortes; O fundo deve ser de boa tensa; Deve haver espaço para o giro do navio; e Não deve ter muita profundidade. (Tensa) Areia firme, lodo e lama; Os fundos de pedra devem ser evitados, pois o unhamento é difícil, podendo prender numa pedra, e o ferro pode partir-se ao cair sobre a pedra. Características e Função das Espias Leve; Resistente; e Flexível. Numeração Padrão das Espias Espia n° 1 Lançante de Proa - Impede que o navio caia a ré. Espia n° 2 Espringue de Proa - Impede que o navio caia avante, lançada da proa para a ré do navio. Espia n° 3 Lançante de bochecha - Impede que o navio caia a ré, lançada da proa avante do navio. Espia n° 4 Través - Impede que o navio se afaste do cais. Espia n° 5 Lançante de Alheta - Impede que o navio caia avante, lançada da popa para a ré do navio. Espia n° 6 Espringue de Popa - Impede que o navio caia a ré, lançada da popa para a vante do navio. Espia no 7 Lançante de Popa - Impede que o navio caia a vante, lançada da popa para e ré do navio. 56 Amarração padrão A amarração da figura não é necessária a todas as embarcações, uma vez que se trata de amarração total, considerando-se todas as correntes e ventos atuando e ainda como se a duração do navio no cais fosse por muito tempo. Tendo a convicção do valor de cada espia (lançante, espringues e través), podemos usar nas atracações em águas restritas, apenas aquelas que julgarmos necessárias, podendo ainda dobrá-las quando for preciso. • As espias 1, 3 e 6 (lançante de proa, lançante de bochecha e espringue de popa), impedem que a embarcação caia a ré; • As espias 2, 5 e 7 (lançante da bochecha, lançante da alheta e lançante de popa), impedem o caimento para vante; • A espia 4 (través), impede que o navio se afaste do cais. Observação: Quando necessário, as espias poderão ser dobradas, ou seja, são passadas novas pernadas fazendo o mesmo caminho das primeiras. Fraseologia Padrão utilizada nas manobras de atracação e desatracação Atracar: Amarrar o navio no cais ou em outro navio por meio de espias; Desatracar: Largar as espias de onde estão amarradas; Atracado ao Cais: Quando lança as espias diretamente para o cais; Atracado a contra-bordo: Quando lança as espias a outro navio; Agüentar sob volta: Significa segurar um cabo dando uma ou mais voltas em um cunho ou cabeça, mantendo-o sob mão; Alar: Significar exercer tração em um cabo na execução de qualquer manobra; Leva arriba: Entrar com o cabo caminhando sem parar; Brandear: Folgar ou dar mais seio ao cabo; Bossas: Cabos ou correntes que servem para amarrar embarcações miúdas; Coçado: Quando o cabo está ferido em consequência do atrito; Colher o cabo: Significa arrumá-lo em aduchas; 57 Dar saltos: Folgar o cabo repentinamente a fim de folgá-lo; Dobrar amarração: Quando se passa uma espia adicional onde já existe outra; Encapelar: Significa colocar a alça de uma espia no cabeço; Espia: Cabo que varia de 2,5" à 8"; Morder um cabo: Significa passar uma pernada do cabo por cima da outra; Socairo: Nomedado a parte do cabo que trabalha sob mão logo após o cabrestante; Solecar: Aliar, ou seja, dar mais folga ao seio do cabo. Cabrestantes São eixos que trabalham na vertical para ajudar na manobra com a espia. Ajuda à atracação do navio. São movidos elétrica ou mecanicamente. Molinetes São eixos que trabalham na horizontal desde que seja movido elétrica, ou mecanicamente Geralmente utilizado para gurnir o Molinetes 58 Sarilho São eixos na vertical, utilizado geralmente para guardar um cabo. Não tem propulsão. É movido manualmente. Luzes de Navegação Luz Verde: BE Luz Encarnada: BB Rumos Cruzados Quem manobra a embarcação? A embarcação que manobra é a que avista a luz encarnada por BE; Diminui-se a velocidade e manobra pela popa da outra embarcação. Rumos Cruzados Roda a Roda Embarcações na situação em rumo de colisão, Proa com Proa. Ambas guinam para Boreste 59 Roda a Roda Vozes de Manobra para o Timoneiro Leme a BB ou BE X0: Carregar o leme para o bordo indicado o número de graus ordenado. Caso não seja especificado o timoneiro deverá atender com 15° e cantar a proa a cada 10°. Todo Leme a BB ou BE: Carregar o leme a 25°. Só chegar a 30° com ordem expressa. Vozes