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1 SISTEMAS DE INFORMAÇÃO E PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS INTRODUÇÃO A Cartografia se constitui numa ferramenta aplicável a qualquer das atividades humanas que requeiram conhecimento acerca do seu ambiente ou de relacionamentos ocorridos entre fenômenos deste ambiente. Sob a denominação Cartografia encontram-se todos os procedimentos e métodos voltados para o planejamento, coleta, representação e utilização de dados geográficos, quer na forma digital quer na forma analógica. A Cartografia pode ser vista, dentre outras formas, como meio de comunicação de informação. Neste sentido a Cartografia é veículo de comunicação mais eficiente do que um relatório escrito ou do que uma tabela ou gráfico. Apesar de ser impossível evitar as distorções, é possível escolher como elas ocorrerão. Os mapas em que as áreas são alteradas, mas as formas dos continentes são mantidas, são chamados de projeções conformais. Por outro lado, os mapas em que as áreas são corretamente mantidas e as formas são alteradas são chamados de projeções equivalentes. Agora, quando se opta por alterar tanto as áreas quanto as formas, eles são chamados de projeções afiláticas. O desenvolvimento da tecnologia de informação na última década tem oferecido oportunidades de melhorar dramaticamente o processo de tomada de decisões e resolução de problemas no domínio geo-espacial. Segundo Egenhofer (1999), embora os Sistemas de Informação Geográfica (SIGs) tenham alcançado um crescimento e popularidade sem precedentes na última década, para torná-los uma contribuição a comunidades mais amplas de usuários, mudanças significativas de design devem ocorrer. Em especial, uma nova tendência é acoplar SIGs a dispositivos de telefonia móvel e GPS, criando os Spatial Information Appliances (SIA), assistentes pessoais do futuro para problemas que envolvem o espaço, movendo a tecnologia do desktop para o trabalho de campo e da mão dos cientistas e profissionais especializados para as dos cidadãos em geral. Problemas sérios de usabilidade e gaps entre tarefas do usuário em implementações de SIG têm sido reportados em literatura recente. Câmara et al. (1999) argumentam que, apesar dos avanços ocorridos na modelagem de dados, é o design da interface de SIG que desempenha um papel crucial em determinar a aceitação do sistema. Davis & Laender (1999) discutem a utilidade dos SIGs entre diferentes grupos de usuários, cada qual com seu conjunto particular de aplicações e suas necessidades específicas no que diz respeito principalmente à representação dos objetos. Ainda segundo Davis & Laender (1999, pág. 36) “a representação de um objeto espacial não determina completamente sua aparência visual, ou seja, a forma segundo a qual o objeto será apresentado ao usuário, na tela ou em papel. A cada representação correspondem uma ou mais apresentações, alternativas de visualização adequadas para comunicar o significado dos dados geográficos de acordo com as necessidades da aplicação”. SIGs tentam preservar a familiaridade do usuário com a apresentação tradicional do mundo. Dominar o processo de representação da realidade através de mapas há muito tem sido objeto de estudo e pesquisa. A necessidade do homem de compreender o universo que o cerca exige que a cartografia, enquanto “arte de conceber, levantar, redigir e divulgar mapas” (Joly, 1990, pág. 7), seja cada vez mais eficiente. SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GRÁFICA Um SIG, Sistema de informações geográficas, ou GIS (Geographic Information System) é um sistema composto por software, usuário, hardware, dados e metodologia (ou técnicas) de análise, que permite o uso integrado de dados georreferenciados com uma finalidade específica. O primeiro SIG foi criado na década de 60 no Canadá com o intuito de possibilitar a criação de um inventário de recursos naturais. Mas, naquela época os programas ainda eram muito difíceis de se utilizar, exigiam mão de obra especializada, o que custava caro, e ainda não havia programas específicos para os variados tipos de aplicação, logo, estes tinham que ser desenvolvidos, tomando mais tempo e