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Ansiedade 
em Medicina 
da Família e 
Comunidade
SUMÁRIO
1. Defi nição e Epidemiologia .......................................................................................... 3
2. Importância da MFC/APS ........................................................................................... 4
3. Abordagem e Quadro Clínico ..................................................................................... 6
4. Abordagem terapêutica ............................................................................................ 11
5. Rastreamento ............................................................................................................ 15
6. Quando encaminhar .................................................................................................. 15
Referências bibliográfi cas ............................................................................................... 16
Ansiedade em Medicina da Família e Comunidade   3
1. DEFINIÇÃO E EPIDEMIOLOGIA
A ansiedade diz respeito a uma sensação de angústia e apreensão que faz parte do 
mecanismo natural de “luta ou fuga”, ou seja, de defesa e antecipação de ameaças 
comuns no cotidiano das pessoas e que em diversas ocasiões permitiu (e permite) ao 
ser humano lidar com o perigo ao longo do seu processo de evolução. Essa sensação 
difusa de apreensão costuma estar associada a sintomas autonômicos, como palpi-
tações, cefaleia, inquietação, aperto no peito, dentre outros. Logo, pode-se perceber 
que a ansiedade é algo natural; porém, em algumas situações pode se tornar despro-
porcional, trazendo prejuízos funcionais à vida do indivíduo e causando transtornos de 
ansiedade, que é sobre o que trataremos aqui.
É importante salientar a diferença entre uma inquietação que porventura o paciente 
pode referir como sendo ansiedade, mas que com investigação mais pormenorizada 
do médico de família, podemos notar que esta sensação não está relacionada com 
apreensão, mas sim com uma inquietação ligada a euforia, agitação, hiperatividade, 
sensações as quais podem estar mais relacionadas com outros diagnósticos, como 
transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) ou transtornos de humor.
 Conceito:  A ansiedade é uma resposta normal e adaptativa que 
permite antecipação de uma ameaça iminente. Caracteriza-se pela sensação de 
apreensão. Quando essa sensação se torna excessiva e causa prejuízo ocupa-
cional, social ou biológico, fala-se em transtorno de ansiedade.
Quando a ansiedade se torna excessiva, causando prejuízo no bom funcionamento 
do indivíduo, seja no trabalho, no convívio social ou nos aspectos biológicos, como o 
sono, aí sim fala-se em transtorno de ansiedade. Porém, é comum, sobretudo na atenção 
básica, a coexistência entre um transtorno de ansiedade e outros transtornos, como 
de humor ou síndrome de somatização, em que o paciente apresenta diversas queixas 
físicas sem explicação clínica. Com isso, é mais comum a existência de quadros mistos 
do que puramente transtorno de ansiedade. Dentre os transtornos de ansiedade, abor-
daremos neste material o transtorno de ansiedade generalizada (TAG) e o transtorno 
de pânico. Além disso, conforme vimos na aula de Dra. Maitê, falaremos também de 
um outro grupo de transtornos, que é o transtorno obsessivocompulsivo (TOC).
Os transtornos de ansiedade são os transtornos psiquiátricos mais prevalentes e, 
segundo o Estudo Americano de Comorbidades, estão presente em 1 em cada 4 pes-
soas, sendo mais prevalente em mulheres do que em homens. De acordo com dados 
da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país da América Latina que lidera 
Ansiedade em Medicina da Família e Comunidade  4
nos números de pessoas diagnosticadas com transtornos de ansiedade. Além disso, 
tais transtornos são, em sua maior parte, crônicos e causam prejuízos e desfechos ne-
gativos, como: menor produtividade no trabalho, maior taxa de utilização de serviços de 
saúde, abuso e dependência de álcool e outras drogas, risco aumentado (independente 
de associação com outros transtornos psiquiátricos) de ideação suicida, tentativa de 
suicídio e suicídio consumado.
 Saiba mais!  O transtorno de ansiedade é fator de risco para doen-
ça coronariana e piora o prognóstico do paciente, além de piorar a aderência ao 
tratamento do diabetes, bem como o prognóstico desta doença. Fonte: Ministério 
da Saúde. Cadernos de Atenção Básica nº 34, 2013.
