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1. Como evoluem das formas de relevo? 
Como se explica a evolução tectônica pelas formas das vertentes? 
- Escola germânica, Walther Penck (1924), elaborando a teoria da relação entre 
soerguimento-denudação e recuo paralelo das vertentes; 
- Walther Penck (1924) aparece como principal opositor da postura dedutivista-
historicista de Davis, valorizando o estudo dos processos (denudação, 
soerguimento, entalhamento fluvial). 
“A geomorfologia davisiana praticamente não tinha qualquer 
articulação com uma visão processual mais ampla, como a 
incorporação de componentes da climatologia ou da biogeografia, 
amplamente integradas na geomorfologia alemã. No final da década 
de 30 do Século XX, os norte-americanos se interessaram pelas 
críticas de W. Penck à teoria davisiana. A interpretação de Penck 
(1924, da escola Germânica) ao ciclo geográfico, divulgada durante 
o Simpósio de Chicago (1939), foi incorporada pelos seguidores de 
Davis, criando novos paradigmas. Há uma crítica a ideia de uma 
estabilidade tectônica, da juventude até a senilidade, uma vez que, 
com base em níveis modernos de erosão, a denudação de 
aproximadamente 1.500 metros de material requereria, 
provavelmente, entre 3 a 110 milhões de anos. Para Davis, seriam 
necessários de 20 a 200 milhões de anos para o aplainamento das 
cadeias de montanhas, como as falhas de Utah, tempo mais que 
suficiente para manifestações de natureza tectodinâmica.” CASSETI 
(1991). 
Neste modelo, a emersão e a denudação aconteciam ao mesmo tempo, 
com intensidade diferenciada pela ação da tectônica. Isto pode ser exemplificado na 
cordilheira dos Andes, atualmente. 
Se tudo depende da velocidade de ação das forças, vamos ver como ocorre: 
O valor da incisão estava na dependência do grau de soerguimento da crosta, 
são concomitantes: 
● Um soerguimento moderado da crosta, com proporcional incisão do 
talvegue, proporciona o desenvolvimento de vertentes retilíneas ou 
manutenção do ângulo de declividade (superfície primária).
 
● Quando a ascensão da crosta é pequena, há um fraco entalhamento do 
talvegue, no entanto a denudação intensa (wearing down), ela 
proporciona o desenvolvimento de vertentes côncavas e rebaixamento 
do relevo. 
 
● Quanto o soerguimento é alto: há forte incisão: maior gradiente topográfico e 
erosão: elevação compensada pela denudação. 
Vertente é a forma tridimensional limitada a montante (parte superior) pelo interflúvio 
e a jusante (parte inferior) pelo talvegue, modelada por processos morfológicos do 
passado e do presente (SUERTEGARAY et al., 2004) e sua curvatura vertical pode 
ser: 
Fonte: Neto et al. Avaliação da vulnerabilidade à 
perda de solos na bacia do rio Salobra, MS, com base nas formas do terreno. 
Geografia (Londrina), v. 22, n. 1.p.05-25, jan/abr. 2013.
 
 
Figura Press e Siever 2013. 
Em escalas de tempo prolongadas, a elevação é um equilíbrio entre elevação e erosão: 
1- Ação tectônica eleva montanhas. A taxa de elevação é maior que a taxa de erosão. 
2- A emersão diminui e a erosão está em equilíbrio com a elevação. As elevações permanecem altas. 
3- O grau de emersão diminui ainda mais e a erosão começa a dominar, assim, a elevação começa a 
diminuir. 
4- A emersão está quase parada e a erosão continua. Elevações mais baixas - colinas baixas - geram 
menor amplitude topográfica e a erosão diminui. 
5- As elevações diminuem ainda mais à medida que a paisagem evolui para planícies e planícies. E 
erosão está em equilíbrio com a emersão. 
 
O valor da incisão do talvegue depende do grau de soerguimento da crosta, 
por quê? porque a intensidade da erosão dos rios e demais processos erosivos é 
maior com o acentuado gradiente topográfico (altas declividades). 
Enquanto Davis afirmava que o relevo evoluía de cima para baixo, Penck 
acreditava no recuo paralelo das vertentes, ou erosão lateral da vertente, 
constituindo-se no modelo aceito para o entendimento da evolução morfológica. A 
erosão lateral está relacionada com os processos exógenos (intemperismo físico e 
movimentos de massa). 
 
Figura Casseti 2005 
Retorne às fotografias anteriores, podemos aplicar o conceito de erosão 
lateral para explicar as morfologias? Você conhece o Morro do Itacolomi em Gravataí? 
Como a morfologia pode ser explicada pela erosão lateral? 
 
Como podemos definir as diversas formas de relevo e 
associando-as aos diferentes agentes morfogenéticos? 
De acordo com Penck (1953) as formas de relevo são produto do 
antagonismo entre ações endógenas e exógenas. Valoriza clima como responsável 
morfogênese, pois compreende que o entendimento das formas de relevo presente é 
fruto do antagonismo entre as forças endógenas (abalos sísmicos; vulcanismo; 
dobramentos; subsidência e soerguimentos das plataformas; falhamentos), e 
exógenas (ação climática local, regional e zonal; processo de intemperismo; erosão 
e transporte sedimentar; ação dos agentes de transporte, como o vento e a ação da 
água). 
 
 
Christopherson, 2012. 
A figura representa os agentes externos (relacionados à atmosfera e à hidrosfera - 
processos de intemperismo, erosão e deposição - e ligados à energia solar) e os 
agentes internos (ligados à energia endógena - dinâmica interna da Terra). 
As formas são esculpidas pela ação de um determinado processos ou conjunto de 
processos. Eles são chamados de processos morfogenéticos e morfodinâmicos. 
Processos morfodinâmicos – sequência de ações regulares e contínuas que levam a 
um determinado resultado. Este resultado é a forma de relevo. 
Precisamos considerar os fatores integrados ao interpretar diferentes morfoestruturas 
e morfoesculturas. 
Importante: 
A análise geomorfológica de uma determinada área implica obrigatoriamente o 
conhecimento da evolução que o relevo apresenta (Casseti, 1991). 
 
Fonte 
CASSETI, Valter. Ambiente e Apropriação do Relevo, São Paulo. Contexto, 1991, 147 p. 
CASSETI, Valter. Geomorfologia. 2005. Disponível em: 
. 
Robert W. Christopherson. Geossistemas: Uma Introdução à Geografia Física. Porto Alegre: 
Bookman, 2012. ISBN 9788577809646. Disponível em: 
http://www.grupoa.com.br/livros/geociencias/geossistemas/9788577809646