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OS CONTROLES NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E A LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL
CONTROLS ON PUBLIC ADMINISTRATION AND THE LAW OF TAX RESPONSIBILITY
Carla Liane de Mello [footnoteRef:1] [1: Acadêmica do Curso Superior de Tecnologia em Gestão Pública no Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI, Passo Fundo/RS, carla_liane@hotmail.com] 
Fábio Vidal Pinheiro Del Duca [footnoteRef:2] [2: Acadêmico do Curso de Bacharelado em Ciências Contábeis no Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI, Passo Fundo/RS, fabio.duca@uniasselvi.edu.br] 
Adriana Ferreira da Silva [footnoteRef:3] [3: Tutora externa de diversos cursos superiores no Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI, Passo Fundo/RS, coordenacao.adm@ipasaeducacional.com.br] 
Resumo
O presente estudo tem a finalidade de contextualizar um estudo acerca dos meios de controles na Administração Pública correlacionadas com a Lei de Responsabilidade Fiscal, apresentando um panorama conceitual de controle interno e externo, caracterizando a Lei de Responsabilidade Fiscal e analisando a verificação da LRF e o atendimento de demandas da sociedade. Para tanto, foi realizada uma pesquisa bibliográfica, por meio de livros e consultas na internet. Conclui-se que cabe analisar com cuidado a correta aplicação da Lei, de forma a torna-la eficaz. Há muitas dificuldades na aplicação, entretanto, esforços têm sido empreendidos pelos administradores brasileiros para que se atinjam as metas que este novo ordenamento impõe, atingindo-se desta forma, embora ainda com grande imperfeição as demandas sociais. 
Palavras Chave: Administração pública; Controle interno e externo; Lei de Responsabilidade Fiscal.
Abstract
This study aims to contextualize a study on the means of controls in Public Administration correlated with the Fiscal Responsibility Law, presenting a conceptual overview of internal and external control, characterizing the Fiscal Responsibility Law and analyzing the verification of the LRF and the meeting society's demands. To this end, a bibliographic search was performed through books and consultations on the internet. It is concluded that it is necessary to carefully analyze the correct application of the Law, in order to make it effective. There are many difficulties in the application, however, efforts have been made by Brazilian administrators to achieve the goals that this new order imposes, thus achieving, although still with great imperfection, social demands.
Keywords: Public administration; Internal and external control; Fiscal Responsibility Law.
INTRODUÇÃO
Diante da atual conjuntura, na qual o Estado brasileiro se insere, e em vista das mudanças sociais, culturais e econômicas, ocorridas na sociedade, a imagem relacionada à administração pública também sofreu profundas alterações. Com os avanços tecnológicos e o progresso da economia de mercado, ocorre também uma evolução na sociedade que passa a exigir cada vez mais dos responsáveis pela condução do País.
O corpo social está sujeito aos desdobramentos decorrentes das mais diversas naturezas, sejam eles de ordem econômica, política ou ainda mudanças conceituais ou culturais. Atualmente, as problemáticas sociais têm assumido proporções nunca antes vistas, muitas vezes ocasionadas por todas estas mudanças inerentes ao mundo globalizado.
A sociedade é naturalmente portadora de diversas carências e necessidades, as quais são denominadas demandas sociais ou ainda, interesses coletivos. Atender tais demandas ou interesses é uma das funções do Estado moderno. Este dever decorre do chamado Estado Democrático de Direito, onde a cidadania assume grande relevo na implementação de políticas por parte da Administração Pública.
O papel do administrador tem assumido uma importância destacada. As carências sociais e o comprometimento dos órgãos públicos com as premissas constitucionais impõe ao gestor do bem público uma postura totalmente nova. Esta postura se caracteriza pelo atendimento e pelo trato responsável dos recursos públicos disciplinado pela Lei Complementar nº 101/2000, esta conhecida como Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
A administração pública deve ter a precípua finalidade de prestar serviços ao cidadão, de modo que este possa ter o pleno gozo de sua cidadania. Tais serviços devem ser prestados de modo eficiente para que seja concretizado o papel do Estado. A gestão de recursos e bens comuns deve ser feita de maneira transparente, a fim de que a sociedade esteja a par do que se realiza com os recursos públicos.
