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COIJ esclarece mitos e verdades sobre o ECA, que completa 29 anos nesta semana No dia em que o Estatuto da Criança e do Adolescente/ECA completa 29 anos, a Coordenadoria da Infância e da Juventude (COIJ/TJAM) esclarece sobre Mitos e Verdades que envolve a Lei: A promulgação do ECA representou um grande avanço ao definir a proteção de crianças e adolescentes como responsabilidade da família, da sociedade e do Estado, e propor a garantia dos direitos e da cidadania, assim como o desenvolvimento integral e saudável. Entretanto, sabemos que, associado à melhoria das políticas públicas, esses direitos precisam ser propagados de forma mais ampla para que se cumpra o que está estabelecido nesse Estatuto. Fruto de discussões de diversos setores da sociedade, o ECA precisa ser aplicado para possibilitar o desenvolvimento saudável e um futuro promissor para nosso país. Nesse longo caminho, desde a sua promulgação, avanços foram conquistados e novos desafios colocados para a atuação do Sistema de Garantia de Direitos de Crianças e Adolescentes. Um dos aspectos primordiais que deve sempre ser relembrado sobre o estatuto, é a universalidade de direitos de crianças e adolescentes, sejam eles pertencentes a qualquer classe ou estrato social. Apesar das transformações no campo legal, a sociedade brasileira, em especial a amazonense, apresenta, ainda hoje, diversas dificuldades na garantia dos direitos da infância e da adolescência e na efetivação de políticas sociais públicas que garantam as condições de vida preconizadas pelo ECA. Exemplo disso é precarização dos diversos serviços que são voltados ao atendimento desse público. Não obstante a não plena efetivação dos direitos previstos no ECA, estamos assistindo a uma frente de parlamentares e de alguns movimentos políticos mais conservadores que atua em favor do fortalecimento de uma política penal direcionada para o caminho da redução da maioridade penal, da precarização dos serviços sociais básicos e de retrocessos nesse âmbito. Reafirmamos que tais ideias não podem ser reforçadas por crenças sociais distorcidas e desvinculadas da política protetiva vigente. Acreditamos que compreender o ECA é de suma importância para todos os cidadãos, para que todos juntos possamos nos responsabilizar pela proteção de nossas crianças e adolescentes, bem como nos comprometermos com o desenvolvimento saudável de nossas futuras gerações e, como consequência, a prosperidade de nosso país. Por esses motivos, lançamos a ideia de que É PRECISO CONHECER PARA DEFENDER essa legislação. Publicamos sete ideias distorcidas acerca dessa lei, que precisam ser desmitificadas e a respostas verdadeiras. Mitos e Verdades sobre o ECA Mito: O ECA impede que adolescentes infratores sejam punidos VERDADE: A legislação prevê que adolescentes que cometem atos infracionais sejam responsabilizados. Para tanto são aplicadas as medidas socioeducativas, que podem ser de seis tipos (advertência, obrigação de reparar o dano, prestação de serviço à comunidade, liberdade assistida, semiliberdade e internação). Existe um Sistema de Atendimento Socioeducativo que orienta os princípios, regras e critérios que envolvem a responsabilização desses adolescentes. Mito: Os adolescentes estão ficando cada vez mais perigosos, cometendo crimes cada vez mais graves. VERDADE: Pesquisa atual realizada pelo Instituto Sou da Paz, mostra que apenas 1,6% dos jovens apreendidos no ano de 2018 cometeram crimes graves. As pessoas tendem a imaginar que os adolescentes que cometem algum crime, cometem atos muito bárbaros, porque os atos que repercutem na imprensa são os mais violentos. Mas o que os dados mostram é que a grande maioria das infrações é contra o patrimônio. Mito: Os adolescentes são responsáveis por grande parte da violência praticada em nosso País VERDADE: Pesquisas atuais referentes à violência no País comprovam que os crimes cometidos por adolescentes não chega a 10% do total. No entanto, quando há participação de adolescentes em crimes, é dada maior visibilidade em manchetes e matérias chamativas, o que dá a idéia que são mais