de Manobra para o Timoneiro Nada para BE ou BB: Governar no rumo indicado evitando sair do rumo. Alivia o Leme: Ir desfazendo o leme gradativamente e cantar a proa a cada 10°. Leme a Meio: Marcar na rosa de manobra 000° ou 360°. Vozes de Manobra para o Timoneiro Quebra a Guinada: Carregar o Leme para o bordo oposto àquele que se achava carregado, até a proa parar de guinar, depois trazer o leme a meio e cantar a proa; Inverte o Leme: Carregar o leme para o bordo oposto ao que se achava carregado. Marque a Proa: Ler imediatamente o rumo da rosa de manobra. Vozes de Manobra do Timoneiro Bom Governo: Manter-se firme no rumo, pois está saindo mais do que 5° para cada bordo. Como diz o Leme: Informar quantos graus está carregado e o Bordo do Leme. 60 Vozes de Manobra do Timoneiro Qual a tendência do Leme: Informar o nº de graus para BB ou BE que deve manter carregado o leme para manter o rumo indicado. A Caminho: Comunicação feita pelo Timoneiro logo após se firmar no rumo indicado. Ciente: Ordem dada somente por quem ordena a manobra, para tomar ciência que a ordem dada foi cumprida. 61 62 COMUNICAÇÕES MARÍTIMO CFAQ-I-C-M 63 4.1 Modos de operação simplex, dúplex e semi-dúplex As comunicações em radiotelefonia são feitas em canais próprios para cada faixa de freqüência. Um canal pode ser: Simplex – quando a freqüência de transmissão e recepção é a mesma. Apenas a transmissão ou a recepção pode ser feita a cada vez, ou seja, você poderá ouvir a outra Estação apenas quando terminar de falar. Dúplex – quando a freqüência de transmissão e recepção são diferentes. A transmissão e a recepção poderão ser feitas ao mesmo tempo, ou seja, você pode falar e ouvir ao mesmo tempo a outra Estação. 64 Semi-dúplex – quando a freqüência de transmissão e recepção são diferentes, mas a transmissão e a recepção não podem ser feitas ao mesmo tempo, ou seja, você só poderá ouvir a outra Estação quando terminar de falar. 4. 2 Operação do equipamento VHF: características, possibilidades e canais especiais O transceptor de radiotelefonia marítima, na faixa de de VHF, é comumente chamado a bordo apenas de “VHF”. A faixa de do VHF vai de 156,025 MHz até 162,025 MHz, distribuídos em 88 canais, mas a quantidade de canais disponíveis dependerá do modelo de VHF que estiver instalado a bordo. Há modelos de 6 até 88 canais. A potência média dos VHF é de 25 W (vinte e cinco Watts). A faixa de do VHF não se reflete na camada da ionosfera terrestre, por isso a comunicação é feita com uma onda-rádio direta. Devido à curvatura da Terra, o alcance do VHF dependerá da altura das antenas transmissora e receptora: quanto mais altas, maior será o alcance. Na prática, temos um alcance máximo em torno de 50 milhas náuticas. Dependendo de obstáculos entre a antena transmissora e receptora, poderá não haver comunicação entre as Estações, mesmo se elas estiverem a uma distância menor que 50 milhas náuticas. O VHF pode ser usado para: • comunicações entre embarcações; • comunicações entre uma embarcação e uma Estação Costeira; • comunicações entre uma embarcação e um telefone, por meio de uma Estação Costeira; • transmissão e recepção de mensagens de Socorro (mensagens acerca da segurança da vida humana no mar, ou seja, de pessoas que estejam correndo risco de vida). 65 Canais Simplex e Dúplex O VHF possui Canais Simplex e Dúplex. Os Canais Dúplex devem ser apenas utilizados para comunicações entre embarcações e Estações Costeiras, já os Canais Simplex tanto podem ser utilizados para comunicações entre embarcações, como para comunicações entre embarcações e Estações Costeiras. Portanto, use apenas Canais Simplex para comunicações entre embarcações. Exemplos de Canais Simplex: 6, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 73, 74, 77. Exemplos de Canais Dúplex: 1, 2, 3, 4, 5, 7, 18, 19, 20, 25, 26, 88. Canais Especiais: • Canal 16 – Canal de chamada, canal de escuta permanente, canal de Socorro e Segurança. • Canal 6 – Canal utilizado para comunicações entre embarcações. • Canal 13 – Canal utilizado para comunicações de segurança entre embarcações. • Canal 70 – É proibida a transmissão em radiotelefonia neste canal, pois ele é destinado a comunicações em DSC (Chamada Seletiva Digital). 