Prévia do material em texto
1 AÇÃO RESCISÓRIA 3a EDIÇÃO/2024 1. AÇÃO RESCISÓRIA 2 2. OBJETO DA AÇÃO RESCISÓRIA 4 3. JUÍZO RESCINDENTE E JUÍZO RESCISÓRIO 6 4. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE 7 4.1. LEGITIMIDADE 7 4.1.1. LEGITIMIDADE ATIVA 8 4.1.2. LEGITIMIDADE PASSIVA 8 4.2. INTERESSE 9 4.3. TRÂNSITO EM JULGADO 9 5. COMPETÊNCIA 9 6. PRAZO DE CABIMENTO DA AÇÃO RESCISÓRIA 10 7. HIPÓTESES DE CABIMENTO DA AÇÃO RESCISÓRIA 11 8. PROCEDIMENTO 19 8.1. PETIÇÃO INICIAL 19 8.2. PROCEDIMENTO 21 8.3. JULGAMENTO 21 2 1. AÇÃO RESCISÓRIA A ação rescisória não é um recurso, pois só é possível sua propositura quando não houver mais possibilidade de manejo de recursos para impugnar a decisão que se objetiva desconstituir. Trata-se, por isso, de uma ação autônoma de impugnação que busca desconstituir uma decisão de mérito transitada em julgado. Nas palavras do Mestre Scarpinella: “Trata-se da viabilidade de os legitimados indicados no art. 967 pleitearem, perante o Tribunal competente, o desfazimento (a rescisão) da chamada coisa julgada material diante da presença de, ao menos, uma das hipóteses dos incisos do art. 966. Inovando, o CPC de 2015 amplia o objeto da ação rescisória, passando a admitir seu cabimento contra decisão transitada em julgado mesmo que não se trate de decisão de mérito, sempre pelos fundamentos dos incisos do caput (art. 966, § 2º).”1 Ou seja, esgotados os recursos, a sentença transita em julgado, onde não é mais permitido rediscutir a matéria nos mesmos autos, uma vez que ocorre coisa julgada formal, afetando todas as espécies de sentença. Caso o julgamento seja de mérito, haverá ainda a coisa julgada material, que protege seus efeitos além do processo, não sendo permitido a rediscussão. Todavia, em casos excepcionais, é permitido pela lei a utilização da ação rescisória, com a finalidade de desconstituir a decisão de mérito transitada em julgada, reapreciando o que fora decidido em caráter definitivo.2 🚩 NÃO CONFUNDA Ação Anulatória x Ação Rescisória ■ A Ação Anulatória está prevista no §4º do art. 966, vejamos: Art. 966, § 4º Os atos de disposição de direitos, praticados pelas partes ou por outros participantes do processo e homologados pelo juízo, bem como os atos homologatórios praticados no curso da execução, estão sujeitos à anulação, nos termos da lei. Na lição de Marcus Gonçalves: “Aqui, diferentemente do que se dá na rescisória, o objeto visado pelo autor não é o desfazimento da chamada coisa julgada material. Trata-se, bem diferentemente, de impugnar o próprio ato praticado pelas partes em juízo, ainda que carentes de homologação judicial. Os vícios alegáveis para tanto são os do direito material (público ou privado) e a competência para julgamento não é do Tribunal, 2 Gonçalves, Marcus Vinicius R. Esquematizado - Direito Processual Civil. Disponível em: Minha Biblioteca, (13th edição). Editora Saraiva, 2022. 1 Bueno, Cassio S. Manual de Direito Processual Civil. Disponível em: Minha Biblioteca, (8th edição). Editora Saraiva, 2022. 3 mas do juízo de primeira instância. O prazo, outrossim, não é o do art. 975, mas os de prescrição ou de decadência, consoante os específicos vícios que motivam a pretensão invalidatória em juízo”.3 ⚠ CUIDADO Nos termos da Súmula 514 do STF, não é necessário o esgotamento das vias recursais. No entanto, é necessário que haja trânsito em julgado e que não haja outro meio de impugnar a decisão no momento da propositura da ação rescisória. Nos termos da Súmula: SÚMULA 514, STF. “Admite-se ação rescisória contra sentença transitada em julgado, ainda que contra ela não se tenha esgotado todos os recursos”. A desconstituição da coisa julgada não acontece por qualquer razão. Por isso, as hipóteses de cabimento da ação ora estudada estão previstas expressamente no art. 966, do CPC. De acordo com Marcus Vinícius, a ação rescisória exige que haja uma nulidade absoluta e que ela se prolongue para além do processo. Outrossim, é importante alertar que a ação rescisória não é o único instrumento para a impugnação de sentenças transitadas em julgado, já que, em lei, é possível encontrar outras formas de se realizar esta impugnação, a exemplo das ações anulatórias e declaratórias de nulidade (art. 966, §4º, do CPC). Sobre o tema, assim dispõe o STF: Não cabe ação rescisória para desconstituir decisão judicial transitada em julgado que apenas homologou acordo celebrado entre pessoa jurídica e o Estado-membro em uma ação judicial na qual se discutiam créditos tributários de ICMS. É cabível, neste caso, a ação anulatória, nos termos do art. 966, § 4º do CPC. É inadmissível a ação rescisória em situação jurídica na qual a legislação prevê o cabimento de uma ação diversa. STF. Plenário. AR 2697 AgR/RS, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 21/3/2019 (Info 934). (Dizer o Direito). Ainda: A decisão judicial homologatória de acordo entre as partes é impugnável por meio de ação anulatória (art. 966, § 4º, do CPC/2015; art. 486 do CPC/1973). Não cabe ação rescisória neste caso. Se a parte propôs ação rescisória, não é possível que o Tribunal receba esta demanda como ação anulatória aplicando o princípio da fungibilidade. Isso porque só se aplica o princípio da fungibilidade para recursos (e ação anulatória e a ação rescisória não são recursos). STF. Plenário. AR 2440 AgR/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 19/9/2018 (Info 916). (Dizer o Direito). 3 Gonçalves, Marcus Vinicius R. Esquematizado - Direito Processual Civil. Disponível em: Minha Biblioteca, (13th edição). Editora Saraiva, 2022. 4 📌 OBSERVAÇÃO ■ A natureza primordial da Ação Rescisória é desconstitutiva. Além de ter o juízo rescindente, pedido de desconstituição total ou parcial do julgamento rescindendo, a rescisória poderá também ter o juízo rescisório, onde o Tribunal competente proferirá novo julgamento da questão. Salienta-se que o juízo rescisório poderá ter natureza condenatória (incluindo as mandamentais ou executivas lato sensu), constitutiva ou declaratória.4 2. OBJETO DA AÇÃO RESCISÓRIA Nos termos do art. 966, caput, do CPC, o objeto da ação rescisória é uma decisão judicial de mérito (art. 487, I e II) transitada em julgado. 