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O trabalho escravizado em diferentes
temporalidades
História
2o Bimestre – Aula 7
Ensino Médio
● Escravidão na Antiguidade:
Grécia e Roma;
● Escravização no Brasil
colonial e monárquico;
● Escravidão contemporânea.
● Identificar permanências e
mudanças em relação à
escravidão ao longo do
tempo;
● Analisar as características
do trabalho escravo
contemporâneo, visando à
defesa da liberdade, da
promoção da cidadania e
dos direitos humanos na
sociedade atual.
• O que é trabalho análogo à escravidão ou
trabalho escravo contemporâneo? Qual é
a sua definição?
• Justifique por que o trabalho escravo é
uma prática criminosa e uma violação
dos direitos humanos.
Trabalhadores resgatados em fazenda de
laranja moravam em casa sem luz, cama, mesa,
fogão e geladeira. O grupo contratado para a
colheita tinha jornada de até 13 horas diárias.
Não tinham registro em carteira e recebiam R$2
por cada sacola de 23 quilos colhida. (Foto:
Divulgação/GEFM - Gil Alessi/Repórter Brasil).
Artigo 1o Todos os seres humanos nascem
livres e iguais em dignidade e em direitos. [...].
Artigo 3o Todo indivíduo tem direito à vida, à
liberdade e à segurança pessoal.
(ONU/ DUDH, 1948).
3 MINUTOS
Todos falam!
Repórter Brasil, 2022. p. 22. Imagem CNMP.
• Em duplas, a partir das fontes nos slides a seguir, leiam,
analisem e registrem, por escrito, os questionamentos
sobre o trabalho escravo contemporâneo e trabalho
escravizado no Brasil nos períodos da Colônia e do
Império.
Leia o Art. 149 do Decreto-Lei no 2.848, de
7 de dezembro de 1940, alterado pela Lei
no 10.803, de 11 de dezembro de 2003.
De surpresa!
https://cutt.ly/bwB03XPt
3 MINUTOS
https://cutt.ly/bwB03XPt
“O jesuíta Antonil, dono de frases tão sintéticas como cruéis, definiu os
escravos como ‘as mãos e os pés do senhor do engenho porque sem eles
no Brasil não é possível fazer, conservar e aumentar fazenda, nem ter
engenho corrente’. Real alicerce da sociedade, os escravos chegaram a
constituir, em regiões como o Recôncavo, na Bahia, mais de 75% da
população. Desde o século XVI e até a extinção do tráfico, em 1850, o
regime demográfico adverso verificado entre os cativos – em razão das
mortes prematuras e da baixa taxa de nascimento – levou a uma taxa de
crescimento negativo e à necessidade de constante importação de mão de
obra escrava da África. Tal atividade gerou uma classe influente de
traficantes de homens, em direção à América [...]” (SCHWARCZ;
STARLING, 2015. p. 79).
FONTE 1 – O sistema escravocrata e a naturalização da violência
Esse tipo de prática, em relação aos escravizados, era permitida
no contexto do Brasil Colônia e Império? Explique.
FONTE 2 – “Mercado” de escravizados
“Na Rua da Misericórdia no 3, vendem-
se bilhetes a $60, de uma rifa unida à
Loteria da Misericórdia que consta de
uma negra com 2 filhos; cada bilhete
tem 20 números”.
Periódico O Volantim, no 08,
10/9/1822. (FREYRE, 1979).
Mercado de escravizados no Recife, de 1637 a 1644.
Zacharias Wagener.
Qual é a diferença entre o tipo de escravização no contexto da fonte 1 e
neste caso de Eurípedes? Por que podemos imputar como trabalho
escravo contemporâneo?
FONTE 3 – Comprei este “escravo”!
O “recibo” ao lado é referente à venda de
um trabalhador, ocorrida em 1972. A revista
noticia a “venda” de Eurípedes Carlos de
Sousa, 32 anos, piauiense de São
Raimundo Nonato, 14 anos trabalhando
como peão. Devia à dona da pensão São
José – dona Engrácia – 153,00 cruzeiros,
sendo “vendido” como pagamento de sua
dívida. Revista Realidade, março de 1972, Ed. Abril, ano
VI, no 72.