Desta forma, a Administração Pública deve estar pautada em princípios próprios, que orientem sua atuação de maneira que a ação estatal atue de acordo com regras que garantam seu perfeito funcionamento. Da mesma forma, os agentes da administração devem responder por seus atos. 
A concepção moderna de Estado, a atuação eficaz da máquina estatal e a responsabilidade do agente da administração, encontram nova perspectiva. A partir desta explanação, indaga-se o seguinte problema: Qual o papel dos controles na Administração Pública diante da Lei de Responsabilidade Fiscal?
Buscando respostas, foram determinados os objetivos para o desenvolvimento do trabalho. Como objetivo geral busca-se contextualizar um estudo acerca dos meios de controles na Administração Pública correlacionadas com a Lei de Responsabilidade Fiscal. E como objetivos específicos: a) apresentar um panorama conceitual de controle interno e externo; b) caracterizar a Lei de Responsabilidade Fiscal; c) analisar a verificação da LRF e o atendimento de demandas da sociedade.
De modo a apresentar sequência e objetividade, o trabalho apresenta, além desta parte introdutória, a fundamentação teórica-conceitual e por fim, delineiam-se as considerações finais acerca da temática discutida.
REFERENCIAL TEÓRICO
A Administração Pública é responsável por conduzir os interesses coletivos e zelar pelo bom funcionamento da máquina estatal, mantendo a ordem social. Além disso, tem por finalidade buscar as melhores soluções possíveis para a resolução das problemáticas sociais e gerir os recursos públicos em favor do bem comum. Neste sentido, Mileski (2003, p. 136) relata que “a autoridade estatal, como expressão dinâmica da ordem pública, é suprema e o seu poder tem como fim o bem estar da sociedade”.
O ato do gestor público, por muitas vezes encontra-se dissonante dos interesses da coletividade. Por diversas razões, os encarregados de cuidar do bem comum, se furtam de sua responsabilidade como condutores do ente público eivando seus atos de obscuridade e alertando contra a lei e os anseios da comunidade. Em muitos desses casos tais condutas não são conhecidas e tais elementos permanecem impunes.
Para que a sociedade possa ter seus interesses atendidos e o Estado possa cumprir com sua função, qual seja a de visar o bem comum, foram criados inúmeros meios para fiscalizar a Administração Pública. Esses meios são conhecidos como controles. Tais controles são instrumentos através dos quais, o Direito vigia a atuação do administrador. Conforme ensinamento de Justen Filho (2005, p. 732), “a consagração do Estado de Direito significa a submissão dos poderes de controles fáticos (políticos e econômicos) a um controle jurídico”.
Controle interno e externo como meio de efetivação 
Diante de uma sociedade cada vez mais consciente de seus direitos e ávida por uma máquina estatal eficiente, que cumpra com seu papel diante das crescentes necessidades das massas, os controles da administração se tornam ferramentas indispensáveis. É crucial que sejam implementados os controles administrativos a fim de maximizar a ação estatal, otimizar o uso dos recursos públicos e como corolário, proporcionar o alcance da eficiência administrativa na busca dos interesses coletivos.
Assim, o controle da atividade administrativa tem grande intimidade com a observância da legalidade e por extensão com a efetivação de todos os demais princípios inerentes à Administração Pública. Na definição de Di Pietro (2006, p. 693):
A finalidade do controleé a de assegurar que a Administração atue em consonância com os princípios que lhe são impostos pelo ordenamento jurídico, como os da legalidade, moralidade, finalidade pública, publicidade, motivação, impessoalidade, em determinadas circunstâncias, abrange também o controle chamado de mérito e que diz respeito aos aspectos discricionários da administração.
