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<p>DIREITO PENAL</p><p>PARTE GERAL</p><p>Sumário</p><p>1. Fundamentos e noções gerais do Direito Penal 12</p><p>a. Conceito e concepções do Direito Penal 12</p><p>b. Direito Penal X Criminologia X Política Criminal 12</p><p>c. Classificações do Direito Penal 13</p><p>d. Evolução histórica do Direito Penal 13</p><p>e. Características do Direito Penal 14</p><p>f. Controle social 16</p><p>g. Criminalização 16</p><p>h. Seletividade penal 17</p><p>i. Modelos de intervenção penal 17</p><p>j. Funções ou missões do Direito Penal 20</p><p>k. Funcionalismo penal 21</p><p>l. Escolas Penais 21</p><p>m. Velocidades do Direito Penal 23</p><p>2. Princípios fundamentais e limitadores do Direito Penal 25</p><p>a. Princípios limitadores do poder punitivo/princípios fundantes do</p><p>Direito Penal 25</p><p>i. Princípio da exclusiva proteção de bem jurídico: 25</p><p>ii. Princípio da intervenção mínima 26</p><p>iii. Princípio da insignificância ou bagatela 27</p><p>iv. Princípio da adequação social (Welzel) 37</p><p>v. Princípio da proporcionalidade 38</p><p>vi. Princípio da materialidade ou exteriorização do fato 39</p><p>vii. Princípio da ofensividade ou lesividade 39</p><p>viii. Princípio da alteridade 39</p><p>ix. Princípio da culpabilidade/princípio da responsabilidade subjetiva</p><p>40</p><p>x. Princípio da vedação ao bis in idem 40</p><p>xi. Princípio da legalidade 40</p><p>3. Fontes do Direito Penal 49</p><p>a. Fontes materiais 49</p><p>b. Fontes formais 49</p><p>c. Classificação da lei penal 51</p><p>i. Incriminadoras 51</p><p>ii. Não incriminadoras 52</p><p>d. Leis penais incriminadoras 53</p><p>e. Características da lei penal 53</p><p>4. Interpretação, aplicação, integração da lei penal e conflito</p><p>aparente de normas 54</p><p>a. Interpretação da lei penal 54</p><p>b. Espécies de interpretação da lei penal 54</p><p>c. Integração da lei penal 55</p><p>d. Interpretação analógica 55</p><p>e. Norma penal em branco 56</p><p>5. Aplicação da Lei Penal no tempo 64</p><p>a. Conceitos básicos 64</p><p>b. Teorias 64</p><p>c. Sucessão de leis penais no tempo 65</p><p>d. Princípios 65</p><p>e. Crimes permanentes e crimes continuados 66</p><p>f. Crime de estelionato 66</p><p>6. Lei penal no espaço- lugar do crime 70</p><p>a. Teorias 70</p><p>b. Território nacional 70</p><p>c. Pena cumprida no estrangeiro 73</p><p>d. Crimes à distância e crimes plurilocais 74</p><p>e. Competência para reconhecimento da abolitio criminis e novatio</p><p>legis in mellius 74</p><p>f. Combinação de leis penais 75</p><p>g. (Im) possibilidade de retroagir norma que esteja no período de</p><p>vacatio legis 77</p><p>h. Leis intermediárias 77</p><p>i. Retroatividade ou não da jurisprudência mais benéfica 78</p><p>j. Aplicação da lei penal em relação às pessoas 78</p><p>k. Imunidade parlamentar 78</p><p>l. Artigos importantes 79</p><p>7. Introdução à Teoria do Crime 80</p><p>a. Infração penal 80</p><p>b. Bem jurídico 81</p><p>c. Funções do bem jurídico 83</p><p>d. Objeto material do crime 83</p><p>e. Sistemas penais ou modelos penais 83</p><p>8. Teorias e exclusão da conduta 88</p><p>a. Estrutura do fato típico 88</p><p>b. Teorias da conduta pós-finalismo 88</p><p>c. Espécies de conduta 90</p><p>i. Princípios relacionados à conduta 90</p><p>ii. Espécies de conduta 90</p><p>iii. Características ou elementos da conduta 91</p><p>iv. Exclusão da conduta 91</p><p>9. Teoria do Tipo Penal 92</p><p>a. Conceito de tipo penal 92</p><p>b. Funções do tipo penal 92</p><p>10. Estrutura do Tipo Penal 93</p><p>a. Preceito primário 93</p><p>i. Elementos estruturais do tipo penal 93</p><p>b. Preceito secundário 94</p><p>11. Classificação dos Tipos Penais 95</p><p>a. Tipo penal normal vs anormal 95</p><p>b. Adequação típica (tipicidade formal) 96</p><p>12. Tipicidade e evolução do tipo penal 98</p><p>a. Distinção entre tipo e tipicidade 98</p><p>b. Evolução do tipo penal 99</p><p>c. Teoria dos elementos negativos do tipo (Merkel) 99</p><p>13. Dolo: Teorias e Espécies 100</p><p>a. Conceito dolo 100</p><p>b. Teorias do dolo 102</p><p>c. Teorias do dolo adotadas pelo Brasil 103</p><p>d. Classificação do dolo 103</p><p>e. Crimes de intenção ou crimes de tendência interna</p><p>transcendente. 105</p><p>f. Crimes de tendência ou atitude pessoal 105</p><p>14. Culpa: elementos e espécies 106</p><p>a. Introdução 106</p><p>b. Elementos da culpa 106</p><p>c. Observação importantes 107</p><p>d. Culpa imprópria 108</p><p>e. Cabe tentativa em relação a crime culposo? 108</p><p>f. Existe compensação de culpa? 108</p><p>15. Iter Criminis 110</p><p>a. Conceito 110</p><p>b. Momento consumativo 110</p><p>c. Fases do iter criminis 111</p><p>d. Teorias diferenciadoras da preparação e execução 112</p><p>e. Tentativa 114</p><p>f. Crimes complexos 116</p><p>16. Crime impossível 118</p><p>a. Conceito 118</p><p>b. Previsão legal 118</p><p>c. Teorias que explicam a punibilidade do crime impossível 118</p><p>d. Conceito de meio absolutamente ineficaz 119</p><p>e. Conceito de absoluta impropriedade do objeto 119</p><p>f. Súmula 567 do STJ 120</p><p>g. Entrar com droga em presídio 120</p><p>h. Flagrante provocado ou preparado 120</p><p>17. Desistência Voluntária 121</p><p>a. Aspectos essenciais 121</p><p>18. Arrependimento eficaz 124</p><p>a. Conceito de arrependimento eficaz 124</p><p>b. Resultado prático do arrependimento eficaz 124</p><p>c. Natureza jurídica do arrependimento eficaz 124</p><p>19. Arrependimento posterior 126</p><p>a. Conceito de arrependimento posterior 126</p><p>b. Natureza jurídica do arrependimento posterior 126</p><p>c. Requisito do arrependimento posterior 126</p><p>d. Delitos extrapatrimoniais 126</p><p>e. Extensão da reparação 126</p><p>f. Informativo 973 STF- ano 2020 127</p><p>g. Extensão do benefício do arrependimento posterior aos corréus</p><p>127</p><p>h. Súmula 554 do STF 128</p><p>i. Peculato culposo 128</p><p>j. Furto de energia elétrica 128</p><p>k. Crime de moeda falsa 129</p><p>l. Artigo 168-A, CP 130</p><p>20. Relação de causalidade e teoria do nexo causal 131</p><p>a. Conceito de nexo de causalidade 131</p><p>b. Teorias que explicam a relação de causalidade 131</p><p>21. Concausas 137</p><p>a. Conceito de concausas 137</p><p>b. Espécies de concausas 137</p><p>c. Julgados 139</p><p>● INFO 777 DO STJ: A existência de doença cardíaca de que padecia</p><p>a vítima configura-se como concausa preexistente relativamente</p><p>independente, não sendo possível afastar o resultado mais grave</p><p>(morte) e, por consequência, a imputação de latrocínio. 140</p><p>22. Nexo causal e crimes omissivos impróprios 141</p><p>a. Previsão legal 141</p><p>b. Garantidor 141</p><p>c. Crimes omissivos por comissão 142</p><p>23. Teoria da Imputação objetiva 144</p><p>a. Aspectos fundamentais 144</p><p>24. Ilicitude 151</p><p>a. Conceito de ilicitude 151</p><p>b. Relação entre o fato típico e ilicitude 151</p><p>c. Análise do artigo 23, CP 152</p><p>d. Excludentes da ilicitude 153</p><p>25. Culpabilidade 166</p><p>a. Conceito 166</p><p>b. Facetas da culpabilidade 166</p><p>c. Conceito de culpabilidade 167</p><p>d. Pontos relevantes acerca da culpabilidade 168</p><p>e. Elementos da culpabilidade 169</p><p>i. Imputabilidade 169</p><p>ii. Potencial consciência da ilicitude 182</p><p>iii. Exigibilidade de conduta diversa 183</p><p>f. Cláusula de consciência ou objeção de consciência 185</p><p>g. Erro de proibição 187</p><p>h. Coculpabilidade 187</p><p>26. Teoria do Erro 189</p><p>a. Conceito de erro 189</p><p>b. Diferença de erro e ignorância 189</p><p>c. Classificação do erro 189</p><p>d. Estudo das espécies de erro de tipo 189</p><p>e. Erro de proibição 198</p><p>f. Delito putativo por erro de proibição 202</p><p>g. Responsabilização de quem determina o erro 202</p><p>27. Punibilidade e causas de extinção da punibilidade 203</p><p>a. Natureza jurídica da punibilidade 203</p><p>b. Conceito de punibilidade 203</p><p>c. Causas extintivas da punibilidade 204</p><p>d. Prescrição 225</p><p>28. Concursos de crimes 248</p><p>a. Previsão legal 248</p><p>b. Sistemas de aplicação da pena 248</p><p>c. Concurso de crimes 248</p><p>d. Crime continuado ou continuidade delitiva 252</p><p>29. Classificação dos Crimes 265</p><p>a. Estudo das classificações a partir de diferentes parâmetros 265</p><p>i. Sujeito ativo como parâmetro 265</p><p>ii. Momento consumativo como parâmetro 267</p><p>iii. Consumação do crime conforme a (des)necessidade de efetiva</p><p>lesão ao bem jurídico como parâmetro 270</p><p>iv. A quantidade de atos para consumação ou possibilidade de</p><p>fracionamento do iter criminis como parâmetro 274</p><p>v. Existência ou não de vestígios de sua realização como parâmetro</p><p>275</p><p>vi. Outra classificação: crime progressivo, crime complexo e</p><p>ultracomplexo 276</p><p>vii. A intenção / vontade do agente como parâmetro 277</p><p>viii. A (des) necessidade de resultado naturalístico para a</p><p>consumação do crime como parâmetro 281</p><p>ix. A (des) necessidade da presença de mais de um agente para</p><p>realização do crime como parâmetro 283</p><p>30. Concurso de pessoas 285</p><p>a. Introdução 285</p><p>ii. Concurso necessário de agentes 285</p><p>iii. Concurso eventual de agentes 286</p><p>iv. Conceito 286</p><p>v. Regulamentação 286</p><p>vi. Natureza jurídica do art. 29 do CP 289</p><p>vii. Requisitos para</p><p>constitui crime mais grave.</p><p>Parágrafo único. A pena é aumentada de um sexto a um terço se a exposição da vida ou da saúde</p><p>de outrem a perigo decorre do transporte de pessoas para a prestação de serviços em</p><p>estabelecimentos de qualquer natureza, em desacordo com as normas legais. (Incluído pela Lei nº</p><p>9.777, de 1998)</p><p>59</p><p>➢ Crime progressivo: o sujeito,</p><p>querendo realizar determinado</p><p>fato típico mais amplo, precisa,</p><p>necessariamente, lesionar</p><p>aquele mesmo bem jurídico em</p><p>estágios inferiores até alcançar a</p><p>consumação do crime. O dolo do</p><p>agente, desde o início, é de</p><p>ofender o bem jurídico no</p><p>estágio mais avançado.</p><p>➢ Progressão criminosa: o sujeito</p><p>tem o dolo de lesionar o bem</p><p>jurídico e, durante a execução do</p><p>crime, o sujeito passa a ter o dolo</p><p>de lesionar o bem jurídico em</p><p>um estado mais avançado. Na</p><p>progressão criminosa, o crime</p><p>mais amplo absorve o crime</p><p>menos amplo.</p><p>➢ Crime meio absorvido pelo</p><p>crime fim: precisa ter a mesma</p><p>situação fática. O crime fim não</p><p>precisa ser mais grave que o</p><p>crime meio35. Exemplo: violar um</p><p>domicílio para furtar. A violação</p><p>de domicílio foi um meio</p><p>necessário para a consumação</p><p>do furto.</p><p>35 Exemplo: crime de estelionato vs crime de falsificação de papéis públicos. O sujeito falsifica um</p><p>papel público com o intuito de obter uma vantagem patrimonial. Nesse caso, prevalece o</p><p>estelionato, porque o falso se exaure no estelionato.</p><p>60</p><p>➢ Post factum impunível:36 ocorre</p><p>tanto nos crimes formais quanto</p><p>nos crimes materiais quando o</p><p>mesmo bem jurídico continua a</p><p>ser lesionado.</p><p>➢ Segundo o STJ, Na autolavagem</p><p>não ocorre a consunção entre a</p><p>corrupção passiva e a lavagem</p><p>de dinheiro (STJ. Corte Especial.</p><p>APn 989-DF, Rel. Min. Nancy</p><p>Andrighi, julgado em 16/02/2022</p><p>- Informativo 726).</p><p>➢ Segundo o STF, crime não pode</p><p>ser absorvido por uma</p><p>contravenção penal (STF. 1ª</p><p>Turma. HC 121652/SC, rel. Min.</p><p>Dias Toffoli, julgado em 22/4/2014</p><p>- Informativo 743).</p><p>➢ Se o sujeito armazena (art. 241-B)</p><p>cena de sexo explícito e</p><p>pornográfica envolvendo</p><p>crianças e adolescentes e depois</p><p>disponibiliza (art. 241-A), pela</p><p>internet, esses arquivos para</p><p>outra pessoa, poderá responder</p><p>36 Exemplo: imagine que um sujeito furta um carro e depois danifica o veículo. É preciso lembrar</p><p>que, nesse caso, a consumação do furto ocorre com efetiva inversão da posse, saindo a res furtiva da</p><p>esfera de disponibilidade do dono e passando para a do agente, mesmo que de modo fugaz,</p><p>conforme a Teoria da Amotio. O fato de incendiar a res furtiva depois da subtração não caracteriza o</p><p>crime de dano, senão post factum impunível, que nada mais é do que o exaurimento do delito de</p><p>furto, salvo quando se apresenta o dolo específico de causar prejuízo ao dono da coisa. Então,</p><p>deve-se analisar qual o dolo do agente. Se o agente tinha o dolo de praticar ambos os delitos, será,</p><p>nesse caso, dois crimes. Caso contrário, será post fartum impunível.</p><p>61</p><p>pelos dois crimes em concurso</p><p>material. Os tipos penais trazidos</p><p>nos arts. 241-A e 241-B do</p><p>Estatuto da Criança e do</p><p>Adolescente são autônomos,</p><p>com verbos e condutas distintas,</p><p>sendo que o crime do art. 241-B</p><p>não configura fase normal,</p><p>tampouco meio de execução</p><p>para o crime do art. 241-A, o que</p><p>possibilita o reconhecimento de</p><p>concurso material de crimes. STJ.</p><p>3ª Seção. REsp 1.971.049-SP, REsp</p><p>1.970.216-SP e REsp 1.976.855-MS,</p><p>Rel. Min. Reynaldo Soares da</p><p>Fonseca, julgados em 3/8/2023</p><p>(Recurso Repetitivo – Tema 1168)</p><p>(Info 782).</p><p>○ Princípio da alternatividade: há espaço em</p><p>relação a crimes de tipos penais mistos</p><p>alternativos (descrevem como núcleo do tipo</p><p>penal várias condutas, de modo que se</p><p>realizar qualquer uma delas, estará</p><p>realizando o crime).</p><p>■ Exemplo: artigo 33, da Lei 11.343 - Um</p><p>bom exemplo é o crime de vender</p><p>drogas. Como sabemos neste</p><p>dispositivo temos um fato, qual seja,</p><p>vender drogas, porém além de vender</p><p>o indivíduo transportou, trouxe</p><p>consigo, manteve em depósito. Nestes</p><p>casos, pelo princípio da</p><p>62</p><p>alternatividade, o agente pratica</p><p>apenas um crime.</p><p>63</p><p>5. Aplicação da Lei Penal no tempo</p><p>a.Conceitos básicos</p><p>i. Artigo 2º, CP37</p><p>ii. Artigo 4º, CP38: diz o tempo do crime</p><p>iii. Atividade da lei penal: aplicar a lei penal nos fatos</p><p>ocorridos dentro do seu período de vigência.</p><p>iv. Extra-atividade da lei penal: aplicação da lei penal a</p><p>fatos ocorridos fora do seu período de vigência.</p><p>b. Teorias</p><p>i. Teoria do resultado: considera-se praticado o crime</p><p>quando ocorrido o resultado.</p><p>ii. Teoria da ubiquidade: considera-se ocorrido o crime</p><p>quando praticada a atividade ou ocorrido o resultado.</p><p>iii. Teoria da atividade: considera-se praticado o crime no</p><p>momento da atividade (ação ou omissão), não</p><p>importando o resultado. Essa foi a teoria adotada.</p><p>Observação: em matéria processual, aplica-se o tempus regit actum, de</p><p>modo que aplica a lei vigente no tempo. Isso é importante, porque tem</p><p>que verificar se a lei é material ou processual.</p><p>38 Art. 4º - Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o</p><p>momento do resultado. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)</p><p>37 Art. 2º - Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando</p><p>em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória. (Redação dada pela Lei nº</p><p>7.209, de 11.7.1984)</p><p>Parágrafo único - A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos</p><p>anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado. (Redação dada</p><p>pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>64</p><p>c. Sucessão de leis penais no tempo</p><p>i. Abolitio criminis: a lei nova deixa de considerar</p><p>criminosa fato que era considerado criminoso pela lei</p><p>anterior.</p><p>ii. Novatio legis in mellius: a lei nova, em que pese não</p><p>retirar o caráter criminoso do fato, traz circunstâncias</p><p>novas que de qualquer modo beneficia o agente.</p><p>● Nessas duas hipóteses, há a possibilidade de</p><p>retroatividade. As outras hipóteses: (I) novatio legis</p><p>incriminadora: lei nova passa a criminalizar um fato</p><p>que não era antes (II) novatio legis in pejus: a</p><p>criação de uma lei penal que, embora não crie um</p><p>tipo penal novo, traz situações que irão prejudicar</p><p>o agente.</p><p>d.Princípios</p><p>i. Princípio da irretroatividade da lei penal mais severa</p><p>● Leis excepcionais e temporárias (artigo 3º, CP):</p><p>essas leis serão aplicadas embora transcorrido o</p><p>tempo da duração e cessado a eficácia das</p><p>situações excepcionais.</p><p>ii. Princípio da retroatividade da lei mais benigna (artigo</p><p>2º, parágrafo único, CP)</p><p>● Súmula 501/STJ: É cabível a aplicação retroativa da</p><p>Lei n. 11.343/2006, desde que o resultado da</p><p>incidência das suas disposições, na íntegra, seja</p><p>mais favorável ao réu do que o advindo da</p><p>65</p><p>aplicação da Lei n. 6.368/1976, sendo vedada a</p><p>combinação de leis.</p><p>e. Crimes permanentes e crimes continuados</p><p>i. Crimes permanentes: consumação se prolonga no</p><p>tempo</p><p>ii. Crimes continuados: os crimes posteriores serão</p><p>considerados continuação do anterior se da mesma</p><p>espécie.</p><p>iii. Súmula 711 STF: A lei penal mais grave aplica-se ao crime</p><p>continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é</p><p>anterior à cessação da continuidade ou da permanência.</p><p>f. Crime de estelionato39</p><p>i. O crime de estelionato passou a ser de ação penal</p><p>pública condicionada à representação. Nesse sentido, é</p><p>preciso dizer que essa lei é mais favorável, pois, agora</p><p>existe, como regra, uma nova condição para que o</p><p>Ministério Público possa ajuizar a ação penal contra o</p><p>autor do estelionato: a representação da vítima.</p><p>● As normas que tratam sobre a “ação penal”</p><p>possuem natureza híbrida, ou seja, são normas de</p><p>direito processual penal que, no entanto, também</p><p>apresentam efeitos materiais (influenciam no</p><p>direito penal). A lei que dispõe sobre o tipo de ação</p><p>penal aplicável a cada crime possui influência</p><p>direta no jus puniendi (direito de punir do Estado),</p><p>pois interfere nas causas de extinção da</p><p>punibilidade, como a decadência e a renúncia ao</p><p>39 Incluído em 25/10/2023</p><p>66</p><p>direito de queixa. Logo, a lei que disciplina</p><p>a</p><p>espécie de ação penal possui também efeito</p><p>material. Aqui, cabe esclarecer que as normas</p><p>processuais não são retroativas, tendo aplicação</p><p>imediata (art 2º, CPP - tempus regitacum). Dito</p><p>isso, as leis híbridas, como possuem reflexos</p><p>penais, recebem o mesmo tratamento que as</p><p>normas penais no que tange à sua aplicação no</p><p>tempo. Desse modo, a norma que altera a espécie</p><p>de ação penal de um crime não retroage, salvo se</p><p>for para beneficiar o réu. Conclui-se, então, que o</p><p>art 171, §5º, CP apresenta caráter híbrido e é mais</p><p>favorável ao autor do ato, logo tem caráter</p><p>retroativo. O cerne da questão é a extensão dessa</p><p>retroatividade. Assim, há duas posições que</p><p>merecem ser expostas:</p><p>○ 1ª posição (STJ): a exigência de representação</p><p>da vítima no crime de estelionato não</p><p>retroage aos processos cuja denúncia já foi</p><p>oferecida.40</p><p>○ 2ª posição (STF): a exigência de</p><p>representação para estelionato retroage em</p><p>benefício do réu.41</p><p>■ Os julgamentos que pautaram o</p><p>julgamento do STF foram os seguintes:</p><p>➢ Os estelionatos cometidos antes</p><p>da Lei 13.964/2019, se a vítima</p><p>não fez a representação, ela</p><p>deverá ser intimada para que o</p><p>faça, no prazo de 30 dias, sob</p><p>41 STF. Plenário. HC 208817 AgR, Rel. Min. Cármen Lúcia, Tribunal Pleno, julgado em 13/04/2023.</p><p>40STJ. 3ª Seção. HC 610201/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 24/03/2021 (Info 691).</p><p>67</p><p>pena de decadência, com</p><p>fundamento, por aplicação</p><p>analógica do art 91, da Lei</p><p>9.099/95.</p><p>➢ Ainda que a Lei 13.964/2019 não</p><p>tenha regulado expressamente</p><p>uma norma de transição</p><p>semelhante, isso não afasta a</p><p>necessidade de retroatividade da</p><p>norma que possui natureza</p><p>mista ao alterar a iniciativa da</p><p>ação penal do estelionato para</p><p>condicionada à representação</p><p>da pessoa ofendida.</p><p>➢ Em analogia ao art. 91 da Lei</p><p>9.099/95, no caso em que a Lei</p><p>13.964/2019 passou a exigir</p><p>representação para a propositura</p><p>da ação penal pública, a pessoa</p><p>ofendida ou seu representante</p><p>legal deverá ser intimado/a para</p><p>oferecê-la no prazo de trinta dias,</p><p>sob pena de decadência.</p><p>REFERÊNCIA: CAVALCANTE,</p><p>Márcio André Lopes. A mudança</p><p>na ação penal do crime de</p><p>estelionato, promovida pela Lei</p><p>13.964/2019, retroage para</p><p>alcançar os processos penais que</p><p>já estavam em curso?. Buscador</p><p>Dizer o Direito, Manaus.</p><p>68</p><p>Disponível em:</p><p>. Acesso em: 18/10/2023</p><p>ii. A representação é condição de procedibilidade.</p><p>69</p><p>6. Lei penal no espaço- lugar do crime</p><p>a. Teorias</p><p>i. Teoria da atividade: considera-se praticado o crime no</p><p>lugar em que se realizou a conduta.</p><p>ii. Teoria do resultado: considera-se praticado o crime no</p><p>lugar em que teve o resultado.</p><p>iii. Teoria da intenção: considera-se praticado o crime no</p><p>local em que o sujeito tinha a intenção de que o crime</p><p>fosse consumado.</p><p>iv. Teoria da ubiquidade: considera-se praticado o crime no</p><p>local onde ocorreu a ação/omissão ou o resultado. Artigo</p><p>6º, CP42.</p><p>b. Território nacional</p><p>i. Conceito de território nacional (art 5º, CP): território é a</p><p>porção terrestre delimitada pelas fronteiras, o espaço</p><p>aéreo correspondente e o mar territorial43 (Lei 8617)</p><p>● No caso de navios em alto-mar, irá analisar a</p><p>bandeira do navio. Exemplo: navios do</p><p>aborto.</p><p>● Se um avião privado está sobrevoando o</p><p>Brasil, será considerado território brasileiro.</p><p>Porém, se for uma aeronave pública será</p><p>extensão do território de onde é a aeronave.</p><p>43 Mar territorial, é uma faixa de águas costeiras que alcança 12 milhas náuticas a partir do litoral de</p><p>um Estado/País</p><p>42 Art. 6º - Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou</p><p>em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado. (Redação dada pela Lei</p><p>nº 7.209, de 1984)</p><p>70</p><p>ii. Territorialidade: aplica quando crime for praticado no</p><p>território nacional.</p><p>iii. Extraterritorialidade: aplica a lei brasileira nos crimes</p><p>cometidos fora do território nacional.</p><p>● Artigo 7º, CP</p><p>Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no</p><p>estrangeiro: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)</p><p>I - os crimes: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>→ hipóteses incondicionadas. 44</p><p>a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da</p><p>República; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984) →</p><p>Princípio da Defesa.</p><p>b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do</p><p>Distrito Federal, de Estado, de Território, de Município,</p><p>de empresa pública, sociedade de economia mista,</p><p>autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público;</p><p>(Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984) → Princípio da</p><p>Defesa.</p><p>c) contra a administração pública, por quem está a seu</p><p>serviço; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)</p><p>d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou</p><p>domiciliado no Brasil; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)</p><p>44 § 1º - Nos casos do inciso I, o agente é punido segundo a lei brasileira, ainda que absolvido ou</p><p>condenado no estrangeiro. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)</p><p>71</p><p>II - os crimes: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de</p><p>11.7.1984) → extraterritorialidade condicionada 45</p><p>a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a</p><p>reprimir; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984) → Princípio da</p><p>Justiça Universal</p><p>b) praticados por brasileiro; (Incluído pela Lei nº 7.209, de</p><p>1984) → Princípio da nacionalidade ativa.</p><p>c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras,</p><p>mercantes ou de propriedade privada, quando em território</p><p>estrangeiro e aí não sejam julgados. (Incluído pela Lei nº</p><p>7.209, de 1984) → Princípio da representação ou da bandeira.</p><p>● Extraterritorialidade incondicionada: não há</p><p>nenhuma condição.</p><p>● Extraterritorialidade condicionada: há</p><p>determinadas condições</p><p>● Princípios</p><p>○ Princípio da defesa ou real: considera critério</p><p>de soberania do Estado.</p><p>○ Princípio da justiça universal: determina a</p><p>aplicação da lei penal por conta de</p><p>convenções internacionais às quais o Estado</p><p>se submete.</p><p>45 § 2º - Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira depende do concurso das seguintes</p><p>condições: (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)</p><p>a) entrar o agente no território nacional; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)</p><p>b) ser o fato punível também no país em que foi praticado; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)</p><p>c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição; (Incluído pela</p><p>Lei nº 7.209, de 1984)</p><p>d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena; (Incluído pela Lei nº</p><p>7.209, de 1984)</p><p>e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar extinta a</p><p>punibilidade, segundo a lei mais favorável. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)</p><p>72</p><p>○ Princípio da nacionalidade ativa: considera</p><p>critérios que dizem respeito à nacionalidade</p><p>do agente.</p><p>○ Princípio da nacionalidade passiva: considera</p><p>critérios que dizem respeito à nacionalidade</p><p>da vítima.</p><p>§ 3º - A lei brasileira aplica-se também ao</p><p>crime cometido por estrangeiro contra</p><p>brasileiro fora do Brasil, se, reunidas as</p><p>condições previstas no parágrafo anterior:</p><p>(Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984) →</p><p>extraterritorialidade ultracondicionada</p><p>a) não foi pedida ou foi negada a extradição;</p><p>(Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)</p><p>b) houve requisição do Ministro da Justiça.</p><p>(Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)</p><p>Pena cumprida no estrangeiro (Redação</p><p>dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>○ Princípio da representação ou da bandeira:</p><p>considera a bandeira de embarcações ou</p><p>aeronaves.</p><p>c. Pena cumprida no estrangeiro</p><p>i. Artigo 8º, CP46: somente é aplicável nas hipóteses do</p><p>artigo 7º, I, CP (extraterritorialidade incondicionada)</p><p>46 Art. 8º - A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo mesmo crime,</p><p>quando diversas, ou nela é computada, quando idênticas. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de</p><p>11.7.1984)</p><p>73</p><p>d.Crimes à distância e crimes plurilocais</p><p>i. Crimes à distância: são os crimes cuja execução se</p><p>prolonga emmais de um território soberano.</p><p>A discussão</p><p>do artigo 6º, CP somente ocorre nos crimes à distância.</p><p>ii. Crimes plurilocais: são realizadas partes do crime</p><p>(execução e consumação) em comarcas distintas dentro</p><p>do mesmo Estado soberano.</p><p>e. Competência para reconhecimento da</p><p>abolitio criminis e novatio legis in mellius</p><p>i. Deve analisar três momentos:</p><p>● 1º: Está no curso da investigação (durante o</p><p>inquérito policial), de modo que acontece o</p><p>abolitio criminis. Nesse caso, cabe ao Ministério</p><p>Público pleitear o arquivamento com base na</p><p>extinção da punibilidade.</p><p>● 2º: Há uma ação penal em curso, de modo que</p><p>ocorre a abolitio criminis. Nesse caso, quem</p><p>reconhece a extinção da punibilidade é o juiz na</p><p>fase de conhecimento do processo, seja em 1º grau,</p><p>2º grau ou nos tribunais superiores.</p><p>● 3º: Processo findos (ação penal transitada em</p><p>julgado). Nesse caso, a competência para analisar é</p><p>do juiz da vara de execuções penais (artigo 66, I e II,</p><p>da Lei de Execuções Penais47 e Súmula 611 do</p><p>STF48).</p><p>48 Transitada em julgado a sentença condenatória, compete ao juízo das execuções a aplicação da</p><p>lei mais benigna.</p><p>47 Art. 66. Compete ao Juiz da execução:</p><p>I - aplicar aos casos julgados lei posterior que de qualquer modo favorecer o condenado;</p><p>II - declarar extinta a punibilidade;</p><p>74</p><p>f. Combinação de leis penais</p><p>i. Em uma sucessão de leis no tempo, aplica-se a lei mais</p><p>favorável.</p><p>ii. Situação: imagine que tenha uma lei penal vigente à</p><p>época do fato que tem uma parte favorável ao agente. E,</p><p>depois, venha uma lei penal que tenha partes mais</p><p>favoráveis ao agente e outras partes que não são tão</p><p>favoráveis. Pode combinar as partes mais benéficas?</p><p>● Não é possível, segundo o STF e o STJ (súmula 501).</p><p>Isso porque, se pega a parte mais benéfica de uma</p><p>norma e a parte mais benéfica de outra norma,</p><p>75</p><p>seria criar uma terceira lei, violando o princípio da</p><p>legalidade, princípio da separação de poderes e o</p><p>princípio democrático.</p><p>● Exemplo: Lei de Drogas</p><p>○ Artigo 12, Lei 6368/7649</p><p>○ Artigo 33, §4º, da Lei 11.343/0650</p><p>■ Traz uma causa de diminuição de pena</p><p>aplicada ao tráfico.</p><p>■ Traz uma pena de 5 a 15 anos.</p><p>○ Havia uma doutrina que falava que em</p><p>relação à pena mínima deveria haver a</p><p>ultratividade da Lei 6368. Porém, se o sujeito</p><p>já foi julgado no momento de vigência da</p><p>11.343/06 deveria aplicar a causa de</p><p>diminuição de pena do §4º, retroagindo à</p><p>data do fato.</p><p>○ Esse caso chegou aos Tribunais Superiores,</p><p>de modo que ficou determinado que não</p><p>poderia combinar as leis, devendo aplicar a</p><p>lei mais benéfica na integralidade.</p><p>50 Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda,</p><p>oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a</p><p>consumo ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com</p><p>determinação legal ou regulamentar:</p><p>Pena - reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a 1.500 (mil e</p><p>quinhentos) dias-multa.</p><p>§ 4º Nos delitos definidos no caput e no § 1º deste artigo, as penas poderão ser reduzidas de um</p><p>sexto a dois terços,desde que o agente seja primário, de bons antecedentes, não se dedique às</p><p>atividades criminosas nem integre organização criminosa.</p><p>49 Art. 12. Importar ou exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda</p><p>ou oferecer, fornecer ainda que gratuitamente, ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar,</p><p>prescrever, ministrar ou entregar, de qualquer forma, a consumo substância entorpecente ou que</p><p>determine dependência física ou psíquica, sem autorização ou em desacordo com determinação</p><p>legal ou regulamentar;</p><p>Pena - Reclusão, de 3 (três) a 15 (quinze) anos, e pagamento de 50 (cinqüenta) a 360 (trezentos e</p><p>sessenta) dias-multa.</p><p>76</p><p>● Correntes que surgiram sobre esse tema</p><p>○ 1ª corrente: Em decorrência do princípio do</p><p>favor rei e todos os princípios constitucionais</p><p>que regem a lei penal no tempo, deveria-se</p><p>autorizar a combinação de leis. No caso, não</p><p>estaria criando uma lei nova, mas aplicando</p><p>a lei mais benéfica. (posicionamento</p><p>indicado para provas de Defensoria Pública).</p><p>● Rogério Greco: o Código Espanhol</p><p>prevê isso, de modo que, em caso de</p><p>dúvida de qual lei aplicar, deveria ouvir</p><p>o réu para que ele diga qual a lei deve</p><p>aplicar.</p><p>○ No Brasil, não é aceita essa</p><p>posição, de modo que o juiz que</p><p>deve escolher qual lei aplicar,</p><p>considerando a lei na</p><p>integralidade.</p><p>g. (Im) possibilidade de retroagir norma que</p><p>esteja no período de vacatio legis</p><p>i. 1ª corrente (majoritária- Hungria): não é possível aplicar</p><p>a norma em vacatio legis.</p><p>ii. 2ª corrente: é possível, porque deve beneficiar o réu.</p><p>h. Leis intermediárias51</p><p>i. É aplicável</p><p>ii. Situação: O sujeito praticou um roubo com emprego de</p><p>arma branca quando ainda era vigente a causa de</p><p>aumento do emprego de arma no roubo.</p><p>51 Não estava vigente nem na época do fato nem na época do julgamento</p><p>77</p><p>Posteriormente, há uma lei que revoga a causa de</p><p>aumento do emprego de arma branca. Porém, ainda</p><p>antes do julgamento, há uma lei nova que traz a causa</p><p>de aumento para o emprego de arma branco no roubo.</p><p>Essa lei nova não pode ser aplicada, porque, em relação à</p><p>segunda lei, ela é mais grave. A primeira lei não pode ter</p><p>ultratividade, porque depois veio uma lei mais benéfica.</p><p>Então, não irá aplicar a lei do momento do fato e nem do</p><p>julgamento, mas a lei intermediária que mais beneficia o</p><p>agente.</p><p>● STF RE 41887652</p><p>i. Retroatividade ou não da jurisprudência</p><p>mais benéfica</p><p>i. A doutrina majoritária diz que jurisprudência não</p><p>retroage, porque a Constituição, ao prever retroatividade,</p><p>diz respeito somente à lei. O que tem, na verdade, é uma</p><p>aplicação imediata do entendimento jurisprudencial.</p><p>j. Aplicação da lei penal em relação às</p><p>pessoas</p><p>i. Nesse ponto, está se estudando a situação de que há</p><p>algumas pessoas que têm imunidade em relação à lei</p><p>penal.</p><p>52 Recurso extraordinário: prequestionamento e embargos de declaração. A oposição de embargos declaratórios visando à</p><p>solução de matéria antes suscitada basta ao prequestionamento, ainda quando o Tribunal a quo persista na omissão a respeito.</p><p>II. Lei penal no tempo: incidência da norma intermediária mais favorável. Dada a garantia constitucional de retroatividade da</p><p>lei penal mais benéfica ao réu, é consensual na doutrina que prevalece a normamais favorável, que tenha tido vigência entre a</p><p>data do fato e a da sentença: o contrário implicaria retroação da lei nova, mais severa, de modo a afastar a incidência da lei</p><p>intermediária, cuja prevalência, sobre a do tempo do fato, o princípio da retroatividade in melius já determinara. III. Suspensão de</p><p>direitos políticos pela condenação criminal transitada em julgado ( CF, art. 15, III): interpretação radical do preceito dada pelo STF</p><p>(RE 179502), a cuja revisão as circunstâncias do caso não animam (condenação por homicídio qualificado a pena a ser cumprida</p><p>em regime inicial fechado). IV. Suspensão de direitos políticos pela condenação criminal: direito intertemporal. À incidência da</p><p>regra do art. 15, III, da Constituição, sobre os condenados na sua vigência, não cabe opor a circunstância de ser o fato criminoso</p><p>anterior à promulgação dela a fim de invocar a garantia da irretroatividade da lei penal mais severa: cuidando-se de norma</p><p>originária da Constituição, obviamente não lhe são oponíveis as limitações materiais que nela se impuseram ao poder de reforma</p><p>constitucional. Da suspensão de direitos políticos - efeito da condenação criminal transitada em julgado - ressalvada a hipótese</p><p>excepcional do art. 55, § 2º, da Constituição - resulta por si mesma a perda do mandato eletivo ou do cargo do agente político.</p><p>(STF - RE: 418876 MT, Relator: SEPÚLVEDA PERTENCE, Data de Julgamento: 30/03/2004, Primeira Turma, Data de Publicação: DJ</p><p>04-06-2004 PP-00048 EMENT VOL-02154-04 PP-00662)</p><p>78</p><p>k. Imunidade parlamentar</p><p>i. Precisa de um nexo funcional entre o crime e a atividade</p><p>parlamentar. Logo, deve ter praticado o crime em razão</p><p>da atividade</p><p>parlamentar (artigo 52 e 53, CF)</p><p>ii. Imunidade em relação aos diplomatas</p><p>iii. Aplicação da lei penal em relação aos indígenas</p><p>● Os indígenas se submetem à lei penal, de modo</p><p>que deve considerar algumas particularidades. O</p><p>indígena tem imputabilidade. O que prevalece, na</p><p>doutrina, é que o indígena não possui consciência</p><p>da potencial ilicitude.</p><p>● Artigo 1º, Estatuto do Índio53</p><p>● Artigo 56, Estatuto do Índio54</p><p>● Artigo 57, Estatuto do Índio55</p><p>l. Artigos importantes</p><p>i. Artigo 1056 e 11, CP57</p><p>57 Art. 11 - Desprezam-se, nas penas privativas de liberdade e nas restritivas de direitos, as frações de</p><p>dia, e, na pena de multa, as frações de cruzeiro. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>56 Art. 10 - O dia do começo inclui-se no cômputo do prazo. Contam-se os dias, os meses e os anos</p><p>pelo calendário comum. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>55 Art. 57. Será tolerada a aplicação, pelos grupos tribais, de acordo com as instituições próprias, de</p><p>sanções penais ou disciplinares contra os seus membros, desde que não revistam caráter cruel ou</p><p>infamante, proibida em qualquer caso a pena de morte.</p><p>54 Art. 56. No caso de condenação de índio por infração penal, a pena deverá ser atenuada e na sua</p><p>aplicação o Juiz atenderá também ao grau de integração do silvícola.</p><p>Parágrafo único. As penas de reclusão e de detenção serão cumpridas, se possível, em regime</p><p>especial de semiliberdade, no local de funcionamento do órgão federal de assistência aos índios</p><p>mais próximos da habitação do condenado.</p><p>53 Art. 1º Esta Lei regula a situação jurídica dos índios ou silvícolas e das comunidades indígenas,</p><p>com o propósito de preservar a sua cultura e integrá-los, progressiva e harmoniosamente, à</p><p>comunhão nacional.</p><p>Parágrafo único. Aos índios e às comunidades indígenas se estende a proteção das leis do País, nos</p><p>mesmos termos em que se aplicam aos demais brasileiros, resguardados os usos, costumes e</p><p>tradições indígenas, bem como as condições peculiares reconhecidas nesta Lei.</p><p>79</p><p>ii. Artigo 12, CP58</p><p>58 Art. 12 - As regras gerais deste Código aplicam-se aos fatos incriminados por lei especial, se esta</p><p>não dispuser de modo diverso. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>80</p><p>7.Introdução à Teoria do Crime</p><p>a. Infração penal</p><p>i. Infração penal é gênero do qual são espécies: (I) crime59 e (II)</p><p>contravenção penal.</p><p>ii. Artigo 1º, Lei Introdução ao Código Penal60</p><p>iii. Sistemas classificatórios</p><p>● Sistema bipartido61:</p><p>○ Crimes</p><p>○ Contravenções</p><p>● Sistema tripartido</p><p>○ Crimes</p><p>○ Delitos</p><p>○ Contravenções</p><p>iv. Conceito de infração penal</p><p>● Conceito formal: leva em consideração mera</p><p>formalidade, de modo que é infração penal tudo que</p><p>está descrito, na lei, como violadora da norma.</p><p>● Conceito material: trabalha com a essência, de modo</p><p>que tem relevo o bem jurídico protegido. É infração</p><p>penal toda conduta violadora de um bem jurídico</p><p>penalmente relevante. O Princípio da Insignificância tem</p><p>relevância no conceito de infração penal material.</p><p>61 O Brasil adotou esse.</p><p>60 Art 1º Considera-se crime a infração penal que a lei comina pena de reclusão ou de detenção,</p><p>quer isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a pena de multa; contravenção, a</p><p>infração penal a que a lei comina, isoladamente, pena de prisão simples ou de multa, ou ambas.</p><p>alternativa ou cumulativamente.</p><p>59 No Direito Penal espanhol, há a diferença entre crime e delito. Porém, no Brasil, não há essa</p><p>diferenciação.</p><p>81</p><p>● Conceito sociológico de: crime/infração penal: é toda</p><p>conduta que cria uma instabilidade social, merecendo</p><p>reprovação do ponto de vista penal.</p><p>● Conceito analítico de crime: conceitua infração</p><p>penal/crime a partir dos substratos que compõem o</p><p>crime (fato típico, ilícito e culpável)62.</p><p>b. Bem jurídico</p><p>● O conceito evolui conforme a própria evolução da teoria</p><p>do delito.</p><p>ii. Conceito de bem jurídico para o Positivismo formal (Karl</p><p>Binding): bem jurídico é tudo aquilo que o legislador</p><p>considere merecedor de tutela penal. A norma é a única e</p><p>decisiva fonte do bem jurídico. O bem jurídico é um</p><p>fundamento de antinormatividade penal. O bem jurídico não é</p><p>pré-existente à norma.</p><p>● Críticas: somente terá bens jurídicos tutelados pelo</p><p>Direito Penal para determinados setores sociais.</p><p>iii. Conceito de bem jurídico para o Positivismo material (Franz</p><p>von Liszt): o bem jurídico pré-existe à norma. A norma apenas</p><p>reconhece o bem jurídico como de relevância penal. O bem</p><p>jurídico é um interesse vital.</p><p>iv. Conceito de bem jurídico para o Neokantismo (Mezger63): os</p><p>bens jurídicos são os reconhecidos pela sociedade antes que o</p><p>ordenamento jurídico reconheça esse bem.</p><p>● Essa visão permitiu a criação de tipos penais a partir de</p><p>interesses sociais que eram criados como bens jurídicos</p><p>63 É um dos grandes autores do Direito Penal na Alemanha nazista. Para o autor, bem jurídico é uma</p><p>figura ideológica.</p><p>62 Teoria bipartida: crime é todo fato típico e ilícito. A culpabilidade é pressuposto de aplicação da</p><p>pena.</p><p>Teoria quadripartida: crime é todo fato típico, ilícito, culpável e punível.</p><p>82</p><p>relevantes com o propósito de relativizar o poder</p><p>punitivo.</p><p>v. Conceito de bem jurídico para o Finalismo (Welzel): dá</p><p>predominância ao desvalor da conduta em relação ao desvalor</p><p>do resultado. O bem jurídico acaba ficando um pouco</p><p>"perdido". Deve punir o desvalor da conduta em si mesma.</p><p>Para falar em bem jurídico, deve-se falar sobre um interesse</p><p>que tenha relevância no meio social.</p><p>vi. Conceito de bem jurídico para o funcionalismo</p><p>● Funcionalismo sistêmico ou moderado (Roxin): bem</p><p>jurídico é toda circunstância real dada, sendo os</p><p>interesses sociais para uma vida segura e livre em</p><p>sociedade que garanta todos os direitos fundamentais. A</p><p>base filosófica é a doutrina iluminista do contrato social.</p><p>Não é o Direito Penal que cria os bens jurídicos. Através</p><p>da política criminal, o Estado escolhe os valores mais</p><p>relevantes.</p><p>○ A Constituição é a principal fonte de</p><p>limitação do Direito Penal.</p><p>● Funcionalismo radical (Jakobs): o objeto do Direito</p><p>Penal é assegurar as expectativas sociais, reconhecendo</p><p>a vigência da própria norma penal.</p><p>○ Crítica: o Direito Penal é um fim em si. A</p><p>estabilização normativa contribui para que</p><p>lesões reais não ocorram no futuro.</p><p>● Funcionalismo redutor (Zaffaroni): bem jurídico é o</p><p>direito de dispor de certos objetos da vida.</p><p>vii. Conceito de bem jurídico que prevalece atualmente</p><p>● Bem jurídico é todo aquele dado ou circunstâncias,</p><p>valores e interesses reais à sociedade que merecem</p><p>proteção jurídica, pois essenciais para sociedade,</p><p>estando previstos na Constituição Federal.</p><p>83</p><p>viii. Teoria do Harm Principle</p><p>● No Direito anglo-saxão, não se preocupa com um bem</p><p>jurídico em si. O poder punitivo do Estado é limitado a</p><p>partir das consequências do comportamento, de modo</p><p>que algumas condutas afetam a vida em sociedade e</p><p>por isso devem ser reguladas.</p><p>c. Funções do bem jurídico</p><p>i. Função dogmática/interpretativa do bem jurídico: o bem</p><p>jurídico irá servir para guiar a interpretação do aplicador da lei</p><p>penal.</p><p>ii. Função político criminal: é uma função de garantia e</p><p>fundamentadora do bem jurídico.</p><p>d. Objeto material do crime</p><p>64</p><p>i. Conceito: é a coisa e a pessoa sobre a qual recai a conduta</p><p>criminosa.</p><p>ii. Sujeitos da infração penal</p><p>● Sujeito ativo: aquele que realiza a conduta penalmente</p><p>relevante. Qualquer pessoa física pode ser sujeito ativo.</p><p>Ainda, a pessoa jurídica pode ser um sujeito ativo de</p><p>forma excepcional (crimes contra o meio ambiente).</p><p>● Sujeito passivo: detentor do bem jurídico violado. É a</p><p>vítima.</p><p>e. Sistemas penais ou modelos penais</p><p>65</p><p>i. Modelo Liszt e Beling/ modelo causalista ou</p><p>causal-naturalista/ modelo mecanicista/modelo clássico66:</p><p>● Conduta: todo movimento corporal voluntário causador</p><p>de umamodificação no mundo exterior.</p><p>○ Trabalha com uma relação de causa e efeito.</p><p>66 Pautado na teoria causalista da conduta.</p><p>65 Está falando em ummodelo que rege a teoria do delito.</p><p>64 O objeto jurídico do crime é o bem jurídico.</p><p>84</p><p>● Teoria psicológica pura da culpabilidade: a</p><p>culpabilidade tem a imputabilidade como pressuposto</p><p>de culpabilidade.</p><p>○ Dolo e culpa são analisados dentro da</p><p>culpabilidade.</p><p>○ Os elementos psicológicos que ligam o</p><p>resultado ao agente é o dolo e culpa.</p><p>● Críticas a esse modelo</p><p>○ Há uma conduta externa e uma relação</p><p>psicológica do agente que são separadas, havendo</p><p>uma parte externa e interna.</p><p>○ Não é capaz de explicar os crimes omissivos,</p><p>porque conduta é todo movimento corporal</p><p>voluntário causador de uma modificação no</p><p>mundo exterior.</p><p>○ Não explica os crimes formais, de mera conduta e</p><p>os tentados → crimes que não possuem</p><p>modificação no mundo exterior.</p><p>● Elementos do tipo penal 67</p><p>○ Elementos meramente objetivos e descritivos do</p><p>tipo.</p><p>● Conceito de crime</p><p>○ Adota um conceito tripartido.</p><p>■ Fato típico;</p><p>■ Fato ilícito;</p><p>■ Fato culpável.</p><p>● Dolo</p><p>67 Composto por elementos meramente objetivos e descritivos, não havendo elementos normativos</p><p>ou subjetivos (caso tivessem, seriam tipos anormais).</p><p>Elemento subjetivo: com o especial fim de agir.</p><p>85</p><p>○ Composto por: (I) consciência68 e (II) vontade.</p><p>A consciência é apenas fática, não tem</p><p>consciência sobre a potencial ilicitude.</p><p>ii. Modelo neoclássico/ causal-valorativo/normativista (Mezger,</p><p>Mayer e Franklin)</p><p>● Ainda tem base na teoria causalista da conduta, porém</p><p>propõe algumas alterações.</p><p>● Conduta: é um comportamento humano, ou seja, abarca</p><p>a ação e a omissão. A conduta não tem relação com dolo</p><p>e culpa que continuam na culpabilidade.</p><p>● Culpabilidade</p><p>○ Teoria psicológica- normativa: há elementos</p><p>normativos na culpabilidade. Assim, a</p><p>imputabilidade passa a ser elemento da</p><p>culpabilidade.</p><p>○ Elementos presentes na culpabilidade</p><p>■ Imputabilidade</p><p>■ Dolo e culpa69</p><p>■ Exigibilidade de conduta diversa: elemento</p><p>de ordem normativa.</p><p>○ A culpabilidade é um vínculo psicológico entre o</p><p>agente e o fato e reprovabilidade.</p><p>● Dolo: passa a ser impregnado por uma consciência da</p><p>ilicitude. O dolo é composto por: (I) consciência fática, (II)</p><p>consciência da ilicitude e (III) vontade. Pelo fato de ter</p><p>consciência da ilicitude, há um dolo normativo/dolo</p><p>colorido.</p><p>● Crime</p><p>○ Fato típico;</p><p>○ Fato ilícito;</p><p>69 Não são mais espécies de culpabilidade.</p><p>68 Elemento cognitivo.</p><p>86</p><p>○ Fato culpável.</p><p>iii. Modelo finalista (Welzel)</p><p>● Base filosófica: livre arbítrio → tudo que o homem faz é</p><p>porque tem vontade. Assim, o Direito Penal não pode</p><p>punir comportamentos causais, mas os</p><p>comportamentos penais que tenham uma finalidade.</p><p>● Conduta: comportamento humano consciente e</p><p>voluntário dirigido a um fim.</p><p>○ Dolo70:</p><p>■ Consciência fática: elemento cognitivo</p><p>■ Vontade: elemento volitivo</p><p>○ Culpa</p><p>● Fato típico:</p><p>○ Conduta dolosa ou culposa;</p><p>○ Causadora de um resultado.</p><p>○ Nexo de causalidade.</p><p>● Culpabilidade71</p><p>○ Imputabilidade;</p><p>○ Exigibilidade de conduta diversa;</p><p>○ Potencial consciência da ilicitude.</p><p>● Críticas a esse modelo</p><p>○ É difícil explicar os crimes culposos, porque, nesses</p><p>crimes, não há a vontade → Welzel explica que a</p><p>finalidade pode ser legal, o que importa é o fato de</p><p>que o sujeito quis fazer algo. Logo, a conduta</p><p>culposa é orientada por um fim lícito, porém a</p><p>reprovação não cai sobre a vontade em si, mas</p><p>sobre os meios escolhidos para a realização da</p><p>conduta.</p><p>71 Possui elementos meramente normativos → Teoria normativa pura. A culpabilidade é um juízo de</p><p>reprovação, não sendo mais um vínculo psicológico entre o agente e o fato.</p><p>70 Dolo natural ou acromático.</p><p>87</p><p>● O que interessa é o que o agente queria fazer.</p><p>● No modelo finalista, como dolo e culpa saem da</p><p>culpabilidade, começa a questionar algumas questões</p><p>(Damásio de Jesus)</p><p>○ Culpabilidade seria um pressuposto de aplicação</p><p>da pena, de modo que seria crime o fato típico e</p><p>ilícito → essa visão não perdurou, porque os</p><p>elementos da culpabilidade dizem respeito ao</p><p>próprio fato. Prevalece, na doutrina, que o crime é</p><p>um fato típico, ilícito e culpável.</p><p>88</p><p>8. Teorias e exclusão da conduta</p><p>Primeiramente, ressalta-se que ausente algum dos elementos do</p><p>crime não terá o crime.</p><p>a. Estrutura do fato típico</p><p>i. Fato típico: composto por uma conduta causadora de</p><p>um resultado atribuível como obra da conduta, sendo</p><p>que o fato está previsto abstratamente em um tipo penal</p><p>como uma conduta proibida pelo Direito Penal.</p><p>● Elementos do fato típico na visão finalista</p><p>○ Conduta</p><p>■ Dolosa ou culposa</p><p>■ Comissiva ou omissiva</p><p>○ Resultado</p><p>○ Nexo de causalidade</p><p>b. Teorias da conduta pós-finalismo</p><p>● Teoria cibernética da ação ou biocibernética</p><p>antecipada: compatibiliza a teoria finalista com os</p><p>crimes culposos. Considera a ação ou omissão toda</p><p>a conduta dominada pela vontade do agente. A</p><p>conduta deve ser livre e consciente. Não interessa</p><p>qualquer outra análise.</p><p>○ Ação: fato dirigido, controlado e orientado</p><p>pela vontade humana.</p><p>● Teoria social da ação (Jescheck, Wessels):</p><p>conduta é manifestação externa da vontade com</p><p>relevância social.</p><p>89</p><p>○ Crítica: a análise da conduta não tem que</p><p>verificar a relevância social.</p><p>● Teoria da ação significativa (Vives Antón):</p><p>conduta é todo comportamento humano</p><p>conscientemente orientado em função de um</p><p>objeto que o tenha como referência e</p><p>materializado tipicamente como expressão da</p><p>prática humano-social.</p><p>○ O autor segue uma regra;</p><p>○ O autor tem uma capacidade de ação que é</p><p>saber que segue a regra e dizer que está em</p><p>condições de dizer que regra é essa.</p><p>■ Filosofia analítica da linguagem.</p><p>■ Não fala em ação típica, mas em tipo</p><p>de ação. Ou seja, realiza algo que está</p><p>previsto no tipo penal.</p><p>■ Verificação do elemento subjetivo:</p><p>precisa analisar as manifestações</p><p>externas e não o querer do agente. A</p><p>partir do significado da conduta, é que</p><p>se busca o dolo e culpa.</p><p>■ "Fatos acontecem ações significam" →</p><p>Busato.</p><p>● Teoria negativa de ação/modelo negativo de</p><p>ação: o núcleo fundamental é o princípio da</p><p>evitabilidade. Um resultado é atribuído a um autor</p><p>se o direito ordenou, a ele, a evitação e o autor não</p><p>evitou, embora pudesse evitá-lo.</p><p>○ Conduta: evitável não evitação na posição de</p><p>garantidor. Ou ainda, omissão na</p><p>contradição mandada.</p><p>● Modelo pessoal de ação (Roxin)</p><p>90</p><p>○ Ação: manifestação da personalidade72.</p><p>Exclui-se da ação os fenômenos que não são</p><p>dominados pela vontade humana. Logo,</p><p>exclui-se os pensamentos e cogitações.</p><p>c. Espécies de conduta</p><p>i. Princípios relacionados à conduta</p><p>● Princípio da materialidade ou exteriorização</p><p>material: não pode punir pensamentos ou</p><p>ocupações do ser humano. Somente pode punir</p><p>condutas.</p><p>● Princípio da ofensividade: a conduta deve</p><p>ofender de forma significativa os bens jurídicos.</p><p>● Princípio da culpabilidade</p><p>ii. Espécies de conduta</p><p>● Comissivas (ação): fazer algo proibido pela norma</p><p>penal.</p><p>● Omissivas: não fazer algo que era determinado</p><p>pela norma penal.</p><p>○ Própria: não precisa de um nexo causal.</p><p>○ Imprópria: há resultado e o sujeito responde,</p><p>porque era garantidor. O nexo causal é</p><p>normativo (artigo 13, §2º, CP73)</p><p>73 Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu</p><p>causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido. (Redação</p><p>dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o</p><p>resultado. O dever de agir incumbe a quem:</p><p>a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado; (Incluído pela Lei nº 7.209, de</p><p>11.7.1984)</p><p>c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado. (Incluído pela Lei nº</p><p>7.209, de 11.7.1984)</p><p>72 Exteriorização em atos daquilo que diz respeito à personalidade.</p><p>91</p><p>iii. Características ou elementos da conduta</p><p>● Realização do homem</p><p>● Voluntariedade74: manifestada de forma livre pelo</p><p>agente.</p><p>● Materializada no mundo externo através de atos</p><p>● Vontade e manifestação da vontade</p><p>iv. Exclusão da conduta75</p><p>● Caso</p><p>fortuito ou força maior: eventos</p><p>imprevisíveis. Retira a voluntariedade → causa de</p><p>exclusão da conduta em si → exclui o fato típico.</p><p>○ Caso fortuito: ligado à ação humana.</p><p>○ Força maior: ligado à ação da natureza.</p><p>● Parte da doutrina fala que caso fortuito</p><p>e força maior excluem o nexo de</p><p>causalidade.</p><p>● Atos ou movimentos reflexos: atos involuntários</p><p>provenientes de estímulos sensoriais. Retira a</p><p>voluntariedade → causa de exclusão da conduta.</p><p>○ Ações em curto circuito: são ações</p><p>impensadas (provocação rápida com reação</p><p>rápida). Não excluem a conduta.</p><p>● Coação física irresistível76: um terceiro pratica</p><p>uma coação física contra o sujeito, excluindo a</p><p>voluntariedade da conduta → exclui a conduta.</p><p>● Sonambulismo/hipnose e estado de completa</p><p>inconsciência: há exclusão da conduta, porque ela</p><p>é involuntária.</p><p>76 Não confundir com coação moral irresistível → sujeito tem liberdade física, porém não tem</p><p>liberdade psicológica.</p><p>75 Exclusão de alguns elementos da conduta.</p><p>74 Na conduta culposa tem voluntariedade</p><p>92</p><p>9. Teoria do Tipo Penal</p><p>a.Conceito de tipo penal</p><p>● Consiste no modelo abstratamente previsto pelo</p><p>legislador, que reúne todos os elementos da</p><p>conduta típica (conduta proibida).</p><p>b. Funções do tipo penal</p><p>i. Função de garantia: tudo que não está previsto no tipo</p><p>penal é algo que se pode fazer. Isso reafirma o princípio</p><p>da legalidade.</p><p>ii. Função fundamentadora: determina que há</p><p>fundamento para aplicação do tipo penal quando</p><p>determinada conduta se adequa ao tipo penal.</p><p>iii. Função indiciária da ilicitude (ratio cognoscendi): se o</p><p>fato é típico, há indícios que o fato é ilícito. Assim, os</p><p>elementos descritos no tipo penal indicam que, de forma</p><p>presumida, o fato é ilícito, exceto pela presença de uma</p><p>causa de justificação.</p><p>iv. Função diferenciadora do erro: leva, ao agente, o</p><p>conhecimento de quais são elementos que se deve</p><p>realizar para a conduta se adequar ao tipo penal, de</p><p>modo que, assim, não devem ser realizados. Se o agente</p><p>tem a falta de percepção ou não tem a percepção dos</p><p>elementos, há um erro. Logo, precisa de uma lei certa.