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12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 1/51 Teoria Geral do Processo do Trabalho Prof. Marcos Dias de Castro Descrição Os fundamentos do Processo do Trabalho e sua teoria geral. Propósito Conhecer os fundamentos do Processo do Trabalho é aspecto relevante para os profissionais que atuam na Justiça do Trabalho. É preciso que os operadores do Direito saibam os princípios e fundamentos do Direito Processual do Trabalho, bem como a competência desse ramo do Poder Judiciário, para que possam atuar de forma segura na efetivação dos direitos sociais dos trabalhadores e na defesa dos interesses empresariais. Preparação 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 2/51 Antes de iniciar o nosso estudo, tenha em mãos a Consolidação das Leis do Trabalho e o Código de Processo Civil. Objetivos Módulo 1 Princípios fundamentais do Direito Processual do Trabalho Reconhecer os princípios fundamentais que regem o Processo do Trabalho e a eficácia das normas processuais trabalhistas no tempo e no espaço. Módulo 2 Competência da Justiça do Trabalho Reconhecer a competência da Justiça do Trabalho em seus aspectos mais relevantes. Módulo 3 Partes e terceiros Identificar partes e terceiros que atuam na Justiça do Trabalho. 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 3/51 Introdução Ao longo deste material, analisaremos os fundamentos do Direito Processual do Trabalho. Iniciaremos pelo estudo dos princípios fundamentais que regem a disciplina, bem como a eficácia das normas processuais trabalhistas no tempo e no espaço. Em seguida, abordaremos a competência da Justiça do Trabalho, tema essencial para todos aqueles que militam nesse ramo do Poder Judiciário. Conhecer os limites de atuação da Justiça do Trabalho é fundamental para todos aqueles que operam na seara, em parte, pelas polêmicas que o instituto ainda provoca na doutrina e na jurisprudência. Por fim, abordaremos os conceitos de “parte” e de “terceiros” para o Direito Processual do Trabalho, assim como os limites e as possibilidades de ação na Justiça do Trabalho. Todos os temas são essenciais para um trabalho de excelência na área. Vamos saber mais sobre eles? 1 - Princípios fundamentais do Direito Processual do Trabalho 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 4/51 Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer os princípios fundamentais que regem o Processo do Trabalho e a e�cácia das normas processuais trabalhistas no tempo e no espaço. A e�cácia das normas no tempo e no espaço O Direito Processual do Trabalho pode ser definido como o conjunto de princípios e normas destinados a regular a atuação jurisdicional da Justiça do Trabalho. Esse conjunto de princípios e normas visa reger a solução dos conflitos individuais e coletivos que a Constituição atribui como de competência da Justiça do Trabalho, tendo como norte a obtenção da pacificação social entre capital (representado pela gama de empresas e empreendimentos econômicos) e trabalho (representado pela massa de trabalhadores, em geral, regidos pela Consolidação das Leis de Trabalho). Em Brasília, a sede do TST, instância superior de julgamento para temas que envolvem o direito do trabalho no Brasil. Fundamental para compreender o caráter específico da disciplina é entender que, como todos os ramos do Direito, há uma série de princípios que a permeiam e influenciam. Mas o que poderíamos entender por princípio? A palavra princípio remonta etimologicamente à noção de “começo”, “início” ou ainda, de “primeiro momento da existência de algo”. Em tempos mais modernos, adquiriu-se a ideia de fundamento norteador, ou ainda, de alicerce de um sistema (como o jurídico) que delimita a compreensão de diferentes normas que o compõem. Assim, poderíamos compreender os princípios como esses mandamentos que formam o núcleo do sistema jurídico, expondo sua lógica e racionalidade internas e, ao mesmo tempo, conferindo harmonia e higidez. Em apertada síntese, os princípios desempenham tríplice função para o Direito Processual do Trabalho: 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 5/51 Essa última função tem sido muito utilizada pelos tribunais, inclusive, trabalhistas, não apenas para preencher o “vazio legislativo”, mas para levar soluções concretas a diversos casos submetidos ao Judiciário, como é expressamente autorizado pelo art. 8º da CLT. Princípios em espécie Princípios do processo do trabalho Compreenda os conceitos relacionados aos princípios do processo do trabalho. Função informativa Na medida em que podem inspirar soluções de forma direta ou indireta ao aplicador da lei, além de se dirigir ao legislador no momento da criação de novas leis. Função interpretativa Já que orienta o intérprete no momento de entender o significado das normas jurídicas já existentes. Função normativa Na medida em que ajuda na resolução dos casos que não possuem expressa previsão legal. 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 6/51 Princípio da proteção Não há dúvida de que o princípio protetor deriva da própria razão de ser do Direito do Trabalho. Existe, contudo, controvérsia quanto à sua aplicabilidade na disciplina que estudamos. Há quem defenda que o princípio em análise não é próprio do Direito Processual do Trabalho, em razão de seu caráter eminentemente processual, sendo o princípio próprio para equilibrar desigualdades específicas do direito material. Contudo, o princípio da proteção é próprio do Processo do Trabalho, em razão de alguns aspectos relevantes: A desigualdade econômica entre as partes (que é a regra, pois, em geral, o trabalhador está em desvantagem econômica em relação a seu empregador). O desequilíbrio na produção de provas (em geral, o trabalhador só possui testemunhas, meio de prova sempre incerto e inseguro, ao contrário do empregador, que dispõe de meios de prova mais amplos, como regra geral). A ausência de um sistema de proteção contra despedida imotivada (já que o inciso I do art. 7º da Constituição não se encontra regulamentado até hoje, sendo um risco para o trabalhador ingressar com ação trabalhista enquanto vigente sua relação de emprego). O desnível cultural entre os sujeitos da lide (realidade prática do cotidiano forense irrefutável, embora também comporte exceções). Podemos afirmar, portanto, que o princípio da proteção compõe o conjunto de princípios que regem o Processo do Trabalho, com várias evidências na CLT, por exemplo: 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 7/51 I Diferença de tratamento prevista noart. 844 da CLT em razão da ausência à audiência inicial(arquivamento x revelia). II Exigência de depósito recursal como pressuposto recursal objetivo,segundo consta no (art. 899 da CLT). III Definição da competência territorial fixada pela localidade da prestação de serviços (art. 651 da CLT), ou seja, clara tentativa de facilitar o acesso à justiça. Merece ressalva o princípio do in dubio pro operario. Embora seja corolário do princípio da proteção, há consenso substancial que tal princípio não se aplica ao direito probatório, vale dizer, na avaliação da prova produzida pelas partes. Em casos de prova “dividida”, “empatada”, “dúbia” ou “falha”, seria uma decisão muito simplista o magistrado se inclinar para o trabalhador valendo-se desse princípio. Tanto o Direito Processual do Trabalho quanto o Direito Processual Civil em casos como os narrados acima impõem ao juiz a decisão conforme o ônus da prova (arts.no botão abaixo para fazer o download do conteúdo completo em formato PDF. Download material O que você achou do conteúdo? Relatar problema 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 1/42 Fase postulatória trabalhista Prof. Marcos Dias Descrição Estudo das questões técnicas relativas aos procedimentos e ações trabalhistas, bem como as questões referentes à defesa em juízo, no âmbito da fase postulatória trabalhista. Propósito Conhecer as questões que envolvem a fase postulatória no Direito Processual do Trabalho é aspecto relevante para os profissionais que atuam na Justiça do Trabalho. É preciso que os operadores do Direito conheçam as questões técnicas que envolvem os procedimentos e ações trabalhistas, bem como as questões referentes à defesa em juízo. Preparação Antes de iniciar o nosso estudo, tenha em mãos a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e o Código de Processo Civil (CPC). 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 2/42 Objetivos Módulo 1 Ação trabalhista Reconhecer os principais aspectos da petição inicial e das ações trabalhistas. Módulo 2 Procedimentos trabalhistas Analisar os procedimentos trabalhistas e suas peculiaridades. Módulo 3 Defesa e respostas do réu no Processo do Trabalho Identificar as questões que envolvem a defesa em juízo e suas principais características no Direito Processual do Trabalho. Introdução 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 3/42 Analisaremos os institutos que compõem a fase postulatória no Direito Processual do Trabalho. Iniciaremos pelo estudo das ações trabalhistas, examinando os elementos e requisitos da petição inicial trabalhista em seus aspectos mais relevantes e específicos. Em seguida, abordaremos os procedimentos trabalhistas, com ênfase nos ritos ordinário e sumaríssimo, tema essencial para todos aqueles que militam nesse ramo do Poder Judiciário. Conhecer a peculiaridade de cada rito é fundamental para uma atuação plena, sem contratempos, na Justiça do Trabalho. Por fim, abordaremos a defesa em juízo, com ênfase na contestação, na exceção de incompetência territorial e na reconvenção, estudando as principais controvérsias sobre esses institutos. Todos esses temas são essenciais para um trabalho de excelência na área trabalhista. Vamos saber mais sobre eles! 1 - Ação trabalhista Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer os principais aspectos da petição inicial e das ações trabalhistas. 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 4/42 Conceito de ação O vocábulo ação, do ponto de vista processual, pode ser compreendido de duas formas distintas: Primeira forma Como direito de exigir do Estado o exercício da função jurisdicional, que é garantido a todos, pessoas físicas, jurídicas e entes despersonalizados. Segunda forma Como demanda, vale dizer, como postulação concreta, que é deduzida perante o Poder Judiciário. No primeiro aspecto, temos o direito de ação, que é constitucional (previsto no artigo 5º, XXXV da Constituição), público, subjetivo e abstrato, representando o direito fundamental de exigir a solução de determinada lide ou o reconhecimento de direitos materiais. No segundo aspecto, temos a demanda como instrumento que pressupõe uma manifestação da vontade humana, vale dizer, uma exteriorização de vontade do interessado em obter um provimento do Estado-Juiz. Petição inicial trabalhista Petição inicial no processo do trabalho Neste vídeo, falaremos sobre a petição inicial no processo do trabalho e seus requisitos. 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 5/42 A prestação jurisdicional depende de provocação do interessado. É a emanação do princípio da inércia da jurisdição (nemo procedat iudex ex officio). O ato inicial de impulso da atividade jurisdicional do Estado é a demanda, que é um ato jurídico solene, realizado por um instrumento chamado petição inicial. A petição inicial, portanto, é o instrumento formal, instituído pelos sistemas processuais, de que se vale o sujeito para ativar a função jurisdicional, postulando um provimento jurisdicional. Em apertada síntese, define-se a petição inicial como peça formal nos seguintes cenários. 1. Deve seguir as formalidades do artigo 840 da CLT. 2. Rompe a inércia do Poder Judiciário. 3. Individualiza os sujeitos da lide, estabelecendo os limites subjetivos da lide. 4. Fixa os limites objetivos da lide, estabelecendo seus fundamentos de fato e de direito, declinando os pedidos. Por fim, deve ser ressaltado que a CLT ora utiliza a expressão “reclamação trabalhista” como sinônimo de “ação trabalhista”, ora utiliza como equivalente de “petição inicial”. Reclamação verbal A petição inicial nos dissídios individuais pode ser verbal ou escrita. É o que dispõe o artigo 840, caput da CLT. Os procedimentos especiais não permitem que a petição inicial se realize de forma “verbal”, como no caso do inquérito para apuração de falta grave (conforme artigo 853 da CLT) e dos dissídios coletivos (conforme artigos 856 e 858 da CLT). 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 6/42 Evidentemente que, nos processos especiais, oriundos do Direito Processual Civil e adotados em decorrência de aplicação subsidiária ao Direito Processual do Trabalho (artigo 769 da CLT), tais como mandado de segurança, ação rescisória, ação civil pública ou civil coletiva, descarta-se a possibilidade de petição inicial verbal, devendo, nesses casos, serem seguidas as exigências que a lei fizer para cada uma das espécies. É importante observar que a reclamação verbal deverá ser reduzida a termo em cinco dias contados da distribuição. Trata-se de formalidade exigida pelo artigo 786 da CLT, sob pena de perempção, aplicando-se o disposto no artigo 731 da CLT, segundo o qual, "aquele que, tendo apresentado ao distribuidor reclamação verbal, não se apresentar, no prazo estabelecido no parágrafo único do art. 786, à Junta ou Juízo para fazê-lo tomar por termo, incorrerá na pena de perda, pelo prazo de 6 (seis) meses, do direito de reclamar perante a Justiça do Trabalho”. Requisitos da petição inicial trabalhista Podemos dividir os requisitos estruturais da petição inicial trabalhista em requisitos subjetivos e objetivos. Requisitos subjetivos são aqueles que dizem respeito à clareza, precisão e concisão da petição inicial. São requisitos que levam à plena compreensão da postulação formulada pelo autor, de modo a garantir o contraditório e a ampla defesa por parte da reclamada. 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 7/42 Por precisão, devemos entender que os fatos precisam ser narrados na inicial com determinação. A exposição não pode ser vaga, imprecisa, caso contrário dificultará o exercício do direito de defesa pelo réu e a própria prolação da sentença pelo juiz. Por clareza, temos requisito que se traduz na ausência de obscuridade e contradição na petição inicial. Além de serem precisados, os fatos necessitam ser expostos com clareza, para que possam ser compreendidos pelo defendente e pelo juiz. Quase todos os atos processuais, como a defesa, as razões finais, a sentença, as razões recursais, o acórdão, têm como requisito a clareza. Portanto, trata-se de requisito que não se limita à petição inicial. Por fim, a petição inicial deve ser concisa. O próprio §1º do artigo 840 da CLT afirma que a inicial deve conter “uma breve exposição dos fatos”. Em outras palavras, na petição inicial, devem constar apenas os fatos que são relevantes para a causa, com desprezo pelos demais. Quantoaos requisitos objetivos, são aqueles previstos no artigo 840, §1º da CLT. Há discussão na doutrina se os requisitos previstos no artigo 319 do CPC se aplicam ao Direito Processual do Trabalho. A resposta depende da análise da compatibilidade principiológica desses requisitos com as normas processuais trabalhistas. 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 8/42 Em geral, admite-se que o endereçamento (juízo a que é dirigida a petição inicial), a qualificação das partes, o pedido e o valor da causa, previstos nos inciso I, II, III, IV e V do artigo 319 do CPC, são também requisitos da petição inicial trabalhista. Já a especificação das provas (inciso VI do artigo 319 do CPC) e a opção do autor pela realização ou não de audiência de conciliação ou de mediação (inciso VII do artigo 319 do CPC) não são requisitos obrigatórios da petição inicial. Isso porque a especificação de provas é realizada em audiência, tanto no rito ordinário quanto no sumaríssimo, e a conciliação é sempre obrigatória, em qualquer fase do processo (nos termos do artigo 764 da CLT). A seguir, passamos a tratar dos requisitos objetivos mais polêmicos. Causa de pedir: breve exposição dos fatos O CPC fala em fatos e fundamentos jurídicos do pedido, conforme o disposto no inciso III do artigo 319 do CPC. A CLT fala apenas em breve exposição dos fatos. Interpretando o inciso III do artigo 319 do CPC, a doutrina mais abalizada afirma que os fatos correspondem à causa de pedir próxima (fatos que lesaram ou ameaçam o direito do autor) e os fundamentos jurídicos se constituem na causa de pedir remota (o fato constitutivo do direito afirmado pelo demandante). Desse modo, a causa de pedir constitui-se nos motivos fáticos e jurídicos que justificam a invocação da tutela jurisdicional. 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 9/42 O problema no Direito Processual do Trabalho é que a expressão contida na CLT alude apenas à exposição dos fatos. Não seria necessária, então, a indicação dos fundamentos jurídicos do pedido? Alguns autores afirmam ter sido providencial a dicção legal celetista em razão do princípio protetor e do jus postulandi, pois deixariam o juiz mais livre no julgamento da questão trabalhista que lhe é submetida. Saiba mais Não é a corrente dominante, todavia. Mesmo diante do silêncio da CLT, a maior parte dos doutrinadores defende que a indicação do fundamento jurídico do pedido também é relevante no Processo do Trabalho. A indicação da causa de pedir (tanto remota quanto próxima) é indispensável, pelos seguintes motivos: a. Constitui, ao lado das partes e do pedido, um dos elementos da ação. b. Permite a observância do princípio da inalterabilidade da demanda. c. Auxilia o exame da ocorrência dos institutos da conexão, continência, litispendência e coisa julgada. Portanto, em nosso sentir, o artigo 319, inciso III do CPC complementa o disposto no artigo 840, §1º da CLT. Pedido: necessidade de indicação de valor O pedido é o objeto da ação. Trata-se do veículo no qual a pretensão do autor se expressa ao Estado-Juiz, revelando a manifestação da vontade de obter um provimento jurisdicional. A CLT, após a Reforma Trabalhista (Lei nº 13.467 de 2017), passou a vaticinar que o pedido deve ser certo, determinado e possuir indicação de valor. Iniciemos pelas duas primeiras características. O pedido certo é aquele que é expresso, exteriorizado, inconfundível. É aquele que não deixa dúvida sobre o que se pretende, tanto do ponto de vista qualitativo quanto do ponto de vista quantitativo. Assim, não se admite pedido obscuro, dúbio ou vago. 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 10/42 O pedido determinado é aquele que externa uma pretensão que visa a um bem jurídico perfeitamente caracterizado. As regras previstas nos artigos 322 e 324 do CPC e no §1º do artigo 840 da CLT, no entanto, sofrem algumas digressões. É a lei e também a doutrina que admitem, em alguns casos, a subsistência de pedidos genéricos (em exceção à necessidade de determinação dos pedidos) e de pedidos implícitos (em exceção à necessidade de certeza dos pedidos). Pedidos implícitos São aqueles que, independentemente de requerimento expresso, entendem-se como integrantes do pedido do autor. O CPC e a própria CLT apresentam exemplos expressamente previstos em lei, citando o pedido implícito. Veja a seguir. a. Despesas processuais e honorários advocatícios sucumbenciais, conforme artigo 85 do CPC. b. Juros e correção monetária, conforme artigo 322, §1º do CPC e Súmula 211 do TST. c. Prestações vincendas em obrigações periódicas, conforme artigo 323 do CPC. d. A concessão do resultado equivalente ao adimplemento da obrigação de fazer e de não fazer, conforme artigo 84 do CDC e artigo 497 do CPC. Especificamente quanto ao Processo do Trabalho, a doutrina aponta ainda alguns casos em que o juiz estaria autorizado a deferir postulações não expressamente delineadas pelo demandante, configurando o princípio da ultrapetição ou da extrapetição. 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 11/42 Em geral, a doutrina aponta nas seguintes maneiras: a. A possibilidade de conversão da reintegração em indenização, independentemente de postulação expressa, conforme o disposto no artigo 496 da CLT e na Súmula 396 do TST. b. A penalidade descrita no artigo 467 da CLT, que pode ser deferida independentemente de pedido expresso, diante de seu caráter imperativo e do fato gerador específico. c. A multa prevista no §2º do artigo 137 da CLT, embora em nosso sentir tal penalidade esteja muito mais próxima das astreintes, meio coercitivo para obrigar o cumprimento de obrigação de fazer. d. A hipótese da Súmula 293 do TST, que permite a concessão de adicional de insalubridade com base em agente diverso daquele mencionado na petição inicial. Normalmente, os casos de quebra do princípio da congruência, da correlação ou adstrição ao libelo devem ser encarados de forma excepcional e seguir dois requisitos não cumulativos: a. Estar previsto na lei. b. Não causar prejuízo ao reclamado (princípio da transcendência), viabilizando plenamente o exercício do direito de defesa por parte da demandada. Contudo, não se deve confundir os pedidos implícitos com pedidos inclusos. Neste último aspecto, não há qualquer vulneração aos princípios da adstrição e da interpretação restritiva dos pedidos. Por pedido incluso devemos entender todo bem da vida, correspondente a uma parcela ou prestação, que seja acessório ou não do bem objeto do pedido, mas que, sem ele, não se possa ter este, conforme sua própria natureza ou preceito de lei. Observe atentamente a exemplificação a seguir. Exemplo Quando se pede horas extras, é um pedido em que se inclui a remuneração da hora extra com o adicional respectivo. Isso porque é próprio da natureza da remuneração das horas extras o acréscimo pecuniário de, 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 12/42 pelo menos, 50% sobre o valor da hora ordinária trabalhada. Do mesmo modo, quando se pede o pagamento das férias, é de se entender como incluso o pagamento da gratificação correspondente a 1/3 do valor do "salário normal". Isso porque, de acordo com a atual Constituição Federal, o valor da remuneração percebida quando do gozo das férias é acrescido de, "pelo menos, um terço a mais do que o salário normal" (art. 7º, inciso XVII). Além dos pedidos implícitos e inclusos acima mencionados, a lei admite ainda hipóteses de pedidos genéricos, assim entendidos aqueles que são formulados sem determinação quanto ao aspecto quantitativo - certo e determinado sobre o que é devido, mas indeterminado no quanto é devido. Trata-sedas hipóteses descritas no artigo 324, §1º do CPC. Resta a questão da indicação de valor dos pedidos. Na interpretação da redação dada ao §1º do artigo 840 da CLT pela Lei nº 13.467 de 2017, três posições se formaram. A primeira corrente era no sentido de que a expressão “indicação de valor” equivaleria à liquidação dos pedidos. O primeiro fundamento era a justificativa do Projeto de Lei nº 6787 de 2016, que resultou na reforma do dispositivo legal em comento, no qual era expresso em afirmar que ali se exigia a liquidação dos pedidos. A segunda corrente, denominada de intermediária, entendia que a liquidação só deveria ser realizada quando não comprometesse o acesso à Justiça. Para os adeptos dessa corrente, também as hipóteses de pedidos genéricos (artigo 324, incisos II e III do CPC, em especial), bem como aquelas em que a liquidação de sentença implicaria prejuízo ao acesso à Justiça, dispensariam a liquidação, bastando a indicação de valores. Contudo, a corrente vencedora foi aquela que entende que não foi imposta uma “liquidação de pedidos”, mas uma simples estimativa. A Instrução Normativa nº 41 de 2018, editada pelo TST, em seu artigo 12, §2º expressamente se posicionou nesse sentido. Note-se que a Lei nº 13.467 de 2017 não eliminou o artigo 879 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 13/42 e seus parágrafos da CLT (que tratam da liquidação de sentença) e o próprio artigo 791-A da CLT determinou que os honorários sucumbenciais seriam apurados sobre o valor que resultasse “da liquidação de sentença”. Prevalece, pois, essa última corrente. Valor da causa Segundo o artigo 291 do CPC, “a toda causa será atribuído um valor certo, ainda que não tenha conteúdo econômico imediato”. Trata-se de requisito indispensável à petição inicial no Processo Civil, também por força do disposto no artigo 319, inciso V do mesmo diploma legal. No Processo Civil, cabe ao demandante demonstrar o valor da causa, indicando-o em sua inicial. A questão se torna polêmica no Processo do Trabalho, por conta do disposto no artigo 2º da Lei nº 5584 de 1970. Entretanto, após a criação do rito sumaríssimo no Processo do Trabalho, com o advento da Lei nº 9958 de 2000, não existem mais dúvidas quanto à obrigatoriedade do valor da causa. Com a nova redação do §1º do artigo 840 da CLT, tal posição se tornou dominante. Alteração da petição inicial A modificação da petição inicial pode se dar por meio de emenda à inicial ou de alteração qualitativa ou quantitativa. A emenda à inicial diz respeito à correção de erro material (que pode ou não implicar alteração da demanda, como no caso da indicação errônea do local de trabalho), ou ainda a correção de vício grave que a torna inepta (como descrever o horário de trabalho não mencionado em inicial na qual se postula horas extras). Emendar à inicial, portanto, significa corrigi-la. 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 14/42 A alteração da inicial pode ser qualitativa, quando se altera a causa de pedir ou pedido, ou quantitativa, quando se inclui ou exclui pedido ou causa de pedir. Essa modificação, portanto, pode ser: a. Na causa de pedir sem reflexo no pedido (modifica-se o paradigma, mantendo-se o pedido de equiparação salarial). b. Na causa de pedir com reflexo no pedido (alega-se que a insalubridade era em grau médio – adicional de 20%, agora se requer o grau máximo – adicional de 40%). c. No próprio pedido (autor postulou desvio de função; agora requer equiparação salarial, indicando paradigma). A CLT não traz nenhuma regra acerca da possibilidade de modificação da inicial. Já o CPC, de forma sistêmica, permite a modificação de forma livre até a citação do réu, conforme artigo 329, inciso I. Citado o réu, a modificação depende expressamente da concordância do réu, na forma do inciso II artigo 329 do mesmo diploma legal. Por fim, veda qualquer modificação após o saneamento do processo. Questiona-se a possibilidade de aplicação desses dispositivos ao Processo do Trabalho. O problema se coloca diante da circunstância de que a resposta do réu é sempre oferecida em audiência, nos moldes do artigo 847 da CLT. Portanto, a ausência de uma fase de saneamento e a concentração dos atos em audiência impedem uma aplicação direta e imediata dos dispositivos do CPC. Na tentativa de responder tais questões, duas posições se dividem entre os doutrinadores no Processo do Trabalho. 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 15/42 A primeira sustenta a impossibilidade de aditamento após o oferecimento da defesa no sistema do Processo Judicial Eletrônico (PJe-JT), sem o consentimento da parte ré. Essa corrente atualmente é reforçada pelo §3º do artigo 841 da CLT, inserido na CLT pela Lei nº 13.467 de 2017, que, apesar de mencionar a desistência (alteração quantitativa negativa), seria um marco para qualquer alteração a ser formulada na petição inicial. Uma segunda posição firma-se no sentido de que a modificação é possível até a citação do réu. Esses autores até admitem a possibilidade de modificação sem o consentimento do réu, mas desde que a modificação fosse feita em tempo hábil à nova notificação do demandado dentro do prazo previsto na parte final do artigo 841 da CLT. Todavia, esta última não nos parece ser a melhor posição. Desde que, antes da entrega da defesa, o aditamento ou a emenda podem ser feitos mesmo sem a concordância do réu. É claro que dependendo da modificação, a questão pode ser objeto de adiamento da audiência, a fim de prestigiar o princípio do contraditório e da ampla defesa. Mas as circunstâncias específicas do Processo do Trabalho impedem a aplicação subsidiária do CPC. Nesse posicionamento, alguns autores destacam que o momento específico para apresentação de defesa é a audiência. Como no Processo do Trabalho não há prazo para a resposta do réu, que é apresentada na audiência, não há dúvida de que até o momento da entrega da defesa, pode o autor livremente desistir dos pedidos ou de parte deles, ou ainda, alterá-los e aditá-los. A circunstância de, por razões de segurança operacional, o processo eletrônico exigir o protocolo sistêmico antes da audiência (artigo 22 da Resolução nº 185 de 2017, com alteração feita pela Resolução nº 241 de 2019 do CSJT), em nada modificaria a circunstância. 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 16/42 Todas as correntes, no entanto, são unânimes em fixar que depois do saneamento do processo (feito em audiência), nenhuma alteração é possível na demanda, salvo os erros materiais (por força do disposto no artigo 833 da CLT). Uma última advertência merece ser feita: nos casos de indeferimento da inicial, por violação do disposto nos artigos 320 do CPC e 840, §1º da CLT, deve o juiz, em primeiro lugar, conceder prazo para emenda à inicial. Nesse sentido, temos a Súmula nº 263 do TST, que somente rejeita a possibilidade de concessão de prazo para emenda se o vício for insanável. 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 17/42 Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Em uma reclamação trabalhista, a reclamada apresenta defesa em audiência. Após a leitura pelo reclamante, não havendo preliminares e indagando o juiz às partes que provas seriam produzidas, o advogado do reclamante requereu ao juiz o aditamento da sua inicial, para incluir um pedido não realizado na petição inicial. Nesse caso, o aditamento Parabéns! A alternativa C está correta. A será possível, independentemente da concordância da reclamante, em razão do princípio do acesso à Justiça. B Será possível, se a parte reclamada concordar com o aditamento. C Não será possível,eis que já estabilizada a lide. D Não será possível, eis que violaria o princípio do juiz natural. E Será possível, se houver o adiamento da audiência para complementação da defesa. 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 18/42 Doutrina dominante entende que após o recebimento da defesa, saneado o processo, nem mesmo a concordância do réu permite o aditamento ou a alteração da inicial. É o que diz o artigo 329, II do CPC, a contrario sensu, plenamente aplicável ao Direito Processual do Trabalho. Questão 2 João Henrique procura a Justiça do Trabalho, sem advogado, postulando verbas rescisórias não quitadas por seu empregador. Distribuída a reclamação trabalhista oral, João não se dirigiu à 18ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro no prazo de 5 dias para redução a termo, sem qualquer justificativa. Dois meses depois, constituiu advogado e distribuiu reclamação trabalhista escrita à mesma 18ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro. Qual a alegação que a reclamada poderia fazer em sua peça de defesa? Parabéns! A alternativa D está correta. Há perempção diante do disposto nos artigos 731 c/c 786 da CLT, os quais apontam que, na hipótese de aquele que tiver apresentado ao distribuidor reclamação verbal não se apresentar à Junta ou Juízo para fazê-lo tomar por termo, no prazo estabelecido no parágrafo único do art. 786, perderá o direito de reclamar perante a Justiça do Trabalho, pelo prazo de 6 (seis) meses. A Alegar prescrição, pois ultrapassado o prazo previsto em lei. B Alegar inépcia da inicial, eis que não mencionada a reclamação verbal anterior. C Alegar ilegitimidade ativa, pois não seria possível o ajuizamento de nova reclamação trabalhista. D Alegar a perempção, ou seja, a perda temporária do direito de ação por 6 meses. E Alegar a litispendência, diante do ajuizamento de demanda anterior. 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 19/42 2 - Procedimentos trabalhistas Ao �nal deste módulo, você será capaz de analisar os procedimentos trabalhistas e suas peculiaridades. Processo e procedimento É pelo processo que o Estado exerce jurisdição, sendo conhecida a frase “não há jurisdição sem processo, nem processo sem ação, nem ação sem autor” (COSTA, 1978, p. 179). Se a ação é o direito de pedir a tutela jurisdicional, o processo é o meio utilizado pelo Estado para prestar essa tutela, em outras palavras, o ponto de interseção entre ação e jurisdição. Etimologicamente, “processo” tem o sentido de “marcha avante”, derivando do latim procedere, que significa “ir adiante”. Várias teorias tentaram explicar a natureza jurídica do processo, valendo analisar as mais relevantes. No entanto, é necessário diferenciar processo e procedimento. Observe o quadro comparativo a seguir. 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 20/42 Processo É o método, o sistema de compor a lide em juízo, que, como vimos, é uma entidade complexa que engloba o procedimento, mas também, uma verdadeira relação jurídica plena de deveres, faculdades, ônus e sujeições. Procedimento É a forma material com que o processo se manifesta em cada situação concreta, ou seja, é a forma como o processo se movimenta, a “marcha dos atos processuais” em formas e ritos. Quando se examina a CLT na busca dos procedimentos trabalhistas, verifica-se, de fato, certa imprecisão terminológica, a começar pelo uso do termo “dissídio”. Discussões terminológicas à parte, a maior parte da doutrina divide os procedimentos trabalhistas em três: a. O procedimento comum (subdivide-se em rito ordinário e sumaríssimo), que corresponde aos dissídios individuais, mencionados na CLT. b. Os procedimentos especiais, que se subdividem nos dissídios coletivos (previstos a partir do artigo 856 da CLT). c. Os inquéritos para apuração de falta grave (previstos nos artigos 853 a 855 da CLT). Nos itens que se seguem, analisaremos as principais questões envolvendo os procedimentos trabalhistas que compõem o Direito Processual do Trabalho. Procedimentos trabalhistas, dissídios individuais e coletivos 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 21/42 Neste vídeo, falaremos sobre os procedimentos trabalhistas e diferenciaremos os dissídios individuais dos coletivos. Dissídios individuais e dissídios coletivos Malgrado o desprezo que alguns doutrinadores têm revelado em face da clássica distinção entre dissídios individuais e coletivos, fato é que nesse primeiro ponto já vislumbramos distinção relevante quando se fala em procedimentos trabalhistas. Observe a seguir as diferenciações: Dissídios individuais Representam o que pode ser denominado de procedimento trabalhista de conhecimento, pois diz respeito à forma de resolução de conflitos concernentes a todas as ações de competência da Justiça do Trabalho, não submetidas a um rito próprio. Dissídios coletivos Representariam ações submetidas a um procedimento trabalhista especial, em decorrência de sua diferenciação ontológica e teleológica, em relação aos dissídios individuais expressas nas regras específicas que tratam de sua resolução. Podemos sintetizar as diferenças entre os dissídios individuais e dissídios coletivos da seguinte forma: a. Quanto à natureza dos conflitos envolvidos. b. Quanto à finalidade de cada procedimento. c. Quanto à legitimidade e sujeitos envolvidos nos procedimentos. A primeira distinção é clara e intuitiva: enquanto nos dissídios individuais vislumbramos conflitos de interesses concretos, de pessoas determinadas, nos dissídios coletivos se discutem interesses abstratos, 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 22/42 de uma categoria composta por um número indeterminado de pessoas. O segundo aspecto distintivo diz respeito ao fato de que, enquanto os dissídios individuais visam à aplicação de norma jurídica ao caso concreto (a conhecida “subsunção” da norma ao fato), os dissídios coletivos objetivam a criação de normas gerais aplicáveis às relações jurídicas subjacentes às categorias neles representadas. Ainda que esta última seja característica específica dos dissídios coletivos de natureza econômica e de greve, é circunstância relevante, já que somente em dissídios coletivos é possível o exercício do Poder Normativo pela Justiça do Trabalho. Como corolário das duas distinções anteriores, torna-se evidente que a legitimidade nos dissídios coletivos é restrita aos entes coletivos, vale dizer, aos sindicatos representantes das categorias profissional e econômica. Admite-se, ainda, a legitimidade dos empregadores (a empresa já é, em si, um ente coletivo) e do Ministério Público do Trabalho. Fato, contudo, é que a legitimidade não é ampla e irrestrita como nos dissídios individuais, o que se consubstancia em distinção relevante. Dissídios individuais: rito ordinário e rito sumaríssimo Fixada a divisão entre os procedimentos trabalhistas, resta-nos analisar os ritos que compõem o procedimento comum na Justiça do Trabalho. A doutrina dominante prevê a existência de dois ritos específicos: o ordinário e o sumaríssimo. O procedimento comum é segmentado de acordo com a complexidade e com o valor dos direitos em litígio. É interessante notar que o rito ordinário trabalhista, criado em 1943, já era simplificado, em razão da necessidade de os créditos trabalhistas serem objeto de rápida solução. 