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Contabilidade 
 Intermediária 
 Módulo de Estudo 2 
AULA 5
CUSTOS DE 
TRANSAÇÃO 
E PRÊMIOS NA 
EMISSÃO DE TVM 
– EM PRÁTICA
voltar para 
o sumário
49
Colocando em prática o que já foi apresentado, 
suponha que, em 31/12/2013, a Cia. Financiada 
realizou a emissão de debêntures para captação 
de recursos no valor de R$ 10.000.000,00. 
As debêntures apresentaram as seguintes 
características:
 ● Prazo total: 5 anos;
 ● Taxa de juros: 10% ao ano;
 ● Pagamentos: parcelas iguais e anuais de 
R$ 2.637.974,81.
Para a emissão e colocação das debêntures no 
mercado, a Cia. incorreu em custos de transação 
no valor total de R$ 150.000,00. No entanto, a 
expectativa do mercado futuro de juros era que 
ocorreria um aumento nas taxas de juros nos 
próximos anos e a Cia. obteve um valor inferior ao da 
emissão, vendendo os títulos por R$ 9.500.000,00. 
A taxa de custo efetivo da emissão foi 12,6855% 
ao ano. Qual foi o valor dos encargos financeiros 
apropriados no resultado de 2014 em reais?
50
Veja como resolver.
A questão aborda a NBC TG 08 – Custos de 
Transação e Prêmios na Emissão de Títulos e 
Valores Mobiliários. Segundo esta norma, “encargos 
financeiros são a soma das despesas financeiras, 
dos custos de transação, prêmios, descontos, 
ágios, deságios e assemelhados, a qual representa 
a diferença entre os valores recebidos e os valores 
pagos (ou a pagar) a terceiros”.
A norma ainda dispõe que “o registro do montante 
inicial dos recursos captados de terceiros, 
classificáveis no passivo exigível, deve corresponder 
ao seu valor justo líquido dos custos de transação 
diretamente atribuíveis à emissão do passivo 
financeiro”.
Os encargos financeiros incorridos na captação de 
recursos junto a terceiros devem ser apropriados 
ao resultado em função da fluência do prazo, pelo 
custo amortizado, usando o método dos juros 
efetivos. Esse método considera a Taxa Interna 
de Retorno (TIR) da operação para a apropriação 
dos encargos financeiros durante a vigência da 
operação. A utilização do custo amortizado faz 
com que os encargos financeiros reflitam o efetivo 
51
custo do instrumento financeiro e não somente a 
taxa de juros contratual do instrumento, ou seja, 
incluem-se neles os juros e os custos de transação 
da captação, bem como prêmios recebidos, ágios, 
deságios, descontos, atualização monetária e 
outros. Assim, a taxa interna de retorno deve 
considerar todos os fluxos de caixa, desde o valor 
líquido recebido pela concretização da transação 
até todos os pagamentos feitos ou a serem 
efetuados até a liquidação da transação (NBCTG08).
É importante observar que, na questão, temos 
um deságio na venda das debêntures no valor de 
500.000,00.
Valor de emissão: 10.000.000
(-) Valor de venda: 9.500.000
= Deságio: 500.000
Para calcular o valor dos encargos financeiros 
usaremos a seguinte fórmula:
Encargos financeiros = (Valor nominal (−) Deságio 
(−) Custos de transação) x Taxa efetiva.
Encargos financeiros = (10.000.000 (−) 500.000 
(−) 150.000) x 0,126855
Encargos financeiros = 1.186.094,25
52
Quando se fala da captação de recursos de 
terceiros, surgem dúvidas quanto ao tratamento 
contábil a ser destinado para tal situação, 
observando CPC 08 (R1), esse recurso deve ser 
registrado como empréstimos ou financiamentos? 
É do seu conhecimento a diferença entre 
empréstimo e financiamento? Você já parou 
para pensar que, quando você busca por um 
empréstimo, você está comprando dinheiro? A 
diferença é que é com juros, os quais futuramente 
você irá liquidar.
Já o financiamento, usualmente, já tem um destino 
para essa cifra, um projeto de investimento é o 
mais comum Em geral os financiamentos estão 
destinados a gerar lucros para a empresa. Essas 
são as diferenças básicas entre empréstimo e 
financiamento.
O CPC 08 R1 estabelece os critérios para o 
tratamento dos títulos e valores mobiliários, 
as despesas financeiras incorridas, os encargos 
financeiros, bem como a taxa interna de retorno.
