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Economia para 
Negócios
Flávio Benilton da Silva Medeiros
© 2020 por Editora e Distribuidora Educacional S.A.
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou 
transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo 
fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de 
informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora e Distribuidora Educacional S.A.
Imagens
Adaptadas de Shutterstock.
Todos os esforços foram empregados para localizar os detentores dos direitos autorais das 
imagens reproduzidas neste livro; qualquer eventual omissão será corrigida em futuras edições. 
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Os endereços de websites listados neste livro podem ser alterados ou desativados a qualquer momento 
pelos seus mantenedores. Sendo assim, a Editora não se responsabiliza pelo conteúdo de terceiros.
Presidência 
Rodrigo Galindo
Vice-Presidência de Produto, Gestão 
e Expansão
Julia Gonçalves
Vice-Presidência Acadêmica
Marcos Lemos
Diretoria de Produção e 
Responsabilidade Social
Camilla Veiga
Gerência Editorial
Fernanda Migliorança
Editoração Gráfica e Eletrônica
Renata Galdino
Luana Mercurio
Supervisão da Disciplina
Vaine Fermoseli Vilga
Revisão Técnica
Vaine Fermoseli Vilga
2020
Editora e Distribuidora Educacional S.A.
Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza
CEP: 86041-100 — Londrina — PR
e-mail: editora.educacional@kroton.com.br
Homepage: http://www.kroton.com.br/
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 
 Medeiros, Flávio Benilton da Silva
M488e Economia para negócios / Flávio Benilton da Silva Medeiros. – 
 Londrina : Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2020.
 200 p.
 
 ISBN 978-85-522-1668-1
 
 1. Microeconomia. 2. Macroeconomia. 3. Economia.
 I. Título.
 
CDD 330
Jorge Eduardo de Almeida CRB-8/8753
Sumário
Unidade 1
Aspectos gerais de microeconomia ............................................................. 7
Seção 1
Problema econômico fundamental e fluxo circular 
de renda ............................................................................................... 8
Seção 2
Conhecendo o mercado: demanda ................................................21
Seção 3
Conhecendo o mercado: oferta e equilíbrio .................................33
Unidade 2
Elasticidade e estrutura de mercado .........................................................53
Seção 1
Elasticidade........................................................................................54
Seção 2
Estrutura de mercado: concorrência perfeita 
e monopólio ......................................................................................66
Seção 3
Estrutura de mercado: concorrência monopolística 
e oligopólio ........................................................................................80
Unidade 3
Aspectos gerais de macroeconomia ..........................................................97
Seção 1
Economia externa .............................................................................98
Seção 2
Liberalismo econômico x keynesianismo ..................................114
Seção 3
Governo e o mercado ....................................................................129
Unidade 4
Conjuntura econômica e políticas econômicas ....................................145
Seção 1
Política fiscal ...................................................................................147
Seção 2
Política monetária e política de rendas .......................................160
Seção 3
Exemplos de ações governamentais marcantes 
no Brasil ..........................................................................................178
Palavras do autor
Olá, seja muito bem-vindo à disciplina Economia para Negócios! 
Começaremos nossa jornada fazendo uma pergunta: qual, entre 
as diversas características que um profissional de liderança 
precisa ter para obter sucesso na carreira profissional, é, na sua opinião, a 
mais importante? 
Você pode pensar em várias e, provavelmente, não existe uma única 
resposta para essa questão. Entretanto, observe: você concorda que todos os 
líderes de sucesso têm em comum a qualidade de saber tomar decisões? 
E o que é necessário para que um profissional tome boas decisões? 
Ainda que, no passado, aspectos subjetivos tenham tido muita importância, 
a realidade de hoje é muito diferente: a enorme quantidade de informação 
disponível e a velocidade e a intensidade das transformações no ambiente 
de negócios, entre outros fatores, requerem que o líder de uma organização 
consiga interpretar corretamente o ambiente de negócios em que atua.
A essa altura, você já percebeu a importância da economia como ferra-
menta de auxílio à tomada de decisões. Você não precisa se capacitar para ser 
um formulador de políticas econômicas, mas, certamente, o entendimento 
dos princípios econômicos lhe proporcionará ferramentas muito úteis na 
hora de tomar decisões relativas ao seu negócio. 
Dessa forma, o objetivo dessa disciplina será apresentar os assuntos 
estudados em uma abordagem aplicada, de forma que você consiga enxergar 
como os conhecimentos econômicos são diferenciais na hora de planejar 
e decidir o que fazer no mundo dos negócios. Além disso, você poderá 
entender como o governo atua para atingir as suas metas econômicas, bem 
como a forma como ele constrói cenários que serão úteis no seu processo de 
tomada de decisão
Para isso, vamos começar entendendo o problema econômico funda-
mental, aprendendo como o ser humano faz escolhas e o papel do custo de 
oportunidade. A partir, daí você terá condições de entender como os agentes 
econômicos se comportam, entendendo a demanda, a oferta e o equilíbrio 
de mercado. Na sequência, para entender melhor como o mercado funciona, 
você precisará compreender um conceito fundamental: a elasticidade. Em 
seguida, conheceremos as principais estruturas de mercado: monopólio, 
oligopólio e concorrência perfeita. 
Nosso passo seguinte será entender os aspectos principais da macroeco-
nomia, que tem como foco analisar o comportamento da economia como um 
todo. Conheceremos a importância das relações econômicas com o exterior, 
veremos as duas principais correntes econômicas e os objetivos principais do 
governo ao intervir na economia. Para encerrar, conheceremos as principais 
políticas econômicas, a monetária e a fiscal, para podermos compreender a 
história econômica recente do Brasil, em especial, a estabilização da inflação 
após o Plano Real, os desequilíbrios recentes e os esforços para reequilibrar 
as contas públicas brasileiras.
Para que nossa caminhada seja de sucesso, é preciso que o principal fator 
funcione: seu esforço! É necessário que você leia o material com atenção, 
acesse os links, procure outras leituras e leve as dúvidas para discutir com 
o seu professor. Você é o condutor desse automóvel possante que é o seu 
talento, e para explorá-lo ao máximo, a dedicação ao estudo é indispensável. 
Está pronto para dar o melhor de si?
Unidade 1
Flávio Benilton da Silva Medeiros
Aspectos gerais de microeconomia
Convite ao estudo
A economia se divide em duas grandes áreas: a microeconomia e a macro-
economia. As duas oferecem abordagens diferentes, mas complementares: o 
foco da microeconomia é o comportamento dos agentes e suas interações 
no mercado, enquanto a macroeconomia analisa questões mais abrangentes 
e de foco mais amplo. Dessa forma, questões como crescimento e desenvol-
vimento econômico, desemprego, inflação, câmbio, etc. são analisadas pela 
macroeconomia, enquanto o comportamento de compradores e vendedores, 
as escolhas dos agentes econômicos, as condições de concorrência, etc. são 
estudadas pela microeconomia. 
Nas aulas iniciais, veremos assuntos relacionados à microeconomia. A 
primeira será dedicada a apresentar os conceitosproduto irá adquiri-lo, fazendo com que os outros 
39
consumidores fiquem sem o produto, a não ser que unidades adicionais sejam 
oferecidas. Você se lembra de quando houve a greve dos caminhoneiros no 
Brasil e os preços do combustível subiram muito? Pois bem, naquela época, 
nem todos os motoristas se dispuseram a pagar aquele preço mais alto pelo 
combustível. Com isso, os consumidores que não se dispuserem a pagar 
aquele preço maior ficaram sem o produto, até o momento em que unidades 
adicionais foram oferecidas, com o final da greve.
Já na competição entre os produtores, o ganhador será aquele que vender 
seu produto pelo menor preço. Com isso, aqueles que apresentarem custos 
de produção mais baixos conseguirão ser lucrativos frente a preços menores, 
afastando os produtores menos eficientes. 
Nesse processo, o resultado é que o comprador disposto a pagar o maior 
preço fará negócio com o vendedor disposto a vender pelo menor preço. Por 
isso, se um preço está muito elevado, poucos compradores estarão dispostos a 
adquirir aquele produto, frente a um grande número de vendedores ofertan-
do-o. Nesse cenário, é fácil perceber que os produtores que apresentam 
menores custos de produção oferecerão seus produtos a um preço menor, o 
que também atrairá mais compradores ao mercado.
Se, porventura, o preço estiver muito baixo, diversos compradores estarão 
dispostos a adquirir aquele produto, frente a um pequeno número de vende-
dores ofertando seus produtos. Nesse cenário, é fácil perceber que os consu-
midores que apresentam maior utilidade estarão dispostos a pagar mais por 
aquele produto, o que aumentará os preços praticados, o que também atrairá 
mais produtores ao mercado.
Percebeu, então, o que acontece? Se o preço está acima ou abaixo do 
equilíbrio, as forças de mercado atuarão para conduzi-lo ao ponto de equilí-
brio. Esse equilíbrio de mercado se assemelha ao brinquedo de criança tipo 
“João bobo”, que sempre volta para o mesmo lugar, ou ao boneco de lutas com 
o mesmo princípio. Mas, então, o que é o ponto de equilíbrio?
O ponto de equilíbrio é aquele em que, a um determinado preço 
(chamado de preço de equilíbrio do mercado), a quantidade que as pessoas 
querem comprar de uma mercadoria (chamada de quantidade demandada) 
é igual à quantidade que as empresas querem oferecer daquela mercadoria 
(chamada de quantidade ofertada). Em qualquer outro preço as forças de 
mercado empurrarão o preço na direção do equilíbrio. Uma boa ilustração é 
a de uma bola colocada em uma vasilha, que sempre retornará para a posição 
estável. Na Figura 1.8 vemos que ao preço de R$ 16,00 (preço de equilíbrio), 
os empresários e os consumidores têm interesse de produzir e comprar, 
respectivamente, a mesma quantidade: 20 unidades (chamada de quantidade 
de equilíbrio).
40
Assimile
No preço de equilíbrio a quantidade ofertada é igual à quantidade 
demandada, e essa estabilidade tende a se manter.
Figura 1.8 | O equilíbrio de mercado
Fonte: Dias (2015, p. 48).
Quando aparece uma situação de equilíbrio de mercado, isso significa 
dizer que os empresários não gostariam de cobrar preços maiores pelos seus 
produtos, ou que os consumidores não gostariam de pagar preços menores 
por eles? A resposta é não! Os empresários sempre querem cobrar mais 
pelos seus produtos (afinal, o objetivo de qualquer empresa é maximizar o 
seu lucro), e os consumidores sempre querem pagar o mínimo possível por 
qualquer bem. No entanto, se os empresários quiserem vender por preços 
acima do preço de equilíbrio (P2 da Figura 1.9), mais empresários vão querer 
produzir aquele bem (Q2 à direita de Q1, na Figura 1.9), mas menos consu-
midores estarão dispostos a adquiri-lo (Q2 à esquerda de Q1, na Figura 1.9), 
ou seja, haverá excesso de mercadoria no mercado (produtos parados nos 
estoques), pois a oferta estará maior do que a demanda. Assim, como os 
produtores não conseguirão vender tanto quanto gostariam, eles diminuirão 
o preço, até que o equilíbrio de mercado seja restabelecido (P1 e Q1, na 
Figura 1.9).
Em contrapartida, se os consumidores quiserem pagar um preço abaixo 
do preço de equilíbrio do mercado (P3 da Figura 1.9), mais consumidores 
41
estarão dispostos a comprar aquela mercadoria (Q3 à direita de Q1), mas 
menos empresários vão estar dispostos a produzi-la (Q3 à esquerda de Q1), 
fazendo com que haja escassez do produto no mercado (demanda maior do 
que oferta). Assim, para acabar com essa escassez, os consumidores precisam 
aceitar preços maiores por aquele bem, para que os empresários se sintam 
mais estimulados a produzi-lo (até que o equilíbrio do mercado seja restabe-
lecido - P1 e Q1, na Figura 1.9). 
Vamos, então, utilizar novamente o petróleo como exemplo? Imagine 
que o preço de equilíbrio seja de R$ 30,00. Se, por algum motivo, uma força 
externa (o governo, por exemplo, para melhor remunerar as empresas da 
cadeia produtiva do petróleo, pode interferir no mercado, indicando um 
preço mínimo acima do preço de equilíbrio do mercado) determinar que o 
preço a ser cobrado pelo petróleo deve ser de R$ 50,00, a quantidade ofertada 
será maior do que a quantidade demandada, ou seja, haverá sobra de produto. 
Como os vendedores não conseguirão vender tanto quanto gostariam, eles 
teriam que reduzir os preços para conquistarem uma parte do mercado que 
não está sendo atendida pelos produtores que não reduziram os seus preços.
Já em uma situação em que os preços estejam abaixo do equilíbrio (isso 
pode acontecer, por exemplo, se o governo, com o intuito de controlar a 
inflação, passar a administrar (estipular) um preço máximo do petróleo que 
esteja abaixo do ponto de equilíbrio do mercado), por exemplo R$ 20,00, 
a escassez serviria de estímulo para que os consumidores se dispusessem a 
pagar mais pelo produto, o que elevaria o preço e incentivaria o aumento da 
oferta por parte dos produtores.
Figura 1.9 | A tendência ao equilíbrio
Fonte: Dias (2015, p. 49).
42
Dessa forma, como pode ser notado, não existe nenhum instrumento 
melhor do que o sistema de preços para determinar como as sociedades 
devem utilizar os seus recursos: maiores preços estimularão os produtores 
a oferecerem mais produtos e, ao mesmo tempo, afastarão alguns consumi-
dores; preços reduzidos farão com que os produtores reduzam sua oferta e a 
demanda por aquele produto aumente. 
Bem, agora que você já entendeu as dinâmicas de oferta e demanda, 
poderá perceber como o uso de gráficos permite uma visualização precisa 
dos efeitos de alterações tanto na demanda quanto na oferta. Por exemplo, 
se um produto entrar na moda e a sua demanda se deslocar para a direita, 
o resultado disso é que ocorrerá um aumento no preço (o preço muda de P0 
para P1) e na quantidade de equilíbrio do mercado (a quantidade muda de 
q0 para q1), conforme Figura 1.10. Ou seja, ao mesmo nível de preço (P0), os 
empresários não têm estímulo para produzir mais, mas, cobrando um preço 
maior (P1), os empresários passam a ter uma intenção maior de produção, 
fazendo com que alguns consumidores estejam dispostos a pagar esse preço 
mais caro (afinal, aquele produto está na moda). 
Figura 1.10 | O novo equilíbrio de mercado após um aumento da demanda
Fonte: Dias (2015, p. 34).
Quando ocorre uma redução na demanda – que pode ter sido causada 
por uma queda na renda da população, por exemplo – o deslocamento da 
curva para a esquerda fará com que o novo preço de equilíbrio seja menor do 
que o anterior e uma quantidade de equilíbrio menor também apareça (na 
Figura 1.11, o ponto de equilíbrio muda de (P0, q0 para p2, q2).
43
Figura 1.11 | O novo equilíbrio de mercado após uma queda na demanda
Fonte: Dias (2015, p. 36). 
Já se a oferta aumentar (Figura 1.12) por conta de uma redução de custos, 
por exemplo, o resultado será uma redução no preço de equilíbrio, mas a 
uma quantidade maior do que a anterior (ou seja, o equilíbrio passará de 
P0, q0 para P1, q1). Mas por que isso acontece? Se os empresários quiserem 
vender mais pelo mesmo preço(fato que deslocou a curva de oferta para a 
direita), não haverá mais compradores para aquela mercadoria. No entanto, 
se os empresários diminuírem seus preços de vendas de P0 para P1 (já que 
seus custos de produção estão menores), eles encontrarão novos compra-
dores (aumento na quantidade de equilíbrio de q0 para Q1), fazendo com que 
todos saiam ganhando, conforme Figura 1.12.
44
Figura 1.12 | O novo equilíbrio de mercado após o aumento da oferta
Fonte: Dias (2015, p. 36). 
Por fim, em situações nas quais a oferta se reduz – por conta de aumento 
nos custos de produção, por exemplo – o resultado é um aumento no preço 
de equilíbrio (de P0 para P2) e uma redução na quantidade de equilíbrio (de 
q0 para q2), conforme Figura 1.13.
Figura 1.13 | O novo equilíbrio de mercado após a redução da oferta
Fonte: Dias (2015, p. 36). 
45
Esses exemplos permitem a você ter uma visão dos diferentes cenários a 
serem enfrentados pelas empresas e que podem ser construídos a partir das 
interações entre as forças de oferta e demanda. Conhecê-los pode lhe colocar 
em uma posição privilegiada em termos estratégicos, concorda? Por isso, não 
perca tempo: leia o material sugerido e aprofunde-se nesses temas para que 
você se torne um profissional diferenciado. Até a próxima!
Sem medo de errar
Olá! Agora que você acompanhou toda nossa discussão sobre o equilí-
brio de mercado, é o momento de voltarmos nossa atenção para o Rodrigo, 
que foi convocado para um encontro com uma associação de consumidores 
do município onde ele trabalha na secretaria de agricultura. Essa associação, 
bastante atuante nesta cidade de porte médio, trouxe uma reclamação a 
respeito do aumento excessivo do preço do quilo do tomate nas últimas 
semanas (R$ 10,00), e uma solicitação para que a prefeitura determine 
um congelamento de preços (a R$ 5,00 o quilo) do tomate no município, 
enquanto durar a escassez do produto, argumentando que o preço atual está 
impedindo que muitos consumidores façam suas compras. Rodrigo sabe que 
o aumento atual dos preços foi causado por uma quebra de safra, pois a secre-
taria de agricultura acompanha de perto a produção agrícola do município, e 
registrou que a ocorrência de fortes chuvas, algumas semanas atrás, reduziu 
a produtividade de muitas lavouras. 
Como o tomate é uma cultura que leva pouco mais de três meses entre a 
colheita e o plantio, a redução da oferta resultou no aumento de preços perce-
bido pela associação. Com base no estudo do equilíbrio do mercado, Rodrigo 
deve concordar com o pedido e recomendar que a prefeitura promova um 
congelamento nos preços? Quais devem ser os argumentos do Rodrigo para 
embasar sua resposta?
Pelo que aprendemos, podemos afirmar, sem sombra de dúvida, que 
Rodrigo não deve indicar o tabelamento. Para convencer a associação de 
consumidores do município da inadequação da medida, Rodrigo primeira-
mente deve dizer que, com as fortes chuvas, o preço de equilíbrio do tomate 
foi elevado para R$ 10,00 (P2) porque houve um deslocamento da curva de 
oferta para a esquerda, fazendo com que menos pessoas pudessem comprar 
o tomate (q2), conforme demonstrado na Figura 1.14.
46
Figura 1.14 | Novo ponto de equilíbrio com o deslocamento da curva de oferta para a esquerda
Fonte: Dias (2015, p. 36). 
Apesar de parecer uma boa decisão para proteger os consumidores, a 
imposição de um preço (R$ 5,00) abaixo daquele que está sendo praticado 
nesse momento (o preço de equilíbrio, no momento, é de R$ 10,00) não trará 
bons resultados. 
Se o governo acatar ao pedido da associação de consumidores do 
município, ou seja, se ele determinar um preço máximo para o tomate – R$ 
5,00 (P1, na Figura 1.15) - que seja menor do que o preço de equilíbrio – R$ 
10,00 (P0, na Figura 1.15), haverá uma quantidade demandada (Qd) maior do 
que uma quantidade ofertada (Qs), já que, com o preço menor, os consumi-
dores terão uma intenção maior de compra, enquanto os produtores estarão 
menos estimulados a oferecerem o tomate, trazendo escassez de mercadoria 
para esse mercado, como mostrado na Figura 1.15:
47
Figura 1.15 | Preço máximo do tomate abaixo do preço de equilíbrio do mercado
Fonte: Gremaud et al. (2017, p. 138).
Avançando na prática
O batom da protagonista
A Empresa X, produtora de cosméticos, está buscando aumentar a 
demanda pelo seu carro chefe: o batom Y. Dentre as diversas alternativas 
apresentadas, está sendo analisada a possibilidade de fazer um merchandi-
sing em uma novela de grande audiência, colocando a protagonista usando 
um batom da empresa, sendo elogiada pelo galã e conseguindo conquistá-lo, 
além de dizer que os batons daquela marca são muito superiores a qualquer 
um que ela já tinha usado. O responsável pelo marketing da empresa está 
defendendo essa ação promocional, afirmando que o investimento feito será 
totalmente recuperado porque os preços do batom e a demanda dele aumen-
tarão. Para convencer os diretores da empresa com a sua ideia, ele convida 
você, que trabalha na estipulação dos preços de venda dos batons, para 
corroborar seu argumento. Com base no equilíbrio de mercado, se a ação 
promocional da empresa for bem-sucedida, de que forma você explica aos 
diretores que tanto o preço como a quantidade demandada serão ampliados?
48
Resolução da situação-problema
Para convencer os diretores da empresa com a sua ideia, o que o diretor 
de marketing está defendendo é uma ação para deslocar a curva de demanda 
por batons para a direita. Se a ação for bem-sucedida, o resultado é o demons-
trado na Figura 1.16:
Figura 1.16 | Novo equilíbrio com o deslocamento da curva de demanda por batons para a direita
Fonte: Dias (2015, p. 34).
O gráfico mostra que o deslocamento da curva para a direita, por uma 
maior procura, faz com que o novo preço de equilíbrio seja maior (de P0 para 
P1) e também a uma quantidade maior (de q0 para q1). O que acontece é que 
as pessoas estão mais dispostas a adquirir o batom Y, mas, ao mesmo preço 
de venda, a Empresa X não estaria interessada em aumentar a produção. 
Assim, à medida que os consumidores se dispõem a pagar um valor maior 
pelo batom Y, a empresa X fica mais interessada em aumentar a oferta dele, 
fazendo com que o novo ponto de equilíbrio traga preço e quantidade 
maiores (em relação ao equilíbrio inicial).
49
Faça valer a pena
1. Observe o gráfico a seguir:
Fonte: Dias (2015, p. 36).
Com relação ao comportamento dos agentes, analise o excerto a seguir, 
completando suas lacunas.
“Essa figura descreve um deslocamento da _____________ causado por 
um(a) _____________ no(a) _____________”.
Assinale agora a alternativa cuja sequência de termos preenche corretamente 
as lacunas.
a. curva de demanda; redução; renda.
b. curva de oferta; redução; custo de produção.
c. curva de oferta; aumento; renda.
d. oferta; redução; renda.
e. curva de oferta; redução; gosto do consumidor.
50
2. Suponha que o mercado do produto A está em equilíbrio (ou seja, a 
quantidade ofertada é igual à quantidade demanda (situação que gera uma 
quantidade de equilíbrio) a um determinado preço (que é chamado de preço 
de equilíbrio) e ocorra uma redução na alíquota de imposto (o que reduz o 
custo de produção).
Considerando uma condição coeteris paribus, qual é o efeito esperado dessa 
ação sobre o mercado do produto A?
a. O preço de equilíbrio aumenta e a quantidade transacionada 
também aumenta.
b. O preço de equilíbrio aumenta, enquanto a quantidade transacio-
nada diminui.
c. O preço de equilíbrio diminui e a quantidade transacionada 
também diminui.
d. O preço de equilíbrio diminui, enquanto a quantidade transacio-
nada aumenta.
e. O preço de equilíbrio diminui, enquanto a quantidade transacionada 
permanece constante.
3. Tomando como referência o conceito de equilíbrio de mercado e os 
fatores que o influenciam, avalie as seguintes asserções e a relação proposta 
entre elas.
I. Quando é feito um tabelamento de preços, em que o preço máximo 
estipulado fica abaixo do preço de equilíbrio, issotrará um excesso 
de mercadoria no mercado (mercadorias paradas no estoque). 
PORQUE
II. Preços máximos abaixo do preço de equilíbrio do mercado fazem 
com que haja uma oferta (intenção de produção) maior do que uma 
demanda (intenção de aquisição de bens e serviços).
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
a. As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não justifica a I.
b. As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II justifica a I.
c. A asserção I é uma proposição verdadeira e a II, falsa.
d. A asserção I é uma proposição falsa e a II, verdadeira.
e. As asserções I e II são proposições falsas.
Referências
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Atlas, 2019. Disponível em https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597022841. 
Acesso em: 2 dez. 2019.
COMPLETAMOS dez anos de produção no Pré-sal. Fatos e Dados, Petrobras, 4 set. 2018. 
Disponível em: http://www.petrobras.com.br/fatos-e-dados/completamos-dez-anos-de-produ-
cao-no-pre-sal.htm. Acesso em: 20 nov. 2019.
DIAS, M. C. Economia Fundamental: guia prático.1. ed. São Paulo: Érica, 2015. Disponível 
em https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788536518695/. Acesso em: 2 dez. 2019.
FREITAS, E. Setores da Economia. Brasil Escola, [s.d.]. Disponível em https://brasilescola.uol.
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FÜRSTENAU, M. Alemanha Oriental, uma experiência fracassada de ditadura. Deutsche 
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GREMAUD, A. P. et al. Manual de economia: equipe de professores da USP. 7. ed. São Paulo: 
Saraiva, 2017.
MANKIW, N. G. Introdução à economia. São Paulo: Cengage Learning, 2013.
NOGAMI, O.; PASSOS, C. R. M. Princípios de economia. 7. ed. São Paulo: Cengage 
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OLIVEIRA, R. Calça jeans de 40 dólares usada por Beyoncé esgota em loja. Portal POPline, 15 
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Disponível em: https://super.abril.com.br/mundo-estranho/qual-a-diferenca-entre-comunis-
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SILVA, C. R. L.; LUIZ, S. Economia e mercados. 20. ed. São Paulo: Saraiva, 2018.
VASCONCELOS, M. A. S.; GARCIA, M. E. Economia. São Paulo: Saraiva, 2011.
VASCONCELLOS, M. A. S.; GARCIA, M. E. Fundamentos de economia. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 
2019. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788553131747/. 
Acesso em: 19 nov. 2019.
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597022841
http://www.petrobras.com.br/fatos-e-dados/completamos-dez-anos-de-producao-no-pre-sal.htm
http://www.petrobras.com.br/fatos-e-dados/completamos-dez-anos-de-producao-no-pre-sal.htm
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788536518695/
https://brasilescola.uol.com.br/geografia/setores-economia.htm
https://brasilescola.uol.com.br/geografia/setores-economia.htm
https://www.dw.com/pt-br/alemanha-oriental-uma-experiência-fracassada-de-ditadura/a-50705422
https://www.dw.com/pt-br/alemanha-oriental-uma-experiência-fracassada-de-ditadura/a-50705422
https://portalpopline.com.br/calca-jeans-de-40-dolares-usada-por-beyonce-esgota-em-loja/
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https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5649:folha-informativa-alcool&Itemid=1093
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https://super.abril.com.br/mundo-estranho/qual-a-diferenca-entre-comunismo-e-socialismo-existiu-algum-pais-realmente-comunista/
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https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788553131747/
Unidade 2
Flávio Benilton da Silva Medeiros
Elasticidade e estrutura de mercado
Convite ao estudo
Olá, aluno, seja bem-vindo! Para que um profissional de gestão alcance 
sucesso na sua carreira, acertar na tomada de decisões é uma capacidade 
essencial. Para isso, é preciso entender o efeito de alterações nos preços e 
em outros fatores que afetam a demanda e a oferta, além de conhecer as 
diferentes estruturas de mercado e suas implicações. 
Ao entender os conceitos de elasticidade e estrutura de mercado e como 
eles impactam a gestão das organizações, você será capaz de avaliar as estra-
tégias que cada tipo de firma (empresa) pode utilizar para a maximização do 
seu lucro.
A elasticidade, assunto desta seção, é uma medida da intensidade da 
mudança, ou seja, o quanto a alteração em um fator vai impactar o compor-
tamento do outro, o que também impactará a gestão das organizações. 
Dessa forma, aprenderemos a calcular a Elasticidade Preço da Demanda, a 
Elasticidade Renda da Demanda, a Elasticidade Cruzada da Demanda e a 
Elasticidade Preço da Oferta. 
Para completar os conhecimentos microeconômicos fundamentais, 
conheceremos as diferentes estruturas de mercado: começaremos pela 
concorrência perfeita, depois conheceremos monopólio e o monopsônio 
(todas na Seção 2.2), para, em seguida, estudarmos a concorrência monopo-
lística, o oligopólio e o oligopsônio (na Seção 2.3).
O domínio desses conteúdos pode fazer muita diferença na sua vida 
profissional, então dedique-se bastante a essa unidade!
16
Seção 1
Elasticidade
Diálogo aberto
Seja bem-vindo! Vamos começar a seção com uma pergunta: será que um 
empresário precisa saber se um pequeno aumento no preço da mercadoria 
que vende vai fazê-lo perder muitos ou poucos clientes? Se você acha impor-
tante saber isso (e alguns outros entendimentos), você então já percebeu a 
necessidade de conhecer um indicador fundamental para analisar o mercado: 
a elasticidade.
Para entender a elasticidade, vamos acompanhar uma situação pode 
ocorrer com algumas pessoas: Otávio está desempregado e sobrevive dos 
aluguéis que recebe de dois apartamentos que recebeu de herança. Um 
dos imóveis, localizado no Bairro Classe A, está alugado para João por R$ 
2.500,00 mensais, enquanto o outro imóvel, localizado no bairro Classe 
B, está alugado para Pedro, no valor de R$ 750,00 mensais. O contrato de 
aluguel desses dois apartamentos está para vencer no próximo mês e, por esse 
motivo, Otávio foi conferir a documentação dos locadores. Nessa pesquisa, 
Otávio viu que a renda mensal de João é de R$ 12.000,00, enquanto a renda 
de Pedro é de R$ 1.500,00 por mês. Em uma possível renovação contratual, 
Otávio pode subir R$ 250,00 o valor do aluguel de João (o que corresponde 
a 10% do valor pago por ele, atualmente) e R$ 75,00 o valor do aluguel de 
Pedro (também 10% do valor do aluguel atualmente pago). Com base no 
conceito da Elasticidade Preço da Demanda, qual locador tem o maior risco 
de rescindir o contrato, caso esse reajuste de 10% seja feito por Otávio: João, 
que terá que desembolsar R$ 250,00 a mais por mês, ou Pedro, que terá uma 
ampliação de gasto de R$ 75,00? Se você fosse consultado por Otávio, de que 
forma o ajudaria a responder essa dúvida?
Para resolver esse problema, você precisará entender o conceito de elasti-
cidade e, em especial, aplicar a Elasticidade Preço da demanda a essa situação. 
Ao longo desta seção, você descobrirá como os diferentes tipos de elastici-
dade ajudam a prever comportamentos e a ajustar estratégias dos agentes em 
diferentes cenários. Vamos lá?
Não pode faltar
Olá, aluno!Nesta seção, vamos discutir um aspecto econômico que pode 
fazer muita diferença para as empresas: a elasticidade. Antes de começarmos, 
17
o que acha de retomarmos, de forma bem resumida, alguns assuntos que são 
importantes para o entendimento da elasticidade?
Existem vários fatores que podem afetar a intenção de compra do consu-
midor (demanda), sendo o preço o fator de maior peso. Essa constatação 
levou ao estabelecimento da lei da demanda, que afirma que o aumento nos 
preços causará redução na quantidade demandada (e vice-versa), desde que 
os outros fatores permaneçam constantes (coeteris paribus). 
A demanda é uma relação entre um conjunto de diferentes quantidades 
associadas a um conjunto de preços. Sendo assim, cada preço determina uma 
quantidade demandada específica, e mudanças nos preços levam a alterações 
nas quantidades demandadas, sem que a relação fundamental (a demanda) 
seja modificada. Contudo, existem fatores que podem fazer com que o consu-
midor mude a sua decisão de compra, mesmo que os preços não se alterem, 
ou seja, são os fatores que causam mudanças na curva da demanda. O mesmo 
raciocínio se aplica à curva de oferta. 
Assimile
Quando os preços mudam, ocorre uma mudança de pontos ao longo da 
mesma curva, pois a demanda continua a mesma. Quando a curva de 
demanda se desloca, a demanda foi alterada. Nesse caso, o consumidor 
altera a quantidade consumida, mesmo que os preços não tenham mudado.
Você já sabe que se o preço de um bem aumenta, a tendência é que seja 
reduzida a sua procura. Mas será que a reação na demanda de todos os 
produtos a uma mudança de preços terá a mesma intensidade? Certamente 
que não.
Talvez você nunca tenha se defrontado com essa questão e possa estar se 
perguntando: mas qual a necessidade disso? Se uma empresa sabe de antemão 
como os consumidores reagirão a uma alteração do preço, isso afetará a sua 
estratégia. Na verdade, essa característica pode afetar até algumas políticas 
governamentais, como veremos mais adiante. Quer entender isso melhor?
Suponha que um consumidor gaste mensalmente a mesma quantia com 
transporte e com lazer. Se ambos os serviços sofrerem um aumento de 10% 
nos seus preços, a queda no consumo não será igual, concorda? É de se 
esperar que os gastos com transporte caiam menos do que os gastos com 
lazer, frente ao mesmo percentual de aumento do preço. 
Como, então, medir a intensidade desse impacto? A ferramenta utilizada 
é a elasticidade, que pode ser definida como a intensidade da mudança em 
um fator causado por uma mudança em outro fator relacionado. 
18
Como estamos analisando o efeito de mudanças nos preços sobre a 
demanda, a elasticidade a ser calculada é chamada de Elasticidade Preço da 
Demanda (EPD), que é obtida dividindo-se a variação percentual na quanti-
dade demandada (ΔQ) pela variação percentual no preço (ΔP).
EPD = Variação % Quantidade Demandada Mercadoria X = D
D
Q
P Variação % Preço Mercadoria X
Como a relação entre preços e quantidades demandadas é negativa (pois 
se o preço sobe, a demanda muda em sentido oposto, ou seja, ela diminui), a 
elasticidade preço da demanda também será sempre negativa, pois, coeteris 
paribus, sempre que o preço subir, a demanda será menor, e vice-versa. Por 
isso, nessa análise não consideramos o sinal.
Exemplificando
Suponha que com o aumento de 10% nos preços, o consumidor passe a 
demandar 5% a menos de transporte. Isso significa que a alteração na 
quantidade demandada ocorre em uma intensidade menor do que a 
alteração nos preços. 
Para calcular o valor da elasticidade basta dividir a variação da demanda 
(-5%) pela variação no preço (10%), obtendo o valor 0,5. Observe que 
como a relação entre preço e quantidade demandada é inversa, o sinal 
da EPD será negativo. Mas não se preocupe com o sinal agora, pois 
nessa análise não o levaremos em consideração.
EPD = Variação % Quantidade Demandada Mercadoria X = ∆
∆
Q
P
=
−
=
5
10
0 5%
%
,
 Variação % Preço Mercadoria X
E no caso do lazer? Vamos supor que o aumento também de 10% no 
preço gere uma redução de 30% no consumo, ou seja, a queda na quanti-
dade demandada de lazer foi mais do que proporcional à elevação do 
preço desse serviço. Repete-se o processo:
EPD = Variação % Quantidade Demandada Mercadoria X = ∆
∆
Q
P
=
−
=
30
10
3 0%
%
,
 Variação % Preço Mercadoria X
Como o valor de 3 é superior ao valor 0,5, consideramos que a demanda 
de lazer é mais elástica (sensível) em relação ao preço do que a demanda 
por transporte.
Observe que todas as vezes que a intensidade da mudança na quantidade 
demandada for superior à intensidade da mudança no preço (ambas medidas 
em porcentagem), o valor da elasticidade será maior do que a unidade (EPD 
19
> 1). Nessa condição, dizemos que aquele produto apresenta uma demanda 
“elástica”. Dessa forma, a partir do exemplo trazido, como a EPD do lazer é 
de 3 (desconsiderando o sinal), essa demanda é classificada como elástica, ou 
seja, a alteração percentual da demanda é superior à intensidade percentual 
da mudança dos preços. 
Por outro lado, utilizando o exemplo apresentado, vemos que a EPD do 
transporte é 0,5 (desconsiderando o sinal), mostrando que a sua demanda 
é pouco sensível (inelástica) a alterações de preço. Sempre que a EPD for 
menor do que 1 (EPD 1), isso significa que a quantidade demandada de um 
bem é bastante sensível a alterações de preço. Da mesma forma, se a 
EPD de uma mercadoria for inelástica (EPDcom a quantidade deman-
dada de gasolina, quando o preço do litro desse combustível subisse, 
por exemplo, 10%? A demanda cairia mais ou menos do que 10%? 
Reflita sobre o assunto.
O segundo fator (essencialidade) tem a ver com a característica dos 
produtos, se são essenciais ou supérfluos. Nesse caso, quanto mais essen-
cial for aquele bem para o consumidor, mais inelástica será sua demanda. 
Para entender isso, imagine que uma pessoa não consiga ficar sem comer 
um determinado chocolate, toda noite. Para esse indivíduo, o chocolate é 
um bem muito essencial, e aumentos no preço do chocolate trarão reduções 
da demanda menos do que proporcionais à essa ampliação no preço (EPD 
inelástica). Já para outro indivíduo, o consumo de chocolate pode ser visto 
como supérfluo, não essencial. Assim, para ele, aumentos no preço do choco-
late trarão reduções mais do que proporcionais na demanda desse produto, já 
que ele não faz tanta questão de comer aquele doce (ou seja, a EPD é elástica). 
É por isso que quando consideramos o comportamento de um conjunto de 
consumidores, itens como remédios e energia elétrica têm sua demanda 
menos afetada pelos preços do que roupas, por exemplo, já que a maioria das 
pessoas considera remédios e energia elétrica como bens muito essenciais.
Por fim, a participação (peso) no orçamento do consumidor indica que, 
quanto maior a fatia da renda gasta em determinado bem ou serviço, maior 
será sua EPD (e vice-versa). É por isso que produtos como balas e chicletes 
tendem a ter EPD inelástica, pois mesmo que o preço deles mude bastante, o 
efeito sobre a decisão do consumidor de adquirir mais ou menos desses itens 
será baixo, já que o peso dessa compra dos doces no orçamento do consu-
midor será sempre muito pequeno. Assim, quando você decide comprar uma 
21
bala que custava 20 centavos, se o preço dela se alterar para 25 centavos ou 15 
centavos, isso pouco afetará sua decisão, e a razão é que mesmo que a inten-
sidade do aumento tenha sido elevada, a parcela da sua renda utilizada para 
comprar balas é tão pequena que isso não fará muita diferença. Por outro 
lado, o aluguel acaba abocanhando uma grande fatia do orçamento de muitas 
pessoas. Nessas situações, pequenos aumentos em seus valores fazem com 
que os locadores passem a buscar novos locais para morar.
Reflita
Para populações de menor renda, apesar da porcentagem da renda 
gasta em alimentação ser muito elevada, esses produtos apresentam 
baixa elasticidade por não terem substitutos e serem essenciais. Por 
isso, principalmente em países mais pobres, o aumento no preço 
de alimentos costuma trazer muitos problemas, às vezes até de 
ordem política. Que tipo de ação governamental poderia ser feita 
para minimizar, de forma imediata, os efeitos negativos trazidos pelo 
aumento do preço de alimentos? Reflita sobre o assunto.
Depois que vimos a EPD, vamos, agora, estudar como podemos medir o 
grau do efeito da renda do consumidor sobre a demanda dos bens e serviços.
A renda é um dos fatores que mais afetam a decisão do consumidor, 
sendo que, normalmente, quando a renda de um consumidor é elevada, a 
tendência é que a demanda de um bem também seja ampliada. 
Contudo, a resposta da demanda a mudanças na renda não será a mesma 
entre os diferentes produtos, por isso, é necessário calcular a Elasticidade 
Renda da Demanda (ERD), definida como a intensidade da alteração na 
quantidade demandada de um produto causada por uma mudança na renda 
do consumidor. Para fazermos esse cálculo, dividimos a variação percentual 
na quantidade demanda de um bem pela variação percentual na renda de um 
consumidor (DIAS, 2015).
ERD = Variação % na Quantidade Demandada Mercadoria X = D
D
Q
R Variação % na Renda do consumidor
Para quase todos os produtos, aumentos na renda de um consumidor 
trazem aumentos nas quantidades demandadas, por isso, o sinal da ERD é 
positivo (ERD > 0). Há, no entanto, uma condição apresentada por alguns 
produtos, cujo consumo se reduz quando a renda aumenta. Esses bens são 
chamados de inferiores e apresentam ERD negativa (ERD 0), 
pois a ocorrência de bens inferiores é menos frequente. Para isso, analisa-
remos dois tipos de bens: os normais e os superiores. Os bens normais são 
aqueles cujo consumo é pouco afetado por variações na renda, de forma que 
alterações na renda causarão mudanças na demanda no mesmo sentido, mas 
com uma proporção menor. Os bens normais apresentam ERD maiores do 
que zero e menores do que um: 0 1). Por exemplo, a tendência é que 
o consumo que uma família faz de arroz, macarrão, feijão mude pouco com 
alterações na renda, mas o consumo de iogurte, vinho, joias, por exemplo, 
seja bastante alterado com mudanças na renda.
Exemplificando
Imagine que a renda de uma família seja ampliada em 10%. O mais 
provável é que o aumento no consumo de alimentos básicos seja em 
um percentual menor do que 10%. Se for de 2%, a ERD será igual a 0,2, 
caracterizando o arroz como um bem normal.
ERD = Var. % na Quantidade Demandada Mercadoria X = ∆
∆
Q
R
= =
2
10
0 2%
%
,
 Variação % na Renda do consumidor
Por outro lado, a ampliação do gasto de sua família com cultura e lazer, 
em resposta a uma ampliação na renda de 10%, deverá ser maior do 
que 10%. Se for de 15%, a ERD será igual a 1,5, caracterizando esses 
produtos (serviços) como superiores, pois apresentam uma mudança da 
demanda em percentual superior às alterações na renda.
ERD = Var. % na Quantidade Demandada Mercadoria X = ∆
∆
Q
R
= =
15
10
1 5%
%
,
 Variação % na Renda do consumidor
23
O último aspecto que afeta diretamente a intenção do consumidor de 
adquirir mais ou menos de um produto (demanda), sem que o preço dele 
tenha sido alterado, é o preço de outros produtos relacionados. Pense: a 
demanda por refrigerantes pode ser alterada por mudanças nos preços 
dos sucos? E a demanda por areia para construção, é afetada pelo preço do 
cimento? 
Quando tratamos dessas relações, estamos estudando a Elasticidade 
Cruzada da Demanda (ECD), que nos traz o entendimento dos bens substi-
tutos e dos bens complementares. Para melhor compreensão desses conceitos, 
que tal uma situação prática? 
Quando você vai ao mercado comprar um produto, é provável que você 
veja também outros que podem substituí-lo, concorda? Imagine o consu-
midor que foi ao supermercado disposto a comprar carne de boi, mas que, 
ao chegar no setor de carnes, depara-se com uma oferta de carne suína. Essa 
oferta é suficiente para que ele compre menos carne bovina e adquira uma 
quantidade de carne suína que não havia planejado comprar inicialmente. 
Note que ele não consumiu uma quantidade menor de carne de boi porque o 
preço da carne de boi subiu, mas porque o preço de outra mercadoria, a carne 
de porco, diminuiu. Essa é uma situação em que existem produtos substi-
tutos, que são aqueles que disputam entre si a escolha do mesmo consumidor. 
Nessasituação, a ECD é positiva (ECD > 0), ou seja, a mudança no preço de 
um bem causará uma mudança na quantidade demandada do outro bem, no 
mesmo sentido (uma redução no preço da carne de boi faria a demanda por 
carne de porco reduzir, por exemplo). 
Já nos produtos complementares, a relação é inversa: quando o preço 
de uma mercadoria aumenta, a demanda por outra mercadoria diminui. 
Isso ocorre porque esses produtos são utilizados em conjunto. Quer ver um 
exemplo? Imagine dois materiais de construção, como brita e areia: basta que 
o preço de apenas um deles suba para alterar o consumo de ambos, concorda? 
Em termos matemáticos, a diferença entre as duas ECD é apenas no 
sinal: os produtos substitutos apresentam ECD positiva (ECD > 0), pois a 
variação no preço de um produto gerará uma alteração no mesmo sentido 
na demanda do outro produto. Por outro lado, os produtos complementares 
apresentam ECD negativa (ECD 1, ou seja, a resposta da quantidade ofertada 
é mais intensa do que a variação no preço, enquanto produtos com EPO 
inelástica (0em uma intensidade superior
4. Elasticidade Preço da Demanda menor 
do que um
Fonte: elaborado pelo autor.
Assinale a alternativa que apresenta a associação CORRETA entre as colunas.
a. I - 4; II - 3; III - 2; IV - 1. 
b. I - 2; II - 1; III - 4; IV - 3.
c. I - 4; II - 1; III - 2; IV - 3.
d. I - 3; II - 4; III - 1; IV - 2.
e. I - 1; II - 3; III - 2; IV - 4.
28
Seção 2
Estrutura de mercado: concorrência perfeita e 
monopólio
Diálogo aberto
Olá, é uma alegria estarmos juntos nesta seção! Agora, vamos conhecer 
como os mercados funcionam na prática por meio das estruturas de mercado. 
Mas o que termos como monopólio e concorrência perfeita tem a ver com 
a estratégia das empresas? Para responder a essa importante pergunta, 
acompanharemos a decisão que o Haroldo, um empreendedor do agrone-
gócio, precisa tomar. Vamos conhecer a história dele? 