4.3 Operação do equipamento HF/MF: características, possibilidades, vantagens e especiais O transceptor de radiotelefonia marítima, na faixa de de MF/HF, é comumente chamado a bordo apenas de “SSB”, isto porque esta sigla representa o tipo de modulação feita pelo equipamento. As embarcações que trafegam fora do raio de ação de um VHF (aproximadamente 50 milhas náuticas) deverão estar equipadas também com um transceptor SSB, que é o equipamento indicado para comunicações de média e longa distância, por utilizarem na faixa das Ondas Médias e Ondas Curtas, que se propagam refletindo na Ionosfera. As faixas de do SSB são: 2, 4, 6, 8, 12, 16, 18, 22 e 25 MHz. 66 O SSB pode ser usado para: • comunicações entre embarcações; • comunicações entre uma embarcação e uma Estação Costeira; • comunicações entre uma embarcação e um telefone, por meio de uma Estação Costeira; • transmissão e recepção de mensagens de Socorro (mensagens acerca da segurança da vida humana no mar, ou seja, de pessoas que estejam correndo risco de vida). Canais de Chamada e de Trabalho Cada faixa de freqüência utilizada no SSB possui um Canal de Chamada, que deve ser utilizado para chamar uma outra embarcação (quando for Simplex) ou uma Estação Costeira (Simplex ou DÚPLEX) e também para chamada e tráfego de Socorro. Os Canais de trabalho devem ser utilizados para o tráfego de rotina. Exemplos: Número do canal Freqüência de recepção da embarcação Freqüência de transmissão da embarcação Tipo de canal Não possui 2182 2182 simplex 421 4125 4125 simplex 606 6516 6215 dúplex 821 8779 8255 dúplex 1221 13137 12290 dúplex 1621 1730216420 dúplex 1806 19770 18795 dúplex 2221 22756 22060 dúplex 2510 26172 25097 dúplex 67 Canais de Trabalho (Freqüência em KHz) Número do canal Freqüência de recepção da embarcação Freqüência de transmissão da embarcação Tipo de canal Não possui 2086 2086 simplex 401 4357 4065 dúplex 603 6507 6206 dúplex 807 8737 8213 dúplex 1219 13131 12284 dúplex 1623 17308 16426 dúplex 1810 19782 18807 dúplex 2211 22726 22030 dúplex 2506 26160 25085 dúplex Obs.: Lembramos que os Canais de Trabalho acima são apenas um exemplo de cada faixa de freqüência, pois o SSB possui diversos canais para cada faixa. 4.4 Utilização das faixas “Cidadão”, de radioamador e outros meios como recursos auxiliares na comunicação marítima. Os meios de comunicação citados a seguir também podem ser utilizados a bordo das embarcações como meio auxiliar de comunicação, mas, em hipótese nenhuma, podem substituir os equipamentos VHF e SSB marítimos, ou seja, podem ser instalados e utilizados a bordo, mas não dispensam a instalação e uso do VHF e do SSB. a) A Faixa do Cidadão, também conhecida como “PX” é designada para as comunicações do cidadão comum em radiotelefonia, nas modalidades fixo, móvel terrestre e móvel marítimo. A Faixa do Cidadão opera atualmente com 65 canais Simplex, na faixa de 26.965 KHz a 27.605 KHz. O canal 9 (27.065 KHz) é restrito ao tráfego de mensagens referentes a situações de emergência, o canal 11 (27.085 KHz) é restrito a chamada e escuta, o canal 19 (27.185 KHz) é restrito ao uso em rodovias. As estações de telecomando poderão utilizar qualquer um dos seguintes canais: 1T, 2T, 3T, 4T e 5T. Os demais canais poderão ser operados livremente. De acordo com a legislação atual, a potência máxima de Transmissão dos transceptores PX é de 7W (sete Watts). Normalmente, a comunicação PX possui um alcance reduzido, em torno de 30 km. Com uma antena especial, no período noturno, pode-se conseguir um grande alcance (às vezes mais de 1.000 km). Para operar uma Estação PX, é necessário possuir uma Licença de Estação. 68 b) O Radioamadorismo, também conhecido como “PY”, é destinado para as comunicações não profissionais locais e a grandes distâncias. É permitido ao radioamador operar em diversas modalidades: radiotelefonia, telegrafia, transmissão de imagem e comunicação digital. O Radioamadorismo opera em diversas faixas de : MF, HF, VHF, UHF, SHF e EHF. Para operar uma Estação PY, é necessário possuir uma Licença de Estação Radioamador e o operador possuir um Certificado de Operador de Estação Radioamador. c) A Telefonia Celular proporciona radiotelefonia e mensagens instantâneas fixas, estacionadas, móveis terrestres e móveis marítimas. Apesar do sistema Celular não ter sido projetado para atender ao Serviço Móvel Marítimo, nas proximidades das principais cidades litorâneas, é bastante utilizado. 