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ECONOMIA E FINANÇAS 
AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Liezer Veloso 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Neste estudo, você compreenderá um pouco mais sobre a economia e 
como ela impacta diretamente na vida das empresas e da sociedade em geral. 
Esse entendimento é crucial para sua formação, visto que as temáticas 
revelam muitos elementos importantes de nossa vida, como emprego, inflação, 
produção, taxas de juros e muito mais. Num primeiro momento, daremos 
enfoque à economia; depois, abordaremos as finanças. 
Nesta etapa, vamos entender o que é economia e qual a sua relação 
com a sociedade. Conceitos, definições e esquemas econômicos ficarão claros 
em nosso rolê e trilhas. A economia é vista por diversos ângulos. Em seu 
esquema central, identificaremos os desafios de sobrevivência da sociedade, 
no que tange a produzir e distribuir bens e serviços, diante das limitações dos 
recursos. Analisaremos também a relação com o sistema econômico e como 
os fluxos monetários e o real têm relação direta com consumo e produção. 
Então, prepare os equipamentos e vamos nessa aventura pelo conhecimento. 
TOP – INTRODUÇÃO À ECONOMIA 
Crescimento do desemprego afeta a família brasileira. Alta nos insumos 
agrícolas faz com que preço do tomate nos supermercados seja o maior da 
história. Real sofre maior desvalorização do século XXI, chegando US$ 1,00 
(um dólar) a custar R$ 4,94 (quatro reais e noventa e quatro centavos). 
Certamente você já ouviu inúmeras manchetes como essas em jornais, 
revistas, sites e noticiários. É de ficar assustado! Essas temáticas fazem parte 
da economia mundial e do nosso dia a dia. Todas as pessoas direta ou 
indiretamente, mesmo que não conheçam profundamente seu mecanismo, 
sofrem os impactos dela. Por isso, neste texto você compreenderá muitas 
coisas relativas à economia. 
Primeiramente precisamos compreender o conceito de economia, que “é 
o estudo da forma como as sociedades utilizam recursos escassos para 
produzir bens e serviços que possuem valor para distribuí‐los entre indivíduos 
diferentes” (Nordhaus; Samuelson, 2012, p. 3). 
No conceito acima, há algumas palavras-chave, que explicam bem as 
complexidades da sociedade, no que se refere à produção e circulação de 
bens e serviços. Imagine: se ninguém quisesse adquirir carros, computadores e 
 
 
3 
celulares, haveria empresas produzindo esses bens? Certamente não! Antes 
da produção e do entendimento sobre os recursos, precisamos nos pautar no 
que as pessoas necessitam e desejam. Esse aspecto é bem complexo, pois 
sempre queremos mais e mais, nunca ocorre um contentamento perene. Mas 
essa análise mais filosófica do consumismo fica para outro estudo. 
Pois bem, as pessoas possuem inúmeras necessidades (primeira 
palavra-chave). Para a economia, elas são convertidas em bens e serviços que 
irão ao seu encontro: para fome, adquirimos alimentos; para moradia, 
compramos ou alugamos um imóvel; para descolamento, usamos serviços de 
transporte público, aplicativos, compramos um carro, moto ou bicicleta; para 
suprir nossa autoestima por meio da beleza, adquirimos perfumes, maquiagem, 
vamos ao cabeleireiro ou barbeiro. Olhe que interessante: sempre haverá 
algum bem ou serviço que é capaz de satisfazer as nossas necessidades. 
Outra palavra-chave da economia recai no entendimento de que os 
recursos disponíveis para os meios de produção são limitados, não estão em 
abundância. O ar não tem preço, não é comercializado, pois há em abundância 
no globo terrestre. Mas e agora? Imagine que uma nova empresa desenvolva 
um produto à base de leite e que ela necessite comprar todo o volume de leite 
existente hoje. Como os demais produtos – queijos, iogurte, manteiga etc. – 
existiriam? Será que os produtores e fornecedores migrariam seu fornecimento 
para essa nova empresa? 
Observe, no exemplo fictício acima, que “doideira” seria um 
deslocamento total de recursos em prol de um produto em detrimento de uma 
enorme cadeia de produção, afetando um mix admirável de produtos derivados 
de leite. Nesse ponto, a economia surge como resposta para compreender o 
dinamismo entre as necessidades humanas, que são ilimitadas, versus os 
recursos para produção, que são escassos (limitados). 
Suponha que os recursos fossem ilimitados e as pessoas tivessem 
necessidades limitadas. Nesse caso, a economia deixaria de existir. Nesse 
esquema perfeito, todos teríamos as necessidades e os desejos satisfeitos 
pelos bens econômicos, pois teríamos abundância de tudo que quiséssemos. 
“Em tal paraíso de abundância, todos os bens seriam gratuitos, tal como a 
areia do deserto ou a água do mar na praia. Todos os preços seriam zero e os 
mercados, desnecessários” (Nordhaus; Samuelson, 2012, p. 3). 
 