</p><p>v. Função seletiva: o tipo penal é o instrumento pelo qual</p><p>vai se realizar a seleção feita pelo legislador dos bens</p><p>jurídicos relevantes.</p><p>93</p><p>10. Estrutura do Tipo Penal</p><p>a.Preceito primário</p><p>● O preceito primário é onde está contida a</p><p>descrição da conduta proibida.</p><p>i. Elementos estruturais do tipo penal</p><p>● Núcleo do tipo penal: consiste no verbo que vai</p><p>demonstrar a ação ou omissão que comporta a</p><p>conduta proibida.</p><p>● Elementares ou elementos: são os elementos</p><p>essenciais à realização do tipo penal.</p><p>○ Exemplo: "subtrair coisa alheia móvel"</p><p>■ Subtrair: núcleo do tipo penal</p><p>■ Coisa alheia móvel: elementares ou</p><p>elementos.</p><p>○ Estrutura das elementares ou elementos</p><p>essenciais do tipo</p><p>■ Elementos objetivos: são os elementos</p><p>meramente descritivos que não</p><p>demandam juízo de valoração no</p><p>momento da interpretação.</p><p>■ Elementos normativos: são elementos</p><p>abertos que dão margem de subjetivo</p><p>e demandam uma valoração do</p><p>julgador.</p><p>■ Elementos subjetivos: por excelência é</p><p>o dolo, salvo se expressamente prevista</p><p>a modalidade culposa77.</p><p>77 Parte da doutrina diz que a culpa é um elemento normativo.</p><p>94</p><p>➢ Dolo específico ou especial fim</p><p>de agir: elementos subjetivos</p><p>especiais presentes em tipos que</p><p>não se contentam com o dolo,</p><p>exigindo um especial fim de agir</p><p>por parte do autor. Exemplo:</p><p>artigo 159, CP- extorsão</p><p>mediante sequestro78. .</p><p>● Circunstâncias: são todos os elementos não</p><p>essenciais à realização do tipo penal, mas, descritos</p><p>em lei, cuja realização implica a alteração do</p><p>tratamento jurídico penal.</p><p>○ Exemplo: causa de aumento ou</p><p>diminuição/qualificadoras.</p><p>b.Preceito secundário</p><p>● É a consequência jurídica penal da transgressão do</p><p>preceito primário.</p><p>78 Art. 159 - Sequestrar pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem, qualquer vantagem,</p><p>como condição ou preço do resgate: Vide Lei nº 8.072, de 25.7.90 (Vide Lei nº 10.446, de 2002)</p><p>95</p><p>11. Classificação dos Tipos Penais</p><p>a. Tipo penal normal vs anormal</p><p>i. Tipo penal normal: contém apenas elementos objetivos</p><p>ou descritivos. Exemplo: "matar alguém".</p><p>ii. Tipo penal anormal: além dos elementos descritivos, há</p><p>os elementos subjetivos e/ou normativo</p><p>iii. Tipo penal fundamental vs derivado</p><p>● Tipo penal fundamental: estrutura básica do tipo</p><p>penal.</p><p>● Tipo penal derivado: é aquele que, partindo de</p><p>um tipo penal fundamental, acrescenta elementos</p><p>especializantes que implicam a cominação de um</p><p>novo preceito secundário seja para majorar ou</p><p>minorar a pena.79 Exemplo: qualificadoras e</p><p>privilégios.</p><p>iv. Tipo penal fechado vs aberto</p><p>● Tipo penal fechado: há elementos certos de</p><p>conteúdo exato e inequívoco.</p><p>79 Causa de aumento e diminuição não é um tipo penal derivado.</p><p>96</p><p>● Tipo penal aberto: há elementos equívocos e</p><p>dúbios que dão margem à análise subjetiva do</p><p>julgador. Exemplo: artigo 54, da Lei 9805/9880</p><p>v. Tipo penal congruente e incongruente</p><p>● Tipo penal congruente: o resultado condiz</p><p>exatamente com a vontade do agente. Exemplo:</p><p>quero matar alguém emato alguém.</p><p>● Tipo penal incongruente: descreve fatos os quais</p><p>o resultado não corresponde exatamente à</p><p>vontade do agente. Exemplo: crimes culposos e</p><p>preterdolosos; artigo 129, §3º, CP81.</p><p>b.Adequação típica (tipicidade formal)</p><p>i. Conceito: mero juízo de adequação do fato ao modelo</p><p>abstratamente previsto no tipo penal. Essa subsunção</p><p>81 Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:</p><p>Pena - detenção, de três meses a um ano.</p><p>§ 3º Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quis o resultado, nem</p><p>assumiu o risco de produzi-lo: → crime preterdoloso.</p><p>80 Art. 54. Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar</p><p>em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição</p><p>significativa da flora:</p><p>Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.</p><p>§ 1º Se o crime é culposo:</p><p>Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa.</p><p>§ 2º Se o crime:</p><p>I - tornar uma área, urbana ou rural, imprópria para a ocupação humana;</p><p>II - causar poluição atmosférica que provoque a retirada, ainda que momentânea, dos habitantes</p><p>das áreas afetadas, ou que cause danos diretos à saúde da população;</p><p>III - causar poluição hídrica que torne necessária a interrupção do abastecimento público de água</p><p>de uma comunidade;</p><p>IV - dificultar ou impedir o uso público das praias;</p><p>V - ocorrer por lançamento de resíduos sólidos, líquidos ou gasosos, ou detritos, óleos ou</p><p>substâncias oleosas, em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou regulamentos:</p><p>Pena - reclusão, de um a cinco anos.</p><p>§ 3º Incorre nas mesmas penas previstas no parágrafo anterior quem deixar de adotar, quando</p><p>assim o exigir a autoridade competente, medidas de precaução em caso de risco de dano ambiental</p><p>grave ou irreversível.</p><p>97</p><p>pode ocorrer de forma direta ou forma de integração</p><p>(extensão)82.</p><p>● Adequação típica direta/ imediata: consiste no</p><p>juízo de adequação do fato à norma de forma</p><p>direta ou imediata sem a necessidade de norma</p><p>de extensão.</p><p>● Adequação típica indireta/ mediata/</p><p>subordinação indireta: é o juízo de subsunção do</p><p>fato à norma a partir de uma norma de integração</p><p>ou extensão. Exemplo: tentativa (artigo 14, CP)</p><p>82 Permite a extensão típica de uma determinada norma a um outro fato que não estava previsto na</p><p>norma.</p><p>98</p><p>12. Tipicidade e evolução do tipo penal</p><p>a. Distinção entre tipo e tipicidade</p><p>i. Tipo penal: modelo descritivo de um padrão de</p><p>comportamento proibido pela norma.</p><p>ii. Tipicidade: um determinado fato se adequa ao padrão</p><p>descrito abstratamente.</p><p>● Espécies</p><p>○ Formal: mera adequação do fato ao tipo penal.</p><p>○ Material: não basta a mera adequação do fato à</p><p>norma. É preciso haver uma lesão efetiva a um</p><p>bem jurídico tutelado. Se uma conduta não atinge</p><p>significativamente o bem jurídico tutelado83, o fato</p><p>é atípico.</p><p>● Tipicidade conglobante (Zaffaroni): não se pode valer</p><p>unicamente a um juízo de adequação formal. Isso</p><p>porque há condutas que o sujeito realiza que são</p><p>fomentadas ou determinadas pelo ordenamento jurídico</p><p>que sequer devem ser consideradas típicas. Quando se</p><p>estuda o ordenamento jurídico, não pode haver normas</p><p>incompatíveis.</p><p>● Além da tipicidade formal e material, deve</p><p>haver uma relação de antinormatividade.</p><p>● Há uma tipicidade penal composta por: (I)</p><p>tipicidade formal e (II) tipicidade</p><p>conglobante84.</p><p>84 Verifica de forma global se a conduta está de acordo com o ordenamento jurídico.</p><p>83 Princípio da insignificância.</p><p>99</p><p>b. Evolução do tipo penal</p><p>i. Teoria da autonomia ou absoluta independência do tipo</p><p>penal (Beling): o tipo penal possui um caráter meramente</p><p>descritivo da conduta proibida.</p><p>ii. Teoria da indiciariedade ou ratio cognoscendi (Período</p><p>neokantista85): o tipo penal não é absolutamente</p><p>independente da ilicitude, de modo que o tipo penal traz</p><p>indícios que a conduta é ilícita. Teoria que o Brasil adota.</p><p>● Injusto penal: há um fato típico já empregado pela</p><p>noção de ilicitude.</p><p>iii. Teoria da ratio essendi ou absoluta dependência do tipo</p><p>penal (Mezger): há fusão entre o fato típico e a ilicitude. Se</p><p>retira a ilicitude, não há um fato típico.</p><p>● A fusão entre tipicidade e ilicitude forma o tipo total do</p><p>injusto.</p><p>c. Teoria dos elementos negativos do tipo (Merkel)</p><p>i. O tipo penal é composto por elementos positivos e negativos.</p><p>● Elementos positivos: elementos que estão descritos no</p><p>tipo que devem estar presentes (conduta, resultado,</p><p>nexo de causalidade e tipicidade).</p><p>● Elementos negativos: são as excludentes da ilicitude.</p><p>Assim, são elementos que não podem estar presentes.</p><p>85 Max Ernst Mayer.</p><p>100</p><p>13. Dolo: Teorias e Espécies</p><p>a. Conceito dolo</p><p>i. Vontade de fazer algo sabendo86 o que está fazendo. Assim, é a</p><p>vontade consciente de realizar um resultado típico, estando</p><p>consciente de estar realizando todos os elementos do tipo.</p><p>ii. Elementos do dolo</p><p>● Consciência sobre aquilo que é realizado87: elemento</p><p>intelectivo.</p><p>● Vontade (artigo 18, I, CP)88</p><p>iii. Tipos de dolo</p><p>● Dolo direto: o agente quer realizar a conduta descrita no</p><p>tipo penal com a vontade de produzir o resultado</p><p>tipicamente previsto. Artigo 18, I, primeira parte, CP.</p><p>○ Dolo direto de primeiro grau: consiste na realização</p><p>da conduta típica com a produção do resultado</p><p>querido pelo agente. Existe uma exata relação</p><p>entre o fim proposto pelo agente através dos</p><p>meios escolhidos por ele.</p><p>○ Dolo direto de segundo grau: o sujeito quer</p><p>produzir um resultado, mas escolhe meios de</p><p>execução que vão acabar gerando resultados</p><p>secundários certos. A diferença para o dolo</p><p>eventual:</p><p>88 Art. 18 - Diz-se o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>Crime doloso (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>I - doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo;(Incluído pela Lei nº</p><p>7.209, de 11.7.1984)</p><p>87 Erro de tipo é ausência do elemento intelectivo.</p><p>86 Vontade de realizar os elementos descritos no tipo penal.</p><p>101</p><p>■ No dolo eventual, o sujeito assume o risco da</p><p>ocorrência do resultado.</p><p>■ No dolo direto de segundo grau, o sujeito</p><p>escolhe meios de execução que implicam a</p><p>ocorrência de outros resultados. Há certeza</p><p>dos resultados colaterais.</p><p>○ Dolo direto de terceiro grau (dolo de dupla</p><p>consequência necessária): Sobre o dolo de terceiro</p><p>grau, há muitas divergências se, de fato, ele existe.</p><p>Porém, para parte da doutrina que defende sua</p><p>existência, tal dolo é a consciência e vontade de</p><p>produzir um resultado como consequência</p><p>necessária do efeito colateral necessário da</p><p>conduta. Trata-se da inevitável violação de bem</p><p>jurídico em decorrência do resultado colateral</p><p>produzido a título de dolo direito de segundo grau.</p><p>Assim, o agente deseja um resultado criminoso</p><p>"A", mas assume os riscos de produzir um resultado</p><p>tolerado "C", para que com ele alcance um</p><p>resultado tolerado "B", para que com esse, por sua</p><p>vez, alcance o resultado desejado "A".</p><p>■ Exemplo: imagine que João deseja abortar o</p><p>feto que está no ventre de sua inimiga que</p><p>está dentro de um avião em voo. João</p><p>implanta um bomba no avião e, assim, tolera</p><p>o resultado de matar várias pessoas para que</p><p>seja possível alcançar o resultado tolerado de</p><p>matar a gestante e, com isso, alcance o</p><p>resultado desejado de causar o aborto do</p><p>feto.</p><p>● Dolo indireto</p><p>102</p><p>○ Dolo alternativo: há dolo alternativo quando a</p><p>vontade do agente é dirigida de modo alternativo,</p><p>podendo ser direcionado em relação ao resultado</p><p>ou à pessoa. O agente pratica a conduta querendo</p><p>um resultado em relação à pessoa, mas aceitando</p><p>outro resultado em relação a essa pessoa.89</p><p>Assumir o risco pode ser considerado dolo</p><p>alternativo.90</p><p>○ Dolo eventual: é a assunção do risco de produzir</p><p>um resultado não querido pelo agente. Ele assume</p><p>o risco de produzir o resultado, embora tenha</p><p>previsto.91</p><p>b. Teorias do dolo</p><p>92</p><p>i. Teoria da representação ou da possibilidade (teoria</p><p>intelectiva): haverá dolo sempre que o agente representar o</p><p>resultado como possível ou provável, bastando a presença do</p><p>elemento intelectivo/cognitivo.</p><p>● Problema: essa teoria não é capaz de diferenciar dolo</p><p>eventual de culpa consciente.</p><p>ii. Teoria da vontade (teoria volitiva): o dolo estará presente</p><p>sempre que houver vontade dirigida a um resultado. Assim, o</p><p>dolo pressupõe consciência e vontade. Essa teoria explica o</p><p>dolo direto.</p><p>iii. Teoria do consentimento/assentimento ou aprovação</p><p>(teoria volitiva): para haver dolo, o sujeito deve consentir na</p><p>92 Nas doutrinas brasileiras, encontram-se as teorias da vontade, representação e consentimento.</p><p>91 Na culpa consciente, o sujeito prevê a provável ocorrência do resultado, porém o agente confia de</p><p>forma séria na evitação do resultado.</p><p>90 Art. 18 - Diz-se o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>Crime doloso (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>I - doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo;(Incluído pela Lei nº</p><p>7.209, de 11.7.1984)</p><p>89 No dolo eventual, o sujeito não quer resultado nenhum.</p><p>103</p><p>produção do resultado e considerá-lo como possível. Essa</p><p>teoria explica o dolo eventual.</p><p>iv. Teoria da probabilidade ou da cognição (teoria intelectiva)93:</p><p>para ter dolo, deve prever como provável o resultado, não</p><p>bastando ser possível.</p><p>v. Teoria da evitabilidade (teoria volitiva): haverá dolo eventual</p><p>quando a vontade do agente estiver orientada para evitar o</p><p>resultado.</p><p>vi. Teoria do risco (teoria intelectiva): a presença ou não de dolo</p><p>depende do conhecimento do risco, previsto no tipo penal, da</p><p>realização do ilícito.</p><p>vii. Teoria do perigo a descoberto (teoria intelectiva): quando se</p><p>pratica uma conduta, analisa-se os elementos objetivos, de</p><p>modo que a realização dos elementos objetivos irão produzir</p><p>um resultado conforme a sorte ou acaso. Retira-se toda a</p><p>capacidade volitiva da ação.</p><p>viii. Teoria da indiferença ou sentimento (teoria volitiva): há</p><p>distinção entre dolo eventual e culpa consciente por meio da</p><p>atitude subjetiva do agente. Há dolo eventual quando o sujeito</p><p>for indiferente em relação ao resultado. Há culpa consciente</p><p>quando o sujeito não for indiferente em relação ao resultado.</p><p>● Teoria do consentimento: haverá dolo eventual se o</p><p>sujeito assume o risco de produzir o resultado. E, haverá</p><p>culpa consciente se o sujeito acredita que pode evitar.</p><p>c. Teorias do dolo adotadas pelo Brasil</p><p>i. Teoria da vontade: para justificar o dolo direto.</p><p>ii. Teoria do consentimento: para justificar o dolo indireto.</p><p>d. Classificação do dolo</p><p>i. Baseado no posicionamento do dolo no tempo em relação à</p><p>conduta</p><p>93 Somente se preocupa com o grau do elemento intelectivo, não importando o que queria.</p><p>104</p><p>● Dolo antecedente/inicial/pré-ordenado: dolo anterior à</p><p>conduta.</p><p>● Dolo concorrente: simultâneo em relação à conduta.</p><p>● Dolo subsequente ou consecutivo: dolo posterior à</p><p>conduta.</p><p>○ Exemplo: sujeito manobrando o carro acaba</p><p>atropelando um desafeto seu. Nos autos, o</p><p>sujeito assume que sempre quis matar esse</p><p>sujeito. Nesse caso,</p><p>irá se falar em culpa,</p><p>porque o dolo deve ser anterior ou</p><p>concorrente à conduta, não se considerando</p><p>o dolo subsequente.</p><p>ii. Dolo genérico ou dolo específico94</p><p>● Dolo genérico: dolo de fazer algo sem qualquer</p><p>finalidade específica.</p><p>● Dolo específico: dolo com uma finalidade específica.</p><p>iii. Dolo normativo ou dolo natural</p><p>● Dolo normativo/colorido: surge a consciência da</p><p>ilicitude no dolo.</p><p>● Dolo natural/neutro: retira a consciência da ilicitude, de</p><p>modo que o dolo não possui elemento normativo.</p><p>iv. Dolo de propósito e dolo de ímpeto</p><p>● Dolo de propósito: há intenção de realizar um resultado</p><p>e existe um intervalo entre cogitação e execução.</p><p>● Dolo de ímpeto: não há intervalo entre cogitação e</p><p>execução. O sujeito simplesmente executa.</p><p>v. Dolo de perigo e dolo de dano</p><p>● Dolo de perigo: não há intenção de ofender o bem</p><p>jurídico.</p><p>● Dolo de dano: o sujeito quer causar um dano em relação</p><p>ao bem jurídico.</p><p>94 Havia relevância na vigência da teoria causal da ação.</p><p>105</p><p>e. Crimes de intenção ou crimes de tendência interna</p><p>transcendente.</p><p>i. Conceito: o sujeito realiza uma conduta querendo perseguir</p><p>um resultado que não precisa ser alcançado para realização do</p><p>crime. Exemplo: crimes formais (artigo 159, CP95).</p><p>ii. Espécies</p><p>● De resultado cortado: o sujeito tem uma intenção de</p><p>um resultado, porém não depende de um novo ato do</p><p>agente.</p><p>● Mutilado de dois atos: quando o sujeito pratica</p><p>determinada conduta querendo alcançar um outro</p><p>resultado que está fora do tipo penal. E, para sua</p><p>realização, depende de um novo ato do agente. Exemplo:</p><p>falsificação documental para cometer um estelionato.</p><p>f. Crimes de tendência ou atitude pessoal</p><p>i. Conceito: são crimes que precisam de análise da finalidade do</p><p>agente quando da realização da conduta, precisando de uma</p><p>análise da atitude pessoal do agente. Exemplo: toque</p><p>ginecológico para examemédico.</p><p>95 Art. 159 - Sequestrar pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem, qualquer vantagem,</p><p>como condição ou preço do resgate: Vide Lei nº 8.072, de 25.7.90 (Vide Lei nº 10.446, de 2002)</p><p>Pena - reclusão, de oito a quinze anos. (Redação dada pela Lei nº 8.072, de 25.7.1990)</p><p>106</p><p>14. Culpa: elementos e espécies</p><p>a. Introdução</p><p>i. Artigo 18, II, CP96</p><p>ii. Formas de manifestação da culpa: imprudência,</p><p>negligência e imperícia.</p><p>iii. Só é punível por culpa quando o crime está</p><p>expressamente previsto.</p><p>iv. Na culpa, precisa ter um resultado.</p><p>b. Elementos da culpa</p><p>i. Conduta humana voluntária: pode ser omissiva ou</p><p>comissiva, de modo que tem que ser dirigida a um fim</p><p>lícito. É interessante observar que se o ato reflexo for</p><p>proveniente de uma conduta culposa anterior não</p><p>haverá exclusão da conduta, podendo o responsável ser</p><p>criminalizado por culpa.</p><p>ii. Inobservância de um dever objetivo de cuidado: o</p><p>sujeito age por imprudência, negligência ou imperícia,</p><p>sendo formas de manifestação de violação do dever</p><p>objetivo de cuidado.</p><p>● Imprudência: conduta positiva violadora do dever</p><p>de cuidado. O sujeito realiza uma conduta que</p><p>pelo dever de cuidado poderia ter sido evitada.</p><p>● Negligência: conduta negativa de violação ao</p><p>dever de cuidado.</p><p>● Imperícia: inaptidão do agente para o exercício de</p><p>uma arte, ofício ou profissão.</p><p>96 Art. 18 - Diz-se o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>II - culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia.</p><p>(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>107</p><p>iii. Resultado lesivo: em regra, precisa-se de um resultado</p><p>naturalístico quando se está falando de crimes materiais.</p><p>Porém, existem alguns tipos penais que não são tipos</p><p>penais de crimes materiais que permitem a modalidade</p><p>culposa, de modo que o sujeito irá responder pelo</p><p>resultado jurídico e não naturalístico.</p><p>iv. Nexo de causalidade entre a conduta culposa e o</p><p>resultado produzido: não se pode imputar um resultado</p><p>a alguém se a conduta não foi a causadora do resultado.</p><p>v. Tipicidade: precisa da adequação dos elementos do tipo</p><p>e da realização dos elementos normativos, havendo uma</p><p>previsão de responsabilização a título de culpa.</p><p>vi. Previsibilidade do resultado: não é imprevisão do</p><p>resultado. Assim, quando o sujeito age deve verificar se</p><p>era previsível a realização de um resultado típico. É um</p><p>juízo prognóstico do que pode acontecer.</p><p>● Previsibilidade objetiva; a verificada pelo homem</p><p>médio. Essa é a previsibilidade, na modalidade</p><p>culposa, adotada pela doutrina tradicional.</p><p>● Previsibilidade subjetiva: a verificada no caso</p><p>concreto. Zaffaroni considera que deve ser essa a</p><p>previsibilidade adotada na modalidade culposa.</p><p>● Previsão: requisito da culpa consciente97 (culpa na</p><p>qual se verifica a previsão do resultado por parte</p><p>do agente).</p><p>○ Culpa inconsciente98 (culpa sem previsão): o</p><p>sujeito tinha previsibilidade do resultado,</p><p>porém sequer previu.</p><p>98 culpa ex ignorantia.</p><p>97 culpa ex lascivia.</p><p>108</p><p>c. Observação importantes</p><p>i. Em regra, os crimes culposos estão nos tipos penais</p><p>abertos.</p><p>● Exceção: Artigo 180, §3º, CP)99 → o sujeito não</p><p>tomou as medidas necessárias para verificar se o</p><p>objeto era produto ou não da receptação, porém</p><p>deveria ter tomado cuidado. Nesse caso, não há</p><p>um tipo penal aberto.</p><p>d.Culpa imprópria</p><p>i. Não é culpa propriamente dita.</p><p>ii. Artigo 20, §1º, CP100</p><p>● Nesse caso, a culpa recai sobre o erro e não sobre</p><p>sua conduta.</p><p>e. Cabe tentativa em relação a crime culposo?</p><p>i. Em regra, não. Isso porque o crime culposo somente</p><p>existe se tiver um resultado. Ainda, no crime culposo, não</p><p>quer realizar nada.</p><p>● Exceção: na culpa imprópria, admite-se a</p><p>tentativa.</p><p>100 Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a</p><p>punição por crime culposo, se previsto em lei. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>§ 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe situação</p><p>de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de pena quando o erro deriva de</p><p>culpa e o fato é punível como crime culposo.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>99 Art. 180 - Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa</p><p>que sabe ser produto de crime, ou influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte:</p><p>(Redação dada pela Lei nº 9.426, de 1996)</p><p>§ 3º - Adquirir ou receber coisa que, por sua natureza ou pela desproporção entre o valor e o preço,</p><p>ou pela condição de quem a oferece, deve presumir-se obtida por meio criminoso: (Redação dada</p><p>pela Lei nº 9.426, de 1996)</p><p>109</p><p>f. Existe compensação de culpa?</p><p>i. Não. No direito penal, não há compensação de culpas. A</p><p>violação do dever objetivo de cuidado por ambas as</p><p>partes não resulta na compensação das respectivas</p><p>culpas. Não se adota a ideia de que cada um arca com</p><p>seu próprio prejuízo. Cada indivíduo é responsável pela</p><p>lesão causada ao outro, respondendo separadamente</p><p>por seus atos. Em situações de autoria colateral, como no</p><p>exemplo de um cruzamento em que ambos se lesionam</p><p>mutuamente, cada um responde pelas lesões corporais</p><p>infligidas ao outro. Todavia, pode-se valer da culpa da</p><p>vítima para diminuir a pena a partir do artigo 59, CP.</p><p>110</p><p>15. Iter Criminis</p><p>a.Conceito</p><p>i. É o espaço existente entre a conduta e o resultado</p><p>ii. Artigo 14, CP101</p><p>b.Momento consumativo</p><p>i. Crimes materiais e culposos (em regra): a consumação</p><p>ocorre com o resultado naturalístico (modificação no</p><p>mundo externo perceptível).</p><p>ii. Crimes formais102 e de mera conduta103: a consumação</p><p>ocorre com a realização da conduta proibida descrita no</p><p>tipo independente da existência de um resultado</p><p>naturalístico.</p><p>iii. Crimes preterdoloso: a consumação ocorre com a</p><p>ocorrência do resultado mais grave</p><p>iv. Crimes omissivos próprios104: a consumação se dá com</p><p>a omissão do agente.</p><p>104 São os crimes que possuem uma norma preceptiva omissiva.</p><p>103 Não possuem previsão de um resultado naturalístico.</p><p>102 Prevê a possibilidade da ocorrência de um resultado naturalístico, porém essa ocorrência não</p><p>é</p><p>necessária para a ocorrência do crime, sendo mero exaurimento.</p><p>101 Art. 14 - Diz-se o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>Crime consumado (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>I - consumado, quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal; (Incluído pela Lei</p><p>nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>Tentativa (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do</p><p>agente. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>Pena de tentativa (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>Parágrafo único - Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena correspondente ao</p><p>crime consumado, diminuída de um a dois terços.(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>111</p><p>v. Crimes omissivos impróprios ou comissivos por</p><p>omissão105: a consumação se dá com a ocorrência do</p><p>resultado não evitado.</p><p>vi. Crimes permanentes106: a consumação é iniciada com a</p><p>realização da conduta no tipo penal e se prolonga</p><p>enquanto durar essa permanência.</p><p>vii. Crimes instantâneos: a consumação se dá em um</p><p>momento exato.</p><p>c. Fases do iter criminis</p><p>i. Fase interna: o sujeito ainda está realizando a vontade</p><p>de realizar os atos.</p><p>● Cogitação: o sujeito idealiza a realização do crime</p><p>e reúne na mente as formas de realizar o crime.</p><p>Essa fase não é punível por conta do princípio da</p><p>exteriorização.</p><p>ii. Fase externa</p><p>● Preparação do crime: reúne-se os meios</p><p>necessários para a realização do crime por meio de</p><p>atos exteriores. São atos meramente preparatórios</p><p>que ainda são impuníveis.</p><p>○ Artigo 14, II, CP: diz-se o crime tentado,</p><p>quando, iniciada a execução, não se</p><p>consuma por circunstâncias alheias à</p><p>vontade do agente. A regra é que puna</p><p>os crimes consumados, de modo que</p><p>de forma excepcional, por força do</p><p>parágrafo único, pune-se a tentativa.</p><p>Logo, somente pune a tentativa</p><p>106 A consumação se prolonga por um período de tempo.</p><p>105 A descrição típica prevê uma conduta comissiva (positiva), porém será realizado por omissão</p><p>quando tiver um dever de agir na posição de garantidor (artigo 13, CP).</p><p>112</p><p>quando iniciada a execução, por conta</p><p>disso, não se pune os atos de</p><p>preparação.</p><p>○ Excepcionalmente, o legislador pune</p><p>de forma autônoma os atos</p><p>preparatórios de outros crimes. Na</p><p>verdade, não é a preparação que é</p><p>punível, mas a execução do ato.</p><p>Exemplo: associação criminosa;</p><p>petrechos para falsificação de moeda e</p><p>associação para o tráfico.</p><p>● Execução do crime: a execução se dá pela</p><p>realização das condutas descritas no tipo penal.</p><p>● Consumação: nesse ponto, há a realização do</p><p>crime. Os atos praticados posteriormente à</p><p>consumação são mero exaurimento do crime, não</p><p>sendo considerado pertencente ao iter criminis.</p><p>d. Teorias diferenciadoras da preparação e</p><p>execução</p><p>i. Teoria subjetiva: qualquer conduta exteriorizada com a</p><p>finalidade de realizar a infração penal será considerada</p><p>execução. O que importa é a intenção do agente.</p><p>Exemplo: compro o veneno com o fim de matar alguém</p><p>já é considerada execução.</p><p>ii. Teoria objetivo-formal: a execução começa com a</p><p>prática do núcleo do tipo. Exemplo: "matar alguém" →</p><p>quando efetua os disparos já está iniciando a execução.</p><p>Predominância dessa teoria na jurisprudência.</p><p>iii. Teoria objetivo material ou individual: a execução se dá</p><p>com a prática de condutas ligadas ao núcleo do tipo</p><p>113</p><p>ainda que não sejam exatamente a realização da própria</p><p>conduta ligada ao tipo penal, desde que essas condutas</p><p>sejam aptas a iniciar o desdobramento do processo</p><p>causal (iniciar a colocação do bem jurídico em situação</p><p>de perigo).107</p><p>● Teoria objetivo-individual:108 considera, como atos</p><p>executórios, aqueles em que o agente inicia a</p><p>prática do núcleo do tipo penal, bem como os atos</p><p>imediatamente anteriores, com base no plano</p><p>concreto do autor.</p><p>a. Cleber Masson cita este exemplo: o agente</p><p>que aponta uma arma para a vítima e espera</p><p>ela chegar em uma distância adequada para</p><p>atirar já está, na sua cabeça, cometendo um</p><p>homicídio, pois já começou a matar a vítima.</p><p>● Teoria objetivo-material:109 considera, como atos</p><p>executórios, aqueles em que o agente inicia a</p><p>prática do núcleo do tipo penal, bem como os atos</p><p>imediatamente anteriores, com base na visão de</p><p>uma terceira pessoa observadora e alheia à</p><p>empreitada criminosa.</p><p>a. Outro exemplo trazido por Cleber Masson: o</p><p>ato de pular o muro de uma casa à noite e</p><p>segurando um pé de cabra, quando visto por</p><p>um terceiro, já será interpretado por este</p><p>terceiro como um primeiro ato do furto, logo,</p><p>já seria um ato de execução.</p><p>● Tanto a teoria objetivo-material quanto a teoria</p><p>objetivo-individual visam aumentar o campo de</p><p>109 Criação de Reinhart Frank.</p><p>108 Criação de Zaffaroni.</p><p>107 Tópico alterado em 15/08/2024.</p><p>114</p><p>incidência dos atos de execução e,</p><p>consequentemente, aumentar a possibilidade de</p><p>punição pela tentativa.</p><p>iv. Teoria da hostilidade ao bem jurídico: somente há</p><p>início da execução quando efetivamente o bem jurídico</p><p>foi colocado em uma situação de risco. Exemplo: apontar</p><p>uma arma para alguém não é considerado início da</p><p>execução no crime de homicídio.</p><p>Após analisar essas teorias, continua-se a estudar as fases do iter</p><p>criminis, a seguir:</p><p>e. Tentativa</p><p>i. Artigo 14, II, CP: diz-se o crime tentado, quando, iniciada a</p><p>execução, não se consuma por circunstâncias alheias à</p><p>vontade do agente.</p><p>ii. Requisitos da tentativa</p><p>● Conduta dolosa: não se admite tentativa em crimes</p><p>culposos, salvo culpa imprópria.</p><p>● Início da execução: antes da execução, não se pune a</p><p>tentativa.</p><p>● Ausência de consumação: por motivos alheios à</p><p>vontade do agente.</p><p>iii. Não cabe tentativa:</p><p>● Crimes culposos110</p><p>● Crimes habituais: são crimes que precisam da reiteração</p><p>de atos. Exemplo: crime de stalking.</p><p>● Crimes de atentado ou empreendimento: são crimes</p><p>cujo legislador antecipa o momento consumativo para o</p><p>110 Exceto no caso de culpa imprópria.</p><p>115</p><p>início da execução independentemente da ocorrência do</p><p>resultado. Exemplo: artigo 352, CP111.</p><p>● Crimes preterdolosos: há dolo no antecedente e culpa</p><p>no consequente, de modo que pode ter tentativa em</p><p>relação ao antecedente, porém não se pode dizer que há</p><p>tentativa no consequente.</p><p>● Crimes unissubsistentes112: são os crimes que não</p><p>admitem o fracionamento do iter criminis entre a</p><p>execução e consumação, de modo que a realização da</p><p>execução já importa na consumação.</p><p>● Crimes omissivos próprios</p><p>● Contravenção (ATENÇÃO!): no plano fático, há a</p><p>compatibilidade com a tentativa. Porém, por expressa</p><p>previsão penal (plano jurídico), a tentativa não é</p><p>punível.113</p><p>● Crime impossível (artigo 17, CP114)</p><p>iv. Questiona-se: cabe tentativa em relação aos crimes</p><p>praticados com dolo eventual?</p><p>● 1ª corrente (Rogério Greco): não se admite, porque, no</p><p>dolo eventual, o sujeito não quer a ocorrência do</p><p>resultado, apenas assumindo o risco. Assim, não se pode</p><p>tentar, já que a tentativa é quando o sujeito não</p><p>consegue realizar o resultado que queria alcançar por</p><p>circunstâncias alheias à sua vontade.</p><p>114 Art. 17 - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta</p><p>impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de</p><p>11.7.1984)</p><p>113 Observação: em prova objetiva se vier: "a contravenção não admite tentativa" → estará correto.</p><p>112 ≠ Crimes plurissubsistentes: a execução pode se iniciar e há um intervalo entre o início da</p><p>execução e consumação, podendo fracionar a conduta em diversos atos.</p><p>111 Art. 352 - Evadir-se ou tentar evadir-se o preso ou o indivíduo submetido a medida de segurança</p><p>detentiva, usando de violência contra a pessoa:</p><p>Pena - detenção, de três meses a um ano, além da pena correspondente à violência.</p><p>116</p><p>● 2ª corrente (Frederico Marques): é cabível, já que o</p><p>sujeito pode realizar com dolo eventual várias condutas</p><p>querendo realizar aquela conduta e não conseguir</p><p>realizar a conduta em si.</p><p>v. Classificação da tentativa</p><p>● Branca ou incruenta: iniciada a execução não consegue</p><p>sequer</p><p>atingir objeto material. Exemplo: efetuo o disparo</p><p>de arma de fogo contra alguém querendo matar e não</p><p>acerto nenhum disparo.</p><p>● Vermelha ou cruenta: o objeto material é atingido,</p><p>porém o bem jurídico não é lesionado em sua totalidade.</p><p>Exemplo: efetuo o disparo de arma de fogo contra</p><p>alguém querendo matar → acerto a vítima → a vítima não</p><p>morre.</p><p>● Perfeita/ frustrada/ acabada/ crime falho: o sujeito já</p><p>esgotou os meios de execução que tinha à disposição,</p><p>porém não conseguiu atingir o resultado.</p><p>● Imperfeita/inacabada: o agente é interrompido durante</p><p>os atos executórios, não se permitindo esgotar os meios</p><p>que tinha à disposição.</p><p>f. Crimes complexos</p><p>i. Conceito: há a junção de duas figuras típicas autônomas</p><p>reunidas em uma só. Exemplo: ameaça + subtração de</p><p>coisa alheia móvel = roubo (crime complexo)</p><p>ii. Consumação: O crime complexo somente se consuma</p><p>quando os dois tipos nele previstos se consumam.</p><p>● Latrocínio: há subtração de bem +morte do agente.</p><p>○ Súmula 610 STF115: o que guia a consumação, no</p><p>crime de latrocínio, é a morte da vítima.</p><p>115 Há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma, ainda que não realize o agente a</p><p>subtração de bens da vítima.</p><p>117</p><p>118</p><p>16. Crime impossível</p><p>a.Conceito</p><p>i. Hipótese legal de impunibilidade da tentativa, sendo</p><p>uma causa de exclusão da tipicidade. Também</p><p>conhecido como tentativa inidônea/inadequada ou</p><p>quase crime.</p><p>ii. Crime impossível é o equivalente a crime falho?</p><p>● Crime falho: sinônimo de tentativa perfeita.</p><p>● Crime putativo: acontece quando o agente quer</p><p>praticar uma conduta que ele acredita ser crime,</p><p>mas não se trata de crime.</p><p>b.Previsão legal</p><p>i. Artigo 17, do CP116</p><p>c. Teorias que explicam a punibilidade do</p><p>crime impossível</p><p>i. Teoria subjetiva: para a teoria subjetiva, o que importa é</p><p>a vontade do agente.</p><p>ii. Teoria objetiva:</p><p>● Teoria objetiva pura ou absoluta: determina a</p><p>punibilidade da tentativa ou não, considerando se</p><p>o meio é absolutamente ou relativamente</p><p>inadequado ou se o objeto é absoluto ou</p><p>relativamente impróprio.</p><p>● Teoria objetiva temperada/relativa ou</p><p>intermediária: essa é a teoria adotada pelo</p><p>116 Art. 17 - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta</p><p>impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime.</p><p>119</p><p>Código Penal no artigo 17, CP. Se tem um meio</p><p>relativamente ineficaz ou um objeto relativamente</p><p>impróprio, terá um crime tentado (não será crime</p><p>impossível como é defendido pela Teoria objetiva</p><p>pura ou absoluta).</p><p>iii. Teoria sintomática do crime impossível: se o sujeito</p><p>deu início a uma conduta com vontade de praticar um</p><p>delito, há a existência de um sujeito perigoso que deve</p><p>ser punido.</p><p>d.Conceito de meio absolutamente ineficaz</p><p>i. É o meio que é completamente inidôneo a procurar o</p><p>resultado que se quer alcançar.117</p><p>e. Conceito de absoluta impropriedade do</p><p>objeto</p><p>i. É quando o objeto não serve para a finalidade objetivada</p><p>pelo agente</p><p>● Questão interessante: um sujeito acredita estar</p><p>ministrando veneno contra sua mulher, porém, na</p><p>verdade, está ministrando remédio. Assim, quando</p><p>a mulher está dormindo, o sujeito acha que ela</p><p>está morta e dispara com arma de fogo contra a</p><p>mulher. Em relação ao homicídio, o sujeito tem</p><p>uma falsa percepção do elemento vida, havendo</p><p>erro de tipo. Ainda, pensando em vilipêndio de</p><p>cadáver, há crime impossível, pois o objeto é</p><p>impróprio, já que não há cadáver.</p><p>● Questão interessante: uma mulher acredita que</p><p>está grávida e, por conta disso, toma um remédio</p><p>117 Exemplo: arma de brinquedo é absolutamente ineficaz para matar alguém.</p><p>120</p><p>abortivo, porém ao chegar ao hospital descobre</p><p>que na verdade está com um tumor. Nesse caso,</p><p>houve absoluta impropriedade do objeto, sendo</p><p>um crime impossível (aborto).</p><p>f. Súmula 567 do STJ</p><p>i. Sistema de vigilância realizado por monitoramento</p><p>eletrônico ou por existência de segurança no interior de</p><p>estabelecimento comercial, por si só, não torna</p><p>impossível a configuração do crime de furto.</p><p>g.Entrar com droga em presídio</p><p>i. O sujeito entrou com droga em presídio, havendo uma</p><p>revista no presídio, de modo que, em determinada</p><p>jurisprudência, entendeu-se que seria crime impossível</p><p>por ineficácia no meio. Porém, esse entendimento é</p><p>minoritário, de modo que, nesse caso, deveria entender</p><p>que essa ineficácia é relativa.</p><p>h. Flagrante provocado ou preparado</p><p>i. Flagrante provocado: o policial provoca o autor do crime</p><p>para realizar a conduta criminosa para que ele prenda</p><p>em flagrante.</p><p>● Súmula 145 STF118.</p><p>ii. Flagrante esperado: há informações de que</p><p>determinada conduta irá ocorrer, de modo que se espera</p><p>o momento mais adequado para realizar a prisão.</p><p>118 Não há crime, quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a sua consumação.</p><p>121</p><p>17. Desistência Voluntária</p><p>a.Aspectos essenciais</p><p>i. Artigo 15, do CP119</p><p>ii. Conceito: o agente inicia a execução, mas desiste de</p><p>prosseguir na execução do crime antes de esgotar todos</p><p>os meios que estavam a seu alcance para realizar a</p><p>conduta típica. É conhecida pela doutrina como ponte</p><p>de ouro de Von Liszt.</p><p>iii. Imagine a seguinte situação: minha pistola tem 20</p><p>munições, de modo que quero matar Jorge e desferindo</p><p>três disparos, porém erro. Se eu quiser continuar</p><p>atirando, é possível, porque ainda há munições. Se ele</p><p>desiste de atirar, não há tentativa de homicídio, porque,</p><p>na tentativa, o crime não ocorre por circunstâncias</p><p>alheias à sua vontade, havendo, na verdade, desistência</p><p>voluntária.</p><p>iv. A desistência não precisa ser espontânea, mas</p><p>voluntária120.</p><p>v. Fórmula de Frank: na desistência voluntária, o sujeito</p><p>pode prosseguir na execução do crime, mas não quer.</p><p>Na tentativa, o sujeito quer prosseguir na execução do</p><p>crime, mas não pode.</p><p>vi. Resultado prático: o agente é punido somente pelos</p><p>atos já praticados, não interessando o que se queria. Ele</p><p>não responde pela tentativa.</p><p>120 Parte do sujeito, mas é provocada por outra pessoa.</p><p>119 Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o</p><p>resultado se produza, só responde pelos atos já praticados.</p><p>122</p><p>vii. Natureza jurídica121</p><p>● 1ª corrente (Hungria e Zaffaroni): causa de</p><p>extinção da punibilidade do crime mais grave.</p><p>○ Cleber Masson menciona que, para essa</p><p>corrente, apesar de a desistência voluntária e</p><p>o arrependimento eficaz não estarem</p><p>previstos no art. 107 do CP, eles afastam o</p><p>direito de punir do Estado quanto ao crime</p><p>mais grave.</p><p>● 2ª corrente (Miguel Reale Jr e Damásio de</p><p>Jesus): causa de exclusão da tipicidade do crime</p><p>mais grave (restando somente a tipicidade do</p><p>delito menos grave).</p><p>○ Miguel Reale Jr: “Se típica é a tentativa,</p><p>quando o resultado deixa de ocorrer por</p><p>razão alheia à vontade do agente, atípica é a</p><p>tentativa quando o evento deixa de se</p><p>efetivar, não por causa alheia à vontade do</p><p>agente, mas graças à sua própria vontade”.</p><p>● 3ª corrente (Claus Roxin): causa de exclusão da</p><p>culpabilidade, dada a ausência do juízo de</p><p>reprovabilidade em relação ao crime mais grave.</p><p>● Caso isso venha a ser objeto de uma questão</p><p>discursiva ou oral, apresente as três correntes. É</p><p>muito difícil que o tema seja cobrado em uma</p><p>questão objetiva, pois não há qualquer tipo de</p><p>consenso sobre a questão, mas, se isso</p><p>eventualmente ocorrer, sugerimos que adote a</p><p>segunda posição, que defende a extinção da</p><p>tipicidade do crime mais grave.</p><p>121 Tópico complementado em 21/08/2024.</p><p>123</p><p>viii. Momento de verificação: O instituto do arrependimento</p><p>eficaz e da desistência voluntária somente são aplicáveis</p><p>a delito que não tenha sido consumado. Esse</p><p>entendimento é seguido por ambas as Turmas do STJ</p><p>(STJ. 5ª Turma. AgRg no AgRg no AREsp 1542424/MG, Rel.</p><p>Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 22/09/2020; STJ. 6ª</p><p>Turma. AgRg no REsp 1549809/DF, Rel. Min. Maria</p><p>Thereza de Assis Moura, julgado em 02/02/2016).</p><p>124</p><p>18. Arrependimento eficaz</p><p>a.Conceito de arrependimento eficaz</p><p>i. O sujeito já esgotou dos meios de execução que ele</p><p>dispunha, porém ele impede que o crime tenha</p><p>o concurso de agentes 289</p><p>b. Punibilidade dos agentes e teorias 293</p><p>i. Teoria pluralista 293</p><p>ii. Teoria dualista 293</p><p>iii. Teoria monista ou unitária 293</p><p>c. Modalidades do concurso de pessoas 294</p><p>i. Coautoria 294</p><p>ii. Participação 295</p><p>iii. Teorias que explicam acerca do autor e do partícipe 297</p><p>d. Formas de participação 307</p><p>i. Participação de menor importância 307</p><p>ii. Participação impunível 309</p><p>iii. Participação por omissão 310</p><p>iv. Participação em cadeia 311</p><p>v. Teorias da acessoriedade: a punição do partícipe 311</p><p>e. Cooperação dolosamente distinta 312</p><p>i. Previsão legal 312</p><p>ii. Primeira parte: art. 29, §2° 312</p><p>iii. Terceira parte: art. 29, §2° 313</p><p>f. Circunstâncias incomunicáveis 314</p><p>i. Previsão legal 314</p><p>ii. Elementares, circunstâncias e condições 314</p><p>iii. Regras do artigo 30 do CP 315</p><p>iv. Crime de infanticidio, estado puerperal e elementares</p><p>personalíssimas 316</p><p>g. Autoria colateral 316</p><p>i. Denominação 316</p><p>ii. Conceito 316</p><p>h. Autoria incerta 316</p><p>i. Autoria desconhecida 317</p><p>i. Conceito 317</p><p>ii. Diferença entre autoria desconhecida e autoria incerta 317</p><p>31. Teoria da Pena 317</p><p>a. Princípios 318</p><p>i. Princípio da intranscendência penal ou da pessoalidade 318</p><p>ii. Princípio da humanidade das penas 318</p><p>iii. Princípio da individualização da pena 320</p><p>b. Espécies de pena 321</p><p>i. Pena privativa de liberdade 321</p><p>ii. Pena restritiva de direito 322</p><p>iii. Pena de multa 322</p><p>c. Pena privativa de liberdade 322</p><p>i. Previsão normativa 322</p><p>ii. Espécies 322</p><p>iii. Conceito e natureza jurídica de penas privativas de liberdade 323</p><p>iv. Regimes de execução da pena 323</p><p>v. Fixação do regime de penas 325</p><p>vi. Progressão de regime 327</p><p>vii. Progressão de regime nos crimes hediondos 332</p><p>viii. Regressão de regime 334</p><p>ix. Remição da pena 346</p><p>x. Detração penal 350</p><p>d. Penas restritivas de direitos 352</p><p>i. Característica 352</p><p>ii. Previsão normativa 353</p><p>iii. Pena de prestação pecuniária 353</p><p>iv. Perda de bens e de valores 354</p><p>v. Prestação de serviço à comunidade ou a entidades públicas 354</p><p>vi. Interdição temporária de direitos 355</p><p>vii. Requisitos 357</p><p>viii. Critério de substituição 358</p><p>e. Pena de multa 361</p><p>i. Espécies 361</p><p>ii. Natureza jurídica 361</p><p>iii. Critério para aplicação e cálculo 361</p><p>iv. Conversão da Multa e revogação 363</p><p>v. Prazo prescricional 364</p><p>vi. Suspensão da execução da pena de multa 364</p><p>vii. Jurisprudência acerca da pena de multa 364</p><p>f. Efeitos da condenação 366</p><p>i. Previsão normativa 366</p><p>ii. Efeitos extrapenais automáticos 366</p><p>iii. Efeitos extrapenais não automáticos 370</p><p>g. Reabilitação 371</p><p>i. Previsão normativa 371</p><p>ii. Definição 371</p><p>iii. Procedimento 372</p><p>h. Medidas de segurança 373</p><p>i. Definição 373</p><p>ii. Critérios 373</p><p>iii. Hipóteses de aplicação da medida de segurança 373</p><p>iv. Espécies de medida de segurança 375</p><p>v. Prazo 375</p><p>vi. Desinternação ou liberação condicional 376</p><p>32. Dosimetria da pena 376</p><p>a. Cálculo da pena 376</p><p>i. Previsão normativa 376</p><p>ii. Fases 377</p><p>iii. Fixação da pena - 1ª Fase 378</p><p>iv. Agravantes e atenuantes - 2ª fase 381</p><p>v. Causas de aumento e de diminuição - 3ª fase 390</p><p>vi. Jurisprudência 391</p><p>33. Sursis penal e Livramento condicional 394</p><p>a. Sursis penal (Suspensão condicional da pena) 394</p><p>i. Previsão normativa 394</p><p>ii. Definição 395</p><p>iii. Requisitos 395</p><p>iv. Período de suspensão 395</p><p>v. Espécies de sursis 396</p><p>vi. Revogação 397</p><p>vii. Prorrogação do período de prova 397</p><p>viii. Cumprimento das condições 398</p><p>b. Livramento condicional 398</p><p>i. Definição 398</p><p>ii. Previsão normativa 398</p><p>iii. Requisitos 398</p><p>iv. Soma das penas 400</p><p>v. Condições do livramento 401</p><p>vi. Revogação do livramento 401</p><p>vii. Extinção 403</p><p>34. Punibilidade 403</p><p>a. Introdução 403</p><p>i. Definição 403</p><p>ii. Previsão normativa 404</p><p>iii. Natureza jurídica do reconhecimento da extinção da punibilidade</p><p>404</p><p>b. Causas extintivas da punibilidade 404</p><p>i. Pela morte do agente 404</p><p>ii. Anistia, graça e indulto 404</p><p>iii. Retroatividade de lei que não mais considera o fato como</p><p>criminoso 409</p><p>iv. Prescrição, decadência ou perempção 409</p><p>v. Renúncia do direito de queixa ou pelo perdão aceito 410</p><p>vi. Retratação do agente nos casos em que a lei a admite 411</p><p>vii. Perdão judicial 411</p><p>c. Prescrição 411</p><p>i. Natureza jurídica e efeito 411</p><p>ii. Crimes imprescritíveis 411</p><p>iii. Definição 412</p><p>iv. Espécies 412</p><p>v. Prescrição da pretensão punitiva (PPP) 413</p><p>vi. Prescrição da pretensão executória (PPE) 420</p><p>1. Fundamentos e noções gerais do</p><p>Direito Penal</p><p>a.Conceito e concepções do Direito Penal</p><p>→ O Direito Penal pode ser enxergado em diversas faces.</p><p>i. Sentido objetivo: o Direito Penal é considerado o</p><p>ordenamento jurídico penal em si. Está analisando o próprio</p><p>Direito Penal materializado em regras e princípios.</p><p>ii. Sentido subjetivo: o Direito Penal é compreendido como o</p><p>direito do Estado de punir (ius puniendi) e de criar as normas</p><p>penais.</p><p>iii. Outras classificações do Direito Penal feitas pela doutrina</p><p>● Conforme o tema</p><p>● Se o Direito Penal é legítimo ou não</p><p>iv. Conceito do Direito Penal: ramo do Direito que tem como</p><p>finalidade proteger bens jurídicos e limitar a atuação punitiva</p><p>estatal.</p><p>b.Direito Penal X Criminologia X Política Criminal</p><p>● O DIREITO PENAL analisa os fatos humanos indesejados,</p><p>define quais devem ser rotulados como crime ou</p><p>contravenção, anunciando as penas. Ocupa-se do crime</p><p>enquanto norma.</p><p>● A CRIMINOLOGIA (ciência penal) é a ciência empírica</p><p>que estuda o crime, o criminoso, a vítima e o</p><p>comportamento da sociedade. Ocupa-se do crime</p><p>enquanto fato social.</p><p>● Já a POLÍTICA CRIMINAL (ciência política) trabalha as</p><p>estratégias e os meios de controle social da</p><p>criminalidade. Ocupa-se do crime enquanto valor.</p><p>12</p><p>● Sendo assim, por exemplo, o direito penal define como</p><p>crime uma lesão no âmbito doméstico e familiar, a</p><p>criminologia estuda quais fatores contribuem para a</p><p>violência no âmbito doméstico e familiar e a política</p><p>criminal estuda como diminuir a violência no âmbito</p><p>doméstico e familiar.</p><p>c. Classificações do Direito Penal</p><p>i. Direito Penal Material vs Direito Penal Formal</p><p>● Material: é o direito penal propriamente dito.</p><p>● Formal/adjetivo: é o direito processual penal.1</p><p>ii. Direito Penal Comum vs Direito Penal Especial</p><p>● Direito Penal Comum: é o direito penal levado à</p><p>apreciação da Justiça Comum.</p><p>● Direito Penal Especial: é o direito penal aplicado em um</p><p>âmbito próprio. Exemplo: direito penal militar e eleitoral.</p><p>iii. Direito Penal Subterrâneo</p><p>● Conceito: é a manifestação de um poder punitivo por</p><p>agências estatais em desconformidade com a</p><p>legitimidade, ou seja, é a atuação não legítima de</p><p>determinadas agências estatais.</p><p>○ Exemplo: agências estatais que se</p><p>utilizam de tortura.</p><p>d.Evolução histórica do Direito Penal</p><p>● A evolução histórica do Direito Penal acompanha a</p><p>noção de evolução da pena.</p><p>ii. 1º momento da evolução histórica do Direito Penal: Direito</p><p>Penal é aplicado como uma reação a uma vingança divina. O</p><p>Direito Penal era usado para expurgar o mal de determinada</p><p>1 Essa classificação está em desuso, porque o Direito Processual Penal possui autonomia científica.</p><p>13</p><p>sociedade. Ainda, o Direito Penal era legitimado por meio da</p><p>vingança divina.</p><p>iii. 2º momento da evolução histórica do Direito Penal: há uma</p><p>vingança privada. Não é dado, ao Estado, o monopólio da</p><p>atuação punitiva.</p><p>● Exemplo: se alguém faz um mal a mim eu posso fazer</p><p>mal a essa pessoa.</p><p>● Há o início da noção de composição civil dos prejuízos,</p><p>embora não seja a característica principal desse período.</p><p>iv. 3º momento da evolução histórica do Direito Penal:</p><p>atribuição da vingança ao Estado, de modo que ele é capaz de</p><p>praticar vingança em decorrência de ummal causado a algum</p><p>cidadão da comunidade. É o momento da vingança pública</p><p>(estatização do punitivismo2).</p><p>v. 4º momento da evolução histórica do Direito Penal: é o</p><p>período humanitário (século XVIII), marcado, principalmente,</p><p>pelos escritos de Beccaria ("Dos delitos e das penas"),</p><p>influenciado pelos ideais iluministas.</p><p>● Quando Beccaria escreveu "Dos delitos e das penas'', ele</p><p>não diz que o Direito Penal é desnecessário. Ele aponta</p><p>que, com base nas correntes contratualistas,</p><p>uma</p><p>conclusão.</p><p>b.Resultado prático do arrependimento eficaz</p><p>i. O agente é punido somente pelos atos já praticados, não</p><p>interessando o que se queria. Ele não responde pela</p><p>tentativa.</p><p>c. Natureza jurídica do arrependimento</p><p>eficaz122</p><p>i. 1ª corrente (Hungria e Zaffaroni): causa de extinção da</p><p>punibilidade do crime mais grave.</p><p>● Cleber Masson menciona que, para essa corrente,</p><p>apesar de a desistência voluntária e o</p><p>arrependimento eficaz não estarem previstos no</p><p>art. 107 do CP, eles afastam o direito de punir do</p><p>Estado quanto ao crime mais grave.</p><p>ii. 2ª corrente (Miguel Reale Jr e Damásio de Jesus):</p><p>causa de exclusão da tipicidade do crime mais grave</p><p>(restando somente a tipicidade do delito menos grave).</p><p>● Miguel Reale Jr: “Se típica é a tentativa, quando o</p><p>resultado deixa de ocorrer por razão alheia à</p><p>vontade do agente, atípica é a tentativa quando o</p><p>evento deixa de se efetivar, não por causa alheia à</p><p>vontade do agente, mas graças à sua própria</p><p>vontade”.</p><p>122 Tópico alterado em 21/08/2024.</p><p>125</p><p>iii. 3ª corrente (Claus Roxin): causa de exclusão da</p><p>culpabilidade, dada a ausência do juízo de</p><p>reprovabilidade em relação ao crime mais grave.</p><p>iv. Caso isso venha a ser objeto de uma questão discursiva</p><p>ou oral, apresente as três correntes. É muito difícil que o</p><p>tema seja cobrado em uma questão objetiva, pois não há</p><p>qualquer tipo de consenso sobre a questão, mas, se isso</p><p>eventualmente ocorrer, sugerimos que adote a segunda</p><p>posição, que defende a extinção da tipicidade do crime</p><p>mais grave.</p><p>126</p><p>19. Arrependimento posterior</p><p>a.Conceito de arrependimento posterior</p><p>i. Artigo 16, CP123</p><p>b.Natureza jurídica do arrependimento</p><p>posterior</p><p>i. Causa de redução de pena</p><p>c. Requisito do arrependimento posterior</p><p>i. Ser o crime praticado sem violência ou grave ameaça à</p><p>pessoa;</p><p>ii. Atitude voluntária do agente.</p><p>d.Delitos extrapatrimoniais</p><p>i. Não são passíveis de arrependimento posterior, porque</p><p>não são reparáveis.</p><p>● Exemplo: homicídio culposo na direção de veículo</p><p>automotor.</p><p>e. Extensão da reparação</p><p>i. Deve restituir na integralidade para ter direito à</p><p>minorante, de modo que o valor da redução da pena não</p><p>é proporcional à extensão do dano, sendo proporcional à</p><p>velocidade dessa restituição (STJ. 6ª Turma. HC</p><p>338840/SC, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura,</p><p>julgado em 04/02/2016).</p><p>123 Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou</p><p>restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena</p><p>será reduzida de um a dois terços. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>127</p><p>ii. Lembre-se que o STF admitia que o ressarcimento</p><p>poderia ser parcial, de modo que tinha como requisitos</p><p>para o quantum de diminuição: (I) extensão da reparação</p><p>e (II) momento de ocorrência da reparação.</p><p>f. Informativo 973 STF- ano 2020124</p><p>i. Aplica-se o arrependimento posterior para o agente que</p><p>fez o ressarcimento da dívida principal antes do</p><p>recebimento da denúncia, mas somente pagou depois</p><p>os juros e a correção monetária.</p><p>ii. STJ e doutrina majoritária: sempre entenderam que a</p><p>reparação precisa ser integral.</p><p>iii. STF (precedente da 1ª Turma- 2010): o ressarcimento</p><p>pode ser parcial.</p><p>Questiona-se: o sujeito repara o dano apenas após o</p><p>recebimento da denúncia, terá direito a que?</p><p>● Terá direito a uma atenuante previsto no artigo 65,</p><p>III, b, CP.125</p><p>g.Extensão do benefício do arrependimento</p><p>posterior aos corréus</p><p>i. O arrependimento posterior é uma circunstância de</p><p>caráter objetivo e não subjetivo. Sendo assim, há</p><p>entendimento do STJ no sentido que o benefício do</p><p>125 Art. 65 - São circunstâncias que sempre atenuam a pena: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de</p><p>11.7.1984)</p><p>III - ter o agente: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>b) procurado, por sua espontânea vontade e com eficiência, logo após o crime, evitar-lhe ou</p><p>minorar-lhe as conseqüências, ou ter, antes do julgamento, reparado o dano;</p><p>124 Nas exatas palavras do STF: “É suficiente que ocorra arrependimento, uma vez reparada parte</p><p>principal do dano, até o recebimento da inicial acusatória, sendo inviável potencializar a amplitude</p><p>da restituição.”</p><p>128</p><p>arrependimento posterior deve ser estendido aos</p><p>corréus (STJ. 6ª Turma. REsp 1187976-SP, Rel. Min.</p><p>Sebastião Reis Júnior, julgado em 7/11/2013 - Informativo</p><p>531).