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CRIMINOLOGIA: LEI PENAL E CRIME 
Aula 1:Função do Direito Penal; CP x Legislação Penal Especial; CP (parte geral e 
parte especial); Infração Penal, crimes/ delitos e contravenções penais; Princípios 
de base de um Direito Penal democrático; A legalidade: Características e 
consequências. 
1)Função do Direito Penal 
→ Existe para tutelar (proteger) os bens jurídicos, os mais importantes para a 
sobrevivência da sociedade, através de cominação (proibição), aplicação e 
execução de penas. 
→ Ramo do Direito Público que estuda os valores fundamentais para a 
convivência e a paz social, os fatos que violam e o conjunto de normas 
jurídicas destinadas a proteger tais valores (bens jurídicos), mediante a 
imposição de penas e medidas de segurança. 
→ Conjunto de normas condensadas num diploma legal, que visam a definição 
de crimes, proibindo e impondo condutas sob a ameaça de sanção para os 
imputáveis e medida de segurança para os inimputáveis, criando normas de 
aplicação geral. 
*Imputáveis: indivíduos que possuem a capacidade de entender o caráter ilícitos de 
suas ações e de se autodeterminar --> Plena capacidade mental; podem ser 
responsabilizados criminalmente (sanções/pena = Instrumento de coerção 
(ameaça) de que se vale o Direito Penal para a proteção de bens, valores e 
interesses mais significativos da sociedade). 
*Inimputáveis: Indivíduos que em razão de condições como a saúde mental (doenças), 
desenvolvimento mental incompleto ou retardado, ou outras causas que afetem sua 
capacidade de entender a ilicitude de seus atos NÃO podem ser responsabilidades 
criminalmente --> Medidas de segurança (medidas de tratamento): Compensação e 
retribuição pelo mal praticado. 
O Direito Penal só deve intervir quando todas as outras áreas do Direito falharem -- > 
Intervenção MÍNIMA. Vive sob constante mutação, acompanhando as mudanças da 
sociedade. 
“A missão crucial do jurista do Direito Penal, é mais do que definir o que é bem jurídico, 
deve ser encontrar quais são os limites para a sua proteção por meio de normas”. - 
André Estefam. 
2) A Seleção de Bens Jurídicos Penais 
--> O Direito Penal deve proteger e intervir quando esse bem é atacado ou sofre ameaça; 
-->O bem jurídico é um valor abstrato, de cunho ético-social, que é tutelado pela norma 
penal. O bem jurídico penal é um elemento fundamental para a existência da norma 
penal, pois surge e se fundamenta através dela; 
--> Os bens jurídicos são interesses fundamentais que o Direito busca proteger, como a 
vida, a liberdade, a propriedade, a dignidade, entre outros. A ideia central é que o Direito 
Penal só deve intervir para proteger esses bens quando forem considerados de extrema 
importância para a convivência social e quando não houver outra forma menos grave de 
proteção. 
Princípios da Carta magna: Liberdade, segurança, igualdade, justiça e bem-estar, vida, 
propriedade, integridade física. 
→ Lei maior são os princípios fundamentais da CF/1988. 
→ A CF/1988 orienta o legislador nos princípios fundamentais para a manutenção 
da sociedade e impende que o legislador, por finalidade protetiva dos bens, 
proíba ou imponha comportamentos violadores da CF/1988. 
3)Códigos Penais do Brasil 
 1° e único Código Criminal de 1830; 
 Código Penal de 1940: Atual; 
 Ao todo o Brasil teve 7 códigos. 
 
