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FUNDAMENTOS DA
ECONOMIA POLÍTICA
CLÁSSICA
Aula 1
ECONOMIA COMO OBJETO
DE ESTUDO
Economia como objeto de estudo
Olá, estudante!
Nesta videoaula, você irá conhecer a economia como objeto de
estudo. Esse conteúdo é importante para a sua prática profissional,
pois permitirá você compreender a economia como ciência social
dedicada a analisar o comportamento humano diante da escassez de
recursos e das escolhas que decorrem desse cenário.
Prepare-se para essa jornada de conhecimento! Vamos lá!
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29/07/24, 14:12 FUNDAMENTOS DA ECONOMIA POLÍTICA CLÁSSICA
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Ponto de Partida
Olá, estudante!
Durante esta aula, vamos explorar dois conceitos fundamentais no
campo da economia: o Problema Econômico Fundamental e o Fluxo
Circular de Renda. Esses são alicerces para compreender como as
sociedades gerenciam seus recursos escassos e como a renda flui
entre os agentes econômicos.
Para contextualizar o conteúdo, imagine que em uma comunidade
rural, a escassez de recursos, como terra e água, desencadeia
dilemas econômicos fundamentais para os agricultores. As decisões
sobre o que plantar, como produzir e a quem vender tornam-se
essenciais em meio à competição por recursos limitados. A
distribuição desigual dos benefícios da produção cria dilemas éticos
na comunidade. Como lidar com a escassez de recursos e os conflitos
na alocação? Quais estratégias podem ser adotadas para promover
uma distribuição mais equitativa dos benefícios econômicos? Como
conciliar eficiência econômica e sustentabilidade diante da escassez
de recursos naturais?
Essas são questões que demandam reflexão para abordar os
problemas econômicos fundamentais nessa comunidade específica.
Ao longo desta aula, exploraremos os princípios econômicos que
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ajudarão você a encontrar soluções para esse dilema e entender
como os recursos são alocados em uma economia.
Vamos embarcar nessa jornada juntos?
Vamos Começar!
Para iniciar o nosso estudo, vamos realizar a seguinte reflexão: seja
em nosso cotidiano, na internet, rádio ou TV, nos deparamos com
termos relacionados a questões econômicas, tais como: inflação, taxa
de juros, desemprego, crescimento econômico, impostos, taxa de
câmbio, etc. Esses temas, dentre outros, são assuntos pertencentes à
economia. Mas o que de fato é a “economia”?
O termo economia origina-se das palavras gregas oikos (casa) e
nomos (normas). Na Grécia antiga, economia significava a arte de
bem administrar o lar.
Modernamente, define-se economia como a ciência que estuda o
emprego de recursos escassos, entre usos alternativos, com o fim de
obter os melhores resultados, seja na produção de bens ou na
prestação de serviços, a fim de satisfazer as necessidades humanas
(Vasconcelos; Garcia, 2023).
Logo, a economia é uma ciência social que se dedica ao estudo das
escolhas humanas no contexto da escassez de recursos. Ela busca
entender como as sociedades alocam seus recursos limitados para
satisfazer suas necessidades e seus desejos ilimitados. 
Os recursos escassos são os bens e serviços empregados na
produção (mão de obra, capital, terra e matérias-primas), mediante
uma tecnologia conhecida, para a produção de outros bens e serviços
de maior valor total e destinados a atender a demanda (intenção de
compra de bens e serviços) (Vasconcelos, 2015).
Independentemente do quão ricos ou avançados tecnologicamente
sejam os países, a escassez é uma realidade inerente à condição
humana. Os problemas econômicos fundamentais surgem da
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escassez e podem ser resumidos em quatro questões principais,
conforme pode-se visualizar na Figura 1.
Figura 1 | Problemas econômicos fundamentais
Segundo Vasconcelos e Garcia (2023), os problemas econômicos
fundamentais podem ser assim compreendidos:
O que produzir? Refere-se à decisão sobre quais bens e
serviços serão produzidos na economia. Os recursos são
limitados e as sociedades precisam tomar decisões sobre quais
bens e serviços são mais importantes ou prioritários para atender
às necessidades e aos desejos das pessoas.
Quanto produzir? Está relacionado à quantidade de bens e
serviços que a economia deve produzir. As decisões sobre a
quantidade a ser produzida estão ligadas ao equilíbrio entre a
oferta e a demanda. Produzir muito pode levar ao excesso de
oferta e desperdício de recursos, enquanto produzir pouco pode
resultar em escassez.
Como produzir? Este problema diz respeito às técnicas de
produção e à alocação de recursos para a produção de bens e
serviços. As sociedades precisam decidir qual tecnologia,
métodos de produção e combinação de recursos (trabalho, terra
e capital) serão usados para produzir eficientemente os bens
desejados.
Para quem produzir? Esta questão está relacionada à
distribuição dos bens e serviços produzidos. As decisões sobre
como a renda e os bens são distribuídos afetam a equidade e a
justiça social. Isso também se relaciona com a determinação de
como as pessoas têm acesso aos bens produzidos.
Compreendido o problema da escassez e os problemas econômicos
fundamentais, você pode se perguntar: quais são os recursos
escassos?
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Os recursos escassos são os insumos, ou fatores de produção,
utilizados no processo produtivo para obter outros bens, destinados à
satisfação das necessidades dos consumidores (Silva; Luiz, 2017). Os
fatores de produção são:
Trabalho (mão de obra): refere-se ao esforço humano, incluindo
habilidades, conhecimento e tempo dedicado à produção.
Terra: representa os recursos naturais, como solo, água,
minerais e recursos energéticos que são utilizados na produção e
o espaço físico utilizado no processo de produção de um bem ou
uma prestação de serviços.
Capital: refere-se aos bens manufaturados que são usados para
produzir outros bens e serviços. Isso inclui máquinas,
equipamentos, fábricas e tecnologia.
Capacidade empresarial: representa a capacidade de organizar
os outros fatores de produção e tomar decisões de negócios. Os
empreendedores são responsáveis por identificar oportunidades
econômicas e assumir riscos.
Na economia, portanto, para produzir bens e serviços, os agentes
devem combinar os fatores de produção da melhor forma possível,
visando atender às necessidades e aos desejos dos homens, já que a
quantidade de fatores de produção disponível é finita (Silva; Luiz,
2017).
Nesse contexto, os fatores de produção são direcionados para
produzir os chamados bens econômicos. Um bem econômico, assim,
é o que possui uma raridade relativa e, portanto, um preço e pode ser
classificado como bem de consumo – durável, não durável e
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semidurável –, bem de capital e bem intermediário, conforme o
Quadro 1.
Quadro 1 | Tipos de bens econômicos. Fonte: adaptada de Malassise
e Salvalagio (2014).
Siga em Frente...
Sabemos que a economia de mercado é formada por agentes
econômicos, tais como famílias e empresas, que interagem em um
complexo sistema de trocas e transações. O fluxo circular da renda é
uma representação fundamental desse processo, permitindo a
visualização de como os recursos e o dinheiro fluem entre esses dois
pilares essenciais da atividade econômica (Viceconti; Neves, 2013).
Esse conceito é uma base sólida para a compreensão de como a
economia opera, destacando como as famílias fornecem fatores de
produção às empresas em troca de renda, enquanto as empresasa
demanda agregada e reverter o desemprego. Ele via o Estado como
um regulador necessário para evitar crises prolongadas. Ambas as
escolas reconhecem a importância do Estado, mas diferem na
intensidade e na forma de intervenção necessária.
Karl Marx, crítico ferrenho do capitalismo, argumentava que o sistema
é intrinsecamente injusto. Ele via a exploração da classe trabalhadora
como uma característica fundamental, onde os proprietários dos
meios de produção (burguesia) extraem mais valor do trabalho dos
trabalhadores do que lhes é pago. Marx previu que as contradições
inerentes ao capitalismo levariam a crises e à eventual superação do
sistema.
Os economistas clássicos, como Adam Smith, e seus sucessores
neoclássicos, como Alfred Marshall, defendem o capitalismo como um
sistema que, em última instância, promove eficiência econômica e
crescimento. Eles argumentam que a busca pelo lucro, a competição
e a alocação eficiente de recursos são características positivas do
sistema, que, quando não interferidas, levam a uma distribuição mais
eficiente dos bens e serviços.
Em síntese, as reflexões sobre a intervenção do Estado na economia
e as críticas ao sistema capitalista demonstram a diversidade de
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perspectivas na teoria econômica. As discussões continuam a evoluir
à medida que novas ideias e desafios emergem na sociedade e na
economia global.
Saiba Mais
Leia o capítulo História do pensamento econômico do livro: Economia
política. Nesse capítulo, você vai conhecer a história do pensamento
econômico, da sua origem no século XVIII aos principais avanços da
teoria econômica no século XX. Ou seja, você vai saber quais são as
principais escolas do pensamento econômico e quais são os
principais pensadores de cada uma delas.
SILVA, F. P. M.; BIRNKOTT, A. D.; LOPES, J. G. D. Economia
política. Porto Alegre: Grupo A, 2018. E-book.
Leia o capítulo Pressupostos e conceitos das principais correntes
econômicas do livro: Economia política. Nesse capítulo, você vai
aprender sobre as escolas clássica, marxista,
neoclássica e keynesiana e vai visualizar comparações entre elas. Por
fim, você vai conhecer sobre as origens do pensamento econômico
atual.
SILVA, F. P. M.; DALCIN, A. K.; STEFANI, R. Economia política.
Porto Alegre: Grupo A, 2019. E-book.
Referências Bibliográficas
SANDRONI, P. Dicionário de economia do século XXI. 2. ed. Rio de
Janeiro: Record, 2005.