69 4.5 Redes de comunicações e serviços 4.5.1 Serviço Móvel Marítimo É um serviço da EMBRATEL (Empresa Brasileira de Telecomunicações) que realiza comunicações telefônicas entre uma embarcação e o Sistema Terrestre de Telecomunicações, ou vice-versa, por meio da Rede Nacional de Estações Costeiras (RENEC). Eventualmente, realiza também a transmissão para uma embarcação de mensagens recebidas de outra. Por razões técnicas, não realiza conversações telefônicas entre embarcações. A UIT (União Internacional de Telecomunicações), com sede em Genebra (Suíça), disciplina as comunicações criando normas, distribuindo e coordenando em todo o mundo. Elabora diversas publicações em vários idiomas. O DR-MC (Diretoria Regional do Ministério das Comunicações) é o órgão subordinado ao Ministério das Comunicações, a quem compete supervisionar, no Brasil, as comunicações, fiscalizando as determinações da UIT e examinando profissionais, radioamadores e operadores rádio. A EMBRATEL – Empresa Brasileira de Telecomunicações, por meio da Rede Nacional de Estações Costeiras – RENEC, atende às necessidades do Serviço Móvel Marítimo (SMM) em âmbito nacional e internacional, realizando comunicações telefônicas de terra com navios e embarcações e bordo-terra, tendo como propósito principal a salvaguarda de vidas humanas no mar. 70 Eventualmente, a RENEC realiza também a transmissão para uma embarcação de mensagens recebidas de outra. Por razões técnicas, não realiza comunicações telefônicas entre embarcações. A RENEC, para tanto, é constituída de 43 estações subdivididas em cinco grupos: • uma estação principal localizada no Rio de Janeiro, dispondo de meios que possibilitam as comunicações em radiotelefonia com embarcações em qualquer ponto da superfície terrestre (alcance mundial); • três estações regionais localizadas em Belém, Olinda e Rio Grande. Estão capacitadas a realizar comunicações em radiotelefonia com embarcações navegando à grande distância do litoral brasileiro (alcance de cerca de 550 milhas náuticas); • duas estações locais restritas localizadas em Manaus (atendendo à navegação no Amazonas) e Itajaí/SC, possibilitando comunicações em radiotelefonia com embarcações que naveguem nos rios e dentro do mar territorial brasileiro (alcance de cerca de 200 milhas náuticas); • duas estações locais restritas localizadas em Santos e Porto Alegre, com alcance aproximado de 40 milhas náuticas; e • trinta e cinco estações telecomandadas localizadas em Tabatinga, Tefé, Itacoatiara, Parintins, Almeirim, Santarém, Macapá, Breves, São Luiz, Fernando de Noronha, Aracati, Fortaleza, Natal, Mossoró, Palheiros, Cabedelo, Maceió, Aracaju, Salvador, Ilhéus, Teixeira de Freitas, São Mateus, Vitória, Casemiro de Abreu, Rio Novo do Sul, Campos, Macaé, Angra do Reis, São Sebastião, Caiobá, Paranaguá, Florianópolis, Morro Reuter, Osório e Laguna. 71 4.5.2 Áreas Marítimas do Brasil O mar territorial brasileiro e o Oceano Atlântico são divididos pela Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN) do Comando da Marinha em áreas marítimas para fins de previsão do tempo. É importante conhecermos as áreas marítimas do Brasil e seus limites, pois a Marinha fornece a previsão de tempo, de acordo com tais áreas. Áreas Marítimas de Previsão de Tempo sob a responsabilidade do Brasil: • ALFA – Arroio Chuí – Cabo de Santa Marta; • BRAVO – Cabo de Santa Marta – Cabo Frio (Oceânica); • CHARLIE – Cabo de Santa Marta – Cabo Frio (Costeira); • DELTA – Cabo Frio – Caravelas; • FOXTROT – Salvador – Natal; • GOLF – Natal – São Luís; • HOTEL – São Luís – Cabo Orange; • NOVEMBER – Norte Oceânica (Oeste de 020°W, de 7°N a 15°S); e • SIERRA – Sul Oceânica (Oeste de 020°W, de 15°S a 36°S). 