3.1) C.P. 1940: 
1° Parte geral (art.1° a 120°): 
→ Define princípios; 
→ Instrução; 
→ Destinada à edição de normas que vão orientar o intérprete quando da 
verificação da ocorrência = infração penal; 
→ Define quando é considerado delito; 
→ Conceitos fundamentais à existência do delito; 
→ Nexo de causalidade entre esta e o resultado; 
→ Elenca causas que excluem o crime (afastando ou isentando o agente de pena); 
→ Ditas regras que são aplicadas ao C.P. e a legislação extravagante (não fazem 
parte do código, mas também possuem conteúdo penal. Ex. Lei de Drogas. 
2° Parte Especial (art.121 a 360: 
→ Conceito de funcionário público; 
→ Define delitos e comina penas; 
→ Ex. Crimes ambientais. 
OBS: 
 Dolo = O agente tem a intenção de cometer o crime ou assume o risco; é a 
vontade livre consciente. 
 Culpa = O agente não tem a intenção de cometer o crime, mas o faz por 
negligência, imprudência ou imperícia. 
4) Conceitos e princípios: 
 Ultima ratio: O Direito Penal é um mecanismo de intervenção extrema, devendo 
ser utilizado em último caso, apenas quando outras formas de controle social 
forem insuficientes para resolver um conflite e proteger os bens jurídicos. 
 Princípio da Legalidade: Não há crime sem lei anterior que o defina. - Art°5, 
inciso 39, CF/1988. 
 Presunção de Inocência: Toda pessoa é inocente até que se prove o contrário. 
 Irretroatividade da lei: A lei só retroage em benefício do réu. 
 In dubio pro réu: Na dúvida absolva o réu. 
 Ne bis in idem: Ninguém pode ser julgado duas vezes pelo mesmo fato. 
 Jus puniende: Poder exclusivo do Estado de impor sanções ou penas á aqueles 
que cometem crimes e criação de infrações. 
 Jus puniende negativo: Faculdade de derrogar preceitos penais ou bem 
restringir o alcance de figuras delitivas (ações puníveis). --> Função do STF, 
quando declara que há inconstitucionalidade de lei penal. 
 Jus puniende positivo: Poder do Estado para criar tipos penais e executar suas 
decisões condenatórias. 
 Garantia primária está diretamente ligada á obrigação principal, enquanto a 
garantia secundária atua de forma acessória, garantindo o cumprimento da 
obrigação, caso a primeira não seja cumprida. 
 Garantismo hiperbólico e monocular: Crítica que refere-se a uma visão 
hiperbólica (exagerada) e monocular (unilateral) do garantismo do acusado e 
negligencia outros aspectos importantes da vítima em questão. 
 Garantismo integral: Instrumento de defesa dos direitos e garantias do indivíduo. 
 Ônus probatório: Não pode ser transferido para o acusado da prática 
determinada infração penal - nulla acusatio sine probatione - devendo ser lhe 
assegurado a ampla defesa, com todos os recursos a ela inerentes – nulla 
probatio sine defensione. 
5) Código Penal x Legislação Penal Especial 
Ambos são fundamentais para o funcionamento do sistema judicial, complementando-
se na regulação das condutas ilícitas e na definição de suas respectivas penas. 
▪ Código Penal: É a principal norma que regula os crimes e as penas. Trata de 
crimes comuns, abrangendo a maioria das infrações penais, como: homicídio, 
furto, roupo, estelionato, crimes contra a honra etc. 
▪ Legislação Penal Especial: Inclui leis fora do código, mas que também regulam 
crimes e infrações penais especiais. São criadas para atender a necessidades ou 
áreas de criminalidade específicas, muitas vezes relacionadas a avanços 
tecnológicos ou sociais, ou a situações que não estão abrangidas pelo código. --
> Ex. Lei de Drogas, Lei de violência Doméstica, Lei de Lavagem de Dinheiro, Lei 
de Crimes Hediondos etc. 
Diferenças principais: 
→ Abrangência: O C.P. é geral, aplicando-se a um leque amplo de crimes. Já as 
legislações especiais tratam de crimes específicos que requerem um tratamento 
diferenciado. 
→ Sistemática: O C.P. é estruturado de forma consolidada, enquanto as 
legislações especiais são leis complementares, criadas para tratar de novas 
demandas criminais. 
→ Aplicação: Em caso de conflito entre elas, prevalece a LEGISLAÇÃO 
ESPECIAL, que possui caráter específico. 
6) Princípios de base de um Direito Penal democrático 
 Legalidade --> Não há crime sem lei anterior que o defina; 
 Dignidade da Pessoa humana: Assegura a integridade física, moral e 
psicológica de todo ser humano, proibindo tratamentos degradantes, cruéis e 
desumanos; 
 Última ratio (Intervenção Penal MÍNIMA) 
 Bagatela/Insignificância: A punição deve ser proporcional à lesão causada, e 
que não é necessário recorrer aos meios judiciais em casos de condutas que não 
são suficientemente graves: 
 R - reduzido grau de reprovabilidade do comportamento; 
 I - inexpressividadeda lesão jurídica; 
 M - mínima ofensividade da conduta; 
 A - ausência de periculosidade social da ação; 
 
