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Teorias da Administração Rural Prof. Thiago Braga Descrição Conceitos relacionados às teorias da administração rural, destacando os elementos do processo administrativo, funções típicas da Administração, atividade de tomada de decisão e organizações coletivas: cooperativismo, associativismo, sindicatos rurais e economia solidária. Propósito O conhecimento relacionado às teorias da administração rural apresenta grande importância para que o trabalho do administrador rural seja realizado de maneira eficaz, possibilitando o conhecimento dos elementos presentes no processo administrativo e das funções pertinentes à Administração, facilitando assim o processo de tomada de decisão. Além disso, busca demonstrar a importância do conhecimento sobre as principais organizações coletivas de âmbito rural. Objetivos Módulo 1 Elementos do processo administrativo Identificar os conceitos de administração, administração rural e administrador dentro do processo administrativo. Módulo 2 Funções da administração e a atividade de tomada de decisão Descrever os conceitos associados às funções da Administração e à tomada de decisão no âmbito rural. Módulo 3 Cooperativismo, associativismo, sindicatos rurais e economia solidária Compreender os conceitos associados ao cooperativismo, associativismo, sindicatos rurais e economia solidária. Introdução A produção rural brasileira apresenta destacada importância tanto para o mercado interno, com a produção de alimentos, geração de emprego e renda, quanto para o mercado externo, onde nossa balança comercial é positivamente influenciada pelas exportações envolvendo os produtos produzidos nas regiões rurais brasileiras. Essa grande capacidade produtiva, que rende ao Brasil inclusive o apelido de “celeiro do mundo”, só é possível graças à capacidade administrativa existente no âmbito rural, onde a administração rural se apresenta como importante ferramenta para o desenvolvimento e atendimento dos objetivos traçados para a empresa rural. O conhecimento de cada uma das etapas existentes dentro do processo administrativo possibilita ao administrador rural uma maior capacidade de planejamento, organização, direcionamento e acompanhamento dos objetivos traçados para o desenvolvimento e estabelecimento da empresa rural. Com isso, possibilita a montagem de estratégias mais sólidas. O administrador fará uso de suas habilidades administrativas para o desenvolvimento organizacional da empresa, onde, após estabelecidas as relações de comando, as responsabilidades em relação às tarefas a serem executadas serão definidas, possibilitando o controle via prestação de contas de como cada colaborador está desenvolvendo o seu papel. Um setor que também merece destacada importância é aquele relacionado aos grupos de ações coletivas, ou seja, cooperativas, associações, sindicatos rurais e atividades relacionadas à economia solidária. Cada uma dentro das suas características contribui para o desenvolvimento econômico, social, cultural e ambiental das atividades desenvolvidas no campo. Dentro desse contexto, é relevante a percepção da importância das técnicas e dos profissionais envolvidos com a administração rural, para o desenvolvimento, estabelecimento e crescimento das atividades desenvolvidas no campo. 1 - Elementos do processo administrativo Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car os conceitos de administração, administração rural e administrador dentro do processo administrativo. As organizações e a administração Podemos definir Administração como o trabalho realizado utilizando-se recursos de ordem humana, financeira e material, com a finalidade de atingir objetivos organizacionais por meio de planejamento, organização, liderança e controle (MEGGINSON, 1998). Dessa forma, a Administração pode ser aplicada a diversas organizações, sendo uma ferramenta para o bom funcionamento das organizações, com diretrizes, ações estratégicas e instrumentos que possibilitam o controle dos resultados. Quando consideramos a administração rural, o foco passa a ser o melhor gerenciamento das propriedades rurais, com ações voltadas para o desenvolvimento, visando atingir os objetivos traçados pelo produtor rural. A administração no âmbito rural busca a utilização eficiente dos fatores envolvidos no processo produtivo, como a terra, as benfeitorias, o maquinário, a mão de obra, o capital de giro, as compras e as vendas, para melhor utilização dos recursos humanos, sociais e ambientais. Isso contribui para maior estabilidade da renda e minimização dos riscos. Assim, o profissional envolvido no processo de administração rural deve ser capaz de identificar a missão, a visão e os valores da empresa rural, bem como seus objetivos (sobrevivência, lucro, crescimento da empresa, responsabilidade social e ambiental, segurança, dentre outros). Teorias da administração As teorias da administração foram se moldando ao longo do tempo por experiências, estudos e levantamentos dos mais diversos setores, estando adequadas aos problemas corporativos identificados em cada época. Elas visam sempre maximizar a capacidade administrativa das organizações, e receberam influência de diversas áreas de conhecimento, como a engenharia, a psicologia, a biologia, a sociologia e outras. Atenção! As teorias da administração foram sendo construídas ao longo dos anos. A teoria clássica, por exemplo, foi proposta em 1916, enquanto a teoria contingencial data da década de 1970. As principais teorias da administração, suas ênfases e contribuições estão listadas a seguir. Administração Cientí�ca ou Taylorismo (1903) Ênfase nas tarefas, ou seja, a racionalização do trabalho no nível operacional por meio do planejamento, preparo, execução, definição de cargos e tarefas e padronização da ação. Teoria da Burocracia (1909) Ênfase na eficiência e eficácia, ou seja, está fundamentada na racionalidade por meio da autoridade, formalidade, impessoalidade, hierarquia e divisão do trabalho. Teoria Clássica ou Fayolismo (1916) Ênfase na estrutura organizacional, por meio da divisão do trabalho, da autoridade e da responsabilidade, com centralização (unidade de comando e de direção) e estabelecimento de sistema de regras e normas. Escola das Relações Humanas (1932) Ênfase nas pessoas, ou seja, na influência da saúde mental na produtividade, onde a liderança assume papel essencial. Teoria Comportamental ou Behaviorista (1947) Ênfase no comportamento individual e na motivação das pessoas. A partir da década de 1990, surgiram novas abordagens da