</p><p>h. Súmula 554 do STF</p><p>i. O pagamento de cheque emitido sem provisão de</p><p>fundos, após o recebimento da denúncia, não obsta o</p><p>prosseguimento da ação penal.</p><p>ii. Nesse caso, aplica-se o arrependimento posterior</p><p>mesmo depois do recebimento da denúncia.</p><p>iii. A jurisprudência afirma que a Súmula 554 do STF</p><p>aplica-se unicamente para o crime de estelionato na</p><p>modalidade de emissão de cheque sem fundos (art. 171, §</p><p>2º, VI). Assim, a referida súmula não se aplica ao</p><p>estelionato no seu tipo fundamental (art. 171, caput) (STJ.</p><p>5ª Turma. HC 280089-SP, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado</p><p>em 18/2/2014 - Informativo 537).</p><p>i. Peculato culposo</p><p>i. artigo 312, §2º e §3º, CP126</p><p>126 Art. 312 - Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel,</p><p>público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou</p><p>alheio:</p><p>Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa.</p><p>§ 1º - Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público, embora não tendo a posse do dinheiro, valor</p><p>ou bem, o subtrai, ou concorre para que seja subtraído, em proveito próprio ou alheio, valendo-se de</p><p>facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário.</p><p>Peculato culposo</p><p>§ 2º - Se o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem:</p><p>Pena - detenção, de três meses a um ano.</p><p>§ 3º - No caso do parágrafo anterior, a reparação do dano, se precede à sentença irrecorrível,</p><p>extingue a punibilidade; se lhe é posterior, reduz de metade a pena imposta.</p><p>129</p><p>j. Furto de energia elétrica</p><p>i. No caso de furto de energia elétrica mediante fraude, o</p><p>adimplemento do débito antes do recebimento da</p><p>denúncia não extingue a punibilidade.127</p><p>k. Crime de moeda falsa</p><p>i. Não se aplica o instituto do arrependimento posterior ao</p><p>crime de moeda falsa. No crime de moeda falsa — cuja</p><p>consumação se dá com a falsificação da moeda, sendo</p><p>irrelevante eventual dano patrimonial imposto a</p><p>terceiros —, a vítima é a coletividade como um todo, e o</p><p>bem jurídico tutelado é a fé pública, que não é passível</p><p>de reparação. Desse modo, os crimes contra a fé pública,</p><p>semelhantes aos demais crimes não patrimoniais em</p><p>geral, são incompatíveis com o instituto do</p><p>arrependimento posterior, dada a impossibilidade</p><p>material de haver reparação do dano causado ou a</p><p>restituição da coisa subtraída. (STJ. 6ª Turma. REsp</p><p>1242294-PR, Rel. originário Min. Sebastião Reis Júnior,</p><p>127 O furto de energia elétrica não pode receber o mesmo tratamento dado ao inadimplemento</p><p>tributário, de modo que o pagamento do débito antes do recebimento da denúncia não configura</p><p>causa extintiva de punibilidade, mas causa de redução de pena relativa ao arrependimento</p><p>posterior (art. 16 do CP). Isso porque nos crimes contra a ordem tributária, o legislador (Leis nº</p><p>9.249/1995 e nº 10.684/2003), ao consagrar a possibilidade da extinção da punibilidade pelo</p><p>pagamento do débito, adota política que visa a garantir a higidez do patrimônio público, somente. A</p><p>sanção penal é invocada pela norma tributária como forma de fortalecer a ideia de cumprimento da</p><p>obrigação fiscal.</p><p>Já nos crimes patrimoniais, como o furto de energia elétrica, existe previsão legal específica de</p><p>causa de diminuição da pena para os casos de pagamento da “dívida” antes do recebimento da</p><p>denúncia. Em tais hipóteses, o Código Penal, em seu art. 16, prevê o instituto do arrependimento</p><p>posterior, que em nada afeta a pretensão punitiva, apenas constitui causa de diminuição da pena.</p><p>Outrossim, a jurisprudência se consolidou no sentido de que a natureza jurídica da remuneração</p><p>pela prestação de serviço público, no caso de fornecimento de energia elétrica, prestado por</p><p>concessionária, é de tarifa ou preço público,</p><p>não possuindo caráter tributário. Não há como se</p><p>atribuir o efeito pretendido aos diversos institutos legais, considerando que o disposto no art. 34 da</p><p>Lei nº 9.249/1995 e no art. 9º da Lei nº 10.684/2003 fazem referência expressa e, por isso, taxativa, aos</p><p>tributos e contribuições sociais, não dizendo respeito às tarifas ou preços públicos.</p><p>STJ. 3ª Seção. RHC 101299-RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, Rel. Acd. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em</p><p>13/03/2019 (Info 645).</p><p>130</p><p>Rel. para acórdão Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em</p><p>18/11/2014 - Informativo 554).</p><p>l. Artigo 168-A, CP128</p><p>i. O pagamento do débito extingue a punibilidade se feita</p><p>a qualquer momento.</p><p>ii. É um caso de seletividade penal.</p><p>128 Art. 168-A. Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos contribuintes,</p><p>no prazo e forma legal ou convencional: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)</p><p>§ 1 o Nas mesmas penas incorre quem deixar de: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)</p><p>I - recolher, no prazo legal, contribuição ou outra importância destinada à previdência social que</p><p>tenha sido descontada de pagamento efetuado a segurados, a terceiros ou arrecadada do público;</p><p>(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)</p><p>II - recolher contribuições devidas à previdência social que tenham integrado despesas contábeis ou</p><p>custos relativos à venda de produtos ou à prestação de serviços; (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)</p><p>III - pagar benefício devido a segurado, quando as respectivas cotas ou valores já tiverem sido</p><p>reembolsados à empresa pela previdência social. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)</p><p>§ 2 o É extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara, confessa e efetua o</p><p>pagamento das contribuições, importâncias ou valores e presta as informações devidas à</p><p>previdência social, na forma definida em lei ou regulamento, antes do início da ação fiscal. (Incluído</p><p>pela Lei nº 9.983, de 2000)</p><p>§ 3 o É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa se o agente for</p><p>primário e de bons antecedentes, desde que: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)</p><p>I - tenha promovido, após o início da ação fiscal e antes de oferecida a denúncia, o pagamento da</p><p>contribuição social previdenciária, inclusive acessórios; ou (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)</p><p>II - o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou inferior àquele estabelecido</p><p>pela previdência social, administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas</p><p>execuções fiscais. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)</p><p>§ 4º A faculdade prevista no § 3º deste artigo não se aplica aos casos de parcelamento de</p><p>contribuições cujo valor, inclusive dos acessórios, seja superior àquele estabelecido,</p><p>administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais. (Incluído</p><p>pela Lei nº 13.606, de 2018)</p><p>131</p><p>20.Relação de causalidade e teoria do</p><p>nexo causal</p><p>a.Conceito de nexo de causalidade</p><p>i. Vínculo estabelecido entre uma conduta e o resultado</p><p>através do qual se pode afirmar que aquela conduta é</p><p>causa do resultado.</p><p>b. Teorias que explicam a relação de</p><p>causalidade129</p><p>i. Introdução: aferir e investigar relação de causalidade</p><p>nada mais é que buscar uma conexão entre</p><p>determinada conduta e o resultado. Nos crimes formais</p><p>e de mera conduta, a análise do nexo causal não faz</p><p>sentido, porque o resultado não é relevante.</p><p>● E em relação aos crimes culposos?</p><p>Nos crimes culposos, há aferição do nexo de</p><p>causalidade.</p><p>● E em relação aos crimes omissivos?</p><p>○ Omissivos impróprios: pratica-se uma</p><p>conduta omissiva, de modo que há a posição</p><p>de garantidor, havendo uma relação de</p><p>causalidade normativa.</p><p>○ Omissivos próprios: não há relação de</p><p>causalidade, porque o agente irá responder</p><p>por um não fazer.</p><p>● E em relação aos crimes de perigo?</p><p>129 Nos crimes cujo resultado seja essencial para a consumação, preocupa-se com a relação de</p><p>causalidade.</p><p>132</p><p>○ Nos crimes de perigo, irá punir o agente nas</p><p>condutas que causem um risco de lesão. Há</p><p>a seguinte divisão dos crimes de perigo:</p><p>■ crime de perigo abstrato: o risco de</p><p>perigo é presumido da própria</p><p>realização da conduta. Não há relação</p><p>de causalidade.</p><p>■ crimes de perigo concreto: para dizer</p><p>que houve a consumação do crime,</p><p>precisa não só realizar a conduta, mas</p><p>demonstrar que houve um risco real</p><p>de lesão no caso concreto. Há análise</p><p>de nexo causal.</p><p>ii. Artigo 13, CP</p><p>● Artigo 13: "O resultado, de que depende a</p><p>existência do crime, somente é imputável a quem</p><p>lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou</p><p>omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido".</p><p>○ Deve ler o artigo 13 da seguinte forma:</p><p>"considera-se causa a ação ou omissão sem a</p><p>qual o resultado não teria ocorrido"como e</p><p>quando ocorreu.</p><p>iii. Estudo das teorias</p><p>● Teoria da conditio sine qua non/ teoria da</p><p>equivalência das condições ou antecedentes</p><p>causais (Maximilian von Buri)130: é a regra do</p><p>Código Penal. Assim, toda a omissão ou ação sem</p><p>a qual o resultado não teria ocorrido será</p><p>considerada causa.</p><p>■ Precisa verificar o que irá considerar como</p><p>causa, de modo que para isso utiliza a teoria</p><p>130 Teorias unitárias: tratam conduta, condição e causa da mesma forma</p><p>133</p><p>do critério da eliminação hipotética (Thyrén)</p><p>→ imagina um resultado e começa a voltar</p><p>nesse resultado → precisa mentalmente ir</p><p>eliminando de forma hipotética as condições</p><p>para verificar se ela será causa do resultado.</p><p>Logo, se ao eliminar uma condição, o</p><p>resultado não ocorre mais, essa condição</p><p>será considerada causa.</p><p>➢ Problema dessa teoria: se faz uma</p><p>eliminação hipotética pode chegar ao</p><p>regresso ao infinito. Para eliminar essa</p><p>teoria, deve-se utilizar o elemento dolo</p><p>e culpa.</p><p>➢ Problema dessa teoria: imagine a</p><p>seguinte situação: Jorge e Mateus</p><p>querem matar Fábio, de modo que</p><p>Jorge e Mateus não sabem da</p><p>intenção do outro. Ambos ministram</p><p>veneno, de modo que a dose de</p><p>ambos foi suficiente. Nesse caso, há</p><p>causalidade alternativa, porque o</p><p>Fábio teria morrido pela conduta de</p><p>Jorge e Mateus. Outro ponto é que,</p><p>nesse caso, ao suprimir a conduta de</p><p>cada um, o resultado continua</p><p>ocorrendo, o que significa que não</p><p>seria uma causa.</p><p>→ Causalidade cumulativa:</p><p>imagine que Jorge e Mateus</p><p>ministram uma dose de veneno,</p><p>em separado, para matar Fábio.</p><p>Porém, a conduta isolada de</p><p>134</p><p>Jorge e Mateus não matariam</p><p>Fábio. Assim, se suprimir a</p><p>conduta de Jorge ou Mateus,</p><p>Fábio não morre, então será</p><p>causa.</p><p>→ Causalidade hipotética: imagine</p><p>que uma conduta causa um</p><p>determinado resultado, porém,</p><p>no caso concreto, há elementos</p><p>suficientes que se essa conduta</p><p>não tivesse sido realizada outra</p><p>conduta seria, acontecendo o</p><p>resultado da mesma forma. A</p><p>questão que surge é que</p><p>suprimindo a conduta, o</p><p>resultado teria ocorrido da</p><p>mesma forma, significando que</p><p>o resultado não seria causa, pela</p><p>Teoria da conditio sine qua non,</p><p>o que é um equívoco.</p><p>● Teoria da causalidade adequada (Von Kries): é</p><p>uma teoria do grupo das teorias diferenciadoras,</p><p>não tratando de forma igual causa e condição,</p><p>sendo considerada causa a condição idônea à</p><p>produção do resultado. Considera-se como causa</p><p>uma conduta que tenha uma possibilidade de</p><p>causar um resultado, segundo um critério de</p><p>135</p><p>prognose posterior objetiva131. Essa teoria foi trazida</p><p>de forma excepcional no artigo 13, §1º, CP132 (41:31)).</p><p>Observação:</p><p>● Teorias unitárias: tratam conduta,</p><p>condição e causa da mesma forma.</p><p>● Teorias diferenciadoras: diferenciam</p><p>condição de causa.</p><p>● A teoria da causalidade adequada</p><p>corrigiu o regresso ao infinito.</p><p>● Roxin já fazia uma análise de teorias</p><p>que possuem mais relação com</p><p>imputação do que com causalidade,</p><p>de modo que, para esse autor, a teoria</p><p>da causalidade adequada é mais uma</p><p>teoria da imputação do que da</p><p>causalidade.</p><p>● A teoria da causalidade adequada não</p><p>substitui a teoria da equivalência</p><p>causal, mas serve como uma limitação.</p><p>● Teoria da relevância jurídica:133 somente pode</p><p>considerar como resultado condições que tenham</p><p>relevância jurídica. Deve-se separar uma relação de</p><p>causalidade</p><p>com uma de imputação. Com isso, há</p><p>condições que fazem parte do processo causal,</p><p>133 Teoria diferenciadora.</p><p>132 § 1º - A superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação quando, por si</p><p>só, produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os praticou.</p><p>131 Ou seja, é uma análise para frente (se eu fizer isso eu vou causar aquilo?) que será analisada</p><p>depois do fato ter acontecido.</p><p>136</p><p>porém são irrelevantes, sendo analisadas na fase</p><p>de imputação. Ainda, há outras condições que</p><p>também são causas e por serem relevantes na</p><p>produção do resultado serão consideradas para fim</p><p>de imputação. Logo, essa teoria trabalha mais com</p><p>a noção de imputação do resultado a alguém do</p><p>que com a relação de causalidade.</p><p>○ Essa teoria começa a trabalhar a ideia de</p><p>imputação objetiva.</p><p>● Teoria da condição enquanto parte suficiente da</p><p>ocorrência de um resultado/ Teoria da condição</p><p>conforme a lei natural: deve abandonar a ideia de</p><p>que a causa é a condição necessária, sendo válido</p><p>considerar que causa é parte de uma condição</p><p>necessária.</p><p>○ Causa é todo componente necessário de</p><p>uma condição suficiente.</p><p>● Teoria INUS (Insufficient but Necessary part of a</p><p>condition which is itself Unnecessary but Sufficient</p><p>- John Leslie Mackie134): considera-se causa as</p><p>partes insuficientes que não são capazes de causar</p><p>um resultado, mas que passam a ser parte de uma</p><p>condição que nem era necessária mas é suficiente</p><p>para causar o resultado.</p><p>○ Deve-se considerar a causa aquilo que fez</p><p>diferença para a ocorrência do resultado.</p><p>134 Parte insuficiente, mas não redundante de uma condição desnecessária, mas suficiente.</p><p>137</p><p>21. Concausas</p><p>A concausa somente faz sentido nas teorias diferenciadoras.</p><p>a. Conceito de concausas</p><p>● Concausas consistem na concorrência de causas para</p><p>produção de um resultado. Sempre deve estabelecer uma</p><p>causa como paradigma, porque, em uma análise temporal, as</p><p>causas podem ser concomitantes, supervenientes e</p><p>pré-existentes à causa paradigma.</p><p>● Convergência de uma causa externa à vontade do agente que</p><p>influi de qualquer modo na ocorrência do resultado</p><p>naturalístico por ele buscado.</p><p>b. Espécies de concausas</p><p>● Dependentes: são as causas que são desdobramento lógico</p><p>da conduta do agente.</p><p>● Independentes: são as que causam um resultado por si,</p><p>independentemente da conduta do agente, mas que podem</p><p>decorrer ou não da conduta praticada pelo autor.</p><p>○ Absolutamente independentes: são as causas que</p><p>ocorrem de qualquer forma, mas não decorrem da</p><p>conduta do autor. As causas absolutamente</p><p>independentes sempre rompem o nexo causal, de modo</p><p>que o sujeito somente responde pelos atos praticados e</p><p>não pelo resultado.</p><p>■ Pré-existentes: são pré-existentes em relação a</p><p>causa paradigma.</p><p>■ Concomitantes: são concomitantes em relação a</p><p>causa paradigma.</p><p>138</p><p>■ Supervenientes: ocorrem posteriormente a causa</p><p>paradigma.</p><p>○ Relativamente independentes: são as causas que são</p><p>capazes de causar o resultado, mas decorrem da</p><p>conduta do agente. A regra é que a causa relativamente</p><p>independente não rompe o nexo causal.</p><p>■ Pré-existentes: são as causas externas à vontade do</p><p>agente que auxiliam na causação do resultado</p><p>quando somadas à conduta do agente e que já</p><p>existia antes da conduta do agente. Exemplo:</p><p>hemofílico (causa que já existia) que recebe um</p><p>corte e sangra até a morte → se era do</p><p>conhecimento do agente que a lesão poderia</p><p>causar a morte somada a hemofilia, não haverá</p><p>rompimento do nexo causal.</p><p>■ Concomitantes: são as causas que decorrem da</p><p>conduta do agente que acabam causando o</p><p>resultado, sendo que essa causa ocorre de forma</p><p>concomitante à conduta do agente. Exemplo:</p><p>sujeito, querendo efetuar um disparo de arma de</p><p>fogo contra alguém, coloca a arma de fogo na</p><p>cabeça de alguém e fala: "vou te matar", de modo</p><p>que o sujeito não morre do disparo da arma de</p><p>fogo, mas por conta de um infarto causado pelo</p><p>susto do disparo. Nesse caso, não haverá</p><p>rompimento do nexo causal.</p><p>■ Supervenientes: são as causas que decorrem da</p><p>conduta do agente que podem causar o resultado</p><p>por si e ocorrem posteriormente à conduta do</p><p>agente.</p><p>139</p><p>➢ Supervenientes que por si só são capazes de</p><p>causar o resultado: haverá rompimento do</p><p>nexo causal.</p><p>➢ Supervenientes que por si só não são</p><p>capazes de causar o resultado: não haverá</p><p>rompimento do nexo causal.</p><p>● Exemplo: um hospital pegou fogo e</p><p>várias pessoas morreram por conta do</p><p>incêndio. Imagine que um sujeito</p><p>tenha dado um soco em alguém, de</p><p>modo que a vítima foi para esse</p><p>hospital que pegou fogo e morreu</p><p>queimado. A vítima não morreu por</p><p>conta do soco. O incêndio é uma causa</p><p>relativamente independente</p><p>superveniente que por si só poderia</p><p>causar o resultado. O agente não irá</p><p>responder pela morte do agente,</p><p>porque houve o rompimento do nexo</p><p>causal.</p><p>140</p><p>c. Julgados</p><p>● INFO 770 DO STJ: Verificado que a lesão é o resultado</p><p>das agressões sofridas, a existência de concausa anterior</p><p>relativamente independente não impede a condenação</p><p>pelo crime de lesão corporal grave.</p><p>● INFO 777 DO STJ: A existência de doença cardíaca de</p><p>que padecia a vítima configura-se como concausa</p><p>preexistente relativamente independente, não sendo</p><p>possível afastar o resultado mais grave (morte) e, por</p><p>consequência, a imputação de latrocínio.</p><p>141</p><p>22. Nexo causal e crimes omissivos</p><p>impróprios</p><p>Somente irá analisar relação de causalidade nos crimes omissivos</p><p>impróprios. Em se tratando de crimes omissivos impróprios, a</p><p>relação é causal normativa decorrente do artigo 13, §2º, CP, a seguir:</p><p>§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o</p><p>omitente devia e podia agir para evitar o resultado. O</p><p>dever de agir incumbe a quem:</p><p>a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou</p><p>vigilância;</p><p>b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de</p><p>impedir o resultado;</p><p>c) com seu comportamento anterior, criou o risco da</p><p>ocorrência do resultado.</p><p>a.Previsão legal</p><p>i. Artigo 13, §2º, CP: é uma norma de extensão.</p><p>b.Garantidor</p><p>i. Adota-se, no Brasil, o critério das fontes formais em</p><p>relação ao garantidor, de modo que existe um rol</p><p>taxativo para determinar quem são as pessoas</p><p>garantidoras.</p><p>ii. Quem é o garantidor?</p><p>142</p><p>● aquele que tenha por lei obrigação de cuidado,</p><p>proteção ou vigilância → obrigação legal. Exemplo:</p><p>bombeiro na praia.</p><p>● aquele que, de outra forma, assumiu a</p><p>responsabilidade de impedir o resultado → pode</p><p>ser uma relação contratual formal ou informal.</p><p>Exemplo: Salva-vidas no clube.</p><p>● aquele que, com seu comportamento anterior,</p><p>criou o risco da ocorrência do resultado → dever</p><p>de ingerência.</p><p>iii. O garantidor, para ser considerado como tal, deve poder</p><p>agir, de modo que deve haver os seguintes</p><p>pressupostos:</p><p>● Presença física do garantidor;</p><p>● Possibilidade concreta de salvamento;</p><p>● Dever de agir.</p><p>iv. Julgado sobre o tema: A irmã de vítima do crime de</p><p>estupro de vulnerável responde por conduta omissiva</p><p>imprópria se assume o papel de garantidora. (HC</p><p>603.195/PR, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA</p><p>TURMA, julgado em 06/10/2020, DJe 16/10/2020 - INFO</p><p>681 DO STJ)</p><p>c. Crimes omissivos por comissão</p><p>● Esses seriam aqueles crimes em que o agente, por</p><p>meio de um comportamento positivo, impede que</p><p>terceira pessoa realize a conduta que estava</p><p>obrigada, com a finalidade de produzir</p><p>determinado resultado. Sobre o tema, duas</p><p>correntes:</p><p>- Uma corrente afirma a existência dessa</p><p>espécie de crimes, ocorrendo quando se</p><p>143</p><p>violar uma norma que impõe uma ordem de</p><p>ativar-se, em conjunto com uma proibição</p><p>de impedir a ocorrência do resultado.</p><p>- A corrente majoritária aduz que se o agente,</p><p>com seu comportamento comissivo, impede</p><p>que alguém, seja garantidor ou não, venha a</p><p>praticar um comportamento que, no caso</p><p>concreto, lhe era exigido, deverá responder</p><p>pelo resultado a título de comissão, e não de</p><p>omissão. Isso porque, efetivamente, fez</p><p>alguma coisa para que o resultado viesse a</p><p>ser produzido.</p><p>●</p><p>144</p><p>23. Teoria da Imputação objetiva</p><p>a.Aspectos fundamentais</p><p>● A mera relação de causalidade</p><p>não é suficiente</p><p>para determinar a imputação de um resultado a</p><p>alguém, necessitando de critérios normativos de</p><p>imputação do resultado. Lembre-se! A teoria da</p><p>imputação objetiva e da conditio sine qua non são</p><p>complementares. Assim, a imputação objetiva tem</p><p>como base a teoria da conditio sine qua non.</p><p>● Somente irá imputar resultado a alguma conduta</p><p>se essa conduta significar uma violação</p><p>insuportável ou risco de lesão a um bem jurídico</p><p>essencial.</p><p>● Nem toda relação de causa e efeito estabelece</p><p>relação de imputação.</p><p>● Para imputar o resultado a alguém, deve haver</p><p>uma criação de risco proibido e realizar o resultado</p><p>nessa situação de risco.</p><p>● Em suma, a teoria da imputação objetiva tem por</p><p>finalidade diminuir o alcance do tipo penal</p><p>objetivo através da implementação de critérios</p><p>objetivos para a imputação de um resultado ao</p><p>agente.</p><p>ii. Critérios estabelecidos por Roxin</p><p>● Diminuição do risco: se o agente pratica uma</p><p>conduta, visando diminuir o risco já criado, o</p><p>resultado não pode ser imputado.</p><p>145</p><p>● Criação de um risco juridicamente proibido: se</p><p>não criou um risco proibido não pode responder</p><p>por esse resultado.</p><p>○ Caso importante: Ainda que se cuide de</p><p>imputação por crime culposo, a subsunção</p><p>da conduta ao tipo penal pressupõe, entre</p><p>outros elementos, a criação de um risco não</p><p>permitido, além da violação de um dever de</p><p>cuidado jurídico-penalmente relevante, sob</p><p>pena de se admitir a repudiada</p><p>responsabilidade objetiva no espaço dos</p><p>crimes contra o consumidor (STF. 2ª turma.</p><p>HC 200.558/RO, Rel. Min. Gilmar Mendes,</p><p>julgado em 15/09/2021 - Informativo 681).</p><p>● Aumento do risco permitido: há riscos que são</p><p>permitidos, de modo que o aumento desse risco</p><p>pode ser imputado ao sujeito que aumentou o</p><p>risco.</p><p>● Âmbito de proteção da norma: há ações que</p><p>estão fora do âmbito de proteção da norma, sendo</p><p>neutras, de modo que não podem ser imputadas</p><p>aos sujeitos.</p><p>iii. Critérios estabelecidos por Günther Jakobs</p><p>● Não imputa o resultado a alguém que criou um</p><p>risco permitido</p><p>● Princípio da confiança: todos os sujeitos ocupam</p><p>papéis na sociedade, sendo que há o papel de</p><p>cuidado, de modo que se deve agir conforme o</p><p>dever objetivo de cuidado. Nesse sentido, os</p><p>sujeitos agem pressupondo que as outras pessoas</p><p>estão agindo conforme o dever objetivo de</p><p>cuidado.</p><p>146</p><p>● Proibição do regresso: aquele que agiu realizando</p><p>uma conduta que é esperada na prática social não</p><p>pode ter a ele imputado um resultado ainda que</p><p>sua conduta tenha colaborado de qualquer forma</p><p>para consecução do resultado.</p><p>● Competência da vítima: se a vítima se coloca na</p><p>situação de risco não se imputa, ao autor, o</p><p>resultado.</p><p>iv. Causalidade: é um elemento de delimitação negativa da</p><p>imputação.</p><p>v. Conclusões</p><p>● A imputação objetiva funciona como uma</p><p>filtragem e limitação da imputação no tipo penal,</p><p>não necessitando verificar o elemento subjetivo,</p><p>inclusive.</p><p>● HC 68871/PR: HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO</p><p>CULPOSO. VÍTIMA - MERGULHADOR</p><p>PROFISSIONAL CONTRATADO PARA VISTORIAR</p><p>ACIDENTE MARÍTIMO. ART. 121, §§ 3º E 4º, PRIMEIRA</p><p>PARTE, DO CÓDIGO PENAL. TRANCAMENTO DE</p><p>AÇÃO PENAL. AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA. 1. Para</p><p>que o agente seja condenado pela prática de</p><p>crime culposo, são necessários, dentre outros</p><p>requisitos: a inobservância do dever de cuidado</p><p>objetivo (negligência, imprudência ou imperícia) e</p><p>o nexo de causalidade. 2. No caso, a denúncia</p><p>imputa ao paciente a prática de crime omissivo</p><p>culposo, no forma imprópria. A teor do § 2º do art.</p><p>13 do Código Penal, somente poderá ser autor do</p><p>delito quem se encontrar dentro de um</p><p>determinado círculo normativo, ou seja, em</p><p>posição de garantidor. 3. A hipótese não trata,</p><p>147</p><p>evidentemente, de uma autêntica relação causal,</p><p>já que a omissão, sendo um não-agir, nada poderia</p><p>causar, no sentido naturalístico da expressão.</p><p>Portanto, a relação causal exigida para a</p><p>configuração do fato típico em questão é de</p><p>natureza normativa. 4. Da análise singela dos</p><p>autos, sem que haja a necessidade de se</p><p>incursionar na seara fático-probatória, verifico que</p><p>a ausência do nexo causal se confirma nas</p><p>narrativas constantes na própria denúncia. 5.</p><p>Diante do quadro delineado, não há falar em</p><p>negligência na conduta do paciente (engenheiro</p><p>naval), dado que prestou as informações que</p><p>entendia pertinentes ao êxito do trabalho do</p><p>profissional qualificado, alertando-o sobre a sua</p><p>exposição à substância tóxica, confiando que o</p><p>contratado executaria a operação de mergulho</p><p>dentro das regras de segurança exigíveis ao</p><p>desempenho de sua atividade, que mesmo em</p><p>situações normais já é extremamente perigosa.</p><p>6. Ainda que se admita a existência de relação</p><p>de causalidade entre a conduta do acusado e a</p><p>morte do mergulhador, à luz da teoria da</p><p>imputação objetiva, seria necessária a</p><p>demonstração da criação pelo paciente de uma</p><p>situação de risco não permitido, não-ocorrente,</p><p>na hipótese. 7. Com efeito, não há como</p><p>asseverar, de forma efetiva, que engenheiro</p><p>tenha contribuído de alguma forma para</p><p>aumentar o risco já existente (permitido) ou</p><p>estabelecido situação que ultrapasse os limites</p><p>para os quais tal risco seria juridicamente</p><p>148</p><p>tolerado. 8. Habeas corpus concedido para trancar</p><p>a ação penal, por atipicidade da conduta.</p><p>(STJ - HC: 68871 PR 2006/0233748-1, Relator:</p><p>Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, Data</p><p>de Julgamento: 06/08/2009, T6 - SEXTA TURMA,</p><p>Data de Publicação: --> DJe 05/10/2009, grifo</p><p>nosso)</p><p>● HC: 46525 MT: PROCESSUAL PENAL. HABEAS</p><p>CORPUS. HOMICÍDIO CULPOSO. MORTE POR</p><p>AFOGAMENTO NA PISCINA. COMISSÃO DE</p><p>FORMATURA. INÉPCIA DA DENÚNCIA. ACUSAÇÃO</p><p>GENÉRICA. AUSÊNCIA DE PREVISIBILIDADE, DE</p><p>NEXO DE CAUSALIDADE E DA CRIAÇÃO DE UM</p><p>RISCO NÃO PERMITIDO. PRINCÍPIO DA</p><p>CONFIANÇA. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL.</p><p>ATIPICIDADE DA CONDUTA. ORDEM CONCEDIDA.</p><p>1. Afirmar na denúncia que "a vítima foi jogada</p><p>dentro da piscina por seus colegas, assim como</p><p>tantos outros que estavam presentes, ocasionando</p><p>seu óbito" não atende satisfatoriamente aos</p><p>requisitos do art. 41 do Código de Processo Penal,</p><p>uma vez que, segundo o referido dispositivo legal,</p><p>"A denúncia ou queixa conterá a exposição do fato</p><p>criminoso, com todas as suas circunstâncias, a</p><p>qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos</p><p>quais se possa identificá-lo, a classificação do</p><p>crime e, quando necessário, o rol das</p><p>testemunhas". 2. Mesmo que se admita certo</p><p>abrandamento no tocante ao rigor da</p><p>individualização das condutas, quando se trata de</p><p>delito de autoria coletiva, não existe respaldo</p><p>149</p><p>jurisprudencial para uma acusação genérica, que</p><p>impeça o exercício da ampla defesa, por não</p><p>demonstrar qual a conduta tida por delituosa,</p><p>considerando que nenhum dos membros da</p><p>referida comissão foi apontado na peça acusatória</p><p>como sendo pessoa que jogou a vítima na piscina.</p><p>3. Por outro lado, narrando a denúncia que a vítima</p><p>afogou-se em virtude da ingestão de substâncias</p><p>psicotrópicas, o que caracteriza uma</p><p>autocolocação em risco, excludente da</p><p>responsabilidade criminal, ausente o nexo causal.</p><p>4. Ainda que se admita a existência de relação de</p><p>causalidade entre a conduta dos acusados e a</p><p>morte da vítima, à luz da teoria da imputação</p><p>objetiva, necessária é a demonstração da criação</p><p>pelos agentes de uma situação de risco não</p><p>permitido, não-ocorrente, na hipótese, porquanto é</p><p>inviável exigir de uma Comissão de Formatura um</p><p>rigor na fiscalização das substâncias ingeridas por</p><p>todos os participantes de uma festa. 5. Associada à</p><p>teoria da imputação objetiva, sustenta a doutrina</p><p>que vigora o princípio da confiança, as pessoas se</p><p>comportarão em conformidade com o direito, o</p><p>que não ocorreu in casu, pois a vítima veio a</p><p>afogar-se, segundo a denúncia, em virtude de ter</p><p>ingerido substâncias psicotrópicas,</p><p>comportando-se, portanto, de forma contrária aos</p><p>padrões esperados, afastando, assim, a</p><p>responsabilidade dos pacientes, diante da</p><p>inexistência de previsibilidade do resultado,</p><p>acarretando a atipicidade da conduta. 6. Ordem</p><p>concedida para trancar a ação penal, por</p><p>150</p><p>atipicidade da conduta, em razão da ausência de</p><p>previsibilidade, de nexo de causalidade e de</p><p>criação de um risco não permitido, em relação a</p><p>todos os denunciados, por força do disposto no art.</p><p>580 do Código de Processo Penal.</p><p>(STJ - HC: 46525 MT 2005/0127885-1, Relator:</p><p>Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, Data de</p><p>Julgamento: 21/03/2006, T5 - QUINTA TURMA, Data</p><p>de Publicação: DJ 10/04/2006 p. 245)</p><p>151</p><p>24. Ilicitude</p><p>a.Conceito de ilicitude</p><p>i. Relação de contrariedade entre o fato e a norma. Assim,</p><p>ilicitude é toda conduta não amparada por norma</p><p>permissiva, havendo relação de contrariedade entre o</p><p>fato típico e ordenamento jurídico como um todo.</p><p>b.Relação entre o fato típico e ilicitude</p><p>i. Teoria da autonomia absoluta: essa teoria diz que a</p><p>tipicidade não possui relação com a ilicitude, de modo</p><p>que excluída a ilicitude o fato continua típico.</p><p>Atualmente, não se trabalha com essa ideia, porque se</p><p>considera que há indícios que o fato típico é também</p><p>ilícito.</p><p>ii. Teoria da indiciariedade (“ratio cognoscendi”): é a</p><p>teoria adotada no Brasil. Parte-se do pressuposto que o</p><p>fato típico é também ilícito, de modo que somente irá</p><p>excluir a ilicitude se tiver uma causa excludente da</p><p>ilicitude.</p><p>iii. Teoria da ratio essendi (Mezger): traz a noção do tipo</p><p>total de injusto, de modo que seria o fato típico já</p><p>implementado com a ilicitude. Fato típico + ilicitude =</p><p>injusto.</p><p>iv. Teoria dos elementos negativos do tipo penal: há um</p><p>tipo total de injusto, porque há um fato típico que</p><p>compõe um tipo total de injusto quando ele não foi</p><p>realizado em situação de exclusão da ilicitude. Assim,</p><p>para dizer que um fato é típico deve analisar de forma</p><p>negativa se há a presença de excludentes da ilicitude.135</p><p>135 Não estar amparado por excludente da ilicitude é um elemento do tipo penal.</p><p>152</p><p>Necessita-se demonstrar que o sujeito não está em uma</p><p>situação de excludente da ilicitude.</p><p>c. Análise do artigo 23, CP</p><p>i. Artigo 23, CP</p><p>● São cláusulas legais de excludente da ilicitude136.</p><p>Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato:</p><p>(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>I - em estado de necessidade; (Incluído pela Lei nº 7.209,</p><p>de 11.7.1984)</p><p>II - em legítima defesa; (Incluído pela Lei nº 7.209, de</p><p>11.7.1984) (Vide ADPF 779)</p><p>III - em estrito cumprimento de dever legal ou no</p><p>exercício regular de direito. (Incluído pela Lei nº 7.209, de</p><p>11.7.1984)</p><p>Excesso punível (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses</p><p>deste artigo, responderá pelo excesso doloso ou culposo.</p><p>(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>ii. Todas as causas excludentes da ilicitude possuem</p><p>elementos objetivos previstos no Código Penal, porém se</p><p>deve lembrar que há requisitos de ordem subjetiva.</p><p>Assim, o sujeito deve saber que está agindo amparado</p><p>por uma excludente da ilicitude.</p><p>iii. Não existe causa de exclusão de ilicitude culposa. Teoria</p><p>finalista gerando reflexo nas causas de exclusão. O</p><p>agente tem a finalidade de praticar o tipo, mas de forma</p><p>136 O consentimento do ofendido não está previsto nesse artigo, porém é uma causa excludente da</p><p>ilicitude.</p><p>153</p><p>lícita. O Estado sabe que não tem capacidade de garantir</p><p>a segurança e bem-estar de seus cidadãos o tempo todo,</p><p>sendo assim, permite que os indivíduos haja em conta</p><p>própria em determinadas circunstâncias. Ao agir com</p><p>permissão estatal a conduta é lícita.</p><p>d.Excludentes da ilicitude</p><p>i. Estado de necessidade (artigo 24, CP137): não precisa</p><p>ter uma injusta agressão a ser repelida, bastando haver</p><p>uma situação de perigo da qual precisa afastar o bem</p><p>jurídico.</p><p>● Requisitos objetivos</p><p>○ Prática de um fato para salvar-se do perigo</p><p>atual.</p><p>■ O perigo atual abrange o perigo</p><p>iminente?</p><p>➢ 1ª corrente (majoritária-Rogério</p><p>Greco): sim.</p><p>➢ 2ª corrente (Frederico Marques):</p><p>deve ser somente o perigo atual</p><p>e não o iminente.</p><p>○ Perigo não provocado pela vontade do</p><p>agente:</p><p>■ 1ª corrente (Rogério Greco-</p><p>majoritária): a conduta culposa</p><p>137 Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual,</p><p>que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo</p><p>sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>§ 1 º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o perigo.</p><p>(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>§ 2 º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena poderá ser reduzida de</p><p>um a dois terços. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>154</p><p>anterior autoriza o estado de</p><p>necessidade.</p><p>■ 2ª corrente (Hungria): a conduta</p><p>culposa afasta o estado de</p><p>necessidade.</p><p>○ Impossibilidade de evitar o dano de outra</p><p>forma;</p><p>○ Dever de escolher a solução menos gravosa;</p><p>○ O bem protegido deve ser de valor maior</p><p>que o bem sacrificado;</p><p>■ § 2 º - Embora seja razoável exigir-se o</p><p>sacrifício do direito ameaçado, a pena</p><p>poderá ser reduzida de um a dois</p><p>terços. (Redação dada pela Lei nº 7.209,</p><p>de 11.7.1984)</p><p>○ Inexistência do dever legal de evitar o perigo</p><p>● Teorias que explicam o estado de necessidade</p><p>○ Teoria unitária: quando presente o estado de</p><p>necessidade, afasta-se a ilicitude. O Código</p><p>Penal utiliza essa teoria.</p><p>○ Teoria diferenciadora: dependendo do bem</p><p>jurídico sacrificado, será excludente de</p><p>culpabilidade ou ilicitude. O Código Penal</p><p>militar utiliza essa teoria.</p><p>● Espécies de estado de necessidade</p><p>○ Próprio: defende um bem jurídico próprio do</p><p>agente.</p><p>○ De Terceiros: ocorre quando o agente</p><p>defende um bem jurídico de terceiros.</p><p>Somente se fala em estado de necessidade</p><p>de terceiros se o bem jurídico for</p><p>indisponível.</p><p>155</p><p>● Espécies de estado de necessidade</p><p>○ Defensivo: o bem sacrificado é titularizado</p><p>pelo próprio causador da situação de perigo.</p><p>Não existe o dever de indenizar.</p><p>○ Agressivo: o bem sacrificado não é</p><p>titularizado pelo causador da situação de</p><p>perigo. Subsiste o dever de indenizar aquele</p><p>que teve o bem jurídico violado.</p><p>● É possível alegar estado de necessidade em</p><p>crimes permanentes e habituais?</p><p>o Em regra, não é possível alegar estado de</p><p>necessidade em crimes permanentes e</p><p>habituais, isso porque falta a atualidade do</p><p>perigo e a inevitabilidade do fato</p><p>necessitado. No entanto, a jurisprudência já</p><p>reconheceu o estado de necessidade no</p><p>crime habitual de exercício ilegal de arte</p><p>dentária (282, CP) em caso atinente à zona</p><p>rural longínqua e carente de profissional</p><p>habilitado.</p><p>ii. Legítima defesa (artigo 25, CP138): pressupõe uma</p><p>injusta agressão, de modo que a agressão do bem</p><p>jurídico é utilizada para repelir uma injusta agressão.</p><p>● Elementos objetivos</p><p>138 Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios necessários,</p><p>repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem. (Redação dada pela Lei nº</p><p>7.209, de 11.7.1984) (Vide ADPF 779)</p><p>Parágrafo único. Observados os requisitos previstos no caput deste artigo, considera-se também</p><p>em legítima defesa o agente de segurança pública que repele agressão ou risco de agressão a</p><p>vítima mantida refém durante a prática de crimes. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vide ADPF</p><p>779)</p><p>156</p><p>○ Agressão injusta: não necessariamente é</p><p>uma agressão criminosa, devendo violar o</p><p>ordenamento jurídico.</p><p>○ Agressão atual ou iminente139</p><p>■ Para teses defensivas: deve dizer que a</p><p>agressão abrange também a futura,</p><p>quando certa.</p><p>○ Uso moderado dos meios: é o uso dos meios</p><p>necessários e suficientes para repelir a</p><p>injusta agressão. Os meios devem ser</p><p>proporcionais, de modo que devem ser os</p><p>meios proporcionais disponíveis ao agente.</p><p>Não é necessário que o sujeito escolha o</p><p>meio menos gravoso.</p><p>● Quais bens jurídicos podem ser defendidos?</p><p>○ Pode defender qualquer bem jurídico desde</p><p>que seja titularizado por alguém e desde</p><p>que faça uso moderado dos meios.</p><p>■ Os bens jurídicos supraindividuais não</p><p>podem ser defendidos pela legítima</p><p>defesa.</p><p>● Teorias que fundamentam</p><p>a legítima defesa:</p><p>o Teoria da Coação Moral de Samuel</p><p>Puffendorf: Para ele, quem se defende</p><p>perante um perigo iminente, não pode ser</p><p>penalmente responsabilizado. A pessoa age</p><p>em um estado de perturbação de ânimo,</p><p>age em propter pertubationem animi. Age</p><p>com o ânimo perturbado justamente por</p><p>causa da lesão que sofre. No momento que o</p><p>139 Agressão que está prestes a acontecer, porém não abrange situação futura, segundo a doutrina</p><p>majoritária.</p><p>157</p><p>agente reage àquela agressão, ele se</p><p>encontra em estado de inimputabilidade.</p><p>o Teoria da Escusa Legal de Geyer: Traz em si a</p><p>ideia de retribuição do mal pelo mal. A</p><p>conduta daquele que se defende até é</p><p>reprovável, mas não é punível, porque ele</p><p>está somente retribuindo com um mal, o</p><p>primeiro mal que é a agressão que sofre.</p><p>Essa teoria traz a ideia de compensação</p><p>entre o mal do agressor e o mal do que se</p><p>defende em legítima defesa.</p><p>o Teoria do Exercício de Um Direito de Kant:</p><p>Prega que a legítima defesa é um direito de</p><p>o indivíduo manter íntegra sua própria</p><p>existência. Se a existência de um indivíduo</p><p>está correndo perigo, ele tem o direito de</p><p>mantê-la. Ele dizia "este pretendido direito</p><p>consiste na faculdade que, em teoria,</p><p>existiria no caso em que a minha própria</p><p>existência estivesse em perigo". É a teoria</p><p>que mais se aproxima da vertente brasileira.</p><p>o Teoria da Delegação do Poder Público de</p><p>"Cuello Calón": Essa teoria não tem um</p><p>criador definido, mas é uma teoria bem</p><p>trabalhada por Cuello Calón. Significa que a</p><p>legítima defesa é como se fosse uma</p><p>delegação estatal ao agente que se defende.</p><p>Nela há uma delegação do Estado aos</p><p>particulares. Traz, também, sua origem num</p><p>pensamento contratualista. A defesa privada</p><p>vem a ser um substitutivo da defesa pública</p><p>quando a necessidade do caso concreto</p><p>158</p><p>exigir. O agente que se defende age</p><p>delegado pelo poder público, por isso a</p><p>conduta desse agente não é ilícita.</p><p>o Teoria do Interesse Preponderante de Adolf</p><p>Merkel: Quando Merkel tratou do tema, falou</p><p>da colisão de interesses. Até porque, se vai se</p><p>retirar um interesse preponderante, é porque</p><p>temmais de um colidindo. A preponderância</p><p>entre a ação do agressor e a reação do</p><p>ofendido. Tem-se a ação de agressão do</p><p>agressor e a reação do agredido. Há dois</p><p>interesses conflitando, um legítimo e um</p><p>ilegítimo. Nesse conflito deve ser ressaltado</p><p>o interesse do ofendido justamente pela</p><p>adequação desse interesse às normas sociais</p><p>de convivência. O interesse do que se</p><p>defende prepondera porque este é um</p><p>interesse adequado às normas sociais de</p><p>convivência daquela coletividade, ele age</p><p>permitido pelo Estado, por isso seu interesse</p><p>prepondera sobre o do agressor.</p><p>● Espécies de legítima defesa</p><p>○ Legítima defesa putativa: o agente supõe</p><p>está em uma situação de injusta agressão,</p><p>porém ele não está. Nessa situação, afasta-se</p><p>o dolo ou poderá ser afastada a culpa</p><p>(depende da situação).</p><p>○ Legítima defesa real: a pessoa se defende de</p><p>alguma reação ilegal que a outra pessoa tem</p><p>para com si</p><p>159</p><p>● Há legítima defesa praticada contra</p><p>inimputáveis140?</p><p>○ 1ª corrente (Hungria): não.</p><p>○ 2ª corrente (Roxin): sim, porém há, nesse</p><p>caso, limites éticos, porque, quando o</p><p>sujeito está diante dessa situação, os meios</p><p>utilizados na legítima defesa devem ser mais</p><p>moderados do que quando utilizado contra</p><p>um imputável.</p><p>● Há legítima defesa contra legítima defesa?</p><p>○ Nesse caso, haverá uma agressão justa, de</p><p>modo que o que pode se repelir é somente o</p><p>excesso que será injusto. Logo, legítima</p><p>defesa contra legítima defesa (legítima</p><p>defesa recíproca) não é cabível.</p><p>● Observação: legítima defesa real contra legítima</p><p>defesa putativa é possível, já que a excludente da</p><p>ilicitude somente existe na mente do autor no caso</p><p>da legítima defesa putativa.</p><p>● Excesso na legítima defesa: o sujeito responde</p><p>pelo excesso (artigo 23, parágrafo único, CP).</p><p>○ O requisito da legítima defesa é o uso</p><p>moderado dos meios para fazer cessar a</p><p>agressão. Quando o sujeito não se utiliza dos</p><p>meios de forma moderada ou então</p><p>prolonga a agressão.</p><p>■ Excesso intensivo: é o que recai sobre a</p><p>intensidade da resposta.</p><p>■ Excesso extensivo: se dá na extensão</p><p>da resposta.</p><p>140 O inimputável não pratica crime, mas a agressão é injusta.</p><p>160</p><p>■ Excesso doloso: o sujeito sabe que está</p><p>em excesso. O sujeito irá responder</p><p>pelo excesso.</p><p>■ Excesso culposo: o sujeito na hora de</p><p>empregar os meios para repelir a</p><p>agressão acaba que não observa o</p><p>dever objetivo de cuidado, de modo</p><p>que ele responde, pelo excesso, na</p><p>modalidade culposa.</p><p>● Descriminantes putativas: a legítima defesa ela</p><p>pode ser putativa seja porque o sujeito acredita</p><p>estar amparado pelos requisitos objetivos que de</p><p>fato existem, acreditando estar diante de uma</p><p>situação que se fosse real legitimaria a conduta,</p><p>havendo um erro de tipo permissivo.</p><p>○ Situação: o sujeito foi traído pela esposa e</p><p>acredita que possa defender a honra</p><p>matando a esposa (legítima defesa da</p><p>honra). Percebam que, nesse caso, ele não</p><p>tinha uma falsa percepção da realidade</p><p>quanto a circunstâncias de fato que se</p><p>existissem legitimaram sua conduta, mas</p><p>quanto a própria existência de uma norma</p><p>permissiva que ele acreditava haver.</p><p>● Legítima defesa sucessiva: quando alguém inicia</p><p>uma conduta estando amparado pela legítima</p><p>defesa passa a agir em excesso, agindo então de</p><p>forma injusta. Assim, isso legitima que o outro</p><p>venha a repelir a injusta agressão.</p><p>● Erro na execução: Imagine a seguinte situação:</p><p>um sujeito vem na direção dele para agredi-lo com</p><p>arma em punho, por exemplo, e ele, para repelir</p><p>161</p><p>injusta agressão, efetua um disparo de arma de</p><p>fogo, mas esse disparo de arma de fogo acaba</p><p>acertando um terceiro, de modo que ele acabou</p><p>matando alguém que não praticou qualquer</p><p>injusta agressão. Nessa situação, vai haver o erro na</p><p>execução → artigo 73 do Código Penal141. Nesse</p><p>caso, irá considerar como se tivesse acertado a</p><p>pessoa que praticava injusta agressão.</p><p>● Excesso exculpante: no Código Penal de 1969</p><p>(houve uma reforma em 81), havia a previsão do</p><p>excesso exculpante, de modo que não seria</p><p>reprovável, ante as suas circunstâncias (medo,</p><p>surpresa e perturbação de ânimo), o excesso</p><p>proveniente da legítima defesa. Pode-se dizer que</p><p>o sujeito não se valeu dos meios moderados por</p><p>inexigibilidade de conduta diversa, afastando a</p><p>culpabilidade, sendo o excesso exculpante.</p><p>Atualmente, não há essa previsão no Código Penal,</p><p>porém se pode aplicar essa hipótese como causa</p><p>supralegal de exclusão da culpabilidade.</p><p>● Legítima defesa da honra:</p><p>o A tese da legítima defesa da honra é</p><p>inconstitucional, por contrariar os princípios</p><p>da dignidade da pessoa humana, da</p><p>proteção à vida e da igualdade de gênero.</p><p>141 Art. 73 - Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, ao invés de atingir</p><p>a pessoa que pretendia ofender, atinge pessoa diversa, responde como se tivesse praticado o crime</p><p>contra aquela, atendendo-se ao disposto no § 3º do art. 20 deste Código. No caso de ser também</p><p>atingida a pessoa que o agente pretendia ofender, aplica-se a regra do art. 70 deste Código.</p><p>Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a</p><p>punição por crime culposo, se previsto em lei. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>§ 3 º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. Não se</p><p>consideram, neste caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa contra quem o</p><p>agente queria praticar o crime. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>162</p><p>o Ao apreciar medida cautelar em ADPF, o STF</p><p>decidiu que:</p><p>a) a tese da legítima defesa da honra é</p><p>inconstitucional, por contrariar os princípios</p><p>constitucionais da dignidade da pessoa</p><p>humana (art. 1º, III, da CF/88), da proteção à</p><p>vida e da igualdade de gênero (art. 5º, da</p><p>CF/88);</p><p>b) deve ser conferida interpretação conforme</p><p>à Constituição ao art. 23, II e art. 25, do CP e</p><p>ao art. 65 do CPP, de modo a excluir a</p><p>legítima defesa da honra do</p><p>âmbito do</p><p>instituto da legítima defesa; e</p><p>c) a defesa, a acusação, a autoridade policial</p><p>e o juízo são proibidos de utilizar, direta ou</p><p>indiretamente, a tese de legítima defesa da</p><p>honra (ou qualquer argumento que induza à</p><p>tese) nas fases pré-processual ou processual</p><p>penais, bem como durante julgamento</p><p>perante o tribunal do júri, sob pena de</p><p>nulidade do ato e do julgamento.</p><p>STF. Plenário. ADPF 779 MC-Ref/DF, Rel. Min.</p><p>Dias Toffoli, julgado em 13/3/2021 (Info 1009).</p><p>● Ofendículas ou ofendículos (instrumentos de</p><p>proteção prévia)142:</p><p>○ Natureza jurídica: a legítima defesa</p><p>pressupõe uma repulsa a uma injusta</p><p>agressão atual ou iminente e não futura. No</p><p>caso dos ofendículos, a agressão é futura.</p><p>■ 1ª corrente: os ofendículos seriam</p><p>exercício regular do direito.</p><p>142 Exemplo: cerca elétrica.</p><p>163</p><p>■ 2ª corrente: os ofendículos seriam</p><p>legítima defesa pré-ordenada, de</p><p>modo que há a preparação de uma</p><p>situação de defesa que ainda não é</p><p>utilizada, exceto se a injusta agressão é</p><p>praticada.</p><p>■ 3ª corrente (majoritária): os</p><p>ofendículos, quando instalados,</p><p>seriam exercício regular do direito,</p><p>porém quando acionados seriam</p><p>legítima defesa pré-ordenada.</p><p>iii. Estrito cumprimento do dever legal: é necessário que o</p><p>sujeito esteja praticando uma ordem legal.</p><p>● Requisitos:</p><p>○ Cumprimento estrito do que é permitido,</p><p>não podendo haver excessos.</p><p>○ Obrigação legal de praticar determinado ato.</p><p>● Poder familiar é dever legal?</p><p>○ 1ª corrente (Assis Toledo- majoritária): sim.</p><p>○ 2ª corrente (Noronha): não, o poder familiar é</p><p>exercício regular do direito.</p><p>● Agente de segurança pública que mata em um</p><p>confronto</p><p>○ Não existe dever legal, mas legítima defesa</p><p>própria ou de de terceiros. Existe dever legal</p><p>de matar alguém no Brasil?</p><p>○ Sim, no caso de guerra declarada.</p><p>● Tipicidade conglobante: é composta pela</p><p>tipicidade formal, material e antinormatividade143.</p><p>Se o sujeito age conforme determinado pelo</p><p>143 O que determina ou fomenta a norma.</p><p>164</p><p>Estado, não pode considerar que tenha uma</p><p>conduta típica.</p><p>iv. Exercício regular do direito</p><p>● Abrange todas as autorizações legais e</p><p>regulamentações infralegais, diferente do estrito</p><p>cumprimento do dever legal que decorre de uma</p><p>imposição legal.</p><p>● Limite: teoria do abuso do direito → se abusar do</p><p>direito, terá excesso, de forma que irá responder</p><p>pelo excesso.</p><p>○ Exemplo: morder a orelha de alguém</p><p>durante uma partida de boxe é um excesso,</p><p>porque viola as regras do esporte, de tal</p><p>maneira que irá responder por lesão</p><p>corporal.</p><p>● Exemplo: lesões causadas pelo boxe.</p><p>● Intervenções cirúrgicas: Intervenções cirúrgicas</p><p>são uma lesão, alteram a forma original do corpo</p><p>humano, mas é o médico exercendo regulamente</p><p>seu direito. O médico quando quebra um osso</p><p>propositadamente do paciente para ajeitá-lo</p><p>pratica uma lesão corporal, mas não responderá</p><p>por ela por causa da excludente do exercício</p><p>regular do direito.</p><p>● Práticas desportivas: Nas práticas desportivas a</p><p>regularidade do direito exercido reside nas regras</p><p>do desporto a ser exercido pelo agente. Existem</p><p>esportes que têm ínsita à violência. Por exemplo,</p><p>MMA, boxe, etc. Boxe consiste em atingir seu</p><p>adversário até que o mesmo caia e não consiga</p><p>levantar mais por dez segundos. Um agente que</p><p>desfere um soco no adversário e o mata não</p><p>165</p><p>responde pela morte deste, já que foi no exercício</p><p>da regra do esporte. O boxer também não</p><p>responde por lesão corporal dentro das regras do</p><p>boxe.</p><p>● Ofendículos: Há corrente doutrinária que defende</p><p>que ofendículos constituem exercício regular do</p><p>direito. Ao serem instaladas, o agente está</p><p>exercendo o direito de proteção da sua vida,</p><p>integridade física, do seu patrimônio. É uma</p><p>corrente minoritária, mas defendida por Aníbal</p><p>Bruno.</p><p>v. Consentimento do ofendido</p><p>● Natureza jurídica: a regra é que é uma causa</p><p>supralegal de exclusão da ilicitude de tal maneira</p><p>que não previsto no ordenamento jurídico. Porém,</p><p>pode ser excludente da tipicidade, quando o</p><p>dissenso for elementar do tipo penal.</p><p>● Requisitos</p><p>○ Livre consentimento;</p><p>○ Compreensão da vítima de que ele está</p><p>submetido a uma agressão e consente com</p><p>essa agressão.</p><p>■ Exemplo: Big Brother Brasil → no jogo</p><p>da discórdia um dos participantes</p><p>jogou água com balde no sujeito</p><p>batendo na cabeça do participante.</p><p>Quando o participante participa do</p><p>jogo da discórdia, ele consente a</p><p>agressão a sua honra.</p><p>166</p><p>25. Culpabilidade</p><p>a.Conceito</p><p>i. Não é um conceito unívoco, podendo ser visto em</p><p>diversas facetas.</p><p>● Qual conceito adotar?</p><p>○ A culpabilidade é um juízo de reprovação</p><p>imputado a um autor de um fato típico e</p><p>ilícito, que, podendo se comportar conforme</p><p>o ordenamento jurídico, optou, livremente,</p><p>por agir em desconformidade, sendo</p><p>necessária a aplicação de pena.</p><p>b. Facetas da culpabilidade</p><p>i. Culpabilidade enquanto princípio do Direito Penal</p><p>limitador da responsabilidade penal objetiva: pelo</p><p>princípio da culpabilidade, somente pode atribuir crime</p><p>a alguém se essa pessoa praticou um fato, à título doloso</p><p>ou culposo, que causou um resultado criminoso.</p><p>ii. Culpabilidade como sendo o grau de reprovabilidade</p><p>do agente para medida de aplicação da pena-base:</p><p>art 59, CP144</p><p>144 Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade</p><p>do agente, aos motivos, às circunstâncias e conseqüências do crime, bem como ao comportamento</p><p>da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para reprovação e prevenção do</p><p>crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>I - as penas aplicáveis dentre as cominadas; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>II - a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites previstos; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de</p><p>11.7.1984)</p><p>III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade; (Incluído pela Lei nº 7.209, de</p><p>11.7.1984)</p><p>IV - a substituição da pena privativa de liberdade aplicada, por outra espécie de pena, se cabível.</p><p>(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>167</p><p>iii. Culpabilidade enquanto elemento do crime ou</p><p>pressuposto de aplicação da pena145 (faceta importante</p><p>para essa aula): delimitação do comportamento do</p><p>criminoso como algo desejado e controlado e, por isso,</p><p>capaz de ser reprovado.