 
4 
ROLÊ 1 – OS PROBLEMAS ECONÔMICOS FUNDAMENTAIS 
Diante da lei da escassez (recursos limitados x necessidades ilimitadas), 
surge um pedaço do palco da complexidade da economia, ou seja, quatro 
questões norteadoras para decidir o que se deve produzir. Imagine que você é 
um empresário do ramo têxtil. Qual tecido utilizaria (algodão ou poliéster)? Que 
tipo de produto fabricaria: calças, bermudas, vestidos? Teria foco nas pessoas 
mais jovens ou idosas? Questões como essas são respondidas pelas quatro 
perguntas fundamentais. 
O que produzir? Nesse ponto, procuramos identificar quais as 
necessidades existentes na sociedade. Alimentação, moradia, educação, 
entretenimento, recursos tecnológicos, vestuário e beleza etc. Aqui os aspectos 
demográficos (idade, gênero, localização, renda, escolaridade) são fatores que 
podem influenciar nas necessidades e nos desejos. Pense: as necessidades do 
século 21 são idênticas às do século 20? As empresas são as mesmas? 
Quanto produzir? Depois de identificar qual item será produzido para 
satisfazer as necessidades, a questão agora é quantitativa: se produzirmos 
muito ou pouco, em ambos teremos problemas. Em excesso ao que o mercado 
demanda, os prejuízos seriam enormes, pois gastos com matéria-prima, água, 
energia e salários não teriam retornos. Haveria um elevado estoque de bens 
que seriam descartados, pois o mercado não consumiria tudo. Na segunda 
hipótese, de produzir uma quantidade menor, teríamos a perda do lucro, ou 
seja, haveria uma demanda não suprida pela falta de bens; com isso, as 
pessoas migrariam para comprar outros produtos, e a empresa em questão 
perderia a oportunidade de vender mais. 
Como produzir? Para se produzir é necessário utilizar mão de obra, 
capital e recursos naturais, os quais são escassos e podem ser combinados de 
várias formas. Para fazer um churrasco, por exemplo, quais as possibilidades 
de carnes, as variações de churrasqueiras ou métodos para assar? Ainda há 
variações no estilo do churrasqueiro, entre outras. Aqui o problema consiste no 
uso combinado dos fatores de produção com a tecnologia existente. A 
concorrência e os produtores se pautam pela forma que tenha menor custo de 
produção. 
Para quem produzir? Agora, a escolha do público-alvo é lição 
fundamental de casa e cai no vestibular. Como as pessoas possuem idades 
 
 
5 
diferentes, ciclos, e sendo o tempo relativo, é preciso separar uma parcela da 
sociedade na qual a empresa deseja criar produtos para satisfazer, de forma 
que ela alcance o maior lucro possível. Nossos pais e avós provavelmente não 
comprariam skate, roller, patins ou longboard para uso próprio, todavia nossos 
colegas e amigos adolescentes e jovens investiriam e muito nesses bens. Com 
isso, para quem produzir leva em conta setores e parcelas da sociedade que 
será atendida pela produção de bens e serviços, considerando a renda das 
pessoas. 
2.1 Curva da possibilidade de produção 
O número de pessoas disponíveis para o trabalho, a quantidade de 
recursos naturais (terra, água, combustíveis fósseis), os recursos tecnológicos 
e o capital (máquinas, equipamentos, dinheiro) são limitados. Esses são tidos 
como os fatoresde produção, os quais permitem que o processo produtivo 
ocorra. Você prefere alimentos ou roupas? Em qual deles você investiria, se 
fosse empresário, e como consumidor? Sua escolha pode ser bem distinta. 
A escolha de qual bem produzir pode ser entendido pela curva da 
produção, pois quanto mais se produz um bem, outro tem sua produção 
reduzida, visto que os recursos são limitados. 
Figura 1 – Curva de possibilidade de produção
 