Depois de muito tempo morando em uma grande cidade, Haroldo 
decidiu arrendar uma área no interior do país para produzir soja. Nessa 
empreitada, ele está contando com o apoio do seu sócio, Cláudio, que tem 
bastante experiência na condução da cultura. Conversando sobre as estraté-
gias a serem empregadas, Cláudio sugeriu a Haroldo que buscasse alterna-
tivas para criar uma marca para a sua soja e, assim, conseguir agregar valor 
ao seu produto. Contudo, Haroldo está com dúvidas se essa seria uma estra-
tégia viável para a soja que ele vai produzir.
Uma informação que ele tem é que a soja é uma commodity, ou seja, 
um produto padronizado em escala mundial, cujo preço é determinado pelas 
forças de oferta e demanda, sendo sinalizado globalmente pelas operações 
da Bolsa de Mercadorias de Chicago, a CBOT. A partir dessas informações, 
Haroldo precisa responder à seguinte pergunta: a criação de uma marca para 
a soja produzida na sua fazenda é uma estratégia viável para aumentar as 
vendas ou é mais recomendável a utilização de outras estratégias?
Para responder essa pergunta, precisaremos definir em qual estrutura de 
mercado opera uma fazenda de soja para, em seguida, estipularmos quais as 
estratégias que poderão ser utilizadas. Vamos lá? 
Não pode faltar
Olá, aluno! Gostou do que já vimos até agora? É interessante que você 
tenha segurança dos conceitos já apresentados, pois esse é um momento 
muito importante, no qual analisaremos um tema que pode afetar direta-
mente o resultado das empresas e que também tem muito a ver com as 
29
condições que enfrentamos ao realizar nossas compras como consumidores: 
as estruturas de mercado.
Você já deve ter percebido que nem sempre os agentes (empresas, por 
exemplo) têm forças iguais no mercado, não é mesmo? Mas, quando isso 
ocorre, quais as consequências para o mercado? Além disso, o governo deve 
atuar para evitar esse tipo de situação? Se você já percebeu que essas perguntas 
podem alterar o desempenho de uma empresa, já entendeu a importância de 
estudarmos as estruturas de mercado.
Você sabe o que são as estruturas de mercado? Não? Vamos à explicação! 
Assim como qualquer pessoa, as empresas não agem sozinhas em uma socie-
dade, já que estão inseridas em mercados (locais, virtuais ou reais, em que 
compradores e vendedores negociam e realizam transações econômicas) com 
diferentes características. Essas características dependem de três variáveis: 
1. Número de participantes (ou seja, número de compradores e 
vendedores). 
2. Diferenciação (ou não) do produto transacionado entre as empresas.
3. Existência (ou não) de barreiras para a entrada de novas empresas 
nesse mercado. 
Assimile
Para classificar uma estrutura de mercado é preciso ter informações 
a respeito: das barreiras à entrada, da força relativa dos agentes e da 
homogeneidade dos produtos.
Em primeiro lugar, é preciso saber que o número de empresas que fazem 
parte de um mercado é um aspecto fundamental para a classificação das 
diferentes estruturas de mercado, pois a presença de muitas organizações 
disputando os mesmos clientes vai gerar uma concorrência entre elas. É 
importante esclarecer que, em economia, a concorrência é vista como uma 
ferramenta que beneficia toda a sociedade, pois incentiva as empresas e a efici-
ência, amplia a escolha dos consumidores e contribui para reduzir os preços 
e melhorar a qualidade da mercadoria ou do serviço prestado (COMISSÃO 
EUROPEIA, 2012). De forma análoga, podemos lembrar que Ayrton Senna 
dizia que grande parte da sua eficiência e de seu sucesso profissional estavam 
atrelados a outro ótimo piloto que concorria com ele nas pistas de Fórmula 1, 
Alain Prost, pois essa rivalidade motivava o piloto brasileiro a sempre buscar 
alternativas de ser melhor do que o francês (COURREGE; LOPES, 2014). 
Conhecer a estrutura de mercado em que uma empresa está inserida é 
fundamental para balizar a escolha de estratégias fundamentais, tais como 
30
determinação do preço de venda, gastos com propaganda, infraestrutura 
produtiva e pesquisa e desenvolvimento, entre outras que caracterizam a 
conduta das empresas.
Para entender melhor as diferentes estruturas de mercado, utilizaremos 
uma das ferramentas mais poderosas da economia: os modelos. Da mesma 
forma que um manequim ou um boneco em uma loja de roupas dá uma ideia 
do que seja um corpo humano, os modelos econômicos permitem uma visão 
da realidade que, apesar de não ser perfeita, fornece informações suficientes 
que permitem o seu entendimento e também trazem indicações dos resul-
tados que virão a partir das decisões tomadas. 
Assimile
Os modelos econômicos são simplificações que, apesar de não serem 
perfeitas, permitem uma compreensão superior da realidade e possibi-
litam simulações de resultados
Nesta seção, vamos estudar alguns dos principais modelos das estruturas 
de mercado: competição (concorrência) perfeita, monopólio e monopsônio. 
Vamos, então, começar por aquela que é considerada a estrutura ideal, na 
qual os agentes negociariam os preços e as quantidades dos produtos e 
serviços em igualdade de forças. Esse é o modelo de competição perfeita, ou 
concorrência perfeita. 
A primeira característica desse modelo é que, como há uma grande 
quantidade de compradores e vendedores (o mercado é atomizado), nenhum 
dos agentes tem uma participação significativa no mercado a ponto de 
conseguir influenciar individualmente os preços dele. Isso implica em que 
nenhum comprador, por maior que seja a quantidade que consiga adquirir, 
individualmente, conseguirá reduzir o preço de mercado. Da mesma forma, 
nenhum comprador terá uma participação tão elevada nesse mercado, que 
consiga levá-lo, individualmente, a alterar os preços. Como consequência, a 
entrada ou saída de algum agente (comprador e/ou vendedor) não vai alterar 
as condições de equilíbrio desse mercado.
A segunda característica é que os produtos são homogêneos, ou seja, 
os consumidores consideram os produtos exatamente iguais, não fazendo 
distinção entre os diferentes fornecedores. Por isso, tentativas de criação de 
marcas ou de estabelecimento de preços diferentes por parte dos vendedores 
não costumam valer a pena (mesmo que o produtor ache que o seu produto 
é diferente do concorrente, se essa diferença não for percebida pelo consu-
midor, isso não vai adiantar nada). 
31
Exemplificando
O mercado de frutas e hortaliças é um bom exemplo de produtos 
homogêneos: quando você vai à feira ou a um supermercado, não 
encontrará marcas diferentes de laranjas ou de tomates, por exemplo. 
Isso ocorre porque, na prática, você e os outros consumidores não 
estão dispostos a pagar mais por uma marca de tomate específica, pois 
esses produtos não são vistos como diferentes (o tomate produzido na 
Fazenda A vai ser praticamente igual ao tomate produzido na Fazenda B; 
assim, se um supermercado comprar tomate desses dois fornecedores 
e colocá-los, juntos, na mesma gôndola, para revendê-los, o consumidor 
não conseguirá dizer qual é o tomate da Fazenda A e qual é o da Fazenda B).
Outra característica da estrutura de mercado em concorrência perfeita é 
a inexistênciade barreiras para a entrada de novos participantes. As barreiras 
à entrada são definidas como o custo que uma nova firma terá que enfrentar 
para participar de um mercado e que não existe para aquelas que já estão 
estabelecidas. Por exemplo: quando uma firma decide entrar em um mercado 
em que terá de enfrentar marcas consolidadas, ela se defrontará com uma 
barreira à entrada. Além desse fator, patentes, determinações governamen-
tais, domínio de tecnologias de ponta, economia de escala, curva de aprendi-
zado, alta necessidade de capital, acesso a canais de distribuição constituem 
barreiras à entrada (BASTOS, 2014). De forma similar, quando uma empresa 
sabe que os custos de abandonar uma atividade são elevados (um maqui-
nário específico que não é vendido facilmente, por exemplo), ela será desin-
centivada a entrar nesse mercado, ou seja, as barreiras à saída funcionam 
também como barreiras à entrada. 
Em um ambiente de barreiras reduzidas ou mesmo inexistentes (como o 
de concorrência perfeita), sempre que uma firma apresentar um lucro elevado, 
outras poderão entrar no mercado, aumentando a oferta e reduzindo o preço 
de equilíbrio dele. Como consequência, mercados mais competitivos como 
os de concorrência perfeita tendem a apresentar preços menores e produtos 
de melhor qualidade no longo prazo, beneficiando toda a população. 
Além dessas três características citadas, outro pressuposto da concor-
rência perfeita é que os agentes tenham completo acesso às informa-
ções disponíveis (característica chamada de simetria da informação). Por 
exemplo, em uma feira livre (que é um dos exemplos mais usados de concor-
rência perfeita), você pode coletar todas as informações disponíveis sobre os 
produtos à venda nas diferentes barracas antes de efetuar sua compra. Assim, 
como os produtos são homogêneos, se um feirante cobrar um preço acima 
das outras barracas, todos os consumidores vão saber dessa informação, 
32
fazendo com que ninguém compre com aquela pessoa que está cobrando um 
preço acima dos demais.
E quais as implicações para uma empresa (firma) que opera em um 
mercado de concorrência perfeita? Em termos de preços, se ela quiser vender 
o seu produto abaixo do preço de equilíbrio do mercado, isso significa tomar 
uma decisão pouco racional pois, como sua quantidade ofertada é pequena 
em relação ao mercado, ela apenas venderá seu produto mais rápido, bastando 
aos outros produtores esperar que ela venda todo o seu estoque para que 
o preço retorne à condição de equilíbrio. Em contrapartida, se a empresa 
tentar vender a um preço maior do que o preço de equilíbrio, os consumi-
dores saberão que outros produtores estarão ofertando o mesmo produto a 
um preço menor, e ela não conseguirá vender nada. Assim, os vendedores 
que participam de um mercado em concorrência perfeita são tomadores de 
preços – price takers (eles simplesmente têm que adotar o preço estipulado 
no equilíbrio do mercado, sem ter poder de alterá-lo).
E a diferenciação de produtos, será que é uma estratégia válida? Pense: como 
o consumidor considera os produtos homogêneos (lembra, por exemplo, que 
os tomates produzidos pelas Fazenda A e B eram indistinguíveis?), a diferen-
ciação ou criação de marcas não é uma estratégia recomendada, pois o consu-
midor acabará optando sempre pelo produto de menor valor. Dessa forma, o 
foco de um produtor operando em um mercado de concorrência perfeita terá 
de ser, obrigatoriamente, a redução de custos, pois ele também não terá como 
cobrar um preço superior ao preço praticado no mercado. 
Reflita
Você certamente já ouviu falar da Revolução Industrial e dos seus impactos 
sobre o progresso da humanidade. Contudo, a revolução que talvez mais 
venha a moldar o futuro da humanidade seja a dos meios de comunicação: 
hoje, o custo de conversar, obter informações e fazer negócios com uma 
pessoa do outro lado do mundo tende a zero. 
Essa redução de custos de comunicação permite ao consumidor obter 
informações a respeito dos produtos que deseja junto a diferentes consu-
midores. De que forma esse processo se assemelha a uma das caracterís-
ticas da estrutura de mercado de concorrência perfeita? Reflita sobre isso. 
Pode acontecer que uma ou mais empresas, operando em um determi-
nado mercado de concorrência perfeita, apresentem um lucro acima de outras 
empresas (que é chamado de lucro extraordinário ou lucro supranormal). 
Por exemplo: ao longo de 2019 ocorreu um aumento no preço das carnes de 
boi e de porco por conta de uma elevação de 40,4% nas importações de carne 
33
de porco pela China, nos oito primeiros meses do ano, em comparação com 
o mesmo período de 2018 (IMPORTAÇÕES..., 2019). Esse processo ocorreu 
por conta de uma epidemia de peste suína que obrigou a um abate de cerca 
de 40% do plantel chinês. Em consequência disso, os lucros dos suinocultores 
brasileiros aumentarão; mas esse resultado financeiro acima da média não 
vai durar muito tempo. Você sabe por qual motivo? Simples: esse lucro vai 
estimular outros produtores a entrarem no mercado (ou os próprios produ-
tores aumentarão sua oferta) para aproveitarem esse lucro maior (já que no 
mercado estruturado como concorrência perfeita não há barreiras para a 
entrada de novos participantes). Isso deslocará a curva da oferta da carne 
de porco para a direita, fazendo com que o preço de equilíbrio diminua, 
reduzindo, consequentemente, o lucro extraordinário (até que ele seja total-
mente eliminado, com reequilíbrio da oferta) 
Essa situação está representada na Figura 2.1 a seguir. Um possível 
aumento de oferta de carne suína no mercado deslocaria a curva de oferta 
de O para O’, fazendo com que o preço de equilíbrio diminuísse de p0 para 
p1. Com esse preço menor, o lucro extraordinário dos suinocultores iria 
diminuir, havendo, inclusive, a possibilidade de ele ser extinto, caso uma 
quantidade ainda maior de produtores dessa carne entre nesse mercado, o 
que reduziria ainda mais o preço de equilíbrio dele. 
Figura 2.1 | A redução do preço de equilíbrio após deslocamento da curva de oferta
Fonte: Braga (2019, p. 36).
Ainda que nem sempre seja possível determinar que um mercado 
funcione exatamente da forma como preconiza o modelo de concorrência 
perfeita, o entendimento das vantagens é suficientemente forte para fazer 
34
com que muitos governos mantenham estruturas e leis para estimular o 
aumento da concorrência e, assim, trazer benefícios à sociedade.
Apesar de você, provavelmente, já ter vivenciado uma experiência 
de consumo em um ambiente próximo ao da competição perfeita, o mais 
provável é que em seus processos de compra você tenha se deparado com 
situações nas quais você não tinha alternativas de alterar os preços, e se sentia 
com menos poder do que o vendedor. Essas são situações em que não ocorre 
a competição perfeita, pois há um desequilíbrio de forças. 
A estrutura de mercado em que esse desequilíbrio de forças é mais intenso 
é o monopólio, no qual um único vendedor domina completamente um 
ramo de atividade, não existindo qualquer outro fornecedor do seu produto 
ou serviço. 
O termo monopólio vem do grego mono (que significa “um”) e polein 
(que significa “vender”). Nessa estrutura de mercado, os consumidores não 
podem optar por produtos ou serviços que possam substituir os oferecidos 
pelo monopolista – ou seja, não há bens substitutos àquele vendido pelo 
monopolista. Por isso, muitos continuarão a adquirir aquele produto mesmo 
que os preços aumentem, o que faz com que o monopolista, frequentemente, 
prefira aumentar os seus preços, mesmo que alguns consumidores deixem 
de comprá-lo, pois o aumento no lucro em cada unidade vendida trará a ele 
maior lucro total. 
Esse prejuízo à população faz com que alguns defendam a quebra de 
todos os monopólios, mas essa é uma decisão que não pode ser tomada sem 
a análise de suas implicações, pois nem sempre isso é possível ou mesmo 
desejável. Vamos analisar algumas situações?
Em primeiro lugar, nos mercados monopolísticos existembarreiras que 
impedem o acesso de novos concorrentes ao mercado. Essas barreiras podem 
ter diferentes origens, sendo que as principais são a obtenção de patentes, a 
proteção legal e especificidades de produção (como altos custos) que tornam 
um único produtor (fabricando em grande quantidade) mais eficiente do que 
uma grande quantidade de produtores, fabricando pequenas quantidades (o 
que é chamado de economias de escala). 
As patentes surgem da necessidade de estimular a pesquisa e a inovação: 
a legislação permite que empresas que desenvolvam novos produtos ou 
processos possam registrar sua patente e atuar como monopolistas enquanto 
essa patente durar. 
35
Exemplificando
Uma companhia farmacêutica que, eventualmente, descubra um novo 
medicamento revolucionário, ao receber a patente passa a ter exclu-
sividade de produção desse medicamento durante certo número de 
anos. Após esse período, os medicamentos produzidos com o mesmo 
princípio ativo são chamados de genéricos.
Essa exclusividade de venda (temporária) acontece para que a empresa 
que teve altíssimos gastos com pesquisa (até descobrir e desenvolver 
um novo medicamento) consiga retornos financeiros suficientes para 
cobrir esse investimento feito. 
Já a proteção legal significa que a existência de concorrentes é proibida 
por lei. Um exemplo é a geração de energia nuclear no Brasil. Por ser consi-
derada questão de segurança nacional, a exploração dessa tecnologia é exclu-
sividade da empresa estatal, a Nuclebrás (NUCLEP, [s. d.]).
Reflita
Na Europa, a posse de Margaret Thatcher como primeira ministra da 
Inglaterra, em 1979, deu início a uma onda privatizações que se manteve 
ao longo dos seus três mandatos consecutivos, até 1990, e que alcançou 
países como a França e a Alemanha (TEIXEIRA, 2016; MÜZELL, 2016). No 
Brasil, além de existirem empresas que têm tido sua existência como 
monopólio estatal questionada (por algumas correntes do pensamento 
econômico), como os Correios e as empresas estaduais de saneamento, 
há outras que já foram privatizadas, como a Telebras. Você acredita 
que a população brasileira seria beneficiada com a privatização dessas 
estatais? Reflita sobre o assunto.
Outra razão para a existência de monopólio decorre de economias de 
escala, o processo de redução de custos com o aumento da quantidade produ-
zida. Em algumas atividades econômicas esse custo é significativo, e quando 
isso ocorre pode ser que a alternativa de menor custo seja o monopólio. 
Por exemplo, na cidade em que você mora certamente, só existe uma 
empresa de fornecimento de água e tratamento de esgoto. A economia de 
escala faz com que esse serviço apresente menor custo se for prestado por 
uma única empresa do que se fosse dividido entre duas ou mais, em um 
mesmo município. Além disso, a tecnologia de distribuição de água e coleta 
e tratamento de esgoto ainda é essencialmente mecânica. Imagine como 
ficariam as ruas da cidade se cada vez que um consumidor decidisse mudar 
36
de fornecedor a nova empresa tivesse que cavar um buraco para trocar 
o encanamento.
Agora precisamos olhar para a estratégia de uma firma monopolista: se o 
seu objetivo é maximizar o seu lucro no longo prazo, ela fará todo o esforço 
possível para evitar a entrada de novos concorrentes, concorda? Isso explica a 
atenção redobrada que essas firmas precisam receber do poder púbico. 
Se você estiver utilizando um computador é provável que o seu sistema 
operacional seja aquele famoso fornecedor de software que, apesar de não 
ter uma proteção legal, é quase monopolista em sistemas operacionais, não 
é mesmo? E quando você quer procurar uma coisa na internet é quase certo 
que utilizará um site que se tornou sinônimo de buscas. Pois bem, o Google 
foi multado em 2,42 bilhões de euros pela Comissão Europeia, em 2017, por 
fragilizar a concorrência no mercado das buscas pela internet (COMISSÃO 
EUROPEIA, 2017). Em 2019, representantes de 50 estados americanos 
anunciaram uma investigação conjunta contra a companhia por práticas 
anticompetitivas (ESTADOS..., 2019). A Microsoft já foi processada por 
monopólio tanto nos Estados Unidos (BLANCO, 1998) quanto na Europa 
(MICROSOFT..., 2007).
A questão é que, quanto maiores as barreiras à entrada, maior a capaci-
dade de uma firma de exercer seu poder de mercado no longo prazo. Essa é a 
vantagem de uma empresa atuar em um mercado monopolístico? Sim, claro! 
Se o lucro de um monopolista cresce, a um determinado preço estipulado 
por essa empresa (o monopolista é um price maker – estipulador de preço 
para o mercado), atingindo um lucro acima da média de outros setores (o 
chamado lucro extraordinário), é praticamente impossível que uma outra 
firma possa entrar no mercado (devido às barreiras de entrada) e aumentar a 
concorrência (o que diminuiria o preço de equilíbrio do mercado, reduzindo, 
consequentemente, o lucro extraordinário), o que traz a tendência desse lucro 
extraordinário persistir no longo prazo (diferentemente do que ocorre no 
mercado de concorrência perfeita), levando a situações nas quais as empresas 
caminharem muito perto do limite legal e ético.
Por outro lado, o avanço da tecnologia tem, de forma geral, beneficiado 
o consumidor no que se refere à competição, pois áreas que antes eram 
monopólios hoje apresentam disputa entre as empresas. Nas telecomunica-
ções no Brasil, por exemplo, a digitalização dos processos permitiu o desapa-
recimento do monopólio e o estabelecimento de concorrentes. 
Contudo, em situações em que os monopólios persistem, é comum que 
os governos busquem desenvolver esforços tentando evitar ou pelo menos 
atenuar os efeitos desta situação. Isso se dá por meio de medidas legais ou 
37
de regulamentação dos preços, ou até mesmo tornando o monopólio uma 
empresa pública, tentando reduzir o prejuízo à sociedade.
Assimile
Ainda que, a princípio, os monopólios representem um potencial de 
prejudicar os consumidores, é preciso analisar bem todos os aspectos 
envolvidos antes de se decidir por uma quebra de monopólios. Existem 
situações em que a manutenção do monopólio pode acabar sendo a 
alternativa de menor prejuízo para a sociedade.
Por fim, precisamos conhecer mais uma estrutura de mercado que é 
pouco comum, mas de grande importância. Essa estrutura ocorre quando um 
único comprador controla substancialmente o mercado em que atua, sendo 
ele, exclusivamente, quem demanda toda a produção de um determinado 
bem ou serviço: o monopsônio. Ocorre normalmente quando uma grande 
empresa é a única opção para um grande número de vendedores. Com isso, 
esse comprador possui grande poder de mercado e, assim como acontece 
no monopólio, ele pode determinar (price maker) o preço da mercadoria 
que será praticado nesse mercado, beneficiando-o. No Brasil, um exemplo 
de monopsônio é a Petrobras, que exerce exclusividade de compra junto aos 
produtores de gás natural, sendo a única a adquirir o gás que é produzido no 
Brasil (ZAGO; OLIVEIRA, 2019). 
Com isso alcançamos o objetivo desse encontro: você conheceu as duas 
estruturas opostas que o consumidor pode se defrontar: o monopólio, em 
que existe apenas um fornecedor de um produto ou serviço, e a concorrência 
perfeita, na qual nenhum dos vendedores possui uma parcela do mercado 
suficiente para afetar os preços. Vimos também o monopsônio, em que 
apenas um comprador é a única opção para um grupo de vendedores. 
Agora é com você: leia o material e se prepare para enfrentar mercados 
em concorrência perfeita, monopólio ou monopsônio. Bons estudos!
Sem medo de errar
Agora que você já conhece os conceitos fundamentais de monopólio, 
oligopólio e concorrência perfeita, pode ter segurança para opinar a respeito 
da estratégia sugerida ao Haroldo pelo Cláudio.
Você está lembrado da situação? Haroldo passou a produzir soja em 
uma área arrendada, após ter decidido mudar de uma grande cidade para o 
interior do país. Para ajudá-lo com a parte técnica, ele conta com o apoio do 
38
seu sócio, Cláudio, que tem bastanteexperiência na condução da cultura. Nas 
reuniões de planejamento de atividades, Cláudio sugeriu a Haroldo uma nova 
estratégia: desenvolver uma marca para a sua soja a fim de conseguir agregar 
valor ao seu produto. Haroldo não ficou convencido da viabilidade da ideia, e 
por isso precisa responder à seguinte pergunta: a criação de uma marca para 
a soja produzida na sua fazenda é uma estratégia viável para aumentar as 
vendas ou é mais recomendável a utilização de outras estratégias?
Se o Haroldo realizar uma análise criteriosa do mercado de produção de 
soja, concluirá que ela é um produto homogêneo, ou seja, para o consumidor 
não faz diferença se a soja é produzida na fazenda deles ou em qualquer outra 
propriedade. Além disso, os mercados agrícolas, em geral, se aproximam do 
modelo de concorrência perfeita, pois dispõem de um grande número de 
produtores com reduzida força individual, sendo que nenhum consegue, 
individualmente, afetar os preços do mercado da soja que, em especial, são 
balizados a partir dos milhões de contratos que são negociados diariamente 
na Bolsa de Chicago.
Sendo assim, Haroldo deve dizer a Cláudio que não há sentido em 
investir na criação de uma marca e em divulgação para um produto que, se 
estiver mais caro, será deixado de lado pelo consumidor (que, pela homoge-
neidade e simetria da informação, vai preferir o mais barato). Dessa forma, 
os sócios Cláudio e Haroldo deveriam abandonar a estratégia de criação de 
uma marca, dedicando-se a produzir soja ao menor custo possível, pois o 
preço será uma variável sobre a qual eles não terão controle.
Avançando na prática
Como melhorar o transporte público
Fabrício foi contratado para prestar consultoria a uma organização não 
governamental (ONG) de sua cidade que foi formada por empresários, 
prestadores de serviço, associações de moradores etc. e que recebe aporte de 
recursos da prefeitura. A ONG tem como objetivo o desenvolvimento econô-
mico do município. 
Foi realizada uma pesquisa com a população que indicou que o trans-
porte público é o serviço que recebe a pior avaliação por parte da população, 
que critica os poucos horários disponíveis, a reduzida oferta de itinerários e a 
baixa qualidade dos ônibus da população, além das muitas reclamações sobre 
o alto preço das passagens. 
39
O transporte público na cidade é exclusividade de uma única empresa, 
sendo que essa condição é garantida por lei em um contrato celebrado 15 
anos atrás e que será encerrado nos próximos meses.
Fabrício se dedicou a pesquisar o assunto e, ao consultar pesquisa reali-
zada por uma associação de municípios da região, descobriu que a maioria 
das cidades com população similar à do seu município apresenta pelo menos 
duas empresas de transporte público. O que ele deve sugerir a ONG em 
relação a essa situação?
Resolução da situação-problema
A exclusividade garantida pela legislação transforma a empresa em 
monopólio. A falta de concorrência desestimula a empresa a buscar melhorar 
a qualidade do serviço prestado à população e estimula a prática de preços 
abusivos. É fundamental que a ONG se mobilize para aproveitar o encerra-
mento do contrato e encaminhar ao poder público (Executivo e Legislativo), 
uma proposta para alteração da lei que permita a operação de mais de uma 
empresa de transporte público na cidade, o que vai estimular a melhoria dos 
serviços e a queda nos preços.
Essa melhoria certamente contribuirá para o melhor aproveitamento dos 
recursos, gerando um melhor ambiente econômico no município.
Faça valer a pena
1. Os modelos econômicos, ainda que não consigam expressar a realidade 
em sua totalidade, permitem uma boa visualização das características funda-
mentais do mercado, bem como a projeção de comportamento deles. 
Existe uma estrutura de mercado que demonstra, de forma bastante similar, 
as características fundamentais de mercados agrícolas (como os de frutas 
e verduras), que apresentam produtos homogêneos, grande número de 
compradores e vendedores e inexistência de barreiras à entrada. 
Qual é essa estrutura?
a. O monopólio.
b. O oligopólio.
c. O oligopsônio.
d. A concorrência perfeita.
e. O monopsônio. 
40
2. As estruturas de mercado são modelos que captam aspectos de como os 
mercados estão organizados. Cada estrutura de mercado destaca aspectos 
essenciais da interação da oferta e da demanda, baseando-se em caracterís-
ticas observadas em mercados existentes. Em todas as estruturas clássicas os 
agentes são maximizadores de lucro. As estruturas de mercado estão condi-
cionadas por três variáveis principais: a) número de firmas produtoras no 
mercado; b) diferenciação do produto; e c) existência de barreiras à entrada 
de novas empresas (GONÇAVES, 2011).
Tomando como referência as estruturas de mercado, julgue as afirmativas a 
seguir em (V) Verdadeiras ou (F) Falsas. 
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.
a. V – F – V – F.
b. F – V – V – F.
c. V – F – F – V.
d. V – V – F – V.
e. F – F – V – V.
3. As receitas combinadas de gigantes da internet como Facebook, Micro-
soft, Google, Amazon e Apple chegam a cerca de US$ 3,7 trilhões anuais, 
maior do que o PIB da Alemanha. Esse poder concentrado nas mãos de 
poucos tem levado a propostas de desmembramento dessas empresas (TECH 
GIANTS, [s.d.]).
Com base nas estruturas de mercado, avalie as seguintes asserções e a relação 
proposta entre elas.
I. A preocupação dos governos europeus e norte-americano de impor 
limites ao poder de mercado a esse gigantes da internet advém da 
constatação dos prejuízos que a população pode ter, decorrentes do 
poder concentrado em uma única empresa ou grupo.
PORQUE
II. Devido à inexistência de barreiras à entrada de novos participantes 
na estrutura de monopólio, o lucro das empresas monopolísticas 
tende a desaparecer, ao longo do tempo.
41
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
a. As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não justifica 
a I. 
b. As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II justifica a I.
c. A asserção I é uma proposição verdadeira e a II, falsa.
d. A asserção I é uma proposição falsa e a II, verdadeira.
e. As asserções I e II são proposições falsas. 
42
Seção 3
Estrutura de mercado: concorrência monopolística 
e oligopólio
Diálogo aberto
Olá, seja bem-vindo a nossa caminhada pela microeconomia. Nesta 
seção, vamos estudar as estruturas de mercado, com foco no oligopólio, no 
oligopsônio e na concorrência monopolística. 
Para isso, vamos conhecer uma empresa do ramo farmacêutico, conhe-
cido por estar estruturado em mercados oligopolizados. Pronto para o 
desafio? 
Lucas é um dos diretores de uma grande empresa farmacêutica, a Empresa 
YY, líder no mercado brasileiro de remédios para dor de cabeça. Na última 
reunião de diretoria, ele foi desafiado a aumentar as vendas desse produto, 
pois uma análise indicou que a empresa está operando com capacidade 
ociosa. Sabendo que essa empresa é líder do mercado, mas não possui exclu-
sividade na venda do produto, ele precisa responder a seguinte pergunta: 
para aumentar as vendas desse remédio para dor de cabeça, a redução do 
preço de venda seria uma boa alternativa ou existem outras estratégias mais 
adequadas? 
Para responder a essa pergunta, você precisará entender as estruturas de 
mercado que serão apresentadas nesta seção, bem como as melhores estra-
tégias a serem utilizadas pelas empresas em cada uma das situações. Você 
perceberá que os temas apresentados aqui estão diretamente ligados a situa-
ções enfrentadas pelas empresas, por isso, conhecê-los e saber como aplicá-
-los poderá fornecer a você um diferencial para se destacar no mercado. 
Vamos lá? 
Não pode faltar
Olá, aluno. As estruturas de mercado podem apresentar posições extremas 
e opostas, como a concorrência perfeita (em que os agentes não têm poder 
individual, sendo tomadores de preços) e o monopólio (em que a empresa 
apresenta muito poder, podendo definirfundamentais da microeco-
nomia, discutir o problema econômico fundamental (como utilizar recursos 
limitados para satisfazer necessidades infinitas) e responder às questões 
essenciais da economia (o que produzir, quanto produzir, como produzir 
e para quem produzir). Para completar, conheceremos as duas abordagens 
diferentes que foram tentadas para responder a essas perguntas: a economia 
centralizada e a economia de mercado. Na aula seguinte, começaremos 
a analisar o mercado e a formação de preços, e faremos isso estudando o 
comportamento dos consumidores, por meio da demanda. Você entenderá 
como ela é formada e sua representação gráfica, que é a curva de demanda. 
Além disso, analisaremos sua conformação e os deslocamentos da curva. Por 
fim, começaremos estudando o comportamento dos produtores/vendedores, 
que é a oferta, seus determinantes, a curva de oferta e seus deslocamentos, 
para, finalmente, podermos analisar como as forças de oferta e demanda 
que, apesar de antagônicas, completam-se e permitem que o mercado possa 
alcançar o equilíbrio por meio do ajuste dos preços.
8
Seção 1
Problema econômico fundamental e fluxo 
circular de renda
Diálogo aberto
Olá, aluno! Muitas pessoas acreditam que economia é algo meio distante 
da realidade, mas, caso você pense parecido, vai ver que essa ideia é total-
mente diferente da realidade. A economia está presente nas nossas escolhas 
diárias e mais ainda no dia a dia de um profissional que precisa tomar 
decisões em relação aos seus negócios. 
Para nos ajudar nesse entendimento, conheceremos o Douglas, que está 
terminando o seu curso de administração na faculdade e já está aplicando 
os conhecimentos adquiridos no seu trabalho. Seu desempenho chamou a 
atenção de seu gestor imediato, que tem sinalizado a possibilidade de uma 
promoção quando ele terminar sua graduação. Ao longo dos últimos anos, 
sua organização na administração dos gastos pessoais permitiu que ele 
conseguisse acumular uma reserva financeira razoável, dentro das limitações 
do salário de um jovem que estuda e trabalha.
Com o final do ano se aproximando e as despesas de formatura já pagas, 
Douglas foi convidado por alguns colegas de sala para acompanhá-los em 
uma viagem para a praia, no final do ano. Contudo, o valor que ele gastaria 
nessa viagem é o mesmo que ele precisaria pagar para aproveitar o desconto 
que a faculdade está oferecendo para alunos da instituição que se matricu-
larem, antecipadamente, em um curso de pós-graduação. Um dos cursos 
oferecidos é na área que o gestor imediato de Douglas recomendou a ele, pois 
faz parte dos planos de expansão da empresa abrir novas vagas nessa área. 
Como o Douglas pode utilizar os conhecimentos de economia, em especial o 
de custo de oportunidade, para tomar a melhor decisão nesse cenário? 
Ao entender como os princípios de economia podem ajudar o Douglas a 
resolver essa questão, você verá o quanto eles podem ser úteis em problemas 
que você enfrenta nos negócios.
9
Não pode faltar
Olá, seja muito bem-vindo à disciplina Economia para Negócios. Você já 
teve algum contato com a ciência econômica antes? É comum que as pessoas 
pensem que economia tem a ver com investimentos, mercado de ações e 
finanças, entre outras coisas. Elas não estão erradas, mas não se trata só 
disso. O termo economia vem da junção dos vocábulos gregos oikos (casa) e 
nomos (costume, lei ou também gerir, administrar). Daí “regras da casa” (lar) 
ou “administração da casa”. São Tomás de Aquino (1225-1274) descreveu 
ecônomo como o responsável por administrar bens, rendas e despesas do lar. 
Depois de algum tempo, o uso de oikos ampliou-se e incluiu o Estado, noção 
que dura até hoje. A definição clássica de economia a estabelece como a ciência 
social que estuda a produção, distribuição e consumo de bens e serviços. 
A economia se diferencia em duas partes fundamentais: macroeconomia, 
que olha para o todo, e a microeconomia, que é mais específica. Podemos 
comparar a macroeconomia com uma visão panorâmica da floresta, 
enquanto a microeconomia estuda cada árvore, individualmente, ou um 
grupo de árvores de forma mais detalhada. Dessa forma, a microeconomia 
estuda aspectos como o comportamento dos agentes econômicos (o consu-
midor e a empresa), bem como a formação dos preços dos bens e serviços 
nas diferentes estruturas de mercado. Por sua vez, a macroeconomia estuda 
o desempenho dos agregados e suas inter-relações (consumo, poupança, 
crescimento econômico, inflação, emprego, etc.), por isso foca no comporta-
mento da economia como um todo, analisando aspectos como as contas do 
setor público, o desenvolvimento econômico e as relações econômicas com 
o exterior.
Outro ponto muito importante a ser destacado é que a economia se 
preocupa com uma questão fundamental da humanidade: como utilizar 
recursos produtivos escassos para atender desejos ilimitados. 
Essa questão se apresenta como um grande desafio, mas certamente você 
verá o quanto ela é importante, tanto na sua vida pessoal e profissional, quanto 
na qualidade de vida da humanidade. Então, para entender os desafios que 
essa questão nos traz, precisaremos, primeiramente, falar de necessidades 
(que em economia são sinônimos de desejos), para, depois, tratarmos sobre 
recursos produtivos. 
Se você considerar com cuidado, constatará que as necessidades humanas 
são infinitas. Pense: o fato de você estar se dedicando a ter um diploma de 
curso superior significa que não está totalmente satisfeito com a sua atual 
condição e que quer ter uma qualidade de vida superior no futuro, certo? Ou 
seja, sua insatisfação está levando você a fazer algo bom. Isso comprova que 
10
as pessoas sempre vão querer mais do que já têm, ou seja, o fato de as neces-
sidades serem infinitas implica em que as pessoas sempre vão querer mais, 
em termos de bens e serviços. 
O que você acha que motivou as grandes invenções da humanidade? 
Exatamente! As pessoas estão dispostas a pagar por um produto ou serviço 
que aumente o seu nível de satisfação, e os inventores sabiam que seriam 
remunerados se oferecessem isso às pessoas. Podemos, então, afirmar que 
a insatisfação é a origem do progresso da humanidade. Por outro lado, a 
maioria das guerras surgiu porque alguém (ou um povo, ou uma nação) que 
estava insatisfeito tentou tomar posse de algo que pertencia a outro, por meio 
da força, não é mesmo? Ou seja, a insatisfação humana não é intrinsicamente 
boa ou ruim, o problema é se ela é canalizada para o benefício ou para o 
prejuízo da humanidade. 
Vamos, agora, analisar os recursos produtivos disponíveis para satisfazer 
as necessidades humanas: eles não são inesgotáveis, são limitados, o que 
resulta em que nem todas as necessidades poderão ser satisfeitas. 
Vamos pensar um pouco na seguinte afirmação: “a escassez está presente 
tanto nos países ‘ricos’ quantos nos países ‘pobres’”. Você concorda? Mesmo 
nas sociedades mais ricas, os recursos disponíveis são limitados e encontra-
remos desejos não atendidos. Depois que o consumidor compra uma moto, 
ele vai querer um carro, depois outro carro, depois um iate, um avião, e 
assim por diante. Perceba que, por maior que seja a quantidade disponível 
dos recursos produtivos, eles não conseguirão suprir todos os desejos do ser 
humano, pois ele sempre deseja mais (e nunca está totalmente satisfeito). 
E qual a implicação disso? Todos precisamos fazer escolhas, e a economia 
surge dessa necessidade, por isso também é conhecida como a ciência da 
escolha ou da escassez. Então, podemos dizer, de uma forma resumida: as 
necessidades infinitas frente aos recursos produtivos limitados fazem com 
que os agentes econômicos tenham que fazer escolhas em um ambiente 
de escassez.
Assimile
A economia surgiu como ciência a partir da constatação de duas reali-
dades: as necessidades humanas são infinitas e os recursos produtivos 
para atendê-las são limitados.
É importante que você perceba que, quando falamos sobre os recursos 
produtivos (ou fatores deos preços que quer praticar). 
O nosso foco agora, entretanto, são as estruturas intermediárias, que 
também são as mais frequentes no mundo atual: o oligopólio, o oligopsônio e 
a concorrência monopolista. Sabe que existe uma característica que ocorre em 
43
todas elas? É a interdependência mútua, fundamental para definir as estraté-
gias de uma empresa! Vamos conhecê-las, então, começando pelo oligopólio.
O termo oligopólio também tem origem grega (oligos significa “poucos”, 
e polein se refere ao processo de venda) e ocorre quando existe um número 
reduzido de empresas (poucos vendedores) que dispõem de poder suficiente 
para exercer algum tipo de controle sobre o preço. Note que o que caracte-
riza um oligopólio não é o pequeno número total de empresas, mas o fato de 
poucas possuírem muito poder. 
Assimile
O oligopólio tem mais ofertantes do que o monopólio, contudo, a maior 
parcela do mercado fica concentrada em poucos vendedores.
A presença da estrutura de mercado do oligopólio é facilmente perce-
bida em setores como de telefonia móvel brasileira, em que quatro 
empresas dominam o mercado e o número de outros fornecedores é 
irrisório (CHIAPINOTO et al., 2017). No Brasil, setores como de refrige-
rantes também são oligopólios: segundo dados da Associação Brasileira das 
Indústrias de Refrigerantes (ABIR) citados por Gentilini (2011), em 2008, 
havia 835 fabricantes de refrigerantes que, segundo Motomura (2011) fabri-
cavam 3.500 marcas, que incluíam sabores como de abacaxi e de guaraná 
com catuaba. Contudo, esse grande número de marcas e fabricantes não 
impede que as marcas ligadas ao principal fabricante detenham quase 60% 
do mercado nacional de refrigerantes (BOUÇAS, 2018).
Por meio desses exemplos, você pode perceber que, no oligopólio, 
os produtos tanto podem ser diferenciados (como os refrigerantes, que 
apresentam embalagens, sabor, volumetria etc. diferentes), quanto homogê-
neos (como os serviços de telefonia, as indústrias de cobre etc.). Uma das 
características que costuma estar presente nessa estrutura é a economia de 
escala (resultando em que quanto maior a produção menor o custo médio 
por unidade produzida, fazendo com que as empresas de maior porte tenham 
custos menores). Dessa forma, é comum que ocorram fusões e aquisições 
entre as empresas operando nesse mercado, pois elas buscam reduzir os seus 
custos e aumentar sua participação de mercado. Se você olhar para o que está 
acontecendo no mundo, em setores como bancos e fabricantes de automóveis 
ou aviões, terá a confirmação dessa informação.
Nesse mercado, as decisões de cada firma sobre o preço a ser cobrado 
e outros aspectos chave precisam considerar não apenas os seus custos e a 
demanda de mercado, mas também as possíveis reações de seus rivais, já 
que o índice de concentração do mercado é alto (um oligopolista leva em 
44
consideração e reage às decisões de preço e produção dos outros oligopolistas 
do setor). Por isso, conhecer a elasticidade preço cruzada da demanda de 
um produto em relação aos seus principais concorrentes poderá fazer muita 
diferença. 
Qual a consequência desse cenário? Em muitas situações, a dificuldade de 
previsão das ações e reações dos outros agentes gera uma elevada incerteza, 
que faz com que as empresas optem por evitar guerras de preços, fazendo 
com que, em alguns oligopólios, os preços acabem apresentando pouca 
diferença entre si. 
Dentro desse tipo de comportamento das empresas oligopolistas 
(de evitar uma guerra de preços), podemos ver dois tipos de estratégias 
diferentes: liderança de preço e competição extra preço. Vamos entendê-
-las? Na liderança de preços, uma empresa oligopolista dominante (pela sua 
participação no mercado e/ou capacidade de trabalhar com custos menores) 
estipula o seu preço de venda (mais baixo). As outras empresas participantes 
desse mercado, apesar de poderem cobrar o preço que quiserem pelos seus 
produtos, acabam copiando o preço da empresa líder (como se tivessem um 
acordo informal), pois se cobrarem preços maiores do que o do oligopolista 
dominante seriam eliminadas do mercado. Já na estratégia de competição 
extra preço não há acordos (formais ou informais) entre os oligopolistas e a 
competição entre eles acontece por meio de guerras publicitárias, na tenta-
tiva de chamar a atenção do cliente em potencial. Assim, amostras grátis, 
brindes, campanhas publicitárias na internet, na televisão ou outras mídias 
são ações implementadas por esses oligopolistas para cativar o consumidor, 
que até aceitará pagar um preço maior do que o preço os concorrentes, levan-
do-se em conta a marca (altamente impactada pelo marketing) e a qualidade 
do produto. 
No entanto, pense agora por um momento: se você estivesse à frente de 
uma das (poucas) firmas líderes de mercado operando em um oligopólio, 
que tipo de estratégias você pensaria em estabelecer para minimizar os 
seus riscos e maximizar seus lucros? Será que a ideia de fazer um acordo 
com outros (poucos) oligopolistas passaria pela sua cabeça? Muitas pessoas 
diriam que sim! Com isso, você percebe, então, que o oligopólio estimula a 
elaboração de pactos entre as firmas?
Esses acordos envolvem fatores como preços, divisão dos mercados em 
termos geográficos etc. e nem sempre são expressos, ou seja, não necessa-
riamente os oligopolistas se reunirão para decidir alguma coisa, às vezes são 
acordos tácitos (apesar de não terem celebrado um acordo formal, os agentes 
atuam como se ele existisse). 
45
Dentre os acordos efetivamente celebrados, o tipo mais conhecido e mais 
danoso à sociedade é o cartel, caracterizado por um conluio entre empresas 
independentes entre si e que produzem o mesmo tipo de bens participantes. 
A partir desse acordo, alguma característica – em especial o preço ou cotas de 
produção – é definida por negociação entre as firmas, de forma a maximizar 
os lucros e eliminar a concorrência. Essas empresas passam a assemelhar-se a 
um monopólio, no sentido em que as empresas cartelizadas funcionam como 
uma única empresa (NUNES, 2019). O cartel é considerado crime pela legis-
lação brasileira e, no período em que esse material estava sendo escrito, a 
Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados havia 
aprovado uma proposta para aumentar a pena para esta prática (BITTAR, 
2019).
Assimile
Um dos principais problemas do oligopólio é a possibilidade e o estímulo 
que os agentes principais desse mercado dispõem para formação de 
cartel, que é um acordo entre os ofertantes a fim de eliminar a concor-
rência e trazer grandes prejuízos ao consumidor.
Contudo, como esse acordo ocorre à margem da lei e depende do 
compromisso de cada agente de manter o que foi acordado, em algumas 
situações a “tentação” de quebrar o acordo e reduzir os seus preços ou tomar 
alguma posição que aumente sua participação no mercado torna o equilí-
brio instável, apesar das vantagens dos acordos. Com isso, ações individuais 
independentes podem surgir, fazendo com que o conflito entre os interesses 
individuais dos integrantes do cartel e os interesses coletivos muitas vezes 
levem a uma guerra de preços.