administração, com ênfase cada vez mais voltada para implantação de novas tecnologias e do conceito de qualidade total. Conforme podemos observar, a construção do conhecimento na área administrativa é extremamente dinâmica, além de multidisciplinar, apresentando como objetivo principal explicar os acontecimentos da realidade social e como estes podem ser administrados da melhor maneira. Quando consideramos a administração voltada para a área rural, esses conhecimentos têm por objetivo conseguir uma ação o mais sinérgica possível entre as variáveis existentes no campo, com melhor aproveitamento de mão de obra e recursos. Ela se molda às leis vigentes, que também têm caráter dinâmico, buscando o melhor aproveitamento econômico da atividade desenvolvida. Dentro desse contexto, o processo administrativo será ferramenta fundamental para que o objetivo do administrador da atividade rural seja atingido, com a utilização de planejamento, organização, liderança e controle. Teoria dos Sistemas (1951) Ênfase na visão global da empresa, objetivando otimizar a produtividade e o bem-estar dentro dela por meio de uma autonomia responsável e da adaptabilidade. Teoria da Contingência (1972) Ênfase na visão relativista e contingencial das empresas, com diferentes modelos organizacionais para diferentes empresas, uma vez que os ambientes interno e externo não são os mesmos entre elas. Processo administrativoPlanejamento O primeiro passo para um bom processo administrativo é o planejamento, cujos objetivos e propósitos devem ser delineados, com a determinação das diretrizes, projetos, programas, procedimentos, métodos, sistemas, orçamentos, padrões e estratégias necessários para alcançá-los. O planejamento fará o desenho do caminho até o objetivo traçado, permitindo uma projeção entre a situação zero, ou seja, a situação em que a empresa rural se encontra no início do processo administrativo, e a situação futura, aquela na qual a empresa deseja chegar. Para isso, deve ser desenvolvido um plano de desenvolvimento institucional (PDI) que considera os fatores que influenciam, externa e internamente, o desempenho da empresa para alcance dos objetivos. O planejamento poderá ser dividido em: Planejamento estratégico Cuja ação será refletir a visão a longo prazo. Planejamento tático Cuja observação será realizada a médio prazo. Planejamento operacional Cujos pontos serão avaliados a curto prazo. Como exemplo de planejamento dentro da área rural, podemos citar um empresário da área de gado leiteiro. Aqui no planejamento ele deve traçar seus objetivos produtivos, quanto deseja produzir de leite e quanto deseja receber de receita com a venda desse leite (de acordo com o valor do leite de sua região). No planejamento são definidas as estratégias de trabalho, como: quando ele iniciará a produção de leite (época das águas ou época da seca), como ele dará início a esta produção (sistema extensivo, semi-intensivo ou extensivo; que raça utilizará; qual melhor local para produzir), entre outros objetivos. Organização A organização será responsável pela alocação dos recursos e das atividades necessárias para que o objetivo estabelecido durante o planejamento seja atingido. Ela deve garantir que os recursos necessários para execução de determinada atividade estejam disponíveis no local e no momento adequados para serem utilizados. Considerando o exemplo citado no passo do planejamento da empresa leiteira, já na etapa de organização serão levantados os recursos necessários para atingir os objetivos traçados, quantos animais ele possui para atingir a produção desejada, com quanta mão de obra ele pode contar para atingir a meta produtiva, entre outros. A organização não é um passo estanque em apenas uma área da empresa, ela engloba todos os setores de maneira coordenada. Então, quando consideramos a etapa de organização, tanto no setor público quanto no setor privado, a contratação de pessoas e a disponibilização de recursos materiais deve visar a maximização do processo produtivo. Liderança e direção Ao administrador cabe conduzir, coordenar e liderar os recursos humanos. Nesse momento, o administrador deve deixar o mais claro possível o organograma relativo aos trabalhos realizados na propriedade, partindo do administrador geral, passando pelos gerentes de setor e chegando até a base da pirâmide de trabalho. Nesse contexto, tão importante quanto saber quem é o administrador, é saber quem é o líder, aquele que irá nortear os caminhos da empresa rumo à produtividade desejada. Ao considerarmos o mesmo exemplo, empresa leiteira, nesta etapa cabe ao administrador da fazenda delegar função, considerando a escolha da mão de obra certa para cumprir a função certa. Exemplo Um funcionário que é muito bom com os animais deve ter a função de ordenhar e tratar os animais leiteiros. O funcionário que tem habilidade na limpeza e organização de equipamentos, deverá receber essa função. Outra importância do sistema de direção moderno é a ilustração para o funcionário de todas as suas responsabilidades dentro do sistema produtivo, demonstrando a sua posição dentro da cadeia produtiva e as suas possibilidades de crescimento, sendo esse um importante fator motivacional para os funcionários. A direção permeará todos os níveis da empresa, ou seja, estratégico, operacional e gerencial, devendo estar pautada em: Motivação Capacidade de manter motivado seu funcionário em relação à sua capacidade produtiva. Liderança Capacidade de mostrar o norte aos funcionários, garantindo a produtividade esperada. Comunicação Capacidade de estabelecer um diálogo que deixe claro o que fazer, como fazer e quando fazer aquilo que compete a cada funcionário. Controle O controle tem por objetivo verificar o cumprimento do plano de ação, principalmente em relação ao alcance das metas estabelecidas para que, em caso negativo, sejam estabelecidas medidas corretivas. A ferramenta de controle está diretamente relacionada à avaliação, que mede o sucesso no alcance das metas. Portanto, o controle deve apresentar três fases distintas e a possibilidade de uma fase corretiva. Na primeira fase deverá ocorrer a verificação dos indicadores de resultados e das metas a serem alcançadas em cada etapa definida no plano de ação. Na segunda fase deverá ser realizada a coleta de dados desses indicadores, possibilitando a realização da terceira fase, que consistirá em comparar, analisar e concluir sobre o desempenho da empresa. Atenção! Caso o resultado obtido esteja em desacordo com o objetivo da empresa, entra uma fase corretiva, ou seja, a identificação de oportunidades de melhoria para que a empresa consiga alcançar os objetivos estabelecidos em seu planejamento. Ao utilizarmos no controle o exemplo da fazenda leiteira, citado nas outras etapas, podemos citar a implantação de um bom sistema para dados produtivos, como quantidade de leite produzida diariamente por animal, peso dos animais, mortalidade, além de dados de outros recursos, como gastos de ração com os animais, eficiência da mão de obra, entre outros. Uma vez que temos acesso a todas as informações da produção da fazenda, se não atingirmos o objetivo traçado no planejamento ou nos depararmos com alguma problemática, podemos com facilidade identificar a origem desses gargalos e consertar para atingir o objetivo inicial. Planejamento estratégico, tático e operacional de uma empresa rural Assista ao vídeo para entender sobre as diferenças entre os conceitos de planejamento estratégico, tático e operacional, além do conceito de plano de ação. