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PRÁTICAS CONTÁBEIS AULA 5 Prof. Eduardo Ghosn 2 CONVERSA INICIAL A informatização dos processos empresariais nos últimos anos tornou-se algo imprescindível para as organizações. Os sistemas de informação abrangem todas as áreas da empresa – como produção, vendas, finanças e recursos humanos – de modo a interligar as informações. Dessa forma, poderemos, por exemplo, identificar a quantidade de mercadorias a serem compradas pela empresa, pois um sistema informatizado fará o controle de estoque, e por outro lado, a empresa saberá qual o valor disponível em caixa para pagamento dessas mercadorias. Falaremos um pouco sobre o sistema de informação gerencial (SIG), que auxilia a contabilidade gerencial a gerar as informações que serão a base para o processo decisório. A contabilidade é quase toda pautada em informações as quais podem ser analisadas gerencialmente. Por fim, trataremos do sistema ERP, passando definições sobre o que é, suas características e citando os principais sistemas comercializados no Brasil e no mundo. TOP – CONTABILIDADE E SEUS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO Com o extraordinário desenvolvimento dos negócios nas últimas décadas, a informática se tornou componente obrigatório na maioria das organizações e raras são as que prescindem de sistemas de informações contábeis. A rigor, existem sistemas integrados que tratam, além da contabilidade, de outras questões de interesse da organização, tais como produção, vendas, finanças e recursos humanos, de modo a interligar as informações por toda a empresa. Esses sistemas integrados de informações são conhecidos como Entrerprise Resources Planning (ERP). A utilização desse tipo de abordagem permite aos departamentos alimentar o sistema com dados (inclusive de ordem contábil) que lhe digam respeito. Como consequência, muitos profissionais não ligados à contabilidade e que executam tais registros em suas atividades não têm ideia dos impactos de seus registros na contabilidade da empresa. Mas como são tratadas as informações? As informações seguem seu fluxo no sistema, e no módulo específico de contabilidade são separadas aquelas de interesse da área. Estas são posteriormente tratadas pelo pessoal 3 da área contábil na montagem das demonstrações contábeis em plataformas definidas pelo sistema de informações (Saporito, 2017, p. 254). Uma pergunta: o sistema integrado de informações deve ser desenvolvido pela empresa, já que deve atender às especialidades da entidade? Um sistema de informações pode ser construído internamente, na própria empresa, ou ser adquirido em mercado especializado de software para a área empresarial. O fundamental é que o sistema satisfaça as reais necessidades da empresa. Por isso, mesmo quando se adquire um sistema já pronto ou se adota algum que já funcione em outra empresa, é indispensável efetuar adaptações sempre que for necessário (Saporito, 2017, p. 254). 1.1 Planificação das contas Você sabe como deveremos registrar as informações contábeis? Para que as informações contábeis sejam registradas no sistema, é imprescindível que exista um plano de contas no qual estejam previstas todas as contas possíveis de serem utilizadas na atividade da organização para a qual se deseja ter acompanhamento contábil. Contudo, dependendo da atividade empresarial, podem existir sensíveis alterações quanto às suas efetivas necessidades. Em outros termos, o plano de contas de uma empresa comercial é completamente diferente daquele de uma instituição financeira. Uma empresa industrial terá necessidade de ter contas distintas das utilizadas na atividade comercial ou financeira. É fundamental termos em vista que mesmo empresas de um mesmo setor de atividade apresentam atividades diferentes. É preciso, portanto, adaptar o plano de contas às efetivas demandas de cada empresa. Para que serve, então, a planificação das contas? Serve como uma atividade contábil de planejamento que antecede a sua execução. Cabe a essa atividade a definição das contas a serem utilizadas na contabilidade, bem como, ao longo do tempo, executar a revisão do plano sempre que existirem novas necessidades (Saporito, 2017, p. 254). 