SILVA, F. P. M.; BIRNKOTT, A. D.; LOPES, J. G. D. Economia
política. Porto Alegre: Grupo A, 2018.
SILVA, F. P. M.; DALCIN, A. K.; STEFANI, R. Economia política.
Porto Alegre: Grupo A, 2019.
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https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595024083/
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595024083/
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595028968/
Encerramento da Unidade
FUNDAMENTOS DA
ECONOMIA POLÍTICA
CLÁSSICA
Fundamentos de economia política
Olá, estudante!
Nesta videoaula de revisão, você conhecerá os conceitos
fundamentais do capitalismo e da economia política.
Esse conteúdo é importante para a sua prática profissional, pois você
compreenderá o processo de formação do sistema capitalista de
produção.
Prepare-se para essa jornada de conhecimento! Vamos lá!
Ponto de Chegada
Olá, estudante!
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Para desenvolver a competência desta unidade, que é conhecer os
fundamentos teóricos da economia política, você deverá
primeiramente entender os conceitos fundamentais que permeiam a
ciência econômica.
Inicialmente, ao explorar o problema da escassez, você adquire
conhecimentos essenciais para compreender a base da economia e
as necessidades de alocação de recursos. Entender os problemas
econômicos fundamentais proporciona a habilidade de analisar as
escolhas relacionadas à produção, à distribuição e ao consumo,
fundamentais para a compreensão da economia política.
Avançando o estudo, focamos nas origens da economia política,
interpretando o trabalho, a lei do valor e a mercadoria, e discutindo o
modo de produção capitalista. Desenvolver essa competência implica
compreender as raízes da teoria econômica e suas implicações no
sistema capitalista. Interpretar o trabalho e a lei do valor permite
analisar as relações sociais e econômicas subjacentes ao capitalismo.
Ao estudar a transição do feudalismo para o capitalismo, bem como
discutir suas principais características, você adquire uma
compreensão mais profunda do contexto histórico e das bases
estruturais desse sistema econômico. Desenvolver essa competência
envolve a capacidade de relacionar eventos históricos à evolução do
capitalismo.
Por fim, compreender as raízes do pensamento econômico
proporciona uma base sólida para analisar criticamente as teorias que
moldaram a ciência econômica. A evolução e consolidação dessas
ideias entre os séculos XVIII e XX são importantes para contextualizar
o pensamento econômico contemporâneo, bem como permite a você
entender as correntes que influenciam o debate econômico atual.
Concluindo, ao compreender esses conteúdos, você estará apto a
analisar e interpretar os fundamentos teóricos da economia política.
Desenvolver essa competência implica não apenas adquirir
conhecimento, mas também aplicar esse conhecimento na análise
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crítica do sistema econômico, relacionando-o aos eventos históricos e
às correntes de pensamento que o influenciaram.
É Hora de Praticar!
Na cidade fictícia de Terra Nova, um grupo de estudantes de
economia política se depararam com uma problemática que desafia a
compreensão dos fundamentos teóricos da economia política. A
cidade, outrora agrícola e feudal, está passando por mudanças
econômicas e os estudantes são chamados para analisar a situação.
Terra Nova, por séculos, foi uma comunidade agrícola baseada em
relações feudais, com a produção centrada na agricultura e relações
de servidão. Contudo, nos últimos anos, uma série de transformações
econômicas tumultuou a cidade. Surgiram novas indústrias, as
relações de trabalho mudaram e a busca por lucro tornou-se mais
evidente. Os estudantes precisam compreender e aplicar os
fundamentos teóricos da economia política para decifrar os desafios
que a cidade enfrenta.
Nesse contexto, surgem as seguintes problemáticas:
1. Transição de modo de produção:
Como a transição do modo de produção feudal para o capitalista
impactou as relações sociais e econômicas em Terra Nova?
Quais são os sinais mais evidentes dessa transição nas formas
de trabalho, propriedade dos meios de produção e relações
comerciais?
2. Conflitos de interesse:
Como os conflitos de interesse entre os antigos senhores feudais
e os novos empresários capitalistas estão moldando as
dinâmicas econômicas em Terra Nova?
De que forma a competição por recursos e mercados está
influenciando as escolhas econômicas na cidade?
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3. Desigualdade e divisão do trabalho:
Quais são os impactos da divisão do trabalho e da busca por
eficiência na criação de desigualdades sociais em Terra Nova?
Como as diferentes classes sociais estão sendo afetadas pelas
mudanças na estrutura econômica?
4. Desafios na lei do valor:
Como a lei do valor está se manifestando nas transações
econômicas de Terra Nova?
Quais são os desafios enfrentados pelos agentes econômicos ao
tentar determinar o valor das mercadoriasem um contexto de
rápida transformação? 
O estudo de caso em Terra Nova desafia os estudantes a aplicar os
fundamentos teóricos da economia política para compreender e
propor soluções para os desafios econômicos enfrentados pela
cidade. Ao explorar as problemáticas apresentadas, os estudantes
desenvolverão uma compreensão mais profunda dos princípios que
regem a transição entre modos de produção e as complexidades das
mudanças econômicas.
Reflita
Ao considerar os conceitos abordados sobre as origens da economia
política, a interpretação do trabalho, a lei do valor e a mercadoria,
como esses elementos fundamentais influenciam as relações sociais
e econômicas no contexto do modo de produção capitalista?
Ao considerar os conteúdos abordados sobre a transição do
feudalismo para o capitalismo e as principais características do
capitalismo, como você percebe a influência desses processos
históricos na configuração do sistema econômico contemporâneo?
Resolução do estudo de caso
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A competência desenvolvida ao longo deste estudo de caso foi a de
conhecer os fundamentos teóricos da economia política, aplicando-os
para compreender e solucionar os desafios econômicos em Terra
Nova. Os estudantes, ao enfrentarem as questões norteadoras,
aprimoraram sua compreensão sobre a transição de modos de
produção, conflitos de interesse, desigualdades sociais e os desafios
da lei do valor, usando os fundamentos teóricos da economia política
como guia.
Sobre as problemáticas apresentadas, os estudantes apresentam as
seguintes reflexões:
1. Transição de modo de produção:
A transição em Terra Nova foi marcada por uma mudança
significativa nas relações de produção. A propriedade privada dos
meios de produção tornou-se dominante, e as relações feudais
cederam espaço para uma dinâmica mais capitalista. Os sinais
mais evidentes foram observados nas novas formas de trabalho
assalariado e na crescente importância do comércio.
2. Conflitos de interesse:
Os conflitos entre os antigos senhores feudais e os novos
empresários capitalistas foram analisados. Identificou-se que
esses conflitos moldaram as dinâmicas econômicas,
influenciando decisões de investimento, uso de recursos e
estratégias comerciais. A competição acirrada por recursos e
mercados emergentes tornou-se uma força motriz nas escolhas
econômicas.
3. Desigualdade e divisão do trabalho:
A divisão do trabalho e a busca por eficiência foram fatores-
chave na criação de desigualdades sociais em Terra Nova. A
análise revelou que algumas classes sociais foram mais
impactadas do que outras. Recomendações foram feitas para
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mitigar esses impactos, buscando políticas que promovam uma
distribuição mais equitativa dos benefícios econômicos.
4. Desafios na lei do valor:
Os desafios na determinação do valor das mercadorias foram
explorados. A volatilidade econômica e as mudanças rápidas
tornaram complexa a aplicação da lei do valor. Estratégias foram
propostas para lidar com essa instabilidade, incluindo avaliações
mais flexíveis e dinâmicas do valor econômico das mercadorias.
A resolução desses desafios em Terra Nova exigiu a aplicação dos
fundamentos teóricos da economia política. Os estudantes
conseguiram integrar conceitos como transição de modos de
produção, conflitos de interesse, desigualdades sociais e a lei do valor
para compreender e propor soluções para os problemas econômicos
enfrentados pela cidade. Dessa forma, a competência de conhecer os
fundamentos teóricos da economia política foi solidificada na prática,
capacitando os estudantes para análises mais profundas em
contextos econômicos complexos. 
Dê o play!
Assimile
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Figura 1 | Fundamentos de economia política
Referências
SANDRONI, P. Dicionário de economia do século XXI. 2. ed. Rio de
Janeiro: Record, 2005.
SILVA, F. P. M.; BIRNKOTT, A. D.; LOPES, J. G. D. Economia
política. Porto Alegre: Grupo A, 2018.
SILVA, F. P. M.; DALCIN, A. K.; STEFANI, R. Economia política.
Porto Alegre: Grupo A, 2019.
VASCONCELOS, M. A. S. Economia: micro e macro. 6. ed. São
Paulo: Atlas, 2015.
VASCONCELOS, M. A. S.; GARCIA, M. E. Fundamentos de
economia. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2023.
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https://alexandria-html-published.platosedu.io/9e1a0326-9db6-464b-a7e1-1098d95fb275/v1/index.html 49/49Tipo de bem Conceito
Consumo
Utilizados pelas pessoas para satisfazer suas necessidades
Semidurável
Consumidos integralmente ao ser usado (Ex.: alimentos)
Não durável
Utilizados diversas vezes, mas seu período de utilização é
relativamente curto (Ex.: artigos de vestuário)
Durável
Utilizados várias vezes e durante muito tempo (Ex.: meios de
transporte, eletrodomésticos)
Capital
Utilizados para produzir outros bens (Ex.: máquinas,
equipamentos)
Intermediário
São os insumos utilizados na produção de bens e serviços (Ex.:
matérias-primas e componentes)
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produzem bens e serviços que são adquiridos pelas famílias, gerando
um ciclo econômico contínuo.
