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ANTI-INFLAMATÓRIOS E IMUNOSSUPRESSORES PROCESSO INFLAMATÓRIO Ativação de mecanismos efetores para a manutenção da homeostasia em resposta a antígenos, traumas ou agentes infecciosos, mediada por moléculas solúveis e específicas Envolve a ativação do sistema imune inato e adaptativo Sinais cardinais da inflamação: calor, rubor, inchaço, dor e perda de função. Funções: o Impedir a penetração de invasores o Eliminar invasores ou células infectadas o Isolar o local infeccionado o Reparar o tecido danificado pelo trauma, patógeno ou pela resposta do hospedeiro AVANÇOS DO CONHECIMENTO DA INFLAMAÇÃO Celsus (I d.C): Observação dos sinais clínicos da inflamação. Galeno (300 d.C): Inflamação como mecanismo de defesa – Pus Juhn Hunter (1794): Inflamação como mecanismo de reparo – Primeiro livro. Virchow (1871): Envolvimento celular – proliferação. Cohnheim (1873): Visualização de corpúsculos brancos, envolvimento celular, diapedese. Metchnikoff (1908): Fagocitose Lewis (1927): Envolvimento do sistema nervoso na inflamação – Histamina DOR Experiência sensorial e emocional desagradável, associada a lesão tecidual real ou potencial, ou descrita como tal. Experiência dolorosa: o Nocicepção o Reatividade emocional Dor: estado subjetivo, ativadas as vias nociceptivas, outros fatores (sistemas endógenos de analgesia e o contexto no qual se produz a nocicepção e o estado afetivo prévio do indivíduo influem poderosamente na forma de sentir dor. Nocicepção: termo fisiológico que se refere aos mecanismos neurológicos através dos quais se detecta um estímulo lesivo. INFLAMAÇÃO A inflamação representa cerca de 85% de todos os processos patológicos que ocorrem na prática médica e hospitalar. FASES DO PROCESSO DE INFLAMAÇÃO Fase Humoral: mediadores da inflamação o Eicosanoides o Histamina o Bradicinina o Interleucinas o NO e espécies reativas de oxigênio (EROs) Fase Celular: leucócitos o Marginalização e adesão o Quimiotaxia o Fagocitose o Ativação leucocitária com liberação extracelular de produtos da inflamação. Células do sistema imune inato (ex. macrófagos) reconhecem infecções ou injúrias via seu extenso repertório de receptores imune inatos. Ao reconhecer os sinais de infecção ou injúrias os fagócitos desencadeiam uma série de respostas incluindo a liberação de citocinas pró-inflamatórias. O dano tecidual provoca a liberação de mediadores inflamatórios, fatores vasoativos e quimiotáticos que estimulam o aumento local do fluxo sanguíneo e da permeabilidade capilar, permitindo a exsudação de células. MIGRAÇÃO CELULAR PMN: neutrófilos são os primeiros a chegar CLASSIFICAÇÃO QUANTO A DURAÇÃO 1. Aguda o 8 a 10 dias o Período curto sem sequelas o Geralmente sintomas locais o Sinais cardinais 2. Crônico o > 2 semanas o Pode gerar sequelas como cicatrizes e perda de função o Pode ser gerada a partir da inflamação aguda. INFLAMAÇÃO E CITOCINAS As citocinas pró-inflamatórias, além de contribuírem para a defesa do hospedeiro, são responsáveis por muitas manifestações clínicas da infecção e da doença inflamatória. TNF-α e IL-1β: Promovem o aumento da temperatura corporal, febre, através do aumento da síntese de prostaglandinas no hipotálamo. IL-1β e IL-6: Promovem o aumento na síntese de proteínas de fase aguda e fibrinogênio. TNF-α: Produzido em grandes quantidades em infecções graves, podendo desencadear em anormalidades sistêmicas com importância clínica. Citocinas anti-inflamatórias: IL-10 e TGF-beta. LPS: Bactérias gram negativas. Ácido lipoteicoico: Bactérias gram positivas. TRATAMENTO FARMACOLÓGICO DA INFLAMAÇÃO Envolve dois objetivos primários: Aliviar os sintomas e preservar a função, que em geral constituem as principais queixas constantes do paciente; Retardar ou deter o processo responsável pela lesão tecidual Analgésicos não opóides; não opióides + opóides e analgésicos opoides. o Fármacos que inibem a enzima ciclo-oxigenase (COX) – os antiinflamatórios não esteroidais (AINEs) e os coxibes. o Fármacos antirreumáticos – os antirreumáticos modificadores da doença (ARMDs), incluindo alguns imunossupressores. o Glicocorticoides. o Anticitocinas e outros agentes biológicos. o Outros fármacos que não pertencem a esses grupos, incluindo antihistamínicos e fármacos usados para controlar a gota. FÁRMACOS INIBIDORES DA COX – AINES Dividido em grupo químico e seletividade COX. AINES tradicionais: fármacos semelhantes à aspirina e também conhecidos como analgésicos antipiréticos → são os mais usados de todos os agentes anti-inflamatórios. AINES seletivos para a COX-2 (Coxibes) o Atualmente existem mais de 50 exemplos diferentes no mercado global. GRUPO QUÍMICO A aspirina contém um grupamento acetil que é responsável pela inativação da enzima COX Os AINEs mais “clássicos” são ácidos carboxílicos. Os coxibes geralmente contêm grupamentos sulfonamida ou sulfona → Importantes na determinação da seletividade da molécula, pois impedem o acesso ao canal hidrofóbico da enzima COX-1 Mecanismo de ação: Bloqueio da Formação de PGs por inibição da COX. Farmacodinâmica Vários AINEs apresentam possíveis mecanismos adicionais de ação: o Inibição da quimiotaxia, o Infrarregulação da produção de interleucina-1 (IL-1), o Radicais livres e superóxido o Interferência nos eventos intracelulares mediados pelo cálcio. SELETIVIDADE DOS AINES PARA COX USOS TERAPÊUTICOS Diminuem a sensibilidade dos vasos sanguíneos à bradicinina e à histamina Afetam a produção de linfocinas pelos linfócitos T Revertem a vasodilatação da inflamação. Todos os mais recentes são: Analgésicos, Anti-inflamatórios Antipiréticos → exceto os seletivos da COX-2 e os salicilatos não-acetilados. Inibem a agregação plaquetária Efeitos pleiotrópicos! AINES: redução de 50% no risco relativo dessa ne-oplasia quando os fármacos são tomados durante cinco anos ou mais. Usos clínicos Febre, Dor, Edema Afecções inflamatórias mais agudas, como fraturas, entorses, traumas esportivos e outras lesões de partes moles. Úteis no tratamento de dores pós-operatórias, odontológicas, menstruais