2. IMPORTÂNCIA DA MFC/APS
Apesar da importante prevalência citada anteriormente, os transtornos de ansiedade 
ainda são muito subdiagnosticados pelos profi ssionais de saúde e, por vezes, sequer 
são reconhecidos como problemas pelos pacientes. Neste caso, é fundamental o papel 
do médico de família e comunidade, o qual tem a oportunidade de ter o primeiro con-
tato com o paciente dentro da rede de saúde, podendo perceber problemas que muitas 
vezes não são revelados em uma primeira consulta, mas que com a longitudinalidade 
do cuidado é possível abordar.
Em boa parte das vezes, a ansiedade é relatada diretamente pelo paciente ao 
queixar-se de angústia diante de situações vividas, prejuízos que tem notado no seu 
cotidiano ou presença de sintomas que podem levar o médico a pensar em uma causa 
psíquica. Diante disso, é fundamental que o médico investigue bem o quadro para fa-
zer o diagnóstico diferencial entre transtorno de ansiedade e outros agravos, inclusive 
doenças clínicas como hipertireoidismo ou arritmia cardíaca. No entanto, diversas ve-
zes a ansiedade não é relatada diretamente como queixa pelo paciente, mas aparece 
como um problema oculto possível de ser observado pelo médico de família, como em 
situações de violência doméstica, bullying ou em idosos que negam ter ansiedade pelo 
estigma dos problemas mentais, mas que nitidamente apresentam com ansiedade.
Em alguns casos ainda o paciente comparece a consulta queixando-se de problemas 
físicos em função de sintomas somáticos que possui, ou seja, aqueles diversos sintomas 
sem uma possibilidade de explicação médica ou; alguns pacientes apresentam-se com 
grande preocupação acerca de problemas físicos que não deveriam em si gerar tanta 
Ansiedade em Medicina da Família e Comunidade  5
preocupação. Em ambos os casos, o médico deve aproximar-se com cautela da suspeita 
de um fundo psicológico para o quadro, pois é preciso certifi car-se que não há nenhuma 
patologia vigente e auxiliar o paciente na compreensão de que pode estar sofrendo de 
um transtorno psíquico que pode estar gerando aqueles sintomas físicos.
Além disso, é fundamental que o médico de família observe os fatores biopsicossociais 
envolvidos nos problemas trazidos pelo paciente, focando no método clínico centrado 
na pessoa que vimos na aula de Fundamentos e Estratégias da Medicina de Família.
CONCEITOS GERAIS E ATUAÇÃO DA APS NA ANSIEDADE
Fonte: autoria própria
TRANSTORNO
DE ANSIEDADE
Mais prevalente 
em mulheres
Coexistências com
outros transtornos
Paciente relata angústias 
ou problemas físicos
Prejuízo no trabalho,
convívio social, sono...
Atenção Primária 
à Saúde
Longitudinalidade: avaliar 
em diversas consultas
1º contato com 
o paciente
Abordagem centrada 
na pessoa
Problema oculto 
em: violência 
doméstica, bullying 
ou em idosos
Cautela ao falar da suspeita 
de causa psicológica para 
o problema
Descartar patologias 
vigentes
Desproporcional? 
Excessiva?
Apreensão ou angústia
Mecanismo natural:
“luta ou fuga”
Palpitações, aperto
no peito, inquietação
Ansiedade em Medicina da Família e Comunidade   6
3. ABORDAGEM E QUADRO CLÍNICO
Na anamnese, o médico deve fazer algumas diferenciações e ponderações antes de 
chegar no diagnóstico de transtorno de ansiedade, pois, como vimos, algumas vezes a 
queixa do paciente vai ser muito mais uma inquietação do que de fato uma ansiedade 
(ou seja, uma apreensão), sendo importante a diferenciação com outros transtornos 
psiquiátricos, como TDAH e transtornos de humor, que podem coexistir. Inclusive, alguns 
transtornospsiquiátricos vão causar ansiedade de fato, como por exemplo, dificuldades 
relacionadas a estressores como desemprego, ruptura conjugal, sequestro ou perda 
traumática de um ente querido, os quais são classificados como transtornos relacio-
nados ao trauma e estressores. Além disso, deve-se atentar que inúmeras situações 
vivenciadas pelos pacientes sequer são consideradas transtornos psiquiátricos, pois 
podem estar relacionadas com uma queixa de ansiedade associada a um problema 
familiar, por exemplo, mas não necessariamente tais queixas emocionais estão cau-
sando um prejuízo funcional que justifique o diagnóstico de um transtorno.