A Constituição Federal, em seus artigos 70 e 71, dispõem sobre os controles os quais a Administração está sujeita. Ainda, no que tange à previsão constitucional em relação aos controles, o artigo 74, faz alusão à integração que deve existir entre os controles internos dos três poderes. Sendo assim, observa-se na Figura 1, que os controles de gestão da administração pública podem ser de caráter interno ou externo.
Figura 1 - Formas de controle na administração pública
FONTE: Albuquerque (2008).
Os controles podem ser de natureza administrativa, legislativa ou judicial, sendo, portanto, inerentes aos respectivos poderes. Os aludidos controles, nada mais são do que a fiscalização do exercício do poder delegado aos governantes. Trata-se de uma característica do Estado moderno, no qual se prioriza a atenção à lei em prejuízo do arbítrio dos agentes governamentais. De acordo com Silva (2007, p. 4) “o processo de controle opera-se com a dinâmica da organização e compreende o planejamento e a orçamentação dos meios, a execução das atividades planejadas e a avaliação periódica da atuação”.
Em que pese haver o controle externo de cada uma das esferas do Poder, os controles internos assumem grande importância, visto que possibilitam ao órgão do qual emana o ato a modificação ou anulação do mesmo em caso de incompatibilidade com o fim almejado. Desse modo, tanto o controle interno quanto o externo abrem caminhos para a lisura da atividade administrativa.
Para Justen Filho (2005, p. 741) “o controle administrativo interno é verificação, desenvolvida no âmbito do próprio Poder, da legalidade e da oportunidade dos atos administrativos produzidos pelos seus órgãos e autoridades”.
Dessa maneira o controle interno pode verificar a obediência ao princípio da legalidade bem como a regularidade da atuação dos administradores. Controla internamente a atuação administrativa é função de todo o agente estatal. 
Entretanto, a atividade administrativa deve ser permeada por um controle externo que busque maximizar a transparência da conduta governamental. Este controle externo é em geral efetuado pelo Poder Legislativo, no qual se insere a atuação do Tribunal de Contas, pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário. Cabe ressaltar que a fiscalização por parte do Legislativo, visa tão somente a verificação da consonância do trabalho desenvolvido com a vontade geral da população.
Além da fiscalização exercida pelo Judiciário e pelo Legislativo, existe o controle decorrente da atuação dos Tribunais de Contas. Para Cretella Júnior (2003, p. 84) “[...] é um órgão colegiado existente nos diversos países para fiscalização do orçamento”.
Nesse sentido, o Tribunal de Contas exerce precípua atividade de fiscalização das movimentações financeiras da Administração, primando pela racionalização do uso do dinheiro público, buscando-se evitar o desvio destes ou sua má aplicação. É preciso referir que não há vínculo entre os Tribunais de Contas e os outros Poderes, trata-se, pois de órgão que atua de forma independente.
No tocante ao Ministério Público, tal ente, muitas vezes referido como quarto Poder, tem importância na seara da fiscalização da conduta do Administrador Público frente às suas atribuições. Sua função é a defesa da legalidade, ou seja, da lei e a busca pela justiça, sondando os atos estatais a fim de desvendar e coibir possíveis irregularidades.
Cabe destacar que a Constituição Federal prevê a fiscalização direta da sociedade em relação à Administração. Esta fiscalização se dá através dos chamados remédios constitucionais. Conforme Di Pietro (2006, p. 720):
São remédios constitucionais o habeas corpus, o habeas data, o mandado de segurança individual, o mandado de segurança coletivo, o mandado de injunção, a ação popular e o direito de petição; ressalvando este último, todos os demais são meios de provocar o controle jurisdicional de ato da administração. Eventualmente, a ação civil pública, embora não prevista no artigo 5º da Constituição, serve a mesma finalidade, quando o ato lesivo seja praticado pela Administração.