e para o alívio de cefaleias e enxaqueca. Limitações para uso em inflamações crônicas. Vários AINEs estão à disposição para venda livre (MIPs / OCTs) São amplamente usados para tratar dores e desconfortos menores e outras doenças. Formulações: i.v., i.m., v.o., tópico. Liberação controlada ou não. Cápsulas, comprimidos, pós, cremes, pomadas, géis, soluções (xaropes, gotas). FARMACOCINÉTICA A diversidade química dos AINES é responsável pela ampla variedade de características farmacocinéticas. Características em comum: Todos são ácido fracos, exceto nabumetona (pró-fármaco). Bem absorvidos com biodisponibilidade praticamente inalterada na presença de alimentos. Maioria liga-se fortemente às proteínas plasmáticas (cerca de 98%) – principalmente à albumina. Metabolismo comumente hepático normalmente Fase I (CYP3A e CYP2C) e Fase II. Poucos metabolizados diretamente em Fase II (glicuronidação). Excreção principalmente renal e graus variáveis de excreção biliar e reabsorção. Encontrados no líquido sinovial após administrações repetidas. EFEITOS COLATERAIS A taxa de efeitos colaterais pode ser alta, particularmente por serem usados extensamente na população idosa, mais vulnerável, e frequentemente por períodos de tempo prolongados. SNC: Cefaleias, zumbido, tontura e meningite asséptica (raro). Cardiovasculares: Retenção hídrica, hipertensão, edema, infarto do miocárdio (raramente) e insuficiênciacardíaca congestiva. Gastrintestinais: o São os efeitos indesejáveis mais comuns, principalmente no uso mais prolongado e em doses altas. o Resultam da inibição da COX-1 gástrica. o Dor abdominal, displasia, náuseas, vômitos, úlceras ou sangramento. o 34-46% dos pacientes (EUA: cerca de 100.000 pessoas por ano hospitalizados) Hematológicos: Trombocitopenia, neutropenia, anemia aplásica – todos raros. Hepáticos: Provas de função hepáticas anormais, insuficiência hepática (raro). Pulmonares: Asma (principalmente ácido acetilsalicílico). Cutâneos: São efeitos idiossincráticos que incluem exantemas de todos os tipos, prurido, síndrome de Steven-Johnson. Renais: Insuficiência renal, falência renal, hiperpotassemia e proteinúria. o Observada principalmente em indivíduos com comprometimento da função renal por inibição da vasodilatação compensatória mediada pela prostaglandina I2/E2. o Uso abusivo: Nefropatia analgésica – nefrite crônica e necrose papilar renal. ATENÇÃO AINES não são recomendados para tratar sinais e sintomas de Dengue, sob risco de piorar hemorragias. Manejo clínico mais seguro é o Paracetamol (v.o) ÁCIDO ACETILSALICÍLICO Hipócrates (400 a.C): recomendava o uso da S. alba para o tratamento de reumatismo. Edward Stone (1763): 1g de S. alba em 4/4h. Dose anti-inflamatória: 500 mg Dose antitrombótica: 100 a 325 mg USO TERAPÊUTICO Atualmente é um medicamento isento de prescrição (MIP). Anti-inflamatório: ainda muito utilizado, principalmente encontrado em associações de antigripais e analgésicos. Antiagregante plaquetário (Antitrombótico): o Atualmente, o uso clínico é sobretudo como um fármaco cardiovascular, dada sua capacidade de causar uma prolongada inibição da COX-1 plaquetária e, portanto, reduzir sua agregação. o Efeito mais duradouro que de outros AINEs. Efeitos pleiotropicos: adjuvante ao tratamento de câncer colorretal, diarreia induzida por radiação. FARMACOCINÉTICA Absorção: estômago e intestino delgado. Fatores que influenciam absorção: o Composição, velocidade de desintegração e dissolução do comprimido. o Alimentos, pH, tempo de esvaziamento gástrico. o pKa = 3,5 (pH 2,5 – 91% não ionizado; pH 4,5 – 91% ionizado). Distribuição: livres e ligados à albumina o Ultrapassa barreira HE, placentária, líquido sinovial, peritoneal, saliva, fezes, leite e suor. Metabolismo: esterases (hidrólise – produz salicilato) e conjugação hepática. Excreção: Renal o Influenciada por fatores relacionados ao pH urinário e competição com outros ácidos orgânicos. EFEITOS ADVERSOS Considerar os efeitos gerais para os anti-inflamatórios. Destacam-se: o Efeitos GI o Doses altas podem acarretar distúrbios ácido-básicos e salicilismo (tinido, vertigem, diminuição da audição e, algumas vezes, por náuseas e vômitos.) o Síndrome de Reye, um distúrbio raro em crianças que se caracteriza por encefalopatia hepática após uma doença viral aguda, tem uma taxa de mortalidade de 20-40%. Não se prescreve o AAS na pediatria. INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS Principalmente deslocamento da Varfarina de sua ligação com as proteínas plasmáticas. Antagoniza o efeito de alguns agentes anti-hipertensivos e uricosúricos, como a probenecida e a sulfimpirazona. Pode reduzir a eliminação de uratos – não indicada para pacientes com gota. CONTRA-INDICAÇÕES Pelos efeitos anticoagulantes o Alterações na coagulação (hemofilia, deficiência de vit. K) o Cirurgias Pelos efeitos no TGI o Úlcera péptica o Gastrite ou sangramento GI Gravidez o Gestação prolongada o Trabalho de parto prolongado o Risco de sangramento materno Pediatria: Síndrome de Reye INIBIDORES NÃO- SELETIVOS DA COX DERIVADO DO ÁCIDO FENILACÉTICO – DICLOFENACO Derivado do ácido fenilacético que é não seletivo como inibidor da COX. Introduzidos na década de 1970. Inibição da COX superior a indometacina e propiônicos Usos clínicos: o Analgesia e ação anti-inflamatória em geral. o Gota, artrite, enxaqueca e dismenorreia. o Dor e inflamação pós-operatória. Uso tópico: inflamação de músculo, articulações e tendões. Considerar os efeitos gerais, com destaque para: o TGI (20%): sangramentos, ulcerações ou perfuração da mucosa. Comum fazer associações com omeprazol e misoprostol para diminuir lesão gástrica principalmente se uso mais longo. o Hepatotoxicidade (15%): aumento das transaminases (TGO/TGP). o Efeitos renais em pacientes de alto risco (dose de 150 mg/dia). DERIVADOS DO INDOL – INDOMETACINA Introduzidos na década de 1960 Potente inibidor não seletivo da COX, Também pode inibir as fosfolipases A e C, reduzir a migração dos neutrófilos e diminuir a proliferação das células T e B. Difere ligeiramente das