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O que é logística reversa? 
 
A logística reversa é o processo de planejamento, implementação e controle do 
fluxo de matérias-primas, estoque em processo e produtos acabados (e seu 
fluxo de informação) do ponto de consumo até o ponto de origem, com o 
objetivo de recapturar valor ou realizar um descarte adequado. 
Em outras palavras, a logística “convencional” trata do fluxo de produtos e 
informações do ponto de fabricação até o ponto de aquisição, já a logística 
reversa faz o caminho contrário, ou seja, do ponto de aquisição para o ponto de 
fabricação. 
Uma empresa quando recebe um produto caracterizado por um processo de 
devolução, seja qual for o motivo, já está aplicando o conceito de logística 
reversa. Do mesmo modo, uma empresa que compra materiais reciclados, ou 
mesmo recuperados, incluindo estes em seu processo produtivo também está 
aplicando a logística reversa. 
A prática da logística reversa trazem bons retornos para as empresas. 
Economias com a utilização de embalagens retornáveis ou com o 
reaproveitamento de materiais para produção têm trazem benefícios que 
estimulam novas iniciativas e reforçam a importância do processo. 
Assim como a logística “convencional”, o processo reverso necessita de 
recursos próprios, equipe dedicada e processos bem estruturados para 
alcançar bons resultados. Os esforços em desenvolvimento e melhorias nos 
processos de logística reversa quando bem gerenciados trazem retornos 
consideráveis, que justificam os investimentos realizados. 
A logística reversa tem se tornado cada dia mais importante para as empresas, 
uma vez que as mercadorias devolvidas oferecem oportunidades para 
recuperação do valor, bem como economias de custo em potencial. 
 
Benefícios da logística reversa 
Até aqui, entendemos o que é a logística reversa, bem como sua importância 
para as empresas. Mas, quais são os benefícios que podemos alcançar através 
do processo? A seguir listamos cinco benefícios diretamente relacionados ao 
processo: 
 Proteção do meio ambiente – uma vez que há aumento de reciclagem 
e reutilização de produtos há uma diminuição de resíduos; 
 Diminuição dos custos – retorno de materiais ao ciclo produtivo, e/ou 
matérias primas mais baratas; 
 Melhora da imagem da empresa perante o mercado – empresas 
ambientalmente responsáveis representa uma forte publicidade positiva; 
 Relação custo/benefício vantajosa – apesar dos custos com a 
estruturação de uma logística reversa os benefícios (ambientais, boa 
imagem no mercado, etc.) superam os custos e investimentos 
necessários; 
 Maior lucratividade – ao reduzir os custos e melhorar o posicionamento 
da empresa frente ao mercado, consequentemente será maior a 
lucratividade. 
Embora sejam reconhecidos os benefícios da logística reversa, a realidade de 
muitas empresas mostra que é difícil verificar todas suas vantagens. Isso 
porque, existe a ideia de que o fluxo reverso somente representa custos e, 
como tal, recebe pouca ou nenhuma prioridade nas empresas. Temos de 
acrescentar também que a falta de uma estrutura solida para a logística 
reversa faz com que o processo seja mais caro em relação aos métodos 
convencionais. 
 