📌 OBSERVAÇÃO O CPC/73 trazia o que o objeto da ação rescisória era a “sentença”. Atualmente esta previsão não se mantém. Aqui, é importante alertar que o art. 356 do CPC permite que o juiz decida parcialmente o mérito por meio de decisão interlocutória. Por isso, esta é uma hipótese na qual uma decisão interlocutória irá ser alcançada pela coisa julgada material e, por isso, também poderá ser impugnada por meio de ação rescisória, visto que o art. 966 do CPC refere-se à “decisão de mérito”, termo genérico que abrange não só sentenças, mas também acórdãos e decisões interlocutórias. A ausência de intimação da decisão que implicou o provimento parcial do recurso interposto pela parte contrária é sempre prejudicial ao recorrido, sendo cabível o manejo de ação rescisória. STJ. 2ª Seção.AR 6.463-SP, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, julgado em 12/4/2023 (Info 771).5 Ainda, apesar de a regra ser que a ação rescisória só seja cabível quando a decisão for de mérito, a própria lei traz duas exceções a esta regra, quais sejam: 5 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. A ausência de intimação da decisão que implicou o provimento parcial do recurso interposto pela parte contrária é sempre prejudicial ao recorrido, sendo cabível o manejo de ação rescisória. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . Acesso em: 15/01/2024 4 Gonçalves, Marcus Vinicius R. Esquematizado - Direito Processual Civil. Disponível em: Minha Biblioteca, (13th edição). Editora Saraiva, 2022. 5 Art. 966. (...) § 2º Nas hipóteses previstas nos incisos do caput, será rescindível a decisão transitada em julgado que, embora não seja de mérito, impeça: I - nova propositura da demanda; ou II - admissibilidade do recurso correspondente. 🚨JÁ CAIU Noconcurso para Defensor Público do Estado do Rio de Janeiro (Ano: 2023; FGV) foi considerada correta a seguinte assertiva: Quanto ao cabimento da ação rescisória, é correto afirmar que é cabível para desconstituir decisão que inadmite recurso de forma equivocada. Lado outro, deve-se ter cuidado com as hipóteses em que não há coisa julgada material, pois, nestes casos, não poderá ocorrer a impugnação pela via da ação rescisória. Uma das hipóteses é a existência de uma sentença terminativa, que provoca coisa julgada meramente formal. Neste caso, como é possível a propositura de uma nova ação, visto que a coisa julgada se opera apenas dentro daquele processo, não há que se falar em ação rescisória por falta de interesse. Outra hipótese são as sentenças que tratam de relações continuativas (coisa julgada rebus sic stantibus). Assim, por exemplo, na ação de alimentos, basta demonstrar que a situação fática foi alterada para que se pleiteie a modificação do que foi decidido, sem necessidade da propositura de uma rescisória para desconstituir o julgado. Entretanto, caso não haja nenhuma modificação fática e a sentença esteja com algum vício do art. 966 do CPC, será possível uma ação rescisória contra a sentença com cláusula rebus sic stantibus. Também não será possível a propositura da rescisórias contra as sentenças que julgarem as ações civis públicas improcedentes por insuficiência de provas ou improcedentes as ações populares, pois há formação de coisa julgada secundum eventum litis. Por fim, também não cabe rescisória contra a sentença que extingue a execução, pois visa apenas encerrar essa fase do processo, no juizado especial, nem nas ações de controle concentrado de constitucionalidade. ⚠ ATENÇÃO Em que pese a previsão legal, recentemente o STF decidiu pela possibilidade de ação rescisória em juizados especiais, quando quando se fundamentarem em norma, aplicação ou interpretação jurídicas declaradas inconstitucionais pelo Plenário do STF. 6 1) É possível aplicar o art. 741, parágrafo único, do CPC/1973 (atual art. 535, § 5º, do CPC/2015), aos feitos submetidos ao procedimento sumaríssimo, desde que o trânsito em julgado da fase de conhecimento seja posterior a 27/8/2001 (data da MP 2180-35/2001, que incluiu o parágrafo único no art. 741 do CPC/1973); 2) É admissível a invocação como fundamento da inexigibilidade de ser o título judicial fundado em “aplicação ou interpretação tida como incompatível com a Constituição” quando houver pronunciamento jurisdicional, contrário ao decidido pelo Plenário do STF, seja no controle difuso, seja no controle concentrado de constitucionalidade; 3) O art. 59 da Lei nº 9.099/95 não impede a desconstituição da coisa julgada quando o título executivo judicial se amparar em contrariedade à interpretação ou sentido da norma conferida pela Suprema Corte, anterior ou posterior ao trânsito em julgado, admitindo, respectivamente, o manejo: (i) de impugnação ao cumprimento de sentença ou (ii) de simples petição, a ser apresentada em prazo equivalente ao da ação rescisória. STF. Plenário. RE 586.068/PR, Rel. Min. Rosa Weber, redator para o acórdão Min. Gilmar Mendes, julgado em 9/11/2023 (Repercussão Geral – Tema 100) (Info 1116). As decisões definitivas de Juizados Especiais podem ser invalidadas quando se fundamentarem em norma, aplicação ou interpretação jurídicas declaradas inconstitucionais pelo Plenário do STF — em controle difuso ou concentrado de constitucionalidade — antes ou depois do trânsito em julgado. STF. Plenário. RE 586.068/PR, Rel. Min. Rosa Weber, redator para o acórdão Min. Gilmar Mendes, julgado em 9/11/2023 (Repercussão Geral – Tema 100) (Info 1116).6 3. JUÍZO RESCINDENTE E JUÍZO RESCISÓRIO O art. 974 do CPC estabelece: Art. 974. Julgando procedente o pedido, o tribunal rescindirá a decisão, proferirá, se for o caso, novo julgamento e determinará a restituição do depósito a que se refere o inciso II do art. 968. Parágrafo único. Considerando, por unanimidade, inadmissível ou improcedente o pedido, o tribunal determinará a reversão, em favor do réu, da importância do depósito, sem prejuízo do disposto no § 2º do art. 82. Percebe-se da leitura acima que há dois momentos no julgamento da ação rescisória: ▸ O juízo rescindente, no qual o órgão julgador rescinde a decisão impugnada; e 6 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. As decisões definitivas de Juizados Especiais podem ser invalidadas quando se fundamentarem em norma, aplicação ou interpretação jurídicas declaradas inconstitucionais pelo Plenário do STF (em controle difuso ou concentrado)(antes ou depois do trânsito em julgado). Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . Acesso em: 19/01/2024 7 ▸ O juízo rescisório, no qual o órgão julgador realiza um novo julgamento, se for o caso, ficando vinculado aos mesmos limites objetivos e subjetivos da decisão anterior. Marcus Vinicius Rios Gonçalves afirma que: “Por meio do juízo rescindente, o órgão julgador vai desconstituir aquilo que, da decisão de mérito, foi alcançado pela coisa julgada material: o dispositivo da decisão de mérito, já transitada em julgado. Não podem ser objeto de ação rescisória as outras partes da decisão ou sentença, elencadas no art. 504 do CPC (os motivos e a verdade dos fatos; em síntese, a fundamentação). Não havendo coisa julgada sobre elas, não existe interesse para a rescisória. Só o dispositivo é que se torna imutável e pode ser objeto dela. O juízo rescisório pressupõe que tenha sido acolhida, ao menos em parte, a pretensão rescindente. Afinal, se nenhuma parte do dispositivo tiver sido desconstituída, não haverá razão para uma nova decisão. Se apenas uma parte for desconstituída, o novo julgamento referir-se-á tão somente a ela; se todo o julgamento anterior for desconstituído, o órgão julgador promoverá novo julgamento, que abrangerá integralmente os limites objetivos e subjetivos da lide originária, mas que deles não poderá desbordar. Os limites do novo julgamento na ação rescisória são os limites da lide originária. Ainda que a decisão rescindida seja uma sentença, o tribunal que julgar a ação rescisória terá competência para promover o novo julgamento, em substituição ao anterior7.” 4. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE 4.1. LEGITIMIDADE De acordo com o art. 967, do CPC: Art. 967. Têm legitimidade para propor a ação rescisória: I - quem foi parte no processo ou o seu sucessor a título universal ou singular; II - o terceiro juridicamente interessado; III - o Ministério Público: a) se não foi ouvido no processo em que lhe era obrigatória a intervenção; b) quando a decisão rescindenda é o efeito de simulação ou de colusão das partes, a fim de fraudar a lei; c) em outros casos em que se imponha sua atuação; IV - aquele que não foi ouvido no processo em que lhe era obrigatória a intervenção. Parágrafo único. Nas hipóteses do art. 178 , o Ministério Público será intimado para intervir como fiscal da ordem jurídica quando não for parte. 7 Gonçalves, Marcus Vinicius R. Esquematizado - Direito Processual Civil. Disponível em: Minha Biblioteca, (13th edição). Editora Saraiva, 2022. 8 O inciso I refere-se ao autor e réu da sentença originária, bem como aqueles que assumiram a qualidade de parte em razão de intervenção de terceiro (denunciado e chamado ao processo). Já o inciso II trata daquele que poderia ter ingressado no processo na condição de assistente. 📌 OBSERVAÇÃO O CPC de 2015 não dispõe sobre a legitimidade passiva. Entretanto, o réu será a parte contrária no processo que proferiu a decisão que pretende ser rescindida, à luz do art. 967, I. No caso dos incisos II e III deste artigo, as partes do processo serão rés, como litisconsortes passivos necessários.8 ⚠ ATENÇÃO Assistente simples não é titular da relação jurídica discutida, mas apenas conexa. Por isso, ele não é atingido pela coisa julgada material, mas pode ser atingido pelajustiça da decisão. O assistente litisconsorcial, por seu turno, será legitimado, visto que é atingido pela coisa julgada material. O inciso IV, por sua vez, traz a hipótese na qual a lei determina a intervenção obrigatória de determinadas pessoas ou entes no processo. 4.1.1. LEGITIMIDADE ATIVA No que toca à legitimidade ativa, admite-se a propositura da ação rescisória pelas partes do processo originário, estejam elas na condição de autores, réus, terceiros intervenientes ou assistentes. Além disso, pode propô-la o Ministério Público como fiscal da ordem jurídica, pois como parte já estaria na primeira legitimidade mencionada. Admite-se que o MP a proponha sempre que houver interesse público, ou seja, o rol previsto no art. 967, III, não é taxativo, conforme ensina Haroldo Lourenço9. 4.1.2. LEGITIMIDADE PASSIVA A legitimidade passiva na ação rescisória será formada em face de todos aqueles que puderem sofrer uma consequência negativa com a rescisão da decisão, ou seja, somente serão citados os que se prejudicarem com a decisão, contudo, nem sempre haverá litisconsórcio passivo necessário em rescisória, quando seu objeto for somente um dos capítulos da decisão, como a denunciação da lide ou honorários advocatícios10. O advogado em favor de quem foram arbitrados honorários sucumbenciais na ação rescindenda é parte ilegítima para figurar no polo passivo da ação rescisória. STJ. 4ª Turma. AgInt nos EDcl no REsp 1759374/RS, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 29/10/2019; STJ. 2ª Turma. AgInt no REsp 10 Lourenço, Haroldo. Processo Civil Sistematizado . Disponível em: Minha Biblioteca, (6ª edição). Grupo GEN, 2021. 9 Lourenço, Haroldo. Processo Civil Sistematizado . Disponível em: Minha Biblioteca, (6ª edição). Grupo GEN, 2021. 8 Bueno, Cassio S. Manual de Direito Processual Civil. Disponível em: Minha Biblioteca, (8th edição). Editora Saraiva, 2022. 9 1845303/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 29/06/2020; STJ. 3ª Turma. AgInt no REsp 1717140/RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 18/03/2019 🚨JÁ CAIU No concurso para Procurador do Município de Niterói - RJ (Ano: 2023; CEBRASPE) foi considerada correta a seguinte assertiva: Segundo o STJ, o advogado em favor do qual tenham sido arbitrados honorários sucumbenciais na ação rescindenda é parte ilegítima para figurar no polo passivo da ação rescisória. 