Fonte: Da Silva, 2017, p. 23. 
 
 
6 
No exemplo acima, o autor demonstra de forma fictícia que quanto mais 
se produzem alimentos, mais reduz a produção de vestuário e vice-versa. 
Observe que a linha de P a Q mostra os extremos, onde somente um produto 
pode ser produzido usando todos os fatores de produção disponíveis. O ponto 
B mostra que seriam produzidos 5 milhões de peças de vestuário e 7,5 milhões 
de toneladas de alimentos. No ponto A, 10 milhões de vestuário e 5 milhões de 
toneladas de alimentos. Há inúmeras possiblidades de combinação das 
quantidades, todavia, em todas elas, a capacidade produtiva sofre impacto 
direto dos fatores de produção. Nesse exemplo, a economia poderia se 
deslocar para A ou B. 
A questão é que a sociedade precisa de inúmeros bens e serviços, ou 
seja, o gráfico acima ficaria muito mais complexo se considerássemos todos os 
bens e serviços. Assim você pode entender que a limitação dos produtos diz 
respeito à produção de outro. Dessa forma, chegamos ao entendimento do 
custo de oportunidade, que diz respeito ao sacrifício de se produzir um bem 
para produzir outro. 
ROLÊ 2 – SISTEMAS ECONÔMICOS 
A forma como a sociedade está organizada para produzir e distribuir 
seus produtos, levando em conta a política, os aspectos sociais e econômicos, 
de forma que ela atinja um equilíbrio e bem-estar geral, pode ser entendida 
como um sistema econômico. Esse sistema é formado pelas empresas, 
famílias, instituições jurídicas, políticas, econômicas e sociais. 
Os sistemas econômicos podem ser classificados de algumas formas. 
O sistema capitalista ou economia de mercado tem como base a livre 
iniciativa e a propriedade privada dos fatores de produção, sendo regido pelas 
forças de mercado. As empresas privadas e os indivíduos decidem como 
acontecerá a produção e o consumo de bens e serviços. Aspectos como 
lucros, preços de mercado, incentivos e prêmios são decididos na escolha do 
investimento empresarial na produção. O consumo das pessoas é determinado 
pelo poder de renda que elas possuem e pelo interesse de posse e 
propriedade de patrimônio. Caso não ocorra a participação do governo, é 
denominado de laissez-faire. 
No sistema socialista ou economia centralizada (economia dirigida), 
os fatores de produção são centralizados em um agente, com caráter e 
 