</p><p>c. Conceito de culpabilidade</p><p>i. Nesse ponto, o professor aconselha revisar a aula 7</p><p>(teorias e exclusão da conduta).</p><p>● Teoria psicológica da culpabilidade (Teoria</p><p>clássica da conduta): está dentro da teoria</p><p>clássica da conduta. O que o une o fato e o autor é</p><p>uma relação dolosa/culposa, sendo analisada na</p><p>culpabilidade.</p><p>■ Culpabilidade é elemento do crime →</p><p>imputabilidade é pressuposto de</p><p>culpabilidade146 → dolo e culpa é uma</p><p>forma de manifestação da</p><p>culpabilidade.</p><p>■ Teoria tripartida do delito (fato típico,</p><p>ilícito e culpável)</p><p>● Teoria psicológico-normativa (Período</p><p>neokantista): a conduta é reprovável, de modo</p><p>que, para análise da reprovabilidade, deve analisar</p><p>se era exigível do autor outra conduta que não</p><p>aquela que ele praticou (exigibilidade de conduta</p><p>diversa)147 148. Nesse ponto, há os seguintes</p><p>148 Atenção! O elemento da culpabilidade é a EXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA, tendo em vista</p><p>que a INEXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA é uma excludente de culpabilidade</p><p>147 Elemento normativo.</p><p>146 Atenção a isso!</p><p>145 Conforme a teoria que utiliza.</p><p>168</p><p>elementos da culpabilidade: (I) imputabilidade; (II)</p><p>exigibilidade de conduta diversa e (III) dolo e culpa.</p><p>○ Nesse momento, o dolo já tinha a</p><p>consciência atual da ilicitude, de modo que</p><p>deveria provar que o sujeito estava agindo de</p><p>forma contrária ao ordenamento jurídico.</p><p>○ Teoria tripartida do delito.</p><p>● Teoria normativa-pura (Período finalista)</p><p>○ Conduta: é um ato humano com o objetivo</p><p>de produzir um resultado.</p><p>○ Culpabilidade: é censura ou reprovação da</p><p>ação do sujeito, não possuindo qualquer</p><p>liame psicológico. Alguns autores chamam</p><p>essa culpabilidade de: "culpabilidade vazia" →</p><p>retira os elementos psicológicos.</p><p>■ Dentro da culpabilidade, há a: (I)</p><p>potencial consciência da</p><p>ilicitude; (II)</p><p>imputabilidade e (III) exigibilidade de</p><p>conduta diversa.</p><p>■ O conceito de culpabilidade pode ser</p><p>estabelecido nesse momento.</p><p>○ Todos os elementos psicológicos foram</p><p>retirados para o fato típico.</p><p>○ Dolo: não possui elementos normativos,</p><p>sendo um dolo puramente natural (dolo</p><p>acromático).</p><p>○ Nesse momento, surge a discussão: o crime</p><p>é um fato típico e ilícito ou um fato típico,</p><p>ilícito e culpável?149</p><p>○ O Código Penal adota essa teoria.</p><p>149 Prevalece, atualmente, que o crime é um fato típico, ilícito e culpável.</p><p>169</p><p>d.Pontos relevantes acerca da culpabilidade</p><p>i. A culpabilidade é do fato e não do autor, sendo um juízo</p><p>de reprovação do autor pelo que ele fez e não pelo o que</p><p>ele representa.</p><p>ii. Jakobs traz um conceito de culpabilidade. O autor, pela</p><p>teoria funcional da culpabilidade, diz que a</p><p>culpabilidade é a falta de fidelidade do autor do fato</p><p>típico e ilícito ao ordenamento jurídico.</p><p>e. Elementos da culpabilidade</p><p>Antes de começar a falar de cada elemento, deve-se pensar</p><p>que a análise de cada elemento da culpabilidade deve ser feita</p><p>de forma hierárquica, ou seja, somente se pode analisar, por</p><p>exemplo, o segundo elemento se presente o primeiro. A ordem</p><p>que se deve seguir é a seguinte:</p><p>1º: Imputabilidade;</p><p>2º: potencial consciência da ilicitude;</p><p>3º: exigibilidade de conduta diversa.</p><p>i. Imputabilidade</p><p>● Conceito: possibilidade de se atribuir a alguém a</p><p>responsabilidade pelo delito. Com isso, o agente</p><p>deve possuir a plena capacidade de compreender</p><p>o caráter ilícito dos seus atos, de modo que, de</p><p>acordo com sua compreensão, é capaz de agir</p><p>conforme essa compreensão anterior.</p><p>170</p><p>● Artigo 26, CP150</p><p>● Artigo 27, CP151</p><p>● Artigo 28, §1º, CP152</p><p>○ Elementos da imputabilidade</p><p>■ Plena capacidade mental do agente</p><p>para entender o caráter ilícito do fato</p><p>(elemento intelectivo);</p><p>■ Capacidade de autodeterminar sua</p><p>vontade (elemento volitivo);</p><p>○ Qual o momento de verificação da</p><p>culpabilidade?</p><p>■ É o momento da ação ou omissão.</p><p>➢ Art. 26 - É isento de pena o</p><p>agente que, por doença mental</p><p>ou desenvolvimento mental</p><p>incompleto ou retardado, era, ao</p><p>tempo da ação ou da omissão,</p><p>inteiramente incapaz de</p><p>entender o caráter ilícito do fato</p><p>ou de determinar-se de acordo</p><p>com esse entendimento.</p><p>152 § 1 º - É isento de pena o agente que, por embriaguez completa, proveniente de caso fortuito ou</p><p>força maior, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito</p><p>do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de</p><p>11.7.1984)</p><p>151 Art. 27 - Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis, ficando sujeitos às</p><p>normas estabelecidas na legislação especial. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>150 Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental</p><p>incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o</p><p>caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. (Redação dada pela</p><p>Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>Redução de pena</p><p>Parágrafo único - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, em virtude de</p><p>perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou retardado não era</p><p>inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse</p><p>entendimento. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>171</p><p>■ E se houver superveniência de doença</p><p>mental após a prática da conduta?</p><p>➢ Exemplo: no momento do</p><p>julgamento verificaram que ele</p><p>era doente mental, porém, no</p><p>momento da ação ou omissão, o</p><p>sujeito não possuía doença</p><p>mental.</p><p>➢ A superveniência de doença</p><p>mental não exclui a</p><p>culpabilidade, sendo um regra</p><p>de tratamento previsto no artigo</p><p>41, CP153. Perceba que não há</p><p>uma absolvição imprópria, de</p><p>modo que o sujeito continua a</p><p>ser condenado.</p><p>■ Imagine o seguinte: o sujeito tinha 16</p><p>anos quando foi praticado o fato,</p><p>porém, no julgamento, possuía 19</p><p>anos.</p><p>➢ Nesse caso, o sujeito será</p><p>inimputável, já que, durante a</p><p>prática do fato, ainda havia a</p><p>menoridade.</p><p>● Critérios de verificação da imputabilidade</p><p>○ Biológico: deve-se valer tão somente de</p><p>questões de ordem biológica para atestar se</p><p>o sujeito é imputável ou não. Assim, não se</p><p>verifica se o sujeito é capaz ou não de</p><p>reconhecer o fato como ilícito, sendo</p><p>153 Art. 41 - O condenado a quem sobrevém doença mental deve ser recolhido a hospital de custódia</p><p>e tratamento psiquiátrico ou, à falta, a outro estabelecimento adequado.</p><p>172</p><p>somente uma análise biológica. Existem</p><p>alguns autores que falam que a menoridade</p><p>utiliza um critério cronológico e outros</p><p>autores defendem que a menoridade utiliza</p><p>um critério biológico. Assim, a menoridade</p><p>pode ser apontada como uma hipótese de</p><p>exclusão da culpabilidade por meio de um</p><p>critério biológico.</p><p>○ Psicológico: não importa se o sujeito é</p><p>doente mental ou não para se averiguar a</p><p>imputabilidade. Logo, verifica se o sujeito é</p><p>capaz ou não de reconhecer o caráter ilícito</p><p>do fato.</p><p>■ Questiona-se: existe previsão, no</p><p>Código Penal, do critério psicológico?</p><p>● Sim, basta ver o artigo 28,</p><p>§1º, CP154.</p><p>○ Biopsicológico: é o critério adotado pelo</p><p>Código Penal no artigo 26, CP. Esse critério</p><p>utiliza questões de ordem biológica e</p><p>psicológica.</p><p>Art. 26 - É isento de pena o</p><p>agente que, por doença mental</p><p>ou desenvolvimento mental</p><p>incompleto ou retardado</p><p>(hipótese biológica), era, ao</p><p>tempo da ação ou da omissão,</p><p>inteiramente incapaz de</p><p>entender o caráter ilícito do fato</p><p>154 § 1º - É isento de pena o agente que, por embriaguez completa, proveniente de caso fortuito ou</p><p>força maior, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito</p><p>do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.</p><p>173</p><p>ou de determinar-se de acordo</p><p>com esse entendimento</p><p>(hipótese psicológica)</p><p>○ Cronológico: a menoridade pode ser um</p><p>critério de ordem cronológica.</p><p>Observação: A menoridade está prevista no</p><p>artigo 27, CP (57:18) e no artigo 228, CF/88</p><p>(57:21).</p><p>Art. 27 - Os menores de 18 (dezoito) anos são</p><p>penalmente inimputáveis, ficando sujeitos às</p><p>normas estabelecidas na legislação especial.</p><p>Art. 228. São penalmente inimputáveis os</p><p>menores de dezoito anos, sujeitos às normas</p><p>da legislação especial.</p><p>● Causas de exclusão da culpabilidade baseadas</p><p>na imputabilidade</p><p>○ Menoridade (artigo 27, CP c/c artigo 228,</p><p>CF/88): é uma causa de exclusão da</p><p>culpabilidade absoluta, de tal maneira que</p><p>não admite prova em sentido contrário,</p><p>porque se adota o critério biológico e não</p><p>psicológico.</p><p>■ Como se faz prova da imputabilidade</p><p>baseada na menoridade?</p><p>➢ Por meio de qualquer</p><p>documento hábil (súmula 74</p><p>STJ155</p><p>155 Para efeitos penais, o reconhecimento da menoridade do réu requer prova por documento hábil.</p><p>174</p><p>■ A emancipação civil não produz efeitos</p><p>no campo penal.</p><p>■ É constitucional fazer uma redução</p><p>da maioridade penal?</p><p>➢ 1ª corrente: o artigo 228, CP é um</p><p>cláusula pétrea implícita, porque</p><p>se trata de direito fundamental,</p><p>de modo que seria</p><p>inconstitucional.</p><p>➢ 2ª corrente: o artigo 228, CP não</p><p>é cláusula pétrea, podendo ser</p><p>alterado por emenda</p><p>constitucional.</p><p>■ O ordenamento jurídico brasileiro</p><p>prevê, em alguma hipótese, a</p><p>responsabilidade penal do menor de</p><p>18 anos?</p><p>➢ Sim, o Código Penal militar prevê</p><p>no artigo 50 que:</p><p>Art. 50. O menor de dezoito anos é</p><p>inimputável, salvo se, já tendo</p><p>completado dezesseis anos, revela</p><p>suficiente desenvolvimento psíquico</p><p>para entender o caráter ilícito do fato</p><p>e determinar-se de acordo com este</p><p>entendimento. Neste caso, a pena</p><p>aplicável é diminuída de um terço até</p><p>a metade.</p><p>● Essa previsão do Código</p><p>Penal militar é</p><p>constitucional?</p><p>175</p><p>○ Não, esse artigo não</p><p>foi recepcionado</p><p>pela Constituição de</p><p>1988.</p><p>○ Doença mental permanente ou transitória:</p><p>■ Doença mental são todos os distúrbios</p><p>patológicos que interferem na</p><p>capacidade mental do agente. É</p><p>interessante apontar que um sujeito</p><p>pode ter uma pneumonia,</p><p>por</p><p>exemplo, que interfere na sua</p><p>capacidade mental. Ainda,</p><p>dependentes de substância</p><p>entorpecentes são considerados</p><p>doentes mental.</p><p>■ Intervalos de lucidez: o sujeito pode ser</p><p>diagnosticado com uma doença</p><p>mental, de modo que, em regra, não</p><p>possui capacidade de discernir, porém</p><p>há momentos que possui lucidez.</p><p>➢ Assim, questiona-se: o sujeito</p><p>que pratica um fato criminoso</p><p>no momento de lucidez será</p><p>considerado culpado?</p><p>● Sim.</p><p>■ Forma de aferição da doença mental:</p><p>perícia.</p><p>➢ Imagine que não é uma perícia</p><p>conclusiva, porém há outros</p><p>elementos que indicam que o</p><p>sujeito era incapaz de entender o</p><p>caráter ilícito do fato. Nesse caso,</p><p>176</p><p>o magistrado pode considerar</p><p>que o sujeito era inimputável.</p><p>➢ Artigo 149, CPP a 154, CPP156</p><p>➢ Não é obrigatória, segundo a</p><p>jurisprudência, a submissão do</p><p>réu a exame de insanidade</p><p>mental, porque será produzida</p><p>uma prova a seu favor.</p><p>a. Atenção: O incidente de</p><p>insanidade mental é prova</p><p>pericial constituída em</p><p>favor da defesa. Logo, não</p><p>é possível determiná-lo</p><p>compulsoriamente na</p><p>hipótese em que a defesa</p><p>se oponha à sua realização.</p><p>156 Art. 149. Quando houver dúvida sobre a integridade mental do acusado, o juiz ordenará, de ofício</p><p>ou a requerimento do Ministério Público, do defensor, do curador, do ascendente, descendente,</p><p>irmão ou cônjuge do acusado, seja este submetido a examemédico-legal.</p><p>§ 1o O exame poderá ser ordenado ainda na fase do inquérito, mediante representação da</p><p>autoridade policial ao juiz competente.</p><p>§ 2o O juiz nomeará curador ao acusado, quando determinar o exame, ficando suspenso o processo,</p><p>se já iniciada a ação penal, salvo quanto às diligências que possam ser prejudicadas pelo adiamento.</p><p>Art. 150. Para o efeito do exame, o acusado, se estiver preso, será internado em manicômio</p><p>judiciário, onde houver, ou, se estiver solto, e o requererem os peritos, em estabelecimento</p><p>adequado que o juiz designar.</p><p>§ 1o O exame não durará mais de quarenta e cinco dias, salvo se os peritos demonstrarem a</p><p>necessidade de maior prazo.</p><p>§ 2o Se não houver prejuízo para a marcha do processo, o juiz poderá autorizar sejam os autos</p><p>entregues aos peritos, para facilitar o exame.</p><p>Art. 151. Se os peritos concluírem que o acusado era, ao tempo da infração, irresponsável nos termos</p><p>do art. 22 do Código Penal, o processo prosseguirá, com a presença do curador.</p><p>Art. 152. Se se verificar que a doença mental sobreveio à infração o processo continuará suspenso</p><p>até que o acusado se restabeleça, observado o § 2o do art. 149.</p><p>§ 1o O juiz poderá, nesse caso, ordenar a internação do acusado em manicômio judiciário ou em</p><p>outro estabelecimento adequado.</p><p>§ 2o O processo retomará o seu curso, desde que se restabeleça o acusado, ficando-lhe assegurada</p><p>a faculdade de reinquirir as testemunhas que houverem prestado depoimento sem a sua presença.</p><p>Art. 153. O incidente da insanidade mental processar-se-á em auto apartado, que só depois da</p><p>apresentação do laudo, será apenso ao processo principal.</p><p>Art. 154. Se a insanidade mental sobrevier no curso da execução da pena, observar-se-á o disposto</p><p>no art. 682.</p><p>177</p><p>STF. 2ª Turma. HC</p><p>133.078/RJ, Rel. Min.</p><p>Cármen Lúcia, julgado em</p><p>6/9/2016 (Info 838).</p><p>- Em 2020, a 6ª Turma do</p><p>STJ proferiu decisão em</p><p>que O reconhecimento da</p><p>inimputabilidade ou</p><p>semi-imputabilidade do</p><p>réu depende da prévia</p><p>instauração de incidente</p><p>de insanidade mental e do</p><p>respectivo exame</p><p>médico-legal nele previsto:</p><p>i. O art. 149 do CPP, ao</p><p>exigir que o acusado</p><p>seja submetido a</p><p>exame médico-legal,</p><p>não contempla</p><p>hipótese de prova</p><p>legal ou tarifada. A</p><p>despeito disso, a</p><p>partir de uma</p><p>interpretação</p><p>sistemática das</p><p>normais processuais</p><p>penais que regem a</p><p>matéria, deve-se</p><p>concluir que o</p><p>reconhecimento da</p><p>inimputabilidade ou</p><p>semi-imputabilidade</p><p>178</p><p>do réu (art. 26, caput</p><p>e parágrafo único do</p><p>CP) depende da</p><p>prévia instauração</p><p>de incidente de</p><p>insanidade mental e</p><p>do respectivo exame</p><p>médico-legal nele</p><p>previsto. Vale</p><p>ressaltar, por fim,</p><p>que o magistrado</p><p>poderá discordar das</p><p>conclusões do laudo,</p><p>desde que o faça por</p><p>meio de decisão</p><p>devidamente</p><p>fundamentada. (STJ.</p><p>6ª Turma. REsp</p><p>1802845-RS, Rel. Min.</p><p>Sebastião Reis</p><p>Júnior, julgado em</p><p>23/06/2020 -</p><p>Informativo 675).</p><p>■ Inimputabilidade por doença mental e</p><p>procedimento:</p><p>➢ A inimputabilidade ou a</p><p>semi-imputabilidade do agente</p><p>não pode impedir de receber</p><p>tratamento processual mais</p><p>benéfico como as medidas</p><p>despenalizadoras da Lei 9.099</p><p>(STF. 2ª Turma. HC 145.875; SP;</p><p>179</p><p>Rel. Min. Edson Fachin; DJE</p><p>16/12/2022).157</p><p>○ Embriaguez</p><p>■ A embriaguez, em regra, não exclui a</p><p>imputabilidade penal.158</p><p>■ A embriaguez não é somente em</p><p>relação ao álcool, mas também em</p><p>relação ao uso de entorpecentes</p><p>(artigo 45 e 46, da Lei de Drogas)159.</p><p>159 Art. 45. É isento de pena o agente que, em razão da dependência, ou sob o efeito, proveniente de</p><p>caso fortuito ou força maior, de droga, era, ao tempo da ação ou da omissão, qualquer que tenha</p><p>sido a infração penal praticada, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de</p><p>determinar-se de acordo com esse entendimento.</p><p>Parágrafo único. Quando absolver o agente, reconhecendo, por força pericial, que este apresentava,</p><p>à época do fato previsto neste artigo, as condições referidas no caput deste artigo, poderá</p><p>determinar o juiz, na sentença, o seu encaminhamento para tratamento médico adequado.</p><p>Art. 46. As penas podem ser reduzidas de um terço a dois terços se, por força das circunstâncias</p><p>previstas no art. 45 desta Lei, o agente não possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a plena</p><p>capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse</p><p>entendimento.</p><p>158 Art. 28, CP - Não excluem a imputabilidade penal: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>I - a emoção ou a paixão; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>Embriaguez</p><p>II - a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos análogos. (Redação</p><p>dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>§ 1 º - É isento de pena o agente que, por embriaguez completa, proveniente de caso fortuito ou</p><p>força maior, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito</p><p>do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de</p><p>11.7.1984)</p><p>§ 2 º - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, por embriaguez, proveniente de</p><p>caso fortuito ou força maior, não possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a plena capacidade de</p><p>entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. (Redação</p><p>dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>157 De acordo com o STF, não há justificativa legal para vedar a utilização dos institutos</p><p>negociais ao agente inimputável ou semi-imputável: a uma, porque a vedação não</p><p>concretiza os direitos assegurados às pessoas com deficiência; a duas, porque o silêncio da</p><p>Lei 9.099/95 não deve ser interpretado como óbice em desfavor do autor do fato ou</p><p>acusado; a três, porque o Código Penal e o Código de Processo Penal são como fontes</p><p>subsidiárias da Lei dos Juizados Especiais Criminais.</p><p>Logo, a falta de higidez mental do inimputável ou semi-imputável não pode impedi-los de</p><p>receber tratamento processual mais benéfico, sendo possível fazê-lo mediante a</p><p>nomeação de curador especial. Essa, sim, é a adaptação processual adequada para</p><p>viabilizar o efetivo acesso à Justiça, em igualdade de condições com acusados que</p><p>possuem capacidade de entender o caráter ilícito do fato.</p><p>180</p><p>■ A embriaguez patológica é</p><p>considerada doença mental, sendo</p><p>considerada inimputável em razão do</p><p>artigo 26, CP.</p><p>■ Espécies de embriaguez</p><p>➢ Embriaguez voluntária: é aquela</p><p>que ocorre por vontade do</p><p>agente, dizendo respeito a tão</p><p>somente a vontade de ficar</p><p>embriagado.</p><p>➢ Embriaguez culposa: a ingestão</p><p>do álcool ou de substância</p><p>análoga é voluntária, porém o</p><p>sujeito não tinha desejo de se</p><p>embriagar.</p><p>➢ Embriaguez acidental ou</p><p>involuntária: ocorre por conta de</p><p>caso fortuito ou força maior,</p><p>quando, por exemplo, o sujeito</p><p>fica embriagado pela ingestão</p><p>de determinada substância que</p><p>não sabia que era capaz de</p><p>causar embriaguez.160 Para</p><p>excluir a imputabilidade, devem</p><p>estar presentes os requisitos do</p><p>artigo 28, §1º, CP.</p><p>➢ Embriaguez completa: atingiu as</p><p>últimas fases da embriaguez,</p><p>tornando sujeito incapaz de</p><p>160 Inalação de vapor tóxico em um ambiente de trabalho.</p><p>181</p><p>discernir sobre seus atos. Essa</p><p>embriaguez atinge a 1ª e 2ª fase.</p><p>➢ Embriaguez incompleta: não</p><p>atinge a 2ª fase da embriaguez.</p><p>➢ Embriaguez preordenada: é uma</p><p>circunstância agravante (artigo</p><p>61, II, l, CP161). O sujeito se</p><p>embriaga com a finalidade de</p><p>afastar o que o inibia de praticar</p><p>o crime ("afastamento dos freios</p><p>inibitórios").</p><p>Fases da embriaguez:</p><p>1ª: desinibição;</p><p>2ª: agitação;</p><p>3ª: comatosa.</p><p>Observação: A embriaguez somente afasta a</p><p>inimputabilidade quando for acidental e</p><p>completa.</p><p>● Teoria da actio libera in causa: o</p><p>agente, de modo consciente, põe-se</p><p>em estado de inimputabilidade, sendo</p><p>desejável ou previsível o cometimento</p><p>de uma ação ou omissão punível em</p><p>nosso ordenamento jurídico, não se</p><p>podendo alegar inconsciência do ilícito</p><p>no momento do fato, pois a</p><p>161 Art. 61 - São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não constituem ou qualificam o</p><p>crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>II - ter o agente cometido o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>l) em estado de embriaguez preordenada.</p><p>182</p><p>consciência do agente existia antes de</p><p>se colocar em estado de</p><p>inimputabilidade.</p><p>○ O agente podia e devia adotar</p><p>medidas para não se colocar em</p><p>estado de embriaguez. Logo,</p><p>deve-se verificar a capacidade de</p><p>discernimento do sujeito no</p><p>momento anterior a</p><p>embriaguez.</p><p>○ Embriaguez voluntária ou</p><p>culposa – responsabilidade do</p><p>agente, ainda que, no momento</p><p>da ação ou da omissão, não</p><p>tenha capacidade de</p><p>entendimento ou de</p><p>autodeterminação – teoria da</p><p>actio libera in causa (AgInt no</p><p>REsp 1.548.520/MG, Rel. Ministro</p><p>SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA</p><p>TURMA, julgado em 07/06/2016,</p><p>DJe 22/06/2016; sem grifos no</p><p>original)</p><p>● A embriaguez involuntária/acidental e</p><p>incompleta: haverá redução da pena</p><p>de ⅓ a ⅔, de modo que o STJ entende</p><p>que deve haver uma fundamentação</p><p>idônea para reduzir abaixo desse</p><p>patamar.</p><p>ii. Potencial consciência da ilicitude</p><p>● Conceito: possibilidade do agente de conhecer</p><p>que os atos são ilícitos. Com a Teoria Normativa</p><p>183</p><p>Pura, o dolo foi deslocado para o fato típico,</p><p>deixando a potencial consciência da ilicitude na</p><p>culpabilidade, sendo uma consciência potencial,</p><p>ou seja, a partir do homemmédio, é verificada sem</p><p>qualquer necessidade de conhecimento</p><p>específico.</p><p>● Teorias que explicam a potencial consciência da</p><p>ilicitude</p><p>○ Critério formal: o sujeito tinha a capacidade</p><p>de prever que determinado fato é crime</p><p>previsto em lei.</p><p>○ Critério material: o sujeito tem capacidade</p><p>de prever a ilicitude de sua conduta no</p><p>âmbito do conteúdo (objeto da conduta</p><p>realizada), não analisando se a conduta está</p><p>prevista ou não no tipo penal.</p><p>○ Noção intermediária: o sujeito, para verificar</p><p>se há potencial consciência da ilicitude,</p><p>analisa se o ato é previsto em normas penais</p><p>ou atentatório à vida em comunidade.</p><p>● Valoração paralela na esfera do profano: para se</p><p>falar em potencial consciência da ilicitude, o</p><p>sujeito deve fazer uma análise de sua conduta, a</p><p>partir de seu conhecimento profano.</p><p>iii. Exigibilidade de conduta diversa</p><p>● Há um elemento puramente normativo, de modo</p><p>que deve analisar se pode exigir uma ação</p><p>diferente em comparação àquela que realizou.</p><p>Está ligada à liberdade psicológica do agente de</p><p>agir ou não.</p><p>● A exigibilidade de conduta diversa já é elemento</p><p>da culpabilidade desde a fase neokantista.</p><p>184</p><p>● A exigibilidade de conduta diversa implica</p><p>excludentes de culpabilidade que podem ser</p><p>legais (ex: coação moral irresistível e obediência</p><p>hierárquica) ou supralegais.</p><p>○ Artigo 22, CP162: a coação moral deve ser</p><p>irresistível. Caso seja resistível, será</p><p>atenuante (artigo 65, III, c, CP163</p><p>○ Artigo 22, CP: a obediência hierárquica deve</p><p>ser dada nos limites da ordem, não sendo</p><p>manifestamente ilegal. Além disso, a ordem</p><p>deve ser proveniente de superior hierárquico.</p><p>Caso não cumpra esses requisitos, será uma</p><p>atenuante (artigo 65, III, c , 2ª parte, CP)</p><p>○ Artigo 13, Lei 12850/13164 (23:06): crime</p><p>cometido por agente infiltrado. Nesse caso, é</p><p>uma hipótese de inexigibilidade de conduta</p><p>diversa.</p><p>○ Aborto cometido por médico quando a</p><p>gravidez decorre de estupro:</p><p>■ 1ª corrente (Rogério Greco - corrente</p><p>minoritária): considera que é um caso</p><p>de inexigibilidade de conduta diversa.</p><p>■ 2ª corrente (majoritária): considera que</p><p>é estado de necessidade, porque, para</p><p>164 Art. 13. O agente que não guardar, em sua atuação, a devida proporcionalidade com a finalidade</p><p>da investigação, responderá pelos excessos praticados.</p><p>Parágrafo único. Não é punível, no âmbito da infiltração, a prática de crime pelo agente infiltrado no</p><p>curso da investigação, quando inexigível conduta diversa.</p><p>163 Art. 65 - São circunstâncias que sempre atenuam a pena: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de</p><p>11.7.1984)</p><p>III - ter o agente: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>c) cometido o crime sob coação a que podia resistir, ou em cumprimento de ordem de autoridade</p><p>superior, ou sob a influência de violenta emoção, provocada por ato injusto da vítima;</p><p>162 Art. 22 - Se o fato é cometido sob coação irresistível (vis compulsiva) ou em estrita obediência a</p><p>ordem, não manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da</p><p>ordem</p><p>185</p><p>salvar a vida da mãe, acaba por</p><p>sacrificar um outro bem jurídico.</p><p>■ Causas supralegais de exclusão da</p><p>culpabilidade por inexigibilidade de</p><p>conduta diversa: não estão previstas</p><p>em lei de forma expressa, de modo</p><p>que tornam inexigível conduta diversa</p><p>do agente, não podendo o agente ser</p><p>considerado culpado.</p><p>● Exemplo: quando há o sacrifício de um</p><p>bem que não eram razoável em</p><p>detrimento de outro165 → posição</p><p>defendida por Cezar Bitencourt.</p><p>● Exemplo: excesso exculpante na</p><p>legítima defesa → o sujeito vai além do</p><p>que era necessário para repelir a</p><p>injusta agressão, sendo não possível</p><p>exigir outra conduta do sujeito em</p><p>determinado momento.166</p><p>● Exemplo: repelir agressão não</p><p>iminente e não atual167 → estará diante</p><p>de uma excludente de culpabilidade,</p><p>por inexigibilidade de conduta diversa.</p><p>167 Exemplo: um sujeito sabe que está prestes a morrer. Então, antecipa-se para já matar a pessoa.</p><p>166 Caso prático: Cunhado da Ana Hickmann efetuou mais disparos que devia para afastar a injusta</p><p>agressão.</p><p>165 Não pode ser considerado estado de necessidade.</p><p>186</p><p>f. Cláusula de consciência ou objeção de</p><p>consciência</p><p>i. Entende-se, por cláusula de consciência, quando o</p><p>sujeito possui convicções pessoais profundas que</p><p>determinam seu modo de agir.168</p><p>○ Nesse caso, a atuação do sujeito irá</p><p>repercutir na exigibilidade de conduta</p><p>diversa, excluindo culpabilidade.</p><p>ii. Questão que caiu no concurso de Delegado da Polícia</p><p>Federal: Considerando que o Direito Penal brasileiro</p><p>conforme a maior parte da doutrina adota a teoria</p><p>finalista que determina que o crime é um fato típico,</p><p>ilícito e culpável, responda às seguintes questões:</p><p>● 1)Diferencie e conceitue culpa e culpabilidade</p><p>● 2)Indique os elementos da culpa e da</p><p>culpabilidade</p><p>● 3) Discorra sobre a cláusula de consciência</p><p>○ Resposta: A cláusula de consciência é uma</p><p>causa supralegal de exclusão de</p><p>culpabilidade, ligada à inexigibilidade de</p><p>conduta diversa. Decorre da liberdade de</p><p>crença e da liberdade de consciência,</p><p>garantidas constitucionalmente. A cláusula</p><p>de consciência se manifesta por conta da</p><p>prática de um ato ou omissão penalmente</p><p>relevante, que não seria reprovável em razão</p><p>do preceito constitucional. Nesse diapasão,</p><p>com amparo na cláusula de consciência, tem</p><p>excluída sua culpabilidade penal, em razão</p><p>de inexigibilidade de conduta diversa, já que</p><p>168 Exemplo: sujeito segue uma religião que fala que ele tem</p><p>o Direito</p><p>Penal deve ser proporcional, justo, necessário e</p><p>democrático3 para ser legítimo. Essas ideias</p><p>influenciaram o Direito Penal atual.</p><p>e. Características do Direito Penal</p><p>Para conceituar Direito Penal, precisa verificar a presença de</p><p>determinadas características que irão reger o Direito Penal</p><p>moderno.</p><p>3 Pautado no princípio da legalidade.</p><p>2 Por que punitivismo? Porque ainda há ummomento de vingança.</p><p>14</p><p>i. Ciência normativa: o Direito Penal é baseado em um</p><p>ordenamento jurídico penal próprio baseado em regras e</p><p>princípios.</p><p>ii. Valorativo: o Direito Penal é estruturado com base em um</p><p>ordenamento jurídico penal criado com base em valores e</p><p>crenças. Ainda, a aplicação do ordenamento jurídico penal se</p><p>dá com base na análise valorativa das relações jurídicas da</p><p>sociedade.</p><p>iii. Sancionador4 (posição majoritária)***: o Direito Penal não cria</p><p>novas relações e bens jurídicos. O Direito Penal, a partir de</p><p>bens jurídicos já reconhecidos na sociedade, tipifica condutas</p><p>que sejam violadoras desses bens, estabelecendo sanções</p><p>(consequências típicas penais).</p><p>● Divergência (Zaffaroni) o Direito Penal não é</p><p>meramente sancionador, de modo que, apesar da</p><p>existência dessa característica, excepcionalmente, ele é</p><p>constitutivo. Essa concepção afasta a noção de Direito</p><p>Penal como intervenção mínima e ultima ratio, porque,</p><p>a partir dessas concepções, pressupõe-se que já deve</p><p>existir determinado bem jurídico. Dizer que o Direito</p><p>Penal é constitutivo significa apontar que há relações</p><p>jurídicas que não foram tuteladas por nenhum outro</p><p>ramo do Direito, exceto o Penal.</p><p>○ Exemplo: criação dos tipos penais</p><p>envolvendo omissão de socorro.</p><p>iv. Instrumental: o Direito Penal visa tutelar bens jurídicos</p><p>penalmente relevantes.</p><p>v. Fragmentário: o Direito Penal irá regular apenas fragmentos</p><p>da sociedade, ou seja, rege poucas relações jurídicas, sendo</p><p>aquelas em que o sujeito tenha violado uma norma proibitiva</p><p>através do qual se tentava proteger um bem jurídico relevante.</p><p>4 O Direito Penal não é constitutivo, porque não cria novas relações.</p><p>15</p><p>vi. Subsidiário: o Direito Penal somente irá intervir em condutas</p><p>mais graves, visando proteger bens jurídicos relevantes, de</p><p>modo que o Direito Penal somente deve atuar quando os</p><p>demais ramos do Direito não forem suficientes.</p><p>vii. Garantia: o Direito Penal é um Direito de proteção à vítima e</p><p>ao agressor. Ainda, deve lembrar que o Direito Penal é um</p><p>limitador da atuação do Estado.</p><p>f. Controle social</p><p>i. Conceito: manutenção de determinados padrões</p><p>estabelecidos em determinada sociedade. Para manter a</p><p>sociedade na forma que ela foi estabelecida, irá desenvolver</p><p>diversas ferramentas para manter o controle, ou seja, irá</p><p>manter todas as pessoas dentro da sociedade conforme os</p><p>padrões historicamente e culturalmente estabelecidos.</p><p>ii. Divisão do controle social</p><p>● Controle social informal: é o conjunto de mecanismos e</p><p>ferramentas presente em determinada sociedade com a</p><p>finalidade de manter o padrão daquela sociedade não</p><p>monopolizada ou não exercida por agentes do Estado</p><p>(exemplo: família, escola e igreja).</p><p>● Controle social formal: são as ferramentas, meios de</p><p>manutenção da sociedade quando exercidos pelo</p><p>próprio Estado.</p><p>○ Exemplo: o Congresso edita uma lei para agir</p><p>de determinada forma.</p><p>iii. O controle social varia conforme a sociedade.</p><p>iv. Criminalização: o Direito Penal é a ferramenta mais drástica</p><p>nas mãos do Estado para exercer o controle social.</p><p>16</p><p>g.Criminalização</p><p>i. Primária: seleção dos bens jurídicos mais relevantes para</p><p>determinada comunidade e reconhecimento das condutas</p><p>mais graves àquele bem jurídico abstrato.</p><p>ii. Secundária: quando o Estado é chamado a intervir em</p><p>concreto, exercendo o poder punitivo, isto é, aplicando o</p><p>Direito Penal que já foi criado em abstrato.</p><p>iii. Terciária: quando o sujeito está cumprindo pena.</p><p>h.Seletividade penal</p><p>i. A seletividade penal se dá em todas as fases da criminalização</p><p>e significa dizer que uma determinada sociedade é</p><p>representada pelo Congresso. Ainda, há os juízes e pessoas que</p><p>irão trabalhar na fase executória da pena. Assim, verifica-se que</p><p>o Direito Penal está sendo usado de forma utilitária para</p><p>perseguir determinados grupos.</p><p>● Na criminalização primária, a seletividade penal está</p><p>presente na criminalização de condutas que são mais</p><p>praticadas por determinados grupos. Além disso, basta</p><p>ver a penas menores dos crimes contra a ordem</p><p>tributária, por exemplo.</p><p>● Na criminalização secundária, a seletividade está</p><p>presente quando o Estado escolhe onde serão realizadas</p><p>determinadas ações penais.</p><p>● Na criminalização terciária, a seletividade está presente</p><p>no fato de que determinados presidiários têm mais</p><p>benefícios que outros.</p><p>i. Modelos de intervenção penal</p><p>i. Não justificacionistas: o Direito Penal não se justifica.</p><p>17</p><p>● Modelo de anarquismo penal: o que determina esse</p><p>modelo é a ausência do Direito Penal, visto que ele não</p><p>se justifica por ser uma forma de violência estatal. Logo,</p><p>as pessoas devem ter a possibilidade de se resolverem</p><p>por conta própria.</p><p>○ Crítica: possibilidade de retorno à vingança</p><p>privada.</p><p>● Modelo de abolicionismo minimalista: o Direito Penal</p><p>não se justifica, porém deve utilizá-lo apenas quando for</p><p>estritamente necessário.</p><p>ii. Justificacionista: o Direito Penal é necessário e se justifica,</p><p>desde que cumpra suas funções de Direito Penal democrático.</p><p>● Garantismo penal (Luigi Ferrajoli5): uma das</p><p>características do Direito penal moderno é ele ser</p><p>garantista, porque não é dado ao Estado o poder de</p><p>excluir a autonomia do indivíduo.</p><p>○ Luigi Ferrajoli diz que o Direito Penal para ser</p><p>legítimo deve seguir bases que irão garantir</p><p>alguns direitos àqueles que se submetem à</p><p>persecução penal.</p><p>○ Dez axiomas do Direito Penal elaborados por</p><p>Ferrajoli</p><p>■ nulla poena sine crimine: não pode</p><p>punir ninguém sem que tenha</p><p>cometido um crime.</p><p>■ nullum crimen sine lege: não há crime</p><p>sem lei.</p><p>■ nulla lex poenalis sine necessitate: diz</p><p>respeito à legitimidade da lei, de modo</p><p>que somente pode haver uma lei caso</p><p>seja necessária a criminalização da</p><p>5 Livro: Direito e razão.</p><p>18</p><p>conduta. Princípio intervenção</p><p>mínima.</p><p>■ nulla necessitas sine injuria: não terá</p><p>necessidade de criar tipos penais se</p><p>determinadas condutas não possuem</p><p>capacidade de ofender determinado</p><p>bem jurídico. Princípio da ofensividade.</p><p>■ nulla injuria sine actione: precisa</p><p>exteriorizar em atos a vontade de</p><p>ofender bens jurídicos.</p><p>■ nulla actio sine culpa: o sujeito tem</p><p>que praticar a conduta de forma</p><p>dolosa ou culposa.</p><p>■ Até aqui, esses axiomas estão</p><p>ligados ao Direito Penal material.</p><p>● Os axiomas de ordem</p><p>processual são os</p><p>seguintes:</p><p>■ nulla culpa sine judicio: só pode dizer</p><p>que alguém é culpado se houver uma</p><p>condenação. Há a necessidade de uma</p><p>ação penal (jurisdição penal).</p><p>■ nullum judicium sine accusatione: o</p><p>juízo é inerte, de modo que precisa de</p><p>uma movimentação, realizando uma</p><p>acusação que dará início a uma ação</p><p>penal.</p><p>■ nulla accusatio sine probatione: não</p><p>há acusação sem provas.</p><p>■ Somente são consideradas</p><p>provas as produzidas em</p><p>contraditório.</p><p>19</p><p>■ nulla probatio sine defensione: as</p><p>provas precisam ser produzidas em</p><p>contraditório.</p><p>○ O Direito Penal brasileiro é garantista.</p><p>○ Quando se olha as garantias do Direito Penal</p><p>garantista, há um olhar para o acusado.</p><p>Porém, uma parte da doutrina faz uma</p><p>crítica a essa visão, como o doutrinador</p><p>Douglas Fischer, porque essa visão somente</p><p>para o acusado é chamada de garantismo</p><p>monocular ou hiperbólico. Assim, essa</p><p>doutrina defende que o garantismo penal</p><p>deve ser aplicado de forma integral, ou seja,</p><p>deve garantir direito de todos (garantismo</p><p>integral).</p><p>➢ Exemplo de garantismo integral: a</p><p>vítima deve ter seu direito respeitado.</p><p>➢ Garantismo negativo: restrições ao</p><p>Estado quanto ao acusado.</p><p>➢ Garantismo positivo: impositivo ao</p><p>Estado para agir quando houver</p><p>violação ao bem jurídico.</p><p>j. Funções ou missões do Direito Penal</p><p>i. Proteção de bens jurídicos mais relevantes</p><p>que praticar determinado ato</p><p>criminoso.</p><p>187</p><p>há um dever incondicional, de tal maneira</p><p>que não há outra forma de agir.</p><p>iii. Juarez Cirino fala sobre fato de consciência que é todas</p><p>as situações de cunho moral, ideológico e religioso que,</p><p>para determinado agente, são deveres incondicionais, de</p><p>modo que haverá uma exclusão da culpabilidade por</p><p>inexigibilidade de conduta diversa.</p><p>iv. A doutrina majoritária entende que se houver uma</p><p>proporcionalidade entre o mal causado e a crença do</p><p>agente, pode-se observar exclusão da culpabilidade.</p><p>Caso não tenha essa proporcionalidade, poderá haver a</p><p>aplicação de uma atenuante (artigo 66, CP)169</p><p>g.Erro de proibição</p><p>i. O sujeito age em erro, porque acreditava que a conduta</p><p>era lícita.</p><p>ii. O erro de proibição escusável (justificável) é o que afasta</p><p>a potencial consciência da ilicitude, excluindo, assim, a</p><p>culpabilidade.</p><p>h.Coculpabilidade</p><p>i. Segundo Zaffaroni, não pode ser tão reprovável um</p><p>sujeito que praticou um fato, porque foi negligenciado</p><p>pelo próprio Estado, isto é, o Estado não deu condições</p><p>para que determinadas pessoas se desenvolvessem, de</p><p>modo que essa parcela da sociedade ficou</p><p>marginalizada. Assim, conforme o autor, essa</p><p>culpabilidade deve ser repartida entre o sujeito e o resto</p><p>da sociedade, de tal maneira que o infrator não poderia</p><p>responder pelo crime.</p><p>169 Art. 66 - A pena poderá ser ainda atenuada em razão de circunstância relevante, anterior ou</p><p>posterior ao crime, embora não prevista expressamente em lei.</p><p>188</p><p>ii. A coculpabilidade não é aplicada no Brasil. Uma saída</p><p>para utilizar a coculpabilidade é aplicar o artigo 66, CP,</p><p>considerando uma atenuante.</p><p>iii. Coculpabilidade às avessas: os sujeitos, totalmente</p><p>inseridos na sociedade que possuem plena capacidade</p><p>de viver conforme o ordenamento jurídico, que praticam</p><p>crimes, devem ser considerados mais reprováveis que os</p><p>demais.</p><p>● Isso é discutido nos crimes de colarinho branco.</p><p>189</p><p>26. Teoria do Erro</p><p>A teoria do erro irá explicar o erro de ummodo geral.</p><p>a.Conceito de erro</p><p>I. É uma falsa representação da realidade.</p><p>b.Diferença de erro e ignorância</p><p>I. Erro: o sujeito acredita em algo que, na verdade, não é, sendo</p><p>um estado positivo. Assim, o sujeito supõe algo.</p><p>II. Ignorância: o sujeito não tem nenhuma representação da</p><p>realidade, sendo um estado negativo.</p><p>● A consequência jurídica entre erro e ignorância é quase</p><p>nula.</p><p>c. Classificação do erro</p><p>I. Erro essencial: falsa percepção a respeito de uma realidade</p><p>que diz respeito a um elemento do crime (fato típico, ilícito e</p><p>culpável).</p><p>● Alguns autores falam que o erro de proibição é essencial.</p><p>II. Erro acidental: falsa percepção sobre uma realidade que não</p><p>afasta a existência do crime.</p><p>190</p><p>d.Estudo das espécies de erro de tipo</p><p>I. Erro de tipo: falsa representação da realidade, por parte do</p><p>agente, que recai sobre um elemento do tipo penal. Artigo 20,</p><p>CP170. .</p><p>● Erro de tipo essencial: o erro de tipo essencial é a falsa</p><p>percepção da realidade, por parte do agente, acerca de</p><p>um elemento do tipo penal que constitui elementar do</p><p>tipo.</p><p>○ Erro de tipo essencial</p><p>vencível/evitável/inescusável:171 está previsto no</p><p>artigo 20, CP. Esse erro de tipo não exclui o crime,</p><p>mas o dolo, permitindo a punição a título de culpa,</p><p>caso tenha previsão na modalidade culposa. Se o</p><p>crime não possuir previsão na modalidade culposa,</p><p>o fato será atípico.</p><p>■ O sujeito errou porque não seguiu um</p><p>dever objetivo de cuidado na</p><p>verificação dos elementos do tipo, de</p><p>modo que não se fala que a conduta</p><p>criminosa é dolosa, porque o agente</p><p>queria praticar o crime. Assim, pode-se</p><p>atribuir, ao sujeito, a responsabilidade</p><p>pela modalidade culposa, sendo uma</p><p>culpa imprópria.</p><p>○ Erro de tipo essencial</p><p>invencível/escusável/inevitável: é aquele erro que,</p><p>de forma objetiva, não poderia exigir que o agente</p><p>171 O homemmédio se tivesse o mínimo de cuidado teria a capacidade de ver que está em</p><p>erro.</p><p>170 Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a</p><p>punição por crime culposo, se previsto em lei.</p><p>191</p><p>não cometa o erro. Assim, o sujeito não responde</p><p>por crime algum.</p><p>■ Exemplo: um sujeito, querendo</p><p>vilipendiar um cadáver acaba por</p><p>matar alguém, porque representou</p><p>falsamente contra a realidade,</p><p>acreditando que a pessoa estava</p><p>morta, já que possuía batimentos</p><p>cardíacos quase imperceptíveis. Nesse</p><p>caso, houve um erro, escusável,</p><p>quando a elementar do tipo "alguém"</p><p>no crime de homicídio.</p><p>○ Diferença entre erro de tipo essencial e delito</p><p>putativo por erro de tipo</p><p>■ Erro de tipo essencial: o sujeito não quer</p><p>praticar um crime, de modo que ele quer</p><p>praticar um ato, mas, por falsa percepção</p><p>sobre elementos do tipo penal, ele acaba</p><p>praticando uma conduta criminosa.172</p><p>■ Delito putativo por erro de tipo: o sujeito</p><p>possui uma falsa percepção sobre a</p><p>realidade que recai sobre a elementar do</p><p>tipo penal, de tal maneira que ele acredita</p><p>estar cometendo um crime, porém, na</p><p>verdade, não está cometendo um crime,</p><p>porque falta uma elementar do tipo.173</p><p>173 Exemplo: um sujeito sai pela noite, querendo matar alguém. E, ele passa em frente um posto de</p><p>gasolina e efetua cinco disparos contra o "sujeito que está em frente ao posto de gasolina", porém,</p><p>na verdade, ele atirou em um boneco que está na frente do posto de gasolina.</p><p>172 Exemplo: um sujeito transporta uma caixa que acreditava ser de bombom, porém, na verdade,</p><p>estava transportando drogas. Nesse caso, há um erro de tipo, porque o sujeito acreditava estar</p><p>transportando bombom, havendo uma falsa percepção da realidade (não sabia que estava</p><p>transportando drogas). Se demonstrado o erro de tipo, afasta-se o dolo do sujeito, de modo que não</p><p>haverá responsabilização por tráfico de drogas (não há tráfico culposo).</p><p>192</p><p>● Erro de tipo acidental: o erro de tipo acidental é uma</p><p>falsa percepção do agente sobre a realidade que recai</p><p>sobre elementos não essenciais do tipo (ex: nexo causal).</p><p>● Observação: O erro de tipo recai sobre o fato típico,</p><p>afastando a tipicidade.</p><p>● Questão de prova (MPRJ): o sujeito, querendo</p><p>matar sua esposa, compra veneno e coloca o</p><p>veneno no pote de remédio. A empregada da casa,</p><p>quando chega no banheiro, troca o pote cheio de</p><p>veneno por outro com remédio. A esposa, ao</p><p>chegar em casa, toma o remédio (não o veneno). E,</p><p>ela acaba adormecendo em um sono profundo. O</p><p>marido, ao chegar em casa, vê que a esposa havia</p><p>tomado o "remédio" (perceba que o marido</p><p>acredita que ela está tomando a cápsula que foi</p><p>substituída por veneno) e que ela está morta e não</p><p>dormindo. Assim, o marido, para comemorar a</p><p>morte da mulher, pegou sua pistola e efetuou 15</p><p>disparos contra o corpo da mulher, tendo a</p><p>intenção de vilipendiar cadáver e não matar, nesse</p><p>momento. O dolo que o homem possuía era em</p><p>relação à conduta de colocar veneno para matar.</p><p>Perceba que o sujeito teve uma falsa percepção da</p><p>realidade que recaía sobre uma elementar do</p><p>crime: "alguém". Quando o homem efetuou o</p><p>disparo, não havia dolo de matar, recaindo sobre</p><p>erro de tipo essencial vencível, de tal maneira que</p><p>o sujeito iria responder por homicídio culposo.</p><p>○ O problema dessa questão é que, para o</p><p>examinador, não houve nem o início da</p><p>execução, não podendo ser aberratio causae</p><p>que consiste no fato de que o sujeito</p><p>193</p><p>consegue dar início à execução, mas acaba</p><p>tendo o resultado por outra causa.</p><p>II. Erro que recai sobre o objeto material do crime: falsa</p><p>percepção da realidade que recai sobre o objeto material do</p><p>crime.174 Não há previsão, no Código Penal, sobre o erro em</p><p>relação ao objeto do crime, sendo uma construção doutrinária</p><p>que não traz qualquer repercussão jurídica, porque o sujeito</p><p>continua respondendo pelo crime.</p><p>III. Erro que recai sobre a pessoa (error in persona) (artigo 20,</p><p>§3º, CP175 : o sujeito atinge uma pessoa, acreditando ser outra.</p><p>● Exemplo: uma mulher queria matar o próprio filho sob a</p><p>influência do estado puerperal, porém acaba por praticar</p><p>o crime contra outra pessoa. Nesse caso, a mãe irá</p><p>responder</p><p>por crime de infanticídio → caso de error in</p><p>persona.</p><p>○ Vítima real: vítima que suportou os efeitos do</p><p>crime.</p><p>○ Vítima suposta ou virtual: sujeito contra quem</p><p>queria praticar o crime.</p><p>175 § 3 º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. Não se</p><p>consideram, neste caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa contra quem o</p><p>agente queria praticar o crime.</p><p>174 Exemplo: um sujeito quer furtar um computador, acreditando que é ummacbook, porém, ao</p><p>chegar a casa percebe que o computador não era ummacbook e sim um acer.</p><p>194</p><p>● Artigo 121, §2º-B, CP176: um sujeito, querendo matar seu</p><p>filho menor de 14 anos, vê uma pessoa muito parecida</p><p>com seu filho (porém, essa pessoa tem 15 anos) e acaba</p><p>por matá-lo. Nesse caso, haverá responsabilidade por</p><p>homicídio simples ou qualificado?</p><p>○ Haverá responsabilização por homicídio</p><p>qualificado (artigo 121, §2º, IX, CP) com a incidência</p><p>da causa de aumento do §2º-B.</p><p>IV. Erro acidental na execução (aberratio ictus)</p><p>● Não confundir erro sobre a pessoa com erro na</p><p>execução. No erro sobre a pessoa, a execução é perfeita,</p><p>havendo engano em relação à vítima. Todavia, no erro na</p><p>execução, há uma falha operacional que acaba por</p><p>atingir pessoa diversa ou provocar outro resultado.</p><p>● Artigo 73, CP177.</p><p>○ Erro pode se dar por unidade simples (resultado</p><p>único): queria acertar uma vítima (vítima virtual),</p><p>mas, por erro na execução, atinge uma outra</p><p>pessoa (vítima real). Nesse caso, considera-se as</p><p>condições da vítima virtual.</p><p>177 Atenção! Fazer uma remissão, no artigo 20, §3º, CP, ao artigo 73, CP.</p><p>Art. 73 - Quando, por acidente ou erro no uso dosmeios de execução, o agente, ao invés de atingir</p><p>a pessoa que pretendia ofender, atinge pessoa diversa, responde como se tivesse praticado o crime</p><p>contra aquela, atendendo-se ao disposto no § 3º do art. 20 deste Código. No caso de ser também</p><p>atingida a pessoa que o agente pretendia ofender, aplica-se a regra do art. 70 deste Código.</p><p>176 Art. 121. Matar alguém:</p><p>§ 2º-B. A pena do homicídio contra menor de 14 (quatorze) anos é aumentada de: (Incluído pela Lei</p><p>nº 14.344, de 2022) → CAUSAS DE AUMENTO QUE IRÃO RECAIR SOBRE A QUALIFICADORA DO</p><p>ARTIGO 121, §2º, IX, CP</p><p>I - 1/3 (um terço) até a metade se a vítima é pessoa com deficiência ou com doença que implique o</p><p>aumento de sua vulnerabilidade;</p><p>II - 2/3 (dois terços) se o autor é ascendente, padrasto ou madrasta, tio, irmão, cônjuge, companheiro,</p><p>tutor, curador, preceptor ou empregador da vítima ou por qualquer outro título tiver autoridade</p><p>sobre ela.</p><p>Art. 121.Matar alguém:</p><p>§ 2° Se o homicídio é cometido:</p><p>IX - contra menor de 14 (quatorze) anos: → QUALIFICADORA</p><p>Pena - reclusão, de doze a trinta anos.</p><p>195</p><p>○ Erro pode se dar por unidade complexa: o sujeito,</p><p>querendo acertar determinada pessoa, por erro,</p><p>acaba acertando pessoa diversa e a que queria</p><p>acertar. Nesse caso, haverá a aplicação do artigo</p><p>70, CP (concurso formal de crimes), se houver dolo</p><p>contra um e culpa contra outro. Caso o sujeito</p><p>efetue disparos contra três pessoas, assumindo o</p><p>risco de causar o resultado contra as três, o sujeito</p><p>irá responder pelos três homicídios dolosos, não</p><p>havendo erro na execução.</p><p>● No caso do erro de execução, deve-se considerar as</p><p>condições da pessoa contra quem se queria ofender e</p><p>não a pessoa que de fato atendeu.</p><p>● No caso de ser também atingida a pessoa que o agente</p><p>pretendia ofender, aplica-se a regra do artigo 70, CP.</p><p>○ Exemplo: um sujeito, querendo matar seu</p><p>pai, ao efetuar o disparo acaba por acertar</p><p>uma pessoa que está atrás e fere o seu pai.</p><p>Nesse caso, há um homicídio culposo com</p><p>agravante (praticado contra ascendente)178 e</p><p>uma tentativa de homicídio. Aqui, irá aplicar</p><p>a regra do artigo 70, CP179 (concurso formal</p><p>de crimes).</p><p>● Um sujeito quer matar um policial federal, porém, por</p><p>erro na execução, acaba matando um policial civil. O</p><p>artigo 73, CP diz que se deve aplicar o artigo 20, §3º, CP,</p><p>isto é, considerar as condições da vítima virtual. Nesse</p><p>179 Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes,</p><p>idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas,</p><p>mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. As penas aplicam-se, entretanto,</p><p>cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios</p><p>autônomos, consoante o disposto no artigo anterior.</p><p>178 Considera as características de quem de fato queria matar.</p><p>196</p><p>ponto, é importante observar que esses artigos somente</p><p>têm repercussão no âmbito do direito material, não</p><p>tendo afetação no campo do direito processual. Com</p><p>isso, não há deslocamento da competência para a</p><p>Justiça Federal, sendo competência da Justiça Estadual.</p><p>V. Erro acidental que recai sobre o resultado → resultado</p><p>diverso do pretendido (aberratio criminis ou aberratio</p><p>delicti)</p><p>● Artigo 74, CP180</p><p>● O sujeito buscava um resultado e, por erro na execução</p><p>ou por acidente, acaba por ocasionar um outro resultado</p><p>não perseguido pelo agente. O resultado ocasiona um</p><p>outro crime.</p><p>● O agente responde por culpa, se o fato é previsto como</p><p>crime culposo, de modo que o agente irá responder por</p><p>aquilo que causou. Se ocorrer também o resultado</p><p>pretendido, aplica-se a regra do art. 70181. Se o crime não</p><p>tem previsão culposa, o agente não irá responder por</p><p>nada182.</p><p>● Se o resultado obtido é menos grave que o resultado</p><p>pretendido183, há alguns doutrinadores, como Zaffaroni,</p><p>que defendem que há uma verdadeira impunidade. Veja</p><p>bem: um sujeito querendo matar alguém acaba por</p><p>danificar algo. Nesse caso, ele não irá responder, haja</p><p>183 Exemplo: queria matar e acabou ocasionando um dano.</p><p>182 Exemplo: um sujeito, querendo acertar alguém com uma pedra, acerta um carro. Nesse caso, o</p><p>sujeito não irá responder por nada, visto que não existe dano culposo. Ainda, o sujeito irá responder</p><p>por tentativa de homicídio.</p><p>181 Exemplo: um sujeito, querendo praticar um dano, danifica algo e mata alguém. Haverá concurso</p><p>formal de crimes.</p><p>180 Art. 74 - Fora dos casos do artigo anterior, quando, por acidente ou erro na execução do crime,</p><p>sobrevém resultado diverso do pretendido, o agente responde por culpa, se o fato é previsto como</p><p>crime culposo; se ocorre também o resultado pretendido, aplica-se a regra do art. 70 deste Código.</p><p>197</p><p>vista que não existe dano culposo. Porém, indaga-se: por</p><p>que o agente não responde, nessa situação, por tentativa</p><p>de homicídio? Assim, há alguns doutrinadores que</p><p>defendem que deveria haver a punição pela tentativa do</p><p>resultado pretendido.</p><p>VI. Erro sobre o nexo causal (aberratio causae): falsa realização</p><p>do sujeito em relação à causa do resultado por ele buscado.</p><p>● Não há previsão normativa, porém é uma construção</p><p>doutrinária que diz respeito ao desdobramento da</p><p>cadeia causal.</p><p>● Exemplo: o sujeito quer matar alguém e consegue.</p><p>Porém, ele mata a pessoa de forma diversa que a</p><p>pretendida quando iniciou a conduta.184</p><p>● Espécies de erro sobre o nexo causal</p><p>○ Erro sobre o nexo causal em sentido estrito: o</p><p>sujeito pratica um só ato, de modo que essa única</p><p>conduta, em seu desdobramento causal, tem um</p><p>desvio.185</p><p>○ Erro sobre o nexo causal por dolo geral ou erro</p><p>sucessivo: há uma pluralidade de atos, de forma</p><p>que o sujeito quer alcançar um resultado, mas ele</p><p>acaba causando esse resultado com um nexo</p><p>causal diverso daquele que ele pretendia, a partir</p><p>de um novo ato por ele praticado. Nesse caso, o</p><p>185 Exemplo: quero matar alguém jogando no mar, porém essa pessoa bate a cabeça na pedra e</p><p>morre por traumatismo craniano e não por conta de afogamento. → Erro sobre o nexo causal em</p><p>sentido estrito</p><p>184 Exemplo: quero matar alguém jogando no mar, porém essa pessoa bate a cabeça na pedra e</p><p>morre por traumatismo craniano e não por conta de afogamento.</p><p>198</p><p>sujeito responde pelo dolo que possuía no início</p><p>(dolo geral)186.187</p><p>● Observe a seguinte hipótese: imagine que haja uma</p><p>qualificadora de ordem objetiva em relação ao meio de</p><p>execução,</p><p>de tal maneira que o sujeito erra em relação ao</p><p>meio de execução, como ele irá responder?188</p><p>○ 1ª corrente: não pode aplicar a qualificadora,</p><p>porque o sujeito não morreu por conta da</p><p>qualificadora de ordem objetiva, de tal maneira</p><p>que, aplicar a qualificadora, seria uma ofensa ao</p><p>princípio da legalidade.</p><p>○ 2ª corrente: aplica a qualificadora, porque ela</p><p>está abrangida pelo dolo geral. → seguir essa</p><p>corrente em prova objetiva.