mais dinheiro. Entretanto, com o desenvolvimento da informática e de modelos matemáticos para aplicação da cartografia em meio computadorizado, os GIS foram se aperfeiçoando. Já na década seguinte, Ottawa (Canadá) sediaria o primeiro simpósio sobre Sistemas de Informações Geográficas do mundo. Desde a criação do primeiro sistema simples para aplicação da cartografia por meio de sistemas informatizados em 1950, até a recente massificação do acesso à GIS (como o Google Earth), as tecnologias para captura, armazenamento, tratamento e recuperação de informações georreferenciadas tem melhorado cada vez mais e possibilitado um leque cada vez maior de aplicações. Assim, podemos identificar três formas principais de se utilizar um SIG: para produção de mapas, como suporte para a análise espacial de fenômenos, ou como um banco de dados geográficos, com funções de armazenamento e recuperação de informação espacial. Os sistemas de projeções cartográficas foram desenvolvidos para dar uma solução a esse problema da transferência de uma imagem da superfície curva da esfera terrestre para um plano da carta, o que sempre vai acarretar deformações. Os sistemas de projeções constituem-se de uma fórmula matemática que transforma as coordenadas geográficas, a partir de uma superfície esférica (elipsoidal), em coordenadas planas, mantendo correspondência entre elas. O uso desse artifício geométrico das projeções consegue reduzir as deformações, mas nunca eliminá-las. Nesta aula, apresentamos os principais conceitos relacionados aos sistemas de projeção e discutimos a sua importância em permitir a transferência de pontos de uma superfície esférica para um plano, de modo a possibilitar a representação cartográfica de elementos geográficos. A escolha do sistema de projeção depende de uma série de fatores. Existem alguns que se adequam melhor do que outros, a depender da finalidade, ou que oferecem a vantagem de uma construção simples e rápida. Entretanto, para os cartógrafos, nenhum deles pode ser considerado ideal para resolver esse grande desafio da Cartografia que é eliminar completamente as distorções quando se passa de um sistema a outro. Assim, a solução parcial, que seria a adoção de um sistema de projeção, é sempre usada. Nos SIGs, um dos conceitos fundamentais envolvidos é o da base de dados espacialmente referenciada, com flexibilização da forma de representação. •Em grande parte, a introdução direta de produtos cartográficos como Base Cartográfica nos SIGs, sem uma discussão das características, erros e distorções destes produtos e sem vínculo direto com um PROJE, gera produtos de má qualidade ou de qualidade desconhecida. REPRESENTAÇÃO VISUIAIS EM CARTOGRAFIAS Existe um grande número de trabalhos voltados ao estudo da Cartografia e dos elementos utilizados na produção de mapas, como por exemplo Barkowsky & Freksa (1997), Couclelis & Gottsegen (1997). O trabalho de Bertin (1967) não se resume à Cartografia, mas trata das representações visuais de um modo geral. O autor coleta e analisa diversas simbologias gráficas e, para cada uma, associa propriedades perceptivas que se pode obter com sua utilização. Como resultado, apresenta uma classificação dos dados a serem representados de acordo com sua natureza geométrica: pontos, linhas e áreas, o que foi chamado de modos de implantação. Por estar interessado na expressão no plano do papel, Bertin (1967, pág. 42) limita seu estudo a representações bidimensionais, desconsiderando também fenômenos de natureza temporal. O ponto inicial do seu trabalho é a afirmação geral de que a comunicação é feita por meio de marcas no papel. A apresentação de um dado ocorre através de variações ou modulaçõesde características dessas marcas, como sua forma, posição ou cor. Deste raciocínio surge a lista das variáveis visuais: tamanho, valor (tons de uma mesma cor), granulação, cor (matiz), orientação e forma, além da posição no plano bidimensional. Forma-se, assim, um conjunto de transformações que aplicadas isoladamente ou em conjunto seriam capazes de transmitir visualmente qualquer tipo de informação, respeitando-se as limitações que o próprio Bertin se impôs – bidimensionalidade e