numerosos do que infrações cometidas por adultos. Assim, o "sensacionalismo midiático" reforça o senso comum a respeito das infrações executadas por menores de idade. Mito: O ECA é inimigo dos professores VERDADE: O Estatuto não é inimigo dos professores. Conhecendo seu significado histórico e seu alcance jurídico e social, o professor pode tomá-lo como aliado na luta pela transformação social. A luta por uma sociedade que tenha a formação e o desenvolvimento humano como prioridade e que dê o devido valor aos profissionais dedicados a essa tarefa. Mito: O ECA trata apenas de direitos de crianças e adolescentes, deixando de lado os deveres. VERDADE: O art. 6o. do ECA diz: "Na interpretação desta Lei, levar-se-ão em conta os fins sociais a que ela se dirige, as exigências do bem comum, os direitos e deveres individuais e coletivos e a condição peculiar da criança e do adolescente como pessoas em desenvolvimento" Mito: Somente a redução da maioridade penal e maior rigidez na punição de jovens pode resolver o problema da criminalidade. VERDADE: Está mais que provado que a punição pura e simples, e aumento do tempo de encarceramento não resolve a questão da violência. O nosso sistema prisional não tem conseguido desenvolver a ressocialização das pessoas presas. Os presídios estão superlotados e completamente dominados por facções criminosas. Se colocarmos adolescentes ali, será fornecimento de mais mão de obra para o crime organizado. Mito: Há tanta reincidência porque o Estatuto é liberal com os adolescentes e a medidas são muito leves. VERDADE: A reincidência entre adolescentes infratores não é culpa do ECA, mas sim da falta de melhor investimento da União, Estado e Municípios para a estruturação da rede socioeducativa, bem como na garantia de serviços que assegurem a ressocialização de jovens. A precarização dos programas em meio aberto e centros de internação expõem ainda mais os jovens à criminalidade e à violação de direitos. Além disso, pesquisas atuais demonstram que a reincidência entre os jovens tem diminuído, o que demonstra uma melhoria do atendimento educativo em nosso estado. Texto e Imagem: COIJ/TJAM DIVISÃO DE DIVULGAÇÃO E IMPRENSA Telefones | (92) 2129-6771 / 99485-8526 E-mail: tjamweb@gmail.com https://www.tjam.jus.br/index.php/menu/sala-de-imprensa/1662-coij-esclarece-mito s-e-verdades-sobre-o-eca-que-completa-29-anos-nesta-semana TURMA: 8º ANO (A) (B) (C) Nome dos alunos do grupo: 1 __________________________________ 2 __________________________________ mailto:tjamweb@gmail.com https://www.tjam.jus.br/index.php/menu/sala-de-imprensa/1662-coij-esclarece-mitos-e-verdades-sobre-o-eca-que-completa-29-anos-nesta-semana https://www.tjam.jus.br/index.php/menu/sala-de-imprensa/1662-coij-esclarece-mitos-e-verdades-sobre-o-eca-que-completa-29-anos-nesta-semana 3 __________________________________ 4 __________________________________ ATIVIDADE DE LEITURA Agora que vocês leram todo o texto sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), responda as perguntas a seguir 1. Complete o texto a seguir de acordo com o seu entendimento sobre o ECA e para que ele serve. O _________________________________ é o principal marco regulatório que garante os __________________ das crianças e também dos __________________ no Brasil. Através do ECA que as crianças e adolescentes recebem proteção do Estado contra abusos de todos os tipos. 2. Verdade ou Mito? Com base no que você leu no texto, marque como verdade ou mito as frases a seguir. a. Crianças que trabalham se tornam adultos mais responsáveis e por isso é importante que elas trabalhem. (VERDADE) (MITO). b. Adolescentes podem trabalhar a partir dos 14 anos na condição de aprendiz (VERDADE) (MITO) c. Não existe nenhuma punição para adolescentes que cometem crimes graves. (VERDADE) (MITO) d. O ECA não trata sobre deveres, apenas sobre direitos das crianças e dos adolescentes. (VERDADE) (MITO) e. Adolescentesnão podem viajar sozinhos. (VERDADE) (MITO) 3. Marque abaixo as caixinhas que correspondem aos direitos de crianças e adolescentes garantidos pelo ECA. Direito à saúde Direito à educação Direito à moradia Direito ao