53
QUADRO 6 – CRITÉRIOS PARA 
O TRATAMENTO DOS CUSTOS E 
DESPESAS INCORRIDOS NA CAPTAÇÃO 
DE CAPITAL DE TERCEIROS
Esse CPC trata dos títulos e valores mobiliários
O objetivo desta norma é estabelecer 
o tratamento contábil aplicável ao 
reconhecimento, mensuração e divulgação 
dos custos de transação incorridos e dos 
prêmios recebidos no processo de captação de 
recursos por intermédio da emissão de títulos 
patrimoniais e/ou de dívida. Entre as suas 
principais funcionalidades está a regulação da 
contabilização e evidenciação dos custos de 
transação incorridos na distribuição primária 
de ações ou bônus de subscrição, na aquisição 
e alienação de ações próprias, na captação 
de recursos por meio da contratação de 
empréstimos ou financiamentos ou pela emissão 
de títulos de dívida, bem como dos prêmios na 
emissão de debêntures e outros instrumentos de 
dívida ou de patrimônio líquido (frequentemente 
referidos como Títulos e Valores Mobiliários 
– TVM)
54
Despesas financeiras
As despesas financeiras são os custos ou as 
despesas que representam o ônus pago ou a 
pagar como remuneração direta do recurso 
tomado emprestado do financiador derivado 
dos fatores tempo, risco, inflação, câmbio, 
índice específico de variação de preços e 
assemelhados; incluem, portanto, os juros, a 
atualização monetária, a variação cambial etc., 
mas não incluem taxas, descontos, prêmios, 
despesas administrativas, honorários etc.
Encargos financeiros
São a soma das despesas financeiras, dos 
custos de transação, prêmios, descontos, ágios, 
deságios e assemelhados, a qual representa a 
diferença entre os valores recebidos e os valores 
pagos (ou a pagar) a terceiros.
55
Taxa interna de retorno na captação de recursos 
junto a terceiros
Os encargos financeiros incorridos na captação 
de recursos junto a terceiros devem ser 
apropriados ao resultado em função da fluência 
do prazo, pelo custo amortizado, usando 
o método dos juros efetivos. Esse método 
considera a Taxa Interna de Retorno (TIR) da 
operação para a apropriação dos encargos 
financeiros durante a vigência da operação. A 
utilização do custo amortizado faz com que os 
encargos financeiros reflitam o efetivo custo 
do instrumento financeiro e não somente a 
taxa de juros contratual do instrumento, ou 
seja, incluem-se neles os juros e os custos de 
transação da captação, bem como prêmios 
recebidos, ágios, deságios, descontos, 
atualização monetária e outros. Assim, a taxa 
interna de retorno deve considerar todos os 
fluxos de caixa, desde o valor líquido recebido 
pela concretização da transação até todos os 
pagamentos feitos ou a serem efetuados até a 
liquidação da transação. 
Fonte: Baseado no CPC 08 R1, 08/01/2010.
AULA 6
Demonstração do 
valor adicionado 
(CPC 09 e CPC 26) 
– Apresentação 
das demonstrações 
contábeis
voltar para 
o sumário
57
As empresas são criadas para gerarem recursos 
com suas forças produtivas e a Demonstração do 
Valor Adicionado (DVA) mostra a lucratividade 
após o processo produtivo, antes da distribuição 
aos acionistas. Esse retorno é fruto do esforço 
dos colaboradores e de todos os envolvidos no 
processo empresarial. Essa riqueza gerada em toda 
a cadeia produtiva é chamada de valor adicionado.
A DVA tem se mostrado uma ferramenta 
interessante para medir o retorno do esforço de 
um processo produtivo. Ela não era utilizada no 
Brasil até o momento da harmonização contábil. 
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já 
incentivava o seu uso desde 1992, porém foi a 
Lei nº 11.638/2007 que obrigou esse relatório 
para companhias de capital aberto. A mediação 
financeira ocorrida nos processos produtivos é 
perfeitamente acompanhada pela contabilidade 
no desenvolvimento da DVA, mostrando não 
só a situação operacional de um negócio, mas 
também sendo possível avaliar a lucratividade e a 
representatividade financeira.
58
A DVA fornece uma visão mais abrangente sobre a 
real capacidade de uma empresa produzir riqueza 
e sobre a forma como distribui essariqueza 
entre os diversos fatores da produção. Por isso, 
“é um poderoso instrumento auxiliar do balanço 
social, já que a empresa estará mostrando à 
sociedade o quanto contribui para a geração de 
riqueza no país e como as parcelas agregadas são 
distribuídas pelos diversos agentes econômicos 
que a ajudaram a efetivar a produção” (NEVES; 
VICECONTI, 2002, p. 61).
Esse relatório traz o acompanhamento do processo 
de forma bem interessante, pois mostra onde o 
valor adicionado foi distribuído dentro do percurso 
e quem contribuiu para sua formação.
Como já mencionado, a DVA, a partir de 2007, 
passou a ser obrigatória para companhias abertas 
e, com isso, surgiu a necessidade de sua divulgação 
em conjunto com os demais relatórios obrigatórios.