Alguns outros problemas, ou seja, situações que causam redução da qualidade de 
vida do paciente, também podem causar ansiedade e por isso devem ser pesquisados, 
como: abuso de substâncias, efeito adverso de medicamentos (corticoides, anticonvul-
sivantes, dopaminérgicos, etc.), abstinência de drogas ou retirada de psicofármacos, 
produzindo sintomas semelhantes (antidepressivos, benzodiazepínicos), pensamen- 
tos obsessivos e rituais compulsivos, depressão. Além disso, a ansiedade pode ser o 
pródromo de quadros psicóticos em surtos de mania ou esquizofrenia, como também 
pode acontecer no contexto de um transtorno de personalidade e até mesmo como 
uma simulação para ganhos secundários, como licença médica.
PASSOS PARA ABORDAGEM
Figura 1. Abordagem dos sintomas de ansiedade em 3 passos 
(Fonte: Tratado de Medicina de Família e Comunidade, 2019).
3- A ansiedade é o problema principal ou é parte
de transtornos ou outras condições subjacentes?
2- Avaliar a repercussão da ansiedade na vida da 
pessoa: causa transtorno?
1- Diferenciar ansiedade de 
inquietação/euforia/irritabilidade
Ansiedade em Medicina da Família e Comunidade  7
O estudo da etiopatogenia da ansiedade é de origem multifatorial, abrangendo fatores 
biológicos e psicossociais. No que tange os estudos biológicos, nota-se o envolvimen-
to de múltiplos neurotransmissores, alterações neuro-hormonais, fatores genéticos e 
perturbações do sono. Já nos aspectos ambientais, a baixa escolaridade, baixa renda, 
estressores na infância (violência, abusos) e eventos negativos na vida estão associa-
dos de modo consistente à ansiedade. Portanto, deve-se questionar acerca da história 
da pessoa, sua situação de vida atual, histórico familiar, seus hábitos de vida, uso de 
estimulantes, como cafeínas e drogas ilícitas, bem como considerar doenças orgânicas 
que podem simular quadro de ansiedade.
No quadro clínico, o paciente apresenta-se com preocupação excessiva, difi culdade 
de concentração, insônia, irritabilidade, desrealização (sensação de que o mundo está 
distante do vivenciado pela pessoa), despersonalização (sensação de estar distanciado 
de si mesmo), medos (de morrer, de perder o controle), hipervigilância.
Já no exame físico, alguns sintomas físicos, são comuns, devendo ser observados 
para em seguida realizar diagnóstico diferencial com outras patologias clínicas,
como vemos na tabela abaixo. Os principais sinais do exame físico são: palpita-
ções, taquicardia, sudorese, falta de ar, tensão muscular, dor e desconforto torácico, 
tontura, parestesias, desconforto abdominal, epigastralgia. Com isso, os achados 
do exame físico, associados ou não à história clínica do paciente, podem fazer o 
médico desconfi ar de doenças clínicas que mimetizam transtornos de ansiedade, 
mais especifi camente TAG ou transtorno de pânico. Diante da suspeita de doenças 
clínicas podem ser solicitados alguns exames complementares, já que não há exa-
mes complementares diagnósticos para os transtornos de ansiedade; logo, como 
vimos na aula de Dra. Maitê, deve-se sempre excluir outras doenças antes de fechar 
o diagnóstico de transtorno de ansiedade.
Ansiedade em Medicina da Família e Comunidade   8
 Saiba mais!  Uma revisão sistemática com objetivo de avaliar al-
terações em neuroimagem de ressonância magnética nos transtornos de ansie-
dade observou que estudos recentes mostram anormalidades morfológicas em 
regiões do cérebro de pacientes com transtorno de ansiedade. De acordo com 
o estudo, o hipocampo e córtex cingulado parecem estar alterados no TEPT, e o 
córtex orbitofrontal no TOC. No entanto, tais achados estão restritos ao campo 
da pesquisa, não sendo ainda aplicáveis para o diagnóstico no contexto clínico. 
Fonte: Freitas MCF, Busatto GF, McGuire PK, Crippa JAS. Structural magnetic res-
sonance imaging in anxiety disorders: an update of research findings. Rev Bras 
Psiquiatr. 2008;30(3):251-64.