lazer Direito ao trabalho e salário como adulto Direito à proteção da vida Direito ao consumo de bebidas alcoólicas Direito a dirigir aos 16 anos Direito à prática de esportes 4. O que a ECA diz a respeito de adolescentes que cometem crimes? O que acontece com eles? 5. Qual a opinião de vocês sobre a redução da maioridade penal? Vocês acham que diminuir a maioridade penal vai acarretar na diminuição da violência e dos crimes no Brasil? Por que? 6. Segundo o texto, qual é a justificativa para não colocar adolescentes infratores junto com criminosos maiores de idade nos presídios? Aprendiz é o jovem matriculado em curso de aprendizagem profissional e admitido por estabelecimentos de qualquer natureza que possuam empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Uma lei específica ampara os adolescentes a partir de 14 anos, que desejam por vontade própria entrar no mercado de trabalho possuem alternativas. Tendo como braço direito a educação, a Lei do Aprendiz (Lei nº 10.097, de 2000) é uma das maneiras de se enfrentar o trabalho infantil e garantir educação, qualificação profissional e as medidas necessárias ao trabalho adolescente protegido. Como funciona? Ao proibir o trabalho aos menores de 16 anos, a Constituição da República de 1988 ressalvou a possibilidade de ingresso no mercado de trabalho na condição de aprendiz a partir dos 14 anos. No Brasil, historicamente, a aprendizagem é regulada pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e passou por um processo de modernização com a promulgação das Leis nos 10.097, de 19 de dezembro de 2000, 11.180, de 23 de setembro de 2005, e 11.788, de 25 de setembro de 2008. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), aprovado pela Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, também prevê, nos seus arts. 60 a 69, o direito à aprendizagem, dando-lhe tratamento alinhado ao princípio da proteção integral à criança e ao adolescente. (Trecho do Manual da Aprendizagem, do Ministério do Trabalho e Emprego). De acordo com a CLT, em seu artigo 432, as pessoas que não completaram o ensino fundamental podem trabalhar até seis horas diariamente. Os adolescentes que já o concluíram conseguem ter uma jornada de trabalho de até oito horas por dia, “se nelas forem computadas as horas destinadas à aprendizagem teórica.” Com a Lei do Aprendiz, jovens de 14 a 24 anos podem aprender um ofício e aprimorar seus conhecimentos – em relação aos aprendizes com deficiência, não se aplica o limite de 24 anos de idade para a contratação. Dos 16 aos 18, as atividades laborais são permitidas, desde que não aconteçam das 22h às 5h, não sejam insalubres ou perigosas e não façam parte da lista das piores formas de trabalho infantil. https://livredetrabalhoinfantil.org.br/trabalho-infantil/legislacao/ https://livredetrabalhoinfantil.org.br/wp-content/uploads/2017/02/aprendizagem_pub_manual_aprendiz_.pdf https://livredetrabalhoinfantil.org.br/wp-content/uploads/2017/02/aprendizagem_pub_manual_aprendiz_.pdf http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L10097.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L10097.htm https://livredetrabalhoinfantil.org.br/trabalho-infantil/conceito/ http://www.planalto.gov.br/Ccivil_03/Leis/L10097.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/lei/L11180.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11788.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11788.htm https://livredetrabalhoinfantil.org.br/legislacao/eca-e-outras-leis/#estatuto-da-crianca-e-do-adolescente-eca https://livredetrabalhoinfantil.org.br/legislacao/eca-e-outras-leis/#estatuto-da-crianca-e-do-adolescente-eca http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8069.htm https://livredetrabalhoinfantil.org.br/wp-content/uploads/2017/02/aprendizagem_pub_manual_aprendiz_.pdf https://livredetrabalhoinfantil.org.br/wp-content/uploads/2017/02/aprendizagem_pub_manual_aprendiz_.pdf http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/decreto/d5598.htm https://livredetrabalhoinfantil.org.br/trabalho-infantil/piores-formas/ https://livredetrabalhoinfantil.org.br/trabalho-infantil/piores-formas/