4.2. INTERESSE Só tem interesse em propô-la aquele que puder auferir algum proveito da rescisão, alguma melhora de sua situação, caso o julgamento anterior seja rescindido e outro seja proferido em seu lugar. Para isso, é preciso que o autor da ação rescisória não tenha obtido o melhor resultado possível no processo cujo julgamento se quer rescindir. É possível que ambos os litigantes tenham interesse em ajuizá-la, havendo sucumbência recíproca. E ambos poderão postular a rescisão com o mesmo fundamento. Assim, por exemplo, se a sentença é extra petita, tanto o autor quanto o réu podem requerer a rescisão por essa razão.11 4.3. TRÂNSITO EM JULGADO Apenas para reafirmar o que já foi exposto, enquanto não houver o trânsito em julgado a forma adequada de impugnar a decisão será por meio do recurso previsto. Lembrando que isso não significa dizer que há obrigatoriedade em esgotar a via recursal. 5. COMPETÊNCIA Trata-se de ação de competência originária de tribunais e, nos casos de acórdão do STJ e do STF, para ações de sua competência originária, o próprio tribunal será competente. Ademais, quando se chega ao STJ ou STF pela via do RE ou do REsp, sendo inadmitidos, a competência será do tribunal de segundo grau. Mas, sendo julgados no seu mérito, a competência será do STJ ou STF. 📌 OBSERVAÇÕES ■ Quando o recurso não for conhecido, mas a matéria for enfrentada, a competência será do próprio tribunal superior. 11 Gonçalves, Marcus Vinicius R. Esquematizado - Direito Processual Civil. Disponível em: Minha Biblioteca, (13th edição). Editora Saraiva, 2022. 10 ■ Reconhecida a incompetência do tribunal para julgar a rescisória, o autor será intimado para emendar a inicial, a fim de adequar o objeto da ação rescisória (art. 966, §5º). Em resumo: COMPETÊNCIA PARA JULGAR AÇÃO RESCISÓRIA CONTRA SENTENÇA OU DECISÃO INTERLOCUTÓRIA A ação rescisória deverá ser proposta perante o Tribunal que teria competência para julgar recursos contra ela. CONTRA ACÓRDÃO A competência será do mesmo Tribunal que proferiu a decisão, mas o julgamento deverá ser feito por um órgão mais amplo. Compete ao Tribunal Regional Federal processar ação rescisória proposta pela União com o objetivo de desconstituir sentença transitada em julgado proferida por juiz estadual, quando afeta interesses de órgão federal. STF. Plenário. RE 598650/MS, Rel. Min. Marco Aurélio, redator do acórdão Min. Alexandre de Moraes, julgado em 8/10/2021 (Repercussão Geral – Tema 775) (Info 1033). 🚨JÁ CAIU No concurso para Juiz Federal do TRF 1ª Região (Ano: 2023; FGV) foi considerada correta a seguinte assertiva: O juízo da 1ª Vara Cível da Comarca X proferiu sentença em demanda envolvendo as partes "A" "B" Exaurido o prazo recursal e aperfeiçoado o trânsito em julgado, a União constatou que o desfecho dessa demanda influenciaria indiretamente em matéria afeta ao seu interesse, tendo ocorrido colusão entre as partes com o objetivo de fraudar a lei/hipótese em que previsto a cabimento de ação rescisória. À luz dessa narrativa, considerando os balizamentos oferecidos pela ordem constitucional, a ação rescisória deve ser ajuizada pela União perante o Tribunal Regional Federal competente; 6. PRAZO DE CABIMENTO DA AÇÃO RESCISÓRIA Conforme o art. 975, o prazo será decadencial de 2 anos, contados do trânsito em julgado da última decisão do processo (súmula 401 do STJ). Todavia, em caso de recurso manifestamente intempestivo, sendo flagrante a tentativa de reabrir o prazo da rescisória, não será aplicada a regra da última decisão. 11 📌 OBSERVAÇÃO ■ Termos iniciais diferenciados: ▸ Data de descoberta da prova nova, observado o prazo máximo de cinco anos, contados do trânsito em julgado da última decisão proferida no processo - Ex. é possível a descoberta da prova nova em cinco anos e, após isso, serão contados os dois anos para ajuizamento da Rescisória, ou seja, poderá ter uma rescisória sete anos após a última decisão do processo. ▸ Simulação ou colusão das partes, o prazo começa a contar para o terceiro prejudicado e para o MP, que não interveio no processo, a partir do momento em que têm ciência da simulação ou da colusão. Perceba que aqui não temos limitação temporal; ▸ Coisa julgada inconstitucional: data do trânsito em julgado da decisão do STF (art. 525, §15º e 535, §8º, CPC). 🚨 JÁ CAIU No concurso para Promotor de Justiça do Estado do Paraná (Ano: 2023; banca própria) foi considerada correta a seguinte assertiva: O prazo decadencial da ação rescisória só se inicia quando não for cabível qualquer recurso do último pronunciamento judicial. No concurso para Procurador do Município de São Paulo (Ano: 2023; CEBRASPE) foi considerada correta a seguinte assertiva: O município de São Paulo está sendo objeto de execução judicial com base em uma decisão judicial respaldada em lei considerada inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), em uma análise de constitucionalidade difusa, cuja decisão foi emitida após o trânsito em julgado da decisão executória. No que se refere à situação hipotética apresentada, considerando as disposições do CPC, assim como a jurisprudência dos tribunais superiores, o procurador deve apresentar ação rescisória, cujo prazo será contado do trânsito em julgado da decisão proferida pelo STF. 7. HIPÓTESES DE CABIMENTO DA AÇÃO RESCISÓRIA O rol taxativo das hipóteses de cabimento da ação rescisória é encontrado no art. 966, o qual não comporta ampliações, nem utilização da analogia para hipóteses não expressamente previstas. Nos termos do referido artigo: Art. 966. A decisão de mérito, transitada em julgado,pode ser rescindida quando: I - se verificar que foi proferida por força de prevaricação, concussão ou corrupção do juiz; II - for proferida por juiz impedido ou por juízo absolutamente incompetente; 12 III - resultar de dolo ou coação da parte vencedora em detrimento da parte vencida ou, ainda, de simulação ou colusão