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Sumário 
 
Carta ao Aluno .................................................................................................................... 3 
Introdução ........................................................................................................................... 4 
Objetivos ............................................................................................................................. 6 
CAPÍTULO 1 - CONHECIMENTOS CARTOGRÁFICOS ..................................................... 7 
CAPÍTULO 2 – SISTEMA DE REFERÊNCIA .....................................................................12 
2.1 – Sistema de coordenadas geográficas. ................................................................13 
2.2 – Projeções Cartográficas. ......................................................................................15 
2.3 – Projeção UTM ........................................................................................................18 
CAPÍTULO 3 - SENSORIAMENTO REMOTO ....................................................................23 
CAPÍTULO 4 – GEOPROCESSAMENTO E SISTEMA DE INFORMAÇÕES 
GEOGRÁFICAS ..................................................................................................................44 
5 – APLICAÇÕES DO GEOPROCESSAMENTO ...............................................................54 
6 – CONCLUSÃO ...............................................................................................................57 
RESUMO .............................................................................................................................58 
CONTEÚDO DE FIXAÇÃO: ................................................................................................59 
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................60 
REFRÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS : ...................................................................................61 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Carta ao Aluno 
 
Caro(a) aluno(a), 
Seja bem-vindo a Disciplina de Geoprocessamento ambiental! 
 
O Geoprocessamento é uma ferramenta de trabalho extremamente importante em 
diferentes ramos do conhecimento científico-acadêmico e, também, na gestão pública, na 
conservação e licenciamento ambiental, no ordenamento territorial das cidades, na 
identificação de áreas de risco de inundações e deslizamentos, etc. Através da análise das 
informações e de dados espacialmente delimitados, o geoprocessamento possibilita ao 
profissional de diversas áreas a tomada de decisão com um embasamento muito maior e, 
também com maior precisão. O surgimento do geoprocessamento só foi possível devido ao 
desenvolvimento tecnológico. Ou seja, as informações que eram utilizadas para a 
confecção de mapas de papel, que tinham diferentes finalidades e aplicabilidade, a partir 
da segunda metade do século XX passaram a ser guardadas em computadores com 
capacidade de processamento e armazenamento de dados cada vez maiores. Esses 
dados armazenados são tratados através de técnicas matemáticas e computacionais e são 
utilizados em diferentes setores. As bases do geoprocessamento são o sensoriamento 
remoto e a cartografia. Portanto, começaremos os nossos estudos destacando os 
principais pontos da cartografia e do sensoriamento remoto, essenciais para que 
entendamos o desenvolvimento do geoprocessamento. 
 
 
 
 
 
 
 Introdução 
 
O ser humano sempre teve necessidade de armazenar informações de alguma 
forma. As grandes expedições geográficas à África e à Ásia, nos século XVIII e XIX, 
financiadas pelas potências imperialistas da época, tinham como finalidade coletar dados e 
informações sobre esses continentes, que seriam posteriormente dominados pelos países 
europeus. Essas informações deram origem a inúmeros relatos e, sobretudo, mapas, que 
eram considerados objetos estratégicos nessa disputa pela conquista de novos territórios, 
riquezas minerais e naturais e mercado consumidor. Contudo, para cada aspecto era 
necessário o desenho de um novo mapa. Ou seja, para se delimitar os tipos de vegetação 
se confeccionava um mapa, para o relevo outro mapa, para se delimitar a existência e 
localização de povos autóctones ou reserva de minério eram feitos outros mapas. Quase 
todas as informações deveriam ser espacializadas e delimitadas. Um trabalho complexo, 
caro e que deveria ser refeito devido a necessidade de aperfeiçoamento dos dados 
coletados. De uma forma em geral, porém com um nível de desenvovimento tecnológico 
mais preciso, o armazenamento de dados em papel, ou seja, em mapas isolados ou 
mapas temáticos, continuou até a segunda metade do século XX. 
A evolução que alterou profundamente toda essa forma de armazenamento de 
informações foi o desenvolvimento tecnológico da segunda metade do século XX, 
especificamento o desenvolvimento da computação. A possibilidade de armazenamento de 
um grande número de dados e informações diferentes, a agilidade no cruzamento desses 
e, especificamente, a facilidade de espacializá-los revolucionou vários ramos de pesquisa 
como a cartografia, a agricultura de precisão, os transportes, a comunicação, o 
planejamento urbano etc. 
Nessa disciplina iremos abordar as bases do geoprocessamento, a saber, a 
cartografia e o sensoriamento remoto. Sem esses conhecimentos a espacialização das 
informações se mostra inviável, assim como, a geração de imagens e a confecção de 
 
 
mapas. Iremos estudar, também, o Sistema de Informações Geográficas (SIG), que é a 
ferramenta computacional para o geoprocessamento. O SIG permite que análises 
complexas de diversos bancos de dados sejam georreferenciadas e se transformem em 
informações úteis e precisas para diferentes ramos profissionais. Dessa forma, a aquisição 
de dados deve estar diretamente ligada ao objetivo do trabalho e ter parâmetros bem 
definidos. Estudaremos, também, a utilização do geoprocessamento em duas áreas 
específicas, a gestão das cidades e o licenciamento ambiental. Vamos começar! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Objetivos 
 
 
A disciplina de Geoprocessamento Ambiental propõe-se apresentar essa ferramenta de 
trabalho essencial para os profissionais de diversas áreas, tanto ambiental quanto na 
gestão pública. Abordaremos, para tanto, os principais conhecimentos da cartografia que 
são essenciais para que consigamos compreender o processo de georreferncialmente das 
imahgens, dos doados e das informações coletadas. Estudaremos, também, os princípios 
básicos do Sensoriamento Remoto área de conhecimento que está bastante atrelada ao 
geoprocessamento. No avançar da disciplina estudaremos a aplicação do 
geoprocesamento no licenciamento ambiental e na gestão das cidades. 
Dessa forma, os objetivos específicos dessa disciplina são: 
 
 Conhecer os principais conteúdos da cartografia. 
 Conhecer os aspectos teóricos e práticos do sensoriamento remoto. 
 Aprender o que é o geoprocessamento. 
 Avaliar a importância do geoprocessamento para diversas áreas profissionais 
atualmente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAPÍTULO 1 - CONHECIMENTOS CARTOGRÁFICOS 
 
Um dos maiores desafios da humanidade, hoje e sempre, é como representar o 
Planeta Terra em uma simples folha de papel? Ou seja, como transpor as regiões do 
nosso planeta esférico para uma folha e, ao mesmo tempo, respeitar as dimensões, as 
proporções das áreas e o formato dos continentes e oceanos? Esse é o desafio primeiro 
da Ciência Cartográfica. Em 1966 a Associação Cartográfica Internacional (ACI – Sigla em 
inglês) definiu a cartografia como: 
"A Cartografia apresenta-se como o conjunto de estudos e operações 
científicas, técnicas e artísticas que, tendo por base os resultados de observações 
diretas ou da análise de documentação, sedia o geoprocessamento está presente no cotidiano de grande parte da 
população do planeta, mesmo que isso não seja percebido pela maior parte das pessoas. 
Mas, o simples fato de utilizarmos o celular para chamar um transporte por aplicativo de 
celular faz com que estejamos usando os conhecimentos cartográficos aliados ao 
sensoriamento remoto e ao geoprocessamento. 
 Na gestão das cidades o geoprocessamento é uma ferramenta essencial para a 
construção de cadastros de imóveis urbanos visando a cobrança de IPTU ou para o 
controle do crescimento desordenado da cidade em direção às áreas de proteção 
ambiental ou de risco. Uma outra grande utilização do geoprocessamento está no 
monitoramento da vazão de rios tanto em períodos de estiagem quanto para minimizar os 
riscos de enchentes em períodos chuvosos. 
 Dessa forma, não há como negar que esse conhecimento é essencial para os 
profissionais que desejem expandir a sua área de atuação e enfrentar novos desafios que 
o geoprocessamento possibilita ultrapassar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RESUMO 
 
A disciplina Geoprocessamento visa mostrar a importante ferramenta de trabalho 
que para diferentes ramos profissionais atuais. Para tanto, os conhecimentos da 
cartografia, que estão na base tanto do sensoriamento remoto quanto do 
geoprocessamento são aboradados na primeira parte desse curso. Conhecimentos como 
a forma real da Terra e as projeções Cartográficas mostram-se essenciais pois o aluno 
deve estar ciente de que em todo mapeamento haverá algum nível de distorção ou erro, 
que deve ser minimizado com a utilização de técnicas matemáticas de correção. 
Em um segundo momento abordamos a tecnologia do sensoriamento remoto 
destacando seus elementos principais como os diferentes tipos de energia e de geração 
de imagens. A partir desse momento nos debruçamos sobre a tecnologia de satélites e 
das formas de gerar imagens para diferentes fins. Essas imagens são as bases do 
geoprocessamento, sobretudo no mapeamento de áreas de impactos ambientais urbanos 
ou rurais. 
Por fim, as importâncias do geoprocessamento e do SIG foram destacadas. Dessa 
forma, foi possível reconhecer que o conhecimento da tecnologia do geoprocessamento é 
essencial para o profissional que queira avançar na sua carreira e profissão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CONTEÚDO DE FIXAÇÃO: 
 
Para ter acesso a mais de 20000 mapas de todos os tipos produzidos pelo IBGE 
acesse https://mapas.ibge.gov.br/ 
 
Para download de dados ambientais acesse o site do Ministério do Meio Ambiente em 
http://mapas.mma.gov.br/i3geo/datadownload.htm 
 
O Instituto Nacional de Pesquisa Espacial disponibilisa farto material sobre a geração 
de imagens e informção sobre as características dos principais satélites em órbita 
atuamente. Acesse http://www.dgi.inpe.br/siteDgi/portugues/index.php 
 
 
 
 
 
