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40 É correto afirmar que: a) se trata basicamente de um texto naturalista, fundado no Determinismo. b) o texto revela um juízo crítico do contexto escravista da época. c) o narrador se apresenta bastante sisudo e amargo, bem ao gosto machadiano. d) o texto apresenta papéis sociais ambíguos das personagens em foco. e) os comportamentos desumanos do narrador são sutilmente desnudados. 6. (UFRN) A passagem abaixo é extraída do capítulo “Das negativas”, de Memó- rias Póstumas de Brás Cubas. Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebrida- de do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casa- mento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto. Mais; não padeci a morte de Dona Plácida, nem a semidemência de Quincas Borba. Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra, e conseguintemente que saí quite com a vida. E imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: — Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. Machado de assis. Memórias póstumas de Brás Cubas. 27. ed. São Paulo: Ática, 1999. p. 176. Neste capítulo, Brás Cubas faz uma espécie de balanço de sua existência, em que: a) demonstra tristeza por não ter conseguido um saldo positivo em sua vida. b) lamenta suas dificuldades e o fato de não ter tido sucesso em sua vida. c) orgulha-se por não ter deixado filhos para herdarem a infelicidade humana. d) desculpa-se pelo fato de não ter suportado o sofrimento como seus amigos. 7. (Fuvest-SP) Texto para questão. Assim se explicam a minha estada debaixo da janela de Capitu e a passagem de um cavaleiro, um dandy, como então dizíamos. Montava um belo cavalo alazão, firme na sela, rédea na mão esquerda, a direita à cinta, botas de verniz, figura e postura esbeltas: a cara não me era desconhecida. Tinham passado outros, e ainda outros viriam atrás; to- dos iam às suas namoradas. Era uso do tempo namorar a cavalo. Relê Alencar: “Porque um estudante (dizia um dos seus personagens de teatro de 1858) não pode estar sem estas duas coisas, um cavalo e uma na- morada”. Relê Álvares de Azevedo. Uma das suas poesias é destinada a contar (1851) que residia em Catumbi, e, para ver a namorada no Catete, alugara um cavalo por três mil-réis... Machado de assis. Dom Casmurro. Considerando-se o excerto no contexto da obra a que pertence, pode-se afir- mar corretamente que as referências a Alencar e a Álvares de Azevedo reve- lam que, em Dom Casmurro, Machado de Assis: a) expôs, embora tardiamente, o seu nacionalismo literário e sua consequen- te recusa de leituras estrangeiras. b) negou ao Romantismo a capacidade de referir-se à realidade, tendo em vis- ta o hábito romântico de tudo idealizar e exagerar. c) recusou, finalmente, o Realismo, para começar o retorno às tradições ro- mânticas que irá caracterizar seus últimos romances. d) declarou que o passado não tem relação com o presente e que, portanto, os escritores de outras épocas não mais merecem ser lidos. e) utilizou, como em outras obras suas, seus elementos do legado de seus predecessores locais, alterando-lhes, entretanto, contexto e significado. C – ERRADA – Embora sugira uma revisão de suas atitudes de criança, o narrador não assu- me tom amargo, parecendo divertir-se ao con- tar as traquinagens realizadas e justificar seu comportamento pela natureza infantil. D – ERRADA – Os papéis sociais estão bastante definidos. Os escravos subordinam-se aos do- nos, mesmo quando são crianças e cometem atos brutais. E – ERRADA – Não há sutileza na referência aos “comportamentos desumanos” do narra- dor quando criança. Os detalhes evidenciam a brutalidade dos atos, ainda que a narrativa os coloque como inerentes a uma criança levada. 