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Habeas corpus 
art. 5º, inciso LXVIII 
O que é habeas corpus? 
O habeas corpus é um remédio constitucional utilizado para garantir a liberdade de um indivíduo, 
quando ele for preso ilegalmente ou sofrer ameaça de prisão, por conta de ato ilegal ou realizado 
com abuso de poder. 
Diante da sua importância, pois visa proteger a liberdade das pessoas, o habeas corpus está previsto 
na Constituição Federal, no art. 5º, inciso LXVIII, que diz: 
“LXVIII – conceder-se-á “habeas-corpus” sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de 
sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder”. 
Além disso, as etapas processuais deste instrumento estão elencadas nos arts. 647 a 667 do Código 
de Processo Penal. 
De acordo com suas especificações legais, o habeas corpus pode ser dividido em duas modalidades: 
a preventiva e a liberatório ou repressivo. 
– Habeas Corpus Preventivo 
O HC preventivo é utilizado nos casos em que ainda não houve privação de liberdade, mas ela está 
sob ameaça concreta e iminente por conta de algum ato anterior. 
O habeas corpus preventivo também é chamado de “salvo conduto” e impede que um ato ilegal se 
concretize. 
É o caso, por exemplo, quando houve a expedição de um mandado de prisão, mas existe alguma 
ilegalidade circundando a ordem, como a incompetência do juiz ou no caso de haver alguma 
nulidade processual. 
– Habeas Corpus Repressivo ou liberatório 
O HC repressivo, com o próprio nome indica, busca reprimir uma prisão ilegal, ou seja, é utilizado 
quando o ato contra a liberdade de um indivíduo já se concretizou. 
Para explicar melhor, tomemos, por exemplo, um réu ou investigado preso sem as devidas provas 
de condições permissivas para a prisão preventiva. Neste caso, enquanto o réu ou investigado 
https://www.projuris.com.br/blog/remedios-constitucionais/
https://www.projuris.com.br/cpp/
https://www.projuris.com.br/cpp/
estiver preso, considera-se haver uma violação contínua ao seu direito de livre locomoção, ilegal se 
não preenchidos os pressupostos da prisão preventiva (modalidade de prisão autorizada antes da 
sentença transitada em julgado). 
Em resumo, então, o habeas corpus repressivo, também chamado de liberatório, almeja a liberdade 
de outrem que tenha sido cassada por alguma ilegalidade ou abuso de poder. 
– Habeas corpus coletivo 
Além dos dois instrumentos supracitados, existe um terceiro: o habeas corpus coletivo. 
O habeas corpus coletivo não é um instrumento unânime e divide opiniões. O remédio 
constitucional em seu aspecto coletivo refere-se a pedidos não individualizados e levantou debates 
quanto impetrado pela Defensoria Pública em pedido de prisão domiciliar para mães presas. Isto 
porque, segundo os argumentos contrários, a coletividade do instrumento impedia a análise 
individual das condições ilegalidade ou abuso de poder essenciais para o seu cabimento. 
Qual a natureza jurídica do habeas corpus? 
E embora tenha natureza constitucional, possui extrema importância sobretudo no que se refere ao 
Direito Penal, tendo em vista as sanções que limitam a o direito de ir e vir dos apenados. 
Seu principal objetivo, então, é garantir um direito daquele que tenha sofrido ou que se ache 
“ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso 
de poder”, nos moldes do inciso LXVIII do art. 5º da Constituição federal. 
Quando surgiu o Habeas Corpus? 
O habeas corpus é considerado um dos instrumentos processuais mais antigos. Sua origem remete-
se ao século 13, na Inglaterra, sendo que os seus primeiros indícios foram encontrados na Magna 
Carta do referido país, em 1215. 
Nesse documento, frisou-se a necessidade de impedir que pessoas dotadas de poder político 
pudessem privar a liberdade de forma irrestrita. 
 
Posteriormente, o mesmo país criou o Habeas Corpus Act, ato legal que regulamentou aspectos 
sobre a medida processual, incluindo a possibilidade de reparar excessos e abusos no cumprimento 
de ordens de restrição de liberdade. 
