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Direito do Consumidor - Tema 7 Noções básicas de Direito (Colegio Adventista de Boa Vista) Digitalizar para abrir em Studocu A Studocu não é patrocinada ou endossada por nenhuma faculdade ou universidade Direito do Consumidor - Tema 7 Noções básicas de Direito (Colegio Adventista de Boa Vista) Digitalizar para abrir em Studocu A Studocu não é patrocinada ou endossada por nenhuma faculdade ou universidade Baixado por Programador Develop (estefanyy929a@gmail.com) lOMoARcPSD|49191859 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=direito-do-consumidor-tema-7 https://www.studocu.com/pt-br/document/colegio-adventista-de-boa-vista/nocoes-basicas-de-direito/direito-do-consumidor-tema-7/73760038?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=direito-do-consumidor-tema-7 https://www.studocu.com/pt-br/course/nocoes-basicas-de-direito/4489413?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=direito-do-consumidor-tema-7 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=direito-do-consumidor-tema-7 https://www.studocu.com/pt-br/document/colegio-adventista-de-boa-vista/nocoes-basicas-de-direito/direito-do-consumidor-tema-7/73760038?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=direito-do-consumidor-tema-7 https://www.studocu.com/pt-br/course/nocoes-basicas-de-direito/4489413?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=direito-do-consumidor-tema-7 Direito do Consumidor – UNICARIOCA TEMA 7: 2.3.2. Fornecedor (Artigo 3° do CDC). São fornecedores as pessoas capazes, físicas ou jurídicas, além dos entes desprovidos de personalidade (massa falida). Sem dúvida, os requisitos fundamentais para a caracterização do fornecedor na relação jurídica de consumo são o da habitualidade e do profissionalismo na atividade fim, ou seja, o exercício contínuo e profissional de determinado serviço ou fornecimento de produto. Exemplo: um estudante que vende produtos para pagar seus estudos é considerado fornecedor para o CDC. Exemplo: se uma loja vende seu computador usado para comprar um novo com a intenção de melhorar o sistema de vendas, ela não é fornecedora, pois não há, neste caso, relação de consumo com seus clientes. Exemplo: Se você compra e vende carros com habitualidade e atividade central, será considerado fornecedor. Caso venda o carro para comprar um novo, para uso da família, não é considerado fornecedor, devendo ser regulado pelo Direito Civil. Exemplo: o camelô, mesmo sendo uma pessoa jurídica de fato, deve ser enquadrado como fornecedor pela sua habitualidade ao suprir o mercado de consumo. Exemplo: uma pessoa que presta serviços, mesmo sem ser caracterizada como profissional liberal, tal como eletricista e o encanador são considerados fornecedores. Por fim, é importante explicar que fornecedor é gênero do qual o fabricante, o produtor, o construtor, o importador e o comerciante são espécies. 2.3.3. Produto (Artigo 3°, §1°, do CDC). Corresponde ao elemento objetivo da relação de consumo, isto é, o objeto sobre o qual recai a relação jurídica consumerista. Pode ser bem móvel ou imóvel, material ou imaterial, novo ou usado, fungível ou infungível, principal ou acessório, corpóreo ou incorpóreo, suscetível de apropriação e que tenha valor econômico, destinado a satisfazer uma necessidade do consumidor. Observação: O produto gratuito está protegido pelo CDC, porém serviço gratuito não, somente o remunerado. A amostra grátis submete-se às regras dos demais produtos, quanto aos vícios, defeitos, prazos de garantia, etc (Art. 39, CDC) É considerável durável o produto que não se extingue com seu uso, levando tempo para se desgastar. Exemplo: Automóvel, Casa, Telefone Celular. Baixado por Programador Develop (estefanyy929a@gmail.com) lOMoARcPSD|49191859 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=direito-do-consumidor-tema-7 Cuidado: Produto descartável é o durável de baixa durabilidade. Exemplo: Camera Descartável. Produto não durável é aquele que se acaba com o uso. Exemplo: Alimentos, Remédios, Cosmético, Sabonete, os Produtos in natura (que não passam pelo sistema de industrialização – Exemplo: os derivados direto da produção agrícola ou do mercado de pescado). 2.3.4. Serviços (Artigo 3°, §2°, do CDC). Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista. É serviço remunerado aquele em que há alguma contraprestação em troca do serviço. É suficiente a remuneração indireta para caracterizar o serviço remunerado. Exemplo: estacionamento gratuito do shopping, em que há uma remuneração indireta. Isso porque no valor dos produtos estão embutidos essa despesa do shopping. Serviço gratuito é aquele em que não há nenhuma contraprestação, seja direta ou indireta. Observação: Muito se discute a aplicação consumerista nas relações de locação imobiliária. Entretanto, a jurisprudência majoritária defende que não se aplica o CDC nas relações locatícias, vez que existe norma específica que regulamenta a relação locatícia a Lei 8.245/91. 