Segundo Viceconti e Neves (2013), a renda, ou seja, a remuneração
paga pelas empresas para as famílias, pelo uso dos fatores de
produção que são de propriedade das famílias, é classificada pelos
economistas em quatro grandes categorias, sendo elas:
1. Salários: as famílias recebem salários em troca do trabalho que
fornecem às empresas. Essa é a forma mais comum de renda
para a maioria das famílias.
2. Juros: se as famílias possuem poupanças ou investimentos
financeiros, recebem juros sobre esses ativos.
3. Aluguéis: se possuem propriedades, como imóveis ou terras,
recebem aluguéis de empresas que utilizam esses ativos.
4. Lucros: algumas famílias também podem ser proprietárias de
empresas e recebem lucros como retorno sobre seu capital
investido.
As famílias detêm os fatores de produção, fornecendo-os às
empresas, enquanto as empresas são detentoras dos bens e serviços
vendendo-os para as famílias. Essa relação entre famílias e empresas
determina o “Fluxo real da economia”. Na Figura 2, pode-se visualizar
a dinâmica do fluxo circular da renda.
Figura 2 | Fluxo circular da renda. Fonte: Vasconcelos e Garcia (2023, p. 16).
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Ao visualizar a Figura 2, perceba que o conceito do fluxo circular da
renda nos proporciona uma visão clara de como o mercado de bens e
os fatores de produção estão interligados e como os diversos agentes
econômicos dependem uns dos outros. Nas empresas, os bens e
serviços são disponibilizados para as famílias (isto é, no mercado real)
e, em contrapartida, as famílias efetuam pagamentos por esses bens
e serviços (ou seja, no mercado nominal). Por outro lado, as famílias
fornecem mão de obra e outros recursos de produção para as
empresas (novamente, no mercado real) e, em troca, recebem
compensações na forma de salários, juros, aluguéis e outros
pagamentos (ainda no mercado nominal) por parte das próprias
empresas (Silva; Luiz, 2017). Perceba que o fluxo monetário da
economia apresenta os pagamentos (monetários) para os fatores de
produção e para os bens e serviços.
Em resumo, o fluxo circular da renda em uma economia fechada,
considerando apenas as famílias e as empresas, é um modelo
conceitual que ilustra como a renda flui entre esses dois principais
agentes econômicos. Famílias fornecem fatores de produção e
recebem renda, enquanto as empresas produzem bens e serviços e
geram receita. Esse ciclo contínuo é fundamental para o
funcionamento da economia e para a manutenção da estabilidade
econômica.
Vamos Exercitar?
Durante nossa aula, abordamos o Problema Econômico Fundamental
e o Fluxo Circular de Renda, que nos fornecem as ferramentas
necessárias para enfrentar o dilema dos produtores rurais com
recursos naturais limitados e demandas diversas. Agora, vamos
relacionar os conceitos discutidos com a resolução desse problema.
Na problematização inicial, vimos que a distribuição desigual dos
benefícios da produção cria dilemas éticos na comunidade, com
diversos questionamentos. Vamos abordar cada um deles a partir de
agora.
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1. Como lidar com a escassez de recursos e os conflitos na
alocação?
Implementar políticas de gestão de recursos que promovam a
eficiência na utilização da terra e da água, como práticas de
agricultura sustentável e tecnologias de irrigação eficientes.
Estabelecer mecanismos de cooperação e diálogo entre os
setores da comunidade para identificar soluções colaborativas
para alocar os recursos de maneira mais equitativa.
2. Quais estratégias podem ser adotadas para promover uma
distribuição mais equitativa dos benefícios econômicos?
Desenvolver programas de treinamento e educação para
capacitar todos os membros da comunidade, permitindo que
participem igualmente das oportunidades econômicas.
Estabelecer políticas de redistribuição de recursos que
considerem as necessidades específicas dos grupos mais
vulneráveis, visando reduzir disparidades socioeconômicas.
3. Como conciliar eficiência econômica e sustentabilidade diante
da escassez de recursos naturais?
Investir em tecnologias sustentáveis e práticas agrícolas que
otimizem a produção, minimizando impactos ambientais.
Implementar políticas de incentivo à inovação e pesquisa
voltadas para práticas econômicas sustentáveis, visando a
preservação dos recursos naturais a longo prazo.
Essas soluções sugerem abordagens práticas e estratégicas para
enfrentar os desafios econômicos fundamentais na comunidade,
buscando equidade, eficiência e sustentabilidade na gestão dos
recursos escassos.
Saiba Mais
Vamos conhecer um pouco mais sobre o que aprendemos? É
importante que você tenha outras fontes de pesquisa para ser capaz
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de pensar de forma crítica o conteúdo abordado nesta aula.
Leia o Capítulo 1 do livro: Fundamentos de economia, disponível na
Biblioteca Virtual. Trata-se de um livro introdutório de Economia
Aplicada, no qual procura-se explicar com clareza e concisão
conceitos e problemas econômicos fundamentais, de forma que você
possa ter melhor compreensão da realidade econômica.
VASCONCELOS, M. A. S.; GARCIA, M. E. Fundamentos de
economia. São Paulo: Editora Saraiva, 2023. E-book. 
Leia o Capítulo 2 do livro: Introdução à economia, disponível na
Biblioteca Virtual. Nesse capítulo, você vai compreender como os
fatores de produção são alocados no processo de produção
capitalista, dentro do contexto dos problemas econômicos
fundamentais.
ROSSETTI, J. P. Introdução à economia. 21. ed. São Paulo: Grupo
GEN, 2016. E-book.
O fluxo circular da renda é um importante conceito para a
compreensão do funcionamento do sistema econômico. Para você
conhecer mais sobre o assunto, te convido a ler o artigo O fluxo
circular de renda: saiba o que é e como funciona.
Referências Bibliográficas
MALASSISE, R. L. S.; SALVALAGIO, W. Introdução à economia.
Londrina: Unopar, 2014.
ROSSETTI, J. P. Introdução à economia. 21. ed. São Paulo: Grupo
GEN, 2016. E-book. ISBN 9788597008081. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597008081/.
Acesso em: 18 out. 2023.
SILVA, C. R. L; LUIZ, S. Economia e mercados: introdução à
economia. 20. ed. São Paulo: Editora Saraiva, 2017.
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https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788571441415/
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597008081/
https://dsipublicacoes.com.br/fluxo-circular-de-renda/
https://dsipublicacoes.com.br/fluxo-circular-de-renda/
VASCONCELOS, M. A. S. Economia: micro e macro. 6. ed. São
Paulo: Atlas, 2015.
VASCONCELOS, M. A. S.; GARCIA, M. E. Fundamentos de
economia. São Paulo: Editora Saraiva, 2023. E-book. ISBN
9788571441415. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788571441415/.Acesso em: 18 out. 2023.
VICECONTI, P.; NEVES, S. Introdução à economia, 12. ed. São
Paulo: Editora Saraiva, 2013.
Aula 2
CONCEITOS
FUNDAMENTAIS DE
ECONOMIA POLÍTICA
Conceitos fundamentais de
economia política
Olá, estudante!
Nesta videoaula você irá conhecer conceitos fundamentais de
economia política. Esse conteúdo é importante para a sua prática
profissional, pois você compreenderá as origens da economia política
e a sua relação com o surgimento do capitalismo, proporcionando
uma visão histórica do sistema econômico no qual vivemos.
Prepare-se para essa jornada de conhecimento! Vamos lá!
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Ponto de Partida
Olá, estudante!
Nesta aula vamos estudar as origens da economia política, dentro do
contexto do modo de produção capitalista. Também, você conhecerá
as três categorias teóricas da economia política: o trabalho, a lei do
valor e a mercadoria.
À medida que exploramos a evolução da economia política, dois
questionamentos fundamentais emergem, instigando uma reflexão
crítica sobre os conteúdos estudados:
Transformações da burguesia: como as transformações de
postura da burguesia, inicialmente associada a princípios
revolucionários e posteriormente tornando-se conservadora,
influenciaram a dinâmica das relações sociais e econômicas
durante o período de mudanças radicais, especialmente entre
1825 e 1850?
Modo de produção capitalista e circulação mercantil: como a
transição da circulação mercantil simples para a circulação
mercantil capitalista redefiniu as relações econômicas?
Ao buscar respostas para esses questionamentos, vamos ter uma
compreensão crítica das estruturas que moldam o sistema capitalista
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e suas implicações na sociedade contemporânea.
Bons estudos!
Vamos Começar!
A economia política não surgiu como uma disciplina claramente
definida desde o início, mas evoluiu gradualmente em resposta a
desafios políticos e econômicos.
O termo "economia política" tem raízes antigas, remontando à Grécia
antiga, onde pensadores como Aristóteles e Platão discutiam sobre a
organização da polis e a distribuição de recursos. No entanto, estudos
sobre a economia política moderna começou a se desenvolver
durante a Revolução Industrial nos séculos XVIII e XIX na Europa.
Esse período de mudança radical trouxe consigo uma série de
desafios sociais e econômicos, provocando uma reflexão mais
profunda sobre a natureza da riqueza, do poder e das relações entre
os indivíduos e o Estado (Silva; Birnkott; Lopes, 2018).
Esses estudos pioneiros da economia formaram o primeiro corpo
teórico do que se chamou economia política. Destaca-se os trabalhos
de François Quesnay (1694-1774), Adam Smith (1723-1790), William
Petty (1623-1687), Pierre de Boisguillebert (1646-1714), David
Ricardo (1772-1823), etc. Juntos, esses pensadores constituíram a
economia política clássica (Paulo Netto; Braz, 2007 apud Silva;
Birnkott; Lopes, 2018).