Com relação ao Brasil, o primeiro dispositivo legal contendo a previsão do habeas corpus foi o 
Código de Processo Penal de 1832, em seu artigo 340, que dizia que “todo cidadão que entender 
que ele, ou outro, sofre uma prisão ou constrangimento ilegal em sua liberdade, tem direito de pedir 
uma ordem de habeas corpus a seu favor”. 
Qual a finalidade de um habeas corpus? 
Como se pode perceber a partir da redação constitucional, a função do habeas corpus é proteger a 
liberdade de locomoção dos cidadãos frente aos atos abusivos do Estado. 
É por meio de uma petição de habeas corpus, também chamada de ação constitucional, que o 
indivíduo poderá reverter uma ordem ilegal de prisão, quando já concretizada, ou evitar que esta 
seja executada, quando ver sua liberdade ameaçada por ela. 
Entretanto, é importante frisar que o HC só poderá ser impetrado quando as ordens emanadas forem 
revestidas de ilegalidade, por alguns dos motivos legais que serão vistos no tópico a seguir. 
Assim sendo, caso alguém tenha sido preso e todos os requisitos processuais e materiais tenham 
sido analisados e cumpridos corretamente, não há que se falar em cabimento de habeas corpus. 
Quando cabe o habeas corpus? 
Como já visto, o habeas corpus é cabível contra uma ameaça à liberdade, ou quando esta já tenha 
sido suprimida, por algum ato ilegal. 
Para compreender suas hipóteses de cabimento, é necessário analisar o art. 648 do Código de 
Processo Penal, que diz: 
Art. 648. A coação considerar-se-á ilegal: 
I – quando não houver justa causa; 
II – quando alguém estiver preso por mais tempo do que determina a lei; 
III – quando quem ordenar a coação não tiver competência para fazê-lo; 
IV – quando houver cessado o motivo que autorizou a coação; 
V – quando não for alguém admitido a prestar fiança, nos casos em que a lei a autoriza; 
VI – quando o processo for manifestamente nulo; 
VII – quando extinta a punibilidade. 
Cada uma delas será comentada individualmente, a seguir. 
– Quando não houver justa causa 
Nesse caso, a prisão ou ameaça à liberdade será considerada ilegal pelo fato de que, no caso 
concreto, não se verificam os pressupostos que autorizariam essa medida. 
Desta forma, estão ausentes o fumus commissi delicti (indícios da prática de um delito) e periculum 
libertatis (perigo causado por deixar um indivíduo em liberdade). 
Sem que existam esses indícios, não há justa causa para a prisão e ela pode ser considerada ilegal. 
– Quando alguém estiver preso por mais tempo do que determina a lei 
É um direito dos cidadãos que tenham seus processos julgados em tempo razoável, o que se aplica, 
também, ao processo criminal. 
Em determinadas situações, é cabível a prisão temporária (com prazo definido em lei), a prisão 
preventiva (cujo prazo é analisado conforme a situação concreta) e a prisão condenatória (quando 
há uma sentença condenando o réu ao cumprimento de uma pena). 
Independente do caso, o indivíduo tem conhecimento de quanto tempo ficará preso e, por isso, se 
sua liberdade for cerceada por tempo maior do que o determinado, a prisão será considerada ilegal e 
ele poderá impetrar habeas corpus. 
– Quando quem ordenar a coação não tiver competência para fazê-lo 
Todas as ordens de prisão devem ser proferidas por um juiz natural e competente. Desta forma, um 
juiz estadual não pode emanar a ordem a competência para julgamento do crime for de um juiz 
federal. 
Vale destacar que essa competência não se confunde com as atribuições conferidas às autoridades 
policiais, as quais podem realizar prisão em flagrante independentemente do crime ser de 
competência federal ou estadual. 
– Quando houver cessado o motivo que autorizou a coação 
Qualquer ato que ameace a liberdade de locomoção de um indivíduo, seja por meio de uma ordem 
de prisão ou outro ato de poder estatal, deve ser fundamentado em indícios fáticos e cumprindo os 
requisitos legais.Caso desapareça as provas fáticas que autorizaram a medida, não há motivo para persistir a coação, 
de modo que, caso ela se perpetue ou se concretize, será considerada ilegal e, portanto, possibilita a 
impetração de habeas corpus. 