Exemplificando
A partir de investigações conduzidas pela Polícia Federal que culmi-
naram em operação de busca e apreensão realizada em julho de 2008, 
seguidas por Termos de Compromisso de Cessação (TCC), o Tribunal do 
Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) condenou, em 10 
de abril de 2019, 27 postos de gasolina, duas distribuidoras e 12 pessoas 
físicas por prática de cartel e outras infrações à ordem econômica no 
mercado de distribuição e revenda de combustíveis na região metropo-
litana de Belo Horizonte, Minas Gerais. No total, foram aplicadas multas 
que somam R$ 156,9 milhões (CADE, 2019).
46
Reflita
Notícias de punições aos praticantes de cartel não são comuns de serem 
vistas. Qual seria o motivo da dificuldade de condenar essa prática? 
Uma dica: um dos princípios do direito diz que o ônus da prova tem que 
ser da acusação, ou seja,é preciso haver provas para condenar alguém
De acordo com Retamiro (2016, p. 182)
A cooperação entre os oligopolistas parece uma estra-
tégia mais interessante para todos. No entanto, apesar de 
desejável, a cooperação é bastante complexa e difícil. Isto 
nos leva a uma teoria usada na economia, que é chamada 
de teoria dos jogos, fundamentada em modelos de decisão, 
em que cada empresa (ou outro tipo de jogador) escolhe 
uma estratégia para maximizar os seus resultados, sendo 
que as estratégias da outra empresa (player) podem 
influenciar a sua escolha estratégica maximizadora de 
resultados. Portanto, irá se tratar de um estudo sobre a 
tomada de decisão estratégica, com base nas ações das 
outras empresas.
Essa incerteza sobre o comportamento alheio faz com que os agentes 
precisem considerar os diferentes cenários que poderão enfrentar, a partir 
das ações que elas e seus concorrentes poderão tomar. 
Essa forma cooperativa de pensar foi estudada por alguns pesquisadores, 
e o expoente dessa abordagem, que depois se mostrou revolucionária, foi 
John Nash, ganhador do Nobel de Economia de 1994 e que teve sua luta 
contra a esquizofrenia retratada no filme Uma Mente Brilhante, ganhador 
de oito prêmios Oscar em 2002. Se puder, assista esse filme, dando especial 
atenção à cena do bar, em que ele percebe que a busca da maximização da 
satisfação individual nem sempre resulta na melhor solução para todos e 
afirma, para espanto dos seus amigos: “Adam Smith estava errado”. 
Ele propõe uma abordagem na qual cada agente deve tomar suas decisões 
considerando as opções disponíveis para os outros agentes, o chamado equilí-
brio de Nash (NETO; MENDONÇA, 2011) que demonstra que, quando um 
agente considera as alternativas disponíveis para os outros agentes, nem 
sempre a solução mais provável será a solução ótima. Para mostrar o conceito 
de equilíbrio de Nash, vamos acompanhar uma de suas proposições mais 
conhecidas, o Dilema dos Prisioneiros. 
47
Imagine que dois perigosos marginais, Tripa-Seca e Quase-Nada, foram 
presos em flagrante, hoje pela manhã, com objetos roubados. Apesar de 
terem ocorrido praticamente no mesmo horário, as prisões foram em locais 
e circunstâncias diferentes, e eles sabem que a pena por esse crime é de seis 
meses. Contudo, o delegado responsável pela investigação tem certeza que a 
dupla foi responsável também por um assalto a banco de algumas semanas 
atrás, mas sabe que as provas que possui não são suficientes para condená-
-los. O delegado resolveu interrogar cada criminoso de forma separada, pois 
precisava que eles confessassem o crime de assalto a banco. No interrogatório 
do Tripa-Seca, o delegado disse para ele: “Olha, a gente sabe que você e o 
Quase-Nada assaltaram o banco e a gente até já prendeu ele. Então o negócio 
é o seguinte: se você confessar que participou do assalto a banco e afirmar 
que Quase-Nada também participou desse crime, eu consigo um acordo e 
você vai ser liberto, e ele pode pegar até dez anos de cadeia. Só que eu vou 
fazer a mesma proposta para ele e, se ele falar e você ficar quieto, Quase-Nada 
será solto e você vai ficar dez anos preso. No caso de vocês dois confessarem, 
aí cada um de vocês vai pegar três anos de encarceramento.” 
Antes de responder, Tripa-Seca pensa um pouco mais e pergunta: 
e se nenhum de nós dois confessar? O delegado então é obrigado a dizer 
que, nesse caso, os dois serão condenados apenas pelo crime dessa manhã 
(objetos roubados) e ficarão livres depois de seis meses de cadeia. Tripa-Seca 
tem meia hora para decidir e não pode falar com seu comparsa.
Resumindo a história, temos algumas possibilidades de conclusão desse 
caso: 1- caso um dos prisioneiros traia o outro, e o outro permaneça em 
silêncio, o que acusou é solto, imediatamente, enquanto quem ficou em 
silêncio pega dez anos de prisão; 2- caso os dois fiquem em silêncio sobre o 
crime no banco, a condenação é de seis meses para cada (pelo crime de roubo 
de objetos); e 3- caso ambos traiam a confiança do outro, cada um pega três 
anos de prisão. 
Ao analisar a situação, Tripa-Seca percebe que, se ele não confessar, terá 
a possibilidade de sair em apenas seis meses, mas, também corre o risco de 
ficar dez anos preso. Por outro lado, se confessar, garante que sua condenação 
não passará de três anos, podendo inclusive, ser solto, imediatamente. 
Qual é a questão chave? Ele não tem como saber como seu comparsa 
agirá! Se ele tivesse a certeza de que seu comparsa faria o mesmo, a melhor 
escolha seria não confessar (e ambos passariam seis meses presos). Mas, como 
ele não sabe qual a atitude que seu comparsa de crime tomará, qual seria a 
decisão que minimizaria o seu risco? Para chegar a essa conclusão, os prisio-
neiros devem analisar muito bem a situação. Caso Quase-Nada fique em 
silêncio, a melhor estratégia para Tripa-Seca é confessar (pois, dessa forma, 
48
ele ganharia a liberdade), já que, se ele não confessar, Tripa-Seca pegaria seis 
meses de cadeia. Por outro lado, caso Quase-Nada não fique em silêncio, a 
melhor estratégia para Tripa-Seca é, mais uma vez, confessar (passando três 
anos preso, em vez de dez anos, caso ficasse em silêncio). Ou seja, a melhor 
estratégia para ambos (independentemente do que o outro faça) é confessar, 
o que fará cada um deles permanecer três anos na cadeia. Mas, como vimos, 
esse resultado é péssimo para ambos, que poderiam pegar apenas seis meses 
de prisão cada, se um cooperasse com o outro, permanecendo em silêncio. 
Interessante, não é mesmo?
Isso é o que acontece em um mercado oligopolista: apesar de sempre ser vanta-
josa a cooperação mútua, será que o concorrente vai permanecer fiel na parceria 
ou, em algum momento, vai buscar o interesse próprio, quebrando o acordo?
Certamente, os oligopolistas gostariam de aproveitar 
todas as vantagens (lucro maior) que a cooperação lhes 
proporcionaria, mas o interesse próprio (dar uma burlada 
no acordo para tirar vantagens individuais) faz com que os 
oligopolistas compitam entre si, reduzindo a lucratividade 
de todos. Desta forma, o número de oligopolistas e a capaci-
dade de cooperação entre elas vai levar cada segmento 
oligopolizado a uma situação de maior ou menor lucro. 
Cabe ressaltar que alguns acordos (cartéis) não são permi-
tidos e que o controle governamental (feito por políticas 
antitrustes) sobre esses conluios também interfere nos 
resultados dos oligopolistas. (RETAMIRO, 2016, p. 185)
Já que terminamos de falar sobre o oligopólio, vamos aproveitar para 
analisar o oligopsônio? Você já deve ter concluído que essa estrutura ocorre 
quando há um grande número de vendedores e um pequeno número de 
compradores, correto? Contudo, você pode estar se questionando: com 
mercados tão desenvolvidos, será possível a existência de uma estrutura 
como essa ainda hoje?
Perceba: existem setores, como a produção de automóveis e de motoci-
cletas, em que há um pequeno número de montadoras de presença global 
que adquirem diversos produtos e serviços oferecidos por um grande 
número de fornecedores de menor porte. Isso faz com que as empresas 
oligopsonistas tenham ao seu redor vários fornecedores dos quais elas são as 
principais e, às vezes, únicas clientes dessas várias empresas. Outro exemplo 
ocorre no processamento de alimentos: produtos lácteos, sucos de frutas, 
processamento de grãos e similares são formados por um grande número 
49
de produtores rurais que normalmente enfrentam um número bastante 
reduzido de compradores para os seus produtos. 
É importante destacar que, ainda que possa parecer que os produtores sejam 
prejudicados quando um mercado se estrutura em um oligopsônio, em muitas 
situações, essa é a estrutura que melhor atenderá às necessidades do mercado. 
Vamos levar em conta o setor de grãos (como soja, milho etc.) que são produ-
zidos em propriedades a milhares de quilômetros de distância dos centros 
consumidores: os oligopsônios surgem pelas economias de escala que ocorrem 
nas operações de transporte, secagem,armazenamento e processamento. Se 
em vez de grandes grupos como os atuais houvesse uma enorme quantidade 
de pequenos transportadores, armazenadores e processadores, é provável que 
esses produtos acabassem chegando mais caros na mesa do consumidor.
A nossa última estrutura de mercado é um modelo um pouco mais 
recente na teoria econômica e que representa condições muito próximas da 
realidade atual: a concorrência monopolística. Apesar do nome, a associação 
com o monopólio é praticamente inexistente, pois há uma intensa concor-
rência entre os vendedores (ou seja, há um grande número de vendedores). 
Sua principal característica é a concorrência entre produtos que não são 
exatamente iguais (os produtos são heterogêneos), mas que apresentam 
similaridades entre si, ou seja, são similares, porém substitutos. 
Por exemplo: pense em setores como o de calçados, roupas e restaurantes. 
No setor calçadista há diversas lojas de sapatos, que vendem uma infinidade de 
modelos, tamanhos, cores etc., ou seja, os diversos sapatos (na mesma loja ou 
em lojas diferentes) travam uma disputa acirrada pela escolha do consumidor. 
Figura 2.2 | Pequena loja de calçados
Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/b6/Hanoi_shoe_shop.JPG/1024px-Ha-
noi_shoe_shop.JPG. Acesso em: 16 dez. 2019.
50
Nessa pequena loja da Figura 2.2, haverá vários produtos com enormes 
diferenças de preços (dependendo de características tangíveis e intangí-
veis), mas, basicamente, com a mesma função: calçar os pés. A escolha do 
consumidor levará em consideração diversos fatores, inclusive o preço, das 
diferentes alternativas.
A partir desse exemplo prático, podemos analisar os principais pressu-
postos da concorrência monopolística:
• Os consumidores são em grande número e apresentam reduzida 
força individual.
• As barreiras à entrada para os vendedores são quase nulas (livre 
entrada e saída de empresas) – diferentemente do mercado de oligo-
pólio, que possui grandes barreiras à entrada – fazendo com que a 
saída e entrada de agentes no mercado seja frequente.
• Apesar de poderem ser substituídos entre si, os produtos são perce-
bidos pelos consumidores como diferenciados.
• Há um número significativo de empresas no mercado que tem relativa 
liberdade de estabelecer o preço de seus produtos.
• A partir dessas condições, as empresas serão mutuamente afetadas 
pelas ações umas das outras.
Como há um grande número de empresas nesse mercado (pense em 
quantas lojas e modelos de roupa há na sua cidade, por exemplo, ou quantos 
contadores, advogados e arquitetos oferecem serviços em seu município), 
elas acabam por responder por uma pequena fatia dele. Além disso, a hetero-
geneidade do produto (tangíveis, como: cores, tamanhos, tipos de tecidos 
etc., ou intangíveis como: marcas, história, confiança, design etc.) permite 
que cada empresa cobre um preço diferente por ele (não há um único preço 
de equilíbrio do mercado, como acontece no mercado de concorrência 
perfeita). Nesse tipo de estrutura de mercado, o lucro acima do normal 
(chamado de lucro extraordinário ou supranormal) tende a desaparecer ao 
longo do tempo, pois inexistem barreiras para a entrada de novos concor-
rentes, que acabarão por dividir a lucratividade de todas as empresas partici-
pantes (por exemplo, se o setor de restaurantes começa a apresentar um lucro 
supranormal, isso vai estimular a entrada de outros empresários nesse ramo, 
e, quando uma pessoa for almoçar ou jantar, ela terá mais opções de escolha, 
fazendo com que a demanda total por refeições (todas as pessoas que procu-
raram um restaurante na hora das refeições) seja dividida entre um número 
maior de empresas.
51
Para conseguirem atrair a atenção dos consumidores, as diversas empresas 
que compõem o mercado de concorrência monopolística vão fazer uso de 
estratégias de marketing, tais como: brindes, liquidações, propagandas em 
sites de compra coletiva, atendimento dos funcionários, estacionamento 
grátis etc. No entanto, dificilmente veremos alguma delas conseguir fazer 
um anúncio no intervalo da novela das 21h (você já viu algum escritório 
de contabilidade da sua cidade fazer esse tipo de propaganda?), já que essas 
empresas não alcançam o poderio financeiro das que atuam no mercado 
oligopolístico, por exemplo. 
E qual seria, então, a palavra-chave para o sucesso nesse ambiente? Se 
você pensou em diferenciação, acertou, pois à medida em que uma marca 
ou produto consegue ser percebida como diferente, a liberdade para que o 
produtor altere seus preços e, assim, melhore seus resultados aumenta, o 
que faz com que as ações de propaganda apresentem grande importância 
nessa estrutura.
Para concluirmos, analise um dos fatores de maior importância na confor-
mação das estruturas de mercado de hoje: a tecnologia. Em alguns setores, 
podemos notar novas empresas surgindo e tomando espaço entre oligopólios 
já consolidados, como a entrada da Tesla e de montadoras coreanas, chinesas e 
indianas no mercado global de automóveis, e de empresas aéreas de baixo custo 
no mercado internacional de passagens aéreas. Em outros, é muito interessante 
notar a velocidade em que o protagonismo troca de mãos, como o mercado de 
celulares e smartphones, em que empresas como a Motorola e Nokia tiveram 
seu auge e perderam muito de sua relevância, e que, hoje, empresas como 
Samsumg e Xiaomi brigam para tirar o protagonismo da Apple. Contudo, 
isso não impede que, na próxima esquina da história, agentes como Google, 
Facebook, Amazon se posicionem como predominantes em um mercado.
E o que isso tudo tem a ver com você? Como muitos, você pode ser 
apenas um espectador e correr o risco de ser engolido por uma tendência 
de mercado, como os donos de videolocadoras. Por outro lado, você pode 
decidir ser protagonista e investir na sua capacitação.
E o que você acha de tomar as rédeas de sua história? Continue apren-
dendo mais sobre a economia!
Sem medo de errar
Você está lembrado de que Lucas é um dos diretores de uma grande 
empresa farmacêutica, a YY, que é líder no mercado brasileiro de remédios 
para dor de cabeça. Ele precisa aumentar as vendas, pois a empresa está 
52
operando com capacidade ociosa. Apesar de ser líder do mercado, a 
Empresa YY não tem exclusividade na venda do produto, trabalhando em 
um mercado oligopolizado. Frente a esse cenário, ele precisa responder 
a seguinte pergunta: para aumentar as vendas desse remédio para dor de 
cabeça, a redução do preço de venda seria uma boa alternativa ou existem 
outras estratégias mais adequadas? 
Para tomar uma decisão, Lucas precisa entender que o setor farmacêutico 
é um mercado oligopolizado (a maior parcela do mercado está concentrada 
em poucas empresas e existem muitos consumidores) e, por isso, a empresa 
YY tem que pensar na reação dos concorrentes a suas ações, pois há outros 
fabricantes do produto.
Como a Empresa YY é a líder do mercado, a tendência é que os outros 
participantes do mercado passem a cobrar um preço muito próximo àquele 
cobrado por ela pelo seu remédio para dor de cabeça. Por isso, se ela decidir 
reduzir o seu preço de venda, isso poderá dar início a uma guerra de preços, 
em que os resultados finais seriam ruins para a Empresa YY.
Diante desse quadro, uma boa alternativa a ser considerada por Lucas 
seria a possibilidade de adotar estratégias extra preço, como aumentar os 
investindo em ações de marketing, para tentar estabelecer, na mente do 
consumidor, uma percepção de que o remédio para dor de cabeça da Empresa 
YY é superior ao da concorrência (pois traz, por exemplo, alívio imediato, ou 
não dá sono em quem fizer uso dele etc.), o que permitirá à Empresa YY um 
aumento na participação de mercado.
Perceba como o entendimento da estrutura de mercado em que a empresa 
opera foi fundamental para a tomada de decisão correta? Isso é verdadeiro 
também para os outros assuntos apresentados nesta seção.
Avançando na prática
Atraindo novos clientes
Sônia é Raquel são irmãs e trabalhamem salão de beleza desde a adoles-
cência. Uma situação familiar inesperada fez com que elas tivessem que 
pedir demissão do salão onde trabalhavam há muitos anos e se mudassem 
para uma nova cidade. Logo depois de sua chegada, elas decidiram juntar 
as economias e o dinheiro da rescisão para abrir um novo salão na cidade 
onde se instalaram. Como não são conhecidas na cidade, elas precisam trazer 
novos clientes. De que forma o conhecimento das estruturas de mercado 
pode ajudá-las a resolver esse problema?
53
Resolução da situação-problema
Os salões de beleza constituem uma situação típica de mercado operando 
em concorrência monopolística, pois há uma grande quantidade de empresas 
oferecendo produtos e serviços similares, mas que são percebidos pelos 
consumidores como diferenciados. Nessa estrutura de mercado, ações de 
marketing podem trazer resultados muito significativos, por isso, as irmãs 
têm que colocar a “mão na massa” e desenvolver ações que atraiam clientes, 
como cupons de desconto, anúncios em sites de compra coletiva, massagem 
nos pés grátis e outras.
Faça valer a pena
1. O ambiente competitivo enfrentado pelas empresas a cada dia se torna 
mais acirrado e complexo e entender as diferentes estruturas de mercado é 
um diferencial estratégico. A estrutura de mercado em que há um grande 
número de vendedores que só pode vender seus produtos para um pequeno 
número de compradores é chamada de.
Assinale a alternativa correta.
a. Monopólio.
b. Monopsônio.
c. Oligopólio.
d. Oligopsônio.
e. Concorrência monopolística. 
2. As estruturas de mercado são simplificações da realidade que buscam 
demonstrar os aspectos fundamentais da organização de um mercado, 
a partir de características observadas em mercados existentes, em que a 
interação das forças de oferta e da demanda assumem papel fundamental.
A partir do referencial teórico das diferentes estruturas de mercado, julgue 
as afirmativas a
seguir em (V) Verdadeiras ou (F) Falsas.
( ) A característica fundamental do oligopólio é o grande número de 
vendedores, que impedem a concentração do mercado na mão de algumas 
empresas mais poderosas.
54
( ) Apesar de constituir crime, as condenações por formação de cartel são 
raras, e isso decorre da dificuldade de comprovar que ocorreu acordo explí-
cito para sua efetivação.
( ) Na concorrência monopolística ocorre uma intensa concorrência pois 
os produtos são exatamente iguais, disputando, entre si, a escolha do consu-
midor.
( ) No oligopsônio, as empresas compradoras apresentam uma força reduzida 
frente aos vendedores e a entrada e saída de novos agentes é fácil.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA.
a. V – V – F – F.
b. F – F – V – V.
c. V – F – V – F.
d. V – F – V – V.
e. F – V – F – F.
3. De acordo com Garcia e Vasconcellos, (2005, p. 35): 
A partir da demanda e da oferta de mercado são deter-
minados o preço e a quantidade de equilíbrio de um dado 
bem ou serviço. O preço e a quantidade, entretanto, depen-
derão da particular forma ou estrutura desse mercado, ou 
seja, se ele é competitivo, com muitas empresas, produ-
zindo um dado produto, ou concentrado em poucas ou em 
uma única empresa.
Com base nas estruturas de mercado, avalie as seguintes asserções e a relação 
proposta entre elas.
I. Muitos oligopólios surgem e se mantêm pela existência de barreiras 
à entrada geradas por economias de escala. 
PORQUE
II. As economias de escala surgem quando outras empresas participantes 
do oligopólio seguem o preço estabelecido pela empresa dominante.
55
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
a. As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não justifica a I.
b. As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II justifica a I.
c. A asserção I é uma proposição verdadeira e a II, falsa.
d. A asserção I é uma proposição falsa e a II, verdadeira.
e. As asserções I e II são proposições falsas. 
Referências
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https://www.portal-gestao.com/artigos/7545-o-que-são-barreiras--entrada.html. Acesso em: 23 
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Unidade 3
Flávio Benilton da Silva Medeiros
Aspectos gerais de macroeconomia
Convite ao estudo
Olá, seja bem-vindo a mais um encontro; é um grande prazer ter 
novamente a sua companhia. Você consegue lembrar de situações em que 
uma empresa que parecia estar com tudo em ordem foi surpreendida por 
alguma alteração no ambiente econômico que trouxe impactos tão severos 
que a perpetuação dela foi comprometida? Então, você já se deu conta de 
que, por mais que uma empresa possa ser bem administrada, conhecer o 
ambiente econômico onde ela está inserida é fundamental.
Por isso, vamos conhecer a macroeconomia, que procura ter uma visão 
ampla do funcionamento da economia, que estuda temas como: cresci-
mento econômico, inflação, comércio exterior, desemprego, déficit público 
etc. Começaremos aqui conhecendo como a economia analisa as relações 
econômicas de um país com o exterior por meio do registro do seu balanço 
de pagamentos; em seguida, vamos aprender como o câmbio é um aspecto 
fundamental das relações entre os países e, por fim, nos atualizaremos em 
relação aos processos de formação de blocos econômicos (tudo isso na Seção 
3.1). Na sequência, você irá conhecer um dos debates mais importantes da 
economia: qual deve ser o tamanho do Estado e quanto ele deve intervir 
na atividade econômica, acompanhando duas correntes de pensamento: o 
liberalismo econômico e o keynesianismo. Você, então, entenderá o conceito 
da mão invisível do mercado e as outras ideias originalmente propostas por 
Adam Smith. Conhecerá também as ideias de Keynes, o principal crítico da 
abordagem clássica, que defendeu a intervenção econômica do governo na 
economia, e perceberá como sua influência perdura até os dias atuais (tudo 
isso na Seção 3.2). Por fim, dada a importância da política econômica, é 
preciso que você conheça, na Seção 3.3, as funções do governo, os mercados 
econômicos, as metas econômicas e as políticas utilizadas para atingi-las.Pronto para essa jornada?
60
Seção 1
Economia externa
Diálogo aberto
Olá, aluno. Temos certeza de que você já ouviu falar sobre exportações, 
importações e câmbio, uma vez que esses assuntos frequentemente estão 
presentes nas principais notícias de vários jornais. Mas, você sabe o quanto 
eles afetam a economia em geral e a nossa qualidade de vida, em particular? 
Será que esses temas afetam o desempenho econômico das empresas? E os 
empregos oferecidos por elas? Talvez a empresa para a qual você esteja traba-
lhando, atualmente, faça parte de um setor que esteja ligado ao comércio 
internacional e você nem tenha se atentado a isso! 
Para lhe ajudar a entender a dimensão e a abrangência desses aspectos, 
nós analisaremos a situação enfrentada por Ricardo, que é o responsável 
pelas vendas de um abatedouro de frangos que está em processo de expansão. 
O abatedouro recebeu, recentemente, o credenciamento do Ministério da 
Agricultura para exportação e está muito próximo de fechar um grande 
contrato com um grupo do Oriente Médio para enviar um lote de várias 
toneladas de carne. Com o avanço das negociações, o dono da empresa 
chamou Ricardo para uma conversa e pediu sua opinião a respeito de ideia 
de ampliar as instalações para tentar exportar mais. Considerando que as 
perspectivas para o futuro da economia são de desvalorização do Real, você 
acredita que Ricardo deva recomendar a ampliação? 
Ao estudar os conceitos necessários para responder à pergunta, você 
compreenderá a importância das questões relativas à economia externa e 
sua influência sobre a atividade econômica e o desenvolvimento de um país. 
Além disso, irá adquirir conhecimentos que podem lhe trazer um diferencial 
competitivo no mercado de trabalho.
Lembre-se: você é o responsável pela gestão de sua própria carreira e sua 
dedicação será recompensada. Mantenha o alto nível de comprometimento, 
ok? Vai valer a pena.
Não pode faltar
Que bom ter você aqui novamente, seja bem-vindo! Deixe-me fazer uma 
pergunta: você já parou pra analisar o quanto as profissões estão cada dia 
mais especializadas? Você consegue ver isso até em atividades mais tradi-
cionais como a de pedreiro, em que é possível ver especialistas em nichos 
61
específicos –como acabamento, fundação etc. E isso se dá porque as pessoas 
estão percebendo que a especialização é vantajosa para todos, pois ela está 
diretamente ligada ao aumento da produtividade. Se você analisar com 
atenção, nas sociedades de renda mais elevada esse fenômeno é percebido 
em todas as atividades. 
Essa constatação é fundamental para responder uma questão que 
normalmente desperta muitas controvérsias: qual é a melhor estratégia para 
um país: produzir tudo internamente ou realizar trocas com outros países? 
Em algumas situações, a resposta é clara: se um país consegue comprar um 
produto de outro país por um preço inferior ao custo que teria para produ-
zi-lo ou consegue vender outro produto por um preço menor do que o custo 
que esse outro país teria para produzi-lo, os dois saem ganhando com uma 
transação internacional. Esse é o conceito das vantagens absolutas proposto 
por Adam Smith.
Exemplificando
O Brasil produz apenas parte do trigo que consome, importando grande 
parte desse trigo da Argentina. Ao mesmo tempo, boa parte do minério 
de ferro consumido pela Argentina tem origem no Brasil. Com isso, 
tanto os consumidores argentinos quanto brasileiros têm acesso a trigo 
e minério de ferro a preços menores se comparados a um cenário em 
que os países não realizassem comércio entre si.
Contudo, em muitas situações, um país pode ser melhor do que outro 
em diversos produtos (alcançando custo de produção menor ou maior quali-
dade, por exemplo), podendo parecer que ele não teria vantagem em realizar 
comércio. Como ficaria essa situação? Para responder a esse desafio, preci-
samos lembrar do conceito do custo de oportunidade, que é basicamente o 
que um país deixaria de ganhar ao decidir produzir determinado produto 
ao invés de outro. Podemos expressar esse conceito com uma situação 
simples: imagine um neurocirurgião que também é um excelente jardineiro. 
Se ele precisar desmarcar uma consulta para cuidar do seu jardim, simples-
mente porque poderia fazer um trabalho melhor do que o jardineiro de 
sua vizinhança, estaria tomando uma boa decisão? Certamente que não! O 
mesmo raciocínio se aplica aos países: eles devem se concentrar em produzir 
os produtos nos quais são mais competentes, pois seus recursos de produção 
são limitados (MANKIW, 2013).
Para os países de menos recursos, poder oferecer produtos e serviços de 
menor custo para sua população resultará em uma melhora na qualidade de 
vida. É por isso que a maior parte dos economistas defende a redução das 
62
barreiras comerciais entres os países como instrumento para melhoria da 
qualidade de vida da população. Nas palavras de Mankiw (2013, p. 53), “o 
comércio pode beneficiar todos os membros da sociedade porque permite 
que as pessoas se especializem em atividades nas quais têm uma vantagem 
comparativa”. 
Além disso, vale destacar que os países não conseguem produzir inter-
namente tudo o que precisam (existe a possibilidade, por exemplo, de se 
produzir uma fruta tropical na Islândia ou extrair ferro em um país que não 
tem esse metal em seu subsolo?). Com isso, o comércio internacional sempre 
teve grande importância nas transações econômicas dos países, sendo que, 
inclusive, ao longo dos anos, foram criadas outras estratégias para facilitar 
as trocas internacionais, como a formação de blocos econômicos (ou blocos 
comerciais). Cabe destacar que alianças econômicas entre países sempre 
existiram, contudo, uma das marcas do final do século passado foi a multipli-
cação dos blocos econômicos pelo mundo. 
Atualmente, há distintos tipos de blocos econômicos, cujas diferentes 
denominações refletem os níveis de integração entre os seus países-membros. 
Vamos entendê-los? O marco inicial dos blocos comerciais foi a Comunidade 
Europeia do Carvão e do Aço, criada em 1951, com o objetivo principal de 
superar as rivalidades centenárias entre alguns países europeus (que culmi-
naram com a Segunda Guerra Mundial). O acordo foi uma evolução do 
Montanunion, um plano proposto por Robert Schuman (ministro francês das 
Relações Exteriores do pós-guerra e considerado o “pai da União Europeia”) 
de uma comunidade que integrasse a produção franco-alemã de carvão e 
aço. Os membros iniciais (Alemanha, França, Itália, Bélgica, Luxemburgo e 
Holanda) se comprometeram a garantir um mercado livre de taxações para 
exportação e importação de aço e carvão, de forma a não prejudicar o livre 
comércio (WAGNER, 2020).
Reflita
As penalidades econômicas impostas à Alemanha no final da Primeira 
Guerra Mundial impulsionaram o ambiente de revolta que abriu espaço 
para o nazismo. Já no final da Segunda Guerra, os Estados Unidos 
fizeram com que Alemanha, Itália e o Japão, em especial, se tornassem 
seus parceiros comerciais. Você acha que parcerias comerciais que 
proporcionem ganhos para todos os participantes podem funcionar 
como inibidoras de guerras? Reflita sobre o assunto!
A eliminação (ou diminuição significativa) das tarifas alfandegárias dos 
produtos comercializados entre os países-membros caracterizam a Zona 
63
de livre comércio, o primeiro dos diferentes arranjos dos blocos comerciais 
(o NAFTA – North American Free Trade Agreement é um exemplo de zona 
de livre comércio em que Estados Unidos, Canadá e México fazem transa-
ções comerciais entre si, livres (ou quase totalmente livres) de tarifação. Por 
sua vez, na União Aduaneira, além de ter as mesmas características de uma 
Zona de Livre Comércio, os países-membros adotam uma Tarifa Externa 
Comum (TEC) aplicada aos produtos advindos de países não membros dos 
blocos. Atualmente, o Mercosul (Mercado Comum do Sul), que entrou em 
vigor em 1995, tendo como membros efetivos Argentina, Brasil, Paraguai e 
o Uruguai, estabeleceu uma TEC para diversos produtos(PIANI; KUME, 
2005). Contudo, a situação de União Aduaneira nunca se efetivou plena-
mente nesse bloco, pois fatores como as disparidades de industrialização e 
de política econômica, entre outros, aliados ao grande número de exceções 
na Tarifa Externa Comum e nas tarifas no comércio entre os membros têm 
impedido sua efetivação como União Aduaneira (FURTADO, 2017). 
Para passar de União Aduaneira para Mercado Comum (outro tipo de 
bloco econômico), é necessário um grande avanço, pois, além dele apresentar 
todas as características de uma União Aduaneira, as fronteiras entre os seus 
membros tornam-se quase inexistentes, em termos comerciais e de mobili-
dade populacional, pois produtos, pessoas, bens, capital e trabalho podem 
circular livremente. Se você gosta de futebol, sabe que alguns campeonatos 
europeus aceitam uma quantidade limitada de jogadores estrangeiros em 
cada equipe. Dentro dessa realidade, atletas italianos não são vistos como 
estrangeiros em uma equipe alemã, por exemplo, já que Itália e Alemanha 
fazem parte da União Europeia (UE), um bloco econômico que tem caracte-
rísticas de Mercado Comum, permitindo a livre circulação de pessoas dentro 
dos países-membros (vale dizer que, pelo mesmo motivo, futebolistas brasi-
leiros buscam obter cidadania europeia, para que não entrem na quota de um 
jogador estrangeiro em sua equipe). 
Por fim, a forma mais ampla (completa) de os países se unirem em blocos 
econômicos é a União Econômica e Monetária, em que, além de todas as 
características de um Mercado Comum, há uma moeda comum que substitui 
as moedas locais ou passa a valer comercialmente em todos os países-mem-
bros. Também é criado um Banco Central do bloco, que passa a adotar uma 
política econômica comum para todos os integrantes. No mundo, o único 
exemplo tanto de Mercado Comum quanto de União Econômica e Monetária 
é a União Europeia (UE), que foi elevada a esse patamar, em 1993, após a 
assinatura, no ano anterior, do Tratado de Maastricht.
Apesar das vantagens comprovadas dos processos de integração e de 
abertura comercial, a existência de barreiras comerciais ainda é a realidade 
mundial. Em muitas situações, a preservação de empresas e setores estratégicos 
64
é apresentada como justificativa para impedir a queda de barreiras. Ainda 
que possam ser identificadas algumas situações que justificariam exceções 
(e o fato de que o país precisa estimular o aumento da produtividade dos 
seus diferentes setores), experiências como a da indústria de computadores 
do Brasil, nos anos 1990, o protecionismo europeu em relação aos produtos 
agrícolas de países em desenvolvimento e as barreiras impostas pelo governo 
americano em relação ao aço mostram que, na maioria das vezes, os consu-
midores acabam sendo os mais prejudicados nessas situações.
Mas, quando um país faz uma transação econômica com outra nação, 
onde esse registro é feito? Que parâmetros são usados? Antes de dar a 
resposta para essas perguntas, é importante que você entenda que para 
se efetuar qualquer análise é preciso ter indicadores de referência, que só 
existirão se os processos forem medidos com os mesmos padrões. É por isso 
que as regras contábeis são fundamentais, pois elas estabelecem indicadores 
de resultado que podem ser utilizados como elementos de comparação. Esse 
raciocínio serve tanto para organizações quanto para países: se as regras 
forem diferentes, a comparação será difícil e, às vezes, impossível, concorda?
Dessa forma, os indicadores mais importantes das contas externas são 
as reservas internacionais, a dívida externa e o balanço de pagamentos (BP). 
No Brasil, o responsável pelo registro e a divulgação mensal desses indica-
dores é o Banco Central (BC), que segue a metodologia estabelecida pelo 
Fundo Monetário Internacional (FMI), elaborada com o intuito de garantir 
a uniformidade e comparabilidade entre as diferentes economias do mundo 
(ALVIM et al., 2017). 
Nosso foco, aqui, será o balanço de pagamentos. Entre janeiro de 2001 e 
maio de 2015, o Brasil seguia a metodologia recomendada na 5ª edição do 
Manual do Balanço de Pagamentos, editada pelo FMI, em 1993. Em 2015, o 
BC atualizou a metodologia de acordo com a 6ª edição do Manual de Balanço 
de Pagamentos e Posição Internacional de Investimentos (BPM6), publicada 
em 2009 (VECCHI, 2017).
Assimile
O balanço de pagamentos é a conta onde se registram todas as transa-
ções econômicas de um país com o resto do mundo. Sempre que uma 
transação internacional trouxer moeda estrangeira para o país (como a 
venda de uma mercadoria ao exterior, chamada de exportação), ela é 
lançada com o sinal positivo para cálculo do saldo do BP. Por outro lado, 
quando uma transação econômica internacional gerar a saída de moeda 
estrangeira do país (como a compra de uma mercadoria estrangeira do 
exterior, chamada de importação), ela é lançada com o sinal negativo 
para o cálculo do saldo do BP.
65
Assim, quando as entradas de moeda estrangeira no país (por expor-
tações, turismo internacional no país, empréstimos internacionais ao 
país etc.) superam as saídas (por importações, turismo de residentes no 
exterior, envio de lucro de filiais no país à sede no exterior etc.), dizemos 
que houve um superávit no BP (BP > 0). No caso contrário (saídas de 
moeda estrangeira maiores do que entradas de moedas estrangeiras no 
país), dizemos que houve déficit no BP (BPimporta matéria-
-prima do México, ela não vai pagar em reais (moeda brasileira) por essa 
operação comercial, mas em dólar.
Assim, imagine, inicialmente, que um país só faça duas transações 
comerciais com o exterior: exportações para o Marrocos no montante 
de 200 dólares e importações do México no valor de 100 dólares. Isso 
vai fazer as reservas em moeda estrangeira do Brasil (chamadas de 
reservas internacionais) aumentarem em 100 dólares. 
Agora, pense em uma outra situação: as exportações para o Marrocos 
caírem para 100 dólares e as importações do México subirem para 180 
dólares. Esse déficit no balanço de pagamentos de 80 dólares precisa 
ser pago em moeda aceita internacionalmente, não poderá ser pago 
em reais, concorda? Por isso, será necessário retirar 80 dólares das 
reservas internacionais do Brasil. Caso não existisse reserva interna-
cional suficiente (no caso, os 80 dólares), o Brasil teria de pegar dólar 
emprestado com o FMI para honrar esses compromissos em moeda 
estrangeira.
Para finalizarmos nossa abordagem da economia externa, vamos falar 
de um tema indispensável: a taxa de câmbio. A palavra câmbio quer dizer 
mudança, e esse sentido é mantido na análise econômica: podemos consi-
derar a moeda estrangeira (também chamada de divisa, como o dólar, euro 
etc.) uma mercadoria e o preço para trocá-la por moeda nacional (a taxa de 
câmbio) é definido pelas forças de oferta e demanda.
Outro aspecto importante é que, apesar de ser muito comum as pessoas 
falarem que o dólar subiu ou desceu, essa forma não é a mais adequada. A 
análise deve ser feita sempre tendo como referência o comportamento da 
moeda do país em relação à moeda estrangeira, ok?
67
Vocabulário
Taxa de câmbio é o preço pago em moeda nacional por uma unidade de 
moeda estrangeira. Assim, se você ouve que a taxa de câmbio do real 
em relação ao dólar está em 4,10, isso significa dizer que são necessá-
rios R$ 4,10 (quatro reais e dez centavos) para a aquisição de US$ 1,00 
(um dólar).
Por isso, todas as vezes em que houver uma demanda por dólares maior 
do que oferta (por exemplo, de forma simplificada, quando tem mais gente 
importando mercadorias – que precisarão ser pagas em dólar – do que expor-
tando – que traria dólar ao país), o seu preço (cotação) irá aumentar. Com 
isso, serão necessárias mais unidades de real para comprar uma unidade de 
dólar, o que significa que o real se desvalorizou frente ao dólar. No sentido 
inverso, todas as vezes que o oferta de dólares for maior do que a demanda 
(por exemplo, de forma simplificada, quando tem mais gente exportando 
mercadorias – quem exportou recebe em dólar, mas troca essa moeda por 
reais para fazer suas transações econômicas dentro do Brasil – do que impor-
tando – que fará com que haja demanda por dólares para o seu pagamento), 
serão necessárias menos unidades de real para adquirir uma unidade de 
dólar, ou seja, o real se valorizou. 
Mudanças na taxa de câmbio afetam diversos setores econômicos, em 
especial importadores e exportadores. Vamos entender isso? Com a valori-
zação da moeda nacional, a quantidade de reais para comprar os produtos 
importados cairá. Essa redução de custo será transmitida pelos importadores 
aos preços dos produtos no Brasil, pressionando os produtores nacionais 
a reduzirem os seus preços (o que colabora para a redução da inflação do 
país). Ao mesmo tempo, as exportações ficarão mais caras para o comprador 
internacional, o que reduzirá a competitividade das empresas brasileiras que 
vendem mercadorias no exterior, fazendo com que que a produção diminua 
e o desemprego cresça.
Por sua vez, quando a moeda nacional se desvaloriza, as exportações 
ficarão mais baratas (para o comprador internacional) e as importações 
ficarão mais caras para os brasileiros. O resultado é que as exportações irão 
crescer, o que irá aumentar a atividade econômica e o nível de emprego. 
Contudo, os produtos importados ficarão mais caros, o que irá pressionar a 
inflação do país.
68
Exemplificando
Situação 1 (desvalorização da moeda nacional causando impacto 
sobre exportações): 
• Câmbio hoje: R$ 1,00 = US$ 1,00:
Uma empresa situada no Brasil vende um chaveiro por R$ 1,00 (um real). 
Se alguém nos EUA quiser comprar 1 unidade deste chaveiro, precisará 
gastar US$ 1,00 (um dólar), pois, pelo câmbio de hoje, US$ 1,00 (um 
dólar) é trocado por R$ 1,00 (um real).
• Câmbio amanhã: R$ 2,00 = US$ 1,00 (moeda nacional se desva-
lorizou):
A empresa situada no Brasil continua a vender um chaveiro por R$ 1,00 
(um real). Se alguém nos EUA quiser comprar 1 unidade deste chaveiro, 
precisará gastar apenas US$ 0,50 (cinquenta centavos de dólar), pois, 
pelo câmbio de amanhã, US$ 1,00 (um dólar) é trocado por R$ 2,00 
(dois reais) e o valor de venda do chaveiro é de apenas de R$ 1,00 (um 
real). Ou seja, para o comprador norte-americano, o chaveiro ficou mais 
barato pela alteração do câmbio.
Ou seja, sempre que a moeda nacional se desvaloriza, há uma tendência 
ao aumento do volume das exportações (pois elas ficam mais baratas ao 
comprador estrangeiro).
Situação 2 (desvalorização da moeda nacional causando impacto 
sobre importações): 
• Câmbio hoje: R$ 1,00 = US$ 1,00:
Uma empresa situada nos EUA vende um chaveiro por US$ 1,00 (um 
dólar). Se alguém no Brasil quiser comprar 1 unidade deste chaveiro, 
precisará gastar R$ 1,00, pois, pelo câmbio de hoje, R$ 1,00 (um real) 
é trocado por US$ 1,00 (um dólar), que é o preço do chaveiro nos EUA.
• Câmbio amanhã: R$ 2,00 = US$ 1,00 (a moeda nacional se desva-
lorizou):
A empresa situada nos EUA continua a vender um chaveiro por US$ 
1,00 (um dólar). Se alguém no Brasil quiser comprar 1 unidade deste 
chaveiro, precisará gastar R$ 2,00, pois, pelo câmbio de amanhã, para 
ter US$ 1,00 (um dólar), que é o preço do chaveiro nos EUA, o brasileiro 
terá que desembolsar R$ 2,00 (dois reais). Ou seja, para o comprador 
brasileiro, o chaveiro ficou mais caro pela alteração do câmbio.
Dessa forma, sempre que a moeda nacional se desvaloriza há uma 
tendência de diminuição do volume das importações (pois elas ficam 
mais caras ao comprador brasileiro).
Situação 3 (valorização da moeda nacional causando impacto sobre 
exportações): 
• Câmbio hoje: R$ 1,00 = US$ 1,00:
69
Uma empresa situada no Brasil vende um chaveiro por R$ 1,00 (um real). 
Se alguém nos EUA quiser comprar 1 unidade deste chaveiro, precisará 
gastar US$ 1,00 (um dólar), já que US$ 1,00 (um dólar) é trocado por R$ 
1,00 (um real), que é o preço do chaveiro.
• Câmbio amanhã: R$ 0,50 = US$ 1,00 (moeda nacional se valorizou):
A empresa situada no Brasil continua a vender um chaveiro por R$ 1,00 
(um real). Se alguém nos EUA quiser comprar 1 unidade deste chaveiro, 
precisará gastar US$ 2,00 (dois dólares), pois, com apenas US$ 1,00 
(um dólar), ele só conseguirá trocar por R$ 0,50 (cinquenta centavos de 
real), mas o preço do chaveiro é de R$ 1,00 (um real). Ou seja, para o 
comprador norte-americano, o chaveiro ficou mais caro pela alteração 
do câmbio.
Dessa forma, com moeda nacional valorizada há uma tendência de 
diminuição do volume das exportações do país (pois elas ficam mais 
caras ao comprador estrangeiro). 
Situação 4 (valorização da moeda nacional causando impacto sobre 
importações): 
• Câmbio hoje: R$ 1,00 = US$ 1,00:
Uma empresa situada nos EUA vende um chaveiro por US$ 1,00 (um 
dólar). Se alguém no Brasil quiser comprar 1 unidade deste chaveiro, 
precisará gastar R$ 1,00 (um real), pois, pelo câmbio, R$ 1,00 (um real) 
é trocado por US$ 1,00 (um dólar), que é o preço de venda do chaveiro 
nos EUA.
• Câmbio amanhã: R$ 0,50 = US$ 1,00 (moeda nacional se valorizou)
A empresa situada nos EUA continua a vender um chaveiro por US$ 
1,00 (um dólar). Se alguém no Brasil quiser comprar 1 unidade deste 
chaveiro, precisará gastar apenas R$ 0,50 (cinquenta centavos de real), 
pois pelo câmbio, R$ 0,50 (cinquenta centavos de real) é trocado por 
US$ 1,00 (um dólar), que é o preço de venda do chaveiro nos EUA. Ou 
seja, para o compradorbrasileiro, o chaveiro ficou mais barato pela 
alteração do câmbio.
Dessa forma, quando a moeda nacional se valoriza há uma tendência 
de aumento do volume das importações no país (pois elas ficam mais 
baratas ao comprador brasileiro).
Assimile
Produtos importados ficam mais baratos com a valorização da moeda 
nacional (o que ajuda a controlar a inflação do país), mas as exporta-
ções ficam mais caras (o que prejudica o crescimento da produção e do 
emprego no país). Por outro lado, a desvalorização da moeda nacional 
tende a aumentar a atividade econômica e o nível de emprego (por 
70
causa do aumento das exportações), apesar de ela dificultar o combate 
à inflação (já que, com esse cenário, as importações ficam mais caras).