 
 
https://mapas.ibge.gov.br/
http://mapas.mma.gov.br/i3geo/datadownload.htm
http://www.dgi.inpe.br/siteDgi/portugues/index.php
 
 
 
LEITURA COMPLEMENTAR 
 
Para o aprofundamento na utilização do geoprocessamento para projetos ambientais 
acesse http://www.dpi.inpe.br/gilberto/tutoriais/gis_ambiente/ 
 
Através do site do IBGE você pode conhecer mais sobre o Sistema Geodésico brasileiro. 
Acesse http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/geodesia/default_sgb_int.shtm?c=1 
 
Acesse o artigo Identificação De Áreas Com Risco De Inundação Por Meio De Análise 
Ambiental E Geoprocessamento para conhecer a utilização do geoprocessamento para 
minimizar os impactos das fortes chuvas em áreas urbanas. Acesse 
file:///C:/Users/Renata/Downloads/186-1014-1-PB.pdf 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.dpi.inpe.br/gilberto/tutoriais/gis_ambiente/
http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/geodesia/default_sgb_int.shtm?c=1
../../Renata/Downloads/186-1014-1-PB.pdf
 
 
REFRÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS : 
 
 
CÂMARA, G. DAVIS, C. MONTEIRO, A.M.V. Geoprocessamento: Teoria e 
Aplicações – Introdução à Ciência da Geoinformação. São José dos Campos: Inpe, 
2001. Disponível em http://mtc-
m12.sid.inpe.br/col/sid.inpe.br/sergio/2004/04.22.07.43/doc/publicacao.pdf. Acesso em 
10/01/2018. 
CÂMARA, G. Análise de Arquiteturas para Bancos de Dados Geográficos 
Orientados a Objetos. São Paulo: USP, 1994. 
CÂMARA, G., CASANOVA, M.A. HEMERLY, A.S. MAGALHÃES,G. C., MEDEIROS, 
C.M.B. Anatomia de Sistemas de Informação Geográfica. São José dos Campos: 
Inpe, 1996. Disponível em http://www.dpi.inpe.br/gilberto/livro/anatomia.pdf Acesso em 
15/01/2018. 
MEDEIROS, A. Desenvolvimento de uma aplicação webmapping direcionada a 
pesquisas educacionais. João Pessoa: Ed. IFPB, 2009. 
_____________ Web Mapping. Brasil Escola, 2012. Disponível em 
https://www.infoescola.com/geografia/web-mapping/ Acesso em 15/12/2017. 
MENEZES, Paulo Roberto. ALMEIDA, Tati. Introdução ao Processamento de 
Imagens de Sensoriamento Remoto. Brasília: Ed. Unb, 2012. Disponível em 
http://www.cnpq.br/documents/10157/56b578c4-0fd5-4b9f-b82a-e9693e4f69d8. 
Acesso em 12/01/2018. 
NOVO, E.M.L.M. Sensoriamento Remoto: Princípio e Aplicações. São Paulo: Ed. 
Blucher, 2010. 
http://mtc-m12.sid.inpe.br/col/sid.inpe.br/sergio/2004/04.22.07.43/doc/publicacao.pdf
http://mtc-m12.sid.inpe.br/col/sid.inpe.br/sergio/2004/04.22.07.43/doc/publicacao.pdf
http://www.dpi.inpe.br/gilberto/livro/anatomia.pdf%20Acesso%20em%2015/01/2018
http://www.dpi.inpe.br/gilberto/livro/anatomia.pdf%20Acesso%20em%2015/01/2018
https://www.infoescola.com/geografia/web-mapping/
http://www.cnpq.br/documents/10157/56b578c4-0fd5-4b9f-b82a-e9693e4f69d8voltam para a elaboração de mapas, 
cartas e outras formas de expressão ou representação de objetos, elementos, 
fenômenos e ambientes físicos e socioeconômicos, bem como a sua utilização." 
(Associação Cartográfica Internacional, 1966) 
 
Desde a antiguidade os dados geográficos do nosso planeta como os recursos 
naturais, os relevos, as vegetações, os caminhos, as estradas, a densidade e a 
diversidade das populações, etc têm sido desenhados pelos cartógrafos e utilizados para 
diferentes fins. Por exemplo, vários dados, organizados, sistematizados e representados 
em mapas se transformaram em informações estratégicas para o domínio territorial, 
econômico e político dos territórios da Ásia e da África. Podemos, assim, afirmar sem 
medo de errar, que a cartografia teve um papel significativo no processo de 
desenvolvimento de várias nações, que hoje são grandes potências. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Região da central da África – Congo Belga – 1880. 
 
Fonte: Mapa de aproximadamente 1880 do geógrafo e cartógrafo austríaco, Joseph Chavanne em sua missão ao Congo, 
financiada pela Associação Internacional do Congo para fazer levantamentos topográficos visando a instalação de 
plantações belgas na região. Disponível em Biblioteca Digital Mundial - https://www.wdl.org/pt/item/63/. 
 
 
Devemos dar crédito aos gregos por terem criado as bases da cartografia, utilizada 
até os dias atuais. Foram os gregos os que primeiro admitiram que a Terra possuía uma 
forma esférica, com dois polos e delinearam as linhas imaginárias, que são as 
coordenadas geográficas. Os gregos chegaram a essa conclusão observando as sobras 
projetadas em lugares distantes um do outro no mesmo horário. Se a Terra fosse plana, as 
sombras teriam o mesmo comprimento. Mas, como eles verificaram, as sobras tinham 
tamanhos diferentes, o que só poderia acontecer se a Terra fosse esférica. 
 
 
https://www.wdl.org/pt/item/63/
 
 
 
Para saber, de forma divertida, como o grego Eratóstenes conseguiu provar que a 
Terra era redonda acesse: https://youtu.be/wiYE6tVUpXg 
 
Do século XIX até a segunda metade do século XX a cartografia evoluiu bastante na 
confecção de mapas e na coleta de dados. A invenção da aviação e o desenvolvimento da 
aerofotogrametria aumentou a precisão dos mapeamentos e ampliou a área passível de 
investigação. Contudo, devido a dificuldades técnicas de confecção de mapas, esses, até a 
década de 50, ainda eram feitos e impressos de forma analógica, ou seja, em papel de 
diferentes dimensões. Isso dificultava o cruzamento de dados que conduziriam a análises 
mais aprofundadas. A partir da década de 70, com a evolução da informática e o aumento 
da capacidade de armazenamento de dados pelos computadores, a cartografia começa a 
vivenciar um novo momento no qual o mapeamento, com grande precisão e dinamismo, de 
grandes extensões de terra ou de eventos como os desmatamentos, se torna possível. 
Nesse momento, o grande aliado dos cartógrafos passa a ser o sensoriamento remoto. 
 Contudo, em uma folha de papel ou na tela do computador, a questão primeira dos 
cartógrafos continua. Como representar uma superfície esférica, a Terra, em uma 
superfície plana? Essa questão continua atual pois a principal função da cartografia é a 
comunicação de algum tipo informação seja ela física, econômica ou populacional. 
 A confecção de um mapa, seja ele analógico seja ele digital, requer muitos 
conhecimentos não apenas sobre desenho, arte e tecnologia, mas também sobre a sobre 
a própria Terra. O conhecimento básico, apesar de muito complexo, que um cartógrafo 
deve possuir é sobre a forma da Terra. Comumente afirmamos que a Terra é redonda. 
Porém, o formato da Terra é muito mais complexo: a Terra é, na verdade, um Geóide. 
No século XVII, o físico inglês Isaac Newton, afirmou que o formato da Terra não 
poderia ser esférico pois, como a Terra é composta de partes sólidas e líquidas, o 
movimento de rotação, faria com que houvesse um achatamento dos seus polos e um 
https://youtu.be/wiYE6tVUpXg
 
 
alongamento na altura do equador. Dessa forma, Newton afirmou que a Terra seria, na 
verdade um elipsoide. 
Elipsóide 
 
 Contudo, a Terra não é composta de um único material. Esses diferentes materiais, 
partes sólidas compostas por vários tipos de rocha, e partes líquidas, se deformam 
desigualmente com a atuação da força gravitacional. Por isso que a Terra não é uma 
esfera e nem um elipsoide. A Terra tem, na verdade, a forma de um geóide. 
 GEÓIDE 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quer ver o Geóide em moviemento? Acesse 
https://youtu.be/F9FtljxHqzU 
Essa forma geoidal da Terra traz muitos problemas para quem trabalha com Geodésia, 
engenheiros cartógrafos, geógrafos e outros profissionais que precisam ter precisão nos 
cálculos matemáticos da forma da Terra, como por exemplo os engenheiros aeroespaciais, 
que trabalham com lançamentos de satélites. Isso porque calcular matematicamente a 
forma da Terra e a força gravitacional em cada uma de suas partes não é tarefa fácil. Mas, 
em termo de raio da Terra, o do geóide, do elipsóide e da esfera se diferem muito pouco 
um dos outros. Por causa disso, para fins de mapeamento e representação gráfica, iremos 
considerar que a Terra é uma esfera. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAPÍTULO 2 – SISTEMA DE REFERÊNCIA 
 
 
 
Quando buscamos nos localizar na superfície da Terra precisamos indicar para 
alguém o local preciso que estamos. Quando estamos em uma cidade isso é fácil: nós 
dizemos o nome da rua em que estamos e um número de prédio ou casa, não é mesmo? 
Mas, quando queremos localizar um objeto em uma porção da superfície da Terra 
qualquer, como devemos fazer? Por exemplo, uma transportadora enviou uma carga de 
soja do estado do Mato Grosso para ser exportada pelo porto de Santos, em São Paulo. 
Em um dado momento, a transportadora decide localizar o caminhão com a carga para ter 
uma previsão de chegada desse no porto. A transportadora, então, aciona o GPS (Global 
Positioning System) do caminhão para saber onde ele está. As informações que a 
transportadora ira receber não são a estrada e um número qualquer. Ela receberá as 
coordenadas geográficas precisas do caminhão. Ou seja, ele receberá a latitude, a 
longitude e a altitude do veículo. Essas informações serão enviadas à transportadora 
através de sinais de satélites que estarão conectadas com o aparelho de GPS do 
caminhão. 
 Chegamos a conclusão, então, de que os sistemas de referência servem para 
localizar qualquer coisa, pessoa, veículo, carga, aviões, eventos, como as queimadas, etc, 
O que é um Sistema 
de Referência? 
Para que serve um 
Sistema de 
Referência? 
 
 
sobre a superfície da Terra. Para tanto, são utilizadas, quando em uma superfície esférica, 
o sistema de coordenadas geográficas e, quando em uma superfície plana, o sistema 
UTM, por exemplo. 
 