6. Resposta: c A – ERRADA – Brás Cubas comenta que morre com um “pequeno saldo”, não ter tido filhos, o que seria positivo, segundo sua opinião. B – ERRADA – Embora não tenha alcançado al- guns objetivos, como fazer o emplasto ou ser ministro, Brás Cubas também não precisou vi- venciar situações difíceis, como a necessidade de empenhar-se em um trabalho ou acompa- nhar a morte de um amigo, por isso, em seu discurso, não predomina a lamentação. C – CERTA – Brás Cubas afirma que, indepen- dentemente de conquistas e de fracassos, con- sidera tem um saldo positivo na vida, o fato de não ter tido filhos, pois, assim, não precisou transmitir a eles “o legado da nossa miséria”, isto é, a infelicidade humana. D – ERRADA – Brás Cubas considera-se sortudo (“boa fortuna”) por não ter tido de acompa- nhar a morte e a demência de amigos, nem vi- ver situação parecida. 7. Resposta: e A – ERRADA – A obra de Machado de Assis, em todas as suas fases, é marcada por forte inter- textualidade, evidenciada em citações tanto de autores nacionais quanto estrangeiros. B – ERRADA – Os textos de José de Alencar e de Álvares de Azevedo, dois autores românti- cos, servem para a documentação da prática do namoro no período anterior, portanto, não há a afirmação de que o Romantismo é inca- paz de se referir à realidade. C – ERRADA – A obra de Machado de Assis é di- vidida em duas fases – A primeira é romântica e a segunda, realista. D – ERRADA – Ao resgatar os depoimentos de José de Alencar e Álvares de Azevedo, Machado sugere a importância da leitura de textos do passado, cuja validade se mantém. E – CERTA – Os textos dos autores românticos citados funcionaram como ilustrações da prá- tica do namoro em sua adolescência, contem- porânea à cultura romântica. Como aparece na alternativa, essa retomada ganha novo signifi- cado, já que o narrador Bento Santiago refere- -se a ela para ironizar a figura do rapaz que havia despertado o interesse de Capitu. TCP_VU_LA_CADERNO_REVISAO_034A041.indd 40 26/02/14 15:57 41 R ea lis m o e N at ur al is m o 8. (Ufam) Daí a pouco, em volta das bicas era um zum-zum crescente, uma aglo- meração tumultuosa de machos e fêmeas. Uns, após outros, lavavam a cara, incomodamente, debaixo do fio d’água que escorria da altura de uns cinco palmos. O chão inundava-se. As mulheres precisavam já prender as saias entre as coxas para não as molhar; via-se-lhes a tostada nudez dos braços e do pescoço, que elas despiam, suspendendo o cabelo todo para o alto do casco; os homens, esses não se preocupavam em não molhar o pelo, ao contrário metiam a cabeça bem debaixo da água e esfregavam com força as ventas e as barbas, fossando e fungando contra as palmas das mãos. azevedo, Aluísio de. O cortiço. São Paulo: Martins Fontes, 1968. Este fragmento pertence a O Cortiço, obra emblemática do Naturalismo. São ca- racterísticas desse fragmento, típicas desse movimento literário, entre outras: a) o idealismo na descrição feminina. b) a sensualidade idealizada. c) a visão da realidade atrelada aos elementos naturais. d) a fuga à realidade, a partir de um local idealizado, como o cortiço. e) a descrição visando aproximar homens de animais e destacar aspectos de- sagradáveis do ambiente. 9. (Unifesp) Considere o trecho de O Cortiço, de Aluísio Azevedo. Uma aluvião de cenas, que ela [Pombinha] jamais tentara explicar e que até ali jaziam esquecidas nos meandros do seu passado, apresenta- vam-se agora nítidas e transparentes. Compreendeu como era que cer- tos velhos respeitáveis, cuja fotografia Léonie lhe mostrou no dia que passaram juntas, deixavam-se vilmente cavalgar pela loureira, cativos e submissos, pagando a escravidão com a honra, os bens, e até com a pró- pria vida, se a prostituta, depois de os ter esgotado, fechava-lhes o cor- po. E continuou a sorrir, desvanecida na sua superioridade sobre esse outro sexo, vaidoso e fanfarrão, que se julgava senhor e que, no entan- to, fora posto no mundo simplesmente para servir ao feminino; escravo ridículo que, para gozar um pouco, precisava tirar da sua