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 23/42 No entanto, com a edição da Lei nº 9.957 de 2000, podemos de fato vislumbrar a existência de dois procedimentos no Processo do Trabalho. Observe a seguir: Rito ordinário Descrito no capítulo III do Título X da CLT, é aplicávela todas as ações de competência da Justiça do Trabalho, com valor superior a 40 (quarenta) salários mínimos e não submetidas a um rito próprio. Rito sumaríssimo Descrito entre os artigos 852-A a 852-I da CLT, é aplicável às ações com valor inferior ou igual a 40 (quarenta) salários mínimo, desde que não figure em um dos polos da demanda, ente integrante da administração pública direta, autárquica ou fundacional. A adoção de um ou outro rito possui consequências práticas relevantes. Uma primeira distinção importante é que o rito sumaríssimo não admite citação por edital (artigo 852-B, II da CLT), ao contrário do rito ordinário (artigo 841 da CLT), o que impõe ao reclamante o ônus de indicar corretamente o nome e endereço do réu. Todavia, entendemos que tal dispositivo merece ser interpretado com parcimônia sob pena de obstaculizar o acesso à Justiça. Se até o CPC possui regras mais flexíveis (artigo 319, §§1º, 2º e 3º), outro não deve ser o posicionamento da Justiça do Trabalho. Outra distinção relevante é que o rito sumaríssimo possui regra específica de duração, conforme o inciso III do artigo 852-B da CLT. Embora estejamos diante de norma programática, cuja inobservância não dá ensejo a nulidade processual, fato é que processos submetidos ao rito sumaríssimo devem ser apreciados em até 15 (quinze) dias de seu ajuizamento, inexistindo regra semelhante para o rito ordinário. Quanto à prova testemunhal, é admitida em ambos os ritos. Contudo, as testemunhas numerárias (indicadas pelas partes) limitam-se ao número máximo de três no rito ordinário, enquanto no rito sumaríssimo o limite máximo é de duas. Ainda no campo probatório, o rito sumaríssimo prevê prazo de 5 dias para manifestação sobre laudo pericial pelas partes, e também determina que a conclusão do processo, após a interrupção da audiência para prova 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 24/42 pericial, ocorra, no máximo, em 30 dias. No rito ordinário, a prova pericial segue o rito do CPC, em razão da falta de expressa previsão na CLT, não se aplicando as regras do §§6º e 7º do artigo 852-H da CLT. No campo recursal, o procedimento no recurso ordinário submetido ao rito sumaríssimo é bem mais abreviado, nos termos do §1º do artigo 895 da CLT, dispensado revisor, com parecer oral do MPT e acórdão consistente na própria certidão de julgamento. Note-se que, nos termos do §2º do artigo 895 da CLT, os tribunais regionais do trabalho podem designar turmas específicas para julgamento de recursos em demandas sujeitas ao rito sumaríssimo. Tais dispositivos não se aplicam ao rito ordinário. Por fim, quanto ao recurso de revista, aquelas demandas submetidas ao procedimento sumaríssimo, possuem cabimento mais restrito, limitando-se aos casos de contrariedade a súmula do TST, a sumula vinculante do STF ou por violação direta da Constituição Federal (§9º do artigo 896 da CLT). No caso do rito ordinário, contudo, as hipóteses são mais amplas, sendo aquelas delineadas nas alíneas “a”, “b” e “c” do artigo 896 da CLT. Rito sumário Há quem mencione, ainda, a existência de um rito sumário, oriundo da Lei nº 5584 de 1970. Alguns autores defendem a subsistência de tal rito no Processo do Trabalho, mesmo após o surgimento do rito sumaríssimo, criado pela Lei nº 9.957 de 2000. Esse rito estaria previsto no artigo 2º da Lei nº 5.584 de 1970 e teria as seguintes características: a. Submeteria as demandas cujo valor da causa não excedesse a dois salários mínimos. b. Dispensaria o resumo e a transcrição dos depoimentos das partes/testemunhas, constando da ata apenas a conclusão do juiz quanto à matéria fática (o princípio da oralidade seria levado ao extremo). c. Não dariam ensejo a recursos, salvo em matéria constitucional. Parece-nos, todavia, que não há de se falar em procedimento sumário no Processo do Trabalho. O próprio artigo 1º da Instrução Normativa nº 27 de 2005 não menciona o rito sumário, limitando-se a citar os procedimentos ordinário e sumaríssimo. A sistemática do rito sumaríssimo, em nosso sentir, prevista a 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 25/42 partir do artigo 852-A da CLT, absorveu o regramento previsto na Lei nº 5584/1970, sendo as causas de até dois salários mínimos limitadas do ponto de vista recursal. Por fim, insiste-se que tal posicionamento não significa a total revogação do artigo 2º, §4º da Lei nº 5584 de 1970. Assim não há dúvida de que, malgrado a insubsistência do rito sumário, absorvido pelo rito sumaríssimo, a restrição recursal nas causas de até dois salários mínimos permanece vigente, só sendo possível o recurso em matéria constitucional. Esse é posicionamento dominante no c. TST (vide Súmula 356 e sua ampla jurisprudência, citando, por exemplo, o AIRR 57200-33.2008.5.04.0006, relator Ministro Maurício Godinho Delgado, 3ª Turma, julgado em 22.06.2012). 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 26/42 Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Bernardo Marques apresentou reclamação trabalhista em face de seu ex-empregador e da União Federal, alegando, em face desta última, sua responsabilidade subsidiária. Os pedidos liquidados somaram valor inferior a 40 salários mínimos nacionais. Considerando o caso, assinale a opção correta: A Deve a ação correr sob o rito ordinário, em que pese o valor da causa, em razão da presença da União. B Deve a ação correr sob o rito sumaríssimo, em razão do valor da causa, mesmo com a presença da União. 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 27/42 Parabéns! A alternativa A está correta. A presença da União faz com que a demanda, mesmo com o valor dado à causa inferior a 40 salários mínimos, tramite no rito ordinário (artigo 840, parágrafo único da CLT). Questão 2 Antônia ajuizou reclamação trabalhista em face de uma empresa terceirizada do setor de limpeza (empresa prestadora de serviços) e uma sociedade de economia mista federal, tomadora dos serviços (contratante), na qual estava alocada. Postula pedidos que alcançaram o valor de 10 salários mínimos nacionais. Assinale a afirmativa correta: C Deve a ação correr sob o rito ordinário, mas caso a primeira ré não seja encontrada, não será possível a citação por edital. D Deve a ação correr no rito sumaríssimo, e, em caso de prova testemunhal, cada parte poderá indicar até três testemunhas. E Deve a ação correr no rito sumaríssimo, e, em caso de prova testemunhal, cada parte terá direito a ouvir até duas testemunhas. A A ação tramitará pelo rito ordinário e Antônia poderá indicar três testemunhas ao juízo. B A ação tramitará pelo rito sumaríssimo e Antônia poderá indicar até duas testemunhas ao juízo. C A ação tramitará pelo rito sumário e da decisão proferida, não caberá recurso, salvo em matéria constitucional. D 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 28/42 Parabéns! A alternativa B está correta. Sociedade de economia mista não faz parte da administração direta (artigo 840, caput da CLT). Quanto ao limite de testemunhas, cada parte só pode indicar até duas testemunhas nos termos do artigo 852- H, §2º da CLT. 3 - Defesa e respostas do réu no Processo do Trabalho Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car as questões que envolvem a defesa em juízo e suas principais características no Direito Processual do Trabalho. A ação tramitará pelo rito sumaríssimo e da decisão proferida só caberá recurso em caso de violação de súmula vinculante do STF. E A ação tramitará pelo rito ordinário e Antônia não poderá realizar a citação por edital, caso a 1ª ré não seja encontrada. 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhistahttps://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 29/42 Revelia no Processo do Trabalho Os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa possuem natureza dúplice e se referem tanto ao autor quanto ao réu. Sabe-se que o processo é informado pela bilateralidade da audiência, sendo constituído por procedimento que ganha vida a partir do princípio dialético do contraditório. Firmadas essas premissas principiológicas, tem-se que o reclamado pode tomar três tipos de atitudes ou comportamentos após a sua citação: a. Comparecer e insurgir-se contra o pedido que o autor dirige contra si (apresentando sua resposta). b. Comparecer, não para se opor, e sim para aceitar como procedente o pedido feito pelo autor (gerando a extinção do processo com resolução do mérito). c. Manter-se omisso, não comparecendo e não participando do processo (incidindo no caso o disposto no artigo 844 da CLT). Este último caso é o que tecnicamente chama-se de revelia. Conceitua-se a revelia, em regra, como ausência da contestação em prazo e forma legais (conforme dicção do artigo 344 do CPC). No Processo do Trabalho, contudo, está ligada à ausência à audiência em que o réu deveria entregar a defesa. É o que decorre de forma clara do artigo 844 da CLT, pois o momento próprio em que o réu apresenta sua contestação é a audiência como decorrência do princípio da concentração dos atos em audiência e da oralidade. Efeito material da revelia A revelia produz o efeito de gerar a presunção (relativa) de veracidade de fatos alegados pelo autor, em expressão mais sintética, a confissão ficta ou presumida da parte ré. É o que dispõe expressamente o artigo 345 do CPC e, de forma menos técnica, o artigo 844 da CLT. 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 30/42 Contudo, torna-se importante ressaltar que a Lei nº 13.467 de 2017 inseriu o §4º no artigo 844 da CLT, trazendo hipóteses em que teremos revelia, mas sem os efeitos materiais, vale dizer, sem que haja a confissão presumida. O inciso I do §4º, artigo 844 da CLT, trata do litisconsórcio passivo, em que a reclamada que comparece ao processo contesta a pretensão deduzida pelo autor. Durante algum tempo, a doutrina debateu a que tipo de litisconsórcio se referiu tal dispositivo legal. Alguns defendiam que estamos diante do litisconsórcio necessário, outros que o inciso em questão tratou do litisconsórcio unitário. Com toda vênia que merecem os entendimentos anteriormente mencionados, nos posicionamos em sentido contrário. Em nosso sentir, na hipótese de qualquer litisconsórcio, simples ou unitário, facultativo ou necessário, podemos configurar a presente exceção. O primordial é que haja impugnação por parte do litisconsorte presente de matéria comum. Nesse particular já se posicionou o STJ e a jurisprudência majoritária. Uma segunda exceção prevista no artigo 844, §4º da CLT é a tratada no inciso II, que diz respeito ao litígio que verse sobre direitos indisponíveis. Sabemos que o direito indisponível é aquele em que o titular não é livre para manifestar sua vontade (quer de forma absoluta, quer de forma relativa), conforme previsão legal. Exemplo Oriundo do Direito Processual Civil, uma exemplificação típica é o caso da ação de investigação de paternidade, em que a revelia do demandado não exime o autor do ônus de provar que o réu é seu pai. Na seara trabalhista, podemos citar o caso da ação rescisória. Nesse aspecto, tem-se a Súmula 398 do TST. Também o inciso III do §4º do artigo 844 da CLT excepciona do efeito material da revelia os casos em que a petição inicial esteja desacompanhada de instrumento que a lei repute indispensável para a prova do ato. Como exemplo de aplicabilidade desse dispositivo legal ao Processo do Trabalho, temos o caso da certidão de nascimento em casos em que se postula o salário-família. A prova da filiação é feita claramente por meio da apresentação da certidão de nascimento, bem como sua entrega ao empregador (Súmula 254 do c. TST). 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 31/42 Por fim, temos o caso previsto no inciso IV, §4º do artigo 844 da CLT, que afasta a confissão nos casos de fatos inverossímeis ou no caso em que houve contradição com a prova constante dos autos. Observe a seguir as duas hipóteses existentes. A primeira hipótese já era admitida na doutrina, eis que o fato do reclamado ser revel não desobriga o juiz de verificar a presença no caso concreto dos pressupostos processuais e das condições da ação, por exemplo, ou mesmo da falta de razoabilidade das alegações do reclamante. Assim, a presunção de veracidade não é absoluta e insuperável, não podendo chancelar injustiças ou mesmo alegações desproporcionais. A segunda hipótese constitui-se em consequência lógica decorrente do §5º do artigo 844 da CLT. É importante salientar que, ainda que ausente a reclamada, a presença do advogado permite a aceitação da contestação e de documentos eventualmente apresentados. Efeitos processuais da revelia Produzindo a revelia seu efeito material, em regra, os fatos alegados pela parte não precisarão ser provados (artigo 348 do CPC), possibilitando o imediato julgamento da lide (artigo 355, II do CPC). Quanto ao efeito referente aos prazos processuais, nos termos do artigo 346 do CPC, estes correm independentemente de intimação em face do réu revel sem patrono constituído nos autos. Em outras palavras, o dispositivo prevê a desnecessidade de intimação do réu, salvo se tiver patrono constituído nos autos. Primeira hipótese Segunda hipótese 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 32/42 O problema é o disposto no artigo 852 da CLT, que expressamente prevê que as partes devem ser notificadas da sentença, na forma do §1º do artigo 841 da CLT. Prevalece, pois, o entendimento de que o dispositivo previsto no CPC é inaplicável na seara trabalhista. Contestação trabalhista Contestação e reconvenção Neste vídeo, falaremos sobre a contestação e a reconvenção no Processo do Trabalho. Podemos definir contestação como modalidade de resposta do réu pela qual ele exerce seu direito fundamental de defesa em juízo. Ressaltar-se que, ao contrário do Direito Processual Civil, a CLT ainda mantém a exceção de incompetência territorial como espécie de resposta do reclamado. Portanto, passaremos a expor as principais questões que envolvem a contestação trabalhista como uma das modalidades de insurgência do reclamado em relação às postulações do reclamante. 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 33/42 Ao contrário do Direito Processual Civil, a CLT ainda mantém a exceção de incompetência territorial como espécie de resposta do reclamado. Portanto, passaremos a expor as principais questões que envolvem a contestação trabalhista como uma das modalidades de insurgência do reclamado em relação às postulações do reclamante. Formalidades A contestação é o ato pelo qual o réu apresenta. Observe a seguir quais são as possibilidades: a. Defesas processuais, que se refere às matérias previstas no artigo 337 do CPC. b. Defesas de mérito, que se dividem em defesas diretas e defesas indiretas. Quanto às defesas de mérito, veja atentamente as suas subdivisões. Defesas diretas Trata-se da negação do fato constitutivo do autor. Defesas indiretas Trata-se da alegação de um fato extintivo, modificativo ou impeditivo. São matérias de defesa, ainda, a compensação e a retenção conforme expressamente disposto no artigo 767 da CLT e na Súmula 48 do TST. Atenção! Toda matéria de defesa deve ser alegada na contestação, tanto as matérias de fato como as de direito. Esse princípio significa que todas as alegações das partes devem ser produzidas de uma só vez, na primeiraoportunidade em que a parte tenha que se manifestar, ainda que contraditórias entre si. Por isso, também é denominado de princípio da concentração, de plena aplicabilidade ao Processo do Trabalho (art. 300 do CPC). O princípio da concentração tem algumas exceções, são elas: a. Questão relativa a direito ou fato superveniente conforme o disposto no artigo 493 do CPC e Súmula 394 do TST. 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 34/42 b. Questões que o juiz possa conhecer de ofício (decadência, prescrição ou defesas processuais em geral, com exceção da convenção de arbitragem, ante o disposto no §4º do artigo 337 do CPC). Outra regra importante em relação à contestação é aquela inscrita no artigo 341 do CPC. O reclamado tem o ônus de impugnar cada um dos fatos alegados pelo autor, de forma precisa e específica. A previsão legal da CLT é que a contestação seja apresentada em audiência, nos termos do artigo 847 da CLT. A previsão legal ainda prevê a possibilidade de defesa oral, fixando prazo de 20 minutos. Tecnicamente, não há prazo para apresentação da contestação. Contudo, a doutrina dominante tem fixado que o quinquídio, previsto na parte final do artigo 841, caput da CLT (lapso de cinco dias entre a data da notificação e a data de realização da audiência), deve ser observado como garantia mínima para que o reclamado possa elaborar sua defesa e buscar documentos. É causa, contudo, de nulidade relativa, já que o réu pode renunciar ao quinquídio, apresentar defesa e prosseguir nos atos processuais em audiência. Reconvenção e Processo do Trabalho A reconvenção, na realidade, não é uma modalidade de defesa, mas um “contra-ataque”. É uma demanda autônoma, oferecida pelo réu em face do autor. Podemos conceituá-la como a ação proposta pelo réu em face do autor, aproveitando-se do mesmo processo. O CPC de 2015, retroagindo ao CPC de 1939 (em seu artigo 190), passou a admitir que a reconvenção seja realizada junto com a contestação. Questão importante diz respeito ao cabimento do instituto no Direito Processual do Trabalho. Embora a CLT seja omissa nesse particular, a posição amplamente dominante admite a aplicabilidade da reconvenção na seara trabalhista. Há autorização no artigo 769 da CLT, ressaltando-se, contudo, que a reconvenção deverá seguir o regramento do CPC (artigo 343 e seguintes). 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 35/42 Reconvenção e procedimentos especiais Algumas ações que possuem procedimentos especiais suscitam a discussão quanto ao cabimento ou não da reconvenção. Analisamos, a seguir, alguns desses pontos polêmicos na doutrina e na jurisprudência. No que tange ao inquérito judicial, não é pacífico o entendimento quanto ao cabimento da reconvenção, por conta de sua natureza dúplice. Fato é que o artigo 495 da CLT define que “reconhecida a inexistência de falta grave praticada pelo empregado, fica o empregador obrigado a readmiti-lo no serviço e a pagar-lhe os salários a que teria direito no período da suspensão”. Alguns autores diante desse dispositivo legal se apressaram a dizer que a reconvenção não seria cabível na ação de inquérito, diante da natureza dúplice desse tipo de ação. Todavia, não nos parece ser a melhor visão. Há hipóteses em que o reclamante postula, além dos salários do período de afastamento, danos morais ou outras parcelas (horas extras, equiparação salarial, adicional de insalubridade/periculosidade). Também a ação de consignação em pagamento, diante do disposto no §2º do artigo 545 da CLT, suscita dúvidas na doutrina e na jurisprudência. No entanto, a mesma observação que fizemos quanto ao inquérito judicial merece ser lançada nesse particular. Exceção de incompetência territorial Procedimento A Lei nº 13.467 de 2017 realçou a independência do Direito Processual do Trabalho ao instituir, de forma expressa no artigo 800 da CLT, a exceção em estudo. O CPC de 2015, por sua vez, incluiu a matéria 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 36/42 pertinente à incompetência relativa entre aquelas preliminares que o réu deve suscitar antes de adentrar ao mérito, conforme artigo 337, inciso II. Em um primeiro momento, houve quem reputasse insubsistente a possibilidade do uso da exceção na seara trabalhista, em razão da nova disciplina do CPC, que abandonou o uso desse tipo específico de resposta do réu para as exceções dilatórias, vale dizer, matérias de defesa que não implicariam na extinção do processo. No Processo do Trabalho, contudo, mormente após a Lei nº 13.467/2017, deve a parte reclamada suscitar a referida exceção no prazo de cinco dias úteis, a contar da notificação a que alude o artigo 841 da CLT. De se notar que o legislador, em total compatibilidade com a simplicidade/informalidade do procedimento trabalhista, não exige formalidade específica, mas admite simples petição que “sinalize a existência da exceção”, independentemente do nomen juris dado pela parte. Questão polêmica na doutrina e na jurisprudência diz respeito à existência de preclusão em caso de inobservância do prazo previsto no artigo 800 da CLT, com a consequente prorrogação da competência relativa territorial. Parte da doutrina insiste na interpretação de que tal dispositivo em momento algum afasta a possibilidade de uso subsidiário do CPC, mormente em razão de se assegurar a ampla defesa e o contraditório e, ainda, de minimizar as dificuldades que pequenas empresas, empresários individuais e empregadores pessoas físicas encontram em suscitar a medida em prazo tão exíguo. O que a CLT exigiria, em síntese apertada, seria, tão somente, a aplicação do procedimento previsto nos parágrafos do mencionado dispositivo legal, sempre que a parte “optasse” pelo uso da exceção mencionada. Contudo, não nos parece ser essa melhor posição. Fato é que a SDI-2 do TST definiu posição pela obrigatoriedade do procedimento previsto na CLT, conforme CC 10467-93.2019.5.15.0013, julgado em 25/09/2020 e CC 1000129-26.2020.5.02.0283, julgado em 15/12/2020. 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 37/42 Essa visão do TST se coaduna com a interpretação teleológica do artigo 800 da CLT, que visou evitar deslocamentos desnecessários e dispendiosos por parte das empresas, bem como antecipar o procedimento, em caso de discussão sobre a aplicação do artigo 651 da CLT ao caso concreto. Comentário Fato é que, apresentada a exceção, impõe-se como consequência imediata e necessária a suspensão do processo, nos termos do §1º do artigo 800 da CLT. Ressalta-se que estamos diante de suspensão “imprópria” do processo, pois, na realidade, o juiz deverá prosseguir no julgamento da exceção, com oitiva das partes, no prazo comum de cinco dias, nos termos do §2º do artigo 800 da CLT, e até com oitiva de testemunhas, nos termos do §3º do mesmo dispositivo legal. A nova redação do §3º do artigo 800 da CLT prevê expressamente a possibilidade de produção de prova oral, com oitiva de testemunhas indicadas pelo excipiente, inclusive por carta precatória, com designação de audiência específica para tanto. Ressalta-se que também o excepto tem o direito de produzir a prova oral, malgrado o silêncio do dispositivo legal. Natureza da decisão e recorribilidade A decisão proferida pelo juízo onde suscitada a exceção de incompetência territorial possui natureza claramente interlocutória. Acolhida ou não a exceção, o procedimento seguirá no juízo competente, razão pela qual se trata de decisão que não se enquadra no artigo 203, §1º do CPC. Entretanto, com base no §2º do artigo 799 da CLT, o TST pacificou o entendimento de que da decisão que acolhe a exceção com remessa dos autos para tribunal regional distinto daquele a que se vincula o juízo excepcionado, orecurso é imediato, sendo certo se tratar do recurso ordinário. Vislumbra-se aqui uma das exceções ao princípio da irrecorribilidade imediata das decisões interlocutórias, expressamente prevista no item III da Súmula 214 do TST. 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 38/42 Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 39/42 Questão 1 O reclamado deverá apresentar exceção de incompetência territorial em processo trabalhista Parabéns! A alternativa D está correta. O prazo deve ser o de 5 dias, contados da notificação do reclamado, nos termos do artigo 800, caput da CLT. Questão 2 Segundo o disposto na CLT e a posição sumulada do TST, o instituto da compensação A no prazo de 10 dias, a contar da notificação, antes da audiência, em peça autônoma que permita sua identificação. B apenas com a contestação, como preliminar de mérito. C no prazo de 15 dias, a contar da notificação, antes da audiência, em peça que sinalize sua existência. D no prazo de 5 dias, a contar da notificação, em peça que sinalizar sua existência. E apenas em audiência, oralmente ou por escrito. A pode ser suscitado a qualquer momento e grau de jurisdição. B deve ser arguido por meio de exceção. 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 40/42 Parabéns! A alternativa C está correta. Compensação é matéria de defesa no Processo do Trabalho e deve ser suscitada na contestação, sob pena de preclusão, conforme literalidade do artigo 847 da CLT, reforçado pela Súmula 48 do TST. Considerações �nais Tivemos a oportunidade de estudar aspectos muito importantes da fase postulatória do Processo do Trabalho. As questões que envolvem a ação trabalhista, os procedimentos da Justiça do Trabalho e a defesa em juízo são essenciais para todos que militam na seara laboral. Institutos de vital importância foram objeto de estudo de modo a propiciar que o conhecimento dos instrumentos de postulação e de defesa perante da Justiça do Trabalho habilitem todos aqueles que querem atuar na consecução dos direitos fundamentais dos trabalhadores e na pacificação social dos conflitos entre capital e trabalho. Podcast C deve ser arguido em contestação, sob pena de preclusão. D pode ser suscitado até as razões finais, mas não há preclusão. E deve ser arguido até o trânsito em julgado da decisão, sob pena de preclusão. 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 41/42 Para finalizar, trataremos dos procedimentos dos dissídios individuais e recordaremos os principais aspectos da reclamação trabalhista. Explore + Assista ao vídeo Aud. Pública -Liquidação dos pedidos e limitação do valor da condenação atribuído na petição inicial, transmitido ao vivo em outubro de 2020, do TRT (9ª Região) IAC n° 0001088- 38.2019.5.09.0000, sobre a expressão “indicação de seu valor” constante do §1º do artigo 840 da CLT (com manifestações de várias entidades). Referências ALMEIDA, C. L. de. Direito Processual do Trabalho. 7. ed. Salvador: JusPodivm, 2019. BATALHA, W. de S. C. Tratado de Direito Judiciário do Trabalho. Volumes I e II. São Paulo: LTR, 1995. BERNARDES, F. Manual de Processo do Trabalho. 4. ed. Salvador: JusPodivm, 2022. CAIRO JUNIOR, J. Curso de Direito Processual do Trabalho. 13. ed. Salvador: JusPodivm, 2019. COSTA, C. C. Direito Processual do Trabalho. Rio de Janeiro: Forense, 1978. SCHIAVI, M. Manual de Direito Processual do Trabalho. 18. ed. São Paulo: LTR, 2022. SILVA, H. B. M. da S. Curso de Direito do Trabalho Aplicado. Volume 9. 3. ed. São Paulo: RT, 2016. 12/08/2023, 11:19 Fase postulatória trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40926/index.html# 42/42 Material para download Clique no botão abaixo para fazer o download do conteúdo completo em formato PDF. Download material O que você achou do conteúdo? Relatar problema 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 1/43 Provas Prof. Marcos Dias de Castro Descrição Estudo do instituto das provas no Direito Processual do Trabalho. Propósito Conhecer e dominar todos os aspectos que envolvem a prova no Direito Processual do Trabalho é aspecto essencial para o desenvolvimento de todos os profissionais que atuam na Justiça do Trabalho. É preciso que os operadores do Direito conheçam as questões técnicas que envolvem este instituto crucial para um bom desempenho profissional e vitória nas lides trabalhistas. Preparação Antes de iniciar o estudo, tenha em mãos uma versão atualizada do Código de Processo Civil (CPC) e da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 2/43 Objetivos Módulo 1 Objeto e ônus da prova Reconhecer o objeto e o ônus da prova nas demandas trabalhistas. Módulo 2 Produção antecipada de prova Analisar o procedimento da produção antecipada de provas e sua aplicabilidade na Justiça do Trabalho. Módulo 3 Meios de prova Identificar as principais questões sobre os meios de prova no Direito Processual do Trabalho. Introdução 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 3/43 Saber o que é necessário provar e quem tem o ônus de provar são circunstâncias que não podem ser desprezadas quem milita na Justiça do Trabalho. Como compreender o disposto no artigo 818 da CLT? Em que casos já se aplicava a possibilidade de inversão do ônus da prova, antes da Lei nº 13.467 de 2017? Serão questões abordadas neste conteúdo. O instituto da produção antecipada de provas também merece atenção especial, já que, malgrado sua previsão estar inserida no Código de Processo Civil, sua aplicabilidade na seara trabalhista é inquestionável. Serão abordados, ainda, meios de prova aplicáveis à Justiça do Trabalho, em especial o depoimento das partes, as provas documental, testemunhal e pericial, além da inspeção judicial. Todos os temas são essenciais para um trabalho de excelência na área trabalhista. Vamos saber mais sobre eles? 1 - Objeto e ônus da prova Ao �m deste módulo, você será capaz de reconhecer o objeto da prova e o ônus da prova nas demandas trabalhistas. 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 4/43 Conceito de prova A palavra prova é originária do latim probatio, que emana do verbo probare, significando examinar, persuadir e demonstrar. De nada adianta à parte ser efetivamente detentora do direito material se não conseguir demonstrá-lo em juízo, persuadindo o magistrado quanto à sua existência. Pode-se conceituar a prova como todos os meios considerados idôneos pela lei para demonstrar a existência ou não de um fato jurídico. Ou, de uma forma mais genérica, pode-se conceituar a prova como o conjunto de informações que o magistrado tem para resolver o conflito de interesses que lhe é submetido. Há, pois, uma concepção nos sentidos: Objetivo Da prova relacionada à atividade de provar ou aos meios com que tal atividade se desenvolve. Subjetivo Diz respeito ao resultado que tal atividade produz no espírito do juiz, que então, reputa comprovada ou não, determinada alegação da parte. Torna-se importante frisar que a finalidade da prova é, num primeiro plano, a formação da convicção do órgão julgador. Trata-se de questão intuitiva de que o primeiro e fundamental destinatário da prova é o julgador, conforme dispõe o artigo 369 do CPC, que destaca a prova como meio que se destina a influir eficazmente na convicção do juiz. Ressalte-se, contudo, que a concepção moderna de processo, mormente diante do disposto no artigo 6º do CPC, sustenta que todos os sujeitos processuais,parciais ou imparciais, são destinatários da prova. De forma mediata ou indireta, pode-se firmar que todos aqueles que possam basear seu comportamento em sociedade com base no que será decidido, também são destinatários da prova. Ainda mais no atual sistema de precedentes trazido a lume pelo CPC de 2015, em que os resultados vinculam judicial e extrajudicialmente não apenas os que participam do processo. Objeto da prova 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 5/43 Prova-se o que é necessário provar segundo o princípio da necessidade da prova. Alegações das partes em juízos não são suficientes, como regra, para demonstrar a verdade ou não de determinado fato. É necessário que a parte faça a prova de suas alegações em juízo, pois fatos não provados são tidos por inexistentes no processo. Contudo, torna-se necessário observar que nem todos os fatos devem ser comprovados, somente aqueles que se relacionam com a lide, ou ainda, que sejam relevantes para a solução da demanda. Em síntese, os fatos que merecem comprovação são aqueles: Pertinentes à causa Relacionam-se diretamente com a litiscontestação. Controversos São objeto de resistência pela outra parte quanto à sua efetiva existência. Inverossímeis Sua existência escapa ao juízo comum do “homem médio”. Contudo, alguns casos merecem análise mais detalhada. Fatos que independem de prova É o CPC que, no artigo 374, elenca os fatos que não dependem de prova. Citamos os fatos notórios, os fatos afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária (fatos confessados), os fatos admitidos no processo (fatos incontroversos) e os fatos que têm em seu favor uma presunção legal de existência ou veracidade (fatos presumidos). 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 6/43 Quanto aos fatos notórios, são aqueles inerentes à cultura mediana em determinada sociedade, considerando o momento de resolução do conflito. Exemplo A morte de um pai, empregado de uma empresa, decorrente de acidente de trabalho por culpa do empregador. É evidente que o filho ao ajuizar a demanda não precisa comprovar o dano moral, neste caso, in re ipsa. Outro caso é o uso indevido da imagem do trabalhador, sem sua autorização expressa. No que diz respeito aos fatos que são objeto de confissão, cabe duas ressalvas. Os casos de confissão ficta, de natureza relativa, admitem prova em contrário. É o que ocorre no caso do preposto que revela desconhecimento dos fatos da lide, nos termos do §1º do artigo 843 da CLT ou o caso previsto na Súmula 74, item I e III do TST (referente à confissão por ausência à audiência de instrução, apesar da intimação). Por igual, mesmo uma confissão real, de natureza absoluta, quando presente conluio entre as partes, o magistrado pode valer-se de seu poder-dever de buscar a verdade real. Essa última ressalva também cabe no que diz respeito aos fatos incontroversos, bem como àqueles que estão cobertos por alguma presunção, tanto a relativa (juris tantum) quanto a absoluta (jure et de jure). Mais uma vez, presunções relativas, tanto legais quanto jurisprudenciais (como aquelas previstas nas Súmulas 12, 16, 43, 212 e 443 do TST), também admitem prova em sentido contrário, sendo certo que o inciso IV do artigo 374 do CPC diz respeito às presunções legais absolutas. Por fim, uma palavra sobre as “máximas de experiência”, instituto de uso comum por magistrados trabalhistas na resolução das demandas que lhes são submetidos. Estamos falando de conhecimentos adquiridos pelo juiz, tanto por sua cultura pessoal quanto pelo exercício funcional, que o faz presumir a existência de determinadas situações ou coisas. Exemplo Vamos pensar no labor extraordinário no ramo do comércio na época das festas de fim de ano: é comum que vendedores trabalhem mais, visando à época propícia para maiores ganhos. O juiz pode presumir a existência de fatos que as regras de experiência comum ou técnica, derivadas de seu exercício funcional ou da observação do cotidiano da vida, lhe pareçam razoáveis. Há autorização no artigo 375 do CPC e no artigo 852-D da CLT. Contudo, tem-se presunção relativa, que admite prova em sentido contrário, não se enquadrando especificamente nas regras do artigo 374 do CPC. 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 7/43 Prova do Direito e instrumentos normativos Sendo o Direito material e Processual do Trabalho ramos jurídicos que cabem à União Federal legislar, nos termos do artigo 22, inciso I da Constituição, será bastante incomum a necessidade de prova de Direito estadual ou municipal. Em regra, o juiz não necessita da comprovação, já que iura novit curia, sendo obrigação do magistrado o conhecimento das regras jurídicas que lhe cabe aplicar aos casos concretos. Contudo, a regra prevista no artigo 376 do CPC, permite ao juiz determinar a comprovação dos costumes específicos de determinadas categorias profissionais ou econômicas, bem como direito municipal ou estadual que eventualmente se apliquem à relação de direito material que é objeto de discussão judicial. No que tange ao Direito estrangeiro, a mesma regra se impõe. É que dada a competência internacional da Justiça do Trabalho fixada no §2º do artigo 651 da CLT, o juiz do trabalho pode se deparar com relação de emprego com atividades no exterior, submetida à legislação de direito material alienígena (caso mais favorável, nos termos da Lei nº 7.064/82). Também neste caso, caberá ao magistrado determinar ou não, a comprovação da legislação suscitada pelas partes, também nos termos do artigo 376 do CPC. Resta-nos a questão das normas coletivas ou instrumentos normativos. O juiz tem a obrigação de conhecer os acordos coletivos e convenções coletivas que se aplicam à relação jurídica de direito material existente entre as partes? Neste aspecto, três posições se formaram. Vamos conferir! Com base no princípio da conexão que informa o processo eletrônico e no princípio da cooperação (artigo 6º do CPC), defende-se que cabe ao juiz buscar o instrumento normativo respectivo, acessando, para tanto, o sistema “mediador” mantido pelo Ministério do Trabalho e Emprego em seu sítio na rede mundial de computadores, onde se encontram registrados todos os instrumentos normativos em todas as bases territoriais do Brasil. Não haveria l d l t l l ã d d h i t d l ti t 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 8/43 Ônus da prova na Justiça do Trabalho Ônus da prova e teorias relacionadas Confira agora o ônus da prova no Processo do Trabalho e as teorias que o explicam. qualquer desculpa para eventual alegação de desconhecimento da norma coletiva por parte do Judiciário. Defende-se que, para instrumentos normativos, não se aplica o princípio do jura novit curia, havendo a necessidade de comprovação do conteúdo e da vigência da norma coletiva, aplicando-se, por analogia, o artigo 376 do CPC. Caberia ao magistrado conceder prazo para tal comprovação e, caso houvesse inércia da parte, o pedido fundamentado no acordo ou na convenção coletiva seria julgado improcedente. Muito similar à segunda corrente detalhada, difere, apenas, na consequência, já que a inércia da parte implicaria a extinção sem resolução do mérito em razão da ausência de juntada de documento indispensável para a resolução da lide, com base no disposto na Súmula 263 do c. TST. Seria solução benéfica para as partes, pois não se submeteria ao manto da coisa julgada material. 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 9/43 Do ponto de vista etimológico, ônus quer dizer carga, fardo, gravame. Em verdade, porque o juiz está obrigado a julgar, não lhe é possível abdicar deste dever sobre a alegação de que prova nada lhe diz. Numa primeira aproximação técnica, pode-se dizer que as regras de ônus da prova servem aoauxílio do magistrado em seu poder-dever de julgar, já que à míngua de provas que lhe convençam o espírito quanto às alegações da parte, pode julgar contra a parte que detinha o ônus da prova. O ônus da prova é o encargo (ou dever processual) que incumbe às partes, que descumprido, gera para a parte recalcitrante uma situação jurídica de desvantagem. Há quem divida o instituto em: Ônus da prova objetivo Refere-se às regras de julgamento dirigidas ao julgador, a fim de orientá-lo na decisão na situação de “insuficiência” ou “inexistência” de provas. Ônus da prova subjetivo Refere-se às regras dirigidas às partes, que disciplinam quais fatos e em que circunstâncias lhes incumbem o encargo probatório. Existem várias maneiras de se distribuir esse encargo entre as partes, sendo que o Direito Processual brasileiro disciplina, basicamente, três formas: Regra geral Trata-se da distribuição estática ou legal, na qual a própria lei distribui o ônus probatório seguindo critérios pré-determinados. Regra de distribuição dinâmica ou �exível Trata-se da distribuição do ônus feita pelo juiz, sendo realizada de forma dinâmica, à luz do caso concreto que lhe é submetido. 