Considerando a intensidade da influência do câmbio sobre a atividade 
econômica, você poderá estar pensando se não seria adequado manter a 
taxa de câmbio sob o controle do governo. Vamos entender isso? Em uma 
situação extrema, o governo pode, por exemplo, congelar a taxa de câmbio 
em um determinado patamar (o chamado regime de câmbio fixo). Nesse tipo 
de regime cambial, para manter o câmbio fixo, o governo precisa intervir 
constantemente no mercado cambial, comprando dólar (quando há uma 
entrada de divisas maior do que uma saída de divisas no país), ou vendendo 
dólar (quando há uma saída de divisas maior do que uma entrada de divisas 
no país). Esse modelo cambial traz uma grande segurança para investidores 
estrangeiros e para as empresas que atuam no mercado internacional, impor-
tando ou exportando, já que eles sabem, exatamente, qual será a taxa de 
câmbio a ser usada em cada transação (pois a taxa de câmbio é a mesma, dia 
após dia). No entanto, o câmbio fixo traz a necessidade de um volume muito 
grande de reservas internacionais, o que pode ser um problema para muitos 
países. 
Em uma perspectiva totalmente oposta ao câmbio fixo, temos o câmbio 
flutuante (também chamado de livre ou flexível), em que o governo não 
intervém, em momento algum, no mercado cambial. Nesse tipo de regime 
cambial, a relação demanda versus oferta de moeda internacional vai 
alterando a taxa de câmbio. Assim, quando há um aumento da demanda por 
dólar (isso acontece sempre que há uma saída de divisa maior do que uma 
entrada de divisa no país), o preço do dólar sobe, ou seja, a moeda nacional 
se desvaloriza. Por outro lado, quando há um aumento da demanda por 
real (isso acontece sempre que há uma entrada de divisa maior do que uma 
saída do país), o preço do real sobe, isto é, a moeda nacional se valoriza. O 
regime de câmbio flutuante traz insegurança para investidores estrangeiros e 
agentes que atuam diretamente no comércio exterior, pois a cotação do dólar 
é alterada a todo momento. No entanto, ele deixa que o próprio mercado 
regule a taxa de câmbio, fazendo com que o país não tenha de usar suas 
reservas internacionais em intervenções cambiais por parte do governo.
Há também outros regimes cambiais que misturam as características de 
câmbio fixo (com intervenções cambiais por parte do governo) e câmbio 
flexível (quando o governo deixa o câmbio flutuar livremente). Recentemente, 
no Brasil, foram usados dois tipos de câmbio híbridos: as bandas cambiais e 
a flutuação suja. Vamos entendê-los? O regime de bandas cambiais foi utili-
zado no Brasil, do início do Plano Real, em 1994, até 1999. Nesse regime, o 
71
governo estipula um valor mínimo (chamado de piso cambial) e um valor 
máximo (chamado de teto cambial) que ele aceita que a taxa de câmbio do 
país atinja. Assim, dentro desse intervalo (ou seja, dentro dessa banda), o 
governo permite que a taxa de câmbio flutue livremente (como acontece em 
um câmbio flutuante). No entanto, quando um excesso de saída de divisas do 
país força a taxa de câmbio a ficar em um patamar acima do teto cambial, o 
governo, através do Banco Central, intervém nesse mercado (característica 
de um câmbio fixo), vendendo dólar. Já quando um excesso de entrada de 
divisa pressiona a taxa de câmbio para um nível abaixo do piso cambial, o 
governo também intervém, mas, nesse caso, comprando dólar. As bandas 
cambiais trazem uma certa segurança aos agentes que atuam no mercado 
internacional (o que é uma vantagem desse regime cambial), pois todos eles 
sabem quais os valores cambiais, mínimos e máximos, em que serão feitas as 
transações econômicas internacionais. No entanto, como todos os agentes 
conhecem o intervalo de valores que o governo vai aceitar que o câmbio 
atinja, esse regime cambial é suscetível a ataques especulativos (o que é uma 
desvantagem dele). 
A flutuação suja (também chamada de dirty float), por sua vez, segue o 
mesmo princípio do regime de bandas cambiais, mas sem as pré estipulações 
dos valores mínimo (piso cambial) e máximo (teto cambial) que o governo 
vai aceitar para a taxa de câmbio, minimizando o risco de ataques especula-
tivos contra a moeda do país, mas ampliando as incertezas para os agentes 
que atuam no mercado internacional. 
Atualmente, no Brasil e em boa parte das economias do mundo, é utili-
zado o regime de flutuação suja. Moedas como o dólar representam um ativo 
buscado por quem procura segurança. Consequentemente, a demanda por 
dólar aumenta sempre que há alguma insegurança política ou econômica (o 
que traz desvalorizações para a moeda nacional). Em contrapartida, expec-
tativas positivas dos agentes internacionais em relação ao Brasil traduzem-se 
em aumento da entrada de dólares, tanto por investimentos diretos em 
atividades produtivas quanto em investimentos no mercado financeiro e de 
capitais, o que colabora com a valorização da moeda nacional. Quando esse 
“jogo” de entrada e saída de divisas do país foge do controle (valorizando 
ou desvalorizando a moeda nacional, além daquilo que o governo percebe 
como positivo para nossa economia), o Banco Central interfere no mercado 
cambial, ou vendendo dólar (quando nossa moeda se desvaloriza muito, 
comprometendo metas inflacionárias), ou comprando dólar (quando o real 
fica muito valorizado, comprometendo metas produtivas). 
Com isso, encerramos nossa seção dedicada à economia externa. Espero 
que você tenha gostado e percebido o quanto nosso dia a dia é influenciado 
72
pelas questões econômicas. Vamos continuar discutindo temas ligados ao 
nosso dia a dia nos próximos encontros, espero você lá, ok?
Sem medo de errar
A nossa situação-problema apresenta um aspecto muito frequente na 
questão cambial: em que medida a cotação da nossa moeda frente ao dólar 
afeta diferentes agentes. Você lembra da questão enfrentada pelo Ricardo, o 
responsável pelas vendas de um abatedouro de frangos que está em processo 
de expansão e que foi, recentemente, credenciado pelo Ministério da 
Agricultura para exportação. O abatedouro está em negociações avançadas 
para enviar um lote de várias toneladas de carne para um grupo do Oriente 
Médio e o dono da empresa pediu a opinião do Ricardo a respeito de uma 
ampliação das instalações para tentar exportar mais. Ricardo deve levar em 
consideração que as perspectivas para o futuro são de desvalorização do real 
frente ao dólar. Qual deve ser a recomendação dele para o dono da empresa?
Ricardo deve dizer ao dono do abatedouro que a desvalorização do real traz 
grandes vantagens para os exportadores, pois eles passam a vender mais para 
o exterior, já que as exportações ficam mais baratas para os compradores inter-
nacionais. Para entender isso, imagine que o quilo da carne de frango é vendido 
por R$ 8,00 e a taxa de câmbio é R$ 4,00 = US$ 1,00. Com essa taxa de câmbio, 
para comprar um quilo de carne, o grupo do Oriente Médio vai gastar US$ 2,00 
(dois dólares). No entanto, caso a moeda nacional se desvalorize (conforme as 
expectativas) e a taxa de câmbio mude, por exemplo, para R$ 4,21 = US$ 1,00, 
para comprar a mesma quantidade de frango (um quilo), o grupo do Oriente 
Médio precisaria desembolsar apenas US$ 1,90 (um dólar e noventa centavos). 
Por causa disso, se a empresa está credenciada paraexportar, encontrou um 
comprador no exterior e a perspectiva é de desvalorização da moeda nacional, 
o cenário futuro dela é muito positivo, e Ricardo deve dizer ao dono da abate-
douro que ele deve, sim, investir na ampliação de suas instalações, pois, prova-
velmente, haverá um aumento da demanda internacional por frango (causada 
pela desvalorização da moeda nacional).
Avançando na prática
Mudança de foco
Selma é franqueada em uma rede de agências de viagens, situada em uma 
cidade do interior de Minas Gerais. Ao longo dos últimos anos, ela teve uma 
73
demanda constante de viagens para diversos destinos dentro do Brasil e pouca 
procura para os Estados Unidos e a Europa. Contudo, ela está pensando em 
aumentar parcerias com outras agências no exterior, buscando aumentar a 
oferta de opções turísticas fora do Brasil. Em um cenário de valorização da 
moeda nacional, essa é uma estratégia recomendada?
Resolução da situação-problema
O custo de viagens para o exterior está diretamente relacionado à cotação 
da taxa de câmbio. Sempre que o real se valoriza (conforme o cenário 
apresentado), as viagens para o exterior tornam-se mais baratas em relação às 
viagens dentro do Brasil. Por isso, se a perspectiva é de valorização da moeda 
nacional, é importante que Selma se prepare para um aumento na demanda 
de viagens para o exterior.
Para comprovar isso, imagine que uma viagem de sete dias para os Estados 
Unidos seja vendida pela agência de viagens de Selma por US$ 2.000,00. Se a 
taxa de câmbio for de R$ 4,00 = US$ 1,00, um brasileiro que quiser fazer essa 
viagem internacional precisa desembolsar R$ 8.000,00. Já, se houver uma 
valorização da moeda nacional e a taxa de câmbio mudar para R$ 3,50 = 
US$ 1,00, para comprar a mesma viagem para os EUA, que é vendida a US$ 
2.000,00, o cliente de Selma teria de gastar apenas R$ 7.000,00. 
Faça valer a pena
1. Um exportador brasileiro está tentando vender pedras preciosas para um 
joalheiro suíço. Simultaneamente, um importador brasileiro tem intenção de 
adquirir peças deste mesmo joalheiro suíço para vender aqui no Brasil. Logo 
após o fechamento do contrato, um aumento nas tensões no Oriente Médio 
fez com o que ocorresse uma desvalorização do real frente ao dólar.
Nesse novo cenário, qual das afirmações a seguir é verdadeira?
a. O exportador será prejudicado e o importador será beneficiado.
b. O exportador será beneficiado e o importador será prejudicado.
c. O exportador e o importador serão prejudicados.
d. O exportador e o importador serão beneficiados.
e. O exportador e o importador não serão afetados.
74
2. Apesar de globalismo e globalização serem temas bastante controversos, a 
melhoria das condições de vida em geral ao redor do mundo é apontada por 
boa parte dos economistas como um dos benefícios do aumento do comércio 
internacional nas últimas décadas. Todas essas transações econômicas inter-
nacionais que foram ampliadas pela globalização são registradas no balanço 
de pagamento do país.
Tomando como referência o balanço de pagamentos, classifique as afirma-
tivas a seguir em (V) verdadeiras ou (F) falsas.
( ) Ao seguir a metodologia do FMI no cálculo do balanço de pagamentos, 
o Banco Central garante que os dados possam ser comparados com os de 
outros países.
( ) A conta Corrente é um dos componentes fundamentais do balanço de 
pagamentos e registra todos os fluxos de capital ligados aos investimentos 
estrangeiros.
( ) Déficits no balanço de pagamentos podem comprometer a capacidade do 
país de honrar os seus compromissos internacionais.
( ) O resultado da balança comercial é fortemente influenciado pela taxa de 
câmbio: desvalorizações da moeda tendem a reduzi-lo e valorizações tendem 
a aumentá-lo.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de classificação (de 
cima para baixo):
a. F – V – V – F.
b. V – F – V – F.
c. V – V – F – V.
d. F – F – V – F.
e. V – F – F – V.
3. O Tratado de Maastricht ou Tratado da União Europeia foi firmado em 
7 de fevereiro de 1992 com representantes dos doze países-membros das 
“Comunidades Europeias”, isto é, Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Espanha, 
França, Grécia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Holanda, Portugal e Reino 
Unido. Mais tarde, aderiram ao Tratado: Áustria, Finlândia e Suécia. Atual-
mente, a União Europeia é um exemplo de União Econômica e Monetária.
Com base nos blocos econômicos, avalie as seguintes asserções e a relação 
proposta entre elas.
75
I. Por ter uma tarifa externa comum (TEC), o NAFTA é um exemplo 
de zona de livre comércio
PORQUE
II. Nos países-membro do NAFTA (Argentina, Brasil, Paraguai e 
Uruguai) são cobradas as mesmas tarifas sobre produtos importados 
de outras nações.
A respeito dessas asserções e da relação entre elas, assinale a alternativa 
correta:
a. As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não justifica a I.
b. As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II justifica a I.
c. A asserção I é uma proposição verdadeira e a II, falsa.
d. A asserção I é uma proposição falsa e a II, verdadeira. 
e. As asserções I e II são proposições falsas. 
76
Seção 2
Liberalismo econômico x keynesianismo
Diálogo aberto
Olá! Você é do time que adora um bom papo sobre política ou daquele 
que passa longe desse assunto? Ainda que, infelizmente, no Brasil e em 
outros lugares, política e polícia acabem sendo citados juntos, entender de 
economia pode nos levar a ter uma posição de menos paixão e de mais racio-
nalismo em muitas das questões políticas, pois grande parte das divisões das 
agremiações políticas do mundo tem a ver com a visão econômica dos seus 
associados, você sabia disso? 
Eu quero lhe convidar, então, a conhecer as duas principais correntes 
econômicas, o liberalismo e o keynesianismo, e como eles enxergam a forma 
que o governo deve atuar para promover o crescimento econômico. 
Para isso, conheceremos João, que trabalha na área de planejamento 
financeiro de uma empresa do ramo automobilístico. No último biênio, o 
governo brasileiro reduziu as alíquotas de alguns tributos incidentes sobre a 
produção de automóveis, ajudando o setor a ter uma alavancagem em suas 
vendas (já que os carros eram vendidos a preços menores, devido a essa 
redução de custo tributário). No final desse ano, há eleições presidenciais no 
Brasil e os dois candidatos com maior intenção de votos, segundo recentes 
pesquisas, têm ideias opostas sobre como comandar a economia do país: um 
deles, o candidato A, segue a linha do liberalismo econômico, e o outro, o 
candidato B, se aproxima dos ideais keynesianos. 
Ao fazer o planejamento financeiro da empresa para o próximo ano, 
João precisa construir dois cenários opostos: um em que o candidato A, 
liberal, vença, e outro em que o candidato B, defensor do keynesianismo, saia 
vencedor. Se você fosse assistente de João na construção do planejamento 
financeiro, de que forma a tributação do setor automobilístico poderia ser 
impactada com a vitória do candidato A? E se o candidato B vencesse as 
eleições, o que poderia acontecer com a tributação no setor automobilístico?
Para responder a esses questionamentos, você terá que identificar as 
principais diferenças dessas duas correntes de pensamento econômico: o 
liberalismo e o keynesianismo. Bons estudos! 
77
Não pode faltar
Olá! Nesta aula, acompanharemos uma pergunta fundamental para a 
economia e para as sociedades: qual é o tamanho ideal do Estado (governo)? 
Para termos condições de respondê-la, precisamos retroceder no tempo. 
Na história da humanidade, nem sempre os regimes democráticos foram 
predominantes. Se colocada em perspectiva, a democracia é algo relativa-
mente recente, pois podemos tomar a Revolução Francesa e a Independência 
Americana, no final dos anos 1700, como referências do início da hegemonia 
da democracia no mundo. 
É importante que você tenha essa perspectiva para entender que, desde 
então, na maioria dos países onde ocorrem eleições livres, acontece uma 
alternância deprodução), não estamos nos referindo ao dinheiro, 
pois ele é apenas um facilitador de troca utilizado para adquirir os recursos 
de produção, que são: o trabalho das pessoas, a energia, as máquinas, as 
11
fábricas, a terra cultivável e para a criação de animais, os recursos minerais, 
entre outros. 
Outro termo usado em economia, fundamental para ser compreendido, 
é agente econômico: é toda entidade autônoma e capaz de realizar operações 
econômicas, o que pode incluir uma pessoa, uma empresa ou até um agente 
da administração pública, tanto dentro do país, como em outras nações.
Atenção
Quando falamos de agentes econômicos, normalmente nos referimos 
a quatro tipos de grupos: 1. as famílias; 2. as empresas; 3. o governo; 
e 4. O resto do mundo. As famílias são compostas pelas pessoas 
físicas que têm o papel de consumo dos bens e serviços, sendo elas 
as proprietárias de todos os fatores de produção (sim, em economia, 
os fatores de produção são de propriedade das famílias). As empresas 
são compostas pelas pessoas jurídicas que têm o papel de produção 
dos bens e serviços, por meio do uso dos fatores de produção (cedidos 
pelas famílias). O governo tem diversos papéis, dos quais fazem parte 
a regulação e a regulamentação do mercado (como famílias, empresas 
e resto do mundo se relacionam uns com os outros). Por fim, o resto 
do mundo é composto pelos outros países com os quais as famílias, 
empresas e governo do seu país mantêm transações econômicas.
Os agentes econômicos são considerados racionais, ou seja, espera-se que 
eles sempre tomarão a melhor decisão. Esse processo é condicionado por 
uma característica específica do gênero humano que é o egoísmo racional, 
o que implica que as pessoas buscarão a melhor forma de satisfazerem suas 
necessidades, utilizando a menor quantidade possível de recursos produtivos 
(fatores de produção). Por isso, a maximização será sempre o alvo no compor-
tamento dos agentes: a busca do maior ganho, maior renda, maior satisfação, 
etc. Com isso, espera-se que o consumidor sempre escolha o menor preço, o 
trabalhador o maior salário, o vendedor o maior lucro.
Agora, podemos voltar à nossa proposição inicial: os agentes econômicos 
precisão tomar decisões de como utilizar os recursos produtivos limitados 
para satisfazerem os seus desejos infinitos. Por isso, um dos diferentes 
conceitos de economia é que ela é o estudo dos agentes e das razões pelas 
quais eles tomam decisões, tanto de consumo quanto de produção. 
Para escolher uma boa forma de utilizar os recursos produtivos é preciso 
conhecê-los melhor; vamos fazer isso? Existem duas características funda-
mentais dos recursos de produção: a primeira é que eles podem ser utilizados 
para produzir mais de um tipo de bem ou serviço, ou seja, são versáteis. 
12
Observe como o petróleo pode ser utilizado para vários tipos de combus-
tíveis ou para produção de plásticos. A segunda é que os recursos podem 
ser combinados em proporções variáveis no processo produtivo. A produção 
de feijão pode utilizar mais mão de obra ou mais maquinário, por exemplo 
(SILVA, 2018).
Para facilitar o entendimento, os fatores de produção são agrupados 
em quatro tipos: recursos naturais, trabalho, capital e capacidade empresa-
rial, vamos conhecê-los mais? Os recursos naturais (também chamados de 
recurso “terra”) são obtidos diretamente da natureza. A água (da superfície 
ou do subsolo), minerais, sol, vento, etc. Por sua vez, o trabalho (ou recursos 
humanos) refere-se à atividade humana (esforço físico e mental) empregada 
na produção de bens ou serviços, podendo ser exemplificado pelos serviços 
de profissionais como o administrador, o contador, o carpinteiro, o operário, 
o vaqueiro, o médico. Em seguida, temos o capital, representado pelos bens 
produzidos pelo homem e utilizados nos processos produtivos: infraestru-
tura (transportes, telecomunicações, energia), matérias-primas, construções, 
máquinas e equipamentos, etc. Recentemente, a capacidade empresarial 
passou a ser incluída entre os fatores de produção, referindo-se à organização 
da produção, ou seja, a ação de reunir e combinar os outros fatores de produção. 
Com esse detalhamento de informações e sabendo que os fatores de 
produção são limitados, podemos compreender como a sociedade precisará 
responder quatro perguntas para encontrar o melhor uso para os fatores 
de produção:
1. O que produzir? 
2. Quanto produzir?
3. Como produzir?
4. Para quem produzir? 
Para responder à pergunta “o que produzir?”, é necessário, primeiro, 
identificar as necessidades para, então, decidir o que será produzido para 
satisfazê-las: alimentos, vestuário, habitação, transporte, educação. Pode ser 
que, em um momento, os agentes econômicos queiram determinado produto 
e, mais à frente, prefiram outro (isso vai impactar as decisões das empresas 
do ela deverá produzir). 
Já a segunda pergunta (“quanto produzir?”) está ligada à constatação 
de que os recursos produtivos são limitados; por isso, é preciso determinar 
quanto será produzido de cada coisa para satisfação das necessidades. 
Perceba que se todos os recursos disponíveis de uma economia estiverem 
sendo utilizados, haverá um limite na quantidade de bens e de serviços que 
poderão ser produzidos. 
13
Como produzir? Essa é outra questão fundamental, pois existem diferentes 
combinações de fatores de produção para que se obtenha um determinado 
bem ou serviço. A disponibilidade – e por consequência o preço – de cada 
um deles influenciará de que forma eles serão combinados de forma otimi-
zada, bem como o nível tecnológico que pode ser empregado ao se utilizar 
cada um dos fatores.
Por fim, a pergunta “para quem produzir?” permeia, de certa forma, as 
questões anteriores. No entanto, como as empresas estão interessadas na 
maximização de seus lucros, em termos racionais elas não estão preocupadas 
se todas as mercadorias produzidas vão ser vendidas para uma única pessoa 
ou se todas as pessoas terão acesso àquele bem. Assim, o poder de compra 
dos indivíduos acabará por ajudar na resolução dessa pergunta.
Dessa forma, a limitação dos fatores de produção aliada às necessidades 
ilimitadas obriga os agentes econômicos a fazerem escolhas, o que faz surgir 
um conceito fundamental na economia: o custo de oportunidade. O custo de 
oportunidade é uma medida da perda que os agentes econômicos incorrem 
todas as vezes que fazem uma escolha, manifestando-se tanto na produção 
quanto no consumo.
Em um processo produtivo que esteja utilizando todos os recursos 
produtivos disponíveis, o aumento na produção de um bem implicará na 
redução na quantidade produzida de outro ou outros bens. Nesse ponto, 
você percebe o quão fundamental é a evolução tecnológica, que afeta tanto 
os limites produtivos quanto possibilita um aproveitamento superior dos 
recursos escassos?
Exemplificando
Em uma propriedade rural, a área disponível, as máquinas e equipa-
mentos são limitados, e o produtor é obrigado a escolher qual cultura 
será plantada. Em uma situação em que tanto soja quanto milho 
poderão ser plantados, cada hectare a mais de soja implicará em um 
hectare a menos de milho, concorda? Qual é, então, o custo de oportu-
nidade da soja? O valor que o agricultor deixou de receber ao decidir 
não plantar milho para plantar soja.
Assimile
Dentro do processo produtivo, uma classificação importante na 
economia refere-se aos setores econômicos. Você já ouviu falar sobre 
eles? São três grandes setores ou atividades: primário, secundário e 
terciário. Vamos conhecê-los?
14
O setor primário, de forma geral, utiliza de forma intensiva os recursos 
naturais, englobando a agricultura, pecuária e as atividades extrativistas. 
O setor secundário utiliza, em maior intensidade, o fator capital e inclui 
a produção de máquinas, equipamentos e bens de consumo, construção 
civil e geração de energia. O setor terciário tem como principal fator 
o trabalho, incluindo uma enorme variedade de atividades como 
comércio, transportes,poder entre duas forças políticas: aqueles que defendem 
uma maior intervenção do Estado na economia, e os que defendem que ele 
tenha menor participação direta nos assuntos econômicos. Por exemplo, 
nos Estados Unidos, há os Republicanos e os Democratas. Na Inglaterra, 
os Conservadores e os Trabalhistas. Na Alemanha, a União Democrata 
Cristã e os Social Democratas. Em outros países, podem ocorrer arranjos 
mais complexos, mas a maior ou menor presença do Estado costuma ser um 
elemento fundamental na estruturação das forças políticas dos países. 
Essa divisão tem origem na economia, pois a maior ou menor presença 
do Estado como promotor do desenvolvimento econômico está por trás das 
duas principais correntes econômicas, associadas a dois dos maiores econo-
mistas de todos os tempos: John Maynard Keynes e Adam Smith. É certo 
que antes deles já havia discussões a respeito do papel do estado, nível de 
impostos, etc., mas ainda muito focadas na questão política. Contudo, a 
publicação, em 1776, de Uma investigação sobre a natureza e as causas da 
riqueza das nações (ou simplesmente, A riqueza das nações – como ficou 
conhecido) fez com que Adam Smith (1723-1790) passasse a ser considerado 
o pai da economia moderna. É fundamental perceber que a sua defesa pela 
liberdade econômica pode ser associada às demandas por liberdade política 
(a Revolução Americana ocorreu no mesmo ano, e a Revolução Francesa 
aconteceu pouco tempo depois), liberdade religiosa (a Europa ainda lidava 
com os efeitos da Reforma Protestante) e, consequentemente, liberdade de 
pensamento. 
Além disso, a efervescência da Revolução Industrial e a criação de riqueza 
em grande escala aumentaram a força de suas ideias. Assim, nesse momento, 
você pode estar se perguntando: quais seriam, então, as ideias defendidas por 
Adam Smith? Muito bem, vamos conhecê-las!
78
Adam Smith foi o primeiro a apresentar a ideia de que a busca dos indiví-
duos de satisfazer seus próprios interesses traria benefícios para toda a socie-
dade. Ao resumir suas ideias, Smith usou uma expressão que ficou famosa, a 
qual dizia mais ou menos o seguinte: não é pela benevolência do padeiro que 
eu como o meu pão quentinho todo dia de manhã, mas pelo interesse dele de 
ter lucro. Mas, o que ele quis dizer com isso?
Adam Smith quis ressaltar que, no processo produtivo, ao focar na redução 
dos seus custos, na melhoria de sua margem de lucro, etc., o vendedor acabará 
beneficiando toda a sociedade, pois ele oferecerá produtos cada vez melhores 
e de menor custo aos clientes. Da mesma forma, o consumidor, que também 
agirá movido pelo egoísmo, premiará os melhores produtos e serviços. 
Essa ideia é expressa por meio da figura de uma “mão invisível” que 
conduziria o mercado ao preço e à quantidade ideais, ou seja, se os mercados 
funcionarem livremente (sem a intervenção governamental), será melhor 
para todo mundo, pois o egoísmo dos agentes acaba ajudando a economia a 
ser mais eficiente e justa, maximizando o bem-estar geral. Para Adam Smith, 
tentativas de intervenção do governo no mercado, como tabelamento de 
preços ou ações similares, podem acabar levando a desequilíbrios, como a 
falta de mercadorias disponíveis no mercado. 
Smith também se dedicou a analisar as causas da riqueza das nações, 
apontando a produtividade como o elemento fundamental desse processo, 
sendo que o aumento da produtividade, por sua vez, está diretamente ligado 
à especialização trazida pela divisão do trabalho.
Exemplificando
Adam Smith utilizou o processo de fabricação de alfinetes para demons-
trar a importância da especialização do trabalho. Ele exemplificou a 
fabricação de um alfinete, que envolvia os seguintes processos: desen-
rolar, endireitar e cortar o arame, fazer a ponta, esmerilhar, ajustar a 
cabeça, pratear e colocar o alfinete finalizado na embalagem. Nessa 
produção, se um único trabalhador fizesse, sozinho, todas essas etapas 
que compunham a produção do alfinete, ele teria uma produção diária 
muito menor do que se a produção fosse dividida por vários trabalha-
dores, cada um se especializando em uma etapa do processo (uma 
pessoa só desenrolaria o arame, outro funcionário só endireitaria o 
arame, outro só cortaria o arame, e assim por diante). Esse aumento de 
produtividade apareceria por três motivos: 
1. A especialização faria cada funcionário ficar com maior destreza 
em sua função. 
79
2. Seria perdido menos tempo na produção (essa perda é maior 
quando a mesma pessoa passa de uma atividade para outra).
3. Seria inventado um grande número de ferramentas e máquinas 
especializadas que abreviariam o trabalho.
Essa abordagem é a razão do título do seu livro, já que o enriquecimento 
das nações está ligado à especialização, e é preciso haver liberdade para que 
os agentes escolham em que se especializarão. A liberdade de escolha e, 
consequentemente, o livre comércio, assumiu um papel tão fundamental na 
abordagem de Adam Smith que ele passou a ser conhecido como o fundador 
do liberalismo econômico. A abordagem microeconômica de oferta, 
demanda e preço de equilíbrio baseia-se no conceito de que um mercado sem 
intervenção alcançará a alocação de recursos mais eficientes para a sociedade
Assimile
Para o liberalismo econômico, os mercados devem funcionar livre-
mente, sem a intervenção do governo, pois, assim, serão mais eficientes 
e o benefício para a população será maior.
Ao ampliar essa abordagem para o mercado de trabalho, o liberalismo 
econômico (também chamado de teoria clássica) aponta que haveria um nível 
de equilíbrio de pleno emprego, que corresponderia ao ponto de encontro das 
funções de oferta e demanda de mão-de-obra, ou seja, o desemprego seria 
uma situação de desequilíbrio. Para os clássicos, o desemprego seria volun-
tário, pois teria origem em alguma tentativa dos trabalhadores de impor uma 
condição diferente daquela que seria a determinada pelo mercado (como 
um salário diferente do valor de equilíbrio), o que levaria ao aparecimento 
do desemprego. Ou seja, na abordagem clássica, a economia estaria sempre 
no pleno emprego do trabalho e também dos outros fatores de produção 
(se o trabalhador aceitasse receber o salário de equilíbrio do mercado, ele 
encontraria trabalho, sendo que o nível (valor) desse salário mudaria de 
acordo com a oferta de trabalho (quem oferece trabalho, é o trabalhador) e a 
demanda por trabalho (quem demanda trabalho é o empresário)).
Por isso, qualquer desemprego que surgisse seria um problema de curto 
prazo e passageiro, pois seria eliminado pelos mecanismos automáticos do 
mercado (nível do salário) rapidamente, a não ser que estes fossem impedidos 
de funcionar também por forças exógenas, como a determinação de salários 
mínimos pelo governo (DATHEIN, 2005).
80
Ao longo do século XIX, o liberalismo econômico foi implementado em 
boa parte dos países mais importantes do mundo e, em especial, nos Estados 
Unidos, após sua independência. Os ganhos de produtividade da Revolução 
Industrial foram multiplicados pela incorporação das ideias de Ford e Taylor, 
e as condições de vida da população em geral melhoravam. 
Após o final da Primeira Guerra Mundial, em 1918, e ao longo da década 
de 1920, os Estados Unidos, já o país mais rico do mundo, passaram a suprir 
a devastada Europa com manufaturas e alimentos, além de conquistarem 
outros mercados, como a América Latina. O aumento da produção trouxe 
crescimento e prosperidade ao país. O governo, seguindo os preceitos do 
liberalismo, reduzia impostos e regulamentos (VAN DEURSEN, 2018). 
Empréstimos e vendas a crédito se popularizaram para ajudar as pessoas 
a comprarem cada vez mais produtos, como carros e eletrodomésticos, além 
do surgimento de uma nova moda: investir em ações, que se valorizavam de 
forma irreal, estimulando a especulação. Por exemplo, uma ação da Radio 
Corporation of America, a qual, em 1921, custava 1,5 dólar, valia 57 vezes mais 
em 1928. Os boatos sobre riquezas fabulosas ganhas no mercado acionário 
pormotoristas, vaqueiros e atrizes se espalhavam (VAN DEURSEN, 2018). 
Esse processo, entretanto, foi interrompido em 1929, com o início da 
Grande Depressão, considerada o pior e o mais longo período de recessão 
econômica do século XX. Ainda não há um consenso entre os economistas 
sobre as causas determinantes da crise, mas o fato é que, a partir da quebra 
da Bolsa de Nova Iorque, em 24 de outubro de 1929, milhares de acionistas 
perderam grandes somas em dinheiro em poucos de dias. A questão principal, 
contudo, é que os danos não se limitaram aos investidores do mercado finan-
ceiro, pois iniciou-se uma enorme redução na atividade econômica em todo 
o país, com queda nas vendas e deflação, que, combinadas, levaram ao fecha-
mento de inúmeras empresas, tanto no comércio quanto na indústria. 
Além disso, com a queda no faturamento, muitas empresas da cidade 
e fazendas no campo não conseguiram pagar os empréstimos que haviam 
levantado junto aos bancos e tiveram que entregar seu patrimônio e fechar 
suas portas. Para a população, o pior efeito da recessão foi o drástico aumento 
nas taxas de desemprego, que se manteve elevado durante anos, levando 
muitas famílias a perderem tudo o que tinham. O sofrimento dessa época 
conseguiu ser magistralmente registrado por Dorothea Lange, em uma foto 
de março de 1936, intitulada Migrant Mother (mãe imigrante). É uma das 
fotografias mais reproduzidas da história, tendo aparecido em milhares de 
publicações (SMITHSONIAN, [s.d.]).
81
Figura 3.1 | Migrant Mother
Fonte: Smithsonian ([s.d; s.p]).
Essa foto, escolhida pela Revista Life como uma das 100 fotografias que 
mudaram o mundo, retrata Florence Owens Thompson, de 32 anos e mãe de 
sete crianças, que estava em busca de um emprego ou de ajuda social para 
sustentar sua família, pois seu marido havia perdido seu trabalho, em 1931, 
e morrera no mesmo ano.
Reflita
A economia vai muito além de números e teorias, pois lida com a reali-
dade das pessoas, os danos e benefícios que elas sofrem, bem como 
suas reações. Em que medida o entendimento das razões e dos efeitos 
de questões econômicas ajuda a compreender melhor os processos 
históricos? Reflita sobre o assunto!
A Figura 3.2 também é uma foto entre as muitas imagens tristemente 
icônicas da década de 1930: uma enorme fila de desempregados e sem-teto 
diante de um restaurante que promete “sopa, café e rosquinhas grátis para 
os desempregados”. Só tem um detalhe: esse restaurante gratuito fora criado 
pelo mafioso Al Capone, após o crash da Bolsa de Valores, em 1929, que 
se gabava em atender 5 mil pessoas por dia. Em 1931, de acordo com as 
82
contas do jornal Chicago Tribune, ele já havia servido 120 mil refeições (VAN 
DEURSEN, 2018). 
Figura 3.2 | Fila de desempregados para refeições gratuitas em um restaurante de Al Capone
Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Unemployed_men_queued_outside_a_depression_soup_
kitchen_opened_in_Chicago_by_Al_Capone,_02-1931_-_NARA_-_541927.jpg#/media/File:Unemployed_
men_queued_outside_a_depression_soup_kitchen_opened_in_Chicago_by_Al_Capone,_02-1931_-_
NARA_-_541927.jpg. Acesso em: 20 dez. 2019.
Os danos dessa recessão foram tão avassaladores que se espalharam pelo 
mundo, influenciando tanto a crise do café no Brasil (que abriu espaço para 
a chegada de Getúlio Vargas ao poder, em 1930) quanto a ascensão de Hitler 
na Alemanha. 
A lentidão da recuperação da oferta de empregos, em oposição ao que 
era defendido pelos clássicos, trouxe contestação ao conceito de que a inter-
venção do Estado na economia seria sempre negativa (os clássicos e o libera-
lismo econômico estavam em xeque). O economista de maior destaque desse 
movimento foi o britânico John Maynard Keynes, que ressaltava o papel 
fundamental das expectativas (que ele chamou de animal spirit) para a ativi-
dade econômica. Para ele, quando as empresas se mostravam inseguras em 
relação ao futuro, elas passavam a investir menos, o que dava início a um 
processo de retração econômica, que poderia resultar no estabelecimento 
de uma crise. Nesse ambiente, mesmo que os trabalhadores se dispusessem 
a receber salários menores, as empresas não estariam dispostas a contratar 
mais (ou seja, havia desemprego involuntário).
83
Na sua obra fundamental, Teoria Geral do Emprego, do Juro e do Dinheiro, 
Keynes apresentou, como premissa fundamental para o desenvolvimento 
econômico, a necessidade de manutenção dos níveis de consumo e inves-
timento do governo, das empresas e dos próprios consumidores. Partindo 
desse princípio, a doutrina keynesiana afirma que o pleno emprego não é 
uma situação natural, na medida em que, em muitas situações, os trabalha-
dores desempregados não conseguirão emprego, mesmo se oferecendo para 
trabalhar por menores salários, pois o desemprego pode também ser gerado 
por uma demanda efetiva muito baixa, não pelo salário real elevado. 
Nessas condições, o desemprego involuntário pode se estender por longos 
períodos, o que justificaria ações governamentais para tirar a economia dessa 
situação indesejada. 
Com isso, ele se coloca frontalmente contra o argumento clássico 
fundamental de que o livre mercado levaria automaticamente ao pleno 
emprego, argumentando que as políticas públicas contra o desemprego 
eram indispensáveis.
A campanha presidencial de 1932, nos Estados Unidos, teve como pano 
de fundo uma taxa de desemprego estimada em 23,6% (INFOPLEASE, [s. 
d.]), a qual gerou uma elevada rejeição para o então presidente, Herbert 
Hoover, que acabou perdendo as eleições para o Democrata Franklin 
Roosevelt, que se usou das ideias de Keynes (que já haviam se espalhado pelo 
meio acadêmico) para estabelecer seu ambicioso programa denominado de 
New Deal, o qual pode ser traduzido como um novo pacto (no sentido de um 
compromisso do governo, das empresas e dos consumidores para retomarem 
o crescimento econômico). 
A partir das ideias de um grupo de renomados economistas inspirados 
em Keynes, foram articulados planos de ação estatais e privados associados 
a um conjunto de medidas, como: empréstimos aos bancos, criação do 
sistema de seguridade social (que incluía seguro desemprego), estímulo à 
produção agrícola e realização de uma grande quantidade de obras públicas, 
entre outras.
Essas medidas tiveram como objetivo ocupar a população economica-
mente ativa e estimular o consumo da população, aquecendo a produção 
industrial, agrícola e de serviços, em todos os níveis. O sucesso das medidas 
trouxe novo vigor à economia norte-americana, ao ponto de estudos 
afirmarem que, dez anos após a implantação do New Deal, os EUA se aproxi-
maram dos patamares econômicos em que se encontravam em 1929 (VAN 
DEURSEN, 2018).
84
Para os keynesianos, a necessidade da intervenção governamental decorria 
do fato de o capitalismo ser visto como um modo de produção integrado, no 
qual o desenvolvimento de todos os setores econômicos derivava do aumento 
do consumo, principalmente, dos trabalhadores (CARVALHO, 2008). 
O sucesso econômico do New Deal foi a referência para a implementação 
do Welfare State (um conjunto de políticas de bem-estar social) na Europa 
devastada no pós-guerra: o Estado assumia a responsabilidade de reduzir as 
desigualdades e criar as infraestruturas necessárias para uma vida digna para 
a maioria da população. O maciço investimento em saúde, educação, infraes-
trutura, etc. colaborou para um grande crescimento econômico na Europa e 
nos Estados Unidos nas décadas seguintes.
Esse sucesso ressaltou um dos pilares do keynesianismo, o efeito multi-
plicador: para Keynes, era possível identificar o aumento na atividade econô-
mica gerado por uma despesa adicional do governo. Ou seja, o aumento nos 
gastos seria justificado pela criação de novos empregos e pelo aumento nos 
investimentos de outras empresas privadas.
Exemplificando
Considere uma situação em que haja uma estagnação da economia 
associada a um elevado desemprego e o governo decida elevar o gasto 
público, por meio da realização deobras de construção civil. Para realizar 
essas obras, o Estado comprará máquinas e equipamentos e contratará 
novos funcionários. Dessa forma, as empresas que produzem máquinas 
e equipamentos precisarão adquirir os fatores de produção necessários 
e remunerá-los (pagando lucro e salários).
Os salários recebidos pelos empregados contratados pelo governo e 
pelas empresas fornecedoras de máquinas e equipamentos (bem como 
o lucro distribuído entre os proprietários das empresas fornecedoras) 
serão utilizados para adquirir bens e serviços variados (móveis, automó-
veis, eletrodomésticos, vestuário, alimentação, etc.). 
A produção desses bens e serviços variados (que serão adquiridos) 
gerará uma nova renda pelo uso dos fatores de produção (as empresas 
de móveis, vestuário, etc. precisarão contratar novos funcionários e 
adquirir novas máquinas para conseguirem atender a essa demanda), 
repetindo o ciclo. Com isso, perceba que há uma expansão do gasto 
total – e, consequentemente, da atividade econômica – a partir da 
decisão do governo de ampliar seus gastos (com as obras públicas). A 
intensidade dessa expansão é o efeito multiplicador de renda: o ciclo 
expansivo de consumo derivado de um aumento do gasto público. Note 
que, quanto maior essa expansão, maior será a contratação de novos 
funcionários, o que reduzirá o desemprego involuntário 
85
Contudo, na década de 1970, o mundo testemunhou uma inversão de 
papéis, ainda que de forma menos intensa: uma grave crise em diversos países 
que adotavam políticas keynesianas não conseguiu ser superada por meio dos 
mecanismos tradicionais. Como consequência, a década de 1980 foi marcada 
pela substituição da linha de pensamento econômico hegemônico (do keyne-
sianismo pelo neoliberalismo econômico), com destaque para os Estados 
Unidos (com Ronald Reagan como presidente entre 1981 a 1989) e a Inglaterra 
(com Margaret Thatcher como primeira ministra entre 1979 e 1990).
Os conceitos principais do neoliberalismo podem ser resumidos no 
Consenso de Washington, um conjunto de dez regras formuladas por econo-
mistas de instituições, como o Fundo Monetário Internacional (FMI), o 
Banco Mundial e o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, em 
novembro de 1989, e que constituíram o receituário a ser seguido pelos países 
que buscavam recursos junto ao FMI para cobrir os seus déficits públicos 
(SILVEIRA, 2019):
1. Disciplina Fiscal – o Estado não deve gastar mais do que arrecada 
com os tributos, eliminando o déficit público.
2. Redução dos gastos públicos.
3. Reforma fiscal e tributária, para viabilizar o equilíbrio nas 
contas públicas.
4. Abertura comercial e econômica, eliminando o protecionismo e 
atraindo investimento estrangeiro.
5. Taxa de câmbio de mercado competitivo.
6. Liberalização do comércio exterior.
7. Eliminação das restrições ao investimento estrangeiro direto.
8. Privatização, com a venda das empresas estatais.
9. Desregulamentação, com afrouxamento das leis de controle econô-
mico e das relações trabalhistas.
10. Direito à propriedade intelectual.
Depois de décadas de predominância de políticas neoliberais, o mundo 
enfrentou nova crise, em 2009, a partir da queda do Banco Lemann Brothers, 
nos Estados Unidos. A reação do governo norte-americano foi claramente 
keynesiana, a ponto de comprar ações de empresas tradicionais para impedir 
a falência delas e, assim, impedir o aumento do desemprego. 
86
Para concluir, vale a pena considerar as palavras de um dos expoentes do 
pensamento liberal brasileiro que não poupa elogios a Keynes (FRANCO, 
2008, [s. p.]): 
Vale lembrar que as crises financeiras existem desde 
sempre, e que invariavelmente são combatidas por inter-
venções salvadoras dos governos, que terminam fazendo o 
sistema mais robusto. John Maynard Keynes, tão lembrado 
recentemente, foi um dos heróis na vitória sobre uma 
grande crise e estava muito longe de ser hostil ao que hoje 
se chama de neoliberalismo. [...]
Na verdade, para os que acreditam em mercados e no 
capitalismo, o pragmatismo se chama Keynes. É dele que 
as pessoas falam quando é preciso inovar e produzir uma 
‘resposta criadora’ diante de uma urgência grave e inespe-
rada. [...]
Fica-se com a impressão de que ‘intervenções do Estado 
no domínio econômico’ têm mais chances de funcionar 
quando feitas por gente que acredita em mercados e que 
vê a intervenção como exceção, não como regra. 
Agora é o momento de você complementar seu estudo, fazendo as leituras 
adicionais e os exercícios, pois ainda tem muita coisa legal por vir. Um abraço 
e até a próxima!
Sem medo de errar
Chegou o momento de aplicarmos os conhecimentos adquiridos na 
resolução de uma questão prática. Vamos relembrá-la? 
Haverá eleições presidenciais no Brasil no final desse ano e, segundo as 
pesquisas mais recentes, os dois candidatos com maior intenção de votos 
seguem linhas econômicas distintas: o candidato A é adepto do liberalismo 
econômico, enquanto o candidato B já manifestou apreço pela abordagem 
keynesiana. 
Frente a esse cenário, para o próximo ano, João precisa construir o plane-
jamento financeiro da empresa do ramo automobilístico onde trabalha. 
Para isso, ele precisa analisar como a vitória na eleição de cada candidato 
poderia impactar na tributação do setor automobilístico, considerando que, 
no último biênio, o ramo automobilístico obteve redução, pelo governo 
brasileiro, de algumas alíquotas de tributos incidentes sobre a produção de 
87
automóveis, ajudando o setor a ter um crescimento nas suas vendas, por 
conta da redução nos preços (decorrente da redução do custo tributário). Se 
você fosse assistente de João na construção do planejamento financeiro, de 
que forma a tributação do setor automobilístico poderia ser impactada com a 
vitória do candidato A? E se o candidato B vencesse as eleições, o que poderia 
acontecer com a tributação no setor automobilístico?
Vamos pensar juntos: se o candidato A, liberal, vencer as eleições, é de se 
esperar que a redução de tributos específica para o setor não se mantenha, 
pois a teoria clássica prevê uma intervenção mínima do governo no mercado, 
ou seja, os setores devem competir entre si pela escolha do consumidor em 
igualdade de condições. Com isso, a ação dos agentes levará ao melhor uso 
dos fatores de produção disponível (a chamada mão invisível), melhorando a 
economia como um todo. Além disso, subsídios podem trazer desequilíbrio 
fiscal, o que é indesejável para um candidato liberal. Assim, com esse cenário, 
você deve aconselhar João a fazer um planejamento que vislumbre essa possi-
bilidade de redução tributária ao setor automotivo.
