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WBA1189_v1.0 Tópicos fundamentais em cosmetologia Permeabilidade cosmética Barreira cutânea Bloco 1 Mariana Prado Bravo Barreira cutânea • Pele: semipermeável > permitindo a passagem seletivamente de substâncias. • Estrato córneo atua como uma barreira difusional > resistência elétrica maior comparada aos demais estratos. • A composição da pele corresponde a cerca de 55% de água, 19% de proteínas e 19% de lipídeos. • Atua na regulação do transporte de água para fora e dentro do corpo permitindo, assim, a absorção de pequenas moléculas com aspecto lipofílico e com peso molecular reduzido. Barreira cutânea • Filamentos de queratina que são ricos em água, e permitem a passagem de substâncias que possuem afinidade pela água. • Os lipídeos que ficam entre os filamentos de queratina, permitem a passagem de substâncias que possuem afinidade com a gordura. • Uma pele hidratada permite uma melhor passagem de ativos hidrossolúveis. Nomenclatura • Penetração: substâncias que conseguem alcançar a epiderme, os produtos que se enquadram nessa classificação são os cosméticos mais simples, sem atuação específica. • Permeação: substâncias que conseguem alcançar a camada dérmica. Os dermocosméticos se enquadram nesse objetivo e classificação. • Absorção: atingem regiões ainda mais profundas como a corrente sanguínea atuando na rede sistêmica, como os medicamentos. Permeabilidade de substâncias • Permeabilidade: substância com capacidade de permeação, como gases, etanol, água, moléculas com menos de 0,8 nm, substâncias hidro e lipossolúveis de baixo peso molecular. • Semipermeabilidade: substância de mediana capacidade de permeação, como aminoácidos, glicose, nucleotídeos, íons, vitaminas D e E, hormônios, anestésicos, resorcina e hidroquinona. • Impermeabilidade: substâncias sem capacidade de permeação, que incluem eletrólitos, proteínas e carboidratos. Permeabilidade cosmética Vias de permeação Bloco 2 Mariana Prado Bravo Via transepidérmica Figura 1 – Via transepidérmica Fonte: Matos (2014, p. 53). IntracelularIntercelular Via transanexial Figura 2 – Via anexos cutâneos Fonte: Matos (2014, p. 53). Poro Óstio Fatores que interferem na permeabilidade Quadro 1 – Fatores que interferem na permeabilidade cosmética Biológicos Fisiológicos Cosmetológicos Espessura da epiderme Hiperemia Tamanho da molécula Região anatômica Hidratação Concentração do ativo Idade Teor oleoso Solubilidade das substâncias Teor hídrico pH do produto Veículo Fonte: elaborado pela autora. Permeabilidade cosmética Facilitadores de permeação Bloco 3 Mariana Prado Bravo Métodos de permeação PASSIVO: aqueles que procuram melhorar os aspectos da formulação para que a pele aceite melhor as substâncias ativas. ATIVO: aqueles que necessitam de força motriz, ou seja, algum agente que consegue impulsionar ou movimentar essas substâncias para que permeiem o tecido. Métodos passivos – Promotores químicos Quadro 2 – Promotores químicos Fonte: Soares et al. (2015, p. 3-5). Promotor químico Exemplos Mecanismo Ação Água – Aumento na hidratação da camada córnea. Aumento do fluxo transdérmico. Álcoois Etanol, pentanol, álcool benzílico, álcool láurico, propilenoglicol, glicerol. Extração de lipídeos ou proteínas. Entumescimento da camada córnea, melhora na partição do fármaco, melhora na solubilidade da formulação. Ácidos graxos Ácido oleico, ácido linoleico, ácido valérico e ácido láurico. Partição entre as camadas lipídicas. Desorganização da camada lipídica, melhoria da partição do fármaco na camada córnea, formação de complexo lipídico com o fármaco. Hidrocarbonetos Alcanos, esqualeno. Partição entre as camadas lipídicas. Desorganização da camada lipídica, melhoria da partição do fármaco na camada córnea. Tensoativos Laureato de sódio, gemini. Quebra da tensão superficial. Atividade depende do equilíbrio hidrofílico/ lipofílico, carga e comprimento da cauda lipídica. Fosfolipídeos Estruturas micelares ou vesiculares. Fundição com as camadas lipídicas da camada córnea. Desorganização da camada córnea, melhoria da partição do fármaco na camada córnea. Ciclodextrinas – Formação de complexos de inclusão com fármacos hidrofóbicos. Aumento do coeficiente de partição dos fármacos hidrofóbicos e sua solubilidade na camada córnea. Métodos passivos • Supersaturação: aumentar a concentração de substâncias ao ponto que o solvente não consiga realizar toda a solubilização do ativo, ou seja, saturando essa formulação graças a atividade termodinâmica química é possível aumentar os níveis de permeação. • Pró-farmacos: aumentar a lipofilicidade de algumas substâncias. • Transportadores coloidais: veículos vetoriais. Métodos ativos Quadro 3 – Métodos ativos de permeação cutânea Fonte: Soares et al. (2015, p. 6 -8). Método Ativo Princípio Mecanismo Estratégia Vantagem Sonoforese (ou fonoforese) Energia de ultrassons aplicadas à pele. Promove aumento da permeabilidade da pele e o seu aquecimento, provocando aumento na fluidez dos lipídeos. Provoca cavitação, formando bolhas de gás que crescem e depois estouram, provocando pequenas cavidades