entre as partes, a fim de fraudar a lei; IV - ofender a coisa julgada; V - violar manifestamente norma jurídica; VI - for fundada em prova cuja falsidade tenha sido apurada em processo criminal ou venha a ser demonstrada na própria ação rescisória; VII - obtiver o autor, posteriormente ao trânsito em julgado, prova nova cuja existência ignorava ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de lhe assegurar pronunciamento favorável; VIII - for fundada em erro de fato verificável do exame dos autos. Súmula 343-STF: Não cabe ação rescisória por ofensa a literal dispositivo de lei, quando a decisão rescindenda se tiver baseado em texto legal de interpretação controvertida nos tribunais. Tese de Repercussão Geral RE 590809-STF. Não cabe ação rescisória quando o julgado estiver em harmonia com o entendimento firmado pelo Plenário do Supremo à época da formalização do acórdão rescindendo, ainda que ocorra posterior superação do precedente. 🚨JÁ CAIU No concurso para Promotor de Justiça do Estado de Santa Catarina (Ano: 2023; CEBRASPE) foi considerada incorreta a seguinte assertiva: A ação rescisória fundada em violação literal de lei é instrumento judicial idôneo para adequar sentença judicial transitada em julgado a posterior alteração jurisprudencial referente à interpretação de lei federal. Ficha de cadastro de trabalhadores emitida em nome de trabalhador rural em data anterior ao ajuizamento de demanda com pedido de aposentadoria rural configura documento novo apto a demonstrar o início de prova material. STJ. AR 6.081-PR, Rel. Min. Regina Helena Costa, Primeira Seção, por unanimidade, julgado em 25/05/2021, DJe 30/05/2022 (info 738). Não é possível, na hipótese em que verificada a ocorrência de omissão, que a parte deixe de embargar para, após o trânsito em julgado, pleitear por meio de ação rescisória. Admitir o contrário poderia constituir precedente no sentido de que toda omissão poderia ser caracterizada como erro de fato. STF. Plenário. AR 2107/SP, rel. orig. Min. Gilmar Mendes, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 16/9/2020 (Info 991). Se o autor da ação rescisória – fundada em violação literal à disposição de lei – afirma que a sentença rescindenda violou o art. XX da Lei, o Tribunal não pode julgar a rescisória procedente com base na violação do art. YY, mesmo que se trate de matéria de ordem pública Na ação rescisória fundada em literal violação de lei, não cabe o reexame de toda a decisão rescindenda, para 13 verificar se nela haveria outras violações à lei não alegadas pelo demandante, mesmo que se trate de questão de ordem pública. Quando o autor da rescisória propõe a ação com fundamento na hipótese de violação literal à disposição de lei - art. 485, V, CPC/1973 (art. 966, V, CPC/2015) – ele tem o ônus de indicar o(s) dispositivo(s) que foi(foram) violado(s). O Tribunal que julgará a rescisória só irá examinar se houve violação aos dispositivos indicados, não podendo reexaminar toda a decisão rescindenda, para verificar se nela haveria outras violações a literal disposição de lei não alegadas pelo demandante, nem mesmo ao argumento de se tratar de matéria da ordem pública.” (YARSHELL, Flávio. Ação rescisória: juízos rescindente e rescisório. São Paulo: Malheiros, 2005, p. 151). Desse modo, na ação rescisória fundada no art. 485, V, CPC/1973 (art. 966, V, CPC/2015), o juízo rescindente do Tribunal se encontra vinculado aos dispositivos de lei apontados pelo autor como literalmente violados, não podendo haver exame de matéria estranha à apontada na inicial, mesmo que o tema possua a natureza de questão de ordem pública, sob pena de transformar a ação rescisória em um recurso, natureza jurídica que ela não possui. STJ. 3ª Turma REsp 1663326-RN, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 11/02/2020 (Info 665)12. Vejamos, com detalhes, cada uma das hipóteses estabelecidas no Código de Processo Civil. HIPÓTESE LEGAL COMENTÁRIOS I - SE VERIFICAR QUE FOI PROFERIDA POR FORÇA DE PREVARICAÇÃO, CONCUSSÃO OU CORRUPÇÃO DO JUIZ; 1. PREVARICAÇÃO: Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal (CP, art. 319); 2. CONCUSSÃO: Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida (CP, art. 316); 3. CORRUPÇÃO: Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar a promessa de tal vantagem (art. 317). O ilícito pode ser demonstrado na própria ação rescisória, o magistrado não precisa ter sido condenado em ação penal. No entanto, caso haja condenação criminal, não precisa ocorrer nova discussão na ação rescisória a respeito do ilícito. 12 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Se o autor da ação rescisória – fundada em violação literal à disposição de lei – afirma que a sentença rescindenda violou o art. XX da Lei, o Tribunal não pode julgar a rescisória procedente com base na violação do art. YY, mesmo que se trate de matéria de ordem pública. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . Acesso em: 24/06/2022 14 📌 OBSERVAÇÕES ■ Havendo sentença penal transitada em julgado que desvincule o magistrado do ato ilícito, o juiz da rescisória estará vinculado a essa decisão. ■ Se houver ação penal em curso, é possível a suspensão do processo civil, mas trata-se de faculdade do juízo cível. Se a decisão for proferida por órgão colegiado a rescisória só será admitida caso este magistrado possua capacidade de afetar o resultado. II - FOR PROFERIDA POR JUIZ IMPEDIDO OU POR JUÍZO ABSOLUTAMENTE INCOMPETENTE; No caso de órgão colegiado, o voto do magistrado deve ser capaz de influir no julgamento para que seja possível a rescisória. O professor Marcus Vinícius defende que, no caso de juízo absolutamente incompetente, haverá apenas juízo rescindente, com a determinação de remessa dos autos ao juízo competente para que este profira novo julgamento. Lembre-se que temos duas formas de imparcialidade do juiz: impedimento e suspeição, conforme já vimos nos resumos anteriores. ■ Em se tratando da competência, se tivermos uma decisão proferida por juízo absolutamente incompetente substituída