2.1 – Sistema de coordenadas geográficas. 
 
A posição de um ponto sobre a superfície terrestre pode ser determinada através 
das coordenadas geográficas que são a longitude e a latitude. 
 
 
A longitude é medida a partir do Meridiano Central, onde localiza-se o observatório 
inglês de Greenwich, e é medida de 00 a 1800 tanto para Leste (East–E) quanto para Oeste 
(West-W). Quando não há a indicação de Leste ou Oeste, podemos ficar conhecendo a 
localização do ponto na superfície terrestre através do sinal de positivo (+) e negativo (-). 
Para Leste as coordenadas são positivas enquanto para Oeste as coordenadas são 
negativas. Dessa forma, as linhas imaginárias dos meridianos marcam as longitudes.A Latitude é medida a partir da Linha do Equador e são medidas de 00 a 900 tanto 
para Norte quanto para Sul. Quando não há indicação de Norte ou Sul podemos identificar 
a localização do ponto na superfície terrestre através do sinal de positivo (+) para Norte e 
de negativo (-) para o Sul. Assim, as linhas imaginárias dos paralelos marcam as latitudes. 
 
 
 Vamos verificar se nós entendemos o que foi dito até agora? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Assinale a alternativa que contêm a latitude e a longitude corretas dos pontos destacados. 
a) A - 500 de longitude Norte e 1000 latitude Sul. 
b) B – 800 de longitude Oeste e 400 de latitude Norte. 
c) C – 400 de longitude Oeste e 200 de latitude Sul. 
d) D – 100 de longitude Sul e 200 de latitude Leste. 
e) A – 100 de longitude Norte e 500 de latitude Norte 
 
 
 
 
 
2.2 – Projeções Cartográficas. 
 
Vamos voltar à pergunta feita na parte inicial da nossa disciplina. Como representar 
uma superfície esférica, a Terra, em uma superfície plana? A Terra é uma superfície 
esférica, ou seja, um objeto em três dimensões (3D), enquanto uma folha de papel, 
 
 
consequentemente o mapa, é uma superfície em duas dimensões (2D). Por isso, foram 
desenvolvidas as Projeções Cartográficas que possibilitam a representação de uma 
superfície esférica em um plano. O problema é que não há projeção cartográfica que 
consiga representar perfeitamente a superfície da Terra. Toda projeção contém algum tipo 
de erro, ou distorção. Esses podem ser na forma, na área, nas dimensões, etc. Cada uma 
das projeções apresenta um erro maior ou menos em um dos aspectos citados ou em uma 
parte específica da representação do globo terrestre. Dessa forma, existem projeções que 
são mais comumente utilizadas para representar as regiões do globo de baixas latitudes 
enquanto outras são utilizadas para representar as regiões do globo de altas latitudes. 
Quando representamos pequenas dimensões, o problema das distorções não é grave. 
Contudo, quando necessitamos representar um país, um continente ou o globo inteiro o 
problema das distorções se agrava muito. 
As projeções cartográficas são classificadas quanto ao tipo de superfície utilizada ou 
o grau de deformação que irá provocar. 
Quanto ao tipo de superfície utilizada elas são classificadas em Plana ou Azimutal, 
Cilíndrica ou Cônica. 
 
Projeção Plana ou Azimutal – projeta o globo terrestre em um plano que pode ser 
tangente ou secante a superfície da Terra. Somente, no máximo, metade do globo terrestre 
fica visível nessa projeção e ocorre uma grande distorção nas bordas da projeção e as 
distâncias são preservadas. Geralmente é utilizada para representar as regiões polares. 
 
 
Projeção Cônica – a superfície da Terra é projetada em um cone que envolve o 
globo. Nessa projeção a área fica distorcida. Caso o cone envolva completamente o globo 
terrestre, quanto mais distante do centro da projeção maior será a distorção das distâncias. 
Nas projeções cônicas os meridianos são linhas retas que convergem para um ponto 
central e os paralelos formam círculos concêntricos a esse ponto. 
Projeção Cilíndrica – a superfície da Terra é envolvida por um cilindro tangente ou 
secante que é depois desenrolado. Nessa projeção, os meridianos e os paralelos são por 
retas perpendiculares, ou seja, formam sempre um ângulo de 900 graus entre eles. Os 
países próximos ao Equador apresentam pequenas distorções, mas os polos apresentam 
grandes distorções. 
Quanto ao grau de deformação da superfície quer será representada as projeções 
são classificadas em conformes, equivalentes e equidistantes. 
Conforme – não há distorção dos ângulos de áreas de pouca dimensão. Nesse tipo 
de projeção os meridianos e paralelos formam ângulos retos e a escala se mantém em 
todas as direções. Nessa projeção, devido a manutenção dos ângulos a forma da 
superfície é distorcida. O exemplo mais conhecido de uma projeção conforme é a projeção 
de Mercator. 
 Representação do globo segundo a Projeção de Mercator 
 
Equivalentes – não há deformações nas áreas representadas que são iguais às da 
Terra, mas como há deformação nos ângulos da projeção, as formas da superfície 
representada são muito distorcidas. Por causa disso, essa projeção é utilizada sobretudo 
em cartogramas temáticos. 
 
 
Projeção equivalente de Peters 
 
 
Eqüidistantes – nesse tipo de projeção a representação das distâncias não sofre 
deformação. Ou seja, o cumprimento ou a distância entre um ponto e outro é preciso. 
Porém, isso não se mantém em todo o globo. As partes mais preservadas são as próximas 
ao Equador. 
 Projeção Equidistante 
 
2.3 – Projeção UTM 
 
 
Tanto para o geoprocessamento quanto para o sensoriamento remoto é essencial 
que conheçamos a Projeção Universal Transversa de Mercator (UTM). Essa projeção é 
uma variação, muito importante, da Projeção Cilíndrica de Mercator. Essa projeção foi 
proposta pela primeira vez no início da década de 50 do século XX, nos Estados Unidos, e 
visava abranger de forma única todas as latitudes do planeta. O Brasil passou a adotar a 
projeção UTM ainda na década de 50 para o mapeamento de todo o território nacional, 
tanto pelo IBGE quanto pelo Exército brasileiro. 
 Nessa projeção, o cilindro que envolve a Terra não está tangente à Terra em toda a 
extensão do Equador, e sim, dos meridianos tendo os polos como eixo de rotação. Ou 
seja, o cilindro está perpendicular ao eixo de rotação da Terra. Dessa forma, a projeção 
UTM é secante a Terra. 
 Essa projeção tem por característica principal minimizar as distorções das direções 
em prejuízo da distância e da área. 
 Cilindro Transverso - Projeção UTM 
 
 
Na projeção UTM, a Terra é dividida em 60 fusos ou zonas UTM de 60 de longitude 
cada um. O objetivo dessa divisão é garantir a menor distorção possível dentro da área de 
cada fuso. Os fusos são numerados de 1 a 60, da esquerda para a direita em relação à 
longitude 1800 oeste, ou seja, o anti-meridiano de Greenwich. Esses fusos são gerados a 
partir da rotação realizada no cilindro, de forma que o meridiano de tangência divida o fuso 
em duas partes iguais de 30 cada uma. 
 
 
 A diferença da latitude é feita em zonas de 40 que aparecem, na projeção UTM, 
como faixas horizontais. 
 Projeção UTM 
 
 
 
 
 
Da mesma forma, no eixo Y, a origem é a linha do Equador e os valores negativos também 
são evitados. Assim, em direção ao Norte os valores partem de zero Km e vão até 10 000 
Km. Em direção ao Sul, os valores partem de 10 000 Km e vão diminuindo. 
Ampliando cada uma desses fusos aparece um 
conjunto de coordenadas cartesianas, nas quais o 
Equador representa o eixo X e o meridiano central do 
fuso representa o eixo Y. 
No exemplo ao lado, os limites desse fuso são 
os meridianos 420 W (oeste) e 480 W (oeste). Isso 
porque esse é o fuso 23, que é o fuso que passa por 
São Paulo. Dessa forma, o meridiano central desse 
fuso é o 450 W (oeste). 
O fuso central marca o início da contagem das 
distâncias no eixo X. Para evitar as distâncias 
negativas, foi estabelecido que a origem do fuso 
central é de 500 Km. Em direção a direita, no eixo X 
são acrescidos valores positivos. Em direção a 
esquerda, no eixo X, são diminuídos os valores sem 
nunca chegar a números negativos. 
 
 
 
 
 
 O sistema UTM é limitado entre os paralelos 840 N e 800 S. Em latitudes maiores 
que essas as deformações se tornam muito expressivas inviabilizando a utilização da 
projeção UTM. 
 
 Numeração dos fusos UTM 
 
 
 
Por queas 
coordenadas 
UTM são tão 
importantes? 
 