– Quando não for alguém admitido a prestar fiança, nos casos em que a lei a autoriza 
A fiança é uma medida que pode ser aplicada em determinados casos, como forma de substituir a 
prisão de um indivíduo. 
Caso haja autorização legal e preenchidos os requisitos para tanto, mas, na prática, não seja 
concedida a oportunidade de prestar fiança a alguém, sendo concretizada a sua prisão, esta será 
considerada ilegal, o que pode fundamentar o pedido de liberdade constante em um habeas corpus. 
– Quando o processo for manifestamente nulo 
As nulidades que podem ocorrer em um processo penal estão elencadas no art. 564 do CPP. Assim 
sendo, caso alguma delas seja identificada no curso do processo entende-se que há perda da 
legitimidade do exercício do poder estatal, afetando, assim, as ordens proferidas pelo juiz. 
Com isso, a lei determina que qualquer ordem judicial emanada em um processo nulo será 
considerada ilegal quando interferir na liberdade do indivíduo. 
– Quando extinta a punibilidade 
A extinção da punibilidade indica que não há mais poder punitivo cabível por parte do Estado. Isso 
quer dizer que, por algum dos motivos elencados no art. 107 do Código Penal, não é mais possível 
que um indivíduo seja processado e julgado pelo crime em questão. 
Assim sendo, caso seja instaurado um novo inquérito policial para averiguar um crime sobre o qual 
já houve análise judicial e consequentemente fora decretada a extinção da punibilidade do 
indivíduo, é cabível habeas corpus para impedir que a investigação prossiga. 
Quais as hipóteses do habeas corpus? 
Os requisitos do habeas corpus são dois, dessa maneira: 
https://www.projuris.com.br/cpp/art-563-ao-art-573-do-cpp/
https://www.projuris.com.br/blog/extincao-da-punibilidade/
1. a ameaça ou a violação à liberdade de locomoção; 
2. que a coação seja realizada em ilegalidade ou abuso de poder. 
Ilegalidade 
Sobre a ilegalidade não há muito o que se abordar em uma discussão não aprofundada sobre este 
tema, sendo necessário, apenas, relembrar que, a ilegalidade não comporta apenas a clara 
contrariedade a legislação. Com isso, quero retomar o princípio da legalidade do sentido do Direito 
Administrativo. 
O princípio da legalidade possui duas facetas: uma da perspectiva de sua aplicação à Administração 
Pública; outra de sua aplicação aos particulares. 
No que concerne aos particulares, a eles é permitido tudo o que não seja vedado por lei. À 
Administração Pública, contudo, é permitido agir dentro dos limites da lei e de suas previsões. 
Portanto, na hora de analisar o cabimento ou não de habeas corpus, é preciso identificar se, ainda 
que a lei não proíba a ação do agente ou da autoridade pública, ela autoriza a sua conduta. 
Por fim, é preciso analisar se, mesmo autorizada em lei uma conduta, a ação foi praticada por 
aquele competente para tal. 
Abuso de poder 
Já no que se refere ao abuso de poder, novamente, é preciso identificar se a autoridade atua dentro 
dos limites de sua competência, mas agora com foco também na finalidade de sua ação. 
Há hipóteses em que uma ação não será ilegal, mas, dadas as circunstâncias, ela não atende ao 
interesse público. E desse modo, a autoridade faz-se valer do seu cargo para atender um interesse 
particular e para coagir o particular. 
Quais são as pessoas identificadas no processo de habeas corpus? 
A petição de habeas corpus deve ser direcionada sempre ao órgão superior àquele apontado como 
coator, além de identificar alguns sujeitos em seu escopo, quais sejam: o impetrante, o paciente, o 
coator e o detentor. 
A seguir, abordaremos o conceito de cada um. 
https://www.projuris.com.br/blog/direito-administrativo/
https://www.projuris.com.br/blog/direito-administrativo/
– Impetrante 
Impetrante é a pessoa que ajuíza o habeas corpus em nome de um paciente, ou seja, em nome de 
quem está sofrendo uma ordem ilegal. 
