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DIREITO DO TRABALHO II Inconstitucionalidade da contribuição assistencial imposta aos empregados não filiados ao sindicato,por acordo,convenção coletiva de trabalho ou sentença. ALUNA: RAISSA LOHANA DOS SANTOS LUZ No dia 11 de setembro, a Corte deliberou, por 10 votos a 1, a favor da cobrança de uma “contribuição assistencial para sindicatos”. Segue a tese fixada no julgamento: “É constitucional a instituição, por acordo ou convenção coletivos, de contribuições assistenciais a serem impostas a todos os empregados da categoria, ainda que não sindicalizados, desde que assegurado o direito de oposição”. A taxa, apesar do nome, será compulsória. A tese estabelece que o valor poderá ser cobrado de todos os empregados da categoria, mesmo os não sindicalizados, “desde que assegurado o direito de oposição”. Também não está claro na decisão do STF se o tamanho do benefício obtido pelo sindicato terá de ter obrigatoriamente alguma correlação com a taxa de contribuição assistencial que será cobrada. Por exemplo, em alguns anos as entidades de trabalhadores não conseguem reajuste salarial e os benefícios do acordo coletivo são diminutos. Nesse caso, é incerto se a taxa assistencial poderá ainda assim ser cobrada –e, às vezes, até ser superior ao benefício obtido. Em 29 de setembro, o presidente da Corte, Roberto Barroso, afirmou que o trabalhador que deseja se opor ao pagamento deveria informar a empresa, mas “que não deveria”, segundo a opinião do magistrado. Ele negou que a contribuição seja “compulsória” e disse que quem desejar pode “pular fora”. Ainda restam espaços em branco para a execução da nova regra, que também é alvo de debate no Ministério do Trabalho de Luiz Marinho (PT). O ministro chegou a celebrar a aprovação do STF, mas disse que a medida não resolve a questão. Entendemos que os valores de cobrança deverão ser razoáveis, observando critérios de proporcionalidade, caso sejam abusivos as negociações podem ser denunciadas ao ministério público do trabalho para que o órgão adote as medidas judiciais cabíveis no sentido de tornar justo o valor a ser cobrado dos empregados. Algumas ações em andamento nos TRTs do país já entenderam que o razoável seria metade de um dia de trabalho. Em relação à oposição, como não há previsão legal também deverá ser observada a razoabilidade, caso contrário o poder judiciário poderá ser acionado para regularizar o exercício deste direito. Em relação ao início da validade da cobrança, entendemos que caso já exista previsão no instrumento normativo sobre o valor da contribuição e a forma de oposição, as cobranças poderão valer a partir da publicação do acórdão, ou seja, a partir de 30/10/2023. O QUE MUDA Em resumo, tem-se a seguinte situação depois da decisão do STF: Assembleia do sindicado - a entidade vai convocar uma reunião dos trabalhadores da categoria... Definição do valor da contribuição assistencial – é a assembleia de cada sindicato que vai definir o valor da taxa compulsória para os associados e não associados... Cobrança compulsória – a decisão da assembleia de cada sindicato terá de ser informada a todas as empresas da categoria de trabalhadores que são representados por essa entidade. Cada empresa então descontará a taxa automaticamente do salário dos seus empregados e repassará o dinheiro ao sindicato; Possível oposição à cobrança – como está nos votos de Roberto Barroso e de Gilmar Mendes (acompanhados pela maioria), a decisão será tomada “assegurando ao trabalhador o direito de oposição”. O que isso significa? Que cada trabalhador individualmente terá de se manifestar e informar à sua empresa que não deseja pagar a “contribuição assistencial”. Caso não faça isso, terá o valor descontado do salário. Como a maioria dos trabalhadores dificilmente será informada de maneira pró-ativa e com a antecedência devida sobre esse direito de não pagar, a tendência é que muitos não se manifestem e que acabem pagando a taxa. Valor potencial a ser arrecadado – antes da reforma, a receita chegou a R$ 3 bilhões para sindicatos. Essa deve ser a soma que pode entrar no caixa de entidades sindicais de trabalhadores; Sindicalismo mais rico e mais manifestações e protestos – assim como o fim do imposto sindical reduziu drasticamente o poder financeiro dos sindicatos, agora a contribuição assistencial compulsória vai no sentido inverso. Os sindicatos voltarão a ter recursos para mobilizar pessoas, contratar caminhões de som e fazer manifestações em locais como a avenida Paulista, em São Paulo, e a Esplanada dos Ministérios, em Brasília.... . . image1.jpeg