 
A projeção UTM minimiza as deformações de um mapa a níveis toleráveis, 
representando-os em um sistema ortogonal. Assim, a projeção UTM possibilita que o 
mapeamento da superfície terrestre tenha um alto grau de precisão. A maior parte dos 
aparelhos de GPS utiliza as coordenadas UTM como localizador. Para o sensoriamento 
remoto e para o geoprocessamento a possibilidade de localizar um ponto com precisão na 
superfície da Terra é essencial. Todos os eventos tratados no geoprocessamento têm que 
ser georrefernciados. O georreferenciamento nada mais é do que “amarrar” os pontos de 
uma imagem de satélite ou uma fotografia aérea com as suas coordenadas corretas e 
precisas. Por isso, devido à precisão, o sistema UTM é essencial para o 
Geoprocessamento. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAPÍTULO 3 - SENSORIAMENTO REMOTO 
 
 A partir da segunda metade do século XX o mundo vivencia um grande salto 
tecnológico. A competição entre as grandes superpotências da época nos setores bélicos e 
espaciais fez com que os avanços científicos fossem numerosos. Dentre esses destaca-se 
a corrida espacial. A partir do lançamento do primeiro satélite artificial pelos Soviéticos, no 
dia 10 de outubro de 1957, o Sputinik, a corrida espacial se iniciou. A partir desse 
momento, a tecnologia de satélites avançou enormemente. A tecnologia de sensores 
remotos instalados nos satélites também foi uma consequência da corrida espacial, 
principalmente porque as primeiras utilizações dessa tecnologia foram militares. 
Atualmente, os sensores remotos estão instalados em diferentes tipos de satélites e 
produzindo imagens com definições espaciais cada vez maiores, que são utilizadas 
cotidianamente na gestão das cidades, na preservação ambiental, na gestão de recursos 
hídricos, na agricultura, etc. 
 O sensoriamento remoto é, para alguns uma arte pois inclui imagens, tratamento de 
imagens, definição de resolução, etc. Para outros, o sensoriamento remoto é uma ciência 
de base, que evolui todos os dias, e propicia o avanço de outras ciências correlatas, como 
o geoprocessamento. Sendo uma arte ou uma ciência, a definição mais aceita postula que 
o sensoriamento remoto é a atividade que possibilita a obtenção de informações da Terra 
sem que tenhamos contato direto com os objetos presentes em sua superfície. Essas 
informações, que nem sempre são imagens, podendo ser também outros tipos de dados, 
são obtidas através da captação da energia emitida ou refletida pela superfície da Terra. 
 Contudo, apesar de atualmente o sensoriamento remoto ser relacionado 
diretamente aos satélites e aos radares, no passado nem sempre foi assim. Por exemplo, 
as fotografias aéreas são, da mesma forma que as imagens de satélite, produtos do 
sensoriamento remoto. 
As fotografias aéreas são tomadas a partir de câmeras posicionadas em aviões ou 
em balões sem que se tenha contato com a superfície do planeta. Sabe-se que as 
primeiras fotografias aéreas foram tiradas ainda no século XIX, durante a Guerra Civil 
Americana, utilizando-se balões como meios de transportes das câmeras fotográficas. 
Muito posteriormente, a Primeira Grande Guerra é o marco do início da tomada de 
 
 
fotografias aéreas a bordo de aviões. Essa prática se intensificou fortemente na Segunda 
Guerra Mundial, como uma forma de reconhecer o terreno de combate e o poder das 
tropas inimigas. As necessidades bélicas da Segunda Guerra mundial também foram as 
responsáveis por outras invenções essenciais para o desenvolvimento e ampliação dos 
usos do sensoriamento remoto por outros setores além do militar. Nesse período histórico 
foram inventados o filme de infravermelho. E, a utilização dos radares, invenção do início 
da década de 30, foi fortemente ampliada. A invenção do filme de infravermelho foi 
essencial na Segunda Guerra Mundial para detectar tropas inimigas camufladas e impedir 
a morte de muitos soldados. O filme de infravermelho possibilitou a identificação da 
presença de militares inimigos não detectáveis por fotografias que estavam dentro da faixa 
do visível do espectro solar. A vegetação sadia reflete a energia infravermelha muito mais 
intensamente do que a energia verde. Dessa forma, o que é vegetação aparece em 
vermelho e o que é camuflado aparece em tons azulados ou verdes. Como não temos 
fotografias tiradas com filmes de infravermelho na Segunda Guerra Mundial, vamos 
analisar duas imagens atuais formuladas a partir das informações emitidas pelo satélite 
OrbView-3, do início do ano 2000, de uma área do Rio de Janeiro, onde o contraste entre 
vegetação e área construída é muito grande. 
 
Imagens do Satétite OrbView – 3. 
Imagens do Jóquei Clube do Rio de Janeiro 
 
 
 
 
 
 Fonte: imagens do satélite OrbView – 3. Disponível em https:// https://earthexplorer.usgs.gov/ 
 
 
 
 
 
 
A partir do fim da Segunda Guerra mundial, toda essa tecnologia ficou disponível 
para usos científicos, ambientais, planejamento urbano, etc. 
Reparou que na segunda 
imagem, que está sendo 
tratada com um filtro 
infravermelho, o que é 
vegetação aparece em 
vermelho e o restante em 
azulado? Esse foi o mesmo 
processo usado na 2ª Grande 
Guerra para descobrir 
inimigos camuflados. 
https://processamentodigital2.wordpress.com/2012/01/16/usgs-cenas-do-sensor-orbview-3-disponiveis-para-download/
 
 
O sensoriamento remoto, sobretudo a geração de imagens, depende diretamente da 
existência de uma fonte de energia. As fontes de energia podem ter diferentes naturezas. 
Essas podem ser a energia radiante, ou seja, a radiação solar, ou pode ser um sinal 
emitido por um radar ou um flash de uma câmera fotográfica. 
 Não podemos ignorar que a fonte de energia mais abundante e poderosa que existe 
é o próprio sol. O sol, devido a sua altíssima temperatura, emite energia para tudo o 
sistema solar. Essa energia, em forma de radiação eletromagnética, se propaga no vácuo 
em uma velocidade de 300.000 Km/s. Quando a energia radiante atinge a Terra é em parte 
absorvida, se transformando em calor, e em parte refletida de volta para o espaço. A 
energia radiante também pode ser gerada através de outras fontes terrestres como uma 
lâmpada, por exemplo. 
 Muito antes do sensoriamento remoto ser pensado por algum ser humano uma 
descoberta muito simples revolucionou os conhecimentos da humanidade sobre a luz. 
Essa descoberta é extremamente importante para várias atividades até hoje, dentre essas 
o sensoriamento remoto. Na década de 60 do século XVII, o físico inglês Isaac Newton fez 
um dos mais simples e, ao mesmo tempo, mais revolucionários experimentos de sua 
época. Newton comprou um prisma de vidro em uma feira de objetos da cidade de 
Cambridge e realizou um experimento que ficou conhecido como na época como 
Fenômeno das Cores. O simples experimento consistia em fazer passar um feixe de luz 
branca por esse prisma e ver projetado do outro lado um claro e visível arco-íris. A esse 
arco-íris, Newton, deu o nome de Spectrum. Esse experimento provou que a radiação solar 
visível, ou seja, a luz branca, é, na verdade, uma mistura de luzes de cores diferentes, que 
vai do violeta ao vermelho. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Newton e o experimento do Fenômeno das Cores 
 
 
 
Feixe de luz após passar por um prisma 
 
 
 
 A propagação da energia emitida pelo Sol difere da propagação das diferentes 
formas de energia que conhecemos, pois se propaga em ondas. Ilustrando de forma 
simples, podemos pensar em uma corda que agitamos com os braços em movimentos 
ascendentes e descendentes. Quanto mais velocidade imprimimos nos movimentos maior 
energia dispendemos. Essa energia irá se propagar pela corda formando ondas, que 
podem ser mais longas ou mais curtas. Quanto mais energia colocamos nos movimentos 
dos braços menores serãoos intervalos entre as ondas. Esse intervalo é chamado de 
Comprimento de Onda e depende da Frequência com que agitamos a corda. 
 
 
 
 
Propagação da energia sobre uma corda 
 
Imagem disponível em http://fisicaevestibular.com.br/novo/ondulatoria/acustica/cordas-vibrantes/ 
 
 A frequência é dada pela diferença entre as cristas das ondas e é medida em 
unidades de hertz (Hz). Quanto mais distantes as cristas estiverem, maior será o 
comprimento de onda. Quanto mais próximas estiverem as cristas, menor será o 
comprimento de ondas. 
 
Comprimento e Frequência de ondas. 
 
 Todos os tipos de energia dependem de um meio para se propagar, como uma 
corda ou um filamento metálico, por exemplo. Porém, a energia radiante, ou seja, a energia 
que vem do Sol, se propaga no vácuo através de um campo chamado pelos físicos de 
Campo Eletromagnético. Por causa dessa característica, a energia radiante é chamada 
de radiação eletromagnética. 
http://fisicaevestibular.com.br/novo/ondulatoria/acustica/cordas-vibrantes/
 
 
 Se organizarmos os diferentes tipos de radiação eletromagnética, ou seja, as 
diferentes frequências das radiações, formaremos o Espectro Eletromagnético. Quando 
Newton decompôs um feixe de luz branca, ele descobriu uma faixa do espectro 
eletromagnético que é a Faixa do Visível. Essa é a frequência de ondas que o nosso 
sensor remoto, ou seja, o nosso olho humano, consegue detectar. Todas as radiações que 
estão fora dessa faixa do visível não são detectadas pelo olho humano, mas atingem o 
nosso corpo, e todos os elementos da Terra constantemente. Por isso, quando vamos a 
praia nos protegemos da radiação ultravioleta passando os famosos protetores solares. 
Mas nós não estamos vendo os raios ultravioletas, não é mesmo? Será que eles de fato 
nos atingem? 
 