O controle da Administração visa evitar discrepâncias e irregularidade no que pertence aos recursos públicos e em relação à atuação dos agentes públicos. Desse modo, o que se busca é a correta aplicação dos recursos e a otimização dos meios necessários ao bom funcionamento da máquina pública. Consequentemente o resultado de todo este sistema de fiscalização e controle é a eficácia dos resultados obtidos pela correta atuação dos administradores.
Lei de Responsabilidade Fiscal
Todo o sistema administrativo regulado por princípios de ordem constitucional, bem como o controle que pode e deve ser exercido em relação a atuação dos agentes estatais, decorreu da evolução das instituições democráticas. Esta evolução acompanhada pelas mudanças da própria sociedade em vista desta ser a maior beneficiária de toda esta estrutura.
A origem da Lei de Responsabilidade Fiscal remonta ao processo de reforma do Estado brasileiro. Esta reforma foi realizada com o objetivo de adequar a atuação estatal aos novos e inarredáveis compromissos da administração pública frente aos cidadãos e a complexidade das questões sociais atuais. Assim, com uma estrutura peculiar e sem precedentes, tal legislação é um marco no que tange ao controle e orientação da administração como um todo.
Antes de ser criada no Brasil, leis semelhantes à lei de Responsabilidade Fiscal já haviam sido experimentadas em outros países. Na Nova Zelândia e na Europa inúmeros instrumentos com a mesma finalidade já eram conhecidos antes da Lei Complementar nº 101/2000 ser sancionada em nosso país (MILESKI, 2003). Segundo Oliveira (2001, p.19) “A Lei Complementar nº 101/2000 veio disciplinar os artigos 163 e 169 da Constituição da República”.
Para Cavalcanti (2001, p. 9) “[...] além de implantar parâmetros para um novo padrão virtuoso na administração pública brasileira, cria instrumentos de monitoramento e transparência capazes de guiar, com segurança, os investidores privados”. A regulamentação e o controle que esta norma proporciona em relação aos recursos públicos e sua administração, além de sua finalidade punitiva quanto aos administradores mal intencionados e suas respectivas condutas, traz novas perspectivas ao cidadão e a sociedade como um todo. 
Nesse sentido, o conceito de responsabilidade do administrador assume nova roupagem, ancorando-se a gestão fiscal na ação planejada e transparente (CAVALCANTI, 2001). A Lei de Responsabilidade Fiscal inova ao estabelecer que a despesa feita pelo agente da administração deve ser justificada, ter previsão legal e ainda previsão de recursos para a sua realização. Somente assim se assegura que não haja gasto além do que é arrecadado nem despesa que não seja objeto de estudo prévio.
A gestão patrimonial é um outro aspecto, da Lei de Responsabilidade fiscal que se faz necessário no âmbito da Administração Pública em todos os seus entes. Os recursos e bens que compõem o patrimônio público são objetos de tutela da lei que prevê as hipóteses de aplicação das receitas provenientes de alienação de bens públicos e também de direitos que integram o patrimônio público.
Aplicação da LRF e a efetivação das demandas sociais
O controle dos atos praticados pelos administradores a frente do bem comum e na gestão dos recursos públicos, não teria importância se não houvesse uma finalidade a qual estivesse sujeita a figura do administrador e a estrutura do Estado. É sabido que o fim maior da máquina administrativa é promover serviços públicos que venham a atender as necessidades da população.
Na mesma esteira, deve-se pautar a conduta do administrador público. Ele nada mais édo que um instrumento da vontade coletiva, portador das expectativas e esperanças do povo. Desse modo, deve visar o atendimento das solicitações da coletividade da melhor maneira possível. É o agente político, investido da função de administrador, que vai controlar o aparelho estatal e ter o poder de atender as expectativas dos administrados.
