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Controle de Constitucionalidade: Modelo Brasileiro Prof. Dr. Edson Barbosa de Miranda Netto 1 Controle de Constitucionalidade no Brasil Regra geral: Adota-se o Controle de Constitucionalidade Judicial Repressivo, coexistindo as demais espécies (incidental e principal; difuso e concentrado). Exceções: Controle político preventivo: Comissões Parlamentares e Veto Jurídico; Controle político repressivo: Rejeição de MP; Controle judicial preventivo: MS impetrado por Parlamentar contra projeto de lei ou PEC. Controle de Constitucionalidade no Brasil Apesar dessa ser a regra geral no Brasil (controle de constitucionalidade judicial repressivo), todas as espécies de controle de constitucionalidade podem ser encontradas em alguma medida. Os livros, ao explicar o assunto, costumam fazer a divisão apenas entre controle de constitucionalidade difuso e concentrado, mas não se deve esquecer as outras espécies. Controle de Constitucionalidade no Brasil OBS: A modalidade difusa geralmente corresponde à incidental (todos os juízes e tribunais exercem o controle em ações e recursos concretos). OBS: A modalidade concentrada geralmente corresponde à principal (somente o STF realiza o controle concentrado por meio de ações judiciais específicas). Controle de Constitucionalidade no Brasil Exceções: Controle político preventivo: Feito por meio das Comissões Parlamentares e do Veto Jurídico. Assim, projetos de lei e PECs inconstitucionais podem ser arquivos antes de se tornarem normas. Controle político repressivo: Por exemplo, a rejeição de Medida Provisória pelo Congresso Nacional por ausência de seus pressupostos constitucionais de urgência e relevância, pois a MP já é um ato normativo com força de lei. Controle de Constitucionalidade no Brasil Exceções: Controle judicial preventivo: Caso do Mandado de Segurança (MS) impetrado por Parlamentar contra projeto de lei ou PEC (nesses casos, ainda não há norma). O STF entende que, se o projeto de lei ou PEC violar o devido processo legislativo constitucional, o Judiciário pode tornar nulas as etapas que desrespeitaram a Constituição Federal. Objeto e Parâmetro do Controle Objeto do Controle: é a lei ou o ato normativo que viola a Constituição, ou seja, é o “alvo” do controle de constitucionalidade. Parâmetro/Paradigma do Controle: são as normas da Constituição que devem ser respeitadas pela lei sob análise. Ou seja, a lei (objeto) tem que ser compatível com o Parâmetro. A esse conjunto total das normas do Parâmetro dá-se o nome de “Bloco de Constitucionalidade”. Objeto e Parâmetro do Controle Bloco de constitucionalidade: conjunto de normas jurídicas expressas e implícitas que formam a Constituição da República Federativa do Brasil. São elas: Parte permanente da CF (arts. 1° a 250). ADCT. Emendas Constitucionais e Emendas Constitucionais de Revisão. Tratados Internacionais de Direitos Humanos com status de Emenda Constitucional (art. 5º, §3º). Princípios implícitos da CF (ex: soberania popular). Controle Difuso no Brasil Primeira modalidade de controle de constitucionalidade surgida no Brasil. Surge Constituição de 1891 (1ª Constituição Republicana, idealizada por Ruy Barbosa). Realizado por todos os juízes e Tribunais do Brasil. Qualquer juiz ou tribunal poderá declarar uma lei inconstitucional. É realizado por via de exceção ou incidental: é um incidente processual em um caso concreto. Controle Difuso no Brasil Ou seja, o debate da constitucionalidade é matéria incidental ao processo (questão incidenter tantum). Pode ser realizado no bojo de qualquer processo judicial no Brasil. Legitimidade ativa: qualquer das partes pode levantar a questão da constitucionalidade de uma lei em um processo judicial concreto. Pode ser argumento de acusação do autor contra o réu, bem como pode ser argumento de defesa do réu contra a tese do autor. Controle Difuso no Brasil Exemplo: em uma ação de cobrança, o réu defende-se alegando que a dívida se baseia em uma lei inconstitucional, devendo a ação ser julgada improcedente por esse motivo. Questão principal: a existência ou não da obrigação de pagar quantia certa. Questão incidental: a constitucionalidade ou não da lei em que a obrigação se baseia. Controle Difuso no Brasil Cláusula de reserva de plenário ou full bench: Art. 97 da CF/88: “Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público.” Controle Difuso no Brasil Cláusula de reserva de plenário: nos órgãos judiciais colegiados (tribunais), só o seu plenário ou órgão especial pode realizar o controle de constitucionalidade. Órgãos fracionários dos tribunais não podem realizar o controle difuso (ex: Turmas e Câmaras). Requisito para os Tribunais exercerem o controle de constitucionalidade. Isso é exigido para que não haja decisões conflitantes dentro do mesmo Tribunal em questões de controle de constitucionalidade. Controle Difuso no Brasil Exceção à cláusula de reserva de plenário: as Turmas do STF podem exercer o controle difuso (não o concentrado). Precedente: RE 361829 ED. A cláusula de reserva de plenário tem por função preservar a constitucionalidade das leis. Ou seja, é uma regra que busca respeitar o princípio da presunção de constitucionalidade das leis (uma lei promulgada e publicada é considerada constitucional até que isso seja afastado judicialmente). Controle Difuso no Brasil Aplica-se ao controle difuso e ao concentrado. Enunciado de Súmula Vinculante n. 28: “Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, afasta sua incidência, no todo ou em parte.” Controle Difuso no Brasil Juízo de Recepção: Apesar de não ser controle de constitucionalidade, qualquer juiz ou tribunal