outras classes nos usos clínicos: o Osteoartrite o Acelerar o fechamento do canal arterial no RN o Síndrome de Sweet (dermatose aguda febril neutrofílica) o AR juvenil o Pleurite, síndrome nefrótica, diabetes insípido o Vasculite urticariforme o Dor pós-episiotomia o Profilaxia da ossificação heterotópica na artroplastia o Gota o Inibição de parto prematuro EFEITOS COLATERAIS TGI: efeitos mais sérios Dentre os efeitos colaterais pode incluir pancreatite SNC: vertigens, tonturas, confusão mental, alucinações, depressão e psicoses. Neutropenia, trombocitopenia, anemia aplástica. A cefaleia, que acomete 15 a 25% dos pacientes, pode estar associada a tontura, confusão e depressão. Manifestações dérmicas. CONTRA-INDICADO Doenças TGI Insuficiência hepática e renal Doenças psiquiátricas, epilepsia, Parkinson. DERIVADOS DO ÁCIDO PROPIÔNICO Introduzidos na década de 1970 Ibuprofeno Flurbiprofeno Cetoprofeno Naproxeno IBUPROFENO Uso Clínico: Anti-inflamatório de venda livre, considerado o mais seguro. Em doses de cerca de 2.400 mg ao dia, equivale a 4 g de ácido acetilsalicílico em seu efeito anti-inflamatório. Excelente efeito analgésico e antitérmico (normalmente pode ser obtido em doses menores a 2.400 mg ao dia). IV é efetivo no fechamento do canal arterial em prematuros, com grande parte da mesma eficácia e segurança da indometacina Efeitos colaterais mais frequentes Sistema GI: 5 a 10% Agranulocistose Erupções cutâneas Cefaleia Tonturas Prolongamento do tempo de sangramento. Contra-indicação: hipersensibilidade cruzada, doenças TGI, insuficiência hepática e renal. ibuprofeno + arginato DERIVADO DO ÁCIDO NAFTILPROPIÔNICO – NAPROXENO Único AINE atualmente comercializado como enantiômero isolado. Fração livre significativamente maior nas mulheres do que nos homens, porém sua meia-vida é semelhante em ambos os sexos. Baixo índice de sangramento GI, porém duas vezes maior que com o Ibuprofeno. Uso clínico: Indicações reumatológicas em geral FENAMATOS Introduzidos na década de 1950 Ácido mefenâmico Ácido flufenâmico Ácido etofenâmico Usos clínicos comuns: Dismenorreia primária Dor moderada a intensa Profilaxia da enxaqueca Efeitos Colaterais mais frequentes: TGI: dispepsia, desconforto gástrico Anemia hemolítica Contra-indicação: Doenças TGI e alteração na função renal DERIVADOS DO ÁCIDO ACÉTICO – ETODOLACO Uso clínico comum na Osteoartrite e Artrite reumatoide. Dose analgésica: 200 a 400 mg, 3 a 4 vezes ao dia. Dose recomendada na OA e na AR é de 300 mg, 2 ou 3 vezes ao dia, até 500 mg, duas vezes ao dia inicialmente → Dose de manutenção de 600 mg/dia. Efeitos Colaterais mais frequentes: Depressão (2%), fraqueza (6%), exantema, erupção cutânea, prurido (3%), cólicas abdominais (6%) • TGI (7%) DERIVADOS DO OXICAN Introduzidos na década de 1980 Piroxicam Tenoxicam Meloxicam Usos clínicos comuns: Reumatologia habitual Dor pós-operatória Gota Dismenorreia Artrite PIROXICAM Inibidor não seletivo da COX, inibe a migração dos leucócitos polimorfonucleares. Diminui a produção de radicais de oxigênio; Inibe a função dos linfócitos Meia-vida mais longa permite administração de 1 única dose ao dia. Doses acima de 20 mg/dia: incidência aumentada de úlcera péptica e sangramento até 9,5 vezes maior que outros AINES. Efeitos Colaterais/Adversos Os mais frequentes incluem: TGI (16%) Cefaleia, zumbidos Edema Pruridos, erupções cutâneas Aumento de TGO e TGP Anemias Trombocitopenia, leucopenia Eosinofilia Contra-indicação: Doenças do TGI, alterações na coagulação e doenças renais INIBIDORES PREFERENCIAIS COX2 DERIVADO DO OXICAN – MELOXICAM Enolcarboxamida relacionada com o piroxicam que inibe preferencialmente a COX-2 em comparação com a COX-1, em especial quando administrado na dose terapêutica mais baixa de 7,5 mg/dia. Não é tão seletivo quanto os coxibes e por isso é considerado “preferencialmente” seletivo, e não “altamente” seletivo. Efeitos colaterais como outros AINES, porém considera-se menos associado a distúrbios gastrintestinais e complicações que anti- inflamatórios como piroxicam, diclofenaco e naproxeno. Bem mais caro. Osteoartrites: 7,5 mg – 1 vez ao dia. Artrite reumatoide 15 mg – 1 vez ao dia. DERIVADOS DA FENOXIMETANOSSULFANILIDA – NIMESULIDA Anti-inflamatório com efeito analgésico e antitérmico. Em termos de indicações terapêuticas, foi demonstrado que a relação risco-benefício da nimesulida em formulações sistêmicas é positiva apenas nas seguintes situações: Tratamento da dor aguda Tratamento sintomático da osteoartrose dolorosa Dismenorreia As formulações tópicas estão indicadas no alívio sintomático da dor associada a entorses e tendinites agudas traumáticas. Efeitos Colaterais/Adversos Reações adversas como os outros AINES, mas as hepáticas são provavelmente o principal problema de segurança deste medicamento. → Reações idiossincráticas sendo difícil identificar exatamente quais os fatores de risco específicos associados à sua ocorrência. oNão indicado para pacientes com insuficiência hepática. oInterromper tratamento em caso de alterações hepáticas. Contraindicada em crianças 90%. Metabolismo: extensamente por via hepática (CYP2C9). Excreção: renal Pode interagir com a Varfarina. Efeitos Adversos Comuns: Cefaleia Tonturas Rashes cutâneos (estrutura de sulfonamida) Edema periférico causado por retenção hídrica Em razão do papel potencial da COX-2 no fechamento de úlceras, pacientes com doença preexistente devem evitar o fármaco se possível A é mais eficaz e mais seletivo para a COX-2, quanto maior IC50 mais seletivo é o fármaco OUTROS ANALGÉSICOS (BAIXA SELETIVIDADE COX-1 E COX-2) – COX-3(?) PARACETAMOL e DIPIRONA PARACETAMOL (ACETAMINOFENO) Um dos analgésicos antipiréticos não narcóticos mais comumente usados e faz parte de muitas preparações patenteadas de venda livre (MIPs). Excelente efeito analgésico e antipirético atribuído à inibição da síntese de prostaglandinas no SNC. Útil no alívio da dor de intensidade leve a moderada, como cefaleia, mialgia, dor pós-parto e outras circunstâncias nas quais o ácido acetilsalicílico é um analgésico efetivo. Não