Na visão da economia política clássica, o foco principal residia na
compreensão das relações sociais que se delineavam durante a crise
do antigo regime feudal. Diferentemente da busca por estabelecer
uma disciplina científica formal, os pensadores clássicos desse campo
não tinham, inicialmente, a intenção de construir um corpo de
conhecimento científico autônomo. Seu verdadeiro propósito era
desvendar o modo como a sociedade estava se reconfigurando a
partir do declínio do mundo feudal.
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Portanto, os clássicos da economia política não se posicionavam
meramente como cientistas puristas; ao contrário, almejavam
objetivos intensos de intervenção política e social. De acordo com
Sandroni (2005), é por essa razão que esse campo de estudo adotou
a designação "economia política", onde o termo "política" é
equiparado a "social", seguindo a tradição aristotélica que considera o
homem como um ser político, ou seja, um ser social.
Nesse contexto, pode-se observar que a economia política clássica
refletiu as ideias da burguesia durante um período histórico em que
essa classe estava à frente das lutas sociais, liderando o processo
revolucionário que resultou na queda do feudalismo (Sandroni, 2005
apud Silva; Birnkott; Lopes, 2018).
Na segunda metade do século XIX, a economia política clássica
enfrentou uma crise intrínseca. Entre 1825 e 1850, os interesses da
burguesia, anteriormente associados a princípios revolucionários de
liberdade, igualdade e fraternidade, passaram por uma transformação
marcante. Segundo Silva, Birnkott e Lopes (2018), embora a luta
burguesa tenha emancipado as pessoas das relações de dependência
pessoal do feudalismo, a revolução não conseguiu estabelecer
plenamente a liberdade política desejada. Ainda segundo os autores,
a ascensão da burguesia resultou em uma nova dominação de classe,
tornando-se conservadora e contrariando as promessas
emancipadoras da cultura revolucionária que a levou ao poder.
Essa mudança de postura da burguesia para uma classe
conservadora foi essencial para a incompatibilidade com as
perspectivas da economia política clássica. O conflito original entre
burguesia e nobreza foi substituído por um confronto entre burguesia
e proletariado (os trabalhadores) com a ascensão da burguesia (Silva;
Birnkott; Lopes, 2018). As tensões atingiram o ápice nas revoluções
de 1848, marcando um momento de convulsões sociais na Europa,
onde a burguesia conservadora se viu em confronto com o
proletariado revolucionário.
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A partir desse ponto, surge o pensamento pioneiro relacionado ao
proletariado, liderado por Karl Marx. A economia política passa a
direcionar seu foco para o caráter exploratório do capital
(representado pela burguesia) em relação ao trabalho (representado
pelo proletariado). Isso dá origem à crítica da economia política,
introduzindo novos quadros teóricos destinados a explicar os
rearranjos na vida social (Paulo Netto; Braz, 2007).
Nesse contexto, a economia política se consolida como a ciência das
leis que regem a produção e a troca dos meios materiais de
subsistência na sociedade humana. Cabe destacar que, sobretudo no
sistema capitalista predominante, o objeto de estudo da economia
política se concentra no modo de produção capitalista, considerando
não apenas a produção em si, mas também as relações sociais entre
os indivíduos envolvidos na produção ou na estrutura social dela
(Silva; Birnkott; Lopes, 2018).
Siga em Frente...
Para entender as relações sociais próprias à atividade econômica
capitalista, a economia política utiliza três categorias teóricas, sendo
elas:
O trabalho, que torna possível a produção de qualquer bem ou
serviço.
A lei do valor, que constitui a noção de riqueza social.
A mercadoria, o objeto indispensável para a troca capitalista.
Vamos estudar cada uma delas a partir de agora.
O sistema capitalista se baseia na relação entre o capital e o trabalho,
onde os trabalhadores vendem sua força de trabalho em troca de
salários. Essa dinâmica cria uma divisão de classes, onde os
proprietários dos meios de produção (capitalistas) detêm o controle e
os trabalhadores contribuem com seu esforço laboral. Assim, o
trabalho não é apenas uma atividade produtiva, mas também uma
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categoria que delineia as relações de poder e hierarquias na
sociedade (Silva; Dalcin; Stefani, 2019).
A evolução do trabalho impõe ademanda por habilidades e
conhecimentos obtidos primeiramente através de repetição e
experimentação, os quais são subsequentemente transmitidos por
meio do aprendizado. No contexto do capitalismo, a necessidade
incessante de desenvolver novas modalidades de trabalho surge,
resultando na criação de novas demandas e, consequentemente, na
emergência de novos métodos de aprendizado.
A lei do valor é um conceito fundamental que permeia a teoria
econômica capitalista. Ela sugere que o valor de um bem ou serviço é
determinado pelo tempo de trabalho socialmente necessário para sua
produção. Em outras palavras, o valor de uma mercadoria é
influenciado pelo esforço humano envolvido em sua criação (Silva;
Dalcin; Stefani, 2019). Essa ideia implica que o valor não é intrínseco
ao objeto, mas é socialmente construído.
A lei do valor na economia política capitalista introduz uma distinção
entre duas características das mercadorias: o valor de uso e o valor
de troca. O valor de uso refere-se à utilidade intrínseca de uma
mercadoria, isto é, sua capacidade de satisfazer necessidades
humanas. Por exemplo, um par de sapatos possui valor de uso
porque é capaz de proteger os pés e proporcionar conforto. No
entanto, o valor de uso não é o único fator determinante do valor
econômico.
O valor de troca, por outro lado, está relacionado à capacidade de
uma mercadoria ser trocada por outra no mercado, direta ou
indiretamente, por intermédio do dinheiro. Esse valor é influenciado
pelo tempo de trabalho socialmente necessário para a produção da
mercadoria, conforme estabelecido pela teoria do valor-trabalho.
Assim, enquanto o valor de uso é uma propriedade concreta da
mercadoria, o valor de troca é uma abstração que surge das relações
sociais de produção e troca (Silva; Dalcin; Stefani, 2019).
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Ao longo da evolução da economia política, os conceitos de valor de
uso e valor de troca sofreram modificações constantes. Na fase
clássica, exemplificada por Adam Smith, a teoria do valor-trabalho foi
formulada, sustentando que o trabalho é a única medida verdadeira e
definitiva do valor das mercadorias, diferenciando-se de seu preço
nominal (Silva; Birnkott; Lopes, 2018).
Karl Marx, por sua vez, expandiu a teoria do valor-trabalho,
introduzindo o conceito de mais-valia. Marx argumentou que, sob o
capitalismo, os trabalhadores não recebem o valor total do seu
trabalho. Ele explicou que a mais-valia é a diferença entre o valor do
trabalho produzido pelos trabalhadores e o salário que recebem
(Silva; Dalcin; Stefani, 2019). Esse excedente é apropriado pelos
capitalistas, resultando na exploração dos trabalhadores e no acúmulo
de capital.
A mercadoria representa o produto do trabalho humano, que é
destinado não apenas ao consumo direto, mas também à troca no
mercado. A mercadoria torna-se a expressão material da relação
social entre os produtores, mediada pelo valor que ela possui.
Portanto, a mercadoria emerge como o elemento central na sociedade
capitalista, desempenhando o papel de intermediária em todas as
relações sociais (Silva; Birnkott; Lopes, 2018).
Para que diferentes mercadorias sejam produzidas, é essencial que
exista uma divisão social do trabalho. Contudo, essa condição
necessária não é suficiente para garantir a produção contínua de
mercadorias. A divisão social do trabalho precisa estar vinculada à
propriedade privada dos meios de produção. Em outras palavras,
apenas aquele que é proprietário dos meios ou instrumentos de
produção pode comprar ou vender qualquer tipo de mercadoria,
surgindo a importância da propriedade privada. No sistema capitalista,
a apropriação dos meios de produção é o que motiva os capitalistas a
produzirem cada vez mais e a terem o direito legal de se apropriarem
sempre da mais-valia resultante da troca de mercadorias (Silva;
Birnkott; Lopes, 2018).
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O modo de produção capitalista é um sistema econômico que se
caracteriza pela propriedade privada dos meios de produção, como
fábricas e terras, e pela busca do lucro como principal motor da
atividade econômica. Esse sistema influencia não apenas a produção,
mas também a circulação de mercadorias, desempenhando um papel
fundamental na compreensão da dinâmica econômica
contemporânea.
A circulação mercantil, por sua vez, é um componente essencial do
modo de produção capitalista, sendo responsável por facilitar a troca
de mercadorias entre diferentes agentes econômicos (Silva; Dalcin;
Stefani, 2019). No entanto, deve-se distinguir entre a circulação
mercantil simples e a circulação mercantil capitalista para
compreender melhor o funcionamento do sistema econômico.
Na circulação mercantil simples, as trocas ocorrem com base na
equivalência de valores entre as mercadorias. Isso significa que uma
mercadoria é trocada por outra de valor semelhante, refletindo a
relação direta entre os produtores e os consumidores. Assim, pode-se
simbolizar o processo de circulação característico da produção
mercantil simples com a seguinte expressão: mercadoria ⟹ dinheiro
⟹ outra mercadoria (ou seja, M ⟹ D ⟹ M).
Já na circulação mercantil capitalista, a moeda assume um papel
central. A relação entre os produtores e consumidores não é mais
direta; em vez disso, a moeda torna-se o intermediário universal nas
trocas. O capitalista compra mercadorias com o objetivo de vendê-las
posteriormente, visando obter lucro. Assim, a circulação mercantil
capitalista expressa-se na seguinte fórmula: dinheiro ⟹ mercadoria
⟹ dinheiro acrescido (ou seja, D ⟹ M ⟹ D’) (Silva; Birnkott; Lopes,
2018).