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Os conhecimentos relacionados aos processos administrativos existentes dentro de uma empresa rural são de grande importância para que ocorra a aplicação correta de cada um deles, possibilitando ao administrador a tomada de decisões de forma mais precisa. Isso leva a empresa rural a atingir os objetivos traçados. Baseado nos seus conhecimentos relacionados às etapas do processo administrativo, em especial, à etapa de controle, analise as proposições apresentadas e assinale a alternativa correta. I. Quando consideramos a ferramenta de controle dentro dos processos administrativos de uma empresa rural, podemos afirmar que o seu objetivo principal é verificar se as ações individuais e coletivas realizadas estão indo na direção do objetivo traçado para a empresa. II. A ferramenta de controle consiste em apenas uma fase de aplicação, tornando assim os seus resultados mais rápidos, o que facilita a ação do administrador da empresa rural. III. Quando, na fase de controle, o administrador da empresa rural detecta que os resultados obtidos pela empresa estão abaixo dos objetivos traçados para ela, entra em cena a fase corretiva do processo. A Apenas os itens I e III estão corretos. B Apenas o item I está correto. C Apenas o item I e II estão corretos. D Os itens I, II e III estão corretos. Parabéns! A alternativa A está correta. O item I está correto, pois cabe à função de controle verificar a eficiência individual e coletiva das atividades desempenhadas na empresa, além de seu alinhamento com os objetivos traçados. O item III está correto, pois uma vez que o objetivo traçado pela empresa não esteja sendo atingido, cabe ao profissional responsável pelo controle adotar as medidas corretivas cabíveis.O item II está errado, pois a ferramenta de controle é dividida em pelo menos três fases, sendo elas, estabelecimento de metas, coleta de dados e análise do desempenho. Caso seja necessário poderá ocorrer uma quarta etapa, a corretiva. Questão 2 As empresas rurais têm na administração uma importante ferramenta para que sua capacidade produtiva seja explorada da melhor maneira possível, possibilitando ao produtor rural um melhor retorno econômico em sua atividade. Baseado nos seus conhecimentos, julgue os itens e assinale a alternativa correta. I. Os recursos que podem ser utilizados na administração de uma empresa rural são os de ordem financeira, humana e material. II. Os recursos de ordem humana não são responsabilidade da administração dentro de uma empresa rural, existem outros setores com esta responsabilidade. III. Os recursos de ordem material são utilizados na administração de uma empresa rural, mas os recursos de ordem financeira e humana devem ser utilizados por outros setores. E Apenas o item III está correto. A Apenas os itens I e II estão corretos. B Apenas o item III está correto. C Apenas o item II está correto. Parabéns! A alternativa E está correta. O item I está correto, pois um bom trabalho administrativo dentro de uma empresa rural deverá maximizar a utilização de recursos de ordem financeira, humana e material. Os itens II e III estão errados, pois a administração eficiente dentro da empresa rural deve focar nos recursos humanos e financeiros, além de materiais. 2 - Funções da administração e a atividade de tomada de decisão Ao �nal deste módulo, você será capaz de descrever os conceitos associados às funções da Administração e à tomada de decisão no âmbito rural. D Apenas os itens II e III estão corretos. E Apenas o item I está correto. Funções administrativas Funções e habilidades do administrador As relações de trabalho apresentam-se em constante dinâmica no mundo, não sendo diferente no Brasil. Isso fica cada vez mais evidente nas relações interpessoais, exigindo de todos os trabalhadores, principalmente os empossados em cargos de gestão, como os administradores, maior habilidade de liderança, comunicação e resolução dos conflitos trabalhistas. A motivação e produtividade em uma empresa estão diretamente relacionadas à existência de profissionais com essas habilidades. Toda propriedade rural, independentemente do seu tamanho ou da sua capacidade produtiva, é uma empresa e, assim como toda empresa, para que seus objetivos de curto, médio e longo prazos sejam atingidos, deverá ser bem administrada. Atenção! Os riscos envolvendo as empresas agropecuárias são inúmeros, e abrangem diferentes variáveis, tais como clima, solo, água, vegetação, disponibilidade de terras, capital, políticas governamentais e principalmente mão de obra. Dentro desse contexto, a importância do administrador dentro de uma empresa rural ganha relevante importância, sendo desejável que ele tenha habilidades que possibilitem a transformação do conhecimento em ação, resultando no desempenho desejável para a empresa rural. Dentre as habilidades necessárias para um bom administrador rural, podemos destacar: Habilidades técnicas Consiste basicamente na aplicação do conhecimento técnico na prática profissional, com a função de executar tarefas profissionais, utilizando-se de métodos e equipamentos adequados ao trabalho. Habilidades conceituais E tã li d à id d d d i i t d t b lh i ã h lí ti d Níveis de administração Em todas as empresas, a existência de níveis hierárquicos que apresentem sinergia entre si é muito importante, pois vai garantir que o planejamento estratégico definido para a empresa seja repassado a todos os setores e seja cumprido de maneira eficiente. Podemos dividir os níveis estratégicos em três grupos, sendo eles, operacional, tático e