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Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Unidade 1 Meio ambiente e as questões ambientais Aula 1 Introdução aos recursos naturais e às questões ambientais Introdução da aula Os recursos naturais e as preocupações ambientais prevaleceram não apenas no Brasil mas também em outros países do mundo. O nosso país tem experimentado diferentes problemas de enfrentamento a emergências ambientais, esgotamento dos recursos naturais e degradação ambiental. Nesta unidade, estudante, serão destacados os conceitos de poluição ambiental, bem como seus efeitos e desastres sob as características do solo, do ar e da água. Serão também discutidas oportunidades quanto ao uso consistente de recursos naturais e meio ambiente, insinuações precisas para meio ambiente, crescimento econômico e sustentabilidade ambiental. Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações As questões sociais foram levadas em consideração e foram ressaltadas as medidas que são essenciais para levar à preservação e sustentação dos recursos naturais e do meio ambiente. Poluição e suas interfaces No atual Antropoceno, a poluição ambiental é um problema global que está diretamente ligado à rápida industrialização e urbanização. Devido ao rápido avanço na industrialização e urbanização em todo o mundo, vários poluentes são liberados das indústrias e resíduos urbanos no solo, na água e no ar. A poluição prejudica a sustentabilidade ambiental e os serviços ecossistêmicos. No Brasil, de acordo com a Lei nº 6.938 (BRASIL, 1981), entende-se como: Poluição, a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente: a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; c) afetem desfavoravelmente a biota; d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos. (BRASIL, 1981, [s. p.]) Conforme consta na referida de�nição, tais poluentes têm capacidade de interagir com a água, o solo e o ar. A interação com a água se dá, principalmente, de acordo com a característica de uso e ocupação urbana de uma bacia hidrográ�ca. Uma bacia hidrográ�ca é entendida como uma Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações área de captação natural de precipitação, delimitada topogra�camente por um divisor de água que converge os �uxos para uma única saída chamada foz (BORTOLOTI et al., 2015). Uma bacia hidrográ�ca é de fundamental importância para os recursos hídricos, pois são as unidades de planejamento e gestão adotadas pela Política Nacional de Recursos Hídricos, instituída pela Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997 (BRASIL, 1997). A correta delimitação de seus divisores de água e sua rede de drenagem é de grande importância para estudos relacionados à modelagem de vazões, processos erosivos, transporte e deposição de poluentes químicos. A poluição no solo refere-se à contaminação do solo devido a produtos químicos perigosos, como metais pesados, poluentes orgânicos e inorgânicos que in�uenciam negativamente o meio ambiente e a saúde humana. A interação dos poluentes com esses elementos (água, ar e solo) pode se dar por meio de fontes difusas ou pontuais. A poluição por fonte pontual é uma única fonte identi�cável que se origina de locais separados e pode ser calculada em modelagem matemática (FENKER et al., 2015). As fontes pontuais de poluição incluem usinas de energia elétrica, usinas de dessalinização, descargas industriais e lançamentos de esgoto em corpos hídricos, conforme ilustrado na Figura 1. Figura 1 | Lançamento de esgoto em rio - Fonte: Pixabay. A poluição por fonte difusa, por outro lado, não apresenta uma fonte identi�cável, originando-se de diferentes pontos (FENKER et al., 2015). As fontes de poluição difusa são, principalmente, o Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações escoamento agrícola, incluindo fertilizantes (cargas de nitrogênio e fósforo) e pesticidas, além da emissão de poluentes gerados por veículos, sobretudo em grandes centros urbanos. Figura 2 | Lançamento de poluentes por escapamento de veículo - Fonte: Unsplash. Efeitos da poluição na água, no solo e no ar Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações O solo é criado de substâncias orgânicas e inorgânicas. As substâncias orgânicas são derivadas da decomposição de animais e plantas, considerando que substâncias inorgânicas lixiviam no solo pela quebra química das rochas. Os solos férteis são muito importantes para suprir a necessidade de produção de alimentos para a população mundial. No entanto, o solo é poluído por diferentes tipos de poluentes e contaminantes devido às atividades naturais e humanas (FENKER et al., 2015). A poluição do solo costumava ser um problema local, principalmente associado às atividades insustentáveis, como o descarte descontrolado de resíduos, porém, nas últimas décadas, tem recebido maior atenção, tornando-se um problema ambiental geral. A poluição do solo pode resultar de atividades intencionais e não intencionais, abrangendo emissões diretas para o solo e processos ambientais complexos, que resultam na contaminação indireta de solos após emissões para o ar ou a água. Poluição industrial no local e gestão inadequada de resíduos, atividades de mineração, aplicações intencionais diretas de materiais no solo e deposição atmosférica são as principais fontes de poluição do solo. Os solos oferecem suporte para os ecossistemas naturais, bem como para a maioria das atividades humanas; portanto, as consequências da poluição do solo, tanto para a saúde humana quanto para o meio ambiente, estão diretamente relacionadas aos usos do solo. A poluição do ar representa uma grande ameaça, no século XXI, sobretudo em relação às suas potenciais alterações no clima. A extensão dos problemas de poluição do ar inclui deposição ácida, amianto, dióxido de carbono, poluição interna, chumbo, transporte de longo alcance, acidentes nucleares, radiação não ionizante, gás ozônio estratosférico, substâncias tóxicas e a�ns (BARBOZA; SANCHES; BARREIROS, 2017). Embora, em muitos casos, a massa total de Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações emissões naturais ultrapasse as emissões de poluentes em escala mundial, elas são dispersas. As emissões de poluentes são emitidas de fontes pontuais ou de áreas limitadas. Como resultado, os níveis de qualidade do ar ambiente local podem aumentar para níveis ambientalmente indesejáveis e até mesmo perigosos para a saúde. Finalmente, a poluição também pode apresentar in�uência severa nos recursos hídricos. A poluição da água destrói importantes fontes de alimentos e contamina a água potável com produtos químicos que podem causar danos imediatos e de longo prazo à saúde humana. A poluição da água também prejudica gravemente os ecossistemas aquáticos. Rios, lagos e oceanos são usados como esgotos a céu aberto para resíduos industriais e residenciais. Pesticidas, herbicidas, derivados de petróleo, metais pesados (como mercúrio, chumbo e zinco), detergentes e resíduos industriais podem matar organismos aquáticos ou tornar o ambiente tão inóspito que as espécies não podem mais prosperar. Rios e córregos demonstram alguma capacidade de recuperação dos efeitos de certos poluentes, mas lagos, baías, lagoas, rios lentos e oceanos têm pouca resistência aos efeitos da poluição da água. A poluição de fontes difusas continua a ser uma séria ameaça às águas receptoras, assim como o lançamento contínuo de esgoto e e�uentes industriais em todo o mundo (BARBOZA; SANCHES; BARREIROS, 2017). A importância do monitoramento da poluição O monitoramento ambiental é fundamental para a proteção da saúde humana ecom o meio ambiente são chamados de “aspectos”, que podem ter um impacto negativo ou positivo no meio ambiente. Normalmente, os aspectos podem incluir emissões para o ar, descargas de e�uentes e geração de resíduos. Os aspectos, por sua vez, podem gerar impactos ambientais, como aquecimento global, poluição da água ou solo contaminado. Todas as atividades geram impactos. Alguns, como os de um serviço baseado em escritório, podem ter impactos ambientais relativamente menores, como menos materiais residuais e menor consumo de energia ligado à poluição do ar, considerando que alguns aspectos industriais pesados, como processos que causam emissões para o ar e descargas para a água, podem ter impactos ambientais signi�cativos. Gerenciar aspectos e impactos ambientais é, sem dúvida, um componente essencial e importante na busca por um planejamento ambiental em uma organização. O Sistema de Gestão Ambiental deve gerenciar todos os aspectos considerados signi�cativos na organização. O que é signi�cativo para um local não será necessariamente para outro. Determinar quais impactos ambientais são signi�cativos não requer uma Avaliação de Impacto Ambiental, e adotar uma abordagem de ciclo de vida não requer uma Análise de Ciclo de Vida completa a ser realizada. Ao determinar quais aspectos são signi�cativos, a organização precisa adotar uma abordagem que funcione para suas circunstâncias especí�cas, considerando seu tamanho, o local e a natureza do negócio realizado. A abordagem adotada deve considerar o signi�cado de cada aspecto nas seguintes circunstâncias: Condições normais de operação. Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Condições anormais de operação (por exemplo, partida, parada, manutenção). Acidentes e emergências. Atividades anteriores. Atividades planejadas. Para contextualizar sua aprendizagem, imagine que você trabalha para uma universidade, a qual, devido a novas regulamentações, terá que realizar um inventário dos aspectos e impactos ambientais relacionados às suas atividades. Para agilizar o processo, seu chefe direcionou um responsável por setor, �cando você responsável pelo setor do restaurante. Somado a isso, você também recebeu uma planilha, semipreenchida, já indicando os processos existentes no restaurante, como mostra o Quadro 1. Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Quadro 1 | Planilha para levantamento dos aspectos e impactos ambientais - Fonte: elaborado pelo autor. Diante deste exposto, escolha ao menos três etapas de processos e descreva quais são os possíveis aspectos ambientais que podem ser observados nessas atividades e, ainda, os impactos ambientais decorrentes delas. _______ Re�ita Todas as atividades, inevitavelmente, geram aspectos ambientais, que podem interagir de forma positiva ou negativa com o ambiente. Listar todos os aspectos relacionados a uma atividade é, portanto, essencial na caracterização dos impactos. Mas, como garantir que todos os aspectos de uma atividade foram levantados? Seguem alguns itens a serem veri�cados: Operações, principais equipamentos e áreas de atividade. Obrigações de conformidade. Requisitos de quaisquer licenças, autorizações e acordos do local. Relatórios de incidentes (e quase acidentes). Necessidades e expectativas das partes interessadas. Atividades realizadas fora do local. Alterações no layout, mudanças ou compras de novos equipamentos. Quaisquer atividades, produtos e serviços novos/modi�cados futuros. Videoaula: Resolução do estudo de caso Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. A identi�cação dos aspectos ambientais deve levar em conta se uma determinada atividade, produto ou serviço causa, dentre outros exemplos: Emissões de ar. Descargas de e�uentes. Resíduos resultantes. Contaminação do solo. Uso de recursos (por exemplo, água, combustível e recursos naturais e materiais). Uma vez identi�cado o aspecto ambiental e a causa dele, o próximo passo é identi�car os potenciais impactos ambientais associados a ele que podem afetar negativamente o meio ambiente e a saúde humana. Usando uma abordagem de ciclo vivo, os principais tipos de impactos são aqueles associados a: Insumos, por exemplo, recursos extraídos usados na forma de matérias-primas e energia, que podem dar origem à degradação da terra e ao esgotamento dos recursos naturais Saídas, por exemplo, emissões para o ar, descargas para a água e resíduos, que podem causar poluição. Atividades e processos no local, por exemplo, armazenamento, limpeza, montagem e embalagem, que também podem causar poluição ou perda de materiais e outros recursos. O Quadro 2 mostra um exemplo de processos com aspectos e seus respectivos impactos ambientais. Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Quadro 2 | Levantamento dos aspectos e impactos ambientais - Fonte: elaborado pelo autor. É importante ressaltar que um único processo, normalmente, pode ter muitos aspectos, e cada aspecto pode ter mais de um impacto. O processo de avaliação de aspectos e impactos ambientais permite a identi�cação e a priorização dos riscos ambientais e auxilia o entendimento sobre a medida em que esses riscos são efetivamente gerenciados. Desenvolver e implementar um aspecto e impacto ambiental ajuda a garantir que os riscos ambientais sejam considerados de forma consistente em todas as atividades associadas a uma propriedade e, quando relevante, em todo o portfólio. O processo de avaliação reúne as principais partes interessadas da propriedade para determinar a causa e os efeitos associados aos riscos ambientais. Isso ajuda a identi�car os proprietários de risco apropriados, que devem ser responsáveis pelo desenvolvimento de medidas de controle de risco. Uma avaliação de aspecto e impacto é um passo importante para conectar as várias partes componentes da gestão de risco ambiental. Ela fornece um método estruturado de ponta a ponta para preencher um registro de risco ambiental, junto a uma abordagem baseada em evidências, para explicar como e por que os riscos selecionados foram escolhidos. Resumo visual Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Fonte: elaborada pelo autor. Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Referências BARBOZA, S. G.; SANCHES, W.; BARREIROS, E. Sociedade e meio ambiente. Londrina, PR: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2017. BORTOLOTI, F. da S. et al. Recursos naturais, meio ambiente e desenvolvimento. Londrina, PR: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2015. BRASIL. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus �ns e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, [2022]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6938.htm. Acesso em: 15 out. 2022. BRASIL. Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, [2022]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9605.htm. Acesso em: 15 out. 2022. FENKER, E. A. et al. Gestão ambiental: incentivos, riscos e custos. São Paulo, SP: Atlas, 2015. REIS, A. C. dos; CAMARGO, R. S. Gestão de recursos ambientais. Porto Alegre, RS: SAGAH, 2018. , Unidade 2 Planejamento e gestão ambiental http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6938.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9605.htm Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meioambiente - impactos ambientais e certificações Aula 1 O Sistema de Gestão Ambiental, a Produção mais Limpa e a Ecoe�ciência nas empresas Introdução da aula O desenvolvimento sustentável requer métodos e ferramentas para medir e comparar os impactos ambientais das atividades humanas para o fornecimento de bens e serviços. Os impactos ambientais incluem as emissões para o meio ambiente através do consumo de recursos, bem como outras intervenções (por exemplo, uso da terra) associadas ao fornecimento de produtos, as quais ocorrem ao extrair os recursos, produzir os materiais, fabricar os produtos, consumir/usar os produtos e no �m de vida deles (recolha/triagem, reutilização, reciclagem, eliminação de resíduos). Essas emissões e esses consumos contribuem para uma ampla gama de impactos, como mudanças climáticas, destruição do ozônio estratosférico, eutro�zação, acidi�cação, estresse toxicológico na saúde humana e nos ecossistemas, esgotamento de recursos – água e terra –, entre outros. Portanto, existe uma necessidade crescente e clara de ser proativo e fornecer soluções para mitigar e/ou evitar que esses impactos ocorram e permitir que o ambiente como um todo seja mais resiliente. Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Operações sustentáveis Com essa introdução, podemos perceber a necessidade de repensarmos o nosso modo de produção. Para isso, devemos buscar uma produção mais limpa, a qual busca redução de resíduos e otimização do uso de recursos naturais através de estratégias econômica ambiental e tecnológica integradas aos processos e produtos. Para isso, podemos utilizar algumas estratégias, como Sistema de Gestão Ambiental, Análise de Ciclo de Vida e Rotulagem Ambiental. Um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) é uma forma de administrar que busca auxiliar uma organização a atingir suas metas ambientais por meio de revisão, avaliação e melhoria consistentes de sua produção e, consequentemente, seu desempenho ambiental. Esse sistema é de�nido pela norma ISO 14001 (ABNT, 2015). Essa é uma norma internacionalmente acordada, que estabelece requisitos para um sistema de gestão ambiental. Sua �nalidade é ajudar as organizações a melhorarem o seu desempenho ambiental através da utilização mais e�ciente dos recursos e da redução de desperdícios, obtendo uma vantagem competitiva e a con�ança das partes interessadas. Através do SGA, buscamos ecoe�ciência, que nada mais é do que uma estratégia de gestão baseada no conceito de criar mais bens e serviços usando menos recursos naturais e gerando menos resíduos e poluição. A ecoe�ciência é uma medida de sustentabilidade que combina desempenho ambiental e econômico. Essa ferramenta pode ser vista como um indicador de desempenho ambiental ou como uma estratégia empresarial para o desenvolvimento sustentável (ČUČEK et al., 2015). Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Uma ferramenta muito e�caz no SGA é a Avaliação de Ciclo de Vida (ACV), que foi de�nida pela ISO 14040 e pela ISO 14044. É a reunião e a avaliação das entradas e saídas e o potencial ambiental de um sistema de produto durante a vida útil dele, ou seja, é um processo de avaliação dos efeitos que um produto tem no meio ambiente durante todo o período de sua vida, buscando aumentar a e�ciência do uso de recursos (ABNT, 2001). Para aplicar essa estratégia, é necessário de�nir as limitações do estudo, sendo que ACV é comumente referida como uma análise "do berço ao túmulo". Os elementos-chave da ACV são: (1) identi�car e quanti�car as cargas ambientais envolvidas, por exemplo, a energia e as matérias-primas consumidas, as emissões e os resíduos gerados; (2) avaliar os potenciais impactos ambientais dessas cargas; (3) avaliar as opções disponíveis para reduzir esses impactos ambientais (MURALIKRISHNA; MANICKAM, 2017). Uma forma de garantirmos o consumo de produtos e/ou serviços ecologicamente corretos é através da rotulagem ambiental, que é um mecanismo baseado em informações sobre características ambientais de produtos que estão disponibilizadas nos rótulos de embalagens. Dessa forma, os consumidores conseguem comparar e optar, de maneira clara, por adquirir produtos de menor impacto ambiental dentre os disponíveis no mercado. A rotulagem também pode ser conhecida como: selo verde ou ecológico, declaração ambiental, rótulo ecológico, eco rótulo, eco selo e etiqueta ecológica (MOURA, 2013). Podemos dizer que essa abordagem é tanto um instrumento econômico como de comunicação, visto que, através das informações presentes nos produtos, busca incentivar positivamente padrões de produção e consumo, aumentando a consciência para a necessidade de usar os recursos naturais de forma mais responsável (MOURA, 2013). Produção sustentável e o ACV Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Como vimos, o SGA é um conjunto de processos e práticas que permitem que uma organização reduza seus impactos ambientais e aumente sua e�ciência operacional através do mapeamento de estruturas que ela pode seguir para estabelecer um sistema ambientalmente e�caz. Com a crescente atribuição de importância, da sociedade às questões ambientais, surgiu a necessidade de desenvolvimento de abordagens e ferramentas de gestão que possibilitassem às empresas e a todas as partes interessadas avaliar as consequências ambientais das decisões tomadas em relação aos seus processos e/ou produtos �nais. Para tomadas de decisões mais assertivas, viu-se a necessidade de comparar produtos ou processos (e até mesmo sua destinação �nal) distintos, do ponto de vista de seus impactos ambientais. Para descobrir o nível de sustentabilidade de um produto, é necessário medir o seu nível de ecoe�ciência. Para isso, desenvolveu se a ferramenta de ACV de produtos ou serviços (ERBE, 2016). Pro�ssionais e pesquisadores de muitos domínios se reúnem na ACV para calcular os indicadores dos impactos ambientais potenciais mencionados, os quais estão ligados aos produtos – apoiando a identi�cação de oportunidades para prevenção da poluição e reduções no consumo de recursos, ao mesmo tempo em que leva todo o ciclo de vida do produto em consideração (MURALIKRISHNA; MANICKAM, 2017). Através do ACV, é possível identi�car oportunidades para melhorar os aspectos ambientais dos produtos em vários pontos do seu ciclo de vida; selecionar indicadores relevantes de desempenho ambiental, incluindo técnicas de medição; melhorar o marketing da empresa (por exemplo, uma declaração ambiental, esquema de rotulagem ecológica ou declarações do produto). Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Essa ferramenta pode ser dividida em quatro etapas, conforme segue: 1. De�nição de objetivo e escopo: os limites do sistema descrevem o que é levado na avaliação e o que é deixado de fora. Por exemplo, pequenas quantidades de ingredientes que contribuem pouco para a pegada total podem ser deixadas de fora do escopo do estudo. 2. Análise de inventário: aqui, você observa todas as entradas e saídas ambientais associadas a um produto ou serviço. Um exemplo de insumo ambiental – algo que você tira do meio ambiente para colocar no ciclo de vida do produto – é o uso de matérias-primas e energia. As saídas ambientais – o que o ciclo de vida do seu produto coloca no meio ambiente – incluem a emissão de poluentes e os �uxos de resíduos, por exemplo. 3. Avaliação de impacto: na avaliação de impacto do ciclo de vida, você tira as conclusões que lhe permitem tomar melhores decisões de negócios. Você classi�ca os impactos ambientais de todos os processos coletados e modelados no inventário e os traduz em temas ambientais, como aquecimento global ou saúde humana. 4. Interpretação: durante a fase de interpretação, você veri�ca se suas conclusões estão bem fundamentadas. O padrão ISO 14044 descreve várias veri�cações para testar os dados e os procedimentosque você usou para apoiar suas conclusões. Com a crescente preocupação dos consumidores com o impacto ambiental dos bens e serviços que compram, a rotulagem ambiental surgiu como uma ferramenta fundamental para a tomada de decisões de compra sustentáveis. Os benefícios comerciais da rotulagem ambiental para compradores e fornecedores deram origem a uma in�nidade de alegações ambientais, esquemas de rotulagem e iniciativas, cada uma oferecendo diferentes medidas e referências. Isso aumentou a conscientização sobre o impacto ambiental de produtos e serviços. Sendo sustentável na prática Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações A ACV é uma metodologia que considera todo o ciclo de vida de um produto. Considere que você, estudante, realizará um ACV de um veículo. Para isso, você deve considerar as etapas, desde a fase de fabricação (incluindo produção de material e montagem do veículo), a fase de uso (incluindo produção e combustão de combustível), até a fase de �m de vida (incluindo descarte e reciclagem em �m de vida). Isso ajudará a garantir que as escolhas de projeto e engenharia feitas para reduzir as emissões do veículo em uma fase da vida útil dele resultem em uma redução total das emissões do ciclo de vida. Como empresa, a primeira coisa que deve ser pensada é implementar um sistema de gestão. Como você faria? Quais aspectos você considera relevantes e quais etapas devem ser seguidas? Um exemplo de análise que podemos realizar sobre as escolhas de emissões de produção é em relação ao impacto das escolhas de materiais nas emissões de GEE (gases do efeito estufa) do ciclo de vida. Considere o seguinte estudo de caso: praticamente todas as montadoras estão adicionando veículos elétricos a bateria (BEV) às suas frotas para atender aos novos regulamentos de emissões. A redução de peso estrutural tornou-se o foco principal para aumentar o alcance da bateria com as ofertas atuais da tecnologia de baterias veiculares. Sem uma estratégia de avaliação do ciclo de vida implementada, pode ser que decisões relevantes resultem em um maior impacto ambiental. Nesse caso, é necessário comparamos materiais que constituem o carro. Levando em consideração dois tipos, um feito de alumínio e outro usando aço de alta resistência avançado (AHSS), podemos fazer a análise do ACV desses materiais e determinar o impacto da escolha do Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações material no ciclo de vida do veículo, desde a fabricação, a alimentação durante o uso, até a reciclagem no �nal de sua vida útil. Nesse caso, com a energia necessária para produzir 1 milhão de veículos com uso intensivo de alumínio, você pode fabricar, alimentar e reciclar 1 milhão de AHSS BEVs, além de ter energia restante su�ciente para alimentar 170 mil BEVs adicionais por toda a vida útil ou fornecer a energia total demanda para 77 mil lares dos EUA por 12 anos (com base em dados de 2015 disponíveis publicamente). Considerando esse caso, podemos pensar em inserir uma rotulagem ambiental para que os consumidores tenham mais consciência do produto que estão adquirindo. Em sua percepção, o que é relevante destacar no rótulo? E qual tipo de rotulagem você acredita que melhor se adequa a essa situação? Nesse caso, poderíamos adotar uma rotulagem ambiental do tipo III, a qual destacará informações sobre a ACV realizada no produto. Dados ambientais, que foram quanti�cados de acordo com um conjunto de parâmetros previamente selecionados e fundamentados no estudo realizado, atestarão a preocupação ambiental e a busca de uma produção mais e�ciente e menos poluente. Videoaula: O Sistema de Gestão Ambiental, a Produção mais Limpa e a Ecoe�ciência nas empresas Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. No vídeo de hoje, entenderemos o contexto histórico em que surgiu a ecoe�ciência e quais ferramentas podem ser aplicadas em relação ao SGA de empresas, como ACV e Rotulagem Ambiental. A ACV é uma técnica de avaliação e quanti�cação de impactos ambientais possíveis, associados a um produto e/ou serviço. Discutiremos como realizá-la e suas etapas. Já a Rotulagem Ambiental informa os consumidores sobre os impactos ambientais de um produto ou serviço para orientá-los durante a compra e permitir que façam uma escolha inteligente. Essa ferramenta pode ter três variações, de acordo com a necessidade do produtor. Saiba mais Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações No site ACV Brasil, é possível descobrir como funciona a Análise de Ciclo de Vida e a Rotulagem Ambiental. Nesse ambiente, é possível ter acesso a cursos, treinamento e softwares para realizar cálculos. Referências https://acvbrasil.com.br/ https://acvbrasil.com.br/ Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 14001. Sistema de Gestão Ambiental – Requisitos com orientações para uso. Rio de Janeiro, RJ: ABNT, 2015. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 14040. Gestão Ambiental – Avaliação do Ciclo de Vida – Princípios e Estrutura. Rio de Janeiro, RJ: ABNT, 2001. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 14044. Gestão Ambiental – Avaliação do Ciclo de Vida – Requisitos e Orientações. Rio de Janeiro, RJ: ABNT, 2009. ČUČEK, L. et al. Chapter 5 – Overview of environmental footprints. In: KLEMES, J. J. Assessing and Measuring Environmental Impact and Sustainability. Amsterdã: Elsevier, 2015. p. 131-193. ERBE, M. C. L. Gestão ambiental na indústria. In: PHILIPPI JR., A.; SAMPAIO, C. C.; FERNANDES, V. (Eds.). Gestão empresarial e sustentabilidade. Barueri, SP: Manole, 2016. MOURA, A. M. M. de. O Mecanismo de Rotulagem Ambiental: perspectivas de aplicação no Brasil. Boletim Regional, Urbano e Ambiental, IPEA, Rio de Janeiro, 2013. MURALIKRISHNA, I. V.; MANICKAM, V. Chapter Five - Life Cycle Assessment. In: MURALIKRISHNA, I. V.; MANICKAM, V. Environmental Management. Oxford: Butterworth- Heinemann, 2017. p. 57-75. Aula 2 Gestão de riscos, prevenção de incêndios e desastres Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Introdução da aula O aumento vertiginoso da população, a ocupação desordenada dos ambientes e a intensi�cação de processos industriais têm causado adversidades, que vêm se intensi�cando nas últimas décadas em diversas partes do mundo, como aumento de enchentes, furacões, secas extremas, deslizamentos de encostas, entre outros fenômenos, que podem ser chamados de desastres naturais. Para que esses riscos sejam minimizados, é essencial a implementação de uma Gestão de Riscos Ambientais, que pode ser de�nida como o esforço consciente e coordenado na avaliação do impacto potencial e/ou existente de diversas atividades produtivas sobre o meio ambiente e as pessoas. O objetivo do gerenciamento de riscos é aumentar a capacidade das organizações para atingir objetivos e ajudar a gerenciar ameaças, situações adversas e aproveitar qualquer oportunidade que faça aumentar essa capacidade. Conceitos importantes sobre gestão de risco Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações O processo de identi�cação e/ou antecipação de possíveis riscos, problemas ou desastres é denominado gerenciamento de risco, logo a Gestão de Riscos Ambientais é um conjunto de atividades que visa supervisionar e controlar uma organização quanto ao risco ambiental. Essa gestão permite que procedimentos sejam implementados para evitar o risco, mitigar seu impacto ou, pelo menos, ajudar a lidar com seu potencial efeito. E para que isso seja e�ciente, uma empresa ou organização deve fazer uma avaliação realista do verdadeiro nível de riscoe planejar ações baseadas nessa realidade. Os incêndios �orestais causados pelo homem, no entanto, desempenham o papel mais signi�cativo na maioria das regiões do mundo. A principal razão é a negligência, incluindo incêndios de uso da terra que escaparam e, às vezes, incêndio criminoso (BARSANO, 2014). A prevenção de incêndios destrutivos deve ser um elemento integral das políticas de uso da terra e estratégias de gestão de incêndios. A prevenção de incêndios deve abordar uma ampla gama de elementos e setores da sociedade, recursos naturais e gestão ambiental, ordenamento do território e desenvolvimento tecnológico. As políticas e estratégias contra incêndios variam de região para região devido às diferentes características do ecossistema e aos fatores culturais, sociais e econômicos envolvidos. A prevenção de incêndios bem-sucedida deve abordar as causas subjacentes da aplicação indevida do fogo e outros fatores responsáveis pelo aumento dos incêndios prejudiciais (GOTTI; SOUZA, 2017). A gestão de risco de desastres envolve atividades relacionadas à: Prevenção: atividades e medidas para evitar riscos de desastres novos e existentes (muitas vezes, menos onerosos do que ajuda e resposta a desastres). Por exemplo, realocar pessoas e bens expostos para longe de uma área de risco. Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Mitigação: a diminuição ou limitação dos impactos adversos de perigos e desastres relacionados. Por exemplo, construir defesas contra inundações, plantar árvores para estabilizar encostas e implementar códigos rígidos de uso da terra e construção civil. Transferência: o processo de transferência formal ou informal das consequências �nanceiras de riscos particulares de uma parte para outra, por meio do qual uma família, comunidade, empresa ou autoridade estatal obterá recursos da outra parte após a ocorrência de um desastre, em troca de benefícios sociais ou �nanceiros contínuos ou compensatórios fornecidos a essa outra parte. Por exemplo, o seguro. Preparação: o conhecimento e as capacidades dos governos, organizações pro�ssionais de resposta e recuperação, comunidades e indivíduos para efetivamente antecipar, responder e se recuperar dos impactos de eventos ou condições de perigo prováveis, iminentes ou atuais. Por exemplo, instalar sistemas de alerta precoce, identi�car rotas de evacuação e preparar suprimentos de emergência (LOPES, 2017). Dentro do gerenciamento de riscos, existem dois conceitos muito importantes e que precisam ser compreendidos, são eles: risco e perigo. O perigo diz respeito à fonte com potencial de causar algum dano ao colaborador. Já o risco refere-se à probabilidade de exposições ocupacionais perigosas ocorrerem e à gravidade dos danos que podem ser causados. Então, o primeiro passo consiste justamente em identi�car os perigos e riscos em um ambiente de trabalho (SEITO et al., 2008). Classi�cações dos riscos ambientais Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Podemos considerar como riscos ambientais os agentes físicos, químicos, biológicos, mecânicos e ergonômicos que podem existir nos ambientes de trabalho e que são capazes de prejudicar o bem-estar de um colaborador de acordo com a sua natureza, concentração ou intensidade e tempo de exposição. Para elaborarmos e implementarmos programas, como o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), é necessário que sejam discutidos quais são os agentes de risco ou riscos ambientais e de qual forma é possível antecipar, reconhecer, avaliar e, assim, controlar as possibilidades de haver riscos ambientais existentes ou que venham a existir, sejam os agentes físicos, químicos e biológicos (BRASIL, 1995). Os agentes de risco são classi�cados em cinco tipos, conforme podemos veri�car no Quadro 1 a seguir: Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Quadro 1 | Tipos de riscos, suas características e consequências - Fonte: elaborada pela autora. Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Aplicação do gerenciamento de riscos e desastres A análise de risco ambiental é fundamental para as organizações de qualquer porte ou setor. Em primeiro lugar, ela ajuda na proteção à saúde humana, já que evita ao máximo a incidência de acidentes ambientais. Além disso, permite que a empresa possua um excelente gerenciamento ambiental integrado aos seus processos internos. Em resumo, podemos dizer que o serviço é de suma importância para todos aqueles que desejam contribuir com o meio ambiente e ter uma imagem ambiental sólida no mercado. A implementação dessas atividades e medidas raramente é feita de forma isolada e inclui uma série de atividades associadas, incluindo: Identi�cação e medição do risco de desastres. Educação e desenvolvimento do conhecimento. Informar as pessoas sobre seu risco (conscientização). Incorporando o DRM (gerenciamento de risco de desastres) no planejamento e investimento nacional. Fortalecimento dos arranjos institucionais e legislativos. Fornecer proteção �nanceira para pessoas e empresas em risco (planejamento �nanceiro e de contingência). Integração de RRD (redução do risco de desastres) em vários setores, incluindo saúde, meio ambiente etc. Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações As atividades para reduzir o risco podem ser descritas como estruturais, como o planejamento do uso do solo e implementação de códigos de construção, e não estruturais, por exemplo, conscientização, formulação de políticas e legislação. A forma como os governos, a sociedade civil e outros atores organizam o DRM, por exemplo, por meio de arranjos institucionais, legislação e descentralização, e mecanismos de participação e prestação de contas, é denominado governança de risco. Há evidências claras que sugerem que países de baixa renda com governança fraca são mais vulneráveis e menos resilientes ao risco de desastres. Todos os anos ocorrem queimas em várias centenas de milhões de hectares de �orestas e outros tipos de vegetação (bosques, matagais, pastagens, savanas, estepes) em todo o mundo. Essas ocorrências são comumente designados como incêndios �orestais. As suas causas podem ser por motivos descontrolados ou por causa do uso do fogo como ferramenta de manejo na agricultura, pastorícia e silvicultura (incêndios de uso da terra, queimadas prescritas), que dependem das condições ambientais locais (clima, tipo de vegetação) e da cultura com suas características especí�cas, condições sociais e econômicas. Os incêndios na vegetação produzem emissões de gases e partículas que têm impactos na composição e no funcionamento da atmosfera global. Essas emissões interagem com as da combustão de combustíveis fósseis e outras fontes tecnológicas, que são a principal causa das alterações climáticas, aceleradas pela ação humana. Episódios prolongados de incêndio e fumaça demonstram que as emissões de fumaça de incêndios na vegetação também afetam a saúde e levam à perda de vidas humanas. Cenários de mudanças climáticas indicam que a mudança dos regimes de fogo (aumento da pressão do fogo) e outros distúrbios causados pelo homem levarão a um maior empobrecimento da biodiversidade e da capacidade de suporte dos sistemas de vegetação devido ao fogo. A degradação e savanização de �orestas tropicais, a perda de ecossistemas de turfeiras e certas �orestas dependentes do permafrost são os exemplos mais proeminentes. Assim, ao contrário da maioria dos perigos geológicos e hidrometeorológicos, os incêndios na vegetação representam um perigo que pode ser previsto, controlado e, em muitos casos, prevenido (DISASTER..., 2022). Videoaula: Gestão de riscos, prevenção de incêndios e desastres Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar osvídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Os custos sociais e econômicos gerados por desastres são exorbitantes, fato que deveria impulsionar o planejamento de longo prazo a se tornar princípio orientador para a sustentabilidade. No vídeo sobre o conteúdo estudado, entenderemos o que é uma Gestão de Risco de Desastre (GRD), quais os principais fatores desencadeadores e quais as vulnerabilidades que ela acentua. Além disso, discutiremos como podemos elaborar uma GRD, quais componentes ela deve ter para ser colocada em prática e seus processos, que buscam evitar e/ou mitigar riscos e desastres ambientais. Saiba mais No livro Gestão Ambiental, escrito por Isabella Alice Gotti e Ana Cláudia Oliveira de Souza, você conseguirá aprofundar mais os seus estudos sobre os temas abordados na aula. Para isso, faça uma leitura das páginas 173 a 185. Esse livro está na Biblioteca Virtual. Referências https://biblioteca-virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/999-gestao-ambiental-kls.pdf https://biblioteca-virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/999-gestao-ambiental-kls.pdf Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações BARSANO, P. R. Controle de riscos: prevenção de acidentes no ambiente ocupacional. São Paulo, SP: Érica, 2014. BRASIL. NR-9. Riscos Ambientais. In: BRASIL. Segurança e Medicina do Trabalho. 29. ed. São Paulo, SP: Atlas, 1995. DISASTER risk reduction & disaster risk management. PreventionWeb, 2022. Disponível em: https://www.preventionweb.net/understanding-disaster-risk/key-concepts/disaster-risk- reduction-disaster-risk-management. Acesso em: 2 set. 2022. GOTTI, I. A.; SOUZA, A. C. O. de. Gestão ambiental. Londrina, PR: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2017. LOPES, I. T. de P. Gestão de Risco de Desastres: integrando os riscos de acidentes industriais à gestão territorial. 2017. Dissertação (Mestrado em Planejamento Energético) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2017. SEITO, A. I. et al. (Coord.). A segurança contra incêndio no Brasil. São Paulo, SP: Projeto, 2008. Aula 3 Auditorias ambientais Introdução da aula https://www.preventionweb.net/understanding-disaster-risk/key-concepts/disaster-risk-reduction-disaster-risk-management https://www.preventionweb.net/understanding-disaster-risk/key-concepts/disaster-risk-reduction-disaster-risk-management Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Uma auditoria ambiental é um exame sistemático para avaliar a responsabilidade ambiental de uma empresa. Tem como objetivo identi�car a conformidade ambiental e veri�car as lacunas na implementação da responsabilidade ambiental e se atende aos objetivos declarados, junto às ações corretivas relacionadas. A auditoria examina os perigos ou riscos potenciais apresentados pela empresa. As áreas examinadas podem incluir políticas e procedimentos ambientais da empresa, práticas de uso de energia, reciclagem, resíduos, conservação e poluição. Em seguida, a empresa pode usar os resultados para determinar quais mudanças precisam ser feitas para conformidade. Em sentido amplo, a auditoria ambiental visa ajudar a proteger o meio ambiente e minimizar os riscos das atividades empresariais ao meio ambiente e à segurança e saúde humana. Conceitos importantes sobre auditoria ambiental Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Uma auditoria ambiental fornece uma avaliação do desempenho ambiental de uma empresa ou organização. Ela revela detalhes sobre as atividades do local e sua conformidade com os regulamentos ambientais. As informações de auditoria são apresentadas à equipe de gestão e aos funcionários. Esse processo avalia e quanti�ca o desempenho ambiental e é possível identi�car problemas de conformidade ou de implementação do sistema de gerenciamento. Na perspectiva da empresa, visa veri�car se ela cumpriu os regulamentos e requisitos ambientais e atingiu as metas ambientais previamente estabelecidas (ABNT, 2015). Normalmente, a auditoria ambiental é composta por três elementos: métricas acordadas (o que deve ser medido e como), desempenho medido em relação a essas métricas e relatórios sobre os níveis de conformidade ou variação. O problema, no entanto, e o assunto da maior parte do debate, é o que e como medir. Como a auditoria ambiental não é obrigatória, não há padrões de auditoria e nenhuma atividade auditável que seja mandatória. Assim, uma organização pode se envolver com uma auditoria social e ambiental em qualquer nível que escolher (exceto aqueles setores regulamentados, para os quais é obrigatório). Estruturas existem, como as ferramentas de coleta de dados para a Global Reporting Initiative (GRI), AA1000 e a coleção de padrões ISO 14000, mas não há nenhuma obrigação a elas. Existem três tipos principais de auditorias ambientais: auditorias de conformidade ambiental, auditorias de gestão ambiental e auditorias ambientais funcionais (ERBE, 2012). Auditoria de conformidade ambiental analisa o status de conformidade legal da empresa ou do local. Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Auditoria de gestão ambiental ajuda a organização ou a empresa a entender como está se saindo em seus próprios padrões de desempenho ambiental. Auditoria ambiental funcional mede os efeitos de uma questão ou atividade especí�ca. Ele investiga áreas especí�cas de preocupação, como monitoramento da qualidade do ar, gerenciamento de materiais ou gerenciamento de águas residuais. A auditoria ambiental funcional é menos comum e pode ser incluída em uma auditoria de conformidade ambiental ou em uma auditoria de gestão ambiental. A condução da auditoria se dá através dos auditores, os quais têm como principal atribuição coletar informações, que podem ser levantadas através de entrevistas, exame de documentos e observações, e comparar com os critérios da auditoria e relatar o resultado ao cliente. Os auditores ambientais avaliam as operações e os procedimentos ambientais para empresas, governos ou empresas de serviços públicos (LA ROVERE, 2000). Eles são responsáveis por garantir que os padrões ambientais estejam sendo atendidos pelo negócio e detectar problemas de conformidade existentes ou de�ciências de gestão ambiental. Uma vez que os problemas são detectados, eles fazem recomendações para correções. É recomendável que a auditoria seja conduzida por pelo menos dois auditores. Os auditores podem ser internos, externos ou corporativos, e eles podem realizar dois tipos diferentes de auditorias: auditorias de conformidade ambiental e auditorias de desempenho da gestão. A equipe auditora deve ser formada por um auditor líder e por tantos quantos auditores forem necessários, podendo incluir especialistas técnicos e observadores. A equipe auditora deve ser imparcial, isto é, não ter prestado serviços de consultoria ou trabalhado na organização, para que se caracterize total independência no processo. Contabilidade e auditoria ambiental Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações O “movimento” da contabilidade social e ambiental começou em meados da década de 1980, quando pela primeira vez foi coerentemente fundamentado que havia um argumento moral para as empresas, além de relatarem o uso de recursos dos acionistas, prestarem contas de seu impacto nos ambientes naturais. Embora já existissem instrumentos contábeis para reportar o desempenho �nanceiro, não havia nenhum para contabilizar os impactos não custeáveis, e foi isso que deu origem à moderna contabilidade social e ambiental. Se, por exemplo, um processador de carne compra carne bovina e a processa para venda posterior (por exemplo, como hambúrgueres), o custo da carne bovinainclui todos os custos identi�cáveis incorridos pela cadeia de suprimentos até aquele ponto (mais margens de lucro, de curso). Assim, para a carne bovina, esses custos incluirão elementos de agricultura, custos da terra, custos logísticos, custos do abatedouro, e assim por diante. No entanto, o agricultor que produziu a carne bovina pode ter criado o gado em terras compradas em decorrência do desmatamento. Ele pode ter pagado um preço de mercado pela terra para pastar seu gado, mas o desmatamento inicial tem implicações que não poderiam ter sido contabilizadas no preço que ele pagou pela terra. Por exemplo, você poderia atribuir um custo à perda do habitat das espécies ou à perda da capacidade de processamento de gases de efeito estufa? É por causa das di�culdades em alocar os custos dessas externalidades que, dizem os ambientalistas, o preço dessa carne não re�ete o custo real – ou total –, que deveria incluir o custo para o meio ambiente. Isso igualmente se aplica a quase qualquer produto, é claro, não apenas à carne bovina. No caso de petróleo e gás, por exemplo, a pegada ambiental inclui a extração de uma fonte de energia não renovável e a liberação de gases de efeito estufa (gases à base de carbono e enxofre) no meio ambiente. Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações O que tudo isso tem a ver com auditoria? É importante porque, cada vez mais, muitos investidores e outras partes interessadas querem saber sobre a pegada ambiental de uma organização, além de seu desempenho econômico. Normalmente, existem três fontes de pressão para isso (ACCA GLOBAL, 2022): Há uma crença crescente de que as questões ambientais representam uma fonte de risco em termos de responsabilidades imprevistas (ou previstas), danos à reputação ou similares. O desempenho ético de uma empresa, como seu comportamento social e ambiental, é um fator na decisão de algumas pessoas de se envolver com a empresa em seus mercados de recursos e produtos. Isso signi�ca, por exemplo, que alguns consumidores não comprarão de empresas com reputação ética desfavorável (ou seja, em mercados de produtos). Em mercados de recursos, funcionários em potencial podem usar o desempenho ético como critério na escolha do empregador em potencial. Um número crescente de investidores está usando o desempenho social e ambiental como um critério-chave para suas decisões de investimento. Embora isso tenha sido um fator nos fundos éticos desde que surgiram no início da década de 1980, a preocupação ética tornou-se mais mainstream, ou seja, convencional, nos últimos anos. Condução de uma auditoria ambiental Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Existem três estágios ou fases principais, que serão discutidos a seguir, que compõem a auditoria ambiental: pré-audição, auditoria e pós-auditoria. Fase 1: pré-auditoria Nessa etapa, é criada a equipe de auditoria, incluindo uma mistura de habilidades, talentos e perspectivas. Além disso, é necessário criar um plano de auditoria, o qual terá todos os procedimentos que serão aplicados e os documentos que terão necessidade de ser analisados. Nesse momento, é possível solicitar e revisar documentos, incluindo licenças ou pedidos de licença, registros de produção e relatórios. Auditorias anteriores, incluindo ações corretivas e status de itens de auditoria anteriores, devem ser levadas em consideração nessa etapa para servirem como base. Ainda nessa etapa, é recomendável que os auditores preparem uma lista de perguntas que os reguladores fariam, perguntas de acompanhamento em auditorias anteriores e solicitações de materiais adicionais necessários. Os auditores devem preencher a Tabela de Divulgação de Violação à medida que os problemas são identi�cados. Fase 2: auditoria O primeiro passo na fase de auditoria é de�nir as regras básicas; após isso, determinar o que acontece e quais problemas são identi�cados. É importante que sejam conduzidas reuniões diárias, para manter todos informados. Também, deve ser feita uma revisão dos documentos: políticas; compliance; treinamento; controles, monitoramento e registros de ar/água/resíduos/ruído; procedimentos de resposta a emergências; resposta a reclamações. O auditor deve veri�car se os documentos correspondem quanto à integridade, à consistência e à conformidade legal e se estão atualizados, além de realizar uma inspeção do local e avaliar as operações para conformidade. Caso seja necessário, ele deve pegar amostras para comprovações e testes. Entrevistar o pessoal de EHS (segurança do trabalho), operações, gerenciamento e manutenção é fundamental para ver se as políticas são compreendidas e tratadas de forma consistente. Por �m, deve ser realizada uma reunião de encerramento, listando e discutindo todos os problemas e desenvolvendo ações corretivas para cada problema. Fase 3: pós-auditoria Elaboração do Relatório de Auditoria Ambiental e Formulário de Divulgação de Infrações. Listar problemas con�rmados e áreas de preocupação. Listar itens de ação e acompanhamento necessário. Uma auditoria pode ser uma ferramenta valiosa para determinar a conformidade das instalações com os regulamentos ambientais atuais e registrar o progresso que está sendo feito. Ela oferece benefícios adicionais para o negócio, por exemplo, uma auditoria ambiental pode ajudar empresas a evitar multas por agências reguladoras, identi�cando problemas de não conformidade e dando tempo para ações corretivas antes de uma inspeção. Além disso, as auditorias aumentam a conscientização sobre os padrões ambientais e as responsabilidades dos funcionários. O aumento da conformidade leva a menos ações de Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações �scalização e penalidades. Auditorias ambientais regulares identi�cam e informam a administração sobre as mais recentes regulamentações que se aplicam ao negócio. Elas são capazes de melhorar as relações com os funcionários e a imagem da empresa na comunidade. Empresas com programas de gestão ambiental são desejáveis para investidores e funcionários. As auditorias ambientais reduzem os custos operacionais, identi�cando os problemas mais cedo, minimizando o desperdício e permitindo que a empresa planeje ações corretivas. Videoaula: Auditorias ambientais Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. As auditorias ambientais e seus resultados apresentam informações úteis sobre a gestão e o desempenho do ambiente da empresa, para fornecer à administração como subsídio para a tomada de decisões; identi�cam riscos relacionados à responsabilidade ambiental e tomam medidas para implementá-los; garantem que as operações da empresa estejam em conformidade com as leis e os requisitos ambientais e, se não, tomam as ações corretivas necessárias. No vídeo sobre o conteúdo dessa aula, discutiremos os processos e as características da auditoria ambiental. Saiba mais Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Na dissertação de mestrado Auditoria ambiental: instrumento do princípio da prevenção no sistema de gestão e direito ambiental, escrito por Alencar João Dall’Agnol, você conseguirá aprofundar mais os seus estudos sobre os temas abordados na aula. Para isso, faça uma leitura das páginas 70 a 101. Referências https://www.livrosgratis.com.br/ler-livro-online-11235/auditoria-ambiental--instrumento-do-principio-da-prevencao-no-sistema-de-gestao-e-direito-ambiental https://www.livrosgratis.com.br/ler-livro-online-11235/auditoria-ambiental--instrumento-do-principio-da-prevencao-no-sistema-de-gestao-e-direito-ambiental Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações ACCA GLOBAL. Environmental auditing. 