Fonte: Tratado de Medicina de Família e Comunidade, 2019.
CONDIÇÕES QUE PODEM MIMETIZAR TRANSTORNOS DE ANSIEDADE
Doenças cardiovasculares
Anemia, angina, infarto do miocárdio, 
hipertensão, insuficiência cardíaca, prolapso de 
valva mitral, taquicardia atrial paroxística
Doenças respiratórias Asma, embolia pulmonar, hiperventilação
Doenças neurológicas Doença cerebrovascular, epilepsia, 
infecção, enxaqueca, tumor
Doenças endócrinas
Hipoglicemia, diabetes, hipertireoidismo, 
doença de Addison, doença de Cushing, 
feocromocitoma, distúrbios da menopausa
Intoxicação por drogas Anfetaminas, cocaína, maconha, 
nicotina, anticolinérgicos
Abstinência de drogas e fármacos Álcool, opióides, sedativos/hipnóticos, anti-hipertensivos
Outros
Uremia, deficiência de vitamina B12, 
distúrbios eletrolíticos, infecções sistêmicas, 
intoxicação por metais pesados
Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)
O TAG tem início insidioso, que persiste por pelo menos 6 meses, de ansiedade ge-
neralizada e persistente em diversas situações da vida do indivíduo. Envolve sintomas 
como: preocupações excessivas, nervosismo persistente, tremores, tensão muscular, 
transpiração, sensação de vazio na cabeça, palpitações, tonturas e desconforto epi-
gástrico. Além disso, há um medo excessivo de que o indivíduo ou pessoas próximas 
irão sofrer um acidente ou ficar gravemente doente.
Ansiedade em Medicina da Família e Comunidade   9
Este transtorno tem sua, prevalência entre 3-8% ao longo de um ano, acontecendo 
mais em mulheres (2:1) e sendo o mais comum entre os transtornos de ansiedade, 
sendo o que mais comumente coexiste com outros transtornos mentais, de modo que 
50-90% dos pacientes com TAG têm outros transtornos associados.
Transtorno do pânico
Diferente do TAG, o transtorno do pânico acontece sob a forma de ataques recor-
rentes de ansiedade, com crises súbitas e imprevisíveis que não ocorrem em apenas 
uma situação ou circunstâncias determinadas. A prevalência de transtorno de pânico 
ao longo da vida varia de 1-4%. Os sintomas consistem em palpitações, dores torácicas, 
sensação de asfixia, tonturas e sentimentos de despersonalização e desrealização. 
Além disso, a pessoa frequentemente tem medo de morrer ou de “ficar louca”. Com 
isso, as pessoas passam a evitar situações que podem levar a novos ataques de pânico.
É importante ressaltar que os ataques de pânico duram de minutos a horas e são 
autolimitados. E podem estar presentes em outras condições clínicas, nem sempre 
estando relacionados a um comprometimento que permita classificar como um trans-
torno, sendo por vezes um ataque de pânico ocasional. Os ataques de pânico podem 
estar presentes em pessoas que possuem fobia social, fobia específica ou transtorno 
de estresse pós-traumático, enquanto que o transtorno de pânico em si está presente 
em aproximadamente 25% dos pacientes com TAG.
Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC)
O TOC é atualmente desmembrado em uma outra categoria de transtornos pelo Manual 
Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais em sua 5ª edição (DSM-V), sendo 
caracterizado por ideias obsessivas e/ou comportamentos compulsivos recorrentes. 
Este transtorno tem prevalência de 2-3% na população em geral e é o quarto diagnós-
tico mais comum na psiquiatria. Os pensamentos e impulsos entram na consciência 
da pessoa de modo repetitivo e estereotipado, de modo que o indivíduo tenta resistir a 
essas ideias obsessivas, mas semsucesso. Quanto aos comportamentos repetitivos 
e estereotipados, a pessoa também tenta resistir aos mesmos e inclusive reconhece o 
absurdo e inutilidade destes comportamentos, já que tais rituais não levam a realização 
de tarefas úteis para o sujeito e este sequer tira prazer da realização das mesmas.