4 ROLÊ 1 – SISTEMA DE INFORMAÇÃO GERENCIAL (SIG) Mas qual a finalidade do sistema de informação gerencial (SIG)? Auxiliar a contabilidade gerencial a gerar as informações que serão a base para o processo decisório. Muitos dos temas abrangidos pela contabilidade gerencial advêm de outras ciências e aplicações. Por isso, a implantação de um SIG é de suma importância para todo o processo de controle e planejamento organizacional, pois a ciência da contabilidade é quase toda pautada em informações, as quais podem ser analisadas gerencialmente. Mas, afinal, o que é um sistema? Para Kroenke (2012, p. 15), sistema pode ser definido como “um grupo de itens que interagem entre si ou que sejam interdependentes, formando um todo unificado, com objetivos comuns”. Veja que um sistema independe da informática, sendo que a informática é apenas uma ferramenta que pode dar velocidade e agilidade para sistemas estruturados, ou seja, que possuem padrão de ação. Nessa lógica de sistemas, temos dados e informações. É importante apontarmos algumas diferenças entre esses dois elementos. No quadro a seguir compilamos algumas dessas distinções (Bazzi, 2015, p. 41). Quadro 1 – Diferenças entre dados e informações Fonte: Bazzi, 2015, p. 41. É importante salientarmos, de acordo com Frezatti et al. (2009), que, para ser utilizada, a informação deve apresentar determinadas características, como abrangência, relevância, confiabilidade, comparabilidade, materialidade, tempestividade e compreensibilidade. A abrangência significa que a informação deve abranger determinada categoria de acontecimentos de mesma natureza ou 5 origem. A relevância pressupõe certo tipo de retroalimentação da informação. A confiabilidade da informação refere-se à demonstração da realidade de uma forma adequada. A comparabilidade deve permitir aos usuários o conhecimento da evolução da informação com o passar do tempo. A materialidade confere substância para a informação gerencial. A tempestividade diz respeito à informação que ocorre no momento certo e oportuno. Por fim, a compreensibilidade determina que o destinatário da informação deve entendê-la facilmente (Bazzi, 2015, p. 43). ROLÊ 2 – CLASSIFICAÇÃO DOS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO Os sistemas de informação são classificados como sistemas de informação de apoio à gestão. Vamos verificar a seguir como eles funcionam? Os sistemas de apoio às operações visam auxiliar todos os departamentos da empresa, provendo apoio às funções operacionais, como o controle das compras, dos estoques, da produção, das vendas, do faturamento, dos recebimentos e pagamentos, da qualidade, da manutenção e do planejamento e o controle operacional, entre outras aplicações específicas. Já os sistemas de apoio à gestão se dedicam à geração de informações necessárias para as análises econômicas e financeiras da organização. O SIG faz parte dessa modalidade, pois tem como base conceitual o apoio aos processos de gestores da empresa, gerando informações para que estes possam tomar as melhores decisões. Figura 1 – Metas de um SIG Agora que estamos entendendo melhor essas metas, podemos perceber que o planejamento do SIG deve ser voltado para o futuro; os eventos do ambiente externo da empresa precisam ser monitorados; os resultados operacionais e gerenciais da empresa têm de ser medidos e registrados adequadamente; as Metas de um SIG Planejar Avaliar Motivar Monitorar Medir Registrar 6 partes interessadas necessitam sempre ser motivadas; os funcionários devem ter seu desempenho avaliado constantemente (Bazzi, 2015, p. 46). Contudo, essa análisenão é completa. Crepaldi (2012) apresenta outros objetivos de um SIG que podem ser incorporados aos que já vimos até esse ponto: apresentar os elementos do sistema de informação contábil e integrá-los aos objetivos empresariais; estruturar a informação gerada por meio dos seus vários sistemas existentes em um único sistema de gestão empresarial; propiciar, se for a vontade dos tomadores de decisão da empresa, a estruturação de uma área de controladoria; extrair o máximo de informações contábeis e gerenciais possíveis, por meio de lançamentos multidimensionais, tirando o máximo de proveito das informações de qualquer sistema já implantado; identificar os componentes dos sistemas e subsistemas da empresa, destacando suas funcionalidades e operacionalidades; integrar todos os sistemas operacionais da empresa, evitando a geração de dados redundantes para o processamento das informações disponíveis. O SIG atende sozinho às necessidades da empresa? Como já vimos, não consegue, sozinho, atender a todas as necessidades informacionais de uma empresa, razão pela qual a organização deve implementar sistemas de apoio às operações ou à gestão. Os principais sistemas, ou subsistemas, que devem servir de base ao SIG são: contabilidade financeira; contabilidade em outras moedas; custos e orçamentos; contabilidade por unidades de negócios; gestão tributária; gestão de tesouraria; análise financeira das demonstrações contábeis; acompanhamento do negócio (controladoria estratégica). 