atemporalidade. ALFABETO CARTOGRÁFICO Ramirez (1993) coleta e analisa dados do domínio cartográfico visando identificar os elementos básicos com os quais mapas são construídos. Para isso, baseando-se na teoria de níveis linguísticos de Chomsky (1972), decompõe sucessivamente e isola os componentes de mapas até obter um conjunto básico de elementos. As regras da gramática levam a elementos semelhantes às variáveis visuais de Bertin, ou seja, são modulações a serem aplicadas sobre o conjunto básico de primitivas (alfabeto), através dos quais seriam obtidas as possibilidades de representação para a construção de mapas. Sobre um mesmo elemento original - digamos, uma linha - podemos combinar variações de cor, granulação (tracejado, por exemplo) ou tamanho (espessura) e com isso progressivamente construir mapas. Ramirez considera os mapas como sendo sentenças, conjuntos de elementos relacionados de modo a conter um significado específico: a descrição de uma realidade geográfica. Embora esta abordagem sirva ao seu objetivo de permitir automatizar a construção de mapas ao isolar seus elementos mínimos, a granularidade da decomposição atingida é alta, gerando elementos por si desprovidos de significado, o que não dá margem ao estudo dos fenômenos de comunicação que existem quando se constrói ou se interpreta um mapa. CONCEITUAÇÃO DE PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS Projeções cartográficas são representações da superfície esférica da Terra em um plano, possibilitando a construção de um mapa. Um mapa corresponde à representação aproximada da superfície terrestre em um plano utilizando as coordenadas geográficas. Essa construção se dá por meio de um sistema plano de paralelos e meridianos (representados por linhas), ou seja, as projeções cartográficas. Existem diversos tipos de projeções que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), representam cada uma um determinado aspecto, como a dimensão e a forma. As projeções, por representarem uma superfície esférica, apresentam deformações, sendo assim, nenhuma representa fielmente essa superfície, pois nunca estará livre de distorções. Todos os mapas ou cartas que nós conhecemos são representações aproximadas da superfície terrestre. Isso ocorre porque não se pode passar de uma superfície curva para uma superfície plana sem que haja deformações, ou seja, não é possível manter as relações espaciais na transferência de pontos da superfície real para uma de representação. Segundo Rocha (1998), quando desejamos representar a superfície da Terra, diversas formas podem ser utilizadas: mapas, cartas, plantas, modelos reduzidos, modelos numéricos, globos e outros. Os globos apresentam uma grande vantagem na representação, pois mostram ao usuário uma boa visão ilustrativa do real, porém de pouca utilização prática, já que para uma escala de 1/1.000.000 ter-se-ia um globo com raio de 6,5 metros. A forma plana é a mais utilizada para representação das informações espaciais da superfície terrestre por ser a forma mais prática de representação e manipulação de mapas e cartas. Como a superfície terrestre não é plana, a Cartografia se vê obrigada a usar de artifícios para representar essas informações no plano. As projeções cartográficas são ferramentas utilizadas na Cartografia para representar a superfície curva sobre o plano, com o mínimo de distorções. A elaboração de um documento cartográfico em um plano consiste em um método segundo o qual se faz corresponder à cada ponto da Terra, em coordenadas geográficas, um ponto no mapa, em coordenadas planas. Para se obter essa correspondência utilizam-se os sistemas de projeções cartográficas. Existem diferentes projeções cartográficas, uma vez que há uma variedade de modos de projetar sobre um plano os objetos geográficos que caracterizam a superfície terrestre. Elemento secundário na medida que está associada com o produto específico e pode ter diferentes definições relacionadas com a forma pretendida de visualização, com a representação do espaço tridimensional no plano. Não tem solução exata. A seleção da Projeção Cartográfica é fixada em função dos produtos ou resultados desejáveis. Cada tipo de projeção