72 4.5.3 Serviços prestados pela Rede Nacional de Estações Costeiras (RENEC) As estações da RENEC prestam apoio à navegação e à salvaguarda da vida humana no mar, com os seguintes serviços gratuitos: • Transmissão de Aviso aos Navegantes (NX)*; • Transmissão de Previsões Meteorológicas (WX)*; • Recepção de informes meteorológicos; e • Recepção de Chamadas de Socorro, Urgência e Segurança. * Somente a pedido pelo VHF. Serviços Comerciais – Além dos serviços gratuitos, a RENEC oferece também Serviços Comerciais taxados, tais como telegramas, cartas radiomarítimas - SLT (telegramas com assuntos sociais), radioteleimpressão (radiotelex) e radiotelefonia. 4.5.4 Freqüências de escuta, de chamada, de trabalho e suas finalidades As frequências nas quais se realizam respectivamente a escuta e a chamada de embarcações são determinadas pela UIT, por meio de Convenção Internacional. Em radiotelefonia, as frequências 2.182 KHz,4.125 KHz e o canal 16 do VHF são ao mesmo tempo frequências de escuta e de chamada, além de serem frequências de Socorro e Segurança. Além das frequências mencionadas, as seguintes frequências têm escuta permanente por Estações da RENEC (Rede Nacional de Estações Costeiras): 6.215, 8.255, 12.290, 16.420 e 22.060 KHz. 73 4.5.5 Principais publicações afetas ao Serviço Móvel Marítimo Lista de Estações Costeiras (List of Coast Stations) e Lista de Estações de Navios (List of Ship Stations) – a UIT edita bienalmente estas listas, que contêm os dados referentes a estações costeiras e estações de navios de todo o mundo. Entre os dados, encontramos prefixos, localização, frequências de escuta/chamada, freqüência de trabalho, horário de funcionamento e tarifas. Lista de Auxílios Rádio – Este livro, publicado pela Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN), destina-se a eventuais consultas pelas embarcações. 74 4.5.6 Órgãos Normativos das Comunicações Marítimas O Regulamento Rádio é um conjunto de normas emitidas pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), agência da ONU com sede em Genebra, na Suíça, que disciplina as comunicações, cria normas e distribui e coordena frequências em todo o mundo. Este Regulamento é complementado por outras normas nacionais emitidas pelo Ministério das Comunicações, que tem como órgãos supervisores e fiscalizadores as suas Diretorias Regionais e órgãos executivos, a EMBRATEL e a RENEC, que prestam vários serviços, inclusive o Serviço Móvel Marítimo. Licença da Estação Rádio de Bordo Todas as embarcações que tenham Estação-Rádio a bordo, bastando para isso ter apenas um VHF, terão de possuir uma Licença de Funcionamento de Estação Móvel, fornecida por uma das Diretorias Regionais do Ministério das Comunicações (DR-MC); esse órgão ainda fornecerá um indicativo de chamada para a estação licenciada. Essa licença terá um prazo de validade de cinco anos. Em princípio, podemos afirmar que todas as embarcações de barra a fora são obrigadas a se equipar com uma estação radiotelefônica (VHF e, se possível, SSB); contudo, recomenda-se que todas as embarcações, principalmente as de transporte de passageiros, mesmo que empregadas em águas interiores, devam possuir tal Estação. Infrações e Penalidades São consideradas infrações na execução do Serviço Móvel Marítimo o descumprimento das disposições contidas no Códido Brasileiro de Telecomunicações, nas normas baixadas pela DR-MC e pelo Comando da Marinha e, ainda, nos regulamentos e convenções internacionais vigentes e ratificados pelo Governo Brasileiro. O executante do serviço que infringir as disposições que regulam o Serviço Móvel Marítimo estará sujeito às seguintes penalidades: • multa; • suspensão de até 30 dias; e • cassação. Nas infrações em que, a juízo da DR-MC, não se justificar a aplicação de penas, o infrator será advertido, considerando-se a advertência como agravante na aplicação de penas, por inobservância do mesmo ou de outro preceito legal. A pena será imposta, de acordo com a infração cometida, considerando-se os seguintes fatores: • Gravidade da falta; • antecedentes do infrator; e • reincidência específica. A pena de multa poderá ser aplicada isolada ou cumulativamente por infração a qualquer dispositivo legal, inclusive por: • não cumprir, em prazo estipulado, exigência feita pela DR-MC; 75 • impedir, por