Para que o indivíduo responsável pela gerência das finanças públicas e da máquina do Estado alcance os melhores resultados, deve ficar atento aos princípios aos quais se submete a ação do ente público. 
De acordo com Oliveira (2001, p. 84-85):
Deve o Poder Público incentivar a participação popular e a realização de audiências públicas, durante o processo de elaboração e discussão dos planos, lei de diretrizes orçamentárias e orçamentos anuais. O dispositivo incita o Poder Público a abrir-se à comunidade. [...] O sigilo, o segredo, as reuniões reservadas, nada mais disso faz parte do agente público. Deve ele mostrar-se permeável à participação popular. Aliás, já de há muito se encontra superada a administração autoritária em que as decisões são tomadas nos gabinetes, sem ouvir o clamor das ruas. Impõe-se a gestão participativa com a sociedade.
A publicidade que se insere na aplicação da transparência, viabiliza o controle das finanças e atos do governo. O que interessa ao cidadão é simplesmente o fato de serem atendidas as suas expectativas em vista dos problemas enfrentados no dia-a-dia.
A Lei de Responsabilidade Fiscal através de seus instrumentos de controle e fiscalização, proporciona o correto uso dos recursos provenientes das receitas públicas. Da mesma forma, as ferramentas que apresenta quanto à publicidade das finanças públicas, constituem valiosos meios propiciadores da transparência (SACRAMENTO; PINHO, 2007).
Com recursos suficientes, poderá o administrador público implementar políticas de inserção social, geração de empregos, educação, saúde, qualificação do cidadão para o mercado de trabalho entre tantas outras que visem o bem comum. A suficiência de dinheiro nos cofres públicos, para o atendimento das demandas, somente será possível com uma gestão transparente e responsável. Dessa forma, a eficiência administrativa encontra sua plenitude. 
Nesse sentido, como pressuposto deve se dar o correto planejamento e aplicação do orçamento. Tal planejamento e aplicação guardam relação direta com a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Este orçamento, para Cretella Júnior (2003, p. 84) “[...] é o ato pelo qual o Legislativo, prevê e autoriza ao Executivo, por certo período, as despesas destinadas ao funcionamento dos serviços públicos”.
Algumas das demandas sociais que não podem ser deixadas em segundo plano são, por exemplo, a educação e a saúde. A Lei de Responsabilidade Fiscal ao atribuir ao administrador a função de elaborar a LDO fixa a exigência de metas de arrecadação e de gastos. As prioridades as quais a administração atenderá devem estar previstas em tal instrumento. No caso das demandas citadas, que são serviços básicos devidos pelo Estado, Toledo Júnior e Rossi (2002, p.74), afirmam que “os dinheiros da educação, saúde, convênios e fundos especiais só podem aplicar-se em suas específicas finalidades; em nenhuma outra”.
Em que pese a Lei de Responsabilidade Fiscal ser um instrumento de valor inestimável para a sociedade e para os administradores, ela não tem o condão de resolver todos os problemas, mas abre caminhos para grandes mudanças. As demandas ou questões sociais, também conhecidas como necessidades públicas, podem variar de um ente estatal para outro, assim como sua complexidade.
METODOLOGIA
A escolha dos métodos e técnicas é de fundamental importância para uma pesquisa, pois é através deles que são estabelecidos os parâmetros que permitem que os objetivos propostos em um projeto sejam alcançados e o problema levantado seja esclarecido. 
Quanto ao objetivo, a pesquisa caracteriza-se como bibliográfica, a qual segundo Marconi e Lakatos (2010, p. 166) “abrange toda bibliografia já tornada pública em relação ao tema de estudo, desde publicações de artigos, boletins, jornais, revistas, livros, pesquisas, monografias, teses, material cartográfico etc.”. Em relação à abordagem do problema, caracteriza-se como pesquisa qualitativa, a qual de acordo com Diehl e Tatim (2004, p. 52) “descreve a complexibilidade de determinado problema e a interação de certas variáveis, o que possibilita compreender e classificar os processos dinâmicos vividos por grupos sociais”.