7 TRILHA 1 – CONTABILIDADE GERENCIAL E PROCESSO DECISÓRIO Você sabe como a contabilidade atua em empresas modernas? Nas empresas chamadas modernas, a demanda informacional, principalmente aquela gerada por meio do SIG, é cada vez maior para o processo decisório. Aquilo que antes era considerado um privilégio de poucas empresas industriais de grande porte, agora é condição obrigatória para qualquer tipo de organização em que trabalham, principalmente as que são geradas dentro da contabilidade gerencial, sejam informações econômicas ou financeiras. Para que servem essas informações? Como balizamento para algumas ações do negócio, por exemplo: orientação para o desenvolvimento de rotinas administrativas e operacionais; implantação ou modernização dos controles internos; busca da eficiência e eficácia do processo produtivo; melhor relacionamento com os clientes internos e externos; nova visão de suprimento de serviços e materiais necessários; satisfação dos clientes e fornecedores; determinação dos rumos da organização e dos caminhos para atingimento das metas propostas no planejamento estratégico. Ao longo do processo de tomada de decisão, as informações são disponibilizadas para os tomadores de decisão na forma de relatórios gerenciais, que utilizam outros recursos além das demonstrações contábeis tradicionais. Esses relatórios devem sugerir e reportar, na forma de comentários, quando possível, novas ações com base nas informações geradas. Diferentemente dos relatórios tradicionais, os gerenciais podem ser distribuídos por meios mais eficientes, como e-mail, intranet, gráficos, tabelas etc. (Bazzi, 2015, p. 48). Para que a contabilidade gerencial possa desempenhar adequadamente seu papel dentro da empresa por meio da melhor utilização do SIG e de seus relatórios, é preciso que haja uma perfeita harmonização entre todos os sistemas e subsistemas da organização, principalmente os que processam os dados contábeis, de custos e orçamento, integrando os aspectos conceituais e operacionais da informação (Bazzi, 2015, p. 49). 8 TRILHA 2 – SISTEMA INTEGRADO DE GESTÃO (ERP) A partir desse ponto, passaremos a concentrar nosso foco na análise dos sistemas ERP. Quando o conceito de ERP foi desenvolvido, apresentava certas características que, com o passar do tempo, foram readequando-se ao mercado. Como o ERP pode ser definido? Podemos definir didaticamente ERP como um sistema de informação adquirido na forma de pacotes comerciais de software que permitem a integração entre dados dos sistemas de informação transacionais e dos processos de negócios de uma organização. Com base nessa definição, já podemos esclarecer alguns pontos importantes para a compreensão correta do termo ERP (Caiçara Junior, 2015, p. 96). Como um ERP é um pacote comercial de software, por definição, só pode ser considerado um ERP um software adquirido pronto no mercado de fornecedores especializados. É bem verdade que muitas empresas desenvolvem soluções caseiras, implementadas por uma equipe de desenvolvimento interno, que procuram cumprir os objetivos de um ERP. No entanto, esses produtos são extremamente customizados e direcionados para os processos de uma empresa em um dado momento, não atentando, assim, para as melhores práticas de mercado, também conhecidas como best practices e consideradas um dos pontos mais fundamentais para o sucesso do ERP (Caiçara Junior, 2015, p. 97). Em virtude de o ERP ser um pacote de software que se adquire pronto, a empresa que implanta um sistema desse tipo tem que se adaptar às funcionalidades do produto e adequar seus processos de negócios à modelagem imposta pelo novo sistema. É verdade também que customizações podem ser realizadas de acordo com as necessidades da empresa, mas algumas regras de negócios devem ser mantidas com vistas a fidelizar a proposta inicial de um sistema ERP. Além disso, ele pode ser diferenciado de sistemas desenvolvidos internamente, com a finalidade de substituí-los se apresentarem algumas de suas principais características, que são descritas por Caiçara Junior (2015, p. 97) como: é um pacote comercial de software; é construído com base nas melhores práticas de mercado (best practices); utiliza banco de dados único e corporativo; é composto por módulos; não é desenvolvido para um cliente específico. 9 O primeiro fornecedor de produtos ERP foi a empresa alemã SAP. Tal pioneirismo, aliado ao fato de que o ERP da SAP se tornou referência no mercado, provoca nas empresas, e até em seus próprios usuários, a sensação de que o produto tem outra denominação. Aliás, diversos são os produtos fornecidos pela SAP, entre os quais destacamos o R/3, sistema ERP baseado na arquitetura cliente-servidor (Caiçara Junior, 2015, p. 109). 