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Guia 1
Fichamento de TRI 
Referência: CARR, Edward H. A natureza da política. In: CARR, Edward H. Vinte anos de crise: 1919-1939. Brasília/ São Paulo: Ed. UnB/ Imprensa Oficial do Estado, 2003. (Cap. II) – Utopia e realidade, (Cap. VII) – A natureza da política, p. 127-134 e (Cap. VIII) – O poder na política internacional, p. 135-188.
Cap II - Utopia e realidade
Elaboração sobre a antítese utopia-realidade antes de elaborar o exame da política internacional. 
Citação à Sorel “É uma eterna disputa entre os que imaginam o mundo de modo a adaptá-lo à sua política, e os que elaboram sua política de modo a adaptá-la às realidades do mundo" (pag. 17) 
Livre e arbítrio e determinismo: 
 “O utópico é necessariamente voluntarista: acredita na possibilidade de, mais ou menos radicalmente, rejeitar a realidade, e substituí-la por sua utopia por meio de um ato de vontade” (pág. 18)
“O realista pensa em termos de causalidade , está enraizado n o passado e analisa um curso de desenvolvimentos predeterminados, que ele não se vê capaz de modificar.” O realista completo, aceitando incondicionalmente a sequência dos acontecimentos, se priva da possibilidade de modificar a realidade. O realista, a esterilidade.” (pág. 18)
Deve sempre haver um equilíbrio entre as duas visões.
TEORIA E PRÁTICA
“A antítese de utopia e realidade também coincide com a antítese teoria-prática.”
O utópico, ao idealizar a teoria política, acredita que a prática deve se ajustar a essa norma ideal. Já o realista vê a teoria política como uma codificação da prática, ou seja, a teoria surge a partir da observação e análise da prática política existente. (pág.18)
“O utópico, sustentando reconhecer a interdependência entre o objetivo e o fato, trata o objetivo como se fora o único fato relevante e, constantemente, apresenta como imperativas proposições que são meramente optativas.” (pág.18)
Os utópicos tendem a ignorar as limitações e as condições reais, focando exclusivamente no ideal que desejam alcançar. Eles transformam desejo (o que é "optativo") em declarações absolutas de como o mundo funciona (o que é "imperativo").
“o utópico habita o mundo de sonhos desses "fatos", distante do mundo da realidade onde fatos bastante opostos podem ser observados.” (pág.19)
“o realista, ao negar qualquer qualidade a priori das teorias políticas, e ao provar que elas têm suas raízes na prática, cai facilmente num determinismo que sustenta que a teoria, sendo nada mais do que a racionalização de um propósito condicionado e pré-determinado, é uma excrescência pura e impotente para alterar o curso dos acontecimentos.” (pág 19-20)
Quando os realistas expõem que as teorias políticas são frutos das condições materiais e não têm valor intrínseco (não são "a priori"), eles correm o risco de cair em determinismo, ou seja, julgam ideias e teorias como meros reflexos inevitáveis da realidade material.
Impossibilitadas de mudar a realidade, servindo apenas como justificativas pós-fato.
Carr acredita que o realista pode errar ao ignorar como essas ideias também podem influenciar e moldar o curso dos acontecimentos.
“Portanto, enquanto o utópico trata o objetivo como o único fato básico, o realista corre o risco de tratar o objetivo meramente como o produto mecânico de outros fatos.” (pág 20)
Para o autor, “A ciência política tem de ser baseada no reconhecimento da interdependência da teoria e da prática, que só pode ser atingida através da combinação de utopia e realidade.” (pág 20)
O INTELECTUAL E O BUROCRATA
“É da natureza das coisas que o intelectual deva encontrar-se do lado que procura adequar a prática à teoria; pois os intelectuais são particularmente relutantes em reconhecerem seu raciocínio como condicionado por forças externas a eles próprios, e gostam de pensar em si mesmos como líderes cujas teorias proporcionam a força motriz para os chamados homens de ação.”
O intelectual seria aquele que busca adequar a prática com a teoria, é um pensador.
Sua maior fraqueza, assim como a da utopia, é não entender a realidade existente e o modo pelo qual os padrões se relacionam com ela.
