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É correto afirmar que:
a) se trata basicamente de um texto naturalista, fundado no Determinismo.
b) o texto revela um juízo crítico do contexto escravista da época.
c) o narrador se apresenta bastante sisudo e amargo, bem ao gosto machadiano.
d) o texto apresenta papéis sociais ambíguos das personagens em foco.
e) os comportamentos desumanos do narrador são sutilmente desnudados.
6. (UFRN) A passagem abaixo é extraída do capítulo “Das negativas”, de Memó-
rias Póstumas de Brás Cubas.
Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebrida-
de do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casa-
mento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna 
de não comprar o pão com o suor do meu rosto. Mais; não padeci 
a morte de Dona Plácida, nem a semidemência de Quincas Borba. 
Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não 
houve míngua nem sobra, e conseguintemente que saí quite com a 
vida. E imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado do mistério, 
achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste 
capítulo de negativas: — Não tive filhos, não transmiti a nenhuma 
criatura o legado da nossa miséria.
Machado de assis. Memórias póstumas de Brás Cubas. 27. ed. São Paulo: Ática, 1999. p. 176.
Neste capítulo, Brás Cubas faz uma espécie de balanço de sua existência, em que:
a) demonstra tristeza por não ter conseguido um saldo positivo em sua vida.
b) lamenta suas dificuldades e o fato de não ter tido sucesso em sua vida.
c) orgulha-se por não ter deixado filhos para herdarem a infelicidade humana.
d) desculpa-se pelo fato de não ter suportado o sofrimento como seus amigos.
7. (Fuvest-SP) Texto para questão.
Assim se explicam a minha estada debaixo da janela de Capitu e a 
passagem de um cavaleiro, um dandy, como então dizíamos. Montava 
um belo cavalo alazão, firme na sela, rédea na mão esquerda, a direita 
à cinta, botas de verniz, figura e postura esbeltas: a cara não me era 
desconhecida. Tinham passado outros, e ainda outros viriam atrás; to-
dos iam às suas namoradas. Era uso do tempo namorar a cavalo. Relê 
Alencar: “Porque um estudante (dizia um dos seus personagens de teatro 
de 1858) não pode estar sem estas duas coisas, um cavalo e uma na-
morada”. Relê Álvares de Azevedo. Uma das suas poesias é destinada 
a contar (1851) que residia em Catumbi, e, para ver a namorada no 
Catete, alugara um cavalo por três mil-réis...
Machado de assis. Dom Casmurro.
Considerando-se o excerto no contexto da obra a que pertence, pode-se afir-
mar corretamente que as referências a Alencar e a Álvares de Azevedo reve-
lam que, em Dom Casmurro, Machado de Assis:
a) expôs, embora tardiamente, o seu nacionalismo literário e sua consequen-
te recusa de leituras estrangeiras.
b) negou ao Romantismo a capacidade de referir-se à realidade, tendo em vis-
ta o hábito romântico de tudo idealizar e exagerar.
c) recusou, finalmente, o Realismo, para começar o retorno às tradições ro-
mânticas que irá caracterizar seus últimos romances.
d) declarou que o passado não tem relação com o presente e que, portanto, 
os escritores de outras épocas não mais merecem ser lidos.
e) utilizou, como em outras obras suas, seus elementos do legado de seus 
predecessores locais, alterando-lhes, entretanto, contexto e significado.
C – ERRADA – Embora sugira uma revisão de 
suas atitudes de criança, o narrador não assu-
me tom amargo, parecendo divertir-se ao con-
tar as traquinagens realizadas e justificar seu 
comportamento pela natureza infantil.
D – ERRADA – Os papéis sociais estão bastante 
definidos. Os escravos subordinam-se aos do-
nos, mesmo quando são crianças e cometem 
atos brutais.
E – ERRADA – Não há sutileza na referência 
aos “comportamentos desumanos” do narra-
dor quando criança. Os detalhes evidenciam a 
brutalidade dos atos, ainda que a narrativa os 
coloque como inerentes a uma criança levada. 
6. Resposta: c
A – ERRADA – Brás Cubas comenta que morre 
com um “pequeno saldo”, não ter tido filhos, o 
que seria positivo, segundo sua opinião.