por decisão por juízo competente não é possível ação rescisória. ■ Não é necessário alegar incompetência no processo para depois arguí-la na ação rescisória. ■ No caso de decisão colegiada, só se pode discutir a incompetência se o voto viciado compor a maioria. III - RESULTAR DE DOLO OU COAÇÃO DA PARTE VENCEDORA EM DETRIMENTO DA PARTE VENCIDA OU, AINDA, DE SIMULAÇÃO OU COLUSÃO ENTRE AS PARTES, A FIM DE FRAUDAR A LEI; 1. DOLO: parte vencedora engana o juiz ou a parte contrária para influenciar no resultado do julgamento Coação: parte vencedora incute no adversário fundado temor de dano iminente e considerável à sua pessoa, à sua família ou aos seus bens. 2. SIMULAÇÃO: haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I - aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II - contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III - os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-datados (art. 167, §1º, do CC). 15 3. COLUSÃO: conluio entre as partes que se utilizam do processo para fins ilícitos. O dolo, a simulação e a colusão precisam ter sido determinantes para o resultado do processo. À simulaçãoe colusão o magistrado deve dar o mesmo tratamento estabelecido pelo art. 142 do CPC: convencendo-se, pelas circunstâncias, de que autor e réu se serviram do processo para praticar ato simulado ou conseguir fim vedado por lei, o juiz proferirá decisão que impeça os objetivos das partes, aplicando, de ofício, as penalidades da litigância de má-fé. IV - OFENDER A COISA JULGADA; Se qualquer dos dois efeitos da coisa julgada forem violados, ter-se-á o cabimento da ação rescisória. Havendo conflito entre sentenças transitadas em julgado deve valer a coisa julgada formada por último, enquanto não invalidada por ação rescisória. STJ. Corte Especial. EAREsp 600811/SP, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 04/12/2019. Concordam com o STJ os doutrinadores Pontes de Miranda, Vicente Greco Filho, Barbosa Moreira, Cândido Rangel Dinamarco, Humberto Theodoro Jr, entre outros. Entendem que deve prevalecer a primeira coisa julgada: Arruda Alvim, Nelson Nery Jr. e Rosa Nery, Araken de Assis, Teresa Wambier, Sérgio Gabriel Porto, Sálvio de Figueiredo Teixeira. 📌 OBSERVAÇÃO ■ Mesmo que a ofensa à coisa julgada tenha sido rejeitada na ação que gerou a decisão que se almeja rescindir, não haverá impedimento à discussão. V - VIOLAR MANIFESTAMENTE NORMA JURÍDICA; Aplica-se quando a decisão não der ao texto da lei interpretação razoável, quando a interpretação for absolutamente não se conforma com o texto literal da lei ou com seu espírito Não se aplica por simples injustiça da sentença ou por inadequado exame de provas. No caso de ofensa à norma material (error in judicando), em regra, cabível 16 novo julgamento pelo órgão julgador. Já no caso de ofensa à norma processual (error in procedendo), em regra, o processo originário será retomado no ponto em que foi perpetrado o erro capaz de influir no julgamento. O fato de o magistrado não reconhecer, de ofício, a prescrição não redunda em manifesta ofensa à norma jurídica (STJ. 3ª Turma. REsp 1.749.812-PR, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 17/09/2019). Súmula 343 do STF: Não cabe ação rescisória por ofensa a literal dispositivo de lei, quando a decisão rescindenda se tiver baseado em texto legal de interpretação controvertida nos tribunais. O art. 966, ainda, possui complementos no que se refere ao inciso V. Veja-se: § 5º Cabe ação rescisória, com fundamento no inciso V do caput deste artigo, contra decisão baseada em enunciado de súmula ou acórdão proferido em julgamento de casos repetitivos que não tenha considerado a existência de distinção entre a questão discutida no processo e o padrão decisório que lhe deu fundamento. § 6º Quando a ação rescisória fundar-se na hipótese do § 5º deste artigo, caberá ao autor, sob pena de inépcia, demonstrar, fundamentadamente, tratar-se de situação particularizada por hipótese fática distinta ou de questão jurídica não examinada, a impor outra solução jurídica. 📌 OBSERVAÇÃO: “Eventual divergência jurisprudencial não deve ser compreendida como elemento a descartar a rescisória por esse fundamento”.13 VI - FOR FUNDADA EM PROVA CUJA FALSIDADE TENHA SIDO APURADA EM PROCESSO CRIMINAL OU VENHA A SER DEMONSTRADA NA PRÓPRIA AÇÃO RESCISÓRIA; Aqui, é necessário que a prova tenha sido determinante para o resultado. E, embora estejamos diante de um crime, não é necessário um processo criminal prévio. VII - OBTIVER O AUTOR, POSTERIORMENTE AO TRÂNSITO EM JULGADO, PROVA NOVA CUJA EXISTÊNCIA IGNORAVA OU DE QUE NÃO PÔDE FAZER USO, CAPAZ, POR SI SÓ, DE Não é necessário que a prova tenha sido constituída depois da decisão transitada em julgado, mas sim que, mesmo anterior, fosse ignorada pelo autor da ação rescisória, ou de que ele não pôde fazer uso, por circunstâncias alheias à sua vontade Não se aplica quando o autor 13 Bueno, Cassio S. Manual de Direito Processual Civil. Disponível em: Minha Biblioteca, (8th edição). Editora Saraiva, 2022. 17 LHE ASSEGURAR PRONUNCIAMENTO FAVORÁVEL; deixou de utilizá-la por negligência ou desídia. Não é qualquer prova que justifica a aplicação deste inciso. Isso porque, o documento precisa ser capaz de, por si só, assegurar o pronunciamento favorável. Quando esse inciso VII fala em prova nova, engloba não apenas a prova documental, mas qualquer outra espécie de prova, inclusive a prova testemunhal. Assim, no novo ordenamento jurídico processual, qualquer modalidade de prova, inclusive a testemunhal, é apta a amparar o pedido de desconstituição do julgado rescindendo na ação rescisória. STJ. 3ª Turma. REsp 1770123-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 26/03/2019 (Info 645). (Dizer o Direito). VIII - FOR FUNDADA EM ERRO DE FATO VERIFICÁVEL DO EXAME DOS AUTOS. O fato precisa ser verificável pelo simples exame dos autos. Portanto, não é possível, na ação rescisória, produzir novas provas para demonstrar o erro. Ocorre quando o magistrado: ▸ Admitir fato inexistente ou considerar inexistente fato que ocorreu; e ▸ O fato não seja controvertido. Nos exatos termos do art. 966, § 1º: Há erro de fato quando a decisão rescindenda admitir fato inexistente ou quando considerar inexistente fato efetivamente ocorrido, sendo indispensável, em ambos os casos, que o fato não represente ponto controvertido sobre o qual o juiz deveria ter se pronunciado. 