possui atividade anti-inflamatória (muito discreta). Não compartilha os efeitos gástricos ou plaquetários adversos dos outros AINEs. Por vezes não classificado como um AINE. Mecanismo de Ação: Não está elucidado. Algumas hipóteses: Inibição seletiva da isoforma COX-3 no SNC Influência no ambiente de oxidação-redução local no SNC Efeito dos metabólitos do paracetamol nos canais Trp (Transient receptor potential channels). Farmacocinética Absorção: bem absorvido quando administrado v.o. Cmáx: 30-60 min. Meia-vida plasmática: 2-4h (doses tóxicas chega a 8h) Fraca ligação à proteínas plasmáticas Metabolismo: hepático (Conjugação em glicuronídeo ou sulfato). Excreção: renal Efeitos Colaterais/Adversos Nas doses terapêuticas são poucos e incomuns, embora algumas vezes ocorram reações alérgicas na pele. Uso regular por longos períodos pode causar lesão renal. Discreto aumento das enzimas hepáticas. • Em doses acima da terapêutica (10 a 15g) causa falência hepática. Os sintomas iniciais de intoxicação aguda pelo paracetamol são náuseas e vômitos, além de tontura, desorientação e excitação, sendo a hepatotoxicidade uma manifestação tardia que ocorre 24 a 48 horas mais tarde. Paracetamol – Antídoto: Se o paciente for avaliado suficientemente próximo do momento da ingestão, a lesão hepática poderá ser prevenida por administração de agentes que aumentem a formação de glutationa no fígado: Acetilcisteína (i.v.) Metionina (v.o.) Decorridas mais de 12 horas da ingestão de uma alta dose, os antídotos que, por si mesmos, podem causar efeitos adversos (náuseas, reações alérgicas) têm menos probabilidade de ser úteis. OBS: TYLENOL - A dor aguda e a febre podem ser tratadas efetivamente com 325 a 500 mg, quatro vezes ao dia, com doses proporcionalmente menores para crianças. Na atualidade, recomenda-se que a dose para adultos não ultrapasse 4 g/dia na maioria dos casos. DIPIRONA Derivado de pirazolona comumente empregado em tratamento de dor pós- operatória, cólica renal, dor oncológica e enxaqueca → Mesmas indicações do paracetamol. MIP Apresenta raras complicações gastrointestinais em comparação a outros AINEs. Nos EUA e Reino Unido, a dipirona foi banida, devido à ocorrência de reações alérgicas graves (como edema de glote e anafilaxia) e idiossincrásicas (agranulocitose potencialmente fatal, Síndrome de Stevens Johnson). Em uso no Brasil, em alguns países europeus (Rússia, Espanha, Bulgária) e muitas partes de África, América Central e do Sul, sendo um analgésico não opioide dos mais populares. Tendo igual eficácia e menor segurança em relação a outros analgésicos, considera-se que não há razão para emprego de dipirona, seja em adultos ou em crianças. Haveria indicação apenas para tratamento de febre intensa, não controlada por outras medidas, ou em pacientes intolerantesa outros analgésicos não opioides Farmacocinética: Não completamente elucidada. Após administração oral, a dipirona é completamente hidrolisada em sua porção ativa, 4-N-metilaminoantipirina (MAA). Não alterada com administração de alimentos. A biodisponibilidade absoluta da MAA é de aproximadamente 90%. Ligação às proteínas do MAA é de 58% Metabolismo: Hepático, diversos metabólitos: MAA, 4-aminoantipirina (AA), 4-N-formilaminoantipirina (FAA) Excreção: renal. Efeitos Adversos/Colaterais Frequentes: náusea, vômitos, dor abdominal, diarreia e erupção cutânea. Infrequentes: anafilaxia, asma, edema angioneurótico, crise transitória de hipotensão. Raros e muito graves: depressão medular, neutropenia, agranulocitose, anemia, plaquetopenia. Sinais da agranulocitose: dor e edema na garganta, sensibilidade e aftas na boca). Agranulocitose pode ser fatal em 10% dos casos. Choque anafilático e Stevens Johnson. Distúrbios renais. Contra indicado na gravidez e na lactação. OBS: Não recomendado em menores de 3 meses ou > 5 Kg por risco de disfunção renal. CETOROLACO AINE promovido para uso sistêmico, principalmente como analgésico em curto prazo (cuja administração não deve se estender por mais de 1 semana). Não atua como agente anti-inflamatório (embora tenha propriedades típicas dos AINEs). Analgésico efetivo, que vem sendo utilizado com sucesso para substituir a morfina em algumas situações envolvendo dor pós- operatória leve a moderada. Mais administrado vias i.v. e i.m. porém possui apresentação v.o. Associado a um opioide, pode diminuir a necessidade deste em 25 a 50%. Efeitos Colaterais/Adversos Não usar por mais de 5 dias. Relativo aos demais AINES Úlcera, hemorragia gástrica, melena, dispepsia, náusea, vômitos, diarreia, constipação. Tontura, sonolência, cefaleia (17%), euforia, alucinação. Reduz atividade plaquetária. Edema. Sudorese. Caso Clínico – Farmacológico: Identificação: M.L.S., 66 anos, feminino, branca, casada, professora, procedente de Ribeirão Preto. História clínica: A paciente procurou atendimento devido a dor, edema e calor na articulação do joelho esquerdo, o que dificultava a deambulação e o subir/descer escadas. Já apresentava esses sintomas há aproximadamente 10 anos, mas se intensificaram após sua última viagem, quando sobressaiu a incapacidade funcional. A paciente não tinha outras queixas. Na história pregressa, referiu ter seu pai morrido de infarto do miocárdio. Ao exame físico, a pressão arterial era de 128/92 mmHg. A articulação comprometida apresentava-se quente, edemaciada e com dor à movimentação. A paciente era obesa. Exames radiológicos comprovaram o diagnóstico de osteartrose de joelho, bilateral, com maior comprometimento do joelho esquerdo. Ainda na tentativa de adiar a solução cirúrgica, foram-lhe recomendados ibuprofeno, gelo no local, exercícios dentro d’água e dieta de emagrecim Perguntas: 1. Qual é a vantagem de ibuprofeno em relação aos demais AINE e ao paracetamol? 2. Determine seu esquema de administração e a duração do tratamento. 3. Quais os potenciais riscos deste medicamento? 4. Por que ocorrem manifestações digestivas, quais são elas e como podem ser contornadas? 