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OBESIDADE INFANTIL 1 OBESIDADE INFANTIL A obesidade: distúrbio do metabolismo energético que acarreta acúmulo excessivo de gordura corporal, em decorrência de um desequilíbrio entre a quantidade de energia ingerida e o gasto energético do organismo, por um longo período. Seu desenvolvimento ocorre pela associação de fatores genéticos, ambientais e comportamentais. Principal etiologia é exógena! 95% dos casos Etiologia endógena: pequena parcela de casos, em que se consegue determinar uma causa genética (monogênica ou poligênica), endócrina ou hipotalâmica. → Fatores ambientais: quase toda a obesidade em crianças é fortemente influenciada por fatores ambientais. Por exemplo: estilo de vida sedentário, ingesta calórica superior às necessidades, duração reduzida de sono (diminuição da sensibilidade à insulina, alteração dos níveis séricos de leptina e grelina, menor nível de atividade física etc), alguns medicamentos, etc. → crianças obesas tendem a se tornarem adultos obesos! FATORES DE RISCO PARA OBESIDADE Diabetes materna e ganho ponderal materno excessivo; Bebes PIG ou GIG PIG OBESIDADE INFANTIL 2 Risco obesidade: nenhum dos pais obeso 9%; um dos pais 50%; ambos os pais 80% → Obesidade dos pais (materna + importante): fator hereditário (influência de 40 a 70% sobre IMC; herança poligênica Aleitamento materno de curta duração Erro alimentar/sedentarismo FISIOPATOLOGIA A obesidade é considerada um distúrbio da homeostase energética que acarreta excessivo acúmulo de gordura corporal. Vários mecanismos fisiológicos estão envolvidos na regulação do peso corporal, com atuações na ingestão alimentar, no gasto energético ou modulando estas duas ações. Participam desse controle diversos componentes, como: hormônios, receptores, neurotransmissores, enzimas, neuropeptídios, adipocinas, entre outros. Uma desregulação desses dois mecanismos, tendendo para o armazenamento(anabolismo), promove a adiposidade. A insulina e a leptina têm papel de destaque na informação, ao sistema nervoso central, do grau de adiposidade do organismo. (informam o quanto de gordura o organismo tem). São secretadas em proporção ao conteúdo de gordura corporal, e agem no hipotálamo ativando vias efetoras catabólicas formadas pelo CART e POMC (pró-opiomelanocortina), resultando em efeito anorexígeno. Paralelamente, inibem as vias efetoras anabólicas NPY/AGRP (neuropeptídio Y/proteína relacionada ao gene Agouti), com ações orexígenas (estimulam o apetite). O resultado final é diminuição da ingestão alimentar. O neuropeptídio Y NPY é um dos mais potentes estimuladores da ingestão alimentar no SNC. A secreção do NPY, no hipotálamo, aumenta OBESIDADE INFANTIL 3 com a depleção dos estoques de gordura corporal e/ou reduzida sinalização dada ao cérebro pela leptina. Leptina e insulina: promovem catabolismo. Neuropeptídeo Y promove anabolismo. Grelina: A grelina é um peptídeo produzido predominantemente no estômago, que age na regulação da ingestão alimentar. As concentrações plasmáticas de grelina aumentam gradualmente antes das refeições e diminuem após estas. Por isso, é importante fazer uma refeição lenta, a fim de ter estímulos (visuais, olfatórios e gustativos) para levar à produção da grelina. A grelina estimula a expressão do neuropeptídio Y e da AGRP no hipotálamo, aumentando a ingestão alimentar. Na síndrome de Prader-Willi, os níveis de grelina estão elevados, o que pode explicar a intensa hiperfagia e a obesidade grave características desta síndrome). DIAGNÓSTICO Clínico: anamnese, dados nutrológicos (anamnese alimentar) e exame físico (peso, altura, IMC, circunferência abdominal). Exames complementares: obtenção dados + precisos Composição corporal, investigação de possíveis causas da obesidade e para o diagnóstico das repercussões metabólicas mais comuns da obesidade. Dislipidemia, alterações do metabolismo glicídico, hipertensão arterial, doença hepática gordurosa não alcoólica, síndrome da apneia obstrutiva do sono e síndrome dos ovários policísticos. Existem vários métodos para diagnosticar a criança ou o adolescente em sobrepeso ou obesidade. O método universalmente aceito é o índice de massa corporal IMC,peso/estatura2 avalia peso em relação à altura, e não gordura corporal. Crianças de 0 a 5 anos: OBESIDADE INFANTIL 4 Risco de sobrepeso: IMC entre os percentis 85 e 97 ou entre os escores Z 1 e 2 Sobrepeso: IMC entre os percentis 97 e 99,9 ou entre escores Z 2 e 3 Obesidade: IMC acima do percentil 99,9 ou escore Z acima de 3. Crianças de 5 a 19 anos: Sobrepeso: IMC entre os percentis 85 e 97 ou entre escores Z 1 e 2. Obesidade: IMC entre os percentis 97 e 99,9 ou entre escores Z 2 e 3. Obesidade grave: IMC acima do percentil 