 
 
 
 
 
O espectro eletromagnético mostra a distribuição da radiação eletromagnética por 
regiões chamadas de bandas espectrais. O espectro eletromagnético vai das ondas 
longas, como as ondas de rádio, de baixa frequência, até as ondas curtas, como os raios 
gama (Y). Uma particularidade é que a banda do infravermelho pode ser subdividida em 
três regiões, o infravermelho próximo, o infravermelho médio e o infravermelho médio e o 
distante, também chamado de termal. 
 
 
 
 
 
Quer saber mais sobre como 
a radiação ultravioleta está 
presente no nosso cotidiano e 
como ela nos afeta? Acesse 
https://youtu.be/-Bt-
YLDHxz8 
 
 
 
Espectro Eletromagnético 
 
 
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) destaca as características mais 
importantes de algumas bandas ao espectro eletromagnético. 
 
LUZ Conjunto de radiações para as quais o sistema visual humano é sensível. 
ULTRAVIOLETA Radiação mais energética que a luz, com comprimento de onda menor, 
que penetra profundamente na pele causando queimaduras. 
RAIOS X Mais energética do que a ultravioleta e mais penetrante sendo 
amplamente usada na medicina para obter imagens do interior do corpo 
humano. 
INFRAVERMELHA Radiação gerada em grande quantidade pelo Sol, mas que também pode 
ser gerada artificialmente por objetos aquecidos. 
ESPECTRO SOLAR Conjunto de radiações geradas pelo Sol. 
 
Uma das características mais importante tanto para o sensoriamento remoto quanto 
para o geoprocessamento é a capacidade de interação da radiação eletromagnética com 
os objetos da superfície da Terra. Quando a radiação incide sobre qualquer objeto ela 
pode ter três comportamentos. Ela pode ser refletida, absorvida ou transmitida pelo objeto. 
 
 
O fator que mede a capacidade de um corpo de refletir a energia radiante chama-se 
Reflectância. Dessa forma, a reflectância pode ser definida como a diferença entre a 
quantidade de radiação incidente sobre o objeto e a quantidade refletida por ele. O fator 
 
 
que mede a capacidade de um corpo de absorver a energia radiante chama-se 
absortância. Dessa forma, a absortância pode ser definida como a capacidade de um 
corpo de absorver a radiação incidente sobre ele. E, o fator que mede a capacidade de um 
corpo de transmitir a energia incidente sobre ele chama-se transmitância. De uma forma 
geral podemos afirmar que um objeto negro, ou objeto de vidro totalmente escuro tem uma 
baixa reflectância, uma alta absortância e um valor nulo para a transmitância. 
O que irá determinar a capacidade de refletir, absorver ou transmitir a radiação 
eletromagnética são as características físico-químicas de cada objeto, em diferentes 
comprimentos de onda. Para o sensoriamento remoto, o fator mais importante é, sem 
dúvida, a reflectância. Essa capacidade de refletir de forma diferente os comprimentos de 
onda que cada objeto possui chama-se Assinatura Espectral. Definindo melhor, a 
assinatura espectral é a intensidade com que um objeto qualquer, um telhado, uma 
estrada, um rio, uma folha, um tipo de rocha, reflete a radiação eletromagnética incidente 
sobre ele nos diferentes comprimentos de onda. O aparelho capaz de medir o 
comportamento da luz (radiação) considerando os comprimentos de onda do visível, e 
frações da faixa do infravermelho chama-se espectrorradiômetro. Vamos ver um exemplo 
importante para o meio ambiente: 
 Assinatura espectral de uma folha verde 
 
 
Uma folha verde apresenta o comportamento espectral acima. Vamos detalhá-lo. 
As letras B, G, R e IR, correspondem as faixas, ou bandas, do azul (blue em inglês), 
do verde (green em inglês), do vermelho (red em inglês) e do Infravermelho (infrared em 
inglês). A folha verde reflete ou absorve a energia de forma diferente em cada uma das 
bandas citadas. Podemos observar que na banda do visível (B, G, R), ou seja, o que pode 
ser detectado pelo olho humano, a reflectância é pequena. Ou seja, há uma grande 
 
 
absortância nessa banda. Contudo, quando analisamos a banda do infravermelho (IR) 
percebemos que há a reflectância é muito mais alta. Por que isso acontece? 
Como vimos anteriormente, as características físico-químicas dos alvos são os 
responsáveis pela assinatura espectral. Dessa forma, a pequena reflectância da folha 
verde deve-se aos pigmentos da folha, principalmente a clorofila. Contudo, na banda do 
infravermelho, a grande reflectância é consequência da interação da radiação com a 
estrutura celular superficial da folha. Essa característica das vegetações, de forma em 
geral, é muito importante para os estudos ambientais, e como vimos anteriormente, foi 
importante, também, na Segunda Guerra Mundial para detectar inimigos camuflados, não é 
mesmo? Para os estudos ambientais, através da análise da reflectância da vegetação na 
faixa do IR podemos verificar a saúde da vegetação. Muitas vezes, essa apresenta uma 
aparência saudável, mas a sua estrutura celular está comprometida por fatores físicos, 
como períodos de estresse hídrico, ou químicos, como a utilização excessiva de 
agrotóxicos. Essas variações são identificáveis em imagens de satélite, na banda do 
infravermelho, ou seja, quando utilizamos a falsa-cor. 
 
 
 
 
 
 
O sensoriamento remoto é, de forma simplificada, um sistema de coleta de dados e 
de tratamento desses, ou seja, a análise dos mesmos. A coleta dos dados é a detecção da 
radiação eletromagnética emitida pelos objetos. Como esse processo acontece? 
Um dos objetivos das imagens geradas 
por sensoriamento remoto é identificar 
a natureza do objeto e diferenciá-lo de 
outros objetos. Para tanto são 
analisadas as características de 
absorção da radiação eletromagnética, 
ou seja, a assinatura espectral e a 
diferença da reflectância entre os 
materiais em específico comprimento 
de onda, que se materializa nos 
diferentes tons de cinza de uma 
imagem. 
 
 
Primeiro é necessária que haja uma emissão de radiação eletromagnética por 
alguma fonte. Essa radiação interage com o objeto, uma parte é absorvida e uma outraé 
refletida. Essa radiação recebe o nome de radiação de retorno e propaga-se pela 
atmosfera até atingir o sensor, que está, geralmente, localizado em um satélite, como 
aparece na ilustração abaixo. 
 
Ilustração de Captação de Dados por Sensoriamento Remoto 
 
 
A energia eletromagnética que chega ao sensor instalado nos satélites é 
transformada em um sinal que será enviado para uma estação de recepção e, 
posteriormente, será analisado e se converterá na informação desejada. No caso da 
ilustração, o sensor está instalado em um satélite, mas ele pode estar, como já vimos, em 
um balão, um avião ou, com grande frequência atualmente, em um drone. 
 Como podemos perceber na ilustração, os sensores remotos têm a 
capacidade tanto de detectar a energia eletromagnética emitida da Terra quanto de enviar 
a informação para a estação de captação. Existem dois tipos de sensores: a) os passivos, 
que necessitam da existência de uma fonte de energia eletromagnética externa, ou seja, 
utilizam quase sempre a luz solar, e b) os ativos que possuem a própria fonte de energia 
eletromagnética. Os radares, por exemplo, são exemplos de sensores ativos pois emitem o 
próprio sinal que ao se chocar com um anteparo, ou seja, um objeto, retorna e é captado 
por um sensor remoto. 
Os radares possuem características de obtenção de dados mesmo sem a presença 
da luz solar, ou seja, conseguem imagear tanto de dia quanto de noite e em qualquer 
condição meteorológica. Essa característica é muito importante porque os sensores óticos 
 
 
que dependem da luz do sol, ou seja, os sensores passivos, têm limitações decorrentes da 
presença de nuvens ou tempo ruim, por exemplo. 
 
 
 
 Câmaras de vídeo, câmaras fotográficas, radiômetros, scanners, radares são 
sensores remotos. Você já pensou que o olho humano também é um sensor remoto? 
A diferença é que o olho humano gera imagens para o nosso cérebro apenas na 
faixa do visível, enquanto que as câmeras fotográficas podem ser preparadas para 
imagear em regiões invisíveis ao olho humano, como a do infravermelho próximo. 
O desenvolvimento da tecnologia das câmeras digitais revolucionou o 
sensoriamento remoto. A possibilidade de utilização de um chip CCD com muitos detetores 
sensíveis permitiu a geração de imagens com mais definição e detalhes. O CCD é o termo 
genérico para o sensor que é utilizado para gravar e armazenar a energia eletromagnética. 
O surgimento dessa tecnologia revolucionou o sensoriamento remoto pois abriu a 
oportunidade de gerar imagens instantâneas para futuras análises e transformação em 
informações. Além disso, o CCD apresenta uma maior estabilidade e é considerado o 
melhor sensor para as câmaras digitais. 
A essa capacidade de gerar imagens com grande quantidade de detalhes dá-se o 
nome de resolução espacial. A câmera pode gerar imagens pancromáticas em tons de 
cinza ou, após modificações na sua configuração, pode geram imagens coloridas. As 
imagens coloridas são geradas a partir de dispositivos ópticos formado por prismas e filtros 
que faz com que a luz seja separada nas cores primárias do azul, do vermelho e do verde. 
São, dessa forma, geradas três imagens, cada uma de uma cor, que são gravadas em um 
arquivo de computador. Essas imagens são chamadas de monocromáticas. 
 
 
 
Quer saber mais sobre a utilização 
dos radares? Veja essa utilização 
da empresa Vale do Rio Doce. 
http://mundogeo.com/blog/2000/01
/01/aplicacoes-ambientais-de-
radar-na-vale/ 
 
 
 
Ilustração de uma Câmera Digital Colorida com os sensores CCD nas cores 
primárias. 
 