5. Quais são os AINE contraindicados nesta paciente? Por quê? 6. Que resultados são esperados com injeção intra-articular de corticoide? FÁRMACOS ANTIRREUMÁTICOS – MODIFICADORES DA DOENÇA ARTRITE REUMATOIDE A artrite reumatoide é uma das afecções inflamatórias crônicas mais comuns nos países desenvolvidos, e uma causa comum de incapacidade. Inflamação Crônica As articulações afetadas se tornam edemaciadas, doloridas, deformadas e imóveis. Altamente incapacitante. As citocinas inflamatórias primárias, IL-1 e especialmente TNF-α, têm papel importante na doença. EPIDEMIOLOGIA Prevalência é de 0,5 a 1 % nos adultos Incidência maior em mulheres (2 a 3 vezes) Incidência > em mulheres até os 45 anos Componente genético significativo Área rural da Nigéria: 0 casos Tribos americanas nativas: 5% de prevalência ETIOLOGIA E PATOGENIA Artrite reumatoide avançada: edema nos tendões sobre as superfícies dorsais de ambos os punhos, delinhamento muscular grave e deformidade dos dedos ANTIRREUMÁTICOS MODIFICADORES DA DOENÇA (ARMD) São os mais utilizados, comumente associados aos AINES. Ao contrário dos AINE, que apenas reduzem os sintomas, os ARMD visam suspender ou reverter a própria doença subjacente. Diversos mecanismos de ação. Fármacos biológicos e não-biológicos. Função Retardar o efeito da doença ARMD NÃO-BIOLÓGICOS: Metotrexato, Azatioprina, Cloroquina e hidroxicloroquina, Ciclofosfamida, Ciclosporina, Leflunomida, Micofenolato de mofetila, Sulfassalazina e Tofacitinibe ARMD BIOLÓGICOS: Modulador das células T (Abatacepte), Agente citotóxico das células B (Rituximabe), Anticorpo antirreceptor de IL-6 (Tocilizumabe), Agentes inibidores da IL-1 (Anacinza, Rinolacepte, Canacinumabe) e Agentes bloqueadores do TNF-α. ARMD NÃO-BIOLÓGICOS: METROTEXATO Antagonista do ácido fólico que tem atividade citotóxica e imunossupressora, é o ARMD de primeira linha para o tratamento da AR, sendo usado em 50 a 70% dos pacientes. Citotoxicidade: Usado também na quimioterapia do câncer. Na AR, é utilizado em doses mais baixas que para tratamento anticâncer. Superior a muitos outros ARMD em termos de eficácia e tolerância do paciente, sendo frequentemente administrado em conjunto com fármacos anticitocinas. Dose normal de 15 a 25 mg por semana. Efeitos aumentados com doses de 30 a 35 mg por semana. USOS TERAPÊUTICOS: Tem sido usado na artrite crônica juvenil, psoríase, artrite psoriática, espondilite anquilosante, polimiosite, dermatomiosite, granulomatose de Wegener, arterite de células gigantes, LES e vasculite. Utilizado também na gravidez ectópica. MECANISMO DE AÇÃO DO METROTEXATO: O metotrexato foi originalmente desenvolvido na década de 1940 como um antagonista do folato para o tratamento de vários tipos de câncer e, portanto, há muito tempo se considera que esse mecanismo também está relacionado ao tratamento de AR. O mecanismo de ação do metotrexato ainda não foi totalmente definido, porém a potencialização da sinalização de adenosina demonstram os dados mais robustos. Pela inibição do folato, foi demonstrado que o metotrexato reduz o nível de concentrações de purina e piridina em linfócitos T, além de que baixas doses de metotrexato mostraram reduzir os níveis de ATP e GTP enquanto aumentavam os níveis de UTP, induzindo redução na proliferação de células T e aumento na apoptose. O metotrexato exerce efeitos inibitórios diretos na proliferação e estimula a apoptose nas células imunes inflamatórias. Além disso, inibe as citocinas pró-inflamatórias ligadas à sinovite reumatoide. Antagonismo do folato Adesão de moléculas Citosinas Eicosanoides e MMPs Sinalizador de adenosina Doador de metil Espécies reativas de oxigênio FARMACOCINÉTICA: Absorção: V.O. = 70% Metabolismo: fase 1- hidroxilação. Fármaco e metabólitos são glutamatados no interior da célula e permanecem por períodos prolongados. Meia-vida sérica: 6 a 9h. A hidroxicloroquina pode reduzir a depuração ou aumentar a reabsorção tubular do metotrexato. Excreção: Urina e bile (30%). EFEITOS COLATERAIS/ADVERSOS: Efeitos mais comuns: Náusea e úlceras. Efeitos devido à inibição da proliferação celular suplementação de ácido fólico poderia diminuir esses efeitos Leucopenia Anemia Estomatite Ulcerações gastrintestinais Alopecia Hepatotoxicidade:enzimas hepáticas elevadas. (cirrose rara) Contraindicado durante a gravidez SULFASSALAZINA Muito utilizada na artrite reumatoide ativa (alternativa ao metotrexato)e, também para doença inflamatória intestinal crônica. Outros usos: artrite crônica juvenil, AP, EA e uveíte associada à espondiloartropatia. Provavelmente atua, em parte, inibindo as vias da COX e da lipo-oxigenase ou eliminando os radicais livres tóxicos, embora também reduza a liberação de IL-8 dos miofibroblastos do cólon, sugerindo um mecanismo imunossupressor adicional. Inibem a liberação de citocinas inflamatórias produzidas por monócitos ou macrófagos, como, por exemplo, IL-1, -6 e -12 e TNF-α. A molécula é ativa, mas também é metabolizada em sulfapiridina e ácido 5- aminossalicílico, sendo a sulfapirida um metabólito ativo para AR FARMACOCINÉTICA: Absorção: V.O 10 a 20% → Uma fração sofre recirculação êntero-hepática no intestino, onde o fármaco é reduzido pelas bactérias intestinais, liberando sulfapiridina e ácido 5-aminossalicílico. A sulfapiridina é bem absorvida, ao passo que o ácido 5-aminossalicílico permanece não absorvido. Meia-vida: 6 a 17h. Excreção: Parte excretada inalterada na urina, já a sulfapiridina é excretada após acetilação e hidroxilação hepáticas. EFEITOS COLATERAIS/ADVERSOS: Cerca de 30% dos pacientes em uso de sulfassalazina interrompem a medicação devido à ocorrência de toxicidade. Efeitos comuns: náuseas, vômitos, cefaleia e exantema. Mais raras: anemia hemolítica e metemoglobinemia. Neutropenia: 1 a 5%. Trombocitopenia: rara. Infertilidade reversível nos homens. CLOROQUINA E HIDROXICLOROQUINA São fármacos 4-aminoquinolínicos usados, sobretudo, em prevenção e tratamento de malária. Também são usados como ARMD, mas geralmente fica reservada para casos em que outros tratamentos tenham falhado. Costuma ser indicada para tratar o lúpus eritematoso sistêmico (LES), e