 
7 
interesse totalmente público. A ausência da iniciativa privada é característica 
preponderante para atividades mais importantes e cruciais da sociedade. O 
governo atua como regulador e “ditador” das regras produtivas, impondo 
preços, taxas e a distribuição da renda. 
O que ocorre na maior parte dos países é o sistema de economia 
mista, onde empresas privadas e indivíduos atuam livremente, prevalecendo 
as forças de mercado. Entretanto o Estado atua como agente regulador das 
relações, para que haja uma condição mínima e harmônica na sociedade. 
Assim os serviços públicos, como saúde, educação, transporte e saneamento, 
entre outros, são produzidos como bens públicos. O governo ainda atua de 
forma a induzir a iniciativa privada a investir em infraestrutura, energia e 
telecomunicações. Há um sincronismo e uma interação convergente entre 
público e privado. 
Para o pleno funcionamento dos sistemas econômicos, a economia do 
país pode ser segregada em setores econômicos, a saber: 
Quadro 1 – Setores econômicos 
Setor primário 
Constituído pelas unidades produtoras que utilizam intensamente os recursos naturais e não 
introduzem transformações substanciais em seus produtos. Fazem parte deste setor as 
unidades produtoras que desenvolvem atividades agrícolas, pecuárias e extrativas, sejam elas 
minerais, animais ou vegetais. 
Setor secundário 
Constituído pelas unidades produtoras dedicadas às atividades industriais, por meio das quais 
os bens são transformados. Caracteriza-se pela intensa utilização do fator de produção capital, 
sob a forma de máquinas e equipamentos. Indústrias de automóveis, de refrigerantes e de 
roupas são exemplos de unidades produtoras incluídas no setor secundário. 
Setor terciário 
Este setor se diferencia dos outros pelo fato de seu produto não ser tangível, concreto, embora 
seja de grande importância no sistema econômico. É composto das unidades produtoras que 
prestam serviços, como as instituições bancárias, as escolas, as empresas de transporte, o 
comércio etc. 
Fonte: Elaborado com base em Silva, 2017, p. 27. 
O quadro acima deixa evidentes as atividades econômicas presentes em 
qualquer país. Em alguns deles, há uma concentração maior em um dos 
setores. No Brasi,l o setor terciário (serviços) vem crescendo gradativamente: 
em 2018, segundo o Sebrae, ele chegou a representar 36,5% do produto 
interno bruto (PIB) (Silva; Silva, 2018, p. 16). 
 
 
8 
Os três setores são responsáveis pela produção de bens e serviços que 
são necessários para a cadeia produtiva e para o consumo pelos clientes e 
consumidores. Eles podem ser classificados da seguinte forma: 
Bens e serviços de consumo: representam os itens que já foram 
transformados no processo produtivo e que estão à disposição das pessoas 
para serem consumidos, atendendo às necessidades diretas delas. Esses bens 
podem ser classificados como duráveis (geladeiras, automóveis, smart TV) e 
não duráveis (alimentos, produtos de higiene e limpeza). 
Bens e serviços intermediários: são itens importantes para a produção 
de bens e serviços destinados ao consumo. Em sua fabricação, o automóvel 
necessita de pneus, bancos, motor e portas. Com isso, o aço, a borracha e o 
plástico são tidos como bens intermediários. Aqui podemos encontrar os 
insumos, as matérias-primas e as embalagens que são utilizados na produção 
de bens e serviços com maior valor agregado. 
Bens de capital: para conversão da matéria-prima e transformação de 
recursos em bens e serviços de consumo, utilizam-se os bens e serviços 
intermediários, os quais necessitam dos bens de capital para produção (Ops! 
Que doideira! – Calma aí, que você vai entender). Os bens de capital 
representam as máquinas, os equipamentos, o complexo fabril e as tecnologias 
(software, hardware, metodologias produtivas) que são utilizados pelas 
indústrias para a produção dos bens e serviços. Em uma empresa de 
transporte público, o ônibus é um bem de capital. O combustível é um bem 
intermediário. E o serviço de transporte é um consumo. 
Quadro 2 – Conceitos-chave 
Sistema econômico: é a reunião dos diversos elementos (os fatores de produção) que 
participam da produção de bens e serviços para atender às necessidades da sociedade. 
Unidade produtora: é a instituição que reúne e organiza os fatores da produção com o 
objetivo de produzir um determinado bem ou serviço. 
Bens e serviços de consumo: são os bens e serviços que se destinam ao atendimento direto 
das necessidades das pessoas. 
Bens e serviços intermediários: são os bens e serviços que entram na produção de outros 
bens e serviços. 
Bens de capital: são os bens que aumentam a eficiência do trabalho humano. 
Fonte: Elaborado com base em Silva, 2017, p. 26. 
Ufa! Terminamos esse rolê compreendendo muito bem o sistema 
econômico. Observamos a iniciativa privada e pública, os setores econômicos 
e os bens e serviços. Fica claro que há uma relação direta e muito, mas muito 
 