“a fraqueza característica da utopia é também a fraqueza característica dos intelectuais políticos: não entender a realidade existente e o modo pelo qual os padrões se relacionam com ela”
“(...) os intelectuais modernos frequentemente encontram -se na posição de oficiais cujas tropas estivessem prontas a segui-los em tempo de paz, mas que desertaram ante qualquer problema mais sério.” (pág 22) Foi o que aconteceu com os Estados Unidos e a Liga das Nações, os intelectuais que a criou sustentaram a ideia até o fim, porém no primeiro entrave a massa americana que os seguia rejeitou o projeto.
O burocrata seria aquele que se baseia no conhecimento epistemológico (experiências próprias), é o homem de ação. “O burocrata, provavelmente mais explicitamente do que qualquer outra classe d a comunidade, está relacionado de perto com a ordem existente, a manutenção da tradição, e a aceitação do precedente como critério "seguro" de ação.” (pág 23)
“Quando o burocrata quer condenar uma proposta, classificada de "acadêmica". Prática e não teoria; treinamento burocrático e não brilhantismo intelectual. Essa é a escola da sabedoria política.”
A tensão entre burocratas e intelectuais aparece também nos movimentos operários. Enquanto, segundo Engels, os trabalhadores alemães eram teóricos. Isso contribuiu para o colapso do Partido Social-Democrata Alemão, pois o foco em teoria desvinculou-se da prática política.
Já os trabalhadores britânicos, por outro lado, evitavam teorias e focavam na prática sindical.
ESQUERDA E DIREITA 
“A antítese da utopia e realidade, e da teoria e prática, reproduz-se mais tarde na antítese entre radical e conservad or, entre esquerda e direita, muito embora seja imprudente presumir que os partidos que carregam estes rótulos representam estas tendências sublinhadas. O radical é necessariamente utópico, e o conservador realista. O intelectual, o homem da teoria, gravitará para a esquerda tão naturalmente, quanto o burocrata, o homem da prática, gravitará para a direita. Até hoje a direita é fraca em em termos de teoria, e sofre por sua inacessibilidade a idéias. A fraqueza característica da esquerda é o fracasso em traduzir sua teoria na prática - um fracasso pelo qual culpará os burocratas, mas que é inerente ao seu caráter utópico.” (pág 27)
“Até hoje a direita é fraca em termos de teoria, e sofre por sua inacessibilidade a idéias. A fraqueza característica da esquerda é o fracasso em traduzir sua teoria na prática - um fracasso pelo qual culpará os burocratas, mas que é inerente ao seu caráter utópico.”
“A superioridade intelectual da esquerda é posta frequentemente em dúvida. A esquerda sozinha cria princípios de ação política e desenvolve ideais para o estadista buscar atingir. Mas é desprovida de experiência prática que surge do contato próximo com a realidade.”
 
“a direita, tendo passado tão pouco tempo na oposição, teve pouca tentação de avaliar as perfeições da teoria diante das imperfeições da prática.”
“quando partidos ou políticos de esquerda travam contato com a realidade, através de cargos políticos, tendem a abandonar sua utopia "doutrinária" e a moverem-se para a direita, normalmente mantendo seus rótulos de esquerda e, desta forma, aumentando a confusão da terminologia política”
ÉTICA E POLÍTICA
Para Carr, a oposição entre utopia e realidade não é apenas uma questão prática ou metodológica, mas está profundamente ligada a diferentes concepções sobre a relação entre política e ética. É considerada a antítese entre o mundo dos valores e o da natureza.
Utopistas: Defendem que existe um padrão ético absoluto e universal, independente das circunstâncias políticas. A política deve ser moldada para atender a esse padrão moral. 
Realistas: Rejeitam a existência de um padrão ético absoluto. Para eles, a moralidade é relativa, não pode ser universal ou fixa; ela é sempre condicionada por fatores políticos e sociais,ou seja, os padrões éticos são produtos da realidade política.
“O utópico estabelece um padrão ético que proclama ser independente da política, e procura fazer com que a política adapte-se a ele. O realista não pode aceitar logicamente nenhum valor padrão, exceto o dos fatos.”
“Moralidade só pode ser relativa, não universal. A ética tem de ser interpretada em termos de política; e a procura de uma norma ética fora da política está fadada à frustração.”
CAP VII - A NATUREZA DA POLÍTICA 
A política lida com o comportamento dos homens em grupos permanentes, a família, ou semi-permanentes, maiores do que a família e que tem a função de regular as relações entre seus membros, organizados. 
 
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