pode realizar o juízo de recepção ou não recepção de leis e atos normativos anteriores à CF de 1988. Juízo de Recepção ≠ Controle de Constitucionalidade. No Brasil, o juízo de recepção pode ser exercido de forma judicial, difusa e incidental. OBS: Ao juízo de recepção, não se aplica a cláusula de reserva de plenário. Controle Difuso no Brasil Efeitos da decisão do Controle Difuso: Inter partes: os efeitos do controle difuso alcançam apenas as partes do processo. Ex tunc / Retroativos: no controle difuso, a decisão de inconstitucionalidade declara a lei nula desde sua origem (adota-se a teoria da nulidade). Controle Difuso no Brasil Modulação temporal dos efeitos da decisão: Em casos excepcionais de relevante segurança jurídica ou interesse social, é possível a modulação temporal dos efeitos da decisão no controle difuso (efeitos ex nunc ou pro futuro). Tal possibilidade está expressamente prevista na legislação para o controle concentrado. Porém, o STF entende que, por analogia, a modulação temporal dos efeitos da decisão também é possível no controle difuso. Controle Difuso no Brasil Modulação temporal dos efeitos da decisão: Lei nº 9.868/1999, art. 27: “Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado.” Controle Difuso no Brasil Participação do Senado no Controle Difuso: Quando o STF realiza o Controle Difuso e Incidental, o Senado pode ampliar os efeitos da sua decisão de inconstitucionalidade (inter partes para erga omnes). Tal suspensão terá efeitos ex nunc (não retroativos) e erga omnes. Controle Difuso no Brasil Participação do Senado no Controle Difuso: Art. 52 da CF: “Compete privativamente ao Senado Federal: [...] X - suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisãodefinitiva do Supremo Tribunal Federal”. Tal regra só se aplica a decisões definitivas de declaração de inconstitucionalidade. Controle Difuso no Brasil Participação do Senado no Controle Difuso: STF: obrigado a comunicar o Senado em caso de declaração de inconstitucionalidade. Senado: para a maioria da doutrina, o Senado não é obrigado a suspender a execução da lei declarada incidentalmente inconstitucional (juízo político). Tal participação não ocorre no Controle Concentrado (os efeitos de suas decisões já são gerais). Controle Difuso no Brasil Abstrativização do Controle Difuso: O STF, porém, vem adotando a tese conhecida como “abstrativização do controle difuso”, ou seja, essa notificação do STF ao Senado em controle difuso seria apenas uma formalidade. A decisão do STF em controle difuso já teria por si só eficácia erga omnes. Principal defensor no STF: Min. Gilmar Mendes. Controle Difuso no Brasil Abstrativização do Controle Difuso: Argumentos a favor da abstrativização: STF é o guardião da Constituição. O art. 525, §12, do CPC/2015 estabelece que a decisão proferida pelo STF em controle difuso produz efeitos em quaisquer processos para fins de inexigibilidade de título executivo judicial. Uniformização da interpretação do Texto Constitucional. Controle Concentrado no Brasil É aquele exercido por um único órgão jurisdicional, havendo duas espécies: Controle Concentrado Federal: competência exclusiva do STF (Constituição Federal). Controle Concentrado Estadual: competência exclusiva do respectivo TJ (Constituições Estaduais e Lei Orgânica do DF). Aplica-se a cláusula de reserva de plenário ao Controle Concentrado. Controle Concentrado no Brasil Coincide com o Controle Abstrato (Processo objetivo): não há autor e réu. Discute-se a lei ou ato normativo perante a Constituição de modo abstrato. Coincide com o Controle Principal ou por via de ação: é iniciado por meio de ações judiciais específicas. Surgimento do Controle Concentrado no Brasil: a ADI foi inserida na Constituição de 1946, por meio da EC de nº 16/1965. Controle Concentrado no Brasil Efeitos da decisão do controle concentrado: erga omnes e ex tunc (retroativos). Pode haver a modulação temporal dos efeitos da decisão (ex nunc ou pro futuro), nos termos do art. 27 da Lei nº 9.868/1999. Legitimados ativos: somente os elencados no art. 103 da CF iniciam o Controle Concentrado (restrição). I. TRIBUTÁRIO. LEI ESTADUAL QUE INSTITUI BENEFÍCIOS FISCAIS RELATIVOS AO ICMS. AUSÊNCIA DE CONVÊNIO INTERESTADUAL PRÉVIO. OFENSA AO ART. 155, § 2º, XII, g, DA CF/88. II. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. MODULAÇÃO DOS EFEITOS TEMPORAIS. 1. A instituição de benefícios fiscais relativos ao ICMS só pode ser realizada com base em convênio interestadual, na forma do art. 155, §2º, XII, g, da CF/88 e da Lei Complementar nº 24/75. [...] 3. A modulação dos efeitos temporais da decisão que declara a inconstitucionalidade decorre da ponderação entre a disposição constitucional tida por violada e os princípios da boa-fé e da segurança jurídica, uma vez que a norma vigorou por oito anos sem que fosse suspensa pelo STF. A supremacia da Constituição é um pressuposto do sistema de controle de constitucionalidade, sendo insuscetível de ponderação por impossibilidade lógica. 4. Procedência parcial do pedido. Modulação para que a decisão produza efeitos a contatar da data da sessão de julgamento. (ADI 4481, Relator(a): ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 11/03/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-092 DIVULG 18-05-2015 PUBLIC 19-05-2015) Controle Concentrado no Brasil Ações do Controle Concentrado no Brasil: ADI: Ação Direta de Inconstitucionalidade; ADC: Ação Declaratória de Constitucionalidade; ADO: Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão; ADI Interventiva; ADPF: Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental; Controle Concentrado nos Estados e no DF. OBRIGADO!