Portanto, o capitalista não está interessado apenas na troca de
mercadorias, mas também no processo produtivo que leva à criação
de valor excedente. Esse valor excedente é essencial para a
acumulação de capital e para a dinâmica de crescimento econômico
no sistema capitalista.
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Em resumo, o modo de produção capitalista molda não apenas a
produção, mas também a circulação de mercadorias. A transição da
circulação mercantil simples para a circulação mercantil capitalista
destaca a centralidade da moeda e do lucro no sistema, redefinindo
as relações econômicas e impactando a forma como a sociedade
organiza a produção e o intercâmbio de bens e serviços.
Vamos Exercitar?
Estudante, a partir de agora vamos retomar a problematização
descrita no início da aula e relacionar com o conteúdo estudado.
O primeiro questionamento nos levou a refletir como a mudança de
postura da burguesia, inicialmente vinculada a princípios
revolucionários, impactou a economia política clássica. Muito bem,
conforme apresentado na aula, a mudança de postura da burguesia,
inicialmente associada a princípios revolucionários durante a queda
do feudalismo, é evidenciada no texto pela transição dessa classe
para uma postura conservadora entre 1825 e 1850. A análise aponta
que, apesar de emancipar-se das relações de dependência pessoal
do feudalismo, a burguesia se tornou uma classe conservadora,
entrando em conflito com as promessas emancipadoras da
Revolução. Essa mudança de perspectiva impactou diretamente a
economia política clássica, substituindo o conflito original com a
nobreza por uma confrontação com o proletariado, marcando um
momento de convulsões sociais na Europa.
O segundo questionamento nos trouxe a seguinte questão: Como a
transição da circulação mercantil simples para a circulação mercantil
capitalista redefiniu as relações econômicas? Bom, a partir da leitura
do material, compreendemos que a transição da circulação mercantil
simples para a circulação mercantil capitalista redefiniu as relações
econômicas ao introduzira moeda como intermediário universal nas
trocas.
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A fórmula dinheiro ⟹ mercadoria ⟹ dinheiro acrescido (ou seja, D ⟹
M ⟹ D’), destaca o papel central da busca pelo lucro na circulação
mercantil capitalista. Logo, o capitalista não está interessado apenas
na troca de mercadorias, mas também no processo produtivo que leva
à criação de valor excedente. Esse valor excedente é essencial para a
acumulação de capital e para a dinâmica de crescimento econômico
no sistema capitalista.
Essas respostas baseiam-se nas informações fornecidas ao longo da
aula, na qual destacam-se os pontos essenciais relacionados às
transformações da burguesia e ao modo de produção capitalista,
especialmente no contexto da circulação mercantil.
Saiba Mais
Vamos conhecer um pouco mais sobre o que aprendemos? É
importante que você tenha outras fontes de pesquisa para ser capaz
de pensar de forma crítica o conteúdo abordado nesta aula.
Leia o capítulo Conceitos fundamentais da economia política do livro:
Economia política. Nesse capítulo, você vai ver como a economia
política se consolidou como uma ciência. Para isso, vai conhecer a
história dessa disciplina desde o seu início, no século XVIII. Além
disso, você vai se dedicar ao estudo de conceitos fundamentais para
essa área, como os de trabalho, valor e mercadoria. Por fim, vai
explorar os mecanismos que põem em funcionamento o modo de
produção capitalista.
SILVA, F. P. M.; BIRNKOTT, A. D.; LOPES, J. G. D. Economia
política. Porto Alegre: Grupo A, 2018. E-book.
Leia o capítulo: O padrão de acumulação contemporânea do capital e
seus efeitos sociais do livro: Economia política. Nesse capítulo, você
entenderá o funcionamento do sistema capitalista nos dias de hoje,
analisando o processo de acumulação capitalista e o movimento do
capital. Além disso, você vai ver como esse processo se relaciona
com a crise estrutural do capital e vai conhecer as bases
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fundamentais do sistema econômico capitalista e sua relação com a
vida em sociedade.
SILVA, F. P. M.; DALCIN, A. K.; STEFANI, R. Economia política.
Porto Alegre: Grupo A, 2019. E-book.
Referências Bibliográficas
PAULO NETTO, J.; BRAZ, M. Economia política: uma introdução
crítica. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2007.
SANDRONI, P. Dicionário de economia do século XXI. 2. ed. Rio de
Janeiro: Record, 2005.
SILVA, F. P. M.; BIRNKOTT, A. D.; LOPES, J. G. D. Economia
política. Porto Alegre: Grupo A, 2018.
SILVA, F. P. M.; DALCIN, A. K.; STEFANI, R. Economia política.
Porto Alegre: Grupo A, 2019.
Aula 3
CAPITALISMO
Capitalismo
Olá, estudante!
Nesta videoaula você irá conhecer o surgimento do capitalismo, bem
como suas fases evolutivas.
Esse conteúdo é importante para a sua prática profissional, pois
proporciona o entendimento das bases econômicas que moldam as
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sociedades contemporâneas.
Prepare-se para essa jornada de conhecimento! Vamos lá!
Ponto de Partida
Olá, estudante!
A partir de agora vamos estudar a transição do feudalismo para o
capitalismo, explorando suas raízes históricas e as dinâmicas sociais,
políticas e econômicas que delinearam esse processo. Ao longo
desse percurso, será apresentado o conceito de capitalismo, bem
como as diferentes fases do capitalismo, desde o mercantilismo até a
era informacional.
Nesse contexto, convidamos você a refletir sobre dois pontos
fundamentais que guiarão as discussões ao longo desta aula:
Diversidade na transição: como as condições sociais,
econômicas e geográficas influenciaram a diversidade na
transição do feudalismo para o capitalismo na Europa medieval?
Natureza evolutiva do capitalismo: como as diferentes fases
do capitalismo, desde o comercial até o informacional, moldaram
as estruturas econômicas e sociais ao longo do tempo?
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A partir desses questionamentos, convido você a explorar as
conexões entre o feudalismo, o surgimento do capitalismo e, por fim,
considerar como essas transformações históricas continuam a
impactar o nosso cotidiano profissional e a estrutura da sociedade
contemporânea.
Bons estudos!
Vamos Começar!
O feudalismo foi um sistema social, político e econômico
predominante na Europa medieval, que perdurou aproximadamente
do século IX ao XV. Esse período foi caracterizado por uma estrutura
hierárquica complexa, na qual a sociedade estava organizada em
torno da posse e do controle da terra. O sistema feudal possuía uma
fragmentação político-jurídica, sustentado por relações de vassalagem
e feudos, no qual se estabeleceu um sistema de deveres e obrigações
entre senhores e vassalos, marcada predominantemente pela
servidão.
A sociedade feudal era estratificada em diferentes classes, com os
camponeses formando a base. Eles trabalhavam nas terras dos
senhores como servos, cultivando a terra em troca de proteção. A
economia feudal era agrária, centrada na produção local para
subsistência. As comunidades eram autossuficientes e as transações
comerciais eram limitadas. A vida urbana era incipiente, com a maioria
da população vivendo em vilarejos ao redor dos castelos dos
senhores.
No século XIV, o sistema feudal, que havia dominado a estrutura
socioeconômica da Europa medieval, encontrou-se em meio a uma
crise profunda que sinalizou o início de sua desintegração (Silva;
Birnkott; Lopes, 2018). A transição do feudalismo para o capitalismo
na Europa foi um processo complexo e heterogêneo, manifestando-se
de maneira desigual em diferentes regiões. Essa evolução histórica
não ocorreu de forma universal e as disparidades na velocidade e na
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natureza da transição foram influenciadas por uma série de fatores
(Silva; Birnkott; Lopes, 2018).
Um dos fatores que contribuíram para a diversidade na transição foi a
estrutura social e econômica preexistente em cada região. Por
exemplo, áreas urbanizadas e comercialmente desenvolvidas tiveram
maior propensão para uma transição mais rápida. Cidades como
Veneza, Gênova e outras regiões da Itália, que já possuíam uma
economia mais orientada para o comércio, foram pioneiras na adoção
de práticas capitalistas.
Além disso, as condições geográficas também desempenharam um
papel significativo. Regiões costeiras e com acesso facilitado às rotas
comerciais muitas vezes experimentaram uma transição mais
acelerada devido à intensificação do comércio. Enquanto isso, áreas
remotas e isoladas enfrentaram desafios adicionais na incorporação
de práticas capitalistas.
Para Karl Marx, o conflito crucial durante a transição do feudalismo
para o capitalismo estava enraizado nas relações entre os
camponeses e seus senhores feudais (Silva; Birnkott; Lopes, 2018).
Esses senhores feudais, detentores das terras, exerciam seu poder
sobre os camponeses e extraiam o excedente da produção agrícola
por meio de direitos feudais e estruturas de poder feudais.
Os camponeses, por sua vez, eram responsáveis pela produção
desses excedentes, mas estavam sujeitos a uma série de obrigações
feudais, incluindo o pagamento de rendas e taxas, bem como a
prestação de serviços para os senhores (Silva; Birnkott; Lopes, 2018).
Essa relação de exploração e dependência constituía o cerne do
conflito de classe na visão de Marx.Maurice Dobb (1946 apud Silva; Birnkott; Lopes, 2018) propôs uma
análise singular sobre o colapso do feudalismo e o surgimento do
capitalismo. Em sua perspectiva, o cerne desse processo histórico
residia na revolta dos pequenos produtores e camponeses contra as
estruturas opressivas do sistema feudal. Essa visão sugere que a
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gênese do capitalismo estava intrinsecamente ligada à dinâmica das
revoltas camponesas e à busca por uma ordem social que permitisse
maior liberdade e oportunidades econômicas.