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 10/43 O Direito Processual do Trabalho, contudo, admite apenas as duas primeiras formas de distribuição do ônus da prova. É que as regras processuais trabalhistas se revestem de uma imperatividade específica, em razão do princípio da proteção. Nesse sentido, a Instrução Normativa 39 de 2016 do TST, no artigo 3º, inciso VII, afastou a aplicação da distribuição do ônus da prova por convenção das partes. Teoria estática do ônus da prova A regra geral no Direito Processual do Trabalho é prevista no artigo 818, incisos I e II da CLT, que repete o disposto no artigo 373, incisos I e II do CPC, apenas com a substituição dos termos “autor” e “réu” por “reclamante” e “reclamado”. Por fato constitutivo, temos o fato gerador do direito afirmado pelo reclamante em juízo. Em outras palavras, é dever do reclamante comprovar o fato que determinou o nascimento de seu direito. Assim, cabe ao trabalhador reclamante comprovar o ato ilícito do empregador que lhe gerou danos materiais ou morais, ou ainda, comprovar o vício de manifestação de vontade para anular um pedido de demissão. Tudo com base no artigo 818, inciso I da CLT. Contudo, o reclamado pode deduzir fatos impeditivos ao direito do autor, vale dizer, fatos cuja existência obsta a produção de efeitos ao fato constitutivo, pois impede o nascimento do direito. Os fatos impeditivos são sempre “conaturais” ao fato gerador (constitutivo), e invalida seus efeitos no nascedouro do direito. Regra de distribuição convencional Trata-se de quando as partes, através de negócio jurídico processual típico, ajustam de quem será o encargo probatório (artigo 373, §3º do CPC). 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 11/43 Como exemplo, podemos citar os casos em que o reclamado invoca uma das hipóteses dos incisos I e II do artigo 62 da CLT, devendo comprovar a condição de “externo” do trabalhador ou de exercente de “cargo de gestão”. Já os fatos modificativos são aqueles que enxertam modificação nos fatos suscitados pelo autor que lhe alteram a natureza ou configuração. Os fatos constitutivos ocorrem, mas não geram o direito na forma em que narrada pelo reclamante. Exemplo Imagine um caso de acidente de trabalho, que não é negado, mas o reclamado invoca culpa exclusiva da vítima. Nesse cenário, será do empregador o ônus de comprovar o fato modificativo. Por fim, os fatos extintivos são aqueles que retiram a eficácia dos fatos constitutivos. Estes ocorrem, mas têm os seus efeitos retirados pelo fato extintivo, que os tornam inexigíveis. Como exemplo, podemos citar as alegações de pagamento (quitação) ou compensação das horas extras eventualmente laboradas. Será do reclamado o ônus de comprovar tais fatos extintivos. A jurisprudência elenca vários casos de aplicação da distribuição estática do ônus da prova. O caso da prova na equiparação salarial, conforme Súmula 6, item VI do TST é paradigmático, eis que deixa evidente que os fatos constitutivos do direito do autor, identidade de funções e labor para o mesmo empregador, incumbe ao trabalhador. Todos os demais requisitos do artigo 461 da CLT, por enquadrarem-se no inciso II do artigo 818 da CLT, devem ser demonstrados pelo reclamado, caso sejam invocados em sua peça de defesa. Exemplos paradigmáticos de aplicação da teoria estática encontram-se expressos nas Súmulas 460 e 461 do TST. Ela deixa claro que, quando uma empresa reclamada nega a inexistência de diferenças de FGTS, está, em última análise, alegando fato extintivo do direito do autor, qual seja, o efetivo recolhimento de todos os depósitos. A primeira, por sua vez, demonstra que, quando a empresa nega o direito ao vale transporte, atrai para si o ônus da prova, pois, em verdade, está alegando fato impeditivo, qual seja, a ausência dos requisitos indispensáveis para a concessão do benefício. Por fim, importa mencionar que tem se admitido, na jurisprudência, situações atípicas que não redundam em inversão do ônus da prova. Teoria dinâmica do ônus da prova A teoria dinâmica permite ao magistrado, de acordo com o caso concreto, distribuir o ônus da prova de forma diversa daquela prevista como regra geral (teoria estática), em razão de expressa determinação legal (inversão ope legis ou legal) ou em razão de circunstâncias do caso concreto (inversão ope judicis ou judicial). 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 12/43 Há vários casos de inversão legal do ônus da prova como os casos do artigo 14, §3º, inciso I do CPC e do artigo 38 do CDC. Contudo, na seara trabalhista, os casos mais proeminentes são os de inversão judicial, mormente aqueles baseados em presunções, princípios ou na exigência de prova pré-constituída. Fato é que a previsão para a aplicação da teoria dinâmica encontra-se no artigo 818, §1º da CLT. Especificamente, a inversão judicial submete-se a certos pressupostos que podemos sintetizar da seguinte forma: É notório que a decisão interlocutória que inverte o ônus da prova, embora desafie agravo de instrumento no Direito Processual Civil (conforme artigo 1015, XI do CPC e acórdão do STJ no REsp 1.802.025-RJ), não há recurso cabível na seara trabalhista, em razão do princípio da irrecorribilidade das decisões interlocutórias. A inversão judicial do ônus da prova já era prática comum na Justiça do Trabalho, com a chancela inclusive do TST através de súmulas específicas. Vejamos alguns casos específicos: O caso previsto na Súmula 212 do TST implica clara inversão do ônus da prova, em razão de uma presunção decorrente do princípio da continuidade da relação de emprego. Assim, ao empregador incumbe o ônus de A presença de um dos pressupostos materiais, quais sejam, a impossibilidade ou excessiva dificuldade para uma das partes em cumprir o encargo probatório, segundo a teoria estática, ou ainda, a maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário pela outra parte. A presença dos pressupostos formais, quais sejam, decisão interlocutória motivada e que seja proferida antes da abertura da instrução (para propiciar, inclusive, o adiamento da audiência), nos termos do §2º do artigo 818 da CLT. A ausência do pressuposto negativo, ou seja, que a inversão não gere situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil (prova diabólica, nos termos do §3º do artigo 818 da CLT). 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 13/43 provar o término do contrato de trabalho quando negados a prestação de serviços e o despedimento do trabalhador. Outro caso digno de nota é o da Súmula 443 do TST que, claramente, inverte o ônus da818 da CLT e 373 do CPC), que deve ser sopesado no caso concreto. Se a prova é pouco convincente ou deixa o juiz em dúvida, deve este decidir contra quem tinha o ônus da prova no caso concreto. Desse modo, o princípio deve ser utilizado apenas na intepretação da lei existente ou para inspirar o legislador, mas nunca em matéria probatória. 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 8/51 Princípio da oralidade O Direito Processual do Trabalho é marcado por um procedimento essencialmente oral, no qual encontramos a primazia da palavra. Desde suas origens, esse ramo do Direito Processual notabilizou-se por maior interatividade entre partes e juiz, por uma concentração dos atos processuais na audiência e pela simplificação dos atos processuais. A Lei nº 5.584/70 e os procedimentos que se desenvolvem no rito sumaríssimo, por exemplo, dispensam a transcrição dos depoimentos, dando máxima ênfase à “palavra falada”, bastando ao juiz reduzir a termo a conclusão a que chegou a partir desses depoimentos (art. 2º, §3º da Lei nº 5584/70 e art. 852-F da CLT). A oralidade é parte essencial em uma audiência, por exemplo. Tal oralidade atingiu o ápice com as audiências telepresenciais, que são inteiramente gravadas e dispensam a transcrição dos depoimentos das partes e testemunhas (Resolução 105 de 2010 do Conselho Nacional de Justiça e Resolução 185 de 2017 do Conselho Superior da Justiça do Trabalho). São consequências diretas do princípio da oralidade (que se opõe ao princípio da escritura), os princípios da imediatidade, da concentração dos atos processuais em audiência e da irrecorribilidade imediata das decisões interlocutórias. Exemplo de audiência telepresencial, que conta com a facilidade de ser gravada. Princípio da irrecorribilidade imediata 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 9/51 Um dos princípios mais próprios do Direito Processual do Trabalho é a irrecorribilidade imediata das decisões interlocutórias. A doutrina mais clássica enxerga nesse princípio decorrência própria da oralidade marcante de tal ramo do Direito. Com sede no art. 893, §1º da CLT, por tal princípio não se admite recurso imediato das decisões interlocutórias proferidas por juízes em processos de competência da Justiça do Trabalho. Irrecorribilidade é um dos princípios mais importantes do Direito. Assim, se um magistrado trabalhista indeferea produção de uma prova pericial, por exemplo, entendendo-a desnecessária e passando à oitiva de testemunhas, somente apósa prolação da sentença poderá a parte prejudicada suscitar, em recurso ordinário, a nulidade do ato judicial por cerceamentode defesa. Nos termos da lei, “o merecimento das decisões interlocutórias” só pode ser avaliado quando do recurso da decisão definitiva (sentença). Por fim, vale destacar que o princípio da irrecorribilidade imediata das decisões interlocutórias possuem algumas exceções. Vamos conferi-las? I As decisões prolatadas em incidentes de desconsideração da personalidade jurídica na fase de execução ou recursal (art. 855-A, incisos II e III da CLT). II As decisões denegatórias da admissibilidade de recursos (que podem ser atacadas por agravo de instrumento, nos termos do art. 897, “b” da CLT). III Decisões interlocutórias de Tribunal Regional do Trabalho que contrariem Súmula ou OJ do TST (Súmula 214,I do TST). IV 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 10/51 Decisões suscetíveis deimpugnação medianterecurso para o mesmo tribunal (conforme item II da Súmula 214do TST, casos de hipótesesde uso do agravo regimental). V Decisão que acolhe exceção de incompetência territorial com remessa dos autos a tribunal regional distinto daquele a que se vincula o juízo excepcionado (Súmula 214, III do TST em interpretação lógica do art. 799, §2º da CLT). Princípio da simplicidade do procedimento A ideia de uma informalidade ou simplicidade do procedimento trabalhista remonta à sua própria origem. Ou seja, ressaltar que o Direito Processual do Trabalho nasceu quando ainda vigorava o CPC de 1939, que era marcado por um formalismo excessivo, do qual o legislador trabalhista quis fugir de forma clara. Basta observar o teor do art. 769 da CLT, a fim de verificar que a exigência de compatibilidade principiológica para aplicação subsidiária das normas processuais civis não tinha outro escopo. De fato, o Direito Processual do Trabalho é claramente informal, orientando-se por normas menos formais com o propósito de conferir celeridade à resolução dos conflitos na Justiça do Trabalho. Direito Processual tem foco em resolver conflitos com agilidade. Os sintomas desse princípio se encontram em várias circunstâncias próprias da nossa disciplina, por exemplo: 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 11/51 Princípio da ampliação dos poderes instrutórios do juiz Princípio expresso no art. 765 da CLT, a ampliação dos poderes instrutórios do magistrado trabalhista, em certa medida, decorre de certo protagonismo conferido ao juiz pelas regras de Direito Processual do Trabalho. Se também na seara trabalhista não se admite que o início do processo se dê por ato ex officio, uma vez instaurada a relação jurídica processual, exige-se do juiz uma postura ativa. I A notificação inicial é efetuada pelo cartório (art. 841 da CLT) logo após a distribuição do processo. II A inexistência de despacho liminar ou de despacho saneador como regra, sendo o primeiro contato do magistrado com o processo na audiência, salvo exceções. III A existência de procedimentos ainda mais abreviados (como aquele previsto no art. 2º da Lei nº 5.584/70, que dispensa, inclusive, transcrição de depoimentos colhidos em juízo). IV A inaplicabilidade de uma série de regras do CPC por conta de prejuízo à celeridade própria do Processo do Trabalho (vide, por exemplo, o teor da OJ 310 da SDI-1 do TST). 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 12/51 CLT ampliou poderes instrutórios do magistrado trabalhista. Contudo, não há que se concluir que a CLT adotou procedimento inquisitivo, instaurado de ofício e sem a possibilidade de ampla participação das partes. Trata-se de um procedimento permeado pelo contraditório, mas que, uma vez instaurado, permite ao magistrado maiores poderes na direção do processo na formação do seu convencimento e na busca pela verdade. É nesse sentido que temos o art. 878 da CLT (admitindo a execução de ofício quando não assistido o reclamante por advogado), o art. 114, VIII da Constituição e o art. 43 da Lei nº 8.212 de 1991 (determinam a execução de ofício das contribuições previdenciárias sobre os valores que forem objeto de condenação na Justiça do Trabalho). Princípio da conciliação O princípio da conciliação (ou da conciabilidade) é tão antigo quanto a instituição da Justiça do Trabalho, que já foi, por isso, tida por muitos como a “Justiça da Conciliação”. Desde o seu nascedouro, com as antigas Juntas de Conciliação e Julgamento, esse ramo do Judiciário sempre foi marcado pela conciliação a ponto de o parágrafo primeiro, art. 764 da CLT, expressamente determinar que os juízes enviem “seus bons ofícios e persuasão” para obter a conciliação. Nesse passo, é importante frisar que a tentativa de conciliação é um dever para os magistrados trabalhistas, nos termos do caput do art. 764 da CLT. Sendo a conciliação, em última análise, solução da lide que tem origem nas partes, parece-nos a melhor forma de resolução de conflitos, ainda que haja a intermediação do juiz. 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 13/51 A conciliaçãoprova quando o trabalhador dispensado for portador de doença grave que suscite estigma ou preconceito (como a AIDS). Nesses casos, já há uma presunção de dispensa discriminatória, incumbindo ao empregador o ônus de comprovar que a dispensa desse trabalhador não ocorreu. Por fim, citamos os casos previstos na Súmula 338 do TST. No item I, temos o caso do empregador que, nos termos do §2º do artigo 74 da CLT, é obrigado a manter registro de jornada de trabalho de seus empregados. A omissão do empregador gera presunção de veracidade da jornada de trabalho alegada pelo trabalhador, que pode ser elidida por prova em contrário, que deverá ser produzida pelo reclamado. Típico caso de inversão do ônus probatório, já que, inicialmente, a prova seria do empregado por se tratar de fato constitutivo de seu direito. O item III da Súmula 338 do TST também gera inversão do ônus da prova, pois parte da premissa de que controles de jornada com horários invariáveis são imprestáveis como meio de prova. Logo, passa a ser do empregador o ônus de demonstrar a inexistência de horas extras também nesses casos. 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 14/43 Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Em ação trabalhista, João requereu a condenação da Empresa DADOS ELETRÔNICOS S/A pelo não recolhimento do FGTS. O autor não juntou os extratos do FGTS. A reclamada negou os fatos narrados na inicial e afirmou que todos os depósitos foram recolhidos durante a contratualidade. Nenhum documento foi juntado. Diante de tais fatos, assinale a alternativa correta. A O pedido deve ser julgado improcedente, pois era ônus do autor demonstrar a insuficiência de depósitos. 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 15/43 Parabéns! A alternativa B está correta. Se houve alegação de correto recolhimento, a parte ré atraiu para si o ônus da prova (fato extintivo do direito do autor), conforme a Súmula 461 do TST. Questão 2 Em audiência trabalhista, o juiz recebeu a defesa da Empresa XYZ S/A e diante das circunstâncias do caso concreto, proferiu decisão de inversão do ônus da prova em desfavor da reclamada. Como a empresa não tinha testemunhas, por entender que o ônus caberia ao trabalhador, o juiz adiou a audiência para 30 dias depois. Qual o recurso cabível em face dessa decisão? B O pedido deve ser julgado procedente, pois era ônus do réu comprovar o recolhimento dos depósitos. C O juiz deve extinguir o feito sem resolução do mérito, já que o autor não juntou documento obrigatório (extratos do FGTS). D O pedido deve ser julgado improcedente, por falta de provas. E O juiz deve conceder prazo às partes para que comprovem suas alegações. A Recurso ordinário, nos termos do artigo 895, I da CLT. B Agravo de instrumento, nos termos do artigo 1015, XI do CPC. C Agravo de petição, nos termos do artigo 897, “a” da CLT. D Recurso de revista, nos termos do artigo 896, “a” da CLT. 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 16/43 Parabéns! A alternativa E está correta. A decisão que inverte o ônus da prova tem natureza de decisão interlocutória. Então, não há nenhum recurso cabível conforme o disposto no §1º do artigo 893 da CLT. 2 - Produção antecipada de prova Ao �m deste módulo, você será capaz de analisar o procedimento da produção antecipada de provas e sua aplicabilidade na Justiça do Trabalho. Conceito e natureza jurídica A produção antecipada de prova é regulamentada nos artigos 381 a 383 do Código de Processo Civil. Ainda que a CLT seja silente a respeito, não há qualquer dúvida de que tal instituto é aplicável na seara trabalhista, E Nenhum recurso, em razão do disposto no artigo 893, §1º da CLT. 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 17/43 em razão da omissão na legislação obreira e também da compatibilidade do instituto com as regras processuais laborais, nos termos do artigo 769 da CLT. Anteriormente tratada como ação cautelar, o CPC de 2015 passou a reconhecer um direito autônomo à produção da prova, totalmente independente dos fatos correlacionados às questões de direito material cuja existência a prova pretende demonstrar (YARSHELL, 2016, p. 1150). Comentário Fato é que o próprio artigo 381 do CPC deixa cristalina a circunstância de que a prova produzida no PAP (como passaremos a denominar o instituto), não se vincula, sine qua non, a um futuro processo ou a uma “ação principal”, já que é possível celebrar acordo extrajudicial (inciso II do artigo 381 do CPC) ou mesmo não ingressar com a demanda, a partir da percepção da parte de que não é titular de qualquer direito material (inciso III do artigo 381 do CPC). Evidentemente, malgrado o mencionado anteriormente, o PAP pode assumir a condição de “ação preparatória”, na medida em que evita o risco de se perder a oportunidade de produção efetiva da prova. Podemos citar como exemplos trabalhistas os seguintes: A oitiva de uma testemunha gravemente enferma, mas que tenha participado do evento que ocasionou um acidente de trabalho com o trabalhador. O iminente fechamento do estabelecimento empresarial, razão pela qual se faz realizar perícia (OJ 275 da SDI-1 do TST). A produção de prova documental que se encontra em poder do empregador para que se possa verificar a viabilidade da demanda e/ou liquidar os pedidos. Por fim, quanto à natureza jurídica, há certa controvérsia na doutrina. Didier Jr. et al. (2016, p. 142), por exemplo, defende tratar-se de jurisdição voluntária, negando ao PAP o caráter cautelar. Outra corrente, citando Yarshell (2016, p. 1165), defende o caráter tipicamente jurisdicional, não se tratando de simples procedimento de jurisdição voluntária. Em verdade, o instituto possui claro caráter de jurisdição voluntária, já que o Poder Judiciário age de forma imparcial, velando pela tutela dos interesses das partes, mas não emite juízo de valor sobre a prova obtida. No seu procedimento, como termos oportunidade de descrever, não se admite defesa, interposição de recursos (como regra geral), razão pela qual a decisão final não resulta de atividade cognitiva exauriente nem se reveste de coisa julgada material. 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 18/43 Interesse de agir É lição conhecida que o interesse de agir se configura por: Necessidade O meio escolhido é imprescindível para satisfazer a sua pretensão. Utilidade O meio escolhido possui aptidão para produzir os efeitos desejados. Nesse passo, cumpre-nos descrever quando se consubstancia o interesse de agir para que as partes possam se valer do instrumento em estudo. Em geral, não há necessidade de que se indique o pedido a ser formulado em ação futura, pois, como já dito, a produção antecipada de prova não está vinculada a um processo principal, que pode não vir a existir. Contudo, em algumas circunstâncias, ainda mais na seara trabalhista, a indicação do direito material pode ser necessária para deflagar a utilidade da ação de produção de provas. Exemplo Se o trabalhador deseja averiguar a correção do pagamento das horas extras que foram laboradas e registradas nos controles de jornada, deve postular, além da exibição dos controles de ponto, também dos recibos salariais, pois só assim conseguir aferir a regularidade do pagamento. Caso postulasse a oitiva de uma testemunha, o interesse utilidade no procedimento não estaria presente, dado o direito material invocado pela parte. Portanto, já na petição inicial da produção antecipada de provas, torna-se necessário identificar o interesse- necessidade e o interesse-utilidade do procedimento, sob pena de indeferimento liminar. 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 19/43 Cabimento para prova documental Questãocontrovertida diz respeito ao cabimento da ação de produção antecipada de provas para obter prova documental. Theodoro Jr. (2015, p. 917) e Didier Jr. (2016, p. 235) excluem a prova documental daquelas que podem ser objeto do PAP, porque já existe o procedimento de exibição de documentos, que pode acontecer, inclusive, no curso da ação principal já ajuizada (artigo 396 a 404 do CPC). Contudo, não nos parece ser a melhor posição. O incidente de exibição de documentos ainda persiste, mas tem natureza exclusivamente incidental. Todavia, parece-nos que nada há na regulamentação legal da produção antecipada de provas que exclua a prova documental, não cabendo intepretação restritiva do disposto nos artigos 381 a 383 do CPC. Até porque o uso do PAP pode ser necessário para verificar a viabilidade ou não da ação judicial de natureza contenciosa, sendo a prova documental, como as demais, importante na formação da convicção das partes neste aspecto específico. Atenção! Na produção antecipada de provas, o juiz não emite juízo de valor sobre as provas produzidas e não profere decisão que seja de observância obrigatória para qualquer juiz em processo futuro, razão pela qual as consequências previstas no incidente de exibição de documentos não se aplicam ao instituto em exame. Procedimento Procedimento da produção antecipada de provas Confira agora o procedimento da produção antecipada de provas no Processo do Trabalho. 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 20/43 Competência Não há qualquer dúvida quanto à aplicação do instituto à Justiça do Trabalho. Contudo, a competência da Justiça do Trabalho ocorrerá quando os fatos subjacentes à relação de direito material existente entre as partes se inserirem em um dos incisos do artigo 114 da Constituição. Em apertada síntese, os fatos precisam ser oriundos ou decorrentes de uma relação de trabalho. Outro ponto importante diz respeito à competência territorial. Aqui, há tensão entre o disposto no §2º do artigo 381 do CPC (que prevê a competência do juízo onde a prova deva ser produzida ou no domicílio do réu) e o critério clássico do artigo 651 da CLT (lugar da prestação de serviços). Há claramente a previsão de competência concorrente, muito criticada pela doutrina, já que a opção pelo foro domicílio do réu poderá levar à necessidade de uma carta precatória (se o local da prova for diverso). Em verdade, a regra da competência concorrente prevista no §2º do artigo 381 do CPC deve se adequar à regra de competência territorial trabalhista. Assim, a parte interessada em ajuizar a produção antecipada de provas deve compatibilizar as duas regras: Por fim, resta observar que o ajuizamento do PAP não previne a competência do juízo para ação principal que vier a ser proposta, nos termos do §3º do artigo 381 do CPC. Assim, a reclamação trabalhista que vier a Se o foro do domicílio do réu for o local da prestação de serviços, deve-se optar por tal foro. Se o local da prova for o lugar do labor do trabalhador, este deve ser o foro eleito, mormente se o foro do domicílio do réu for diverso. Isso porque as regras de competência territorial trabalhista têm claro aspecto protetivo e não podem ser afastadas ab initio, salvo nos casos de prorrogação da competência. 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 21/43 ser ajuizada deverá se submeter à livre distribuição, sem prevenção do juízo onde o PAP tramitou anteriormente. Fase postulatória A produção antecipada de provas possui especificidades em seu procedimento muito marcantes. Não há defesa, nem recursos, salvo, nesse último caso, em se tratando de decisão que indeferir totalmente a prova requerida nos termos do §4º do artigo 382 do CPC. Em verdade, não há necessidade da realização de audiência para recebimento de defesa (como acontece nos processos trabalhistas em geral), a não ser que o tipo de prova, cuja produção se deseja, o exija, como nos casos de prova testemunhal ou depoimento de uma parte). De toda sorte, citados os interessados, inicia-se o procedimento da produção da prova, de acordo com o meio de prova requerido pelo autor. Assim, a prova pericial seguirá o procedimento próprio desse meio de prova, assim como a prova testemunhal ou documental. Note-se que é possível às partes cumular a produção de mais de um meio de prova no mesmo procedimento, desde que relacionada ao mesmo fato, nos termos do §4º do artigo 382 da CLT. A única ressalva é se a produção conjunta acarretar excessiva demora, caso em que o magistrado poderia indeferir a produção de um dos meios requeridos e determinar a produção do outro meio mais ágil. No caso específico do Direito Processual do Trabalho, entende-se que tal cumulação pode acontecer pela causa de pedir remota, vale dizer, por fatos decorrentes ou oriundos de uma mesma relação de emprego. Assim, seria possível a produção antecipada de uma prova testemunhal para comprovação de horas extras ou salário “por fora”, assim como a produção de prova pericial, tanto para o adicional de insalubridade quanto de periculosidade, desde que todos esses fatos estejam inseridos no bojo de uma mesma relação de emprego. Ainda que o juiz não se pronuncie sobre a prova em si e não exista defesa em sentido técnico, existem questões de ordem pública que podem ser objeto de contraditório. 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 22/43 Por exemplo, questões como a competência do juízo, a falta de interesse de agir e a inadmissibilidade da prova são matérias que o juiz poderia conhecer de ofício, sendo possível também às partes invocá-las no bojo do próprio procedimento. Quanto ao recurso, como já dito, só cabe em caso de indeferimento total da prova, conforme parágrafo 3º do artigo 382 do CPC. Todavia, se a produção da prova acarretar violação a direito líquido e certo da parte, admite-se o manejo do mandado de segurança. Exemplo Imagine um caso em que se viole a intimidade da parte, como na prova de “geolocalização” do trabalhador, através da requisição junto à operadora telefônica dos locais onde ele se encontrava, em horários que nada condizem com o horário de trabalho pactuado entre as partes. O mandado de segurança, previsto na Lei nº 12.016, de 2019, pode ser utilizado em casos como o presente, mormente à míngua de recurso próprio para atacar as decisões interlocutórias proferidas no PAP. Coisa julgada e consequências para ação principal Sendo procedimento de jurisdição voluntária, a produção antecipada de provas não admite contraditório quanto ao direito material decorrente dos fatos investigados. Desse modo, as decisões proferidas no PAP não fazem coisa julgada. Confira! Nada impede que o juiz da ação principal futura produza prova indeferida pelo juízo primeiro. Nada impede que o juiz da ação principal futura entenda que a prova produzida é insuficiente para formar o seu convencimento. Embora alguns autores defendam que a ação de produção antecipada de provas tem aptidão para coisa julgada, no que diz respeito à existência ou não do direito autônomo à prova, é dominante a visão que nem mesmo este direito à prova se reveste da imutabilidade de coisa julgada material. Isso porque este último 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 23/43 instituto necessita de cognição exauriente, sob o pleno exercício de faculdades processuais das partes, em procedimento que assegure livre e amplo acesso ao contraditório. Não é o caso do PAP. O corolário lógico é que nada impede o ajuizamento de outra ação antecipada de provas mesmo diante de um indeferimento anterior, ou ainda, nada impede que na ação principal se produza a prova indeferida na jurisdição voluntária. Se houve coisa julgada material sobre o direito autônomo à prova, não seria possível rediscutir a admissibilidade da prova na ação principal,o que se afigura como lesão inequívoca ao acesso à justiça. Sendo produzida a prova no procedimento em exame, não cabe novo pedido de produção da prova. Não se trata de coisa julgada material, mas de falta de interesse de agir, já que é desnecessária e inútil a medida, por já produzida integralmente a prova produzida no PAP anterior. Cabe ressalvar, contudo, que nada impede na ação futura a realização de nova prova, já sob o contraditório e cognição exauriente. Resta a questão da interrupção ou não da prescrição. De fato, a jurisprudência trabalhista dominante, com fulcro no artigo 202, inciso I do Código Civil e na Súmula 268 do TST, se posiciona no sentido de que a prescrição só é interrompida por uma ação anterior se houver formulação de pedidos idênticos. Parte da doutrina, nesse passo, entende que como não há possibilidade de formular o pedido correspondente ao direito material (se faz a perícia, mas não se pode postular o adicional de insalubridade, por exemplo), não se pode concluir pela interrupção da prescrição. Ainda que no PAP haja um delineamento do direito material a ser perseguido, isso acontece apenas para que se avalie a pertinência da prova a ser produzida. Este é o entendimento tradicional, prevalecente, pela não interrupção da prescrição. Contudo, tal posição merece ser revisitada. Mesmo o Superior Tribunal de Justiça (STJ) se posicionava no sentido de que a ação cautelar preparatória de produção antecipada de provas interrompia a prescrição, ainda que sob a égide do CPC de 1973. Havia coerência neste posicionamento, pois o credor não está inerte, muito em contrário, utiliza o procedimento para melhor solucionar o conflito que tem uma dimensão metajurídica. Relembrando 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 24/43 A produção antecipada de prova pode, inclusive, levar a uma solução convencionada entre as partes, inclusive extrajudicialmente. Em nosso sentir, o inciso V do artigo 202 do Código Civil fornece sentido a esse posicionamento. Afinal de contas, há ato judicial que já pode constituir em mora o devedor, mormente quando a prova confirma os fatos que embasam a pretensão de direito material ser exercida. Há, pois, clara interrupção da prescrição em nosso sentir. Já há decisões do STJ neste particular, sob a égide do CPC de 2015, como o Resp nº 1.1347.423-SP da relatoria do Ministro Luis Felipe Salomão (julgado em 20/03/2017). Por fim, ressaltamos que uma forma de interromper a prescrição que passa ao largo da controvérsia acima exposta, que é a cumulação do pedido de produção antecipada de provas junto com o protesto interruptivo da prescrição. Com essa medida, a interrupção da prescrição seria inquestionável. 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 25/43 Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Antônio ajuizou ação de produção antecipada de provas em face da EMPRESA RTP EMPREENDIMENTOS S/A, realizando perícia perante o Juízo da 18ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro. Após o fim do laudo pericial, o juiz arquivou o processo. Antônio, então, ajuizou reclamação trabalhista requerendo o adicional de insalubridade constatado na perícia e distribuiu a demanda à 18ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro. Acerca da conduta de Antônio, aponte a alternativa correta. A Antônio agiu acertadamente, pois o ajuizamento do PAP anterior previne a competência do juízo. B Antônio agiu acertadamente, pois a prova pericial foi realizada por perito de confiança do juiz da 18ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, sendo o magistrado vinculado para resolver o caso. C Antônio agiu equivocadamente, pois o ajuizamento do PAP anterior não previne a competência do juízo, devendo o feito ir à livre distribuição. D Antônio agiu equivocadamente, pois o ajuizamento do PAP anterior não previne a competência do juízo, devendo o feito ser distribuído à vara subsequente, qual seja, a 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 26/43 Parabéns! A alternativa C está correta. O ajuizamento de ação de produção antecipada de provas não previne a competência do juízo, pois é um procedimento cautelar de jurisdição voluntária, nos termos do §3º do artigo 381 do CPC. Questão 2 Em procedimento de produção antecipada de provas, Mário requereu a produção de prova pericial para demonstrar a existência de trabalho em condições insalubres. O juiz do Trabalho da 205ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte indeferiu a prova sob a alegação de que não era pertinente e que deveria ser realizada no bojo de uma reclamação trabalhista, extinguindo o processo sem resolução do mérito. Como advogado de Mário, qual seria a medida a ser tomada? 19ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro. E Antônio agiu acertadamente, pois se trata de demandas conexas que devem ser resolvidas pelo mesmo juízo. A Nenhuma medida é cabível, pois a decisão não forma coisa julgada material. B Impetrar mandado de segurança, pois foi violado direito líquido e certo de Mário. C Ingressar com recurso ordinário, pois é o único caso de cabimento de recursos no procedimento de produção antecipada de provas. D Ingressar com pedido de reconsideração, pois é arbitrária a decisão do magistrado. E Nenhuma medida é cabível, pois a decisão em produção antecipada de provas não admite recurso em qualquer hipótese. 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 27/43 Parabéns! A alternativa C está correta. O indeferimento integral da prova autoriza a interposição de recurso imediato, no caso o recurso ordinário, por se tratar de Direito Processual do Trabalho, nos termos do §3º do artigo 382 do CPC. 3 - Meios de prova Ao �m deste módulo, você será capaz de identi�car as principais questões sobre os meios de prova no Direito Processual do Trabalho. Depoimento das partes Depoimento pessoal e prova testemunhal 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 28/43 Confira agora as principais regras sobre o depoimento pessoal e a prova testemunhal no Processo do Trabalho. A análise dos meios de prova mais utilizados na seara laboral torna-se imprescindível no que diz respeito ao exercício da jurisdição trabalhista. Em verdade, a opção do legislador processual civil foi a previsão genérica no artigo 369 do CPC do direito ao uso de todos os meios legais, bem como moralmente legítimos, para comprovação da verdade dos fatos mencionados no pedido ou na defesa. Em outras palavras: A previsão no CPC não é exaustiva, sendo permitido às partes e aos magistrados o manejo de meios de prova não previstos na legislação processual, desde que moralmente legítimos. Analisaremos, então, os principais meios de prova na Justiça do Trabalho. Vejamos! O depoimento das partes (que em nosso sentir não é tecnicamente meio de prova, mas um meio para obter a con�ssão, real ou presumida) A prova testemunhal (de importância ímpar para as lides trabalhistas) A prova documental A prova pericial 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 29/43 Depoimento das partes O depoimento pessoal é o testemunho prestado por uma das partes em juízo. Embora elencado como um dos meios de prova, o depoimento das partes é meio de confissão, e não meio de prova. Isso porque a parte não tem como fazer prova em seu favor através de seu depoimento. É previsto nos artigos 139, inciso VIII e 385 do CPC, bem como nos artigos 820 e 848 da CLT. Atenção! Não se pode confundir o depoimento das partes com o interrogatório. Este é determinado de ofício pelo juiz; pode ser determinado em qualquer estado do processo e pode ser único ou se repetir mais vezes. Já o depoimento das partes pode ser requerido pela parte adversa; deve ser colhido na audiência de instrução e julgamento e, em regra, só pode serrealizado uma vez. Torna-se importante salientar que alguns autores trabalhistas chegaram a negar a existência do depoimento das partes, diante do disposto no artigo 848 da CLT, afirmando a existência apenas do interrogatório, segundo Rodrigues Pinto (1991). Contudo, basta analisar o artigo 820, da CLT para verificar o equívoco desse posicionamento. Ademais, os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório propiciam a ideia de que as partes também podem requerer o depoimento uma da outra, além do fato de que a Súmula 74, I do c. TST admite a confissão ficta em caso de não comparecimento da parte intimada em audiência. Tudo isso demonstra a efetiva existência do depoimento pessoal, formal e solene. No entanto, ainda que se admita a possibilidade de requerimento do depoimento pessoal, o juiz pode indeferi-lo, desde que fundamente sua decisão, sem que isso configure cerceamento do direito de defesa. Para casos em que a matéria discutida nos autos seja exclusivamente de direito ou ainda, já havendo confissão real por uma das partes (conforme artigo 374, II do CPC), o depoimento das partes torna-se 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 30/43 desnecessário, havendo autorização para que o magistrado o indefira, sem a configuração de cerceamento de defesa. De toda sorte, o objetivo primordial do depoimento pessoal é a confissão. A confissão real, em primeiro plano, mas também a confissão ficta, que gera presunção relativa. Nesse último aspecto, haverá confissão ficta em três situações: Cumpre lembrar que não haverá confissão nos casos do artigo 388 do CPC e quando a falta de resposta às indagações for imperativo para preservar o direito de não produzir prova contra si (artigo 379, caput do CPC). Resta, por fim, observar que, salvo na hipótese de confissão real, nada impede que o magistrado persista na produção de prova, pois a vedação de produção de prova posterior somente se aplica à parte confessa, não afetando o exercício, pelo juiz, do poder-dever de conduzir o processo (Súmula 74, item III do TST). Hipótese em que autor e/ou réu que faltam à audiência em que deveria haver depoimento pessoal (caso da Súmula 74, I do TST). Caso em que a parte se recusa a responder às perguntas formuladas pelo juiz (artigo 385, §1º do CPC). Na hipótese em que o preposto revela desconhecimento dos fatos em contrariedade à obrigação prevista no §1º do artigo 843 da CLT, circunstância específica do Direito Processual do Trabalho, já que a lei não permite a ignorância do representante da empresa quanto a fatos relevantes e pertinentes para a solução da lide. 