Síndrome de Sjögren, mas são contraindicadas para pacientes com Artropatia Psoriática, uma vez que pioram as lesões de pele. Os efeitos antirreumáticos não aparecem antes de 1 mês ou mais após o início do tratamento, e somente metade dos pacientes tratados responde ao fármaco (em geral de 3 a 6 meses para se obter uma resposta) A dose de ataque pode aumentar a taxa de resposta. Não há evidências de que esses compostos alteram a lesão óssea na AR nas doses habituais (até 6,4 mg/kg/dia de hidroxicloroquina ou 200 mg/dia de cloroquina). MECANISMO DE AÇÃO: FARMACOCINÉTICA: Absorção: Sofrem rápida e praticamente absorção completa Distribuição: Cmáx: em torno de 3h 50% ligam-se às proteínas no plasma. Vd → Cloroquina: 100 a 1000 L/Kg Ligam extensamente aos tecidos, sobretudo àqueles que contêm melanina, como os olhos. Metabolismo: Hepático Excreção: principalmente na urina, com meia-vida inicial de 3 a 5 dias, mas com meia-vida de eliminação terminal muito mais longa, de 1 a 2 meses EFEITOS COLATERAIS/ADVERSOS: Costuma ser bem tolerada mesmo a longo prazo, mas em pacientes com AR em doses mais altas cuidar com: Ototoxicidade irreversível Toxicidade ocular: (raramente ocorre se as doses forem abaixo de 250 mg/ dia para a cloroquina e 6,4 mg/ kg/dia para a hidroxicloroquina). Aconselha-se uma monitoração oftalmológica a cada 12 meses. Pele: Prurido, principalmente em africanos. Exantema TGI: Dispepsia, náuseas, vômitos, dor abdominal. SNC: Pesadelos Outros raros: confusão, psicose, convulsões, agranulocitose, dermatite esfoliativa, alopecia, branqueamento dos cabelos, hipotensão e alterações ECG (alargamento do QRS, anormalidades da onda T). CONTRAINDICAÇÕES E PRECAUÇÕES: Injeções intramusculares ou infusões intravenosas de cloridrato de cloroquina podem resultar em hipotensão grave e parada respiratória e cardíaca, e devem ser evitadas. A cloroquina é contraindicada em pacientes com psoríase ou porfiria. Em geral, não deve ser utilizada nos pacientes com anormalidades retinianas ou do campo visual ou com miopatia. A cloroquina deve ser usada com cautela nos pacientes com transtornos hepáticos, neurológicos ou hematológicos. É considerada segura em gestantes e crianças. LEFLUNOMIDA Tão efetiva quanto o metotrexato na AR, incluindo inibição da lesão óssea. Comumente utilizada em associação com o MTX para melhores resultados. Convertida tanto no intestino como no plasma, a seu metabólito ativo, o A77-1726. Inibe a proliferação dos linfócitos T e diminui a produção de autoanticorpos por estes linfócitos. MECÂNSIMO DE AÇÃO: O MECANISMO DE AÇÃO CONSISTE EM INIBIR A DI-HIDROROTATO-DESIDROGENASE, RESULTANDO EM DIMINUIÇÃO NA SÍNTESE DE RIBONUCLEOTÍDEOS E NA INTERRUPÇÃO DAS CÉLULAS ESTIMULADAS NA FASE G1 DO CRESCIMENTO CELULAR INIBE A PROLIFERAÇÃO DOS LINFÓCITOS T E DIMINUI A PRODUÇÃO DE AUTOANTICORPOS POR ESTES LINFÓCITOS EFEITOS DO MECÂNISMO DE AÇÃO: ↓ Linfócitos B ↑ IL-10 ↓ IL-8 ↓ TNF-alfa ↓ Ativação do NF-Kb EFEITOS COLATERAIS/ADVERSOS: Os efeitos podem ser diminuídos com a diminuição da dose Diarreia em 25% dos pacientes Elevação de enzimas hepáticas Alopecia leve, ganho de peso e elevação da pressão arterial Raro: leucopenia e trombocitopenia Contraindicado durante a gravidez AZATIOPRINA A azatioprina está aprovada para uso na AR e doença intestinal crônica em uma dose de 1 a 2 mg/kg/dia. Transplantes: variação de 3 a 5 mg/Kg/dia – dose inicial e 1 a 3 mg/kg/dia de manutenção. Indicada também na prevenção da rejeição do transplante renal em associação com outros imunossupressores. Outras: AP, na artrite reativa, na polimiosite, no LES, doença inflamatória intestinal refratária, na manutenção da remissão na vasculite e na doença de Behçet. Atua por meio de seu metabólito principal, a 6-tioguanina. MECÂNISMO DE AÇÃO: A 6-tioguanina suprime a síntese de ácido inosínico, a função das células B e das células T, a produção de imunoglobulinas e a secreção de IL-2 A azatioprina bloqueia especificamente a atividade de troca de vav no Rac1 em células T pela incorporação de 6-Thio-GTP O bloqueio induzido pela azatioprina da ativação de Rac1 causa a supressão da ativação de NF-kB e STAT3, levando a uma via mitocondrial de apoptose FARMACOCINÉTICA: A azatioprina pode ser administrada por via oral ou parenteral. Metabolismo bimodal: metabolizadores rápidos (eliminam 4 vezes mais rápido) que metabolizadores lentos. A produção de 6-tioguanina depende da tiopurina--metiltransferase (TPMT), e os pacientes com atividade baixa ou ausente da TPMT (0,3% da população) apresen-tam um risco particularmente alto de mielossupressão em consequência das concentrações excessivas do fármaco ori-ginal, se a dose não for ajustada. Reduzir a dose em 30% se associada ao alopurinol. EFEITOS COLATERAIS/ADVERSOS: Supressão da medula óssea Distúrbios gastrintestinais: náusea, vômitos, diarreia Aumento no risco de infecção Estomatite Febre, calafrios Erupção cutânea Mialgia Alopecia Pneumonite Micofelonato de mofetila Derivado semissintético do ácido micofenólico, isolado a partir do bolor Penicillium glaucus. Convertido em ácido micofenólico, sua forma ativa. Efetivo no tratamento da doença renal causada por LES e pode ser útil na vasculite e na granulomatose de Wegener. Tem sido utilizado ainda na artrite reumatoide, doença inflamatória intestinal e alguns distúrbios dermatológicos. Utilizado também para profilaxia de rejeição pós-transplante. MECANISMO DE AÇÃO: Sua forma ativa inibe a Inosina monofosfato desidrogenase (IMP), essencial para a síntese de purinas, levando à supressão da proliferação dos linfócitos T e B. Interfere na adesão dos leucócitos às células endoteliais por meio da inibição da E-selectina, P-selectina e molécula de adesão intercelular 1. FARMACOCINÉTICA: Administrado como MMF para aumento da biodisponibilidade. Disponível nas formas oral e intravenosa. A forma oral é rapidamente metabolizada em ácido micofenólico. Interações medicamentosas CYP3A. Níveis plasmáticos do fármaco são monitorados frequentemente. EFEITOS COLATERAIS/ADVERSOS: Cefaleia (20 a 