1. Os africanos sequestrados e escravizados, que foram trazidos ao
Brasil, eram considerados “mercadorias”. Assim sendo, a prática de
“compra e venda” era permitida pelo Estado brasileiro, podendo ser
“anunciada” em jornais/periódicos. Após a proibição do tráfico, em
1850, esses “bens” tornaram-se ainda mais valiosos.
2. Notadamente, a revista denuncia, na década de 1970 no Brasil, a
escravização do peão, considerada crime. Eurípedes foi submetido a
um exemplo de trabalho escravo contemporâneo. A dívida foi
transformada em “venda” de um indivíduo, e isso é crime! Dívidas
ilegais, referentes a gastos com estadia e alimentação, são cobradas
de forma abusiva e arbitrária para, então, serem “descontadas” do
salário do trabalhador, que está sempre endividado ou, no caso, para
vendê-lo a terceiros. Além do código penal brasileiro, viola, também, a
Declaração Universal de Direitos Humanos.
Correção
Durante o período colonial e monárquico, a escravização era permitida e
apoiada pelo Estado brasileiro. Inicialmente, foram escravizados os povos
originários e, a partir de 1520, africanos de inúmeras regiões daquele
continente foram sequestrados e trazidos à América, criando um comércio
de pessoas que representavam “mercadorias” valiosas para a exploração
colonial.
Colônia e Império: a escravização no Brasil
Representações em
litografia de escravização
africana e indígena –
Johann Moritz Rugendas e
Jean-Baptiste Debret,
século XIX.
Linha do tempo
,
“Europeus, desde a Antiguidade, conheciam diversas formas de escravidão –
sistema que estava longe de ser extinto na época das grandes navegações –,
mas menos intensas ou disseminadas do que aquela que surgiria a partir do
século XVI. Poucos foram os povos que deixaram de conviver com o sistema
escravocrata, e, os que o praticavam sempre deram aos cativos o tratamento
de ‘estrangeiros’, julgando-os indivíduos sem história ou família.
[...] As cidades gregas e o Império Romano podem ser considerados os maiores
exemplos de sociedades escravocratas da Antiguidade – no auge desse
Império, na Itália, havia de 2 a 3 milhões de escravos, que representavam 35%
a 40% da população total. No entanto, diferentemente do que aconteceu na
escravidão moderna, nas antigas civilizações, o trabalho compulsório não
significava a principal força para a produção de bens e realização de serviços.
(SCHWARCZ; STARLING, 2015. p. 79.)
A escravidão antiga
A partir das fontes nos slides a seguir, construa sua análise
(por escrito):
• Apresente as principais características da escravidão na Antiguidade
(na pólis grega de Atenas/século V a.C. e da romana).
• Quais funções eram desempenhadas pelos escravizados? Há
semelhanças com o período de escravidão nas Américas?
• Qual era a relação entre a expansão das conquistas romanas e a
escravização dos povos dominados?
10 MINUTOS
Faça agora!
“Como princípio geral, um escravo era, por definição,
um homem ou uma mulher sem nenhum direito dado
pela lei. Eram bens móveis, mera propriedade, de que
seus donos podiam dispor como quisessem. Os
escravos, portanto, estavam no fundo da escala social
ou perto dele. Mesmo assim, havia diferenças de
condição na ampla categoria dos escravos. Em
primeiro lugar, havia diferenças de condição na ampla
categoria de escravos, os escravos públicos e os
particulares [...]” (JONES, 1997. p. 189-90).
TEXTO I – Escravidão no mundo grego: Atenas
Ânfora (cerâmica). Antimenes, por volta de 520 a.C. Cena de trabalho
escravo na agricultura (colheita de azeitonas).
TEXTO II – A escravidão romana
“A maioria dos habitantes do mundo romano era formada de
homens livres. Entretanto, enquanto duraram as conquistas, o
número de escravos não cessou de aumentar. Havia
provavelmente vários milhões deles no Império em seu
conjunto, nos séculos I e II d.C. Com o desenrolar das
conquistas, Roma passou a ter como base grande parte de
sua economia no trabalho escravo. Os escravos eram
sobretudo prisioneiros de guerra, o que obrigava os
governantes a se empenharem, constantemente, na conquista
de novos territórios e povos. Os escravos podiam pertencer
ao Estado ou a particulares. Trabalhavam nas grandes obras
públicas, oficinas, agricultura, minas, pedreiras e também
como criados, músicos, professores,secretários, e podiam
também ser gladiadores [...]” (FUNARI, 2009. p. 95-96).