Com isso, esses pensamentos intrusivos, obsessões e compulsões causam sofrimento 
grave à pessoa, interferindo na sua rotina, em seu funcionamento ocupacional, social e 
nos seus relacionamentos, pois esses comportamentos, além do sofrimento causado, 
consomem muito tempo da pessoa. A obsessão está no campo dos pensamentos e 
sentimentos intrusivos, enquanto que a compulsão consiste no comportamento em 
si que é repetitivo, como contar ou verificar algo. Este ato compulsivo costuma ser 
realizado como uma forma de reduzir a ansiedade relacionada à obsessão, mas nem 
sempre isso é alcançado, podendo não interferir ou até mesmo aumentar a ansiedade.
Ansiedade em Medicina da Família e Comunidade  10
MAPA QUADRO CLÍNICO
Fonte: Autoria própria.
ANSIEDADE?Queixas físicas
Pesquisar outras 
condições clínicas 
que expliquem 
os sintomas
Mais prevalente 
em mulheres
Transt. PânicoTAG
Queixas gerais
Difi culdade de concentração
Desrealização: Sensação de que o mundo está 
distante da realidade da pessoa
Despersonalização:
Sensação de estar distante de si mesmo
Medo de morrer
ou “enlouquecer”
Ideias obsessivas
e compulsões
Pelo menos 6 meses
Ataques recorrentes, 
crises súbitas
Interfere em todos
os âmbitos da vida
Causam
sofrimento grave
Persistente e em
diversas situações
Ansiedade em Medicina da Família e Comunidade  11
4. ABORDAGEM TERAPÊUTICA
A maior parte dos transtornos de ansiedade se resolve com orientação sobre o 
problema, ou seja, psicoeducação, que é informar o paciente sobre sua doença e seu 
respectivo tratamento. Pois é preciso que o paciente compreenda sua doença como 
algo real e possível de ser tratada com psicoterapia e/ou com farmacoterapia. Deste 
modo, o paciente participa mais ativamente do seu processo de cuidado. Além disso, 
intervenções no estilo de vida, como prática de exercício físico, melhora nos hábitos 
alimentares, cessação do tabagismo e redução da cafeína são medidas custo-efetivas 
que benefi ciam os pacientes e auxiliam na redução da ansiedade.
No entanto, alguns pacientes de fato precisarão de psicoterapia e/ou uso de fár-
macos, sendo a escolha por um método e/ou outro dependente da gravidade do caso, 
disponibilidade da psicoterapia e preferência da pessoa. Exceto no transtorno de pânico, 
ainda não há evidências sufi cientes que comprovem que a associação entre ambas 
abordagens seja mais efi caz do que o uso de uma das duas isoladamente. Logo, cabe 
ao médico de família a organização deste 
cuidado, mostrando-se disponível e ao lado 
do paciente para auxiliá-lo a compreender 
o que está passando e fortalecendo-o para 
o enfrentamento do problema atual.
Dentre os tratamentos psicoterápicos 
possíveis para abordagem dos transtor-
nos de ansiedade destaca-se a terapia 
cognitivo comportamental (TCC), que visa 
corrigir os pensamentos catastrófi cos, as 
percepções distorcidas das reações fi sioló-
gicas, a atenção excessiva e hipervigilância 
para sensações fóbicas e corporais. Com 
isso, a TCC ajuda o paciente a superar 
as consequências da ansiedade, como a 
antecipação e a hipervigilância. Na TCC 
também podem ser utilizadas técnicas de 
respiração diafragmática e relaxamento 
muscular, bem efetivas em alguns casos. 
Algumas intervenções psicossociais po-
dem ser realizadas no contexto da atenção 
primária, como é possível ver no mapa 
mental a seguir.
Em caso de opção pela terapia farmaco-
lógica, o primeiro passo é explicar para o 
paciente o tempo esperado para início dos 
Ansiedade em Medicina da Família e Comunidade   12
efeitos terapêuticos, que pode variar de 2 a 6 semanas, bem como explicar os efeitos 
colaterais, a importância da adesão (informando que as medicações não podem ser 
descontinuadas de modo abrupto) e que o tratamento irá durar pelo menos um ano, 
com aumento gradual das doses até se encontrar uma dose ótima. A primeira escolha 
para tratamento é com os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) e 
inibidores da receptação de serotonina e noradrenalina (IRSN). Como segunda esco-
lha podem ser utilizados os antidepressivos tricíclicos (ADT) e inibidores da monoa-
minoxidase (IMAO), mas estes últimos causam efeitos adversos mais proeminentes. 