A transição do feudalismo para o capitalismo ocorreu à medida que os
pequenos produtores conseguiram uma emancipação parcial da
exploração feudal. Esse processo inicialmente pode ter envolvido um
abrandamento dos tributos ou uma redução da expropriação dos
excedentes por parte dos senhores feudais (Silva; Birnkott; Lopes,
2018). Esse alívio nas obrigações feudais permitiu que os
camponeses retivessem uma parcela maior do produto excedente
gerado por seu trabalho.
Com essa emancipação parcial, os camponeses encontraram-se em
uma posição mais favorável para acumular excedentes para si
mesmos. Esse excedente, antes majoritariamente destinado aos
senhores feudais, passou a ser uma fonte de recursos nas mãos dos
pequenos produtores.
Durante os séculos XII e XIII, as transformações econômicas não se
limitaram apenas à esfera agrícola. As pequenas manufaturas
desempenharam um papel crucial nesse período de transição do
feudalismo para o capitalismo. As atividades dos artesãos,
anteriormente dispersas nas aldeias feudais, foram progressivamente
concentradas em oficinas localizadas nas emergentes cidades.
Esse movimento de concentração das atividades manufatureiras
representou uma parte fundamental da expansão econômica geral. À
medida que oficinas especializadas se desenvolviam, as técnicas de
produção eram aprimoradas, resultando em maior eficiência e
qualidade na manufatura de bens. Simultaneamente, o surgimento
dessas oficinas urbanas teve implicações significativas para a
população rural. A fuga dos servos das propriedades feudais foi um
fenômeno observado à medida que os centros urbanos se expandiam.
As cidades ofereciam oportunidades de emprego mais diversificadas
e, muitas vezes, uma maior liberdade em comparação com as
restrições impostas nos feudos.
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Nesse contexto, à medida que a acumulação de capital crescia, tanto
na produção rural como na produção artesã (a origem da manufatura
industrial), os interesses burgueses passaram a ser contrários ao
isolamento feudal (Katz, 1993 apud Silva; Birnkott; Lopes, 2018). O
controle e a expropriação da produção pelos senhores feudais
perderam sua relevância. Além disso, a servidão deixou de ser uma
relação de trabalho satisfatória para atender às exigências do capital.
Karl Marx (1996 apud Silva; Birnkott; Lopes, 2018) argumenta que
todas essas condições facilitaram a transição do feudalismo para o
capitalismo. Não há dúvidas de que o ponto de partida do capitalismo
é a circulação de mercadorias. A produção e a circulação intensificada
de mercadorias, através do comércio, representam os requisitos
históricos para o surgimento do capitalismo. Esses novos fenômenos
eram inconciliáveis com a manutenção do sistema feudal.
Siga em Frente...
Compreendido o processo de fim do feudalismo e as bases para o
surgimento do capitalismo, vamos compreender o que é o capitalismo.
O capitalismo é um sistema em que os bens e os serviços, inclusive
as necessidades mais básicas da vida, são produzidos para fins de
troca lucrativa. Nesse contexto, até mesmo a capacidade humana de
trabalho é tratada como uma mercadoria à venda no mercado. Logo, o
cerne do sistema capitalista gira em torno da dinâmica do mercado,
das exigências da competição e da maximização do lucro.
As empresas e os empreendedores buscam atender às demandas do
consumidor, mas não apenas por uma questão de serviço público; a
motivação subjacente é a obtenção de lucro. Essa busca incessante
pelo lucro não só impulsiona a inovação e eficiência produtiva, mas
também cria uma atmosfera de competição intensa entre os
participantes do mercado.
A capacidade humana de trabalho, vital para a produção de
mercadorias e serviços, é tratada como uma mercadoria em si
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mesma. Os indivíduos, nesse sistema, vendem sua força de trabalho
no mercado de emprego em troca de salários. Essa relação entre
empregadores e empregados é central para a dinâmica capitalista,
onde a mão de obra é uma peça-chave no processo produtivo. Todas
as relações do capitalismo ocorrem no que se convencionou chamar
de mercado (Sandroni, 2005).
Dentro desse contexto, o sistema capitalista demonstra uma notável
capacidade de se ajustar a uma variedade de condições, incluindo
aspectos políticos, sociais, tecnológicos, geográficos, entre outros.
Esse ajuste contínuo visa primariamente manter e impulsionar a
acumulação de capital. É exatamente essa flexibilidade que
caracteriza o capitalismo como um sistema diversificado, capaz de
sobreviver ao longo de séculos, atravessando períodos de expansões
e enfrentando crises profundas.
A transição do feudalismo para o capitalismo marcou o início do
desenvolvimento e evolução gradual do modo de produção capitalista.
Esse processo teve início no século XIV, caracterizando-se por uma
evolução desigual, com uma progressão mais acelerada na parte
ocidental da Europa (Silva; Birnkott; Lopes, 2018). À medida que os
séculos XIX e XX avançaram, o capitalismo expandiu-se para todos
os continentes, consolidando-se como um fenômeno global ao longo
do século XXI.
De acordo com Bresser Pereira (2011), as principais fases do
capitalismo podem ser divididas em:
1. Fase do capitalismo comercial.
2. Fase do capitalismo industrial.
3. Fase do capitalismo financeiro.
4. Fase do capitalismo informacional ou capitalismo do conhecimento.
O capitalismo comercial, também conhecido como fase mercantilista,
caracterizou-se pelo acúmulo de riquezas através do comércio. Esse
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período teve início no século XV e estendeu-se até o século XVIII. Foi
uma época marcada pelas Grandes Navegações e descobrimentos
que ampliaram as conexões entre diferentes continentes, mantendo a
Europa como o epicentro econômico do mundo.
Durante essa fase mercantilista, as potências europeias buscavam
acumular riquezas através do comércio internacional, especialmente
de especiarias, seda, ouro e outros produtos de alto valor. As nações
europeias estabeleceram rotas comerciais, colônias e feitorias em
diversas partes do mundo, impulsionando uma intensa atividade
mercantil.
O capitalismo industrial, que teve seu auge do século XIX até meados
de 1945, foi marcado pela transição do foco econômico do comércio
para a produção de mercadorias, impulsionando o desenvolvimento
de atividades industriais. Durante esse período, os negócios, os
lucros, a evolução dos meios de produção, as invenções, as máquinas
e as grandes fábricas surgiram proeminentemente na paisagem do
capitalismo.
A Revolução Industrial, que teve início na segunda metade do século
XVIII, foi um dos catalisadores fundamentais dessa transformação. A
introdução de máquinas movidas a vapor, a mecanização dos
processos produtivos e o aumento da eficiência marcaram um novo
estágio na produção de mercadorias em larga escala. As fábricas
tornaram-se centros de produção, concentrando trabalhadores e
máquinas para atender à crescente demanda porbens.
Com o avanço do capitalismo industrial, ocorreu uma convergência
significativa entre as grandes indústrias e o capital financeiro. O papel
do capital financeiro tornou-se crucial na produção industrial,
destacando-se especialmente o papel proeminente dos bancos. Esses
agentes financeiros eram capazes de fornecer o suporte necessário
para financiar expansões produtivas, fusões e incorporações. Essas
estratégias não apenas impulsionaram o crescimento das empresas,
mas também contribuíram para uma maior monopolização ou
oligopolização em diversos setores da economia. Esse período, a
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partir de 1945, testemunhou a expansão global dos mercados de
capitais.
O conceito de capitalismo informacional refere-se a uma nova fase do
capitalismo que emerge em resposta às mudanças significativas
provocadas pelas novas tecnologias de informação. A partir dos anos
1980, as Tecnologias de Informação (TIs) desempenharam um papel
fundamental na reestruturação do modo de produção capitalista,
provocando simultaneamente transformações nos paradigmas sociais
em nível global.
Em outras palavras, as TIs têm sido agentes catalisadores na
formação de uma nova estrutura social, manifestando-se em uma
diversidade cultural sem precedentes dentro do sistema capitalista e
contribuindo para o surgimento de novas instituições produtivas onde
o conhecimento se torna o ativo principal do capitalismo.
Vamos Exercitar?
Estudante, a partir de agora vamos retomar a problematização
descrita no início da aula e relacionar com o conteúdo estudado.
O primeiro questionamento nos levou a refletir como as condições
sociais, econômicas e geográficas influenciaram a transição do
feudalismo para o capitalismo na Europa medieval. De acordo com o
conteúdo estudado, a transição do feudalismo para o capitalismo não
foi universal e ocorreu de maneira desigual em diferentes regiões.
Essa diversidade na velocidade e na natureza da transição foi
moldada por uma interseção de fatores, incluindo a estrutura
econômica preexistente e as características geográficas específicas
de cada local.
Uma das influências mais destacadas foi a estrutura social e
econômica preexistente em cada região. Locais urbanizados e
comercialmente desenvolvidos, como Veneza e Gênova na Itália,
mostraram maior propensão para uma transição rápida devido à
economia orientada para o comércio. Essas regiões já possuíam uma
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base econômica mais propícia à adoção de práticas capitalistas,
diferenciando-se de áreas mais rurais e isoladas. As condições
geográficas também desempenharam um papel significativo. Regiões
costeiras e aquelas com fácil acesso às rotas comerciais
experimentaram uma transição mais acelerada, impulsionada pela
intensificação do comércio. Em contraste, áreas remotas enfrentaram
desafios adicionais na incorporação de práticas capitalistas, devido às
limitações de acesso e comunicação.