2022. Disponívelem: https://www.accaglobal.com/gb/en/student/exam-support-resources/professional-exams-study- resources/strategic-business-leader/technical-articles/rea.html. Acesso em: 9 set. 2022. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 14001. Sistemas de gestão ambiental – especi�cação e diretrizes para uso. Rio de Janeiro, RJ: ABNT, 2015. ERBE, M. C. L. Sistemas de Gestão Ambiental. Curitiba, PR: Instituto Federal do Paraná, 2012. LA ROVERE, E. L. Manual de Auditoria Ambiental. Rio de Janeiro, RJ: Qualitymark, 2000. Aula 4 Certi�cações ambientais Introdução da aula https://www.accaglobal.com/gb/en/student/exam-support-resources/professional-exams-study-resources/strategic-business-leader/technical-articles/rea.html.%20Acesso%20em:%209%20set.%202022 https://www.accaglobal.com/gb/en/student/exam-support-resources/professional-exams-study-resources/strategic-business-leader/technical-articles/rea.html.%20Acesso%20em:%209%20set.%202022 Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações A sustentabilidade é, atualmente, uma tendência signi�cativa no desenvolvimento de negócios. Como resultado, mais empresas estão se tornando mais conscientes de como suas atividades comerciais afetam o meio ambiente. Por esse motivo, elas procuram tomar decisões informadas sobre a redução de suas pegadas de carbono. O movimento em direção à sustentabilidade nas operações de negócios traz muitos benefícios. Por exemplo, clientes e consumidores estão se tornando mais informados sobre questões ambientais. Como resultado, eles tendem a interagir com empresas que compartilham suas preocupações. Além disso, tornar-se mais ecologicamente correto também aumenta o interesse de clientes, a �delidade à marca e até mesmo o recrutamento dos melhores talentos. Assim, a certi�cação ambiental está se tornando cada vez mais importante. Conceitos importantes sobre certi�cação ambiental Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações A agenda ambiental, social e de governança (ESG) está mudando a forma como as organizações pensam sobre seu desempenho. Os consumidores estão exigindo produtos e serviços que sejam ambiental e eticamente corretos. Os investidores estão olhando além da linha de fundo para práticas responsáveis, e as pessoas estão procurando locais de trabalho mais solidários e inclusivos. Neste mundo em rápida mudança, as demandas sobre os negócios são muitas e variadas, mas uma coisa é constante: a necessidade de demonstrar transparência, ação e progresso. Essa necessidade pode ser sanada caso a empresa apresente uma certi�cação e/ou um selo ambiental que comprove suas boas práticas ambientais. Um esquema de certi�cação ambiental é quando um terceiro avalia suas operações e seus processos de negócios. A certi�cação ambiental é para empresas de qualquer porte que desejam garantir que suas práticas e operações sejam amigáveis ao meio ambiente. Ela pode ser obtida por empresas que buscam garantir a seriedade da implementação de suas políticas ambientais, demonstrando o seu comprometimento com práticas sustentáveis e estabelecimento de um sistema de gestão ambiental (GUÉRON, 2003). Além de implementar práticas sustentáveis nos processos da empresa, para se obter uma certi�cação ambiental, é necessário estar atento e cumprir com todas as leis ambientais e normas vigentes. Assim, será possível atestar que os produtos e serviços de uma determinada empresa possuem um diferencial em relação à qualidade ambiental, ou seja, garante que um certo produto e/ou serviço foi gerado de maneira sustentável e de acordo com o meio ambiente. A certi�cação também é útil para empresas que desejam atrair parceiros estratégicos e escalar dentro de um setor. Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Entre os selos ambientais e as certi�cações, podemos dizer que há algumas diferenças. As certi�cações possuem um reconhecimento a nível nacional ou internacional e, necessariamente, precisam passar por um processo de auditoria realizado por uma empresa certi�cadora. Os selos ambientais são, geralmente, emitidos por organizações de terceiro setor, que conferem um caráter nacional ou regional à validação do selo (AGUIAR; TRENTINI, 2014). Os selos são ferramentas utilizadas através de in�uências em padrões de consumos, para alcançar objetivos, como proteção do meio ambiente, estímulo à inovação ambientalmente saudável na indústria e desenvolvimento da consciência ambiental dos consumidores (GUÉRON, 2003). No Brasil, em 1992, instituído pelo CONMETRO, foi criado o Sistema Brasileiro de Certi�cação (SBC), órgão que possui como objetivo disciplinar e estruturar as questões de certi�cação no país, bem como levantar características e normas de conformidade adequadas às nossas necessidades (INMETRO, 2022). A certi�cação de produtos no Brasil pode ser compulsória (obrigatória) ou voluntária. No entanto, em razão da constante evolução da conscientização do consumidor, é possível notar que ela vem se tornado, de maneira gradativa, compulsória. Podemos observar isso no comércio, no qual há a preferência, senão exigência, por produtos que sejam fabricados de acordo com normas de segurança e de saúde, considerando, ainda, os aspectos ambientais envolvidos nos processos de produção. Benefícios da certi�cação ambiental Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Obter uma certi�cação pode trazer diversos benefícios. Dentre eles, podemos citar os seguintes: Os clientes procuram cada vez mais mitigar o impacto de seus projetos no meio ambiente e reforçar a estratégia de responsabilidade social corporativa de seus negócios. Além de atender às demandas de suas iniciativas ambientais, as empresas estão sob crescente pressão para gerenciar o cumprimento da legislação ambiental, melhorar suas credenciais ecológicas e atender às expectativas dos consumidores. Isso pode ser na forma de cumprir certas metas regulatórias, reduzir resíduos e emissões de carbono ou apoiar projetos locais sustentáveis, por exemplo. Assim, ao ser certi�cada ambientalmente, sua empresa tem mais chances de vencer licitações. A necessidade de cumprir certos padrões ambientais para se pré-quali�car para um pedido de licitação pode custar recursos �nanceiros e tempo. Mas, se você puder demonstrar que já atendeu aos critérios exigidos por meio de sua certi�cação ambiental, economizará esses recursos cruciais para sua empresa e se colocará à frente de outros licitantes. Ao passar pelo processo de certi�cação, você colocará suas práticas e políticas ambientais sob os holofotes. Ao fazer isso, melhorará sua compreensão do que sua empresa está fazendo certo e onde você pode melhorar. Ser certi�cado ambientalmente exige que você envolva sua equipe em toda a organização e faça melhorias contínuas. Incentivar a participação e o feedback da equipe e das partes interessadas, geralmente, traz benefícios comerciais inesperados. Mas, como é o processo de obtenção de um certi�cado ou selo ambiental? Primeiramente, é importante entender o signi�cado, para uma empresa ou um projeto, da obtenção de um certi�cado de ambiental. Em geral, isso con�rma que a presença de características sustentáveis foi comprovada por órgãos especí�cos. A seguir, foram levantados alguns passos (Figura 1) que podem ser seguidos e que podem ajudar empresas nessa jornada de certi�cação. Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Figura 1 | Passos para obtenção de certi�cação - Fonte: elaborada pela autora Identi�que em qual nicho seu negócio se encaixa A primeira coisa é o ramo da sua empresa. Isso é importante ser de�nido, já que determinadas certi�cações podem ter padrões distintos, a depender das atividades exercidas nos negócios, a�nal, cada ramo causa impactos diferentes sobre o ambiente. Entenda as regras e os procedimentos necessários Apósdeterminar o certi�cado ou selo desejado, é necessário conhecer suas regras e critérios. Nessa etapa, é preciso ter uma atenção especial, principalmente, nas normas vigentes, já que isso impacta na construção de um planejamento estratégico adequado. Faça uma pré-auditoria Antes de solicitar a auditoria pelo órgão responsável, é interessante que se realize uma por conta própria, analisando criteriosamente os processos internos. Com essa é veri�cação inicial, é possível entender se a empresa está preparada para passar por todo o processo de auditoria, além de antecipar melhorias e fornecer insights. Auditoria de certi�cação Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Após o primeiro contato com a empresa certi�cadora, haverá um prazo para que se possa cumprir todas as condições necessárias para receber o certi�cado/selo desejado. Com todos os procedimentos cumpridos, uma auditoria mais profunda e detalhada será feita e, assim, será elaborado o relatório de análise, que pode resultar ou não na certi�cação. Principais selos e certi�cações ambientais Existem diversas certi�cações de sustentabilidade disponíveis no mercado. Cada um tem �nalidades e requisitos especí�cos, para poder atender melhor à necessidade e ao objetivo particular de cada empresa. No Quadro 1, a seguir, destacaremos algumas dessas certi�cações e selos que possuem grande destaque nacional e internacional. Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Quadro 1 | Certi�cações e selos ambientais - Fonte: elaborado pela autora. Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Videoaula: Certi�cações ambientais Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. A certi�cação ambiental é concedida a empresas que, nos processos de geração de seus produtos, respeitam os dispositivos legais referentes às questões ambientais e apresentam determinados procedimentos exigidos pelo órgão certi�cador. No vídeo sobre o conteúdo dessa aula, iremos nos aprofundar na importância da certi�cação ambiental, como e por quem ela pode ser realizada e seus benefícios. Saiba mais Na dissertação de mestrado Auditoria ambiental: instrumento do princípio da prevenção no sistema de gestão e direito ambiental, escrita por Alencar João Dall’Agnol, você conseguirá https://www.livrosgratis.com.br/ler-livro-online-11235/auditoria-ambiental--instrumento-do-principio-da-prevencao-no-sistema-de-gestao-e-direito-ambiental https://www.livrosgratis.com.br/ler-livro-online-11235/auditoria-ambiental--instrumento-do-principio-da-prevencao-no-sistema-de-gestao-e-direito-ambiental Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações aprofundar mais os seus estudos sobre os temas abordados na aula. Para isso, faça uma leitura das páginas 70 a 101. Referências AGUIAR, C. C.; TRENTINI, F. O papel da certi�cação na proteção ambiental realizada pela atividade agrária. Rev. Fac. Dir. UFG, v. 38, n. 2, p. 57-79, 2014. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 14001. Sistemas de gestão ambiental – especi�cação e diretrizes para uso. Rio de Janeiro, RJ: ABNT, 2015. GUÉRON, A. L. Rotulagem e certi�cação ambiental: uma base para subsidiar a análise da certi�cação �orestal no Brasil. 2003. Dissertação (Mestrado em Planejamento Energético) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2003. INSTITUTO NACIONAL DE METROLOGIA, QUALIDADE E TECNOLOGIA. SBC. 2022. Disponível em: http://www.inmetro.gov.br/qualidade/comites/sbc.asp. Acesso em: 15 set. 2022. Aula 5 Resumo da unidade http://www.inmetro.gov.br/qualidade/comites/sbc.asp Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações O processo de gestão ambiental e sustentabilidade Olá, estudante! Chegamos ao �m de mais uma unidade. Nela, vimos tópicos importantes sobre sustentabilidade, como alcançá-los e como demonstrar essa conquista aos nossos clientes, fornecedores e demais partes interessadas. O primeiro passo para alcançar essa sustentabilidade dentro das empresas é por meio do Sistema de Gestão Ambienta (SGA), o qual é um conjunto de processos e práticas que permitem que uma organização reduza seus impactos ambientais e aumente sua e�ciência operacional, concentrando recursos no cumprimento dos compromissos identi�cados na política da organização, que podem incluir a redução ou a eliminação dos impactos ambientais negativos de seus produtos, serviços e atividades e/ou aumentar seus efeitos positivos. O SGA pode ser desenvolvido em conformidade com o padrão ISO 14001, a principal certi�cação ambiental, como parte da estratégia de uma organização para implementar sua política ambiental e atender às regulamentações governamentais. Quando nós adotamos e buscamos a certi�cação da ISO 14001, o alcance de outras certi�cações e/ou selos ambientais e a aplicação da Análise de Ciclo de Vida de produtos se tornam mais fáceis. Vamos retomar alguns conceitos? Selos e certi�cações são instrumentos que de�nem determinadas demandas ambientais e demonstram, de maneira clara, ao consumidor que a empresa atende a esses princípios ambientais. Esses princípios podem ser diversos, dentre eles, e�cácia energética, e�cácia no uso da água, construção de imóveis com materiais verdes, desempenho ambiental de produtos e serviços, conservação ambiental, extração de madeira de maneira sustentável, entre outros. Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações A Análise de Ciclo de Vida (ACV) tem como objetivo determinar toda a gama de custos, impactos e externalidades para um determinado projeto, desde a origem da matéria-prima (berço) até o ponto �nal projetado (túmulo). Os quatro principais processos da ACV são de�nir os objetivos e o escopo da ACV; realizar uma análise de inventário; avaliar os impactos; interpretar os resultados ao longo do caminho para poder tomar as medidas necessárias para cortar custos, diminuir riscos e diminuir impactos indesejáveis. Outra questão importante que não gera nenhum tipo de certi�cação, mas que é exigido por empresas, principalmente as de grande porte, é o Plano de Risco Ambiental. Esse plano é um processo de identi�cação sistemática de perigos ambientais, analisando a probabilidade de ocorrência e gravidade das consequências potenciais e gerenciando o nível de risco resultante e como atuar sobre eles, caso ocorram. Depois de rever esses conceitos, podemos chegar à conclusão de que, quando as empresas buscam por certi�cações ambientais e pela elaboração de um plano de riscos, além de atenderem à legislação ambiental e buscarem a aplicação das melhores práticas ambientais, muitos outros benefícios podem ser observados para a organização e para a sociedade. Videoaula: Resumo da unidade Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Chegamos ao �m de mais uma unidade. De maneira resumida, ao longo das aulas, nós focamos no estabelecimento da gestão ambiental através da implantação de medidas de mitigação, monitoramento e eliminação de impactos ambientais e sociais adversos. No vídeo sobre o resumo dessa unidade, retomaremos conceitos importantes que vimos ao longo da unidade, assim como relembraremos a importância de certi�cações, de práticas sustentáveis e como podemos alcançar esse nível de gestão. Estudo de caso Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações A extração de recursos refere-se à retirada de materiais do ambiente para uso humano, incluindo combustíveis fósseis (petróleo,gás e carvão), rochas e minerais, biomassa via desmatamento, pesca e caça e água. Desde os primeiros motores a vapor a carvão dos anos 1700, continuamos a aumentar a taxa de extração e transporte de recursos para uso em todo o mundo. Devido às demandas da crescente população humana global e às expectativas de padrões de vida mais altos, precisamos encontrar processos sustentáveis e renováveis para sustentar a vida moderna. Para contextualizar a aprendizagem ao longo dessa unidade, imagine que você trabalha em uma empresa que produz bebidas e gostaria de passar a produzir produtos com impactos ambientais menores. No caso, você gostaria de começar sua transição sustentável através da embalagem, ou seja, você quer saber qual é o impacto causado para a fabricação de uma garrafa PET contra o impacto causado por uma garrafa de alumínio. O uso de plástico é sempre muito discutido como um grande vilão ambiental, principalmente quando avaliamos a sua produção (que pode ser de substâncias derivadas do petróleo), a sua rápida utilização e descarte e, �nalmente, a sua lenta decomposição quando descartado de maneira incorreta. No entanto, será que esse material não pode ser um bom aliado ambiental? Será que seu impacto ambiental pode ser menor que do alumínio? A�nal, o alumínio possui uma cadeia de extração bastante estressante ambientalmente. É nesse contexto que queremos que você, estudante, analise as possibilidades, de acordo com o levantamento de dados sobre os dois produtos, e faça a melhor escolha para o seu negócio. Vimos, ao longo das aulas, que alguns selos nos ajudam a identi�car de maneira clara e rápida produtos considerados verdes. Mas, antes de conseguirmos algum desses selos para a sua empresa, é preciso realizar um estudo comparativo de materiais e, posteriormente, passar por Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações um processo de auditoria, de terceira parte, que garanta que de fato há uma degradação ambiental menor ao se realizar a comparação entre produtos. Como nós podemos realizar essa análise? Qual ferramenta pode ser útil para solucionar nosso problema? E quais resultados podemos obter? Será possível obter um selo verde que mostre que nosso produto possui preocupação ambiental? _______ Re�ita Caro estudante, você já re�etiu sobre a exploração dos recursos naturais? Além da exacerbada exploração, você já pensou sobre como essa extração é feita e quais impactos ela causa para a natureza e para a sociedade? É importante, também, re�etir como nós extraímos matéria-prima do meio ambiente e descartamos sem nos preocupar com a sua destinação �nal ou decomposição. Após a leitura da situação apresentada anteriormente, você deverá analisar, entre as ferramentas estudadas, qual é a que possibilita realizar uma comparação entre impactos ambientais. Para isso, o primeiro passo que você deve tomar é em relação ao Sistema de Gestão Ambiental. Você deve entender se a sua organização já possui um SGA e, caso positivo, qual o seu nível de maturidade. Lembre-se de que o SGA é baseado na norma ISO 14.000, que também está relacionada com a obtenção desse certi�cado, além de facilitar a aquisição de outras certi�cações. Tendo isso em mente, é possível entender quais são os passos para fazer esse estudo, quais dados devem ser analisados, como podemos relacioná-lo com certi�cações e se é possível obter alguma através dele e quais benefícios eles trarão para a sua empresa. Uma boa forma de fazermos essa análise comparativa entre produtos é através da Análise do Ciclo de Vida. Essa ferramenta, baseada na ISO 14.000, além de nos dar respaldo sobre qual material é menos agressivo ao meio ambiente, nos permite também obter uma Rotulagem Ambiental do tipo 3 – Declaração Ambiental de Produto. Vamos lá? Videoaula: Resolução do estudo de caso Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, você deve se lembrar de que o Sistema de Gestão Ambiental (SGA) é uma estrutura que ajuda uma organização a atingir suas metas ambientais por meio de revisão, avaliação e Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações melhoria consistentes de seu desempenho ambiental. No nosso estudo de caso, devemos começar exatamente com o SGA. É através desse sistema de gestão que conseguiremos alcançar a possibilidade de atender a requisitos regulatórios de maneira sistemática e econômica. Os requisitos para se atender ao SGA estão especi�cados através da ISO 14000. Essa norma ISO permite que a organização desenvolva uma estrutura que facilite a proteção do meio ambiente com rápida resposta às mudanças das condições ambientais. Outro ponto importante é que essa norma possui rami�cações que permitem o atendimento de ferramentas que focam no desenvolvimento sustentável, como a ACV. A Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) é regida pela norma ISO 14040, e seu objetivo é identi�car oportunidades para melhorar os aspectos ambientais dos produtos e a tomada de decisão de acordo com os dados obtidos. Nesse contexto, a ACV é uma ótima ferramenta de análise e comparação entre dois produtos para veri�car qual deles possui menor impacto negativo. No estudo de caso proposto, ao realizarmos a ACV para entender qual tipo de material é menos danoso ao meio ambiente, devemos observar todas as entradas e saídas ambientais associadas através de um Inventário de Ciclo de Vida. Há softwares que já possuem esses inventários prontos, porém também há a possibilidade de se criar um para um produto especí�co. Nesse caso, é preciso entender as emissões de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa em cada etapa do ciclo de vida do produto. Após feito esse inventário, nós temos em mãos a quantidade de CO2 emitida na construção, tanto para a garrafa PET quanto para a garrafa de alumínio e, dessa forma, podemos analisar qual possui menor depreciação ambiental. É relevante destacar que podemos dividir os impactos em diferentes categorias, como ecotoxicidade humana, danos à camada de ozônio, potencial de aquecimento global, depreciação da vida humana, entre outros. Assim, �ca fácil visualizar o impacto dos materiais em cada uma dessas categorias. Após ter sido realizada a ACV e escolhido o produto com menor impacto, é possível solicitar que uma empresa certi�cadora, credenciada pelo INMETRO, realize uma auditoria de terceira parte e possibilite a emissão de um certi�cado. É dessa forma que podemos informar aos nossos consumidores, através de rotulagem ambiental e certi�cação, que eles estão consumindo um produto com baixo impacto ambiental e de uma empresa que se preocupa com suas decisões. Resumo visual Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Figura | Mapa mental do processo de gestão ambiental e certi�cação - Fonte: elaborada pela autora. Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Referências AGUIAR, C. C.; TRENTINI, F. O papel da certi�cação na proteção ambiental realizada pela atividade agrária. Rev. Fac. Dir. UFG, v. 38, n. 2, p. 57-79, 2014. ERBE, M. C. L. Sistemas de Gestão Ambiental. Curitiba, PR: Instituto Federal do Paraná, 2012. FERNANDES, V. (Ed.). Gestão empresarial e sustentabilidade. Barueri, SP: Manole, 2016.do meio ambiente. À medida que a população humana continua a aumentar e o desenvolvimento Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações industrial e o uso de energia continuam a se expandir, e apesar dos avanços no controle da poluição, a produção contínua de poluição permanece inevitável. Avanços contínuos no desenvolvimento, aplicação e automação de dispositivos de monitoramento são necessários para aumentar a precisão e a relação custo-benefício dos programas de monitoramento. Igualmente importante é a necessidade de produzir mais cientistas e engenheiros que tenham o conhecimento e o treinamento necessários para desenvolver e operar com sucesso dispositivos de monitoramento e gerenciar programas de monitoramento. No Brasil, os monitoramentos de qualidade do ar seguem os padrões estabelecidos pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (IBAMA) e aprovados pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA), por meio da Resolução CONAMA nº 03/90 (CONAMA, 1990). Tal padronização classi�ca a qualidade do ar em cinco categorias, como mostra o Quadro 1. Quadro 1 | Padrão de qualidade do ar - Fonte: adaptado de Mendonça et al. (2019). Em relação à poluição dos solos, é fundamental a aplicação do chamado Plano de Reabilitação de Áreas Degradadas (PRAD). Este documento descreve em detalhes todas as atividades de reabilitação planejadas e realizadas em um solo contaminado, as atividades de reabilitação planejadas e outros passivos ambientais, ou seja, compromissos ambientais para evitar, indenizar ou compensar riscos ou impactos adicionais, são apresentados aos órgãos licenciadores; sua não conformidade resulta na retirada da licença de operador (NERI; SÁNCHEZ, 2012). A remediação do solo é o processo usado para remover, degradar contaminantes/poluentes para obter solo para vegetação e um ecossistema saudável. É um processo crucial para entender, Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações com base na natureza do solo, sua matéria orgânica e diversidade biológica. Portanto, a remediação de poluentes do solo usando uma combinação de diferentes tecnologias, como engenharia, química, microbiologia, biologia do solo, geologia e ciências ambientais, é sustentável e e�caz. Existem muitas abordagens, estratégias de remediação de poluentes, dependendo da fonte do poluente e seu tipo, natureza do solo, composição, parâmetro biológico, físico e químico do solo, tipo de contaminante, sua natureza, massa ou nível de contaminação. Por �m, cabe ainda ressaltar a importância de se monitorar a qualidade das águas. O monitoramento fornece informações básicas, como qualidade e quantidade do recurso. Há muitas maneiras de monitorar as condições da água, incluindo coleta de amostras da condição química da água, sedimentos e tecidos de peixes para determinar os níveis dos principais constituintes, como oxigênio dissolvido, nutrientes, metais, óleos e pesticidas. Também é possível monitorar as condições físicas, como temperatura, vazão, sedimentos e o potencial de erosão das margens dos córregos e dos lagos. As medições biológicas da abundância e variedade de plantas aquáticas e vida animal e a capacidade dos organismos de teste para sobreviver na amostra de água também são amplamente utilizadas para monitorar as condições da água. O monitoramento pode ser realizado em estações �xas de forma contínua; em locais selecionados, de acordo com a necessidade, para caracterizar uma bacia hidrográ�ca; de forma temporária ou sazonal (por exemplo, durante o verão nas praias de banho); em locais aleatórios em uma área ou um estado; ou em caráter de emergência (como após um derramamento). Cada vez mais, os esforços de monitoramento visam determinar a condição de bacias hidrográ�cas inteiras – a área drenada por rios, lagos e estuários. Isso ocorre porque há impacto das atividades terrestres nas águas que drenam a terra e a interconexão de todos os tipos de corpos d'água, incluindo os subterrâneos. Videoaula: Introdução aos recursos naturais e às questões ambientais Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Olá, estudante! Certamente, você já ouviu falar sobre poluição, certo? Mas, como podemos conceituá-la? Será que ela se manifesta de formas diferentes no solo, na água ou no ar? Neste vídeo, veremos exemplos de poluição hídrica. Além disso, identi�caremos elementos fundamentais que proporcionam a poluição do solo. E veremos, ainda, sobre a poluição atmosférica e sua interface com as mudanças climáticas e a saúde humana. Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Saiba mais O Índice de Qualidade da Água (IQA) é um meio pelo qual os dados de qualidade da água são resumidos para serem reportados ao público de maneira consistente. É semelhante ao índice UV ou índice de qualidade do ar e nos diz, em termos simples, qual é a qualidade da água potável de um abastecimento de água potável. Essencialmente, o IQA mede o escopo, a frequência e a amplitude das excelências da qualidade da água e, em seguida, combina as três medidas em uma pontuação. Este cálculo produz uma pontuação entre 0 e 100. Quanto maior a pontuação, melhor a qualidade da água. As pontuações são classi�cadas em uma das cinco categorias descritas a seguir: Ótima (valor IQA 91 a 100): a qualidade da água é protegida com virtual ausência de comprometimento; as condições estão muito próximas dos níveis primitivos. Esses valores de índice só podem ser obtidos se todas as medições atenderem às diretrizes recomendadas praticamente o tempo todo. Boa (valor IQA 71 a 90): a qualidade da água é protegida com uma ligeira presença de de�ciência; as condições estão próximas de níveis primitivos. Razoável (valor IQA 37 a 51): a qualidade da água é geralmente protegida, mas ocasionalmente prejudicada; as condições, às vezes, se afastam dos níveis desejáveis. Ruim (valor IAQ 20 a 36): a qualidade da água é frequentemente prejudicada; muitas vezes, afasta-se dos níveis desejáveis. Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Péssima (valor IQA 0-19): a qualidade da água é quase sempre prejudicada; as condições, geralmente, se afastam dos níveis desejáveis. O WQI foi desenvolvido pelo National Sanitation Foundationi, nos Estados Unidos, e desde 1975 é utilizado pela CETESB, em São Paulo, para monitoramento da qualidade hídrica. Atualmente, a Agência Nacional das Águas também utiliza essa metodologia, com a intenção de fornecer uma ferramenta para simpli�car a comunicação de dados de qualidade da água. Saiba mais acessando os Indicadores de qualidade - Índice de qualidade das águas (IQA). Referências BARBOZA, S. G.; SANCHES, W.; BARREIROS, E. Sociedade e meio ambiente. Londrina, PR: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2017. BORTOLOTI, F. da S. et al. Recursos naturais, meio ambiente e desenvolvimento. Londrina, PR: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2015. BRASIL. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus �ns e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, [2022]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6938.htm. Acesso em: 19 set. 2022. BRASIL. Lei nº. 9.433, de 08 de janeiro de 1997. Institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, regulamenta o inciso XIX do http://pnqa.ana.gov.br/indicadores-indice-aguas.aspx http://pnqa.ana.gov.br/indicadores-indice-aguas.aspx Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações art. 21 da Constituição Federal, e altera o art. 1º da Lei nº 8.001, de 13 de março de 1990, que modi�coua Lei nº 7.990, de 28 de dezembro de 1989. Brasília, DF: Presidência da República, [2022]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9433.htm. Acesso em: 19 set. 2022. CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE. Resolução nº 003, de 28 de junho de 1990. Dispõe sobre padrões de qualidade do ar previstos no PRONAR. Brasília, DF: CONAMA, [2022]. Disponível em: https://www.ibram.df.gov.br/images/resol_03.pdf. Acesso em: 15 out. 2022. FENKER, E. A. et al. Gestão ambiental: incentivos, riscos e custos. São Paulo, SP: Atlas, 2015. MENDOÇA, G. L. et al. Poluição atmosférica, problemas respiratórios e cardiovasculares: investigando o setor ferroligas em Pirapora/MG, Brasil. Caminhos de Geogra�a, Uberlândia, v. 20, n. 80, p. 398-417, jun. 2019. NERI, A. C.; SÁNCHEZ, L. E. Guia de boas práticas de recuperação ambiental em pedreiras e minas de calcário. São Paulo, SP: ABGE, 2012. Aula 2 Aspectos gerais da legislação ambiental Introdução da aula http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9433.htm https://www.ibram.df.gov.br/images/resol_03.pdf Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações A legislação ambiental brasileira reconhece que os recursos naturais são escassos e, nesse sentido, pretende gerar diferentes medidas de defesa para controlar atividades que possam ameaçar os recursos naturais. Esta medida tende a referir-se aos diferentes setores da vida e, assim, os diferentes aspectos são regulados por lei de forma divisível. Isso signi�ca que a legislação ambiental toca outros ramos do Direito que também são necessários para incorporar na missão de proteger o meio ambiente. Nesta aula, aprofundaremos nossas discussões em relação às principais legislações ambientais brasileiras pertinentes, enfocando, principalmente, as leis de crimes ambientais. Introdução à legislação ambiental brasileira Durante a década de 1980, acidentes envolvendo poluição ambiental em países estimularam negociações sobre várias convenções ambientais internacionais. Os efeitos do acidente de 1986, na usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia – ainda parte da União Soviética –, foram especialmente signi�cativos (BARBOZA; SANCHES; BARREIROS, 2017). Durante esta década, o Brasil também se viu diante de importantes avanços na esfera de direito ambiental. Considerando a hierarquia legal, e não a ordem de promulgação, a Constituição Federal de 1988 concedeu proteção especial inédita ao meio ambiente, que foi declarada como um direito fundamental (BRASIL, 1988). O art. 225 prevê que “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum e essencial à sadia qualidade de vida, cabendo Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações” (BRASIL, 1988, [s. p.]). Vale ressaltar que, embora a Constituição trate de questões ambientais, principalmente por meio do Título VIII (Ordem Social), Capítulo VI (que inclui o art. 225), há diversos outros artigos em seu texto relacionados ao tema, como o art. 3º (dignidade da pessoa humana); art. 5º (proteção do direito à vida e à saúde), art. 186, inciso II (função ecológica da propriedade); art. 170 (função social da propriedade) e art. 182 (política de desenvolvimento urbano). A caminhada ambiental brasileira no âmbito legal, porém, iniciou antes mesmo da Constituição Federal. Em 1973, o Brasil criou a Secretaria Especial de Meio Ambiente, por meio do Decreto Federal nº 73.030. Em seguida, a Lei nº 6.938 criou a Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA) (BRASIL, 1981), cujo principal objetivo foi estabelecer normas que viabilizem o desenvolvimento sustentável, utilizando mecanismos e instrumentos capazes de garantir maior proteção ao meio ambiente. O PNMA abrange diversas questões ambientais, incluindo de�nição de normas, licenciamento, avaliação de impacto ambiental, áreas especiais de preservação, incentivo à produção mais limpa e zoneamento ambiental (BORTOLOTI et al., 2015). Desde então, as questões ambientais vêm recebendo cada vez mais atenção no Poder Legislativo brasileiro com a promulgação de diversas regulamentações ambientais que obrigam os setores público e privado a considerarem constantemente a agenda ambiental em suas atividades. Dentre as legislações ambientais brasileiras, destacam-se: Lei nº 9.433/1997: Lei da Política Nacional de Recursos Hídricos. Lei nº 9.605/1998: Infrações penais e administrativas ambientais. Decreto nº 6.514/2007. Lei nº 10.650/2003: Acesso à informação ambiental. Lei nº 9.795/1999: Lei da Política Nacional de Educação Ambiental. Lei nº 9.985/2000: Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação. Lei nº 10.650/2003: Acesso à informação ambiental. Lei nº 11.445/2007: Lei da Política Nacional de Saneamento Básico (reformulada pela Lei nº 14.026/2020, que atualiza o marco legal nacional de saneamento básico). Decreto nº 6.040/2007: Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável e Povos e Comunidades Tradicionais. Lei nº 12.187/2009: Lei da Política Nacional de Mudanças Climáticas. Lei nº 12.305/2010: Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Lei Complementar nº 140/2011: Clari�ca e delimita as competências ambientais de cada esfera de governo no Brasil, com o objetivo de evitar con�itos e sobreposições, inclusive no que diz respeito ao licenciamento ambiental. Lei nº 12.587/2012: Lei Nacional de Política Urbana. Lei nº 12.651/2012: Novo Código Florestal. Decreto nº 7.747/2012: Política de Proteção Territorial e Ambiental de Terras Indígenas. Lei nº 13.123/2015: Lei da Política Nacional de Biodiversidade. Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Danos e crimes contra o meio ambiente Atualmente, a economia mundial tem se mostrado cada vez mais ambiciosa, e essa condição se deve à necessidade de atender à demanda social de recursos naturais para serem convertidos em bens materiais. Dessa forma, essa conduta desenfreada praticada por pessoas físicas e jurídicas permite ações que vão além do planejamento e até mesmo da não observância da legislação, a �m de colocar o meio ambiente em risco, ameaçando a qualidade de vida presente e, principalmente, futura. Com base nessa situação, aumenta signi�cativamente a preocupação da sociedade com as agressões cometidas contra o meio ambiente. A necessidade de proteção legal do meio ambiente surgiu a partir do momento em que sua degradação passou a ameaçar não só o bem-estar mas também a qualidade de vida humana e sua própria sobrevivência (MACHADO, 2013). A responsabilidade por danos ambientais também foi prevista no § 3º do art. 225 da Constituição Federal (BRASIL, 1988), que estabelece que condutas e atividades lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores e as pessoas físicas e jurídicas a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar o dano causado, podendo, inclusive, punição, tendo em vista que sanção administrativa ou civil não exclui penal, e vice-versa (BRASIL, 1998). Ou seja, a sanção será aplicada sem prejuízo da reparação do dano que deva ser restituído pelo causador, independentemente de culpa, conforme estabelecido no art. 927 do Código Civil brasileiro (BRASIL, 2002). Assim, diante desse cenário, o ordenamento jurídico brasileiro, principalmente no que diz respeito à questão ambiental, em tempos passados, nunca foi e�caz na aplicação de penas no Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações combate aos crimes cometidos contra o meio ambiente, e isso se deve às diversas leis que tinham funções especí�cas, a �m de enfraquecer as penas para crimes ambientais cometidos, como a própria PNMA, o Código da Caça e o até então Código Florestal vigente (MACHADO, 2013). Nesse contexto, as infrações administrativas só passaram a receber atenção relevante a partir da promulgação da Lei de Crimes Ambientais,instituída pela Lei nº 9.605/98, que dedicou capítulo especí�co a isso, permitindo uma nova fase para o aprimoramento jurídico-ambiental (BRASIL, 1997). O objetivo da Lei de Crimes Ambientais foi, principalmente, a proteção do meio ambiente e a preservação da natureza em todos os elementos essenciais à vida humana e à manutenção do equilíbrio ecológico, buscando proteger a qualidade do meio ambiente no que se refere à vida como forma de proteção do direito fundamental da pessoa humana, a vida como forma de proteção do direito fundamental da pessoa humana (CURI, 2012). A Lei de Crimes Ambientais é considerada a mais signi�cativa em relação ao avanço político e jurídico na defesa dos recursos ambientais brasileiros, somando-se a outras legislações pertinentes sobre responsabilidade ambiental. Apesar do nome, a lei não se restringe ao estabelecimento de sanções contra crimes ambientais; ela também aborda contravenções administrativas contra o meio ambiente. A norma inaugura a punição do sistema com penalidades especí�cas para os infratores e orienta as ações de monitoramento por meio de diferentes categorias de crimes ambientais. Em seu art. 70, a lei de�ne o conceito de infração administrativa do meio ambiente como "qualquer ato ou omissão que viole as regras legais de uso, gozo, promoção, proteção e recuperação do meio ambiente”, sendo este um conceito bastante amplo (BRASIL, 1998, [s. p.]). Somado a isso, a legislação estabelece, em termos gerais, o procedimento administrativo de apuração de infrações e a sanções aplicáveis. Os decretos federais nº 6.514 (BRASIL, 2008a) e nº 6.686 (BRASIL, 2008b) regulamentam os tipos de infrações ambientais e penalidades administrativas aplicáveis a cada caso concreto. Compreendo a aplicação da Lei de Crimes Ambientais Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Encontrar uma de�nição su�ciente, abrangente e geralmente aceita de crime ambiental tem se mostrado difícil. Há uma série de razões para isso. Em primeiro lugar, o estudo do crime ambiental é um campo de investigação relativamente novo (MACHADO, 2013). Em segundo lugar, o dano e a causalidade individualizados podem ser difíceis de identi�car, pois, normalmente, envolvem múltiplos atos, que nem sempre podem produzir consequências imediatas e podem permanecer indetectáveis por anos após o ato (MORAES; PUGLIESI, 2014). O crime ambiental é frequentemente visto como “sem vítimas” (BRICKNELL, 2010). A vitimização é complexa em termos de tempo, espaço, impacto e quem ou o que é vitimizado. No Brasil, o conceito de crime ambiental abrange uma ampla gama de violações que resultam em danos ao meio ambiente e à vida humana, desde erros administrativos ou de manutenção de registros até o real despejo ilegal de poluentes no meio ambiente – todas estas contempladas na Seção V da referida lei (BRASIL, 1981). No Brasil, o art. 29 da Lei nº 9.605 de�ne como crime contra a fauna “matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida” (BRASIL, 1998, [s. p.]). Os artigos 30, 31, 32, 33, 34, 35, 36 e 37 da mesma lei ainda reforçam outras ações relacionadas a crimes ambientais contra a fauna, destacando-se (BRASIL, 1998): Art. 30. Exportar para o exterior peles e couros de anfíbios e répteis em bruto, sem a autorização da autoridade ambiental competente; Art. 31. Introduzir espécime animal no País, sem parecer técnico o�cial favorável e licença expedida por autoridade competente: Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Art. 32. Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos: (...) Art. 35 - Pescar mediante a utilização de: (i) explosivos ou substâncias que, em contato com a água, produzam efeito semelhante; II - substâncias tóxicas, ou outro meio proibido pela autoridade competente. (BRASIL, 1998, [s. p.]) Conforme reportado, con�gura-se como crime contra a fauna, por exemplo, o comércio ilegal de animais, conforme ilustrado na Figura 1. Figura 1 | Comércio ilegal de animais: exemplo de crime contra fauna - Fonte: Wikimedia Commons. Os crimes relacionados com espécies da �ora envolvem o comércio ilícito, bem como a posse de espécies abrangidas pela Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Selvagens e de quaisquer outras espécies protegidas pela legislação nacional. No Brasil, são considerados crimes contra a �ora, dentre outros (BRASIL, 1998): Art. 38. Destruir ou dani�car �oresta considerada de preservação permanente, mesmo que em formação, ou utilizá-la com infringência das normas de proteção; Art. 39. Cortar árvores em �oresta considerada de preservação permanente, sem permissão da autoridade competente; (...) Art. 41. Provocar incêndio em mata ou �oresta: Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações (...) Art. 46. Receber ou adquirir, para �ns comerciais ou industriais, madeira, lenha, carvão e outros produtos de origem vegetal, sem exigir a exibição de licença do vendedor, outorgada pela autoridade competente, e sem munir-se da via que deverá acompanhar o produto até �nal bene�ciamento. (BRASIL, 1998, [s. p.]) Conforme reportado, con�gura-se como crime contra a �ora, por exemplo, o desmatamento, como ilustrado na Figura 2. Figura 2 | Desmatamento de área intocada: exemplo de crime contra �ora - Fonte: Wikimedia Commons. Fato é que as legislações ambientais são fundamentais e necessárias, pois podem prevenir os piores excessos, e a existência de regulamentação e �scalização é, em si, um importante impedimento. As leis ambientais trabalham para proteger a terra, o ar, a água e o solo. A negligência delas resulta em várias punições, como multas, serviço comunitário e, em alguns casos extremos, prisão. Sem essas leis, o governo não seria capaz de punir aqueles que tratam mal o meio ambiente. Videoaula: Aspectos gerais da legislação ambiental Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Olá, estudante! As leis ambientais podem ser a única instituição entre nós e a exaustão planetária. É também uma instituição que precisa ser conciliada com a liberdade humana e as aspirações econômicas. Neste vídeo, faremos considerações importantes sobre a legislação ambiental braseira, fazendo um passeio pelos regimes legais existentes que regem o uso de recursos naturais no Brasil. Saiba mais Embora a Constituição Federal tenha dado proteção constitucional-penal na esfera ambiental (§ 3º do art. 225), e a Lei nº 6.938/81 tenha disciplinado e formatado a Política Nacional do Meio Ambiente Ambiental (PNMA), foi somente com a chegada da Lei nº 9.605/98 que se atendeu à necessidade de legislação infraconstitucional voltada especialmente para a esfera ambiental. Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Saiba mais lendo o artigo Uma breve análise crítica sobre a lei dos crimes ambientais face ao princípio da taxatividade de Eliezer e Reis (2016). Referências BARBOZA, S. G.; SANCHES, W.; BARREIROS, E. Sociedade e meio ambiente. Londrina, PR: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2017. BORTOLOTI, F. da S. et al. Recursos naturais, meio ambiente e desenvolvimento. Londrina, PR: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2015. BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Congresso Nacional, [2022]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 15out. 2022. BRASIL. Decreto nº 6.514, de 22 de julho de 2008. Dispõe sobre as infrações e sanções administrativas ao meio ambiente, estabelece o processo administrativo federal para apuração destas infrações, e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, [2022]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/decreto/d6514.htm. Acesso em: 15 out. 2022. BRASIL. Decreto Federal nº 6.686, de 10 de dezembro de 2008. Altera e acresce dispositivos ao Decreto nº 6.514, de 22 de julho de 2008, que dispõe sobre as infrações e sanções administrativas ao meio ambiente e estabelece o processo administrativo federal para apuração destas infrações. Brasília, DF: Presidência da República, [2022]. Disponível em: https://periodicos.uniformg.edu.br:21011/periodicos/index.php/cursodireitouniformg/article/view/391 https://periodicos.uniformg.edu.br:21011/periodicos/index.php/cursodireitouniformg/article/view/391 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/decreto/d6514.htm Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/decreto/d6686.htm. Acesso em: 15 out. 2022. BRASIL. Lei Complementar nº 140, de 8 de dezembro de 2011. Fixa normas, nos termos dos incisos III, VI e VII do caput e do parágrafo único do art. 23 da Constituição Federal, para a cooperação entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios nas ações administrativas decorrentes do exercício da competência comum relativas à proteção das paisagens naturais notáveis, à proteção do meio ambiente, ao combate à poluição em qualquer de suas formas e à preservação das �orestas, da fauna e da �ora; e altera a Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981. Brasília, DF: Presidência da República, [2022]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp140.htm. Acesso em: 15 out. 2022. BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Brasília, DF: Presidência da República, [2022]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm. Acesso em: 15 out. 2022. BRASIL. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus �ns e mecanismos de formulação, e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, [2022]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6938.htm. Acesso em: 15 out. 2022. BRASIL. Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997. Institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, regulamenta o inciso XIX do art. 21 da Constituição Federal, e altera o art. 1º da Lei nº 8.001, de 13 de março de 1990, que modi�cou a Lei nº 7.990, de 28 de dezembro de 1989. Brasília, DF: Presidência da República, [2022]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9433.htm. Acesso em: 15 out. 2022. BRASIL. Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, [2022]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9605.htm. Acesso em: 15 out. 2022. BRICKNELL, S. Environmental Crime in Australia. Research and Public Policy, Series 109. Canberra: Australian Institute of Criminology, 2010. CURI, D. (Org.). Gestão ambiental. São Paulo, SP: Pearson Education do Brasil, 2012. ELIEZER, C. R.; REIS, M, P. Uma breve análise crítica sobre a lei dos crimes ambientais face ao princípio da taxatividade. R. Curso Dir. UNIFOR, Formiga, v. 7, n. 1, p. 101-129, jan./jun. 2016. Disponível em: https://periodicos.uniformg.edu.br:21011/ojs/index.php/cursodireitouniformg/article/view/391/ 510. Acesso em: 23 ago. 2022. MACHADO, P. A. L. Direito Ambiental Brasileiro. 21. ed. São Paulo, SP: Malheiros, 2013. MORAES, C. S. B.; PUGLIESI, E. (Org.). Auditoria e certi�cação ambiental. Curitiba, PR: Intersaberes, 2014. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/decreto/d6686.