🚨 JÁ CAIU No concurso para Promotor de Justiça da Bahia (Ano: 2023; CEBRASPE) foi considerada incorreta a seguinte assertiva: À luz da jurisprudência do STJ, é cabível propor ação rescisória para corrigir suposta injustiça da sentença. Na prova para Procurador da República (Banca Própria - 2022) foi determinado que assinalasse a alternativa incorreta dentre as alternativas que seguem, quando perguntado: “A decisão de mérito, passada em julgado, é rescindível:” a) se proferida por juiz impedido ou por juízo absolutamente incompetente; 18 b) quando ofender a coisa julgada; c) com fulcro na má apreciação da prova pelo juiz do caso; d )quando se verificar que foi proferida por força de prevaricação, concussão ou corrupção do juiz. Na prova para Juiz do Estado do Rio Grande do Sul (FAURGS - 2022) foi perguntado: “A Corte Especial do STJ, no EAREsp nº 600.811/SP, recentemente julgou questão que envolvia antiga e polêmica questão processual envolvendo o conflito de coisas julgadas. Venceu o entendimento do Relator Og. Fernandes, no sentido de que "se deve privilegiar a coisa julgada que por último se formou – enquanto não desconstituída por ação rescisória –, eis que, sendo posterior, tem o condão de suspender os efeitos da primeira decisão". Partindo do julgado e avançando sobre outras consequências do entendimento definido, qual das assertivas abaixo representa afirmação correta sobre a rescindibilidade de coisa julgada?” Diante disso, foi considerada correta a alternativa que trouxe: “A decisão que transitou em julgado por último poderá ser rescindida, entre outros eventuais motivos, por violação da coisa julgada anterior. Na prova para Promotor de Justiça do Estado de Goiás (FGV - 2022) foi dito: “Em ação judicial com dois pedidos distintos, um de obrigação de fazer e um indenizatório, após as partes requererem as provas a serem produzidas, foi proferida decisão parcial de mérito, julgando procedente pedido que envolve obrigação ilíquida.” Diante desta situação, sobre decisão parcial de mérito, foi considerada correta a alternativa que disse: “pode ser objeto de ação rescisória, no prazo legal.“ Na prova para Defensor Público do Estado do Rio Grande do Sul (CESPE - 2022), na modalidade certo/errado, foi afirmado: “É inadmissível ação rescisória com fundamento em violação manifesta de norma jurídica quando a decisão rescindenda estiver amparada em norma jurídica de interpretação controvertida nos tribunais ao tempo em que tenha sido prolatada. ” Tendo sido considerada correta a presente afirmativa. Na prova para Promotor de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul (Banca Própria - 2021) foi determinado que assinalasse a alternativa incorretadentre as alternativas que seguem, sendo a resposta a alternativa em destaque: a) Há erro de fato quando a decisão rescindenda admitir fato inexistente ou quando considerar inexistente fato efetivamente ocorrido, sendo indispensável, em ambos os casos, que o fato não represente ponto controvertido sobre o qual o juiz deveria ter se pronunciado. b) Nas hipóteses previstas para a ação rescisória, será rescindível a decisão transitada em julgado que, embora não seja de mérito, impeça admissibilidade do recurso correspondente. 19 c) Nas hipóteses de simulação ou de colusão das partes, o prazo começa a contar, para o terceiro prejudicado e para o Ministério Público, que não interveio no processo, a partir do momento em que têm ciência da simulação ou da colusão. d) Se a ação rescisória for fundada em prova nova, o termo inicial do prazo será a data de descoberta da prova nova, observado o prazo máximo de 2 (dois) anos, contado do trânsito em julgado da última decisão proferida no processo. e) Nas hipóteses previstas para a ação rescisória, será rescindível a decisão transitada em julgado que, embora não seja de mérito, impeça nova propositura da demanda. 8. PROCEDIMENTO 8.1. PETIÇÃO INICIAL Art. 968. A petição inicial será elaborada com observância dos requisitos essenciais do art. 319 , devendo o autor: I - cumular ao pedido de rescisão, se for o caso, o de novo julgamento do processo; II - depositar a importância de cinco por cento sobre o valor da causa, que se converterá em multa caso a ação seja, por unanimidade de votos, declarada inadmissível ou improcedente. § 1º Não se aplica o disposto no inciso II à União, aos Estados, ao Distrito Federal, aos Municípios, às suas respectivas autarquias e fundações de direito público, ao Ministério Público, à Defensoria Pública e aos que tenham obtido o benefício de gratuidade da justiça. § 2º O depósito previsto no inciso II do caput deste artigo não será superior a 1.000 (mil) salários-mínimos. § 3º Além dos casos previstos no art. 330 , a petição inicial será indeferida quando não efetuado o depósito exigido pelo inciso II do caput deste artigo. § 4º Aplica-se à ação rescisória o disposto no art. 332 . § 5º Reconhecida a incompetência do tribunal para julgar a ação rescisória, o autor será intimado para emendar a petição inicial, a fim de adequar o objeto da ação rescisória, quando a decisão apontada como rescindenda: I - não tiver apreciado o mérito e não se enquadrar na situação prevista no § 2º do art. 966 ; II - tiver sido substituída por decisão posterior. § 6º Na hipótese do § 5º, após a emenda da petição inicial, será permitido ao réu complementar os fundamentos de defesa, e, em seguida, os autos serão remetidos ao tribunal competente. 