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 31/43 Prova testemunhal Há consenso geral que este é o meio de prova mais inseguro. Na verdade, sua depreciação tem razões históricas. Salienta Rodrigues Pinto que, no tempo de hierarquização das provas, com base em seu valor intrínseco, “o testemunho era colocado no mais baixo nível, a ponto de merecer a alcunha depreciativa de prostituta das provas, contrapondo-se à confissão em seu trono de rainhas das provas” (1991, p. 206). De toda sorte, a testemunha é a pessoa física que tem conhecimento de fatos da lide (que pode ser direto, como no caso da testemunha visual ou presencial, ou ainda, indireto), que é estranha à relação jurídica e que possui habilitação para depor (não possuindo nenhuma incapacidade, ou caso de impedimento ou suspeição). Classi�cação da prova testemunhal A prova testemunhal, segundo a classificação mais prestigiada, divide-se em: Testemunhas numerárias Aquelas que são chamadas a depor por indicação das partes, mas dentro de limite numérico estabelecido em cada sistema processual. Testemunhas referidas Aquelas que vêm ao processo por determinação direta do juiz, nos termos do artigo 461, inciso I do CPC. Testemunhas instrumentárias 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 32/43 Aquelas que comparecem para atestar verdade de fato ou ato registrado em documento público ou particular. Note-se que os limites para as testemunhas numerárias previstas na CLT dependem do rito ao qual se submete a demanda. Assim, nos termos do artigo 821 da CLT e do §2º do artigo 852-H da CLT, no rito ordinário, cada parte pode indicar até três testemunhas, no rito sumaríssimo, até duas testemunhas, e no inquérito para apuração de falta grave, até seis testemunhas. Contudo, tal limite goza de certa flexibilidade. Exemplo No caso de litisconsórcio passivo, o limite de indicação de testemunhas deve levar em conta a situação individual de cada reclamado, pois, a pluralidade das partes depende da vontade do reclamante (no caso do litisconsórcio facultativo) ou de determinação da lei ou da natureza da relação jurídica de direito material (no caso do litisconsórcio necessário). É de se notar que o limite fixado para as testemunhas numerárias também não se aplica ao juiz. Nos termos do artigo 765 da CLT, o magistrado tem a prerrogativa de determinar toda e qualquer diligência que entender necessária à resolução da lide, como diretor do processo. Nada impede que, na busca da verdade real, o juiz ultrapasse os limites impostos em lei para indicação das testemunhas. Por fim, quando houver cumulação objetiva (de pedidos e causas de pedir) ou quando existir a necessidade de superar o limite legal sob pena de violar o princípio constitucional de acesso à justiça. Assim, um empregado que, nos últimos cinco anos imprescritos, tenha laborado em cinco estabelecimentos diferentes (cinco agências bancárias, por exemplo) e postule horas extras por todo o lapso temporal, precisará, no mínimo, de uma testemunha para cada local onde prestou serviços, a fim de comprovar o labor extraordinário. Inadmissibilidade e limitações da prova testemunhal A princípio, é amplo o cabimento da prova testemunhal no Direito Processual do Trabalho, mormente em razão do princípio da primazia da realidade. Contudo, há casos excepcionais em que se admite certa restrição à oitiva de testemunhas. 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 33/43 Uma primeira hipótese ocorre quando houver expressa vedação legal, como no caso do artigo 443 do CPC. É difícil pensar numa hipótese trabalhista em que fatos só possam ser provados por documento ou por exame pericial, mas, em geral, casos de insalubridade e periculosidade que exigem a perícia (conforme §2º do artigo 195 do CPC), dispensam a prova testemunhal. As outras hipóteses são os casos de incapacidade, impedimento e suspeição. Em verdade, o único dispositivo da CLT neste particular é o artigo 829 da CLT, que prevê a impossibilidade de oitiva de “testemunha que for parente até o terceiro grau civil, amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes”, caso em que “não prestará compromisso, e seu depoimento valerá como simples informação”. Malgrado a expressa previsão legal da CLT, a doutrina dominante entende pela aplicação subsidiária do disposto no CPC, citando como exemplo Schiavi (2022, p. 503). Não há dúvida, pois, quanto à aplicabilidade dos casos do artigo 447, §1º, §2º e §3º do CPC, que devem ser sopesados no caso concreto pelo juiz. O caso mais controvertido quanto à suspeição das testemunhas diz respeito aos casos em que o trabalhador possui ação na Justiça em face do empregador e convocado para depor. Em regra, a Súmula 357 do TST destaca que inexiste impedimento no fato de a testemunha ter ajuizado demanda contra o réu. A suspeição em casos como este deve ser “objetivada” ao máximo, buscando algum tipo de critério objetivo que demonstre a promiscuidade ou vício no depoimento que lhe retire a parcialidade. A questão ainda é muito polêmica nos tribunais trabalhistas, sendo certo, porém, que o simples fato da testemunha possuir ação em face do réu, não a torna suspeita. Assim, todos os casos de impedimento,suspeição e incapacidade das testemunhas podem ser suscitados pelas partes e o meio próprio é o incidente conhecido como “contradita”. Ressalte-se que a regra do artigo 457, caput do CPC, quanto ao momento para a parte suscitar o incidente da contradita, deve ser flexibilizada. No Direito Processual do Trabalho, o rol de testemunhas para intimação não é a regra geral, conforme artigos 825 e 845 da CLT, sendo comum testemunhas comparecerem independentemente de intimação. Por isso, a possibilidade de contradita superveniente não deve ser desconsiderada, já que, em regra, as partes só “conhecem” as testemunhas em audiência, conforme já sublinhado acima. 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 34/43 Prova documental Prova documental é a que se produz pela apresentação de documentos representativos dos fatos alegados. É o veículo por meio da qual o documento (gente da prova) é levado ao processo para análise judicial. A CLT faz referência a este tipo de prova de forma não sistemática, podendo citar os artigos 777, 780, 787 e 830, como aqueles mais importantes no que tange à prova documental. Note-se que os documentos podem ser declarados autênticos pelo próprio advogado da parte, na forma da redação dada ao artigo 830, da CLT pela Lei 11.925 de 2009, não havendo mais necessidade de juntada de cópias autenticadas. No que tange à oportunidade para oferecimento de documentos, uma primeira corrente defende que os documentos que estiverem em posse do autor e do réu devem acompanhar não apenas a petição inicial (artigo 787 da CLT), mas também a contestação (artigo 434 do CPC), ante o caráter de bilateralidade da ação e da defesa, o que impõe o tratamento igualitário entre as partes. A inobservância de tal regra geraria, segundo esta posição, a preclusão e a desconsideração do documento juntado posteriormente. Outra visão, no entanto, entende que a preclusão é instituto processual que diz respeito aos atos das partes, mas não se aplicaria ao magistrado. O juiz poderia determinar a juntada de documentos mesmo após os momentos previstos em lei, enquanto não encerrada a instrução. Esta posição se fundamenta no artigo 765 da CLT. Contudo, há ainda uma terceira posição que considera as peculiaridades das demandas trabalhistas e ainda, o disposto nos artigos 845 e 852-H, §1º da CLT, entendendo que enquanto não houve o encerramento da instrução, haveria a possibilidade da juntada de documentos, observados dois parâmetros: a) não haja má- fé (com a juntada proposital de prova “surpresa”); b) não haja prejuízo ao regular cumprimento do contraditório. Essa última tem sido a posição do TST, valendo citar os acórdãos proferidos no E-RR - 2416- 68.2012.5.18.0009 (Relator Ministro Augusto César Leite de Carvalho, Subseção I Especializada em 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 35/43 Dissídios Individuais, DEJT 11/04/2017), ARR - 11-50.2013.5.24.0076 ( Relator Ministro Breno Medeiros, 5ª Turma, DEJT 04/10/2019), RR-5036-55.2015.5.10.0014 (Relator Ministro Douglas Alencar Rodrigues, 5ª Turma, DEJT 06/09/2018) e RR - 10749-58.2014.5.15.0094 (Relatora Ministra Maria de Assis Calsing, 4ª Turma, DEJT 09/06/2017). Como interpretar o artigo 787 da CLT e o artigo 434 do CPC? A jurisprudência do STJ é sábia neste ponto, e tem entendido que apenas os documentos indispensáveis (fundamentais) e substanciais devem ser juntados com a inicial/defesa. Como provas substanciais, temos os documentos que a lei expressamente exigir para que a demanda seja proposta e como provas fundamentais temos os documentos que se tornam indispensáveis porque o autor a eles se referiu na petição inicial, como fundamento do seu pedido. É claro que tudo quanto ao aqui exposto tem como exceção as hipóteses previstas nos artigos: 435 do CPC Documentos novos. 1.014 do CPC e Súmula 8 do TST Força maior ou justo impedimento. 438 do CPC Documento em posse de repartição pública. 396 do CPC Documento em posse da parte adversária ou de terceiro particular. Prova pericial Consiste a perícia em meio de prova através do qual se busca a constatação, prova ou demonstração, científica ou técnica, da veracidade de situações, fatos ou coisas. É meio de prova que é determinado quando o juiz não tem conhecimento suficiente sobre o assunto que envolve o fato a ser provado. 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 36/43 No que refere à classificação da prova pericial, no que diz respeito ao tipo de trabalho técnico exigido, com base no artigo 464 do CPC, temos: Quanto à oportunidade, a perícia pode ser: O exame Consiste na verificação de circunstâncias relativas a pessoas ou coisas. A vistoria Diz respeito à constatação da situação de coisa imóvel. A avaliação Consiste no trabalho de estabelecimento da relação entre um bem e seu valor monetário. Judicial Quando realizada dentro de um processo em curso. 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 37/43 Por fim, quanto à obrigatoriedade de sua realização, a perícia pode ser classificada em: Obrigatória Quando fixada como meio necessário de prova. Facultativa Quando a prova depende de requerimento das partes ou de determinação do magistrado. O caso dos adicionais de insalubridade e periculosidade corresponde à primeira hipótese, já que o artigo 195, §2º da CLT permite a conclusão de que a perícia é obrigatória, em se tratando destes pedidos específicos; adicional de periculosidade de insalubridade. Todavia não se pode esquecer o previsto na OJ 278 da SDI-1 do c., TST que menciona expressamente que “a realização de perícia é obrigatória para verificação de insalubridade”, mas que deixa evidente, por outro lado, que “quando não for possível sua realização, como em caso de fechamento da empresa, poderá o julgador utilizar-se de outros meios de prova”. Quanto ao procedimento, a CLT não contém qualquer regra instituindo a produção deste tipo de prova no Processo do Trabalho. Por isso, o entendimento dominante é que: deve ser aplicado aos casos concretos o disposto no artigo 464 e seguintes do CPC, porque são compatíveis com o Direito Processual do Trabalho. Extrajudicial Quando realizada fora do processo, em geral, por consenso entre os interessados. Cautelar Quando realizada em jurisdição voluntária, como no caso da perícia em produção antecipada de provas. 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 38/43 Apenas duas regras escapam à previsão legal do CPC, quando se fala em Justiça do Trabalho. Vejamos! Note-se que o artigo 790-B da CLT não admite qualquer adiantamento de honorários periciais, confrontando- se com o disposto no artigo 95 do CPC. Tal visão já constava da OJ 98 da SDI-2 do TST, que admitia o uso de mandado de segurança contra decisão em sentido contrário. Também na Justiça do Trabalho devem ser observados os limites para honorários periciais fixados pelo Conselho Superior da Justiça do Trabalho. Por fim, ressalte-se que o Plenário do STF, no julgamento da ADI 5766, julgou inconstitucionais os arts. 790- B, caput e §4º da CLT, entendendo que o beneficiário da gratuidade de justiça, sucumbente no objeto da perícia, não deve arcar com os honorários periciais. Nesse sentido, a Súmula 457 do TST estabelece que os honorários deverão ser suportados pela União Federal, em regra semelhante à disposta no inciso II, §3º do artigo 95 do CPC. A primeira é a regra inserida no artigo 852-H, §5º da CLT, que nas causas de rito sumaríssimo, prevê prazo comum para manifestação sobre o laudo de cinco dias e fixa prazo máximo de 30 dias para solução da prova pericial no §7º do mesmo artigo 852-H da CLT. A segunda, mais importante, diz respeito ao pagamento dos honorários periciais. Fato é que o artigo 790-B da CLT fixa que a responsabilidade pelo pagamento dos honoráriospericiais é da parte sucumbente no objeto da perícia. Assim, numa demanda trabalhista, caso o autor vença um dos itens do pedido, mas seja sucumbente na postulação que foi objeto da prova pericial, é o reclamante quem deverá arcar com os honorários periciais. 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 39/43 Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Em demanda trabalhista submetida ao rito sumaríssimo, Gonzalo postula indenização por danos morais no valor de R$5 mil (cinco mil reais). Alega ter sofrido várias agressões morais de seu empregador, e apresenta 4 testemunhas. A parte ré, por sua vez, negou os fatos narrados e indica 3 testemunhas. No caso apontado, 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 40/43 Parabéns! A alternativa E está correta. Embora as partes só possam indicar até 2 testemunhas cada, no rito sumaríssimo, para o juiz não existe este limite. O juiz, como diretor do processo, pode ouvir quantas testemunhas quiser, nos termos do artigo 765 da CLT. Questão 2 Em uma reclamação trabalhista, Antônio Pires postulou horas extras e adicional de insalubridade, bem como gratuidade de justiça. Realizada a perícia exclusivamente para o adicional de insalubridade e ouvida duas testemunhas, foi proferida sentença, em que o magistrado: a) rejeitou o requerimento de gratuidade de justiça; b) julgou procedente o pedido de horas extras; c) julgou improcedente o pedido de adicional de insalubridade. Diante da procedência parcial, o juiz condenou a reclamada a pagar os honorários periciais, fixados em R$2.000,00 (dois mil reais). Sobre a conduta do magistrado na fixação da responsabilidade pelo pagamento dos honorários, assinale a alternativa correta. A o juiz do Trabalho poderá ouvir até 3 testemunhas indicadas por cada parte. B o juiz do Trabalho poderá ouvir até 2 testemunhas indicadas por cada parte. C o juiz do Trabalho poderá ouvir até 6 testemunhas indicadas por cada parte. D o juiz do Trabalho poderá ouvir até 10 testemunhas indicadas por cada parte. E não há limite de oitiva de testemunhas para o magistrado. A Agiu corretamente, pois no caso de sucumbência parcial, deve a reclamada arcar com os honorários periciais. B Agiu incorretamente, pois foi o reclamante o sucumbente no objeto da perícia. 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 41/43 Parabéns! A alternativa B está correta. É a parte sucumbente no objeto da perícia que deve arcar com os honorários periciais, sendo que mesmo vencedor nas horas extras, Antônio foi sucumbente no adicional de insalubridade, objeto único da prova pericial. Este o teor do artigo 790-B, caput da CLT. Considerações �nais Tivemos a oportunidade de estudar aspectos muito importantes da prova do Processo do Trabalho. As questões que envolvem o ônus da prova, o procedimento de produção antecipada da prova e os meios de prova são essenciais para todos que militam na seara laboral. Institutos de vital importância foram objeto de estudo, de modo a propiciar que o conhecimento dos instrumentos de prova e dos institutos, que informam a fase probatória na Justiça do Trabalho, habilite todos aqueles que querem atuar na consecução dos direitos fundamentais dos trabalhadores e na pacificação social dos conflitos entre capital e trabalho. C Agiu incorretamente, pois ninguém deveria pagar pelos honorários periciais, e sim, a União Federal. D Agiu corretamente, pois o autor não sucumbiu no objeto da perícia, já que ainda cabe recurso. E Agiu incorretamente, eis que a responsabilidade pelos honorários periciais só pode ser fixada após o trânsito em julgado da sentença. 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 42/43 Podcast Ouça agora o objeto e o ônus da prova no Processo do Trabalho. Explore + Confira as indicações que separamos especialmente para você! Leia o acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.347.423-SP (Processo 2012/0208257-5). Relator: Ministro Luis Felipe Salomão. Julgamento em 20 de março de 2017. Assista ao julgamento da ADI 5766, pelo Plenário do STF em outubro de 2021, sobre regras relacionadas à Reforma Trabalhista (Lei nº 13.467 de 2017) no canal do STF no YouTube. Referências ALMEIDA, C. L. de. Direito Processual do Trabalho. 7. ed. Salvador: Juspodivm, 2019. BATALHA, W.de S. C. Tratado de Direito Judiciário do Trabalho. v. I e II. São Paulo: LTr, 1995. BERNARDES, F. Manual de Processo do Trabalho. 4. ed. Salvador: Juspodivm, 2022. CAIRO Jr., J. Curso de Direito Processual do Trabalho. 13. ed. Salvador: Juspodivm. 2019. DIDIER JR., F.; BRAGA, P. S.; OLIVEIRA, R. A. de. Curso de Direito Processual Civil. v. 2. 11. ed. Salvador: Juspodivm, 2016. 12/08/2023, 11:20 Provas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 43/43 RODRIGUES PINTO, J. A. Processo Trabalhista de Conhecimento. São Paulo: LTr, 1991. SCHIAVI, M. Manual de Direito Processual do Trabalho. 18. ed. São Paulo: LTr, 2022. SILVA, H. B. M. da S. Curso de Direito do Trabalho Aplicado. v. 9. 3. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2016. THEODORO JÚNIOR, H. Curso de Direito Processual Civil. v. 1. 56. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2015. YARSHELL, F. L. Breves comentários ao novo código de processo civil (Coords. Teresa Arruda Alvim Wambier [et al.]). 3. ed. rev. e atual. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2016. Material para download Clique no botão abaixo para fazer o download do conteúdo completo em formato PDF. Download material O que você achou do conteúdo? Relatar problema 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 1/52 Recursos em espécie Prof. Marco Aurélio Peixoto Descrição Algumas das principais espécies recursais, ações autônomas de impugnação das decisões judiciais e sucedâneos recursais. Propósito Conhecer as espécies recursais, as ações autônomas de impugnação das decisões judiciais e os sucedâneos recursais é indispensável a você, profissional (atual ou futuro) do Direito, para que possa desempenhar bem suas atividades em uma relação processual civil. Preparação Tenha em mãos um vade mecum comum para consultar diversas normas, a exemplo da Constituição Federal e do Código de Processo Civil, assim como leis específicas, como a Lei do Mandado de Segurança (Lei nº 12.016/2009) e a Lei da Ação Civil Pública (Lei nº 7.347/1985). Objetivos 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 2/52 Módulo 1 Apelação Identificar os principais aspectos do recurso de apelação e da teoria da causa madura. Módulo 2 Subespécies de agravos Analisar as subespécies de agravos, assim como seus requisitos e procedimentos. Módulo 3 Embargos de declaração Reconhecer o cabimento dos embargos de declaração e sua relevância à integração das decisões judiciais. Módulo 4 Ações autônomas de impugnação das decisões judiciais Avaliar as principais ações autônomas de impugnação das decisões judiciais, como também os mais relevantes sucedâneos recursais. Uma das mais significativas garantias do estado democrático de direito é a possiblidade de interpor recursos contra as decisões judiciais a partir do natural e esperado inconformismo com o conteúdo de algumas delas. Não há como se falar em ampla defesa ou em devido processo legal sem abordar o legítimo direito de recorrer. Introdução 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 3/52 1 - Apelação Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car os principais aspectos do recurso de apelação e da teoria da causa madura. Nessa linha de raciocínio, o recurso é a ferramenta colocada à disposição das partes, do Ministério Público (MP) ou do terceiro eventualmenteprejudicado para provocar o Poder Judiciário a realizar uma reanálise da decisão judicial, representando um verdadeiro prolongamento do direito de ação. É preciso destacar que os recursos representam apenas um dos mecanismos de impugnação das decisões judiciais. Há ações autônomas e sucedâneos recursais que precisam ser destacados e bem compreendidos, pois eles também acarretam a possibilidade de desconstituição, anulação ou modificação do conteúdo dos pronunciamentos do juiz. Estudaremos, nos módulos constantes deste conteúdo, algumas das mais relevantes espécies recursais – dentre as quais, a apelação, os agravos (de instrumento, interno e em recurso especial e em recuso extraordinário) e os embargos de declaração. Além disso, analisaremos algumas ações autônomas de impugnação das decisões judiciais, como é o caso da ação rescisória e da reclamação, e alguns dos mais frequentes sucedâneos recursais, a exemplo da suspensão de tutela, liminar ou segurança, da correição parcial, do pedido de reconsideração e da remessa necessária. 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 4/52 Recursos de apelação Cabimento da apelação O professor Marco Aurélio Peixoto discorrerá sobre o cabimento da apelação, seja para atacar decisões interlocutórias, seja para impugnar sentenças. Conceito Nos termos do artigo 1.009 do Código de Processo Civil (CPC), de 2015, cabe o recurso de apelação para atacar as sentenças. No entanto, tal conceito, que se encaixava perfeitamente à luz do CPC anterior, já não é mais suficiente para explicar adequadamente a dita espécie recursal. Atualmente, pode-se dizer que a apelação é o recurso cabível contra: Sentença Decisões interlocutórias não agraváveis 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 5/52 Isso ocorre porque, com a pretensa instituição, no artigo 1.015 do CPC/2015, de um rol taxativo para o agravo de instrumento, o artigo 1.009, §1º, prevê que as decisões interlocutórias que não forem suscetíveis de agravo de instrumento não estarão sujeitas à preclusão. Por esse motivo, elas poderão ser um objeto de insurgência em preliminar do recurso de apelação do vencido e até mesmo em preliminar das contrarrazões de apelação apresentadas pelo vencedor. Hipóteses de interposição Já sabemos que não se pode limitar a apelação ao ataque às sentenças, mas resta uma dúvida: É possível dizer que toda sentença necessariamente comporta uma apelação? A resposta também é não, já que, na legislação esparsa, há previsões quanto ao cabimento de outros recursos contra as sentenças, tal como ocorre naquelas: Proferidas em execução �scal de valor igual ou inferior a 50 ORTNS Cabem embargos infringentes de alçada em 10 dias, sem preparo, que serão julgados pelo próprio juiz (artigo 34 da Lei nº 6.830/1990). Que decretam a falência Cabe agravo de instrumento (artigo 100 da Lei nº 11.101/2005). Proferidas em juizados especiais cíveis Cabe recurso inominado, no prazo de 10 dias (artigo 41 da Lei nº 9.099/1995). Proferidas em ação que tramite na Justiça Federal E l d l d t t i d t i í i id t d i ili d 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 6/52 ORTNS Obrigação reajustável do Tesouro Nacional. Voltando à análise do CPC, quando o vencido na sentença teve contra si proferida uma ou mais decisões interlocutórias ao longo do processo (como, por exemplo, o indeferimento de produção de prova), seu recurso de apelação poderá ter, caso assim deseje, uma dupla finalidade, ou seja, a impugnação da sentença e/ou das decisões interlocutórias proferidas ao longo do processo. É importante destacar que não haverá propriamente uma opção para o recorrente de abrir mão de impugnar uma decisão interlocutória pela via do agravo de instrumento caso a hipótese esteja caracterizada em um dos incisos do artigo 1.015 do CPC. Na eventualidade de a decisão comportar um agravo de instrumento e a parte não se valer de tal espécie recursal tempestivamente, será dada a preclusão, não sendo possível a ela arguir a aplicação do artigo 1.009, §1º, para impugnar a decisão em preliminar de apelação. Outro questionamento que pode ser feito é se o vencido pode interpor apelação apenas para falar sobre a decisão interlocutória sem mencionar a sentença. A rigor, a resposta seria sim, mas se trata de uma hipótese arriscada processualmente. Se a apelação for provida, haverá impacto na sentença com a anulação e o retorno ao primeiro grau. De outro modo, se for improvida sem que a sentença seja impugnada, o tribunal não terá obtido a devolutividade sobre ela, não podendo, portanto, julgar nada sobre ato sentencial. Saiba mais Tendo sido proferidas duas ou mais decisões interlocutórias não agraváveis ao longo da marcha processual, nada obsta que todas elas sejam objeto de ataque em conjunto nas preliminares da apelação. A única exigência, para tanto, é que haja uma sentença nos autos – ainda que, como dissemos acima, não seja obrigatório que se impugne a sentença. O recomendável é que o apelante abra um capítulo preliminar específico Envolvem, de um lado, ente estrangeiro e, de outro, município ou pessoa residente ou domiciliada no Brasil. Cabe recurso ordinário (segundo artigo 1.027, II, b, do CPC e por previsão do artigo 105, II, da Constituição Federal, para o STJ julgar). 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 7/52 para impugnar cada decisão interlocutória. Como mencionamos acima, o CPC/2015 viabilizou a insurgência do vencedor em relação às decisões interlocutórias proferidas em seu desfavor. Tal se dará por meio de capítulos preliminares às contrarrazões de apelação. Mesmo não constando do artigo 994 do CPC, é de se dizer que, nesse caso, as contrarrazões acabam cumprindo, em essência, o papel de uma espécie recursal. Para isso, nas contrarrazões, o vencedor responderá ao apelo, podendo, ao mesmo tempo, recorrer de tais decisões interlocutórias proferidas ao longo do processo que não comportavam agravo de instrumento. No entendimento da maior parte da doutrina, esse “recurso” oferecido nas contrarrazões será: Subordinado Seguirá o destino da apelação do vencido se ela não for conhecida ou, se houver desistência, o recurso do vencedor também não será conhecido. Condicionado Somente será examinado se a apelação do vencido estiver por ser acolhida – decisão sob condição legal resolutiva. Há uma exceção a essa característica de ser condicionado. Ela se dá quando se impugnar uma decisão interlocutória que não guarda influência com a sentença, sendo de matéria autônoma ou diversa dela. Exemplo Um ótimo exemplo no qual cabe a situação de exceção é a decisão que estipula a multa atentatória à dignidade da justiça. Quanto ao momento, no julgamento pelo tribunal, de julgar tais insurgências às decisões interlocutórias, há de se destacar que ele é distinto, dependendo de uma apelação do vencido ou do vencedor. Características 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 8/52 O prazo para a interposição do recurso de apelação é, considerando o disposto nos artigos 1.003, §5º, e 219 do CPC/2015, de 15 dias úteis. Ela é feita ao juízo de primeiro grau em que se prolatou a sentença – e para o qual também são oferecidas as contrarrazões. Não há mais juízo inicial de admissibilidade, com a análise dos pressupostos recursais, por parte do juízo de primeira instância. O CPC/2015 retirou essa atribuição do juiz, ficando ela apenas sob o encargo do desembargador relator no tribunal respectivo. Tampouco compete ao juiz de primeiro grau atribuir os efeitos recursais à apelação. Não obstante o artigo 995 do CPC, se manteve, no caso dela, o efeito suspensivo ope legis, isto é, trata-se de uma regra geral, nos termos do artigo1.012. Contidas no §1º do referido artigo, as exceções ocorrem conforme quadro a seguir: Sentenças onde ocorrem exceções Decreta a interdição Condena a pagar alimentos Homologa divisão ou demarcação de terras Julga procedente o pedido de instituição de arbitragem Confirma, concede ou revoga tutela provisória (apenas em relação a tal capítulo) Extingue sem resolução do mérito ou julga improcedentes os embargos do executado Cumpre registrar que o rol de hipóteses em que não há efeito suspensivo não é exaustivo, porque há situações em leis extravagantes, conforme o quadro a seguir: Situações em leis extravagantes Lei de Ação Civil Pública (Lei nº 7.347/1985) Sentença em ações de despejo (Lei nº 8.245/1991) Sentença que concede o habeas data (Lei nº 9.507/1997) Sentença concessiva no mandado de segurança (Lei nº 12.016/2009) 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 9/52 Situações em leis extravagantes Sentença que destituir ambos ou qualquer um dos genitores (Lei nº 8069/1990) Sentença que deferir a adoção, salvo a internacional ou se houver perigo de dano irreparável ou de difícil reparação ao adotando (Lei nº 8069/1990) Nas situações em que o efeito da apelação for meramente devolutivo, o apelado poderá promover o pedido de cumprimento provisório após a publicação da sentença. Porém, ainda assim, a eficácia da sentença poderá ser suspensa pelo relator se o apelante demonstrar a probabilidade de provimento do recurso ou se, sendo relevante a fundamentação, houver risco de dano grave ou de difícil reparação. Para tanto, o apelante deve formular ao tribunal um pedido de concessão de efeito suspensivo, como indicam os §§3º e 4º do artigo 1.012, entre a interposição da apelação e sua distribuição, ficando o relator prevento, ou diretamente ao relator se já estiver distribuída a apelação. Efeito devolutivo da apelação É relevante falar na devolutividade do recurso de apelação. Trata-se de um recurso com ampla devolutividade, isto é, permite a impugnação de qualquer vício encontrado na sentença, seja ele: De forma (error in procedendo) Quando se alega o error in procedendo, a tendência é que se trate de recurso total, o que levará à sua anulação integral. De julgamento (error in iudicando) Quando se alega o error in iudicando, o mérito recursal é o erro da atividade do julgador quanto à aplicabilidade da lei ou da norma jurídica para o caso. Pleiteia-se, portanto, a reforma da decisão em caso de alegação error in judicando. Na confecção de sua peça recursal, a parte, por evidente, escolhe a matéria que será transferida à análise do tribunal, de modo que pode impugnar apenas uma ou algumas das parcelas da sentença. Não é permitido ao tribunal, assim, manifestar-se sobre matéria que nenhuma das partes apelou pelo fato de que aquela parte da sentença ou decisão, pela ausência de impugnação, restou como transitada em julgado. Quando o apelante alega error in procedendo, pode argumentar: 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 10/52 Vício de formação da sentença (intrínseco) Vício processual ou procedimental (extrínseco) Comprovado o vício, justifica-se a invalidação da sentença em grau de apelação pelo colegiado. Sendo a apelação o recurso com a maior devolutividade no processo civil, é possível a arguição de matéria fática, inserindo-a na devolutividade do error in iudicando e pleiteando-se ao tribunal que reveja a decisão que proferiu no tocante aos fatos. Há também ampla possibilidade de reexame de provas, tendo o tribunal competência para rever a discussão probatória, existindo inclusive a possibilidade excepcional de produção de prova no próprio tribunal (artigo 938, §3º). O §1º do artigo 1.013 prevê o seguinte: No primeiro grau, questões discutidas ou suscitadas no processo sem serem solucionadas serão automaticamente devolvidas ao tribunal. Não operará a preclusão desde que estejam relacionadas ao capítulo impugnado no apelo. Cumpre ainda destacar que o §2º do artigo 1.013 indica que, quando o pedido ou a defesa tiver mais de um fundamento e o juiz acolher apenas um, a apelação devolverá o conhecimento dos demais. Atenção Pedido não deve se confundir com fundamento, já que um pedido pode ter diversos fundamentos. Como se sabe, ao prolatar uma sentença, o juiz exaure sua função jurisdicional, não lhe sendo dado o direito ao arrependimento como regra. Excepcionalmente, contudo, pode-se falar da possibilidade de efeito regressivo no recurso de apelação, o que viabiliza, desde que superada a admissibilidade, o juízo de retratação. Observe as apelações descritas a seguir: Apelação contra sentença que indefere a inicial (artigo 331) 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 11/52 ECA Estatuto da Criança e do Adolescente. O apelante pode suscitar questões que, de fato, são novas na apelação. Conforme o artigo 1.014 do CPC, as questões de fato não propostas no juízo inferior poderão ser suscitadas na apelação se a parte provar que deixou de fazê-lo por motivo de força maior. Teoria da causa madura No tocante à teoria da causa madura, o artigo 1.013, §3º, do CPC prevê que, se o processo estiver em condições de imediato julgamento, o tribunal deverá, desde logo, decidir o mérito quando: Reformar sentença terminativa Reformar sentença fundada no artigo 485 (sentenças terminativas, que não adentram o mérito). Apelação contra sentença de improcedência liminar do pedido (artigo 332, §3°) Apelação contra sentença que extingue o processo sem resolução do mérito (artigo 485, §7°) Apelação contra sentença proferida em causas que digam respeito a direitos da criança ou do adolescente (artigo 198, VI, ECA) 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 12/52 Decretar nulidade (congruência) Decretar a nulidade da sentença por não ser ela congruente com os limites do pedido ou da causa de pedir. Decretar nulidade (fundamentação) Decretar a nulidade de sentença por falta de fundamentação. Constatar omissão Constatar a omissão no exame de um pedido, hipótese em que poderá julgá-lo. Além disso, o §4º também garante que, quando reformar uma sentença que reconheça a decadência ou a prescrição, o tribunal, se possível, julgará o mérito, examinando as demais questões sem determinar o retorno do processo ao juízo de primeiro grau. A aplicação da teoria da causa madura, que já guardava previsão anterior, evita o desnecessário prolongamento da relação processual. Desse modo, viabiliza que o julgamento do mérito da demanda, sem que se dê a supressão de instância, ocorra diretamente no tribunal, não demandando o retorno dos autos ao primeiro grau de jurisdição, estando a matéria pronta para julgamento. Aplicando-se o artigo 932, IV e V, do CPC, a apelação comporta julgamentos monocráticos. Desse modo, será possível negar ou dar provimento à apelação se ela for contrária a determinados parâmetros, são eles: Se o julgamento for colegiado, pode-se dizer que a decisão será tomada por três desembargadores, como prevê o artigo 941, §2º, do CPC, ainda que a Câmara ou Turma tenha mais de três magistrados. Não há mais a figura do revisor, como se exigia no CPC/1973. Ademais, existe a possibilidade de se requerer uma sustentação oral conforme prescreve o artigo 937, I. Se, no julgamento da apelação, não se atingir a unanimidade, o presidente da Turma ou Câmara não deverá proclamar o resultado independentemente de a maioria formada ser no sentido do provimento ou do 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 13/52 desprovimento do recurso. Nesse caso, deve incidir a técnica de ampliação do colegiado prescrita no artigo 942: A convocação de desembargadores em número apto a viabilizar a inversão doresultado. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Marque a alternativa correta acerca da teoria da causa madura no recurso de apelação. A O tribunal pode decidir desde logo o mérito favoravelmente ao autor, ainda que não tenha ocorrido a citação do réu no primeiro grau para o oferecimento de contestação. B É possível aplicar a teoria da causa madura, decidindo-se logo o mérito, quando o tribunal decretar a nulidade da sentença por não ser ela congruente com os limites do pedido ou da causa de pedir. C Ainda que o processo envolva a necessidade de prova dos fatos e não tenha havido tal produção no primeiro grau, o tribunal pode dar provimento à apelação e julgar o mérito favoravelmente ao autor. D A teoria da causa madura somente envolverá a possibilidade de julgamento do mérito pelo tribunal se a extinção do processo em primeiro grau houver se dado também com resolução do mérito. E A teoria da causa madura é apenas uma construção doutrinária e jurisprudencial, carecendo de fundamentação na legislação processual em vigor. 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 14/52 Parabéns! A alternativa B está correta. A alternativa B tem fundamento no artigo 1.003, §3º, II, do CPC/2015. Questão 2 Indique a hipótese em que a decisão interlocutória pode ser objeto de insurgência em preliminar da apelação. Parabéns! A alternativa E está correta. Só caberia agravo de instrumento se houvesse rejeitado o pedido ou acolhido o pedido de sua revogação com fundamento no artigo 1.015, V, do CPC. A Decisão parcial de mérito. B Decisão que determinou a inversão do ônus da prova. C Decisão que determinou a desconsideração da personalidade jurídica. D Decisão que concedeu a tutela provisória de urgência antecipada incidente. E Decisão que concedeu a gratuidade de justiça ao autor. 