2.4. Princípios do Direito do Consumidor. a) Dignidade da Pessoa Humana: O princípio da Dignidade Pessoa Humana configura a garantia mais importante inserida na Constituição Federal, por constituir o primeiro fundamento de todo o sistema constitucional. A partir da dignidade da pessoa humana que deverão ser interpretadas todas as demais garantias constitucionais. Vale salientar que o princípio da dignidade da pessoa humana esculpido no art. 1º, III da Carta Magna é coerente em afirmar que a defesa do consumidor busca em verdade a proteção e resguardo da pessoa humana, que deve ser sobreposta aos interesses produtivos e patrimoniais. b) Isonomia: Nem toda discriminação fere o princípio da isonomia, na medida em que discriminações existem, por vezes, para restabelecer a igualdade entre as pessoas. Baixado por Programador Develop (estefanyy929a@gmail.com) lOMoARcPSD|49191859 É justamente o que ocorre com os direitos do consumidor. Esse princípio constitucional penetra no direito do consumidor na forma de princípio da vulnerabilidade do consumidor. c) Vulnerabilidade do Consumidor (art. 4º, I do CDC): Para Cláudia Lima Marques o princípio da vulnerabilidade se apresenta em três vertentes: - Vulnerabilidade técnica é o desconhecimento das características técnicas do produto ou serviço. Nesse prisma o consumidor, sendo desconhecedor da técnica, pode ser facilmente enganado pelo profissional o que requer maior proteção do CDC. Acrescenta que o consumidor profissional pode ser carecedor desse conhecimento técnico chamando para si a aplicação do CDC. Assevera, ainda, que a vulnerabilidade técnica no CDC é presumida. - Vulnerabilidade jurídica pode ser também científica. É a falta de conhecimentos jurídicos, econômicos e contábeis. Para o consumidor não profissional essa vulnerabilidade é presumida, mas para os profissionais e pessoas jurídicas a presunção é de que devam ter tais conhecimentos. - Vulnerabilidade fática é o mesmo que vulnerabilidade sócio-econômica. O fornecedor, pela natureza do produto ou por seu “grande poder econômico”, impõe aos seus consumidores as suas condições. A vulnerabilidade fática é presumida para o consumidor não-profissional, mas não é para o consumidor profissional ou para a pessoa jurídica.Observação Importante: Devemos diferenciar vulnerabilidade de hipossuficiência. Esta última casos de fragilidade físicopsíquica, tais como ocorre com crianças, idosos e doentes, o princípio aplicável é o da hipossuficiência, dada à extrema vulnerabilidade. d) Boa-fé (Artigo 4°, III e 51, IV, CDC): possui dois sentidos diferentes: uma concepção subjetiva e outra objetiva. A concepção subjetiva corresponde ao estado psicológico da pessoa, ou seja, sua intenção ou seu convencimento de estar agindo de forma a não prejudicar ninguém (desconhecimento). Já a concepção objetiva significa uma regra de conduta de acordo com os ideais de honestidade, probidade e lealdade, ou seja, as partes contratuais devem agir sempre respeitando a confiança e os interesses do outro. e) Transparência: Por esse princípio as partes têm o dever de trazerem informações claras e precisas sobre a relação de consumo a ser firmada. O art. 36 do CDC informa: “os contratos que regulam as relações de consumo não obrigarão aos consumidores, se não lhes forem dada a oportunidade de tomar conhecimento prévio de seu conteúdo”. Baixado por Programador Develop (estefanyy929a@gmail.com) lOMoARcPSD|49191859 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=direito-do-consumidor-tema-7 f) Equilibrio Contratual ou Equidade: O princípio da equidade tem incidência na fase de execução contratual. É o princípio que visa garantir a justiça contratual. Impede a imposição de cláusulas que imponham desvantagens unilaterais ou exageradas para o consumidor, entre outros. Estabelece o CDC no seu art. 51, IV: “São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que: IV – estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, ou sejam incompatíveis com a boa-fé ou a eqüidade”. g) Reparação Integral: É um princípio relativo à reparação de danos, caso o consumidor sofra um dano, a reparação que lhe é devida deve ser a mais ampla possível, abrangendo a todos os danos causados. Dentre os direitos básicos do Consumidor, consagrados no art. 6, VI, do CDC encontra-se a “efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos”, o que indica uma reparação de forma efetiva, real, e integral, sendo vedado ao fornecedor condicionar a reparação. Cuidado: A reparação pode ser limitada quando o consumidor for pessoa jurídica, em situações justificáveis (Artigo 51, I, CDC). h) Solidariedade: A solidariedade também está relacionada à responsabilidade aos danos causados aos consumidores. Cabe ao fornecedor responder por quaisquer vícios ou fatos relativos ao produto ou serviço. O artigo 7, parágrafo único do CDC estatui: “Tendo mais de um autor a ofensa, todos responderão solidariamente pela reparação dos danos previstos nas normas de consumo”. Também art. 25 do CDC reza que: “É vedada a estipulação contratual de cláusula que impossibilite, exonere ou atenue a obrigação de indenizar prevista nesta e nas seções anteriores. § 1° Havendo mais de um responsável pela causação do dano, todos responderão solidariamente pela reparação prevista nesta e nas seções anteriores”. A solidariedade aparece novamente nos artigos 18, 19 e 34, do CDC, comprovando, portanto, que o consumidor pode se valer do instituto para, efetivamente, ser indenizado pelos danos sofridos nas relações jurídicas de consumo. i) Interpretação Mais Favorável ao Consumidor: Trata-se de um princípio que proclama a interpretação contra a parte mais forte, aquela que estipulou o conteúdo do pacto contratual, como ocorre no contrato de adesão. Este princípio está expresso no CDC, no art. 47 “As cláusulas contratuais serão interpretadas de maneira mais favorável ao consumidor”. Baixado por Programador Develop (estefanyy929a@gmail.com) lOMoARcPSD|49191859 Vale salientar que este princípio será aplicável não apenas às cláusulas contratuais, mas também em relação às leis em geral, ou seja, havendo conflito, aplica-se a lei ou a cláusula que melhor atenda aos interesses do consumidor. Baixado por Programador Develop (estefanyy929a@gmail.com) lOMoARcPSD|49191859 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=direito-do-consumidor-tema-7