20 “No que diz respeito ao pedido, o autor poderá cumular ao pedido de rescisão o de novo julgamento da causa. A hipótese, típico exemplo de cumulação sucessiva de pedidos, deve ser reservada àqueles casos em que o desfazimento da coisa julgada permitir, sem supressão de instância, que o próprio Tribunal competente para a rescisória rejulgue a causa originária. É o que ocorre, com enorme frequência, nos casos em que a rescisória fundamenta-se no inciso V do art. 966, de violação “manifesta” a norma jurídica. Não é o que poderá ocorrer quando seu fundamento for o da incompetência absoluta (art. 966, II), quando o processo precisará ser enviado ao juízo competente para que nele tenha regular andamento. O pedido relativo à rescisão da decisão transitada em julgado é invariavelmente indispensável. É ele, aliás, que caracteriza, como tal, a rescisória. É o que geralmente é chamado de judicium rescindens, expressão latina a ser compreendida como a deliberação sobre a pertinência ou não da rescisória. O segundo pedido, que pode ou não, consoante o caso, ser formulado, é geralmente chamado de judicium rescissorium, expressão que merece ser compreendida como rejulgamento da causa, se superada a questão prejudicial, de cabimento da rescisória (judicium rescindens).”14 📌 OBSERVAÇÃO Na lição de Cassio Scarpinella Bueno: “Além disso, o autor está sujeito, como regra, a depósito prévio de cinco por cento do valor da causa (que corresponderá à expressão econômica do pedido ou dos pedidos da rescisória, muito frequentemente equivalente ao valor da causa originária monetariamente corrigido). Este valor “se converterá em multa caso a ação seja, por unanimidade de votos, declarada inadmissível ou improcedente”.15 O art. 968, II, do CPC determina que o autor da ação rescisória deverá realizar um depósito no valor de 5% do valor da causa. Essa quantia se converterá em multa e será revertida em favor da parte contrária caso a ação rescisória, por unanimidade de votos, seja: a) declarada inadmissível; ou b) julgada improcedente. O depósito prévio de que trata o art. 968, II, do CPC precisa ser obrigatoriamente em dinheiro. O art. 968, II, do CPC/2015 utiliza o verbo “depositar” e o objeto direto “importância”, razão pela qual se pode concluir que ele se refere à quantia em espécie (dinheiro). Logo, é inviável a sua ampliação para se permitir o depósito por outros meios que não sejam em dinheiro. Se a intenção do legislador fosse admitir outros meios, isso teria ficado mais claro, como foi feito, por exemplo, na redação do § 1º do art. 919 do CPC/2015. STJ. 4ª Turma. REsp 1871477-RJ, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 13/12/2022 (Info 761).16 16 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Em ação rescisória, o depósito prévio não pode ser realizado por outros meios senão em dinheiro. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . Acesso em: 15/01/2024 15 Bueno, Cassio S. Manual de Direito Processual Civil. Disponível em: Minha Biblioteca, (8th edição). Editora Saraiva, 2022. 14 Bueno, Cassio S. Manual de Direito Processual Civil. Disponível em: Minha Biblioteca, (8th edição). Editora Saraiva, 2022. 21 8.2. PROCEDIMENTO Realizado a admissibilidade da inicial o Relator citará o réu para que apresente defesa, o prazo para defesa não é fixo, devendo ser fixado pelo Relator. Insta ressaltar, na análise do art. 970, que os dias nele mencionados tratam-se de dias úteis, à luz do art. 219, parágrafo único. Ademais, a citação do réu será para contestar o pedido do autor. Em conseguinte, o art. 972 dispõe sobre a fase instrutória, que, se necessário, será delegada a competência ao juízo proferidor da decisão rescindenda ou a outro juízo, para colheita de provas, a depender do caso concreto, no prazo de 1 a 3 meses para devolução dos autos ao Tribunal. 🚨JÁ CAIU No concurso para Juiz de Direito do Estado do Espírito Santo (Ano: 2023; FGV) foi considerada correta a seguinte assertiva: A parte X ajuíza ação rescisória em face de Y, visando à rescisão da decisão judicial que, nos autos de ação monitória, deferiu a expedição de mandado de pagamento. Vale registrar que, nos autos da ação monitória, a parte X não efetuou o pagamento, tampouco ofereceu embargos monitórios. No bojo da ação rescisória, a parte X requereu apenas a rescisão da decisão, sem cumular o pedido de novo julgamento do processo, e baseou seu pedido em erro de fato verificável do exame dos autos, pugnando pela produção das provas pertinentes para comprovar os fatos constitutivos de seu direito. Sobre o caso hipotético, reconhecida a necessidade de instrução probatória, o relator poderá delegar a competência ao órgão que proferiu a decisão rescindenda, fixando prazo de um a três meses para devolução dos autos; Encerrada a instrução, será aberto vista dos autos às partes para alegações finais, no prazo sucessivo de 10 dias. Em conseguinte, os autos serão enviados para o voto do relator e julgamento do colegiado.17 8.3. JULGAMENTO Caso a ação seja julgada procedente, o tribunal rescindir a decisão e, se for o caso, proferirá novo julgamento, determinando a restituição do depósito do art. 968, II. Entretanto,se o pedido for considerado inadmissível por unanimidade, como por exemplo, ausentes as hipóteses do art. 966, ou improcedente, o Tribunal determinará a reversão do depósito em favor do réu, não obstante o pagamento das verbas de sucumbência também pelo autor.18 18 Bueno, Cassio S. Manual de Direito Processual Civil. Disponível em: Minha Biblioteca, (8th edição). Editora Saraiva, 2022. 17 Bueno, Cassio S. Manual de Direito Processual Civil. Disponível em: Minha Biblioteca, (8th edição). Editora Saraiva, 2022. 22 A base de cálculo dos honorários advocatícios sucumbenciais deve ter como parâmetro a própria ação rescisória, e não a ação originária cuja decisão se pretende rescindir. STJ. 3ª Turma. REsp 2.068.654-PA, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 12/9/2023 (Info 790).19 19 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. A base de cálculo dos honorários advocatícios sucumbenciais deve ter como parâmetro a própria ação rescisória, e não a ação originária cuja decisão se pretende rescindir. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . Acesso em: 16/01/2024