Por outro lado, se o candidato B, keynesiano, vencer as eleições, a possi-
bilidade do setor automobilístico continuar recebendo apoio governamental 
na forma de alíquotas mais baixas dos tributos deve ser considerada como 
altamente provável (isso deve aparecer no planejamento financeiro de João), 
pois o keynesianismo defende uma maior participação do governo na 
economia, como forma de estimular a geração de empregos, ainda que, no 
médio prazo, o equilíbrio fiscal possa ser comprometido.
Avançando na prática
O governo deve intervir?
Francisco é assessor do Secretário de Desenvolvimento de uma cidade 
do interior de Minas que passou por uma tragédia terrível de rompimento 
de uma barragem, a qual matou algumas pessoas, causou grandes prejuízos e 
gerou uma estagnação econômica na cidade. 
Após um processo na justiça, a empresa realizou um acordo e se dispôs 
a efetuar pagamentos individuais às famílias e às empresas que foram preju-
dicadas, contudo, alegou que não haveria necessidade de disponibilizar 
recursos para a prefeitura, pois os pagamentos aos agentes seriam suficientes 
para recuperar a economia do município. 
88
Francisco recebeu a incumbência de apresentar ao juiz as razões para 
que a prefeitura também receba recursos destinados à recuperação da 
economia da cidade. Com base na teoria keynesiana, quais argumentos ele 
deve apresentar?Resolução da situação-problema
Francisco deve recorrer ao exemplo da recuperação econômica norte-a-
mericana, por meio do New Deal, para argumentar que, mesmo que haja 
recursos disponíveis para consumo e investimento, se as expectativas não 
forem positivas, nem os consumidores nem as empresas tomarão decisões de 
consumo e investimento.
O argumento deve ser de que a prefeitura deve receber recursos que serão 
utilizados para garantir aos agentes que a retomada econômica do município 
acontecerá: a prefeitura poderá encomendar obras, contratar pessoas, abrir 
licitações, etc. que rompam a inércia e iniciem um ciclo de investimentos no 
município. Além disso, se os recursos forem direcionados aos setores corretos, 
os ciclos subsequentes poderão trazer um grande crescimento na produção e 
no emprego, de acordo com o multiplicador keynesiano. Importante ressaltar 
que o governo deve ter o cuidado de ir se retirando do papel de protagonista, 
à medida que a economia se recupere. 
Faça valer a pena
1. Ao longo dos séculos, os economistas têm se dividido entre duas escolas 
distintas: uma que defende uma presença maior do Estado na economia (pois 
é responsabilidade deste a manutenção da atividade econômica), e outra que 
argumenta que, quanto menor o tamanho do Estado, melhor (pois os agentes 
otimizam suas decisões, sem a intervenção do governo).
Essas duas escolas econômicas são, respectivamente:
a. O socialismo e o capitalismo.
b. O comunismo e o keynesianismo.
c. O keynesianismo e o liberalismo.
d. O liberalismo e o socialismo.
e. O keynesianismo e o socialismo. 
89
2. Uma das discussões mais antigas da ciência econômica refere-se ao 
papel do governo como promotor do crescimento econômico. Existem duas 
vertentes principais antagônicas a respeito do nível ideal de intervenção do 
governo na economia: o keynesiano e o liberalismo. 
Com base nas diferenças fundamentais entre essas duas abordagens, avalie as 
seguintes asserções e a relação proposta entre elas:
I. Para os clássicos, o governo deve ser o motor da economia, enquanto, 
para os keynesianos, o governo deve evitar intervenções no mercado.
PORQUE
II. Para os clássicos, as intervenções do governo, na maioria das vezes, 
causam mais soluções do que problemas.
A respeito dessas asserções e da relação entre elas, assinale a alternativa 
correta:
a. A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II, falsa.
b. As asserções I e II são proposições falsas.
c. A asserção I é uma proposição falsa, e a II, verdadeira.
d. As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II justifica a I.
e. As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não justifica a I. 
3. As diferentes linhas de pensamento econômico divergiram, ao longo dos 
séculos, basicamente, em quanto o Estado deve intervir no governo para 
proporcionar melhores condições para a sociedade. 
Tomando como referência as linhas de pensamento econômico, classifique as 
afirmativas a seguir em verdadeiras (V) ou falsas (F):
( ) Para Adam Smith, a produtividade é a causa fundamental da riqueza 
das nações, que devem estimular a especialização do trabalho para que esse 
processo seja mais intenso.
( ) O sucesso da recuperação econômica norte-americana, após a crise de 
1929, por meio do New Deal, estimulou a adoção das ideias de Keynes em 
vários outros países nas décadas seguintes.
( ) As principais correntes políticas estão ligadas a uma divisão econômica: 
os keynesianos (defensores de uma menor presença do Estado) e os liberais 
(que afirmam que o pleno emprego não é alcançado automaticamente).
90
( ) A predominância das políticas keynesianas no mundo durou até meados 
da década de 1970, quando sua incapacidade de superar uma nova crise 
mundial fez com que o neoliberalismo assumisse o protagonismo.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de classificação, de 
cima pra baixo:
a. V – V – F – V.
b. F – F – V – V.
c. F – F – V – F.
d. V – F – V – V.
e. V – V – F – F. 
91
Seção 3
Governo e o mercado
Diálogo aberto
Olá! Você já participou de alguma conversa sobre política? Nem sempre 
é um assunto tranquilo, não é verdade? Contudo, a política tem muito a 
ver com a macroeconomia, pois a intervenção do governo está diretamente 
ligada a essa questão. Além das questões partidárias, as decisões do governo 
podem afetar a economia como um todo e alguns setores ou empresas em 
particular. 
É sob essa perspectiva que iremos conhecer o Luís e o Otávio, que são 
sócios na Empresa X, que é especializada em fornecer treinamento para novos 
servidores aprovados em concursos públicos. A empresa passou bastante 
tempo recebendo muitos contratos de treinamento, mas, nos últimos tempos, 
tem notado uma redução na demanda por serviços. Além disso, os sócios 
receberam uma notícia que os levou a um questionamento sobre o futuro 
da empresa. A questão é que, após um período de constante crescimento 
na atividade econômica, a inflação cresceu muito e o governo anunciou que 
tomará medidas para controlá-la. A partir dessa informação proveniente 
do governo, Luís e Otávio precisam definir se, nesse momento, investem na 
aquisição de um terreno para a nova sede da empresa ou se assumem uma 
posição estratégia mais conservadora, de aguardar antes de realizar novos 
investimentos. Se você fosse consultado a opinar sobre o assunto, frente a 
esse novo cenário, qual deveria ser a estratégia a ser adotada pela empresa?
Para responder a essa pergunta, você precisará entender os motivos que 
levam o governo a interferir na economia, os instrumentos que dispõe para 
isso, os objetivos que são buscados e os riscos envolvidos quando erros são 
cometidos. Você terá que compreender também o quanto essas políticas 
afetam o mercado em geral e os setores específicos em particular. Portanto, 
bom aprendizado! 
Não pode faltar
Seja bem-vindo! Creio que você já percebeu o quanto a atuação gover-
namental é um elemento fundamental para o comportamento dos indica-
dores macroeconômicos do país, não é mesmo? Como o objeto de análise 
fundamental da macroeconomia são as relações entre os agregados econô-
micos (taxas de juros, inflação, crescimento econômico, desemprego, etc.), os 
92
ciclos econômicos e a influência da atuação do governo sobre os resultados 
econômicos, existe uma intensa interface entre as decisões econômicas do 
governo e as questões políticas. É importante separar as preferências pessoais 
das questões econômicas e, além do mais, quanto mais você conhecer de um 
determinado assunto, mais segurança terá para se posicionar, não é verdade? 
Por isso, precisamos, agora, estudar algumas questões básicas relativas 
à macroeconomia. Conheceremos, então, os mercados macroeconômicos, 
as funções do governo, as metas e políticas macroeconômicas e alguns 
agregados fundamentais. Você está pronto? 
Da mesma forma que o preço e a quantidade de equilíbrio de um deter-
minado produto podem ser encontrados por meio da interação das forças de 
oferta e demanda, foram estabelecidos cinco mercados macroeconômicos: 
i. de bens e serviços; ii. de trabalho – esses dois primeiros compõem a parte 
“real” da economia –; iii. monetário; iv. de títulos; e v. de divisas – esses três 
últimos compõem a parte monetária da economia. 
Figura 3.3 | Mercados macroeconômicos
M
er
ca
do
s 
m
ac
ro
ec
on
ôm
ic
os
Bens e serviços
Monetário
De títulos
De divisas 
Trabalho
Fonte: elaborada pelo autor.
No mercado de bens e serviços, são determinados o nível de preços e o 
nível de produção do país, e o equilíbrio ocorre quando a oferta (intenção de 
produção de todas as empresas do país) e a demanda (intenção de compra de 
bens e serviços de todos os agentes econômicos) agregadas se igualam. Nesse 
mercado, são determinadas variáveis, como o Produto Interno Bruto (PIB), 
a inflação e os agregados macroeconômicos (consumo, poupança, gastos 
governamentais, investimentos, exportações e importações).
93
Atenção
No estudo da macroeconomia, ao falarmosde oferta e demanda, temos 
que ter em mente que nos referimos à produção de todas as empresas 
e à intenção de compra de todos os consumidores do país, que acabam 
influenciando o nível médio de preços de todas as mercadorias e 
serviços, ou seja, a análise macroeconômica não é feita sobre apenas 
uma empresa, um consumidor, ou uma mercadoria, mas sobre tudo 
o que compõe a economia do país. Essa visão de totalidade vale para 
todos os mercados que serão estudados nesta seção.
Já no mercado de trabalho, o equilíbrio ocorre quando a oferta e a demanda 
de trabalho se igualam, sendo o nível de emprego e o valor dos salários as 
variáveis determinadas nesse mercado. Nele, as empresas demandam traba-
lhadores para produzirem bens e serviços, ou seja, demandam trabalho, 
enquanto os trabalhadores (os detentores do fator de produção “trabalho”) 
oferecem sua mão de obra. Para os empresários, quanto menor for o salário, 
mais trabalhadores serão demandados e, quanto maior for o salário, menor 
será o interesse em contratar funcionários. Já em relação aos trabalhadores, 
quanto maior for o salário, mais pessoas se disporão a trabalhar e, quanto 
menor for o salário, menos gente terá interesse em trabalhar. Com isso, 
haverá um valor de salário que igualará o número de trabalhadores deman-
dados pelas empresas com a quantidade de funcionários dispostos a traba-
lhar. Esse é o chamado salário de equilíbrio do mercado. Sempre que a oferta 
de trabalho for maior do que a demanda por trabalho (ou seja, sempre que 
houver mais gente disposta a trabalhar do que emprego sendo oferecido pelos 
empresários), a tendência é que haja uma diminuição no valor do salário de 
equilíbrio pago nessa economia (e vice-versa).
Se você analisar o que acontece no mercado de trabalho, perceberá que 
existem fatores que podem afetar esse equilíbrio. Menores níveis de tributação 
sobre a folha de pagamento e melhores expectativas para a economia do país, 
por exemplo, ampliarão a demanda por trabalho por parte dos empresários 
e, consequentemente, diminuirão o nível de desemprego, ampliando o valor 
dos salários pagos no país.
A oferta e a demanda por moeda determinam a taxa de juros no mercado 
monetário, a qual afetará a produção, os preços e os investimentos externos. 
Por sua vez, o mercado de títulos (que é analisado em conjunto com o mercado 
monetário) existe porque a transferência de recursos dos agentes econômicos 
superavitários para os deficitários ocorre por meio de títulos.
94
Exemplificando
Você sabe como o governo financia boa parte dos problemas finan-
ceiros nas contas públicas? Por meio da venda de títulos públicos. Para 
entender isso, imagine que, neste mês, o governo tenha arrecadado R$ 
5.000.000,00 com a cobrança de tributos, mas gastou R$ 5.800.000,00 
com diversos pagamentos (funcionários públicos, reforma de rodovias, 
construção de universidades, etc.), ou seja, ele tem um resultado público 
deficitário de R$ 800.000,00 que precisa ser pago. Para solucionar 
esse problema financeiro atual, o governo tomará dinheiro empres-
tado na sociedade, vendendo “papéis” (chamados de títulos públicos) 
no montante de R$ 800.000,00. Quem compra esse título público 
(que pode ser eu, você, uma empresa, um banco, outro governo, etc.) 
espera reaver o dinheiro gasto com ele, no futuro (em 5, 10, 20 anos...), 
com o acréscimo de juros. Ou seja, com a venda dos títulos públicos 
a R$ 800.000,00, entra dinheiro, imediatamente, no caixa do governo, 
permitindo que ele pague funcionários, obras públicas, etc. que venciam 
naquele mês.
No entanto, quando os títulos públicos vencerem (em 5, 10, 20 anos...), 
o governo precisará devolver o dinheiro para quem comprou esses 
papéis, acrescidos de juros, ou seja, o financiamento da dívida pública 
via venda de títulos posterga uma dívida presente do governo, que 
precisará ser quitada no futuro (é como se você, como pessoa física, 
tivesse uma dívida no Banco A, que vence hoje, e pegasse dinheiro 
emprestado no Banco B, que só será paga no próximo mês: a dívida 
continua existindo, mas seu prazo de quitação foi postergado).
Por fim, o mercado de divisas (moedas estrangeiras) resulta das transações 
de cada país com o resto do mundo. Seu equilíbrio ocorre quando a oferta 
e a demanda de divisas se igualam. A variável determinada nesse mercado é 
a taxa de câmbio, que sobe ou desce de acordo com a demanda e a oferta de 
divisas no mercado.
A participação dos governos nesses cinco mercados pode ser maior ou 
menor, de acordo com a ideologia político-econômica (mais liberal ou menos 
liberal) de quem toma essas decisões. Mas, por quais motivos o governo faz 
intervenções econômicas neles? A resposta é: para cumprir com as suas 
funções. E você, sabe quais são elas? Veja a Figura 3.4.
95
Figura 3.4 | Funções do governo na economia
Alocativa
Relacionada 
à participa-
ção do 
governo na 
produção de 
bens e 
serviços. Por 
exemplo, 
espera-se 
que a 
segurança 
pública seja 
um serviço 
prestado 
pelo governo 
à sociedade.
Estabilizadora
Variações 
excessivas na 
economia 
trazem 
insegurança 
e podem 
levar a 
problemas 
no longo 
prazo. Por 
isso, 
espera-se 
que o 
governo atue 
trazendo 
maior 
estabilidade 
às variáveis 
econômicas.
Distributiva
Espera-se 
que o 
governo atue 
para reduzir 
a desigualda-
de na 
distribuição 
de renda, 
diminuindo, 
como 
consequên-
cia, a 
miséria.
Reguladora
A autoridade 
do governo 
deve ser 
utilizada para 
estabelecer 
regras, por 
meio de leis 
e disposições 
administrati-
vas, que 
criem um 
ambiente de 
competição 
estável e 
seguro a 
toda a 
sociedade.
Fiscalizadora
Além do 
poder de 
regular, o 
governo 
deve 
�scalizar 
como os 
agentes se 
comportam, 
em especial, 
a questão 
tributária do 
país.
Fonte: elaborada pelo autor. 
Agora que você já conhece os diferentes mercados e as funções do 
governo, é hora de pensarmos naquela que é a questão macroeconômica 
essencial: como o governo pode fazer com que a sociedade alcance uma 
melhor qualidade de vida? 
Para isso, espera-se que o governo atue naqueles que são os objetivos 
principais em termos econômicos, as chamadas metas econômicas: promover 
a estabilidade de preços (ou seja, o controle da inflação), o crescimento 
econômico (que trará maior oferta de empregos) e uma distribuição mais 
justa de renda, além de alcançar equilíbrio nas contas externas.
Assimile
As metas econômicas podem ser produtivas (crescimento do PIB e do 
emprego), inflacionárias (manter a inflação sob controle), distributivas 
(melhorar a distribuição de renda) e externas (equilibrar a entrada e 
saída de divisas).
Nesse processo, existem situações que dois bons objetivos podem ser 
perseguidos sem que haja prejuízos para qualquer um deles. Por exemplo, 
quando o governo buscar promover o crescimento da atividade econômica, 
96
isso também colaborará com o aumento da oferta de empregos. Por outro 
lado, há objetivos que podem apresentar conflitos para serem alcançados 
ao mesmo tempo, gerando a necessidade de dar-se preferência a um ou 
ao outro. Quando isso ocorre, caracteriza-se uma situação de trade-off. O 
trade-off mais característico e mais importante da economia é aquele entre o 
crescimento econômico e o controle da inflação. Isso significa que, ao buscar 
reduzir a inflação, o crescimento econômico será prejudicado e, ao estimular 
o crescimento, a inflação também será estimulada, obrigando o governo 
a escolher qual meta vai ser priorizada naquele momento: a produtiva ou 
a inflacionária.
Vocabulário
Trade-off é uma situação que acontece quando dois objetivos não 
podem ser alcançados simultaneamente e um deles tem que ser sacrifi-
cado em benefício do outro.
Exemplificando
Em relação aos remédios, o ideal é que eles sejam, ao mesmo tempo, 
avançados e baratos, correto? Contudo, para que eles sejam avançados, é 
preciso que as empresas invistam muito em pesquisas. No entanto, esses 
altíssimos gastos com pesquisas não combinam com preçosbaixos (já 
que as empresas farmacêuticas visam ao lucro). Por isso, se os remédios 
inovadores não têm qualquer controle de preços, haverá muito estimulo 
a novos lançamentos (estímulo às pesquisas), mas muitos consumidores 
não poderão se beneficiar dos avanços (pois eles serão vendidos por 
preços muito altos). Por outro lado, se o governo impuser um controle de 
preços a esses medicamentos inovadores, muitas pesquisas deixarão de 
ser realizadas, o que caracteriza o trade-off. 
Uma forma de superar esse conflito é por meio das patentes: a empresa 
que descobriu e desenvolveu um remédio inovador terá exclusividade 
de comercialização durante um período definido. Ao encerrar esse 
tempo, outras empresas poderão oferecer a mesma substância: são os 
remédios genéricos.
Reflita
Às vezes, é preciso escolher entre crescimento econômico e inflação. 
Quem deve ter a prioridade? Reflita sobre o assunto!
Nesse momento, é possível que você esteja se perguntando: mas, quanto de 
inflação é aceitável? Qual é o mínimo de crescimento produtivo necessário? 
97
Responderemos a essas perguntas em seguida, mas, para isso, é preciso que 
você saiba como devemos medir a inflação e a atividade econômica. Vamos 
começar pela atividade econômica?
A atividade econômica de um país é medida pela quantidade de riqueza 
que foi gerada nele, ou seja, o Produto Interno Bruto (PIB). Ao calcularmos 
o PIB, precisamos delimitar o tempo e o espaço físico. Isso quer dizer que 
podemos calcular o PIB de uma cidade, estado, região ou país em bases 
mensais, trimestrais, anuais ou no período que desejarmos. Como ele 
expressa a quantidade de riqueza produzida, é obtido por meio da soma 
de todos os produtos e serviços finais produzidos na economia, ou seja, os 
produtos intermediários (utilizados como insumo na produção de outras 
mercadorias) não entram na sua soma final.
Exemplificando
Quando você paga por uma pizza consumida em um restaurante, no 
valor dela estão embutidos desde os custos com mão de obra e energia 
daquele restaurante até o valor das matérias-primas utilizadas. Dessa 
forma, uma pequena parcela do valor da pizza corresponde ao adubo 
que o agricultor utilizou para cultivar o trigo para fazer a massa da pizza, 
concorda? Por isso, no cálculo do PIB, não devemos contabilizar o valor 
da farinha de trigo que foi adquirida pelo restaurante, nem o valor do 
trigo que foi gasto pela indústria que o transformou em farinha de trigo, 
pois eles já estão incluídos no valor final que o cliente do restaurante 
pagou pela pizza.
Existe uma padronização mundial da forma de cálculo do PIB e, ainda que 
possam existir algumas diferenças entre alguns países, o principal indicador 
dele é o seu crescimento percentual. Isso quer dizer que, quando um país 
tem um crescimento de 4% no PIB, a soma dos produtos e serviços finais que 
foram produzidos naquele ano é 4% superior à produção do ano anterior.
Outra observação importante é que o PIB representa a riqueza gerada, pois, 
ao utilizar os fatores de produção (trabalho, capital e terra) necessários para 
produzir alguma coisa, os donos deles recebem remunerações (ou seja, recebem 
salário, lucro e aluguel). Dessa forma, a riqueza de um país não é determinada 
pelo seu estoque de matéria-prima ou de qualquer outro fator, mas pela sua 
produção de bens e serviços finais (conceito conhecido como Produto), que 
equivale às remunerações geradas (conceito conhecido como Renda).
98
Reflita
O baixo crescimento do PIB é sempre indesejável, mas será que suas 
consequências são iguais para todos os países? Por exemplo, em um 
país onde o crescimento da população está estagnado, os danos serão 
tão intensos quanto em um país onde a população apresenta elevados 
índices de crescimento?
E a inflação, ela é realmente algo que deva trazer preocupação? Se você 
não sofreu de perto os danos de uma inflação elevada (realidade vivida pelos 
brasileiros até 1994), é muito importante que entenda os malefícios que esse 
processo causa e a importância de combatê-los. Porém, antes de tudo, vamos 
conceituar o que é inflação? De uma forma bem simples, podemos consi-
derar inflação como o aumento persistente e generalizado de preços. 
A medida da inflação é uma média ponderada das alterações dos preços, 
o que quer dizer que os produtos que pesam mais no orçamento das famílias 
devem receber maior importância no cálculo (ADVFN, [s. d.]). Dessa forma, 
o aumento de preço dos panetones no Natal ou o fato de você pagar mais 
caro pelo tomate na entressafra não causarão, necessariamente, aumento 
da inflação. A simples existência da inflação não é um problema, pois uma 
inflação baixa tem como objetivo sinalizar alterações na oferta e na demanda 
de bens e serviços e promover correções de preços. 
Mas, então, quando ela é aceitável? É muito difícil um país não apresentar 
inflação, no entanto, patamares muito altos da inflação são muito prejudi-
ciais para as economias. De acordo com os dados do Index Mundi, em 2019, 
apenas Venezuela, Congo, Sudão, Angola, Líbia, Síria, Argentina, Iêmen, 
Egito e Suriname (todos países com problemas em suas economias) apresen-
taram taxas de inflação superiores a 20% (INDEX MUNDI, [s. d.]). No caso 
do Brasil, a opção, desde 1999, é pelas metas de inflação, em que o Conselho 
Monetário Nacional (COPOM) determina o valor da meta de inflação anual 
e cabe ao Banco Central utilizar os mecanismos necessários para seu alcance. 
Entre 2005 e 2018, por exemplo, a meta da inflação foi de 4,5% ao ano, 
enquanto, em 2019, ela foi de 4,25% ao ano (CAUTI, 2019).
A inflação traz enormes prejuízos à economia de qualquer país, e é consi-
derada uma das maiores responsáveis pelo aumento da desigualdade social 
no Brasil, ao longo dos anos 1980. Por isso, o ideal é que esteja sempre sob 
controle, mas, se algo acontecer, os danos que ela causa são tão intensos que 
seu controle deve ser priorizado, mesmo que isso signifique abrir mão de 
algum crescimento econômico. 
99
Mas, que tipo de ações o governo pode utilizar para atingir as metas 
(produtivas, inflacionárias, externas e distributivas) da economia do país? 
Ele pode fazer uso de políticas fiscais, monetárias, cambiais e/ou de rendas 
apresentadas na Figura 3.5. Vamos conhecê-las?
Figura 3.5 | Tipos de políticas econômicas
Fiscal
Ações do 
governo que 
impactam as 
receitas e 
despesas 
governa-
mentais.
Monetária
Intervenções 
do governo 
sobre a 
quantidade 
de moeda 
em 
circulação.
Cambial
Interveções 
do governo 
sobre a 
oferta e 
demanda 
por divisas, 
impactando 
o valor do 
câmbio.
De Rendas
Ações 
governa-
mentais com 
o �m 
especí�co de 
melhorar a 
distribuição 
da renda da 
população.
Fonte: elaborada pelo autor.
A política fiscal tem duas dimensões: de um lado, os recursos arrecadados 
pelo governo dos agentes econômicos (por meio da cobrança de tributos), 
e de outro, os gastos públicos que retornam para a população na forma de 
bens e serviços prestados. Ampliando ou reduzindo tributos (mudanças nas 
alíquotas e criação de novos impostos) ou gastos públicos, o governo faz 
política fiscal para atingir metas econômicas.
A política monetária tem como foco fundamental a estabilidade da moeda 
(o controle da inflação) e utiliza as taxas de juros e a oferta de moeda e de 
crédito com o objetivo de promover o crescimento econômico, sem perder o 
controle sobre a inflação. Por sua vez, na política cambial, o governo influi nas 
condições do câmbio, as quais, por sua vez, exercem um papel fundamental 
para o comércio exterior, impactando as exportações e as importações do 
país. 
Na política de rendas, o governo tem como foco a melhoria da distri-
buição de renda e utiliza tanto mecanismos de regulação do mercado quanto 
gastos específicos para fazê-la. 
Para atingir as suas metas, no Brasil, o governo optou pelo tripé macro-
econômico, termo que agrupa um conjunto de políticas que ajudarão o país 
a alcançar a estabilidade econômica. Ele é composto por: não intervenção 
no mercado decâmbio (referente à política cambial do país), manutenção 
100
da disciplina fiscal (referente à política fiscal do país) e estabelecimento de 
metas de inflação (referente à política monetária do país). 
Agora é com você: para ampliar sua visão de como as políticas econô-
micas podem influenciar a sociedade, estude todo o material desta seção que 
está disponível para você. Eu te espero no próximo encontro!
Sem medo de errar
Agora que você já aprendeu sobre as principais interações entre o governo 
e o mercado, é hora de voltar sua atenção para o problema da Empresa X, 
especializada em fornecer treinamento para novos servidores aprovados em 
concursos públicos. Luís e Otávio, seus donos, perceberam que, após um 
tempo significativo com bom faturamento a partir de contratos de treina-
mento, recentemente, o número de requisição de serviços tem se reduzido. 
Contudo, o que está preocupando a empresa é a notícia de que, por conta 
do crescimento da inflação, após um período de muito crescimento na ativi-
dade econômica, o governo anunciou que tomará medidas para controlá-la.
Estava nos planos da empresa a aquisição de um terreno para a nova sede 
da Empresa X, mas, a partir dessa informação do governo, Luís e Otávio 
precisam definir se mantêm o investimento ou se assumem uma posição 
estratégia mais conservadora. Se você fosse consultado a opinar sobre o 
assunto, frente a esse novo cenário, qual deveria ser a estratégia a ser adotada 
pela empresa?
Você deveria começar explicando aos sócios da Empresa X que o governo 
utiliza as políticas econômicas (fiscal, monetária, cambial e de rendas), 
buscando gerar crescimento econômico, ao mesmo tempo em que mantém a 
inflação sob controle. Contudo, há um trade-off fundamental entre inflação 
e crescimento econômico, o que faz com que ações de combate à inflação, 
normalmente, estejam associadas à redução da atividade econômica. 
No Brasil, as metas inflacionárias são prioritárias (pois uma inflação 
elevada é muito prejudicial a todos). Dessa forma, se o governo avisa que 
aplicará políticas econômicas de combate à inflação, os mercados de bens e 
serviços e de trabalho serão impactados, o que deverá prejudicar as metas 
produtivas da nação. Por isso, a empresa pode esperar tanto uma redução 
nos seus negócios com o governo quanto uma queda na atividade econômica 
101
em geral. Ou seja, o fato de a Empresa X, provavelmente, se deparar com um 
cenário macroeconômico menos propenso para novos investimentos produ-
tivos, com grande possibilidade de redução nos seus negócios, faz com que a 
aquisição de um terreno para a companhia, nesse momento, não seja a ação 
mais indicada. Às vezes, dar um passo atrás pode ser a melhor estratégia para 
uma empresa.
Avançando na prática
Uniformes
Paula é a proprietária e gerente da Empresa U, uma empresa que produz 
uniformes para outras empresas. A sua demanda está diretamente ligada 
aos movimentos no mercado de trabalho, por isso, ela está sempre atenta a 
notícias que possam afetar o seu negócio.
Acompanhando o noticiário, ela soube que as pesquisas que apontam a 
avaliação das pessoas sobre o governo (taxa de aprovação do governo) não 
apresentaram bons resultados, pois, apesar de a inflação estar controlada, 
havia uma grande quantidade de pessoas desempregadas. Em resposta a 
isso, o governo anunciou que efetuará uma diminuição da carga de impostos 
sobre a folha de pagamento das empresas, para aumentar as contratações.
Essa ação terá algum efeito sobre o equilíbrio do mercado de trabalho? E 
poderá, de alguma forma, afetar a demanda da Empresa U?
Resolução da situação-problema
O mercado de trabalho é um dos mercados que é analisado pela macro-
economia, sendo representado pela quantidade de vagas e pelo valor dos 
salários, que são determinados pelo equilíbrio entre a oferta e a demanda de 
mão de obra.
A decisão do governo de diminuição da carga de impostos sobre a folha 
de pagamento das empresas estimulará novas contratações, pois deslo-
cará a curva de demanda por trabalho (em economia, são as empresas que 
demandam trabalho). Com isso, o número de contratações no país aumen-
tará, estimulando a demanda por uniformes. Dessa forma, Paula deve estar 
preparada para atender a essa demanda e aproveitar para conquistar mais 
espaço no mercado para a Empresa U.
102
Faça valer a pena
1. O conjunto de medidas tomadas pelo governo de um país com o objetivo 
de atuar e influir sobre os mecanismos de produção, distribuição e consumo 
de bens e serviços constitui a política econômica. Ela pode ser feita de 
diversas formas, sempre com objetivos bem claros a serem atingidos.
Assinale a alternativa que corresponde corretamente a um dos objetivos das 
políticas econômicas:
a. Menor número possível de pessoas empregadas.
b. Atividade econômica em queda.
c. Inflação em crescimento.
d. Renda distribuída de forma justa.
e. Saldo do Balanço de Pagamentos desequilibrado. 
2. Com o desenvolvimento da ciência econômica, foram sendo estabele-
cidas funções que o governo deveria desempenhar para colaborar com a 
melhoria das condições de vida da sociedade. 
De acordo com as informações apresentadas na tabela a seguir, faça a 
associação de algumas das funções do governo, as quais estão listadas na 
Coluna A, com suas respectivas descrições, apresentadas na Coluna B.
Coluna A Coluna B
I. Estabilizadora 1. Melhoria da distribuição de renda
II. Distributiva 2. Participação do governo na produção de bens e serviços
III. Alocativa 3. Exercida por meio de leis e disposições administrativas
IV. Reguladora 4. Estabilização das variáveis econômicas
Assinale a alternativa que apresenta a associação correta entre as colunas:
a. I-4; II-1; III-2; IV-3.
b. I-4; II-3; III-2; IV-1.
c. I-2; II-1; III-4; IV-3.
d. I-3; II-4; III-1; IV-2.
a. I-1; II-3; III-2; IV-4. 
103
3. Em 2019, em nota para a Revista Veja sobre o Plano Real, o ex-presidente 
Fernando Henrique Cardoso declarou:
[...] a inflação havia se tornado um flagelo e as pessoas 
queriam contê-la. Tecnicamente, o plano foi bem feito: 
compreendemos que a ‘mágica’ de cortar zeros, mudar 
o nome da moeda ou mesmo da URV precisava de 
apoio em um processo de controle dos gastos públicos, 
renegociação das dívidas externas, privatização de 
bancos estaduais, enfim de uma reforma do Estado. 
(KIANEK; ROMANI, 2019, [s.p.])
Considerando as informações apresentadas sobre a inflação no Brasil, analise 
as afirmativas a seguir:
I. O índice de inflação é uma média simples das alterações dos preços, e 
a ocorrência de qualquer valor de inflação já é um problema.
II. Atualmente, no Brasil, o controle da inflação deve apresentar 
prioridade em relação aos mecanismos de estímulo ao cresci-
mento econômico.
III. Desde 1999, o Brasil trabalha como metas para a inflação.
IV. A simples existência da inflação não é um problema, pois uma inflação 
baixa indica que os preços estão se ajustando com o passar do tempo.
Considerando o tema em questão, é correto o que se afirma em:
a. I, II e III, apenas.
b. III e IV, apenas.
c. I, II, III e IV.
d. II, III e IV, apenas.
e. I, II e IV, apenas. 
Referências
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economia/inflacao/brasil/calculo. Acesso em: 18 dez. 2019.
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Energia (E&E), n. 96, jul./set. 2017. Disponível em: http://ecen.com.br/?page_id=661. Acesso 
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Acesso em: 13 dez. 2019.
BRAGA, M. B. Princípios de economia: abordagem didática e multidisciplinar. São Paulo: 
Atlas, 2019. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597022841. 
Acesso em: 15 dez. 2019.BRUM, A. L.; ZILIO, M. Aspectos da evolução do câmbio no Brasil: 1990-2011. Revista 
Perspectiva, v. 37, n. 138 – Erechim, jun. 2013, p. 69-80. Disponível em http://www.uricer.edu.
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Econômica, Porto Alegre, ano 26, n. 50, p. 7-25, set. 2008. Disponível em: https://www.seer.
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Unidade 4
Flávio Benilton da Silva Medeiros
Conjuntura econômica e políticas econômicas
Convite ao estudo
Olá, tudo bem? Você já parou para pensar no quanto nossa qualidade 
de vida pode ser afetada por decisões e ações do governo? Além disso, os 
negócios entre as empresas e entre agentes de países diferentes também são 
afetados pelas políticas econômicas, o que torna o assunto desta unidade, as 
políticas macroeconômicas, fundamental para sua carreira profissional.
Para analisar esse tema, conheceremos as diferenças entre as políticas 
fiscal e monetária, e por meio do estudo das ações econômicas recentes do 
governo brasileiro, compreenderemos os motivos pelos quais elas são feitas. 
Assim, você poderá fazer a análise da conjuntura econômica de um país para 
se antecipar às possíveis políticas fiscal e monetária a serem feitas pelo governo 
e seus efeitos sobre a economia como um todo e sobre setores específicos.
Nosso primeiro tema será a Política Fiscal (Seção 4.1), relacionada aos 
gastos e às receitas do governo. A análise fundamental é a da relação entrereceitas e despesas públicas: quando o governo gasta mais do que arrecada, 
ele incorre em déficit nas contas governamentais. Por outro lado, quando 
o governo consegue equilibrar suas contas e arrecadar mais do que gasta, 
ele tem superávit nas contas governamentais. A Política Fiscal Expansionista 
ocorre quando o governo toma decisões que aumentam os seus gastos e 
diminuem os impostos pagos pelas pessoas e empresas. Já quando o governo 
diminui seus gastos e aumenta os impostos, ele está praticando uma Política 
Fiscal Contracionista. 
A Política Monetária (Seção 4.2) está relacionada à quantidade de 
moeda em circulação e à taxa de juros. Uma política expansionista atua 
para aumentar a oferta de moeda (e, consequentemente, diminuir a taxa de 
juros), e a Política Monetária Contracionista atua no sentido oposto. Você 
conhecerá também o multiplicador bancário, que pode ser utilizado como 
instrumento de política monetária. Nossa análise dos impactos das diferentes 
políticas econômicas sobre o crescimento econômico e a inflação partirá da 
constatação de que existe um trade-off entre eles. Em seguida, ainda na Seção 
4.2, veremos como o controle de preços e salários e os programas de transfe-
rência de renda compõem a política de rendas ou distributiva.
Para terminar, na Seção 4.3, acompanharemos exemplos de ações gover-
namentais marcantes no Brasil, começando pelos planos malsucedidos de 
combate à inflação da década de 1980 e o sucesso do Plano Real. Você verá 
a predominância do neoliberalismo com a estabilidade econômica após o 
Plano Real e os benefícios trazidos por ela. Por fim, conheceremos as políticas 
recentes para o reequilíbrio das contas públicas.
Mãos à obra!
109
Seção 1
Política fiscal
Diálogo aberto
Oi, você já viveu uma situação em que um cliente seu atrasou algum 
pagamento ou, até mesmo, lhe “deu o cano”? Como fornecedor, você se 
defrontou com cenários em que ficou muito difícil manter o que foi acordado 
com o cliente? É muito ruim, não é mesmo? Só que, às vezes, isso ocorre por 
situações fora do nosso controle, concorda?
É sob essa perspectiva que quero convidá-lo a conhecer a Empresa S, 
que trabalha com o fornecimento de refeições em larga escala e que cresceu 
muito nos últimos anos tendo empresas contratadas pelo governo do Estado 
como principais clientes. Lúcia é a proprietária da empresa e a responsável 
por seu gerenciamento. Os últimos anos foram de intenso crescimento, 
pois o governo criou um programa de obras públicas em que as empresas 
de construção civil contratadas tinham a obrigação de fornecer alimen-
tação para os trabalhadores temporários, e, com isso, as encomendas dessas 
empresas com a Empresa S cresceram muito. 
Contudo, nos últimos meses, Lúcia passou a ter dificuldades em receber 
alguns pagamentos, e passou a ouvir de vários clientes que o governo, apesar 
de estar em seu último ano, estava atrasando os pagamentos para as constru-
toras que estavam realizando as obras.
No final do ano, ocorreram as eleições e o atual governador não foi 
reeleito. O ganhador da eleição estabeleceu uma equipe para estudar a 
situação fiscal do estado, e após poucas semanas de trabalho, convocou uma 
entrevista coletiva em que fez uma declaração à imprensa afirmando que o 
governo anterior havia conduzido a política fiscal de forma irresponsável, 
deixando tanto uma enorme dívida quanto uma perspectiva de déficit nas 
contas públicas para os próximos anos. 
Por conta disso o futuro governador afirmou que ele precisará imple-
mentar uma política fiscal contracionista nos próximos anos. 
A partir dessa informação, Lúcia precisa responder à seguinte pergunta: 
ela deve continuar focando as empresas contratados pelo governo como 
principais clientes ou fazer algum ajuste na estratégia da sua empresa?
Para responder a essa pergunta, você precisa entender o que é a Política 
Fiscal, como alterações nos gastos e nas receitas do governo impactam tanto a 
economia em geral como setores específicos, bem como o que leva o governo 
110
a adotar políticas expansionistas ou contracionistas. Esses conhecimentos 
lhe permitirão desenvolver habilidades de entendimento da realidade e de 
projeção de cenários futuros, sendo fundamental a sua dedicação, ok? 
Boa aula!
Não pode faltar
Olá, tudo bem? Os temas desta aula estarão muito próximos do seu dia a 
dia, já que nossas discussões seguirão uma linha muito específica: a análise da 
atuação do governo. Assim, iremos estudar como o governo pode influenciar 
a atividade econômica por meio da política fiscal entendendo suas razões e 
seus objetivos. De forma simples, podemos dizer que a política fiscal envolve 
os gastos do governo e as receitas do governo (advindas da tributação). 
A expansão dos gastos públicos para a recuperação dos Estados Unidos, 
após a Grande Crise de 1929, tornou hegemônica a ideia de usar os gastos 
governamentais como indutores do crescimento econômico, ou seja, todas 
as vezes que a economia tivesse sua atividade produtiva reduzida, enfren-
tando altos níveis de desemprego, o governo deveria recorrer à Política Fiscal 
expansionista, ou seja, aumentar os gastos públicos e diminuir os tributos, 
o que estimularia a demanda agregada (intenção de compra dos agentes 
econômicos), fazendo com que as empresas voltassem a contratar novos 
funcionários para ampliar a produção (OLIVEIRA, 2018).
Assimile
Quando o governo aumenta os seus gastos ou diminui os tributos 
(impostos, taxas e contribuições), ele está fazendo Política Fiscal expan-
sionista, o que aumenta a atividade econômica e, consequentemente, 
o nível de emprego.
Esse processo ocorre da seguinte forma: imagine que o governo decida 
construir um novo porto (ampliando seus gastos). Para essa obra, ele contra-
tará uma empresa que, por sua vez, irá contratar trabalhadores, adquirir (ou 
alugar) máquinas, comprar matérias-primas, contratar o serviço de outras 
empresas, etc. Percebe que esse processo ampliará a produção de diversas 
empresas (aumentando a renda correspondente aos pagamentos pela utili-
zação dos recursos produtivos), bem como gerará empregos? 
Da mesma forma, a política fiscal expansionista pode ser feita com uma 
redução dos tributos, que fará com que os consumidores se interessem por 
comprar mais bens e serviços, pois estarão com sua renda disponível maior. 
111
Ou seja, esse aumento da Demanda Agregada (causado pelo aumento da 
Renda Disponível, como consequência da diminuição tributária) resultará 
em um aumento da produção de bens e serviços, diminuindo o desemprego 
do país.
Exemplificando
Imagine se o governo reduzisse a alíquota do Imposto de Renda Pessoa 
Física de 7,5% para 2% para pessoas que ganham R$ 2.500,00 por mês. 
Isso faria com que o seu imposto pago passasse de R$ 187,50 para 
R$ 50,00. Dessa forma, a Renda Disponível (Renda Recebida menos 
Tributos pagos) dessa pessoa passaria de R$ 2.312,50 para R$ 2.450,00. 
Esse aumento de R$ 137,50 (ou seja, essa ampliação da Renda Dispo-
nível) liberaria mais recursos para essa pessoa que seriam utilizados 
para a aquisição de mais bens e serviços, o que traria incentivo para as 
empresas produzirem mais, reduzindo o nível de desemprego do país.
A política fiscal contracionista opera de forma inversa: o governo diminui 
os seus gastos e/ou aumenta a carga tributária. Com isso, temos menor ativi-
dade produtiva (menos obras são realizadas, menos automóveis são vendidos, 
menos pessoas vão jantar fora, etc.) e, em consequência, menos empregos são 
gerados e menos riqueza é criada. Pode parecer estranho que um governo 
realize uma política que reduz a atividade econômica, e você irá entender em 
breve esse processo, mas, para isso, em primeiro lugar, é preciso conhecer os 
indicadores dos resultados fiscais de um país. Vamos a eles?
Da mesma forma que eu, você e todas as empresas, o governo precisa 
que suas receitas sejam maiores do que suas despesas. Quando isso acontece, 
ocorre um superávit nas contas públicas. Já o déficit surge quando ogoverno 
gasta mais do que arrecada. Esses são chamados indicadores de fluxo, pois 
comparam os valores das receitas e dos gastos públicos, apresentando o 
resultado desse saldo em um determinado período.
E se o governo continuar gastando mais do que arrecada ou se toma 
algum empréstimo para realizar uma obra? Isso resultará em dívida, que é 
um conceito de estoque, ou seja, déficits ou superávits irão alterar o tamanho 
da dívida pública. Agora, antes de avançarmos para entender melhor a 
contabilidade pública, precisamos compreender a diferença entre o resultado 
nominal e o resultado primário. Vamos lá?
O resultado primário recebe esse nome por excluir os pagamentos ou 
recebimentos relativos aos juros da dívida, ou seja, indica o saldo das opera-
ções que resultam em endividamento “novo” ou “primário”. Pode também 
112
ser entendido como a diferença entre receitas e despesas não financeiras 
(sem juros), bem como pode ser superavitário ou deficitário. A importância 
desse indicador de fluxo é que ele mostra o nível de comprometimento da 
autoridade fiscal na amortização da dívida pública, ou seja, quanto que um 
país está conseguindo economizar para pagar os juros da dívida (TESOURO 
NACIONAL, 2017), podendo ser medido também em porcentagem do PIB.
Exemplificando
Imagine que, em janeiro, o governo arrecadou R$ 100,00 e gastou R$ 
120,00, apresentando, portanto, R$ 20,00 de déficit público. Esse valor 
fez com que o governo acumulasse (estoque) R$ 20,00 de dívida pública, 
que foi acrescida de juros (por exemplo, mais R$ 5,00), pois o governo 
precisou pegar dinheiro emprestado para acertar essa pendência finan-
ceira. No mês seguinte, em fevereiro, o resultado público do governo 
(receitas menos despesas) deverá apresentar um superávit primário, 
sobrando dinheiro para o pagamento dos juros da dívida que foi 
acumulada no mês anterior (por exemplo, se o governo, em fevereiro, 
arrecadar R$ 110,00 e gastar R$ 108,00, ele poderá usar esse superávit 
primário de R$ 2,00 para pagar parte dos juros (no valor de R$ 5,00) que 
recaem sobre sua dívida). Isso mostrará aos participantes do mercado 
que o governo está conseguindo organizar suas contas públicas para 
evitar que sua dívida continue crescendo.
Já o resultado nominal inclui o pagamento de juros sobre o fluxo de 
receitas e despesas do governo, e de forma similar, pode ser superavitário 
ou deficitário. No exemplo anterior, mesmo que o governo tenha apresen-
tado superávit primário de R$ 2,00, ele terá um déficit nominal de R$ 3,00 
– correspondente a R$ 110,00 (arrecadados em fevereiro) menos R$ 113,00 
(o total de R$ 108,00 gastos em fevereiro acrescidos de R$ 5,00 referentes aos 
juros da dívida). Déficits nominais, obviamente, não são bons, mas o déficit 
primário é pior, pois implica crescimento da dívida do governo.
Reflita
O governo pode apresentar um resultado primário superavitário e, ao 
mesmo tempo, um resultado nominal superavitário? Se sim, quando 
isso acontece? Reflita sobre o assunto.