Para Gil (2002, p. 69), as análises dos dados têm como objetivo “organizar e sumariar os dados, de tal forma que possibilitem o fornecimento de respostas ao problema proposto para investigação”. Já a interpretação tem como objetivo “a procura do sentido mais amplo das respostas, o que é feito mediante sua ligação a outros conhecimentos anteriormente obtidos”. Sendo assim, os conceitos foram interpretados tendo como base o referencial teórico.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Por ocasião da entrada em vigor e posterior, da vigência da Lei de Responsabilidade Fiscal, muitos administradores, poderiam ter imaginado que esta seria uma lei inaplicável ou de difícil assimilação. Isso em função de suas exigências em relação ao comportamento dos gestores quanto à administração dos recursos comuns e sua aplicação. Certo é que até aquele momento não havia uma legislação tão completa e exigente no que tange a Administração Pública.
Todavia, a Lei de Responsabilidade Fiscal, não “amarrou” os agentes da esfera pública. Pelo contrário, introduziu novos conceitos e ferramentas que passaram a ampliar o controle da máquina estatal. Na mesma esteira, veio a noção de responsabilidade do administrador, que passou a responder por ingerências praticadas na função exercida. A aplicabilidade da Lei não foi, nem é tão traumática como temiam alguns. Os municípios, por exemplo, passaram a ter apoio da União com vistas ao pleno programa da referida norma.
Ainda nos municípios, a própria norma prevê que se deve dar o tempo necessário para que alguns de seus preceitos sejam seguidos. Não se justifica, portanto, a alegação de que a Lei de Responsabilidade Fiscal não permite investimentos ou impede que o administrador realize, por exemplo, obras de grande envergadura. Tal desculpa, observa-se muitas vezes, para encobrir a ineficiência e incompetência de agentes públicos inescrupulosos, que usam a máquina estatal com objetivos puramente eleitoreiros ou visando interesses pessoais. É inadmissível que no Estado brasileiro moderno ainda existam pessoas desta natureza investidas na função de zelar pelo bem público. 
Em que pese ser a Lei de Responsabilidade Fiscal um instrumento singular de controle e fiscalização da conduta administrativa, inovadora em muitos aspectos relacionados à gestão dos recursos coletivos e sua aplicação, não é ela, o único meio para o alcance da eficiência e da transparência administrativa. Os controles, tanto o social quanto o interno e o externo, este último auxiliado pela atuação dos Tribunais de Contas, constituem um sistema que enseja o bom funcionamento dos órgãos públicos.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo, dentro dos limites a que se propôs, teve como escopo contextualizar um estudo acerca dos meios de controles na Administração Pública correlacionadas com a Lei de Responsabilidade Fiscal.
O fim maior do Estado é a promoção de políticas que fomentem o desenvolvimento econômico e promovam o atendimento dos interesses da sociedade. Dessa forma, o que se busca em termos de atuação estatal é a concretização de perspectivas e anseios do corpo social que resultem no bem estar do mesmo.
A administração pública, responsável pela atuação estatal, está diretamente condicionada a ao atendimento das demandas que a sociedade impõe. Esta mesma Administração Pública é comandada pelos administradores públicos que possuem atribuições específicas na condução do agir do ente público. São eles, os gestores do bem comum, os maiores responsáveis pelo bom funcionamento do aparato estatal.
De tal forma, ante asexigências de uma realidade cada vez mais dinâmica, também, são cada vez maiores as atribuições dos responsáveis pela administração. Em vista de toda esta conjuntura relativa ao Poder Público e seus agentes, verificou-se a necessidade de instrumentos que possibilitem seu correto modo de agir a ainda deem a sociedade a chance de controlar a atuação da Administração.