qualquer forma, que o agente fiscalizador execute sua missão; • causar, com a operação da estação ou equipamento, interferência prejudicial a outros serviços de telecomunicações; • usufruir, determinar ou permitir, mesmo por negligência, a utilização da estação ou equipamento de telecomunicação para prática de ato contrário à finalidade do serviço; • não manter escuta nos horários determinados internacionalmente, conforme previsto; • não transmitir o indicativo de chamada conforme determinado; e • modificar, sem autorização expressa, as características técnicas básicas do equipamento, de modo a alterar-lhe a utilização ou a finalidade. Observação: O pagamento da multa não exonera o infrator das obrigações, cujo descumprimento deram origem à punição. A pena de suspensão poderá ser aplicada nos seguintes casos: • quando seja criada situação de perigo de vida; • utilização de equipamentos diversos dos aprovados ou instalados fora das especificações técnicas constantes da licença para funcionamento; e • utilização das frequências de chamada e socorro para o tráfego de mensagens. A pena de cassação poderá ser imposta nos seguintes casos: • reincidência em infração anteriormente punida com suspensão; • não houver o executante corrigido, no prazo estipulado, as irregularidades motivadoras de suspensão anteriormente imposta; e • a juízo do DR-MC, quando for julgado inconveniente o funcionamento da estação. Certificado do Operador Qualquer estação radiotelefônica de bordo só deverá ser operada por pessoa portadora de Certificado de Radioperador Restrito. Isto significa dizer que o navegante, para poder operar VHF e/ou SSB, deverá estar capacitado como Radioperador Restrito. Documentos Toda embarcação deverá ter a bordo, à disposição, para serem apresentados, quando solicitados por agentes fiscalizadores, os seguintes documentos: • Licença da Estação; • Certificado de Radioperador Restrito; • Cópia do recibo da FISTEL (taxa anual recolhida ao Min. das Comunicações); • Quadro resumo com instruções de Socorro, Urgência e Segurança; • Lista de Auxílio Rádio (DHN); e • Livro de Registro de Radiocomunicações. 4.5.7 Funcionamento das rádio balizas indicadoras de posição e do transmissor respondedor radar A EPIRB - “Emergency Position Indicating RadioBeacon” (Radio baliza Indicadora de 76 Posição de Emergência) é um equipamento transmissor de alerta de Socorro. Seus sinais são captados ou por um satélite de órbita geoestacionária (Sistema INMARSAT) ou por um satélite de órbita polar (Sistema COSPAS-SARSAT) e retransmitidos a um Centro de Coordenação de Resgate (ou equivalente), que acionará imediatamente as operações SAR (busca e salvamento) adequadas. As EPIRBs do Sistema INMARSAT operam na faixa de freqüência de 1,6 GHz. As EPIRBs do Sistema COSPAS-SARSAT operaram na freqüência de 406 MHz e/ ou 121,5 MHz. O SART “Search and Rescue Transponder” (Respondedor Radar de Busca e Salvamento) é equipamento que se destina a facilitar a localização de embarcações de sobrevivência. Opera na faixa de freqüência de 9 GHz; ao receber impulsos Radar, emite sinal característico, que irá aparecer na tela de um Radar Banda X da embarcação e/ou aeronave de resgate, na forma de 12 traços. 77 4.5.8 Estações Móveis Marítimas As Estações Radiotelefônicas Móveis Marítimas garantem o estabelecimento de comunicações entre as embarcações, entre a embarcação e terra e terra e a embarcação. Podemos dividir as Estações Radiotelefônicas Móveis Marítimas em: • estações que funcionam apenas na faixa VHF, mais conhecidas apenas como VHF; e • estações que funcionam na faixa VHF e MF/HF, mais conhecidas como Estações SSB. VHF O VHF, qualquer que seja o tipo escolhido, deverá ser homologado (ou registrado) nas DR-MC (Diretorias Regionais do Ministério das Comunicações). SSB O SSB é utilizado para comunicações de média e longa distância. É, em geral, utilizado pelos navios mercantes, barcos de pesca e embarcações amadoras que fazem navegação de alto mar ou travessias oceânicas. 4.6 Procedimentos radiotelefônicos 4.6.1 Regras de operação rádio: chamada, transmissão, identificação e utilização de códigos As chamadas em radiotelefonia