O segundo questionamento nos trouxe a seguinte questão: Como as
diferentes fases do capitalismo, desde o comercial até o
informacional, moldaram as estruturas econômicas e sociais ao longo
do tempo? Bom, a partir da leitura do material, compreendemos que
no capitalismo comercial, destacado nas Grandes Navegações, o
sistema concentrou-se na acumulação de riquezas por meio do
comércio internacional, estabelecendo relações mercantis globais que
perduram até hoje.
A fase industrial, marcada pela Revolução Industrial, testemunhou a
transformação do foco econômico do comércio para a produção em
larga escala, resultando na formação de fábricas e na convergência
entre o capital industrial e financeiro.
O capitalismo financeiro, a partir de 1945, consolidou a
interdependência entre esses capitais, promovendo uma maior
monopolização em diversos setores. Por fim, a fase informacional,
desde os anos 1980, é caracterizada pelo papel fundamental das
Tecnologias de Informação (TIs), impulsionando a produção e gerando
uma diversidade cultural sem precedentes.
Em síntese, a natureza evolutiva do capitalismo revela uma trajetória
complexa que transcende mudanças econômicas, influenciando
significativamente as estruturas sociais ao longo das diferentes fases.
Compreender essa evolução nos capacita para uma análise crítica do
presente, destacando como as dinâmicas do capitalismo continuam a
impactar profundamente o mundo em que vivemos.
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Saiba Mais
Vamos conhecer um pouco mais sobre o que aprendemos? É
importante que você tenha outras fontes de pesquisa para ser capaz
de pensar de forma crítica o conteúdo abordado nesta aula.
Leia o capítulo Capitalismo do livro: Economia política. Nesse
capítulo, você vai entender como foi a transição do feudalismo para o
capitalismo e qual é o conceito predominante de capitalismo. Além
disso, vai ver quais são as suas principais características como um
sistema econômico e social.
SILVA, F. P. M.; BIRNKOTT, A. D.; LOPES, J. G. D. Economia
política. Porto Alegre: Grupo A, 2018. E-book. ISBN 9788595024083.
Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595024083/.
Acesso em: 15 jan. 2024.
Leia o capítulo A evolução do processo capitalista do livro: Economia
política. Nesse capítulo, você conhecerá as origens do modo de
produção capitalista, identificará os seus impactos concretos nas
relações sociais, analisará os seus ciclos de crises e contradições e
observará como esse processo vem evoluindo ao longo da história.
SILVA, F. P. M; DALCIN, A. K.; STEFANI, R. Economia política. Porto
Alegre: Grupo A, 2019. E-book.
Referências Bibliográficas
BRESSER-PEREIRA, L. C. As duas fases da história e as fases do
capitalismo. São Paulo: FGV-EESP, 2011. (Texto para Discussão,
278).
SANDRONI, P. Dicionário de economia do século XXI. 2. ed. Rio de
Janeiro: Record, 2005.
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https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595028968/
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595028968/
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595028968/
SILVA, F. P. M.; BIRNKOTT, A. D.; LOPES, J. G. D. Economia
política. Porto Alegre: Grupo A, 2018.
SILVA, F. P. M.; DALCIN, A. K.; STEFANI, R. Economia política.
Porto Alegre: Grupo A, 2019. 
Aula 4
EVOLUÇÃO DO
PENSAMENTO ECONÔMICO
Evolução do pensamento
econômico
Olá, estudante!
Nesta videoaula você irá conhecer brevemente a evolução do
pensamento econômico.
Esse conteúdo é importante para a sua prática profissional, pois
proporciona uma base para compreender as diferentes teorias e
abordagens que moldaram o campo da economia ao longo do tempo.
Prepare-se para essa jornada de conhecimento! Vamos lá!
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Ponto de Partida
Olá, estudante!
Nesta aula vamos estudar a evolução do pensamento econômica. A
compreensão das teorias econômicas ao longo do tempo é essencial
para analisar as raízes e o desenvolvimento das abordagens que
moldaram a economia como ciência. 
Nos últimos séculos, diversos estudiosos dedicaram-se a explorar e
aprimorar conceitos econômicos, contribuindo para a construção de
um corpo teórico robusto. Porém, divergências e debates persistem
no âmbito acadêmico.
Por exemplo, em algum momento você já deve ter se deparado com o
debate sobre o papel do estado na economia, com a seguinte
indagação: É preferível uma economia com maior ou menor
intervenção doEstado?
Já quanto ao sistema capitalista de produção, predominante no
mundo, provavelmente você já se deparou com análises e
questionamentos sobre se de fato é o modelo mais justo em termos
de alocação e distribuição de recursos.
Esses questionamentos permeiam o arcabouço teórico econômico e,
nesta aula, vamos estudar as principais escolas econômicas que
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contribuíram para moldar tais debates e reflexões. Vamos explorar as
ideias fundamentais de correntes como a escola clássica, o marxismo,
o keynesianismo e outras, que desempenharam papéis significativos
na evolução do pensamento econômico.
Vamos juntos para esse estudo?! Boa aula!
Vamos Começar!
Antes mesmo do iluminismo do século XVIII, diversos pensadores
dedicaram-se a estudar sobre a natureza do processo econômico. Já
na Idade Média, era possível identificar debates e estudos
econômicos que sinalizavam para a complexidade dessa ciência. No
entanto, somente no século XVIII o pensamento econômico começou
a formalizar-se, marcando um ponto de virada significativo.
Foi nesse período que emergiu a influente Escola Clássica,
caracterizada pela introdução de teorias pioneiras que buscavam
compreender o processo econômico de maneira abrangente. Essas
primeiras formulações proporcionaram as bases para o
desenvolvimento posterior do pensamento econômico, oferecendo
uma estrutura conceitual que permitiu explorar as dinâmicas do
mercado, a alocação de recursos e a relação entre oferta e demanda.
A partir de agora você vai conhecer a história do pensamento
econômico, da sua origem no século XVIII aos principais avanços da
teoria econômica no século XX.
Segundo Silva, Birnkott e Lopes (2018), antes do século XVIII, o
debate econômico medieval concentrava-se em questões éticas, tais
como: O que constitui o preço justo? É o empréstimo moralmente
defensável? Porém, nenhum esforço era desprendido para
compreender o funcionamento do ambiente econômico.
Entre os séculos XVI e XVIII, os chamados mercantilistas exerceram
influência sobre o entendimento da dinâmica econômica na Europa,
até então continente que predominava nas explorações comerciais
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marítimas e comércio entre nações. Os registros históricos confirmam
que o mercantilismo era, na essência, um conjunto de doutrinas
econômicas caracterizado por tradições comerciais fragmentadas e
uma visão protecionista da sociedade e de Estado Absolutista,
conforme indicado por Sandroni (2005). Para os mercantilistas, o
poder econômico e a acumulação de riqueza, principalmente na forma
de ouro e prata, era a chave para a prosperidade nacional.
No entanto, os fisiocratas, surgidos no século XVIII, deslocaram o
foco para a natureza, especialmente para o setor agrícola, como a
principal fonte de riqueza das nações. Essa mudança paradigmática
conduziu a um embate ideológico, com os fisiocratas contestando
ativamente as concepções dos mercantilistas. Assim, é a fisiocracia
que se destaca como pioneira na tentativa de compreender e explicar
a totalidade da economia como um sistema interconectado (Silva;
Birnkott; Lopes, 2018).
Um dos destaques da escola fisiocrata, François Quesnay, elaborou o
chamado “Quadro Econômico”, no qual foi o primeiro diagrama formal
capaz de explicar, por meio de linhas cruzadas e conexões, o fluxo de
dinheiro e bens entre três grupos sociais distintos: proprietários de
terras, agricultores e artesãos (Silva; Birnkott; Lopes, 2018). Apesar
dos avanços científicos da escola fisiocrata, é a chamada escola
clássica que vai desenvolver a economia em um caráter científico
integral.
A Escola Clássica, cujas raízes remontam ao século XVIII, teve seu
marco inicial com a publicação, em 1776, do influente livro A riqueza
das nações, por Adam Smith, um filósofo escocês. No entanto, foi no
século XIX que a Escola Clássica se consolidou como uma
proeminente linha de pensamento econômico, à medida que novos
pensadores surgiram, ampliando as análises teóricas iniciadas por
Smith (Silva; Birnkott; Lopes, 2018). Entre esses destacados
pensadores do século XIX estão Jeremy Bentham, David Ricardo,
Thomas Malthus, James Mill, Jean-Baptiste Say e John Stuart Mill.
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Cabe destacar que os pensadores da Escola Clássica geralmente
estavam associados à filosofia social, moral ou política. Um exemplo
disso é Adam Smith, que lecionava na Faculdade de Filosofia da
Universidade de Glasgow, na Escócia (Rasmussen, 2006 apud Silva;
Birnkott; Lopes, 2018). Além disso, muitos dos predecessores da
Escola Clássica desempenhavam papéis como historiadores, políticos
e funcionários públicos, incluindo figuras como Bernard de Mandeville,
Richard Cantillon, Jacques Turgot e David Hume. Essa é a razão pela
qual a Escola Clássica fundamentou-se em diversos princípios
filosóficos, especialmente do liberalismo e do individualismo (Silva;
Birnkott; Lopes, 2018).
Principal expoente da escola clássica, Adam Smith preocupou-se em
investigar a natureza e as causas da riqueza das nações. Nesse
contexto, as riquezas eram representadas pelos bens que possuíam
valor de troca. Ele fazia uma distinção entre o valor de uso e o valor
de troca das mercadorias, sendo que este último era determinado pela
quantidade de trabalho necessária para produzi-las. Assim, a Escola
Clássica enfatizava a importância da produção, relegando o consumo
e a demanda a uma posição secundária (Silva; Birnkott; Lopes, 2018).