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 15/52 2 - Subespécies de agravos Ao �nal deste módulo, você será capaz de analisar as subespécies de agravos, assim como seus requisitos e procedimentos. Agravos, seus requisitos e procedimentos O CPC apresenta os agravos como aptos a atacar as decisões interlocutórias de magistrados de primeira instância e as unipessoais/monocráticas adotadas no âmbito dos tribunais. Há, nos termos do atual CPC, três subespécies de agravo que vamos estudar neste módulo: Agravo de instrumento (artigos 1.015/1.020) Agravo interno (artigo 1.021) Agravo em recurso especial e em recurso extraordinário (artigo 1.042) 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 16/52 Agravo de instrumento O agravo de instrumento é o recurso cabível para atacar decisões interlocutórias dos juízes de primeiro grau desde que elas estejam inseridas no rol estabelecido no artigo 1.015 do CPC. A utilização exagerada dos agravos de instrumento sempre foi objeto de intensos debates na doutrina e na jurisprudência, notadamente porque eles abarrotavam as prateleiras dos gabinetes dos desembargadores nos tribunais regionais e federais, consumindo um tempo que, por exemplo, poderia ser dispensado à análise de apelações e ações rescisórias. Tanto foi assim que, na terceira onda de reformas processuais por que passou o CPC/1973, a Lei nº 11.187/2005 buscou tratá-lo como excepcional, cabendo apenas nos casos de: Ataque às decisões de inadmissão da apelação Equivocada atribuição de efeito suspensivo à apelação Lesão grave e de difícil reparação Nas demais situações, a recomendação era utilizar o agravo retido. Ocorre que, exatamente em função da terceira hipótese (lesão grave), justamente por ela ser considerada demasiadamente genérica, não se pôs um fim, como se buscava, ao uso indiscriminado do agravo de instrumento. Com o CPC atual e a ausência de previsão do agravo retido, preocupou-se o legislador em estabelecer um rol pretensamente taxativo para a utilização do agravo de instrumento. Esse rol consta nos incisos e do parágrafo único do artigo 1.015. Nessa linha, passamos a ter duas categorias de decisões interlocutórias de juízes de primeiro grau: as agraváveis e as não agraváveis. Para as não agraváveis, o §1º do artigo 1.009 estabeleceu a ausência de preclusão, sendo permitido àquele que teve contra si uma decisão recorrer quando da apelação ou das contrarrazões por meio de capítulo preliminar. Cabe, portanto, um agravo de instrumento contra as seguintes decisões: 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 17/52 Decisões contra as quais cabe agravo de instrumento Tutelas provisórias Mérito do processo Exibição ou posse de documento ou coisa Exclusão de litisconsorte Rejeição da alegação de convenção de arbitragem Admissão ou inadmissão de intervenção de terceiros Rejeição do pedido de limitação do litisconsórcio Incidente de desconsideração da personalidade jurídica Rejeição do pedido de gratuidade da justiça ou acolhimento do pedido de sua revogação Concessão, modificação ou revogação do efeito suspensivo aos embargos à execução Redistribuição do ônus da prova nos termos do artigo 373, §1º Outros casos referidos de forma expressa em lei O parágrafo único do artigo 1.015 estatui que também caberá agravo de instrumento contra decisões interlocutórias proferidas na fase de liquidação de sentença ou de cumprimento dela, assim como no processo de execução e no de inventário. Isso significa que, nessas situações, não importam os incisos desse artigo. Exemplo Se houver o indeferimento de um pedido de produção de prova no procedimento comum, não caberá agravo de instrumento, embora ele possa ocorrer caso o indeferimento se dê em um inventário. Tão logo o CPC entrou em vigor, iniciaram-se as discussões sobre o cabimento de uma interpretação extensiva do rol do artigo 1.015. O legislador, afinal, não foi capaz de inserir todas as potenciais situações que demandariam o agravo de instrumento, por exemplo, na hipótese de o juízo de primeiro grau inadmitir a apelação por intempestividade, bem como quando existe uma decisão sobre a arguição de incompetência do juízo. A matéria chegou ao STJ, que decidiu o tema em sede de repetitivos, formando um precedente vinculante. No âmbito dos recursos especiais 1.696.396 e 1.704.520, deliberou-se acerca da possibilidade ou não da interpretação extensiva ao rol do artigo 1.015. 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 18/52 Sob a relatoria da ministra Nancy Andrighi, a Corte Especial decidiu, por apertada maioria, que o rol é taxativo, porém mitigado às situações urgentes nas quais não seja adequado o aguardo da apelação. Isso significa que, não obstante o fato de o STJ não ter acolhido a tese de que o rol seria meramente exemplificativo, ele passou a admitir que: Ainda que fora das situações dos incisos e do parágrafo único do artigo 1.015, é possível, sob pena de inutilidade da medida, interpor um agravo de instrumento caso se demonstre a impossibilidade de aguardar para recorrer de uma decisão interlocutória tão somente na apelação. Passando a analisar o procedimento, o agravo de instrumento deve ser interposto no prazo de 15 dias úteis, respeitando-se o §5º do artigo 1.003 do CPC. A interposição, diferentemente do que ocorre com a apelação, já se dá diretamente no tribunal competente para seu julgamento, cabendo ao relator realizar o juízo de admissibilidade, atribuir os efeitos e intimar o agravado para oferecimento de contrarrazões, também em 15 dias úteis. Mantendo a linha do código anterior, há peças obrigatórias – em número, inclusive, mais extenso – para a interposição do agravo de instrumento que estão previstas no artigo 1.017 do atual diploma. São elas as cópias: Da petição inicial Da contestação Da petição que ensejou a decisãoagravada Da própria decisão agravada 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 19/52 Facultativamente, o agravante poderá anexar outras documentações que ele reputar úteis. Cumpre ao advogado declarar, sob pena de sua responsabilidade pessoal, a inexistência de qualquer um dos documentos referidos. Isso ocorreria, por exemplo, em um agravo de instrumento interposto contra o indeferimento de uma tutela provisória de urgência antecipada que tenha sido requerida liminarmente. A exigência de peças obrigatórias somente se dá quando o agravo é interposto em processo que tramita em autos físicos. Como prevê o artigo 1.017, §5º, sendo eletrônicos os autos do processo, dispensam-se as peças obrigatórias/facultativas. Ademais, uma relevantíssima garantia consta no §3º do mesmo artigo. Era muito comum, na vigência do CPC anterior, a inadmissibilidade do agravo pela falta de documento obrigatório ou até mesmo facultativo que o tribunal entendesse como essencial à compreensão da controvérsia. Na previsão atual, caso falte a cópia de qualquer peça ou haja outro vício que comprometa a admissibilidade do agravo, o relator deverá aplicar o parágrafo único do artigo 932, isto é, conceder cinco dias ao agravante para complementar a instrução do recurso ou para sanar o vício. O agravo de instrumento se trata de um recurso que exige preparo para sua interposição, assim como um porte de retorno, conforme tabela que deve ser publicada por cada tribunal. Sendo físicos os autos, o agravante tem o ônus de fazer a juntada ao juízo de primeiro grau, em até três dias da interposição do agravo, da seguinte documentação: Da certidão da respectiva intimação ou outro documento o�cial que comprove Das procurações outorgadas aos advogados do agravante e do agravado Cópia da petição do agravo de instrumento Comprovante de sua interposição 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 20/52 Caso ele assim não proceda, e o agravado faça a arguição e prove o alegado para o relator, será caso de inadmissibilidade do agravo de instrumento. Tal exigência não é aplicável para o agravo em autos eletrônicos. Estando em curso o agravo de instrumento e tomando conhecimento o relator de que houve a reforma integral da decisão agravada, o recurso será considerado prejudicado. O agravo de instrumento, da mesma forma que ocorre com a apelação, comporta o julgamento monocrático pelo relator no tribunal, respeitando-se os incisos IV e V do artigo 932 do CPC. Desse modo, será possível negar ou dar provimento monocraticamente ao agravo de instrumento se ele for contrário a determinados parâmetros, são eles: Para que se dê provimento monocraticamente, é necessário, respeitando o contraditório, que o relator tenha intimado o recorrido para o oferecimento de contrarrazões. Não sendo o caso de decisão monocrática, ele decidirá pela atribuição ou não do efeito suspensivo eventualmente pleiteado ou por deferir, em antecipação de tutela, total ou parcialmente a pretensão recursal, comunicando ao juiz de primeiro grau a decisão. Trata-se de um efeito suspensivo ope iudicis – diferentemente do que ocorre com a apelação, cujo efeito decorre da própria lei. O MP será intimado a se manifestar quando for o caso de sua intervenção como fiscal da ordem jurídica. Em seguida, como prevê o artigo 1.020, o relator pedirá a inclusão em pauta, solicitando dia para julgamento em prazo não superior a um mês da intimação do agravado. Evita-se, assim, o desnecessário prolongamento do recurso. Agravo interno Relação dos documentos que instruíram o recurso 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 21/52 Previsto no artigo 1.021 do CPC, o agravo interno não estava – ao menos, não com essa nomenclatura – na legislação anterior. No CPC/1973, havia três previsões de um agravo sem nome, que era conhecido como agravo inominado, agravinho, agravo legal, agravo regimental e até agravo interno. O prazo de interposição do agravo interno, levando em conta as disposições dos artigos 1.003, §5º, e 219, ambos do CPC, é de 15 dias úteis. Conforme prevê o diploma ora em vigor, ele cabe contra decisão proferida pelo relator, sendo julgado pelo respectivo órgão colegiado. Observam-se, quanto a seu processamento, as regras do regimento interno do tribunal respectivo. É comum o uso do agravo interno, entre outras possibilidades, contra: A inadmissão de um recurso de apelação ou de agravo de instrumento A atribuição ou não de efeito suspensivo ope iudicis a um recurso O deferimento ou o indeferimento da tutela antecipada recursal O provimento ou desprovimento monocrático de um recurso É preciso mencionar também outra incidência do agravo interno, fora as hipóteses de insurgência contra decisões monocráticas do relator. O artigo 1.030, §2º, prevê que cabe agravo interno da decisão de presidente ou de vice- presidente de tribunal local proferida com base no Inciso I ou Inciso III. 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 22/52 Inciso I Negativa de seguimento a recurso extraordinário que discuta questão constitucional que o STF não tenha reconhecido a existência de repercussão geral ou àquele interposto contra acórdão em conformidade com o entendimento do STF exarado no regime de repercussão geral; negativa de seguimento a recurso extraordinário ou a recurso especial interposto contra acórdão que esteja em conformidade com entendimento do STF ou do STJ exarado no regime de repetitivos. Inciso III Sobrestamento de recurso que verse sobre controvérsia de caráter repetitivo ainda não decidida pelo STF ou pelo STJ. Atenção No caso acima apontado, em especial na hipótese contida no inciso I do artigo 1.030, é muito comum o equívoco na utilização da espécie de agravo, confundindo-se o interno com o agravo em recurso especial e em recurso extraordinário (contido no artigo 1.042 do CPC), que é cabível para atacar, como veremos no próximo subitem, decisões do presidente ou do vice-presidente do tribunal local que inadmitem o recurso excepcional por ausência de pressupostos. O agravo interno é espécie recursal que não sobe para o tribunal hierarquicamente superior ao órgão prolator da decisão. Na verdade, como sempre ataca decisões unipessoais nos tribunais, ele força uma análise colegiada – só que dentro da própria corte à qual pertença quem proferiu a decisão agravada. Na interposição dele, é ônus do agravante impugnar especificamente os fundamentos da decisão recorrida, isto é, não lhe é dado o direito de simplesmente repetir os fundamentos utilizados no recurso ou na ação em que se proferiu a decisão monocrática objeto do agravo. Se não se desincumbir desse ônus, existe a hipótese de inadmissão do recurso. Direciona-se sempre o agravo interno ao relator, que deve intimar o agravado para oferecer contrarrazões em 15 dias. Admite-se o efeito regressivo, isto é, após as contrarrazões, o relator pode se retratar da decisão monocrática. Se assim não o fizer, deverá levar o recurso a julgamento pelo órgão colegiado com pedido de inclusão em pauta. Como o recurso ataca uma decisão unipessoal, não é dada ao relator, exatamente para forçar uma decisão colegiada, a possibilidade de proferir uma nova decisão unipessoal, quer para inadmitir, quer para negar ou dar provimento monocraticamente ao recurso. 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 23/52 Já dissemos que o código prescreve que o relator do agravo interno não pode se limitar a reproduzir os fundamentos da decisão agravada para julgar improcedente o agravo interno. O objetivo dessa previsão, consagrada no artigo 1.021, §3º, é o de evitar o que repetidamente acontecia com o agravo “inominado” do código anterior. O que acontecia anteriormenteé um dever para os magistrados trabalhistas. Salienta-se que a CLT prevê expressamente dois momentos para a tentativa de conciliação: Primeiro momento Antes do recebimento da contestação em audiência (art. 846 da CLT). Segundo momento Após as razões finais (art. 850 da CLT). Tal previsão legal é amparada na circunstância de que os ânimos para negociação variam de acordo com o resultado prático da instrução. Após o encerramento desta e as razões finais das partes, o magistrado tem uma ideia melhor das possibilidades de ajuste entre as partes. Por fim, precisamos ressaltar dois aspectos importantes: 1. O primeiro é que, malgrado a previsão legal para momentos específicos para a conciliação, nada impede que a conciliação seja proposta em qualquer fase ou momento processual. A dicção do caput do art. 764 da CLT deixa evidente a possibilidade de tentativas de conciliação na fase recursal, na fase de liquidação de sentença, ou até mesmo na fase de execução (fato muito comum no cotidiano forense trabalhista). 2. Outro aspecto relevante é que parte da doutrina tem entendido que a falta das tentativas conciliatórias previstas nos arts. 846 e 850 da CLT levaria à nulidade do processo, já que o juiz do Trabalho deve, ao menos, tentar a última proposta conciliatória (aquela descrita no art. 850 da CLT). Não pensamos assim, alinhando-nos com a doutrina mais moderna. É preciso enxergar a questão à luz do princípio da transcendência ou do prejuízo. Se a conciliaçãopode ser viabilizada a qualquer tempo no processo, como já dito, nada impediria sua efetivação em grau recursal, em qualquer instância, sanando eventual nulidade que apenas retardaria a soluçãoda demanda. 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 14/51 E�cácia da norma processual trabalhista no tempo e no espaço O tema “eficácia” pode ser usado em dois sentidos usuais: 1. Como um problema a ser investigado pela Sociologia do Direito, para concluir se a norma tem cumprimento por parte dos destinatários ou se não possui qualquer reverberação (eficácia social da norma). 2. Como uma questão de exame da aptidão da norma para a produção de efeitos jurídicos (eficácia técnica). A seguir, passamos a investigar a eficácia jurídica ou técnica, considerando sua aplicação no tempo e no espaço. A eficácia da norma processual no tempo é guiada por dois princípios fundamentais: Princípio I O princípio da irretroatividade, previsto no art. 5º, XXXVI da Constituição (inviabilizando a retroação da norma em prejuízo do ato jurídico perfeito, do direito adquirido e da coisa julgada). 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 15/51 Princípio II O princípio do efeito imediato, previsto nos art. 912 e 915 da CLT, permitindo a aplicabilidade, desde logo, das novas normas processuais trabalhistas aos processos pendentes. É de se notar que o art. 14 do CPC, de plena aplicabilidade do Direito Processual do Trabalho (conforme art. 1º da Instrução Normativa 41 de 2018 do TST), sintetiza tais princípios ao impingir que a norma processual não pode retroagir e é aplicável imediatamente aos processos em curso, respeitados os atos processuais praticados e as situações jurídicas consolidadas sob a vigência da norma revogada. Nesse passo, a melhor doutrina defende que adotamos no Direito Processual do Trabalho a teoria do isolamento dos atos processuais, restando claro que a lei nova regula apenas os atos processuais que se praticarão sob sua vigência, mantendo os atos processuais praticados sob o império da lei anterior, sua validade e seus efeitos. No que diz respeito à eficácia da lei processual trabalhista no espaço, o princípio que prevalece é o da territorialidade. Em outras palavras, conforme o disposto no art. 1º da CPC, a lei processual trabalhista vigora em todo o território nacional e tem por destinatários tanto os trabalhadores brasileiros quanto os estrangeiros residentes no Brasil. Por fim, merece ser sublinhado que sentenças estrangeiras (mesmo que versem sobre matérias trabalhistas), dependem de homologação por parte do Superior Tribunal de Justiça (art. 105, I, “i” da Constituição) e não por parte do Tribunal Superior do Trabalho. A execução dessas sentenças, portanto, será realizada em Vara Federal, não em Varas do Trabalho, diante do expresso comando constitucional. 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 16/51 Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 17/51 Questão 1 O fato de a notificação inicial ser efetuada pelo cartório logo após a distribuição do processo espelha qual princípio do Direito Processual do Trabalho? Parabéns! A alternativa C está correta. O Direito Processual do Trabalho é marcado pela informalidade, uma vez que se orienta por normas menos formais, as quais buscam conferir celeridade à resolução de conflitos. Nessa direção, uma das projeções do princípio da informalidade é a notificação inicial ser efetuada pelo cartório logo após a distribuição do processo (art. 841 da CLT). Questão 2 Em execução que tramita na 18ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, após várias tentativas de encontrar bens da empresa Bem Viver S/A, o trabalhador solicitou ao juízo a instauração de IDPJ (incidente de desconsideração da personalidade jurídica). Instaurado o incidente, o juiz indeferiu a inclusão de sócios na lide, sob a alegação de que não foram comprovados os requisitos do art. 50 do Código Civil. Sabendo o trabalhador que a jurisprudência majoritária trabalhista aplica a teoria menor aos casos de desconsideração da personalidade jurídica, indaga-se: o que deve fazer o advogado do exequente? A Oralidade B Proteção C Informalidade D Conciliação E Irrecorribilidade imediata das decisões interlocutórias 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 18/51 Parabéns! A alternativa C está correta. Estamos diante de exceção ao princípio da irrecorribilidade imediata das decisões interlocutórias, conforme art. 855-B, II da CLT, cabendo agravo de petição de forma imediata. Não cabe mandado de segurança, pois não há recurso cabível de imediato, nem pedido de reconsideração (que não interrompe o prazo recursal e não possui previsão legal, sendo tolerado seu uso para despachos). A conciliação é sempre possível, mas não seria medida adequada para insistir na inclusão dos sócios na lide, sendo que, no caso concreto, parece inócua a inexistência de bens da pessoa jurídica. A Não há nada a fazer, pois a decisão é interlocutória, nos termos do §1º do art. 893 da CLT. B Deve ingressar com pedido de reconsideração, já que a decisão contraria a jurisprudência dominante dos tribunais trabalhistas. C Deve ingressar com recurso imediato (agravo de petição), eis que estamos diante de exceção ao princípio da irrecorribilidade imediata das decisões interlocutórias. D Deve pedir pauta de conciliação, para tentar um acordo com a pessoa jurídica, ante o princípio da conciabilidade. E Deve ingressar com mandado de segurança, pois a decisão do juiz violou direito líquido e certo da parte. 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 19/51 2 - Competência da Justiça do Trabalho Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer a competência da Justiça do Trabalho em seus aspectos mais relevantes. Competência da Justiça do Trabalho Noções preliminares A palavra “competência” deriva do latim competentia, que significa “proporção”, “simetria”. Nesse sentido, a doutrina clássica conceitua competência como a “medida da jurisdição”,era que os relatores geralmente inseriam em seus votos a reprodução idêntica da decisão objeto do agravo sem que se manifestassem, para tanto, acerca das razões do recurso dele. Com o objetivo de inibir o uso indiscriminado dessa espécie recursal, o legislador estabeleceu que: Se o recurso for declarado manifestamente inadmissível ou improcedente em votação unânime, o órgão colegiado, em decisão fundamentada, condenará (não se trata de faculdade) o agravante a pagar ao agravado multa fixada entre 1 e 5% do valor atualizado da causa. Não basta, para tanto, a inadmissão ou a improcedência. É preciso que ela se manifeste e que se dê à unanimidade. Nessas circunstâncias, a interposição de qualquer outro recurso fica condicionada ao depósito prévio do valor da multa prevista no §4º - à exceção da Fazenda Pública e do beneficiário da gratuidade de justiça, que pagarão apenas ao final. Agravo em recurso especial e em recurso extraordinário O artigo 1.042 do CPC/2015 estatui que caberá agravo contra decisão do presidente ou do vice-presidente do tribunal recorrido que inadmitir recurso extraordinário ou especial, salvo quando ela estiver fundada na aplicação 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 24/52 de entendimento firmado em regime de repercussão geral ou em julgamento de recursos repetitivos. O prazo para a interposição desse recurso, tomando por base os artigos 1.003, §5º, e 219, ambos do CPC, é de 15 dias úteis. Trata-se, portanto, de recurso apto a atacar as decisões de inadmissão de presidente ou vice-presidente do tribunal local ao proceder ao primeiro juízo de admissibilidade dos recursos excepcionais. Curiosidade Na redação original do CPC/2015, aprovada no Congresso Nacional e sancionada pela então presidente da República, a admissibilidade dos recursos excepcionais seria feita já nos tribunais superiores, competindo ao presidente ou vice-presidente do tribunal recorrido tão somente intimar a parte adversa para o oferecimento de contrarrazões, bem como encaminhar os autos ao respectivo tribunal superior. No entanto, faltando cerca de um mês para o início da vigência do CPC/2015, editou-se a Lei nº 13.256/2016, que restaurou a sistemática que vigorava no CPC/1973, ou seja, o duplo juízo de admissibilidade, sendo o primeiro ainda realizado perante o presidente ou vice-presidente do tribunal recorrido. Ao se proferir um juízo de admissibilidade, são verificados os pressupostos recursais: Estando ausentes um ou mais pressupostos recursais, é uma hipótese proferir a decisão de inadmissão do recurso, o que dá ensejo à interposição do agravo em recurso: Especial Inadmissão de recurso especial. Genéricos Tempestividade, motivação, forma, recorribilidade, adequação, preparo, legitimidade e interesse. Especí�cos Esgotamento prévio da via recursal ordinária, prequestionamento e vedação de discussão de conteúdo fático-probatório. 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 25/52 Extraordinário Inadmissão de recurso extraordinário. Especial e extraordinário Ambos se farão presentes se a decisão houver sido pela inadmissão dos dois recursos excepcionais. Na terceira hipótese, de recurso especial e extraordinário, vale ressaltar que não há a possibilidade de usar apenas um agravo que abarque as duas inadmissões O agravo é interposto em petição dirigida ao presidente ou ao vice-presidente e independe de custas e despesas postais. Aplica-se ao recurso o regime de repercussão geral e de recursos repetitivos, inclusive quanto à possibilidade de sobrestamento e do juízo de retratação. De imediato, ainda no tribunal recorrido, faz-se a intimação do agravado, para que possa ofertar contrarrazões, em 15 dias úteis. Passado esse prazo, caso não haja, por parte do presidente ou vice-presidente, o juízo de retratação, remete-se o agravo ao tribunal superior competente. Saiba mais Não existe a possibilidade de fazer, no tribunal local, qualquer juízo de admissibilidade ou julgamento de mérito do recurso – atribuições que, no caso, são privativas do respectivo tribunal superior. O §5º do artigo 1.042 prevê que o agravo pode ser julgado com o recurso especial ou extraordinário, sendo assegurada, nesse caso, sustentação oral e observado o disposto no regimento interno do tribunal respectivo. Caso haja uma interposição conjunta, isto é, tendo havido a inadmissão dos dois recursos excepcionais, com a conseguinte interposição dos dois agravos, eles primeiramente serão remetidos ao STJ para o julgamento do agravo em recurso especial; em seguida, serão remetidos ao STF para a apreciação dele em recurso extraordinário, salvo se estiver prejudicado. Não deve haver confusão quanto às hipóteses de utilização do agravo interno, agravo em recurso especial e extraordinário contra a decisão do presidente ou do vice-presidente do tribunal recorrido. A decisão pode ocorrer por: Verificação da ausência de pressupostos recursais. Será caso de agravo em recurso especial e em recurso Inadmissão 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 26/52 extraordinário (artigo 1.042 do CPC). Verificação da ausência de repercussão geral no STF ou matéria que já foi decidida sob a sistemática da repercussão geral ou dos repetitivos – e recurso em sentido contrário. Haverá, então, uma hipótese de interposição de agravo interno caso se discorde da decisão, fazendo-se a distinção. Não existe mais o agravo retido, que foi uma das espécies recursais extirpadas pelo diploma ora em vigor. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 O vice-presidente do Tribunal Regional Federal da 2ª Região negou seguimento ao recurso especial por entender que ele contrariava tese firmada em recurso especial repetitivo. Contra tal decisão, cabe: Negativa de seguimento A Agravo de instrumento para julgamento do Superior Tribunal de Justiça. B Agravo em recurso especial para julgamento do Superior Tribunal de Justiça. C Recurso extraordinário para julgamento do Supremo Tribunal Federal. D Agravo interno para julgamento do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. E 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 27/52 Parabéns! A alternativa D está correta. A alternativa D tem fundamento nos artigos 1.021 e 1.030, §2º, do CPC. Questão 2 Considerando que o processo em primeiro grau tramita em autos eletrônicos, ao também interpor o agravo de instrumento eletronicamente no tribunal: Parabéns! A alternativa A está correta. A alternativa A tem fundamento no artigo 1.017, §5º, do CPC, que prevê essa dispensa de juntada das cópias. Recurso ordinário para julgamento do Superior Tribunal de Justiça. A O agravante estará dispensado de anexar as peças obrigatórias e facultativas ao agravo de instrumento. B O agravante estará obrigado a fazer a juntada ao juízo de primeiro grau, em até três dias da interposição do agravo de instrumento, de cópia da petição do recurso, do comprovante de sua interposição e da relação dos documentos que instruíram o recurso, sob pena de inadmissibilidade. C O agravante estará dispensado da juntada das peças facultativas, mas não da juntada das peças obrigatórias. D Se o relator não admitir o recurso por falta de peças obrigatórias, caberá mandado de segurança. E Independentemente de ser físico ou eletrônico o agravo de instrumento, a comunicação ao juízo de origem será indispensável para viabilizar a retratação. 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 28/52 3 - Embargos de declaração Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer o cabimento dos embargos de declaração e sua relevância à integração das decisões judiciais. Conceito O recurso de embargos de declaração está previstonos artigos 1.022 a 1.026 do CPC/2015. Segundo o artigo 1.003, §5º, ele se trata da única espécie recursal prevista em tal diploma cujo prazo para a interposição não é de 15 dias: para fazer sua oposição, nos termos prescritos no artigo 1.023, só há 5 dias à disposição. De todo modo, é importante fazer a ressalva de que, nos processos eleitorais, o prazo dos embargos de declaração é de três dias, como indica o artigo 275, §1º, do Código Eleitoral (Lei nº 4.737/1965). Cabimento O cabimento dos embargos de declaração se dá contra qualquer decisão para: 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 29/52 Nesse aspecto, a redação do atual código pôs fim a uma discussão que havia na legislação revogada, pois a redação do artigo 535 dava a entender que o cabimento do recurso se aplicava tão somente a sentenças ou acórdãos, como se não fosse possível imaginar a existência de obscuridades, contradições ou omissões em decisões interlocutórias ou unipessoais dos relatores nos tribunais. Há situações em que é possível presumir a omissão em decisões judiciais, o que comporta a oposição de embargos. Isso pode ocorrer quando a decisão: Deixar de se manifestar sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos em incidente de assunção de competência (IAC) aplicável ao caso a ser julgado; Incorrer nas condutas descritas no artigo 489, §1º (decisões desprovidas de fundamentação). O cabimento dos embargos de declaração O professor Marco Aurélio Peixoto discorrerá sobre o cabimento dos embargos, bem como os fundamentos que permitem que seja cabível (omissão, obscuridade, contradição e erro material). Corrigir erro material Esclarecer obscuridade ou eliminar contradição Suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 30/52 Características Independentemente do sujeito processual embargante, como prevê o artigo 1.023, trata-se de um recurso não sujeito a preparo, isto é, não se aplica o pressuposto recursal que, presente em outras espécies, impõe o recolhimento de custas para a admissibilidade da espécie. O CPC anterior não previa a existência de contrarrazões ao recurso dos embargos de declaração. Acabou por se estabelecer, assim, uma construção jurisprudencial com o objetivo de se admitir as contrarrazões, a critério do magistrado, sempre que houvesse interesse modificativo/infringente. No atual diploma, esse posicionamento se consolidou; assim, como prevê o artigo 1.023, §2º, o juiz intima o embargado para, querendo, manifestar-se no prazo de cinco dias, sobre os embargos opostos caso seu eventual acolhimento implique a modificação da decisão embargada. O julgamento dos embargos de declaração também deve, de acordo com o artigo 1.024 do CPC/2015, se dar em cinco dias. Se ele ocorrer nos tribunais, o relator apresentará os embargos em mesa na sessão subsequente, proferindo seu voto. Caso não haja o julgamento nessa sessão, será incluído na pauta automaticamente. A natureza da decisão que julgar os embargos de declaração será a mesma da decisão embargada, pois sua decisão se integra à embargada. Desse modo: Decisão: sentença Para os embargos opostos contra uma sentença. 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 31/52 Decisão: interlocutória Para os embargos opostos contra uma decisão interlocutória. Decisão: acórdão Para os embargos opostos contra um acórdão. Como prevê o §2º do artigo 1.024, se os embargos forem opostos contra a decisão de relator ou outra decisão unipessoal em tribunal, o órgão prolator da decisão embargada poderá decidir monocraticamente. O legislador preocupou-se com a possibilidade de, diante de determinada decisão, uma das partes interpor um recurso e a outra, os embargos de declaração. Por isso: Caso os embargos sofram modi�cação no julgamento O embargado que já havia interposto outro recurso tem o direito de complementar ou alterar suas razões nos limites da decisão dos embargos. Caso os embargos sejam rejeitados ou não alterem a conclusão anterior O recurso interposto pela outra parte antes da publicação do julgamento dos embargos será processado e julgado independentemente de ratificação. Tal previsão (artigo 1.024, §5º) corrigiu um entendimento que se tinha à luz do CPC/1973: quando não houvesse a ratificação, se teria uma causa de inadmissão do recurso. Via de regra, os embargos de declaração, por si só, não geram o efeito suspensivo. No entanto, esse efeito pode se dar ope iudicis, isto é, a eficácia da decisão monocrática ou colegiada poderá ser suspensa pelo juiz ou relator caso seja demonstrada a probabilidade de provimento do recurso ou, sendo relevante a fundamentação, se houver um risco de dano grave ou de difícil reparação. Os embargos de declaração, uma vez opostos, acarretam a interrupção do prazo para a interposição de outros recursos, como, por exemplo, a apelação, o recurso especial ou o recurso extraordinário. Dessa forma, uma vez 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 32/52 julgados e intimadas as partes de seu julgamento, tem-se o recomeço do prazo, não se aproveitando aquilo que já se havia computado. Atenção A respeito da interrupção do prazo para outros recursos, o legislador de 2015 inclusive corrigiu uma contradição entre o CPC e a Lei nº 9.099/1995, que disciplina os juizados especiais. Enquanto o CPC anterior já previa a interrupção, a lei que regula os juizados tinha a previsão de que os embargos de declaração acarretam a suspensão do prazo (nesse caso, aproveitava-se aquele já computado). No artigo 1.065 do CPC/2015, contudo, alterou-se expressamente a redação do artigo 50 da Lei nº 9.099/1995: sua previsão agora é de que os embargos de declaração interrompem o prazo para a interposição do recurso. Outra relevante previsão constante do disciplinamento dos embargos de declaração se encontra no artigo 1.025. Muito comumente, o recurso desses embargos é utilizado com a finalidade de prequestionar os dispositivos constitucionais ou legais a fim de viabilizar a interposição dos recursos excepcionais. No entanto, também é comum que os tribunais locais rejeitem os embargos em decisões genéricas, segundo os quais não há qualquer omissão, obscuridade ou contradição. Na vigência do CPC anterior, quando isso acontecia, tratando-se de recurso especial, o recorrente necessitava alegar uma violação preliminar ao artigo 535 a fim de que o STJ, caso acolhesse seu recurso, anulasse o acórdão e determinasse a devolução dos autos ao tribunal de origem para o rejulgamento dos embargos de declaração. Nessa linha, o CPC atual previu que se consideram incluídos no acórdão os elementos que o embargante suscitou para fins de prequestionamento, ainda que os embargos sejam inadmitidos ou rejeitados, caso o tribunal superior considere existentes erro, omissão, contradição ou obscuridade. Essa previsão deveria, em tese, evitar a exigência de alegação de violação prévia ao dispositivo que tratava dos embargos de declaração. No entanto, o STJ não tem pensado assim. Em vários julgados, tomando como exemplo o AgInt no AREsp 1043549/RS, tem-se esposado o entendimento de que, para que o STJ adentre o mérito do recurso, deve haver uma alegação preliminar de violação ao artigo 1.022 do CPC. A diferença é que, nesses casos, não se anula o julgado, devolvendo ao tribunal local. Deve-se registrar, por fim, a possibilidade de imposição de multa ao embargante que pretende se valer do recurso com intuito protelatório. Prevê o artigo 1.026, §2º, que, se os embargos forem manifestamente protelatórios, o juiz 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 33/52 ou o tribunal, em decisãofundamentada, condenará o embargante a pagar ao embagado multa não excedente a 2% do valor atualizado da causa. Não será necessário esperar pelos segundos embargos de declaração para aplicá-la se já for identificado esse intuito na primeira oposição. Uma vez aplicada e havendo a reiteração dos embargos protelatórios, a multa é elevada a até 10%, enquanto a interposição de qualquer recurso fica condicionada ao depósito prévio do valor dela, à exceção da Fazenda Pública e do beneficiário da gratuidade de justiça, que a recolherão ao final. Fora isso, não serão admitidos novos embargos de declaração caso os dois anteriores tenham sido considerados protelatórios. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Na hipótese de, diante de determinado acórdão, uma das partes interpuser o recurso especial e a outra parte opuser embargos de declaração: A Ainda que haja modificação no julgamento dos embargos de declaração, o embargado que já havia interposto o recurso especial não terá o direito de complementar ou alterar suas razões. B Se não houver modificação no julgamento dos embargos de declaração e o embargado não ratificar as razões do recurso especial, tal recurso não será admitido. C Se houver modificação no julgamento dos embargos de declaração, o embargado que já havia interposto o recurso especial poderá, em cinco dias, complementar ou alterar as razões recursais. 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 34/52 Parabéns! A alternativa D está correta. A alternativa D se fundamenta no artigo 1.024, §4º, do CPC. Questão 2 Marque a assertiva verdadeira acerca da multa nos embargos de declaração. Parabéns! A alternativa E está correta. D Se houver modificação no julgamento dos embargos de declaração, o embargado que já havia interposto o recurso especial poderá, em 15 dias, complementar ou alterar as razões recursais. E Se os embargos de declaração forem acolhidos, mas não se alterar a conclusão do julgamento anterior, o embargado necessariamente precisará, sob pena de inadmissão, complementar ou alterar as razões do recurso especial. A A multa por embargos de declaração manifestamente protelatórios só pode ser aplicada em caso de reiteração do recurso. B Somente incidirá a multa, no caso da Fazenda Pública, se os embargos forem opostos a sentenças ou acórdãos. C Aplicando-se a multa por embargos de declaração manifestamente protelatórios, a fixação do percentual é decisão discricionária do magistrado. D Se os embargos forem manifestamente protelatórios, o embargante será condenado a pagar ao Estado ou à União multa não excedente a 2% do valor atualizado da causa. E Havendo a reiteração de embargos protelatórios, a multa será elevada até 10%, enquanto a interposição de qualquer recurso fica condicionada ao depósito prévio do valor dela. 