 Individualização da Pena: Assegura que a punição aplicada ao condenado seja 
adequada à gravidade do crime, às circunstâncias e as características pessoais 
do réu. Ocorrem em 3 fases: 
1) Legislativa: O legislador define os tipos penais e suas penas mínimas e 
máximas; 
2) Judicial: Durante o julgamento, o juiz fixa a pena dentro dos limites da lei, 
levando em conta agravantes, atenuantes e outros fatores; 
3) Executória: Na fase de cumprimento de pena, são aplicadas medidas 
como progressão de regime e benefícios legais. 
 
 Adequação Social: Impede a punição de atos que, embora tipificados como 
crime, são aceitos pela sociedade como normais e legítimos, evitando a 
criminalização de condutas socialmente toleradas. Ex. Boxe, pois embora o ato 
de agredir alguém seja tipificado como crime de lesão corporal, é aceito no 
contexto esportivo. 
 
7) A legalidade: Características e consequências: 
Nasce do anseio de estabelecer na sociedade humana regras permanentes e válidas, 
que fossem obra de razão, e pudessem abrigar os indivíduos de uma conduta arbitrária 
e imprevisível da parte dos governantes. Evitando-se assim a dúvida, a intranquilidade, 
a impressibilidade, a desconfiança e a suspeição tão usuais onde o poder é absoluto, 
onde o governo se acha dotado de uma vontade pessoal soberana, onde as regras de 
convivências não foram previamente elaboradas nem reconhecidas. 
→ Tudo o que não for expressamente proibido é lícito em Direito Penal; 
→ Esse princípio foi expressamente previsto em todos os nossos Códigos, desde o 
Criminal até a reforma da parte geral do C.P., em 1984; 
→ Por intermédio da lei existe a segurança jurídica do cidadão de não ser punido se 
não houver previsão legal, criando o tipo incriminador, definindo as condutas 
proibidas, sob ameaça de sanção; --> PROTEÇÃO AO INDIVÍDUO. 
→ Toda imposição de pena pressupõe uma lei penal; --> PREVISÃO LEGAL. 
→ “Ninguém pode ser acusado, detido ou preso senão nos casos determinados 
pela lei e de acordo com as formas por ela prescrita. “ - Art.7° da Declaração dos 
Direitos do Homem e do Cidadão de 1789. 
→ É uma garantia inviolável do cidadão frente ao exercício punitivo do Estado; --> 
IMPOSIÇÃO DE LIMITES AO PODER ESTATAL. 
→ É inviolável. --> UNIVERSALIDADE. 
 
▪ Consequências: Segurança jurídica, controle de abuso de poder, nulidade de 
atos ilegais, proteção dos direitos individuais. 
 
▪ Funções: 
1) Proibir a retroatividade da lei; 
2)Proibir a criação de crimes e penas pelos costumes; 
3)Proibir o emprego de analogia para criar crime; 
4)Proibir incriminações vagas e indeterminadas. 
 
 É vedado a criação de hipóteses que de alguma forma, venham a prejudicar o 
agente, seja criando crimes, incluindo novas causas de aumento de pena de 
circunstâncias agravantes. Se o fato não for previsto, não pode o intérprete 
socorrer-se da analogia a fim de tentar abranger fatos similares aos legislados 
em prejuízo do agente. 
 
 O princípio da reserva legal implica a máxima determinação e taxatividade 
dos tipos penais, impondo-se ao Poder Legislativo, na elaboração das leis, 
que redija tipos penais com a máxima precisão de seus elementos, bem como 
o judiciário que as intérprete restritivamente, de modo a preservar a 
efetividade do princípio. 
 