5.1 Fornecedores de produtos ERP Um estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) indica que o segmento de sistemas integrados de gestão se divide em três: grande porte (31%), médio porte (41%) e pequeno porte (28%). Os dois primeiros são denominados por grandes grupos internacionais como SAP e Oracle (Caiçara Junior, 2015, p. 109). O mercado de fornecedores de ERP é bastante amplo e dinâmico, tanto no Brasil quanto em outros países, e passa por um momento intenso de aquisições e fusões. A busca por uma fatia maior de mercado nacional resultou no domínio de três grupos – Totvs, SAP e Oracle – conforme podemos observar na Tabela 1 a seguir. Tabela 1 – Domínio dos grupos Totvs, SAP e Oracle Fonte: Soares, 2014. Já no Quadro 2, a seguir, são apresentados alguns dos principais fornecedores mundiais de ERP, bem como seus principais produtos. Empresa % mercado Brasil Totvs 37% SAP 30% Oracle 16% Outras (SeniorStarsoft, Infor, QAD etc 17% Fonte: Soares, 2014 10 Quadro 2 – Alguns dos principais fornecedores mundiais de ERP e principais produtos Fonte: Caiçara Junior, 2015, p. 110. Em nível internacional, os dois principais fornecedores de sistemas ERP são SAP e a Oracle. Seus produtos estão disponíveis no mercado e apresentam extrema qualidade e confiabilidade. São utilizados por empresas como Siemens, Texaco, Abril S/A e Coca Cola. Há algum tempo, por apresentarem alto custo de implantação, apenas empresas com elevado faturamento têm condiçõesde adquiri-los. Hoje existem ofertas de soluções para pequenas e médias empresas. Em nível nacional, o mercado vem sendo dominado pelo grupo Totvs. A empresa é líder na comercialização de sistemas integrados de gestão na América Latina. A estratégia da Totvs é adquirir empresas nacionais de destaque. Entre as principais aquisições, destacam-se a Microsiga, a RM Sistemas e a Logix. Em 2008, a Totvs se fundiu com a Datasul (Caiçara Junior, 2015, p. 111). Destacamos, ainda, a empresa Sênior, fornecedora catarinense de ERP, da cidade de Blumenau, em Santa Catarina, que iniciou suas atividades focadas no desenvolvimento de produtos para a área de recursos humanos e atualmente fornece um produto de ERP denominado sapiens. Por fim, destacamos a empresa Acom Sistemas, situada na cidade de Curitiba, no estado do Paraná, que disponibiliza para o mercado de produto de ERP o chamado Everest – Gestão Empresarial, que surge como uma solução flexível e orientada principalmente para empresas de pequeno porte (Caiçara Junior, 2015, p. 111). Empresa Produtos País SAP R/3 (Grande porte) Business One (Médio e pequeno porte) Alemanha Oracle Oracle E-Business Suite Estados Unidos Microsoft Dynamics AX 2012 Estados Unidos Microsiga (Totvs) Protheus 11 Brasil Datasul (Totvs) Datasul EMS Brasil RM Sistemas (Totvs) CORPORE RM Brasil Sênior Sapiens Brasil Acom Sistema Everest Brasil 11 ELO Observe que esta aula tratou de temas importantes para a compreensão dos sistemas de gerenciamento empresariais. Vimos que os sistemas integrados vão além da contabilidade, pois cuidam das questões de interesse de toda organização, como produção, vendas, finanças e recursos humanos, de modo a interligar as informações por toda a empresa. Em nossa breve abordagem sobre sistemas, indicamos que a forma estruturada para realização de algo corresponde a um sistema. É indicado que você procure conhecer um pouco mais sobre a abordagem sistêmica, pois ela está presente em diversas áreas do conhecimento, sobretudo nas áreas de gestão. Ainda, falamos que os sistemas de informação são ferramentas de suma importância para o apoio à gestão e tomada de decisão. Por fim, ao citar os principais sistemas e fornecedores de ERP do Brasil e do mundo, o propósito é simplesmente o de demonstrar que há uma variedade de possibilidades para essa área, e que o usuário de informações deve estar ambientando não com um software específico, mas sim com a compreensão de como essas ferramentas são elaboradas, e como podem possibilitar melhores resultados. 12 REFERÊNCIAS BAZZI, S. Contabilidade gerencial: conceitos básicos. Curitiba: InterSaberes, 2015. (Série Gestão financeira). CAIÇARA JUNIOR, C. Sistemas integrados de gestão – ERP: uma abordagem gerencial. 2. ed. Curitiba: InterSaberes, 2015. CREPALDI, S. A. Contabilidade gerencial: teoria e prática. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2012. FREZATTI, F. et al. Controle gerencial: uma abordagem da contabilidade gerencial no contexto econômico, comportamental e sociológico. São Paulo: Atlas, 2009. KROENKE, D. M. Sistemas de informação gerenciais. São Paulo: Saraiva, 2012. SAPORITO, A. Contabilidade geral: fundamentos e prática do raciocínio contábil. Curitiba: InterSaberes, 2017. (Série Gestão financeira). SOARES, E. Totvs mantem-se na liderança do mercado brasileiro de ERP, diz FGV. Computerworld, 24 abr. 2014. Disponível em: . Acesso em: 6 mai. 2020.