A eficiência da DVA é reconhecida e utilizada 
até mesmo por empresas não obrigadas, por 
entenderem as questões de gerenciamento dessa 
riqueza, que transforma seus recursos produtivos 
em valor.
59
Esse relatório usa como base os dados disponíveis 
na Demonstração de Resultado do Exercício (DRE) 
e é possível construí-la de tempos em tempos para 
comparar a evolução dos períodos. Para melhorar 
a contextualização, segue um modelo de DVA, 
no Quadro 7, para contribuir com a exposição de 
algumas explicações adiante.
QUADRO 7 – MODELO DE DVA
DESCRIÇÃO
Em milhares 
de reais
LEGISLAÇÃO 
SOCIETÁRIA
1 – RECEITAS
1.1) Vendas de mercadorias, produtos e serviços
1.2) Provisão para devedores duvidosos – Reversão 
(Constituição)
1.3) Não operacionais
2 – INSUMOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS
(inclui os valores dos impostos – ICMS e IPI)
2.1) Matérias-primas consumidas
2.2) Custo das mercadorias e serviços vendidos
2.3) Materiais, energia, serviços de terceiros e outros
2.4) Perda/Recuperação de valores ativos
60
DESCRIÇÃO
Em milhares 
de reais
LEGISLAÇÃO 
SOCIETÁRIA
3 – VALOR ADICIONADO BRUTO (1 − 2)
4 – RETENÇÕES
4.1) Depreciação, amortização e exaustão
5 – VALOR ADICIONADO LÍQUIDO PRODUZIDO PELA 
ENTIDADE (3 − 4)
6 – VALOR ADICIONADO RECEBIDO EM 
TRANSFERÊNCIA
6.1) Resultado de equivalência patrimonial
6.2) Receitas financeiras
7 – VALOR ADICIONADO TOTAL A DISTRIBUIR (5 + 6) 
(RIQUEZA CRIADA PELA EMPRESA)
8 – DISTRIBUIÇÃO DO VALOR ADICIONADO
8.1) Pessoal e encargos
8.2) Impostos, taxas e contribuições
8.3) Juros e aluguéis
8.4) Juros sem capital próprio e dividendos
8.5) Lucros retidos/prejuízos do exercício
Fonte: Santos, 1999, p. 103.
Observem que o relatório inicia com a 
61
apresentação no grupo 1 das Receitas, e, no grupo 
2, ele parte para insumos adquiridos de terceiros, 
que vai lhe mostrar, em seguida, no item 3, o 
valor adicionado no período. No grupo 4 ele exclui 
as retenções, e apresenta já no item 5 o valor 
adicionado líquido produzido pela instituição. No 
item 6 entram as receitas e ou despesas financeiras 
e, então, no item 7, temos o valor adicionado 
a ser distribuído entre empregados, governo, 
financiadores e as sobras retidas. Diante do 
exposto, se atentem que o item 7, valor adicionado, 
deve ser exatamente igual ao valor distribuído no 
item 8.
Apesar de o modelo ser claro e parecer ser 
simples o seu preenchimento, o exemplo anterior 
é simplório; nas grandes corporações, o volume 
de informações dificulta um pouco mais o 
preenchimento, apesar de, atualmente, os recursos 
tecnológicos contribuírem fortemente para a 
agilidade dos trabalhos.
62
QUESTÕES QUE GERAM 
DÚVIDA NO PREENCHIMENTO 
DA DVA
Os alunos sempre fazem perguntas sobre a DVA 
porque nem todos, no dia a dia, possuem a 
oportunidade de atuar diretamente na construção 
desse relatório. Uma das perguntas que sempre 
surgem é: Na elaboração da Demonstração do 
Valor Adicionado (DVA), as receitas financeiras de 
juros recebidas por entidades comerciais e o valor 
da contribuição patronal para a Previdência Social 
considerados onde no relatório?
De acordo com CPC 09 – NBC TG 09 – Resolução 
CFC nº 1.162/09,
Na elaboração do relatório, os ganhos 
recebidos em transferências representam 
a riqueza angariada por terceiros que 
está sendo repassada para a empresa em 
questão, que, por sua vez, apropria-se 
dela. Já o valor da contribuição patronal 
para a Previdência Social correspondente 
ao INSS Patronal (encargo social), se 
configura numa distribuição de riqueza na 
confecção da demonstração.
63
Outra situação que gera debate entre os alunos é: 
A Demonstração do Valor Adicionado (DVA) é um 
relatório que apresenta ordenadamente a riqueza 
gerada pela entidade e a forma como essa riqueza 
foi distribuída e as partes que contribuíram para 
geração desta riqueza. Sendo assim, onde cada um 
dos itens a seguir deve ser inserido na DVA?