Fonte: INPE 
 
As imagens monocromáticas são posteriormente compostas para se transformarem 
em uma única imagem, porém que informam características diferentes de em cada faixa ou 
combinação de faixas. 
 
 Combinação de cores monocromáticas 
 
 
 
 
A combinação de cores permite o recurso de gerar imagens chamadas de falsa-cor. 
A falsa-cor é um artifício utilizado na hora de observar a imagem no computador porque 
não há uma cor básica que corresponda ao infravermelho. Como vimos a interação de 
energia com a composição físico-químico de uma vegetação nos fornece importantes 
informações sobre a saúde da vegetação. Dessa forma, é utilizada a cor azul para 
representar a banda do verde, a cor verde para representar a vermelha e a vermelha para 
representar a banda infravermelha. A imagem gerada tem a forma esperada pelos 
profissionais, assim como a textura. Porém, as cores são diferentes. Por isso é chamado 
de falsa-cor. As câmeras podem ser modificadas para identificar tanto a radiação do 
infravermelho quanto de outras bandas. Isso é possível a partir do uso de chips e filtros 
convenientes. 
 
Imagem em cor verdadeira 
 
 
 Imagens em Falsa-Cor 
 
 
 
Fonte: Site Processamento digital. Disponível em http://www.processamentodigital.com.br composicao-colorida-rgb-para-
imagens-landsat-8/ 
 
 
 Nos sensores orbitais como o Landsat, o Spot e o Cbers os sensores possuem 
muitas bandas. Vamos ver o exemplo do satélite Landsat-8 em comparação com os 
satélites Landsat 5 e Lansat 7. 
 
Quickview Resultado 
Landsat 7 
Landsat 5 
Landsat 8 
 
Infravermelho 4, 3, 2 5,4,3 
 
Cor Natural 
 
3, 2, 1 4,3,2 
 
Falsa Cor 5,4,3 6,5,4 
 
Falsa Cor 7,5,3 7,6,4 
 
Falsa Cor 7,4,2 7,5,3 
 
Fonte: https://landsat.usgs.gov/how-do-landsat-8-band-combinations-differ-landsat-7-or-landsat-5-satellite-data 
 
 
http://www.processamentodigital.com.br/wp-content/uploads/2013/06/falsa_cor_432.jpg
http://www.processamentodigital.com.br/wp-content/uploads/2013/06/Cor_Natural_321.jpg
http://www.processamentodigital.com.br/wp-content/uploads/2013/06/Falsa_Cor_543.jpg
http://www.processamentodigital.com.br/wp-content/uploads/2013/06/Falsa_Cor_753.jpg
http://www.processamentodigital.com.br/wp-content/uploads/2013/06/Falsa_Cor_742.jpg
http://sis.posestacio.com.br/sistema/rota/rotas_81/1532/scorm/01_topico/02_topico/objetos/img_22.png
http://sis.posestacio.com.br/sistema/rota/rotas_81/1532/scorm/01_topico/02_topico/objetos/img_22.png
 
 
 Cada banda apresenta características e ações específicas pois cada uma 
corresponde a uma faixa espectral. A tabela abaixo apresenta uma exemplificação das 
principais características e aplicações para estudos ambientais dos sensores 
multiespectrais TM dos satélites LANDSAT 5 e 7. 
 
Banda Intervalo 
espectral 
(µm) 
Principais características e aplicações das bandas TM e ETM 
dos satélites LANDSAT 5 e 7 
1 (0,45 - 0,52) Apresenta grande penetração em corpos de água, com elevada transparência, 
permitindo estudos batimétricos. Sofre absorção pela clorofila e pigmentos 
fotossintéticos auxiliares (carotenóides). Apresenta sensibilidade a plumas de 
fumaça oriundas de queimadas ou atividade industrial. Pode apresentar atenuação 
pela atmosfera. 
2 (0,52 - 0,60) Apresenta grande sensibilidade à presença de sedimentos em suspensão, 
possibilitando sua análise em termos de quantidade e qualidade. Boa penetração 
em corpos de água. 
3 (0,63 - 0,69) A vegetação verde, densa e uniforme, apresenta grande absorção, ficando escura, 
permitindo bom contraste entre as áreas ocupadas com vegetação (ex.: solo 
exposto, estradas e áreas urbanas). Apresenta bom contraste entre diferentes tipos 
de cobertura vegetal (ex.: campo, cerrado e floresta). Permite análise da variação 
litológica em regiões com pouca cobertura vegetal. Permite o mapeamento da 
drenagem através da visualização da mata galeria e entalhe dos cursos dos rios em 
regiões com pouca cobertura vegetal. É a banda mais utilizada para delimitar a 
mancha urbana, incluindo identificação de novos loteamentos. Permite a 
identificação de áreas agrícolas. 
4 (0,76 - 0,90) Os corpos de água absorvem muita energianesta banda e ficam escuros, 
permitindo o mapeamento da rede de drenagem e delineamento de corpos de água. 
A vegetação verde, densa e uniforme, reflete muita energia nesta banda, 
aparecendo bem clara nas imagens. Apresenta sensibilidade à rugosidade da copa 
das florestas (dossel florestal). Apresenta sensibilidade à morfologia do terreno, 
permitindo a obtenção de informações sobre Geomorfologia, Solos e Geologia. 
Serve para análise e mapeamento de feições geológicas e estruturais. Serve para 
separar e mapear áreas ocupadas com pinus e eucalipto. Serve para mapear áreas 
ocupadas com vegetação que foram queimadas. Permite a visualização de áreas 
ocupadas com macrófitas aquáticas (ex.: aguapé). Permite a identificação de áreas 
agrícolas. 
5 (1,55 - 1,75) Apresenta sensibilidade ao teor de umidade das plantas, servindo para observar 
estresse na vegetação, causado por desequilíbrio hídrico. Esta banda sofre 
perturbações em caso de ocorrer excesso de chuva antes da obtenção da cena pelo 
satélite. 
6 (10,4 - 12,5) Apresenta sensibilidade aos fenômenos relativos aos contrastes térmicos, servindo 
para detectar propriedades termais de rochas, solos, vegetação e água. 
7 (2,08 - 2,35) Apresenta sensibilidade à morfologia do terreno, permitindo obter informações sobre 
Geomorfologia, Solos e Geologia. Esta banda serve para identificar minerais com 
íons hidroxilas. Potencialmente favorável à discriminação de produtos de alteração 
hidrotermal. 
Fonte: http://www.dgi.inpe.br/Suporte/files/Cameras-LANDSAT57_PT.php 
 
 
A quantidade de satélites em atuação na órbita da Terra atualmente é muito grande. 
Tão grande que hoje os cientistas pensam que regulamentar o direito de empresas e 
países de lançarem seus próprios satélites é uma necessidade cada vez maior. Pois 
http://www.dgi.inpe.br/Suporte/files/Cameras-LANDSAT57_PT.php
 
 
depois que esses deixam de funcionar são abandonados no espaço e colocam em risco a 
integridade de outros satélites ou até mesmo a Estação Espacial Internacional (ISS). 
 
 
 
 
 
 
 
Mas, nesse momento uma pergunta chave nos vem a cabeça, por que precisamos 
de tantos satélites? Se pensarmos nos fins militares essa resposta é fácil de ser dada. 
Nenhum país quer compartilhar os seus avanços militares com o outro e, em caso de 
conflito, todos querem poder espionar o inimigo com segurança e independência, não é 
mesmo? Mas, quando não pensamos em fins militares, por que existem tantos satélites em 
órbita? 
A resposta está nas resoluções de cada satélite e nos objetivos deles. Quando 
pensamos em sensoriamento remoto temos que pensar nos objetivos de cada informação 
que será levantada. Assim, um satélite pode gerar imagens que são excelentes para um 
geólogo, que quer ter informações sobre o tipo de rocha de uma área, mas que não são 
adequadas para as prefeituras controlarem o crescimento urbano ou cobrarem IPTU. Por 
que isso acontece? Menezes, P.R., Almeida,T. (2012, pg. 24) escrevem que: 
 
“Atualmente, o sensoriamento é constituído por uma razoável constelação de 
satélites que oferecem imagens para atender as necessidades de uma ampla 
demanda de usuários. Para aqueles usuários que necessitam de uma observação 
detalhada do tamanho e das formas dos objetos, há os sensores que detectam áreas 
unitárias inferiores a 1 metro, e com meios para visualização estereoscópica 3D, 
muito úteis para levantamentos cadastrais multifinalitários, urbanos e cartografia 
digital. Os interessados em monitoração para o acompanhamento da evolução e de 
mudanças da paisagem podem recorrer aos sensores com alta taxa de revisita à 
área. Já os que se interessam em determinar a composição ou constituição dos 
minerais ou rochas, a procura é pelos sensores com um grande número de bandas 
Quer saber mais sobre o 
perigoso lixo espacial? Leia 
essa reportagem da BBC de 
Londres 
http://www.bbc.com/portugu
ese/noticias/2015/08/15080
6_lixo_espacial_ab 
 
 
espectrais. Por isso, uma forma de se abordar as potencialidades de um sensor é 
pelo dimensionamento de suas resoluções.” 
 