 
9 
estreita entre esses elementos. Acredito que agora você esteja gostando de 
economia e observando muitas coisas em seu dia a dia. Então, “bora” para a 
nossa trilha. 
TRILHA 1 – FLUXOS DO SISTEMA ECONÔMICO 
Dentrodo sistema econômico, as empresas são denominadas unidades 
produtoras, as quais representam um conglomerado de recursos materiais, 
físicos, financeiros, humanos e tecnológicos, que, em seu processo produtivo, 
convertem insumos e materiais em produtos com valor agregado, os quais vão 
satisfazer as necessidades dos clientes e consumidores. 
Para cumprir seus objetivos empresariais, as unidades produtoras são 
cercadas por indivíduos que mantêm relação próxima, disponibilizando meios 
para viabilizar todo o processo. Os fornecedores concedem materiais, 
embalagens, peças, materiais de escritório e uma infinidade de elementos de 
que as empresas necessitam. Em troca, os fornecedores recebem dinheiro 
pelo fornecimento concedido. 
Os investidores, sócios e/ou proprietários recebem juros e dividendos 
em troca do valor investido (capital social) na empresa. Os empregados 
representam a força de trabalho, pois eles, por meio da concessão do seu 
tempo, despendem força braçal, inteligência, criatividade e conhecimento em 
prol de um objetivo (comprar, produzir, controlar, montar, pintar...), o qual 
atende uma das necessidades da empresa. Em contrapartida, os empregados 
recebem remuneração (salário, férias, adicionais) pelo serviço prestado. 
Figura 2 – Fluxo circular de renda
 
Fonte: Vasconcellos, 2018, p. 11. 
 
 
10 
Observe quantos elementos possui o fluxo (figura 2). É vital que haja 
uma relação harmônica entre todos eles. No mercado de bens e serviços (fluxo 
real), as empresas vendem e as famílias compram. Já no mercado de fatores 
de produção, as famílias vendem seu trabalho e as empresas compram. O 
fluxo monetário ocorre por meio da movimentação da moeda, entre 
pagamentos e recebimentos entre os agentes. Observe que a relação família e 
empresa é muito estreita. De forma simples, podemos entender que as famílias 
são trabalhadoras e consumidoras, as empresas são produtoras e 
consumidoras de serviços (fatores de produção). As famílias demandam 
produtos e serviços e as empresas ofertam-nos. As famílias ofertam trabalho e 
as empresas demandam-no. 
Essa circulação de bens e serviços permite que tanto no processo de 
produção quanto no de consumo exista movimentação do dinheiro (renda, 
lucro, recebimento e pagamento): as famílias dispõem de recursos financeiros 
para seu consumo (pagam pelos bens e serviços) enquanto as empresas 
recebem o dinheiro dos produtos e serviços concedidos e o injetam na 
produção de novos bens e serviços, por meio do pagamento dos fatores de 
produção. De forma simples, esse fluxo é dinâmico, cíclico e permite que haja 
estabilidade e crescimento econômico. 
Esse esquema representa, de forma geral, o fluxo real e monetário. 
Cabe lembrar que são inúmeras empresas e indivíduos atuando ativamente 
nesse fluxo, assim um empregado da indústria de automóveis recebe salário 
pelo serviço prestado e o utiliza na aquisição de alimentos, roupas etc. O 
empregado da indústria têxtil (roupas) recebe seu salário e adquire um 
automóvel. Assim o fluxo se mantém ativo, gerando renda, riqueza, 
movimentação de bens e serviços e satisfazendo todos os indivíduos por meio 
de recebimentos e pagamentos. 
TRILHA 2 – DIVISÃO DA ECONOMIA 
Até aqui você observou que a economia possui inúmeros agentes 
(famílias, empresas, governo), que os recursos são limitados e as 
necessidades das pessoas, ilimitadas. Entender todo o mecanismo nacional e 
mundial da economia não é tarefa fácil. Observe a figura seguinte. 
 