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 35/52 A alternativa E tem fundamento no artigo 1.026, §3º, do CPC. 4 - Ações autônomas de impugnação das decisões judiciais Ao �nal deste módulo, você será capaz de avaliar as principais ações autônomas de impugnação das decisões judiciais, como também os mais relevantes sucedâneos recursais Ações autônomas de impugnação e sucedâneos recursais Fora o estudo das espécies recursais, o conhecimento do procedimento atinente aos meios autônomos de impugnação das decisões judiciais, ficando aí abarcados as ações autônomas de impugnação e os sucedâneos recursais, também se mostra muito relevante. 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 36/52 As ações autônomas de impugnação, como o próprio nome já indica, não são espécies recursais, mas têm por condão impugnar decisões judiciais a partir do fundamental exercício do direito de ação. Por outro lado, todo meio de impugnação que não seja recurso nem ação de impugnação será chamado de sucedâneo recursal. No presente módulo, abordaremos algumas das mais relevantes ações autônomas de impugnação constantes do Livro III do CPC, como a ação rescisória e a reclamação. Também trataremos de alguns significativos sucedâneos recursais, como a suspensão de liminar, tutela e segurança, além da correição parcial, do pedido de reconsideração e da remessa necessária. Ação rescisória A ação rescisória está disciplinada entre os artigos 966 a 975 do CPC/2015. Já as hipóteses de cabimento estão elencadas no artigo 966, sendo possível o ajuizamento contra decisão de mérito transitada em julgado quando acontecem as situações listadas no quadro a seguir: Situações nas quais é possível o ajuizamento contra decisão de mérito transitada em julgado Ofender a coisa julgada Violar manifestamente norma jurídica For proferida por juiz impedido ou juízo absolutamente incompetente For fundada em erro de fato verificável do exame dos autos For proferida por força de prevaricação, concussão ou corrupção do juiz For fundada em prova cuja falsidade tenha sido apurada em processo criminal ou venha a ser demonstrada na própria ação Resultar de dolo ou coação da parte vencedora em detrimento da parte vencida, ou de simulação ou colusão entre as partes, a fim de fraudar a lei Obtiver o autor, posteriormente ao trânsito em julgado, prova nova cuja existência ignorava ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de lhe assegurar pronunciamento favorável 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 37/52 Ainda cabe uma ação rescisória, segundo o §5º do artigo 966, por manifesta violação de norma jurídica contra uma decisão baseada em enunciado de súmula ou um acórdão proferido no julgamento de casos repetitivos que não tenha considerado a existência de distinção entre a questão discutida no processo e o padrão decisório que lhe deu fundamento. Dica O próprio código indica que haverá erro de fato quando a decisão rescindenda admitir um fato inexistente ou quando considerar inexistente um efetivamente ocorrido, sendo indispensável, em ambos os casos, que o fato não represente ponto controvertido sobre o qual o juiz deveria ter se pronunciado. Além disso, o CPC expressamente prevê situações de cabimento da ação rescisória, ainda que diante de decisões que não são de mérito. Isso é possível quando a decisão impede nova propositura da demanda ou a admissibilidade do recurso correspondente. A ação rescisória não precisa objetivar a desconstituição de toda a decisão, mas apenas de um ou alguns capítulos dela, estabelece o §3º do artigo 966. São legitimados ao ajuizamento da ação rescisória: Quem é parte no processo ou seu sucessor a título universal ou singular. O terceiro juridicamente interessado. O MP não ouvido no processo em que sua intervenção era obrigatória quando a decisão rescindenda for o efeito de simulação ou de colusão das partes a �m de fraudar a lei, ou em outros casos em que se imponha sua atuação. Aquele que não foi ouvido no processo em que lhe era obrigatória a intervenção. 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 38/52 A ação rescisória não é ajuizada em primeiro grau, sendo de competência originária dos tribunais. Eles, por sua vez, têm por atribuição o julgamento das ações dos próprios julgados, assim como dos juízes que a eles forem vinculados. Não é o simples fato de existir um recurso especial ou um extraordinário que faça com que a rescisória seja proposta no STJ ou no STF. Se um especial interposto não tiver sido conhecido e julgado, sendo, pelo contrário, objeto de inadmissão, o que será mantido é o acórdão do tribunal recorrido, de modo que é no tribunal inferior – e não no superior – que a ação rescisória deverá ser proposta. Na petição inicial, além dos requisitos gerais, seu autor deve: Cumular ao pedido de rescisão, se foro caso, o de novo julgamento do processo; Depositar a importância de 5% sobre o valor da causa, que se converterá em multa caso a ação seja, por unanimidade de votos, declarada inadmissível ou improcedente. Tal exigência de depósito prévio, que não pode ser superior a 1.000 salários-mínimos, não se aplica a: A propositura da ação não impede o cumprimento da decisão rescindenda, mas nada impede que seja requerida uma tutela provisória. A resposta do réu tem prazo nunca inferior a 15 e nem superior a 30 dias, ao fim dos quais, com ou sem contestação, se observará, no que couber, o procedimento comum. No que é pertinente ao julgamento, sendo procedente o pedido, o tribunal rescindirá a decisão (iudicium rescidens) e proferirá, se for o caso, um novo julgamento (iudicium rescissorium), determinando a restituição do depósito. Caso considere, por unanimidade, inadmissível ou improcedente o pedido, o tribunal determinará a reversão, em favor do réu, da importância do depósito. Por outro lado, se a decisão for não unânime, ele será restituído ao autor. 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 39/52 O prazo para o ajuizamento da ação rescisória é de dois anos, contados do trânsito em julgado da última decisão proferida no processo. Apesar de sua natureza decadencial, ele se prorrogará até o primeiro dia útil imediatamente subsequente ao prazo quando expirar durante as férias forenses, o recesso e os feriados ou se não houver expediente. Se fundada a ação em prova nova, o termo inicial do prazo será a data de descoberta dela, sendo observado o prazo máximo de cinco anos, contado do trânsito em julgado da última decisão proferida no processo. Nas hipóteses de simulação ou de colusão das partes, ele começará a contar, para o terceiro prejudicado e o MP, que não interveio no processo, a partir do momento em que eles tiverem ciência da simulação ou da colusão. Reclamação Prevista nos artigos 988 a 993 do CPC/2015, a reclamação também tem respaldo constitucional (artigos 102, I, l; 103-A, §3º; 105, I, f; 111-A, §3º). Ela possui, de acordo com o STF, uma natureza jurisdicional, representando o exercício do direito de petição. Caberá reclamação da parte interessada ou do MP para: Garantir a autoridade das decisões do tribunal Preservar a competência do tribunal (exemplo: admissibilidade da apelação) Garantir a observância de acórdão proferido em julgamento de IRDR ou IAC 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 40/52 No caso do acórdão proferido em julgamento de REsp, o STJ, por sua corte especial, esposou, na Reclamação 36.476, o entendimento de que não cabe discutir a aplicação de repetitivos, ainda que estejam esgotadas as vias ordinárias, contrariando, assim, uma expressa disposição do CPC. A reclamação pode ser proposta perante qualquer tribunal. Já seu julgamento compete ao órgão jurisdicional cuja competência se busca preservar ou cuja autoridade se pretenda garantir. Ela deve ser instruída com prova documental e dirigida ao presidente do tribunal. Assim que for recebida, a reclamação será, sempre que possível, autuada e distribuída ao relator do processo principal. Atenção É inadmissível haver a proposição dela após o trânsito em julgado da decisão reclamada. Também o é a reclamação proposta para garantir a observância do acórdão de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida ou daquele proferido em julgamento de recursos (extraordinários ou especiais) repetitivos quando não esgotadas as instâncias ordinárias. A inadmissibilidade ou o julgamento do recurso interposto contra a decisão proferida pelo órgão reclamado não prejudica a reclamação. Ao despachar a reclamação, o relator: Requisitará as informações da autoridade a quem for imputada a prática do ato impugnado. Se necessário, requisitará a suspensão para evitar dano irreparável. Determinará a citação do beneficiário da decisão impugnada, que terá o prazo de 15 dias para apresentar a sua contestação. Qualquer interessado pode impugnar o pedido do reclamante. Na reclamação que não houver formulado, o MP terá vista do processo por cinco dias, após o decurso do prazo, para as informações e o oferecimento da contestação pelo beneficiário do ato impugnado. Julgando procedente a Garantir a observância de enunciado de súmula vinculante e de decisão do Supremo em controle concentrado de constitucionalidade Garantir a observância de acórdão de RE com repercussão geral reconhecida ou de acórdão proferido em julgamento de RE ou REsp repetitivos quando estiverem esgotadas as instâncias ordinárias 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 41/52 reclamação, o tribunal cassará a decisão exorbitante de seu julgado ou determinará medida adequada à solução da controvérsia. Suspensão de liminar, tutela e segurança O pedido de suspensão é um instrumento de controle das consequências da decisão judicial a ser realizado pelo presidente do tribunal que seja competente para conhecer o recurso respectivo. Ele serve para obstar o início ou a continuidade da eficácia de tutela provisória, sentença, decisão monocrática ou acórdão, dependendo de tal situação se enquadrar numa das hipóteses legais. Esse pedido (de liminar, de efeitos da sentença e da própria ordem contida no mandado de segurança) é prerrogativa da Fazenda Pública e, em alguns casos, do MP. Ele está ligado diretamente à continuidade das atividades administrativas e da preponderância do interesse público. No site do STF, observam-se quatro variações: Suspensão de liminar (SL) Suspensão de segurança (SS) Suspensão de tutela antecipada (STA) Suspensão de tutela provisória (STP) São apresentadas como hipóteses a grave lesão à ordem, à economia, à saúde ou à segurança pública. Sua previsão legal reside nas leis nº 8.437/1992, nº 12.016/09 e nº 7.347/1985. 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 42/52 A suspensão pode ser pleiteada independentemente e/ou na concomitância do recurso eventual cabível contra a decisão mandamental. Não se trata de recurso, não tendo prazo, preparo e distribuição. Sua finalidade tampouco é a reforma ou a anulação da decisão. Além disso, a legitimidade dela não é ampla (ativa para o ente público ou para o MP). Sua apreciação se dá pelo presidente do tribunal competente em decisão monocrática suscetível de agravo interno. Ela não tem por objeto a reversão da decisão nem a decretação de error in procedendo ou de error in judicando. A rigor, a decisão continua válida – mas com os efeitos suspensos. Tampouco parece acertada a conclusão de que se trata de uma medida administrativa de competência do presidente do tribunal. Ela deve ser compreendida, na verdade, como um incidente processual de natureza jurisdicional. Saiba mais A suspensão pode ser apresentada de forma concomitante ao recurso, não havendo nada na lei que determine a escolha por uma ou outra modalidade. Na Ação Rescisória 5.857/MA, sob a relatoria do ministro Mauro Campbell Marques, a Corte Especial do STJ decidiu que a decisão do ministro presidente do STJ, que determina a suspensão dos efeitos da antecipação de tutela contra a Fazenda Pública, mesmo quando transitada em julgado, não se sujeita a uma ação rescisória por não induzir coisa julgada material nem impedir a rediscussão do objeto controvertido na ação principal. Já o STF, na Suspensão de Segurança 5.069, sob a relatoria do ministro Ricardo Lewandowski, proferiu a admissibilidade do pedido de suspensão de segurança de decisão proferida na fase de execução apenas em relação à matéria não transitada em julgado na fase de conhecimento. No que é pertinente ao chamado efeito multiplicador, que provoca lesão à economia pública, o mesmo STF entendeu, sob a relatoria do ministro Cezar Peluso, na Suspensãode Segurança 4.042, que isso é fundamento suficiente para o deferimento de pedido de suspensão de segurança. Por fim, nas situações em que a decisão proferida estiver fundamentada em normas infraconstitucionais, o Supremo, na Reclamação 34.560, atestou, sob a relatoria do ministro Edson Fachin na Segunda Turma, que compete ao presidente do STJ apreciar um eventual pedido de suspensão de segurança. Cumpre ressaltar ainda que, em sede de suspensão, não se aufere a eventual legalidade ou mesmo a razoabilidade da decisão atacada, mas tão somente se verifica o risco de grave lesão à ordem ou à economia públicas 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 43/52 representado pela referida suspensão. Tal entendimento foi consolidado na Suspensão de Liminar 1.102, no STF, em decisão do ministro Dias Toffoli. A autoridade competente para apreciar o incidente depende da verificação daquela que proferiu a decisão que se pretende atacar, bem como se houve recurso anterior com efeito substitutivo. Sendo a decisão de juiz de primeiro grau, a competência será, via de regra, do Presidente do Tribunal de Justiça (TJ) ou do Tribunal Regional Federal (TRF). Atenção A eventual concessão de efeito suspensivo em agravo de instrumento pode comprometer e prejudicar o mesmo requerimento feito no pedido de suspensão – e vice-versa. Há casos em que a competência para a suspensão é diretamente do STJ ou do STF. Isso ocorre quando se julga o mérito do agravo de instrumento, tendo ocorrido o efeito substitutivo recursal, ou em ordens oriundas de ações originárias propostas em TJs e TRFs. Ainda que seja possível, como já destacamos, a concomitância do pedido de suspensão com o agravo de instrumento, a competência desse pedido pode ser alterada pelo eventual efeito substitutivo. A competência se deslocará ao grau superior se for apreciado o mérito (provido ou não) do agravo de instrumento. Quando a decisão é oriunda de TJ ou TRF em agravo de instrumento, apelação ou ação originária, a competência fica a cargo do presidente de STJ ou STF. Isso também ocorre quando o presidente do TJ ou do TRF indefere o primeiro pedido de suspensão. Não se exige o agravo interno como requisito para o exaurimento da instância ordinária. Correição parcial A correição parcial, enquanto sucedâneo recursal, nasceu nas leis estaduais de organização judiciária. Em alguns estados, ela é até mesmo chamada de reclamação. Ambas chegam a ser confundidas em muitas ocasiões. Contudo, não é possível haver confusão entre a reclamação com previsão constitucional e a correição parcial, conforme atesta o julgado do TJ/SP publicado na Revista dos tribunais 510/117: Nem se pretenda equiparar a correição parcial à reclamação perante o STF, porque a última é providência emanada, hoje, dos poderes normativos que a Constituição Federal outorgou à Excelsa Corte (artigo 121, parágrafo único) e que se caracteriza também como desdobramento das atribuições jurisdicionais que lhe cabem como instância especial e última, na estrutura orgânica do Poder Judiciário. 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 44/52 (REVISTA DOS TRIBUNAIS, 510/117) Desde a entrada em vigor do CPC/1973, havia quem defendesse o desaparecimento da correição parcial. Quem militava contra a subsistência da correição parcial a partir de 1973 fazia isso com base na suposta inconstitucionalidade da medida, já que a legislação estadual – de onde se origina a correição parcial – não poderia criar um recurso que não estivesse previsto na legislação federal. Mas a correição parcial pode ser entendida como recurso? Pensamos que não em função da taxatividade dos recursos. A correição parcial é expressamente referida na lei orgânica da Justiça Federal: Lei nº 5.010/1966 (artigo 6º, incisos I e 9º). Nos termos da lei, compete ao Conselho de Justiça Federal conhecer, no prazo de cinco dias, a correição parcial requerida pela parte ou pela Procuradoria da República contra ato ou despacho do juiz de que não caiba recurso, ou comissão que importe erro de ofício ou abuso de poder. O relator da correição poderá ordenar a suspensão, em até 30 dias, de ato ou despacho impugnado quando compreender que possa decorrer dano irreparável de sua execução. Exemplo A correição parcial pode ser necessária se o juiz se omite no dever de decidir uma questão controvertida durante o desenvolvimento do processo ou inverte tumultuariamente a ordem processual, praticando, por exemplo, um ato pelo outro sem decidir formalmente nem exteriorizar decisão agravável. O artigo 1.001 do CPC, ao dispor sobre a irrecorribilidade dos despachos, não afastou a hipótese de utilização da correição parcial se e quando tais despachos importarem na inversão tumultuária dos atos e das fórmulas de ordem legal do processo, trazendo gravame às partes. Sendo assim, desde a edição do novo Código, pode-se afirmar, com mais certeza, que a correição parcial desmerece o caráter de recurso, tendo, portanto, uma natureza de remédio ou sucedâneo processual. Pedido de reconsideração Outra espécie de meio impugnativo atípico das decisões judiciais é o chamado pedido de reconsideração. Ele é entendido como um expediente utilizado pelas partes para impugnar um ato jurisdicional qualquer, não sendo exigida para a utilização dele qualquer regra cogente de ordem pública relativa à interposição dos recursos. Para o emprego desse pedido, são dispensados: Prazo 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 45/52 Preparo Fundamentação do inconformismo Formação do instrumento Classifica-se o pedido de reconsideração como meio de impugnação atípico pela mesma razão indicada para a correição parcial: o fato de não se encontrar seu embasamento em lei federal. Ele é um instrumental frequentemente usado na prática judiciária. Por meio de seus regimentos internos, alguns tribunais chegam a prever expressamente sua utilização. Por ser um meio impugnativo atípico, o pedido de reconsideração não possui aptidão para produzir os efeitos próprios da interposição dos recursos, não gerando, por exemplo, a suspensão ou a interrupção do prazo recursal, além de tampouco impedir a formação da coisa julgada. Remessa necessária A remessa necessária, que não se trata de uma espécie recursal, está disciplinada no artigo 496 do CPC/2015. Apesar da nomenclatura utilizada pelo CPC, ela possui algumas expressões sinônimas: Reexame necessário; Remessa obrigatória; Duplo grau obrigatório de jurisdição. Curiosidade Ela tem origem no direito português, estando vinculada ao processo penal. A remessa necessária era aplicada em situações de condenações à pena de morte, sendo chamada de “recurso de ofício”. Durante a tramitação do projeto de lei que gerou o CPC/2015, muito se discutiu quanto à extinção da remessa necessária. A pressão dos municípios foi decisiva para manutenção desse instituto no Código. 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 46/52 A doutrina diverge quanto à natureza jurídica do instituto. Para uns, a remessa necessária é condição de eficácia da sentença, já que: Já para outros, como Fredie Didier Jr. e Leonardo Carneiro da Cunha, a remessa tem uma natureza recursal, pois, embora não haja impugnação voluntária, ocorrem os seguintes processos: A provocação é feita pelo próprio juiz; O acórdão substitui a sentença; Aplica-se a proibição da reformatio in pejus. Finalmente, para Daniel Neves, ela é condição impeditiva do trânsito em julgado, porque, na Lei do Mandado de Segurança (Lei nº 12.016/2009), a sentença pode gerar efeitos, ainda que pendentes de reexame. Nos termos do artigo 496 do CPC, haverá remessa necessária contra as sentenças proferidas contra a Fazenda Pública ou quando os embargos à execução fiscal forem julgados procedentesno todo ou em parte. Parte da doutrina, ainda que minoritária, defende a remessa contra a decisão parcial de mérito (artigo 356), já que tal decisão forma uma definitiva e está sujeita à coisa julgada material. Caso estivesse na sentença, seu conteúdo comportaria a remessa. O conceito de Fazenda Pública, para fins processuais, abrange as pessoas jurídicas de direito público (União, estados, Distrito Federal, municípios, autarquias e fundações públicas), não abrangendo as jurídicas de direito Ela não tem prazo de interposição Não está prevista como recurso (taxatividade) Não se aplica à legitimação recursal (artigo 996) Não estão presentes as características dos recursos (voluntariedade, dialeticidade (não há razões/contrarrazões e contraditório) 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 47/52 privado que fazem parte do conceito amplo de Administração Pública (empresas públicas e sociedades de economia mista). O legislador estatuiu sensíveis restrições à remessa necessária. Primeiramente, em relação ao valor, já que ele a restringiu às situações em que o valor da condenação ou o proveito econômico obtido na causa seja de valor certo e líquido inferior a: Ademais, o legislador também previu o não cabimento da remessa quando a sentença estiver fundada em: Súmula de tribunal superior; Acórdão proferido pelo STF ou pelo STJ em julgamento de recursos repetitivos; Entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de assunção de competência; Entendimento coincidente com orientação vinculante firmada no âmbito administrativo do próprio ente público, consolidada em manifestação, parecer ou súmula administrativa. Havendo a remessa, não pode ocorrer, conforme a Súmula 45 do STJ, a reformatio in pejus. Não se aplica também, em caso de julgamento por maioria, a técnica de ampliação do colegiado prevista no artigo 942 do CPC. Cumpre realçar ainda que não é admitida a remessa necessária nos Juizados Especiais em razão do previsto no artigo 13 da Lei nº 10.259/2001 e no artigo 11 da Lei nº 12.153/2009. Mil salários-mínimos para a União e suas autarquias e fundações de direito público Cem salários-mínimos para os demais municípios e suas respectivas autarquias e fundações de direito público Quinhentos salários-mínimos para os estados, o Distrito Federal, as respectivas autarquias e fundações de direito público e os municípios que constituam capitais dos estados 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 48/52 Haverá remessa necessária na ação popular quando houver a extinção do processo sem a resolução do mérito ou a improcedência dos pedidos (artigo 19 da Lei nº 4.717/1965). Segundo a jurisprudência, a regra se aplica às ações de improbidade administrativa e civil pública. Já no mandado de segurança, a remessa ocorrerá se houver a concessão da segurança (independentemente de quem seja autoridade coatora), porém tal autoridade não impede a execução provisória. Remessa necessária O professor Marco Aurélio Peixoto fará um panorama sobre a remessa necessária. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Marque a alternativa em que se dispensa, nos termos do CPC, a remessa necessária: A Sentença proferida contra município (que não seja capital) de valor igual a 250 salários- mínimos. B Sentença proferida contra estado de valor igual a 550 salários-mínimos. C 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 49/52 Parabéns! A alternativa D está correta. A letra a está correta, com fundamento no art. 496, §3º, II do CPC. Questão 2 Caberá uma ação rescisória contra decisão de mérito transitada em julgado quando: Parabéns! A alternativa A está correta. A alternativa A se fundamenta no artigo 966, II, do CPC. Sentença proferida contra a União de valor igual a 2.000 salários-mínimos. D Sentença proferida contra município (capital de estado) de valor igual a 450 salários-mínimos. E Sentença proferida contra autarquia federal de valor igual a 1.500 salários-mínimos. A For proferida por juiz impedido. B For proferida por juiz relativamente incompetente. C For proferida por juiz suspeito. D For fundada em erro de direito. E Obtiver o autor, anteriormente ao trânsito em julgado, uma prova nova cuja existência ignorava. 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 50/52 Considerações �nais Analisamos neste conteúdo algumas das principais espécies recursais, como a apelação, os agravos e os embargos de declaração, demonstrando as hipóteses de cabimento, o prazo, os pressupostos, o procedimento, os efeitos e as consequências possíveis delas. Mais adiante, abordamos duas das principais ações autônomas de impugnação das decisões judiciais: a ação rescisória e a reclamação. Pontuamos ainda seus requisitos, sua competência, seu procedimento e seus resultados esperados. Também estudamos as espécies de sucedâneos recursais, como a suspensão de liminar, tutela ou segurança, a correição parcial, o pedido de reconsideração e a remessa necessária. Para tal, frisamos a diferença dessas figuras para as espécies recursais, bem como a possibilidade de elas terem um impacto na forma e no conteúdo dos pronunciamentos judiciais. Podcast Agora, o professor Marco Aurelio Peixoto encerra tratando do cabimento de ambos os recursos e demonstrando as diferenças principais entre a apelação e o agravo de instrumento. Explore + Pesquise os seguintes textos na internet para saber mais sobre os assuntos que estudamos: 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 51/52 BORGES, F. G. e S.; PEIXOTO, R. C. V. O Superior Tribunal de Justiça e a aplicação da técnica de ampliação do colegiado em embargos de declaração. Empório do Direito. Publicado em: 11 set. 2020. Consultado na internet em: 5 ago. 2021. PEIXOTO, M. A.; BECKER, R. Extensão do efeito devolutivo na apelação. Jota. Publicado em: 17 maio 2020. Consultado na internet em: 5 ago. 2021. PEIXOTO, M. A.; BECKER, R. Os embargos de declaração podem adequar o julgado a um precedente superveniente?. Jota. Publicado em: 24 jul. 2020. Consultado na internet em: 5 ago. 2021. PEIXOTO, M. A.; BECKER, R. Reclamação é inadequada para controle da aplicação de tese de recursos repetitivos?. Jota. Publicado em: 28 fev. 2020. Consultado na internet em: 5 ago. 2021. PEIXOTO, R. O prazo do agravo interno na suspensão de segurança. Jota. Publicado em: 1. nov. 2019. Consultado na internet em: 5 ago. 2021. Referências ASSIS, A. de. Manual dos recursos. 9. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2017. BRASIL. Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil. DIDIER JR., F.; CUNHA, L. C. da. Curso de Direito Processual Civil – meios de impugnação às decisões judiciais e processo nos tribunais. v. 3. 18. ed. Salvador: Jus Podivm, 2021. FREIRE, R. da C. L.; CUNHA, M. F. Código de Processo Civil para concursos. 11. ed. Salvador: Jus Podivm, 2021. LEMOS, V. S. Recursos e processos nos tribunais. 4. ed. Salvador: Jus Podivm, 2020. NEVES, D. A. A. Manual de Direito Processual Civil – volume único. 13. ed. Salvador: Jus Podivm, 2021. RODRIGUES, M. A. Manual dos recursos, ação rescisória e reclamação. São Paulo: Atlas, 2017. WAMBIER, L. R.; TALAMINI, E. Curso avançado de Processo Civil – cognição jurisdicional (processo comum de conhecimento e tutela provisória). v. 2. 19. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2021. Material para download 12/08/2023, 11:20 Recursos em espécie https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02766/index.html# 52/52 Clique no botão abaixo para fazer o download do conteúdo completo em formato PDF. Download material O que você achou do conteúdo? Relatar problema 12/08/2023, 11:21 Execução trabalhistahttps://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40929/index.html# 1/32 Execução trabalhista Prof. Ricardo Rabêllo Varjal Carneiro Leão Nofalse Descrição Aspectos gerais da execução trabalhista, com ênfase na responsabilidade patrimonial, nos meios de execução e nas defesas executórias. Propósito Estudar a execução trabalhista é essencial para compreender a busca pela satisfação efetiva e eficiente do crédito trabalhista, garantindo ao operador do direito uma melhor compreensão da responsabilidade patrimonial, dos meios de execução e das defesas executórias e, assim, beneficiando sua atuação profissional. Preparação Antes de iniciar o estudo, tenha em mãos a Constituição, a Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, a Lei nº 6.830/1980 e o Código de Processo Civil de 2015. 12/08/2023, 11:21 Execução trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40929/index.html# 2/32 Objetivos Módulo 1 Responsabilidade patrimonial Identificar a responsabilidade patrimonial no Processo do Trabalho. Módulo 2 Meios de execução Classificar os meios de execução. Módulo 3 Defesas na execução Reconhecer os meios de defesa aplicáveis em cada momento da execução. A execução trabalhista é um dos temas mais necessários do Direito Processual do Trabalho, tendo em vista que, sem dominar a temática, o profissional pode perder todo o seu esforço da fase de conhecimento por não conseguir dar a efetividade ao processo. A bem da verdade, um processo não pode ser considerado finalizado sem que o vencedor receba o proveito econômico conquistado, razão pela qual, considerando as raras situações de cumprimento Introdução 12/08/2023, 11:21 Execução trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40929/index.html# 3/32 1 - Responsabilidade patrimonial Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car a responsabilidade patrimonial no Processo do Trabalho. espontâneo de sentenças, o domínio da execução se faz essencial. Neste conteúdo, a execução trabalhista será apresentada de uma maneira diferenciada, já que a abordagem conceitual se dará a partir de discussões concretas e atuais que ocorrem em processos judiciais movidos em todo o país. O estudo se iniciará pela responsabilidade patrimonial, analisando-se quem pode ser responsabilizado por uma execução trabalhista. Em seguida, será a vez da análise dos meios de execução e seus aspectos característicos, dando ênfase a uma análise prática das espécies de meios de execução típicos e atípicos, além de verificar quando é cabível uma medida executória atípica. Por fim, o presente trabalho analisará as defesas permitidas na execução trabalhista, expondo os pormenores da exceção de pré-executividade, dos embargos à execução e dos embargos de terceiro. 12/08/2023, 11:21 Execução trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40929/index.html# 4/32 Aspectos gerais Conforme defendido por Luiz Guilherme Marinoni, Sérgio Cruz Arenhart e Daniel Mitidiero (2017), o objetivo do direito de ação é buscar efetivação do direito material intentado, razão pela qual, no caso de ausência de cumprimento espontâneo do título executivo, a prestação jurisdicional apenas pode se entender completa por meio da execução. Essa execução, no sistema jurídico brasileiro, não é pessoal e sim patrimonial. A lógica dessa afirmação deriva do disposto no art. 5º, LXVII, da Constituição da República, o qual apenas autoriza a prisão civil por dívida nos casos de prestação alimentar e de depositário infiel (SCHIAVI, 2018). Todavia, é importante registrar que, em caráter excepcionalíssimo e em hipótese extrema, alguns doutrinadores defendem a prisão do devedor contumaz de execução trabalhista como medida coercitiva, sob o argumento de se tratar de dívida alimentar (TOLEDO FILHO, 2003). Contudo, essa hipótese poucas vezes se consumou na prática e esse não deve ser o objetivo do Processo do Trabalho, sendo um raro exemplo o caso apreciado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região no HC nº 01079-2009-000-03-00-6, publicado em 18/09/2009. Nesse sentido, é possível dizer que a fase de execução de um processo trabalhista visa satisfazer o crédito ou o direito pleiteado na ação precipuamente mediante a responsabilização patrimonial, ou seja, por meio da imposição de medidas coercitivas ou constritivas de patrimônio voltadas à satisfação do crédito ou do direito pleiteado. Dessa forma, o título executivo, judicial ou extrajudicial pode ser executado perante a Justiça do Trabalho, sendo impostas ao devedor integrante do título executivo medidas coercitivas ou constritivas de patrimônio. 12/08/2023, 11:21 Execução trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40929/index.html# 5/32 Responsabilidade patrimonial secundária O procedimento de responsabilização patrimonial sempre se inicia pelos bens dos devedores integrantes do título executivo, contudo, após verificados obstáculos à satisfação do crédito ou do direito pleiteado, é possível, em certas hipóteses, que a responsabilidade patrimonial se direcione a terceiros que possuam relação jurídica com os integrantes do título, o que a doutrina costuma chamar de responsabilidade patrimonial secundária (SCHIAVI, 2018). A Consolidação das Leis do Trabalho – CLT não possui dispositivo específico sobre o tema, sendo aplicado subsidiariamente o disposto no art. 790 do CPC/15, que dispõe o seguinte: Art. 790. São sujeitos à execução os bens: I - do sucessor a título singular, tratando-se de execução fundada em direito real ou obrigação reipersecutória; II - do sócio, nos termos da lei; III - do devedor, ainda que em poder de terceiros; IV - do cônjuge ou companheiro, nos casos em que seus bens próprios ou de sua meação respondem pela dívida; V - alienados ou gravados com ônus real em fraude à execução; VI - cuja alienação ou gravação com ônus real tenha sido anulada em razão do reconhecimento, em ação autônoma, de fraude contra credores; VII - do responsável, nos casos de desconsideração da personalidade jurídica. (ART. 790 DO CPC/15) Para melhor compreensão, as principais hipóteses de responsabilidade patrimonial secundária aplicáveis à execução trabalhista serão analisadas a seguir. Hipóteses secundárias: sucessão trabalhista e grupo econômico 12/08/2023, 11:21 Execução trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40929/index.html# 6/32 Sucessão trabalhista A sucessão trabalhista encontra definição legal nos arts. 10 e 448 da CLT e também é conhecida como sucessão de empregadores ou alteração subjetiva do contrato de trabalho. Esse instituto se aplica, segundo a lei, quando há uma alteração na estrutura jurídica da empresa, o que foi melhor expressado por Maurício Godinho Delgado (2017), ao referir que se trata de uma mudança: [...] na estrutura jurídica do titular da empresa. (DELGADO, 2017, p. 475) Posto isso, se a empresa modificar sua forma social (de sociedade limitada para sociedade anônima, por exemplo), se modificar o seu titular ou se modificar a estrutura do seu empreendimento, isso não pode prejudicar os direitos dos empregados. A caracterização da sucessão trabalhista, segundo a doutrina de Délio Maranhão (1987), depende da configuração de dois requisitos: Requisito 1 Que a unidade econômico-jurídica seja transferida para outro titular. 12/08/2023, 11:21 Execução trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40929/index.html# 7/32 Requisito 2 Que não haja paralisação da prestação de serviços pelo empregado. Todavia, essa doutrina parece ser vencida na atualidade, uma vez que tem prevalecido uma ideia extensiva de sucessão trabalhista, na qual apenas se concede destaque ao primeiro elemento posto. Por fim, importante frisar que, ao tratar de unidade econômico-jurídica, se está fazendo referência tanto a uma empresa ou a um estabelecimento empresarial, quanto a uma universalidade de fato (uma unidade com equipamentos, técnicas, experiências etc.) Grupo econômico O grupoeconômico trabalhista encontra sua definição legal no art. 2º, §§ 2º e 3º, da CLT. Essa definição legal, alterada pela Reforma Trabalhista, compreende a definição de grupo econômico por subordinação e coordenação. Veja: Subordinação É aquele definido na primeira parte do §2º do art. 2º da CLT. Trata-se da modalidade na qual uma empresa dirige, controla ou administra a outra, sendo o exemplo mais comum o da holding. Em razão dessa definição, a doutrina costuma dizer que uma empresa se subordina a outra e, por isso, denomina de grupo econômico por subordinação (JORGE NETO, 2019). Coordenação Conforme definido pela segunda parte do §2º do art. 2º da CLT, grupo econômico por coordenação é aquele no qual empresas atuam de forma conjunta e buscando fins comuns, sem que haja uma empresa controladora. Para que seja reconhecido um grupo econômico, conforme dispõe o §3º do art. 2º da CLT, não basta a mera identidade de sócios entre as empresas, sendo necessária a demonstração de interesse integrado, a efetiva comunhão de interesses e a atuação conjunta. 12/08/2023, 11:21 Execução trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40929/index.html# 8/32 Havendo o preenchimento dos citados requisitos e uma relação de subordinação ou de coordenação, não resta dúvida de que se estará diante de um grupo econômico trabalhista. Entretanto, a possibilidade de direcionamento da execução para empresas integrantes de um grupo econômico tem sido alvo de discussão no Poder Judiciário. Os Tribunais do Trabalho, em maioria, após o cancelamento da Súmula nº 205 do TST, sempre entenderam que o grupo econômico forma o que costumam chamar de “empregador único”, de modo que não haveria cerceamento de defesa se uma empresa integrante de um grupo fosse incluída no processo após o término da fase de conhecimento. Entretanto, após a edição do Código de Processo Civil (CPC) de 2015, foi inaugurada uma nova celeuma acerca da possibilidade de pleitear o redirecionamento da execução trabalhista para empresa integrante do mesmo grupo econômico, já que o art. 513, §5º, do CPC/15 veda o direcionamento da execução para coobrigado que não participou da fase de conhecimento (BONFIM, 2017). Em razão dessa questão, passou-se a discutir se o art. 513, §5º, do CPC/15 seria aplicável ao Processo do Trabalho, tendo sido contumaz o posicionamento dos Tribunais no sentido de defender sua inaplicabilidade. Não obstante, no final de 2021, ao apreciar o ARE 1.160.361, o ministro Gilmar Mendes proferiu decisão monocrática anulando acórdão do Tribunal Superior do Trabalho por não ter instaurado incidente de inconstitucionalidade e nem observado o citado dispositivo legal, o que deu a entender que o posicionamento do ministro seria pela aplicabilidade do dispositivo ao Processo do Trabalho. Comentário Essa decisão reacendeu o debate existente e diversos magistrados passaram a fundamentar suas decisões no art. 513, §5º, do CPC/15, mas o debate jurídico em questão ainda não se encontra pacificado, sendo comum entendimentos significativamente divergentes nos Tribunais Regionais do Trabalho. 