</p><p>○ 3ª corrente: no caso concreto, deve aplicar a</p><p>situação mais favorável ao réu.</p><p>188 Exemplo: um sujeito tem o dolo de matar alguém afogado, de modo que joga a pessoa no rio,</p><p>porém ela não morre por conta do afogamento, mas porque bateu a cabeça. Nesse caso, a morte</p><p>com afogamento por asfixia é uma qualificadora do homicídio, porém ela não ocorreu no caso</p><p>concreto.</p><p>187 Exemplo: o sujeito inicia uma execução de homicídio com disparos de arma de fogo, acredita que</p><p>matou a vítima e a joga no rio. Porém, a vítima não morreu por conta dos disparos de arma de fogo,</p><p>mas de afogamento. Nessa situação, o sujeito será responsabilizado por homicídio da mesma forma.</p><p>→ erro sobre o nexo causal por dolo geral ou erro sucessivo. Amaioria da doutrina sustenta que é</p><p>um homicídio doloso, porém nada impede que, em uma tese defensiva, questione-se isso, porque</p><p>não há uma previsão legal disso, o que feriria o princípio da legalidade, alegando que, nessa</p><p>situação, poderia ser uma tentativa de homicídio quando efetuou disparos e não matou ou</p><p>homicídio culposo quando jogou o sujeito no rio.</p><p>No caso do exemplo, já dado, do sujeito que tenta matar a esposa com veneno, não pode ser</p><p>considerado um caso de dolo geral ou erro sucessivo, porque ainda não tinha sido iniciada a</p><p>execução do crime, não havendo a pluralidade de atos.</p><p>186 O dolo geral é aquele que abrange o primeiro ato do sujeito até a consumação do crime,</p><p>independente do desvio causal, desde que alcance o resultado pretendido no início.</p><p>199</p><p>e. Erro de proibição</p><p>I. Artigo 21, CP189</p><p>II. Diferença entre erro de proibição e ignorância</p><p>● Ignorância: é o desconhecimento da lei.</p><p>● Erro: por algumas circunstâncias, o sujeito supunha que</p><p>a conduta não era crime.</p><p>III. Sobre o que recai o erro de proibição?</p><p>● O erro de proibição recai sobre a culpabilidade (causa de</p><p>exclusão da culpabilidade), tendo em vista que a</p><p>culpabilidade é formada por: (I) imputabilidade; (II)</p><p>exigibilidade de conduta diversa e (III) potencial</p><p>consciência da ilicitude.</p><p>● O erro de proibição afasta a potencial</p><p>consciência da ilicitude, excluindo a</p><p>culpabilidade.</p><p>IV. Tipos de erro de proibição</p><p>● Erro evitável: causa de diminuição de pena (minorante),</p><p>variando conforme a possibilidade do sujeito conhecer</p><p>ou não a ilicitude do fato.</p><p>● Erro inevitável/escusável: há uma causa de exclusão da</p><p>culpabilidade, pelo afastamento da potencial</p><p>consciência da ilicitude. O erro inevitável ocorre quando,</p><p>pelas circunstâncias do caso concreto, o homem médio</p><p>não tinha como saber que a sua conduta era ilícita.</p><p>V. Espécies de erro de proibição</p><p>● Erro de proibição direto ou propriamente dito: o</p><p>sujeito desconhece ou erra quanto à existência de uma</p><p>norma proibitiva.</p><p>189 Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável,</p><p>isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço.</p><p>Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite sem a consciência da</p><p>ilicitude do fato, quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir essa consciência.</p><p>200</p><p>● Erro de proibição indireto ou erro de permissão (erro</p><p>de proibição permissivo)190: o sujeito age, sabendo que</p><p>a conduta é crime, porém acredita que há uma norma</p><p>permissiva que legitima sua conduta.</p><p>○ Exemplo: um sujeito acredita existir legítima</p><p>defesa da honra.</p><p>● Erro de proibição mandamental: o erro recai sobre a</p><p>existência de uma norma mandamental191 que está</p><p>presente nos crimes omissivos.</p><p>○ Se inevitável: exclui a culpabilidade.</p><p>○ Se evitável: diminui a pena.</p><p>VI. Erro de proibição indireto ou descriminante putativa</p><p>● Artigo 20, §1º, CP): "É isento de pena quem, por erro</p><p>plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe</p><p>situação de fato que, se existisse, tornaria a ação</p><p>legítima. Não há isenção de pena quando o erro deriva</p><p>de culpa e o fato é punível como crime culposo192"</p><p>○ Essa descriminante putativa está dentro do</p><p>erro de tipo. Cuidado! A descriminante</p><p>putativa pode ser por erro de tipo193 ou erro</p><p>de proibição194.</p><p>● Exemplo: um sujeito está andando por uma rua escura à</p><p>noite, de modo que, quando olha longe, vê seu antigo</p><p>desafeto andando em sua direção. Esse antigo desafeto,</p><p>chegando perto do sujeito, enfia a mão dentro de seu</p><p>casaco, de modo que o sujeito acredita que, nesse</p><p>194 Sujeito supõe a existência de uma norma permissiva.</p><p>193 Sujeito acredita que a conduta é legítima, porque ele supõe uma situação de fato que tornaria</p><p>lícita a conduta.</p><p>192 (culpa imprópria)</p><p>191 Possui, na sua estrutura normativa, uma ordem.</p><p>190 É chamado, pela doutrina, de descriminante putativa por erro de proibição.</p><p>201</p><p>momento, seu antigo desafeto irá matá-lo, o que o leva a</p><p>atirar contra seu antigo desafeto. Ato contínuo, seu</p><p>antigo desafeto cai no chão, já morrendo, e pergunta o</p><p>motivo pelo qual ele atirou. E, o sujeito responde que é</p><p>porque ele iria matá-lo. Todavia, em sua surpresa, seu</p><p>antigo desafeto retira uma rosa branca do casaco que</p><p>seria usada para selar a paz entre os dois.</p><p>○ Nesse caso, o sujeito supõe uma situação de</p><p>fato (pegar uma arma para matá-lo) que se</p><p>existisse tornaria sua ação legítima, já que</p><p>estaria agindo para repelir injusta agressão</p><p>Assim, há uma descriminante putativa que</p><p>recai sobre uma situação de fato. Isso é</p><p>diferente do que fala a descriminante</p><p>putativa por erro de proibição, já que, nessa</p><p>situação, o sujeito sabe exatamente o que</p><p>está fazendo, porém ele acredita que está</p><p>fazendo aquilo amparado por uma norma</p><p>permissiva.</p><p>● Natureza jurídica da descriminante putativa</p><p>○ Teoria extremada/extrema ou estrita da</p><p>culpabilidade: as descriminantes putativas são</p><p>sempre erro de proibição,195 afastando a</p><p>culpabilidade.</p><p>■ O erro escusável afasta a culpabilidade.</p><p>■ O erro inescusável terá uma aplicação de</p><p>causa de diminuição de pena.</p><p>○ Teoria limitada da culpabilidade: a descriminante</p><p>putativa implica erro de tipo.</p><p>■ O erro escusável afasta a tipicidade.</p><p>195 Artigo 20, §1º diz que é "isento de pena", de modo que, quando trabalha com ausência de</p><p>culpabilidade, utiliza o termo "isento de pena".</p><p>202</p><p>■ O erro inescusável permite a punição do</p><p>crime a título de culpa se houver previsão</p><p>legal.</p><p>➢ Item 19 da Exposição de motivos da parte</p><p>geral do Código Penal: "repete o Projeto as</p><p>normas do Código de 1940, pertinentes às</p><p>denominadas "descriminantes putativas".</p><p>Ajusta-se, assim, o Projeto à teoria limitada</p><p>pela culpabilidade, que distingue o erro</p><p>incidente sobre os pressupostos fáticos de</p><p>uma causa de justificação do que incide</p><p>sobre a norma permissiva. Tal como no</p><p>Código vigente, admite-se nesta área a</p><p>figura culposa (artigo 17, § 1º)". Assim, o</p><p>Código Penal brasileiro adotou a teoria</p><p>limitada pela culpabilidade.</p><p>➢ O artigo 20, §1º, CP traz um erro sobre o</p><p>elemento constitutivo do tipo penal e não</p><p>sobre o erro de proibição, de tal maneira que</p><p>o parágrafo, em termos de tipografia,</p><p>refere-se sempre ao caput que, nesse caso,</p><p>trata a respeito do erro de tipo.</p><p>f. Delito putativo por erro de proibição</p><p>I. O sujeito acredita estar praticando algo que é proibido, porém,</p><p>na verdade, não é.</p><p>g.Responsabilização de quem determina o erro</p><p>I. Artigo 20, §2º, CP: " responde pelo crime o terceiro que</p><p>determina o erro".</p><p>203</p><p>II. Exemplo: alguémministra veneno a outrem, acreditando estar</p><p>ministrando um remédio, porque outro sujeito deu esse</p><p>remédio a ele falando que é remédio. O sujeito que aplicou o</p><p>veneno não irá responder pelo crime, caso seja um erro</p><p>inevitável, porque haverá um erro de tipo que afasta dolo e</p><p>culpa. O terceiro que determina o erro</p><p>que irá responder pelo</p><p>crime.</p><p>204</p><p>27. Punibilidade e causas de extinção da</p><p>punibilidade</p><p>a.Natureza jurídica da punibilidade</p><p>i. Natureza jurídica: pressuposto para aplicação de pena</p><p>(exercício do ius puniendi) .</p><p>● Não é um elemento do crime para doutrina</p><p>majoritária.</p><p>b.Conceito de punibilidade</p><p>i. É o pressuposto do direito de punir do Estado, sendo</p><p>dividido: (I) fase persecutória e (II) fase executória.</p><p>Existem algumas situações que, embora o crime ainda</p><p>exista, não pode punir o sujeito, porque falta o exercício</p><p>legítimo de punir do Estado. Nesse caso, o crime ainda</p><p>existe.</p><p>● O direito do Estado se legitima através de uma</p><p>pretensão punitiva e executória.</p><p>A fim de compreender a matéria, é necessário revisar alguns pontos:</p><p>● Uma vez praticado um crime, surge, para o Estado, o direito de punir</p><p>(aplicar uma sentença condenatória e aplicar uma pena).</p><p>○ O crime praticado subsiste, porém, por algum motivo, foi</p><p>retirado do Estado o direito de exigir a condenação e execução</p><p>(pretensão punitiva) → extinção da punibilidade.</p><p>● Princípios</p><p>○ Princípio da legalidade: ninguém poderá ser punido por</p><p>qualquer fato que não seja considerado criminoso por lei.</p><p>205</p><p>■ A vontade estatal é manifestada através da lei, não sendo</p><p>manifestada através da vontade pessoal dos agentes. Em</p><p>decorrência disso, surge o princípio da</p><p>inderrogabilidade da pena.</p><p>○ Princípio da inderrogabilidade da pena: uma vez praticado</p><p>um crime, o Estado deve, satisfeita as condições de</p><p>procedibilidade da ação penal e punibilidade, aplicar a pena</p><p>contra o sujeito. Somente pode deixar de aplicar a pena,</p><p>quando houver previsão em lei.</p><p>c. Causas extintivas da punibilidade</p><p>● Artigo 107, CP</p><p>Art. 107 - Extingue-se a punibilidade:</p><p>I - pelamorte do agente</p><p>● o Estado perde o direito de punir o sujeito</p><p>(princípio da intranscendência da pena →</p><p>pena não pode ser estendida para pessoas</p><p>que não praticaram o crime).</p><p>● Artigo 62, CPP196: a certidão de óbito é um</p><p>documento imprescindível à declaração de</p><p>extinção de punibilidade.</p><p>○ Exemplo: João emite um atestado de</p><p>óbito falso e ele estava sendo</p><p>processado por homicídio, de modo</p><p>que o juiz junta aos autos e decreta a</p><p>extinção da punibilidade do agente.</p><p>Posteriormente, descobre-se que esse</p><p>atestado era falso. Nesse caso, pode-se</p><p>retirar do mundo jurídico a sentença</p><p>que declarou extinta a punibilidade?</p><p>196 Art. 62. No caso de morte do acusado, o juiz somente à vista da certidão de óbito, e depois de</p><p>ouvido o Ministério Público, declarará extinta a punibilidade.</p><p>206</p><p>■ 1ª corrente (posição defensiva-</p><p>Luiz Regis Prado): essa sentença</p><p>não pode ser revertida após o</p><p>trânsito em julgado, ainda que</p><p>verificada a falsidade do</p><p>atestado de óbito, tendo em</p><p>vista o princípio da segurança</p><p>jurídica.</p><p>■ 2ª corrente (STF- HC 84525197 e</p><p>STJ- HC 143474198): essa sentença</p><p>fundada no atestado de óbito</p><p>falso é juridicamente inexistente,</p><p>de modo que se admite a</p><p>revisão.</p><p>198 HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO QUALIFICADO. NULIDADES. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE</p><p>ALEGAÇÕES FINAIS, ANTES DA DECISÃO DE PRONÚNCIA. MATÉRIA NÃO ANALISADA PELA CORTE</p><p>DE ORIGEM. DECISÃO QUE TORNA SEM EFEITO SENTENÇA QUE RECONHECER A EXTINTA A</p><p>PUNIBILIDADE DO AGENTE, COM BASE EM ATESTADO DE ÓBITO FALSO. FALTA DE INDÍCIOS</p><p>SUFICIENTES DE AUTORIA. COAÇÃO ILEGAL NÃO CARACTERIZADA. IMPETRAÇÃO CONHECIDA EM</p><p>PARTE. ORDEM DENEGADA. 1) Se a questão constante da inicial não foi analisada pelo Tribunal de</p><p>origem, não compete a esta E. Corte dela conhecer e analisar, sob pena de indevida supressão de</p><p>instância. 2) A falta de alegações finais, nos processos de competência do Tribunal do Júri, não</p><p>acarreta nulidade. No caso em exame, o defensor constituído fora devidamente intimado para</p><p>manifestação, deixando, no entanto, de fazê-lo. 3) É entendimento jurisprudencial que a decisão</p><p>que declara extinta a punibilidade da espécie, fundada em atestado de óbito falso, não faz</p><p>coisa julgada material. 4) A alegação de inocência e falta de indícios suficientes para a decisão de</p><p>pronúncia não podem ser analisadas nos estreitos limites do habeas corpus 5) Impetração</p><p>conhecida em parte. Ordem de denegada.</p><p>(STJ - HC: 143474 SP 2009/0147195-2, Relator: Ministro CELSO LIMONGI (DESEMBARGADOR</p><p>CONVOCADO DO TJ/SP), Data de Julgamento: 06/05/2010, T6 - SEXTA TURMA, Data de Publicação:</p><p>DJe 24/05/2010, grifo nosso)</p><p>197 PENAL. PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE AMPARADA EM</p><p>CERTIDÃO DE ÓBITO FALSA. DECRETO QUE DETERMINA O DESARQUIVAMENTO DA AÇÃO PENAL.</p><p>INOCORRÊNCIA DE REVISÃO PRO SOCIETATE E DE OFENSA À COISA JULGADA.</p><p>FUNDAMENTAÇÃO. ART. 93, IX, DA CF. I. - A decisão que, com base em certidão de óbito falsa,</p><p>julga extinta a punibilidade do réu pode ser revogada, dado que não gera coisa julgada em</p><p>sentido estrito. II. - Nos colegiados, os votos que acompanham o posicionamento do relator, sem</p><p>tecer novas considerações, entendem-se terem adotado a mesma fundamentação. III. - Acórdão</p><p>devidamente fundamentado. IV. - H.C. indeferido.</p><p>(STF - HC: 84525 MG, Relator: CARLOS VELLOSO, Data de Julgamento: 16/11/2004, Segunda Turma,</p><p>Data de Publicação: DJ 03-12-2004 PP-00050 EMENT VOL-02175-02 PP-00285 LEXSTF v. 27, n. 315,</p><p>2005, p. 405-409, grifo nosso)</p><p>207</p><p>● Qual a hipótese no direito penal em que a</p><p>morte da vítima é causa extintiva da</p><p>punibilidade?</p><p>○ No caso da rixa com resultado morte,</p><p>porque o rixoso é sujeito ativo e</p><p>passivo (todos os envolvidos na rixa são</p><p>sujeitos ativo e passivo).</p><p>II - pela anistia, graça ou indulto;</p><p>● A anistia, como causa extintiva da</p><p>punibilidade (natureza jurídica), consiste em</p><p>ato que redunda no desaparecimento de</p><p>todos os efeitos penais de um crime</p><p>praticado com base em uma decisão política</p><p>do Estado manifestado com base em um ato</p><p>legislativo da União (artigo 48, VIII, CF/88199).</p><p>Todos os temas de competência do</p><p>Congresso Nacional demandam a</p><p>necessidade de um ato normativo, logo há a</p><p>necessidade de uma lei para concessão de</p><p>anistia.</p><p>○ Artigo 21, XVII, CF200</p><p>○ Quais as consequências da aplicação</p><p>da anistia?</p><p>■ A anistia extingue todos os</p><p>efeitos penais, mas persistem os</p><p>efeitos extrapenais, como o</p><p>dever de reparar o dano.</p><p>200 Art. 21. Compete à União:</p><p>XVII - conceder anistia;</p><p>199 Art. 48. Cabe ao Congresso Nacional, com a sanção do Presidente da República, não exigida esta</p><p>para o especificado nos arts. 49, 51 e 52, dispor sobre todas as matérias de competência da União,</p><p>especialmente sobre:</p><p>VIII - concessão de anistia;</p><p>208</p><p>○ Espécies de anistia</p><p>■ Anistia própria: é aquela que é</p><p>decretada antes do trânsito em</p><p>julgado da sentença</p><p>condenatória.</p><p>■ Anistia imprópria: é a decretada</p><p>após o trânsito em julgado da</p><p>sentença condenatória.</p><p>■ Anistia especial: retirada dos</p><p>efeitos penais em relação aos</p><p>crimes militares, políticos e</p><p>eleitorais.</p><p>■ Anistia comum: retirada dos</p><p>efeitos penais em relação aos</p><p>crimes comuns.</p><p>■ Anistia geral: é aquela aplicada a</p><p>todas as pessoas que tenham</p><p>praticado determinado crime no</p><p>momento específico, de modo</p><p>que todas as pessoas que estão</p><p>abrangidas pelas condições</p><p>objetivas serão beneficiadas.</p><p>■ Anistia parcial: além dos</p><p>requisitos de ordem objetiva, há</p><p>os requisitos de ordem subjetiva</p><p>(condições do agente) para que</p><p>determinados grupos se</p><p>beneficiem.</p><p>○ Anistia condicionada vs anistia</p><p>incondicionada</p><p>■ Anistia incondicionada: a lei que</p><p>determina a anistia não impõe</p><p>209</p><p>qualquer condição ao réu para</p><p>que ele se beneficie, havendo</p><p>um ato unilateral.</p><p>■ Anistia condicionada: há um ato</p><p>bilateral, havendo uma decisão</p><p>política condicionada à</p><p>satisfação de determinadas</p><p>condições.201 Não cabe, ao juiz da</p><p>execução penal, exigir qualquer</p><p>condição não prevista em lei,</p><p>tendo em vista que a anistia é de</p><p>competência da União, de tal</p><p>maneira que cabe ao Congresso</p><p>Nacional a edição de</p><p>condicionantes. Logo, se o ato</p><p>legislativo é silente, não cabe ao</p><p>juiz da execução estabelecer</p><p>condições. Porém, o ato</p><p>legislativo pode trazer a previsão</p><p>que é competência do juiz</p><p>estabelecer determinadas</p><p>condicionantes para que seja</p><p>extinta</p><p>a punibilidade.</p><p>● Indulto lato sensu: abrange a graça (indulto</p><p>individual) e o indulto stricto sensu (indulto</p><p>coletivo).</p><p>○ O indulto é originado de um decreto</p><p>do Presidente do República</p><p>201 Exemplo: será beneficiado com a anistia os sujeitos que praticaram crime no período …., desde</p><p>que tenham reparado o dano (há uma condição).</p><p>210</p><p>(competência privativa)202, sendo</p><p>delegável.</p><p>○ Diferença do indulto para a anistia em</p><p>relação aos efeitos jurídicos penais.</p><p>■ Anistia: retira determinado fato</p><p>do mundo jurídico, excluindo</p><p>todos efeitos penais decorrentes</p><p>desse fato, somente subsistindo</p><p>os efeitos extrapenais.</p><p>■ Indulto (lato sensu): somente o</p><p>efeito penal primário é afastado,</p><p>isto é, há a retirada da aplicação</p><p>da pena, porém permanece os</p><p>outros efeitos penais</p><p>(secundários)203, por exemplo, a</p><p>reincidência.</p><p>● Súmula 631 STJ: O indulto</p><p>extingue os efeitos</p><p>primários da condenação</p><p>(pretensão executória),</p><p>mas não atinge os efeitos</p><p>secundários, penais ou</p><p>extrapenais.</p><p>○ O indulto stricto sensu é um ato de</p><p>clemência do Estado, de modo que o</p><p>203 Tambémmantém os efeitos extrapenais.</p><p>202 Competência Privativa: Pode delegar</p><p>Competência exclusiva: não pode delegar</p><p>Artigo 84, XII, CF/88 (02:24):</p><p>Compete privativamente ao Presidente da República:</p><p>XII - conceder indulto e comutar penas, com audiência, se necessário, dos órgãos instituídos em lei;</p><p>Artigo 84, parágrafo único, CF (03:24):</p><p>O Presidente da República poderá delegar as atribuições mencionadas nos incisos VI, XII e XXV,</p><p>primeira parte, aos Ministros de Estado, ao Procurador-Geral da República ou ao Advogado-Geral da</p><p>União, que observarão os limites traçados nas respectivas delegações.</p><p>211</p><p>indulto coletivo não pressupõe</p><p>provocação.</p><p>○ Há uma verdadeira crise no Estado</p><p>carcerário brasileiro, sendo</p><p>reconhecido um verdadeiro estado de</p><p>coisas inconstitucional, de modo que</p><p>uma das medidas para solucionar essa</p><p>crise é o indulto coletivo.</p><p>○ Desde 2013, não se tem exigido o</p><p>parecer do Conselho Penitenciário</p><p>para a concessão do indulto coletivo.</p><p>● A graça (indulto individual) pode ser</p><p>requerida pelo: (I) condenado, (II) Ministério</p><p>Público, (III) Conselho Penitenciário e (IV)</p><p>autoridade administrativa direcionada ao</p><p>Ministério da Justiça (artigo 188, Lei de</p><p>Execuções Penais). O requerente faz o</p><p>pedido de indulto que é encaminhado ao</p><p>Conselho Penitenciário, o qual irá emitir um</p><p>parecer, encaminhando para o Ministério da</p><p>Justiça (artigo 189, da Lei de Execuções</p><p>Penais)204.</p><p>○ Em relação à graça que pressupõe</p><p>uma provocação, há a necessidade de</p><p>aprovação do Conselho Penitenciário.</p><p>● Classificação dos indultos</p><p>204 Art. 188. O indulto individual poderá ser provocado por petição do condenado, por iniciativa do</p><p>Ministério Público, do Conselho Penitenciário, ou da autoridade administrativa.</p><p>Art. 189. A petição do indulto, acompanhada dos documentos que a instruírem, será entregue ao</p><p>Conselho Penitenciário, para a elaboração de parecer e posterior encaminhamento ao Ministério da</p><p>Justiça.</p><p>212</p><p>○ Indulto total: leva à extinção total da</p><p>pena.</p><p>○ Indulto parcial: leva à extinção parcial</p><p>da pena, sendo chamada de</p><p>comutação da pena.</p><p>○ Indulto incondicionado: ato unilateral,</p><p>de modo que o decreto não traz</p><p>nenhuma exigência.</p><p>○ Indulto condicionado: o decreto traz</p><p>algumas exigências, de forma que</p><p>cabe, ao juiz da execução, verificar o</p><p>cumprimento de determinadas</p><p>condições.</p><p>● A decisão do juiz que reconhece a</p><p>punibilidade com base no indulto</p><p>incondicionado é meramente declaratória.</p><p>Portanto, o decreto de indulto</p><p>incondicionado é suficiente para fazer surtir</p><p>os efeitos de extinção da pena.</p><p>● No caso do indulto condicionado, o juiz</p><p>concede o indulto apenas quando</p><p>preenchidas as condições, não sendo a</p><p>sentença meramente declaratória.</p><p>● Segundo o STF, o decreto de indulto pode</p><p>ser julgado inconstitucional caso fique</p><p>demonstrado que tinha por finalidade</p><p>atingir objetivos de interesse pessoal ao</p><p>invés do interesse público.</p><p>○ É inconstitucional decreto presidencial</p><p>que, ao conceder indulto individual</p><p>(graça em sentido estrito), visa atingir</p><p>objetivos distintos daqueles</p><p>213</p><p>autorizados pela Constituição Federal</p><p>de 1988, eis que observa interesse</p><p>pessoal ao invés do público. Há, no</p><p>caso, violação aos princípios da</p><p>impessoalidade e da moralidade</p><p>administrativa (art. 37, “caput”, CF/88),</p><p>além de desvio de finalidade. (STF.</p><p>Plenário. ADPF 964/DF, ADPF 965/DF,</p><p>ADPF 966/DF e ADPF 967/DF, Rel. Min.</p><p>Rosa Weber, julgados em 10/5/2023 -</p><p>Informativo 1094).</p><p>● O indulto pressupõe o trânsito em julgado</p><p>da pena?</p><p>○ 1ª corrente: o trânsito em julgado não é</p><p>essencial, de tal maneira que o sujeito</p><p>pode se beneficiar do indulto antes do</p><p>trânsito em julgado.</p><p>○ 2ª corrente: o indulto pressupõe o</p><p>trânsito em julgado.</p><p>● Cumprimento do tempo de pena para</p><p>satisfação de alguns requisitos do decreto</p><p>de indulto.</p><p>○ Exemplo: O período do tempo de</p><p>prova do SURSI deve ser abrangido</p><p>pelo tempo de cumprimento de pena</p><p>para se conceder o indulto?</p><p>■ 1ª corrente (Renato Marcão): o</p><p>período de prova é pena</p><p>cumprida, sendo computado tal</p><p>período para a concessão do</p><p>indulto.</p><p>214</p><p>■ 2ª corrente (STF- RHC 128515)205: o</p><p>sursis não ostenta a</p><p>categorização jurídica de pena,</p><p>mas, antes, de medida</p><p>alternativa a ela; por isso que não</p><p>cabe confundir o tempo alusivo</p><p>ao período de prova exigido para</p><p>a obtenção de indulto.</p><p>● O juiz da execução, no indulto, pode exigir</p><p>condicionantes, não previstas no decreto,</p><p>para conceder a extinção da punibilidade,</p><p>por exemplo: realização de exame</p><p>criminológico?</p><p>○ Segundo a jurisprudência, não é</p><p>possível.</p><p>● Artigo 5º, XLIII, CF/88: a lei considerará</p><p>crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça</p><p>ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito</p><p>de entorpecentes e drogas afins, o</p><p>terrorismo e os definidos como crimes</p><p>hediondos, por eles respondendo os</p><p>mandantes, os executores e os que, podendo</p><p>evitá-los, se omitirem.</p><p>205 Verifique o seguinte trecho da decisão: "o sursis não ostenta a categorização jurídica de pena,</p><p>mas, antes, de medida alternativa a ela; por isso que não cabe confundir o tempo alusivo ao período</p><p>de prova exigido para a obtenção de referido benefício com o requisito temporal relativo ao</p><p>cumprimento de ¼ da pena privativa de liberdade para alcançar-se o indulto natalino e,</p><p>consectariamente, a extinção da punibilidade (HHCC 123.382 e 123.425, Relatores a Ministra Rosa</p><p>Weber e o Ministro Dias Toffoli, 1ª Turma, j., respectivamente, em 14/10/2014 e 30/09/2014). 4.</p><p>Destarte, tratando-se de institutos penais diversos, não cabe considerar como tempo de</p><p>cumprimento da pena o período de prova exigido para a suspensão condicional da pena no afã de</p><p>conseguir requisito habilitador do indulto".</p><p>(STF - RHC: 128515 BA - BAHIA 0001019-30.2015.1.00.0000, Relator: Min. LUIZ FUX, Data de</p><p>Julgamento: 30/06/2015, Primeira Turma, Data de Publicação: DJe-196 01-10-2015)</p><p>215</p><p>○ Artigo 2º, da Lei 8.072206: essa lei</p><p>acrescenta a vedação da concessão de</p><p>indulto (não está previsto na</p><p>Constituição). Essa previsão é</p><p>constitucional?</p><p>■ 1ª corrente (majoritária): é</p><p>constitucional, porque o artigo</p><p>5º, XLIII, CF traz um mandado</p><p>constitucional de criminalização,</p><p>sendo imposições trazidas ao</p><p>constituinte quanto o</p><p>tratamento de determinados</p><p>crimes, trazendo apenas</p><p>vedações mínimas, de modo que</p><p>o legislador pode estender o rol</p><p>de vedações.</p><p>■ 2ª corrente (Alberto Silva</p><p>Franco): é inconstitucional,</p><p>porque o artigo 5º, XLIII, CF limita</p><p>a atuação do legislador</p><p>infraconstitucional que não pode</p><p>ir além do determinado pelo</p><p>constituinte.</p><p>■ Em 2022, o STJ pacificou a</p><p>questão reconhecendo que a</p><p>revogação do § 2º do art. 2º da</p><p>Lei 8.072/90 não tem o condão</p><p>de retirar do tráfico de drogas</p><p>sua caracterização como delito</p><p>206 Art. 2º Os crimes hediondos, a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e</p><p>o terrorismo são insuscetíveis de: (Vide Súmula Vinculante)</p><p>I - anistia, graça e indulto;</p><p>II - fiança. (Redação dada pela Lei nº 11.464, de</p><p>2007)</p><p>216</p><p>equiparado a hediondo. Isso</p><p>porque a equiparação a</p><p>hediondo do delito de tráfico de</p><p>drogas decorre de previsão</p><p>constitucional constante no art.</p><p>5º, XLIII, da Carta Magna, que</p><p>trata com mais rigor os crimes</p><p>de maior reprovabilidade (STJ. 5ª</p><p>Turma. AgRg no HC 754913-MG,</p><p>Rel. Ministro Jorge Mussi,</p><p>julgado em 6/12/2022 -</p><p>Informativo 760).</p><p>III - pela retroatividade de lei que não mais considera o</p><p>fato como criminoso;</p><p>● É o instituto da abolitio criminis.</p><p>● Natureza jurídica da abolitio criminis</p><p>○ 1ª corrente (minoritária- Flávio Augusto</p><p>Monteiro de Barros): exclusão da</p><p>tipicidade.</p><p>○ 2ª corrente (majoritária): exclusão da</p><p>punibilidade.</p><p>IV - pela prescrição, decadência ou perempção;</p><p>● Decadência: irá fulminar o direito de queixa</p><p>ou direito de representação, de tal maneira</p><p>que não afetará a ação penal pública</p><p>incondicionada. Não recai no direito de punir</p><p>do Estado.</p><p>○ Artigo 103, CP207</p><p>207 Art. 103 - Salvo disposição expressa em contrário, o ofendido decai do direito de queixa ou de</p><p>representação se não o exerce dentro do prazo de 6 (seis) meses, contado do dia em que veio a</p><p>saber quem é o autor do crime, ou, no caso do § 3º do art. 100 deste Código (ação penal privada</p><p>subsidiária da pública), do dia em que se esgota o prazo para oferecimento da denúncia.</p><p>217</p><p>○ Artigo 38, CPP208</p><p>○ Menor que não pode exercer o direito</p><p>de queixa. Como conta o prazo?</p><p>■ Se o ofendido é menor de 18</p><p>anos: ele pode propor a ação</p><p>(artigo 34, CPP) → se ele não</p><p>propuser, quando atingir a</p><p>menoridade pode propor a</p><p>queixa?</p><p>● Súmula 594 STF: Os</p><p>direitos de queixa e de</p><p>representação podem ser</p><p>exercidos,</p><p>independentemente, pelo</p><p>ofendido ou por seu</p><p>representante legal. Esta</p><p>Suprema Corte tem</p><p>reconhecido a dualidade</p><p>de titulares do direito de</p><p>representar ou oferecer</p><p>queixa, cada um com o</p><p>respectivo prazo: um para</p><p>o ofendido e outro para</p><p>seu representante legal.</p><p>208 Art. 38. Salvo disposição em contrário, o ofendido, ou seu representante legal, decairá no direito</p><p>de queixa ou de representação, se não o exercer dentro do prazo de seis meses, contado do dia em</p><p>que vier a saber quem é o autor do crime, ou, no caso do art. 29, do dia em que se esgotar o prazo</p><p>para o oferecimento da denúncia.</p><p>Parágrafo único. Verificar-se-á a decadência do direito de queixa ou representação, dentro do</p><p>mesmo prazo, nos casos dos arts. 24, parágrafo único, e 31.</p><p>218</p><p>● Perempção (artigo 60, CPP209): está</p><p>relacionada com um desinteresse em</p><p>relação ao processo, depois de iniciada a</p><p>ação penal.</p><p>V - pela renúncia do direito de queixa ou pelo perdão</p><p>aceito, nos crimes de ação privada;</p><p>● Renúncia do direito de queixa:</p><p>desinteresse, expresso, em propor a ação</p><p>penal privada. Se o sujeito, depois de 6</p><p>meses não propor a ação penal privada, não</p><p>será renúncia, mas decadência.</p><p>● Perdão do ofendido: esse perdão é um</p><p>perdão pelo ofendido. É cabível somente na</p><p>ação penal de iniciativa privada e pode ser</p><p>processual (concedido no bojo dos autos) ou</p><p>extraprocessual (em cartório, por exemplo),</p><p>expresso ou tácito (tácito é o perdão que</p><p>resulta da prática de ato incompatível com a</p><p>vontade de prosseguir na ação – art. 106, §1º,</p><p>CP). Diferentemente da renúncia, trata-se de</p><p>ato bilateral, não produzindo efeitos se o</p><p>querelado o recusa (art. 106, III, CP).</p><p>Imprescindível, portanto, que o perdão seja</p><p>aceito, expressa ou tacitamente. O silêncio</p><p>do querelado (suposto autor do fato) implica</p><p>209 Art. 60. Nos casos em que somente se procede mediante queixa, considerar-se-á perempta a</p><p>ação penal:</p><p>I - quando, iniciada esta, o querelante deixar de promover o andamento do processo durante 30 dias</p><p>seguidos;</p><p>II - quando, falecendo o querelante, ou sobrevindo sua incapacidade, não comparecer em juízo, para</p><p>prosseguir no processo, dentro do prazo de 60 (sessenta) dias, qualquer das pessoas a quem couber</p><p>fazê-lo, ressalvado o disposto no art. 36;</p><p>III - quando o querelante deixar de comparecer, semmotivo justificado, a qualquer ato do</p><p>processo a que deva estar presente, ou deixar de formular o pedido de condenação nas</p><p>alegações finais;</p><p>IV - quando, sendo o querelante pessoa jurídica, esta se extinguir sem deixar sucessor.</p><p>219</p><p>em aceitação. No mais, não pode o</p><p>querelado impor condições à aceitação; de</p><p>igual modo, a vítima não pode impor</p><p>exigências para que perdoe. Em outras</p><p>palavras, tanto o perdão quanto a aceitação</p><p>são atos incondicionais: perdoa-se sem</p><p>exigências e aceita-se sem condições.</p><p>○ Não confundir com o perdão judicial</p><p>que é um perdão estatal.</p><p>VI - pela retratação do agente, nos casos em que a lei</p><p>a admite;</p><p>● Artigo 143, CP210</p><p>● Artigo 342, §2º, CP211</p><p>IX - pelo perdão judicial, nos casos previstos em lei.</p><p>● Somente é cabível nos casos previstos em lei,</p><p>porque, em decorrência do princípio da</p><p>legalidade e inderrogabilidade da pena, não</p><p>cabe ao agente estatal substituir a vontade</p><p>do próprio Estado.</p><p>● Casos que admitem o perdão judicial</p><p>○ Artigo 121, §5º, CP212</p><p>212 Art. 121.Matar alguém:</p><p>§ 5º - Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar a pena, se as conseqüências</p><p>da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne</p><p>desnecessária.</p><p>211 Art. 342. Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como testemunha, perito, contador,</p><p>tradutor ou intérprete em processo judicial, ou administrativo, inquérito policial, ou em juízo arbitral:</p><p>§ 2 o O fato deixa de ser punível se, antes da sentença no processo em que ocorreu o ilícito, o</p><p>agente se retrata ou declara a verdade.</p><p>210 Art. 143 - O querelado que, antes da sentença, se retrata cabalmente da calúnia ou da</p><p>difamação, fica isento de pena.</p><p>Parágrafo único. Nos casos em que o querelado tenha praticado a calúnia ou a difamação</p><p>utilizando-se de meios de comunicação, a retratação dar-se-á, se assim desejar o ofendido, pelos</p><p>mesmos meios em que se praticou a ofensa.</p><p>220</p><p>○ Artigo 129, §8º, CP213</p><p>○ Artigo 140, §1º, CP214</p><p>○ Artigo 176, parágrafo único, CP215</p><p>○ Artigo 180, §5º, CP216</p><p>■ Somente cabe ao juiz</p><p>determinar o perdão judicial, não</p><p>cabendo ao delegado.</p><p>○ Artigo 242, pu, CP217</p><p>○ Artigo 249, §2º, CP218</p><p>218 Art. 249 - Subtrair menor de dezoito anos ou interdito ao poder de quem o tem sob sua guarda</p><p>em virtude de lei ou de ordem judicial:</p><p>Pena - detenção, de dois meses a dois anos, se o fato não constitui elemento de outro crime.</p><p>§ 2º - No caso de restituição do menor ou do interdito, se este não sofreu maus-tratos ou privações, o</p><p>juiz pode deixar de aplicar pena.</p><p>217 Art. 242 - Dar parto alheio como próprio; registrar como seu o filho de outrem; ocultar</p><p>recém-nascido ou substituí-lo, suprimindo ou alterando direito inerente ao estado civil: (Redação</p><p>dada pela Lei nº 6.898, de 1981)</p><p>Pena - reclusão, de dois a seis anos. (Redação dada pela Lei nº 6.898, de 1981)</p><p>Parágrafo único - Se o crime é praticado por motivo de reconhecida nobreza: (Redação dada pela</p><p>Lei nº 6.898, de 1981)</p><p>Pena - detenção, de um a dois anos, podendo o juiz deixar de aplicar a pena. (Redação dada pela Lei</p><p>nº 6.898, de 1981)</p><p>216 Art. 180 - Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa</p><p>que sabe ser produto de crime, ou influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte:</p><p>(Redação dada pela Lei nº 9.426, de 1996)</p><p>§ 3º - Adquirir ou receber coisa que, por sua natureza ou pela desproporção entre o valor e o preço,</p><p>ou pela condição de quem a oferece, deve presumir-se obtida por meio criminoso: (Redação dada</p><p>pela Lei nº 9.426, de 1996)</p><p>§ 5º - Na hipótese do § 3º (receptação culposa), se o criminoso é primário, pode o juiz, tendo em</p><p>consideração as circunstâncias, deixar de aplicar a pena. Na receptação dolosa aplica-se o disposto</p><p>no § 2º do art. 155. (Incluído pela Lei nº 9.426, de 1996)</p><p>215 Art. 176 - Tomar refeição em restaurante, alojar-se em hotel ou utilizar-se de meio de transporte</p><p>sem dispor de recursos para efetuar o pagamento:</p><p>Pena - detenção, de quinze dias a dois meses, ou multa.</p><p>Parágrafo único - Somente se procede mediante representação,</p><p>e o juiz pode, conforme as</p><p>circunstâncias, deixar de aplicar a pena.</p><p>214 Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:</p><p>§ 1º - O juiz pode deixar de aplicar a pena:</p><p>I - quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria;</p><p>II - no caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria.</p><p>213 § 8º - Aplica-se à lesão culposa o disposto no § 5º do art. 121 (Redação dada pela Lei nº 8.069, de</p><p>1990)</p><p>221</p><p>○ Artigo 39, §2º, Lei de contravenção</p><p>penal 219</p><p>○ Artigo 29, §2º, da Lei 9605220</p><p>○ Artigo 13, da Lei 9807221</p><p>○ Artigo 4º, da Lei das organizações</p><p>criminosas222</p><p>● Existe entendimento no sentido de se</p><p>aplicar, em relação ao homicídio culposo e</p><p>lesão corporal culposa no trânsito, a</p><p>aplicação do perdão judicial.</p><p>222 Art. 4º O juiz poderá, a requerimento das partes, conceder o perdão judicial, reduzir em até 2/3</p><p>(dois terços) a pena privativa de liberdade ou substituí-la por restritiva de direitos daquele que tenha</p><p>colaborado efetiva e voluntariamente com a investigação e com o processo criminal, desde que</p><p>dessa colaboração advenha um oumais dos seguintes resultados:</p><p>I - a identificação dos demais coautores e partícipes da organização criminosa e das infrações penais</p><p>por eles praticadas;</p><p>II - a revelação da estrutura hierárquica e da divisão de tarefas da organização criminosa;</p><p>III - a prevenção de infrações penais decorrentes das atividades da organização criminosa;</p><p>IV - a recuperação total ou parcial do produto ou do proveito das infrações penais praticadas pela</p><p>organização criminosa;</p><p>V - a localização de eventual vítima com a sua integridade física preservada.</p><p>221 Art. 13. Poderá o juiz, de ofício ou a requerimento das partes, conceder o perdão judicial e a</p><p>conseqüente extinção da punibilidade ao acusado que, sendo primário, tenha colaborado efetiva e</p><p>voluntariamente com a investigação e o processo criminal, desde que dessa colaboração tenha</p><p>resultado:</p><p>I - a identificação dos demais co-autores ou partícipes da ação criminosa;</p><p>II - a localização da vítima com a sua integridade física preservada;</p><p>III - a recuperação total ou parcial do produto do crime.</p><p>Parágrafo único. A concessão do perdão judicial levará em conta a personalidade do beneficiado e a</p><p>natureza, circunstâncias, gravidade e repercussão social do fato criminoso.</p><p>220 Art. 29.Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota</p><p>migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em</p><p>desacordo com a obtida:</p><p>§ 2º No caso de guarda doméstica de espécie silvestre não considerada ameaçada de extinção, pode</p><p>o juiz, considerando as circunstâncias, deixar de aplicar a pena.</p><p>219 Art. 39. Participar de associação de mais de cinco pessoas, que se reunam periodicamente, sob</p><p>compromisso de ocultar à autoridade a existência, objetivo, organização ou administração da</p><p>associação:</p><p>§ 2º O juiz pode, tendo em vista as circunstâncias, deixar de aplicar a pena, quando lícito o objeto da</p><p>associação.</p><p>222</p><p>○ Artigo 302, CTB223 e artigo 306, CTB224 .</p><p>● Deve ter consequências tão graves, em</p><p>decorrência da infração penal, que a</p><p>aplicação da pena se torne desnecessária.</p><p>○ Há dois julgados que estabelecem</p><p>requisitos para aplicação do perdão</p><p>judicial</p><p>224 Art. 306. Conduzir veículo automotor com capacidade psicomotora alterada em razão da</p><p>influência de álcool ou de outra substância psicoativa que determine dependência: (Redação dada</p><p>pela Lei nº 12.760, de 2012)</p><p>Penas - detenção, de seis meses a três anos, multa e suspensão ou proibição de se obter a</p><p>permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.</p><p>§ 1o As condutas previstas no caput serão constatadas por: (Incluído pela Lei nº 12.760, de 2012)</p><p>I - concentração igual ou superior a 6 decigramas de álcool por litro de sangue ou igual ou superior</p><p>a 0,3 miligrama de álcool por litro de ar alveolar; ou (Incluído pela Lei nº 12.760, de 2012)</p><p>II - sinais que indiquem, na forma disciplinada pelo Contran, alteração da capacidade psicomotora.</p><p>(Incluído pela Lei nº 12.760, de 2012)</p><p>§ 2o A verificação do disposto neste artigo poderá ser obtida mediante teste de alcoolemia ou</p><p>toxicológico, exame clínico, perícia, vídeo, prova testemunhal ou outros meios de prova em direito</p><p>admitidos, observado o direito à contraprova. (Redação dada pela Lei nº 12.971, de 2014) (Vigência)</p><p>§ 3o O Contran disporá sobre a equivalência entre os distintos testes de alcoolemia ou toxicológicos</p><p>para efeito de caracterização do crime tipificado neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 12.971, de</p><p>2014) (Vigência)</p><p>§ 4º Poderá ser empregado qualquer aparelho homologado pelo Instituto Nacional de Metrologia,</p><p>Qualidade e Tecnologia - INMETRO - para se determinar o previsto no caput. (Incluído pela Lei nº</p><p>13.840, de 2019)</p><p>223 Art. 302. Praticar homicídio culposo na direção de veículo automotor:</p><p>Penas - detenção, de dois a quatro anos, e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a</p><p>habilitação para dirigir veículo automotor.</p><p>§ 1o No homicídio culposo cometido na direção de veículo automotor, a pena é aumentada de 1/3</p><p>(um terço) à metade, se o agente: (Incluído pela Lei nº 12.971, de 2014) (Vigência)</p><p>I - não possuir Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação; (Incluído pela Lei nº 12.971, de 2014)</p><p>(Vigência)</p><p>II - praticá-lo em faixa de pedestres ou na calçada; (Incluído pela Lei nº 12.971, de 2014) (Vigência)</p><p>III - deixar de prestar socorro, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à vítima do acidente;</p><p>(Incluído pela Lei nº 12.971, de 2014) (Vigência)</p><p>IV - no exercício de sua profissão ou atividade, estiver conduzindo veículo de transporte de</p><p>passageiros. (Incluído pela Lei nº 12.971, de 2014) (Vigência)</p><p>§ 3o Se o agente conduz veículo automotor sob a influência de álcool ou de qualquer outra</p><p>substância psicoativa que determine dependência: (Incluído pela Lei nº 13.546, de 2017) (Vigência)</p><p>Penas - reclusão, de cinco a oito anos, e suspensão ou proibição do direito de se obter a permissão</p><p>ou a habilitação para dirigir veículo automotor. (Incluído pela Lei nº 13.546, de 2017) (Vigência)</p><p>223</p><p>■ REsp 1455178225</p><p>■ REsp 1444699226</p><p>○ Imagine o seguinte caso: um professor</p><p>dá uma carona para um aluno, de</p><p>modo que o aluno morre, porém o</p><p>professor continua vivo. Haverá</p><p>possibilidade de perdão judicial?</p><p>■ Não, porque não havia vínculo</p><p>afetivo entre os dois, mesmo que</p><p>o professor tenha ficado muito</p><p>abalado.</p><p>○ No caso de concurso formal de crimes,</p><p>a concessão do perdão judicial em</p><p>relação a um dos crimes não se</p><p>estende a outro crime.</p><p>● Natureza jurídica da sentença que</p><p>concede o perdão judicial:</p><p>○ Súmula 18 STJ:: "a sentença concessiva</p><p>do perdão judicial é declaratória da</p><p>226 Veja um trecho da decisão, a seguir: "a análise do grave sofrimento, apto a ensejar a inutilidade da</p><p>função retributiva da pena, deve ser aferida de acordo com o estado emocional de que é acometido</p><p>o sujeito ativo do crime, em decorrência da sua ação culposa, razão pela qual a doutrina, quando a</p><p>avaliação está voltada para o sofrimento psicológico do agente, enxerga no § 5º a exigência da prévia</p><p>existência de um vínculo, de um laço de conhecimento entre os envolvidos, para que seja "tão</p><p>grave" a consequência do crime ao agente. Isso porque a interpretação dada é a de que, na maior</p><p>parte das vezes, só sofre intensamente aquele réu que, de forma culposa, matou alguém conhecido</p><p>e com quemmantinha laços afetivos".</p><p>(STJ - REsp: 1444699 RS 2014/0071420-6, Relator: Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, Data de</p><p>Julgamento: 01/06/2017, T6 - SEXTA TURMA, Data de Publicação: DJe 09/06/2017)</p><p>225 Veja um trecho da decisão, a seguir: "não há empecilho a que se aplique o perdão judicial nos</p><p>casos em que o agente do homicídio culposo - mais especificamente nas hipóteses de crime de</p><p>trânsito - sofra sequelas físicas gravíssimas e permanentes, como, por exemplo, ficar tetraplégico, em</p><p>estado vegetativo, ou incapacitado para o trabalho. 3. A análise do grave sofrimento, apto a ensejar,</p><p>também, a inutilidade da função retributiva da pena, deve ser</p><p>aferido de acordo com o estado</p><p>emocional de que é acometido o sujeito ativo do crime, em decorrência da sua ação culposa. 4. A</p><p>melhor doutrina, quando a avaliação está voltada para o sofrimento psicológico do agente, enxerga</p><p>no § 5º a exigência de um vínculo, de um laço prévio de conhecimento entre os envolvidos, para que</p><p>seja "tão grave" a consequência do crime ao agente.</p><p>(STJ - REsp: 1455178 DF 2012/0008332-1, Relator: Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, Data de</p><p>Julgamento: 05/06/2014, T6 - SEXTA TURMA, Data de Publicação: DJe 06/06/2014 REVJUR vol. 440 p.</p><p>143 RT vol. 949 p. 402)</p><p>224</p><p>extinção da punibilidade, não</p><p>subsistindo qualquer efeito</p><p>condenatório".</p><p>○ Artigo 120, CP:: "a sentença que</p><p>conceder perdão judicial não será</p><p>considerada para efeitos de</p><p>reincidência".</p><p>■ A sentença que concede o</p><p>perdão judicial extingue todos os</p><p>efeitos penais.</p><p>● Reconhecimento quanto ao perdão</p><p>judicial se tratar de uma faculdade ou</p><p>direito subjetivo do acusado</p><p>○ 1ª corrente (Magalhães</p><p>Noronha-minoritária): é uma faculdade</p><p>do juiz.</p><p>○ 2ª corrente (Damásio de Jesus-</p><p>majoritária): é um direito subjetivo do</p><p>acusado.</p><p>● Princípio da bagatela imprópria (crime</p><p>bagatelar imprópria): o crime praticado é</p><p>típico (formal e material), ilícito e culpável,</p><p>porém a aplicação da pena é desnecessária,</p><p>dada as circunstâncias do caso. Esse caso</p><p>seria uma hipótese supralegal de perdão</p><p>judicial. Isso é aceito?</p><p>○ 1ª corrente (Zaffaroni): é aceito.</p><p>○ 2ª corrente (STJ e STF- majoritária):</p><p>pelo princípio da inderrogabilidade, o</p><p>juiz não pode afastar a aplicação da</p><p>pena, mas apenas minimizar a pena,</p><p>225</p><p>com base no artigo 59227 c/c artigo 65,</p><p>CP228.</p><p>● Exemplo: Uma mulher grávida tentou</p><p>suicídio e o feto morre, de tal maneira que</p><p>o Ministério Público realizou uma</p><p>denúncia por aborto. A mulher deve ser</p><p>punida?</p><p>○ 1ª corrente: a mulher não pode ser</p><p>punida pelo aborto, porque ela não</p><p>teve dolo, de modo que, pela falta de</p><p>previsão culposa, não há como punir</p><p>por aborto, havendo uma conduta</p><p>atípica.</p><p>○ 2ª corrente (Bruno Gilaberte): a mulher</p><p>pode ser punida por aborto, porque</p><p>seria uma conduta dolosa, sendo, para</p><p>esse autor, dolo direito de 2º grau.229</p><p>229 Alguns autores entendem que se trata de dolo eventual.</p><p>228 Art. 65 - São circunstâncias que sempre atenuam a pena: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de</p><p>11.7.1984)</p><p>I - ser o agente menor de 21 (vinte e um), na data do fato, ou maior de 70 (setenta) anos, na data da</p><p>sentença; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>II - o desconhecimento da lei; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>III - ter o agente: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>a) cometido o crime por motivo de relevante valor social ou moral;</p><p>b) procurado, por sua espontânea vontade e com eficiência, logo após o crime, evitar-lhe ou</p><p>minorar-lhe as conseqüências, ou ter, antes do julgamento, reparado o dano;</p><p>c) cometido o crime sob coação a que podia resistir, ou em cumprimento de ordem de autoridade</p><p>superior, ou sob a influência de violenta emoção, provocada por ato injusto da vítima;</p><p>d) confessado espontaneamente, perante a autoridade, a autoria do crime;</p><p>e) cometido o crime sob a influência de multidão em tumulto, se não o provocou.</p><p>227 Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade</p><p>do agente, aos motivos, às circunstâncias e conseqüências do crime, bem como ao comportamento</p><p>da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para reprovação e prevenção do</p><p>crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>I - as penas aplicáveis dentre as cominadas; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>II - a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites previstos; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de</p><p>11.7.1984)</p><p>III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade; (Incluído pela Lei nº 7.209, de</p><p>11.7.1984)</p><p>IV - a substituição da pena privativa da liberdade aplicada, por outra espécie de pena, se cabível.</p><p>(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>226</p><p>○ 3ª corrente: deve haver a aplicação da</p><p>excludente de culpabilidade</p><p>(inimputabilidade → depressão</p><p>caracterizada como doença mental),</p><p>de modo que a mulher não será</p><p>punida.</p><p>○ 4ª corrente: deve reconhecer a</p><p>bagatela imprópria (causa extintiva de</p><p>culpabilidade supralegal), porque,</p><p>diante das circunstâncias, a pena é</p><p>desnecessária. Logo, a mulher não</p><p>deve ser responsabilizada.</p><p>d.Prescrição</p><p>i. Artigo 107, IV, CP230</p><p>● Perempção: somente é aplicada na ação penal</p><p>privada.</p><p>● Decadência: aplicada na ação penal privada e na</p><p>ação penal pública condicionada à representação.</p><p>● Prescrição: tratada nos artigos 109 a 119, CP.</p><p>ii. Conceito: a prescrição pode ser definida como a perda,</p><p>em decorrência do transcurso de prazo previsto em lei,</p><p>do direito do Estado de punir ou executar a pena, dado</p><p>que o Estado manteve-se inerte durante esse lapso</p><p>temporal.</p><p>iii. Diferença entre prescrição e decadência</p><p>● Prescrição:</p><p>○ Atinge o direito de punir do Estado.</p><p>○ Aplica-se a todo e qualquer crime.</p><p>230 Art. 107 - Extingue-se a punibilidade:</p><p>IV - pela prescrição, decadência ou perempção;</p><p>227</p><p>○ Ocorre antes da ação penal ou após a ação</p><p>penal.</p><p>○ Há interrupção e suspensão.</p><p>● Decadência:</p><p>○ Atinge o direito de ação ou o direito de</p><p>representação.</p><p>○ Aplica-se aos crimes de ação penal privada e</p><p>pública condicionada à representação.</p><p>○ Ocorre antes da ação penal.</p><p>○ Não há interrupção e suspensão.</p><p>iv. Artigo 61, CPP231</p><p>v. Espécies de prescrição</p><p>● Prescrição da pretensão punitiva (PPP):</p><p>○ É a perda do direito de condenar.</p><p>○ Ocorre antes da formação de um título</p><p>executivo (condenação com trânsito em</p><p>julgado).</p><p>○ Fulmina as consequências penais do crime,</p><p>mantendo as consequências extrapenais.</p><p>● Prescrição da pretensão executória (PPE):</p><p>231 Art. 61. Em qualquer fase do processo, o juiz, se reconhecer extinta a punibilidade, deverá</p><p>declará-lo de ofício.</p><p>Parágrafo único. No caso de requerimento do Ministério Público, do querelante ou do réu, o juiz</p><p>mandará autuá-lo em apartado, ouvirá a parte contrária e, se o julgar conveniente, concederá o</p><p>prazo de cinco dias para a prova, proferindo a decisão dentro de cinco dias ou reservando-se para</p><p>apreciar a matéria na sentença final.</p><p>228</p><p>○ É a perda do direito do Estado de executar a</p><p>pena.</p><p>○ Ocorre após a formação de um título</p><p>executivo (condenação com trânsito em</p><p>julgado). Assim, após passado um lapso</p><p>temporal, o sujeito não terá a pena</p><p>executada, porém se mantém os efeitos</p><p>secundários (maus antecedentes e</p><p>reincidência) da pena, conforme a doutrina</p><p>majoritária.</p><p>vi. Prescrição da pretensão punitiva (artigo 109, CP)</p><p>Art. 109. A prescrição, antes de transitar em julgado a</p><p>sentença final, salvo o disposto no § 1o do art. 110 deste</p><p>Código232, regula-se pelo máximo da pena privativa de</p><p>liberdade cominada ao crime, verificando-se: (Redação dada</p><p>pela Lei nº 12.234, de 2010).</p><p>I - em vinte anos, se o máximo da pena é superior</p><p>a doze;</p><p>II - em dezesseis anos, se o máximo da pena é</p><p>superior a oito anos e não excede a doze;</p><p>III - em doze anos, se omáximo da pena é superior</p><p>a quatro anos e não excede a oito;</p><p>232 Art. 110 - A prescrição depois de transitar em julgado a sentença condenatória (prescrição da</p><p>pretensão executória para a condenação) regula-se pela pena aplicada e verifica-se nos prazos</p><p>fixados no artigo anterior, os quais se aumentam de um terço, se o condenado é reincidente.</p><p>(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>§ 1º A prescrição, depois da sentença condenatória com trânsito em julgado para a acusação ou</p><p>depois de improvido seu recurso, regula-se pela pena aplicada, não podendo, em nenhuma</p><p>hipótese, ter por termo inicial data anterior à da denúncia ou queixa. (Redação dada pela Lei nº</p><p>12.234, de 2010).</p><p>229</p><p>IV - em oito anos, se o máximo da pena é superior</p><p>a dois anos e não excede a quatro;</p><p>V - em quatro anos, se omáximo da pena é igual a</p><p>um ano ou, sendo superior, não excede a dois;</p><p>VI - em 3 (três) anos, se o máximo da pena é</p><p>inferior a 1 (um) ano (VI</p><p>- em dois anos, se o</p><p>máximo da pena é inferior a um ano. → revogado)233</p><p>● Atenção! Os prazos para a prescrição penal e executória</p><p>estão previstos no artigo 109, CP, o que muda é que, na</p><p>pretensão punitiva, regula-se pela pena máxima</p><p>privativa de liberdade cominada ao crime (pena em</p><p>abstrato), enquanto que, na pretensão executória,</p><p>regula-se pela pena pela aplicada no caso concreto. Em</p><p>relação às penas restritivas de direito aplica-se o artigo</p><p>109, CP. E, quando se trata de pena de multa deve-se</p><p>aplicar o prazo de 2 anos, conforme o artigo 114, CP.</p><p>● Qual o prazo mínimo de prescrição previsto em lei234?</p><p>○ Não é 3 anos ( previsto no artigo 109, VI, CP). O</p><p>menor prazo é o de 2 anos, previsto no artigo 30,</p><p>da Lei 11.343/06235 .</p><p>● O que é pena máxima?</p><p>■ Para alcançar a pena máxima em abstrato,</p><p>não são computadas as circunstâncias</p><p>agravantes e atenuantes, que não possuem</p><p>fração determinada e não são capazes de</p><p>235 Art. 30. Prescrevem em 2 (dois) anos a imposição e a execução das penas, observado, no tocante</p><p>à interrupção do prazo, o disposto nos arts. 107 e seguintes do Código Penal.</p><p>234 Cai muito em provas objetivas.</p><p>233 A norma que mudou o prazo prescricional é uma norma prejudicial, não retroagindo, de modo</p><p>que quem praticou o crime antes de 2010 fica sujeito ao prazo prescricional de 2 anos.</p><p>230</p><p>alterar os limites mínimo e máximo definidos</p><p>no tipo penal. Por outro lado, as minorantes</p><p>e majorantes, por terem aumento e</p><p>diminuição ditados em lei, sendo capazes de</p><p>extrapolar os limites máximo e mínimo da</p><p>pena cominada, são computadas no</p><p>máximo abstrato e o cálculo da prescrição</p><p>deve considerá-las. No caso de aumento ou</p><p>diminuição variável (ex: 1/3 a 2/3), deve ser</p><p>aplicada a teoria da pior das hipóteses, de</p><p>modo que, para a causa de aumento, deve</p><p>considerar o maior aumento possível (2/3,</p><p>considerando o exemplo dado); para a causa</p><p>de diminuição, deve considerar a menor</p><p>redução cabível dentre os parâmetros</p><p>fixados no dispositivo respectivo (de acordo</p><p>com o exemplo, 1/3). No caso de concurso</p><p>material, concurso formal e de crime</p><p>continuado, a extinção da punibilidade</p><p>incidirá sobre a pena de cada um,</p><p>isoladamente (art. 119, CP), deve-se lembrar</p><p>que: “em caso de continuidade delitiva, a</p><p>prescrição regula-se pela pena imposta na</p><p>sentença, não se computando o acréscimo</p><p>decorrente da continuação” (súmula nº 497,</p><p>STF).</p><p>■ Exemplo: sujeito praticou tentativa de</p><p>homicídio</p><p>➢ Pena de homicídio: reclusão, de seis a</p><p>vinte anos.