estratégico. Observe a seguir. Estão ligadas à capacidade de o administrador trabalhar com uma visão holística da empresa, estando relacionadas a raciocinar, diagnosticar situações e oferecer soluções para possíveis problemas. Essa habilidade é mais exigida em profissionais de cargo de alta direção. Habilidades humanas Estão relacionadas à aptidão do administrador em lidar com as questões interpessoais, inserida na capacidade de motivar, liderar, resolver conflitos interpessoais, comunicar e coordenar, saber trabalhar com pessoas e por meio delas. Essa habilidade é mais requisitada para administradores de nível gerencial/tático. Operacional Corresponde à força de frente do trabalho da empresa, na qual os projetos são executados. Neste nível, as decisões operacionais estão diretamente ligadas ao controle, sendo executadas de forma técnica. Os administradores deverão extrair o máximo possível da mão de obra disponível, utilizando-se das ferramentas administrativas que estejam à sua disposição; como exemplo podemos citar os funcionários que atuam diretamente com a produção animal ou vegetal dentro das empresas rurais, área da empresa diretamente relacionada com o produto gerado e que será comercializado. Funções organizacionais Para que o profissional responsável pela administração da empresa rural consiga exercer o seu papel, diversas são as posições que ele poderá ocupar dentro das organizações. Podemos dividir, basicamente, as funções organizacionais em seis grupos, sendo eles: Produção ou serviços; Comercial ou marketing; Materiais ou logística; Financeira e orçamentária; Tático Corresponde à distribuição dos planos e projetos de maneira setorizada, pois as tarefas que serão desempenhadas pertencem à área organizacional. Podemos citar como exemplo os setores financeiros de uma empresa rural, de recursos humanos, dentre outros. O nível tático será o responsável pelas decisões estratégicas tomadas no nível da alta direção. Estratégico Corresponde ao nível mais alto dentro da hierarquia organizacional da empresa, compreende a presidência, as vice-presidências, os gestores da alta cúpula da empresa, sendo responsável pela decisão dos objetivos globais dela. Nesse nível, as decisões visam, geralmente, os resultados a longo prazo, traduzindo as incertezas dos ambientes externo e interno, com o intuito de ajustar os objetivos às metas. Dentro da empresa rural, este nível é ocupado pelo proprietário, seus sócios (quando existem), presidente e gerente geral quando é uma empresa grande. Nas empresas menores da área rural, que representam a maioria no campo, geralmente este nível é ocupado pelo dono e o gerente. Recursos humanos; Jurídico legal. Veremos mais detalhes sobre cada grupo a seguir. Produção ou serviços Reúne os recursos que serão utilizados para a produção de bens e serviços. Durante a gestão de operações, o administrador da empresa rural terá que gerenciar a utilização de recursos escassos, tais como mão de obra, tecnologia, matéria-prima, informacionais, dentre outros. Comercial ou marketing Responsável pela criação, comunicação e gerenciamento de relacionamento. É uma função de extrema importância, pois, além de criar estratégias para a divulgação do produto e sua comunicação, ficará responsável pelo atendimento ao cliente no pós-venda. Esta função é muito importante e, geralmente, na área rural, quando consideramos as empresas menores, é negligenciada. Mas, o marketing é fundamental na dinâmica de mercado, uma vez que os consumidores associam marca à qualidade, apesar de esse tipo de associação nem sempre ser verdadeira, pois qualidade envolve vários fatores e pré-requisitos que ocorrem em toda cadeia produtiva. A necessidade dessa função, muitas das vezes, é a diferença entre o prejuízo e o êxito comercial e produtivo. Como exemplo podemos citar rótulos de produtos agropecuários, como ovos, que têm informações sobre a criação e a alimentação dos animais (com os dizeres, por exemplo: sem transgênicos, sem sofrimento animal, entre outros) para atender a um nicho crescente de mercado no Brasil. Materiais ou logística Responsável peladefinição de prazos e da quantidade da compra de insumos, a escolha dos fornecedores, o quanto de estoque do produto será formado, a chegada e a saída de materiais e a importação de produtos. Como exemplo dentro de uma empresa rural, podemos citar a organização e o controle de estoques de recursos como adubo, que é essencial nas empresas vegetais no Brasil. Financeira e orçamentária Responsável por definir como o capital da empresa será investido, qual taxa de retorno deverá ser aplicada, qual a utilização mais eficaz desse capital, e a manutenção da liquidez da empresa rural. O controle do balanço patrimonial, a demonstração dos resultados do exercício e a demonstração do fluxo de caixa da empresa serão fundamentais para uma avaliação precisa da saúde financeira do negócio. Recursos humanos Responsável pela mão de obra dentro da empresa, desde a prospecção de funcionários, passando pela contratação, treinamento e avaliação de desempenho, sendo responsável inclusive pela rescisão contratual. Uma problemática no campo é a escassez de mão de obra qualificada e especializada, o que é considerado um gargalo produtivo. Essa função se mostra essencial nas empresas rurais, com a identificação e captação da mão de obra, além da promoção de treinamentos e capacitação para tornar a mão de obra especializada para atuar na atividade agropecuária. Jurídico legal Responsável pela confecção dos contratos (sempre resguardando legalmente a empresa), avaliação da contabilidade, além do aconselhamento e defesa em processos relacionados a empresa. Divisão do trabalho, especialização e hierarquia Estrutura organizacional A estrutura organizacional de uma empresa é o modelo no qual ela aloca a sua mão de obra, designando cargos, setores, funções, níveis hierárquicos, líderes e liderados. Para o bom funcionamento da empresa rural, é necessário conhecer de forma detalhada sua estrutura organizacional. Para que a estrutura organizacional da empresa rural esteja de acordo com a estratégia de negócios planejada para ela, devemos dar atenção especial às variáveis que envolvem divisão do trabalho, especialização e hierarquia. As estruturas organizacionais podem ser divididas da seguinte maneira: Funções Têm a finalidade de formar grupos com funcionários que exerçam seus cargos dentro de determinada área da empresa. Podemos citar como exemplo áreas contábeis, de segurança, financeira, dentre outras. A estrutura organizacional por funções é