 
 
 
11 
 
Figura 3 – Divisão da economia
 
Fonte: Silva, 2017, p. 35. 
Para facilitar seu estudo, entendimento e análise econômica, a economia 
é dividida em duas grandes áreas (microeconomia e macroeconomia), assim 
todos os elementos podem ser estudados de forma individual, coletiva ou 
combinada. Por exemplo: qual o impacto da inflação na produção de bens e 
serviços? O conflito entre Rússia e Ucrânia pode impactar na economia 
brasileira? As respostas podem ser obtidas por meio da análise da micro e da 
macroeconomia. 
A microeconomia consiste no estudo específico dos consumidores e das 
empresas de forma individual. Procura explicar a como ocorre a interação entre 
eles, compreendendo os impactos na produção e circulação de bens e 
serviços, avaliando a formação do preço por meio da oferta e da procura. Na 
microeconomia, o objetivo é entender as razões de os consumidores optarem 
pelo produto A ou B. De forma simples, compreender como os consumidores 
gastam sua renda para obter a maior satisfação possível. 
Já na análise da empresa, a microeconomia procura entender as 
decisões desta no que tange a gerenciar os fatores de produção e empregá-los 
na produção de bens e serviços que tragam maiores lucros. Aqui a figura do 
investidor, empresário, sócios e proprietários tem destaque, pois ocorrem 
estratégias de incorporações e gerenciamento da cadeia produtiva de forma 
que a eficiência seja maximizada e, com isso, lucros maiores são obtidos. 
A macroeconomia estuda de forma agregada, ou seja, o conjunto de 
consumidores e o conjunto de empresas. Essa relação “global” procura avaliar 
o nível geral do preço, as políticas econômicas que impactam diretamente o 
consumo, por meio das decisões governamentais. Ainda tem enfoque na 
inflação, na taxa de emprego, no orçamento público, no produto nacional bruto 
(PNB), no produto interno bruto (PIB), no orçamento público, na taxa de juros e 
 
 
12 
na dívida pública. Em relação à economia internacional, podemos pensar na 
movimentação de bens e serviços entre países e no desenvolvimento 
econômico. 
Por meio do estudo da micro e da macroeconomia, podemos entender 
como os indivíduos e as empresas impactam direta e indiretamente no 
crescimento da nação, no consumo e na produção. É possível também avaliar 
investimentos e gastos por meio da análise da taxa de juros e da inflação. 
Observe que o desafio dos gestores financeiros consiste em fazer o dinheiro 
render mais, diante dos problemas econômicos. 
Você deve estar pensando “me perdi nessa trilha...” 
Fique tranquilo! Em outros conteúdos daremos enfoque aos assuntos da 
microeconomia e da macroeconomia. Assim os temas apontados acima serão 
estudados um pouco mais a fundo, e você compreenderá muito bem essa 
relação entre micro e macro. 
ELO 
A economia procura desvendar as relações diretas entre famílias e 
empresas. Para isso, procede a uma análise monetária (recebimento e 
pagamento) e à análise real (movimentação de bens e serviços). Os desafios 
consistem na limitação de recursos, em decidir quais produtos e serviços 
comercializar, pois a escassez dita a regra do jogo. 
A relação entre indivíduo, empresa e governo é bem dinâmica, pois 
todos causam e sofrem impactos direta e indiretamente. Assim decisões 
isoladas de uma empresa podem afetar diretamente a disponibilidade de um 
produto, causando aumento ou diminuição do preço e repercutindo na 
microeconomia. Já o governo pode elevar os tributos ou a taxa de juros; com 
isso, os preços tendem a subir, causando redução do poder aquisitivo e, 
consequentemente, diminuição do consumo pelas famílias. 
Olhe quanta coisa legal! Você não perde por esperar a próxima etapa. 
Te “vejo” lá! 
 
 
 
13 
 
REFERÊNCIAS 
BRITO, O. Guia prático de economia e finanças. São Paulo: Saraiva, 2016. 
NORDHAUS, W.; SAMUELSON, P. Economia. 19. ed. Porto Alegre: AMGH, 
2012. 
SILVA, D. F.; SILVA, R. A. Fundamentos de economia. Porto Alegre: SAGAH, 
2018. 
SILVA, C. R. L. Economia e mercados: introdução à economia. 20. ed. rev. e 
atual. São Paulo: Saraiva Educação, 2018. 
VASCONCELLOS, M. A. S. D.; GARCIA, M. E. Fundamentos de economia. 6 
ed. São Paulo: Saraiva, 2019.

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