O impetrante pode ou não ser um advogado. 
– Paciente 
É chamado de paciente aquele que sofreu o ato coator ou está na iminência de sofrê-lo. É, de fato, a 
pessoa que foi presa de forma ilegal ou está tendo sua liberdade ameaçada por conta de algum ato 
revestido de ilegalidade. 
O paciente pode impetrar, por si só, o habeas corpus, caso em que ele também será o impetrante. 
– Coator 
Coator é a autoridade que determinou a prática do ato ilegal. Pode ser um juiz ou outra autoridade 
estatal que tenha poder para emanar decisões que interfiram no campo da liberdade de locomoção 
dos indivíduos. 
– Detentor 
É chamado de detentor a pessoa que detém ou guarda o paciente, quando for diferente da pessoa 
enquadrada como autoridade coatora. 
É, por exemplo, o diretor do presídio ou do estabelecimento prisional no qual o paciente está preso, 
após cumprida a ordem ilegal. 
De quem é a competência para julgar do habeas corpus? 
Como visto, a regra é que a competência para julgar o habeas corpus é sempre uma autoridade 
acima daquela que proferiu a ordem ilegal. 
Se quem determinou a prisão ilegal foi um juiz de primeiro grau, a competência para julgar o 
habeas corpus será do Tribunal, seja ele Estadual, Federal ou Especializado, conforme sua 
subordinação hierárquica. 
Se proferido por um dos membros do Tribunal, o órgão competente para julgá-lo será um Tribunal 
Superior, podendo ser o Superior Tribunal de Justiça, Superior Tribunal Militar ou Tribunal 
Superior Eleitoral. 
Por último, quando um Tribunal Superior for responsável pela prática do ato, a competência caberá 
ao Supremo Tribunal Federa; 
Qual é o papel do advogado durante o processo de habeas corpus? 
Caso o habeas corpus não seja impetrado pela pessoa que está presa ou sofrendo 
ameaça ilegal de prisão, ele poderá, também, ser interposto por advogado. 
Nessa hipótese, o advogado atua não só como representante da parte, mas também 
como garantidor de direitos fundamentais. 
Diante de seu conhecimento técnico, o profissional é responsável por incluir todos os 
requisitos de uma petição inicial de habeas corpus, com clareza e fundamentação 
necessárias a qualquer peça processual, incluindo cópia integral (ou das principais peças) 
do processo que originou a ordem ilegal. 
Ao fazer isso, o advogado contribui para a celeridade do julgamento, sem que sejam 
necessárias novas informações ou documentos. 
Da mesma forma, o conhecimento especializado do advogado possibilita acompanhar a 
movimentação e o julgamento do habeas corpus, garantindo, assim, que a ordem ilegal 
seja cassada e que o seu cliente seja posto em liberdade novamente. 
 
https://www.projuris.com.br/blog/o-que-sao-direitos-fundamentais/
https://www.projuris.com.br/blog/peticao-inicial/
	O que é habeas corpus?
	– Habeas Corpus Preventivo
	– Habeas Corpus Repressivo ou liberatório
	– Habeas corpus coletivo
	Qual a natureza jurídica do habeas corpus?
	Quando surgiu o Habeas Corpus?
	Qual a finalidade de um habeas corpus?
	Quando cabe o habeas corpus?
	– Quando não houver justa causa
	– Quando alguém estiver preso por mais tempo do que determina a lei
	– Quando quem ordenar a coação não tiver competência para fazê-lo
	– Quando houver cessado o motivo que autorizou a coação
	– Quando não for alguém admitido a prestar fiança, nos casos em que a lei a autoriza
	– Quando o processo for manifestamente nulo
	– Quando extinta a punibilidade
	Ilegalidade
	Abuso de poder
	Quais são as pessoas identificadas no processo de habeas corpus?
	– Impetrante
	– Paciente
	– Coator
	– Detentor
	Qual é o papel do advogado durante o processo de habeas corpus?

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