normalmente utilizada por pequenas e médias empresas. Nas grandes empresas, este tipo de estrutura poderá causar dificuldade de comunicação interna e sinergismo entre os setores. Unidade de comando É a mais comumente utilizada, também conhecida como linear, em geral seu desenho é em forma de pirâmide, com a alta direção da empresa na parte superior e os colaboradores sendo desmembrados em setores até a base. Quando uma empresa adota esta função, deverá separar os grupos por hierarquia e unidades de comando. Linha staff É uma junção do modelo de funções com o de unidade de comando. As empresas organizadas dessa forma contam com um setor de assessoria e devem garantir aos seus colaboradores certa autonomia, assegurando, assim, agilidade no fluxo de trabalho entre contratados e a assessoria. Estrutura piramidal É formada por um conjunto de setores, tais como, áreas, divisões, organogramas e comandos. Esse modelo poderá ser dividido em funcional, cujos colaboradores e departamentos estarão agrupados conforme a sua função; projetizada, cuja estrutura estará dividida por projetos, realizados por equipe multidisciplinar; e matricial, que será uma junção do funcional com o projetizado, mantendo os setores funcionais e as equipes multidisciplinares concomitantemente. Estrutura horizontal É voltada para as empresas que desejam evitar um delineamento hierarquizado de suas atividades, empresas que, por conta das suas peculiaridades, não desejem adotar a hierarquia como forma de comando, eliminando os cargos de gerência e direção da sua estrutura, mantendo todos os colaboradores em um mesmo nível de autoridade e poder de decisão. Estrutura vertical São os níveis hierárquicos bem ilustrados, com níveis administrativos bem definidos. No topo da estrutura estará o presidente, decrescendo a hierarquia dos colaboradores até chegar aos funcionários da base. Responsabilidade e prestação de contas Quando o administrador designa um colaborar para a realização de uma tarefa, está conferindo a ele uma responsabilidade. A responsabilidade estará diretamente interligada à autonomia conferida ao colaborador. Como exemplo, podemos citar um profissional que tenha a responsabilidade de manter abastecido o estoque de uma empresa, e deverá apresentar em seu escopo de trabalho a autonomia de compra dos produtos que se pretende manter no estoque. No contexto teórico, responsabilidade e autoridade são muito bem alinhadas, no entanto, nem sempre apresentam sinergismo na prática, devendo o administrador buscar o máximo equilíbrio entre elas. Já a prestação de contas está relacionada à forma como os empregados serão avaliados de acordo com o cumprimento das suas responsabilidades, devendo apresentar tal prestação perante o seu supervisor, que poderá punir ou recompensar o colaborador de acordo com o que foi apresentado. Vamos considerar mais uma vez o exemplo do funcionário responsável pelo estoque. Ao prestar contas ao seu superior sobre o estoque de determinado produto durante os 12 meses do ano, foi possível comprovar que o produto manteve o número de unidades dentro do desejado durante todo o período, inclusive superando eventos relacionados a sazonalidade. Dessa forma, o colaborador demonstra, via prestação de contas ao seu supervisor, que atendeu às suas responsabilidades e poderá ser recompensado por isso de alguma forma. Estruturas autogeridas São de maneira semelhante ao sistema horizontal. Neste modelo organizacional, os colaboradores estarão em um mesmo nível hierárquico, não se reportando a diretores e gerentes, mas a um estatuto definido de forma coletiva. Processo de tomada de decisão No processo de administração de uma empresa rural, a tomada de decisões poderá ser considerada uma das funções mais importantes realizadas pelo administrador, pois é no processo de tomada de decisões que escolhas visando a manutenção e o crescimento da empresa rural são tomadas. Podemos dividir o processo de tomada de decisões em cinco etapas: Primeira etapa De forma geral, o início do processo de tomada de decisão advém de um problema ou gargalo a ser solucionado. Logo, nessa etapa inicial, a função do administrador é identificar o problema e delimitar a sua abrangência. A compreensão do problema é fundamental para evitar uma tomada de decisão ineficaz para resolvê-lo. Segunda etapa Contempla a busca por informações relacionadas à problemática identificada na etapa anterior, delimitando a sua inserção dentro da empresa, avaliando o quão limitante essa situação problemática pode ser para a saúde da empresa e fazendo a revisão de toda e qualquer informação diretamente relacionada ao problema identificado. Terceira etapa Composta pela avaliação das possíveis alternativas a serem empregadas. Nesta etapa, o administrador deverá conversar com os colaboradores que estejam diretamente envolvidos na problemática, buscando opiniões e soluções que atendam à resolução do problema identificado. Tomada de decisão na empresa rural Assista ao vídeo para entender sobre a importância da tomada de decisão na empresa rural. Quarta etapa Deverá ser traçado o maior número de cenários possíveis para cada uma das soluções apontadas, avaliando os prós e os contras de cada uma delas, para então escolher a melhor ação para resolução da problemática identificada. Quinta etapa Execução da ação identificada na etapa anterior. No entanto, ainda cabe ao profissional responsável pela tomada de decisão o acompanhamento e monitoramento dos resultadosadvindos de sua escolha, sendo possível redefinir a estratégia sempre que os resultados não apresentem a eficácia desejada. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Os conhecimentos relacionados às funções organizacionais ocupadas pelos colaboradores são de grande importância para a administração de uma empresa rural. Conforme observado, as funções organizacionais podem ser divididas basicamente em seis grupos: produção ou serviços, comercial ou marketing, materiais ou logística, financeira e orçamentária, recursos humanos, e jurídico legal. Um produtor rural localizado na região Sul do Brasil, foi informado pelo administrador de sua propriedade que a quantidade de adubo seria insuficiente para o plantio de soja dentro das datas estabelecidas em seu projeto, justificando o atraso por conta da escolha equivocada da empresa responsável pelo fornecimento do adubo. Com base nos seus conhecimentos relacionados a cada grupo de funções organizacionais, indique a função organizacional em que ocorreu a falha que culminou com a situação descrita no texto. Parabéns! A alternativa D está correta. Duas funções organizacionais estão diretamente relacionadas ao fator insumos, a produção ou serviços e a materiais e logística. No entanto, materiais e logística é a responsável pela escolha dos fornecedores, motivo pelo qual a opção correta é a letra D. Questão 2 As empresas rurais poderão apresentar diversas estruturas organizacionais, cabendo ao administrador da empresa o conhecimento em detalhe da estrutura na qual sua empresa estará inserida. A Produção ou serviço B Comercial ou marketing C Financeira D Materiais ou logística E Jurídico legal Com base nos seus conhecimentos, marque a alternativa que apresenta uma característica existente em uma estrutura organizada por funções. Parabéns! A alternativa C está correta. A estrutura organizada por funções tem por característica colaboradores divididos em grupos, com especialização em cada grupo, normalmente sendo utilizadas por pequenas e médias empresas. A Em geral, é utilizada em grandes empresas. B Ausência de grupos de funcionários. C Em geral, utilizada em pequenas e médias empresas. D É formada pela junção de pelo menos três modelos. E Todos os colaboradores encontram-se em um mesmo nível hierárquico. 3 - Cooperativismo, associativismo, sindicatos rurais e economia solidária Ao �nal deste módulo, você será capaz de compreender os conceitos associados ao cooperativismo, associativismo, sindicatos rurais e economia solidária. Organizações coletivas no âmbito rural Cooperativismo O ser humano é definido como um ser gregário, ou seja, que tende a formar grupos que desempenham ações coletivas. Essas ações são realizadas por um grupo com um objetivo comum, no qual o sinergismo existente entre os participantes contribui para alcançar um cooperativismo de modo mais satisfatório e rápido. Um bom exemplo de modelo associativo organizado é a família, que reúne colaboradores que vivem em um mesmo local, e fazem tarefas que visam a um bem comum, com atuação bem definida de cada colaborador. Dentre os modelos associativos está o cooperativismo, um movimento econômico no qual os cooperados objetivam a melhoria do acesso ao mercado consumidor, criando assim um ambiente favorável para o desenvolvimento do negócio. Uma cooperativa pode ser definida como a união de, no mínimo, 20 pessoas que se organizam formalmente, sem fins lucrativos, para desenvolver uma atividade econômica comum. É de propriedade coletiva e atende ao preconizado na Lei 5.764/71. ei 5.764/71 Lei que define a Política Nacional de Cooperativismo, institui o regime jurídico das sociedades cooperativas, e dá outras providências. O movimento cooperativista é um dos mais reconhecidos no mundo, tendo grande representatividade no Brasil. Ele prega valores de ajuda mútua, responsabilidade, igualdade, solidariedade e democracia. A legislação brasileira permite a abertura de cooperativas em diversos setores, como transporte, habitação, turismo, agropecuária etc. Aquelas ligadas ao agronegócio e ao crédito são as mais fortes do país. Veja, a seguir, como as sociedades cooperativas são classificadas. A prestação de serviços ao associado ocorre diretamente, sendo permitida a adesão de pessoa jurídica, desde que de mesma atividade ou de atividade complementar à desenvolvida pela cooperativa. Visa à união de, no mínimo, três cooperativas objetivando melhorar a visibilidade, permitindo, excepcionalmente, a participação de pessoas físicas. Visa à união de, no mínimo, três federações, cujo objetivo é melhorar a visibilidade delas. Primeiro grau ou singular Segundo grau ou federação Terceiro grau ou confederação Os princípios gerais das cooperativas são: Adesão voluntária A adesão é decisão individual e voluntária, e todos podem se associar, desde que cumpram os requisitos necessários. Gestão democrática Os membros elegem democraticamente seus representantes, definem objetivos, metas e ações a serem cumpridas por eles. Participação econômica São estabelecidas cotas de participação, partes financeiras que se integram ao capital social da cooperativa. Autonomia e independência As cooperativas são independentes e controladas democraticamente por seus membros, podendo estabelecer acordos com outras instituições, inclusive públicas. Associativismo A reunião de pessoas, sem fins lucrativos, com o objetivo comum de promover assistência social, cultural e educacional é conhecida como associativismo, que também defende o interesse do grupo de associados. A associação poderá ser formada por duas ou mais pessoas (o presidente assume a responsabilidade legal), e seu patrimônio será formado pela contribuição dos associados, doações, entre outras formas de recurso que se amoldem à Lei 10.406/02. Educação, formação e informação O objetivo primário é o desenvolvimento dos cooperativados, apresentando como missão a educação, a formação e a informação da sociedade do entorno. Intercooperação Ligada ao objetivo de desenvolvimento mútuo dos cooperativados, aumentando o seu acesso ao mercado e a qualificação profissional. Interesse pela comunidade Uma vez que a cooperativa promove o desenvolvimento econômico e social de seus cooperativados, contribui para o desenvolvimento social e econômico da localidade. ei 10.406/02 Lei , de 10 de janeiro de 2002, institui o Código Civil. Os princípios das associações são os mesmos das cooperativas, e formalizar uma associação é um ato de extrema responsabilidade, devendo ela estar de acordo com a legislação vigente e devidamente registrada. Para formalizar uma associação, deve-se: 1. Formar comissão provisória; 2. Elaborar minuta do estatuto; 3. Convocar assembleia de fundação e aprovação do estatuto; 4. Registrar a associação no cartório de registro civil das pessoas jurídicas e nos demais órgãos competentes. O papel dos sindicatos rurais A Europa é o berço dos primeiros sindicatos operários, nascidos durante o século XIX. No Brasil, o surgimento do sindicalismo ocorreu no início do século XX, com o surgimento das sociedades de socorro e auxílio mútuo e uniões operárias, sendo essas os embriões dos primeiros sindicatos operários. Na década de 1950, a área rural se transformava em um ambiente de grandes mudanças no Brasil. Nessa época surgiu o Movimento das Ligas Camponesas no Nordeste. Em 1955, no estado de Pernambuco, surgiu a Sociedade Agrícola e Pecuária dos Plantadores de Pernambuco, que posteriormente ficaria conhecida como Liga Camponesa da Galileia, que reunia cento e quarenta famílias com um total de quase mil pessoas. Na década de 60, mais precisamente em 1962, com a publicação de duas portarias do Ministério