12/08/2023, 11:21 Execução trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40929/index.html# 9/32 Hipóteses secundárias: personalidade e bens do cônjuge Desconsideração da personalidade no Direito do Trabalho Com o vídeo a seguir, você compreenderá aspectos relevantes sobre a desconsideração da personalidade jurídica no Direito do Trabalho. Desconsideração da personalidade jurídica A desconsideração da personalidade jurídica trabalhista encontra sua definição legal nos arts. 50 do Código Civil e 28 do Código de Defesa do Consumidor, tendo seu procedimento regulado nos arts. 855-A da CLT e 133 e seguintes do CPC/15. Ainda que, para o Direito brasileiro, a empresa seja dotada de personalidade — a conhecida personalidade jurídica —, sendo, portanto, sujeita a direitos e obrigações, o ordenamento jurídico pátrio também estabelece 12/08/2023, 11:21 Execução trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40929/index.html# 10/32 a responsabilidade patrimonial dos sócios (art. 790, II, do CPC/15) e prevê que, em algumas hipóteses, essa personalidade jurídica pode ser pontualmente afastada, ocorrendo a chamada desconsideração da personalidade jurídica. Em razão desse afastamento pontual da personalidade, os sócios da pessoa jurídica passam a ser responsáveis pela obrigação ou pela dívida (TEIXEIRA FILHO, 2017). Para que isso ocorra, de acordo com o disposto nos arts. 855-A da CLT e 133 e seguintes do CPC/15, a desconsideração da personalidade jurídica precisa ser requerida pela parte interessada ou pelo Ministério Público, quando couber sua intervenção. Além disso, deve ser instaurado um incidente, mediante a suspensão do curso da execução, para permitir o exercício do contraditório e da ampla defesa dos sócios. No que concerne ao direito material, a maioria dos precedentes dos Tribunais Regionais do Trabalho pátrios adota a denominada teoria menor ou objetiva da desconsideração da personalidade jurídica, lastreada no Código de Defesa do Consumidor, sustentando que, se de algum modo a personalidade jurídica devedora causar empecilho à satisfação do crédito trabalhista, é justificado o direcionamento da execução para os seus sócios ou administradores. Comentário Esse posicionamento é criticado por alguns doutrinadores, já que o direito comum — previsto no Código Civil — é a fonte subsidiária do direito do trabalho, de modo que sustentam que deve ser aplicada a teoria maior ou subjetiva da desconsideração da personalidade jurídica, decorrente da aplicação do art. 50 do Código Civil e fundada sobre a necessidade da comprovação do abuso da personalidade jurídica (MARINHO, 2015). Por fim, é importante ressaltar que, conforme leciona Mauro Schiavi (2018), no caso das sociedades anônimas, o incidente de desconsideração da personalidade jurídica deve ser dirigido aos diretores administradores, não cabendo a responsabilização dos acionistas. Bens do cônjuge ou companheiro A responsabilidade patrimonial dos bens do cônjuge ou companheiro do devedor se fundamentam no disposto no art. 790, IV, do CPC/15. Dentre esses bens, conforme preceitua o artigo, estão os bens próprios, reservados ou de sua meação. 12/08/2023, 11:21 Execução trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40929/index.html# 11/32 Segundo expõe Mauro Schiavi (2018), há uma presunção de que as dívidas contraídas pelo devedor foram em benefício do casal, o que justifica a aposição de responsabilidade sobre os bens do cônjuge. O doutrinador destaca, no entanto, que é possível afastar essa presunção caso o cônjuge demonstre que o proveito da dívida contraída não se reverteu em prol da manutenção da família. É importante atentar-se para o regime de bens do casal e se os bens foram adquiridos na constância do casamento ou da união estável, tendo em vista que parcela significativa da doutrina e dos julgadores sobreleva esses fatores para verificar a comunicação dos bens do casal, embora não haja um posicionamento uníssono. 12/08/2023, 11:21 Execução trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40929/index.html# 12/32 Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 A responsabilidade pela execução trabalhista é, via de regra, patrimonial. Sobre essa responsabilidade, assinale a alternativa correta. A A execução trabalhista não pode adotar medidas constritivas do patrimônio do devedor. B A execução trabalhista deve se restringir a adotar medidas coercitivas para obrigar o devedor a satisfazer a obrigação. C O devedor nunca será responsável pessoalmente pela execução trabalhista, de modo que em nenhuma hipótese poderá ocorrer prisão por ausência de pagamento da execução. D A responsabilidade pela execução trabalhista apenas pode ser direcionada ao devedor constante do título executivo. 12/08/2023, 11:21 Execuçãotrabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40929/index.html# 13/32 Parabéns! A alternativa E está correta. A execução trabalhista pode se utilizar de medidas coercitivas e constritivas do patrimônio do devedor, tendo em vista a responsabilidade patrimonial dele. Em situações extremíssimas e excepcionais, existem precedentes de Tribunais Regionais e doutrina que autorizam e defendem a possibilidade de prisão por ausência de pagamento da execução trabalhista, em razão da natureza alimentar das verbas executadas. Questão 2 A responsabilidade patrimonial secundária, como visto, pode ocorrer em algumas hipóteses. Sobre essa responsabilidade, assinale a alternativa correta. E A execução trabalhista pode ocorrer por meio de medidas coercitivas ou constritivas, sempre no intuito da satisfação do crédito trabalhista. A Apenas os integrantes do título executivo podem ter o seu patrimônio constrito para satisfazer a execução trabalhista. B A sucessão trabalhista, segundo a CLT, apenas pode ser requerida na fase de conhecimento do processo. C O grupo econômico, na hipótese do art. 513, §5º, do CPC/15 ser aplicável ao Processo do Trabalho, só pode ser requerido na fase de execução. D A desconsideração da personalidade jurídica pode ser deferida em qualquer fase do processo, desde que requerida pela parte ou pelo Ministério Público. E Os bens do cônjuge sempre respondem pelas dívidas trabalhistas, já que há presunção absoluta de que as dívidas contraídas beneficiaram o casal. 12/08/2023, 11:21 Execução trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40929/index.html# 14/32 Parabéns! A alternativa D está correta. A desconsideração da personalidade jurídica pode ser deferida em qualquer fase do processo, passando a responsabilidade da obrigação ou pela dívida aos sócios da pessoa jurídica conforme disposição do art. 134 do CPC/15, exigindo, ainda, requerimento da parte interessada ou do Ministério Público nos termos do art. 133 do CPC/15. 2 - Meios de execução Ao �nal deste módulo, você será capaz de classi�car os meios de execução. Aspectos gerais No início da vigência do Código de Processo Civil de 1973, segundo explicam Luiz Guilherme Marinoni, Sergio Cruz Arenhart e Daniel Mitidiero (2017), vigorava o princípio da tipicidade dos meios executivos, isto é, a ideia de que o patrimônio do devedor apenas poderia ser invadido mediante os meios de execução previamente definidos pelo legislador. A referida ideia, como explicaram os doutrinadores, não poderia ter 12/08/2023, 11:21 Execução trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40929/index.html# 15/32 mais espaço, tendo em vista o afastamento do nosso ordenamento jurídico do Estado Liberal e do temor do Estado ao ponto de justificar que os executados fossem protegidos do arbítrio dos juízes. A mudança desse paradigma ocorreu por meio de alterações legislativas realizadas ainda na vigência do Código de Processo Civil de 1973, tendo o novo entendimento sido mantido pelo Código de Processo Civil de 2015. O CPC vigente expressa a atipicidade dos meios de execução no art. 139, IV, no qual concede poderes ao juiz para “determinar todas as medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou sub-rogatórias necessárias para assegurar o cumprimento de ordem judicial”, ou seja, autoriza qualquer medida jurídica que seja necessária para garantir ao credor a satisfação do seu direito. Em paralelo ao referido dispositivo, o CPC de 2015 também apresenta o art. 835, no qual se encontra disposta uma ordem preferencial de penhora e, consequentemente, uma lista exemplificativa dos meios de execução típicos. Os meios de execução em espécie: típicos Meios de execução típicos Os meios de execução típicos, conforme já destacado, podem ser extraídos da lista constante do art. 835 do CPC/15 e de outros dispositivos expressos no CPC/15, na CLT e em outras leis aplicáveis ao Processo do Trabalho, de modo que costumam ser de amplo conhecimento e de simples efetivação. Esses meios, em virtude da recorrente utilização, costumam ser executados por meio de sistemas tecnológicos ou convênios colocados à disposição do Poder Judiciário para facilitar na execução. Todavia, é importante referir que nem todos os meios de execução típicos são detentores de um sistema tecnológico específico, podendo ser efetivados por meio de determinações judiciais direcionadas para 12/08/2023, 11:21 Execução trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40929/index.html# 16/32 terceiros. Exemplo O primeiro item constante da ordem de preferência do art. 835 do CPC/15 é a penhora de “dinheiro, em espécie ou em depósito ou aplicação em instituição financeira”, a qual pode ser efetivada de várias formas, mas comumente se operacionaliza por intermédio do Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário (Sisbajud). O referido sistema, como explica Antônio Neto da Lapa (2021), além de permitir bloqueios de numerário de forma individual, permite que se registre a quantidade de vezes de repetição dos bloqueios, facilitando o trabalho dos serventuários e concedendo celeridade ao processo. Além da penhora de dinheiro, o art. 835 do CPC/15 trata de: “títulos da dívida pública da União, dos Estados e do Distrito Federal com cotação em mercado”, “títulos e valores mobiliários com cotação em mercado”, “veículos de via terrestre”, “bens imóveis”, “semoventes”, “navios e aeronaves”, “ações e quotas de sociedades simples e empresárias”, “percentual do faturamento de empresa devedora”, “pedras e metais preciosos”, “direitos aquisitivos derivados de promessa de compra e venda e alienação fiduciária em garantia” e “outros direitos”. Por fim, é importante lembrar que, dentre os meios de execução típicos, existem alguns meios de execução indiretos, isto é, meios de execução que visam impor coerção ao devedor, como é o caso do protesto notarial do título executivo, da negativação e do requerimento de falência do devedor (GUIMARÃES, 2021). Os meios de execução em espécie: atípicos Medidas executivas atípicas Você saberia dizer se são legítimas as medidas executivas atípicas no Processo do Trabalho? O vídeo a seguir explicará exatamente essa questão. 12/08/2023, 11:21 Execução trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40929/index.html# 17/32 Meios de execução atípicos Os meios de execução atípicos decorrem dos poderes conferidos ao juiz no art. 139, IV, do CPC/15. Em relação a esses meios de execução, não existe uma lista, exaustiva ou exemplificativa, tendo em vista que eles decorrem da criatividade do postulante e do magistrado, seguindo as balizas do citado artigo. É comum observar, ao estudar medidas executórias atípicas, os exemplos decorrentes de decisões isoladas proferidas por magistrados, como é o caso de bloqueio de cartão de crédito, bloqueio de passaporte e bloqueio da carteira nacional de habilitação do devedor. Todavia, a doutrina e a jurisprudência têm se inclinado para impor certos requisitos para a utilização dessas medidas, visando evitar excessos. Nesse sentido, Fredie Didier Jr., Leonardo Carneiro da Cunha, Paula Sarno Braga e Rafael Alexandria (2020) sustentam que os meios atípicos de execução devem ser utilizados de forma subsidiária. Isto é, devem ser impostos apenas após o exaurimento dos meios executórios típicos, ao passo que a decisão de deferimento deve ser fundamentada e deve observar se a medida é adequada ao resultado buscado, analisando sempre a necessidade da medida e a proporcionalidade da sua aplicação ao caso. Adotando pressupostos semelhantes, o Superior Tribunal de Justiça já analisou a legalidade de adoção de medidas executivas atípicas em face de devedor, tendo entendido pela sua possibilidade. Majoritariamente, o entendimento se dá com um caráter subsidiário para tais medidas. Confira agora o julgado abaixo, que trata de apreensão de passaporte, suspensão de CNH e quebra de sigilo bancário. “RECURSO ESPECIAL. AGRAVODE INSTRUMENTO. MEDIDAS EXECUTIVAS ATÍPICAS. CABIMENTO DE FORMA SUBSIDIÁRIA. SUSPENSÃO DE CNH E APREENSÃO DE PASSAPORTE. POSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA AO CONTRADITÓRIO E À PROPORCIONALIDADE. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. FINALIDADE DE SATISFAÇÃO DE DIREITO PATRIMONIAL DISPONÍVEL. INTERESSE MERAMENTE PRIVADO. DESCABIMENTO. RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO. 1. O propósito recursal consiste em definir o cabimento e a adequação de medidas executivas atípicas especificamente requeridas pela recorrente, sobretudo a quebra de sigilo bancário. 2. A jurisprudência desta Corte Superior, tal como já decidido no REsp n. 1.788.950/MT, admite a adoção de medidas executivas atípicas, com fundamento no art. 139, IV, do CPC/2015, "desde que, verificando-se a existência de indícios de que o devedor possua patrimônio expropriável, tais medidas sejam adotadas de 12/08/2023, 11:21 Execução trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40929/index.html# 18/32 modo subsidiário, por meio de decisão que contenha fundamentação adequada às especificidades da hipótese concreta, com observância do contraditório substancial e do postulado da proporcionalidade" (Rel.Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 23/4/2019, DJe 26/4/2019), a exemplo das providências requeridas no presente feito, de suspensão das Carteiras Nacionais de Habilitação (CNHs) e de apreensão dos passaportes dos executados. Precedentes. 3. A falta de debate efetivo pelo Tribunal de origem acerca de questões levantadas nas razões do recurso especial caracteriza ausência de prequestionamento. Incidência da Súmula 211/STJ. 4. O sigilo bancário constitui direito fundamental implícito, derivado da inviolabilidade da intimidade (art. 5º, X, da CF/1988) e do sigilo de dados (art. 5º, XII, da CF/1988), integrando, por conseguinte, os direitos da personalidade, de forma que somente é passível de mitigação - dada a sua relatividade -, quando dotada de proporcionalidade a limitação imposta. 5. Sobre o tema, adveio a Lei Complementar n. 105, de 10/01/2001, a fim de regulamentar a flexibilização do referido direito fundamental, estabelecendo que, a despeito do dever de conservação do sigilo pela instituição financeira das "suas operações ativas e passivas e serviços prestados" (art. 1º), esse sigilo pode ser afastado, excepcionalmente, para a apuração de qualquer ilícito criminal (art. 1º, § 4º), bem como de determinadas infrações administrativas (art. 7º) e condutas que ensejem a abertura e/ou instrução de procedimento administrativo fiscal (art. 6º). �. Nessa perspectiva, considerando o texto constitucional acima mencionado e a LC n. 105/2001, assenta- se que o abrandamento do dever de sigilo bancário revela-se possível quando ostentar o propósito de salvaguardar o interesse público, não se afigurando cabível, ao revés, para a satisfação de interesse nitidamente particular, sobretudo quando não caracterizar nenhuma medida indutiva, coercitiva, mandamental ou sub-rogatória, como estabelece o art. 139, IV, do CPC/2015, como na hipótese. 7. Portanto, a quebra de sigilo bancário destinada tão somente à satisfação do crédito exequendo (visando à tutela de um direito patrimonial disponível, isto é, um interesse eminentemente privado) constitui mitigação desproporcional desse direito fundamental - que decorre dos direitos constitucionais à inviolabilidade da intimidade (art. 5º, X, da CF/1988) e do sigilo de dados (art. 5º, XII, da CF/1988) -, mostrando-se, nesses termos, descabida a sua utilização como medida executiva atípica 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, parcialmente provido.” (REsp 1951176/SP, rel. ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 19/10/2021, DJe 28/10/2021) Comentário O caso citado demonstra a cautela adotada pelo Superior Tribunal de Justiça para o deferimento de um meio executivo atípico, que também tem sido adotada, de forma simétrica, pelo Tribunal Superior do Trabalho e pelos Tribunais Regionais do Trabalho pátrios. 12/08/2023, 11:21 Execução trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40929/index.html# 19/32 Além dessas cautelas, Rafael Guimarães, Ricardo Calcini e Richard Wilson Jamberg (2021) recomendam a necessidade de verificar se o devedor ostenta elevado padrão de vida, em descompasso com o que se observou das medidas executivas anteriormente tentadas, antes de se realizar tais medidas atípicas. 12/08/2023, 11:21 Execução trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40929/index.html# 20/32 Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Os meios de execução são o grande gargalo dos processos executivos, tendo em vista que muitas vezes se repetem as mesmas medidas sem a tentativa de novas opções. Acerca dos meios de execução típicos, marque a alternativa correta. Parabéns! A alternativa C está correta. A Os meios de execução típicos são apenas os que se encontram previstos no art. 835 do CPC/15. B A CLT não possui previsão de meios de execução típicos. C A negativação do devedor pela inscrição no Banco Nacional de Devedores Trabalhistas (BNDT) é um meio de execução típico. D A penhora de dinheiro mediante a penhora “na boca do caixa” não é um meio de execução típico. E A penhora de dinheiro como meio de execução típico apenas pode ocorrer por intermédio da execução do sistema Sisbajud. 12/08/2023, 11:21 Execução trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40929/index.html# 21/32 A negativação por intermédio de inscrição no BNDT é considerada um meio de execução típico, tendo em vista que se encontra prevista na CLT. Além disso, é importante lembrar que a penhora de dinheiro pode ocorrer de várias formas e que o rol do art. 835 do CPC/15 não exaure os meios executivos típicos. Questão 2 Os meios de execução atípicos são aqueles que não encontram previsão expressa em lei e decorrem da criatividade das partes e do magistrado. Sobre esses meios de execução, assinale a alternativa correta. Parabéns! A alternativa C está correta. Os meios de execução atípicos são excepcionais e, por isso, precisam ser deferidos por decisão fundamentada que analise a adequação, a necessidade e a proporcionalidade da medida, sempre, na visão doutrinária majoritária, após a tentativa dos meios de execução típicos. O bloqueio de numerários e a penhora de veículos são meios de execução típicos, encontrando disposição no art. 835 do CPC/15. A Os meios de execução atípicos, como é o caso do bloqueio de numerários, devem ser deferidos por decisão fundamentada e respeitando a proporcionalidade da medida. B Para a doutrina, a realização dos meios de execução atípicos pode ocorrer a qualquer momento da execução, mesmo antes da tentativa dos meios típicos. C Os meios de execução atípicos devem ser deferidos mediante decisão fundamentada, após a análise da adequação, da necessidade e da proporcionalidade da medida. D A penhora de veículo por intermédio do sistema Renajud é considerada um meio de execução atípico. E A doutrina não leva em consideração a ostentação do devedor para entender cabíveis as medidas executórias atípicas. 12/08/2023, 11:21 Execução trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40929/index.html# 22/32 3 - Defesas na execução Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer os meios de defesa aplicáveis em cada momento da execução. Embargos à execução Conhecendo mais sobre os embargos à execução Assista ao vídeo para compreender sobre o cabimento e os principais aspectos dos embargos à execução trabalhista. 12/08/2023, 11:21 Execução trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40929/index.html# 23/32 Aspectos gerais Os embargos à execução, também denominados de embargos do devedor ou de embargos do executado, encontram previsão legal no art. 884 da CLT. Esse é o principal meio de defesa da execuçãosignificando que, por esse termo, designa-se uma porção ou um segmento da jurisdição. Muitas críticas foram feitas a essa conceituação sob a alegação de que a jurisdição é una e indivisível, sendo que não ser poderia “medir” a “quantidade” de jurisdição. 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 20/51 Sede do Tribunal Regional do Trabalho, em São Paulo. Muitas críticas foram feitas a essa conceituação sob a alegação de que a jurisdição é una e indivisível, sendo que não ser poderia “medir” a “quantidade” de jurisdição. Parece então mais adequado entender a competência como o poder de ação e atuação atribuído ao órgão do Judiciário para exercer legitimamente a jurisdição. Melhor seria até falar em poder-dever, já que o Judiciário é obrigado a se pronunciar, dentro dos limites que lhes são traçados, não se admitindo mais o non liquet (faculdade do Direito romano que permitia que o juiz “deixasse de julgar”). Fato é que a competência é dividida segundo três critérios, conforme a doutrina mais abalizada. Confira! Considera partes, pedido, causa de pedir envolvidos na relação processual, englobando as competências em razão da matéria, em razão das pessoas e em razão do valor da causa. Considera as funções de cada magistrado no processo, levando à distinção entre competência originária e recursal, por exemplo. Leva em conta a área geográfica atribuída por lei a cada órgão jurisdicional. Critério objetivo Critério funcional ou hierárquico Critério territorial 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 21/51 É importante destacar que as competências em razão da matéria e em razão do território, que serão objeto de estudo detalhado nas próximas seções, assumem maior relevo no cotidiano processual trabalhista. Competência material da justiça do trabalho Compreenda agora os conceitos relacionados à competência material da justiça do trabalho. Competência material Prevista no art. 114 da Constituição, a competência em razão da matéria na Justiça do Trabalho encontra relevo em razão de sua natureza especial. Em razão de sua especialização, determinar a sua competência material é tarefa primordial para qualquer agente do direito, quando se depara com os conflitos a serem resolvidos pelo Estado-Juiz. A maior parte da doutrina enxerga nos incisos do art. 114 da Constituição apenas critérios ratione materiae e, com esse posicionamento, passaremos a analisar os principais aspectos que regem a competência da Justiça do Trabalho em seu arcabouço constitucional e infraconstitucional. Competência matriz O inciso I do art. 114 da Constituição atribui à Justiça do Trabalho competência para processar e julgar as ações oriundas da relação de trabalho. Menciona ainda o dispositivo legal que estão abrangidos os entes de direito público externo e a administração pública direta e indireta de todos os entes federativos do país. O primeiro aspecto importante é estabelecer qual o conceito de relaçãode trabalho. 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 22/51 Há unanimidade em dizer que esta é gênero, ao passo que a relação de emprego é espécie. Essa última caracteriza-se como a relação jurídica entre uma pessoa física, empregado, e uma pessoa física ou jurídica, empregador, caracterizada pela prestação de serviços com subordinação, pessoalidade, onerosidade e habitualidade, elementos que podem ser colhidos dos arts. 2º e 3º da CLT. Pode-se dizer, portanto, que as ações que tenham origem na relação de emprego são de competência da Justiça do Trabalho, mesmo que envolvam terceiros, por exemplo, as questões que envolvem a habilitação/indenização referente ao seguro-desemprego (Súmula 389 do TST) ou que digam respeito ao cadastramento no PIS ou indenização substitutiva (Súmula 300 do TST). Ações empregatícias são de competência da Justiça do Trabalho. Contudo, a Constituição não limitou a competência da Justiça do Trabalho às relações de emprego. Como conceituar, então, relação de trabalho? A doutrina prevalecente estabeleceu que, na relação de trabalho, existe uma pessoa física, prestador de serviços; e uma pessoa física ou jurídica, tomador, na qual existe labor em situação de vulnerabilidade. Isto é: é necessário que o prestador de serviços esteja em uma situação de desigualdade em face do tomador, a exemplo do que ocorre na relação de emprego, em que a subordinação é o elemento de desequilíbrio. Na relação trabalhista, existe um prestador de serviço e, uma pessoa física ou jurídica, tomador. 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 23/51 Há exemplos na própria legislação infraconstitucional, onde a CLT elenca na competência da Justiça do Trabalho: O operário ou artífice nos casos de “pequena empreitada”, conforme art. 652, “a”, III da CLT. O caso dos trabalhadores portuários (avulsos) em face dos operadores portuários ou do OGMO, nos termos do art. 652, “a”, V da CLT. Seguindo a lógica do conceito, seriam da competência da Justiça do Trabalho: Os trabalhadores eventuais, sem habitualidade, mas submetidos às ordens de seus tomadores. Os trabalhadores autônomos, desde que apurada sua vulnerabilidade em face de uma “parassubordinação” ou de uma acentuada dependência econômica. 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 24/51 As diaristas domésticas, marcadas pela ausência de continuidade. Fundamental é que a hipossuficiência do prestador, pessoa física, esteja evidenciada. Finalmente, ressalta- se que estão excluídos do conceito, em razão da jurisprudência dos Tribunais Superiores: Os profissionais liberais, já que, neste caso, não há vulnerabilidade do prestador de serviços, conforme Súmula 363 do STJ. As relações de consumo, mesmo que o fornecedor de serviços seja pessoa física, (art. 3º, §2º do CDC). O representante comercial (STF, Tema 550 de repercussão geral, RE 606.003). O transportador de cargas autônomo (STF, ADC 48). O cabelereiro parceiro (STF, ADI 5625, salvo se o parceiro alegar fraude e sustentar a existência de uma relação de emprego). Servidores públicos Embora o art. 114 em seu inciso I da Constituição mencione expressamente a administração pública direta e indireta, doutrina e jurisprudência fixaram limites para a competência material da Justiça do Trabalho em relação aos servidores públicos. Utilizando a classificação de Maria Sylvia Di Pietro (2016), podemos elencar na categoria genérica de servidores públicos: Servidores estatutários Em relação aos servidores estatutários, não há dúvida quanto à incompetência absoluta da Justiça do Trabalho, conforme fixado pelo STF no julgamento da ADI 3.395. Assim, aqueles servidores regidos por estatuto jurídico único possuem uma relação administrativa com o Estado, e a competência será da Justiça Federal ou da Justiça Estadual, conforme o ente federativo a que pertencerem (Súmulas 137 e 218 do STJ). Empregados públicos 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 25/51 Quanto aos empregados públicos, assim considerados aqueles que são regidos pela CLT, por conta do disposto no art. 173, §1º, II da Constituição, a competência será da Justiça do Trabalho. Ressalta-se que, mesmo aqueles que prestam serviços para a administração pública direta, quando o regime jurídico único eleito for a CLT, deverão propor suas demandas perante a Justiça do Trabalho, conforme já fixado pelo STF (ex.: ARE 906.941). Servidores temporários Quanto aos servidores públicos temporários (art. 39, IX da Constituição), firmou-se o entendimento de que a competência será da Justiça Comum, Federal ou Estadual. Otrabalhista, sendo cabível no prazo de 5 dias contado da garantia integral da execução ou da penhora de bens suficientes para a garantia do valor da execução. Os embargos à execução, na execução trabalhista de título judicial, não são considerados ação incidental por parcela significativa da doutrina, devendo ser opostos por petição nos próprios autos do processo de execução, tal como a impugnação ao cumprimento de sentença do processo civil (SCHIAVI, 2018). A legitimidade para oposição de embargos à execução é do executado, posto que ele sofre os efeitos da constrição patrimonial determinada no processo executivo. A competência para julgamento é do juízo no qual se processa a execução. Cabe referir que, caso reconheça o crédito do exequente e não entenda cabível ou necessária a oposição de embargos à execução, pode requerer, no prazo dos embargos, o parcelamento da execução nos termos do art. 916 do CPC/15. Importante ressaltar ainda que, embora o referido dispositivo trate de execução de título extrajudicial, não tem sido incomum encontrar precedentes de deferimento de parcelamentos de execuções trabalhistas decorrentes de títulos judiciais. Conteúdo dos embargos à execução O art. 884, §1º, da CLT enuncia que as matérias de defesa dos embargos à execução são: “alegações de cumprimento da decisão ou do acordo, quitação ou prescrição da dívida”. Todavia, a maioria da doutrina pátria tem entendido que esse rol não é taxativo, sendo possível invocar matérias que o juiz possa conhecer de ofício e as matérias previstas no art. 525 do CPC/15 para a impugnação do cumprimento de sentença (SCHIAVI, 2018). Exemplo 12/08/2023, 11:21 Execução trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40929/index.html# 24/32 Nesse sentido, seria possível alegar, como matéria de defesa dos embargos à execução, a nulidade de citação, a prescrição da dívida, o cumprimento da decisão ou a quitação da dívida, a inexigibilidade do título, a penhora incorreta ou a avaliação incorreta, o excesso de execução, a inexigibilidade do título em razão do dispositivo que se baseava ter sido declarado inconstitucional, a impugnação aos cálculos de liquidação, as matérias de ordem pública etc. Dessa forma, embora as matérias de defesa dos embargos à execução não sejam tão amplas quanto às da contestação da fase de conhecimento, é possível perceber que a ausência de um rol taxativo faz ser possível a alegação de várias matérias defensivas. Exceção de pré-executividade Pontes de Miranda. A exceção de pré-executividade ou objeção de pré-executividade deriva de uma constrição doutrinária, amplamente acolhida pela jurisprudência, e consiste em uma defesa que se apresenta na fase de execução independentemente da garantia do juízo. Isto é, a despeito da constrição de patrimônio suficiente para satisfazer a execução. Essa objeção, segundo explicitou Yone Frediani (2002), teve os seus primeiros elementos definidos por Pontes de Miranda, ao admitir a possibilidade de apresentação de defesa na fase de execução independentemente dos embargos. A doutrina diverge em relação a duas questões importantes: Sobre as matérias que podem ser discutidas na exceção de pré-executividade, uma parcela defende que apenas as de ordem pública podem ser abordadas na exceção, enquanto a outra defende que, Quanto às matérias 12/08/2023, 11:21 Execução trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40929/index.html# 25/32 além das matérias de ordem pública, podem ser abordadas questões que não demandem dilação probatória. Acerca do prazo para apresentação da exceção, uma parcela defende que se encerra com a garantia do juízo e a outra sustenta que não há prazo final para apresentação, tendo em vista que matérias de ordem pública podem ser alegadas a qualquer tempo (SCHIAVI, 2018). Em razão da ausência de garantia do juízo, a jurisprudência consagrou que a exceção de pré-executividade não suspende a execução, sendo permitida a continuação dos atos executórios. É importante destacar, por fim, que o posicionamento dos Tribunais do Trabalho pátrios é firme no sentido de reconhecer que a decisão que rejeita exceção de pré-executividade é irrecorrível, apenas sendo cabível agravo de petição da decisão que acolher a exceção, por se tratar de decisão terminativa. Embargos de terceiro Os embargos de terceiro encontram previsão legal nos arts. 674 e seguintes do CPC/15, aplicáveis de forma subsidiária ao Processo do Trabalho. Trata-se de ação autônoma incidental de natureza possessória, utilizada por quem não é parte do processo para defender os bens de sua posse e/ou propriedade. Relembrando A responsabilidade patrimonial pode ser estendida para terceiros que não integram o título executivo, de modo que os embargos de terceiro são utilizados para que esses terceiros — e outros que indevidamente tenham seu patrimônio afetado pela execução — possam exercer o seu direito de defesa e de defender seu patrimônio de constrições indevidas. Os embargos de terceiro podem ser opostos na fase de conhecimento ou de execução: Conhecimento Quanto ao prazo 12/08/2023, 11:21 Execução trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40929/index.html# 26/32 Nesta fase, os embargos de terceiros podem ser opostos a qualquer tempo. Execução Nesta fase, os embargos de terceiros podem ser opostos em até 5 dias úteis após a adjudicação, a arrematação ou a alienação, desde que antes da assinatura da respectiva carta. Esses embargos são opostos em petição escrita, dirigida ao juízo que determinou a constrição patrimonial, o qual, caso entenda provada a posse e/ou a propriedade e a condição de terceiro do embargante, poderá deferir liminarmente os embargos até a decisão final. Os embargos de terceiro exigem a constituição de advogado, não sendo possível a utilização do jus postulandi para sua oposição. Além disso, não há efeito suspensivo automático, sendo necessário o deferimento pelo juízo competente. Por fim, das sentenças proferidas nos embargos de terceiros opostos na fase de conhecimento, cabe recurso ordinário; e das sentenças proferidas nos embargos de terceiros opostos na fase de execução, cabe agravo de petição. 12/08/2023, 11:21 Execução trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40929/index.html# 27/32 Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Paulo moveu Reclamação Trabalhista em desfavor da empresa Transportadora Itapitanga, na qual trabalhou durante 20 anos na função de motorista de ônibus. Após o trânsito em julgado da sentença e início da execução, foi lavrada a penhora de um ônibus de valor 100 vezes superior ao da execução. Diante desse quadro fático, assinale a alternativa correta. A 12/08/2023, 11:21 Execução trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40929/index.html# 28/32 Parabéns! A alternativa E está correta. O prazo para oposição dos embargos à execução no Processo do Trabalho é de 5 dias úteis após a garantia do juízo. A matéria de defesa não se restringe às constantes do art. 884 da CLT, de modo que o excesso de execução pode ser discutido nos embargos. Além disso, a petição de embargos à execução, na execução trabalhista de título judicial, é apresentada nos autos da execução. Questão 2 A exceção de pré-executividade é uma construção doutrinária de grande aceitação pela jurisprudência trabalhista pátria. Sobre esse meio de defesa na execução trabalhista, assinale a alternativa correta. A Transportadora Itapitanga poderá opor embargos à execução no prazo de 15 dias úteis, conforme prevê o art. 915 do CPC/15. B A Transportadora Itapitanga não possui matéria de defesa a ser exercida, tendo em vista que não pagou a execução ou ela se encontra prescrita. C Os embargos à execução eventualmente opostos pela Transportadora Itapitanga deverão ser autuados em apartado e instruídos com cópias das peças processuais relevantes. D O direito de defesada empresa na fase de execução é amplo, de modo que pode contestar os direitos pleiteados na Reclamação Trabalhista por meio de embargos à execução. E A executada poderá discutir a ocorrência de excesso de execução por meio de embargos à execução opostos no prazo de 5 dias úteis após a penhora. A A doutrina é uníssona no sentido de reconhecer que o prazo para exceção de pré- executividade se encerra com a garantia do juízo. B 12/08/2023, 11:21 Execução trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40929/index.html# 29/32 Parabéns! A alternativa C está correta. A nulidade de citação é uma matéria que pode ser conhecida de ofício pelo juízo, de modo que se enquadra como uma matéria de ordem pública. Diante disso, é cabível a arguição dessa matéria por meio de exceção de pré-executividade. O cumprimento da obrigação e a quitação, entretanto, não são matérias de ordem pública, embora parcela da doutrina entenda pela possibilidade de sua discussão por meio de exceção de pré-executividade por não demandar dilação probatória. Ainda, é importante referir algumas questões: a doutrina não é uníssona quanto ao prazo para apresentação da exceção; a jurisprudência consagrou que a exceção não suspende a execução; e não cabe recurso da decisão que rejeita a exceção. Considerações �nais Neste conteúdo, foi feita uma significativa reflexão acerca da execução trabalhista, analisando especificamente a responsabilidade patrimonial, os meios de execução e as defesas executórias. A análise realizada inicialmente demonstrou quem pode responder a uma execução trabalhista, destacando que o foco da execução trabalhista é o patrimônio dos executados, sendo possível que certos sujeitos não integrantes do título executivo respondam com seu patrimônio à execução trabalhista. A jurisprudência entende que a exceção de pré-executividade suspende a execução trabalhista até o seu julgamento. C A nulidade de citação é uma matéria de ordem pública e, portanto, pode ser arguida por meio da exceção de pré-executividade. D O cumprimento da obrigação ou a quitação são matérias de ordem pública, portanto, podem ser arguidos por meio da exceção de pré-executividade. E Da decisão que rejeita a exceção de pré-executividade, é cabível a interposição de agravo de petição. 12/08/2023, 11:21 Execução trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40929/index.html# 30/32 Em seguida, analisaram-se os meios de execução, observando os típicos e atípicos, bem como identificando pontualmente algumas ferramentas existentes para efetivação dos meios típicos e os requisitos para o deferimento dos meios atípicos. Finalmente, houve uma análise acerca das defesas existentes na execução trabalhista, mediante a exposição dos pormenores dos embargos à execução, da exceção de pré-executividade e dos embargos de terceiro. Desse modo, no presente conteúdo, foi realizada uma análise geral da execução trabalhista e das suas particularidades mais relevantes e polêmicas, o que propicia um aprendizado mais prático e detalhado. Podcast Para concluir este estudo, o assunto abordado no podcast será o cabimento das defesas na execução trabalhista. Explore + Confira as indicações que separamos especialmente para você! Pesquise o acórdão do ARE 1.160.361 e observe detalhadamente a análise feita pelo ministro Gilmar Mendes acerca da aplicabilidade do art. 513, §5º, do CPC/15, ao Processo do Trabalho. Busque o acórdão do HC nº 01079-2009-000-03-00-6 e observe o porquê de o Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região ter entendido cabível a prisão civil de um devedor de execução trabalhista. 