B – ERRADA – Embora não tenha alcançado al-
guns objetivos, como fazer o emplasto ou ser 
ministro, Brás Cubas também não precisou vi-
venciar situações difíceis, como a necessidade 
de empenhar-se em um trabalho ou acompa-
nhar a morte de um amigo, por isso, em seu 
discurso, não predomina a lamentação.
C – CERTA – Brás Cubas afirma que, indepen-
dentemente de conquistas e de fracassos, con-
sidera tem um saldo positivo na vida, o fato de 
não ter tido filhos, pois, assim, não precisou 
transmitir a eles “o legado da nossa miséria”, 
isto é, a infelicidade humana.
D – ERRADA – Brás Cubas considera-se sortudo 
(“boa fortuna”) por não ter tido de acompa-
nhar a morte e a demência de amigos, nem vi-
ver situação parecida.
7. Resposta: e
A – ERRADA – A obra de Machado de Assis, em 
todas as suas fases, é marcada por forte inter-
textualidade, evidenciada em citações tanto 
de autores nacionais quanto estrangeiros.
B – ERRADA – Os textos de José de Alencar e 
de Álvares de Azevedo, dois autores românti-
cos, servem para a documentação da prática 
do namoro no período anterior, portanto, não 
há a afirmação de que o Romantismo é inca-
paz de se referir à realidade.
C – ERRADA – A obra de Machado de Assis é di-
vidida em duas fases – A primeira é romântica 
e a segunda, realista.
D – ERRADA – Ao resgatar os depoimentos de 
José de Alencar e Álvares de Azevedo, 
Machado sugere a importância da leitura de 
textos do passado, cuja validade se mantém.
E – CERTA – Os textos dos autores românticos 
citados funcionaram como ilustrações da prá-
tica do namoro em sua adolescência, contem-
porânea à cultura romântica. Como aparece na 
alternativa, essa retomada ganha novo signifi-
cado, já que o narrador Bento Santiago refere-
-se a ela para ironizar a figura do rapaz que 
havia despertado o interesse de Capitu.
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8. (Ufam)
Daí a pouco, em volta das bicas era um zum-zum crescente, uma aglo-
meração tumultuosa de machos e fêmeas. Uns, após outros, lavavam a 
cara, incomodamente, debaixo do fio d’água que escorria da altura de uns 
cinco palmos. O chão inundava-se. As mulheres precisavam já prender as 
saias entre as coxas para não as molhar; via-se-lhes a tostada nudez dos 
braços e do pescoço, que elas despiam, suspendendo o cabelo todo para o 
alto do casco; os homens, esses não se preocupavam em não molhar o pelo, 
ao contrário metiam a cabeça bem debaixo da água e esfregavam com força 
as ventas e as barbas, fossando e fungando contra as palmas das mãos.
azevedo, Aluísio de. O cortiço. São Paulo: Martins Fontes, 1968.
Este fragmento pertence a O Cortiço, obra emblemática do Naturalismo. São ca-
racterísticas desse fragmento, típicas desse movimento literário, entre outras:
a) o idealismo na descrição feminina.
b) a sensualidade idealizada.
c) a visão da realidade atrelada aos elementos naturais.
d) a fuga à realidade, a partir de um local idealizado, como o cortiço.
e) a descrição visando aproximar homens de animais e destacar aspectos de-
sagradáveis do ambiente.
9. (Unifesp) Considere o trecho de O Cortiço, de Aluísio Azevedo.
Uma aluvião de cenas, que ela [Pombinha] jamais tentara explicar e 
que até ali jaziam esquecidas nos meandros do seu passado, apresenta-
vam-se agora nítidas e transparentes. Compreendeu como era que cer-
tos velhos respeitáveis, cuja fotografia Léonie lhe mostrou no dia que 
passaram juntas, deixavam-se vilmente cavalgar pela loureira, cativos e 
submissos, pagando a escravidão com a honra, os bens, e até com a pró-
pria vida, se a prostituta, depois de os ter esgotado, fechava-lhes o cor-
po. E continuou a sorrir, desvanecida na sua superioridade sobre esse 
outro sexo, vaidoso e fanfarrão, que se julgava senhor e que, no entan-
to, fora posto no mundo simplesmente para servir ao feminino; escravo 
ridículo que, para gozar um pouco, precisava tirar da sua mesma ilusãoa substância do seu gozo; ao passo que a mulher, a senhora, a dona dele, 
ia tranquilamente desfrutando o seu império, endeusada e querida, pro-
digalizando martírios, que os miseráveis aceitavam contritos, a beijar 
os pés que os deprimiam e as implacáveis mãos que os estrangulavam.