 
Logística reversa e sustentabilidade 
Existe uma clara tendência de que a legislação ambiental caminhe no sentido 
de tornar as empresas cada vez mais responsáveis por todo ciclo de vida de 
seus produtos. Isto significa ser legalmente responsável pelo seu destino após 
a entrega dos produtos aos clientes e do impacto que estes produzem no meio 
ambiente. 
Um segundo aspecto diz respeito ao aumento de consciência ecológica dos 
consumidores que esperam que as empresas reduzam os impactos negativos 
de sua atividade ao meio ambiente. 
Para ambos os aspectos citados a solução é a mesma: logística reversa. 
O avanço tecnológico acelerou a introdução de novos produtos no mercado, 
levando a maiores condições de consumo e ao crescimento do descarte de 
produtos usados, aumentando o lixo urbano. Isto ocorre porque os canais 
reversos de distribuição, normalmente, não estão estruturados, havendo 
desequilíbrio entre as quantidades de material descartado e reaproveitado. 
Os produtos descartados no meio ambiente geram poluição, o que por 
consequência trazem custos para a sociedade e para as empresas como custo 
da repercussão negativa em sua imagem corporativa. 
Os consumidores estão mais sensíveis a problemas ecológicos, principalmente 
em países desenvolvidos. Hoje os clientes estão dispostos a pagar mais por 
produtos manufaturados com tecnologias que não agridam o meio ambiente. 
Dessa maneira, hoje as empresas procuram elaborar a logística reversa no 
intuito de adequarem-se as exigências legislativas e dos consumidores, como 
também visarem um diferencial estratégico para imagem corporativa e alcançar 
novos mercados. 
Funcionários, acionistas e sociedade sentem-se melhor quando estão 
vinculados a uma empresa ambientalmente responsável, e essa satisfação 
pode até mesmo resultar em aumento de produtividade. Bancos e 
principalmente agências de fomento (BNDES, BID, etc.) oferecem linhas de 
crédito específicas, maior prazo de carência e menores taxas de juros a 
empresas com projetos ligados ao meio ambiente. 
 
 
Tipos de logística reversa 
O conceito de logística reversa, em grande parte, é associado às questões de 
sustentabilidade e reciclagem de materiais. Entretanto, o conceito abrange 
também o retorno de produtos que apresentaram algum tipo de defeito ou 
mesmo não atenderam às expectativas de seus consumidores. 
Por ser dois casos distintos, existe hoje uma classificação diferente para cada 
tipo, como vamos ver a seguir: 
 
Logística reversa pós-venda 
Nesta classificação o produto retorna à cadeia de distribuição antes de ter sido 
usado pelo consumidor ou em casos de pouco uso (pela identificação de 
defeito ou por algum erro no processamento do pedido, por exemplo). Para 
isso a empresa precisa planejar o recebimento e encaminhamento dos itens, 
estabelecendo meios de controle do fluxo físico e das informações logísticas. 
Muitas vezes, o produto pode passar por melhorias, manutenções e reparos e 
voltar a ser comercializado. 
Logística reversa pós-consumo 
Já na Logística Reversa pós-consumo, o produto foi adquirido, utilizado e 
descartado pelo consumidor, pelo término de sua vida útil. Da mesma forma 
que no pós-venda, a empresa deve se preparar para receber os itens e dar-
lhes o devido encaminhamento, que pode ser a reutilização para retorno ao 
ciclo produtivo, a reciclagem ou o desmanche seguido pela destinação 
ambiental adequada. 
Logística reversa no Brasil 
As operações de logística reversa pós-venda está contida no Código de Defesa 
do Consumidor (CDC). O código trata das regras, obrigações, direitos e 
deveres que as empresas e consumidores têm nas relações comerciais. Para 
os casos de trocas ou devoluções, caso seja constatado falha nos produtos por 
parte da empresa, a mesma deve estabelecer toda cadeia logística de retorno 
e reembolso do consumidor, seja pela devolução do valor ou de um produto 
novo. 
Para os casos de desistência, ou não atendimento das expectativas, deve ser 
visto o tipo de contrato estabelecido entre as duas partes. Em alguns casos os 
consumidores têm o direito de devolver os produtos sem arcar com nenhum 
custo. 
Para os casos de logística reversa pós-consumo foi instituída a Política 
Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), Lei n° 12.305/10, que dispõe princípios, 
objetivos e instrumentos relacionados com o manejo de resíduos sólidos, bem 
como as diretrizes relativas à gestão integrada e ao gerenciamento desse 
material, entre outros aspectos. 
Fazem parte dos princípios e instrumentos definidos na lei a responsabilidade 
compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos. De acordo com a PNRS, a 
responsabilidade sobre o produto cabe a comerciantes, fabricantes, 
importadores, distribuidores, cidadãos e titulares de serviços de limpeza e 
manejo dos resíduos sólidos urbanos. 
Issosignifica que a PNRS obriga as empresas a aceitarem o retorno de seus 
produtos descartados, além de se responsabilizem também pelo destino 
desses itens. A lei define a logística reversa como um “instrumento de 
desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, 
procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos 
resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou 
em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente 
adequada”.

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