</p><p>➢ Artigo 14, parágrafo único, CP</p><p>(tentativa): Salvo disposição em</p><p>231</p><p>contrário, pune-se a tentativa com a</p><p>pena correspondente ao crime</p><p>consumado, diminuída de um a dois</p><p>terços.</p><p>■ 20 anos -⅓. 20 = de 13 - 14 anos</p><p>■ 20 anos -⅔. 20 = de 6 a 7 anos</p><p>➢ Logo, para ter a pena</p><p>máxima, deve-se utilizar,</p><p>em relação às causas de</p><p>diminuição, o quantum</p><p>que menos aumenta. E,</p><p>nas causas de aumento, o</p><p>quantum que mais</p><p>aumenta.</p><p>● Prescrição no concurso formal e material de</p><p>crimes</p><p>○ Artigo 119, CP: "no caso de concurso de</p><p>crimes, a extinção da punibilidade incidirá</p><p>sobre a pena de cada um, isoladamente".</p><p>Assim, considera cada crime de forma</p><p>isolada para verificar a prescrição</p><p>● Prescrição no crime continuado</p><p>○ Artigo 71, CP236</p><p>○ Súmula 497 STF: "quando se tratar de crime</p><p>continuado, a prescrição regula-se pela pena</p><p>236 Art. 71 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes</p><p>da mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhantes,</p><p>devem os subseqüentes ser havidos como continuação do primeiro, aplica-se-lhe a pena de um só</p><p>dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada, em qualquer caso, de um sexto a</p><p>dois terços. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>Parágrafo único - Nos crimes dolosos, contra vítimas diferentes, cometidos com violência ou grave</p><p>ameaça à pessoa, poderá o juiz, considerando a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a</p><p>personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias, aumentar a pena de um só dos</p><p>crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, até o triplo, observadas as regras do parágrafo</p><p>único do art. 70 e do art. 75 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>232</p><p>imposta na sentença, não se computando o</p><p>acréscimo decorrente da continuação".</p><p>● Contagem do prazo</p><p>○ Inclui o primeiro dia e exclui o último (prazo</p><p>material)</p><p>● Redução do prazo prescricional</p><p>Artigo 115, CP:: são reduzidos de metade os prazos</p><p>de prescrição quando o criminoso era, ao tempo</p><p>do crime, menor de 21 (vinte e um) anos, ou, na</p><p>data da sentença,maior de 70 (setenta) anos.</p><p>vii. Prescrição da pretensão executória</p><p>● Aumento e redução do prazo prescricional</p><p>○ No caso de réu reincidente, há o aumento de</p><p>⅓ do prazo prescricional.</p><p>○ Artigo 115, CP: são reduzidos de metade os</p><p>prazos de prescrição quando o criminoso era,</p><p>ao tempo do crime, menor de 21 (vinte e um)</p><p>anos, ou, na data da sentença, maior de 70</p><p>(setenta) anos.</p><p>■ Julgados que trazem o "conceito de</p><p>data da sentença"</p><p>➢ Informativo 731 STF237</p><p>■ Embargos de Declaração</p><p>da Ação Penal 516 ED/DF</p><p>237 Em regra, para se beneficiar da redução de prazo prevista no art. 115 do CP, o condenado</p><p>deverá ser maior de 70 anos no dia em que a sessão de julgamento for realizada, uma vez que</p><p>em tal data a prestação jurisdicional penal condenatória tornar-se-á pública. Não interessa,</p><p>portanto, a data em que a decisão é publicada na imprensa oficial. Existe, no entanto, uma situação</p><p>em que o condenado será beneficiado pela redução do art. 115 do CPmesmo tendo completado 70</p><p>anos após a sessão de julgamento: isso ocorre quando o condenado opõe embargos de declaração</p><p>contra o acórdão condenatório e esses embargos são conhecidos. Nesse caso, o prazo prescricional</p><p>será reduzido pela metade se o réu completar 70 anos até a data do julgamento dos embargos.</p><p>STF. Plenário. AP 516 ED/DF, rel. orig. Min. Ayres Britto, red. p/ o acórdão Min. Luiz Fux, julgado em</p><p>5/12/2013 (Info 731), grifo nosso.</p><p>Disponível em: Info 731 STF.pdf</p><p>233</p><p>trouxe os requisitos para</p><p>utilização do acórdão</p><p>como marco inicial para</p><p>redução ou não do prazo</p><p>prescricional, a seguir:</p><p>● Processo originário</p><p>do Tribunal.</p><p>● Quando houver</p><p>reforma da sentença</p><p>no todo ou em parte.</p><p>● Embargos de</p><p>declaração</p><p>✏Exemplo:</p><p>Um sujeito tem 68 anos, de modo que, no recurso manejado pela defesa,</p><p>pleiteia-se a redução de pena, havendo provimento parcial do recurso com</p><p>reforma parcial da sentença. O acórdão reforma a sentença, sendo</p><p>prolatado quando o sujeito tinha 69 anos e 8 meses (prescrição integral).</p><p>Assim, o advogado embarga de declaração o acórdão e aguarda</p><p>julgamento. Os embargos são conhecidos e desprovidos238. No momento</p><p>que os embargos são desprovidos, o sujeito pede o reconhecimento da</p><p>prescrição, já que havia passado metade do prazo prescricional.</p><p>■ Há um julgado da 6ª</p><p>Turma do STJ que admite</p><p>a aplicação do artigo 115,</p><p>CP239, caso o acórdão</p><p>239 Art. 115 - São reduzidos de metade os prazos de prescrição quando o criminoso era, ao tempo do</p><p>crime, menor de 21 (vinte e um) anos, ou, na data da sentença, maior de 70 (setenta) anos. (Redação</p><p>dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>238 Quando ele tinha 70 anos.</p><p>234</p><p>tenha confirmado a</p><p>condenação e modificado</p><p>a sentença a ponto de a</p><p>sentença ser considerada</p><p>um novo título</p><p>condenatório. Nesse caso,</p><p>o acórdão será</p><p>reconhecido como uma</p><p>nova prestação</p><p>jurisdicional, sendo um</p><p>marco inicial.</p><p>■ STJ - INFO 773: o</p><p>condenado deve</p><p>completar 70 anos antes</p><p>da sentença,</p><p>independentemente de</p><p>posterior recurso, salvo no</p><p>caso de embargos de</p><p>declaração conhecidos</p><p>contra a sentença/acórdão</p><p>condenatórios, quando o</p><p>réu poderá completar 70</p><p>anos até a data do</p><p>julgamento dos embargos.</p><p>“É cabível a redução do</p><p>prazo prescricional pela</p><p>metade (art. 115 do CP) se,</p><p>entre a sentença</p><p>condenatória e o</p><p>julgamento dos embargos</p><p>de declaração, o réu atinge</p><p>a idade superior a 70 anos,</p><p>235</p><p>tendo em vista que a</p><p>decisão que</p><p>julga os</p><p>embargos integra a</p><p>própria sentença</p><p>condenatória. (STJ. 6ª</p><p>Turma. EDcl no AgRg no</p><p>REsp 1.877.388-CE, Rel.</p><p>Min. Antonio Saldanha</p><p>Palheiro, julgado em</p><p>2/5/2023. Informativo 773).</p><p>viii. Questões interessantes envolvendo prescrição</p><p>● Há alguns crimes que possuem um mandamento</p><p>constitucional de criminalização (ex: artigo 5º, XLII,</p><p>CF240).</p><p>● Crime de racismo (Lei 7716/89) e Injúria racial</p><p>(previsto, antes de 2023, no artigo 140, §3º, CP241 )</p><p>241 Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:</p><p>§ 3 o Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou</p><p>a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: (Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003)</p><p>Pena - reclusão de um a três anos e multa. (Incluído pela Lei nº 9.459, de 1997)</p><p>240 XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de</p><p>reclusão, nos termos da lei; (fazer remissão ao artigo 109, CF e ao artigo 5º, XLIV)</p><p>XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares,</p><p>contra a ordem constitucional e o Estado Democrático;</p><p>236</p><p>○ O STF, decidiu, em 2021 (HC 154248242), que,</p><p>em que pese o artigo 5º, XLII, não fazer</p><p>menção à injúria racial, deve-se estender a</p><p>imprescritibilidade à injúria racial.</p><p>○ Em 2023, o crime de injúria racial que, antes,</p><p>era previsto no Código Penal passou a ser</p><p>previsto na Lei 7716/89, no artigo 2º-A. Nesse</p><p>contexto, convém salientar que mesmo</p><p>antes da Lei nº 14.532/2023 não se tinha</p><p>dúvidas em relação ao fato de que a injúria</p><p>racial (prevista até então no art 140, §3º, CP)</p><p>era imprescritível, já que era uma espécie do</p><p>gênero racismo. Todavia, depois da Lei nº</p><p>14.532/2023, esse entendimento</p><p>jurisprudencial foi reforçado. Isso porque</p><p>agora a injúria racial está dentro da Lei nº</p><p>7.716/89 (Lei do Crime Racial).</p><p>○</p><p>ix. Marcos de contagem do prazo prescricional da</p><p>pretensão punitiva</p><p>● Artigo 111, CP traz o início do prazo prescricional</p><p>em relação à pretensão punitiva.</p><p>242 HABEAS CORPUS. MATÉRIA CRIMINAL. INJÚRIA RACIAL (ART. 140, § 3º, DO CÓDIGO PENAL).</p><p>ESPÉCIE DO GÊNERO RACISMO. IMPRESCRITIBILIDADE. DENEGAÇÃO DA ORDEM. 1. Depreende-se</p><p>das normas do texto constitucional, de compromissos internacionais e de julgados do Supremo</p><p>Tribunal Federal o reconhecimento objetivo do racismo estrutural como dado da realidade brasileira</p><p>ainda a ser superado por meio da soma de esforços do Poder Público e de todo o conjunto da</p><p>sociedade. 2. O crime de injúria racial reúne todos os elementos necessários à sua caracterização</p><p>como uma das espécies de racismo, seja diante da definição constante do voto condutor do</p><p>julgamento do HC 82.424/RS, seja diante do conceito de discriminação racial previsto na Convenção</p><p>Internacional Sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial. 3. A simples</p><p>distinção topológica entre os crimes previstos na Lei 7.716/1989 e o art. 140, § 3º, do Código</p><p>Penal não tem o condão de fazer deste uma conduta delituosa diversa do racismo, até porque o</p><p>rol previsto na legislação extravagante não é exaustivo. 4. Por ser espécie do gênero racismo, o</p><p>crime de injúria racial é imprescritível.</p><p>(STF - HC: 154248 DF 0067385-46.2018.1.00.0000, Relator: EDSON FACHIN, Data de Julgamento:</p><p>28/10/2021, Tribunal Pleno, Data de Publicação: 23/02/2022, grifo nosso)</p><p>237</p><p>Art. 111 - A prescrição, antes de transitar em julgado a</p><p>sentença final, começa a correr:</p><p>I - do dia em que o crime se consumou;</p><p>● Não é no dia da ação ou omissão. Nesse caso, a</p><p>consumação é quando ocorreu o resultado.</p><p>II - no caso de tentativa, do dia em que cessou a</p><p>atividade criminosa;</p><p>III - nos crimes permanentes, do dia em que cessou a</p><p>permanência;</p><p>IV - nos de bigamia e nos de falsificação ou alteração de</p><p>assentamento do registro civil, da data em que o fato se</p><p>tornou conhecido.</p><p>V - nos crimes contra a dignidade sexual ou que</p><p>envolvam violência contra a criança e o adolescente,</p><p>previstos neste Código ou em legislação especial, da</p><p>data em que a vítima completar 18 (dezoito) anos, salvo</p><p>se a esse tempo já houver sido proposta a ação penal.</p><p>(Redação dada pela Lei nº 14.344, de 2022)</p><p>● Crime continuado: é uma ficção jurídica, de modo</p><p>que há um tratamento único. Assim, em relação à</p><p>prescrição, ela incide da data de cada delito,</p><p>individualmente.</p><p>● Crime instantâneo de efeitos permanentes: a</p><p>prescrição começa na consumação do crime</p><p>instantâneo.</p><p>● Crimes permanentes: a prescrição começa na</p><p>cessação da permanência.</p><p>238</p><p>x. Marcos de contagem do prazo prescricional da</p><p>pretensão executória</p><p>● 1º marco temporal: começa o prazo prescricional</p><p>do dia que transitar em julgado a sentença</p><p>condenatória para ambas as partes. O STF alterou</p><p>sua posição (STF. Plenário. AI 794971 AgR,</p><p>Relator(a) p/ Acórdão: Marco Aurélio, julgado em</p><p>19/04/2021), tendo sido seguido pelo STJ (STJ. 3ª</p><p>Seção. AgRg no REsp 1.983.259-PR, Rel. Min.</p><p>Sebastião Reis Júnior, julgado 26/10/2022 -</p><p>Informativo 755).</p><p>● 2º marco temporal: houve um Recurso</p><p>Extraordinário (RE 696533243) que entendeu que o</p><p>início da prescrição da pretensão executória deve</p><p>ser analisado de modo que somente vai acontecer</p><p>quando houver uma decisão de 2ª instância que</p><p>permite a execução da pena, porque a prescrição</p><p>da pretensão executória pressupõe a inércia do</p><p>titular do direito de punir.</p><p>● Como o STF começou a entender que não</p><p>pode haver execução da pena antes do</p><p>trânsito em julgado, não faz mais sentido</p><p>essa posição.</p><p>243 Veja um trecho da decisão, a seguir: "a prescrição da pretensão executória pressupõe a inércia do</p><p>titular do direito de punir. Se o seu titular se encontrava impossibilitado de exercê-lo em razão do</p><p>entendimento anterior do Supremo Tribunal Federal que vedava a execução provisória da pena, não</p><p>há falar-se em inércia do titular da pretensão executória. 2. O entendimento defensivo de que a</p><p>prescrição da pretensão executória se inicia com o trânsito em julgado para a acusação viola o</p><p>direito fundamental à inafastabilidade da jurisdição, que pressupõe a existência de uma tutela</p><p>jurisdicional efetiva, ou melhor, uma justiça efetiva. 3. A verificação, em concreto, de manobras</p><p>procrastinatórias, como sucessiva oposição de embargos de declaração e a renúncia do recorrente</p><p>ao cargo de prefeito que ocupava, apenas reforça a ideia de que é absolutamente desarrazoada a</p><p>tese de que o início da contagem do prazo prescricional deve se dar a partir do trânsito em julgado</p><p>para a acusação. Em verdade, tal entendimento apenas fomenta a interposição de recursos com fim</p><p>meramente procrastinatório, frustrando a efetividade da jurisdição penal. 4. Desse modo, se não</p><p>houve ainda o trânsito em julgado para ambas as partes, não há falar-se em prescrição da</p><p>pretensão executória". (STF - RE: 696533 SC - SANTA CATARINA, Relator: Min. LUIZ FUX, Data de</p><p>Julgamento: 06/02/2018, Primeira Turma, Data de Publicação: DJe-041 05-03-2018, grifo nosso)</p><p>239</p><p>● 3º marco temporal: começa o prazo prescricional</p><p>do dia em que se revoga o SURSI, porque, quando</p><p>tem uma suspensão condicional da pena, não está</p><p>aplicando uma pena ao sujeito.</p><p>● 4º marco temporal: começa o prazo prescricional</p><p>do dia em que se revoga o livramento condicional.</p><p>● 5º marco temporal: começa o prazo prescricional</p><p>do dia em que houver interrupção da execução da</p><p>pena, como a fuga do agente.</p><p>● Observação: nos casos em que a interrupção de</p><p>pena for computada como pena, não terá início da</p><p>pretensão executória, como no caso de</p><p>superveniência de doença mental.</p><p>● Revogação do livramento condicional no caso</p><p>do condenado que se evade</p><p>● Artigo 113, CP:: "no caso de evadir-se o</p><p>condenado ou de revogar-se o livramento</p><p>condicional, a prescrição é regulada pelo</p><p>tempo que resta da pena".</p><p>○ É necessário retirar o prazo que o</p><p>sujeito cumpriu de pena para</p><p>encontrar um novo prazo da pretensão</p><p>executória com base no período que</p><p>restou. Isso também ocorre no caso do</p><p>livramento condicional revogado, visto</p><p>que o período do livramento</p><p>condicional</p><p>(Roxin)</p><p>ii. Limitação e garantia</p><p>● Função limitadora: O Direito Penal serve para limitar a</p><p>atuação do Estado em matéria punitiva, garantindo o</p><p>direito de liberdade dos cidadãos.</p><p>■ Há normas do Direito Penal que devem ser</p><p>observadas pelo próprio Estado, limitando</p><p>sua atuação punitiva.</p><p>20</p><p>● Função de garantia: o cidadão somente será punido se</p><p>agir em desconformidade com as normas criadas em</p><p>determinada coletividade.</p><p>iii. Reafirmação de validade da norma (Jakobs- funcionalismo</p><p>radical): o Direito Penal tem a função de reafirmar a vigência</p><p>da norma, porque quando o Direito Penal é chamado para</p><p>intervir o bem jurídico já foi violado, de modo que a única coisa</p><p>que acontece é mostrar para a sociedade que a norma ainda é</p><p>vigente e deve ser respeitada.</p><p>iv. Ético-social (Welzel): o Direito Penal tem a função de proteger</p><p>os valores consagrados na sociedade, mantendo a estabilidade</p><p>das relações sociais.</p><p>k.Funcionalismo penal</p><p>i. Funcionalismo teleológico ou moderado (Roxin): é uma</p><p>corrente que diz respeito à missão e à estrutura do Direito</p><p>Penal. Nesse sentido, a função do Direito Penal é proteger</p><p>bens jurídicos penalmente relevantes.</p><p>● Consequência: a pena somente é legítima se atender às</p><p>funções repressivas e de prevenção geral e especial.</p><p>ii. Funcionalismo radical ou sistêmico (Jakobs): a função do</p><p>Direito Penal é reafirmar a vigência da norma, porque o bem</p><p>jurídico já foi violado. Por conta disso, há a proposta de</p><p>antecipação da tutela penal.</p><p>● A resposta de Roxin para Jakobs é que, embora o bem</p><p>jurídico tenha sido violado em determinado caso, caso se</p><p>atente à função de prevenção geral e especial da pena,</p><p>evita-se a violação de outros bens jurídicos da mesma</p><p>ordem.</p><p>21</p><p>l. Escolas Penais</p><p>i. Escola Penal Causal</p><p>● Principais autores: Franz von Liszt e Hans Welzel.</p><p>● Esta escola está associada ao positivismo jurídico e</p><p>enfatiza a relação causal entre a conduta do agente e</p><p>o resultado produzido. O foco principal é na análise</p><p>objetiva dos elementos do crime.</p><p>● Conceito de fato típico: Refere-se à conduta humana</p><p>voluntária que se enquadra nos elementos descritos</p><p>na lei como crime, incluindo ação ou omissão,</p><p>resultado e nexo causal.</p><p>● Conceito de antijurídico: Significa a contrariedade da</p><p>conduta ao ordenamento jurídico, ou seja, a ação ou</p><p>omissão viola uma norma legal.</p><p>● Conceito de culpável: Relaciona-se à imputabilidade e</p><p>à culpabilidade do agente, considerando sua</p><p>capacidade de entender o caráter ilícito do ato e de</p><p>agir de acordo com essa compreensão.</p><p>ii. Escola Neokantista</p><p>● Principais autores: Mayer e Mezger.</p><p>● Baseia-se na filosofia kantiana e destaca a</p><p>importância dos valores e princípios éticos na</p><p>interpretação e aplicação do direito penal. A vontade</p><p>do agente e seus motivos são considerados essenciais</p><p>para a análise do crime.</p><p>● Conceito de fato típico: Além dos elementos objetivos</p><p>do crime, também leva em consideração a intenção</p><p>do agente e sua vontade consciente de violar a</p><p>norma.</p><p>22</p><p>● Conceito de antijurídico: Refere-se à contradição da</p><p>ação com os princípios morais e éticos da sociedade,</p><p>além da violação da norma jurídica.</p><p>● Conceito de culpável: Enfatiza a responsabilidade</p><p>moral do agente, considerando não apenas sua</p><p>capacidade cognitiva, mas também sua liberdade de</p><p>escolha e seus motivos.</p><p>iii. Escola Penal Finalista</p><p>● Principais autores: Hans Welzel e Hans Joachim</p><p>Hirsch.</p><p>● Esta escola busca conciliar elementos objetivos e</p><p>subjetivos na análise do crime, atribuindo</p><p>importância tanto à conduta externa quanto à</p><p>finalidade ou propósito do agente.</p><p>● Conceito de fato típico: Considera não apenas a</p><p>conduta externa, mas também a finalidade ou</p><p>propósito do agente, ou seja, a ação é analisada com</p><p>base na sua finalidade.</p><p>● Conceito de antijurídico: Similar às outras escolas,</p><p>refere-se à contrariedade da conduta à norma jurídica</p><p>estabelecida.</p><p>● Conceito de culpável: Destaca a capacidade do</p><p>agente de entender o caráter ilícito do ato e de agir</p><p>de acordo com essa compreensão, bem como a sua</p><p>finalidade ou propósito ao realizar a conduta</p><p>criminosa.</p><p>m. Velocidades do Direito Penal</p><p>i. Jesús-María Silva Sánchez: quando o autor desenvolve as</p><p>teorias da velocidade em sua obra, ele traz apenas duas</p><p>velocidades (1ª e 2ª). O Direito Penal de Terceira Velocidade</p><p>seria o Direito Penal do Inimigo desenvolvido por Jakobs.</p><p>23</p><p>● Atualmente, fala-se em Direito Penal de 4ª velocidade</p><p>que é o Direito Penal internacional.</p><p>ii. 1ª velocidade do Direito Penal: é uma velocidade em que se</p><p>verificam garantias ao réu, havendo a aplicação de uma pena</p><p>correspondente ao fato praticado.</p><p>iii. 2ª velocidade do Direito Penal: há umamitigação no respeito</p><p>às garantias do réu e suavização das consequências jurídicas</p><p>do fato.</p><p>iv. 3ª velocidade do Direito Penal: é apenas apontada por</p><p>Jesús-María Silva Sánchez, de modo que a 3ª velocidade é o</p><p>Direito Penal do inimigo elaborado por Jakobs. No Direito</p><p>Penal do inimigo, o sujeito praticou uma agressão que vai</p><p>contra a própria existência do Estado. Assim, o Estado fica</p><p>liberado para não respeitar todas as garantias do cidadão,</p><p>havendo uma mitigação, por completo, das garantias</p><p>fundamentais do processo penal e aplicação de penas graves.</p><p>● Exemplo: terrorismo.</p><p>v. 4ª velocidade do Direito Penal: possibilidade dos Tribunais</p><p>internacionais aplicarem pena.</p><p>24</p><p>2. Princípios fundamentais e limitadores</p><p>do Direito Penal</p><p>a.Princípios limitadores do poder</p><p>punitivo/princípios fundantes do Direito</p><p>Penal</p><p>i. Princípio da exclusiva proteção de bem jurídico6:</p><p>● Conceito do princípio da exclusiva proteção do</p><p>bem jurídico: a criação de tipos penais deve ser</p><p>pautada pela proibição de comportamentos que</p><p>venham a violar ou ao menos ameaçar violar os</p><p>bens jurídicos.</p><p>● O que se entende por</p><p>espiritualização/liquefação/dinamização do bem</p><p>jurídico?</p><p>● No Direito Penal contemporâneo, diante da</p><p>sociedade de risco, não se pode esperar a</p><p>violação de um bem jurídico para chamar o</p><p>Direito Penal para intervir.</p><p>● Crimes de plástico: os valores sociais, em</p><p>determinado contexto histórico, não são os</p><p>mesmos no decorrer dos anos. Porém, existem</p><p>bens jurídicos que preexistem ao próprio direito</p><p>(ex: vida, dignidade e honra), sendo chamados de</p><p>6 Bens jurídicos são os interesses da sociedade que possuem relevância extrema para a sociedade.</p><p>25</p><p>naturais. Os crimes que buscam proteger os bens</p><p>jurídicos naturais7 são chamados de crimes</p><p>naturais. Por outro lado, os crimes de plástico</p><p>tutelam bens jurídicos criados com o</p><p>desenvolvimento da sociedade, de modo que,</p><p>atualmente, podem ser crimes, porém não</p><p>necessariamente depois.</p><p>ii. Princípio da intervenção mínima</p><p>● Conceito: o Direito Penal é um ramo de ultima</p><p>ratio, de modo que somente irá se utilizar desse</p><p>ramo quando os outros meios forem falhos. Assim,</p><p>o Direito Penal somente intervém quando</p><p>realmente necessário.</p><p>● Corolários da intervenção mínima</p><p>○ Princípio da Subsidiariedade: O Direito</p><p>Penal é subsidiário em relação a outros</p><p>ramos do Direito.</p><p>○ Princípio da Fragmentariedade: o Direito</p><p>Penal não intervém em todas as condutas da</p><p>sociedade, mas apenas uma parcela das</p><p>relações sociais.</p><p>■ Luiz Regis Prado: o Direito Penal é um</p><p>arquipélago de pequenas ilhas no</p><p>oceano do indiferente penal.</p><p>■ Fragmentariedade às avessas: é deixar</p><p>de considerar típica determinada</p><p>conduta criminosa. É o que se chama</p><p>de abolitio criminis.</p><p>● Destinatários da intervenção mínima:</p><p>○ Legislador: o legislador deve observar o</p><p>princípio da intervenção mínima no</p><p>7 Reconhecidos desde sempre penalmente relevantes</p><p>26</p><p>momento que tipifica condutas e estabelece</p><p>pena mínima.</p><p>○ Aplicadores da lei penal (juiz, delegado de</p><p>polícia, por exemplo): quando o intérprete</p><p>aplica o Direito Penal deve fazer uma</p><p>interpretação teleológica do princípio da</p><p>intervenção mínima.</p><p>iii. Princípio da insignificância ou bagatela</p><p>● Conceito: somente pode punir condutas que</p><p>violem determinados bens jurídicos de forma</p><p>relevante.</p><p>○ O autor Roxin foi o que desenvolveu esse</p><p>é contado como</p><p>cumprimento de pena.</p><p>xi. Suspensão e interrupção da prescrição</p><p>● Não há, no Código Penal, causas suspensivas, mas</p><p>impeditivas da prescrição que estão no artigo 116,</p><p>CP, sendo consideradas causas suspensivas.</p><p>240</p><p>Quando termina a causa suspensiva, o prazo volta</p><p>a correr de onde parou.</p><p>Art. 116 - Antes de passar em julgado a sentença final, a</p><p>prescrição não corre:</p><p>I - enquanto não resolvida, em outro processo, questão</p><p>de que dependa o reconhecimento da existência do</p><p>crime;</p><p>II - enquanto o agente cumpre pena no exterior;</p><p>● Artigo 7º, CP244</p><p>III - na pendência de embargos de declaração ou de</p><p>recursos aos Tribunais Superiores, quando inadmissíveis;</p><p>e (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)</p><p>IV - enquanto não cumprido ou não rescindido o acordo</p><p>de não persecução penal. (Incluído pela Lei nº 13.964, de</p><p>2019)</p><p>Parágrafo único - Depois de passada em julgado a</p><p>sentença condenatória, a prescrição não corre durante o</p><p>244 Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro: (Redação dada pela Lei</p><p>nº 7.209, de 1984)</p><p>I - os crimes: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)</p><p>b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de Território, de</p><p>Município, de empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída</p><p>pelo Poder Público; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)</p><p>c) contra a administração pública, por quem está a seu serviço; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)</p><p>d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil; (Incluído pela Lei nº 7.209,</p><p>de 1984)</p><p>II - os crimes: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)</p><p>b) praticados por brasileiro; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)</p><p>c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada,</p><p>quando em território estrangeiro e aí não sejam julgados. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)</p><p>§ 1º - Nos casos do inciso I, o agente é punido segundo a lei brasileira, ainda que absolvido ou</p><p>condenado no estrangeiro.</p><p>241</p><p>tempo em que o condenado está preso por outro</p><p>motivo.</p><p>● Há outros casos, além do artigo 116, CP, que</p><p>vão determinar o impedimento da</p><p>continuidade da prescrição, como o artigo</p><p>366, CPP245; artigo 89, §6º, da Lei 9.099/95246;</p><p>artigo 53, §5º, CF247; artigo 4º, §3º, Lei</p><p>12850/13248; súmula vinculante 24249 e</p><p>celebração de acordo de dívida tributária em</p><p>relação a crimes contra a ordem tributária.</p><p>● Quando o sujeito está cumprindo pena em</p><p>relação a outro processo, não pode fluir o</p><p>curso do prazo prescricional em relação à</p><p>pretensão executória (não interessa qual</p><p>regime).</p><p>249 Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei nº</p><p>8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo.</p><p>248 § 3º O prazo para oferecimento de denúncia ou o processo, relativos ao colaborador, poderá ser</p><p>suspenso por até 6 (seis) meses, prorrogáveis por igual período, até que sejam cumpridas as</p><p>medidas de colaboração, suspendendo-se o respectivo prazo prescricional.</p><p>247 Art. 53. Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas</p><p>opiniões, palavras e votos. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 2001)</p><p>§ 5º A sustação do processo suspende a prescrição, enquanto durar o mandato. (Redação dada pela</p><p>Emenda Constitucional nº 35, de 2001)</p><p>246 Art. 89. Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou inferior a um ano, abrangidas</p><p>ou não por esta Lei, o Ministério Público, ao oferecer a denúncia, poderá propor a suspensão do</p><p>processo, por dois a quatro anos, desde que o acusado não esteja sendo processado ou não tenha</p><p>sido condenado por outro crime, presentes os demais requisitos que autorizariam a suspensão</p><p>condicional da pena (art. 77 do Código Penal ).</p><p>§ 6º Não correrá a prescrição durante o prazo de suspensão do processo.</p><p>245 Art. 366. Se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem constituir advogado, ficarão</p><p>suspensos o processo e o curso do prazo prescricional, podendo o juiz determinar a produção</p><p>antecipada das provas consideradas urgentes e, se for o caso, decretar prisão preventiva, nos termos</p><p>do disposto no art. 312.</p><p>242</p><p>● Interrupção do prazo prescricional (artigo 117,</p><p>CP)250</p><p>○ Nesse caso, o prazo irá zerar, começando de</p><p>novo.</p><p>○ 1º marco interruptivo → recebimento da</p><p>denúncia ou da queixa. Assim, deve haver</p><p>no máximo 20 anos entre a consumação do</p><p>crime e recebimento da denúncia.</p><p>■ Artigo 396 e 399, do CPP</p><p>Art. 396. Nos procedimentos ordinário</p><p>e sumário, oferecida a denúncia ou</p><p>queixa, o juiz, se não a rejeitar</p><p>liminarmente, recebê-la-á e ordenará a</p><p>citação do acusado para responder à</p><p>acusação, por escrito, no prazo de 10</p><p>(dez) dias.</p><p>➔ Nesse caso, há um</p><p>primeiro momento de</p><p>recebimento da denúncia.</p><p>➔ É nesse momento que é</p><p>considerado como a causa</p><p>250 Art. 117 - O curso da prescrição interrompe-se: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>I - pelo recebimento da denúncia ou da queixa; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>II - pela pronúncia; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>III - pela decisão confirmatória da pronúncia; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>IV - pela publicação da sentença ou acórdão condenatórios recorríveis; (Redação dada pela Lei nº</p><p>11.596, de 2007).</p><p>V - pelo início ou continuação do cumprimento da pena; (Redação dada pela Lei nº 9.268, de</p><p>1º.4.1996)</p><p>VI - pela reincidência. (Redação dada pela Lei nº 9.268, de 1º.4.1996)</p><p>§ 1º - Excetuados os casos dos incisos V e VI deste artigo, a interrupção da prescrição produz efeitos</p><p>relativamente a todos os autores do crime. Nos crimes conexos, que sejam objeto do mesmo</p><p>processo, estende-se aos demais a interrupção relativa a qualquer deles. (Redação dada pela Lei nº</p><p>7.209, de 11.7.1984)</p><p>§ 2º - Interrompida a prescrição, salvo a hipótese do inciso V deste artigo, todo o prazo começa a</p><p>correr, novamente, do dia da interrupção. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>243</p><p>interruptiva da prescrição,</p><p>segundo o STJ.251</p><p>Art. 399. Recebida a denúncia ou</p><p>queixa, o juiz designará dia e hora para</p><p>a audiência, ordenando a intimação do</p><p>acusado, de seu defensor, do</p><p>Ministério Público e, se for o caso, do</p><p>querelante e do assistente:</p><p>➔ Nesse caso, há um 2º</p><p>momento de recebimento</p><p>da denúncia.</p><p>● 2º marco interruptivo → pronúncia</p><p>■ Desclassificação por parte do</p><p>Conselho de Sentença em</p><p>relação ao crime analisado por</p><p>ele.</p><p>■ Súmula 191 STJ (21:16): "a</p><p>pronúncia é causa</p><p>interruptiva da prescrição,</p><p>ainda que o tribunal do júri</p><p>venha a desclassificar o</p><p>crime".</p><p>● 3º marco interruptivo → decisão</p><p>confirmatória da pronúncia em</p><p>recurso.</p><p>● 4º marco interruptivo → publicação da</p><p>sentença ou acórdão condenatório</p><p>recorrível.</p><p>■ O que é acórdão condenatório?</p><p>251 Todavia, há autores que sustentam que o marco previsto no artigo 399, CPP é o interruptivo (tese</p><p>defensiva, pois mais benéfica ao réu).</p><p>244</p><p>■ A antiga divergência</p><p>dentro dos próprios órgãos</p><p>julgadores foi pacificada</p><p>pelo STJ.</p><p>● O acórdão</p><p>condenatório (art.</p><p>117, IV, CP)</p><p>interrompe a</p><p>prescrição, inclusive</p><p>quando</p><p>confirmatório de</p><p>sentença</p><p>condenatória, seja</p><p>mantendo,</p><p>reduzindo ou</p><p>aumentando a pena</p><p>anteriormente</p><p>imposta. (STJ. 3ª</p><p>Seção. REsp n.</p><p>1.920.091/RJ, Rel. Min.</p><p>João Otávio de</p><p>Noronha, julgado em</p><p>10/8/2022, DJe de</p><p>22/8/2022 - Recurso</p><p>Repetitivo - Tema</p><p>1100 - Informativo</p><p>744).</p><p>○ Contudo, há</p><p>decisões no</p><p>STJ que</p><p>reconhecem</p><p>essa</p><p>245</p><p>interrupção</p><p>apenas para a</p><p>Prescrição da</p><p>Pretensão</p><p>Punitiva. O</p><p>novo</p><p>entendimento</p><p>do STF de que</p><p>o termo inicial</p><p>da Prescrição</p><p>da Pretensão</p><p>Executória é o</p><p>trânsito em</p><p>julgado para</p><p>ambas as</p><p>partes fez cair</p><p>por terra essa</p><p>distinção do</p><p>STJ.</p><p>▪ Se o TJ pronuncia ou</p><p>mantém a pronúncia</p><p>do réu, esse acórdão</p><p>interrompe a</p><p>prescrição (art.</p><p>117, III,</p><p>do CP); o acórdão do</p><p>STJ que mantém essa</p><p>decisão do TJ não</p><p>interrompe</p><p>novamente a</p><p>prescrição (não se</p><p>enquadra no art. 117, III)</p><p>– Info 798 do STJ.</p><p>246</p><p>● 5º marco interruptivo → pelo início ou</p><p>continuação do cumprimento da</p><p>pena</p><p>● 6º marco interruptivo → pela</p><p>reincidência</p><p>■ Exemplo: um sujeito foi</p><p>condenado com trânsito em</p><p>julgado, de modo que todo o</p><p>crime que ele praticar,</p><p>posteriormente, será</p><p>considerado reincidência. Assim,</p><p>haverá a interrupção da</p><p>prescrição do crime anterior.</p><p>● Observações:</p><p>■ Artigo 117, §1º: "excetuados os</p><p>casos dos incisos V e VI deste</p><p>artigo, a interrupção da</p><p>prescrição produz efeitos</p><p>relativamente a todos os autores</p><p>do crime. Nos crimes conexos,</p><p>que sejam objeto do mesmo</p><p>processo, estende-se aos demais</p><p>a interrupção relativa a qualquer</p><p>deles".</p><p>■ Artigo 117, §2º: "interrompida a</p><p>prescrição, salvo a hipótese do</p><p>inciso V deste artigo, todo o</p><p>prazo começa a correr,</p><p>novamente, do dia da</p><p>interrupção".</p><p>247</p><p>■ STJ, RHC 121697252</p><p>■ Se o juiz rejeitar a</p><p>queixa/denúncia, houver um</p><p>recurso e o Tribunal receber a</p><p>queixa/denúncia, a interrupção</p><p>da prescrição acontece no 2º</p><p>grau, de modo que não irá</p><p>reconhecer a prescrição no 1º</p><p>grau, salvo se houver anulação,</p><p>pelo Tribunal, da decisão de</p><p>primeiro grau.</p><p>xii. Espécies de prescrição trazidas pela doutrina</p><p>● Prescrição retroativa: acontece quando, após o</p><p>trânsito em julgado para acusação, irá refazer o</p><p>cálculo prescricional por conta da fixação da pena.</p><p>E, com a pena efetivamente aplicada, consegue</p><p>verificar que em marcos anteriores a prescrição já</p><p>teria acontecido.</p><p>○ Exemplo: homicídio (pena de 6 a 20 anos) →</p><p>prescrição em 20 anos pelo Código Penal.</p><p>Imagine que o sujeito tenha recebido a</p><p>denúncia em 18 anos → não estava, assim,</p><p>reconhecida a prescrição. Na condenação,</p><p>imagine que o sujeito tenha recebido uma</p><p>pena de 4 anos (prescreve em 8). Entre a</p><p>data do fato e recebida a denúncia,</p><p>passaram 18 anos, então poderia alegar que</p><p>deveria reconhecer a prescrição retroativa?</p><p>252 Veja um trecho da decisão: "acontece que a jurisprudência desta Corte possui o entendimento de</p><p>que a comunicabilidade da interrupção do prazo prescricional alcança tão somente os corréus do</p><p>mesmo processo. Dessa forma, havendo desmembramento, os feitos passam a tramitar de forma</p><p>autônoma, possuindo seus próprios prazos, inclusive em relação à prescrição".</p><p>(STJ - RHC: 121697 SP 2019/0365789-0, Relator: Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, Data de Publicação:</p><p>DJ 12/12/2019)</p><p>248</p><p>■ Artigo 110, CP253</p><p>■ A prescrição retroativa não pode ser</p><p>aplicada em relação ao prazo entre o</p><p>cometimento do crime e recebimento</p><p>da denúncia ou queixa, porque</p><p>quando recebe a denúncia ou queixa</p><p>terá a interrupção do prazo</p><p>prescricional.</p><p>● Prescrição pela pena virtual ou ideal: seria uma</p><p>análise em perspectiva da prescrição.</p><p>○ O Supremo Tribunal Federal não admite.</p><p>253 Art. 110 - A prescrição depois de transitar em julgado a sentença condenatória regula-se pela pena aplicada e</p><p>verifica-se nos prazos fixados no artigo anterior, os quais se aumentam de um terço, se o condenado é</p><p>reincidente.</p><p>§ 1º A prescrição, depois da sentença condenatória com trânsito em julgado para a acusação ou depois de</p><p>improvido seu recurso, regula-se pela pena aplicada, não podendo, em nenhuma hipótese, ter por termo inicial</p><p>data anterior à da denúncia ou queixa.(Redação dada pela Lei nº 12.234, de 2010).</p><p>249</p><p>28.Concursos de crimes</p><p>a. Previsão legal</p><p>i. Artigo 69-71, CP</p><p>Observação: não confundir sistema de aplicação de pena com concurso</p><p>de crimes.</p><p>b. Sistemas de aplicação da pena</p><p>i. Conceito: conjunto de regras que irão determinar uma ou</p><p>outra forma de aplicar a pena no caso concreto.</p><p>ii. Espécies</p><p>● Sistema do cúmulo material: havendo concurso de</p><p>crimes, devem ser somadas todas as penas dos crimes</p><p>em concurso.</p><p>● Sistema da exasperação: no sistema da exasperação,</p><p>havendo concurso de crimes, a pena será aplicada,</p><p>considerando a pena de um dos crimes incrementada</p><p>de uma fração determinada em lei.</p><p>c. Concurso de crimes</p><p>i. Conceito: o concurso de crimes ocorre quando um agente</p><p>pratica mais de um crime.</p><p>ii. Espécies</p><p>● Concurso material de crimes (artigo 69, CP)</p><p>Art. 69 - Quando o agente, mediante mais de uma ação</p><p>ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou</p><p>não, aplicam-se cumulativamente as penas privativas</p><p>de liberdade em que haja incorrido. No caso de aplicação</p><p>cumulativa de penas de reclusão e de detenção,</p><p>executa-se primeiro aquela. (Redação dada pela Lei nº</p><p>7.209, de 11.7.1984)</p><p>250</p><p>§ 1º - Na hipótese deste artigo, quando ao agente tiver</p><p>sido aplicada pena privativa de liberdade, não suspensa,</p><p>por um dos crimes, para os demais será incabível a</p><p>substituição de que trata o art. 44 deste Código.</p><p>(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>§ 2º - Quando forem aplicadas penas restritivas de</p><p>direitos, o condenado cumprirá simultaneamente as que</p><p>forem compatíveis entre si e sucessivamente as demais.</p><p>(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>○ Requisitos do concurso material de crimes:</p><p>■ Pluralidade de condutas254;</p><p>■ Pluralidade de delitos255.</p><p>○ Espécies de concurso material:</p><p>■ Concurso material homogêneo: quando há</p><p>concurso de crimes idênticos.</p><p>■ Concurso material heterogêneo: quando há</p><p>concurso de crimes de natureza diferente.</p><p>➢ Exemplo: roubou e depois matou em</p><p>contextos fáticos diferentes.</p><p>○ Consequência jurídica penal</p><p>■ A regra é a aplicação do sistema de cúmulo</p><p>material, ou seja, irá somar todas as penas</p><p>dos crimes que o agente praticou.</p><p>■ Quando ao agente tiver sido aplicada pena</p><p>privativa de liberdade, não suspensa, por um</p><p>dos crimes, para os demais será incabível a</p><p>substituição de que trata o art. 44 deste</p><p>Código. Nesse caso, irá somar as penas e o</p><p>255 "pratica dois ou mais crimes"</p><p>254 "mediante mais de uma ação ou omissão"</p><p>251</p><p>agente irá cumprir como pena privativa de</p><p>liberdade.</p><p>■ Quando forem aplicadas penas restritivas de</p><p>direitos (artigo 43, CP256), o condenado</p><p>cumprirá simultaneamente as que forem</p><p>compatíveis entre si e sucessivamente as</p><p>demais.</p><p>● Concurso formal ou ideal de crimes (artigo 70, CP)</p><p>Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou</p><p>omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não,</p><p>aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se</p><p>iguais, somente uma delas, mas aumentada, em</p><p>qualquer caso, de um sexto até metade. As penas</p><p>aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou</p><p>omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de</p><p>desígnios autônomos, consoante o disposto no artigo</p><p>anterior. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>Parágrafo único - Não poderá a pena exceder a que seria</p><p>cabível pela regra do art. 69 deste Código. (Redação dada</p><p>pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>● Requisitos do concurso formal</p><p>○ Unidade de conduta (≠ do concurso</p><p>material);</p><p>○ Pluralidade de delitos.</p><p>● Espécies de concurso formal</p><p>256 Art. 43. As penas restritivas de direitos são: (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)</p><p>I - prestação pecuniária; (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)</p><p>II - perda de bens e valores; (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)</p><p>III - limitação de fim de semana. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)</p><p>IV - prestação de serviço à comunidade ou a entidades públicas; (Incluído pela Lei nº 9.714, de</p><p>25.11.1998)</p><p>V - interdição temporária de direitos; (Incluído pela Lei nº 9.714, de 25.11.1998)</p><p>VI - limitação de fim de semana. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 25.11.1998)</p><p>252</p><p>○ Concurso formal homogêneo: sujeito,</p><p>mediante uma conduta, pratica crimes da</p><p>mesma espécie.</p><p>○ Concurso formal heterogêneo: sujeito,</p><p>mediante uma conduta, pratica duas ou</p><p>mais infrações penais distintas.</p><p>● Sistema de aplicação de pena aplicado no caso</p><p>do concurso formal</p><p>○ Em regra, aplica-se o sistema de</p><p>exasperação257, no caso do concurso formal</p><p>próprio ou concurso formal perfeito. Nesse</p><p>caso, precisa ter vários crimes culposos ou</p><p>um crime doloso e outro culposo.</p><p>■ aumenta de ⅙ até ½ → aumenta mais</p><p>conforme mais</p><p>crimes estejam em</p><p>concurso.</p><p>○ Todavia, caso tenha um concurso formal</p><p>impróprio ou imperfeito, irá aplicar o sistema</p><p>de cúmulo material258. Nesse caso, a ação ou</p><p>omissão deve ser dolosa, resultando em</p><p>crimes de desígnios autônomos (há a</p><p>intenção de realizar uma pluralidade de</p><p>crimes).</p><p>○ Perdão judicial: Em caso de concurso formal</p><p>de crimes, o perdão judicial concedido para</p><p>um deles não necessariamente deverá</p><p>abranger o outro (STJ. 6ª Turma. REsp</p><p>258As penas aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes</p><p>concorrentes resultam de desígnios autônomos, consoante o disposto no artigo anterior (concurso</p><p>formal impróprio ou imperfeito).</p><p>257 Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes,</p><p>idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas,</p><p>mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. (concurso formal próprio ou</p><p>concurso formal perfeito)</p><p>253</p><p>1444699-RS, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz,</p><p>julgado em 1/6/2017 - Informativo 606).</p><p>Artigo 70, Parágrafo único - Não poderá a pena exceder a que</p><p>seria cabível pela regra do art. 69 deste Código.</p><p>● O sistema de exasperação é para ser mais benéfico ao</p><p>agente, de modo que o resultado não pode ser uma</p><p>pena maior do que seria caso resultado do sistema de</p><p>cúmulo material. Assim, caso o sistema de exasperação</p><p>seja mais prejudicial, deve-se aplicar o sistema de</p><p>cúmulo material (cúmulo material benéfico).</p><p>d. Crime continuado ou continuidade delitiva</p><p>i. Conceito de crime continuado ou continuidade delitiva: o</p><p>crime continuado, ou delictum continuatum, dá-se quando o</p><p>agente pratica dois ou mais crimes da mesma espécie,</p><p>mediante duas ou mais condutas, os quais, pelas condições de</p><p>tempo, lugar, modo de execução e outras, podem ser tidos uns</p><p>como continuação dos outros.</p><p>ii. Artigo 71, CP</p><p>Art. 71 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou</p><p>omissão, pratica dois ou mais crimes da mesma espécie e,</p><p>pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e</p><p>outras semelhantes, devem os subsequentes ser havidos como</p><p>continuação do primeiro, aplica-se-lhe a pena de um só dos</p><p>crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada,</p><p>em qualquer caso, de um sexto a dois terços259.</p><p>● Aplica-se, no crime continuado, o sistema de</p><p>exasperação de pena.</p><p>Parágrafo único - Nos crimes dolosos, contra vítimas diferentes,</p><p>cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa, poderá o</p><p>juiz, considerando a culpabilidade, os antecedentes, a conduta</p><p>social e a personalidade do agente, bem como os motivos e as</p><p>259 Não confundir com a fração do concurso formal que é ⅙ a ½</p><p>254</p><p>circunstâncias, aumentar a pena de um só dos crimes, se</p><p>idênticas, ou a mais grave, se diversas, até o triplo, observadas</p><p>as regras do parágrafo único do art. 70260 e do art. 75261 deste</p><p>Código. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>iii. Natureza jurídica</p><p>● Deve guardar o artigo 119, CP: "no caso de concurso de</p><p>crimes, a extinção da punibilidade incidirá sobre a pena</p><p>de cada um, isoladamente". Esse artigo expressa o fato</p><p>de que o Código Penal adotou a teoria da ficção jurídica,</p><p>tendo em vista que não existe um crime único, já que a</p><p>extinção da punibilidade incide sobre a pena de cada</p><p>crime, isoladamente.</p><p>● Teorias que explicam a natureza jurídica do crime</p><p>continuado</p><p>1. Teoria da ficção jurídica: essa teoria defende que o</p><p>crime continuado é o concurso de vários crimes</p><p>que, por ficção jurídica, são tratados, pelo Direito</p><p>Penal, como um crime único por uma medida de</p><p>política criminal.</p><p>2. Teoria da unidade real/ da unidade/ realista: essa</p><p>teoria defende que, na continuidade delitiva, de</p><p>fato, há um crime único. Essa teoria não prevalece.</p><p>3. Teoria da unidade jurídica ou mista: essa teoria</p><p>defende que, de fato, existem vários crimes.</p><p>Todavia, juridicamente, há um crime só.</p><p>iv. Teorias sobre o crime continuado que tratam a respeito da</p><p>análise da intenção do sujeito262</p><p>262 Essas teorias buscam analisar se o sujeito queria realizar aqueles crimes como continuação um</p><p>do outro ou não.</p><p>261 Art. 75. O tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade não pode ser superior a 40</p><p>(quarenta) anos. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)</p><p>260 Não poderá a pena exceder a que seria cabível pela regra do art. 69 deste Código.</p><p>255</p><p>● Teoria subjetiva: determina que são considerados crimes</p><p>continuados quando há a vontade do agente em</p><p>praticar os demais crimes como continuidade delitiva do</p><p>primeiro.</p><p>● Teoria objetiva/ objetiva pura/ puramente objetiva: não</p><p>importa a intenção do sujeito, bastando analisar se, no</p><p>plano concreto, estão presentes elementos de ordem</p><p>objetiva que determinem que os crimes subsequentes</p><p>devem ser considerados como continuação do primeiro.</p><p>● Teoria objetivo-subjetiva ou mista: determina que, para</p><p>verificação da continuidade delitiva, necessita satisfazer</p><p>elementos de ordem objetiva e verificar se a vontade do</p><p>sujeito estava movida para realizar os demais crimes</p><p>como continuidade do primeiro. O STJ e o STF adotam</p><p>essa teoria.</p><p>● Agravo regimental no REsp 1673501/SP263</p><p>v. Requisitos do crime continuado</p><p>● Pluralidade de condutas264;</p><p>● Pluralidade de delitos265;</p><p>● Deve haver crimes da mesma espécie266</p><p>● Crimes da mesma espécie são os contidos</p><p>no mesmo tipo penal e que protegem o</p><p>266 Artigo 70: "quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais</p><p>crimes damesma espécie"</p><p>265 Artigo 70: "quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais</p><p>crimes da mesma espécie"</p><p>264 Artigo 70: "quando o agente,mediante mais de uma ação ou omissão"</p><p>263 Veja um trecho da decisão: "conforme entendimento consolidado neste Superior Tribunal, para a</p><p>caracterização do instituto do art. 71 do Código Penal, é necessário que estejam preenchidos,</p><p>cumulativamente, os requisitos de ordem objetiva (pluralidade de ações, mesmas condições de</p><p>tempo, lugar e modo de execução) e o de ordem subjetiva, assim entendido como a unidade de</p><p>desígnios ou o vínculo subjetivo havido entre os eventos delituosos. Vale dizer, adotou-se, no</p><p>sistema jurídico-penal brasileiro, a Teoria Mista ou Objetivo-Subjetiva".</p><p>(STJ - AgRg no REsp: 1673501 SP 2017/0123359-6, Relator: Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, Data de</p><p>Julgamento: 24/10/2017, T6 - SEXTA TURMA, Data de Publicação: DJe 06/11/2017, grifo nosso)</p><p>256</p><p>mesmo bem jurídico. Há alguns julgados</p><p>que tratam desse tema, a seguir:</p><p>○ HC 190909 STF267</p><p>○ Agravo interno no Agravo em Recurso</p><p>Especial 908786268</p><p>○ HC 114667/SP STF269</p><p>● Conexão temporal270</p><p>● A jurisprudência vem entendendo que deve</p><p>ter um prazo máximo de 30 dias entre um</p><p>crime e outro.</p><p>● Conexão espacial271</p><p>● A doutrina aponta que a conexão espacial,</p><p>como regra, acontece quando os crimes são</p><p>praticados no mesmo município. Todavia, há</p><p>entendimento doutrinário e jurisprudencial</p><p>que, em locais de região metropolitana,</p><p>pode-se ampliar essa conexão espacial para</p><p>região metropolitana.</p><p>271 Art. 71 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes</p><p>da mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar</p><p>270 Artigo 71: Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes</p><p>da mesma espécie e, pelas condições de tempo.</p><p>269 Veja um trecho a seguir: "a orientação dessa Corte é no sentido de que os delitos de roubo e de</p><p>extorsão praticados mediante condutas autônomas e subsequentes (a) não se qualificam como fato</p><p>típico único; e (b) por se tratar de crimes de espécies distintas, é inviável o reconhecimento da</p><p>continuidade delitiva ( CP, art. 71)".</p><p>(STF - HC: 114667 SP - SÃO PAULO 9965206-68.2012.1.00.0000, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Data</p><p>de Julgamento: 24/04/2018, Primeira Turma, Data de Publicação: DJe-115 12-06-2018)</p><p>268 Veja um trecho a seguir: "não há como reconhecer a continuidade delitiva entre os crimes de</p><p>roubo e o de latrocínio porquanto são delitos de espécies diversas, já que tutelam bens jurídicos</p><p>diferentes".</p><p>(STJ - AgInt no AREsp: 908786 PB 2016/0107748-9, Relator: Ministro FELIX FISCHER, Data de</p><p>Julgamento: 06/12/2016, T5 - QUINTA TURMA, Data de Publicação: DJe 14/12/2016,)</p><p>267 Veja um trecho a seguir: "tratando-se de duas condutas distintas, praticadas com desígnios</p><p>autônomos, deve ser reconhecido o concurso material entre roubo e extorsão, na linha de</p><p>precedentes".</p><p>(STF - HC: 190909 SP 0102157-64.2020.1.00.0000, Relator: MARCO AURÉLIO, Data de Julgamento:</p><p>26/10/2020, Primeira Turma, Data de Publicação: 16/12/2020)</p><p>257</p><p>● Conexão modal272</p><p>● A forma como o sujeito pratica os crimes</p><p>devem ser semelhantes.</p><p>● Outras circunstâncias podem indicar continuidade</p><p>delitiva273</p><p>● Unidade de desígnios</p><p>● O sujeito deve possuir a intenção de praticar</p><p>os crimes como se os crimes posteriores</p><p>fossem continuidade do primeiro (critério</p><p>subjetivo).</p><p>● Exemplo: Serial Killer.</p><p>vi. Sistema de aplicação de pena adotado</p><p>● Sistema da exasperação, sendo o aumento de 1 ⁄ 6 a 2 ⁄ 3,</p><p>proporcionalmente a quantidade de crimes.</p><p>1. O STJ entende ser proporcional a aplicação da</p><p>fração máxima de 2/3 na hipótese de a conduta</p><p>criminosa corresponder a 7 ou mais infrações em</p><p>continuidade delitiva (STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp</p><p>1945790-MS, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior,</p><p>julgado em 13/09/2022 - Informativo 749).</p><p>2. Atenção para a Súmula 659 do STJ (recentemente</p><p>aprovada), que consolidou esse entendimento: A</p><p>fração de aumento em razão da prática de crime</p><p>continuado deve ser fixada de acordo com o</p><p>número de delitos cometidos, aplicando-se 1/6 pela</p><p>prática de duas infrações, 1/5 para três, 1/4 para</p><p>quatro, 1/3 para cinco, 1/2 para seis e 2/3 para sete</p><p>ou mais infrações.274</p><p>274 Incluído em 21/01/2024.</p><p>273 Art. 71 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes</p><p>da mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhantes.</p><p>272 Art. 71 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes</p><p>da mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar,maneira de execução e outras semelhantes.</p><p>258</p><p>vii. Crime continuado específico ou qualificado (artigo 71,</p><p>parágrafo único, CP)</p><p>Artigo 71, CP</p><p>Parágrafo único- Nos crimes dolosos, contra vítimas</p><p>diferentes, cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa,</p><p>poderá o juiz, considerando a culpabilidade, os antecedentes, a</p><p>conduta social e a personalidade do agente, bem como os</p><p>motivos e as circunstâncias, aumentar a pena de um só dos</p><p>crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, até o triplo,</p><p>observadas as regras do parágrafo único do art. 70 e do art. 75</p><p>deste Código.</p><p>● Aplica-se a continuidade delitiva ao crime de homicídio,</p><p>tendo em vista que o entendimento jurisprudencial que</p><p>era contrário a isso é anterior a 1984, sendo esse o ano</p><p>em que teve a mudança no Código Penal, mudando essa</p><p>posição.</p><p>viii. Crime continuado e crimes culposos</p><p>● A teoria que trata do crime continuado é a teoria</p><p>objetivo-subjetiva, de tal maneira que, além dos</p><p>requisitos objetivos, deve haver o requisito subjetivo:</p><p>desígnio autônomo. Logo, se há desígnio autônomo,</p><p>descabe crime culposo.</p><p>ix. Súmula 711 STF: "a lei penal mais grave aplica-se ao crime</p><p>continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é</p><p>anterior à cessação da continuidade ou da permanência".</p><p>● A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou</p><p>ao crime permanente, se a sua vigência é anterior à</p><p>cessação da continuidade ou da permanência. O próprio</p><p>embargante reconhece que a causa dessa decisão foi a</p><p>"existência de cinco crimes de corrupção ativa,</p><p>praticados em continuidade delitiva e parcialmente na</p><p>vigência da nova Lei". Portanto, está bem compreendido</p><p>259</p><p>o fundamento do acórdão, que, aliás, está bem ancorado</p><p>na Súmula 711 desta Corte (A lei penal mais grave</p><p>aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente,</p><p>se a vigência é anterior à cessação da continuidade ou</p><p>da permanência). Esta também é a inteligência do art. 71</p><p>do Código Penal, que trata da regra a ser aplicada, pelo</p><p>órgão julgador, da ficção jurídica da continuidade</p><p>delitiva.275</p><p>x. Súmula 243 do STJ: "o benefício da suspensão do processo</p><p>não é aplicável em relação às infrações penais cometidas em</p><p>concurso material, concurso formal ou continuidade delitiva,</p><p>quando a pena mínima cominada, seja pelo somatório, seja</p><p>pela incidência da majorante, ultrapassar o limite de um (01)</p><p>ano".</p><p>● A suspensão condicional do processo cabe</p><p>quando a pena mínima for igual ou inferior a</p><p>um ano.</p><p>● Súmula 723 STF: "não se admite a suspensão condicional</p><p>do processo por crime continuado, se a soma da pena</p><p>mínima da infração mais grave com o aumento mínimo</p><p>de um sexto for superior a um ano".</p><p>● Então sempre terá que verificar a pena</p><p>mínima com o aumento mínimo. Esse</p><p>entendimento será estendido para os casos</p><p>em que tenha que se verificar a pena</p><p>mínima, além do caso da suspensão</p><p>condicional do processo.