pode preservar uma ou mais características ou gerar novas propriedades geométricas. Cada uma das Projeções Cartográficas gera distorções que devem ser consideradas nas aplicações. A Projeção Cartográfica deve propiciar a obtenção de distâncias, direções, áreas, etc. no plano, com possibilidade de estimativa das distorções introduzidas e da acurácia dos valores derivados. Deve propiciar a recuperação do SGR. A Projeção Cartográfica deve possibilitar a investigação das propriedades da representação em relação às propriedades da superfície de referência que: • são conservadas na representação; • se alteram ou desaparecem na representação; • são adquiridas pela representação e que não existiam na superfície de referência. A Representação Cartográfica, mesmo com base em um sistema de coordenadas de projeção adequado às aplicações, deve possibilitar o resgate das coordenadas referidas ao SGR de base. TIPOS DE PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS 1. Projeção Cilíndrica As projeções cilíndricas são aquelas elaboradas como se alguém colocasse o globo dentro de uma esfera e, ao desenrolar esse cilindro, conseguíssemos representar a superfície da Terra, conforme a figura abaixo: Esquema de uma projeção cilíndrica As projeções cartográficas mais famosas e utilizadas são as cilíndricas. Dentre elas, algumas merecem destaque especial em razão de suas importâncias e características. 2. Projeção de Mercator Nessa projeção, muito utilizada nos dias atuais, há uma preocupação em se manter as formas dos continentes, no entanto, as suas áreas são alteradas. Trata-se, portanto, de uma projeção conformal. Repare que, por exemplo, a Groelândia está maior que o Brasil, sendo que, na verdade, ela é bem menor do que ele. Mapa-múndi na projeção de Mercator 3. Projeção de Peters Ao contrário da anteriormente citada, essa projeção sacrifica as formas em benefício da conservação da proporção das áreas. É, portanto, um tipo de projeção equivalente. Os meridianos e os paralelos também são linhas retas. Mapa-múndi na projeção de Peters* 4. Projeção de Robinson Essa é a mais utilizada atualmente para representar o mapa-múndi. Ela altera tanto as formas quanto as áreas dos continentes, entretanto, nem as áreas e nem as formas são tão distorcidas quanto nas duas projeções anteriores, ficando em uma espécie de “meio-termo”. Nela, os paralelos são retos, mas os meridianos são curvados, como se acompanhassem a esfera terrestre. Mapa-múndi na projeção de Robinson 5. Projeção cônica As projeções cônicas são elaboradas como se colocassem a Terra em um cone e, em seguida, ele fosse aberto e colocado em um plano. Com isso, observa-se que os meridianos formam uma série de linhas retas que se direcionam aos polos. Esse tipo de projeção é muito utilizado para representar alguns trechos de continentes ou países. Esquema de uma Projeção Cônica 6. Projeção Plana, polar ou azimutal Nessa projeção, observa um plano colocado de forma tangente à superfície que será representada no centro do mapa. Nele, as linhas concentram-se do ponto centrale dispersam-se em direção às áreas mais afastadas. Essa projeção é muito utilizada para representar os polos ou para colocar no centro de um mapa qualquer ponto da Terra. Esquema de uma projeção plana CARACTERÍSTICAS DAS PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS Existem diversas representações aproximadas da superfície esférica da Terra em um plano. Elas podem ser classificadas quando à superfície de projeção (que são as mais comuns e já foram mencionadas anteriormente); quanto ao tipo de contato com a superfície; quanto às propriedades; quanto ao método de elaboração do traçado; ou quanto à situação do ponto de vista.