99,9 ou escore Z acima de 3. Avaliação composição corporal Técnicas in vivo: indiretas e utilizam métodos simples (determinação dobras cutâneas e bioimpedância elétrica BIA, ou sofisticados (peso hidrostático, DXA e tomografia computadorizada). Aferição circunferência da cintura: excesso adiposidade abdominal (avaliação indireta gordura visceral). Circunferência da cintura: avaliação indireta gordura visceral Ponto médio entre a última costela fixa 10ª) e a borda superior da crista ilíaca. Valores P90 ponto corte: indicativos adiposidade abdominal elevada Relação circunferência abdominal/estatura: adequada quando menor ou igual a 0,5, sendo considerada, quando alterada, risco de adiposidade central. As medidas antropométricas mais utilizadas na faixa etária pediátrica são o peso, a estatura (altura/ comprimento) e a circunferência abdominal. EXAMES LABORATORIAIS Nenhum exame laboratorial faz diagnóstico de excesso de peso; eles apenas auxiliam no diagnóstico das comorbidades (resistência à insulina, dislipidemia, esteatose hepática não alcoólica). COMORBIDADES OBESIDADE INFANTIL 5 Por ser uma doença crônica, a obesidade apresenta comprometimento psíquico-social e clínico na criança e no adolescente. Acarreta constrangimento, dificuldades nas atividades físicas, comprometimento no aprendizado, ansiedade, depressão e isolamento social, além das repercussões clínicas, que corroboram para maior risco de doenças cardiovasculares e mortalidade precoce. Quanto maior o grau de obesidade, maiores as consequências nos diversos sistemas do organismo: Alterações endócrinas (dislipidemia, diabete melito tipo 2, hiperandrogenismo, comprometimento da massa óssea, alta estatura, avanço IO. Alterações cardiovasculares (hipertensão arterial, comprometimento de função e estrutura cardíaca). Alterações pulmonares (apneia obstrutiva do sono, asma, síndrome de hipoventilação). Alterações hepáticas (doença gordurosa hepática não alcóolica). Alterações renais (nefropatia diabética, nefroesclerose hipertensiva, esclerose glomerular e urolitíase). No obeso, a protrusão do abdome por adiposidade central determina o deslocamento anterior do centro de gravidade corporal, com acentuação da lordose lombar e aumento da inclinação anterior da pelve. Essas modificações posturais propiciam alterações em estruturas músculo-ligamentares das regiões glúteas e dos quadris, que irão influenciar na marcha e no aparecimento de deformidades distais, como os joelhos valgos e os pés planos valgos. Valores normais de glicemia de jejum: 100 mg/dL. Valores alterados: entre 100 e 126 mg/dL, com indicação para o teste de tolerância oral à glicose TOTG. A resistência insulínica pode ser avaliada pelo índice HOMAIR. Esse índice é calculado utilizando-se uma fórmula, cujas variáveis são os valores da glicemia e da insulinemia de jejum: HOMAIR glicemia de jejum (mmol/L insulinemia de jejum (uU/mL/22,5. Valor elevado: 3,43 SINDROME METABOLICA OBESIDADE INFANTIL 6 → obesidade central + hipertensão arterial + dislipidemia (aumento de TG, diminuição de HDL-c) + alterações no metabolismo da glicose (resistênciainsulínica, intolerância à glicose ou diabetes tipo 2. Ainda não há um critério bem estabelecido para o diagnóstico de síndrome metabólica em crianças e adolescentes. Um dos mais utilizados é o critério da International Diabetes Federation IDF, que se baseia na distribuição central da gordura corporal (circunferência abdominal P90 e na presença de dislipidemia, glicemia alterada e hipertensão arterial. ORIENTAÇÕES TERAPÊUTICAS Estágio 1 Dieta e atividade física Aumento consumo frutas e vegetais Limitação atividades sedentárias Se não houver melhora no IMC em 3 a 6 meses → passar para o próximo estágio Estágio 2 Alimentos baixa densidade calórica Dieta balanceada Refeições estruturadas Atividade física supervisionada: 60 minutos /dia 1 hora ou menos de telas Acompanhamento mensal nutricionista Resposta ao tratamento: avaliar necessidade próximo estágio Estágio 3 Retornos semanais 812 sem → retornos mensais Equipe multidisciplinar: assistente social, psicólogo, nutricionista, educador físico Resposta inadequada, com riscos aumentados a saúde e baixa motivação → estágio 4 Estágio 4 Dietas baixa caloria/medicações/cirurgia OBESIDADE INFANTIL 7 Equipe multidisciplinar especialista em obesidade infantil em um centro pediátrico contendo protocolos clínicos e pesquisa de avaliação TRATAMENTO FARMACOLÓGICO Não existem fármacos aprovados uso pediátrico Brasil, porém ANVISA aprovou liraglutida 12 anos Intervenção medicamentosa: depressão, compulsão alimentar e outros transtornos psiquiátricos Grupos: Antiobesidade: sibutramina, orlistate, liraglutida Ação indireta: ISRS, topiramato e ritalina (metilfenidato)