Ou seja, existem satélites que são mais ou menos adequados a certos tipos de 
usos. Para sabermos qual será o satélite mais adequado para identificar um objeto na 
superfície da Terra ou resolver um problema devemos estudar as resoluções desse 
satélite. Em sensoriamento remoto existem quatro diferentes resoluções, ou parâmetros, 
principais que devem ser analisados no momento de se escolher uma imagem gerada por 
um satélite específico: Resolução Espacial, Resolução Temporal, Resolução Radiométrica 
e Resolução Espectral. 
Resolução Espacial – refere-se a capacidade do sensor de identificar e distinguir 
os objetos na superfície da Terra. A resolução espacial define tamanho do menor objeto 
que pode ser identificado em uma imagem. Para determinarmos qual é a melhor resolução 
espacial para um determinado fim, devemos analisar, também, o tipo de terreno que 
estaremos tratando. Para um trabalho em áreas abertas como os terrenos naturais, como 
por exemplo as florestas, áreas rurais e relevos, a resolução espacial não necessita ser tão 
alta pois os objetos são muito similares. Contido, em regiões urbanas há a necessidade de 
um sensor com alta resolução espacial para que ruas, casas, construções irregulares, por 
exemplo, sejam identificadas. 
Resolução Espacial 
 Satélite SPOT – 5m de Resolução Espacial Satélite LANDSAT – 30m de Resolução Espacial 
Fonte: http://www.vasgeo.com.br/2013/03/resolucao-espacial-espectral-radiometrica-sensoriamento-remoto.html 
 
Resolução Temporal – refere-se ao tempo de revisita que um satélite faz em uma área. 
Dessa forma, dada a sua órbita, o satélite obtém imagens de um mesmo evento ou lugar 
sempre na mesma hora em períodos de tempo regulares. Por exemplo, os satélites 
Landsat possuem um tempo de revisita de 16 dias. Ou seja, a cada 16 dias ele passara 
http://www.vasgeo.com.br/2013/03/resolucao-espacial-espectral-radiometrica-sensoriamento-remoto.html
 
 
exatamente na mesma hora em um mesmo ponto da superfície terrestre. A resolução 
temporal é de importância imperativa no acompanhamento de processos de 
desmatamento ou desastres ambientais. Em casos específicos como no monitoramento 
meteorológico, o tempo de revisita tem que ser muito menor pois os fenômenos são muito 
mais dinâmicos do que os ambientais, por esta razão a resolução temporal é de 15 
minutos, como o satélite Meteosat-8, ou de 12 horas como o do satélite NOAA, por 
exemplo. 
 
Imagem Ilustrativa do Satélite Sentinel 2B da Agência Espacial Europeia 
 
 
 
Resolução Radiométrica – refere-se a capacidade de um sensor de identificar e detectar 
a radiação de retorno de um objeto ou área scaneada. Quanto maior a resolução 
radiométrica maior será o brilho de uma imagem e quantidade de níveis de cinza 
presentes. 
 
 
 
 
 
Resolução Radiométrica 
 
Fonte: Menezes, Paulo Roberto. Almeida, Tati. Introdução Ao Processamento De Imagens De Sensoriamento Remoto. 
2012. Disponível em Http://Www.Cnpq.Br/Documents/10157/56b578c4-0fd5-4b9f-B82a-E9693e4f69d8 
 
 
Resolução Espectral – Está relacionado ao número e a largura das bandas espectrais 
que um sensor consegue identificar. Segundo Novo (1989), resolução espectral é "uma 
medida da largura das faixas espectrais e da sensibilidade do sistema sensor em distinguir 
entre dois níveis de intensidade do sinal de retorno". Um sensor será mais sensível de 
acordo com a quantidade de bandas que ele tiver. Quantos mais bandas maior será a 
sensibilidade para receber a radiação de retorno ou emitida pela superfície terrestre. 
 
 
 
 
http://www.cnpq.br/Documents/10157/56b578c4-0fd5-4b9f-B82a-E9693e4f69d8
 
 
 
As imagens representam formas de captura indireta de informação espacial e 
constituem uma peça importante em um trabalho de geoprocessamento. Dessa forma, são 
importantes características da imagem de satélite o númeroe a largura de bandas do 
espectro eletromagnético capturadas, a menor área da superfície terrestre observada 
instantaneamente por cada sensor, o nível de quantização registrado pelo sistema sensor 
e o intervalo entre duas passagens do satélite pelo mesmo ponto. Essas características 
referem-se, respectivamente, a quais resoluções? 
 
a) Resolução espacial, resolução espectral, resolução radiométrica e resolução 
temporal. 
b) ) Resolução espacial, resolução espectral, resolução temporal e resolução 
radiométrica. 
c) a) Resolução espectral, resolução espacial, resolução radiométrica e resolução 
temporal. 
d) d) Resolução espectral, resolução espacial, resolução temporal e resolução 
radiométrica. 
e) e) Resolução temporal, resolução espectral, resolução espacial e resolução 
radiométrica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAPÍTULO 4 – GEOPROCESSAMENTO E SISTEMA DE INFORMAÇÕES 
GEOGRÁFICAS 
 
 Quando falamos de geoprocessamento estamos nos referindo a um conjunto de 
técnicas e ferramentas que visam através da utilização do computador e da matemática 
resolver questões e problemas que ocorrem no espaço geográfico. Por causa disso, o 
geoprocessamento está na esfera da Geomática. Ou seja, localiza-se na tríplice fronteira 
entre os conhecimentos geográficos, cartográficos e matemáticos. Para tanto, o 
geoprocessamento utiliza um conjunto de informações espaciais para chegar aos seus 
objetivos. E quais são os objetivos do geoprocessamento? Obter informações geográficas 
que subsidiem a tomada de decisão em diferentes situações. O conjunto de tecnologias 
que são utilizados no geoprocessamento podem ser ilustradas da seguinte forma: 
 
 
 
A cartografia, a geodésia e a fotogrametria e o sensoriamento remoto nós já estudamos, 
vamos agora entender o que é o Sistema de Informações Geográficas (SIG). 
 
 
 
Sistema de Informações Geográficas (SIG) 
 
Podemos definir os Sistemas de Informações Geográficas como sendo sistemas 
computacionais, compostos tanto de hardware quanto de software, capazes de realizar 
analises complexas, armazenar, manipular integrar dados georreferenciados da Terra de 
fontes diferentes. Além disso, esses dados podem e devem ser passíveis de serem 
transformados em documentos cartográficos. 
Segundo Câmara et All (1996) os SIGs são 
“são sistemas de informação construídos especialmente para armazenar, analisar e 
manipular dados geográficos, ou seja, dados que representam objetos e fenômenos em que 
a localização geográfica é uma característica inerente e indispensável para tratá-los. Dados 
geográficos são coletados a partir de diversas fontes e armazenados via de regra nos 
chamados bancos de dados geográficos.” 
 
 
 
 
 
 
 
No Brasil, o SIG se desenvolveu a partir dos esforços do Instituto nacional de 
Pesquisas Espaciais – Inpe, que na década de 90 desenvolveu o Sistema de 
Processamentos de Informações Geográficas chamado Spring. O objetivo do Spring é o 
tratamento de imagens do Sensoriamento Remoto, criar mapas temáticos e cadastrais e 
Georreferenciar é determinar 
com precisão um ponto sobre a 
superfície da Terra. Ou seja, é 
determinar corretamente a sua 
latitude e a longitude. 
Atualmente, uma das 
ferramentas mais utilizadas no 
georreferenciamento de áreas é 
o GPS. 
 
 
gerar modelagens para diversos fins. Como esse software é livre e está disponível para 
todos na internet e um dos seus grandes feitos foi disseminar o SIG no meio acadêmico e 
profissional tanto no Brasil quanto em outras partes do mundo. 
A importância dos Sistemas de Informações Geográficos é que eles possibilitam a 
integração de dados de diferentes naturezas, desde que esses sejam georreferenciados. 
Assim, os SIGs são utilizados no controle cadastral, em demografia, na otimização do 
tráfego, no cadastro de imóveis rurais, na administração de recursos naturais, no 
monitoramento de chuvas, no controle de epidemias, etc. Uma grande vantagem do SIG é 
a possibilidade de manipular dados tanto gráficos quanto não gráficos de forma integrada. 
Assim, torna-se possível, por exemplo, a partir da localização de uma área foco de uma 
determinada epidemia infantil, cruzar essa informação com o número de escolas primárias 
existentes em uma área. Dentre várias utilizações possíveis dos SIGs destacam-se, sem 
dúvida três delas: a) a produção de mapas; b) o suporte para a análise espacial de 
eventos; c) se constituir como banco de dados geográficos para armazenamento e 
recuperação de informação espacial. 
O SIG se estrutura contendo como componentes a interface com o usuário, a 
entrada e integração de dados, as funções de processamento gráfico e de imagens, a 
visualização e plotagem, o armazenamento e a recuperação de dados (banco de dados). 
No nível mais alto do SIG está o homem, que irá definir como o sistema será operado. No 
nível intermediário o SIG se converte em uma ferramenta de processamento de dados 
espaciais através das funções de entrada, edição, análise, visualização e saída de 
informações. E, no nível mais baixo, o SIG se caracteriza por ser um gerenciador de banco 
de dados geográficos com as funções de armazenamento e recuperação de dados 
espaciais e seus atributos. 
 Arquitetura de um SIG 
 
 
 
 
Com o SIG torna-se possível integrar em uma única base os dados de diversas 
fontes possibilitando uma análise integrada das diversas informações espaciais existentes. 
Dessa forma, através de algoritmos são gerados mapas que possibilitam a visualização do 
conteúdo das bases de dados (Câmara, 1994) 
Como exemplo, temos o Mapa de Cobertura Vegetal e dos Usos das Terras do 
Municípios do Rio de Janeiro em 2001. 
 