do Trabalho e Previdência Social (Portarias 209-A e 355-A), teve início o processo de implementação da estrutura sindical no campo. A portaria 366-A permitiu a criação de quatro sindicatos rurais, sendo eles oSindicato dos Trabalhadores da Lavoura, o Sindicato dos Trabalhadores da Pecuária e Similares, o Sindicato dos Trabalhadores da Produção Extrativista Rural e o Sindicato dos Produtores Autônomos. Esse último era composto por pequenos produtores autônomos que tinham como finalidade a exploração rural, não tinham empregados e apresentavam regime de economia familiar ou coletiva. Em 1963, surgiu o Fundo de Assistência e Previdência do Trabalhador Rural (FUNRURAL), criado com o Estatuto do Trabalhador Rural. No entanto, o FUNRURAL só passou a funcionar de maneira efetiva em 1971, com a criação do PRORURAL (Programa de Apoio ao Pequeno Produtor Rural), cuja execução cabia ao FUNRURAL. O artigo 28 da Lei Complementar n° 11, de 25 de maio de 1971 estabeleceu que “as entidades sindicais poderão ser utilizadas na fiscalização e identificação dos grupos rurais beneficiados com a presente Lei Complementar, e mediante convênio com o FUNRURAL, auxiliá-lo na implantação, divulgação e execução do PRORURAL”. Nesse contexto, entre as décadas de 1970 e 1980 ocorreu um aumento exponencial no número de sindicatos rurais criados. Os sindicatos rurais foram e são de extrema importância para a manutenção do trabalhador no campo, garantindo maior acesso ao mercado, melhores condições previdenciárias e maior poder de negociação ao produtor rural. Formação e objetivos de um sindicato rural O sindicalismo rural brasileiro tem em sua formação as bases e modelos do sindicalismo urbano, uma vez que esse é anterior ao sindicalismo rural, tendo sido concebido para funcionar como uma representação paralela entre os patrões e os trabalhadores. Os primeiros sindicatos rurais, assim como ocorreu anteriormente com as ligas camponesas, iniciaram a sua militância com a denominação de associação e visavam fugir da legislação trabalhista que era mais rígida. Essa situação foi modificada com as melhorias advindas na legislação sindical, e assim, passaram a ser reconhecidos os principais sindicatos rurais em território nacional. O maior objetivo de um sindicato rural é defender os direitos, reivindicações e interesses dos seus sindicados, sendo tal ação independente do tamanho da propriedade rural (pequena, média ou grande) e do tipo de atividade desenvolvida pelo produtor (pecuária, lavoura, pescado, extrativismo vegetal ou exploração florestal). Cabe ao sindicato zelar pelos seus membros da mesma forma, conferindo a mesma atenção e lutando pelos seus interesses com a mesma intensidade. As missões de um sindicato rural são a solidariedade social, a livre iniciativa, o direito de propriedade, a defesa econômica e de mercado de seus sindicados, a segurança jurídica e o interesse comum. Os sindicatos rurais têm duas possíveis fontes de recurso. A primeira, e mais representativa delas, é a contribuição sindical compulsória; a segunda fonte é composta pelas mensalidades espontâneas dos associados aos sindicatos rurais. O dinheiro arrecadado deve ser totalmente aplicado na prestação de serviços para o fortalecimento e defesa do produtor rural. Importância da economia solidária O modelo que hoje denominamos economia solidária teve seu estágio inicial no final do século XIX, apresentando-se como uma alternativa aos modelos econômicos capitalistas da época. O surgimento do modelo de economia solidária nasceu de um excedente de mão de obra, resultado do êxodo rural observado naquela época. Logo, os pertencentes a esse grupo excedente passaram a lutar por um novo modelo de organização laboral (SANTOS, 2013). Uma vez que o empreendimento solidário é constituído, todos os colaboradores pertencentes ao sistema têm por objetivo o desenvolvimento econômico e social, visando à sua viabilidade e sustentabilidade a longo prazo, o que acarreta melhorias econômicas e sociais para a região do entorno. Na prática, a economia solidária prevê a unidade existente entre posse e uso dos meios de produção, ficando o poder decisório, de gestão e controle do empreendimento a cargo da sociedade de trabalhadores, com todos tendo direitos e peso iguais em relação ao objetivo a ser alcançado. Dentro desse contexto, fica mais fácil compreender o motivo do adjetivo “solidária” existente neste modelo de economia, uma vez que a força motriz que movimenta as engrenagens do empreendimento estará diretamente ligada à solidariedade entre os membros. Atenção! Não podemos nos deixar confundir pelo termo “alternativa ao capitalismo”, com a ideia de que a economia solidária não vislumbra lucro. Em sua essência, ela não tem por objetivo o lucro máximo, mas não deixa de ser um setor lucrativo dentro do tipo de comércio desenvolvido, onde este lucro, também conhecido como excedente, possibilitará investimentos em melhorias sociais, inovação, expansão e sustentabilidade da atividade econômica. Nesse contexto, podemos dizer que, quando um empreendimento, seja ele qual for, renuncia ao lucro máximo, em função de melhorias sociais e ambientais, tal empreendimento estará utilizando uma perspectiva solidária dentro da sua área de negócios (LISBOA, 2005). Aplicação da economia solidária ao produtor rural Conforme observado, a economia solidária tem como bases o desenvolvimento social de maneira sustentável. Podemos definir desenvolvimento sustentável como aquele fundamentado na interação em equilíbrio de três pilares fundamentais estabelecidos em 1994 por John Elkington. São eles: o econômico, o social e o ambiental. Logo, quando consideramos a implantação da economia solidária no âmbito rural, percebemos que a relação entre a sustentabilidade e as necessidades do campo é estreita, uma vez que o desenvolvimento econômico com melhores condições sociais para o morador do campo está condicionado à preservação ambiental, sendo fundamentais para a sustentabilidade da atividade rural. Os empreendimentos com características solidárias presentes no campo são responsáveis por diversos segmentos dentro do setor produtivo. Veja alguns exemplos. A produção de adubo orgânico, de mudas e de alimentos para os animais têm grande importância para o estabelecimento e crescimento da capacidade produtiva da agricultura familiar e de pequenos produtores. Em conjunto com a economia solidária faz com que o produtor consiga satisfazer suas necessidades básicas com maior poder de negociação e visibilidade de seus produtos, atendendo, dessa forma, a função