Mosaico (recorte) de
escravizados copeiros,
século II d.C., de Dougga.
Museu Nacional do Bardo
(Tunísia).
• Na polis grega de Atenas, os escravizados eram principalmente
prisioneiros de guerra, tendo chegado a existir também a prática
da escravização por dívidas, que foi extinta por Sólon em 594 a.C.
Na Atenas clássica, a democracia estava baseada na escravidão.
A igualdade só existiu entre os que eram considerados cidadãos
atenienses (um pequeno grupo de homens), e eram os
escravizados (não atenienses) que sustentavam a estrutura
político-social.
• Os escravizados exerciam diferentes tipos de funções, havendo
escravos públicos e particulares. A maior parte dos escravos, no
entanto, costumava executar trabalhos nos campos, nas minas de
minérios, nas olarias e na construção civil.
Correção
Continua...
• Em Roma, havia uma relação entre escravização e as conquistas militares,
já que Roma passou a ter como base a maior parte de sua produtividade
econômica no trabalho escravo. Considerados “posses” dos que os
compravam ou os capturavam, os escravizados poderiam pertencer ao
Estado ou a particulares e, notadamente, sem qualquer representatividade
política nem direitos. A maior parte dos escravizados eram prisioneiros de
guerra, o que fez com que os governantes se empenhassem na conquista
de novos territórios e povos. No entanto, é importante salientar que existiu
também a prática “escravidão por dívidas”, cujo fim foi uma conquista dos
plebeus no contexto da República. A base da economia romana era a
agricultura, no entanto, os escravizados atuavam em distintas áreas: nas
manufaturas, como gladiadores, professores e, até mesmo, na vida
administrativa. Apesar de não serem considerados cidadãos, muitos
escravizados mantiveram suas identidades e hábitos culturais.
Correção
Mostre-me!
Em grupos,
preencham a tabela a
seguir, comparando
as diferenças e
semelhanças entre
os tipos de trabalho
escravizado no
Brasil, em seus
diferentes contextos
históricos.
(Elaborado a partir de: Escravo nem pensar! Almanaque alfabetizador, 2006).
(Elaborado a partir de: Escravo nem pensar! Almanaque alfabetizador, 2006).
● Identificamos as permanências e as
mudanças em relação à escravidão ao longo
do tempo;
● Analisamos características da escravidão no
contexto do Brasil colonial e monárquico;
● Analisamos algumas especificidades da
escravidão no contexto da Antiguidade greco-
romana;
● Analisamos características do trabalho
escravo contemporâneo, visando defender a
liberdade, a promoção da cidadania e os
direitos humanos na sociedade atual.
FREYRE, Gilberto. O escravo nos anúncios de jornais brasileiros do século XIX. São Paulo: Editora
Nacional; [Recife]: Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, 1979. Disponível em:
https://cutt.ly/L4HjJXS. Acesso em: 22 fev. 2024.
FUNARI, Pedro Paulo. Grécia e Roma. São Paulo: Contexto, 2009.
JONES, Peter (Org.). O mundo de Atenas. São Paulo: Martins Fontes, 1997.
MEC. Escravo nem pensar! Almanaque alfabetizador. Ministério da Educação/Organização Internacional
do Trabalho e ONG Repórter Brasil, 2006. Disponível em: https://cutt.ly/FwB9GrST. Acesso em: 22 fev.
2024.
LEMOV, Doug. Aula nota 10 3.0: 63 técnicas para melhorar a gestão da sala de aula. Porto Alegre:
Penso, 2023.
ONG Repórter Brasil. Escravo, nem pensar! Educação para a prevenção ao trabalho escravo – 2022.
Repórter Brasil. São Paulo: 2022. Disponível em: https://cutt.ly/h4RoIFr. Acesso em: 23 mar. 2023.
ONU. Declaração Universal dos Direitos Humanos, 1948. Disponível em: https://cutt.ly/I4GDoB9. Acesso
em: 20 fev. 2024.
PLANALTO. Lei no 10.803, de 11 de dezembro de 2003. Disponível em: https://cutt.ly/bwB03XPt.
Acesso em: 22 fev. 2024.