Abaixo, segue tabela vista na aula de Dra. Maitê com a 1ª escolha dentre as opções 
farmacológicas para os3 transtornos estudados aqui:
Fonte: Autoria própria.
TRANSTORNO TRATAMENTO
Pânico e TAG
ISRS:
Sertralina 50-200 mg/dia
Paroxetina 40 mg/dia
Escitalopram 10-20 mg/dia
TOC
ISRS:
Sertralina 50-200 mg/dia
ADT:
Clomipramina 25-200 mg/dia
Ansiedade em Medicina da Família e Comunidade   13
MAPA ABORDAGEM TERAPÊUTICA
Fonte: Autoria própria.
Terapia Cognitivocomportamental
Psicoeducação
Explicar sobre doença 
e tratamentos
Estimular mudanças
nos hábitos de vidaRedução da cafeína
Cessação do 
tabagismo
Atividade física e
boa alimentação
Sintomas físicos
Pensamentos
negativos ou
desagradáveis
CompulsõesTerapia
Farmacológica
Ajuda a superar
consequências da ansiedade com 
antecipação e hipervigilância
Comportamentos
evitativos
• Elaborar com o paciente uma lista das situações temidas;
• Planejar conjuntamente um plano de enfrentamento gradual;
• Buscar dados da realidade para lidar com 
pensamentos catastróficos.
• Fazer um esquema de 
prevenção de rituais: 
interromper com a palavra 
“Pare” e distrair-se com algo 
que prenda atenção;
• A aflição dura de minutos 
a horas.
• Ajudar o paciente 
a desenvolver 
reflexão sobre a 
fundamentação lógica 
dos pensamentos;
• Não tentar afastar 
pensamentos negativos, 
mas sim não dar 
importância a eles.
Início do efeito terapêutico: 2-6 semanas
Efeitos adversos da medicação escolhida
Importância da adesão
ISRS e IRSN são 1ª escolha
• Respiração 
diafragmática: ao 
respirar lentamente pelo 
nariz, apenas a barriga 
pode se movimentar;
• Lembrar que ansiedade 
é uma emoção normal, 
não irá ser eliminada 
totalmente.
Ansiedade em Medicina da Família e Comunidade  14
5. RASTREAMENTO
Alguns autores recomendam o rastreamento para transtornos de ansiedade, de modo 
que, para detectar casos de ansiedade com potencial terapêutico, sugerem focar em 
pacientes com alta probabilidade de transtornos mentais comuns, tais como:
• Pacientes com sintomas somáticos sem explicação médica;
• Paciente parece ansioso, sendo a queixa trazida pelo mesmo, pelos familiares ou 
até mesmo percebido por uma avaliação subjetiva do médico;
• Quando o paciente foi submetido a estresse importante;
• Em pacientes que utilizam os serviços de saúde em excesso.
6. QUANDO ENCAMINHAR
A maioria dos transtornos de ansiedade se resolve no contexto da atenção primária. 
No entanto, em algumas situações o médico de família deve encaminhar o paciente 
para uma avaliação que envolva outras abordagens terapêuticas e avaliação com es-
pecialista. Por exemplo, na difi culdade em realizar um diagnóstico acurado ou quando 
a terapia foge do seu domínio, como nos casos de necessidade de psicoterapia mais 
estruturada ou pouca resposta ao tratamento farmacológico.
Além disso, em alguns casos pode ser necessário o auxílio de um psiquiatra para 
melhor discernir entre um quadro de transtorno de ansiedade x transtorno bipolar x 
transtorno de personalidade.
E ainda, pode ser necessário referenciar o paciente para uma unidade de urgência/
emergência, pois os transtornos de ansiedade são fator de risco para suicídio e, por-
tanto, cabe encaminhar alguns pacientes quando estes encontram-se em situação de 
planejamento ou tentativa de suicídio.
Ansiedade em Medicina da Família e Comunidade   15
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. Tratado de medicina de família e comunidade: princípios, formação e prática [recurso 
eletrônico]2. ed. –Porto Alegre: Artmed, 2019.
2. DUCAN, B. et al. Medicina ambulatorial: condutas na atenção primária baseada em 
evidências. 4ª ed. Ed: Artmed.
3. Sadock, Benjamin J. Compêndio de psiquiatria: ciência do comportamento e psiquiatria 
clínica. 11. ed. – Porto Alegre: Artmed, 2017.
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