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Funções Sociais da Escola: perspectivas possíveis Tópicos Aplicados a Educação e à Formação docente Unidade 4 Educação em Direitos Humanos De acordo com a Organização das Nações Unidas, os direitos humanos são garantias de proteção das pessoas contra as ações ou ausência de ações governamentais que possam colocar em risco a dignidade humana, tendo como direitos básicos: o direito à vida, à liberdade de expressão de opinião, à religião, à saúde, à educação e ao trabalho. O conceito de direitos humanos é relativamente novo na nossa sociedade. Esses direitos foram sendo construídos de formas diversas em cada país e surgem como uma possibilidade de garantir às pessoas as condições básicas para viver a vida. A aprovação de uma declaração universal dos direitos humanos foi realizada em 10 de dezembro de 1948, mas foi apenas em 1996 que no Brasil foi criado o Programa Nacional de Direitos Humanos, que tinha por objetivo identificar e viabilizar soluções para questões estruturais no sentido da proteção e promoção desses direitos. De acordo como Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH), no seu objetivo estratégico V, o acesso à educação de qualidade e garantia de permanência na escola devem ser responsabilidade do poder púbico em especial peloo Ministério da Educação. Esse documento prevê ainda ac ̧ões programáticas para cumprimeot desse objetivo, tais como a ampliação do acesso à educação básica, programas para reestruturação de escolas e o apoio a iniciativas de integração da escola com a comunidade. Nessa perspectiva, surge o Plano Nacional de Educaçào em Direitos Humanos (PNEDH), que tem como objetivo identificar os espaços de atuação do campo específico de Educação em Direitos Humanos, nos quais se constitui recortes nas seguintes áreas: educação formal (básica e superior), educação não-formal, educação dos profissionais do sistema de justiça e segurança, educação e mídia, considerando a educação um meio privilegiado na promoção dos direitos humanos e um direito em si mesmo – uma garantia fundamental para o acesso a outros direitos. Dentro destas áreas o PNEDH estabelece princípios e ações a serem seguidas para que seja possível desenvolver uma cultura de direitos humanos na sociedade, e refletir como escola e currículo podem convergir para o desenvolvimento de ações pedagógicas que envolvam o conhecimento aliado a uma cultura de direitos humanos. A Educação em Direitos Humanos se coloca a partir de 3 pontos: em primeiro lugar se coloca como uma educação de natureza contínua, permanente e global. Em segundo lugar, é uma educação inevitavelmente orientada para a mudança, e em terceiro lugar, é uma educação que se estabelece na construção de valores, que tem por objetivo não apenas instruir, mas formar cidadãos. É muito importante destacar que, mais do que em qualquer outra área, a EDH deve ser um espaço de compartilhamento por todos os envolvidos no processo educacional – os educadores e os educandos - ou ela não será educação e muito menos educação em direitos humanos. O que significa dizer que queremos trabalhar com Educação em Direitos Humanos? De acordo com Benevides: A Educação em Direitos Humanos é essencialmente a formação de uma cultura de respeito à dignidade humana através da promoção e da vivência dos valores da liberdade, da justiça, da igualdade, da solidariedade, da cooperação, da tolerância e da paz. Portanto, a formação desta cultura significa criar, influenciar, compartilhar e consolidar mentalidades, costumes, atitudes, hábitos e comportamentos que decorrem, todos, daqueles valores essenciais citados – os quais devem se transformar em práticas. Considerando que no cotidiano escolar, temos os mais diversos estudantes, formados por suas raças, etnias, classes sociais, gêneros, orientações religiosas, deficiências, entre outras categorias, podemos também observar que, em muitos momentos, esses mesmos estudantes são alvos de estereótipos, preconceitos, mensagens discriminatórias e representações negativas que podem ser criadas no espaço escolar e são devastadoras na formação do indivíduo. Entendemos a escola é um micro espaço social excludente onde os direitos humanos podem ser violados e essa violação compromete o princípio básico de educar, a função social e política da educação, assim como o próprio processo de ensino-apredizagem. . Diretrizes Nacionais para Educação em Direitos Humanos No campo da educação, em reconhecimento à relação indissociável entre educação e direitos humanos, o Brasil testemunhou o processo de fortalecimento nesse campo na última década. Nesse sentido, foi formulado um conjunto de normas para garantir, proteger e promover os direitos humanos no âmbito das políticas públicas de educação, como os direitos da criança e dos jovens, a educação sobre as relações raciais e raciais e os direitos humanos na educação escolar, Educação escolar indígena, educação rural, educação ambiental, temas de identidade de gênero e orientação sexual, educação integração de pessoas com deficiência, etc. Em 2012, o Conselho Nacional de Educação aprova as Diretrizes Nacionais para a Educação em Direitos Humanos, reconhecendo que apesar dos avanços verificados em relação ao reconhecimento de direitos nos marcos legais, ainda não conseguimos assegurar na prática os fundamentos clássicos dos Direitos Humanos – a liberdade, a igualdade e a fraternidade, posto que ainda é possível às pessoas perceber as dificuldades de consolidação dos direitos humanos, em grande parte devido aos preconceitos existentes em uma sociedade privilegiada e insensível aos compromissos nacionais e internacionais. De acordo como o artigo 2º das Diretrizes Curriculares para a Educação em Direitos Humanos(EDH), um dos eixos básicos do direito à educação refere-se à utilização de conceitos e práticas educacionais pautadas nos direitos humanos, bem como à promoção, proteção, defesa e aplicação na vida cotidiana e cidadã de objetos com direitos e responsabilidades individuais e coletivos. No parágrafo 1º desse mesmo artigo podemos observar a definição de Direitos Humanos: Os Direitos Humanos, internacionalmente reconhecidos como um conjunto de direitos civis, políticos, sociais, econômicos, culturais