econômica, social e ambiental. A economia solidária é uma importante ferramenta para o desenvolvimento de matérias primas e artesanatos. Quando observamos as redes de economia solidária existentes com uma visão ampliada, é possível perceber que uma via de desenvolvimento social, econômico e ecologicamente correto é formada. Ela dá origem a uma rede própria de construção de intercâmbio de conhecimentos e de saberes, com maior alcance econômico para o empreendimento. Dentro desse contexto, podemos dizer que as práticas voltadas à economia solidária executadas no Brasil apresentam-se como uma experiência bem-sucedida, com avanços nos campos econômico, social, cultural, ambiental e territorial. Como elas criam condições para o estabelecimento da população nas áreas rurais, são um fator importante para o desenvolvimento local, com aumento das oportunidades de emprego e renda. Insumos Produção de alimentos Artesanato e matérias primas O papel das organizações coletivas nos setores econômico, social e ambiental Assista ao vídeo para entender sobre as diferenças existentes entre as diferentes organizações coletivas e sua forma de atuação. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 O ser humano tem por característica a vida em sociedade. Com isso, tem uma propensão à formação de grupos para atividades de trabalho, lazer ou sociais. Com base nos seus conhecimentos relacionados ao cooperativismo, marque a alternativa que indica uma problemática que pode ser solucionada como principal objetivo do cooperativismo. A José, produtorde mandioca, perdeu sua plantação por conta da seca. Parabéns! A alternativa B está correta. O cooperativismo tem como objetivo principal facilitar o acesso do produtor rural ao mercado consumidor, facilitando assim o escoamento de sua produção. Dessa forma a opção correta é a letra B. Questão 2 A economia solidária tem grande importância para o produtor rural, uma vez que promove condições para o seu estabelecimento no campo, com aumento de emprego e renda. José vive da confecção de artesanatos no sul da Bahia, utilizando-se de matéria-prima que retira da floresta de maneira sustentável. Com base nos seus conhecimentos relacionados a economia solidária e ao trabalho de José, marque a alternativa correta. B Carlos, produtor de codornas, não consegue ter acesso a mercado consumidor do seu produto. C Jaime, produtor de leite de cabra, sofre com os constantes roubos de seus animais. D Cláudio, produtor de milho, não consegue mão de obra especializada para sua lavoura. E Kleber, produtor de carne bovina, não consegue vacinar seu rebanho. A A atividade de José não pode ser enquadrada dentro dos setores da economia solidária, uma vez que não contempla a produção de artesanatos. B Caso José obtenha lucro com a sua atividade, ela não poderá ser classificada como pertencente a economia solidária, que prega lucro zero. Parabéns! A alternativa D está correta. A economia solidária é capaz de promover avanços nos setores econômico, social, cultural, ambiental e territorial, uma vez que cria condições para o estabelecimento da população nas áreas rurais. Ela é fator importante para o desenvolvimento local, com aumento das oportunidades de emprego e renda. No caso de José, ele se utiliza dos recursos ambientais de maneira sustentável, comercializando artesanatos característicos da região onde reside, o que ajuda no desenvolvimento local, com criação de oportunidade de trabalho e renda. Considerações �nais Considerando o contexto da produção rural no Brasil, a administração rural demonstra ser uma importante ferramenta para o desenvolvimento das empresas rurais, utilizando-se dos processos administrativos para melhor planejamento, organização, logística, direção e controle de suas atividades. Isso possibilita que as empresas rurais obtenham maior êxito no alcance dos seus objetivos. As organizações coletivas também desempenham papel fundamental para as empresas rurais, uma vez que aumentam o poder de negociação do produtor, conferindo maior visibilidade ao produto. Assim, C A atividade de José causa impacto direto na economia solidária, uma vez que explora de forma predatória o recurso ambiental. D A atividade realizada por José molda-se à economia solidária, com realização de atividade relacionada à cultura local, com respeito ambiental e fixação do trabalhador em sua região. E Atividade realizada por José apenas encontrará amparo no contexto da economia solidária no momento em que atinja o lucro produtivo máximo. demonstram, na prática, que juntos eles têm mais força, além de serem mais seguros, uma vez que os sindicatos rurais atuam diretamente em defesa dos trabalhadores rurais. Papel de destaque exercem os empreendimentos solidários, que buscam, não somente o desenvolvimento econômico dos envolvidos no projeto, mas também o desenvolvimento social, incluindo a área do entorno, com preservação ambiental e valorização cultural da região de atuação. Conforme podemos observar, as técnicas utilizadas pelos profissionais responsáveis pela administração rural são de extrema importância para o desenvolvimento das empresas rurais, que está cada vez mais atrelado aos ganhos sociais e culturais, aliados à sustentabilidade Podcast Neste podcast, falaremos sobre a importância dos conhecimentos relacionados a administração de uma empresa rural para o êxito da atividade desenvolvida. Referências CECHIN, A. D.; VEIGA, J. E. da. A economia ecológica e evolucionária de Georgescu-Roegen. Revista de Economia Política, S.I, v. 30, n. 3, p. 438-454, jul. 2010. KERLINGER, F. N. Foundations of behavioral research. New York: Holt, Rinehart & Winston, 1973. LISBOA, A. M. Economia Solidária e autogestão: imprecisões e limites. Pensata – Revista de Administração de Empresas, v. 45, n. 3, p. 109-115, 2005. MEGGINSON, L. C.; MOSLEY, D. C.; PIETRI JUNIOR, P. H. Administração: conceitos e aplicações. São Paulo: Harbra, 1986. SANTOS, L. M. L.; OLIVEIRA, B. C. S. C. M.; PIMENTA, J. L.; PELOSI, E. M. Empreendimentos de economia solidária na cidade de Londrina/PR e suas estratégias de ação. Revista de Ciências Jurídicas, v. 12, n. 2, p. 191-198, 2013. Explore + Para aprofundar o assunto, leia o artigo intitulado Pluralidade sindical no campo? Agricultores familiares e assalariados rurais em um cenário de disputas, de Everton Lazzaretti Picolotto, publicado em 2018. O livro O rural brasileiro na perspectiva do século XXI, de Sérgio Pereira Leite e Regina Bruno, publicado pela editora Garamond em 2019, traz informações relevantes sobre o cenário rural no momento atual.