</p><p>○ Exemplo: artigo 155, CP276</p><p>276 Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:</p><p>Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.</p><p>275 [AP 470 ED-décimos quartos, rel. min. Joaquim Barbosa, P, j. 5-9-2013, DJE 200 de 10-10-2013.].</p><p>Disponível em: https://portal.stf.jus.br/jurisprudencia/sumariosumulas.asp?base=30&sumula=2551</p><p>260</p><p>■ 1 ano + ⅙. 1 = 1 ano e 2 meses.</p><p>Então, não cabe suspensão</p><p>condicional do processo.</p><p>xi. Súmula 497 STF: "quando se tratar de crime continuado, a</p><p>prescrição regula-se pela pena imposta na sentença, não se</p><p>computando o acréscimo decorrente da continuação".</p><p>● Isso decorre do artigo 119, CP. Assim, antes de aplicar a</p><p>majorante da continuidade delitiva, deve verificar se</p><p>cada crime está prescrito.</p><p>xii. Questões de prova de concurso:</p><p>● TJ- SC (juiz substituto): Mara, pretendendo tirar a vida de</p><p>Ana, ao avistá-la na companhia da irmã, Sandra, em um</p><p>restaurante, ainda que consciente da possibilidade de</p><p>alvejar Sandra, efetuou um disparo277, que alvejou</p><p>letalmente Ana e feriu gravemente Sandra.</p><p>Nessa situação hipotética, assinale a opção correta</p><p>relativa ao instituto do erro.</p><p>● Devido à aberratio ictus, Mara responderá</p><p>somente pelo homicídio de Ana, visto que o</p><p>dolo estava direcionado a esta, havendo</p><p>absorção do crime de lesão corporal</p><p>cometido contra Sandra.</p><p>● Mara responderá por homicídio doloso</p><p>consumado em relação à Ana e por tentativa</p><p>de homicídio em relação à irmã desta.</p><p>● Em concurso formal imperfeito, Mara</p><p>responderá pelo homicídio de Ana e pela</p><p>lesão corporal de Sandra.</p><p>● Mara incidiu em delito putativo por erro de</p><p>tipo em unidade complexa.</p><p>277 Houve dolo eventual. Então, é concurso formal imperfeito, havendo cúmulo material.</p><p>261</p><p>● Excluído o dolo e permitida a punição por</p><p>crime culposo, se essa modalidade for</p><p>prevista em lei, Mara terá incidido em erro de</p><p>tipo essencial escusável contra a irmã de</p><p>Ana.</p><p>● Delegado de Polícia Federal: Elton, pretendendo matar</p><p>dois colegas de trabalho que exerciam suas atividades</p><p>em duas salas distintas da dele, inseriu substância tóxica</p><p>no sistema de ventilação dessas salas, o que causou o</p><p>óbito de ambos em poucos minutos. Nessa situação,</p><p>Elton responderá por homicídio doloso em concurso</p><p>formal imperfeito.</p><p>(X) Certo</p><p>( ) Errado</p><p>xiii. Decisões jurisprudenciais</p><p>● Informativo 734, STJ (52:55):</p><p>Caso concreto: em 1ª instância, o réu foi condenado a 30</p><p>anos de reclusão, em cúmulo material de dois delitos de</p><p>homicídio qualificado com decapitação e</p><p>esquartejamento das vítimas. Em recurso de apelação,</p><p>foi reconhecido crime continuado, mas sem alteração na</p><p>pena final, tendo em vista que foi aplicado o aumento</p><p>por continuidade delitiva para dobrar a pena de 15 anos,</p><p>nos termos do art. 71, parágrafo único, parte final, do</p><p>Código Penal:</p><p>Art. 71 (...) Parágrafo único. Nos crimes dolosos, contra</p><p>vítimas diferentes, cometidos com violência ou grave</p><p>ameaça à pessoa, poderá o juiz, considerando a</p><p>culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a</p><p>personalidade do agente, bem como os motivos e as</p><p>circunstâncias, aumentar</p><p>a pena de um só dos crimes, se</p><p>idênticas, ou a mais grave, se diversas, até o triplo,</p><p>262</p><p>observadas as regras do parágrafo único do art. 70 e do</p><p>art. 75 deste Código.</p><p>O STJ manteve o acórdão da apelação. Não há de se falar</p><p>em reformatio in pejus porque, no recurso do réu, foi</p><p>mantida a pena definitiva no mesmo montante, mesmo</p><p>com amodificação</p><p>dos institutos penais.</p><p>(STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 301.882-RJ, Rel. Min. Antonio</p><p>Saldanha Palheiro, julgado em 19/04/2022 (Info 734)).</p><p>● Crime de Corrupção de menor (artigo 244-B, CP)278</p><p>● O crime de corrupção de menor foi cometido no</p><p>mesmo contexto fático e momento da prática do</p><p>crime de roubo, razão pela qual se mostra mais</p><p>correto o reconhecimento do concurso formal de</p><p>crimes, uma vez que não restou demonstrada, de</p><p>forma concreta, a autonomia das condutas ou a</p><p>precedência de uma em relação à outra. Infere-se</p><p>no caso que, mediante uma única ação, o paciente</p><p>praticou ambos os delitos, tendo a corrupção de</p><p>menores se dado em razão da prática do delito</p><p>patrimonial. Sendo assim, de rigor o</p><p>reconhecimento do concurso formal. Não há que</p><p>se falar em reexame de provas, uma vez que a</p><p>aplicação da regra do concurso formal de crimes</p><p>no presente caso amparou-se na narrativa dos</p><p>fatos constantes da própria sentença, donde se</p><p>278 Art. 244-B. Corromper ou facilitar a corrupção de menor de 18 (dezoito) anos, com ele praticando</p><p>infração penal ou induzindo-o a praticá-la: (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)</p><p>Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)</p><p>§ 1 o Incorre nas penas previstas no caput deste artigo quem pratica as condutas ali tipificadas</p><p>utilizando-se de quaisquer meios eletrônicos, inclusive salas de bate-papo da internet. (Incluído pela</p><p>Lei nº 12.015, de 2009)</p><p>§ 2 o As penas previstas no caput deste artigo são aumentadas de um terço no caso de a infração</p><p>cometida ou induzida estar incluída no rol do art. 1 o da Lei n o 8.072, de 25 de julho de 1990 .</p><p>(Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)</p><p>263</p><p>extrai que a autonomia entre os crimes de roubo e</p><p>de corrupção de menor e a pluralidade de</p><p>desígnios - elementos configuradores do concurso</p><p>material de crimes - não restaram delineadas,</p><p>tendo ambos os delitos ocorridos no mesmo</p><p>contexto fático. (STJ. 5ª Turma. HC 636.025/RJ, Rel.</p><p>Min. Ribeiro Dantas, julgado em 9/02/2021).</p><p>● Aumento de pena da continuidade delitiva em crimes</p><p>sexuais</p><p>● Há o aumento de ⅙ a ⅔279 que irá aumentar</p><p>conforme o número de crimes. Logo, cabe</p><p>continuidade delitiva, por exemplo, no crime de</p><p>estupro.</p><p>● Não há crime continuado quando configurada</p><p>habitualidade delitiva ou reiteração criminosa: O art.</p><p>71, caput, do Código Penal não delimita o intervalo de</p><p>tempo necessário ao reconhecimento da continuidade</p><p>delitiva. Esta Corte não admite, porém, a incidência do</p><p>instituto quando as condutas criminosas foram</p><p>cometidas em lapso superior a trinta dias. 2. E mesmo</p><p>que se entenda preenchido o requisito temporal, há a</p><p>indicação, nos autos, de que o Réu, embora seja</p><p>primário, é criminoso habitual, que pratica</p><p>reiteradamente delitos de tráfico, o que afasta a</p><p>aplicação da continuidade delitiva, por ser merecedor</p><p>de tratamento penal mais rigoroso. (AgRg no Resp</p><p>1.747.139/RS, j. 13/12/2017)</p><p>● É possível continuidade delitiva mesmo em lapso</p><p>temporal maior que 30 dias, pois não se trata de um</p><p>critério absoluto, podendo ser relativizado conforme</p><p>279 Aplica o aumento de ⅙ quando houver 2 crimes.</p><p>264</p><p>o caso concreto. A decisão (AgRg no AREsp 1713833/MT)</p><p>teve como relatora a ministra Laurita Vaz.</p><p>● O reconhecimento da continuidade delitiva não</p><p>importa na obrigatoriedade de redução da pena</p><p>definitiva fixada em cúmulo material, porquanto</p><p>há possibilidade de aumento do delito mais</p><p>gravoso em até o triplo, nos termos do art. 71,</p><p>parágrafo único, in fine, do CP: Caso concreto: em</p><p>1ª instância, o réu foi condenado a 30 anos de</p><p>reclusão, em cúmulo material de dois delitos de</p><p>homicídio qualificado com decapitação e</p><p>esquartejamento das vítimas. Em recurso de</p><p>apelação, foi reconhecido crime continuado, mas</p><p>sem alteração na pena final, tendo em vista que foi</p><p>aplicado o aumento por continuidade delitiva para</p><p>dobrar a pena de 15 anos, nos termos do art. 71,</p><p>parágrafo único, parte final, do Código Penal: Art. 71</p><p>(...) Parágrafo único. Nos crimes dolosos, contra</p><p>vítimas diferentes, cometidos com violência ou</p><p>grave ameaça à pessoa, poderá o juiz,</p><p>considerando a culpabilidade, os antecedentes, a</p><p>conduta social e a personalidade do agente, bem</p><p>como os motivos e as circunstâncias, aumentar a</p><p>pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais</p><p>grave, se diversas, até o triplo, observadas as regras</p><p>do parágrafo único do art. 70 e do art. 75 deste</p><p>Código. O STJ manteve o acórdão da apelação. Não</p><p>há de se falar em reformatio in pejus porque, no</p><p>recurso do réu, foi mantida a pena definitiva no</p><p>mesmo montante, mesmo com amodificação dos</p><p>institutos penais. STJ. 6ª Turma. AgRg no HC</p><p>265</p><p>301882-RJ, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro,</p><p>julgado em 19/04/2022 (Info 734).</p><p>266</p><p>29. Classificação dos Crimes</p><p>a. Estudo das classificações a partir de diferentes</p><p>parâmetros</p><p>i. Sujeito ativo como parâmetro</p><p>● Crimes comuns: são crimes em que não se requer</p><p>característica especial do sujeito ativo, podendo ser</p><p>praticado por qualquer pessoa.</p><p>● Crimes próprios: são crimes em que o sujeito ativo</p><p>detém uma característica específica prevista em lei.</p><p>○ Os crimes podem ter coautoria e</p><p>participação, sob o fundamento do artigo 30,</p><p>CP280 (08:54).</p><p>■ Perceba que, por exemplo, "ser</p><p>funcionário público" é uma elementar</p><p>dos crimes funcionais (ex: peculato), de</p><p>modo que, por força do artigo 30, CP,</p><p>os crimes funcionais podem ser</p><p>praticados por um sujeito que não é</p><p>funcionário público, tendo em vista</p><p>que a elementar "funcionário público"</p><p>irá se comunicar.</p><p>■ Observação: para haver a coautoria e</p><p>participação do terceiro que não</p><p>detém as características específicas, é</p><p>fundamental que esse terceiro tenha</p><p>conhecimento da qualidade especial</p><p>do autor.</p><p>● Crimes de mão própria: são crimes em que o sujeito</p><p>ativo detém uma característica específica, prevista em</p><p>280 Art. 30 - Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando</p><p>elementares do crime.</p><p>267</p><p>lei. Nesse sentido, a lei, além de trazer uma característica</p><p>específica para o sujeito, traz a determinação que o</p><p>crime somente pode ser praticado por determinado</p><p>sujeito, de tal maneira que outro sujeito não pode</p><p>praticar a conduta.</p><p>○ Os crimes de mão própria não admitem a</p><p>coautoria, de forma que somente o sujeito</p><p>com as características previstas em lei pode</p><p>praticar o tipo penal. Uma pessoa secundária</p><p>somente pode auxiliar, instigar e induzir</p><p>(partícipe), não podendo praticar o tipo</p><p>penal.</p><p>○ Exemplo: artigo 342, CP281 (11:02) →</p><p>somente irá cometer o crime de falso</p><p>testemunho as seguintes pessoas:</p><p>➢ Testemunha;</p><p>➢ Perito;</p><p>➢ Contador;</p><p>➢ Tradutor;</p><p>➢ Intérprete</p><p>○ Atenção! O STJ possui entendimento</p><p>de que advogado que induz ou instiga</p><p>a testemunha a cometer falso</p><p>testemunho responde também por</p><p>falso testemunho, já que fica</p><p>caracterizado o concurso de pessoas.</p><p>Nesse caso, o advogado é partícipe.</p><p>281 Art. 342. Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como testemunha, perito, contador,</p><p>tradutor ou intérprete em processo judicial, ou administrativo, inquérito policial, ou em juízo arbitral</p><p>268</p><p>Dentro dessa distinção entre crimes próprios e de mão própria é</p><p>interessante observar os crimes militares282</p><p>● Crimes militares próprios: são crimes previstos na legislação militar</p><p>que não encontram correspondentes na legislação civil. Exemplo:</p><p>deserção.</p><p>● Crimes militares impróprios: são crimes previstos na legislação</p><p>militar ou legislação civil que pode ser praticado por militar, havendo</p><p>a aplicação da legislação penal militar. Exemplo: furto praticado por</p><p>militar dentro do quartel.</p><p>ii. Momento consumativo como parâmetro</p><p>● Crimes instantâneos: crimes cuja</p><p>consumação se dá em</p><p>um momento exato. Exemplo: homicídio ("matar</p><p>alguém" → mata naquele momento).</p><p>○ Conta-se a prescrição a partir da</p><p>consumação.</p><p>○ Novatio legis in pejus: a vigência de uma</p><p>norma mais gravosa posterior ao momento</p><p>consumativo não será aplicada ao fato.</p><p>● Crimes permanentes: crimes cuja consumação do</p><p>crime se prolonga no tempo, conforme a vontade do</p><p>agente. Exemplo: sequestro.</p><p>○ A prescrição somente começa a contar após</p><p>cessada a permanência.</p><p>○ Novatio legis in pejus: se a norma mais</p><p>gravosa é iniciada sua vigência, antes de</p><p>cessada a permanência do crime, será</p><p>aplicada.</p><p>282 Crimes militares são previstos no Código Penal Militar, legislação penal extravagante e Código</p><p>Penal, quando praticado por militar.</p><p>269</p><p>● Crimes instantâneos de efeitos permanentes: crimes</p><p>cuja consumação se dá em um momento exato, porém</p><p>os efeitos decorrentes do crime continuam ocorrendo,</p><p>independentemente da vontade do agente.</p><p>○ Exemplo: crime de estelionato previdenciário</p><p>→ a vítima obtém vantagem e recebe esse</p><p>benefício por anos de forma irregular. A</p><p>defesa argumenta que se trata de crime</p><p>instantâneo de efeitos permanentes</p><p>(momento consumativo se deu com a</p><p>concessão do benefício e o recebimento do</p><p>benefício mês a mês é o efeito).</p><p>■ Perceba que o sujeito que recebe todo</p><p>mês o benefício de forma irregular</p><p>pode interromper esse benefício.</p><p>■ Nesse sentido, nesse crime, há a</p><p>seguintes figuras:</p><p>➢ Terceiro que de alguma forma</p><p>auxilia o sujeito a receber o</p><p>benefício</p><p>● A conduta desse terceiro</p><p>se dá e se exaure em um</p><p>determinado momento.</p><p>➢ Sujeito que recebe o benefício</p><p>● A parte, que se beneficia,</p><p>continua consumando o</p><p>crime, todo o mês.</p><p>→ Com isso, pode ser que o crime tenha</p><p>prescrição primeiro para o terceiro e</p><p>somente, posteriormente, para o sujeito que</p><p>recebeu o benefício.</p><p>270</p><p>❗Nesse ponto, é importante estudar sobre o crime habitual e</p><p>continuado283 para não confundir com crime permanente. Veja a</p><p>explicação, a seguir:</p><p>● Crime continuado (artigo 71, CP): os requisitos indispensáveis à</p><p>caracterização do crime continuado, que se constituem na prática de</p><p>mais de uma ação ou omissão, tendo como resultado dois ou mais</p><p>crimes da mesma espécie, que pelas condições de tempo, lugar,</p><p>maneira de execução e outras semelhantes, os crimes subsequentes</p><p>devem ser havidos como continuação do primeiro, o que levará à</p><p>aplicação da pena de um só dos crimes, se idênticas, aumentadas de</p><p>⅙ até ⅔ , ou a aplicação da mais graves das penas, se diversas,</p><p>aumentada de ⅙ até ⅔. Além disso, nos crimes dolosos contra</p><p>vítimas diferentes, cometidos com violência ou grave ameaça à</p><p>pessoa, a aplicação da pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a</p><p>aplicação da mais grave das penas, se diversas, aumentadas em</p><p>quaisquer hipóteses até o triplo.</p><p>● Crime habitual: é o crime que somente se realiza a partir de</p><p>condutas habituais do agente, ou seja, são condutas que se dão no</p><p>mesmo contexto e não de forma isolada.</p><p>○ A habitualidade da conduta do agente é pressuposto da</p><p>tipicidade.</p><p>■ Exemplo: Artigo 284, CP284 (30:33) → "exercer" →</p><p>habitualidade na conduta.</p><p>284 Art. 284 - Exercer o curandeirismo:</p><p>I - prescrevendo, ministrando ou aplicando, habitualmente, qualquer substância;</p><p>II - usando gestos, palavras ou qualquer outro meio;</p><p>III - fazendo diagnósticos:</p><p>Pena - detenção, de seis meses a dois anos.</p><p>Parágrafo único - Se o crime é praticado mediante remuneração, o agente fica também sujeito à</p><p>multa.</p><p>283 Atenção! A exposição desses crimes não se refere à classificação de crimes tendo como</p><p>parâmetro o momento consumativo. A apresentação desses conceitos foi dada apenas para auxiliar</p><p>na compreensão do tema exposto na aula.</p><p>271</p><p>✍ Além disso, é preciso estudar o "crime a prazo"285, a seguir:</p><p>● Crime a prazo: é o crime cuja configuração típica somente se dá</p><p>após o decurso de um determinado tempo. Assim, é o crime que</p><p>possui o decurso do tempo como elemento do tipo.</p><p>○ Exemplos:</p><p>■ artigo 169, II, CP286 (35:07): o crime somente se consuma</p><p>após 15 dias.</p><p>■ artigo 129, §1º, I, CP287 (37:19): o crime de lesão corporal</p><p>grave somente se consuma após decorrido os 30 dias,</p><p>quando poderá ser dado um laudo comprovando que a</p><p>lesão causou incapacidade para as ocupações habituais.</p><p>✍ Agora, vamos continuar a estudar sobre a classificação dos crimes</p><p>iii. Consumação do crime conforme a (des)necessidade de</p><p>efetiva lesão ao bem jurídico como parâmetro</p><p>● Crimes de dano: são os crimes que, para a consumação,</p><p>é primordial uma efetiva lesão ao bem jurídico protegido</p><p>no tipo penal.</p><p>287 Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:</p><p>Pena - detenção, de três meses a um ano.</p><p>Lesão corporal de natureza grave</p><p>§ 1º Se resulta:</p><p>I - Incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias;</p><p>286 Art. 169 - Apropriar-se alguém de coisa alheia vinda ao seu poder por erro, caso fortuito ou força</p><p>da natureza:</p><p>Pena - detenção, de ummês a um ano, ou multa.</p><p>Parágrafo único - Na mesma pena incorre:</p><p>Apropriação de tesouro</p><p>I - quem acha tesouro em prédio alheio e se apropria, no todo ou em parte, da quota a que tem</p><p>direito o proprietário do prédio;</p><p>Apropriação de coisa achada</p><p>II - quem acha coisa alheia perdida e dela se apropria, total ou parcialmente, deixando de restituí-la</p><p>ao dono ou legítimo possuidor ou de entregá-la à autoridade competente, dentro no prazo de</p><p>quinze dias.</p><p>285 Atenção! A exposição desse crime não se refere à classificação de crimes tendo como parâmetro</p><p>o momento consumativo. A apresentação desse conceito foi dada apenas para auxiliar na</p><p>compreensão do tema exposto na aula.</p><p>272</p><p>● Crimes de perigo: são os crimes cujo o tipo penal</p><p>incrimina uma conduta que, embora exponha o bem</p><p>jurídico a um risco, não lesiona esse bem jurídico,</p><p>necessariamente. Assim, não precisa lesionar o bem</p><p>jurídico para consumar o crime.</p><p>○ Crimes de perigo concreto: são crimes em que o</p><p>risco criado ao bem jurídico deve ser comprovado,</p><p>havendo efetiva exposição do bem jurídico a um</p><p>risco.</p><p>■ A situação de risco é avaliada</p><p>posteriormente (ex-post).</p><p>■ Exemplos:</p><p>➢ Artigo 309, CTB288 (17:03)</p><p>➢ Artigo 308, CTB289 (20:20)</p><p>➢ Artigo 311, CTB290 (20:32)</p><p>290 Art. 311. Trafegar em velocidade incompatível com a segurança nas proximidades de escolas,</p><p>hospitais, estações de embarque e desembarque de passageiros, logradouros estreitos, ou onde</p><p>haja grande movimentação ou concentração de pessoas, gerando perigo de dano.</p><p>289 Art. 308. Participar, na direção de veículo automotor, em via pública, de corrida, disputa ou</p><p>competição automobilística ou ainda de exibição ou demonstração de perícia em manobra de</p><p>veículo automotor, não autorizada pela autoridade competente, gerando situação de risco à</p><p>incolumidade pública ou privada</p><p>288 Art. 309. Dirigir veículo automotor, em via pública, sem a devida Permissão para Dirigir ou</p><p>Habilitação ou, ainda, se cassado o direito de dirigir, gerando perigo de dano.</p><p>(DICA! sempre que tiver a expressão: "gerando perigo de dano ou "gerando situação de risco" será</p><p>crime de perigo concreto)</p><p>Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa.</p><p>273</p><p>○ Crimes de perigo abstrato: são os crimes cuja</p><p>consumação se dá com a mera exposição do bem</p><p>jurídico a um risco que é presumido.</p><p>■ A análise do perigo é feita</p><p>anteriormente (ex-ante)</p><p>■ Exemplos:</p><p>➢ Artigo 306, CTB291 (13:50): é um</p><p>crime de perigo abstrato, de</p><p>modo que não precisa</p><p>demonstrar no plano concreto</p><p>que houve uma situação</p><p>perigosa. Assim, basta que o</p><p>sujeito dirija embriagado.</p><p>➢ Artigo 307, CTB292 (17:03): é um</p><p>crime de perigo abstrato, porque</p><p>o sujeito, que já foi suspenso ou</p><p>proibido de dirigir, viola</p><p>novamente a determinação.</p><p>Então, presume-se que há uma</p><p>conduta perigosa.</p><p>■ Princípio da ofensividade ou</p><p>lesividade293:</p><p>➢ Conceito: não há crime se uma</p><p>conduta não chega a ofender</p><p>um bem jurídico.</p><p>293 Temamuito discutido para provas de Defensoria Pública.</p><p>292 Art. 307. Violar a suspensão ou a proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir</p><p>veículo automotor imposta com</p><p>fundamento neste Código:</p><p>Penas - detenção, de seis meses a um ano e multa, com nova imposição adicional de idêntico prazo</p><p>de suspensão ou de proibição.</p><p>Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre o condenado que deixa de entregar, no prazo</p><p>estabelecido no § 1º do art. 293, a Permissão para Dirigir ou a Carteira de Habilitação.</p><p>291 Art. 306. Conduzir veículo automotor com capacidade psicomotora alterada em razão da</p><p>influência de álcool ou de outra substância psicoativa que determine dependência:</p><p>274</p><p>➢ Indaga-se: os crimes de perigo</p><p>abstrato são inconstitucionais?</p><p>⇨ A Defensoria argumentava</p><p>que somente poderiam ser</p><p>considerados</p><p>constitucionais os crimes</p><p>de perigo concreto, tendo</p><p>em vista o princípio da</p><p>ofensividade. Basta ver o</p><p>crime de embriaguez ao</p><p>volante em que há uma</p><p>presunção de risco, de tal</p><p>maneira que, segundo a</p><p>Defensoria, para se</p><p>cometer o crime de</p><p>embriaguez ao volante</p><p>deveria se demonstrar um</p><p>efetivo risco. Porém, essa</p><p>argumentação da</p><p>Defensoria não é</p><p>majoritária na</p><p>jurisprudência, devendo</p><p>ser adotada, em provas,</p><p>somente quando exigir</p><p>uma tese defensiva.</p><p>Classificação do crime de perigo quanto ao momento do risco criado</p><p>● Crime de perigo atual: crime cuja prática da</p><p>conduta já expõe o bem jurídico ao risco.</p><p>275</p><p>○ Exemplo: abandono de incapaz (artigo</p><p>133, CP294 (22:56)): abandonar incapaz já</p><p>coloca em risco.</p><p>● Crime de perigo iminente: o risco está</p><p>prestes a acontecer, de modo que, se realiza</p><p>a conduta, logo em seguida terá o risco.</p><p>● Crime de perigo futuro ou mediato: esses</p><p>crimes ocorrem quando a situação de</p><p>perigo, proveniente da conduta de alguém,</p><p>se projeta para o futuro, em um momento</p><p>posterior.</p><p>○ Exemplo: porte ilegal de arma de fogo</p><p>(artigo 14295 e 16296, da Lei 10826 (24:09));</p><p>entregar a direção de veículo</p><p>automotor à pessoa não habilitada.</p><p>✍ Agora, vamos continuar a estudar sobre a classificação dos crimes</p><p>iv. A quantidade de atos para consumação ou possibilidade de</p><p>fracionamento do iter criminis como parâmetro</p><p>● Crime unissubsistente: basta a realização de um ato</p><p>para a consumação do crime, não podendo fracionar o</p><p>iter criminis. Há a consumação do crime no momento da</p><p>execução.</p><p>296 Art. 16. Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda</p><p>que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo,</p><p>acessório ou munição de uso restrito, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou</p><p>regulamentar:(Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)</p><p>295 Art. 14. Portar, deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que</p><p>gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob guarda ou ocultar arma de fogo,</p><p>acessório ou munição, de uso permitido, sem autorização e em desacordo com determinação legal</p><p>ou regulamentar:</p><p>294 Art. 133 - Abandonar pessoa que está sob seu cuidado, guarda, vigilância ou autoridade, e, por</p><p>qualquer motivo, incapaz de defender-se dos riscos resultantes do abandono:</p><p>276</p><p>○ Não admite tentativa e desistência</p><p>voluntária.</p><p>○ Exemplo:</p><p>■ Crimes contra a honra (ex: injúria)297</p><p>➢ Observação: os crimes contra a</p><p>honra, em regra, não admitem</p><p>tentativa, porém há uma</p><p>exceção: crime não é praticado</p><p>de forma verbal no exato</p><p>momento298</p><p>● Crimes plurissubsistentes: admite-se o fracionamento</p><p>do iter criminis entre o momento do início da execução e</p><p>a consumação.</p><p>v. Existência ou não de vestígios de sua realização como</p><p>parâmetro299</p><p>● Crimes transeuntes: são os crimes que não deixam</p><p>vestígios.</p><p>● Exemplo: difamação verbal.</p><p>● Crimes não transeuntes: são os crimes que deixam</p><p>vestígios.</p><p>○ Exemplo: homicídio</p><p>○ Art. 158, CPP. Quando a infração deixar vestígios,</p><p>será indispensável o exame de corpo de delito,</p><p>direto ou indireto, não podendo supri-lo a</p><p>confissão do acusado.</p><p>○ Artigo 564, III, b, CPP (38:40): "a nulidade ocorrerá</p><p>nos seguintes casos:</p><p>299 Essa classificação é mais ligada ao direito processual penal.</p><p>298 Exemplo: sujeito envia um áudio com ofensas pelo WhatsApp. O outro sujeito não consegue abrir</p><p>o áudio. Nesse caso, cabe tentativa.</p><p>297 Exemplo: chamar uma pessoa de babaca. Nesse momento, houve a execução e consumação do</p><p>crime de injúria.</p><p>277</p><p>III - por falta das fórmulas ou dos termos seguintes:</p><p>b) o exame do corpo de delito nos crimes que</p><p>deixam vestígios, ressalvado o disposto no Art.</p><p>167300".</p><p>vi. Outra classificação: crime progressivo, crime complexo e</p><p>ultracomplexo</p><p>● Conceito de crime progressivo: é o crime que, para</p><p>realização desse crime, necessariamente precisa realizar</p><p>outro crime que de alguma forma irá agredir o mesmo</p><p>bem jurídico ou um outro bem jurídico.</p><p>○ O dolo do sujeito é, desde o início, de alcançar um</p><p>bem jurídico de maior relevância ou alcançar uma</p><p>maior lesão (estágio mais avançado) a esse mesmo</p><p>bem jurídico.</p><p>■ Progressão criminosa: tem o dolo de lesionar</p><p>um bem jurídico em estágio menos</p><p>avançado ou outro bem jurídico de menor</p><p>relevância. E, iniciada a execução, o sujeito</p><p>altera sua vontade para atingir um bem</p><p>jurídico de maior relevância ou o mesmo</p><p>bem jurídico em estágio mais avançado.</p><p>➢ Exemplo: quero lesionar o sujeito e</p><p>depois resolvo que quero matar.</p><p>● Crime complexo: conjugação de duas condutas (uma</p><p>conduta que já é típica com outro fato que pode ou não</p><p>configurar conduta típica) para formação de uma</p><p>conduta típica.</p><p>300 Art. 167. Não sendo possível o exame de corpo de delito, por haverem desaparecido os vestígios, a</p><p>prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta.</p><p>278</p><p>○ Sentido amplo: crime formado por uma conduta</p><p>típica conjugado com outro fato atípico para</p><p>formar um figura típica nova.</p><p>■ Exemplo: conjugação carnal + violência ou</p><p>grave ameaça = estupro.</p><p>○ Sentido estrito: crime formado por duas condutas</p><p>que, independentemente, já configuram tipos</p><p>penais.</p><p>■ Exemplo: furto + violência ou grave ameaça =</p><p>roubo.</p><p>● Crime ultracomplexo301</p><p>○ Conceito: crime formado por crime já complexo</p><p>conjugado com outra conduta que</p><p>autonomamente configura tipo penal, de tal</p><p>maneira que conjugadas tais condutas forma-se</p><p>um crime com penalidade mais grave.</p><p>■ Exemplo: roubo + emprego de arma de fogo</p><p>= roubo com emprego de arma de fogo.</p><p>vii. A intenção / vontade do agente como parâmetro</p><p>● Crime doloso: aquele em que o agente teve a intenção</p><p>de produzir o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo</p><p>● Crime culposo (art 18, II, CP): quando o agente deu</p><p>causa ao resultado por imprudência (agiu de forma</p><p>precipitada, sem cuidado ou cautela), negligência</p><p>(descuido ou desatenção, deixando de observar</p><p>precaução normalmente adotada na situação) ou</p><p>imperícia (agiu sem habilidade ou qualificação técnica).</p><p>● Crime de intenção ou crime de tendência interna</p><p>transcendente ou intensificada: são crimes que</p><p>exigem para configuração do delito um determinado</p><p>301 Tópico que pode ser cobrado em provas orais!</p><p>279</p><p>ânimo do agente, ou seja, um especial fim de agir do</p><p>agente (finalidade)302. Assim, o sujeito realiza</p><p>determinada conduta com o fim de produzir</p><p>determinado resultado ou, ainda, realizar determinada</p><p>conduta para praticar outra conduta que será</p><p>considerada criminosa.</p><p>○ Exemplo: extorsão mediante sequestro (art 159,</p><p>CP): " sequestrar pessoa com o fim de obter, para</p><p>si ou para outrem, qualquer vantagem, como</p><p>condição ou preço do resgate.</p><p>■ O sujeito não quer simplesmente sequestrar,</p><p>ele quer obter vantagem.</p><p>○ Classificação dos crimes de intenção</p><p>■ Crime de resultado cortado: é o crime cuja</p><p>conduta realizada pelo autor visa alcançar</p><p>um outro resultado (além do resultado direto</p><p>decorrente da conduta) que se encontra fora</p><p>do tipo penal e que não depende mais da</p><p>conduta do agente.</p><p>➢ Exemplo: sequestrar alguém com o</p><p>fim de obter vantagem → o primeiro</p><p>resultado que se alcança com a</p><p>conduta é o sequestro, porém,</p><p>posteriormente, quer um resultado</p><p>que não é condição para a</p><p>consumação do crime e que não</p><p>depende da conduta do agente</p><p>criminoso ou de outra pessoa.</p><p>■ Crime de intenção mutilado em/de dois</p><p>atos:</p><p>o sujeito realiza uma primeira conduta</p><p>já pensando na produção de um outro</p><p>302 Ânimo de obter determinado resultado.</p><p>280</p><p>resultado que se encontra em um outro tipo</p><p>penal e que para, realizar, precisará praticar</p><p>um outro tipo penal. Assim, para que esse</p><p>outro resultado aconteça é imprescindível a</p><p>realização de uma nova conduta.</p><p>➢ Exemplo: um sujeito falsifica moeda e</p><p>depois alguém precisa colocar moeda</p><p>em circulação.</p><p>➢ Exemplo: um sujeito que produz</p><p>apetrecho para falsificar moeda possui</p><p>a intenção de que alguém faça a</p><p>falsificação dessa moeda.</p><p>➢ Exemplo: crime de associação</p><p>criminosa - as pessoas se reúnem com</p><p>o fim de praticar crimes, de modo que,</p><p>para o crime de associação criminosa</p><p>se consumar, não há a necessidade de</p><p>praticar crimes, bastando se reunir</p><p>para praticar crimes. Esses crimes não</p><p>irão ocorrer independentemente da</p><p>conduta desses agentes.</p><p>281</p><p>● Crimes de tendências ou tendência afetiva</p><p>○ A configuração do crime ou não depende do</p><p>animus do agente. A conduta de forma objetiva</p><p>pode ser considerada típica ou atípica, de modo</p><p>que o que depende é qual o animus303 do agente</p><p>no momento de realização do agente.</p><p>■ É preciso investigar a atitude interna do</p><p>agente.</p><p>➢ Exemplo: importunação sexual304</p><p>⇨ Perceba que o toque em</p><p>genitálias, em si, não é crime.</p><p>Todavia, se essa conduta é</p><p>praticada com o fim de satisfazer</p><p>a própria lascívia, estará diante</p><p>de um crime de tendência</p><p>304 Art. 215-A. Praticar contra alguém e sem a sua anuência ato libidinoso com o objetivo de</p><p>satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro:</p><p>303 O que se buscava.</p><p>282</p><p>(importunação sexual). É muito</p><p>difícil a comprovação de prova</p><p>nesses crimes, porque é</p><p>complicado adentrar no âmbito</p><p>da mente do agente.</p><p>viii. A (des) necessidade de resultado naturalístico para a</p><p>consumação do crime como parâmetro</p><p>● Crime material ou de resultado: são os crimes cuja</p><p>consumação depende de um resultado naturalístico</p><p>(resultado visível no mundo externo/ físico).</p><p>○ Exemplo: homicídio. A morte acontece, consoante</p><p>a Lei 9434, cessação das atividades cerebrais ou</p><p>impulsos nervosos.</p><p>● Crimes formais / crime de consumação antecipada /</p><p>resultado cortado305</p><p>○ Conceito: a consumação independe de um</p><p>resultado naturalístico, porém há previsão do</p><p>resultado naturalístico no tipo penal. Na regra</p><p>natural, um crime importa um resultado</p><p>naturalístico. Quando se fala do crime formal, há</p><p>uma antecipação de consumação do crime ao</p><p>momento da conduta.</p><p>■ Exemplo: extorsão mediante sequestro.</p><p>■ Nesse ponto, o professor pede para ir ao site</p><p>do Planalto (Código Penal) e dar CTRL + F</p><p>"com o fim". 306</p><p>➢ Violação sexual mediante fraude:</p><p>Art. 215. Ter conjunção carnal ou</p><p>praticar outro ato libidinoso com</p><p>306 Se fizer isso, verá que terão vários crimes, de modo que demonstra que tais crimes se consumam</p><p>antes do resultado naturalístico.</p><p>305 O professor não gosta de trabalhar os crimes de resultado cortado como sinônimo de crimes</p><p>formais.</p><p>283</p><p>alguém, mediante fraude ou outro</p><p>meio que impeça ou dificulte a livre</p><p>manifestação de vontade da vítima:</p><p>(Redação dada pela Lei nº 12.015, de</p><p>2009)</p><p>Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis)</p><p>anos.</p><p>Parágrafo único. Se o crime é</p><p>cometido com o fim de obter</p><p>vantagem econômica, aplica-se</p><p>tambémmulta.</p><p>● Não precisa ter vantagem</p><p>econômica para se</p><p>consumar o crime,</p><p>dispensando a ocorrência</p><p>do resultado naturalístico.</p><p>● Crimes de mera conduta ou mera atividade</p><p>○ Conceito: são aqueles cuja conduta descrita no</p><p>tipo penal não importa em resultado naturalístico</p><p>e sequer há previsão de um resultado naturalístico</p><p>no tipo penal.</p><p>■ Exemplo: crime de violação de domicílio307 →</p><p>não há mudança no mundo externo quando</p><p>há violação de domicílio, de modo que o</p><p>sujeito irá responder simplesmente pelo fato</p><p>de ter ingressado no domicílio, violando a</p><p>intimidade da vítima. Nesse caso, não</p><p>interessa o que o sujeito queria fazer ao</p><p>entrar no domicílio.</p><p>307 Art. 150 - Entrar ou permanecer, clandestina ou astuciosamente, ou contra a vontade expressa ou</p><p>tácita de quem de direito, em casa alheia ou em suas dependências:</p><p>Pena - detenção, de um a três meses, ou multa.</p><p>284</p><p>ix. A (des) necessidade da presença de mais de um agente</p><p>para realização do crime como parâmetro</p><p>● Crime monossubjetivo ou unissubjetivo: não demanda</p><p>da presença de mais de um agente, porém pode ser</p><p>praticado por mais de uma pessoa.</p><p>○ Exemplo: homicídio. Nesse caso, se tiver mais de</p><p>um agente, terá concurso eventual (ou seja, o</p><p>concurso não é necessário).</p><p>● Crime plurissubjetivo ou crime de concurso</p><p>necessário: depende da atuação de mais de um agente</p><p>para realização do crime. Exemplo: associação</p><p>criminosa;308 rixa309; bigamia310</p><p>○ Bilaterais de condutas convergentes: duas pessoas</p><p>realizam condutas que se buscam encontrar de</p><p>verdade.</p><p>■ Exemplo: bigamia.</p><p>○ Bilaterais de condutas divergentes: duas pessoas</p><p>estão com condutas contrapostas (os interesses</p><p>divergem)</p><p>■ Exemplo: rixa.</p><p>○ Bilaterais de condutas paralelas: as condutas não</p><p>convergem para a realização de um resultado nem</p><p>divergem, elas, simplesmente, caminham em um</p><p>mesmo sentido.</p><p>310 Depende da atuação de outro agente para a realização do crime.</p><p>309 Precisa de mais de duas pessoas, porque há pessoas se lesionando de forma mútua sem</p><p>conseguir identificar quem bateu em quem.</p><p>308 Precisa de no mínimo 3 agentes.</p><p>285</p><p>O professor recomenda, para os alunos que desejam se aprofundar no tema</p><p>classificação do crime, o livro do Cleber Masson (Direito Penal parte 1).</p><p>286</p><p>30.Concurso de pessoas</p><p>Concurso: há uma pluralidade de coisas. No caso de concurso</p><p>de pessoas, refere-se à existência de pluralidade de agentes,</p><p>também denominada de pluralidade subjetiva, não se</p><p>confundindo com concurso de crimes, que se refere a uma</p><p>pluralidade de fatos, podendo ser denominado de pluralidade</p><p>objetiva.</p><p>a. Introdução</p><p>i. Quando se estuda concurso de pessoas, deve-se ter em</p><p>mente que estar-se-á diante de concurso eventual de</p><p>agentes e não ao concurso necessário de agentes.</p><p>● Concurso necessário: é aquele que para a</p><p>realização da figura típica, pressupõe a presença</p><p>de mais de uma pessoa.</p><p>● Concurso eventual: é aquele que pode ser</p><p>praticado por uma única pessoa, e, eventualmente,</p><p>ser praticado por mais de uma pessoa.</p><p>○ Não é essencial para a realização do crime.</p><p>ii. Concurso necessário de agentes</p><p>● Diz respeito aos crimes plurissubjetivos e que</p><p>pressupõe a presença de mais de um agente para</p><p>a prática do delito.</p><p>● Participação necessária/ imprópria: ocorrem nos</p><p>delitos que somente podem ser praticados com a</p><p>participação de várias pessoas.</p><p>○ Delitos de encontro ou de convergência.</p><p>■ Crime bilateral ou plurilateral recíproco</p><p>➢ Crime de rixa;</p><p>➢ Neste caso, não há concurso</p><p>eventual de pessoas, porque</p><p>287</p><p>nestes casos a conduta plural é</p><p>obrigatória.</p><p>● Em relação aos crimes plurissubjetivos poderá se</p><p>ter um concurso eventual, como, por exemplo,</p><p>quando as pessoas são induzidas ou persuadidas</p><p>por outras pessoas que não integram esse</p><p>concurso.</p><p>○ Assim, vai estar diante de um concurso</p><p>eventual.</p><p>iii. Concurso eventual de agentes</p><p>● Diz respeito a um concurso de pessoas para a</p><p>realização de crimes unissubjetivos, os quais, em</p><p>regra, podem ser cometidos por apenas uma</p><p>pessoa.</p><p>○ Eventualmente, os crimes poderão ser</p><p>cometidos com a colaboração de mais de</p><p>um agente.</p><p>iv. Conceito</p><p>● Há a ocorrência de concurso de pessoas quando</p><p>duas ou mais pessoas colaboram, de qualquer</p><p>forma, para a prática de uma infração penal, o que</p><p>significa dizer que engloba crimes e contravenções</p><p>penais.</p><p>v. Regulamentação</p><p>● Previsão normativa</p><p>○ Título IV, da Parte Geral, dos artigos 29 a 31</p><p>do Código Penal.</p><p>● Art. 29: “Quem, de qualquer modo, concorre para o</p><p>crime incide nas penas a este cominadas, na</p><p>medida de sua culpabilidade;</p><p>288</p><p>§ 1º. Se a participação for de menor importância, a</p><p>pena pode ser diminuída de um sexto a um terço.</p><p>○ Participação de menor importância;</p><p>○ Causa de diminuição de pena.</p><p>§ 2º - Se algum dos concorrentes</p><p>quis participar de</p><p>crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena</p><p>deste; essa pena será aumentada até metade, na</p><p>hipótese de ter sido previsível o resultado mais</p><p>grave”.</p><p>○ Cooperação dolosamente distinta ou desvio</p><p>subjetivo de conduta.</p><p>● A primeira legislação penal brasileira, qual seja,</p><p>Código Criminal do Império, distinguia autor e</p><p>cúmplice.</p><p>○ Neste, a cumplicidade possuía um caráter</p><p>acessório, mas iria abarcar situações de</p><p>adesão posterior à consumação do crime, o</p><p>que hoje não é admitido em se tratando de</p><p>concurso de pessoas.</p><p>○ Como por exemplo o que hoje se verifica nos</p><p>crimes de receptação; crime de</p><p>favorecimento pessoal ou real.</p><p>○ A pena da cumplicidade era a mesma da</p><p>tentativa.</p><p>■ Na tentativa, tinha-se a previsão de</p><p>redução de ⅓ da pena cominada ao</p><p>crime.</p><p>● Código de 1890, mantém o sistema distintivo de</p><p>autor e cúmplice, mas altera o conceito de autoria,</p><p>passando a abarcar outras situações dentro do</p><p>conceito de autoria.</p><p>289</p><p>● O Código de 1940 passou a adotar a nomenclatura</p><p>de coautoria, utilizando-se da teoria do conceito</p><p>extensivo de autor.</p><p>○ Inova por trazer situações que versam acerca</p><p>da comunicabilidade das circunstâncias;</p><p>○ Impunidade da participação</p><p>■ Quando o crime não chega sequer a</p><p>ser executado, o partícipe não</p><p>responde.</p><p>● Reforma de 1984:</p><p>○ A partir da reforma, concurso de pessoas</p><p>passou a ser tratado e assim denominado.</p><p>Abarca, também, a relação de participação</p><p>além da coautoria.</p><p>○ Passa a dar maior atenção à culpabilidade</p><p>do agente.</p><p>■ Como se extrai do art. 29, §2° do CP</p><p>que versa sobre a cooperação</p><p>dolosamente distinto.</p><p>➢ Afasta, portanto, a</p><p>responsabilidade penal objetiva.</p><p>■ Antes da reforma, tratava-se de uma</p><p>atenuante e não uma causa de</p><p>diminuição de pena.</p><p>○ Participação de menor importância.</p><p>■ Deixando de ser uma atenuante</p><p>genérica, passando a ser causa de</p><p>diminuição de pena.</p><p>➢ Há diferença, visto que, quando</p><p>se estuda a aplicação da pena, a</p><p>súmula 231 do STJ dispõe que a</p><p>circunstância atenuante não</p><p>290</p><p>pode reduzir a pena abaixo do</p><p>mínimo legal.</p><p>➢ Há, portanto, uma mudança</p><p>mais benéfica.</p><p>vi. Natureza jurídica do art. 29 do CP</p><p>● Normas de extensão/adequação</p><p>típica/subordinação mediata: quando se precisa de</p><p>uma norma que permita a aplicação a um tipo</p><p>penal que não estava abarcada.</p><p>○ Como acontece no caso de tentativa;</p><p>○ Em tese, aqueles que concorrem por um</p><p>tipo penal, não precisam ter praticado todos</p><p>os elementos para que respondam por um</p><p>crime.</p><p>■ Estende a abrangência do tipo penal.</p><p>Por exemplo, um sujeito que atua em</p><p>determinado delito de furto como</p><p>motorista.</p><p>vii. Requisitos para o concurso de agentes</p><p>● Pluralidade de agentes;</p><p>○ Cleber Masson: pluralidade de agentes</p><p>culpáveis;</p><p>■ O concurso de pessoas, disciplinado na</p><p>parte geral do Código Penal, reclama a</p><p>culpabilidade de todos os agentes.</p><p>○ Quanto ao número de agentes, os crimes se</p><p>dividem em três grandes grupos:</p><p>■ Crimes unissubjetivos, unilaterais ou</p><p>de concurso eventual: são aqueles, em</p><p>regra, praticados por uma única</p><p>291</p><p>pessoa, mas admitem o concurso de</p><p>agentes.</p><p>➢ Nos crimes unissubjetivos,</p><p>unilaterais ou de concurso</p><p>eventual, um eventual concurso</p><p>de pessoas não faz surgir uma</p><p>modalidade mais grave do delito.</p><p>Não existe uma qualificadora ou</p><p>uma causa de aumento de pena</p><p>tão somente em razão do</p><p>concurso de pessoas.</p><p>■ Crimes plurissubjetivos, plurilaterais ou</p><p>de concurso necessário: são aqueles</p><p>em que a pluralidade de agentes é</p><p>indispensável à tipicidade do fato. Isto</p><p>é, o crime só existe com o concurso de</p><p>pessoas.</p><p>➢ Nos denominados crimes</p><p>plurissubjetivos as condutas</p><p>podem ser paralelas,</p><p>contrapostas ou convergentes.</p><p>■ Crimes acidentalmente coletivos</p><p>(eventualmente coletivos): são aqueles</p><p>que podem ser praticados por uma</p><p>única pessoa, mas a pluralidade de</p><p>agentes faz surgir uma modalidade</p><p>mais grave de delito.</p><p>➢ Exemplo: furto praticado por</p><p>uma única pessoa (furto simples)</p><p>e furto praticado em concurso</p><p>de pessoas (furto qualificado –</p><p>art. 155, §4o, IV, CP).</p><p>292</p><p>○ Nos crimes plurissubjetivos e nos crimes</p><p>acidentalmente coletivos, basta que um dos</p><p>agentes seja culpável.</p><p>● Relevância causal e jurídica de cada conduta;</p><p>○ No concurso de pessoas, há dois ou mais</p><p>agentes, cada qual praticando a sua conduta</p><p>e todas as condutas colaboram para a</p><p>produção do resultado final.</p><p>■ Não há concurso de pessoas na</p><p>chamada “participação inócua”.</p><p>➢ Participação inócua é aquela em</p><p>que o agente, subjetivamente,</p><p>quer concorrer para o resultado,</p><p>entretanto, objetivamente, ele</p><p>não concorre.</p><p>➢ Para identificar a participação</p><p>inócua (ineficaz), utiliza-se o</p><p>método da eliminação</p><p>hipotética.</p><p>● Liame/ vínculo subjetivo entre os agentes</p><p>concorrentes;</p><p>○ Também de denominado de liame</p><p>psicológico ou de concurso de vontades;</p><p>■ Vínculo subjetivo é a vontade de</p><p>concorrer para o crime de terceiro,</p><p>ainda que este terceiro desconheça a</p><p>colaboração do agente.</p><p>○ Ausente o vínculo subjetivo, desaparece o</p><p>concurso de pessoas e surge a autoria</p><p>colateral.</p><p>■ Para se falar em concurso de pessoas,</p><p>é necessário que todos os agentes</p><p>293</p><p>apresentem vontades homogêneas</p><p>(princípio da convergência), ou seja, se</p><p>o crime é doloso, todos os agentes</p><p>devem concorrer dolosamente para o</p><p>resultado. Se, entretanto, é culposo,</p><p>todos devem concorrer culposamente</p><p>para o resultado final.</p><p>○ Vínculo subjetivo vs. prévio ajuste: O vínculo</p><p>subjetivo é o “menos”. O prévio ajuste é o</p><p>“mais”. O vínculo subjetivo não se confunde</p><p>com o prévio ajuste.</p><p>○ Pode ser anterior ou concomitante à</p><p>realização do crime.</p><p>■ Nunca poderá ser posterior, isto é, após</p><p>a realização do crime, o sujeito não</p><p>poderá aderir ao crime de outro.</p><p>● Unidade delitiva ou identidade da infração penal</p><p>○ Todos têm que ter realizado o mesmo crime.</p><p>■ Não há uma infração penal para cada</p><p>agente.</p><p>○ Se todos respondem pelo mesmo crime,</p><p>todos receberão, automaticamente, pena</p><p>igual? Não. A unidade de crime para todos os</p><p>agentes não acarreta, obrigatoriamente, a</p><p>unidade de pena. Isso porque o Código</p><p>Penal segue o princípio da culpabilidade: “(...)</p><p>na medida de sua culpabilidade.”</p><p>● Existência de fato punível</p><p>○ Este requisito, trabalhado pelo professor</p><p>Cleber Masson, em muitas vezes se encontra</p><p>dentro dos demais requisitos.</p><p>294</p><p>○ Revela o chamado princípio da exterioridade.</p><p>Não basta a pluralidade de agentes e o</p><p>vínculo subjetivo se não for praticado um</p><p>crime ou uma contravenção penal.</p><p>b.Punibilidade dos agentes e teorias</p><p>i. Teoria pluralista</p><p>● Cada agente vai causar uma infração penal</p><p>diferente.</p><p>○ Cada autor responde por sua conduta.</p><p>ii. Teoria dualista</p><p>● Há uma distinção nas condutas realizadas pelos</p><p>autores e as que forem realizadas pelos partícipes.</p><p>iii. Teoria monista ou unitária</p><p>● Todos os agentes que colaborarem para a</p><p>realização do delito, respondem por este.</p><p>● Formalmente, esta teoria está prevista no art. 29</p><p>do CP.</p><p>○ O direito penal brasileito, contudo, afasta a</p><p>aplicação dessa teoria ao se inserir os §§1° e</p><p>2° do CP.</p><p>■ Assim, a doutrina passa a tratar a teoria</p><p>matizada/ temperada/ branda/</p><p>mitigada, visto que em algumas</p><p>hipóteses poderão ser dados</p><p>tratamentos diversos.</p><p>● Exceções à teoria monista</p><p>○ Hipóteses previstas na parte geral, como</p><p>acontece no art. 29, §2° do CP, especial e na</p><p>legislação extravagante.</p><p>■ Exemplos:</p><p>295</p><p>➢ Crime de aborto praticado por</p><p>terceiro com o consentimento</p><p>da gestante, sendo que aquele</p><p>responderá pelo art. 126 do CP,</p><p>enquanto esta responderá pelo</p><p>art. 124 do CP;</p><p>c. Modalidades do concurso de pessoas</p><p>i. Coautoria</p><p>● Sempre que se estiver diante do termo “co”,</p><p>deve-se ter em mente que se trata de duas ou</p><p>mais coisas ao mesmo tempo.</p><p>○ Coautoria é, então, a existência de duas ou</p><p>mais pessoas como autores em determinado</p><p>crime.</p><p>● Espécies:</p><p>○ Coautoria parcial também é chamada de</p><p>funcional. Nessa coautoria, os autores</p><p>praticam atos diversos que, somados, levam</p><p>à produção do resultado. Exemplo: “A”</p><p>segura “B” para “C” poder esfaqueá-lo. Nesse</p><p>caso, há coautoria</p><p>parcial.</p><p>○ Coautoria direta também é chamada de</p><p>coautoria material. Nesse caso, os agentes</p><p>praticam atos iguais que, somados, levam à</p><p>produção do resultado. Exemplo: “A” e “B”, ao</p><p>mesmo tempo, esfaqueiam “C”.</p><p>● Crimes próprios e crimes de mão própria</p><p>○ Crimes próprios são também chamados de</p><p>especiais. Crimes próprios são aqueles que</p><p>296</p><p>reclamam uma situação fática ou jurídica</p><p>diferenciada no tocante ao sujeito ativo.</p><p>■ Exemplo: crime de peculato, o autor</p><p>deve ser servidor público.</p><p>■ Admitem coautoria.</p><p>○ Crimes de mão própria são também</p><p>chamados de atuação pessoal ou de</p><p>conduta infungível: são aqueles que</p><p>somente podem ser praticados pela pessoa</p><p>expressamente indicada no tipo penal.</p><p>■ Exemplo: falso testemunho – Somente</p><p>a testemunha pode praticá-lo.</p><p>■ Admitem apenas participação. Isso</p><p>porque o crime de mão própria</p><p>somente pode ser praticado pela</p><p>pessoa indicada no tipo penal.</p><p>○ OBS: Segundo Sanches, no que tange ao</p><p>falso testemunho, possível se mostra o</p><p>concurso de agentes, limitado, porém, à</p><p>participação (induzimento, instigação ou</p><p>auxílio). Em que pese decisão do STF</p><p>admitindo a coautoria do advogado que</p><p>instrui testemunha, são frequentes as</p><p>decisões de nossos tribunais afirmando a</p><p>incompatibilidade do instituto (coautoria)</p><p>com o delito de falso testemunho (art. 342),</p><p>face à sua característica de crime de mão</p><p>própria. A hipótese do causídico deve,</p><p>segundo pensamos, ser tratada como mera</p><p>participação ou, a depender do caso,</p><p>corrupção de testemunha (art. 343 do CP).</p><p>297</p><p>ii. Participação</p><p>● Há além do autor, a contribuição acessória de</p><p>alguém, podendo esta contribuição ser tanto de</p><p>forma moral ou de forma material ou de forma</p><p>moral-material.</p><p>● Subespécies:</p><p>○ Contribuição moral</p><p>■ Consiste no induzimento ou na</p><p>instigação;</p><p>➢ Induzimento: o sujeito incute</p><p>uma ideia criminosa na cabeça</p><p>do autor que não existia</p><p>anteriormente.</p><p>➢ Instigação: o sujeito já possui</p><p>uma ideia sobre a realização</p><p>daquele crime, mas esta é</p><p>reforçada pelo partícipe.</p><p>■ Ocorre quando o sujeito contribui</p><p>instigando ou induzindo alguém a</p><p>realizar determinado crime, sem</p><p>fornecer qualquer meio para a</p><p>execução do crime.</p><p>○ Contribuição material</p><p>■ Consiste no auxílio.</p><p>■ O sujeito contribui com o</p><p>fornecimento de meios para a</p><p>realização do crime.</p><p>● Auxílio posterior à consumação</p><p>○ Com ajuste prévio</p><p>■ Exemplo: “A” fala para “B” que, no outro</p><p>dia, às 12h, irá matar “C” na rua X. “A”</p><p>combina que “B” deverá buscá-lo às</p><p>298</p><p>12h01min com a sua mala e com o</p><p>dinheiro, de modo que possa fugir. “A”</p><p>mata “C” e, na hora combinada, “B”</p><p>aparece para buscá-lo. Nesse caso,</p><p>tanto “A” quanto “B” respondem por</p><p>homicídio (“A” responde por homicídio</p><p>como autor e “B” responde por</p><p>homicídio como partícipe) – Há</p><p>concurso de pessoas.</p><p>■ O auxílio posterior à consumação com</p><p>ajuste prévio é participação.</p><p>○ Sem ajuste prévio</p><p>■ Exemplo: “A” mata “C” ao meio-dia. Um</p><p>minuto depois, por coincidência, “B”</p><p>para o carro e pergunta o que</p><p>aconteceu. “A” conta para “B” e este</p><p>manda o agente entrar no carro para</p><p>ajudá-lo a fugir. Nesse caso, “A”</p><p>responde por homicídio e “B”</p><p>responde pelo crime de favorecimento</p><p>pessoal (art. 348, CP).</p><p>■ O auxílio posterior à consumação sem</p><p>ajuste prévio é favorecimento pessoal</p><p>(não é participação).</p><p>● Distinção entre o autor e o partícipe</p><p>○ O Código Penal não faz uma distinção clara</p><p>entre autor e partícipe, cabendo à doutrina a</p><p>distinção, variando conforme as teorias</p><p>adotadas.</p><p>iii. Teorias que explicam acerca do autor e do partícipe</p><p>● Teoria que trabalha com o conceito extensivo</p><p>de autor</p><p>299</p><p>○ Teoria da conditio sine qua non (teoria da</p><p>equivalência das condições)</p><p>■ Qualquer conduta que, de qualquer</p><p>modo contribuiu, será considerada</p><p>causa do resultado.</p><p>■ Todos os que colaborarem para a</p><p>prática do crime serão considerados</p><p>autores.</p><p>■ Previsão normativa: art. 13, caput do</p><p>CP.</p><p>■ Com essa teoria, não há distinção</p><p>entre autores e partícipes.</p><p>● Teoria subjetiva da participação</p><p>○ Subjetiva se relaciona com vontade.</p><p>○ O partícipe é aquele que contribui para o</p><p>crime, mas não o quer como obra própria.</p><p>○ É imprescindível verificar o dolo do sujeito</p><p>quando praticou a conduta.</p><p>○ Divergência da doutrina quanto à autonomia</p><p>da teoria subjetiva da participação:</p><p>■ Cesar Roberto Bitencourt e Rogério</p><p>Greco: sugerem que a teoria subjetiva</p><p>seria um complemento do conceito</p><p>extensivo de autor, como uma forma</p><p>de corrigir essa falha inicial.</p><p>■ Luiz Regis Prado: tratamento</p><p>autônomo à teoria subjetiva, sendo</p><p>diversa da teoria do conceito extensivo</p><p>de autor.</p><p>○ Ambas as correntes, contudo, convergem no</p><p>seguinte sentido: a teoria subjetiva da</p><p>participação aponta que o autor é aquele</p><p>300</p><p>que realiza uma contribuição causal com</p><p>vontade de autor, querendo o fato como</p><p>próprio, enquanto que o partícipe quer o fato</p><p>como alheio.</p><p>■ A diferença será identificada no</p><p>animus de cada um.</p><p>○ Em algumas situações limítrofes não se</p><p>consegue identificar e fazer uma distinção</p><p>clara no que se refere ao animus.</p><p>■ Como, por exemplo, no caso de</p><p>matador de aluguel;</p><p>● Teoria restritiva de autor ou teoria objetiva da</p><p>participação</p><p>○ O Autor é aquele que realiza a conduta</p><p>descrita no núcleo do tipo penal, enquanto</p><p>que o partícipe será aquele que contribui</p><p>moral ou material para a realização.</p><p>○ Divisões:</p><p>■ Teoria objetivo-formal: autor seria</p><p>apenas aquele que pratica a conduta</p><p>descrita no núcleo do tipo. Os demais,</p><p>que concorrerem para a infração penal,</p><p>mas que não praticam a conduta,</p><p>serão considerados partícipes.</p><p>➔ Juarez Cirino e Luiz Regis Prado:</p><p>tratam o conceito restritivo</p><p>como um conceito</p><p>objetivo-formal, sem qualquer</p><p>restrição.</p><p>◆ As teorias não resolvem a</p><p>autoria mediata, na qual</p><p>um sujeito se vale de uma</p><p>301</p><p>pessoa e pratica um crime.</p><p>Não realiza a conduta do</p><p>crime. Como ficaria a sua</p><p>responsabilização?</p><p>■ Teoria objetivo-material: a relevância</p><p>da conduta praticada deve ser</p><p>analisada. Dessa forma, as condutas</p><p>mais relevantes do ponto de vista</p><p>causal serão consideradas praticadas</p><p>pelos autores.</p><p>➔ Para Nilo Batista, o art. 29, §1° do</p><p>CP, quando trata da minorante</p><p>da participação de menor</p><p>importância, estaria</p><p>demonstrando que o</p><p>ordenamento adotou a teoria</p><p>objetivo-material.