O padrão das contas públicas brasileiras era apresentar superávit primário 
e déficit nominal, ou seja, apesar do volume gasto para o pagamento da dívida 
ser elevado, os resultados permitiam alguma economia para o pagamento 
113
dos juros da dívida. Contudo, a partir de 2014, o Brasil passou a apresentar 
déficits primários, o que resultou em grande elevação da dívida, conforme 
pode ser visto nas figuras 4.1 e 4.2:
Figura 4.1| Resultado primário e nominal do governo central – 2008 a 2018 – em R$ bilhões
Fonte: adaptada de Tribunal de Contas da União ([s.d.]).
Figura 4.2 | Dívida bruta do governo geral – 2008 a 2019 – em % do PIB
Fonte: adaptada de Banco Central ([s.d.]). 
A dívida bruta do governo geral abrange o total dos débitos de responsa-
bilidade do Governo Federal, dos governos estaduais e dos governos munici-
pais junto ao setor privado, ao setor público financeiro e ao resto do mundo 
(BRASIL, 2019a; 2019b) e alcançou um valor de R$ 5,431 trilhões, em março 
de 2019, o que correspondeu a 78,4% do PIB (OLIVEIRA, 2019). Essa relação 
entre dívida e PIB é a maior da série histórica, iniciada em dezembro de 2001 
(OLIVEIRA, 2019).
114
O crescimento recente da dívida é o resultado de uma combinação de 
três fatores: os sucessivos resultados primários negativos (causados pelo 
excessivo aumento de gastos), o baixo crescimento do PIB (que causam uma 
diminuição na arrecadação tributária) e os juros pagos. Em 2018, os juros 
nominais pagos pelo governo alcançaram R$ 379,2 bilhões, o que equivale a 
5,6% do PIB, colocando o Brasil entre os cinco mais endividados dos países 
emergentes (TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO, [s.d.]). A evolução dos 
gastos públicos no Brasil é mostrada na Figura 4.3.
Figura 4.3 | Despesas Primárias do Governo Federal em R$ Bilhões – 1998 a 2018
Fonte: Tesouro Nacional ([s.d.]). 
Precisamos agora responder a uma pergunta muito importante: como o 
Brasil chegou a esse ponto? A utilização da política fiscal expansionista como 
indutora do crescimento foi intensivamente utilizada por diversos países, 
incluindo o Brasil, durante boa parte do século XX. Contudo, tanto aqui 
quanto em outros países, o processo não foi conduzido de forma respon-
sável, pois levou a um aumento de gastos públicos sem correspondência nas 
receitas, gerando desequilíbrio e consequentes déficits fiscais. Em vez de 
adotar uma política fiscal restritiva (para reequilibrar as contas públicas), 
boa parte dos governos optou por financiar esses déficits fiscais por meio de 
emissão de moeda ou empréstimos externos, o que gerou a crise da inflação 
e da dívida externa nos anos 1980 e 1990, no Brasil. 
Esse processo começou com Juscelino Kubitschek, manteve-se com 
os militares e depois no governo Sarney. Os dois mandatos de Fernando 
115
Henrique Cardoso e o primeiro mandato de Lula foram de responsabilidade 
fiscal (apresentar superávits primários), mas a partir da crise mundial de 
2008, os gastos do governo brasileiro dispararam e, mesmo com o aumento 
da arrecadação, o país passou a enfrentar déficits primários, desde 2014. 
Desde o impeachment de Dilma, os governos Temer e Bolsonaro tem feito 
esforços para reverter esse quadro, mas existe muitas dificuldades. 
O esforço para se garantir despesas em um nível menor do que o das 
receitas é essencial para o equilíbrio financeiro, tanto das pessoas quanto das 
empresas. Em relação aos governos, é importante lembrar que é o dinheiro 
de todos os contribuintes que é usado para pagar os gastos públicos. Por isso, 
o desejável é sempre buscar um resultado primário com superávit, a fim de 
se gerar uma “poupança” para pagar os juros da dívida pública e reduzir o 
endividamento do governo no médio e longo prazos.
Atenção
O crescimento da dívida traz menor credibilidade e afasta investidores 
que ficarão temerosos quanto ao futuro do País.
É por isso que, quando os resultados fiscais estão ruins, governos respon-
sáveis optarão por uma política fiscal restritiva (contracionista), mesmo que 
ocorra redução da atividade econômica no curto prazo.
Vale destacar que fica claro, nesse ponto, o trade-off entre inflação e cresci-
mento econômico: o aumento dos gastos do governo e a diminuição dos 
impostos geram um aumento da atividade econômica (elevando o emprego), 
contudo, isso pode trazer o crescimento da inflação. Por outro lado, quando 
a inflação está elevada, uma das formas de controlá-la é reduzir os gastos 
do governo e aumentar os impostos, que reduzem a atividade econômica e, 
consequentemente, o emprego.
Assimile
O aumento da Demanda Agregada resultante de uma política fiscal 
expansionista acontece numa velocidade maior do que o aumento da 
Oferta Agregada, o que traz inflação.
E como está a questão fiscal brasileira? Infelizmente, nada bem. De 
forma resumida, podemos dizer que tanto a arrecadação quanto os gastos 
governamentais brasileiros têm problemas de quantidade e de qualidade, ou 
seja, a política fiscal brasileira apresenta algumas injustiças que precisamcomunicações, intermediação financeira, imobi-
liárias, hospedagem e alimentação, reparação e manutenção, serviços 
pessoais, governo e outras atividades afins (FREITAS, [s.d.]).
Já para o consumidor, o custo de oportunidade representa a satisfação 
que ele deixou de obter ao abrir mão de um produto para adquirir outro. 
Essa é uma das razões pelas quais usamos nossos recursos financeiros para a 
aquisição de coisas diferentes: cada indivíduo tem uma escala de prioridades 
diferente e vai usar seu dinheiro para adquirir os bens e serviços em uma 
combinação que maximize sua satisfação individual.
Assimile
Por falar em bens e serviços, você sabe como a economia os diferencia? 
Esse é um tema importante, mas que não apresenta dificuldade: os 
bens são produtos tangíveis (que existem fisicamente, que podem ser 
tocados), por isso podem ser armazenados, transportados e sua posse 
pode ser transferida. 
Existe uma classificação fundamental em relação aos bens: se eles são 
bens de consumo ou bens de capital. Os bens de consumo atendem 
diretamente à satisfação das necessidades humanas, como os 
alimentos, as roupas, etc., enquanto os bens de capital não satisfazem 
diretamente as necessidades humanas, pois são utilizados para produzir 
outros bens: máquinas de uma indústria, tratores, etc. O investimento 
em bens de capital é fundamental para o desenvolvimento de um país, 
pois é o conjunto deste que constitui a “capacidade produtiva” de uma 
sociedade e, junto com os recursos humanos, determinam o nível de 
riqueza desta sociedade.
Já os serviços são produtos intangíveis, ou seja, uma vez que um serviço 
é prestado, ele desaparece. Dessa forma, os serviços não podem ser 
armazenados ou transportados, nem sua posse pode ser transferida.
A forma como os fatores de produção é gerida para a produção dos bens e 
serviços está ligada com os sistemas econômicos (socialismo ou capitalismo). 
15
Vamos compreender esse ponto? Desde o início da história da humanidade, 
diversos pensadores se dedicaram a entender os processos econômicos. Na 
Grécia antiga, alguns dos filósofos dedicaram parte dos seus estudos ao tema, 
assim como na Arábia e em outras regiões. Há referências a processos econô-
micos no antigo testamento da Bíblia e em outros escritos da época. Na Idade 
Média, os escolásticos e, a partir do século XV, escolas de pensamento como 
os mercantilistas e os fisiocratas estabeleceram teorias tentando responder 
qual a melhor forma de organizar os fatores produtivos em uma sociedade.
Ao longo de 150 anos, entre meados do século XIX e até o final do século 
passado, muitos defenderam que uma economia centralizada (o sistema 
socialista) apresentaria resultados superiores aos da economia de mercado 
(o sistema capitalista). Mas o que seria um sistema socialista? De acordo com 
a teoria de Karl Marx, sua característica fundamental seria o controle gover-
namental da produção e da distribuição dos bens em sistema de igualdade 
e cooperação, ou seja, o governo tem o papel de planejar as questões econô-
micas (planejamento centralizado), havendo uma predominância da proprie-
dade pública (governamental) dos fatores de produção (VASCONCELOS; 
GARCIA, 2011). 
O primeiro país do mundo a implementar as ideias de Marx foi a Rússia, 
após a revolução de 1917, que se tornou União Soviética (URSS) em 1922. 
O poderio militar da URSS colaborou para que, após o final da 2ª Guerra 
Mundial, diversos países adotassem os ideais socialistas, tais como Ucrânia 
e Tchecoslováquia, entre outros, estabelecendo a chamada cortina de ferro.
Um dos processos mais emblemáticos do mundo durante a chamada 
Guerra Fria foi a construção do muro de Berlim, em 1961, para impedir 
a fuga dos cidadãos da Alemanha Oriental (socialista) para a Alemanha 
Ocidental, capitalista (a Alemanha fora dividida em duas, no final da 2ª 
Guerra Mundial). 
A partir do final da década de 1980, muitas nações socialistas como a 
União Soviética, a Alemanha Oriental e países do Leste Europeu passaram 
a abandonar o sistema socialista, adotando, gradualmente, o capitalismo, 
sendo dois processos marcantes da época a perestroika na Rússia e a queda 
do muro de Berlim na Alemanha. 
Qual a razão para ter havido uma diminuição no número de países que 
adotam o sistema socialista? Essa é uma pergunta muito difícil de ser respon-
dida, mas, em termos técnicos, os índices de produtividade das economias 
socialistas sempre foram menores do que os das economias capitalistas, e 
isso pode ser associado a diferentes fatores, sendo que dois deles merecem 
destaque. Vamos a eles?
16
Por mais que um técnico governamental possa ter acesso a diferentes 
estudos e projeções, ele não poderá prever como os agentes se comportarão. 
Por isso, ao dar liberdade para que os agentes possam utilizar os recursos 
produtivos disponíveis, será a sociedade que, de uma forma dinâmica, 
encontrará as melhores respostas para as perguntas fundamentais: 1- o que 
produzir?; 2- quanto produzir?; 3- como produzir?; e 4- para quem produzir?. 
O segundo deles é o sistema de preços (muito perceptível no sistema 
capitalista), que acaba sendo um conjunto de incentivos para direcionar o 
uso dos recursos produtivos, pois tanto as necessidades humanas quanto a 
disponibilidade deles mudam, fazendo com que a alteração de preços acabe 
equilibrando o mercado.
Reflita
Enquanto muitas pessoas defendem que a solução dos problemas 
econômicos passa pela maior presença do Estado na economia, há 
outro grupo defendendo o anarquismo e pregando a extinção do 
Estado, situação em que cada um fica responsável por resolver seus 
problemas individualmente. O que você acha: seria melhor ficar tudo na 
mão do Estado, o Estado deveria desaparecer, ou seria bom definir que 
o Estado atue em áreas específicas? Reflita sobre o assunto!
No capitalismo, ao contrário do socialismo, o peso do governo é reduzido, 
e os agentes possuem liberdade de escolha, uma vez que existe a posse privada 
dos fatores de produção. Por isso, as empresas buscarão o lucro como recom-
pensa de sua eficiência (ele é o seu incentivo), o que gera um ambiente em 
que a competição entre as empresas é estimulada e o sistema de preços (pela 
relação entre a oferta e a demanda por bens e serviços) é quem direciona o 
funcionamento do mercado. 
No sistema capitalista, o uso dos fatores de produção é remunerado (pois a 
propriedade desses recursos produtivos é privada). Para entender essa relação, 
é fundamental a compreensão do fluxo circular de renda. Vamos a ele? 
Você já sabe que os fatores de produção (terra, capital e trabalho) são 
utilizados de forma combinada para produzir bens e serviços. Ocorre que 
esses recursos produtivos são propriedade do agente econômico “Família”, 
correto? Para simplificar, vamos considerar que, em uma economia, existem 
apenas dois tipos de agentes: as famílias e as empresas (portanto, nessa simpli-
ficação, imaginaremos uma economia sem os agentes econômicos governo e 
resto do mundo). Como se dará a relação entre eles? 
17
Lembre-se que todos os recursos produtivos (fatores de produção) 
pertencem às famílias. Dessa forma, as empresas terão que adquirir os 
fatores de produção disponibilizados pelas famílias e utilizá-los para 
produzir os bens e serviços. Como a família é o agente consumidor de bens e 
serviços, aqueles bens e serviços produzidos serão adquiridos pelas pessoas 
físicas (agente econômico “família”) para a satisfação de suas necessidades 
no mercado de bens e serviços. Esse processo é chamado de fluxo real da 
economia, pois envolve a disponibilização de recursos produtivos (fatores de 
produção) pelas famílias e a produção e distribuição de bens e serviços pelas 
empresas, estando representado na Figura 1.1.
Figura 1.1 | Fluxo circular de renda
Fonte: adaptada de Nogami e Passos (2016, p. 64).
Mas como as famílias pagam pelos bens e serviços que vão adquirir? 
Se você observar a Figura 1.1, verá que existe um outro fluxo, que começa 
com o pagamento das empresas às famíliasser 
corrigidas. Na verdade, há quatro problemas fundamentais na política fiscal 
116
brasileira, dois em relação aos gastos e dois em relação às receitas. Vamos 
começar falando da arrecadação? 
Grande parte do volume arrecadado com tributos no Brasil vem de 
impostos sobre o consumo, ao contrário de países de tributação mais justa, 
onde os impostos sobre a renda e sobre a posse representam uma parcela 
muito mais significativa. Além disso, os impostos sobre o consumo aumentam 
o custo dos produtos e prejudicam ainda mais as famílias mais pobres.
Exemplificando
Imagine que o imposto inserido em uma latinha de cerveja seja de 18%. 
Se uma latinha dessas é vendida por R$ 10,00, qualquer consumidor 
paga R$ 1,80 (18% desses R$ 10,00) de imposto. Assim, se uma pessoa 
ganha R$ 1.800,00 e compra uma latinha de cerveja, ela está compro-
metendo 0,1% de sua renda (R$ 1,80 dividido por R$ 1.800,00) para o 
pagamento de imposto a cada cerveja adquirida, enquanto uma pessoa 
que ganha R$ 7.200,00 por mês compromete 0,025% de sua renda com 
imposto (R$ 1,80 dividido por R$ 7.200,00) a cada latinha adquirida. Ou 
seja, proporcionalmente (à renda), pagar R$ 1,80 é mais “pesado” para 
quem ganha R$ 1.800,00 por mês do que para quem ganha R$ 7.200,00 
por mês. Isso comprova que os impostos sobre o consumo (que são 
a maioria no Brasil) são mais injustos, em termos de capacidade de 
pagamento.
O segundo problema é que nossa carga tributária (percentual total de 
tributos, com relação ao PIB, pago por todas as empresas e pessoas físicas do 
país) é extremamente elevada quando comparada a outros países (se os gastos 
públicos são tão elevados, isso não poderia ser diferente, não é mesmo?), e a 
nossa legislação é uma das mais complexas do mundo, o que faz com que as 
empresas sejam obrigadas a contratar uma grande quantidade de advogados 
e contadores em vez de administradores e engenheiros, por exemplo. Esse 
aspecto diminui muito nossa competitividade, o que desestimula outros 
empreendedores a abrirem empresas no país. 
Para solucionar esse problema, em termos gerais, é necessário promover 
uma reforma tributária que simplifique os tributos, tornando o peso maior 
sobre impostos de Renda e propriedade e diminuindo o peso dos Impostos 
sobre consumo, pois a simplicidade do sistema tributário é fator crucial 
para o desenvolvimento de negócios em qualquer país. No Brasil, as áreas 
tributárias, que não geram nenhum valor para as empresas, são tão grandes 
quanto áreas estratégicas, como marketing e logística (ENDEAVOR BRASIL, 
2019). Em 2019, no ranking elaborado pela Endeavor, o Brasil manteve-se 
117
entre os 10 piores países do mundo em horas utilizadas para o pagamento 
de tributos, ocupando o 184º lugar, mesmo com a queda de 1.958 horas, em 
2018, para 1.500 horas, em 2019 (ENDEAVOR BRASIL, 2019). Em 2017, na 
Argentina, por exemplo, o tempo médio era de 311,5 horas/ano, enquanto 
no México, o número caia para 240,5 horas/ano (MOVIMENTO BRASIL 
COMPETITIVO, 2017).
Por parte dos gastos, o primeiro problema é o grande volume dos gastos 
públicos, causado pelo enorme tamanho do Estado brasileiro. Se isso signi-
ficasse bons serviços, tudo bem, mas essa não é a realidade, não é mesmo? 
O outro aspecto é que boa parte do orçamento público está engessado por 
gastos obrigatórios cujo crescimento independe do volume arrecadado. 
Como consequência, eles estão correspondendo a uma parcela cada vez 
maior do PIB com crescimento, cada vez mais destacado, dos gastos previ-
denciários, que cresceram a uma média de 13,7% ao ano entre 1995 e 2017, 
muito acima da inflação (ROQUE, 2019). 
Figura 4.4 | Evolução de quatro rubricas das despesas correntes do governo federal 2000 a 
2018:
Fonte: adaptada de Brasil (2019a; 2019b).
Assimile
Os gastos do governo brasileiro são elevados e o orçamento público é 
engessado (travado) por gastos obrigatórios concentrados nas despesas 
correntes (aquelas de custeio para a manutenção das atividades da 
administração pública, como os gastos com: pessoal, juros da dívida, 
previdência, serviços terceirizados, energia, telefone, etc.), que são de 
difícil redução, em caso de queda da arrecadação.
Pelo lado da receita, os tributos são complexos e grande parte da carga 
tributária é de impostos indiretos.
118
Esse problema já é conhecido há muito tempo, e muitos estudos indicam a 
necessidade de amplas reformas para se corrigir essas distorções que limitam 
o crescimento da nossa economia. Por exemplo, a diretora-gerente do Fundo 
Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, apontou a necessidade 
de uma reforma tributária que restaure a sustentabilidade fiscal, além de 
reformas estruturais que melhorem o crédito, a infraestrutura e a liberali-
zação do comércio (BASILE, 2018). Além dessas, reafirmou a importância 
da reforma da Previdência Social e a continuidade da política monetária para 
estimular a economia (BASILE, 2018).
O reflexo dessa situação pode ser visto no valor destinado a investimentos 
públicos (aplicações de recursos do Estado que impulsionam o desempenho 
econômico – como as feitas em: infraestrutura de transporte, energia, 
comunicação, saneamento, pesquisa e desenvolvimento, etc. – estimulando 
o investimento privado), que apresentou queda significativa a partir de 2010, 
como pode ser visto na Figura 4.5:
Figura 4.5 | Gastos do governo federal com investimentos 2000 a 2017
Fonte: adaptada de Brasil (2019a; 2019b). 
Percebe o quanto a Política Fiscal pode influenciar o desempenho econô-
mico de um país? Por isso, é importante que você estude os materiais desta 
disciplina para se aprofundar nesses conhecimentos que poderão fazer muita 
diferença na sua carreira. Bons estudos!
Sem medo de errar
Muito bem, agora que você já entendeu os desafios relativos à política 
fiscal, é hora de ajudar a resolver a questão enfrentada pela Lúcia. Vamos 
119
relembrar a situação? Ela é a proprietária e a gerente da Empresa S que 
fornece refeições em larga escala e que cresceu muito nos últimos anos tendo 
as empresas contratadas pelo governo do Estado como principais clientes.
Apesar dos últimos anos terem sido de intenso crescimento, nos últimos 
meses, a empresa enfrentou dificuldades em receber alguns pagamentos e 
passou a ouvir de vários clientes (construtoras que prestam serviço para a 
esfera pública) que o governo estava atrasando os pagamentos.
Seus temores aumentaram quando, após as eleições perdidas pelo atual 
governador, o candidato ganhador declarou em entrevista coletiva que, após 
estudo realizado pela equipe de transição, precisaria adotar uma política 
fiscal restritiva nos próximos anos, pois o governo anterior havia conduzido 
a política fiscal de forma irresponsável, deixando tanto uma enorme dívida 
quanto uma perspectiva de déficit nas contas públicas para os próximos anos. 
Diante desse cenário, a pergunta que Lúcia precisa responder é: ela deve 
continuar focando as empresas contratadas pelo governo como principais 
clientes ou fazer algum ajuste na estratégia da sua empresa?
Desequilíbrios fiscais são enfrentados por governos comprometidos 
a resolver esses problemas por meio de medidas de austeridade. Por isso, 
a redução dos gastos do governo estadual é certa! Continuar apostando 
nas empresas contratadas pelo Estado como clientes confiáveis não é uma 
estratégia viável. Por isso, a empresa precisa se preparar para um cenário de 
redução da demanda, já que as políticas fiscais contracionistas diminuirão a 
atividade econômica, tanto pela redução dos gastos do governo quanto pelo 
aumento nos tributos.
Perceba a importância de se conhecer os mecanismos à disposição do 
governo que compõem a política fiscal e os efeitos que eles causam sobre a 
economia como um todo e sobre empresas específicas em particular. Além 
disso, note como esse conhecimento está ligado a situações reais e como o 
domínio desses assuntos fará diferença na sua vida profissional.
Faça valer a pena
1. O termo custo Brasil refere-se a uma sériede aspectos que dificultam a 
exportação de produtos brasileiros ou a competição de produtos nacionais 
com os produtos importados. Para a diminuição desses custos, é necessária 
a realização de reformas.
Em relação à arrecadação tributária brasileira, quais aspectos fundamentais 
têm sido obstáculos e, por isso, precisam ser alterados?
120
a. A maior parte da arrecadação vir de impostos sobre renda e posse; e a 
complexidade dos tributos que eleva nossa competitividade.
b. A maior parte da arrecadação vir de impostos sobre o consumo; e a 
complexidade dos tributos que diminui nossa competitividade.
c. A maior parte da arrecadação vir de impostos sobre o consumo; e a 
simplicidade dos tributos que diminui a arrecadação.
d. Os elevados gastos do governo com a aposentadoria de políticos e 
militares; e a falta de investimentos em educação.
e. A elevada desvalorização da moeda nacional que dificulta nossas 
exportações; e a legislação que dificulta a condenação de corruptos. 
 2. Em artigo recente, Marcos Lisboa, Marcos Mendes e Marcelo Gazzano 
apontaram que “em 2013 e 2014, a economia brasileira desacelerou apesar 
da forte expansão dos gastos públicos. O déficit primário estrutural saiu de 
um resultado próximo de zero em 2013 para um déficit de quase 2% do PIB, 
e isso não impediu que entrássemos em uma das maiores recessões de nossa 
história” (LISBOA; MENDES; GAZZANO, 2019, [s.p.]).
Tomando como referência os efeitos de uma política fiscal excessivamente 
expansionista no Brasil ao longo do século XX, classifique as afirmativas a 
seguir em (V) verdadeiras ou (F) falsas.
( ) O aumento de gastos públicos levou a déficits fiscais.
( ) Os déficits fiscais foram financiados pela desvalorização cambial.
( ) O financiamento da dívida pública com aumento da quantidade de moeda 
ajudou a controlar a inflação.
( ) A diminuição da intenção de compra contribuiu para aumentar a inflação.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de classificação, de 
cima para baixo.
a. V – F – F – F.
b. F – V – F – F.
c. V – V – V – F.
d. V – F – V – V.
e. F – F – V – V.
121
3. A política fiscal ocupa um papel central nos instrumentos que o governo 
tem à sua disposição para atuar na economia, em especial no estímulo à 
atividade econômica. A política fiscal brasileira apresenta alguns problemas 
graves e de difícil solução.
Tomando como referência os problemas fiscais brasileiros, classifique as 
afirmativas a seguir em (V) verdadeiras ou (F) falsas
( ) Gastos públicos crescentes.
( ) Orçamento público engessado por gastos obrigatórios.
( ) A maior parte da arrecadação vem de impostos sobre a renda.
( ) Sistema tributário complexo.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de classificação, de 
cima para baixo. 
a. V – V – F – V. 
b. F – F – F – V.
c. F – F – V – V.
d. V – V – V – F.
e. V – F – V – F.
122
Seção 2
Política monetária e política de rendas
Diálogo aberto
Olá, tudo bem? Você já percebeu que, de alguns anos para cá, as manchetes 
sobre a inflação não são mais tão frequentes? Você saberia dizer se isso é bom 
ou ruim? E sobre a taxa SELIC, você já ouviu falar? Sabia que o resultado de 
muitos negócios é afetado pelos juros? Essas e outra importantes perguntas 
serão respondidas neste encontro.
Para nos ajudar a respondê-las, quero que você conheça a Eliane, que 
concluiu o curso superior e recentemente fez uma pós-graduação em 
gestão de empresas. Ela recebeu a notícia de que seus pais e tios juntaram 
as economias de vários anos e compraram a Empresa C, uma loja que vende 
eletrodomésticos que estava à beira da falência. Logo em seguida, Eliane foi 
convidada a ser o sócio-gerente da empresa, mas, como não tinha recursos 
financeiros para investir, sua parte na sociedade seria adquirida pelas suas 
horas de trabalho. Com isso, ela precisaria fazer a empresa ter sucesso para 
ter alguma remuneração.
Ao analisar as contas da empresa, Eliane percebeu que o fracasso da 
gestão anterior teve duas causas: a empresa tinha problemas sérios de gestão; 
e ela acabou enfrentando um grave momento de recessão no país (fruto de 
um período de sucessivas políticas monetárias contracionistas), tendo uma 
elevada dívida com fornecedores, um grande volume de produtos em estoque 
e gastos fixos elevados. 
Eliane sabe que terá o apoio da família para realizar as mudanças que 
a Empresa C precisa, mas estava em dúvida sobre o cenário econômico, e 
procurou se informar sobre o panorama atual e as perspectivas futuras. Sua 
pesquisa indicou que as políticas contracionistas foram necessárias para 
controlar a inflação, mas, que agora, como a inflação do país está sob controle, 
as expectativas dos agentes são bastante positivas para que o governo passe a 
promover política monetária expansionista. Frente a essa expectativa sobre 
a economia do país, e sabendo que um aquecimento da atividade econômica 
é fundamental para a recuperação financeira da Empresa C, Eliane poderia 
se beneficiar dessa política monetária expansionista para fazer a empresa 
vender mais? E sobre a dívida acumulada da Empresa C: Eliane teria mais 
facilidade em pagá-la, caso o governo faça política monetária expansionista? 
Por qual motivo?
123
Para responder a essas perguntas, você precisará entender os conceitos 
fundamentais da política monetária, bem como diferenciar os motivos que 
levam os governos a aplicarem uma política expansionista ou contracionista, 
bem como os efeitos de cada uma dessas políticas. Esses conhecimentos 
são fundamentais para quem quer assumir posições de comando dentro de 
qualquer empresa. É esse o seu caso? Então, vamos lá! 
Não pode faltar
Olá, como você está? Chegou o momento de conhecermos uma política 
essencial que mostra a atuação do governo na economia: a política monetária. 
Vamos a ela? 
Money, moneda, münze… sabe o que essas palavras têm em comum? 
Todas elas têm o mesmo significado: moeda. E é daí que vem o tema principal 
desta unidade: a política monetária. O primeiro passo para entendermos a 
mecânica desta política é entender o papel fundamental da moeda. Você sabe 
qual é? A resposta é: ser meio de troca! Não há como precisar uma data, 
mas, em algum momento da história, as pessoas começaram a perceber que 
utilizar uma mercadoria (no caso, a moeda) para facilitar o processo de troca 
diminuía o tempo gasto na realização das transações, o que liberava mais 
tempo para ser gasto em atividades produtivas e aumentava a produtividade. 
Com isso, o uso da moeda se incorporou rapidamente à vida das pessoas.
Assimile
Além de meio de troca, a moeda também tem as funções de ser reserva 
de valor e unidade de conta. A função de reserva de valor da moeda 
quer dizer que o seu poder de compra se mantém no tempo, sendo 
uma forma de se medir a riqueza. Assim, se R$ 100,00 hoje compram 
5 unidades da mercadoria A, seis meses depois, os mesmos R$ 100,00 
também poderiam ser usados para a aquisição de 5 unidades da merca-
doria A (caso não houvesse inflação nesse período). 
Já a função de unidade de conta refere-se ao fato de a moeda ser o 
referencial das trocas, ou seja, o padrão para cotação das mercadorias 
(os preços dos bens e serviços são expressos em valores monetários).
Cabe destacar que independentemente da forma como ela é utilizada 
(meio físico ou digital), a moeda continua tendo como principal função 
ser instrumento (meio) de troca.
124
Imagine
Por ser meio de troca, o dinheiro, em si, só tem valor quando há bens ou 
serviços pelos quais ele possa ser trocado. Imagine as seguintes situa-
ções que parecem roteiro de cinema, mas que ajudam a entender a 
função meio de troca do dinheiro: na primeira, um avião cai no deserto 
e não há como se comunicar com ninguém, sendo que, para se salvar, 
você precisará caminhar vários quilômetros até encontrar uma civili-
zação. Entre carregar uma caixa cheia de moedas ou água, qual seria sua 
escolha? Agora, imagine que você estivesse em um barco que naufragou 
em um local extremamentefrio e você só tivesse notas (moeda) para 
acender o fogo: o que você faria? Esses exemplos mostram a função 
fundamental da moeda, que é facilitar o comércio entre os agentes; não 
havendo bens para comprar, a moeda perderia a sua função de meio 
de troca.
Depois que definimos as funções da moeda, já podemos falar sobre 
política monetária, que está relacionada com o controle da quantidade de 
dinheiro na economia, sendo que isso é feito pela autoridade monetária do 
país, o Banco Central (BC). Esse termo, autoridade monetária, tem a ver com 
o fato de que o Banco Central é o responsável por controlar a taxa de inflação, 
principalmente com o uso de política monetária. Além disso, saiba também 
que as notas e moedas não podem ser emitidas por bancos privados, pois o 
Estado possui o monopólio das emissões. 
Nós já citamos a inflação, mas, agora, precisamos nos aprofundar um 
pouco mais sobre esse tema. Vamos lá? Em primeiro lugar, grande parte 
da população brasileira não viveu os anos de elevada inflação, por isso não 
se lembra dos danos causados por ela: a corrosão do poder de compra dos 
trabalhadores (especialmente os de renda mais baixa) e o abandono de 
muitos investimentos produtivos (existem outros, mas esses são os princi-
pais). Vamos entender melhor esses processos?
Em uma economia com inflação elevada, a taxa de juros precisa ser alta 
para compensar a perda do valor da moeda. Isso faz com que os recursos 
deixem de ser investidos em atividades produtivas para serem direcionados 
em aplicações nos bancos. Se um agente pode receber mais de 10% ao ano, em 
um título do governo, por qual motivo ele se arriscaria a investir esse dinheiro 
na construção de uma nova fábrica, por exemplo? E tem mais: a história 
mostra que a inflação só foi controlada em muitos países após intensas crises, 
o que gera incerteza quanto ao futuro, fator que também desestimula os 
investimentos produtivos das empresas. Como resultado, muitos empregos 
125
deixam de ser gerados, a produção diminui e o país empobrece no longo 
prazo. 
A perda do poder de compra do trabalhador pode ser facilmente demons-
trada por um exemplo:
Exemplificando
Desde o início da década de 1980 até 1994, a inflação no Brasil, disparou 
com taxas chegando, em alguns momentos, a quase 100% ao mês (o 
que fazia com que o preço de alguns produtos dobrasse de um mês 
para outro). A inflação elevada obrigava que houvesse uma correção 
mensal dos salários, mas isso não mantinha o poder de compra dos 
trabalhadores, pois havia uma diferença entre o dia em que o valor do 
salário era definido (dia 20 de um mês, por exemplo) e o dia do recebi-
mento (considere que seria no dia 5 do mês seguinte). Nesse espaço 
de tempo grande parte do poder de compra se perdia. Outro dano 
ao trabalhador era que, com a inflação elevada, os preços mudavam 
diariamente, obrigando o trabalhador a fazer suas compras no mesmo 
dia do recebimento do salário, pois no dia seguinte o seu dinheiro não 
seria mais suficiente para comprar a mesma quantidade de produtos. 
Já os trabalhadores de maior renda tinham acesso a correções diárias 
de suas aplicações financeiras, o que diminua o dano da inflação para 
essas pessoas.
Por causa desses danos (o baixo nível de investimentos produtivos e a 
perda de poder de compra de boa parte da população), a inflação é consi-
derada como uma das maiores responsáveis pelo aumento da desigualdade 
social no Brasil, em especial, no período entre o início da década de 1980 
até 1994. Nessa época, o descontrole inflacionário gerou um aumento na 
desigualdade social e redução nos investimentos, piorando a condição de 
vida da população. Por isso, o controle da inflação, a partir de 1994 (fruto do 
Plano Real), permitiu que o efeito de outras políticas públicas fosse intensifi-
cado na redução da desigualdade social registrada no Brasil, a partir do final 
do século passado.
Desde 1999 o Brasil está sob o regime de metas de inflação para orientar 
sua política monetária. Mas você sabe o que isso quer dizer? A meta se refere 
à inflação acumulada em um ano e utiliza o IPCA (Índice Nacional de Preços 
ao Consumidor Amplo) calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e 
Estatística (IBGE). A cada mês de junho, o Conselho Monetário Nacional 
(CMN) define a meta para a inflação dos três anos seguintes: por exemplo, 
em junho de 2019, o CMN definiu a meta para 2022. A partir da definição do 
126
valor dessa meta, há um intervalo de tolerância, também definido pelo CMN 
(ou seja, há um percentual para cima e para baixo do valor da meta, que a 
inflação pode atingir, sem comprometer a meta inflacionária prevista). Nos 
últimos anos, o intervalo definido pelo CMN tem sido de 1,5% para cima e 
para baixo.
Exemplificando
A meta da taxa da inflação brasileira informada pelo Banco Central para 
2020 é de um IPCA de 4,00% ao ano, com uma tolerância de 1,5%, ou 
seja, aceita-se que a inflação anual do Brasil em 2020 fique dentro do 
intervalo de 2,5% (4% da meta menos 1,5% da tolerância) a 5,5% (4% da 
meta mais 1,5% e tolerância) (BCB, 2019). Para 2021, a meta anual é de 
3,75% e de 3,5% para 2022 (BCB, 2019).
No final de cada ano, se a inflação estiver fora do intervalo de tolerância, 
o presidente do Banco Central tem que enviar carta aberta ao Ministro da 
Fazenda e presidente do CMN, que apresente as razões do descumprimento 
da meta, bem como as providências a serem tomadas para normalizar a 
situação. Além disso, ele deve informar o prazo esperado para que as provi-
dências surtam efeito.
O estabelecimento das metas inflacionárias reduz incertezas e melhora 
a capacidade de planejamento das famílias, empresas e governo, pois a meta 
pode funcionar como uma âncora para as expectativas dos agentes sobre a 
inflação futura, desde que desvios da inflação em relação à meta sejam corri-
gidos pelo BC. Dessa forma, a redução da incerteza faz com que as pessoas 
possam planejar melhor seu futuro e as famílias não tenham sua renda real 
corroída, o que acaba contribuindo para o crescimento da economia no 
longo prazo.
Assimile
O regime de metas de inflação é utilizado por diversos países com 
o objetivo de estabelecer um ambiente de previsibilidade para a 
economia. O Brasil utiliza esse regime desde 1999.
A Figura 4.6 mostra a meta (linha contínua no meio do gráfico), os limites, 
superior e inferior (linhas tracejadas acima e abaixo da meta, respectiva-
mente), e o comportamento do IPCA (linha que sobe e desce e, efetivamente, 
mostra o comportamento da inflação, ao longo dos anos), de dezembro de 
2009 até dezembro de 2019, bem como a projeção do mercado para 2020. 
127
Figura 4.6 | Comportamento da inflação
Fonte: BCB ([s.d.]). 
A inflação pode ter diferentes causas. Vamos conhecer uma das princi-
pais? Para isso, vamos adaptar a ideia desenvolvida por Milton Friedman, 
prêmio Nobel de economia: imagine uma ilha onde não ocorra nenhuma 
importação e exportação, ou seja, todos os produtos produzidos na ilha são 
vendidos ali, bem como tudo aquilo que é consumido na ilha é produzido 
ali dentro (ou seja, não há exportação nem importação). Há uma moeda na 
ilha, cuja função principal é servir de instrumento de troca. Um dia, de forma 
inesperada, cai dinheiro do céu (de forma literal), de forma que cada um 
dos habitantes da ilha tenha um aumento instantâneo de renda de 20%. O 
resultado desse aumento de renda será um aumento na demanda (intenção 
de compra de bens e serviços). Os vendedores, ao perceberem esse aumento 
na demanda, vão trazer um aumento nos preços daquilo que vendem, pois é 
mais fácil (e rápido) ampliar os preços do que aumentar a quantidade produ-
zida. Como os habitantes tiveram um aumento de renda, o resultado será 
que o preço dos produtos e serviços negociados na ilha sofrerá um aumento 
na mesma proporção do aumento da quantidade de moeda em circulação 
(MEDEIROS, 2019). Interessante, não é mesmo? 
Essa é uma situação imaginária, mas cujas conclusões são muito úteis: 
perceba que o aumento da quantidadede moeda em circulação não gerou 
128
aumento efetivo na renda (nem da produção), apenas da inflação, pois 
o aumento nos preços fez com que a capacidade de compra da população 
não se alterasse (MEDEIROS, 2019). A principal constatação dessa história 
apresentada é que sempre que ocorre um aumento da oferta de moeda 
(estoque total de moeda na economia) que não corresponda a um aumento 
na quantidade produzida em um país, não haverá aumento na renda, apenas 
na inflação (MEDEIROS, 2019).
Reflita
Além do excesso de moeda (relacionado à política monetária), o 
aumento do gasto público e a redução de tributos (que configuram uma 
política fiscal expansionista) também trazem inflação (por aumentarem 
a intenção e compra por bens e serviços). Dessa forma, qual a impor-
tância de uma harmonia entre as políticas fiscal e monetária? Em que 
medida ações populistas de estímulo ao consumo ou de redução de 
impostos podem comprometer o combate à inflação e acabar gerando 
instabilidades e crises?
Por isso que foi exposto até aqui (o excesso de moeda causa inflação), os 
instrumentos da política monetária tentam reduzir a quantidade de moeda 
em circulação para controlar o aumento generalizado e persistente dos preços 
(a inflação). Mas quais as ferramentas mais importantes para controlar a 
quantidade de dinheiro em circulação?
Vamos ver duas ferramentas, que correspondem aos dois principais instru-
mentos utilizados pelo BC para controlar a quantidade de moeda e, conse-
quentemente, a inflação: a taxa de juros e as condições de oferta de crédito, 
especialmente a taxa de recolhimento compulsório dos bancos comerciais.
Você lembra que a moeda tem como principal função ser meio de troca? 
E se a considerarmos como uma mercadoria, qual, então, seria o seu preço? 
Se você pensou em taxa de juros, acertou, pois, de forma similar aos bens 
e serviços, é a taxa de juros (ou, o preço do dinheiro) que vai equilibrar as 
forças de demanda e oferta de moeda. Pense em um mercado simples: quanto 
mais pessoas oferecerem recursos monetários para serem emprestados, 
menor será a taxa de juros (ou seja, menor será o preço do dinheiro). Por 
outro lado, quanto mais gente quiser tomar dinheiro emprestado, maior será 
a taxa de juros (o preço desse dinheiro será maior). Assim, em um mercado 
em que não houvesse intervenção do governo na taxa de juros, a interação 
entre os agentes determinaria a taxa de juros de equilíbrio. 
129
Contudo, o Banco Central é um agente com tanto poder que as taxas de 
juros que ele utiliza (para remunerar os títulos públicos) acabam por balizar 
as taxas aplicadas por outros agentes. Quer ver? Existe uma taxa muito 
conhecida sobre a qual você já deve ter ouvido falar: a SELIC, que é a taxa 
de financiamento do Tesouro Nacional para operações financeiras feitas de 
um dia para o outro, utilizada nos empréstimos que ocorrem entre os bancos 
ao final de cada dia. O lastro dessa taxa são justamente os títulos públicos 
federais, listados e negociados no Sistema Especial de Liquidação e Custódia 
(SELIC).
Agora, imagine que você dispõe de um recurso para investimento e 
pode emprestá-lo para o governo (comprando um título público). Você 
só vai emprestar esse dinheiro ao governo (comprar um título público), se 
ele trouxer uma remuneração atrativa para você (ou seja, se os juros forem 
altos). Assim, se os juros forem altos (se taxa SELIC estiver alta), você vai 
preferir emprestar recursos ao governo, em vez de manter o dinheiro consigo 
mesmo (para adquirir bens e serviços), ou seja, ao adquirir títulos públicos 
do governo, o dinheiro que está em circulação diminui (o dinheiro deixa de 
ser usado por você para a aquisição de um bem ou serviço, sendo utilizado 
para a aquisição de um título governamental). 
E se o governo aumenta a taxa SELIC, o que acontece no mercado produ-
tivo? Lembre-se que grande parte das compras das empresas (equipamentos, 
instalações etc.) tem valor (preço) unitário elevado, o que também acontece 
com alguns itens adquiridos pelas famílias (eletrodomésticos, automóveis, 
casa própria etc.). Assim, esses bens mais caros, normalmente, são adqui-
ridos de forma parcelada. Por esse motivo, se houver um aumento da taxa de 
juros, o valor à vista desses bens não muda, mas o valor das parcelas crescerá 
(caso a compra tenha acontecido a prazo). Isso levará a uma diminuição na 
demanda (intenção de compra) por esses produtos, forçando os empresários 
a diminuírem o preço que estão cobrando pelas suas mercadorias (ou seja, 
haverá um deslocamento da curva da demanda agregada para a esquerda, o 
que fará com que o novo preço de equilíbrio do mercado seja menor). 
Cabe destacar também que, além disso, quando a taxa de juros está maior, 
muitos investidores direcionam seus recursos monetários para investimentos 
nos bancos (por meio de aplicações financeiras que são remuneradas com 
juros), em vez de utilizá-los em investimentos produtivos (assim, a aquisição 
de máquinas e equipamentos para aumentar a produção é menor, o que 
diminui a produção desses bens, aumentando o desemprego). 
Dessa forma, quando o governo vende um título público, ele está fazendo 
política monetária contracionista (ou seja, ele está retirando moeda de 
circulação da economia), cujo principal objetivo é o controle da inflação. 
130
Contudo, outro efeito dessa política é a diminuição da atividade produtiva, 
que aumenta o desemprego.
Em contrapartida, o governo pode fazer política monetária expansionista 
(ou seja, aumentar a quantidade de moeda em circulação), comprando de 
volta os títulos públicos. Mas como isso acontece? Depois de 5, 10 anos que 
o governo vendeu um título público, ele deve comprá-lo de volta, pagando o 
seu valor inicial com o acréscimo de juros. Quando isso acontece, o governo 
coloca moeda na mão daqueles que detinham o título público, o que faz o 
preço do dinheiro (ou seja, a taxa de juros, cair). Com juros menores, os 
agentes econômicos vão querer comprar mais mercadorias, o que é ótimo 
para a produção e para o emprego, mas é ruim para a inflação (os preços 
tendem a subir). Assim, quando o governo compra um título público, ele está 
fazendo política monetária expansionista (ou seja, ele está colocando mais 
moeda em circulação da economia), sendo que os efeitos dessa política são 
a ampliação inflacionária e o aumento da atividade produtiva, que diminui 
o desemprego. 
Os efeitos negativos (aumento da inflação) da política monetária expan-
sionista são o motivo principal de o governo não imprimir mais dinheiro para 
dar aos pobres (certamente, em algum momento da sua vida, você já deve ter 
se perguntado por qual motivo o governo não imprime mais dinheiro para 
repassar aos mais necessitados, certo?). Essa outra forma de fazer política 
monetária expansionista (emitir mais moeda) ampliaria a quantidade de 
moeda em circulação que culminaria, no final do processo, em um aumento 
violento de preços. Interessante, não é mesmo? 
Mas vamos pensar em uma coisa. A moeda (física) é a única forma de 
alguém pagar alguma dívida? A resposta é não! Para efetuar pagamentos, você 
pode tanto utilizar notas e moedas em meio físico quanto utilizar um dinheiro 
que está na sua conta no Banco, via transferência bancária, pagamento de 
boleto ou cheque (lembre-se que o cartão de crédito, como o próprio nome 
diz, não é moeda, apenas um facilitador do processo de pagamento). Além 
disso, não há lastro metálico em ouro ou prata que garanta a conversibilidade 
do papel-moeda, ou seja, esse sistema é integralmente fiduciário, o que signi-
fica que se baseia apenas na confiança dos agentes na moeda.
Pare para pensar um pouco: hoje, você carrega um número maior ou 
menor de notas (cédulas) do que as pessoas andavam antigamente? É quase 
certo que a quantidade é menor, correto? A razão disso é que os meios digitais 
de pagamento estão substituindo o uso de cédulas e moedas metálicas. É 
muito mais prático e seguro deixar o dinheiro no banco e pagar “no crédito 
ou no débito”, oupor outros meios digitais.
131
Sempre que falamos em recursos financeiros que são depositados nos 
bancos comerciais, precisamos falar também da taxa de compulsório (que 
também acaba sendo uma ferramenta de política monetária). Calma, o nome 
não é muito atrativo, mas seu entendimento é simples. Vamos a ele?