— Ah! homens! homens! ... sussurrou ela de envolta com um suspiro.
No texto, os pensamentos da personagem:
a) recuperam o princípio da prosa naturalista, que condena os assuntos re-
pulsivos e bestiais, sem amparo nas teorias científicas, ligados ao homem 
que põe em primeiro plano seus instintos animalescos.
b) elucidam o princípio do determinismo presente na prosa naturalista, reve-
lando os homens e as mulheres conscientes dos seus instintos em função 
do meio em que vivem e, sobretudo, capazes de controlá-los.
c) trazem uma crítica aos aspectos animalescos próprios do homem, mas, por 
outro lado, revelam uma forma de Pombinha submeter a muitos deles para 
obter vantagens: eis aí um princípio do Realismo rechaçado no Naturalismo.
d) constroem uma visão de mundo e do homem idealizada, o que, em certa me-
dida, afronta o referencial em que se baseia a prosa naturalista, que define o 
homem como fruto do meio, marcado pelo apelo dos seus sentidos.
e) consubstanciam a concepção naturalista de que o homem é um animal, 
preso aos instintos e, no que dizem respeito à sexualidade, vê-se que Pom-
binha considera a mulher superior ao homem, e esse conhecimento é uma 
forma de se obterem vantagens.
8. Resposta: e
A – ERRADA – O Naturalismo buscou aproxi-
mar-se da realidade, eliminando traços de 
idealização. As personagens são reveladas em 
seus aspectos comuns, incluindo, muitas ve-
zes, o sórdido.
B – ERRADA – A sensualidade apresentada no 
Naturalismo não contém idealização; pelo con-
trário, é muitas vezes rebaixada, já que aspec-
tos ligados aos instintos ganham destaque e as 
personagens recebem traços de animalização.
C – ERRADA – O Naturalismo não privilegia ele-
mentos naturais para a representação da reali-
dade, cujo foco é o social.
D – ERRADA – A evasão é uma característica 
romântica, ligada à idealização. No 
Naturalismo, o autor busca ancorar-se firme-
mente na realidade, mostrando-a de modo ob-
jetivo e preciso. O cortiço, descrito no frag-
mento, é um lugar sujo e miserável, não con-
tando, portanto, com uma qualificação ideal.
E – CERTA – O Naturalismo aborda a brutalidade 
das relações sociais, geralmente explicitando a 
exploração do homem por meio de sua animali-
zação e submissão a ambientes hostis. A anima-
lização também está relacionada à ênfase de 
comportamentos instintivos, não racionais. 
9. Resposta: e
A – ERRADA – A prosa naturalista não condena 
os assuntos repulsivos e bestiais, pelo contrá-
rio, explora-os amparada nas teorias científi-
cas do período.
B – ERRADA – O Determinismo aponta o domí-
nio dos instintos e a redução do papel da ra-
zão, incapaz, muitas vezes, de controlá-los. No 
trecho, os “velhos respeitáveis” não conse-
guem resistir à atração sexual exercida pela 
prostituta Léonie, submetendo-se a ela.
C – ERRADA – O trecho não revela crítica aos 
aspectos animalescos; apenas evidencia a per-
cepção deles por Pombinha e a possibilidade 
de utilizá-los para impor suas vontades aos 
homens. Esse reconhecimento é típico do 
Naturalismo, e não do Realismo.
D – ERRADA – O fragmento de O cortiço não 
mostra idealização do mundo e do homem, 
confrontando os pressupostos naturalistas, co-
mo afirma a alternativa. Ele reforça a concep-
ção de que o homem é fruto do meio e se sub-
mete aos sentidos.
E – CERTA – As observações de Pombinha, com 
base naquilo que Léonie lhe mostrou, confir-
mam os pressupostos naturalistas de que o 
homem submete-se aos seus instintos e abrem 
caminho para que a personagem, posterior-
mente, utilize a força do sexo para se impor 
aos homens.
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