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp140.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6938.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9433.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9605.htm https://periodicos.uniformg.edu.br:21011/ojs/index.php/cursodireitouniformg/article/view/391/510 https://periodicos.uniformg.edu.br:21011/ojs/index.php/cursodireitouniformg/article/view/391/510 Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Aula 3 Licenciamento ambiental Introdução da aula Prezado estudante! O licenciamento ambiental é o procedimento por meio do qual o poder público, representado por órgãos ambientais, autoriza e acompanha a implantação e a operação de atividades ou empreendimentos que utilizam recursos naturais ou que sejam efetivas ou potencialmente poluidores. Embora o licenciamento ambiental seja previsto desde a Política Nacional de Meio Ambiente (Lei nº 6.938/1981), a sua aplicação como instrumento de política ambiental foi sendo aprimorada ao longo do tempo, na medida em que foi introduzido na legislação ambiental de estados e municípios. Nesta aula, estudante, abordaremos os conceitos que envolvem impacto ambiental e licenciamento ambiental; de que forma o licenciamento é aplicado; quais os tipos de licença ambiental existentes; ainda, quais estudos ambientais podem ser solicitados ao longo do processo, com foco, principalmente, no Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e no Relatório de Impacto Ambiental (RIMA). Bom estudo! Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Impacto e licenciamento ambiental Regulamentos especí�cos da Avaliação de Impacto Ambiental entraram em vigor no Brasil a partir da década de 1980. Em 1986, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), órgão ambiental recém-criado pela Política Nacional do Meio Ambiente (BRASIL, 1981), aprovou a Resolução nº 1/1986, que estabeleceu os componentes básicos do sistema brasileiro de EIA, após longas negociações entre organizações ambientais e outros setores governamentais (CURI, 2012). O art 1º da Resolução CONAMA nº 01/1986 trouxe a de�nição de impacto ambiental, que se aplica a: Qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam: I - a saúde, a segurança e o bem-estar da população; II - as atividades sociais e econômicas; III - a biota; IV - as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; V - a qualidade dos recursos ambientais. (CONAMA, 1986, p. 636) A Resolução Conama nº 1/1986 sofreu uma mudança signi�cativa em 1997, por meio da Resolução Conama nº 237/1997, revogando o artigo que previa que o estudo de impacto ambiental deveria ser realizado por uma equipe que não dependesse direta ou indiretamente do proponente do projeto (CONAMA, 1997). Tal mudança possibilitou o surgimento de suspeitas Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações sobre a honestidade do processo, levando em consideração o con�ito de interesses que estaria nesse novo formato. Essa resolução estabelece a demanda da avaliação de impacto ambiental para atividades consideradas com impacto signi�cativo para o meio ambiente, apresentando uma lista de atividades sujeitas a um Estudo de Impacto Ambiental (EIA). Com base nessa lista, os órgãos ambientais selecionam os projetos que devem ser submetidos a um rito de licenciamento ambiental. De acordo com a Resolução CONAMA nº 237/1997, considera-se licenciamento ambiental: Procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental competente licencia a localização, instalação, ampliação e a operação de empreendimentose atividades utilizadoras de recursos ambientais, consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou daquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental, considerando as disposições legais e regulamentares e as normas técnicas aplicáveis ao caso. (CONAMA, 1997, [s. p.]) Em outras palavras, a política brasileira estabeleceu o licenciamento ambiental como instrumento administrativo pelo qual o órgão de administração ambiental competente autoriza e estabelece as condições, as restrições e as medidas de controle ambiental que devem ser obedecidas pelo empresário, pessoa física ou jurídica, para localizar, instalar, expandir e operar empreendimento ou atividades que possam causar degradação ambiental. Ou seja, qualquer construção, instalação, ampliação, funcionamento de estabelecimentos e atividades que utilizem recursos ambientais efetivos ou potencialmente poluidores, ou capazes de causar degradação ambiental, deve ter licenciamento prévio pelo órgão público competente. A �nalidade do licenciamento é garantir a preservação, a melhoria e a recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar o desenvolvimento socioeconômico, a segurança nacional e a proteção da dignidade da vida humana (BARBOZA; SANCHES, 2017). Dentro desse contexto, a Resolução também trouxe, em seu Anexo I, a lista de atividades passíveis de licenciamento ambiental no âmbito federal, incluindo: extração e tratamento de minerais; indústria de produtos minerais não metálicos; indústria metalúrgica; indústria de material elétrico, eletrônico e comunicações; indústria de couros e peles; indústria química; indústria de produtos de matéria plástica; indústria têxtil, de vestuário, calçados e artefatos de tecidos; indústria de produtos alimentares e bebidas; obras civis, entre outros (CONAMA, 1997). Fases, tipos aplicação das licenças ambientais Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Antes de nos aprofundarmos num conceito mais técnico do licenciamento ambiental, é válido fazer uma re�exão a partir de uma simples analogia. No caso em tela, a comparação será com algo mais comum e de fácil entendimento a qualquer pessoa: o licenciamento de veículos. Segundo a legislação de trânsito brasileira, os veículos automotores precisam ser licenciados junto aos órgãos de trânsito estaduais para que possam circular. Este é um procedimento administrativo realizado quando da aquisição do veículo e envolve vistorias, emplacamento etc. O simples emplacamento e a obtenção do documento não encerram as obrigações do proprietário, pois ele precisará pagar taxas e impostos, realizar vistorias periódicas, além de manter o veículo em bom estado de conservação. Podemos extrair do exemplo do licenciamento dos veículos pontos de contato com o licenciamento ambiental. Tanto em um como no outro surge a clara noção de controle. Assim, o licenciamento ambiental é o procedimento através do qual o poder público, representado por órgãos ambientais, autoriza e acompanha a implantação e a operação de atividades ou empreendimentos que utilizam recursos naturais ou que sejam efetivas ou potencialmente poluidoras. No Brasil, além das normativas estabelecidas pelo Conama a nível federal, cada estado e município tem autonomia para de�nir quais atividades são passíveis do processo de licenciamento ambiental. Dado esta explicação, torna-se essencial compreender os tipos e as fases do licenciamento. Pode-se assumir duas situações básicas: (1) empresas que licenciam suas atividades antes de iniciar suas operações e (2) empresas que licencia suas atividades depois que já estão instaladas e em operações. Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Na situação 1, em linhas gerais, podemos admitir que, no licenciamento ambiental preventivo, as etapas se sucedem e o empreendedor cumpre as exigências típicas de cada fase: licença prévia, de instalação e de operação. Esta modalidade é a regra no licenciamento ambiental. Dentro deste processo, as licenças serão emitidas em três estágios, sequenciais e dependentes, como mostra o Quadro 1. Quadro 1 | Licenciamento prévio, de instalação e operação - Fonte: adaptado de Conama (1997). O licenciamento ambiental corretivo (situação 2) consiste numa licença que seja capaz de englobar, na medida do possível, os três tipos de licença, ou mesmo na emissão sucessiva destas licenças. Esta modalidade é adotada no caso de regularização de empreendimentos prontos ou atividades em funcionamento. Cada estado e município denomina essas fases/tipos de licenciamento de uma forma. É comum serem chamados de Licenciamento Ambiental Corretivo (LAC); Licenciamento Ambiental Concomitante (LAC); Licenciamento Ambiental Simpli�cado (LAS) etc. Os empreendimentos que serão obrigados a obter licença ambiental serão elencados na legislação ambiental local, seguindo a lista de referência presente no Anexo I da Resolução nº 237/97 do CONAMA, bem como nas legislações estaduais e municipais. Atividades que não façam parte desta listagem não precisam de licença ambiental. Entretanto, muitas vezes, o empreendedor necessita de um documento que ateste que sua atividade é dispensada do licenciamento ambiental, para poder apresentá-lo em processos licitatórios, obtenção de crédito etc. O órgão ambiental poderá, então, emitir uma Declaração de Dispensa de Licenciamento Ambiental (CURI, 2012). Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Entendendo o EIA/RIMA O instrumento previsto no Brasil para licenciamento de empreendimentos que possam ter impacto ambiental, desde 1986, por decisão do Conama, é o Estudo de Impacto Ambiental (EIA), que precede o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA). Tendo como ponto de partida um diagnóstico socioeconômico e ambiental, o EIA/RIMA faz um prognóstico das consequências do trabalho e sugere medidas para minimizar os impactos negativos e maximizar os positivos. O EIA e o RIMA são documentos complementares, razão pela qual são sempre mencionados em conjunto. Enquanto o EIA é um conjunto de laudos técnicos destinados a instruir o processo de licenciamento, o RIMA é o documento que reproduz as conclusões do EIA, porém em linguagem acessível e fácil. O objetivo da RIMA é informar o público comum. No caso especí�co do EIA, de acordo com art. 5º (CONAMA, 1986), deve contemplar no seu escopo: Todas as alternativas tecnológicas e de localização de projeto, considerando, dentro desse item, a possibilidade de não execução do projeto. A identi�cação e a avaliação dos impactos ambientais gerados nas fases de implantação e operação da atividade. Os limites espaciais quanto às áreas direta ou indiretamente afetadas pelos impactos, denominadas áreas de in�uência do projeto. Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Os planos e programas governamentais, propostos e em implantação, na área de in�uência do projeto e sua compatibilidade. A Figura 1 sintetiza o escopo contemplado pelo EIA. Figura 1 | Fluxograma do EIA - Fonte: elaborada pelo autor. EIA e o RIMA são documentos complementares, razão pela qual são sempre mencionados em conjunto. Enquanto o EIA é um conjunto de laudos técnicos destinados a instruir o processo de licenciamento, o RIMA é o documento que reproduz as conclusões do EIA, porém em linguagem acessível e fácil. O objetivo da RIMA é informar o público comum, com um linguajar simples e acessível à sociedade. Nessa perspectiva, o EIA deve ser contemplado considerando uma sequência de etapas lógicas e interconectadas, em que os resultados obtidos em uma fase interferem diretamente na fase subsequente (SÁNCHEZ, 2008). Dentro desse plano de trabalho, propõe-se o desenvolvimento das atividades em uma cadeia ou sequência lógica ou orgânica, considerando as cumulatividades e sinergia existentes entre os processos. A Figura 2 ilustra um roteiro de Plano de Trabalho propostopara elaboração de um EIA. Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Figura 2 | Etapas do EIA/RIMA - Fonte: adaptada de Sanchez (2008). Por se tratar de um documento técnico, a apreciação e a interpretação das informações contidas em um EIA tornam-se de difícil acesso para membros das sociedades civis, sobretudo populações com interesse direto no empreendimento. Considerando esse efeito, a legislação brasileira faz a exigência do RIMA, concomitante ao EIA, com o intuito de reproduzir as informações-base do EIA em um linguajar simples, didático e que possa facilmente ser avalizado pela população geral. Assim, o roteiro para a elaboração do RIMA seguirá os mesmos moldes do EIA, sintetizando as informações técnicas existentes para gerar, no �nal, um documento enxuto, direto e assertivo. Videoaula: Licenciamento ambiental Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Olá, estudante! No processo de licenciamento ambiental, o ideal é que o empreendimento busque adequar-se ao procedimento regular, obtendo as licenças conforme o estágio de sua obra ou atividade. Existem três tipos de licenças ambientais no Brasil, e cada uma corresponde a uma etapa especí�ca do processo para obtenção da licença ambiental completa. Neste vídeo, faremos considerações importantes sobre o licenciamento ambiental no Brasil, discutindo as três principais tipologias de licenças: Licença Prévia, Licença de Instalação e Licença de Operação. Saiba mais A e�cácia da Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) tem sido analisada através da aplicação de critérios de boas práticas, com destaque para a avaliação da qualidade dos estudos nele envolvidos. No entanto, tal abordagem restringe-se a elementos diretamente ligados ao tema dos estudos, deixando de lado aspectos importantes. O objetivo dos autores, neste artigo, foi analisar a efetividade dos sistemas de AIA por meio da aplicação de 20 critérios de efetividade a um conjunto de 37 processos de licenciamento ambiental nos estados de São Paulo (SP) e Minas Gerais (MG). Saiba mais acessando lendo o artigo sugerido a seguir: ALMEIDA, M. R.; MONTAÑO, M. A efetividade de avaliação de impacto ambiental nos estados de São Paulo e Minas Gerais. Ambiente & Sociedade, v. 20, n. 2, p. 77-104, 2017. https://www.scielo.br/j/asoc/a/g3dnKcQqyV3BqnZs9kyVCVh/?lang=en https://www.scielo.br/j/asoc/a/g3dnKcQqyV3BqnZs9kyVCVh/?lang=en Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Referências BARBOZA, S. G.; SANCHES, W.; BARREIROS, E. Sociedade e meio ambiente. Londrina, PR: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2017. BORTOLOTI, F. da S. et al. Recursos naturais, meio ambiente e desenvolvimento. Londrina, PR: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2015. BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Senado Federal, [2022]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 27 out. 2022. BRASIL. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus �ns e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, [2022]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6938.htm. Acesso em: 27 out. 2022. CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE. Resolução nº 01, de 23 de janeiro de 1986. Dispõe sobre critérios básicos e diretrizes gerais para a avaliação de impacto ambiental. Brasília, DF: CONAMA, [2022]. Disponível em: http://www.ima.al.gov.br/wizard/docs/RESOLU%C3%87%C3%83O%20CONAMA%20N%C2%BA00 1.1986.pdf. Acesso em: 27 out. 2022. CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE. Resolução nº 237, de 19 de dezembro de 1997. Dispõe sobre conceitos, sujeição e procedimento para obtenção de Licenciamento Ambiental, e dá outras providências. Brasília, DF: CONAMA, [2022]. Disponível em: https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=95982. Acesso em: 27 out. 2022. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6938.htm http://www.ima.al.gov.br/wizard/docs/RESOLU%C3%87%C3%83O%20CONAMA%20N%C2%BA001.1986.pdf http://www.ima.al.gov.br/wizard/docs/RESOLU%C3%87%C3%83O%20CONAMA%20N%C2%BA001.1986.pdf https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=95982 Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações CURI, D. (org.). Gestão ambiental. São Paulo, SP: Pearson Education do Brasil, 2012. SÁNCHEZ, L. E. Avaliação de impacto ambiental: conceitos e métodos. São Paulo, SP: O�cina de Textos, 2008. Aula 4 Controle ambiental Introdução da aula Prezado estudante! Nos últimos anos, houve um notável crescimento do interesse em questões ambientais e em sustentabilidade, bem como a melhor gestão do desenvolvimento em harmonia com o meio ambiente. Associada a esse crescimento de interesse, há a introdução de nova legislação, emanada de fontes nacionais e internacionais, que buscam in�uenciar a relação entre desenvolvimento e meio ambiente. Nesta aula, abordaremos os conceitos de Avaliação de Impacto Ambiental; discutiremos as principais técnicas e ferramentas utilizadas para quanti�cação de impactos; conheceremos as diferenças entre estudos, planos e programas ambientais, identi�cando quanto e de que forma cada um é requisitado pelo órgão ambiental e aplicado pelo empreendedor. Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Avaliação de Impacto Ambiental O desenvolvimento de atividades e empreendimentos está, inevitavelmente, associado a impactos positivos e negativos nos componentes ambientais. Embora os prováveis impactos negativos não possam ser anulados completamente, as atividades de desenvolvimento tão necessárias não podem ser impedidas (BARBOZA; SANCHES; BARREIROS, 2017). A Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) ajuda a identi�car potenciais impactos ambientais de uma atividade de projeto proposta. A AIA pode ser de�nida como um processo que visa identi�car, prever, avaliar e propor medidas mitigadoras aos efeitos biofísicos, sociais ou qualquer outro tipo relevante originado de propostas de desenvolvimento, antes que os compromissos sejam assumidos (CURI, 2012). Essa é uma ferramenta projetada para identi�car e prever o impacto de um projeto no ambiente biogeofísico e na saúde e bem-estar do homem; interpretar e comunicar informações sobre o impacto; analisar alternativas de local e processo e fornecer soluções para peneirar ou diminuir/mitigar as consequências negativas sobre o homem e o meio ambiente. A Política Nacional de Meio Ambiente (PNMA) – instituída pela Lei nº 6.938/1981 – de�ne meio ambiente como “o conjunto de condições, leis, in�uências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas” (BRASIL, 1981, [s. p.]). Essa de�nição se mostra insu�ciente ao não fazer menção às interações de ordem social, as quais precisam ser levadas em conta na análise ambiental. De acordo com Sánchez (2008), em algumas jurisdições, os estudos de impacto ambiental, na prática, não se limitam às repercussões físicas e ecológicas dos projetos de desenvolvimento. Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Eles também incluem suas consequências nos planos econômico, social e cultural. Esse entendimento faz total sentido quando se pensa que as repercussões de um projeto podem ir além de suas consequências sob o meio ecológico. Segundo Waihern (1988), o impacto ambiental consiste numa associação entre componentes temporais e espaciais, descrito como a mudança em um parâmetro ambiental emresposta a uma atividade especí�ca, analisado em um período determinado e restrito a uma área de�nida, quando comparado sob as mesmas especi�cações ao que acontecerá com o ambiente, caso a atividade não fosse iniciada. A Figura 1 ilustra o que foi exposto anteriormente. Figura 1 | Representação do conceito de impacto ambiental - Fonte: adaptada de Sánchez (2008). De modo geral, um documento que contempla a AIA envolve nove etapas, a saber: (1) Sumário executivo; (2) Descrição do projeto e quadro legal e administrativo; (3) Escopo e triagem; (4) Descrição do ambiente existente; (5) Análise de alternativas e base para a seleção da alternativa proposta; (6) Questões ambientais do projeto; (7) Medidas mitigadoras; (8) Plano de gestão e monitoramento ambiental; (9) Apêndices/anexos (SÁNCHEZ, 2008). Assim, a partir das informações contidas em (7) e (8), são traçadas as estratégias que contemplarão os programas e planos ambientais necessários para mitigação dos impactos ambientais negativos diagnosticados, bem como os procedimentos quanto aos monitoramentos necessários à sua execução. Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Ferramentas de AIA Existem vários métodos disponíveis para orientar os estudos que envolvem a AIA. Os chamados checklists, ou listas de veri�cação, são mais amplamente utilizados nos países em desenvolvimento pelas autoridades, para orientar os autores do EIA em seu pensamento (SÁNCHEZ, 2008). O princípio desse método é fornecer uma estrutura aos autores de AIA para que eles não esqueçam nenhum ponto importante. Checklists são boas ferramentas, mas não podem levar em consideração todos os casos particulares que podem ser atendidos durante um AIA; no entanto, geralmente, são su�cientes para projetos de pequena escala. Este método pode, ainda, ser combinado com o uso de diretrizes ambientais, amplamente propostas por autoridades ou agências doadoras. Embora os métodos do tipo EIA estejam disponíveis para diferentes atividades, são fornecidas listas de veri�cação tanto para vários setores de atividade (indústrias, silvicultura, agricultura) como para os diferentes tipos de áreas afetadas (zonas úmidas, �orestas tropicais, zonas costeiras). O Método Ad Hoc indica amplas áreas de possíveis impactos, listando parâmetros (por exemplo, �ora e fauna) susceptíveis de serem afetados pela atividade proposta ou qualquer desenvolvimento; ele envolve a montagem de uma equipe de especialistas, que identi�ca os impactos na sua área de especialização. Aqui, cada parâmetro é considerado separadamente, e a natureza dos impactos (longo ou curto prazo, reversíveis ou irreversíveis) também é levada em conta. Nesse método, o avaliador conta com uma abordagem intuitiva e faz uma avaliação qualitativa de base ampla, servindo como uma avaliação, e ajuda na identi�cação de áreas importantes, como vida selvagem, espécies Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações ameaçadas, vegetação natural, vegetação exótica, pastoreio, características sociais, drenagem natural, água subterrânea, ruído, qualidade do ar, espaço aberto, recreação, saúde e segurança, valores econômicos e equipamentos públicos. Há também a Matriz de Leopold, um método qualitativo de AIA desenvolvido, em 1971, por Luna Leopold e colaboradores, para a Agência Americana de Geologia (SÁNCHEZ, 2008). É usado para identi�car e atribuir pesos numéricos aos potenciais impactos ambientais dos projetos propostos sobre o meio ambiente. O sistema é uma referência cruzada de matriz bidimensional, contendo as atividades vinculadas ao projeto que devem ter impacto sobre o homem e o meio ambiente versus as condições ambientais e sociais existentes que poderiam ser afetadas pelo projeto. A Matriz Leopold propõe um framework para todos os desenvolvedores. Por um lado, é muito detalhada para projetos de papel e celulose; por outro lado, não é su�cientemente precisa para tais projetos. Geralmente, é mais e�ciente acomodar o projeto conforme necessário e desenvolver uma matriz personalizada para ele. Um exemplo de uma possível Matriz de Leopold é mostrado na Figura 2. Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Figura 2 | Matriz de Leopold adaptada para diagnóstico de Impacto Ambiental no Cemitério Público de Queimadas - PB - Fonte: adaptada de Albuquerque, Cerqueira e Albuquerque (2017). Uma das falhas fundamentais desse método é a falta de critérios ou métodos padronizados para atribuir valores de magnitude e signi�cância que podem levar a julgamentos subjetivos. Na mesma linha, o método também foi identi�cado como sem a capacidade de facilitar qualquer grau de envolvimento público, principalmente em função dos julgamentos de valor subjetivos do usuário. O tamanho da matriz também foi criticado, por ser muito detalhada para alguns projetos e, ao mesmo tempo, muito imprecisa para outros (BARBOZA; SANCHES; BARREIROS, 2017). Diferença entre estudos e planos ambientais Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Estudos, planos e programas ambientais são comumente citados como sendo o mesmo tipo de documento e com a mesma �nalidade. Porém, torna-se fundamental distingui-los quanto ao momento em que podem ser solicitados, bem como a função básica diante da proteção dos recursos naturais. Um estudo ambiental consiste em uma avaliação prévia dos impactos ambientais que poderão ser causados por um determinado empreendimento e/ou atividade (SANCHEZ, 2008. De forma geral, o estudo ambiental é requisitado pelo órgão ambiental como uma etapa necessária à obtenção da licença prévia. Dentro desta categoria, estão: Estudo de Impacto Ambiental (EIA); Relatório de Impacto Ambiental (RIMA); Relatório Ambiental Simpli�cado; Estudo Ambiental Preliminar; Relatório Ambiental Preliminar; etc. Para a elaboração do estudo, é comum que o órgão ambiental emita um Termo de Referência (TR), que servirá como roteiro básico para nortear o trabalho a ser executado (SANCHEZ, 2008). A título de exemplo, a mostra a estrutura inicial de um TR feito pelo Instituto de Meio Ambiente de Alagoas, visando à elaboração do Estudo Ambiental Simpli�cado (EAS). Por outro lado, os programas ou planos ambientais consistem em documentos que trazem um conjunto de medidas, as quais serão adotadas visando à minimização e/ou mitigação dos impactos ambientais relacionados à atividade/empreendimento (SANCHEZ, 2008). A execução do programa é a aplicação prática do que foi planejado previamente. Geralmente, tal execução é realizada de forma concomitante à atividade licenciada, podendo ser posterior, de acordo com a situação. Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Dentro deste contexto, são considerados programas/planos ambientais: Plano de Controle Ambiental (PCA); Plano de Gerenciamento de Resíduos (PGRS); Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD); Programa de Compensação Ambiental; Programa de Educação Ambiental (PEA); Plano Básico Ambiental (PBA); Plano de Monitoramento Ambiental; etc. Em uma licença prévia emitida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), referente ao licenciamento da BR-158 MT – Subtrecho Divisa MT/PA – Entroncamento BR-242 MT. Os tópicos a seguir ilustram um exemplo de licença prévia emitido pelo IBAMA com as exigências de programas ambientais (IBAMA, 2008): 2.5 - Detalhar, no âmbito do Plano Básico Ambiental (PBA), incluindo as observações constantes no Parecer Técnico nº 103/2008 — COTRA/CGTMOIDILIC/IBAMA, os seguintes programas ambientais propostos no EIA/RIMA: Programa de Gesto Ambiental e Controle da Dragagem. Programa de Monitoramento da Qualidade da Água. Programa de Monitoramento dos Sedimentos - Sedimentologia e Geoquímica. Programa de Monitoramento da Biota Aquática - Bioindicadores e Ecotoxicológica. Programa de apoio àsComunidades de Pesca. Programa de Comunicação Social. Programa de Compensação Ambiental. Com base na constatação da avaliação de impacto, os planos e programas são elaborados para minimizar os impactos adversos e enumerar várias etapas a serem tomadas para a melhoria do ambiente (BORTOLOTI et al., 2015). Os planos e programas auxiliam na formulação, na implementação e no monitoramento de parâmetros ambientais durante o comissionamento do projeto. Consiste em ferramentas que visam garantir um ambiente seguro e ambiente limpo. Um projeto pode ter identi�cado as medidas de mitigação adequadas, mas, sem um plano de manejo para executá-lo, os resultados desejados podem não ser obtidos. O Plano de Gestão prevê a implementação adequada de medidas de mitigação para reduzir os impactos adversos decorrentes das atividades do projeto (CURI, 2012). Videoaula: Controle ambiental Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Olá, estudante! A Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) é um processo de medição e avaliação do impacto de qualquer projeto e desenvolvimento proposto no meio ambiente, incluindo os seus benefícios. Neste vídeo, entenderemos melhor sobre como os impactos ambientais de uma atividade/empreendimento são quanti�cados; a importância e o papel da avaliação de impactos ambientais; a diferença e relevância dos estudos, planos e programas ambientais na mitigação dos impactos. Saiba mais O licenciamento ambiental é um dos instrumentos de controle mais importantes, pois é através dele que o poder público estabelece condições e limites ao exercício de determinada atividade econômica. No trabalho Processo de licenciamento ambiental em empreendimentos: condicionantes e compensações, Silva e colaboradores discutem teoricamente os fundamentos do licenciamento ambiental, suas condicionantes e as compensações exigidas. Referências http://www.sapientiae.com.br/index.php/librolegis/article/view/CBPC2674-6409.2019.001.0001 http://www.sapientiae.com.br/index.php/librolegis/article/view/CBPC2674-6409.2019.001.0001 Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações ALBUQUERQUE, H. N.; CERQUEIRA, J. S.; ALBUQUERQUE, I. S. S. Impactos ambientais no cemitério público de Queimadas-PB, Brasil. Revista Espacios, v. 38, n. 37, 2017. BRASIL. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus �ns e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, [2022]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6938.htm. Acesso em: 15 out. 2022. BARBOZA, S. G.; SANCHES, W.; BARREIROS, E. Sociedade e meio ambiente. Londrina, PR: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2017. BORTOLOTI, F. da S. et al. Recursos naturais, meio ambiente e desenvolvimento. Londrina, PR: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2015. CURI, D. (Org.). Gestão ambiental. São Paulo, SP: Pearson Education do Brasil, 2012. INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS. Processo nº 02001.002419/2004-53. Empreendimento BR 158 MT - Subtrecho Divisa MT/PA - Entroncamento BR 242 MT. Brasília, DF: IBAMA, 2008. SÁNCHEZ, L. E. Avaliação de impacto ambiental: conceitos e métodos. São Paulo, SP: O�cina de Textos, 2008. SILVA, C. E. et al. Processo de licenciamento ambiental em empreendimentos: condicionantes e compensações. Libro Legis, v. 1 n. 1, 2019. WAIHERN, P. Environmental impact assessment: theory and pra�ce. London: Unwin Hyman, 1988. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6938.htm Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Aula 5 Resumo da unidade A importância da regularização ambiental O desenvolvimento econômico é a base material para alcançar a modernização, mas o rápido desenvolvimento da economia é muitas vezes acompanhado da destruição do ambiente natural e do consumo massivo de energia. Desde o início do século XXI, com o desenvolvimento sustentável profundamente enraizado no coração das pessoas, as questões ambientais tornaram-se gradualmente o foco das atenções (BARBOZA; SANCHES; BARREIROS, 2017). Nos últimos anos, a poluição ambiental, os danos ecológicos e o consumo excessivo de recursos estão se tornando muito graves (BORTOLOTI et al., 2015). Diante da grave situação ambiental, os países começaram a implementar diversas medidas para reduzirem a poluição ambiental. No Brasil, grande parte dessas iniciativas se deram a partir da década de 1980, com a promulgação da Política Nacional de Meio Ambiente (BRASIL, 1981), a qual abrange diversas questões ambientais, incluindo de�nição de normas, licenciamento, avaliação de impacto ambiental, áreas especiais de preservação, incentivo à produção mais limpa e zoneamento ambiental (BORTOLOTI et al., 2015). Desde então, diferentes outros instrumentos foram criados com o intuito de criar regulamentações ambientais que obrigam os setores público e privado a considerarem constantemente a agenda ambiental em suas atividades. Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações Um exemplo foi a promulgação da Lei de Crimes Ambientais (BRASIL, 1998). Até antes da existência dela, o arcabouço jurídico brasileiro nunca foi e�caz na aplicação de penas no combate aos crimes cometidos contra o meio ambiente, e isso se deve às diversas leis que tinham funções especí�cas, a �m de enfraquecer as penas para crimes ambientais cometidos (REIS; CARMARGO, 2018). A norma inaugura a punição do sistema com penalidades especí�cas para os infratores e orienta as ações de monitoramento por meio de diferentes categorias de crimes ambientais (FENKER et al., 2015). Outro importante avanço desse período foi a criação na PNMA do licenciamento ambiental. A �nalidade do licenciamento é garantir a preservação, a melhoria e a recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar o desenvolvimento socioeconômico, a segurança nacional e a proteção da dignidade da vida humana (BARBOZA; SANCHES; BARREIROS, 2017). As etapas do licenciamento ambiental podem resultar em diferentes categorias e exigir grupos de documentos ambientais diferentes: estudos e programas ambientais. O primeiro consiste em uma avaliação prévia dos impactos ambientais que poderão ser causados por um determinado empreendimento (ex.: Estudo de Impacto Ambiental (EIA); Relatório de Impacto Ambiental (RIMA); Estudo de Impacto em Vizinhança (EIV) etc.); já o segundo contempla as medidas que serão adotadas, visando à minimização e/ou mitigação dos impactos ambientais anteriormente identi�cados (ex.: Plano Básico Ambiental (PBA); Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS); Programa de Educação Ambiental (PEA)). Videoaula: Resumo da unidade Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Olá, estudante! A proteção ambiental é uma questão global, com leis promulgadas como regulamentos e diretrizes transnacionais e nacionais, visando ao uso sustentável dos recursos. As leis são projetadas para proteger a saúde humana, os ecossistemas e garantir que as atividades econômicas, essenciais à sociedade, sejam realizadas de forma sustentável. Neste vídeo, abordaremos os conceitos ligados ao meio ambiente, como poluição, impactos ambientais, fases de licenciamento ambiental e, por �m, as etapas que envolvem as licenças. Vem com a gente! Estudo de caso Disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio ambiente - impactos ambientais e certificações As atividades, os produtos e os serviços de uma organização que interagem