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Crise do modelo burocrático de gestão de políticas públicas e transição para modelos alternativas EXPLICAR A CRISE E ESGOTAMENTO DO MODELO BUROCRÁTICO CLÁSSICO DE GESTÃO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS NO BRASIL E DESCREVER OS MODELOS ALTERNATIVOS DE GESTÃO QUE FORAM PROPOSTOS E ADOTADOS. Considerações preliminares Após a implementação da política de ajuste fiscal e estabilização da economia brasileira, o governo federal enfrentou o desafio de gerir de forma mais eficiente os escassos recursos disponíveis para serem investidos em políticas públicas. Administrar melhor os recursos públicos dependeria de uma efetiva reforma do aparelho do Estado, o que de fato foi feito. No contexto de reforma estatal, a administração pública no Brasil experimentou novos modelos de gestão, entre eles: o gerencial, o participativo e o empreendedor. A superação do modelo burocrático de gestão administrativa O cientista social alemão, Max Weber, salientou em seus estudos sociológicos que a burocracia moderna representava a estrutura administrativa mais eficiente quando comparada com outros tipos de estruturas administrativas, pré-modernas e antigas. De fato, quando Weber desenvolveu seus estudos sobre este tema, ele tinha razão ao defender a tese da superioridade técnica da administração de tipo burocrática (que funcionava a partir dos princípios de racionalidade e legalidade) como modelo mais avançado para se alcançar resultados, sobretudo quando consideramos a organização empresarial capitalista e a extensa estrutura do aparelho do Estado na sociedade industrial. Não obstante, no transcurso do século XX, as teorias administrativas avançaram ao proporem novos modelos de gestão das organizações complexas, como é o caso das corporações empresariais e da administração pública estatal. Nesta nova conjuntura, a partir da década de 1960 nos países desenvolvidos, o modelo burocrático clássico de gestão — altamente centralizado, hierárquico e rígido — cede lentamente lugar a modelos mais flexíveis, tanto das empresas como dos órgãos públicos. 18/11/2024, 14:23 AVA UNINOVE https://ava.uninove.br/seu/AVA/topico/container_impressao.php 1/5 [...] reduziram o aparelho do Estado, demitindo funcionários e eliminando órgãos, sem antes assegurar a legalidade das medidas através da reforma da Constituição. [...], além disso, a intervenção na administração pública desorganizou ainda mais a já precária estrutura burocrática existente. (BRESSER PEREIRA, 1996) Crise administrativa pública federal no Brasil No caso do Brasil, país de desenvolvimento econômico tardio, o modelo burocrático clássico nunca chegou a ser plenamente implantado na administração pública, pelo fato dos governos e dos órgãos públicos (autarquias, fundações, empresas) terem servido aos interesses particularistas e ao clientelismo de grupos locais municipais e estaduais, bem como aos interesses corporativos de funcionários e servidores públicos. Somado a estes problemas, destacam-se os baixos investimentos governamentais nas estruturas organizacionais (recursos humanos, materiais e técnicos). A tarefa de reforma administrativa no Brasil era, portanto, premente e também mais desafiadora, porque foi necessário enfrentar privilégios corporativos mascarados sob a forma de direitos assegurados, quadro de funcionários desmotivados e mal capacitados, bem como a necessidade de bloquear o aparelhamento político dos órgãos públicos (representada pelas práticas clientelistas dos governos no loteamento de cargos e órgãos públicos). Além desses desafios, acrescenta-se o processo errático (totalmente falho) do diagnóstico e encaminhamento das primeiras tentativas de reforma da administração pública, nas gestões governamentais dos presidentes Sarney e Collor de Melo que, por falta de experiência e competência: Por conta dessas decisões erráticas, a administração pública no Brasil, que já tinha baixa capacidade de formulação, planejamento, implementação e controle das políticas públicas, se deparou com uma situação extremamente crítica. No auge da crise da administração pública federal, surgiram intensos debates na área acadêmica e no parlamento com vistas à reforma do aparelho do Estado, paralelamente à adoção de modelos e meios alternativos de gestão das políticas públicas. Esses modelos alternativos são considerados pós-burocráticos, entre os mais importantes estão: o gerencial, o participativo e o empreendedor. Na próxima aula, será problematizado o modelo gerencial de gestão administrativa, tendo como foco a implementação de políticas públicas. REFERÊNCIA ARRETCHE, Marta. Estado federativo, políticas sociais: determinantes da descentralização. São Paulo: Fapesp, 2003. Objeto disponível na plataforma Informação: 18/11/2024, 14:23 AVA UNINOVE https://ava.uninove.br/seu/AVA/topico/container_impressao.php 2/5 BARROS, Ricardo Paes de; HENRIQUES, Ricardo; MENDONÇA, Rosane. Desigualdade e Pobreza no Brasil: retrato de uma estabilidade inaceitável. São Paulo. Revista Brasileira de Ciências Sociais, Vol. 15, n. 42, p. 123¿148, fevereiro de 2000. BRESSER PEREIRA, Luiz Carlos. Da administração pública burocrática à gerencial. Revista do Serviço Público, nº 47 (1), janeiro¿abril de 1996. CARNEIRO, Ricardo. Desenvolvimento em crise: a economia brasileira no último quarto do século XX. São Paulo: Edunesp-Edunicamp, 2002. COSTA, Nilson do Rosário. A proteção social no Brasil: universalismo e focalização nos governos FHC e Lula. Revista Ciência e Saúde Coletiva, n. 3, vol. 14, p. 693¿704. 2009. GONÇALVES, Maria Flora; BRANDÃO, Carlos Antônio; GALVÃO, Antônio Carlos. (Org.). Regiões e cidades, cidades nas regiões. O desafio urbano-regional. São Paulo: Unesp, 2003. MERCADANTE, Aloizio. O governo Lula e a construção de um Brasil mais justo. Coleção Brasil em Debate, vol. 4. 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