De acordo com Sandroni (2005), a Escola Clássica propõe que o valor
econômico de uma mercadoria é determinado pela quantidade de
trabalho necessária para produzi-la. Essa teoria sugere que todas as
atividades econômicas contribuem para a criação de valor, uma vez
que envolvem o emprego de esforço humano. Essa é a chamada
teoria do valor-trabalho.
Já outro autor da Escola Clássica, David Ricardo, também enfatizou o
trabalho como um determinante do valor de troca. Também,
desenvolveu a ideia de vantagem comparativa e evidenciou que o
comércio internacional representa uma condição de benefício mútuo
para as nações participantes.
Outro conhecido pensador da Escola Clássica foi Thomas Malthus,
que ficou conhecido pela sua teoria populacional. Segundo Malthus, a
população humana cresceria em uma taxa geométrica, enquanto a
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produção de alimentos aumentaria apenas em uma progressão
aritmética. Essa disparidade inevitavelmente levaria a crises de
escassez de alimentos, a menos que medidas como controle da
natalidade ou limites naturais à população fossem implementados.
Por outro lado, Jean-Baptiste Say é lembrado por sua Lei dos
Mercados, uma proposição fundamental na teoria econômica clássica.
Say afirmou que a oferta cria sua própria demanda, argumentando
que a produção de bens e serviços gera automaticamente a renda
necessária para comprar esses bens. Ele acreditava que as
recessões eram temporárias e que a economia eventualmente se
ajustaria automaticamente, uma visão que desafiava as ideias de
demanda insuficiente como causa fundamental de crises econômicas.
Segundo Silva et al. (2018), durante o século XIX, o pensamento
econômico se desenvolveu e estabeleceu-se como uma disciplina
científica em meio às mudanças econômicas, sociais e tecnológicas
impulsionadas pela Revolução Industrial. Esse período testemunhou
um dos eventos mais significativos da história humana: a
disseminação do modo de produção capitalista.
Nessa conjuntura, a análise econômica tornou-se mais complexa,
resultandono surgimento de diversas escolas do pensamento
econômico. A partir desse contexto, pelo menos três escolas
ganharam destaque: a Escola Marxista, a Escola Neoclássica (ou
marginalista) e a Escola Austríaca (Rasmussen, 2006 apud Silva;
Birnkott; Lopes, 2018).
Siga em Frente...
A Escola Marxista, cujos fundadores foram Karl Marx e Friedrich
Engels, pode ser resumida como um conjunto de teorias que abrange
aspectos econômicos, como a teoria da mais-valia; filosóficos, como o
materialismo dialético; sociológicos, como o materialismo histórico; e
políticos. Segundo Sandroni (2005), essa escola de pensamento foi
desenvolvida a partir da filosofia de Hegel, do materialismo filosófico
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francês do século XVIII e da economia política inglesa do início do
século XIX, sendo que parte da análise econômica marxista está no
livro O Capital, de 1867. De acordo com a Escola Marxista, a eventual
queda do sistema capitalista resultaria de suas próprias contradições
internas. No entanto, a transição de regime somente ocorreria por
meio da luta de classes, da iniciativa revolucionária da classe
trabalhadora e da adoção de um modelo socialista (Silva; Birnkott;
Lopes, 2018).
De acordo com Silva et al. (2018), a Escola Neoclássica, ou
marginalista, predominou entre 1870 e a Primeira Guerra Mundial. A
Escola Neoclássica reuniu várias gerações de representantes, como
William Jevons, León Walras, Alfred Marshall, Vilfredo Pareto, John
Bates Clark, Irving Fisher e Jules Dupuit (Silva et al. 2018). A principal
característica da abordagem neoclássica é a ênfase no papel do
indivíduo e na teoria do valor utilitário, ou seja, a análise da Escola
Neoclássica caracteriza-se por ser microeconômica. Diferentemente
dos clássicos, os neoclássicos argumentam que o valor de um bem
não é determinado apenas pelo custo de produção, mas também pela
utilidade que ele proporciona aos consumidores.
A teoria do equilíbrio de mercado é fundamental para os neoclássicos,
sugerindo que, em condições ideais de concorrência, oferta e
demanda se equilibram, estabelecendo preços eficientes e
quantidades de produção. O conceito de utilidade marginal elaborado
pelos neoclássicos sugere que o valor de um bem ou serviço é
determinado pela última unidade consumida, ou seja, pela utilidade
adicional que ela proporciona.
A Escola Austríaca de Economia é uma corrente de pensamento
econômico que se originou na Áustria no final do século XIX e se
desenvolveu notavelmente com pensadores como Carl Menger,
Ludwig von Mises e Friedrich Hayek (Sandroni, 2005). Diferentemente
de outras escolas, os austríacos destacam o papel central da ação
individual e do empreendedorismo na formação da economia. Eles
enfatizam a teoria subjetiva do valor, argumentando que o valor de um
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bem é subjetivo e depende das preferências individuais. Além disso, a
Escola Austríaca é conhecida por suas críticas à intervenção estatal
na economia, defendendo a importância dos mercados livres, a crítica
ao socialismo e a ênfase na teoria do ciclo econômico, que analisa
como as interferências monetárias podem gerar resultados
econômicos.
Já no século XX, novas linhas do pensamento econômico nasceram a
partir de visões antagônicas da realidade, com destaque para o
Keynesianismo, o Neoliberalismo e a Escola Schumpeteriana.
A Escola Keynesiana, derivada das ideias do economista britânico
John Maynard Keynes, ganhou destaque no século XX como uma
resposta às falhas percebidas do liberalismo clássico durante a
Grande Depressão de 1929 (Silva; Birnkott; Lopes, 2018). Keynes
argumentou que os mercados nem sempre se ajustam
automaticamente e eficientemente, particularmente em tempos de
recessão. Sua teoria defende a intervenção governamental para
corrigir as deficiências do mercado, principalmente através de
políticas fiscais e monetárias.
A abordagem keynesiana destaca a importância do consumo e da
demanda agregada na determinação do nível de atividade econômica.
Keynes propôs que, em situações de desemprego e subutilização de
recursos, o governo poderia estimular a demanda por meio de gastos
públicos e políticas monetárias expansionistas. A ênfase nas políticas
de demanda e na atuação do Estado para promover o pleno emprego
tornou-se característica distintiva da Escola Keynesiana, influenciando
a teoria e a prática econômica no período pós-Segunda Guerra
Mundial e moldando políticas econômicas em diversas partes do
mundo.
O neoliberalismo é uma abordagem econômica e política que
ganhou destaque nas últimas décadas do século XX. Originando-se
como uma resposta à crise econômica dos anos 1970, o
neoliberalismo é caracterizado pela defesa do livre mercado, redução
da intervenção estatal na economia e ênfase na maximização da
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eficiência por meio da competição. Proponentes como Milton
Friedman e Friedrich Hayek argumentam que mercados desregulados
são mais eficientes na alocação de recursos, estimulando o
crescimento econômico.
O neoliberalismo incentiva a privatização de setores anteriormente
controlados pelo Estado, a flexibilização das leis trabalhistas e a
redução de barreiras comerciais. A ideia central é que a liberdade
econômica individual e a competição levarão a um aumento geral do
bem-estar, embora críticos apontem para desigualdades resultantes e
possíveis impactos negativos nas políticas sociais. O neoliberalismo
influenciou significativamente as políticas econômicas em muitos
países ao longo das últimas décadas do século XX, moldando
debates sobre a eficácia da intervenção governamental e o equilíbrio
entre mercado e Estado.
Por fim, a Escola Schumpeteriana, fundamentada nas ideias do
economista austríaco Joseph Schumpeter, destaca-se por sua ênfase
na inovação e no papel central do empreendedorismo no processo
econômico. Schumpeter introduziu o conceito de "destruição criativa",
argumentando que as inovações tecnológicas e as atividades
empreendedoras são motores fundamentais do desenvolvimento
econômico. Nessa perspectiva, as empresas inovadoras possuem
papel essencial na criação de novos produtos, serviços e modelos de
negócios, provocando a obsolescência de formas mais antigas de
produção.
Ao finalizar esse conteúdo sobre as origens, a evolução e os
desdobramentos do pensamento econômico nos séculos XVIII, XIX e
XX, percebe-se uma trajetória rica em mudanças e influências que
moldaram as bases da compreensão econômica. Desde os primórdios
do século XVIII, observa-se uma progressão contínua de teorias e
correntes que buscaram decifrar os mecanismos econômicos. O
século XIX testemunhou a consolidação de ideias fundamentais,
enquanto o século XX introduziu novos paradigmas e desafios,
refletindo a dinâmica de evolução do pensamento econômico.
29/07/24, 14:12 FUNDAMENTOS DA ECONOMIA POLÍTICA CLÁSSICA
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Vamos Exercitar?
A partir de agora vamos retomar a problematização apresentada no
início da aula.
A Escola Clássica, representada por economistas como Adam Smith e
David Ricardo, defende a ideia de que o Estado deve ter uma
intervenção mínima na economia. Eles acreditavam que a economia é
autorregulada pelo mercado, pelo mecanismo da oferta e demanda. O
Estado deveria limitar-se a garantir a propriedade privada e a
segurança. Por outro lado, a Escola Keynesiana, liderada por John
Maynard Keynes, defende uma intervenção mais ativa do Estado na
economia. Keynes argumentou que em tempos de recessão, o Estado
deve intervir através de políticas fiscais e monetárias para estimular

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