Nesse contexto, se inserem os controles da Administração, tais como o controle interno, externo e a Lei de Responsabilidade Fiscal. É certo que, muitas conquistas nesse sentido têm sido alcançadas, em grande parte devido a implementação da legislação relativa à responsabilidade fiscal que obriga os administradores a proceder de modo probo com os recursos públicos. Tal conduta e outras ferramentas propiciadas pela aludida Lei contribuem sobremaneira para a transparência da gestão pública. As Leis de Diretrizes Orçamentárias (LDOs) e os Planos Plurianuais (PPAs) são exemplos de como a sociedade pode ampliar e intensificar sua participação na Administração Pública.
Além de fiscalizar, o que enseja a transparência do agir administrativo, pode o cidadão também participar da administração através dos mencionados instrumentos, dando assim, maior eco a cidadania. Em participando do governo, abrem-se as portas para que a comunidade possa influir diretamente no funcionamento e aplicação de políticas públicas. Isto é, nada mais nada menos que dar à coletividade a oportunidade de construir uma administração eficiente, na medida em que a qualidade dos serviços públicos é natural consequência desta participação.
A Lei de Responsabilidade Fiscal, em particular, tem contribuído de maneira singular para uma mudança de perspectiva em relação à Administração e ao administrador público. É um diploma inovador, que traz em seu seio vasto ferramental de controle da gestão, em especial financeira, do aparelho estatal. Não bastasse isto, é peculiar a responsabilização buscada pela norma em relação aos administradores desonestos. Por fim, possibilita a participação da comunidade na efetivação de políticas públicas através de seus dispositivos. Dessa forma é possível afirmar que a Lei de Responsabilidade Fiscal tem contribuído de maneira fundamental para uma nova visão no que tange a administração dos recursos públicos.
Todavia, em que pese a relevância da aplicação da referida lei, a atuação do Ministério Público é de reconhecida importância. Da mesma forma, a realização do controle estatal por meio das ações judiciais que lhe são particulares e ainda, em vista dos controles interno e externo existente, sem falar na atuação dos Tribunais de Contas.
REFERÊNCIAS
ALBUQUERQUE, Claudiano Manoel de. Gestão de finanças públicas: fundamentos e práticas de planejamento, orçamento e administração financeira com responsabilidade fiscal. 2. ed. Brasília: Gestão Pública, 2008.
CAVALCANTI, Marcio Novaes. Fundamentos da Lei de Responsabilidade Fiscal. São Paulo: Dialética, 2001.
CRETELLA JÚNIOR, José. Curso de direito administrativo. Rio de Janeiro: Forense, 2003.
DIEHL, Astor Antônio; TATIM, Denise Carvalho. Pesquisa em ciências sociais aplicadas: métodos e técnicas. São Paulo: Prentice Hall, 2004.
DI PIETRO, Maria S. Zanella. Direito administrativo. 19. ed. São Paulo: Atlas, 2006.
GIL, Antônio C.. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002.
JUSTEN FILHO, Marçal. Curso de direito administrativo. São Paulo: Saraiva, 2005.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Técnicas de pesquisa: planejamento e execução de pesquisas, amostragens e técnicas de pesquisa, elaboração, análise e interpretação de dados. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
MILESKI, Helio Saul. O controle da gestão pública. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2003.
OLIVEIRA, Regis Fernandes de. Responsabilidade fiscal. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001.
SACRAMENTO, Ana Rita Silva; PINHO. José Antônio Gomes. Transparência na administração pública: o que mudou depois da Lei de Responsabilidade Fiscal? Um estudo exploratório em seis municípios da região metropolitana de Salvador. Revista de Contabilidade da UFBA, Bahia, v.1, n.1, 2007. Disponível em: . Acesso em: 15 mai. 2019. 
SILVA, Pedro Gabril. Kenne da. O papel do controle interno na administração pública. ConTexto, Porto Alegre, v. 2, n. 2, 2002. Disponível em: . Acesso em: 15 mai. 2019.
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