|1| As mais conhecidas são: → Superfície de contato Tangente: superfície de projeção encontra-se tangente à superfície de referência. Secante: superfície de projeção divide em partes (secciona) a superfície de referência. Afilática: projeção cartográfica que não conserva ângulo, área ou comprimento, portanto, não há conservação das propriedades. Contudo, há o mínimo de deformação possível em conjunto. → Posição da superfície de projeção Policônica: projeção cuja superfície de representação é um cone apresentando deformações ao centro que aumentam à medida que a área se afasta da região central. Utilizada especialmente em representações de áreas extensas de norte a sul. Transversa: projeção em que as coordenadas geográficas não se apresentam em linha reta (exceto a Linha do Equador), utilizada principalmente para representar áreas extensas de norte a sul. Normal: projeção em que os paralelos se apresentam como círculos e os meridianos como linhas retas, apresentando baixo nível de deformação. Utilizada especialmente em representações de áreas extensas de oeste a leste. → Método de elaboração do traçado Geométrica: projeção representada segundo princípios geométricos, sendo dividida em: gnômica (ponto de vista no centro da Terra), estereográfica (ponto de vista no plano contrário à tangência do plano da projeção) ou ortográfica (ponto de vista no infinito). Analítica: projeções representadas segundo formulações matemáticas (cálculos, tabelas, ábacos). Convencional: projeções representadas por meio de cálculos e tabelas. QUANTO AS PROPIEDADES QUE ELAS CONSERVAM Outra classificação muito importante é quanto às propriedades que elas preservam, sendo: equidistantes, equivalentes, conformes e afiláticas. a) Equidistantes– são as que não apresentam deformações lineares, isto é, os comprimentos são representados em escala uniforme. b) Equivalentes – são as que não deformam as áreas, isto é, as áreas na carta guardam uma relação constante com suas correspondentes na superfície da Terra. Às vezes, a igualdade de áreas é obtida com uma excessiva deformação de figura. c) Conformes ou ortomórficas – são as que não deformam os ângulos e, em decorrência dessa propriedade, não deformam também a forma das áreas. Não existe projeção que seja ao mesmo tempo equivalente e conforme. d) Afilática – são aquelas em que os comprimentos, as áreas e os ângulos não são conservados. Entretanto, podem possuir uma ou outra propriedade que justifique sua construção. DESIGNAÇÃO DAS PROJEÇÕES Para dar nome às projeções, devemos em princípio seguir as seguintes regras: 1) enunciar em primeiro lugar a natureza da superfície de projeção (plana, cônica, cilíndrica); 2) enunciar, em seguida, a posição do eixo com relação à linha dos pólos (polar, normal, transversa); 3) acrescentar, finalmente, a propriedade que a projeção conserva: analítica (conforme, eqüidistante, equiárea); geométrica (gnomônica, esferográfica, ortográfica). BASE CARTOGRÁFICA Base Cartográfica é uma estrutura espacial de dados de referência, consistente com um SGR, constituindo-se em ferramenta essencial para a geração, compatibilização e gestão das informações espaciais. Associada a um SGR, possibilita a consistência espacial, o controle da qualidade dos dados, atualidade e suas redundâncias. Os Aspectos Geométricos dos SGRs e a Transformação de Coordenadas são elementos de grande atualidade e prioritários para as Bases Cartográficas. SGRs e Bases Cartográficas são fundamentais na base geométrica dos Sistemas de Informações Geográficas (SIGs). A visão geral dos aspectos relacionados com a formação das Bases Cartográficas vinculadas ao Sistema Geodésico Brasileiro (SGB) é fundamental. Implicações: Produtos derivados terão características geométricas condicionadas pelo produto base. A recuperação de informações espaciais é afetada pela precisão do produto, escala, grau de generalização das informações e distorções próprias da Projeção para visualização. Um conjunto de produtos cartográficos só será suficiente para caracterizar uma Base Cartográfica se vinculada a um SGR e permitir a recuperação de informações a ele referenciadas com controle da qualidade. CLASSES DE PRODUTOS CARTOGRÁFICOS COM INFORMAÇÕES ESPECIALMENTE REFERENCIADAS (VÍNCULO COM O SGR) As cartas topográficas, as quais apresentam os elementos da toponímia, principais feições naturais e artificiais, domínios, as ocupações e suas relações espaciais; As cartas cadastrais, onde os objetos principais são os Prédios (áreas e domínios públicos e privados) com os elementos básicos para o registro ou os equipamentos edificados ou implantados; Os produtos cartográficos temáticos, onde a