▪ Legalidade formal: Obediência aos tramites procedimentais previstos pela 
Constituição para que determinado diploma legal possa vir a fazer parte do 
ordenamento jurídico. (Como as etapas para aprovação de leis e emendas). 
▪ Legalidade Material: Cunho material, obediência de seu conteúdos, das 
proibições e imposições para garantia de nossos direitos fundamentais por 
ela previstos. 
8)Vigência e validade da lei 
→ A lei penal formalmente editada pelo Estado pode, decorrido o período de vacatio 
legis, ser considerada em vigor. Contudo, a sua vigência não é suficiente, ainda, 
para que ela possa vir efetivamente aplicada. Assim, somente depois de conferir 
a sua conformidade com o texto constitucional é que ela terá plena 
aplicabilidade, sendo considerada válida. 
9) Infração Penal, crimes com delitos e contravenções penais 
Infração penal é o gênero que abrange as condutas violadoras da lei penal, divididas em 
crimes/delitos e contravenções penais. A distinção entre elas está principalmente na 
gravidade das condutas e das penas aplicáveis 
Direito Penal parte de uma divisão dicotômico (dividida) do gênero infração penal e 
contravenção penal. 
Para o Direito Penal não haverá uma diferenciação na essência, uma divisão 
antológica. Isso significa que quem vai dizer se determinada conduta vai ser definida 
como crime ou contravenção, é o legislador. A diferença é a punição, como o legislador 
vai definir a infração. 
Pena em abstrato = Pena prevista no código penal; 
Pena em concreto: Pena adequada ao caso concreto 
▪ Crime/delito: Alta gravidade; podem ser punidos com reclusão (prisão fechada), 
detenção ou multa. Ex. Homicídio, roubo, estupro. 
a) Analítico: Analisa o todo = Tipicidade+ ilicitude + culpabilidade; 
b)Formal: Toda conduta que colide coma lei penal; 
c)Material: princípio da intervenção mínima, se não houver uma lei, não tem crime. 
▪ Contravenção Penal: Menor gravidade; puníveis com prisão simples (regime 
aberto ou semiaberto) ou multa; ofende bens jurídicos não tão importantes como 
aqueles protegidos quando se cria a figura típica de um delito, ação pública 
incondicionada é uma modalidade de ação penal em que o Ministério Público 
pode iniciar e conduzir o processo criminal sem depender da vontade da vítima 
ou de qualquer outra condição. Ex. Jogos de azar, perturbação ao sossego. 
 
9.1) Elementos da infração penal: 
▪ Fato típico 
→ Conduta: Dolosa/culposa ou comissiva/omissiva 
→ Resultado 
→ Nexo de causalidade: Material ou Normativo: 
a) Material: Relação direta e objetiva entre a conduta do agente e o resultado 
produzido, é a conexão física entre a ação e o efeito; 
b) Normativo: Relação entre a conduta e o resultado, considerando as normas 
jurídicas. O foco é analisar se a conduta foi uma causa adequada para o 
resultado, levando em conta a previsibilidade e a tipicidade do ato. 
→ Tipicidade: Formal ou conglobante 
a) Formal: Análise da conduta de acordo com a descrição legal contida no tipo penal; 
b) Conglobante: Considera perspectiva do tipo penal sob a ótica da ilicitude, se a 
conduta não apenas se encaixa na descrição do tipo, mas também se é socialmente 
aceito. 
 
▪ Antijurídico/ilicitude: Violação do ordenamento jurídico, quando o agente não 
atua em: Estado de necessidade, legítima defesa, estrito cumprimento do dever 
legal, exercício regular de direito. ---> Quando não houver o consentimento do 
ofendido como causa supralegal de exclusão de ilicitude. 
→ Somente será lícita a conduta se o agente houver atuado amparado por uma 
das causas excludentes da ilicitude, previstas no art.23 do C.P. 
→ Quanto ao consentimento do indivíduo: 
a) Que o ofendido tenha capacidade para consentir; 
b) Que o bem sobre qual recaia a conduta do agente seja disponível; 
c) Que o consentimento tenha sido dado anteriormente, ou pelo menos numa 
relação de simultaneidade. 
• Ausente um desses requisitos, o consentimento do ofendido não poderá afastar 
a ilicitude do fato. 
 
▪ Culpabilidade: É a capacidade do agente de ser responsabilizado por seus atos 
ilícitos. 
→ Imputabilidade: a incapacidade do agente de entender o caráter ilícito de sua 
conduta ou de se determinar de acordo com esse entendimento: 
a) Menores de 18 anos; 
b) Doenças mentais. 
→ Potencial consciência sobre a ilicitude do fato: capacidade do agente de 
perceber que sua conduta é ilegal. 
→ Exigibilidade de conduta diversa: Possibilidade do agente ter agido de forma 
diferente. 
 