Existe um processo em que os bancos comerciais acabam “criando” 
moeda, que se inicia com um banco comercial recebendo um depósito de um 
cliente qualquer. Esse banco não vai guardar todo o dinheiro que foi deposi-
tado, já que repassará uma parte desses recursos financeiros para outros 
clientes que estão à procura de empréstimos bancários (essa é a atividade 
central de uma instituição bancária). O percentual a ser recolhido (ou seja, o 
percentual do dinheiro que foi depositado que o banco comercial não pode 
emprestar para outro cliente) é chamado de taxa de reserva compulsória de 
depósitos e é definido pelo governo. Depois de “guardar” parte do dinheiro 
que foi depositado (de acordo com a taxa de compulsório), os recursos finan-
ceiros que foram emprestados (ou seja, o valor depositado menos o que ficou 
reservado no banco comercial de forma compulsória, obrigatória) circularão 
na economia e, de alguma forma, voltarão a ser depositados, dando início a 
uma nova etapa do processo. A cada etapa, uma parcela é retida no banco e 
o restante retorna ao sistema bancário gerando outros empréstimos, o que 
amplia a quantidade de moeda (chamada de moeda escritural) na economia. 
Complicado? Que tal alguns exemplos para que você entenda melhor 
esse processo?
Imagine que o banco receba R$ 1.000,00 em 10 cédulas de R$ 100,00, de 
um depósito de um novo cliente (o cliente A). Se a taxa de reserva compul-
sória (estipulada pelo governo) for de 20%, R$ 200,00 precisam perma-
necer retidos no banco, obrigatoriamente. Os outros R$ 800,00 (R$ 1.000,00 
depositados menos R$ 200,00 retidos) ficarão à disposição do banco e serão 
emprestados para outro cliente (o cliente B, por exemplo). Agora, pense 
comigo: quando alguém (o cliente B, por exemplo) pega algum empréstimo 
no banco, essa pessoa não tem o objetivo de deixar esse dinheiro embaixo 
do colchão, concorda? Ela vai utilizá-lo para comprar alguma coisa ou saldar 
alguma dívida. Assim, imagine que o cliente B tenha pego R$ 800,00 empres-
tados no banco para um comprar um armário na Loja X. Esse dinheiro (R$ 
800,00), então, será pago pelo cliente B à Loja X, que vai depositá-lo no 
banco. Assim, temos um novo depósito no banco, de R$ 800,00, feito pelo 
cliente Loja X. Desses R$ 800,00 depositados, 20% (ou seja, R$ 160,00) são 
guardados de forma compulsória e a diferença (R$ 800,00 – R$ 160,00 = R$ 
640,00) serão emprestados a outro cliente (o cliente D, por exemplo), que o 
utilizará para pagar por uma impressora adquirida na Loja Y, que depositará 
o valor no banco. O processo continua e dos R$ 640,00 depositados pela Loja 
Y, 20% (ou seja, R$ 128,00) são reservados compulsoriamente e, a diferença, 
132
R$ 512,00, serão emprestados para o cliente E comprar uma máquina de 
café expresso na Loja W, que depositou esse valor no banco, que reservou R$ 
102,40 de forma compulsória e emprestou R$ 409,60… Este ciclo continua 
até que seu efeito multiplicador termine.
Quadro 4.1 | Criação de moeda escritural pelos bancos
Cliente de-
positário
Valor de-
positado
(R$)
Compulsó-
rio (20%)
(R$)
Dinheiro a 
ser empres-
tado (R$)
Cliente 
tomador do 
emprésti-
mo (R$)
Loja que 
recebeu o 
dinheiro
Novo 
depósito 
(R$)
Cliente A 1.000,00 200,00 800,00 Cliente B 
(800,00)
Loja X 
(800,00) 800,00
Loja X 800,00 160,00 640,00 Cliente D 
(640,00)
Loja Y 
(640,00) 640,00
Loja Y 640,00 128,00 512,00 Cliente E 
(512,00)
Loja W 
(512,00) 512,00
Loja W 512,00 102,40 409,60…
Total 2.952,00 590,40
Fonte: elaborado pelo autor. 
Perceba que, no exemplo trazido (ilustrado no Quadro 4.1), de uma valor 
inicial de R$ 1.000,00 em dinheiro (10 notas de R$ 100,00), foi criada moeda 
escritural adicional e, até onde podemos acompanhar pela evolução do 
Quadro 4.1, temos um total de R$ 2.952,00 nessa economia (afinal, o cliente 
A tem direito a sacar R$ 1.000,00, a Loja X tem direito a sacar R$ 800,00, a 
Loja Y tem direito a sacar R$ 640,00 e a Loja W tem direito a sacar R$ 512,00). 
Portanto, não é apenas o Banco Central (mas também os bancos comerciais) 
que consegue influenciar a quantidade de moeda na economia. Dessa forma, 
o governo também faz política monetária contracionista (diminuindo a 
quantidade de moeda na economia), se ele ampliar a Taxa de Compulsório, 
por exemplo, para 60% (Quadro 4.2), pois ele diminui o total de moeda escri-
tural criada (valor dos novos depósitos), a partir de um depósito inicial.
Em contrapartida, se o governo diminuir a taxa de compulsório (para 
10%, por exemplo, conforme Quadro 4.3), ele estará fazendo política 
monetária expansionista, pois aumentará a quantidade de moeda escritural 
criada (valor dos novos depósitos).
133
Quadro 4.2 | Criação de moeda escritural pelos bancos, com elevação da taxa de compulsório
Cliente de-
positário
Valor de-
positado
(R$)
Compulsó-
rio (60%)
(R$)
Dinheiro a 
ser empres-
tado (R$)
Cliente 
tomador do 
emprésti-
mo (R$)
Loja que 
recebeu o 
dinheiro
Novo 
depósito 
(R$)
Cliente A 1.000,00 600,00 400,00 Cliente B 
(400,00)
Loja X 
(400,00) 400,00
Loja X 400,00 240,00 160,00 Cliente D 
(160,00)
Loja Y 
(160,00) 160,00
Loja Y 160,00 96,00 64,00 Cliente E 
(64,00)
Loja W 
(64,00) 64,00
Loja W 64,00 38,40 25,60…
Total 1.624,00 974,40
Fonte: elaborado pelo autor.
Quadro 4.3 | Criação de moeda escritural pelos bancos, com diminuição da taxa de compulsório
Cliente de-
positário
Valor de-
positado
(R$)
Compulsó-
rio (10%)
(R$)
Dinheiro a 
ser empres-
tado (R$)
Cliente 
tomador do 
emprésti-
mo (R$)
Loja que 
recebeu o 
dinheiro
Novo 
depósito 
(R$)
Cliente A 1.000,00 100,00 900,00 Cliente B 
(900,00)
Loja X 
(900,00) 900,00
Loja X 900,00 90,00 810,00 Cliente D 
(810,00)
Loja Y 
(810,00) 810,00
Loja Y 810,00 81,00 729,00 Cliente E 
(729,00)
Loja W 
(729,00) 729,00
Loja W 729,00 72,90 656,10…
Total 3.439,00 343,90
Fonte: elaborado pelo autor.
Além da política fiscal e da política monetária existe uma área de atuação 
do governo que precisamos conhecer: a redução da desigualdade social por 
meio da política de rendas ou política distributiva. Existe uma associação 
entre violência e desigualdade de renda (CARDIA; SCHIFFER, 2002) e a 
Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) apontou 
que essa desigualdade cria obstáculos para o aumento das capacidades de 
134
consumo da população de menor renda, o que reduz a demanda de bens e 
serviços e tira o dinamismo das economias. Além disso, também gera descon-
tentamento e instabilidade política e social, que também afetam a economia 
dos países (ONU, 2019). Quantos problemas são advindos das desigualdades 
de renda, não é mesmo?
Mas como obter informações sobre a desigualdade de renda? 
Normalmente, o primeiro indicador a ser calculado é a renda per capita, que 
é obtido dividindo-se o valor do PIB pelo número de habitantes do país. Esse 
valor dá uma ideia da riqueza média gerada por habitante, mas não fornece 
informações a respeito de como essa renda é distribuída. Por isso, é neces-
sário calcular um indicador de desigualdade, e o mais conhecido deles é o 
índice de Gini, que varia de zero (igualdade absoluta) até um (desigualdade 
máxima). No Brasil, o Índice de Gini foi estimado em 0,545, em 2018, o que 
o torna um dos países mais desigual do mundo (IBGE, 2019).
A desigualdade de renda se manifesta também no fato do Brasil ter, em 
2018, cerca de 52,5 milhões de pessoas – um quarto de sua população – 
vivendo na linha de pobreza, com renda familiar inferior a US$ 5,5 por dia, 
critério adotado pelo Banco Mundial para definir pobreza (NERY, 2019).
Frente a essas situações, a sociedade demanda intervenções do governo, 
e, por isso, é importante analisar quais as medidasmais efetivas. Uma que é 
defendida por muitos, o controle de preços (máximos) por parte do governo 
(que acontece quando o governo controla preços de produtos como combus-
tíveis, energia elétrica etc. ou mesmo impõe tabelamentos) não costuma ter 
elevada eficiência, pois os dados indicam que a concorrência tem se mostrado 
mais eficiente na redução de preços (ROQUE, 2019).
Outra estratégia de política de preços é a imposição de preços mínimos, 
como acontece com o salário mínimo, pois isso pode evitar que os salários 
caiam a níveis ainda mais baixos, o que ampliaria as desigualdades de rendas 
no país.
Atenção
É importante lembrar que não há como se pensar em melhoria da 
distribuição de renda sem ter a estabilização monetária como condição 
fundamental, o que foi alcançado, na história recente do Brasil (a 
partir de 1994), após o Plano Real, que permitiu que o efeito de outras 
políticas públicas fosse intensificado na redução da desigualdade social 
registrada no Brasil.
135
Outra forma de fazer política de renda é a transferência direta de renda 
(em que indivíduos ou famílias carentes recebem recursos monetários, direta-
mente do governo), que tem o Bolsa Família como exemplo, um programa 
direcionado às famílias em situação de pobreza e de extrema pobreza, que 
busca garantir a elas o direito à alimentação e o acesso à educação e à saúde. 
Em 2019, por exemplo, mais de 13,9 milhões de famílias foram atendidas 
pelo Bolsa Família, em todo o Brasil (CEF, [s.d.]).
É importante que você perceba que o Bolsa Família tem dois focos 
com horizontes distintos: o primeiro é atender às necessidades básicas das 
famílias em situação de pobreza e de extrema pobreza, enquanto o segundo, 
menos conhecido, é promover uma mudança geracional, pois ao manter as 
crianças na escola e dar a elas condições de saúde, espera-se que, quando elas 
cheguem à idade adulta, tenham condição de gerar renda suficiente para que 
sua família não necessite mais ser atendida por um programa desse tipo.
Exemplificando
Dona Irani Estevão cria os quatro filhos sozinha, e sua única renda vem 
dos recursos do Bolsa Família. O filho Valdecir, de 12 anos, foi o único 
da sua turma a ser convidado para participar da Olimpíada Brasileira de 
Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) (BOZZATO, 2019). Em repor-
tagem do jornal A Gazeta, ela afirmou:
Eu imagino um futuro muito melhor para eles. Quem 
tem quatro filhos, igual eu tenho, tem que se orgulhar. 
Esse meu, de 12 anos, foi um dos melhores alunos 
da sala. Fechou o bimestre com 30 pontos (máximo 
possível) e foi selecionado para fazer a prova do 
OBMEP. Foi o único da sala que conseguiu no meio de 
um monte de aluno. (BOZZATO, 2019, [s.p.])
No Brasil existem outros programas de transferência direta de renda que 
merecem destaque: o primeiro é a previdência rural, que garante uma aposen-
tadoria para homens de 60 anos e mulheres de 55 anos, que tenham traba-
lhado no campo, mesmo que não tenham contribuído para a previdência 
social. O outro é o Benefício de Prestação Continuada da Lei Orgânica da 
Assistência Social (BPC-LOAS), que concede um salário mínimo mensal à 
pessoa com incapacidade comprovada para o trabalho, incapazes de prover 
seu próprio sustento (nesse caso, também não é necessário que essa pessoa 
tenha contribuído para o INSS para ter direito a recebê-lo).
136
Atenção
É fundamental que as políticas econômicas sejam aplicadas de forma 
harmônica: um excesso de gastos na área social que venha a compro-
meter o equilíbrio fiscal, por mais que possa gerar benefícios no curto 
prazo, pode dar início a um processo inflacionário com potencial de 
gerar crises que anulem todas as conquistas ou até tragam retrocessos.
Agora é com você: estude os materiais disponíveis e seja persistente no 
seu crescimento profissional. Até a próxima!
Sem medo de errar
Nesse encontro, conhecemos a Eliane, que recebeu uma proposta da 
família: tornar-se sócio-gerente de uma loja que vende eletrodomésticos 
(a Empresa C) e que estava à beira da falência (resultado da má gestão 
combinada com a recessão enfrentada pelo país). Sua parte na sociedade 
seria adquirida pelas suas horas de trabalho (pois Eliane não tem recursos 
financeiros para investir), o que torna obrigatório que ela faça a empresa ter 
sucesso para ter alguma remuneração.
Certa do apoio da família para realizar as mudanças que empresa precisa, 
Eliane precisa analisar o ambiente econômico: as políticas utilizadas para 
controlar a inflação surtiram efeito, e as expectativas dos agentes são bastante 
positivas frente à perspectiva de uma política monetária expansionista. 
Frente a essa expectativa sobre a economia do país, e sabendo que um aqueci-
mento da atividade econômica é fundamental para a recuperação financeira 
da Empresa C, Eliane poderia se beneficiar dessa política monetária expan-
sionista para fazer a empresa vender mais? E sobre a dívida acumulada da 
Empresa C: Eliane teria mais facilidade em pagá-la, caso o governo faça 
política monetária expansionista? Por qual motivo?
Para encontrar essas respostas, Eliane precisa saber que as políticas 
contracionistas trazem queda do crescimento produtivo (e, consequente-
mente, do emprego) e da inflação, enquanto a política monetária expansio-
nista (feita com emissão de moeda, compra de títulos públicos e/ou redução 
da taxa de compulsório) tem como consequência uma redução da taxa 
de juros da economia, que faz com que o interesse de compra por bens e 
serviços (demanda) seja ampliado, o que aumenta a produção das empresas 
e traz queda no nível de desemprego do país. Portanto, esse aumento da 
demanda vai favorecer a Empresa C, no sentido de ela poder ampliar as suas 
vendas, o que é fundamental para uma recuperação da loja de eletrodomés-
ticos. Já com relação ao pagamento da dívida acumulada pela Empresa C, 
137
uma situação de diminuição da taxa de juros da economia (causada pela 
política monetária expansionista), normalmente acaba reduzindo também 
os juros cobrados pelos bancos comerciais, quando eles concedem emprés-
timos aos seus clientes. Essa redução da taxa de juros dos empréstimos faz 
com que a Empresa C tenha a possibilidade de pagar a sua dívida com menos 
dificuldade, o que também é uma ótima notícia para Eliane. Dessa forma, 
consegue-se perceber que o cenário econômico é favorável para a Empresa C 
reverter a situação econômica em que se encontra, cabendo a ela aproveitar o 
momento para, por meio de uma boa gestão, fazer a loja de eletrodomésticos 
ser lucrativa.
Faça valer a pena
1. A desigualdade excessiva de renda não é apenas um problema social. 
Além da questão da violência, economias menos desiguais tendem a 
apresentar maior dinamismo econômico, por terem um contingente maior 
de consumidores. 
Tomando como referência a distribuição de renda e as políticas de renda, 
classifique as afirmativas a seguir em (V) verdadeiras ou (F) falsas.
( ) A renda per capita é o indicador de desigualdade mais conhecido e utili-
zado pelos economistas, mas apresenta uma grande complexidade de cálculo. 
( ) O Bolsa Família é um exemplo de política de renda feita no Brasil. 
( ) O índice de Gini varia entre zero e um, sendo que quanto mais próximo 
de zero melhor, pois menos desigual será a distribuição da renda no país. 
( ) Programas como o Bolsa Família melhoram a qualidade de vida de 
famílias carentes e possibilitam que as crianças tenham mais condições de 
uma renda futura melhor.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de classificação, de 
cima para baixo.
a. V – V – F – V.
b. F – V – V – V.
c. F – F – V – F.
d. V – F – V – V.
e. V – V – F – F.
138
2. Em julho de 2013, de acordo com pesquisa da Confederação Nacional 
da Indústria (CNI), a preocupação dos brasileiros com o comportamento 
da inflação no futuro atingia o maior nível desde 2001 (PREOCUPAÇÃO…, 
2013). 
Com base nos efeitos da inflação sobre o ambiente econômico, avalie as 
seguintes asserções e a relação proposta entre elas.
I.A inflação descontrolada traz muitos problemas para um país, preci-
sando ser combatida por políticas econômicas.
PORQUE
II. A política monetária expansionista ajuda a combater a inflação, já 
que tem como consequência uma ampliação da taxa de juros que 
desestimula a intenção de compra por bens e serviços, forçando os 
preços para baixo.
A respeito das duas asserções e da relação entre elas, assinale a alternativa 
correta.
a. A asserção I é uma proposição falsa e a II, verdadeira.
b. A asserção I é uma proposição verdadeira e a II, falsa.
c. As asserções I e II são proposições falsas.
d. As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II justifica a I.
e. As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não justifica a I.
3. Manter a inflação sob controle é um dos principais objetivos econô-
micos de um governo que dispõe de diversos instrumentos, entre os quais a 
definição do percentual da taxa de recolhimento compulsório pelos bancos, 
que afeta o multiplicado bancário. 
Sobre a política monetária feita com a alteração da taxa de compulsório, 
avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas:
I. Quando o governo reduz a taxa de recolhimento compulsório, ele 
está praticando uma política monetária expansionista. 
PORQUE
II. A redução da taxa de compulsório vai diminuir a quantidade de 
dinheiro que os bancos teriam para emprestar, o que aumenta a 
quantidade de moeda escritural criada por eles.
139
A respeito das duas asserções e da relação entre elas, assinale a alternativa 
correta.
a. A asserção I é uma proposição falsa e a II, verdadeira.
b. A asserção I é uma proposição verdadeira e a II, falsa.
c. As asserções I e II são proposições falsas.
d. As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II justifica a I.
e. As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não justifica a I.
140
Seção 3
Exemplos de ações governamentais marcantes 
no Brasil
Diálogo aberto
Oi, e assim chegamos ao final, não é mesmo? E este nosso último encontro 
tem uma característica muito interessante: veremos, ao longo da história 
recente do Brasil, como as escolhas econômicas nos trouxeram até aqui e 
quais as perspectivas para o futuro.
Para nos auxiliar nisso, vamos acompanhar o Felipe em uma decisão que 
precisa tomar. Ele é um brasileiro que mora no exterior há muitos anos e 
que, depois de muito esforço, abriu sua própria empresa de construção fora 
do país. Felipe tem um sobrinho, Paulo, que se formou em Engenharia em 
2014, mas que foi demitido em 2015, pois a empresa que o contratou (logo 
depois de sua formatura) quebrou devido ao contexto da crise econômica 
desse período. A partir disso, ele passou a prestar serviço como autônomo, 
mas recebia valores muito baixos junto a alguns clientes, apesar de ele estar 
atuando como engenheiro e adquirindo experiência. O Paulo é uma pessoa 
com muita responsabilidade e que já tinha passado alguns meses morando 
com o Felipe, que pôde comprovar a ética e o compromisso com a qualidade 
de trabalho que o sobrinho possui.
Com a saída de Dilma do poder, Paulo convenceu Felipe a empreender 
no Brasil, por isso, Felipe abriu uma empresa de construção no nosso 
país (similar àquela do exterior da qual é dono), tendo o sobrinho como 
engenheiro e diretor da empresa. Felipe não abandonou sua empresa fora 
do país e está aguardando o que irá acontecer com o empreendimento no 
Brasil para tomar algumas decisões sobre o seu próprio futuro. Tendo em 
vista as notícias recebidas da estabilização da inflação, da queda dos juros 
e das reformas que estão sendo feitas no país, Felipe quer ter uma resposta 
à seguinte pergunta: essas medidas aumentam a possibilidade da empresa 
aberta no Brasil obter novos clientes e, assim, aumentar suas vendas?
Você deve se colocar no papel de alguém que vai trazer essa resposta para 
Felipe. Ao longo desta seção, o entendimento das políticas contracionistas e 
expansionistas aplicadas no Brasil nas últimas décadas dará a você um ótimo 
direcionamento sobre o assunto. Boa aula! 
141
Não pode faltar
Oi, tudo bem? Neste encontro, vamos acompanhar uma história que 
continuará se desenrolando depois do fim desta disciplina: a da trajetória 
econômica do Brasil. A ruptura da ordem democrática que ocorreu com o 
início do governo militar de 1964 será nosso ponto de partida. Esse período 
foi marcado por uma política fiscal expansionista, que se aproveitou da 
grande disponibilidade de capitais a juros baixos na década de 1960 e início 
da década de 1970. 
Contudo, a partir da inesperada alta do preço do petróleo, em 1973, 
conhecida como o primeiro Choque do Petróleo, em que o barril subiu de 
US$ 3 para US$ 11,60, houve uma redução da atividade econômica em escala 
global. Em resposta, o governo militar brasileiro aproveitou que ainda havia 
recursos financeiros internacionais disponíveis e tomou muitos emprés-
timos, elevando nossa dívida externa de 12 bilhões para 40 bilhões de dólares 
entre 1974 e 1979, sendo que a inflação passou de 16% para 40% ao ano entre 
1973 e 1978 (GOMES, 1985; JULIÃO, 2016). 
Essa situação piorou com o segundo Choque do Petróleo, em 1979 (a 
cotação média do barril saiu de US$ 12,44 para US$ 34,43 entre 1978 e 1981), 
que resultou no aumento das taxas de juros internacionais, que subiram de 
uma média anual de 7,5%, em 1977, para 20,18%, em 1980 (SAFATLE, 2012). 
Como as taxas de juros dos financiamentos contratados pelo Brasil eram 
pós-fixadas, nossa dívida externa cresceu muito.
Assimile
Quando um empréstimo é feito com taxas pré-fixadas, o valor das 
parcelas é conhecido no momento da contratação (qualquer alteração 
nas condições do mercado não vai mudar o valor dessas parcelas). Já 
com taxas pós-fixadas (como os empréstimos que o Brasil fez antes dos 
Choques do Petróleo), o valor das parcelas sofre mudanças quando há 
uma alteração cambial de inflação ou de outras taxas praticadas no 
mercado. No caso exemplificado, o aumento dos juros internacionais 
fez com que o total da nossa dívida crescesse exponencialmente.
O aumento da inflação e o elevado déficit das contas públicas reduziram 
os investimentos públicos. João Figueiredo (que assumiu o Poder Executivo 
em 1979 e foi o último presidente da era dos governos militares no país) se 
deparou com um elevado déficit em transações correntes (que subira de US$ 
11,4 bilhões, em 1981, para US$ 16,3 bilhões, em 1982, o equivalente a 6% do 
PIB) e efetuou desvalorizações da moeda brasileira para equilibrar as contas 
142
externas: a primeira em 1979 e a outra em 1983, ambas de 30% (durante todo 
esse período a taxa de câmbio era determinada pelo governo), recuperando 
os superávits da Balança Comercial, mas impulsionando a inflação (GOMES, 
1985; SAFATLE, 2012).
Apesar de recorrer ao FMI (Fundo Monetário Internacional) e efetuar 
ajustes fiscais, a inflação continuou crescendo (atingiu mais de 160% ao ano, 
em 1983), a produção interna continuou caindo (a queda do PIB, entre 1981 
e 1983, foi de 6,3%) e as contas públicas continuaram deficitárias (OREIRO, 
2017; IBGE, [s. d.]).
Reajustes salariais abaixo da inflação foram o gatilho para a recessão entre 
os anos 1981 a 1983, que fez o desemprego crescer de forma intensa. Em 
1984, apesar do processo indireto, a pressão popular levou Tancredo Neves, 
o candidato da oposição, ao cargo de presidente do Brasil. Como ele faleceu 
antes de aceder essa posição, seu vice, José Sarney, assumiu.
Após algum tempo de governo e com a popularidade em baixa, Sarney, 
em vez de controlar os gastos públicos e o excesso de moeda, apelou para uma 
solução heterodoxa para controlar a inflação, implementando, em fevereiro 
de 1986, um congelamento de salários e preços (ação que ficou conhecida 
como Plano Cruzado I). 
Os salários foram congelados com base na média dos últimos 6 meses 
acrescidos de um abono de 8% para os salários gerais e 16% para o salário 
mínimo (NERI, 1991). O plano também estabeleceu um gatilho salarial (os 
salários seriam automaticamentecorrigidos) que seria acionado sempre 
que a inflação acumulada ultrapassasse 20% (NERI, 1991), o que gerou 
uma explosão de consumo. A pressão sobre a inflação continuou, já que as 
políticas expansionistas permaneceram, ou seja, o governo manteve os gastos 
públicos em um alto patamar e não se comprometeu a diminuir a quantidade 
de moeda na economia. 
Em uma nova tentativa de controlar a inflação, o plano Cruzado II foi 
lançado em novembro de 1986 e uma série de reajustes de preços se deu em 
vários setores, o que trouxe a inflação de volta (a inflação mensal chegou 
a 11,65% em dezembro) (PORTAL BRASIL, [s. d.]). A partir disso, segui-
ram-se planos que fracassaram (Bresser e Verão), pois o excesso de gastos 
do governo não foi combatido, fazendo com que, no último ano do governo 
Sarney (1989), a inflação anual chegasse a 1.972% (CASTRO, 2016).
143
Assimile
Durante boa parte do século XX, a política fiscal (por meio da ampliação 
dos gastos governamentais) foi utilizada como indutora do crescimento 
econômico por diversos países, incluindo o Brasil. Contudo, tanto aqui 
quanto lá, o processo não foi conduzido de forma responsável, levando 
a um aumento de gastos públicos sem correspondência nas receitas, 
gerando desequilíbrio e consequentes déficits fiscais. Esse processo 
começou com Juscelino Kubitschek, manteve-se com os militares e 
depois com o Sarney.
Os financiamentos desses déficits se deram, muitas vezes, por meio 
de emissão de moeda (política monetária expansionista), aumen-
tando a quantidade de moeda em circulação, fazendo com que o país 
enfrentasse elevadas taxas de inflação nos anos 1980 e 1990. Além 
disso, as políticas fiscais expansionistas adotadas deslocaram a curva 
da Demanda Agregada para a direita, colaborando com o aumento da 
inflação.
Fernando Collor foi o primeiro presidente eleito de forma direta, desde 
o período militar, e assumiu em meio a uma grave crise econômica. Em 16 
de março de 1990, um dia depois de assumir a presidência, anunciou seu 
plano de controle da hiperinflação (o Plano Collor), composto das seguintes 
medidas: bloqueio dos valores depositados superiores a 50 mil cruzados 
novos, tanto em Contas Correntes quanto nas Cadernetas de Poupança dos 
brasileiros (que só seriam liberados 18 meses depois, de forma parcelada); 
congelamento de preços; reforma administrativa (redução de ministérios, 
programa de demissão voluntária de servidores e de desestatização); política 
fiscal contracionista (aumento de tributos e redução de despesas); e abertura 
comercial (câmbio flutuante, redução de barreiras e tarifas de importação) 
(BRASIL, 1990). A inflação caiu fortemente nos meses seguintes, mas, no final 
do ano, já havia retornado aos dois dígitos (18,44% ao mês, em dezembro de 
1990) (PORTAL BRASIL, [s. d]). A impopularidade do presidente (causada, 
principalmente, pelo confisco dos depósitos bancários) e uma série de 
denúncias de corrupção levaram a um processo de impeachment e à renúncia 
de Collor, levando seu vice, Itamar Franco, a assumir a presidência.
Depois de dois ministros da Fazenda em 5 meses, Itamar convidou o 
sociólogo Fernando Henrique Cardoso (FHC) para assumir o cargo. FHC, 
então, montou uma equipe econômica de alto gabarito (Edmar Bacha, Pérsio 
Arida, André Lara Resende, Gustavo Franco e Pedro Malan) que elaborou 
o Plano Real, que tinha como propósito combater a hiperinflação de forma 
totalmente diferente, anunciando previamente as etapas que seriam implan-
tadas, o que reduziu a especulação por parte dos agentes econômicos. 
144
Foram três as etapas fundamentais; vamos conhecê-las?
A primeira foi o Programa de Ação Imediata (PAI), que focou a eliminação 
do desequilíbrio das contas do governo (a principal causa da inflação): um 
ajuste fiscal limitou os gastos com folha de pagamento de servidores públicos 
em 60% das receitas da União, o Fundo Social de Emergência (FSE) desvin-
culou 20% das receitas obrigatórias (IANONI, 2009) e um novo tributo foi 
criado: o Imposto sobre Movimentações Financeiras (IPMF). A sonegação 
fiscal foi combatida pelo aumento da fiscalização sobre as empresas e sobre 
as declarações de renda das pessoas físicas. 
Ocorreu uma ampla renegociação das dívidas dos estados e municípios 
com a União, que, como contrapartida, aumentou o controle sobre Bancos 
Estaduais. O saneamento dos bancos federais e a privatização de várias 
empresas estatais reduziram o déficit público (REGO et al., 2010) e permi-
tiram à iniciativa privada participar da modernização da infraestrutura do 
país, defasada pela falta de investimentos nos anos 1980. Apesar do ambiente 
de descrédito (resultado do fracasso dos planos anteriores) e da oposição de 
diversos partidos, a primeira etapa foi concluída e, em agosto de 1993, 1.000 
cruzeiros passaram a valer 1 cruzeiro real, a nova moeda oficial do Brasil 
(BRASIL, 1993).
Na segunda etapa do Plano, foi criada a Unidade Real de Valor (URV), 
lançada em março de 1994, junto com a informação de que, em quatro 
meses, ocorreria a transição para a nova moeda, o Real. Uma unidade de 
URV equivalia a 647,50 cruzeiros reais (GIAMBIAGI et al., 2011) e foi elabo-
rada uma tabela, divulgada diariamente pelo Banco Central, com a cotação 
da URV. A transparência e antecedência no fornecimento de informações 
reduziram a desconfiança associada aos planos anteriores, e a URV passou 
a ser utilizada para determinar preços e salários, diminuindo as incer-
tezas que ainda pairavam sobre a economia e que alimentavam a memória 
inflacionária. 
A URV constituiu uma etapa intermediária, que restaurou a função de 
unidade de conta da moeda e restabeleceu a confiança dos agentes econô-
micos, preparando a economia para uma nova moeda descontaminada da 
memória inflacionária, o Real, a última etapa do plano (REGO et al., 2010). 
Apesar de não ter existido fisicamente (não existiram cédulas nem moedas 
da URV), ela funcionou para atrelar a economia ao dólar (1 URV = 1 dólar). 
Mas como esse processo funcionava? Os preços dos bens e serviços eram 
colocados em URVs, e quando o consumidor ia efetuar o pagamento, o valor 
era convertido em cruzeiros reais de acordo com a tabela. No último dia de 
utilização da URV (em julho de 1994), por exemplo, seu valor era de 2.750 
cruzeiros reais (KIANEK, 2019).
145
A adoção da URV era voluntária, e o processo gradual permitiu que a 
sociedade percebesse que praticamente não havia inflação em URV, o que 
ajudou o aprendizado dos agentes econômicos e restabeleceu a perspectiva 
de negociação de preços, contratos, reajustes, etc. no médio e longo prazos. 
Com isso, ao final de junho de 1994, boa parte dos preços e contratos da 
economia já eram convertidos em URV, comprovando as expectativas 
positivas sobre o Plano Real.
Em julho de 1994, ainda no governo de Itamar Franco, a emissão das 
notas e cédulas do Real deu início à terceira (e última) etapa de implantação 
do Plano. A partir disso, as políticas monetária e cambial sofreram mudanças 
fundamentais: houve uma forte restrição a emissões de moeda (para 
preservar sua estabilidade) e, apesar de não haver um câmbio fixo de forma 
explícita, a paridade próxima de 1 Real por dólar foi buscada (o governo 
havia construído uma grande reserva cambial, intervindo no mercado de 
divisa para manter essa taxa de câmbio próxima de R$ 1,00 = US$ 1,00). 
Em termos de controle da inflação, o Plano Real obteve um grande êxito, 
pois ela passou de mais de 2.000% ao ano, em 1993, para 9% ao ano, em 
1996 (PORTAL BRASIL, [s. d.]). Apesar das políticas contracionistas (até 
mesmo com a privatização de empresas, seguindo um viés mais neoliberal da 
política econômica, que buscava e busca diminuir a intervenção do Estado 
na economia), o aumento do poder de compra dos salários (devido à redução 
da inflação) e o maior acesso ao crédito resultaram em um significativo 
aumento do consumo. Aproveitando os bons resultados do plano, FHC foi 
eleito presidente no primeiro turno, nas eleições de 1994.
ExemplificandoO Plano Real é um ótimo exemplo de como o governo pode fazer política 
econômica para combater a inflação. O corte de gastos públicos, a 
criação de novos impostos (medidas que configuram política fiscal 
contracionista), o controle rígido sobre a emissão de moeda – que 
acaba por elevar a taxa de juros (política monetária contracionista) – e a 
moeda nacional valorizada, com a compra de dólar por parte do Banco 
Central (política cambial) – que torna as importações mais baratas, 
fazendo com que os empresários nacionais tentem não subir seus 
preços – foram medidas governamentais que, combinadas, finalmente, 
conseguiram acabar com a hiperinflação do Brasil.
Após a posse de FHC, o governo elevou a taxa de juros e reduziu o gasto 
público, pois havia muita instabilidade externa e o aquecimento da economia 
146
resultante do aumento do consumo e do investimento (reflexos da estabili-
zação econômica) trouxeram o receio do retorno da inflação. 
Apesar de sua importância no combate à inflação, a valorização do Real 
resultou em déficits na Balança Comercial (as importações aumentaram e as 
exportações caíram), reduzindo as reservas internacionais do país e expondo 
a economia brasileira à vulnerabilidade externa, amplificada pelas crises no 
México (1994), na Ásia (1997) e na Rússia (1998), que resultaram em fuga 
de capitais. A elevação da taxa de juros e pequenas desvalorizações cambiais 
administradas conseguiram manter o controle da inflação e continuaram a 
atrair capitais estrangeiros para o mercado brasileiro no curto prazo, mas o 
cenário externo se deteriorava (GIAMBIAGI et al., 2011).
As elevadas taxas de juros trouxeram uma redução do crescimento do 
PIB, que, em 1998, foi de 0,3% (IBGE, [s. d.]) (não valia a pena investir em 
atividades produtivas, pois os juros das aplicações financeiras estavam muito 
altos e era melhor investir financeiramente do que na produção). 
O sucesso do Real, contudo, permitiu a reeleição de FHC, que buscou 
ajuda do FMI para solucionar o déficit no Balanço de Pagamentos, que 
reduziam as reservas internacionais do país. No entanto, o socorro do FMI 
foi insuficiente para frear a especulação financeira contra o Real, o que 
obrigou o governo a mudar o regime cambial para o câmbio flutuante, o que 
fez a moeda nacional passar de R$ 1,20 para R$ 2,00 por US$ no início de 
1999 (GIAMBIAGI et al., 2011). Armínio Fraga, que assumiu a presidência 
do Banco Central em março daquele ano, implementou o regime de metas 
da inflação, que estabeleceu limites (inferior e superior) para os índices de 
inflação que seriam aceitos, sendo o Banco Central o responsável por garantir 
o seu cumprimento. 
A partir disso, o tripé macroeconômico foi o norteador da condução da 
política macroeconômica: metas de inflação (controladas, basicamente, pela 
taxa de juros – política monetária), câmbio flutuante e responsabilidade fiscal 
(superávit primário). Como resultado, os níveis de inflação se mantiveram 
em níveis aceitáveis e a confiança na economia brasileira foi recuperada, 
graças também à maior transparência e previsibilidade das contas públicas 
(GIAMBIAGI et al., 2011).
As reformas realizadas nos dois governos FHC mudaram a estrutura do 
setor público por meio da busca por eficiência: diversas empresas estatais 
foram privatizadas e foram criadas agências reguladoras, o monopólio do 
estado nos setores de petróleo e telecomunicações foi extinto, as condições 
para o capital internacional se tornaram mais atrativas, o sistema finan-
ceiro foi saneado e ocorreu uma tímida reforma da Previdência Social 
(GIAMBIAGI et. al., 2011).
147
Na área fiscal, ocorreu a renegociação das dívidas dos estados, e a criação 
da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) em 2000, em especial, representou 
uma ferramenta para o controle dos gastos públicos da União, estados e 
municípios (BRASIL, 2000): a partir dela, não é mais possível criar uma 
despesa continuada na administração pública sem a indicação da fonte de 
receita (BRASIL, 2000), sendo definidos limites máximos de comprome-
timento da receita corrente líquida com pessoal. Caso os governantes não 
sigam os limites estabelecidos por lei, poderão responder judicialmente por 
esses atos.
Na área social (e, aqui, temos exemplo da aplicação prática de políticas 
de renda), foram criados programas destinados a determinadas populações 
em situação de vulnerabilidade: o Bolsa Escola (benefício pago a famílias 
de baixa renda e com crianças na escola), o Bolsa Renda (destinado para 
famílias pobres de regiões atingidas pela seca), o Bolsa Alimentação (para 
gestantes, nutrizes, crianças em situação de risco nutricional), o auxílio-gás e 
o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) (GIAMBIAGI et al., 
2011; BRASIL, 2002).
A estagnação econômica do final do governo FHC e, em especial, o 
elevado desemprego erodiram sua popularidade e ele não conseguiu eleger 
seu sucessor. Depois de três tentativas fracassadas, Luís Inácio Lula da Silva 
foi eleito presidente, em 2002.
O período antes dessa eleição foi de incerteza (principalmente em relação 
à forma como o novo presidente, de oposição política ao governo daquele 
momento, viria a conduzir a política econômica do Brasil), o que desvalo-
rizou o Real a um nível nunca antes visto. Apesar da aceleração inflacionária 
vista, que obrigou a um aumento na taxa de juros, o aumento da compe-
titividade das exportações ajudou na recuperação econômica. Lula fez um 
esforço, antes das eleições, de se apresentar à comunidade internacional 
como alguém que manteria todos os compromissos e não abriria mão da 
estabilidade monetária
No seu primeiro mandato, nomeou Antônio Palocci como Ministro 
da Fazenda e trouxe para o Banco Central, Henrique Meireles, que havia 
sido eleito Deputado Federal pelo PSDB, além de nomes como Alexandre 
Schwartsman para a área externa do Banco Central e Marcos Lisboa para a 
Secretaria de Política Econômica, que hoje são ícones do pensamento liberal 
brasileiro. Essas surpreendentes nomeações foram analisadas por Siqueira 
(2019, [s. p.]), que afirma: “Marcos, o economista liberal, era muito ‘de direita’ 
para o candidato do PSDB e completamente antagônico às ideias dos econo-
mistas ‘de esquerda’. Mas era a sua agenda que o Ministro Palocci buscava 
trazer para o Ministério da Fazenda”.
148
Ao longo do seu primeiro mandato, o tripé macroeconômico foi mantido: 
a inflação foi controlada pelo aumento da taxa de juros (exemplo de política 
monetária contracionista), o câmbio foi mantido livre e foram alcançados 
superávits primários, sinalizando o compromisso de pagamento da dívida. 
Em março de 2006, Palocci foi substituído por Guido Mantega e Lula foi 
reeleito no mesmo ano. A partir disso, a responsabilidade fiscal passou 
a ser substituída por uma abordagem desenvolvimentista, que defendia 
um aumento de gastos do governo para estimular a atividade econômica 
(exemplo de política fiscal expansionista). Os indicadores econômicos do 
período Lula foram positivos, em especial o PIB (Produto Interno Bruto) 
cujo forte crescimento pode ser visto no Quadro 4.4: 
Quadro 4.4 | Crescimento anual do PIB do Brasil, em termos percentuais, de 2003 a 2010:
2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010
1,1% 5,8% 3,2% 4,0% 6,1% 5,1% -0,1% 7,5%
Fonte: IBGE ([s. d.]).
O sucesso do governo Lula deveu-se a um conjunto de fatores. Vamos 
conhecer os principais?
1) O início do século XXI foi marcado por um aumento na demanda e 
no preço dos principais produtos exportados pelo Brasil, o que gerou um 
aumento no volume e no valor das exportações brasileiras. Além disso, 
apesar da desvalorização do Real, no 2° semestre de 2002, o aumento dos 
juros, iniciado por FHC e ampliado por Lula, manteve a inflação sob controle 
e boa parte do crescimento do PIB foi sustentado pelo consumo externo.
2) A manutenção do compromisso com a estabilização econômica trouxe 
melhores perspectivas, o que atraiu mais investimentos, que, aliados à maior 
oferta de crédito, geraram aumento no consumo,principalmente das famílias 
de menor renda. 
3) As políticas sociais foram intensificadas (Bolsa Família, em especial), 
aumentando a renda e melhorando a qualidade de vida nas periferias (a nova 
classe C).
Ainda no governo Lula, a crise bancária que começou nos EUA em 
2008 provocou uma enorme queda da atividade econômica mundial em 
2009. A decisão de Mantega, referendada por Lula, foi de aumentar a aposta 
no Governo como motor do crescimento econômico (a eleição de Dilma, 
em 2010, implicou a manutenção de Mantega na Fazenda): o crédito para 
consumo foi ampliado por programas como o Fies e Minha Casa Minha 
149
Vida; muitos setores receberam subsídios (telefonia, indústria naval, carnes, 
etc.); o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) implicou novos 
canteiros de obras em todo o país; e a realização de uma Copa do Mundo 
e uma Olimpíada no espaço de 2 anos foi algo emblemático (reforçando o 
caráter expansionista da política fiscal que vinha sendo praticada).
O governo Dilma optou pela não realização de reformas e as medidas 
necessárias para equilíbrio fiscal (mas impopulares) nunca foram tomadas. 
Houve um grande estímulo ao consumo, mas alguns setores produtivos – 
em especial a indústria – reduziram o nível dos investimentos por temerem 
o futuro.
Além do excesso de gastos, as intervenções do governo, como a queda 
forçada nos juros e a redução na tarifa de energia por decreto – que é um 
exemplo de política de rendas – aumentaram a insegurança. A desastrosa 
política que ficou conhecida como “política de campeões nacionais” (em que 
créditos foram destinados a grandes empresas brasileiras, como empreiteiras, 
telefônicas, empresas de alimentos, de celulose, etc., para torná-las gigantes 
globais, mas que não trouxeram os resultados esperados) contribuiu para 
o excesso de gastos, aumentando o desequilíbrio das contas do governo e 
impulsionando a inflação, que passou a atingir o teto da meta. 
Frente a esse cenário, o governo optou por controlar a inflação artificial-
mente, via preços administrados (monitorados), ação que, até 2015, surtiu 
o efeito esperado sobre a inflação do país (NEMER, 2017). As eleições de 
2014 foram ganhas por uma margem estreita e, logo depois, o governo Dilma 
iniciou um forte ajuste: o crédito escasseou, os juros aumentaram e ocorreu 
um forte aumento no preço dos combustíveis e da energia elétrica (principal-
mente em 2015 e 2016) que estavam represados (NEMER, 2017), itens que, 
comumente, têm grande impacto sobre os índices de inflação. 
A insegurança em relação ao futuro gerou uma queda nos investimentos 
e o país, que já havia crescido apenas 0,5% em 2014, teve dois anos seguidos 
de queda: -3,8%, em 2015, e -3,6%, em 2016, configurando a pior recessão de 
nossa história (CURY; SILVEIRA, 2017). Depois do impeachment da presi-
dente Dilma, em 2016, houve a posse do seu vice, Michel Temer. Ele montou 
uma equipe econômica que conseguiu, depois de alguns meses de taxa SELIC 
elevada, que a inflação fosse controlada. Apesar dos avanços nessa área, a 
acusação de corrupção gerou uma crise política que impediu que a Reforma 
da Previdência fosse aprovada em seu governo.
A eleição de Jair Bolsonaro, em 2018, com posse, em 2019, significou uma 
guinada em relação aos governos anteriores: apesar de ter defendido posições 
estatizantes no passado, ele criou o Ministério da Economia e deu ao ministro 
Paulo Guedes total autonomia na condução da política econômica. Ao final de 
150
2019, a inflação se mostrou sob controle, sem apresentar indícios de retorno, 
e a taxa SELIC caiu ao menor nível de sua história: 4,5%. Foi aprovada a 
Reforma da Previdência (mais um exemplo de política fiscal contracionista, 
dessa vez, para tentar equilibrar as finanças governamentais) e as estima-
tivas do mercado para 2020 são de retomada do crescimento e de aprovação 
das reformas Tributária e Administrativa. Na virada de 2019 para 2020, o 
desemprego alto ainda representava um grande desafio a ser contornado pela 
equipe econômica de Bolsonaro, apesar de indicadores econômicos terem 
mostrado dados que indicassem uma retomada da atividade produtiva.
Reflita
A condução de política econômica muitas vezes requer decisões que são 
corretas do ponto de vista econômico e que trarão resultados positivos 
a longo prazo, mas que causam dificuldades com a opinião pública, 
como, por exemplo, o aumento na taxa de juros para se controlar a 
inflação. Na sua opinião, as políticas econômicas devem ser elaboradas 
para um direcionamento correto dos caminhos do país ou de forma a 
trazer um grande apelo popular? Reflita sobre o assunto!