</p><p>➔ Não necessariamente está se</p><p>fazendo uma distinção, no plano</p><p>da relevância para distinguir</p><p>autor e partícipe, porque a</p><p>participação de menor</p><p>importância diz respeito ao</p><p>partícipe. Faz, contudo, uma</p><p>distinção entre o partícipe que</p><p>teve maior ou menor</p><p>participação.</p><p>● Teoria do domínio do fato</p><p>○ Surgiu na Alemanha em 1939, por Hans</p><p>Welzel, o qual foi o precursor do finalismo</p><p>penal.</p><p>302</p><p>■ Tem como seu principal precursor</p><p>Welzel, o qual sustenta que o autor/</p><p>coautor é todo aquele que, diante a</p><p>divisão de tarefas, possui um domínio</p><p>funcional sobre a causação do fato/</p><p>resultado.</p><p>➔ Dentro da divisão, o agente terá</p><p>controle sobre a ocorrência ou</p><p>não do crime? Se sim, será autor,</p><p>se não, será partícipe.</p><p>■ Entende-se, em regra, que esta é a</p><p>teoria que vem sendo adotada pela</p><p>maioria da doutrina. Enquanto que na</p><p>jurisprudência, prevalece o</p><p>posicionamento de que o</p><p>ordenamento adotou a teoria objetiva</p><p>da participação, mais especificamente</p><p>o seu aspecto objetivo-formal.</p><p>■ Segundo Welzel, o domínio finalista do</p><p>fato é característico da autoria, não</p><p>sendo necessário que o autor execute</p><p>o fato em todas as suas etapas.</p><p>■ O autor pode se servir de vários outros</p><p>meios para a realização do crime e</p><p>desde que mantenha controle sobre a</p><p>realização daquele crime. Para essa</p><p>teoria, autor é:</p><p>➢ Quem pratica o núcleo do tipo;</p><p>➢ Autor intelectual (mentor do</p><p>crime);</p><p>➢ O autor mediato (autor de trás);</p><p>303</p><p>➢ Aquele que tem, de qualquer</p><p>modo, o controle final do fato.</p><p>■ Abarca apenas os crimes de natureza</p><p>dolosa;</p><p>➔ O autor do crime culposo é</p><p>apenas causador de um</p><p>resultado que lhe será imputado</p><p>por uma questão normativa, a</p><p>saber, não observância ao dever</p><p>objetivo de cuidado.</p><p>■ Nilo Batista</p><p>➔ Dá um tratamento à</p><p>princípio.</p><p>○ Dentro da estrutura do tipo penal, há o fato</p><p>típico8, conduta, resultado e nexo causal.</p><p>● Natureza jurídica9: causa de exclusão da</p><p>tipicidade e princípio reitor de interpretação da</p><p>norma penal10.</p><p>● Houve uma decisão isolada no STF que</p><p>reconheceu o princípio da insignificância,</p><p>porém, como o réu era reincidente, não</p><p>deveria absolver o réu, mas realizar a</p><p>substituição da pena privativa de liberdade</p><p>em restritiva de direito com fundamento no</p><p>princípio da insignificância, afastando o</p><p>10 Principalmente, no que diz respeito à limitação do âmbito normativo.</p><p>9 Natureza jurídica significa o que o tipo penal representa no mundo jurídico.</p><p>8 Tipicidade formal: mera subsunção entre o fato e modelo descrito em abstrato no tipo penal.</p><p>Tipicidade material: está ligada à lesão efetiva a determinado bem jurídico. Reconhecida a</p><p>insignificância, o fato é atípico materialmente.</p><p>27</p><p>óbice do artigo 44, II, CP11 (32:16). Nesse caso,</p><p>o princípio da insignificância não deixou de</p><p>ser causa de exclusão da tipicidade.</p><p>● Vetores ou requisitos da aplicação do princípio</p><p>da insignificância (STF):</p><p>○ Mínima ofensividade da conduta</p><p>■ Não se aplica a insignificância nos</p><p>crimes praticados com violência ou</p><p>grave ameaça à pessoa.</p><p>○ Ausência de periculosidade social: a conduta</p><p>não causa um perigo para sociedade.</p><p>■ Não se aplica ao crime de apropriação</p><p>indébita previdenciária e nos crimes</p><p>contra à saúde pública.</p><p>○ Reduzido grau de reprovabilidade do</p><p>comportamento: a conduta do agente não</p><p>pode ser muito reprovável, devendo ser de</p><p>reprovabilidade quase zero.</p><p>■ Não se aplica o princípio da</p><p>insignificância no crime de furto</p><p>qualificado, por exemplo.</p><p>■ A multirreincidência específica</p><p>somada ao fato de o acusado estar em</p><p>prisão domiciliar durante as reiterações</p><p>criminosas são circunstâncias que</p><p>inviabilizam a aplicação do princípio</p><p>da insignificância, segundo o STJ.</p><p>○ Inexpressividade da lesão jurídica provocada.</p><p>11 Art. 44. As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade,</p><p>quando: (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)</p><p>II - o réu não for reincidente em crime doloso; (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)</p><p>28</p><p>■ Se o bem jurídico tutelado é o</p><p>patrimônio e ele não está sendo</p><p>expressivamente violado, terá</p><p>aplicação do princípio da</p><p>insignificância.</p><p>● Em relação aos crimes patrimoniais, é essencial</p><p>que seja verificada a capacidade financeira da</p><p>vítima para se aplicar o princípio da insignificância.</p><p>● Requisitos subjetivos para aplicar o princípio da</p><p>insignificância:</p><p>○ Ausência de habitualidade criminosa;</p><p>■ STJ, 3ª Seção, Tema 1.205, 2023:12 A</p><p>restituição imediata e integral do bem</p><p>furtado não constitui, por si só, motivo</p><p>suficiente para a incidência do</p><p>princípio da insignificância.</p><p>➢ No caso concreto analisado, o</p><p>réu havia furtado alguns itens de</p><p>um supermercado e, mesmo</p><p>antes de sair de lá, foi preso em</p><p>flagrante.</p><p>➢ O STJ afastou a aplicação do</p><p>princípio da insignificância em</p><p>razão da caracterização da</p><p>habitualidade criminosa, tendo</p><p>em vista que o réu já estava</p><p>respondendo a outras três ações</p><p>penais pelo crime de furto.</p><p>○ Reincidência</p><p>■ Informativo 938 STF (42:45): a</p><p>reincidência não afasta, por si só, a</p><p>12 Incluído em 21/01/2024.</p><p>29</p><p>aplicação do princípio da</p><p>insignificância. Deve analisar no caso</p><p>concreto.</p><p>● Crimes observados nos Tribunais Superiores</p><p>como sendo não passíveis de aplicação do</p><p>princípio da insignificância</p><p>○ Furto qualificado</p><p>■ Crime de furto</p><p>➢ Não se aplica a insignificância no</p><p>furto de coisa superior a 10% do</p><p>salário-mínimo, sendo o réu</p><p>multirreincidente. De acordo</p><p>com o STJ.</p><p>○ Tráfico de drogas: é um crime contra à saúde</p><p>pública, sendo um crime de perigo abstrato</p><p>que, em regra, não admite a aplicação do</p><p>princípio da insignificância.</p><p>○ Crime de moeda falsa</p><p>○ Crimes praticados no âmbito de violência</p><p>doméstica contra a mulher (Lei Maria da</p><p>Penha)</p><p>30</p><p>○ Crime de contrabando (artigo 334-A, CP13):</p><p>antigamente, antes da Lei 13.008/2014, havia</p><p>o crime de contrabando e descaminho.</p><p>■ O crime de contrabando tem como</p><p>bens jurídicos: (I) ordem tributária; (II)</p><p>segurança nacional e (III) saúde.</p><p>➢ Importação de medicação</p><p>regulamentada pela ANVISA, em</p><p>pequena quantidade, para uso</p><p>próprio: configura crime de</p><p>contrabando, porém é aplicável</p><p>o princípio da insignificância.</p><p>➢ Insignificância no Contrabando</p><p>E O Rec. Repetitivo 1143: O</p><p>princípio da insignificância é</p><p>aplicável ao crime de</p><p>contrabando de cigarros quando</p><p>a quantidade apreendida não</p><p>ultrapassar 1.000 (mil) maços,</p><p>13 Art. 334-A. Importar ou exportar mercadoria proibida: (Incluído pela Lei nº 13.008, de 26.6.2014)</p><p>Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 ( cinco) anos. (Incluído pela Lei nº 13.008, de 26.6.2014)</p><p>§ 1 o Incorre na mesma pena quem: (Incluído pela Lei nº 13.008, de 26.6.2014)</p><p>I - pratica fato assimilado, em lei especial, a contrabando; (Incluído pela Lei nº 13.008, de 26.6.2014)</p><p>II - importa ou exporta clandestinamente mercadoria que dependa de registro, análise ou</p><p>autorização de órgão público competente; (Incluído pela Lei nº 13.008, de 26.6.2014)</p><p>III - reinsere no território nacional mercadoria brasileira destinada à exportação; (Incluído pela Lei nº</p><p>13.008, de 26.6.2014)</p><p>IV - vende, expõe à venda, mantém em depósito ou, de qualquer forma, utiliza em proveito próprio</p><p>ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, mercadoria proibida pela lei brasileira;</p><p>(Incluído pela Lei nº 13.008, de 26.6.2014)</p><p>V - adquire, recebe ou oculta, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou</p><p>industrial, mercadoria proibida pela lei brasileira. (Incluído pela Lei nº 13.008, de 26.6.2014)</p><p>§ 2º - Equipara-se às atividades comerciais, para os efeitos deste artigo, qualquer forma de comércio</p><p>irregular ou clandestino de mercadorias estrangeiras, inclusive o exercido em residências. (Incluído</p><p>pela Lei nº 4.729, de 14.7.1965)</p><p>§ 3 o A pena aplica-se em dobro se o crime de contrabando é praticado em transporte aéreo,</p><p>marítimo ou fluvial. (Incluído pela Lei nº 13.008, de 26.6.2014)</p><p>31</p><p>seja pela diminuta</p><p>reprovabilidade da conduta, seja</p><p>pela necessidade de se dar</p><p>efetividade à repressão a o</p><p>contrabando de vulto, excetuada</p><p>a hipótese de reiteração da</p><p>conduta, circunstância apta a</p><p>indicar maior reprovabilidade e</p><p>periculosidade social da ação.</p><p>(STJ. 3ª Seção.REsps 1.971.993-SP</p><p>e 1.977.652-SP, Rel. Min. Joel Ilan</p><p>Paciornik, Rel. para acórdão Min.</p><p>Sebastião Reis Junior, julgado</p><p>em 13/9/2023 (Recurso Repetitivo</p><p>– Tema 1143) (Info 787).</p><p>○ Crime de violação de direitos autorais</p><p>○ Crime de apropriação indébita</p><p>previdenciária: deixar de repassar aos cofres</p><p>previdenciários a contribuição descontada</p><p>dos funcionários. Nesse caso, há uma</p><p>acentuada periculosidade social. É válido</p><p>lembrar que, nos crimes tributários, há</p><p>aplicação do princípio da insignificância, isso</p><p>porque os impostos não são vinculados,</p><p>diferentemente das contribuições que são</p><p>vinculadas.</p><p>○ Crimes contra a Administração Pública:</p><p>■ Súmula 599 STJ:: "O princípio da</p><p>insignificância é inaplicável aos crimes</p><p>contra a administração pública". →</p><p>seguir esse posicionamento na prova</p><p>objetiva (redação expressa da súmula)</p><p>32</p><p>➢ Todavia, o STF, em diversos</p><p>julgamentos, vem mitigando</p><p>essa súmula, propondo que deve</p><p>analisar o caso concreto → se vier</p><p>na prova que não se aplica de</p><p>forma alguma o princípio da</p><p>insignificância nos crimes contra</p><p>a Administração Pública, está</p><p>errado.</p><p>○ Descaminho (artigo 334, CP14)</p><p>■ Fundamento: o crime está situado, no</p><p>Código Penal, na parte de crimes</p><p>contra a Administração Pública, porém</p><p>é um crime contra a ordem tributária.</p><p>Logo, pode-se aplicar o princípio da</p><p>insignificância.</p><p>14 Art. 334. Iludir, no todo ou em parte, o pagamento de direito ou imposto devido pela entrada, pela</p><p>saída ou pelo consumo de mercadoria (Redação dada pela Lei nº 13.008, de 26.6.2014)</p><p>Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos. (Redação dada pela Lei nº 13.008, de 26.6.2014)</p><p>§ 1º Incorre</p><p>teoria do</p><p>fato, qual seja, critério final</p><p>objetivo de diferenciação entre</p><p>autor e partícipe.</p><p>➔ Autor é aquele que possui o</p><p>controle do curso do desenrolar</p><p>causal do fato, podendo decidir</p><p>preponderantemente sobre o</p><p>resultado.</p><p>■ A noção de domínio do fato passa pela</p><p>verificação de uma objetiva</p><p>disponibilidade da decisão acerca da</p><p>consumação ou desistência do delito.</p><p>➔ Disponibilidade da decisão de</p><p>consumar ou não o crime.</p><p>○ Claus Roxin</p><p>■ Quando trabalha a teoria do domínio</p><p>do fato, subdivide em quatro tipos:</p><p>➢ Domínio da ação;</p><p>➢ Domínio da vontade;</p><p>➢ Domínio funcional do fato;</p><p>304</p><p>➢ Domínio pela fonte de perigo;</p><p>■ Domínio da ação: autor que exerce</p><p>domínio da sua ação/ ato comissivo</p><p>sobre a causação de um resultado.</p><p>■ Domínio da vontade: autor não vai ser</p><p>aquele que, necessariamente, domina</p><p>a ação, mas é aquele que domina a</p><p>vontade em relação a causação do</p><p>resultado.</p><p>➢ A autoria mediata311 representa o</p><p>domínio pela vontade. O autor</p><p>pratica o crime através de outra</p><p>pessoa que não pode opor</p><p>resistência à vontade desse autor</p><p>que domina.</p><p>311 Têm-se três formas de autoria mediata:</p><p>1) O agente opera por erro de outrem: o sujeito quer realizar um crime e opera uma</p><p>interposta pessoa, colocando-a em erro, a qual é utilizada para a prática de um</p><p>crime.</p><p>2) Coação moral irresistível: há um sujeito que se vale de uma pessoa que está sendo</p><p>coagida moralmente, não possuindo, portanto, culpabilidade.</p><p>3) Controle de um aparato de poder organizado: uma pessoa se vale desse aparato</p><p>organizado de poder para a prática de crimes.</p><p>a) Surgida na Alemanha, durante o holocausto para o exterminio dos judeus.</p><p>Estendendo a autoria não só às pessoas que detinham poder sobre a</p><p>organização, como também, as pessoas que executaram a ação.</p><p>b) Não exclui a necessidade de se verificar se a pessoa que tinha poder de</p><p>mando sobre a estrutura agiu ou não com dolo.</p><p>c) Aparatos fora da estrutura de legalidade de Poder.</p><p>d) Para Raul Zaffaroni, tem-se que esta estrutura é denominada por autoria de</p><p>escritório. Ela surge no âmbito das estruturas ilícitas de poder, ou seja,</p><p>organizações criminosas e grupos terroristas. São verdadeiras empresas do</p><p>crime. Toda empresa tem um que comanda, um presidente, um diretor e os</p><p>operários, trabalhadores. Há quem dá ordens e quem as cumpre. São</p><p>nomes utilizados para justificar a responsabilidade de quem tem controle e</p><p>domínio nessas organizações. São teorias, portanto, intimamente</p><p>relacionadas com a teoria do domínio do fato.</p><p>e) Levantada na AP 470 do STF (Mensalão)</p><p>305</p><p>➔ Acerca do domínio da organização (item 03 da nota de rodapé), e,</p><p>em razão da sua importância, será aqui trabalhado.</p><p>◆ Consiste em construção decorrente da teoria do domínio da</p><p>vontade. Tem por objetivo fundamentar a punição, a título de</p><p>autor (mediato), daqueles que se encontram no ápice e nas</p><p>instâncias intermediárias retransmissoras de uma ordem para</p><p>delinquir em uma estrutura organizada de poder à margem</p><p>do Estado de Direito. Aquele que se encontra na ponta final da</p><p>cadeia e realiza a conduta plenamente responsável, por sua</p><p>vez, também é considerado autor (imediato).</p><p>◆ Foi construída por Claus Roxin com inspiração no julgamento</p><p>de Eichmann, em Jerusalém (aquele mesmo, que inspirou</p><p>Hannah Arendt a escrever sobre a “banalidade do mal”). Ele</p><p>estabelece como condições para a punição na qualidade de</p><p>autor mediato:</p><p>● Poder de mando, entendida como o fato de que só</p><p>poderá ser autor mediato quem tem autoridade para dar</p><p>ordens e a exerce para causas os delitos;</p><p>● Desvinculação do ordenamento jurídico, merecendo</p><p>recordação o fato de que, em sua primeira formulação, a</p><p>presente teoria cuidava das estruturas à margem do</p><p>Estado de Direito. Contudo, mais recentemente, este</p><p>requisito ganhou nova feição, passando Roxin e tomá-lo</p><p>no sentido de desvinculação do Direito somente no</p><p>marco dos tipos penais realizados, não em relação a toda</p><p>sua extensão;</p><p>● Fungibilidade do executor imediato, ou sua pronta</p><p>substituição;</p><p>● Considerável disposição do executor para atuar, sendo</p><p>esta última abandonada por Roxin, pois não configura</p><p>um pressuposto autônomo, mas tão-somente uma</p><p>306</p><p>consequência dos três primeiros requisitos. Consistiria na</p><p>percepção de que aquele que está na instância final de</p><p>um aparelho organizado de poder submete-se a</p><p>inúmeras influências criminológicas, o que não exclui</p><p>nem reduz sua responsabilidade.</p><p>◆ Na concepção de Roxin, a teoria do domínio da organização</p><p>não poderia ser estendida para as organizações empresariais,</p><p>pois estão estruturadas na legalidade, faltando os requisitos da</p><p>desvinculação ao ordenamento jurídico, a fungibilidade do</p><p>autor imediato, e não se poderia falar em disponibilidade ao</p><p>fato consideravelmente elevada, em razão do considerável risco</p><p>de punibilidade do delito e de perda do posto na empresa.</p><p>◆ Roxin entende que a ferramenta adequada para a punição dos</p><p>detentores de altos cargos ou membros do conselho de</p><p>administração estaria na teoria dos delitos de infração de</p><p>dever, ou seja, estes devem ser punidos em razão da violação</p><p>dos deveres que possuem, os quais são antepostos no plano</p><p>lógico à norma e se originam, normalmente, de outros ramos</p><p>do direito. Contudo, aponta Roxin o cuidado para não</p><p>confundir os delitos de infração de dever com situações</p><p>empíricas de domínio, as quais devem ser respondidas na</p><p>forma de delitos de domínio.</p><p>◆ Apesar disso, a jurisprudência em geral tem se utilizado da</p><p>teoria do domínio do fato, em suas diversas vertentes, para a</p><p>atribuição de responsabilidade na criminalidade empresarial.</p><p>Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal Alemão, bem como</p><p>o Supremo Tribunal Federal de nosso país, acompanhado pelo</p><p>Superior Tribunal de Justiça e Tribunais Regionais Federais.</p><p>● Atenção: Embora a teoria do domínio do fato seja</p><p>utilizada como critério de imputação de superiores</p><p>hierárquicos, inclusive pelo STF, ela ainda exige a</p><p>307</p><p>demonstração do dolo, sob pena de responsabilidade</p><p>penal objetiva.</p><p>○ A teoria do domínio do fato não permite que a</p><p>mera posição de um agente na escala hierárquica</p><p>sirva para demonstrar ou reforçar o dolo da</p><p>conduta. Do mesmo modo, também não permite</p><p>a condenação de um agente com base em</p><p>conjecturas. Assim, não é porque houve</p><p>irregularidade em uma licitação estadual que o</p><p>Governador tenha que ser condenado</p><p>criminalmente por isso (STF. 2ª Turma. AP 975/AL,</p><p>Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 3/10/2017 -</p><p>Informativo 880).</p><p>◆ Assim, leciona Espinosa Ceballos que, nas estruturas de</p><p>organização empresarial, existindo hierarquia de mando, não</p><p>há razão para a não adoção da teoria do domínio da</p><p>organização, divergindo da posição de Roxin, pois o dado</p><p>fundamental seria o funcionamento quase automático da</p><p>estrutura hierárquica organizada, independentemente de ela</p><p>estar à margem ou não da Lei.</p><p>■ Domínio funcional do fato: haveria</p><p>dentro de uma empreitada criminosa</p><p>uma distribuição de funções para a</p><p>causação de um determinado</p><p>resultado e cada uma destas seriam</p><p>importantes para o resultado.</p><p>➢ Essa distribuição das funções</p><p>pressupõe um vínculo e um</p><p>liame subjetivo entre os autores.</p><p>Este não exige um acordo prévio</p><p>para a realização em conjunto.</p><p>308</p><p>■ Domínio pela fonte de perigo: tem</p><p>como objetivo superar as limitações</p><p>das teorias formais do dever jurídico de</p><p>agir nos crimes de omissão imprópria.</p><p>➢ Para Schünemann, a lesão de</p><p>um dever jurídico extrapenal</p><p>(civil) não poderia, a princípio,</p><p>fundamentar a equiparação</p><p>penal.</p><p>➢ A solução da responsabilidade</p><p>por omissão decorreria da teoria</p><p>do domínio do fato, pois no</p><p>delito de omissão imprópria o</p><p>resultado é imputado do mesmo</p><p>modo que uma conduta ativa,</p><p>de modo que a omissão que</p><p>conduz ao resultado deve ser</p><p>comparável à posição do autor</p><p>que realizasse uma conduta</p><p>comissiva. Em síntese, o autor da</p><p>omissão exerce um domínio</p><p>sobre a causa potencial do</p><p>resultado.</p><p>d. Formas de participação</p><p>i. Participação de menor importância</p><p>● Previsão legal</p><p>○ Art. 29, §1° do CP: “Se a participação for de</p><p>na mesma pena quem: (Redação dada pela Lei nº 13.008, de 26.6.2014)</p><p>I - pratica navegação de cabotagem, fora dos casos permitidos em lei; (Redação dada pela Lei nº</p><p>13.008, de 26.6.2014)</p><p>II - pratica fato assimilado, em lei especial, a descaminho; (Redação dada pela Lei nº 13.008, de</p><p>26.6.2014)</p><p>III - vende, expõe à venda, mantém em depósito ou, de qualquer forma, utiliza em proveito próprio</p><p>ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, mercadoria de procedência estrangeira</p><p>que introduziu clandestinamente no País ou importou fraudulentamente ou que sabe ser produto</p><p>de introdução clandestina no território nacional ou de importação fraudulenta por parte de outrem;</p><p>(Redação dada pela Lei nº 13.008, de 26.6.2014)</p><p>IV - adquire, recebe ou oculta, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou</p><p>industrial, mercadoria de procedência estrangeira, desacompanhada de documentação legal ou</p><p>acompanhada de documentos que sabe serem falsos. (Redação dada pela Lei nº 13.008, de</p><p>26.6.2014)</p><p>§ 2 o Equipara-se às atividades comerciais, para os efeitos deste artigo, qualquer forma de comércio</p><p>irregular ou clandestino de mercadorias estrangeiras, inclusive o exercido em residências. (Redação</p><p>dada pela Lei nº 13.008, de 26.6.2014)</p><p>§ 3 o A pena aplica-se em dobro se o crime de descaminho é praticado em transporte aéreo,</p><p>marítimo ou fluvial. (Redação dada pela Lei nº 13.008, de 26.6.2014)</p><p>33</p><p>➢ Crimes contra a ordem</p><p>tributária: em regra, na aplicação</p><p>do princípio da insignificância,</p><p>não há um quantum específico,</p><p>porém, em relação aos crimes</p><p>contra a ordem tributária, foi</p><p>criada uma regra de que até</p><p>R$20.000,00 o Fisco não se</p><p>interessa em propor uma ação</p><p>de execução fiscal no âmbito da</p><p>União15. Então, se o Direito</p><p>Tributário não se interessa, não</p><p>há motivo para o Direito Penal se</p><p>interessar, já que é a ultima ratio.</p><p>Nesse sentido, percebe-se que,</p><p>no crime de descaminho até R$</p><p>20.000,00, há aplicação do</p><p>princípio da insignificância.</p><p>● Se for um tributo estadual</p><p>ou municipal, irá depender</p><p>da regulação do Estado ou</p><p>município.</p><p>● Momento de aplicação do princípio da</p><p>insignificância</p><p>○ O princípio da insignificância irá reger a</p><p>aplicação restritiva, de forma que irá analisar</p><p>a insignificância sempre que for</p><p>interpretar/aplicar a norma (MP, delegado e</p><p>juiz). Assim, se o princípio da insignificância</p><p>exclui a tipicidade penal, não há crime, logo</p><p>há uma doutrina que defende que o</p><p>15 Amovimentação da máquina pública causa mais dano do que isso.</p><p>34</p><p>Delegado de Polícia pode analisar o princípio</p><p>da insignificância em sede policial, deixando</p><p>de lavrar o auto de prisão em flagrante ou</p><p>sugerindo o arquivamento do inquérito</p><p>policial. Porém, em uma situação de plantão,</p><p>se há dúvida16 se aplica ou não o princípio da</p><p>insignificância, a recomendação é que, se</p><p>existir elementos suficientes que indiquem a</p><p>insignificância, não se lavre o auto de prisão</p><p>em flagrante. E, se houver dúvida quanto aos</p><p>demais vetores, deve instaurar o inquérito</p><p>para esclarecer.</p><p>○ O Delegado de Polícia deve analisar se</p><p>existe crime!</p><p>○ Quando o juiz absolve o réu,</p><p>reconhecendo a insignificância, há</p><p>aplicação do artigo 386, III, CPP17.</p><p>Então, se não é infração penal, por que</p><p>o delegado de polícia deveria instaurar</p><p>o inquérito?</p><p>● Bagatela imprópria: preocupa-se com a relevância</p><p>da pena e não do bem jurídico. Nesse caso, a pena</p><p>não irá cumprir sua função no caso concreto, então</p><p>não há motivos para aplicar a pena.</p><p>● Julgados:</p><p>A reiteração da conduta delitiva obsta a</p><p>aplicação do princípio da insignificância</p><p>ao crime de descaminho -</p><p>17 Art. 386. O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte dispositiva, desde que reconheça:</p><p>III - não constituir o fato infração penal;</p><p>16 Cleber Masson e Henrique Hoffmann.</p><p>35</p><p>independentemente do valor do tributo</p><p>não recolhido -, ressalvada a possibilidade</p><p>de, no caso concreto, se concluir que a</p><p>medida é socialmente recomendável. A</p><p>contumácia pode ser aferida a partir de</p><p>procedimentos penais e fiscais pendentes</p><p>de definitividade, sendo inaplicável o prazo</p><p>previsto no art. 64, I, do CP, incumbindo ao</p><p>julgador avaliar o lapso temporal</p><p>transcorrido desde o último evento</p><p>delituoso à luz dos princípios da</p><p>proporcionalidade e razoabilidade.</p><p>STJ. 3ª Seção.REsps 2.083.701-SP, 2.091.651-SP</p><p>e 2.091.652-MS, Rel. Min. Sebastião Reis</p><p>Júnior, julgado em 28/2/2024 (Recurso</p><p>Repetitivo– Tema 1218)(Info 802).</p><p>É atípica a tentativa de subtração, sem</p><p>violência ou grave ameaça, de oito</p><p>shampoos, em valor global inferior a R$</p><p>100,00, ainda que a pessoa que praticou o</p><p>fato já tenha registro de outras condutas</p><p>dessa natureza. STJ. 5ª Turma.AgRg no HC</p><p>834.558-GO, Rel. Min. Messod Azulay Neto,</p><p>Rel. para acórdão Min. Daniela Teixeira,</p><p>julgado em 12/12/2023 (Info 800).</p><p>A restituição imediata e integral do bem</p><p>furtado não constitui, por si só, motivo</p><p>suficiente para a incidência do princípio</p><p>da insignificância. STJ. 3ª Seção. REsp</p><p>2.062.095-AL e REsp 2.062.375-AL, Rel. Min.</p><p>Sebastião Reis Júnior, julgado em 25/10/2023</p><p>(Recurso Repetitivo – Tema 1205) (Info 793).</p><p>36</p><p>É inviável a aplicação do princípio da</p><p>insignificância ao furto praticado quando,</p><p>para além do valor da res furtiva exceder o</p><p>limite de 10% do valor do salário-mínimo</p><p>vigente à época dos fatos, o acusado é</p><p>multirreincidente, ostentando diversas</p><p>condenações anteriores por crimes contra</p><p>o patrimônio. STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp</p><p>1992226/RS. Rel. Min. Jorge Mussi, julgado</p><p>em 14/11/2022 (Info Especial 10).</p><p>O STJ tem entendido que a reiteração</p><p>criminosa inviabiliza a aplicação do</p><p>princípio da insignificância, ressalvada a</p><p>possibilidade de, no caso concreto, as</p><p>instâncias ordinárias verificarem ser a</p><p>medida socialmente recomendável. STJ. 6ª</p><p>Turma.REsp 1957218-MG, Rel. Min. Olindo</p><p>Menezes (Desembargador convocado do</p><p>TRF 1ª Região), julgado em 23/08/2022 (Info</p><p>746).</p><p>iv. Princípio da adequação social (Welzel)</p><p>● Conceito: não devem ser consideradas criminosas</p><p>as condutas que sejam toleradas em uma</p><p>determinada sociedade. Quando Welzel discute a</p><p>adequação social, ele considera que as condutas</p><p>adequadas são atípicas.</p><p>● O princípio da adequação social é direcionado a</p><p>quem?</p><p>○ Legislador</p><p>○ Julgador:</p><p>37</p><p>■ A jurisprudência do STJ e STF entende</p><p>que não se aplica a adequação social</p><p>para afastar a aplicação da lei no caso</p><p>concreto. Isso porque, pela legalidade,</p><p>somente uma lei pode revogar uma lei</p><p>penal incriminadora.</p><p>■ Há uma parcela da doutrina que</p><p>considera possível a aplicação do</p><p>princípio da adequação social na</p><p>aplicação da lei pelo julgador. Isso</p><p>porque não seria um caso de restringir</p><p>o âmbito de aplicação.</p><p>● Na prova objetiva, considerar</p><p>que a adequação social afasta a</p><p>tipicidade. Porém, observar que,</p><p>se em uma prova falar que a</p><p>adequação social implica a</p><p>revogação de tipos penais, estará</p><p>errado.</p><p>■ Caso importante: o STJ afasta o</p><p>princípio da adequação social no caso</p><p>de pirataria de DVD.</p><p>v. Princípio da proporcionalidade</p><p>● O Direito Penal não pode ser excessivo e nem</p><p>insuficiente para proteger os bens jurídicos,</p><p>devendo haver proporcionalidade.</p><p>● Subprincípios</p><p>○ Princípio da proibição do excesso: o Direito</p><p>Penal não pode intervir mais que o</p><p>necessário para proteger os bens jurídicos.</p><p>○ Princípio da proibição da proteção</p><p>insuficiente: o Estado deve providenciar</p><p>38</p><p>todos os meios para proteger determinado</p><p>bem jurídico.</p><p>vi. Princípio da materialidade ou exteriorização do fato</p><p>● O Direito Penal somente se preocupa com as</p><p>condutas que causem resultado penalmente</p><p>relevante, ou seja, precisa exteriorizar em atos.</p><p>● Direito penal do fato: há necessidade de uma</p><p>conduta.</p><p>○ ≠ Direito penal do autor: pune o autor pelo</p><p>que ele é.</p><p>vii. Princípio da ofensividade ou lesividade</p><p>● Conceito: o Direito Penal somente irá se preocupar</p><p>com os fatos que podem causar lesão a um bem</p><p>jurídico.</p><p>○ Assim, discute-se se há uma possível</p><p>inconstitucionalidade dos crimes de perigo</p><p>abstrato. Ficou decidido que os crimes de</p><p>perigo</p><p>abstrato, segundo o STF, são</p><p>constitucionais.</p><p>○ Não basta uma lesão a um bem jurídico,</p><p>necessitando ser uma lesão a bem jurídico</p><p>de terceiro.</p><p>viii. Princípio da alteridade</p><p>● Conceito: somente são consideradas condutas</p><p>criminosas aquelas titularizadas por outro que não</p><p>o autor, necessitando violar bens jurídicos de</p><p>terceiro. Esse é o fundamento da não tipificação do</p><p>crime de autolesão.</p><p>● Porte de droga para consumo pessoal: o crime</p><p>não é de fazer uso de droga, mas há outros verbos</p><p>no tipo penal (ex: possuir). Assim, não há violação</p><p>39</p><p>ao princípio da alteridade, porque a saúde pública</p><p>é violada no momento em que se circula a droga.</p><p>ix. Princípio da culpabilidade/princípio da</p><p>responsabilidade subjetiva</p><p>● Conceito: ninguém pode ser punido por aquilo</p><p>que não causou de forma dolosa ou culposa. O</p><p>Direito Penal não admite a responsabilidade</p><p>objetiva.</p><p>● Há três noções de culpabilidade</p><p>○ Princípio;</p><p>○ Medida de reprovabilidade na aplicação de</p><p>pena;</p><p>○ Elemento do crime.</p><p>x. Princípio da vedação ao bis in idem</p><p>● Conceito: ninguém pode ser punido duas vezes</p><p>pelo mesmo fato.</p><p>● Decorrências: Significa que não pode utilizar</p><p>determinada circunstância duas vezes. Por</p><p>exemplo: não pode considerar determinada</p><p>circunstância que já utilizou para tipificar o crime</p><p>como qualificadora.</p><p>xi. Princípio da legalidade</p><p>● Conceito: Possui base constitucional e repetido no</p><p>artigo 1º, CP18, sendo um princípio expresso.</p><p>○ Artigo 5º, XXXIX, CF19</p><p>● Fundamentos</p><p>19 Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos</p><p>brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à</p><p>igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:</p><p>XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal;</p><p>18 Art. 1º - Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal.</p><p>(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>40</p><p>○ Fundamento democrático (Beccaria e</p><p>Feuerbach: precisa de uma lei para criar</p><p>tipos penais para dizer que existe um</p><p>fundamento democrático. Assim, somente o</p><p>legislador é o representante do Estado, de</p><p>forma que o Direito Penal será a expressão</p><p>da vontade do povo.</p><p>○ Fundamento político: o princípio da</p><p>legalidade é uma limitação ao arbítrio</p><p>estatal.</p><p>○ Fundamento jurídico: a lei penal está dentro</p><p>de um ordenamento jurídico que irá</p><p>legitimar a aplicação do Direito Penal do</p><p>ponto de vista jurídico. O Direito Penal é uma</p><p>vontade do Estado replicada através do</p><p>ordenamento jurídico.</p><p>● Legalidade vs reserva legal</p><p>○ Doutrina clássica: o princípio da legalidade</p><p>(abarca o princípio da anterioridade,</p><p>irretroatividade e reserva legal) é mais</p><p>amplo que o da reserva legal. Nesse sentido,</p><p>a reserva legal consiste na determinação que</p><p>tipos penais sejam criados por lei em sentido</p><p>estrito.</p><p>○ Doutrina moderna: não mais trabalha essa</p><p>distinção. Assim, o princípio da legalidade já</p><p>traz a ideia de reserva legal.</p><p>● Consectários do princípio da legalidade</p><p>○ Princípio da anterioridade (lex praevia): a lei</p><p>penal é anterior ao fato que pretende reger.</p><p>41</p><p>Há previsão expressa no artigo 5º, XL, CF20, de</p><p>modo que traz, como regra, a irretroatividade</p><p>e, como exceção, a ultratividade.</p><p>● Leis excepcionais e temporárias: exceções</p><p>ao princípio da irretroatividade. Há</p><p>ultratividade.</p><p>○ Excepcionais: estão ligadas à existência</p><p>de uma exceção, de modo que são</p><p>criadas quando presentes algumas</p><p>circunstâncias excepcionais (as leis</p><p>existem, porém somente terão eficácia</p><p>em certas situações). Exemplo: crimes</p><p>penais em tempo de guerra previstos</p><p>no Código Penal Militar.</p><p>○ Temporárias: editadas para ter vigência</p><p>em um período determinado.</p><p>Exemplo: Lei Fifa.</p><p>■ As leis excepcionais e</p><p>temporárias são</p><p>constitucionais?21</p><p>● Sim, porque não é razoável</p><p>editar uma lei para reger</p><p>determinado período</p><p>sabendo que não será</p><p>aplicada tal lei. Ainda, o</p><p>autor Luiz Luisi aponta que</p><p>há constitucionalidade da</p><p>aplicação prejudicial da lei</p><p>21 A Constituição não trouxe exceção à irretroatividade, apenas o Código Penal.</p><p>20 Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos</p><p>brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à</p><p>igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:</p><p>XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu;</p><p>42</p><p>excepcional, porém há</p><p>inconstitucionalidade da</p><p>aplicação prejudicial da lei</p><p>temporária. Isso porque a</p><p>lei excepcional ainda é</p><p>vigente, enquanto a lei</p><p>temporária não é vigente.</p><p>Ao fim e ao cabo, o que</p><p>prevalece na doutrina é a</p><p>constitucionalidade da</p><p>aplicação prejudicial das</p><p>leis excepcionais e</p><p>temporárias.</p><p>○ A lei deve ser escrita (lex scripta): somente</p><p>considera lei a editada pelo órgão legislativo,</p><p>o que afasta o direito consuetudinário.</p><p>○ A lei deve ser estrita (lex stricta): a lei editada</p><p>foi feita para reger fatos determinados e</p><p>específicos. Logo, no conteúdo da lei, será</p><p>determinado o âmbito de aplicação. A lex</p><p>stricta traz a vedação da analogia in malam</p><p>partem.</p><p>○ Necessidade de lei certa</p><p>■ Princípio da taxatividade: a lei traz</p><p>elementos bem definidos, não</p><p>havendo margem de subjetividade</p><p>(sem termos abertos e ambíguos, por</p><p>exemplo).</p><p>○ A lei deve ser necessária: a lei que não é</p><p>necessária é inconstitucional, quando</p><p>criminaliza condutas que não deveria,</p><p>violando o princípio da proporcionalidade.</p><p>43</p><p>● Origem do princípio da legalidade22</p><p>○ Magna charta libertatum23: uma parte da</p><p>doutrina aponta que essa Carta originou o</p><p>princípio da legalidade. Porém, outra parte</p><p>da doutrina aponta que, ao admitir isso,</p><p>estaria usando a origem do princípio da</p><p>legalidade em um direito que era o common</p><p>law.</p><p>○ Beccaria ["Dos delitos e das penas"] e</p><p>Feuerbach): na verdade, são esses dois</p><p>autores que criaram o princípio da</p><p>legalidade.</p><p>■ Feuerbach: foi esse autor que criou a</p><p>expressão nullum crimen nulla poena</p><p>sine lege.</p><p>● Pode criar Direito Penal através de outros atos</p><p>normativos?24</p><p>○ Parte da doutrina defendia que poderia criar</p><p>crimes e cominar penas somente por meio</p><p>de lei, porém poderia reger, por meio de</p><p>outros atos normativos, matérias de Direito</p><p>Penal. Todavia, atualmente, não se admite a</p><p>regulação de Direito Penal senão por meio</p><p>de lei (não pode reger Direito Penal por meio</p><p>de medida provisória).</p><p>● A medida provisória torna-se lei</p><p>posteriormente. Todavia, isso não</p><p>24 Questão importante em provas de concurso público.</p><p>23 Criada em 1215 no governo do João Sem Terra.</p><p>22 Isso é importante para prova discursiva</p><p>44</p><p>permite que se edite medida</p><p>provisória commatéria penal.</p><p>○ Porém, atente-se que, apesar</p><p>dessa posição, trazida pelo</p><p>professor Eduardo que é</p><p>majoritária, deve-se atentar para</p><p>o seguinte:</p><p>■ Para uma primeira</p><p>corrente doutrinária -</p><p>majoritária (Cleber Masson</p><p>e Rogério Greco), sendo</p><p>essa a adotada na aula, a</p><p>Medida Provisória não</p><p>pode versar sobre matéria</p><p>penal, nem incriminadora,</p><p>nem não incriminadora,</p><p>conforme consta no artigo</p><p>62, §1º, I, CF/88:</p><p>Art. 62. Em caso de</p><p>relevância e urgência, o</p><p>Presidente da República</p><p>poderá adotar medidas</p><p>provisórias, com força de</p><p>lei, devendo submetê-las</p><p>de imediato ao Congresso</p><p>Nacional.</p><p>§1º É vedada a edição de</p><p>medidas provisórias sobre</p><p>matéria:</p><p>I – relativa a:</p><p>45</p><p>b) direito penal,</p><p>processual penal e</p><p>processual civil;</p><p>○ Porém, para uma segunda</p><p>corrente (Rogério Sanches), seria</p><p>possível medida provisória desde</p><p>que não incriminadora (não cria</p><p>crimes, porém, seria possível, por</p><p>exemplo, versar sobre causa de</p><p>exclusão da punibilidade), sendo</p><p>uma corrente minoritária. Com</p><p>esse entendimento, o STF, no RE</p><p>254818/PR e em outro julgados,</p><p>já considerou essa possibilidade</p><p>■ Então, se liga na dica: em</p><p>provas, fique atento a</p><p>essas duas posições, certo?</p><p>Algumas bancas</p><p>costumam adotar tanto a</p><p>segunda corrente como a</p><p>primeira corrente.</p><p>Infelizmente casos assim</p><p>ocorrem! Não há uma dica</p><p>infalível</p><p>para conseguir</p><p>saber qual</p><p>posicionamento a banca</p><p>adotou, porém tente</p><p>analisar a questão ao</p><p>máximo para ver qual</p><p>corrente se adequa mais</p><p>ao caso.</p><p>46</p><p>● Basta criar uma lei para que tenha um Direito</p><p>Penal legítimo?</p><p>○ Quando se fala em legalidade formal, tem-se</p><p>a presença de um texto normativo. Porém,</p><p>esse texto pode trazer um conteúdo</p><p>normativo que seja contrário à noção de</p><p>justiça. Nessa toada, com base em</p><p>discussões de cunho jusnaturalista,</p><p>começa-se a discutir a legalidade/ilegalidade</p><p>substancial (a lei não representa o que é</p><p>justo → ilegalidade substancial25).</p><p>■ Gustav Radbruch: há uma crise no</p><p>positivismo, de forma que existiam leis</p><p>que eram cumpridas em que pese se</p><p>afastarem do conceito de justiça.</p><p>➢ Porém, atualmente, deve-se</p><p>entender que essa análise de</p><p>legalidade material deve ficar</p><p>adstrita à observância de</p><p>constitucionalidade e</p><p>convencionalidade.</p><p>● Consequências diretas da legalidade</p><p>○ As leis devem ser claras, certas e precisas</p><p>(princípio da taxatividade)26: para evitar o</p><p>subjetivismo do julgador.</p><p>■ Parte da doutrina aponta sobre a</p><p>legalidade no Estado Social: em um</p><p>Estado Social, há a necessidade de</p><p>ferramentas para satisfazer a justiça</p><p>26 Não há previsão expressa na legislação, sendo um princípio implícito.</p><p>25 Origem no pós Segunda Guerra Mundial → crise do positivismo.</p><p>47</p><p>material. Se tem um Direito Penal</p><p>amarrado ao princípio da legalidade,</p><p>há o impedimento de realizar a justiça</p><p>social em certas ocasiões. Assim, no</p><p>Estado Social, há a mitigação do</p><p>princípio da legalidade, para permitir</p><p>que o julgador satisfaça a justiça</p><p>material no caso concreto. Isso é um</p><p>problema, porque o julgador irá aplicar</p><p>a justiça material com base em sua</p><p>subjetividade, havendo uma violação à</p><p>legalidade.</p><p>■ A Constituição da Nicarágua traz o</p><p>princípio da taxatividade de forma</p><p>expressa.</p><p>○ A lei deve ser escrita</p><p>○ A lei deve ser estrita</p><p>48</p><p>3. Fontes do Direito Penal</p><p>a. Fontes materiais</p><p>i. Constituem os órgãos constitucionalmente designados</p><p>para produzir o Direito Penal.</p><p>● Artigo 22, I, CF:27 somente o Congresso Nacional</p><p>pode produzir normas de Direito Penal.</p><p>○ Exceção: Direito Penal local (artigo 22,</p><p>parágrafo único, CF28) → excepcionalmente, é</p><p>autorizado, por lei complementar, aos</p><p>Estados editar normas para regular o Direito</p><p>Penal local.</p><p>b. Fontes formais</p><p>i. Consistem nas formas de materialização do Direito</p><p>Penal.</p><p>● Mediatas: são as que, sem inovar no ordenamento</p><p>jurídico, de alguma forma manifestam o Direito</p><p>Penal, auxiliando o intérprete na aplicação do</p><p>Direito Penal. Para a doutrina clássica, a fonte</p><p>formal imediata é somente a lei.</p><p>■ Para a Doutrina moderna, somente a</p><p>doutrina e os costumes são fontes</p><p>formais mediatas.</p><p>○ Tipos de costume</p><p>28 Parágrafo único. Lei complementar poderá autorizar os Estados a legislar sobre questões</p><p>específicas das matérias relacionadas neste artigo.</p><p>27 Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:</p><p>I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do</p><p>trabalho;</p><p>49</p><p>■ Costume praeter legem: são os</p><p>costumes paralelos à lei, sendo</p><p>um elemento de integração da</p><p>lei penal.</p><p>■ Costume secundum legem: o</p><p>costume auxilia o aplicador da</p><p>lei a esclarecer o conteúdo do</p><p>tipo penal.</p><p>■ Costume contra legem</p><p>(desuetudo): são os costumes</p><p>contrários à lei, de modo que</p><p>violam o princípio da legalidade.</p><p>Se o costume é contrário à lei,</p><p>será vedado. A lei não pode ser</p><p>revogada por costume.</p><p>● Imediatas: são as que criam e inovam em matéria</p><p>penal. Em virtude do princípio da legalidade,</p><p>somente a lei pode ser uma fonte imediata pelo</p><p>menos em relação a normas penais</p><p>incriminadoras. Dito isso, em uma visão clássica,</p><p>somente a lei pode ser fonte imediata.</p><p>○ Em uma visão mais moderna, entende-se</p><p>que somente a lei pode criar leis penais</p><p>incriminadoras. Todavia, não se pode afastar</p><p>que a Constituição, atos administrativos,</p><p>princípios gerais do direito e jurisprudência</p><p>irão reger Direito Penal.</p><p>ii. A Constituição pode criar tipos penais?</p><p>● A Constituição não é o meio adequado para criar</p><p>os tipos penais. Porém, a Carta Magna traz uma</p><p>norma de determinação para que se possa saber</p><p>as opções do Estado em matéria penal,</p><p>50</p><p>estabelecendo os bens jurídicos essenciais que</p><p>devem ser protegidos pelo Direito Penal.</p><p>● Cláusulas de criminalização ou mandados</p><p>constitucionais de criminalização: a Constituição</p><p>pode determinar, ao legislador, que certas</p><p>condutas sejam criminalizadas (ex: tortura, racismo</p><p>e tráfico de drogas).</p><p>iii. Mandados convencionais de criminalização:</p><p>determinações, no plano interno, para o cumprimento</p><p>de meios a fim de satisfazer o que foi reconhecido no</p><p>plano internacional.</p><p>● Tratados internacionais podem criar tipos</p><p>penais?</p><p>○ Não podem. Todavia, assim como a</p><p>Constituição, há os mandados convencionais</p><p>de criminalização, de tal maneira que, em</p><p>relação a tratados de direito internacional</p><p>que envolvam direitos humanos, os países</p><p>signatários se comprometem a seguir o</p><p>previsto nos tratados.</p><p>c. Classificação da lei penal</p><p>i. Incriminadoras</p><p>● Conceito: são as que criam tipos penais e</p><p>cominam sanções penais.</p><p>● Espécies</p><p>○ Proibitivas: são as leis penais que emanam</p><p>um comando de proibição, ou seja, preveem</p><p>uma conduta, em abstrato, que não pode ser</p><p>realizada, sob pena de sofrer uma pena. Elas</p><p>51</p><p>preveem crimes praticados, em regra, por</p><p>ação (comissivas).</p><p>■ Exemplo: matar alguém.</p><p>○ Preceptivas: são as leis que mandam fazer</p><p>algo. A violação da norma se dá por meio de</p><p>uma conduta omissiva.</p><p>■ Exemplo: crime de omissão de socorro.</p><p>ii. Não incriminadoras</p><p>● Conceito: são as normas que, sem criar tipos</p><p>penais e cominar penas, regem amatéria penal.</p><p>● Espécies</p><p>○ Permissivas (justificadoras): são as normas</p><p>que permitem que os agentes ajam de</p><p>determinada forma, excluindo a</p><p>antijuridicidade do fato.</p><p>○ Exculpantes: são as normas que preveem a</p><p>exclusão de culpabilidade ou punibilidade</p><p>do agente.</p><p>○ Interpretativas: são as normas que trazem</p><p>conceitos legislativos que auxiliam o</p><p>intérprete na aplicação do Direito Penal</p><p>(interpretação autêntica29).</p><p>○ Complementares: são as normas que tratam</p><p>do âmbito de aplicação do Direito Penal.</p><p>Exemplo: artigo 1º, CP e lei penal no tempo e</p><p>espaço.</p><p>○ Diretivas: são os princípios emmatéria penal,</p><p>trazendo diretrizes para aplicação do Direito</p><p>Penal.</p><p>29 Interpretação da lei realizada pelo próprio legislador.</p><p>52</p><p>○ Integrativas ou de extensão: permitem a</p><p>aplicação de uma determinada norma do</p><p>Direito Penal a outras situações que não</p><p>foram, inicialmente, previstas como âmbito</p><p>de aplicação. Exemplo: artigo 14, II, CP30;</p><p>artigo 13, CP31.</p><p>d. Leis penais incriminadoras</p><p>i. Estrutura</p><p>● Preceito primário: descreve a conduta proibida ou</p><p>mandada.</p><p>● Preceito secundário: consequência jurídica penal</p><p>do descumprimento da norma penal. É a sanção</p><p>penal.</p><p>e. Características da lei penal</p><p>i. Exclusividade: somente a lei penal pode criar crimes e</p><p>cominar penas.</p><p>ii. Imperatividade: a lei penal é um mandamento do</p><p>Estado, não dependendo da vontade do sujeito.</p><p>iii. Generalidade ou abstração: a norma penal deve ser o</p><p>mais genérica possível para abranger o maior número de</p><p>fatos possíveis.</p><p>iv. Impessoalidade: a norma penal é criada para reger fatos,</p><p>não sendo direcionada a uma pessoa determinada.</p><p>31 Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu</p><p>causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido. (Redação</p><p>dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>30 Art. 14 - Diz-se o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do</p><p>agente. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>Parágrafo único - Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena correspondente ao</p><p>crime consumado, diminuída de um a dois terços.(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>53</p><p>v. Anterioridade: a norma</p><p>penal deve ser anterior ao fato</p><p>que irá reger.</p><p>4. Interpretação, aplicação, integração</p><p>da lei penal e conflito aparente de</p><p>normas</p><p>a. Interpretação da lei penal</p><p>i. Distinção entre lei e norma</p><p>● Lei: documento que materializa um mandamento</p><p>estatal.</p><p>● Norma: está contida na lei.</p><p>ii. O processo interpretativo irá existir para estabelecer o</p><p>conteúdo exato dado à lei para extrair a norma</p><p>decorrente dela.</p><p>iii. Toda lei depende de interpretação.</p><p>b. Espécies de interpretação da lei penal</p><p>i. Quanto ao sujeito que elabora:</p><p>● Autêntica ou legislativa: realizada pelo próprio</p><p>legislador através das normas interpretativas.</p><p>○ A exposição de motivos é realizada por</p><p>algum membro que desenvolveu pesquisas</p><p>para fins de elaboração do Código. A</p><p>exposição de motivos não é lei, logo não é</p><p>interpretação autêntica ou legislativa.</p><p>● Doutrinária ou científica: é a realizada por</p><p>estudiosos/acadêmicos do Direito Penal.</p><p>54</p><p>● Judicial: realizada por membros do Poder</p><p>Judiciário no exercício da judicatura.</p><p>ii. Quanto ao resultado da aplicação</p><p>● Declarativa: quando o resultado corresponder</p><p>àquilo que está no texto.</p><p>● Restritiva: se dá quando precisa restringir</p><p>determinados conceitos trazidos pela norma.</p><p>● Extensiva: quando o legislador diz menos do que</p><p>queria dizer, haverá a necessidade de uma</p><p>extensão ao texto legal.</p><p>iii. Quanto aos meio empregados</p><p>● Gramatical: o intérprete se basta apenas dos</p><p>elementos gramaticais previstos na lei.</p><p>● Lógica ou teleológica: o intérprete precisa</p><p>considerar a finalidade da norma.</p><p>● Histórica: o intérprete se vale do momento</p><p>histórico em que foi editada a norma.</p><p>c. Integração da lei penal</p><p>i. Conceito: possibilidade de aplicar várias leis em</p><p>contextos diversos.</p><p>● Exemplo: analogia → uma forma de integração da</p><p>lei penal através da qual se permite aplicar uma lei</p><p>penal regente de um determinado fato a um outro</p><p>fato que não possui norma regente, mas apresenta</p><p>similaridade com o fato que possui norma regente.</p><p>○ A analogia é vedada em matéria penal</p><p>quando for in malam partem. É permitida a</p><p>analogia in bonam partem.</p><p>55</p><p>d. Interpretação analógica</p><p>i. Conceito: técnica interpretativa decorrente de uma</p><p>técnica legislativa através da qual o legislador expõe</p><p>situações específicas e casuísticas para, ao fim, indicar</p><p>uma fórmula genérica que abarque todas as situações</p><p>específicas, permitindo a aplicação da norma a qualquer</p><p>circunstância que se encaixe àquela fórmula genérica.</p><p>e. Norma penal em branco</p><p>i. Conceito: precisa de um complemento que está em</p><p>outra norma. Franz von Liszt dizia que as normas penais</p><p>em branco seriam corpos errantes em busca de alma.</p><p>ii. Espécies</p><p>● Homogêneas ou impróprias: são normas cujo</p><p>conteúdo complementar está contido em outra</p><p>norma de mesma origem normativa.</p><p>○ Homovitelinas: o complemento está dentro</p><p>da própria lei da norma em branco.</p><p>○ Heterovitelina: ocorre quando o</p><p>complemento está em lei diversa (outro</p><p>ramo do direito)</p><p>● Heterogêneas ou próprias: normas penais cujos</p><p>complementos estão presentes em atos</p><p>normativos de origem normativa diversa. Exemplo:</p><p>Lei de Drogas → o conceito de drogas está em um</p><p>ato normativo da ANVISA; Estatuto do</p><p>Desarmamento → Decretos irão trazer as espécies</p><p>de calibre.</p><p>iii. Norma penal em branco às avessas/ norma penal em</p><p>branco inversa/ norma penal em branco</p><p>secundariamente remetida</p><p>56</p><p>● As normas penais em branco cujo conceito</p><p>primário está completo e o preceito secundário</p><p>está incompleto.</p><p>iv. Constitucionalidade ou inconstitucionalidade das</p><p>normas penais em branco heterogênea ou próprias</p><p>● Princípio da legalidade: somente pode criar tipos</p><p>penais e cominar penas por meio de lei em sentido</p><p>estrito. Assim, poderia criar tipos penais se valendo</p><p>de atos administrativos?</p><p>○ STF: não viola o princípio da legalidade a</p><p>existência de normas penais em branco</p><p>heterogêneas, porque o núcleo normativo</p><p>está na lei.</p><p>v. Lei penal incompleta x Lei penal em branco:</p><p>● O tipo penal possui dois preceitos: o primário, que</p><p>descreve a conduta proibida ou exigida, e o</p><p>secundário, que define a sanção penal. Quando o</p><p>preceito primário é incompleto e precisa ser</p><p>complementado por outra lei, temos uma lei</p><p>penal em branco. Se o preceito secundário é</p><p>incompleto, trata-se de uma lei penal incompleta</p><p>ou imperfeita, que necessita de complemento</p><p>para definir a sanção. Luis Jiménez de Asúa</p><p>chamava esta de "norma penal em branco</p><p>inversa". Por exemplo, a Lei 2.889/56 (genocídio)</p><p>remete a penas de outros artigos do Código Penal,</p><p>sendo uma lei penal incompleta por precisar de</p><p>complemento para o preceito secundário.</p><p>● O artigo 304 do CP é uma norma penal em branco</p><p>e incompleta, pois seu preceito primário remete a</p><p>outros artigos (297 a 302) para definir os papéis</p><p>falsificados, e o preceito secundário remete às</p><p>57</p><p>penas desses artigos. Portanto, o artigo 304 do CP</p><p>possui dupla natureza jurídica: é tanto uma norma</p><p>penal em branco quanto uma norma penal</p><p>incompleta.</p><p>vi. Conflito aparente de normas: existe um conflito quando</p><p>aparentemente mais de uma norma se mostra aplicável</p><p>ao caso concreto, de modo que não se pode aplicar as</p><p>duas por conta do princípio da vedação do bis in idem.</p><p>● Pressupostos ou requisitos do conflito</p><p>aparentemente de normas:</p><p>○ Unidade de fato: um fato comporta a</p><p>aplicação de mais de uma lei penal.</p><p>○ Pluralidade de leis penais: há um fato e mais</p><p>de uma lei penal aparentemente aplicável ao</p><p>caso concreto.</p><p>○ Vigência simultânea de todas as normas</p><p>penais: se não tiver vigência simultânea, há</p><p>sucessão da lei penal no tempo.</p><p>● Princípios que solucionam o conflito aparente</p><p>de normas</p><p>○ Especialidade: há um fato que,</p><p>aparentemente, pode comportar a aplicação</p><p>de uma norma e de outra norma, sendo que</p><p>uma dessas normas descreve algumas</p><p>elementares e outra norma descreve as</p><p>elementares mais elementos especializantes.</p><p>○ Subsidiariedade: há tipos penais que podem</p><p>ser aplicados quando não se mostrem</p><p>aplicados na hipótese específica outros que,</p><p>em tese, poderiam ser aplicáveis. Exemplo:</p><p>determinado tipo penal é componente de</p><p>outro tipo penal, mas não se verifica a</p><p>58</p><p>aplicação de um tipo penal mais grave,</p><p>subsidiariamente pode aplicar o tipo penal</p><p>menos grave que era elemento.</p><p>■ Expressa: Exemplo: artigo 132, CP32</p><p>■ Tácita: não tem previsão expressa.</p><p>Exemplo: artigo 158, CP33 (é subsidiário</p><p>em relação ao artigo 159, CP) e artigo</p><p>159, CP34 .</p><p>○ Consunção: não trabalha com crime mais</p><p>grave e menos grave, mas crime mais amplo</p><p>e menos amplo. Exemplo: Há determinado</p><p>fato que corresponde a um crime que</p><p>engloba, na sua execução, a prática de</p><p>outros crimes menos amplos. Esses crimes</p><p>que são meios de execução do crime serão</p><p>absorvidos pelo crime mais amplo.</p><p>■ Situações de aplicação:</p><p>34 Art. 159 - Seqüestrar pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem, qualquer vantagem,</p><p>como condição ou preço do resgate: Vide Lei nº 8.072, de 25.7.90 (Vide Lei nº 10.446, de 2002)</p><p>Pena - reclusão, de oito a quinze anos. (Redação dada pela Lei nº 8.072, de 25.7.1990)</p><p>33 Art. 158 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter para</p><p>si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar de fazer</p><p>alguma coisa:</p><p>Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.</p><p>§ 1º - Se o crime é cometido por duas ou mais pessoas, ou com emprego de arma, aumenta-se a</p><p>pena de um terço até metade.</p><p>§ 2º - Aplica-se à extorsão praticada mediante violência o disposto no § 3º do artigo anterior. Vide Lei</p><p>nº 8.072, de 25.7.90</p><p>§ 3º Se o crime é cometido mediante a restrição da liberdade da vítima, e essa condição é necessária</p><p>para a obtenção da vantagem econômica, a pena é de reclusão, de 6 (seis) a 12 (doze) anos, além da</p><p>multa; se resulta lesão corporal grave ou morte, aplicam-se as penas previstas no art. 159, §§ 2º e 3º,</p><p>respectivamente. (Incluído pela Lei nº 11.923, de 2009)</p><p>32 Art. 132 - Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente:</p><p>Pena - detenção, de três meses a um ano, se o fato não</p>