e ambientais, sejam eles individuais, coletivos, transindividuais ou difusos, referem-se à necessidade de igualdade e de defesa da dignidade humana. O artigo 5º desse documento apresenta os objetivos da EDH: A Educação em Direitos Humanos tem como objetivo central a formação para a vida e para a convivência, no exercício cotidiano dos Direitos Humanos como forma de vida e de organização social, política, econômica e cultural nos níveis regionais, nacionais e planetário. E orienta que os sistemas de ensino e suas instituições devem desenvolver e planejar ações adequadas às necessidades, às características biopsicossociais e culturais dos diferentes sujeitos e seus contextos no campo da EDH. As DNEDH ainda preconizam que o trabalho com os conhecimentos relacionados à Educação em Direitos Humanos devem ser organizados nos currículos da Educação Básica e da Educação Superior das seguintes formas: I - pela transversalidade, por meio de temas relacionados aos Direitos Humanos e tratados interdisciplinarmente; II - como um conteúdo específico de uma das disciplinas já existentes no currículo escolar; III - de maneira mista, ou seja, combinando transversalidade e disciplinaridade. Além disso, podemos observar uma preocupação com a formação docente, onde a Educação em Direitos Humanos deverá perpassar não apenas a formação inicial dos profissionais da educação, mas também sua formação continuada, sendo componente curricular obrigatório nos cursos destinados a esses profissionais. O trabalho pedagógico e Educação em Direitos Humanos O desafio de efetivamente promovera educação em direitos humanos é compreender que o processo de formação envolve diferentes tempos, lugares, ações e experiências em diferentes contextos sociais como sociedade, mídia, grupos culturais e escolas. Portanto, a prática docente no “chão da escola” deve considerar que a promoção da educação em direitos humanos não se limita ao ambiente escolar. Neste sentido, conforme assevera Duarte (2003), o ambiente educacional está relacionado a todos os processos educacionais que ocorrem na instituição, incluindo as ações, experiências e vivências de cada pessoa, as várias relações ao seu redor, as condições e temas socioafetivos dos estudantes, bem como a infraestrutura para a realização de propostas culturais educativas que tragam essas temáticas à discussão. Diante dessa intersubjetividade, o pano de fundo da educação em direitos humanos no “chão da escola” é a existência de diferentes visões de mundo que se encontram e se enfrentam, portanto é um ambiente de conflito educacional. Os educadores devem sempre enfrentar a realidade de superação das injustiças e desigualdades, adotando procedimentos democráticos e observando a ética e os procedimentos de diálogo. Portanto, nos conflitos, os professores devem assumir o papel de mediadores e orientar os estudantes a lidar com as diferenças de forma autônoma, pacífica e solidária. O primeiro olhar do professor deve ser sempre o desenvolvimento das crianças e dos jovens, respeitando a personalidade e as características de cada um, e incentivando o desenvolvimento de forma integral. Neste caso, os alunos devem explorar e descobrir livremente na relação de diálogo com os seus pares e com os docentes com os quais convivem no espaço escolar. O educador deve buscar desenvolver nos alunos os principais elementos básicos de uma estrutura ética, pois são valores de extrema importância, alguns dos quais se destacam: autoestima, liberdade, consciência, direitos e deveres, justiça, verdade, paz, amor, unidade, entre outros. Além disso, esse tipo de trabalho educativo não deve ter como objetivo moldar o aluno, mas fornecer elementos que o possibilitem encontrar, ele mesmo, formas de conviver com os diferentes modos de ser e estar no mundo. De acordo com o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH, 2008), a educação em direitos humanos deve incluir questões relacionadas à educação formal, escolas, procedimentos pedagógicos, pautas e ferramentas que possibilitem a conscientização, o respeito e a valorização da diversidade, aos conceitos de sustentabilidade e de formação da cidadania ativa. As ações listadas no mesmo documento incluem: incentivo às organizações estudantis por meio de grêmios, associações ou grupos de trabalho; propostas de edição de referências e revisão de bibliografias, revistas, histórias em quadrinhos, filmes e outros materiais multimídia relacionados à educação em direitos humanos. Além disso, a proposição de ações fundamentais em princípios de convivência, para que se construa uma escola livre de preconceitos, violência, abuso sexual, intimidação e punição corporal, incluindo procedimentos para a resolução de conflitos e modos de lidar com a violência e perseguições ou intimidações, por meio de processos participativos e democráticos. . Como instituição de referência em educação, a escola é o centro da formação pessoal, não podendo abdicar do debate, da prática, da promoção e da defesa dos direitos humanos. Sem garantir as condições básicas existentes, como saúde, moradia e proteção, e sem discutir esses direitos amplamente, educar em sentido amplo se torna impossível. Devemos compreender que a educação em direitos humanos tem uma perspectiva mais ampla de promoção dos direitos civis e das liberdades fundamentais, para tanto, a escola deve ter um papel primordial na criação de espaços e possibilidades de difusão e discussão desses direitos. Por isso, é necessário que as escolas revisem seus métodos de ensino, que não se limitam ao desenvolvimento de conhecimentos curriculares básicos, mas também precisam avaliar o que pode ser reconstruído por métodos que fazem parte da prática dos estudantes, que podem ensinar a aprender, promover a participação não apenas no discurso, mas de forma integral nos espaços sociais nos quais convivem. Educar para os direitos humanos significa preparar os estudantes para que possam participar da construção de uma sociedade mais democrática. Essa preparação deve priorizar o desenvolvimento da autonomia e da participação responsável dos cidadãos em sua comunidade. É preciso sempre lembrar aos estudantes que o direito humano não é de um só, mas de todos. Funções Sociais da Escola: perspectivas possíveis