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INSTITUTO FEDERAL CATARINENSE – CAMPUS RIO DO SUL DISCIPLINA: PERÍCIA AVALIAÇÃO E LEGISLAÇÃO AGRÍCOLA EXERCÍCIO SOBRE PERÍCIA AMBIENTAL INTEGRANTES DO GRUPO: DOUGLAS BACKES, ALEXANDRE FERRETI, LUCAS SCHAPPO Processo nº 0000040/2025 JUIZ: MARCOS SILVEIRA PROMOTOR: JONACIR DA CUNHA LAUDO PERICIAL SOBRE OCUPAÇÃO DE ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E CONTAMINAÇÃO DE NASCENTES POR ATIVIDADES AGROPECUÁRIAS Supondo que o Instituto Federal – Campus Rio do Sul foi denunciado pela promotoria pública, acusado de impactar área de preservação permanente ao construir as Unidades de Ensino e Produção (UEPs): PREDIO CENTRAL em Área de Preservação Permanente, com presença de espécies vegetais Endêmicas da Mata Atlântica. No mesmo processo o Instituto Federal é acusado de contaminar as nascentes da água que abastecem o Município de Rio do Sul, pela geração de grande quantidade de resíduos contaminantes pelas Unidades de Ensino e Produção (UEPs). O juiz da comarca determinou a contratação de um perito para elaborar os laudos periciais para confirmar da existência de crime ambiental cometido pela instituição. Para tal, elaborou os quesitos, a serem respondidos visando elucidar a existência do Dano Ambiental e a responsabilidade do evento. 1 – Qual a caracterização da área onde estão inseridas as atividades – identificação completa da área? Localizada nas coordenadas Latitude 27° 10' 47,24" S E Longitude 49° 39' 51,05" O, apresentando relevo acidentado e solo tipo siltoso. A vegetação é típica: Mata Atlântica, com as seguintes espécies levantadas: • Lauraceae: Nectandra lanceolata, Sassafras sp.; • Asteraceae: Piptocarpha algustofolia; • Myrtaceae: Campomanesia xanthocarpa; • Myrsenaceae: Myrsine guianesis. A área construída denunciada à Comarca é construída de 1500 m², e conta também com outras construções, sendo elas: salas de aulas, banheiros, escritórios, cozinha e área de convivências para alunos. Imagem 1. Mapa de localização do Prédio Central e Biblioteca IFC, Fonte: QGIS 2 - Nos termos da legislação federal (Código Florestal – Lei 12.651/2012) a edificação objeto da presente ação está situada em APP? Na vistoria se verificaram os cursos d'água nas margens da construção, os quais apresentam menos de 10 (dez) metros de largura, o que, segundo o art. 4º e inciso I (Código Florestal – Lei 12.651/2012), enquadra-se como largura mínima de APP: 30 (trinta) metros desde a borda da calha do leito regular. Por este fato, com as medidas tomadas pelos peritos, concluiu-se que a área construída não se encontra dentro da área de APP. Constataram-se duas nascentes no entorno da construção. O art. 4º, inciso IV (Código Florestal – Lei 12.651/2012), afirma que as nascentes e os olhos d'água perenes apresentam raio de APP mínimo de 50 (cinquenta) metros de área de APP. Como pode ser observado na imagem 2 (dois), a construção se localiza no limite da área de APP, não estando, portanto, em área de APP. Imagem 2. Limites de área de APP. Fonte: QGIS – editado pelo autor. Segundo o art. 3º, inciso IV (Código Florestal – Lei 12.651/2012), área rural consolidada: área de imóvel rural com ocupação antrópica preexistente a 22 de julho de 2008, com edificações, benfeitorias ou atividades agrossilvipastoris, admitida, neste último caso, a adoção do regime de pousio. Comprova-se pela imagem 3 (três), datada de 2005, a existência da construção, o que a enquadra como área rural consolidada. Imagem 3. Construções presentes na Parte central e administrativa do IFC. Fonte: QGIS – editado pelo autor. 3 – De fato, é confirmada em levantamentos florísticos, a existência de espécies vegetais endêmicas? De acordo com o levantamento florístico do local em questão, constatou- se que não há nenhuma espécie vegetal endêmica. 4 – A hidrografia da área objeto da perícia, realmente constitui-se numa nascente da água utilizada no serviço de abastecimento da CASAN de Rio do Sul? Imagem 4. Córrego, com medida inferior a 10 metros, localizada em torno do IFC, Prédio Central. Fonte: Autor. Imagem 5. Nascente localizada na área do IFC, Prédio Central. Fonte: Autor. Constatou-se que o córrego (imagem 4) e a nascente (imagem 5) não são afetados pela construção, nem suas áreas de APP que são necessárias para suas proteções. Imagem 6. Mapa de localização do local de coleta d’água pela rede de Rio do Sul. Fonte: QGIS – editado pelo autor. Na imagem 6 (seis), é possível observar o ponto de coleta do Município de Rio do Sul, que fica localizado no bairro laranjeiras, localizado na margem direita do Rio Itajaí do Sul. Constatou-se que não há captação de água pelo município das águas vindas do local estudado. 5 – Qual a quantidade estimada de poluentes gerada pelas unidades e qual o destino dado? As estimativas de poluentes gerados pelos banheiros e cozinhas presentes no local foram calculadas conforme a Instrução Normativa NBR 7229/1992 A fossa 1 (um) totalizou 10 m³ de volume, e a esterqueira 2 (dois) totalizou 10 m³, ambas então se demonstraram superiores ao mínimo exigido na instrução normativa. 6 – Diga, o perito: existe a real possibilidade de contaminação dos cursos de água pela atividade desenvolvida nas Unidades de Ensino (UEPs)? Não existe possibilidade de contaminação dos cursos de água e de nascentes, pois as instalações adotam sistema de filtros com o escoamento de dejetos eficiente, não apresentando nenhum tipo de vazamento. Apesar de se encontrar no limite de distância das nascentes, a NBR 13969, de 1999 informa que: “Esta Norma tem por objetivo oferecer alternativas de procedimentos técnicos para o projeto, construção e operação de unidades de tratamento complementar e disposição final dos efluentes líquidos de tanque séptico, dentro do sistema de tanque séptico para o tratamento local de esgotos, e assim apresentando boa vedação, atendendo, então, as normas pré- estabelecidas para seu eficiente funcionamento, conforme descrito anteriormente neste documento. 7 – É possível regularizar a situação do Local? (Se sim, quais os procedimentos serão necessários para a regularização)? As instalações são recentes, onde fizeram todas a adequações necessárias para o bom funcionamento e atendendo toda a demanda de dejetos produzidos tanto pelos banheiros como a cozinha. Uma mudança que poderia ser realizada (porém não é necessário) é a realocação de mais uma fossa afim de atender excedentes se necessários. Também seria necessária a construção de uma cerca em volta das fossas. 8– Qual é o custo total do investimento necessário para a realização destes procedimentos? Imagem 7. Mapa para localização das fossas, sendo necessárias cercas para impedir a movimentação de pessoas e animais. Fonte: Google Earth – editado pelo autor. O custo para realizar a operação da construção da cerca com arame farpado, segundo pesquisas de preços realizadas na localidade do Instituto Federal Catarinense, é de R$ 10,00 por metro linear, considerando que é necessário a construção de 30 m de cerca, totaliza-se custo de R$ 450,00, já inclusos custos de materiais e mão de obra. Custo de reforma: Não se faz necessário, pois no momento as fossas são novas e recém implantadas. Fossa da Biblioteca e Prédio Central, Fonte: autor Fossa Prédio Central e Cozinha, Fonte: autor