na camada córnea. Potencial de aplicação de vacinas, hormônios e anestésicos. Microagulhas Agulhas de dimensões muito reduzidas, suficientemente longas para penetrar as camadas superiores da epiderme, mas curtas para alcançar os terminais nervosos da pele. Criação de microcanais para ultrapassar a camada córnea. Microagulhas sólidas (fármaco reveste a agulha) ou microagulhas perfuradas (interior vazio auxiliando a difusão da formulação). Não induz a dor ou sangramento. Não há risco de microorganismos atravessarem a epiderme viável. Somente as microagulhas tem que ser esterilizadas. Injeção sem auxílio de agulhas Administração de partículas sólidas e líquidas a alta velocidade. Princípio ativo disparado a altas velocidades através da camada córnea Melhor adesão terapêutica por parte dos pacientes, pois é menos dolorosa. Microdermoabrasão Utilização de cristais abrasivos na superfície da camada córnea. Microcristais atingem a superfície cutânea, levando ao dano mecânico (esfoliação). Usado para fins cosméticos, aumenta a permeabilidade da pele. Aspecto da pele geralmente é melhorado com a renovação da camada córnea. Ablação por radiofrequência Aplicação de ondas de radiofrequência (100 a 500 Hz), provocando a vibração dos eletrodos na superfície da pele e um consequente aquecimento localizado. Formação de microcanais na camada córnea quando ocorre a rápida vaporização de água na sua superfície. Moléculas penetram nas camadas inferiores da pele pelos microcanais formados. Devido a alta temperatura ter sido aplicada (frações de segundo), não propaga o calor para as camadas mais profundas da pele. Teoria em Prática Bloco 4 Mariana Prado Bravo Reflita sobre a seguinte situação • Quando surge um cliente que deseja realizar algum procedimento facial para hipercromia, como você desenvolve a conduta de tratamento? • Quais técnicas de força motriz você usaria para melhorar a permeação de substâncias? • Partindo desse princípio, leia o caso a seguir: Reflita sobre a seguinte situação Ana, uma senhora de 62 anos, muito vaidosa está incomodada com as manchas escuras que apareceram em sua face ao longo dos últimos anos. No momento da avaliação, Ana relata que, quando criança, trabalhou na roça e não tinha o hábito de usar filtro solar quando estava exposta ao sol. Ela procura algum tratamento para amenizar as hipercromias da face. Norte para resolução • 1° Lembre-se de realizar uma anamnese detalhada para entender bem sobre seus hábitos e cuidados com a pele. • 2° Para desenvolver a conduta de tratamento, quais produtos e técnicas você usaria a fim de aumentar a permeabilidade de ativos despigmentantes? • 3° Você poderia indicar alguma conduta home care? Norte para resolução • Cabine:• Microdermoabrasão. • Microagulhamento. • Iontoforese. • Home care: • Esfoliação. Dicas do(a) Professor(a) Bloco 5 Mariana Prado Bravo Indicação de leitura 1 O objetivo dessa leitura é complementar seu conhecimento sobre os nanocosméticos e o mundo das pequenas moléculas. Referência APOLINÁRIO, A. et al. Abrindo a caixa de pandora dos nanomedicamentos: há realmente muito mais ‘espaço lá embaixo’. Química Nova, São Paulo, v. 43, p. 212- 215, 2020. Indicação de leitura 2 A fim de complementar o seu conhecimento e poder fazer uma leitura mais detalhada sobre os métodos ativos e passivos de permeação, segue a indicação do artigo. Referência SOARES, M. et al. Permeação cutânea: desafios e oportunidades. Revista de ciências farmacêuticas básica aplicada, v. 36, n. 3, p. 337-348, 2015. Dica do(a) Professor(a) Assista a dois vídeos que abordam de maneira muito simples o aspecto de permeabilidade cutânea. Esses vídeos podem ser encontrados diretamente no YouTube. Vídeo: Descomplique estética permeação de ativos – Parte I e Parte II. Canal: TV Estética. Referências DELTREGGIA, D. C. et al. A nanotecnologia como estratégia para permeação cutânea de fármacos. Revista Saúde em Foco, Amparo, n. 11, p. 812-824, 2019. Disponível em: https://portal.unisepe.com.br/unifia/wp- content/uploads/sites/10001/2019/09/074_A-Nanotecnologia-como- estrat%C3%A9gica-para-permea%C3%A7%C3%A3o-cut%C3%A2nea-de- f%C3%A1rmacos.pdf. Acesso em: 3 jun. 2022. MATOS, S. P. Cosmetologia aplicada. Érica. São Paulo, 2014. SOARES, M. et al. Permeação cutânea: desafios e oportunidades. Revista de ciências farmacêuticas básica aplicada, Araraquara, v. 36, n. 3, p. 337-348, 2015. Disponível em: https://rcfba.fcfar.unesp.br/index.php/ojs/article/view/21. Acesso em: 3 jun. 2022. Bons estudos! Tópicos fundamentais em cosmetologia Permeabilidade cosmética Barreira cutânea Barreira cutânea Nomenclatura Permeabilidade de substâncias Permeabilidade cosmética Via transepidérmica Via transanexial Fatores que interferem na permeabilidade Permeabilidade cosmética Métodos de permeação Métodos passivos – Promotores químicos Métodos passivos Métodos ativos Teoria em Prática Reflita sobre a seguinte situação Reflita sobre a seguinte situação Norte para resolução Norte para resolução Dicas do(a) Professor(a) Indicação de leitura 1 Indicação de leitura 2 Dica do(a) Professor(a) Referências Bons estudos!