 
OBS: 
- Importunação sexual somente passou a ser crime em 2008, antes era 
contraversão. 
- Conduta imoral não necessariamentetem respaldo na lei. 
- O tipo penal deve ser claro, normativo e preciso. 
10)Analogias no Direito Penal 
▪ Só se pode usar analogia para beneficiar o réu; 
▪ In lege: Aplicação de uma norma específica a casos semelhantes que não estão 
expressamente previstos na lei; 
▪ Per analogiam: Aplicação de normas de uma área do direito a outra, quando há 
similaridade entre os casos; 
▪ Apenas para interpretação de normas já existentes, mas não para a criação de 
novas condutas tipificadas ou penas; 
▪ Não se pode utilizar de forma que amplie o alcance da norma em desfavor do réu. 
▪ Não pode ser feita analogia in bonam partem (não pode ser feita para prejudicar 
o réu). 
11) Problemas: 
a) Capitu auxilia seu companheiro Bentinho a fugir da ação de autoridade pública. 
Bentinho foi condenado por crime e roubo. A partir de tais fatos, responda: 
1)Capitu deverá responder pelo crime de “favorecimento pessoal” previsto no art.348 
do Código Penal? 
R: In Bonnsm Partem, de acordo com o mesmo art.348, parágrafo segundo, não, pois ela 
é respaldada pela lei por ser companheira do réu. 
2)Maria abandona seu marido, pessoa idosa, e que necessita de seus cuidados. O 
delegado indicia Maria nas penas do art.133, parágrafo terceiro, inciso II do C.P. . Caso 
Maria fosse companheira da vítima e não cônjuge, haveria alguma alteração no 
enquadramento policial? 
R: Não, pois não pode-se fazer analogia in malam partem. 
3)Mulher moradora da região amazônica, onde não há médicos, é estuprada por um 
forasteiro. A mulher acaba por engravidar. Conhecendo a lei, sabe que neste caso o 
aborto é legal, desde que praticado por médicos. Como já se disse, não há médicos na 
região, mas há uma experiente parteira que se dispõem a interromper a gestação. A 
partir de tais fatos, a presente parecer jurídico, que possa solucionar este imbróglio? 
R : O artigo 128, II, do Código Penal Brasileiro permite o aborto sem punição quando a 
gravidez resulta de estupro, desde que realizada por um médico. O entendimento do 
legislador, neste caso, foi de proteção à vítima, aliviando-a do ônus de uma gravidez 
decorrente de violência sexual; A Constituição Federal de 1988 (art. 6º e art. 196) 
assegura o direito à saúde e o dever do Estado de garantir o acesso universal e igualitário 
aos serviços de saúde. Diante da ausência de médicos na região, pode-se argumentar 
que a ineficiência do Estado em provar esses serviços viola esse direito, especialmente 
em um contexto de urgência e vulnerabilidade como o presente caso. 
• Na interpretação analógica ele discrimina pra você o que ele quer que você leia, 
e em certo momento ele deixa em aberto – e isso não é uma anologia em Direito 
Penal. --> Na interpretação analógica, o legislador descreve uma situação e, 
depois, deixa o texto "em aberto" para que outros casos semelhantes também 
possam ser incluídos na mesma norma, mesmo que não especifiquem 
expressamente especificados. No Direito Penal, a interpretação analógica ocorre 
quando a lei menciona um exemplo específico e, em seguida, utiliza expressões 
genéricas que possibilitam a aplicação da norma a situações análogas. 
• A distinção entre **interpretação analógica** e **analogia** reside na forma 
como cada uma trata o texto da lei e os casos não previstos por ela: 1. 
**Interpretação Analógica**: Ocorre quando a própria lei já menciona , ao menos 
parcialmente, um exemplo específico e, em seguida, utiliza um termo genérico 
ou expressão ampla para incluir outros casos semelhantes. Na interpretação 
analógica, a norma já traz uma descrição que permite abranger outros casos 
semelhantes. Em outras palavras, a lei diz algo específico e, em seguida, usa um 
termo geral que sugere a aplicação a situações análogas. No caso de aborto em 
situação de estupro, o Código Penal menciona a necessidade de um médico (ou 
seja, alguém com qualificação), mas não especifica outras condições onde os 
médicos poderiam ser indisponíveis.

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