50%), dor, tremor, insônia, (febre 20%) Hipertensão (30 a 80%) Edema (50%) Náuseas, dispepsia e dor abdominal (20%). Hepatotoxicidade Leucopenia (30%), trombocitopenia (20%) e anemia (30 a 40%) Aumento na incidência de infecções CICLOSPORINA Antibiótico peptídico, composto natural identificado primeiramente em fungos. Agente imunossupressor com eficácia no transplante de órgãos humanos, no tratamento da doença do enxerto versus hospedeiro (DEVH) após transplante de células-tronco hematopoiéticas. Nefrose refratária na glomeruloesclerose focal. Tratamento de distúrbios autoimunes selecionados: psoríase grave, artrite reumatoide grave, uveíte endógena. Principais Efeitos: Diminuição da proliferação clonal de linfócitos T, primariamente por inibição da síntese de IL-2 e possivelmente também por diminuição da expressão dos receptores para IL-2. Redução da indução e da proliferação clonal de linfócitos T citotóxicos a partir de linfócitos T precursores CD8+. Redução da função de linfócitos T efetores responsáveis por respostas mediadas por células (ex.: diminuição da hipersensibilidade tardia) Certa redução das respostas de linfócitos B dependentes de linfócitos T. MECANISMO DE AÇÃO: A ciclosporina (CsA) se liga à ciclofilina (CpN), formando um complexo que se liga e bloqueia a função da enzima calcineurina (CaN). Como resultado, o CaN falha em desfosforilar o componente citoplasmático do fator nuclear das células T ativadas (NF-ATc), o transporte do NF-ATc para o núcleo e a ligação do NF-ATc ao componente nuclear do fator nuclear de células T ativadas (NF-ATn). O complexo NF-ATc – NF-ATn se liga ao promotor do gene da interleucina 2 (IL-2) e inicia a produção de IL-2. Consequentemente, as células T não produzem IL-2, o que é necessário para a ativação completa das células T FARMACOCINÉTICA: Absorção: Mal absorvida V.O., mas pode ser administrada por esta via em uma formulação mais facilmente absorvida, ou por infusão intravenosa. Distribuição: acumula na maioria dos tecidos em concentrações três a quatro vezes maiores que as observadas no plasma. Uma parte do fármaco permanece no tecido linfomieloide e em depósitos de gordura por algum tempo depois de suspensa a administração. Cmax: 3 a 4h Meia-vida: Aproximadamente 24h Metabolismo hepático Excreção de seus metabólitos principalmente através da bile EFEITOS COLATERAIS/ADVERSOS: O efeito adverso mais comum e mais grave da ciclosporina é a nefrotoxicidade, que não se acredita estar ligada à inibição da calcineurina. Hepatotoxicidade Hipertensão Distúrbios TGI Efeitos adversos menos importantes incluem: anorexia, letargia, hirsutismo, tremores, parestesias (formigamento), hipertrofia gengival (em especial quando prescrita juntamente com antagonistas do cálcio como anti-hipertensivos). Não tem efeito depressor sobre a medula óssea ARMD BIOLÓGICOS – IMUNOSSUPRESSORES (FÁRMACOS ANTICITOCINAS) BIOFÁRMACOS ANTICITOCINAS Representam o maior avanço conceitual e tecnológico que houve no tratamento de inflamação crônica grave em décadas. Produção é difícil e cara, limitando seu uso. Em geral restrita aos pacientes que não respondem adequadamente a outras terapias com ARMD, e eles são fornecidos sob supervisão de um especialista. Alguns são administrados em combinação com o metotrexato, que aparentemente tem uma ação sinérgica anti-inflamatória ANTICITOCINAS – INDICAÇÕES: Em geral, esses produtos biofarmacêuticos só são administrados a pacientes gravemente afetados ou àqueles em quem outras terapias falharam. Uma proporção desses pacientes (cerca de 30%) não responde – motivo desconhecido. A terapia costuma ser descontinuada se nenhum benefício terapêutico for evidente em 2 a 4 semanas. Se o tratamento for iniciado usando fármacos como o infliximabe em combinação com o metotrexato, essa taxa de falha é reduzida, sendo alcançado um resultado terapêutico final superior. Mecanismo de ação: O mecanismo da maioria consiste em neutralizar as citocinas solúveis próinflamatórias como IL-1, IL-6 e TNF-α. Anti-TNF-α: Adalimumabe, certolizumabe pegol, golimumabe, etanercepte e infliximabe. Anti-IL-1: Anacinra, secuquinumabe e canaquinumabe. Anti-IL-6: Tocilizumabe. Anti-IL-12 e 23: Ustequinumabe. Outros imunossupressores biológicos utilizados, principalmente para profilaxia de rejeição de transplantes: Inibidor de Linfócitos T - interferindo em ativação, proliferação ou migração: abatacepte, alentuzumabe, basiliximabe, belatacepte, daclizumabe e natalizumabe. Inibidor de Linfócitos B: rituximabe e o belimumabe Anti-TNF-α Alguns têm como alvo tanto a forma solúvel quanto a forma insolúvel do TNF, enquanto outros são mais seletivos. Os anticorpos que têm como alvo o TNF ligado à membrana (p. ex., infliximabe e adalimumabe) podem matar a célula hospedeira por meio da lise induzida pelo sistema complemento. Isso produz uma qualidade diferente de efeito do simples sequestro do mediador solúvel (p. ex., pelo etanercepte). Provavelmente, esse fato é a razão pela qual alguns desses fármacos exibem um perfil farmacológico levemente diferente, apesar de ostensivamente agirem por intermédio do mesmo mecanismo de ação. Farmacocinética: Sendo proteínas, nenhum desses fármacos pode ser administrado por via oral. A administração em geral é por injeção subcutânea ou infusão intravenosa, e seus perfis farmacocinéticos são enormemente variados. Os esquemas de dosagens diferem: o anacinra é em geral administrado diariamente; o efalizumabe e o etanercepte 1 ou 2 vezes/semana; o adalimumabe, o certolizumabe pegol, o infliximabe e o rituximabe, a cada 2 semanas; e o abatacepte, o belimumabe, o golimumabe, o natalizumabe e o tocilizumabe, todos os meses. Por vezes, administra-se uma dose de ataque como preliminar antes da administração regular Efeitos Colaterais/Adversos Em geral, tratamentos com anticitocinas e antileucócitos – como qualquer tratamento que interfira na função imunológica – pode precipitar infecções latentes como tuberculose ou hepatite B e predispor às infecções oportunistas. Desenvolvimento de síndrome psoríase-símile (raro). Hipersensibilidade, reações no local da injeção ou sintomas GI leves podem ser observados com qualquer desses fármacos ANTI-INFLAMATÓRIOS ESTEROIDAIS (CORTICOIDES) Corticoides Mais importante ferramenta para tratamento das doenças inflamatórias. 