representação espacial privilegia ou distingue categorias de elementos naturais ou artificiais. Cada uma destas classes pressupõe uma ou mais formas de visualização do produto, tendo em vista a sua aplicação. CONSIDERAÇÕES FINAIS A representação mais precisa da superfície da Terra é o globo. A representação por meio de mapas, sempre acarretará distorções. Não existem projeções melhores ou piores. Cada uma se adapta a determinadas finalidades. Mas nenhuma resolve o problema da representação da curvatura da Terra numa superfície plana. Para ser feita, a representação emprega um sistema de projeções cartográficas baseadas em relações matemáticas e geométricas. Apesar dos problemas que todas apresentam, sem essas projeções seria impossível a reprodução plana do globo terrestre. É desejável que a aparência visual dos componentes do mapa seja adequada ao uso e à categoria de usuário da aplicação. Na produção cartográfica convencional, o processo é baseado no conhecimento empírico do cartógrafo, incluindo seu senso estético. A análise comparativa dos sistemas semióticos da Cartografia e de SIGs mostra que o segundo ainda é tecnocêntrico, o que pode ser explicado pela herança das restrições iniciais da tecnologia de interfaces gráficas (palhetas genéricas de símbolos ocupam menos espaço e servem a um número maior de objetivos na criação de mapas no computador). Sistemas de Informação Geográfica podem ser usados para produzir infinitas interpretações do mundo real e apresentá-las como mapas. Neste caso, uma parte da interface é dedicada a permitir aos usuários definir sua interpretação (ativando módulos de análise espacial) e a segunda parte à apresentação cartográfica. Poderíamos ser levados a pensar que limitações de escolha dos signos para construção de mapas deveriam ser impostas para não sobrecarregar a interface e confundir o usuário leigo. É fundamental termos em mente que o perfil dos usuários de SIG tem se deslocado do especialista em computação para o especialista em outros domínios do conhecimento que necessitam manipular dados espaciais. Assim, apesar de o usuário de SIG poder ser alguém leigo em Cartografia – tanto a tradicional quanto a digital – ele toma também a posição de usuário do mapa que será produzido. Ou seja, a análise, processamento e apresentação dos dados geográficos deixam de ter a intermediação do especialista em computação e em SIG. Portanto, torna-se desejávelque esse SIG disponibilize ao usuário elementos que facilitem a construção de um mapa cuja futura leitura e interpretação para tomada de decisões seja a mais natural e imediata possível. É importante destacar que, embora o sistema semiótico da Cartografia tenha apresentado resultados mais favoráveis à interoperabilidade dos signos constituintes dos mapas do que os SIGs, a informação geográfica no computador pode ser muito mais rica do que a informação cartográfica convencional, se exploradas as possibilidades da mídia do computador, e não permanecendo meramente uma duplicação digital de mapas já existentes. A produção de mapas via SIG é, assim, um passo adiante da cartografia eletrônica “padrão”, que se limita a reproduzir mapas previamente criados usando a cartografia tradicional. Estes sistemas permitem a construção de mapas a partir de dados brutos observados no mundo e armazenados em bancos de dados geográficos. Desta forma, a partir de um conjunto básico de dados, uma infinidade de mapas totalmente diferentes pode ser produzida, adequando-se à variedade de aplicações que necessitam de informações geográficas. REFERÊNCIAS AGOSTINI, Aminto. Disegno Topografico, Ed. Ulrico Hoepli, Milão, 1972. BARKOWSKY, Thomas & Freksa, Christian. “Cognitive Requirements on Making and Interpreting Maps”, Lecture Notes in Computer Sciences 1329, Springer- Verlag. 1997. BERTIN, Jaques. Semiologie Graphique: les diagrammes, les reseaux, les cartes, Gaurhiers-Villars, Paris. 1967. CÂMARA, Gilberto et al. “Handling Complexity in GIS Interface Design”, anais do GeoInfo 1999 – I Workshop Brasileiro de Geoinformática. 1999. CHOMSKY, N. Syntatic Structures, The Hague: Mouton & Co., Printers.1972. 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