mesma ilusãoa substância do seu gozo; ao passo que a mulher, a senhora, a dona dele, ia tranquilamente desfrutando o seu império, endeusada e querida, pro- digalizando martírios, que os miseráveis aceitavam contritos, a beijar os pés que os deprimiam e as implacáveis mãos que os estrangulavam. — Ah! homens! homens! ... sussurrou ela de envolta com um suspiro. No texto, os pensamentos da personagem: a) recuperam o princípio da prosa naturalista, que condena os assuntos re- pulsivos e bestiais, sem amparo nas teorias científicas, ligados ao homem que põe em primeiro plano seus instintos animalescos. b) elucidam o princípio do determinismo presente na prosa naturalista, reve- lando os homens e as mulheres conscientes dos seus instintos em função do meio em que vivem e, sobretudo, capazes de controlá-los. c) trazem uma crítica aos aspectos animalescos próprios do homem, mas, por outro lado, revelam uma forma de Pombinha submeter a muitos deles para obter vantagens: eis aí um princípio do Realismo rechaçado no Naturalismo. d) constroem uma visão de mundo e do homem idealizada, o que, em certa me- dida, afronta o referencial em que se baseia a prosa naturalista, que define o homem como fruto do meio, marcado pelo apelo dos seus sentidos. e) consubstanciam a concepção naturalista de que o homem é um animal, preso aos instintos e, no que dizem respeito à sexualidade, vê-se que Pom- binha considera a mulher superior ao homem, e esse conhecimento é uma forma de se obterem vantagens. 8. Resposta: e A – ERRADA – O Naturalismo buscou aproxi- mar-se da realidade, eliminando traços de idealização. As personagens são reveladas em seus aspectos comuns, incluindo, muitas ve- zes, o sórdido. B – ERRADA – A sensualidade apresentada no Naturalismo não contém idealização; pelo con- trário, é muitas vezes rebaixada, já que aspec- tos ligados aos instintos ganham destaque e as personagens recebem traços de animalização. C – ERRADA – O Naturalismo não privilegia ele- mentos naturais para a representação da reali- dade, cujo foco é o social. D – ERRADA – A evasão é uma característica romântica, ligada à idealização. No Naturalismo, o autor busca ancorar-se firme- mente na realidade, mostrando-a de modo ob- jetivo e preciso. O cortiço, descrito no frag- mento, é um lugar sujo e miserável, não con- tando, portanto, com uma qualificação ideal. E – CERTA – O Naturalismo aborda a brutalidade das relações sociais, geralmente explicitando a exploração do homem por meio de sua animali- zação e submissão a ambientes hostis. A anima- lização também está relacionada à ênfase de comportamentos instintivos, não racionais. 9. Resposta: e A – ERRADA – A prosa naturalista não condena os assuntos repulsivos e bestiais, pelo contrá- rio, explora-os amparada nas teorias científi- cas do período. B – ERRADA – O Determinismo aponta o domí- nio dos instintos e a redução do papel da ra- zão, incapaz, muitas vezes, de controlá-los. No trecho, os “velhos respeitáveis” não conse- guem resistir à atração sexual exercida pela prostituta Léonie, submetendo-se a ela. C – ERRADA – O trecho não revela crítica aos aspectos animalescos; apenas evidencia a per- cepção deles por Pombinha e a possibilidade de utilizá-los para impor suas vontades aos homens. Esse reconhecimento é típico do Naturalismo, e não do Realismo. D – ERRADA – O fragmento de O cortiço não mostra idealização do mundo e do homem, confrontando os pressupostos naturalistas, co- mo afirma a alternativa. Ele reforça a concep- ção de que o homem é fruto do meio e se sub- mete aos sentidos. E – CERTA – As observações de Pombinha, com base naquilo que Léonie lhe mostrou, confir- mam os pressupostos naturalistas de que o homem submete-se aos seus instintos e abrem caminho para que a personagem, posterior- mente, utilize a força do sexo para se impor aos homens. TCP_VU_LA_CADERNO_REVISAO_034A041.indd 41 26/02/14 15:57