1. Hidrocortisona 2. Cortisona 3. Corticosterona 4. Prednisona 5. Metilprednisona 6. Triancionolona 7. Dexametasona 8. Betametasona 9. Beclometasona 10. Budezonida 11. Fludrocortisona CAROLINE CARNEIRO – MED UNC Os coeticóides: Hormônios esteroides com 21 carbonos, derivados do metabolismo do colesterol. Produzidos pelas glândulas adrenais. São potentes agentes imunossupressores e anti-inflamatórios ESTEROIDES ADRENAIS: Mineralocorticoide: Regulação de sais (Na+), água, equilíbrio ácido-básico, e no SNC (apetite por sal e regulação osmótica). Glicocorticoide: Regulação do equilíbrio de sódio e água, resposta ao estresse, modulação do metabolismo de carboidratos e triglicerídeos, função cardiovascular e imunológica e atuação no SNC (regeneração e morte neuronal, aprendizagem, memória e adaptação). CAROLINE CARNEIRO – MED UNC FÁRMACOS CORTICOIDES Com exceção da terapia de reposição, os glicocorticoides são mais comumente usados graças às suas propriedades anti- inflamatórias e imunossupressoras. No contexto da terapia anti-inflamatória, suas ações metabólicas e de outros tipos são consideradas como efeitos adversos. Têm sido desenvolvidos esteroides sintéticos que exibemuma separação parcial das ações glicocorticoides dos mineralocorticoides, mas não foi ainda possível separar completamente as ações anti-inflamatórias de outras ações dos glicocorticoides. Anti-inflamatório; Imunossupressor; Antimitótico; Vasoconstritor Terapia de reposição em pacientes com insuficiência suprarrenal (doença de Addison). Tratamento anti-inflamatório/imunossupressor: Na asma Por via tópica, em várias condições inflamatórias de pele, olhos, orelha ou nariz. Estados de hipersensibilidade (reações alérgicas graves). Em doenças com componentes autoimunes e inflamatórios. Para prevenir a doença do enxerto versus hospedeiro após transplante de órgãos ou medula óssea. Em doenças neoplásicas. Em combinação com agentes citotóxicos no tratamento de doenças malignas específicas (doença de Hodgkin, leucemia linfocítica aguda). Para reduzir o edema cerebral em pacientes com tumores cerebrais metastáticos ou primários (dexametasona). USOS TERAPÊUTICOS – SISTÊMICO Reposição hormonal por insuficiência adrenal aguda ou crônica. Artrite reumatoide Cardite reumática inflamatória Doenças colagenosas como LES e poliartrite nodosa Doenças e manifestações alérgicas como urticária, doença do soro, febre do feno, dermatite de contato, edema angioneurótico, reações à medicamentos. CAROLINE CARNEIRO – MED UNC Choque hemorrágico, endotoxinas, veneno de cobra, traumatismo, anafilaxia USOS TERAPÊUTICOS – TÓPICO Dermatite de contato Eczema atópico de crianças Eczema seborreico Prurido anal e vulvar Psoríase Líquen plano Lupus eritematoso discoide crônico FÁRMACOS CORTICOIDES CAROLINE CARNEIRO – MED UNC EFEITOS: O aparecimento dos efeitos fisiológicos e farmacológicos é tardio, mas alguns efeitos são imediatos: Efeitos genômicos Efeitos não genômicos Mecanismo de ação: CORTICOIDES SISTÊMICOS Hidrocortisona Potência semelhante ao cortisol Deflazacort 3x mais potente que o cortisol Budesonida Prednisona 4-5x mais potente que o cortisol Prednisolona 4-5x mais potente que o cortisol Triancinolona 5x mais potente que o cortisol Metilprednisolona 5-7,5x mais potente que o cortisol Dexametasona 25-30x mais potente que o cortisol Betametasona 25-30x mais potente que o cortisol CAROLINE CARNEIRO – MED UNC CORTISOL/CORTISONA E HIDROCORTISONA Hidrocortisona forma sintética da cortisona. Utilizados na terapia de reposição hormonal na deficiência da adrenal. Hidrocortisona possui menor potência anti-inflamatórias comparando-se aos outros fármacos glicocorticoides. Possui atividade mineralocorticoide. PREDNISONA E PREDNISOLONA Prednisona = Pro-fármaco da prednisolona. Primeira escolha para tratamentos anti-inflamatórios e imunossupressores a longo prazo e DPOC. Prednisona é o corticoide oral padrão pela eficácia e por ser barata. Prednisolona é o corticoide de escolha para administração sistêmica em crianças. Pode ser interessante mais interessante que a prednisona para pacientes com deficiência hepática. Atividade mineralocorticoide baixa DEXAMETASONA/BETAMETASONA São as mais potentes: Utilizada para doenças inflamatórias crônicas Autoimunes Oncológicas Dermatológicas Hematológicas Edema cerebral Choque séptico Vômitos por quimioterapia DEFLAZACORT Glicocorticoide de potência intermediária, produz menos osteoporose e diabetes. POTÊNCIA DOS GLICOCORTICOIDES TÓPICOS Corticoides uso Tópico divididos em 4 grupos de acordo com a potência CAROLINE CARNEIRO – MED UNC CAROLINE CARNEIRO – MED UNC EFEITOS COLATERAIS: Corticoides Tópicos Efeitos observados principalmente no uso oclusivo. Atrofia cutânea epidérmica e dérmica Estrias Erupções acneiformes Dermatite perioral Dermatite de contato alérgica Facilitação de infecções fúngicas, bacterianas e virais CAROLINE CARNEIRO – MED UNC Púrpura Hipertricos CAROLINE CARNEIRO – MED UNC RECOMENDAÇÕES PARA UTILIZAÇÃO DE GLICOCORTICOIDES TÓPICOS DE POTÊNCIA MUITO ALTA: Utilizar diariamente por períodos curtos (até 2 semanas) Doses limites de 45 a 50g/semana Quando possível, evitar utilizar em regiões de alta permeabilidade cutânea Recomendações – Uso Tópico Pomadas e cremes com corticoides são geralmente usadas 2 a 3 vezes ao dia na fase aguda da doença e 1 vez ao dia (ou a cada 2 dias) após a melhora. Lavar a pele para retirar o produto aplicado anteriormente Cuidado ao aplicar em local com pele escoriada Aplicar somente no local da lesão • Lavar as mãos antes e após a aplicação Não fazer curativo oclusivo Evitar uso de corticoides de classe I na face O uso de corticoides de classe I geralmente é limitado a 2 semanas Quanto mais potente o corticoide, maior a absorção sistêmica e maior a chance de causar supressão do eixo Hipotálamo-Hipófise- Adrenal