 
 
Fonte: Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Disponível em http://www.rio.rj.gov.br/web/smac/sig-floresta 
 
 Os bancos de Dados Geográficos são todo lugar físico ou virtual no qual os dados 
possam estar armazenados. É importante destacar que os dados têm que estar 
armazenados em uma forma que possam ser relacionados quando solicitados, ou seja, 
todos tem que ter uma mesma base para que possam se comunicar e serem interligados 
quando necessário. Por exemplo, o cadastro de logradouros de uma cidade tem que se 
cruzar com o de proprietário de imóveis para fins de cobrança do IPTU. Se isso não 
acontecer a cidade terá imóveis que devem pagar o IPTU, mas não saberá quem são os 
donos dos imóveis e não poderá fazer a cobrança. 
 Os bancos de dados Geográficos são também chamados de Banco de Dado 
Espacial. Esses permitem a análise e a medição de distâncias entre os pontos, pois 
possuem feições geométricas nas tabelas. Atualmente, há na internet, a disposição de 
qualquer usuário, diversas fontes de dados. Os mais comuns desses são os mapas digitais 
on-line, os WebGis ou Webmapping que permitem ao usuário o cruzamento de informação 
ou o destaque de áreas ou eventos de forma instantânea e com precisão. Segundo 
Medeiros (2012) podemos destacar três tipos básicos de mapas: 
http://www.rio.rj.gov.br/web/smac/sig-floresta
 
 
1) Mapas Estáticos - São mapas na forma de imagem (nos formatos JPEG e PNG, por 
exemplo) que são inseridas em páginas da internet. Apresenta baixa interação com o 
usuário. 
2) Mapas Gerados a partir de formulários - Esta tecnologia consiste em disponibilizar 
ao usuário um formulário onde são solicitadas informações quanto à área geográfica de 
interesse. 
3) Navegação baseada em mapas dinâmicos - Neste tipo de web mapping, o usuário 
seleciona uma área de seu interesse em um mapa geral, o que resulta na navegação 
para outro mapa ou imagem mais específico, ou seja, com informações mais 
detalhadas desta região. 
Os dados utilizados são classificados em quatro grupos, os textuais, os numéricos, 
os vetoriais e os matriciais, também chamados de raster. 
Os dados textuais estão disponibilizados em formato de texto descritivo sem 
interpretaçãoprévia. 
Os dados numéricos são classificados como “dados que estão ligados a 
codificações em número do campo do real” (Silva, 2003). Não necessariamente 
representam valorações crescentes ou decrescentes. Esses podem representar apenas a 
existência de algum atributo específico como a ocorrência de um tipo de solo. 
 Os dados vetoriais são representações gráficas do mundo real em um par de 
coordenadas x, y. Podem ser expressos como pontos, linhas ou polígonos. 
Representação de dados Vetoriais 
 
o Os pontos representam atributos que não têm área ou comprimento, 
ou seja, pontos de alagamentos em uma cidade depois de um forte 
temporal. Esses pontos são apenas marcados no mapa para futuras 
intervenções públicas. Ou, o mapa dos locais mais violentos de um 
 
 
estado, que poderá servir de subsídio para uma política pública de 
segurança, como no exemplo abaixo. 
 
Regiões Mais Violentas do Estado da Paraíba 
 
Fonte: Governo do Estado da Paraíba. www.paraiba.pb.gov.br/ 
 
o As linhas são vários pontos interligados que possuem comprimento ou 
extensão linear. Dessa forma, representam rios, estradas, linhas de 
transporte, curvas de nível, etc. Veja um exemplo no mapa abaixo. 
 
Evolução do Plano Cicloviário do Rio de Janeiro de 2012 a 2015. 
http://www.paraiba.pb.gov.br/
 
 
 
 
Fonte: Site Mobilize – Mobilidade Urbana Sustentável. Disponível em http://www.mobilize.org.br/mapas/23/mapa-do-
plano-cicloviario-do-rio-de-janeiro-rj.htm 
 
 
 
o Os polígonos representam no mínimo três vértices conectados gerando 
polígonos fechados que definem áreas e perímetros. Geralmente são 
mapas temáticos que exibem uma informação em destaque. 
Desmatamento em Sinop-MT entre 1986 e 2016. 
 
 Fonte: amazonia.org. Disponível http://amazonia.org.br/2017/02/a-terra-de-oportunidades-desenvolvimento-chega-
a-mato-grosso-com-bala-e-devastacao/ 
 
 
 O dado raster ou matricial é uma representação do mundo real em uma grade 
regular que é semelhante a uma célula. Segundo Neri nos dados raster ou 
matricial “cada célula possui um código referente ao atributo estudado. Assim 
o computador reconhece a que elemento ou objeto pertence determinada 
http://www.mobilize.org.br/mapas/23/mapa-do-plano-cicloviario-do-rio-de-janeiro-rj.htm
http://www.mobilize.org.br/mapas/23/mapa-do-plano-cicloviario-do-rio-de-janeiro-rj.htm
 
 
célula. Analisando de outra forma, os dados raster são semelhantes a 
fotografias tiradas com câmeras digitais. Se olharmos de forma aproximada 
veremos que a fotografia é composta por pixels. Quanto maior a quantidade 
de pixels maior será a qualidade da imagem. 
Dados raster – Representação de Pixels 
 
 
Fonte: http://mapschool.io/index.pt.html 
 
 
 Apesar de ilustrados com cor os pixels, ou seja as células, podem não ter cor ou ter 
números que significam algum atributo como temperatura, índices pluviométricos, ou outro 
atributo que esteja sendo analisado. 
 
Representação de dados Raster em duas resoluções diferentes 
 
 Fonte: Medeiros , A. M.L., Dados Geográficos. Disponível em 
 https://www.infoescola.com/geografia/dados-geograficos/ 
 
 Como podemos verificar na ilustração acima a imagem da esquerda possui um nível 
de detalhamento, ou seja, resolução espacial, maior que a imagem da esquerda. Ou seja, 
http://mapschool.io/index.pt.html
https://www.infoescola.com/geografia/dados-geograficos/
 
 
há uma quantidade maior de pixels na imagem da direita que fará com que a imagem fique 
mais nítida e com maior quantidade de informação. 
 A escolha de utilizar dados vetoriais ou raster dependerá do objeto e do objetivo do 
trabalho. Os dois dados têm vantagens e desvantagens para diferentes mapeamentos. Por 
ser uma representação matricial, os dados raster representam melhor atributos que são 
contínuos no espaço como, por exemplo, um tipo de solo de uma região. Contudo, sem 
dúvida os dados vetoriais apresentam uma precisão espacial maior. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 – APLICAÇÕES DO GEOPROCESSAMENTO 
 A tecnologia do geoprocessamento faz com que os seus usos sejam variados. 
Esses incluem a gestão de cidades, a preservação de áreas de preservação permanente, 
o controle ambiental como a poluição de rios e lagoas o controle da vazão de rios e o 
mapeamento de enchentes, por exemplo. 
 Vamos analisar algumas dessas aplicações. 
 O geoprocessamento para estudos ambientais possui três vertentes principais: A 
primeira é o controle do desmatamento e da perda da biodiversidade. A partir do 
cruzamento de dados ambientais é possível delimitar as áreas de espécies endêmicas e 
calcular os riscos de sua extinção, por exemplo. Vamos analisar o mapa abaixo que 
delimita as áreas de ocorrência dos Micos Leões Dourados e dos Saguis no Estado do Rio 
de Janeiro. Como sabemos, os Micos-leões-Dourados são uma espécie endêmica da Mata 
Atlântica do Sudeste e estão em sério risco de extinção. A introdução dos saguis nos 
ecossistemas nos quais habitavam os Micos-Leões-Dourados praticamente levou essa 
espécie a extinção. 
Área de ocorrência de Saguis, Micos-Leões e Micos-Leões-Dourados no 
Estado do Rio de Janeiro. 
 
Fonte: Laboratório de Ciências Ambientais – UENF. 
 
 
 
A delimitação e o monitoramento por geoprocessamento da área de ocorrência de 
cada espécie pode possibilitar o isolamento da reserva de Poço das Antas garantindo a 
reprodução e sobrevivência da espécie. 
A segunda vertente está ligada ao desenvolvimento sustentável através do 
monitoramento dos recursos naturais existentes no planeta. Dessa forma, as áreas de 
proteção permanente representam, por exemplo, a garantia da existência de mananciais 
de água no futuro. O Controle da expansão urbana em direção a áreas de mata nativa 
também é uma das aplicações do geoprocessamento na área ambiental e urbana. 
Contudo, o licenciamento ambiental é, atualmente uma das atividades que mais 
demandam a utilização do Geoprocessamento para delimitação tanto de áreas de 
preservação natural e cultural quanto para limitar as áreas de impactos ambientais de 
qualquer tipo de empreendimento. 
No início da década de 80 do século passado, foi regulamentada a Política Nacional 
do Meio Ambiente (PNMA), que se configura como a base legal do licenciamento 
ambiental no Brasil. A PNMA instituiu importantes instrumentos de proteção do meio 
ambiente visando conjugar crescimento econômico com desenvolvimento sustentável. 
Dentre esses instrumentos de regulação encontram-se o Estudo de Impacto Ambiental 
(EIA) e as Licenças prévia (LP), de instalação (LI) e de operação (LO). Desde o primeiro 
momento, ou seja, a solicitação da Licença Prévia, o geoprocessamento se configura como 
uma tecnologia imprescindível para a continuação ou não do empreendimento. Um 
exemplo bastante ilustrativo do usos do geoprocessamento em prol da preservação 
ambiental e cultural dos povos indígenas ocorreu com a revogação da Licença de 
Instalação da Mineradora Canadense Belo Sun em área próxima a Reserva Indígenas dos 
Ticunas. Nessa luta pela preservação do seu ambiente, os Ticunas mapearam a área de 
instalação da mina e utilizaram o SIG para cruzar informações como poluição da mina, 
utilização e vazão do rio e impacto nas rotas de navegação indígenas, conseguindo, dessa 
forma provar que o projeto precisa ser modificado. Abaixo podemos visualizar o mapa 
elaborado para o Estudo de Impacto Ambiental da instalação da Mineradora Belo Sun. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quer saber mais sobre a utilização do 
geoprocessamento pelos índios Ticunas na 
sua luta contra a mineradora canadense 
Belo Sun? Acesse 
https://www.socioambiental.org/pt-
br/noticias-socioambientais/justica-
derruba-licenca-de-belo-sun 
 
 
6 – CONCLUSÃO 
 
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