12/08/2023, 11:21 Execução trabalhista https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40929/index.html# 31/32 Referências BOMFIM, V. Direito do Trabalho. 14. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2017. DELGADO, M. G. Curso de Direito do Trabalho. 16. ed. São Paulo: LTr, 2017. DIDIER JÚNIOR, F.; BRAGA, P. S.; ALEXANDRIA, R.; DA CUNHA, L. C. Curso de Direito Processual Civil: execução (volume 5). 10. ed. Salvador: JusPodivm, 2020. FREDIANI, Y. Exceção de pré-executividade no Processo do Trabalho. São Paulo: LTr, 2002. 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No Tema 922 de repercussão geral (RE 960.429), ficou expresso que as fases de seleção e admissão de pessoal e eventual nulidade de concurso público representam questões administrativas que devem ser dirimidas pela Justiça Comum, mesmo que esses empregados se submetam a regime celetista após a posse. Con�itos sindicais Compete à Justiça do Trabalho, também, dirimir os conflitos que envolvem o Direito Coletivo do Trabalho. Nem sempre foi assim, mas, após a Emenda Constitucional 45 de 2004, os incisos II e III inseridos no art. 114, passaram a atribuir à Justiça do Trabalho a competência para resolver conflitos sindicais, inclusive os decorrentes do exercício do direito de greve. Registro de manifestação sindical na cidade de São Paulo. 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 26/51 Duas posições se formaram acerca da interpretação do disposto nos incisos mencionados. Uma primeira, restritiva, que enxergava competência apenas para as demandas que envolvessem as questões de representação sindical, vale dizer, disputas entre sindicatos acerca da legitimidade, para falar em nome de determinada categoria, em determinado âmbito territorial. Contudo, prevaleceu posição ampliativa, de modo a interpretar os dois incisos de maneira mais expansiva. Pode-se dizer que compete à Justiça do Trabalho, com base na norma constitucional, processar e julgar: Ações que visem à garantia do exercício do direito de greve (inclusive as que visem às tutelas inibitórias e obrigações de fazer). Os dissídios coletivos de greve (de competência originária dos Tribunais e que versam sobre a legalidade ou abusividade do movimento paredista). As ações indenizatórias decorrentes do exercício abusivo do direito de greve (Súmula 189 do TST e Precedente 29 da SDC/TST). As ações possessórias (conforme Súmula Vinculante 23 do STF). As ações que envolvem a (ir)regularidade das eleições sindicais. As ações que envolvem a representação sindical. As ações que envolvem a cobrança de contribuições sindicais (STF, Tema 944 de repercussão geral, RE 1.089.282). Ações que envolvem a intervenção em sindicatos irregulares, em geral, propostas pelo Ministério Público do Trabalho, para assegurar a garantia da liberdade sindical. Dissídios coletivos de natureza jurídica ou econômica, competência existente desde a fundação da Justiça do Trabalho no Brasil. Uma palavra final sobre este item específico: muito se questionou quanto à competência para apreciação da greve dos servidores públicos. Afinal, só a Justiça do Trabalho dispunha de um instrumento específico, próprio, para resolver a greve, o “dissídio coletivo de greve”. Contudo, tanto a Súmula Vinculante 23 do STF (que alude à greve dos trabalhadores da iniciativa privada), quanto o julgamento do Tema 544 de repercussão geral (RE 846.854), estabeleceram que a competência da Justiça do Trabalho se limita à greve dos empregados públicos da administração pública indireta, não atingindo, em nenhuma hipótese os servidores da administração pública direta. 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 27/51 Danos morais e patrimoniais Nota marcante da competência da Justiça do Trabalho, que mereceu distinção específica entre os incisos do art. 114 da Constituição, é a possibilidade de exame das demandas que envolvam danos patrimoniais e morais decorrentes das relações de trabalho. Danos de diversas naturezas são analisados pela Justiça. Primeiro ponto é que, malgrado a remissão constitucional mencione apenas os “danos morais”, fato é que a competência da Justiça do Trabalho engloba também postulações que envolvam danos estéticos, danos existenciais, danos morais coletivos, danos biológicos, perda de uma chance, vale dizer, qualquer dano que possua natureza extrapatrimonial e atinja a honra, imagem, intimidade, autoestima, saúde, integridade física, ou qualquer bem imaterial, desde que o nexo causal seja a relação de trabalho. Outro ponto relevante diz respeito à competência para as lides que envolvam acidentes de trabalho e doenças ocupacionais. A questão encontra-se dirimida pela Súmula Vinculante 22 do STF, que deixa clara a competência da Justiça do Trabalho para apreciar ações que envolvam danos morais e patrimoniais decorrentes de acidente de trabalho, desde que proposta por empregado contra empregador. Não está a se falar da ação acidentária, de natureza previdenciária, que o trabalhador propõe em face do INSS, quando este não reconhece o nexo causal com a atividade laborativa. Essa última demanda deve ser proposta em face da Justiça Estadual, por aplicação do disposto no inciso I do art. 109 da Constituição. Compete à Justiça do Trabalho apreciar ações que envolvam danos decorrentes de acidente de trabalho. 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 28/51 Por fim, deve-se ressaltar que, no caso de acidentes de trabalho típicos ou atípicos, a competência para apreciação de demandas onde se postulem danos indiretos ou em ricochete, também incumbe à Justiça do Trabalho. Nesse sentido, a Súmula 392 do TST consolidou o entendimento de que os dependentes/sucessores do falecido devem buscar tal reparação na Justiça do Trabalho. Execução das contribuições sociais Compete à Justiça do Trabalho a execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, I, “a” e II da Constituição, eis a dicção do inciso VIII do art. 114 da Lei Maior. Tal competência é repetida também pelo art. 43 da Lei 8.212/91. Duas questões ocuparam o centro da controvérsia acerca da interpretação do mencionado dispositivo constitucional: Questão I Qual seria o alcance desta competência. Questão II Qual seria a sua amplitude. No que diz respeito ao primeiro aspecto, a jurisprudência firmou-se no sentido de que apenas sentenças condenatórias, em relação aos valores em pecúnia integrantes da condenação, comportariam a execução de ofício. Nesse sentido, a Súmula 368, item I do TST e a Súmula Vinculante 53 do STF. Assim, sentenças meramente declaratórias, que reconhecessem vínculos de empregos pretéritos, não dariam ensejo à execução das contribuições previdenciárias que deveriam ter sido recolhidasa tempo e modo. Esse encargo incumbe ao INSS, entidade autárquica destinatária detais contribuições, e em juízo adequado, não o trabalhista. 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 29/51 Quanto ao segundo aspecto, por contribuições previdenciárias executáveis, deve-se excluir contribuições de terceiros e salário-educação, limitando-se àquelas descritas no art. 195, I, “a” e II da Constituição (cota parte do empregado e do empregador). A única exceção diz respeito ao RAT (antigo SAT), que, por representar percentual que mede o risco da atividade econômica do empregador e que serve para financiar benefícios previdenciários decorrentes de acidente de trabalho, houve uma interpretação analógica permitindo sua execução de ofício, conforme Súmula 454 do TST. Competência penal da Justiça do Trabalho Parte da doutrina enxergou competência penal para a Justiça do Trabalho, em razão de interpretação sistemática dos incisos I e IV do art. 114 da Constituição. Ora, se o legislador conferiu competência para apreciação de habeas corpus (inciso IV), que é uma ação tipicamente penal, e se conferiu competência para ações oriundas da relação de trabalho(inciso I), sem distinguir se cíveis ou penais, seria consequência lógica a competência penal para crimes que envolvessem a “organização do trabalho” ou “a administração da Justiça” (do Trabalho), ambos previstos no Código Penal. Contudo, o STF, no julgamento da ADI 3684, fixou entendimento que competência penal não pode ser “deduzida” ou “implícita”, necessita ser expressamente prevista, o que não foi o caso da Justiçado Trabalho. Competência territorial da Justiça do Trabalho A regra geral A regra geral da competência territorial prevista no art. 651 da CLT é o do lugar da prestação de serviços. O caput do art. 651 da CLT deixa evidente que o trabalhador deve ajuizar a demanda utilizando o critério da localidade onde o contrato é executado, e as razões tem claro intuito de propiciar o acesso à justiça. É lição comezinha entre os doutrinadores que a opção do legislador pela localidade da prestação de serviços levou em conta: 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 30/51 O acesso mais fácil aos meios de prova por parte do trabalhador. O comparecimento do empregado sem maiores gastos de locomoção (como regra, embora, na prática, haja exceções). A exceção do §1º do art. 651 da CLT Exceção à regra geral é o §1º do art. 651 da CLT, que trata do agente ou viajante comercial de forma expressa, embora possa ser aplicado a todo aquele trabalhador que tenha uma “zona” ou “área” que englobe vários municípios simultaneamente. Exemplo Um trabalhador que preste serviços nos munícipios que compõem a zona da mata mineira ou o ABC paulista deve ajuizar a demanda em qual localidade? A resposta se dá pela conjugação de duas regras inscritas no dispositivo em comento: Em primeiro lugar, será competente a vara da localidade em que a empresa tenha agência ou se filiar, e a esta o empregado esteja subordinado. Em segundo lugar, sucessivamente, se não existir agência ou filial, será competente a vara do local do domicílio do autor ou da localidade mais próxima de seu domicílio. A exceção do §2º do art. 651 da CLT Outra regra que se consubstancia em exceção à regra geral é aquela disposta no §2º do art. 651 da CLT. Afinal, se o trabalhador presta serviços no exterior, se a Justiça do Trabalho brasileira possui competência para dirimir o litígio, a regra geral perde a razão de ser. Questão relevante e polêmica diz respeito ao critério que deveria então substituir a regra geral. A posição dominante, que é a majoritária, defende que seria a localidade da sede da empresa no Brasil (ou da agência ou filial). Tal posição fundamenta-se no fato de que os termos do §2º do art. 651 da CLT, a contrario sensu, se o autor é transferido para filial ou agência no exterior, é porque esta empresa encontra-se no Brasil. 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 31/51 Defende-se, portanto, que não haveria possibilidade de ajuizamento da demanda no Brasil se a empresa não tivesse sede/agência/filial no país. Esse tem sido o posicionamento dominante nas cortes trabalhistas. Flexibilização jurisprudencial da regra geral Por fim, merece ser ressaltado que a jurisprudência, com o passar do tempo, passou a flexibilizar a regra geral. Podemos fixar três etapas dessa mitigação a partir da construção jurisprudencial do próprio TST. Trabalhadores circenses são considerados itinerantes. A primeira etapa consistiu na interpretação ampliativa do §3º do art. 651 da CLT. Esse dispositivo, originariamente, dizia respeito a trabalhadores que não tinham um lugar de prestação de serviços previamente fixado. Pensemos nos trabalhadores de circo, itinerantes por natureza, ou engenheiros que fossem empregados de uma empresa especializada em pavimentação de estradas. Contudo, tal norma que tinha destinação específica, acabou por ser ampliada para todos os trabalhadores contratados em uma localidade, mas que prestavam serviços em outra localidade. Isso ficou claro na OJ 149 da SDI-2, que deixou evidente a faculdade do empregado na escolha de um ou outro foro, com base na dicção do §3º do art. 651 da CLT. A segunda e terceira etapas de mitigação da regra geral foram consubstanciadas em vários julgados do TST, como os constantes nos Informativos 198 (TST-E-ED-RR-278-87.2015.5.20.0003, SDI-1), 206 (TST-RO-679- 10.2018.5.05.0000, SDI-2) e 214 (TST-CC-7301-46.2018.5.00.0000, SDI-2), os quais admitiram: O ajuizamento da reclamação trabalhista no foro em que foi proposta a relação de emprego (para evitar o recrutamento de trabalhadores em regiões longínquas do país). 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 32/51 O ajuizamento de reclamação trabalhista no foro do domicílio do autor, quando se tratar de empresa de atuação nacional ou regional que tenha sede/filial na localidade onde o autor reside, viabilizando o pleno exercício do direito de defesa da reclamada. 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 33/51 Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 O Ministério Público do Trabalho ajuíza dissídio coletivo de greve na Justiça do Trabalho em razão da greve dos policiais civis do estado do Pará, sustentando que tal greve trará sérios prejuízos aos cidadãos do estado, além de ser inconstitucional. Em sua opinião Parabéns! A alternativa C está correta. A a competência é da Justiça do Trabalho, em razão do disposto no inciso II do art. 114 da Constituição, que não fez qualquer distinção entre os sujeitos da greve. B a competência é da Justiça Federal, em razão do autor ser instituição federal (MPT), o que atrai o disposto no inciso I do art. 109, da Constituição. C a competência é da Justiça Estadual, por se tratar de greve de servidores públicos estaduais existindo RJU (Lei nº 5.810/1994). D a competência é da Justiça Militar, já que os policiais civis se equiparam aos policiais militares, o que atrai a competência dessa Justiça Especializada. E a competência é do TST, já que policiais se constituem em carreira de Estado e o conflito de natureza trabalhista deve ser julgado pela corte máxima nessa matéria. 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 34/51 A competência é, sem sombra de dúvida, da Justiça Estadual do Pará. Os policiais civis são servidores públicos civis estaduais e, existindo regime jurídico único no qual eles se enquadram, a competência é da Justiça Estadual. Mesmo em se tratando do direito de greve, a questão já foi dirimida pelo STF no julgamento do RE 846.854 (Tema 544 de Repercussão Geral) e na Súmula Vinculante 23 (já que policiais não se enquadram no conceito de “iniciativa privada”). Questão 2 O juiz da 18ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro recebeu ação penal ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho requerendo a condenação de ex-sócios de uma organização social em razão de crimes contra a organização do trabalho. Indaga-se: o que deve fazer o magistrado? Parabéns! A alternativa A está correta. O STF, no julgamento da ADI 3684, já fixou entendimento que competência penal não pode ser “deduzida” ou “implícita”, mas necessita ser expressamente prevista, o que não foi o caso da Justiça do A Declarar de ofício a incompetência absoluta da Justiça do Trabalho, pois esta não possui competência penal. B Prosseguir no processamento da ação penal, pois a Justiça do Trabalho tem competência específica para julgar crimes contra a organização do trabalho. C Declarar de ofício a incompetência absoluta da Justiça do Trabalho, pois esta só possui competência penal no caso de crimes contra a administração da Justiça do Trabalho. D Prosseguir no processamento da ação penal, pois, embora a Justiça do Trabalho não tenhacompetência penal, tal fato tem que ser suscitado pelos réus. E Prosseguir no processamento da ação penal, pois a Justiça do Trabalho tem ampla competência penal nos termos do art. 114, I c/c IV da Constituição. 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 35/51 Trabalho. Portanto, a resposta correta é a letra A, pois não há qualquer competência penal atribuída à Justiça do Trabalho no art. 114 da Constituição. 3 - Partes e terceiros Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car partes e terceiros que atuam na Justiça do Trabalho. Partes no Processo do Trabalho Conceito Pode-se conceituar “parte” como todo aquele que participa do processo, assumindo as prerrogativas e posições processuais com parcialidade. São conhecidos como autor e réu, em síntese, poderíamos defini- los como aqueles que pedem a tutela jurisdicional do Estado (autor) e como aquele contra quem é pleiteada 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 36/51 a respectiva tutela e que resiste à tal pretensão (réu). O Direito Processual do Trabalho, dependendo do tipo de ação, adota denominações diferentes: No inquérito judicial (art. 853 da CT) denomina-se “requerente” e “requerido” a autor/réu. Nos dissídios coletivos, encontramos “suscitante” e “suscitado”. E principalmente na própria reclamação trabalhista, onde é comum a denominação “reclamante” e “reclamado”. Isso ocorre em razão da origem administrativa da Justiça do Trabalho. Fato é que essa última denominação tem sido prestigiada para sublinhar a autonomia do Direito Processual do Trabalho. Por fim, resta-nos diferenciar o conceito de “partes no processo” e de “partes na demanda”. Parte em sentido material é aquele que suscita em nome próprio direito que lhe pertence, em face do devedor originário da relação jurídica de direito material. Parte em sentido processual é aquele que se afigura como sujeito do processo, mas que não necessariamente se identifica com os sujeitos da res in iuditio deducta. Nem sempre os conceitos coincidem, como é o caso da substituição processual, em que o substituto é parte em sentido processual, mas não o é em sentido material. Substituição processual por sindicatos Compreenda os aspectos importantes da substituição processual por sindicatos. 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 37/51 Substituição processual no Processo do Trabalho Por substituição processual, temos o instituto jurídico no qual a parte que comparece em juízo (parte em sentido processual) o faz em nome próprio para defender direito alheio. É prevista expressamente no parágrafo único do art. 18 do CPC. A questão mais polêmica na Justiça do Trabalho diz respeito à substituição processual por parte do sindicato. Depois de uma interpretação mais restritiva, em que se admitia a substituição processual apenas nos casos do §2º do art. 195 da CLT (OJ 121 da SDI-1, TST), do art. 872, parágrafo único da CLT, do art. 25 da Lei 8.036/90, vale dizer em hipóteses específicas. Contudo, o STF, em vários julgados (RE 555-720-AgR, RE 363.860-AgR, RE 210.029, mandado de injunção 20936), passou a interpretar o disposto no art. 8º, inciso III da Constituição de forma ampla. O próprio TST curvou-se ao entendimento do Excelso Supremo, cancelando o antigo Enunciado 310 e entendendo que o sindicato tem plena legitimidade para atuar na defesa dos interesses da categoria, o que inclui direitos difusos, coletivos e também individuais, independentemente de autorização ou lista (indicação nominal) de substituídos. Sindicatos podem atuar em defesa dos trabalhadores. Em verdade, a única questão que ainda remanesce diz respeito aos direitos individuais:A legitimidade extraordinária do sindicato prevista no inciso III do art. 8º da Constituição inclui apenas os direitos individuais “homogêneos”, ou inclui também a defesa dos direitos individuais “puros” ou “heterogêneos”? 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 38/51 Uma primeira posição entende que apenas os direitos individuais homogêneos (aqueles de origem comum, com titulares determinados, em que há o predomínio da questão comum sobre as questões individuais) poderiam ser objeto de substituição processual. Isso porque a missão constitucional e institucional do sindicato é defender a categoria como um todo, sendo certo que, para a defesa de um único trabalhador, já existe a figura da representação processual (§1º do art. 791 da CLT) e da assistência judiciária, na qual o sindicato fornece advogados para postular em juízo pelo trabalhador. Manifestação sindical no centro da cidade de São Paulo. Não nos parece ser este o melhor entendimento. A leitura do inciso III do art. 8º da CLT, não deixa dúvida de que não ocorreu qualquer condicionamento à substituição de direitos individuais homogêneos, classificação, diga-se de passagem, que só surgiu no ordenamento jurídico com o CDC de 1990. Nesse sentido, a OJ 359 da SDI-1 do TST aponta para tal posicionamento, pois admite que a ação movida por sindicato, como substituto processual, interrompe a prescrição de ações individuais pelo trabalhador, ainda que seja declarada sua ilegitimidade. Por fim, merece ser bem delineada a distinção entre litisconsorte, substituto processual e representante. Em apertada síntese, podemos explicitar que: Litisconsorte É parte no processo e parte na demanda, que defende interesse próprio, em nome próprio. Substituto processual É parte no processo, mas não é parte na demanda, que defende interesse alheio, mas em nome próprio. 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 39/51 Capacidade postulatória na Justiça do Trabalho Costuma-se definir a capacidade postulatória como a aptidão para postular em juízo, ou seja, de fazer petições ao Estado-Juiz. Para o direito processual civil, a regra é que a capacidade postulatória é privativa do advogado (art. 1º, Lei nº 8.906/94), mas, no Direito Processual do Trabalho, há regra específica. Diante da previsão expressa no art. 791 da CLT, empregados e empregadores podem reclamar pessoalmente e acompanhar suas reclamações até o final. Tal circunstância tem sido conhecida como jus postulandi da parte e também encontra previsão no art. 4º da Lei 5.584 de 1970. Contudo, tal comando seria constitucional, diante do art. 133 da Constituição, que prevê o advogado como indispensável à administração da justiça? Mesmo do ponto de vista infraconstitucional, tal dispositivo não violaria o disposto no art. 1º, inciso I da Lei nº 8.906/94 (prevê a postulação a qualquer órgão do Poder Judiciário como privativa da advocacia)? Sede do Supremo Tribunal Federal, em Brasília. Em verdade, a questão já se encontra pacificada pelo STF. Em vários julgados, desde o paradigmático HC 673902 (julgado em 06 de abril de 1990), passando pelas ADIs 1.127-8 e 3.168, a Corte Suprema já definiu que são constitucionais as normas especiais que garantam às partes a prática de atos processuais sem advogado, sendo perfeitamente compatível com a Lex Maior, o disposto no art. 791 da CLT. Registre-se, por fim, que existem algumas limitações ao jus postulandi, que foram consagradas na Súmula 425 do TST e no art. 855-B da CLT. Assim, podemos condensar as exceções nos seguintes casos: Representante processual Não é parte no processo, nem da demanda, pois fala em nome da parte e defende os seus interesses, ou seja, comparece no processo em nome alheio para defender interesses do representado (como é o caso do disposto no art. 793 da CLT). 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 40/51 Caso I Ações civisaplicáveis ao Direito Processual do Trabalho, regidas pelas normas de origem, como a ação rescisória e o mandado de segurança (possuem legislação específica que afasta a capacidade postulatória das partes). Caso II Recursos de competência do Tribunal Superior do Trabalho, considerando que, em geral, esses recursos exigem prequestionamento e um debate jurídico sobre a sentença (princípio da dialeticidade). Caso III Ações de homologação de acordo, pois há a exigência de que ambas as partes estejam assistidas por advogado nos termos da lei. Litisconsórcio e intervenção de terceiros Conceitos O conceito de “terceiro” está diretamente relacionado ao conceito de “parte”. Terceiro é quem não é parte, logo a intervenção de terceiros pode ser conceituada pelo ingresso na relação processual de quem não é parte. Já o litisconsórcio é uma das situações em que o esquema mínimo da relação processual é alterado. Nessa hipótese, há em um processo pluralidade de autores ou de réus. Todas as vezes que, em um processo, mais de uma pessoa pleiteia em seu favor, a tutela jurisdicional, ou tal tutela é direcionada a mais de um demandado, tem-se o litisconsórcio. 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 41/51 Em outras palavras, o litisconsórcio consiste na cumulação subjetiva na relação processual em que duas ou mais pessoas litigam em conjunto, ativa ou passivamente. Seu objetivo é a busca de harmonia processual (evitar decisões conflitantes) e a economia processual. Vejamos a seguir, as principais hipóteses de litisconsórcio e intervenção de terceiros aplicáveis ao Direito Processual do Trabalho. Cabimento das intervenções de terceiro Vimos que terceiros são sujeitos estranhos à relação jurídica processual, que se tornam partes a partir do momento em que intervenham no processo. Por certo, releva salientar que o acréscimo de sujeitos ao processo, em qualquer modalidade de intervenção de terceiros, importa na criação de processo novo, ainda que o terna mais complexo. Questão importante diz respeito ao cabimento ou não das intervenções previstas nos arts. 119 a 138 do CPC ao Direito Processual do Trabalho. Basicamente três posições se formaram na doutrina: A primeira entende pela plena inaplicabilidade das intervenções de terceiro ao Direito Processual do Trabalho, defendida por Campos Batalha (1995). Os fundamentos residiriam na simplicidade/informalidade das normas processuais trabalhistas, que repeliriam a complexificação das causas na seara laboral, mas também a aplicação subsidiária do art. 10 da Lei nº 9.099/95. A intervenção de terceiros criaria complicadores ao procedimento, que representariam óbices para que o processo se concentrasse no seu foco central: a efetividade do crédito trabalhista. A segunda posição, defendida por Schiavi (2022), concentra-se na ideia de que apenas no rito sumaríssimo seria inviável a intervenção de terceiros. Apenas neste rito abreviado, que tem a peculiaridade de não admitir incidentes processuais que impliquem prolongamento do procedimento (vide o disposto no art. 852-G da CLT), poder-se-ia rechaçar as intervenções de terceiros. Posição I Posição II 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 42/51 Contudo, a posição dominante é a de plena aplicabilidade do instituto. Em primeiro lugar, porque o art. 769 da CLT permite a aplicação subsidiária, já que as intervenções de terceiro trazem economia e celeridade processual, evitam decisões conflitantes e trazem maior efetividade para a legislação trabalhista, pois alcança mais sujeitos que, originariamente, não seriam alcançados pela coisa julgada, como regra geral. O que tem se admitido, contudo, é que a intervenção de terceiros seja analisada e subordinada ao interesse do autor, tendo em vista a utilidade do provimento final de mérito. Nesse sentido, vários julgados do TST e também o Enunciado 68, da 1ª Jornada de Direito Material e Processual do Trabalho. Assistência A assistência é uma intervenção ad coadjuvandum, pela qual um terceiro (assistente), integra a relação processual com o fim de auxiliar uma das partes da demanda (assistido). Divide-se em assistência simples (ou comum), em que o terceiro é uma espécie de parte auxiliar e assistência adesiva (qualificada ou litisconsorcial), em que o terceiro intervém porque a sentença tem o condão de influir na relação jurídica entre ele e o adversário do assistido. A assistência é perfeitamente compatível com as regras processuais trabalhistas, sendo expressamente mencionada no art. 896-C, §8º da CLT e admitida pela Súmula 82 do TST. Podemos citar como exemplos de assistência: Exemplo I A intervenção de empresa sucedida (arts. 10 e 448 da CLT), quando há cláusula de responsabilização da empresa sucedida em caso de condenação do sucessor (assistência simples). Posição III 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 43/51 Exemplo II Sindicato patronal que intervém em uma ação coletiva movida pelo sindicato dos trabalhadores em face de empresas determinadas da categoria econômica (Precedente RE 550.769 QO/RJ, Informativo 496, STF). Exemplo III Empregados que ingressam como assistentes litisconsorciais em demanda movida pelo sindicato como substituto processual em face do empregador (caso de assistência litisconsorcial). Denunciação da lide Trata-se de intervenção de terceiros que se constitui em verdadeira ação regressiva in simultaneus processus. A denunciação da lide em verdade, na metáfora conhecida na doutrina, representa um “enxerto” no processo de uma nova lide, entre denunciante e denunciado, em torno do direito de garantia ou de regresso do primeiro em face do segundo. É prevista no art. 125 do CPC. Seria possível a aplicação ao Direito Processual do Trabalho? Depois do cancelamento da OJ 227 da SDI-1 do C. TST, a posição dominante passou a ser pela resposta afirmativa. A doutrina, em geral, aponta como casos possíveis: I O d ã t b lhi t t d l i d i 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 44/51 Contudo, importante ressalva merece ser feita neste particular. A jurisprudência trabalhista tem entendido que, como o novo CPC não mais declara a perda do direito de regresso quando não efetuada a denunciação da lide, esta intervenção de terceiros deve ser deferida tendo em vista os interesses dos trabalhadores. Se o deferimento da intervenção se constituir em óbice para uma rápida solução do litígio, o indeferimento da denunciação não representará nulidade, já que não há perda do direito de regresso (vide, por exemplo, os acórdãos proferidos pela 8ª Turma do TST, RR-1440-68.2012.5.22.0003 e 5ª Turma do TST, RR-3500- 16.2006.5.01.0421). Chamamento ao processo Trata-se de intervenção prevista no art. 130 do CPC. Constitui-se no ato pelo qual o réu postula a integração de terceiro ao processo, para que, em caso de procedência, também este terceiro seja condenado e a sentença lhe seja atribuível como título executivo. Estamos diante, portanto, de intervenção para solidarização no resultado da demanda. Tal intervenção é aplicável ao Direito Processual do Trabalho? Os casos de sucessão trabalhista, em que o sucessor apontado no polo passivo denuncia a lide ao sucedido (art. 10 e 448 da CLT), quando há, no contrato entre as empresas, cláusula de responsabilização exclusiva do sucedido, com previsão do direito de regresso. II Os casos de responsabilização do empregador por atos de preposto (art. 932, III do Código Civil), como assédio moral ou sexual, em que o empregador exerce o direito de regresso nos próprios autos em que o trabalhador assediado postula indenização por danos morais. III Os casos em que os agentes de integração são responsáveis civilmente nos contratosde estágio (art. 5º, §3º da Lei nº 11.788/2008). 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 45/51 Existe certo consenso de que os casos do inciso III do art. 130 do CPC, em tese, admitiriam a ampliação subjetiva da demanda. Assim, poderíamos elencar os seguintes casos: Subempreiteira que pode chamar a empreiteira principal (art. 455 da CLT). Empresas integrantes de um mesmo grupo econômico (art. 2º, §2º da CLT). O caso previsto no art. 16 da Lei 6.019/74, quando há a falência de empresa de trabalho temporário. São casos em que os réus poderiam chamar devedores solidários para que também sobre eles incida os efeitos da coisa julgada. Amicus curiae Trata-se do terceiro que, espontaneamente, ou a requerimento (da parte ou de determinado órgão judicial), intervém no processo com o objetivo de fornecer subsídios ou elementos que possam ajudar o magistrado a compreender melhor a situação de fato e/ou de direito, de modo a proferir decisão com qualidade mais acurada. É previsto no art. 138 do CPC. Comentário Não é um instituto que seja novidade no direito brasileiro, eis que o art. 31 da Lei nº 6.385/76 ou o art. 118 da Lei nº 12.529/2011 já previam a possibilidade, bem como a de terceiros auxiliarem em processos administrativos. Registre-se que não há qualquer dúvida quanto à aplicabilidade do instituto na seara trabalhista. A Instrução Normativa 39 de 2016, em seu art. 3º, inciso II, expressamente admitiu a adoção do instituto, sendo certo que é o juiz quem vai fixar os poderes do amigo da corte (conforme o disposto no art. 138, §2º do CPC). Por fim, registre-se que também no processo trabalhista, o amicus curiae, no mínimo, terá poderes para: Manifestar-se no prazo de 15 dias. Opor embargos de declaração. Recorrer nos casos de julgamento de incidente de resolução de demandas repetitiva, que, no nosso sentir, incluir o julgamento dos recursos de revistas repetitivos pelo TST, por razões lógicas. 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 46/51 Incidente de desconsideração da personalidade jurídica O incidente de desconsideração da personalidade jurídica (IDPJ) é modalidade de intervenção de terceiros expressamente prevista na CLT. O art. 855-A da CLT expressamente autoriza a aplicação do disposto no art. 133 a 137 do CPC aos processos trabalhistas. A questão relevante que envolve o IDPJ diz respeito aos recursos cabíveis em face das decisões proferidas pela Justiça do Trabalho. Se todas as regras procedimentais previstas no CPC se aplicam na seara laboral, fato é que, nas causas trabalhistas, as regras recursais são específicas. Desse modo, vale salientar que, na fase de conhecimento, a decisão proferida no IDPJ não comporta recurso, em razão do princípio da irrecorribilidade imediata das decisões interlocutórias (§1º do art. 893 da CLT). Na fase de execução, o recurso cabível é o agravo de petição, com base no art. 897, “a” da CLT, ainda que se trate de decisão interlocutória. Já, na fase recursal, cabe agravo interno se proferida pelo relator. Ressalta-se que a instauração do incidente suspenderá o processo, embora seja possível a concessão de tutela de urgência de natureza cautelar nos termos do art. 301 do CPC. Em outras palavras, é permitido o arresto/bloqueio de bens do sócio, mesmo antes da instauração do IDPJ ou de sua decisão final, caso presentes os requisitos específicos para a concessão da tutela provisória. 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 47/51 Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 São exceções ao jus postulandi na Justiça do Trabalho: A A apresentação de defesa em audiência trabalhista, o que somente pode ser feito por advogado. B A celebração de acordo em demanda trabalhista ajuizada pelo empregado, sem advogado, pois, nesse caso, a presença de advogado é obrigatória. 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 48/51 Parabéns! A alternativa C está correta. Nos termos da Súmula 425 do TST, os recursos de competência do Tribunal Superior do Trabalho, como o recurso de revista, só podem ser oferecidos por advogado. A razão é simples: trata-se de recurso técnico, de fundamentação vinculada, e a presença de advogado é indispensável para sua elaboração e seu conhecimento. Questão 2 O juiz da 18ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro instaurou IDPJ na fase de execução a requerimento do exequente. Após incluir o sócio da empresa no polo passivo da execução, qual seria o recurso cabível para que o sócio possa reformar a decisão da 1ª instância? C A apresentação de recurso de revista para o Tribunal Superior do Trabalho. D A apresentação de petição nomeando bens à penhora, conforme art. 882 da CLT. E O oferecimento de embargos de declaração em face de sentença proferida por juiz de Vara do Trabalho. A Nenhum recurso seria cabível, ante o princípio da irrecorribilidade das decisões interlocutórias (art. 893, §1º da CLT). B O recurso cabível seria o agravo de instrumento, pois a decisão tem natureza interlocutória. C O recurso cabível seria o agravo de petição, já que se trata de uma decisão em execução. D 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 49/51 Parabéns! A alternativa C está correta. O IDPJ quando decidido na execução, comporta impugnação por agravo de petição, nos termos do art. 855-A, §1º, inciso II da CLT. Considerações �nais Como tivemos a oportunidade de estudar, conhecer os fundamentos do Direito Processual do Trabalho, é de fundamental importância. Tivemos a oportunidade de examinar os princípios fundamentais que regem o processo trabalhista, bem como a competência da Justiça do Trabalho em seus aspectos mais relevantes. Por igual, as circunstâncias que envolvem as partes e os terceiros na Justiça do Trabalho foram objeto de análise escorreita, possibilitando àqueles que militam na área laboral o pleno domínio dos institutos apresentados para uma atuação segura e precisa na defesa dos direitos e interesses de trabalhadores e empregadores. Podcast Para encerrar, ouça mais sobre os princípios fundamentais do Processo do Trabalho, assim como sobre a eficácia da lei processual trabalhista no tempo e no espaço. O recurso cabível seria o recurso ordinário, considerando que o IDPJ é uma intervenção de terceiros que implica cognição. E Deveria ingressar com embargos à execução após a garantia do juízo. 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 50/51 Explore + Confira as indicações que separamos especialmente para você! • Pesquise os acórdãos da 8ª Turma do TST, RR-1440-68.2012.5.22.0003 e da 5ª Turma do TST, RR-3500- 16.2006.5.01.0421. • Assista à gravação do julgamento público da ADI 5625 (Lei do Salão Parceiro, Lei nº 13.352/2016) do STF, disponível no YouTube. Referências ALMEIDA, C. L. de. Direito Processual do Trabalho. 7. ed. Salvador: Juspodivm, 2019. BATALHA, W. de S. C. Tratado de Direito Judiciário do Trabalho - volumes I e II. São Paulo: LTr, 1995. BERNARDES, F. Manual de Processo do Trabalho. 4. ed. Salvador: Juspodivm, 2022. CAIRO JR., J. Curso de Direito Processual do Trabalho. 13. ed. Salvador: Juspodivm, 2019. DI PIETRO, M. S. Z. Direito administrativo. 29. ed. São Paulo: Atlas, 2016. SCHIAVI, M. Manual de Direito Processual do Trabalho. 18. ed. São Paulo: LTr, 2022. SILVA, H. B. M. da S. Curso de Direito do Trabalho Aplicado - volume 9. 3. ed. São Paulo: RT, 2016. 12/08/2023, 11:18 Teoria Geral do Processo do Trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40925/index.html# 51/51 Material para download Clique