É importante que você perceba que os processos econômicos levam 
tempo para mostrar resultados, sejam positivos ou negativos: a crise do final 
da década de 2010 foi resultado da política econômica praticada a partir de 
2008, assim como a redução da desigualdade e o crescimento econômico no 
final da década passada (anos 2000) foram fruto da estabilização monetária 
(que não teria sido alcançada sem o equilíbrio fiscal) trazida pelo Plano Real 
e de uma série de políticas sociais feitas no começo dos anos 2000 (AGÊNCIA 
ESTADO, 2019). Por isso, aprofunde-se no estudo da economia sabendo que 
a discussão sobre medidas econômicas não precisa ser baseada em preferên-
cias, já que muitas ideias são, naturalmente, antagônicas. Até a próxima!
Sem medo de errar
Depois da nossa viagem pela história chegou o momento de ajudarmos 
o Felipe a tomar uma decisão; lembra da situação? Ele mora e trabalha no 
exterior há muitos anos e investiu parte dos seus recursos financeiros na 
abertura de uma empresa de construção no Brasil, similar àquela que ele 
tem no exterior, tendo o Paulo, seu sobrinho, como engenheiro e diretor da 
empresa. 
Felipe tem acompanhado as notícias da estabilização da inflação, da 
queda dos juros e das reformas e quer ter uma resposta à seguinte pergunta: 
151
essas medidas aumentam a possibilidade de a empresa obter novos clientes e, 
assim, aumentar suas vendas?
Essa situação demonstra como não existem decisões econômicas sem 
risco, mas conhecer os fatores envolvidos ajuda a minimizá-los. A fase aguda 
da crise já ficou para trás, pois a inflação está sob controle e o país conseguiu 
um grande avanço com a criação de um ambiente macroeconômico atrativo 
para investimentos. Por isso, apesar de não podermos afirmar com 100% de 
certeza, as possibilidades de melhoria do ambiente econômico do Brasil e 
de aumento de investimentos são elevadas, logo, a empresa de Felipe poderá 
aproveitar as oportunidades que surgirem com a retomada do crescimento 
econômico, obter novos clientes e aumentar suas vendas. 
As políticas expansionistas (como a queda da taxa de juros, que caracte-
riza uma política monetária expansionista) favorecem o aumento da ativi-
dade produtiva no país, pois as pessoas passam a comprar mais quando são 
estimuladas por políticas econômicas de redução de juros e/ou tributos, por 
exemplo. Diante desse cenário econômico favorável, cabe a Paulo fazer uma 
boa gestão da construtora para que ela alcance resultados positivos.
Faça valer a pena
1. A década de 1980 é conhecida no Brasil como “Década Perdida”, em 
alusão ao momento de altas inflações e baixo crescimento produtivo. Após 
muitos anos de taxas elevadas, o Brasil iniciou um processo de redução da 
inflação com previsão de menos de 4% ao ano em 2019 e 2020.
No regime de metas de inflação, qual é o principal instrumento utilizado pelo 
governo para controle desta?
a. A taxa de câmbio.
b. O Bolsa família.
c. A taxa de juros.
d. O aumento dos gastos públicos.
e. O aumento das importações. 
2. A democracia brasileira, apesar de recente, já enfrentou processos econô-
micos complexos que influenciaram diretamente o desempenho e a popula-
ridade de diversos presidentes.
152
De acordo com as informações apresentadas na tabela a seguir, faça a 
associação de alguns processos econômicos listados na Coluna A com seus 
respectivos presidentes,pelos fatores produtivos utili-
zados. Esses pagamentos são constituídos dos salários (relativos ao fator de 
produção trabalho), aluguéis (relativos ao fator de produção terra) e lucros 
(relativos ao fator de produção capital), ou seja, quando as famílias cedem os 
fatores de produção às empresas, em contrapartida, recebem essas remune-
rações (em dinheiro). Dessa forma, o fluxo monetário se completa quando as 
pessoas utilizam o dinheiro que receberam com as remunerações (salários, 
aluguéis e lucros) para a aquisição de bens e serviços que foram produzidos 
nas empresas.
18
Assim, chegamos ao final dessa aula, na qual você pôde ter uma ideia 
geral da ciência econômica, tendo conhecido os seus principais conceitos. 
Não se esqueça de fazer as atividades do portal para solidificar os seus conhe-
cimentos e participar das discussões com o seu professor.
Sem medo de errar
Agora que você já está dominando os temas que discutimos, é o momento 
de aplicar o que aprendeu para ajudar a resolver o dilema enfrentado pelo 
Douglas. Lembre-se que ele está terminando o curso e precisa decidir onde 
utilizar seus recursos financeiros: fazer uma viagem ou pagar por uma 
pós-graduação. Considerando o que você estudou, o que você acha que ele 
deve fazer?
Por mais prazerosa que a viagem possa ser, Douglas precisa dimensionar 
qual é o seu custo de oportunidade: os gastos da viagem correspondem ao 
valor necessário para realizar uma pós-graduação em uma área que a empresa 
em que ele trabalha pretende se expandir. Como a chefia tem demonstrado 
satisfação com o trabalho dele, você concorda que agora não é momento 
de utilizar os recursos em lazer, mas, sim, de investir em capacitação? Cada 
indivíduo tem uma escala de prioridades diferente e vai usar seu dinheiro 
para adquirir os bens e serviços em uma combinação que maximize sua satis-
fação individual, mas a escolha de gasto em um bem específico traz impactos 
no consumo de outros bens e serviços. Douglas precisa ter isso em mente na 
hora em que fizer a escolha dele.
Pode até ser que Douglas não venha a ser contratado, mas investir na 
própria carreira é sempre um bom uso dos recursos financeiros.
Faça valer a pena
1. Apesar de não ser uma frase inédita, a expressão “Não existe almoço 
grátis” ganhou muito destaque depois que o ganhador do prêmio Nobel, 
Milton Friedman, a utilizou como título de um livro, em 1975. O conceito 
básico da frase é que todo resultado de um processo produtivo, seja um 
produto ou um serviço, tem um custo. Ao escolher utilizar os recursos para 
produzir uma refeição, outros produtos deixam se ser ofertados, o que carac-
teriza o custo de oportunidade.
19
Assinale, dentre as alternativas a seguir, aquela que explica corretamente as 
características dos recursos produtivos (fatores de produção) e das necessi-
dades humanas que determinam a existência do custo de oportunidade.
a. Os recursos produtivos são abundantes, e as necessidades humanas 
são limitadas.
b. Os recursos produtivos são limitados, e as necessidades humanas 
são escassas.
c. Os recursos produtivos são abundantes, e as necessidades humanas 
são infinitas.
d. Os recursos produtivos são escassos, e as necessidades humanas 
são ilimitadas.
e. Os recursos produtivos são renováveis e as necessidades humanas 
são versáteis.
2. A forma como os fatores de produção são geridos para a produção dos 
bens e serviços está ligada com os sistemas econômicos, sendo que os mais 
vistos nos países, ao longo dos últimos anos de história, são o socialismo e o 
capitalismo.
Em relação às diferenças entre socialismo e capitalismo, assinale a 
alternativa correta.
a. Ao passo que no socialismo há uma predominância da propriedade 
governamental dos fatores de produção, no capitalismo existe a posse 
privada dos fatores de produção.
b. Ao passo que no socialismo existe a posse privada dos fatores de 
produção, no capitalismo há uma predominância da propriedade 
governamental dos fatores de produção.
c. Ao passo que no socialismo existe a posse privada dos fatores de 
produção, no capitalismo há uma predominância da propriedade 
pública dos fatores de produção.
d. Ao passo que no socialismo existe a posse governamental dos fatores 
de produção, no capitalismo há uma predominância da propriedade 
pública dos fatores de produção.
e. No socialismo, as necessidades humanas são ilimitadas, ao passo que, 
no capitalismo, elas são limitadas.
20
3. 
Se no fim do século XVIII as máquinas a vapor revolucio-
naram o mundo, agora é a vez da tecnologia ciberné-
tica transformar a indústria. O movimento é chamado 
pelos economistas de 4ª Revolução Industrial e garante 
mudanças radicais no modo de produzir e consumir.
A tendência é de automatização total das fábricas com a 
tecnologia robótica e cibernética, com isso, setores como 
Financeiro e Agronegócios já avançam no Brasil. Exemplo 
claro é o mercado financeiro. Bancos e empresas estão 
trabalhando cada vez menos dentro de agências e escritó-
rios e estão apostando em espaços digitais. (REVOLUÇÃO, 
2018, [s.p.])
Tendo como referência a evolução tecnológica e os princípios econômicos, 
avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas:
I. O desenvolvimento tecnológico fará com que, no futuro, todas as neces-
sidades do homem sejam atendidas, solucionando a questão da escassez.
PORQUE
II. II. A tecnologia será capaz de suprir todas as necessidades humanas, 
e esse processo começará pelas sociedades com melhor distribuição 
de renda.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
a. As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não justifica a I.
b. As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II justifica a I.
c. A asserção I é uma proposição verdadeira e a II, falsa.
d. A asserção I é uma proposição falsa e a II, verdadeira.
e. As asserções I e II são proposições falsas.
21
Seção 2
Conhecendo o mercado: demanda
Diálogo aberto
Olá, aluno! A tomada de decisões em relação ao futuro nem é sempre é 
fácil, concorda? Isso não acontece apenas na nossa vida pessoal, mas também 
nas empresas. Nessas situações organizacionais, ter boas informações é 
fundamental para diminuir o risco de cometer erros. Um dado importante a 
ser analisado pelas empresas é a maneira como funciona o desejo dos consu-
midores, no que diz respeito à demanda que eles têm por bens e serviços. Por 
qual motivo ela aumenta ou diminui? De que forma o preço a altera? 
Para entendermos isso, acompanharemos a história da família do André. 
O pai dele é um mecânico de automóveis muito competente que, depois de 
ter trabalhado em uma assistência técnica oficial, abriu seu próprio negócio. 
Depois de muitos anos, graças à boa gestão e à qualidade dos funcionários 
e dos equipamentos utilizados, a empresa tem apresentado bons resultados, 
mesmo que, no passado, tenham ocorrido dificuldades na adaptação às 
novas tecnologias. 
André cresceu nesse ambiente de oficina e, desde cedo, destacou-se pela 
capacidade gerencial. Atualmente, a empresa está estabilizada, com uma 
boa base de clientes, é reconhecida na cidade pela qualidade do trabalho e 
possui capital próprio que lhe permite projetar investimentos para atender 
à demanda futura. Conduzir esse processo é a tarefa que André recebeu do 
seu pai. Após algumas conversas, ficou claro que a empresa precisa tomar 
uma decisão em relação ao que fará no futuro: manter o foco em motores 
de combustão interna ou buscar capacitação e equipamentos que permitam 
atender carros elétricos. Como a análise das alterações da demanda pode 
ajudar nesse processo de tomada de decisão? 
Não pode faltar
Bem-vindo de volta! Você gostou do que já estudamos até agora? Espero 
que sim, e agora vamos entender melhor como a economia funciona, 
estudando a demanda. 
Você já deve ter ouvido que demanda e oferta fazem parte do mercado. 
Mas o que é o mercado? No passado, o conceito de mercado estava ligado ao 
local onde ocorriam os processos de comercialização (em algumasapresentados na Coluna B.
COLUNA A COLUNA B
I. Tentativas frustradas de combate à inflação por meio 
de planos como Cruzado, Bresser e Verão. 1. Lula
II. Dar continuidade ao recém-criado Plano Real, 
câmbio flutuante, tripé macroeconômico. 2. Dilma
III. Cenário externo favorável, grande crescimento do 
PIB, impulsionamento dos programas sociais. 3. José Sarney 
IV. Desenvolvimentismo, desequilíbrio fiscal, retorno 
da inflação, impeachment. 4. FHC 
Assinale a alternativa que apresenta a associação CORRETA entre as colunas.
a. a. I - 4; II - 3; III - 2; IV - 1.
b. b. I - 2; II - 1; III - 4; IV - 3.
c. c. I - 4; II - 1; III - 2; IV - 3.
d. d. I - 3; II - 4; III - 1; IV - 2.
e. e. I - 1; II - 3; III - 2; IV – 4.
3. Figura | Moeda comemorativa aos 25 anos do real
Fonte: Numismática (2019, [s.p.]). 
Essa é a moeda comemorativa dos 25 anos do Plano Real completados em 
2019. Em nota de 22 de agosto de 2019, o Banco Central afirma que:
A comemoração dos 25 anos do Real é a celebração da 
estabilidade econômica do país e de um padrão monetário 
que se tornou símbolo dessa estabilidade. Com o controle 
da inflação, o Real se firmou como uma moeda sólida e 
confiável. Mudanças frequentes no padrão monetário, com 
as quais a sociedade brasileira precisava conviver, ficaram 
para trás. O Real inaugurou uma era de previsibilidade. 
(BCB, 2019, [s.p.])
153
Em relação aos efeitos do Plano Real, avalie as seguintes asserções e a relação 
proposta entre elas.
I. A eleição de Fernando Henrique Cardoso, em 1994, foi sustentada 
pelo êxito do Plano Real no controle da inflação apesar das políticas 
contracionistas adotadas.
PORQUE
II. Com o Plano Real, mesmo com a redução do consumo causado pela 
perda de poder de compra dos salários e da maior dificuldade de 
acesso ao crédito, os gastos sociais diminuíram a perda de renda.
A respeito das duas asserções e da relação entre elas, assinale a seguir a alter-
nativa correta.
a. As asserções I e II são proposições falsas.
b. A asserção I é uma proposição verdadeira e a II é falsa.
c. As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II justifica a I.
d. A asserção I é uma proposição falsa e a II é verdadeira.
e. As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não justifica a I.
Referências
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dobro. [S.l.], 30 out. 2019. Disponível em: http://www.abras.com.br/clipping.php?area=2&clia-
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públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e dá outras providências. Brasília/DF. 
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br/programas-sociais/bolsa-familia/Paginas/default.aspx. Acesso em: 7 jan. 2020.
CURY, A. Frango e iogurtecidades 
como São Paulo e Belo Horizonte, eles se tornaram atrações turísticas). Com 
22
o avanço tecnológico e a redução dos custos de telecomunicações, as barreiras 
físicas que existiam delimitando alguns mercados estão desaparecendo e, 
atualmente, as compras pela internet mostram que, para muitos produtos, o 
mercado é realmente global, ou seja, podem ser entregues em qualquer lugar 
do mundo. Por isso, um conceito mais adequado aos novos tempos é que 
mercado é o ambiente físico ou virtual onde ocorrem os processos de compra 
(a demanda) e venda (a oferta).
Assimile
No passado, o termo mercado referia-se normalmente a um local ou 
região. O termo ambiente descreve melhor a realidade atual.
Para que ocorra uma venda, é preciso que haja alguém interessado em 
comprar, não é mesmo? Por isso, começaremos pelo estudo da demanda, que 
nada mais é do que a intenção de compra do consumidor, e que pode ser 
conceituada como as diferentes quantidades de um produto que as pessoas 
estarão dispostas a adquirir de acordo com o preço dela. 
Uma rápida observação: quando falarmos de produtos, estaremos nos 
referindo tanto a bens, que são tangíveis, quanto a serviços, que são intangí-
veis. Fique atento!
Antes de avançarmos, é necessário esclarecer um ponto importante: na 
economia, quando se quer demonstrar o comportamento de um fator, é 
muito comum utilizarmos gráficos. Muita gente acaba criando barreiras a 
essa ferramenta por não perceber o quanto ela é útil. No entanto, em várias 
situações, um gráfico explica melhor um processo do que várias linhas 
escritas. Por isso, dedique especial atenção ao gráfico da demanda que 
apresentaremos, pois ele lhe ajudará muito.
O fato de os consumidores comprarem mais quando os preços diminuem 
e menos quando os preços sobem expressa uma relação inversa entre preço 
e quantidade (você, como consumidor, entende dessa maneira, certo?). 
A Figura 1.2 a seguir representa o comportamento da demanda. Note o 
que acontece quando os preços, que estão representados no eixo vertical, 
diminuem: a quantidade consumida – que está no eixo horizontal – 
aumenta. Esse comportamento faz com que a curva de demanda seja negati-
vamente inclinada.
23
Figura 1.2 | A curva de demanda
Fonte: elaborada pelo autor.
Lembra-se do conceito de demanda? Precisamos resgatá-lo aqui para 
esclarecer algo muito importante: quando a escolha do consumidor (a 
quantidade demandada) muda em razão de uma alteração nos preços, ocorre 
um movimento ao longo da mesma curva de demanda. Isso quer dizer que a 
relação entre os preços e as quantidades demandadas não se alterou, ou seja, 
a demanda – entendida como as diferentes quantidades demandadas relacio-
nadas aos diferentes preços – não se alterou. 
O que acontece em uma liquidação? A redução nos preços dos produtos 
fará com que as pessoas comprem mais. A depender do tamanho do desconto 
e do tipo do produto que está sendo vendido, você verá cenas como esta, 
típica de liquidações na Black Friday ou nos primeiros dias de janeiro.
24
Figura 1.3 | O efeito da queda dos preços
Fonte: http://bit.ly/2Eyt2RU. Acesso em: 29 nov. 2019. 
Mas o que faz as pessoas se comportarem dessa forma? A questão chave 
é que cada consumidor atribui um valor – em economia chamamos isso de 
utilidade – a cada produto que ele usa. Como seus recursos são limitados, 
ele precisa escolher quais produtos comprará (e em que quantidade) para 
maximizar sua satisfação. A cada compra realizada, a questão a ser respon-
dida pelo consumidor é: esse é o produto que maximizará minha satisfação?
Assimile
Em economia não diferenciamos desejos de necessidades, por 
isso usamos a palavra utilidade para descrever a capacidade de um 
produto nos trazer satisfação (bem-estar), ou seja, atender nossos 
desejos/necessidades.
A satisfação gerada por cada unidade a mais de um produto não cresce 
de forma linear. Na verdade, a satisfação a mais gerada por uma unidade 
adicional de um produto tende a ser decrescente. Isso pode soar estranho, 
mas pense comigo: imagine que você está com muita sede, e toma um copo 
de água bem gelada: é uma grande satisfação, correto? Agora, imagine que 
você toma mais um copo: a sua satisfação aumenta, mas o segundo copo não 
será tão refrescante quanto o primeiro, nem o terceiro será tão refrescante 
quanto o segundo, e assim por diante. Essa característica fundamental na 
microeconomia é chamada de utilidade marginal decrescente. A decisão de 
compra sempre considera as quantidades que o consumidor já possua daquele 
25
bem ou serviço. Uma forma de dizer isso é que a decisão sempre ocorre na 
margem (MANKIW, 2013). Isso quer dizer que a decisão de compra do 
consumidor considerará a satisfação adicional gerada pela aquisição de uma 
unidade a mais do produto. Vamos usar um exemplo prático?
Você conhece alguém que tenha mais óculos de grau do que blusas? 
Provavelmente não. Sabe por qual motivo? Uma pessoa que não consegue 
ler sem óculos sentirá muita necessidade de ter um par deles. Contudo, uma 
vez que já tenha adquirido o primeiro par, dificilmente se disporá a comprar 
outro. Isso ocorre porque a satisfação gerada pela segunda unidade dos 
óculos é muito menor do que a primeira, e o consumidor irá preferir utilizar 
o recurso para comprar alguma outra coisa que lhe traga maior satisfação.
Em se tratando de blusas, a utilidade marginal de uma blusa adicional 
não será tão inferior à da anterior, por isso, a maioria das pessoas acabará 
adquirindo diversas blusas. Por isso, os vendedores oferecem promoções do 
tipo: uma camiseta por R$ 30,00, duas camisetas por R$ 50,00, pois o consu-
midor só comprará uma blusa a mais se o preço for menor, porque a utilidade 
a cada blusa comprada é menor.
Exemplificando
Você já foi a uma churrascaria tipo rodízio? Prestou atenção em qual 
é a comida que já está na mesa na hora que você se senta? Mandioca, 
tropeiro, arroz, etc. O dono do restaurante sabe que para quem está 
com fome será muito difícil não “atacar” esses pratos. Certamente, ao 
final da refeição, mesmo que passe aquele corte que você mais gosta, a 
satisfação adicional será muito pequena.
Assimile
Ao analisar a compra de um produto, o consumidor vai comparar a satis-
fação que ele obterá (considerando quantas unidades daquele produto 
ele já possui) com a satisfação que uma unidade adicional de outro 
produto lhe trará.
Agora, precisamos pensar em uma pergunta muito importante: será que 
a decisão de compra dos consumidores é definida apenas pelos preços? Creio 
que você já encontrou a resposta: é obvio que os preços desempenham um 
papel fundamental, mas existem outros fatores que influenciarão na decisão 
dos consumidores. Vamos conhecê-los? Primeiro, vamos analisar a influência 
da renda, depois da preferência do consumidor (hábitos de consumo) e, 
por fim, dos preços de outros produtos relacionados.
26
Vamos começar pela renda: imagine que uma pessoa que gosta muito de 
filmes ganhe R$ 1.000,00 mensais de salário e, com essa renda, ela consiga ir 
uma vez por mês ao cinema (pagando R$ 30,00 pela entrada). Se essa pessoa 
passar a ganhar R$ 2.200,00 de salário mensais, ela pode passar a ir duas 
vezes ao mês no cinema, (pagando os mesmos R$ 30,00 pela entrada. Ou 
seja, a ampliação de demanda dessa pessoa por cinema não se deveu por uma 
diminuição do preço da entrada (o valor da entrada continuou o mesmo), 
mas porque ela teve uma ampliação no seu salário (renda). Da mesma forma, 
uma redução na renda teria o efeito contrário: a disposição de comprar do 
consumidor seria menor mesmo que o preço do produto (entrada de cinema 
ou qualquer outro) não tivesse se alterado. Observe atentamente a Figura 1.4, 
que demonstra o efeito de um aumento na renda:
Figura 1.4 | Aumento da renda deslocando a curva da demanda para a direita
Fonte: elaborada pelo autor.
Veja que após um aumento na renda, a curva de demanda se deslocou 
para a direita, passando de D1 para D2, fazendo com que, ao mesmo preço, 
a quantidade demandada passassede Q1 para Q2 (por exemplo, ao mesmo 
preço de R$ 30,00 pela entrada do cinema, a quantidade demandada subiu 
de uma (Q1) para duas (Q2) entradas por mês). Você percebeu que a quanti-
dade demandada mudou sem que o preço tenha se alterado? Essa é uma 
situação fundamental: todas as vezes que o consumidor altera sua intenção 
de compra, sem que o preço tenha se alterado, isso trará uma alteração da 
demanda (ou seja, teremos uma nova curva de demanda, mais à direita ou 
mais à esquerda). 
Contudo, nossa análise não pode se restringir a apenas um consumidor 
individual, correto? Por isso, ao juntarmos as curvas de demanda individuais 
dos diferentes consumidores teremos as curvas de mercado. Dessa forma, se 
27
uma população experimenta uma mudança da renda, a demanda agregada 
por um dado produto se alterará, deslocando a curva de demanda.
Assimile
Quando um consumidor adquire uma quantidade diferente de um 
produto como consequência de alterações nos preços dele, temos uma 
mudança na quantidade demandada, pois a curva não se alterou (temos 
essa representação gráfica feita na mesma curva de demanda). 
Quando um consumidor adquire uma quantidade diferente de um 
produto sem que o preço deste produto tenha mudado, ocorre uma 
mudança da curva, ou seja, a demanda mudou (houve deslocamento da 
curva de demanda). Se houver ampliação na quantidade demandada, 
sem que tenha havido alteração no preço do bem/serviço, a curva de 
demanda é deslocada para a direita. Já se houver diminuição na quanti-
dade demandada, sem que tenha havido uma alteração no preço do 
bem/serviço, a curva de demanda é deslocada para a esquerda (por 
exemplo, quando a entrada do cinema continua sendo vendida por R$ 
30,00, mas a pessoa passa a ir uma vez por mês, em vez de duas vezes, 
porque ela perdeu o emprego em que ganhava R$ 2.200,00 e passou a 
ganhar R$ 1.500,00 mensais, a curva de demanda do cinema é deslo-
cada para a esquerda).
Vamos agora ao próximo fator que pode alterar a demanda de um 
produto: as mudanças no gosto ou preferência do consumidor. Esse fator é 
muito fácil de entender: ocorre todas as vezes que um determinado produto 
passa a ser mais ou menos desejado sem que o seu preço tenha se modificado, 
porque houve uma mudança no hábito de consumo do consumidor.
Exemplificando
Existem vários exemplos de alterações de demanda por mudança 
de gosto do consumidor, sendo que, algumas vezes, elas podem ser 
influenciadas por uma grande estrela de cinema ou da música. Oliveira 
(2015) nos mostra a seguinte situação: a cantora Beyoncé foi fotogra-
fada, em 2015, vestindo um certo modelo de calça, e isso fez com que 
os estoques desta mercadoria se esgotassem em poucas horas nas lojas 
– ou seja, a demanda por aquela calça explodiu, sem que o preço dela 
tivesse abaixado. 
No entanto, o termo “gostos e preferências” nem sempre se refere 
a mudanças superficiais. Imagine um casal que descobre que estão 
28
esperando um filho: diversos produtos e serviços que não faziam parte 
dos hábitos de consumo dessa família começarão a ser demandados.
O último fator a ser analisado é a influência dos preços de produtos 
relacionados. Para entender isso, vamos pensar em dois tipos de produtos: 
os substitutos e os complementares. Vamos lá? 
Dois produtos disputam entre si a escolha do mesmo consumidor (bens 
que são chamados de substitutos), sendo que, por esse motivo, ao escolher 
um, o consumidor deixará de consumir outro. Por exemplo, ao construir uma 
casa, você pode utilizar tijolos de barro ou bloco de concreto. Ao escolher um, 
automaticamente você não comprará o outro, correto? Por isso, se o preço de 
um tipo de tijolo se modificar, a demanda pelo outro tijolo será alterada, 
mesmo que o preço desse segundo tijolo não mude, ou seja, se o preço do 
tijolo de barro diminuir, alguns consumidores deixarão de comprar os tijolos 
de concreto (mesmo que o preço dele não tenha sido alterado para cima), 
o que deslocará a curva de demanda do tijolo de concreto para a esquerda.
Na economia moderna, o acesso à informação é cada vez mais simples e 
barato, e isso aumenta a quantidade de alternativas à disposição do consu-
midor. Se por um lado o aumento de alternativas pode elevar a satisfação do 
consumidor por poder utilizar melhor seus recursos limitados, aumenta a 
necessidade dos vendedores de convencer os consumidores da superioridade 
dos seus produtos em relação aos produtos dos concorrentes, entendendo que 
o conceito de produto ou serviço concorrente pode ser bastante abrangente.
Por outro lado, existem os produtos complementares, que são utilizados 
em conjunto, e, por isso, também exercem influência entre si. Mantendo o 
exemplo na construção civil, vamos pensar em areia e brita: dificilmente um 
produto será usado separado do outro, correto? Agora, imagine que uma 
nova legislação ambiental faça o preço da areia aumentar. Como as pessoas 
comprarão menos areia, a demanda por brita também diminuirá (mesmo 
que o preço da brita não tenha sido ampliado), ou seja, a curva de demanda 
da brita será deslocada para a esquerda.
Reflita
Algumas leis podem afetar o comportamento dos consumidores e 
isso faz com que o poder dos agentes públicos seja muito maior do 
que a maioria das pessoas perceba. Os malefícios do fumo são conhe-
cidos pela ciência desde o final da segunda guerra, mas levou algumas 
décadas para que surgissem leis que restringissem o seu consumo. Essas 
leis incluem: proibição de propaganda, restrição de locais onde o fumo 
29
é permitido, aumento de impostos, etc. Essas regulamentações buscam 
alterar apenas a quantidade demandada ou tentam alterar também a 
demanda? Reflita sobre o assunto.
É importante lembrar de que existe uma curva de demanda específica 
para cada bem ou serviço em um mercado, mas que em todos eles o mesmo 
comportamento é encontrado: a relação entre preços e quantidades deman-
dadas é inversa, ou seja, a inclinação da curva é sempre negativa. Mesmo que 
alterações em outros fatores diferentes dos preços desloquem a curva, sua 
inclinação continuará negativa. 
Nos exemplos apresentados até agora o foco esteve no comportamento 
individual. Esses mesmos princípios valem para quando analisarmos a 
demanda de mercado, em que os efeitos de cada um dos fatores serão combi-
nados, lembrando que nem sempre o fator mais importante para um consu-
midor será o mais importante para o mercado. 
Para encerrarmos esta seção, precisamos pensar em uma questão bem 
prática: ao iniciar uma análise de demanda, pode ficar complicado a análise 
de todos os fatores juntos: preço, renda, preferências, preços de outros fatores, 
etc. Para contornar esse problema, há uma abordagem que analisa o efeito de 
cada fator isoladamente: a condição coeteris paribus. Essa é uma expressão 
em latim que significa “tudo o mais permanecendo constante” e é aplicada 
quando analisamos o efeito de cada fator isoladamente, mantendo os outros 
constantes, ou seja: ao variarmos a renda, consideramos que os outros fatores 
permanecerão constantes. 
Agora que você já está “craque” em demanda, poderemos avançar para 
nosso próximo desafio: conhecer a oferta e o equilíbrio de mercado. Vamos lá?
Sem medo de errar
Você está lembrado da decisão que o André precisa tomar? É um problema 
que muitos gestores gostariam muito de enfrentar: a oficina da família está 
bem posicionada no presente, tanto em questões técnicas quanto em relação 
às finanças e gestão, e agora é o momento de se preparar para o futuro.
Por isso, a empresa precisa decidir se deve manter o foco em motores 
de combustão interna ou buscar capacitação e equipamentos que permitam 
atender carros elétricos nos próximos anos. Muitas pessoas, preocu-
padas com a conservação do meio ambiente, têm mudado seus hábitos de 
consumo, buscando produtos que sejam ambientalmente responsáveis. 
Em todo o mundo, a preocupação com a redução da poluição tem levado 
30
à busca de alternativas de motores menos poluentes e os motores elétricos 
já são uma realidadeem carros, automóveis, ônibus, caminhões e até em 
aviões. Por isso, a previsão é de que a demanda por serviços especializados 
nesse tipo de motor cresça muito nos próximos anos, ou seja, a curva de 
demanda será deslocada para a direita, o que aumentará as oportunidades 
para empresas que atendam os desejos dos consumidores. Dessa forma, 
entender esse processo de alteração da curva de demanda é uma ferramenta 
importante para o planejamento da empresa de André, que deverá começar 
a pensar em investir em materiais, equipamentos e capacitação profissional 
para atender essa nova realidade do mercado, quando ela se apresentar de 
forma mais consistente.
Avançando na prática
Finalizar o estoque
Ana é a gerente de uma concessionária de automóveis que está enfren-
tando um problema inesperado: ela acabou de receber a notícia que a 
fabricante decidiu adiantar em três meses o lançamento da nova versão 
do modelo campeão de vendas da marca. A questão é que ela está com um 
elevado estoque da versão que deixará de ser fabricada. Seu desafio, então, é 
estimular a demanda por este modelo mais antigo para zerar o estoque dele. 
Quais estratégias você poderá sugerir à Ana para atingir esse objetivo?
Resolução da situação-problema
Você deve dizer a Ana que, para aumentar a demanda de automóveis, é 
necessário alterar um conjunto de fatores. Alguns deles, como ampliação na 
renda, aumento da preferência dos consumidores pelo modelo e elevação do 
preço dos veículos das marcas concorrentes deslocariam a curva de demanda 
do modelo antigo que Ana tem em sua concessionária para a direita (ou seja, 
haveria uma procura maior por esse veículo). Contudo, a alteração desses 
fatores está fora do raio de ação da concessionária, ou seja, não há nada que 
a Ana possa fazer em relação a eles. 
No entanto, há uma outra forma para ampliar a demanda do modelo 
cujo estoque precisa ser zerado: reduzir o seu preço de venda. Essa redução 
implicará em um aumento na quantidade demandada, ou seja, surgiriam 
clientes dispostos a comprar esse modelo e, assim, diminuir os estoques da 
concessionária. Como a demanda pelo modelo antigo deverá reduzir quando 
31
o novo modelo chegar, ela não pode esperar mais: a redução nos preços tem 
que começar o quanto antes. 
Faça valer a pena
1. Observe os dois gráficos a seguir:
Fonte: elaborados pelo autor.
O gráfico A representa mudança _____________ causada por alteração 
_____________ e o gráfico B representa mudança ____________ causada 
por alteração ___________.
A sequência de palavras que completa corretamente a frase é:
a. na quantidade demandada; no preço; na demanda; na renda.
b. na quantidade demandada; na renda; na demanda; no preço.
c. na demanda; na renda; na quantidade demandada; no preço.
d. na demanda; no preço; na quantidade demandada; na renda.
e. na oferta; na renda; na quantidade ofertada; no preço.
2. Suponha que uma famosa atriz usou determinado tipo de sandália 
feminina em uma cena de novela que foi muito comentada e depois viralizou 
na internet, fazendo com que muita gente assistisse a cena, o que fez esse 
modelo de calçado entrar na moda. A partir dessa informação, pode-se 
esperar que ocorra qual fenômeno?
Assinale a alternativa que responde corretamente ao questionamento feito:
a. Um deslocamento da curva de demanda da sandália para a direita.
b. Um deslocamento da curva de oferta da sandália para a direita.
c. Um deslocamento da curva de demanda da sandália para a esquerda.
32
d. Um deslocamento da curva de oferta da sandália para a esquerda.
e. Um deslocamento ao longo da mesma curva de demanda da sandália.
3. Apesar de complexo, o comportamento do consumidor em relação a 
mudanças de preços de um determinado produto pode ser expresso pela 
curva de demanda.
I. A curva de demanda apresenta inclinação negativa, fazendo com que 
o consumidor compre maiores quantidades de um bem ou serviço 
quando os preços aumentam.
PORQUE
II. O comportamento do consumidor não é racional, pois ele acaba 
comprando coisas por impulso, sem ter necessidade delas.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
a. As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não justifica a I.
b. As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II justifica a I.
c. A asserção I é uma proposição verdadeira e a II, falsa.
d. A asserção I é uma proposição falsa e a II, verdadeira.
e. As asserções I e II são proposições falsas.
33
Seção 3
Conhecendo o mercado: oferta e equilíbrio
Diálogo aberto
Olá, prezado aluno! Com esta seção encerraremos a discussão sobre os 
aspectos gerais de microeconomia. Parabéns pela caminhada! Aprofunde-se 
nos temas discutidos, que certamente lhe ajudarão muito na sua carreira 
profissional. 
Você já se deu conta do quanto os processos de compra e venda evolu-
íram nos últimos anos? Se os consumidores têm tido mais acesso à infor-
mação, isso requer comportamentos mais arrojados do produtor, certo? 
Esse comportamento do produtor depende de vários fatores, assunto que 
acompanharemos durante esta seção.
Para nos ajudar no entendimento desse tema tão importante, conhe-
ceremos o desafio enfrentado por Rodrigo. Ele trabalha na secretaria de 
agricultura de uma cidade de porte médio, e foi convocado para um encontro 
com uma associação de consumidores do município. Essa associação trouxe 
a ele uma reclamação a respeito do aumento excessivo dos preços do tomate 
nas últimas semanas, que passou a ser vendido por R$ 10,00 o quilo. Ela 
veio solicitar que a prefeitura determine um congelamento de preços do 
tomate (a R$ 5,00 o quilo), enquanto durar a escassez de produto, argumen-
tando que o preço atual está impedindo muitos consumidores de adquiri-lo. 
Como a secretaria de agricultura acompanha de perto a produção agrícola 
do município, Rodrigo sabe que o aumento atual dos preços foi causado por 
uma quebra de safra que ocorreu porque fortes chuvas, algumas semanas 
antes, reduziram a produtividade de muitas lavouras. O tomate é uma cultura 
que leva pouco mais de três meses entre a colheita e o plantio. Com base no 
estudo do equilíbrio do mercado, Rodrigo deve concordar com o pedido e 
recomendar que a prefeitura promova um congelamento nos preços? Quais 
devem ser os argumentos do Rodrigo para embasar sua resposta?
Para compreender o que Rodrigo deve fazer, é necessário entender sobre 
equilíbrio de mercado e preços fixados acima ou abaixo do preço de equilí-
brio de mercado. Vamos assimilar esses conceitos com o estudo desta seção?
34
Não pode faltar
Olá, aluno! Agora que você já entendeu o comportamento da demanda 
em relação aos preços e aos outros fatores de importância, ficará muito mais 
fácil entender o comportamento da oferta. Para isso, vamos começar concei-
tuando oferta. A oferta está relacionada com as diferentes quantidades de um 
bem ou serviço que os produtores (empresários) estão dispostos a colocar no 
mercado, a um conjunto alternativo de preços, havendo uma relação direta 
entre eles, ou seja, quando o preço sobe, a oferta (intenção de produção de 
um bem ou serviço) cresce.
Assim como a demanda, a oferta pode ser expressa por meio de um 
gráfico, como você pode observar na Figura 1.5:
Figura 1.5 | A curva de oferta
Fonte: elaborada pelo autor.
Vamos reforçar aqui uma observação muito importante: a oferta é a curva, 
ou seja, é um conjunto de pontos que mostra a intenção de produção de um 
bem, de acordo com alterações nos preços dele, ou seja, a oferta representa 
a maneira de pensar do produtor (empresário) de um bem, já que a preços 
altos, ele terá uma intenção maior de produzir um bem (e vice-versa). Para 
facilitar a nossa análise e os exemplos numéricos, consideraremos a oferta 
como uma reta, ou seja, uma função linear. 
35
Outro ponto essencial é que nossa análise considerará que o produtor, 
assim como o comprador (representado pela demanda), não terá força para 
impor os seus preços. Ainda que possa haver exceções, vamos considerar o 
preço ao produtorcomo uma variável sob a qual ele não tem controle. Dessa 
forma, ao mudar os preços, as quantidades ofertadas mudarão também 
(VASCONCELLOS; GARCIA, 2019). 
Em termos individuais, considere que, se nada mais houver mudado (em 
economia, essa condição é caracterizada pela expressão coeteris paribus), uma 
mudança nos preços implicará uma mudança nas quantidades ofertadas. 
Observe que uma mudança nos preços não deslocará a curva, apenas mudará 
o ponto em cima da mesma curva.
Assimile
Você já sabe que, conforme o preço sobe, a quantidade de um produto 
que as empresas estão dispostas a oferecer aumenta. Isso deve-se ao 
fato de que as empresas apresentam diferentes custos de produção. 
Para fixar esse conceito, vamos usar o exemplo do petróleo: existem 
locais onde o seu custo de extração é muito baixo (na maioria dos 
países do Oriente Médio, por exemplo), o que permite que as empresas 
obtenham lucro mesmo se o preço estiver muito baixo. Já em outros 
locais onde o custo de extração é maior, como em alto-mar, a extração 
do petróleo só é viável economicamente se os preços recebidos por 
essa commodity forem maiores. Com isso, se os preços estão baixos, a 
produção ocorrerá apenas onde os custos de produção forem menores 
(haverá menos empresários interessados na produção do petróleo). Se 
os preços aumentarem, locais de maior custo passarão a ser viáveis e a 
oferta aumentará. Ou seja, a curva de oferta é positivamente inclinada, 
pois a única forma de aumentar a oferta de petróleo é incorporando 
áreas onde o custo de produção é mais elevado.
Nesse ponto, você pode estar pensando: será que existem outros fatores, 
além do preço, que também podem influenciar a decisão do produtor e, 
assim, deslocar a curva de oferta? A resposta é sim! Vamos conhecê-los?
Alterações nos custos e em outros fatores relacionados à produção podem 
deslocar a curva de oferta, ou seja, o nível de impostos, o preço dos insumos 
(a matéria-prima utilizada para produzir algo), etc. afetarão diretamente o 
custo do que está sendo produzido. E qual será a reação do produtor a essas 
mudanças? Acompanhe o exemplo a seguir.
36
Exemplificando
Suponha que você esteja fazendo brigadeiros em casa para vender na 
faculdade. Ao ir ao supermercado fazer sua compra semanal de ingre-
dientes, você notou que o preço do leite condensado aumentou, o que 
vai tornar mais cara a sua produção de brigadeiros. Caso você tenha 
que vender o brigadeiro ao mesmo preço de antes, terá uma intenção 
menor de produzir o brigadeiro, o que fará a curva de oferta dele se 
deslocar para a esquerda (que demostra que, ao mesmo preço, há uma 
intenção menor de produzir), podendo até mesmo chegar ao ponto de 
você querer encerrar a produção de brigadeiros. Por outro lado, uma 
redução no preço do leite condensando (ou quaisquer outros insumos) 
deslocará a curva de produção para a direita.
Reflita
A necessidade de reduzir impactos ambientais tem feito com que 
muitos consumidores busquem meios de transportes menos poluentes. 
Por esse motivo, diversos governos têm oferecido incentivos fiscais à 
produção de carros elétricos. Em que medida esses incentivos fiscais 
alteram a curva de oferta de carros elétricos? Reflita sobre o assunto.
Além dos custos de produção, outro fator que desloca a curva de oferta 
é o desenvolvimento de tecnologias. A oferta de smartphones é um exemplo 
claro desse processo. Os primeiros modelos que ofereciam GPS, por exemplo, 
eram os top de linha e de valores muito elevados. Com o desenvolvimento 
tecnológico e barateamento dos custos de produção, a curva de oferta de 
smartphones foi deslocada para a direita, permitindo que, hoje, mesmo os 
aparelhos mais simples apresentam esse recurso. O deslocamento da curva 
de oferta pode ser visto na Figura 1.6:
Figura 1.6 | Deslocamentos da curva de oferta para a direita e para a esquerda
Fonte: Dias (2015, p. 44).
37
Exemplificando
Após um período de turbulência, o valor de mercado da Petrobras, em 
2019, tem alcançado recordes. Entre as razões apontadas estão a queda 
no custo de extração do petróleo no pré-sal e a redução no tempo de 
utilizado para a construção de um poço marítimo no pré-sal (ou seja, 
melhora tecnológica) (COMPLETAMOS…, 2018), já que isso certamente 
ampliará a intenção de produção (oferta) de petróleo da Petrobras, 
trazendo a possibilidade de lucros maiores aos acionistas da empresa. 
Figura 1.7 | Evolução dos indicadores do pré-sal
Fonte: Completamos… (2018, [s. p.]).
A oferta de um bem também é impactada pelo comportamento dos 
preços de outros bens, principalmente quando o produtor pode utilizar 
seus recursos produtivos em diferentes opções. Esse aspecto é muito obser-
vado na produção agrícola, pois quando o preço de um produto como a 
soja aumenta, diversos produtores de milho passam a produzir soja. Vale 
destacar também que, na produção agrícola, os fatores climáticos também 
são determinantes no comportamento da oferta, deslocando-a para a direita 
(clima muito favorável que trouxe uma supersafra) ou para a esquerda (clima 
desfavorável – excesso/falta de chuva, calor/frio em excesso, etc.). Atividades 
minerais também estão sujeitas ao surgimento de novas áreas de exploração 
e ao esgotamento de minas, por exemplo, o que provoca deslocamento na 
curva de oferta.
Assimile
Alterações nos preços não alteram a curva de oferta, apenas geram uma 
mudança na quantidade ofertada (mudanças de pontos que formam a 
mesma curva de oferta). Quando algum fator faz com que o produtor se 
disponha a ofertar uma quantidade diferente (mudanças no preço dos 
38
insumos, na tecnologia ou nas expectativas) sem que o preço tenha se 
modificado, ocorre uma mudança na oferta, ou seja, um deslocamento 
da curva de oferta.
Agora podemos, finalmente, abordar um dos aspectos mais importantes: 
o equilíbrio de mercado. 
Você já aprendeu que as curvas de oferta e demanda mostram como 
vendedores e compradores respondem às mudanças no preço de um bem. 
Agora, surge a pergunta: se os consumidores sempre buscam os menores 
preços possíveis e os produtores sempre vão atrás dos maiores preços possí-
veis, como é encontrado um preço que atenda aos dois lados (chamado de 
preço de equilíbrio), para que haja fechamento do negócio? 
Para responder adequadamente, precisamos voltar no tempo, para 
quando ainda não havia nenhum tipo de moeda. Nesse período, só havia 
duas formas de se obter um produto: ou você mesmo produzia ou tinha que 
obtê-lo por meio de troca de produto por produto (escambo). Com o surgi-
mento da moeda, o processo ficou muito mais fácil, e o dinheiro assumiu 
o papel fundamental que exerce na economia até hoje: ser meio de troca. 
Como consequência, todos os produtos em uma economia passaram a ter o 
seu valor expresso em moeda (BRAGA, 2019).
Dessa forma, quando um consumidor analisa o preço de um produto, ele 
contabiliza quantas unidades de um outro produto poderão ser adquiridas 
com aquela mesma quantidade de moeda. Da mesma forma, o produtor 
avalia se a quantidade de dinheiro recebida remunera adequadamente todos 
os gastos e esforços que foram utilizados no processo produtivo.
Como já vimos, cada consumidor tem uma hierarquia de necessidades, 
por isso um determinado produto que é muito desejado por um consumidor 
desperta pouco interesse em outro, fazendo com que o preço que eles se 
disponham a pagar seja diferente. Por outro lado, os produtores apresentam 
diferentes níveis de custos para um mesmo produto, fazendo com que um 
mesmo preço possa ser aceitável para um, mas não para outros.
É importante que você entenda essas características de consumidores e 
vendedores, pois, quando analisamos o mercado, vemos que a disputa real 
não é entre produtores e consumidores, mas, sim, duas disputas: uma entre 
os consumidores e outra entre os produtores. Vamos entender isso melhor?
Do lado dos compradores existe uma disputa entre eles, uma espécie de 
leilão, na qual quem pagar mais sairá vencedor: quem se dispuser a pagar 
mais por um determinado

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