SCHWARCZ, Lilia; STARLING, Heloisa. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.
https://cutt.ly/L4HjJXS
https://cutt.ly/FwB9GrST
https://cutt.ly/h4RoIFr
https://cutt.ly/I4GDoB9
https://cutt.ly/bwB03XPt
Lista de imagens e vídeos
Slide 3 – Repórter Brasil. Foto: Divulgação/GEFM). Disponível em: https://cutt.ly/z4RrFom. Acesso em:
20 fev. 2024.
Slide 4 – Infográfico a partir de: Repórter Brasil. Escravo, nem pensar! Educação para a prevenção ao
trabalho escravo, 2022. Repórter Brasil: São Paulo, SP, 2022. Disponível em: https://cutt.ly/pwB067jy.
Acesso em: 22 fev. 2024. Conselho Nacional do Ministério Público. Disponível em:
https://cutt.ly/hwB2qoMP. Acesso em: 22 fev. 2024.
Slide 7 – Mercado de escravos no Recife, pelo desenhista alemão Zacharias Wagener (entre 1637 e
1644). A Capitania de Pernambuco foi o berço da escravidão indígena e africana no Brasil. Disponível
em: https://cutt.ly/B4RKzVb. Acesso em: 21 fev. 2024.
Slide 8 – HEMEROTECA DIGITAL BRASILEIRA. Revista Realidade, março de 1972. Editora Abril.
Disponível em: https://cutt.ly/EwB2e3BP. Acesso em: 22 fev. 2024.
Slide 10 – Johann Moritz Rugendas, 1835. Negres a fond de calle ("Navio negreiro"). Disponível em:
https://cutt.ly/QwB2rumY. Acesso em: 22 fev. 2024; Jean-Baptiste Debret. Índios soldados da província
de Curitiba escoltando prisioneiros nativos, 1834. Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo,
Brasil. Coleção Brasiliana/Fundação Estudar. Doação da Fundação Estudar, 2007. Disponível em:
https://cutt.ly/bwB2rcO6. Acesso em: 22 fev. 2024.
https://cutt.ly/z4RrFom
https://cutt.ly/pwB067jy
https://cutt.ly/hwB2qoMP
https://cutt.ly/B4RKzVb
https://cutt.ly/EwB2e3BP
https://cutt.ly/QwB2rumY
https://cutt.ly/bwB2rcO6
Lista de imagens e vídeos
Slide 14 – Ânfora (cerâmica). Antimenes, por volta de 520 a.C. Cena de trabalho escravo na
agricultura (colheita de azeitonas). Museu Britânico. Disponível em: https://cutt.ly/24Rl2t9. Acesso em:
21 fev. 2024.
Slide 15 – Mosaico de escravizados copeiros, século II d.C., de Dougga. Museu Nacional do Bardo
(Tunísia). Disponível em: https://cutt.ly/P4RkdTj. Acesso em: 22 fev. 2024.
Slide 18 e 19 – Adaptado de: Escravo nem pensar! Almanaque alfabetizador. Ministério da
Educação/Organização Internacional do Trabalho e ONG Repórter Brasil, 2006, p. 31. Disponível em:
https://cutt.ly/bw1HuBXv Acesso em: 22 fev. 2024.
Gifs e imagens ilustrativas elaboradas especialmente para este material a partir do Canva. Disponível
em: https://www.canva.com/pt_br/. Acesso em: 22 fev. 2024.
https://cutt.ly/24Rl2t9
https://cutt.ly/P4RkdTj
https://cutt.ly/bw1HuBXv
https://www.canva.com/pt_br/
Slide 1
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Slide 6: FONTE 1 – O sistema escravocrata e a naturalização da violência
Slide 7: FONTE 2 – “Mercado” de escravizados
Slide 8: FONTE 3 – Comprei este “escravo”!
Slide 9: Correção
Slide 10: Durante o período colonial e monárquico, a escravização era permitida e apoiada pelo Estado brasileiro. Inicialmente, foram escravizados os povos originários e, a partir de 1520, africanos de inúmeras regiões daquele continente foram sequestrado
Slide 11
Slide 12: A escravidão antiga
Slide 13
Slide 14: TEXTO I – Escravidão no mundo grego: Atenas
Slide 15: TEXTO II – A escravidão romana
Slide 16: Correção
Slide 17: Correção
Slide 18
Slide 19
Slide 20
Slide 21
Slide 22
Slide 23
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