1. Participação dos acionistas minoritários no 
componente relativo à distribuição do valor 
adicionado, quando há divulgação de DVA 
consolidada.
2. A DVA deve utilizar mais algum relatório além do 
DRE?
3. A DVA deve passar por auditoria?
4. As respostas para essas questões:
5. Segundo o artigo 188 da Lei nº 6.404/76 “o 
valor da riqueza gerada pela companhia, a sua 
distribuição entre os elementos que contribuíram 
para a geração dessa riqueza, tais como 
empregados, financiadores, acionistas, governo 
e outros, bem como a parcela da riqueza não 
distribuída”.
6. Todas as informações que fundamentam as 
demais demonstrações devem ser base também 
64
para a DVA, que deve ser conciliada com registros 
auxiliares, caso seja necessário.
7. Todas as demonstrações devem ser objeto 
de revisão e auditoria. A auditoria não deve ser 
realizada tendo por fundamento apenas algumas 
demonstrações, mas, sim, todas as demonstrações 
emitidas pela entidade.
APRESENTAÇÃO DAS 
DEMONSTRAÇÕES 
CONTÁBEIS – DVA COMO 
RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DE 
ACORDO COM O CPC 26
O CPC 26 apresenta todos os relatórios contábeis 
obrigatórios para companhias abertas, de acordo 
com a lista a seguir (CPC 26, 2009, p. 7).
a) Balanço patrimonial.
b) Demonstração do resultado.
c) Demonstração do resultado abrangente.
d) Demonstração das mutações do patrimônio 
líquido.
65
e) Demonstração dos fluxos de caixa.
f) Notas explicativas.
g) Demonstração do valor adicionado,
O CPC 26 aborda de maneira reguladora as 
questões de transparência de divulgação das 
informações constantes nos demonstrativos 
contábeis. Essa regra deve ser usada por todos, sem 
exceção. Para tanto, utiliza o recurso da informação 
comparativa, divulgando de forma descritiva ou 
narrativa quando a classificação de qualquer item 
seja alterada; impõe a regra de que os valores 
envolvidos sejam reclassificados com sua correta 
divulgação. E todas as informações divulgadas 
devem apresentar de maneira clara as informações 
quanto à empresa, se é um grupo ou entidade 
única, moeda de apresentação, encerramento do 
período e, se há arredondamento, como este foi 
realizado.
AULA 7
DVA COMO 
FERRAMENTA 
DE ECONOMIA 
TRIBUTÁRIA – 
CASO FORD
voltar para 
o sumário
67
Em uma das pesquisas que fiz sobre DVA, deparei-
me com o tema a seguir.
[...] ‘Guerra Fiscal’ tem provocado a ira de 
alguns governadores, [...]. Vários estados 
brasileiros, [...] estão sendo acusados de 
oferecer a isenção fiscal, desviando dos 
polos produtivos de São Paulo a instalação 
de novas empresas. Manuela Salgueiro 
Rodrigues Júnior.
Muito me interessou o artigo e fui buscar saber do 
que se tratava. Entendi que era um caso polêmico 
entre a montadora Ford e o governo do estado da 
Bahia. Como o assunto envolvia várias situações, 
entre elas política e econômica do país, logo 
apareceram estudiosos buscando por maiores 
detalhes. Com base na pesquisa de mestrado 
realizada na Universidade de São Paulo (USP) pelo 
68
mestrando Manuel Salgueiro Rodrigues Júnior,3 vou 
apresentar esta aula como a DVA foi usada para 
auxiliar o desfecho dessa história.
O fato:
A concessão de incentivos fiscais federais 
e estaduais, além de financiamentos do 
BNDES, para a sua instalação, provocou 
muitos questionamentos, principalmente 
por parte do governo do Estado de São 
Paulo,de onde a Ford se transferira.
Além da própria contestação das partes 
interessadas – os governos dos Estados 
de São Paulo e Bahia – verificaram várias 
discussões a respeito da concessão 
3 RODRIGUES JÚNIOR, Manuel Salgueiro. A DVA como 
instrumento para mensuração da relação custo-benefício na 
concessão de incentivos fiscais: um estudo de casos. 2003. 164 
f. Dissertação (Mestrado em Contabilidade e Controladoria) 
– Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, 
Universidade de São Paulo, São Paulo, 2003. Disponível 
em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/12/12136/tde-
30082004-145853/publico/Manuel_Salgueiro.pdf. Acesso em: 
16 ago. 2020.
69
desses incentivos fiscais, questionando-
se inclusive o seu fim principal, que seria 
a geração de desenvolvimento na região 
em que as indústrias se instalarem. 
(RODRIGUES JÚNIOR, 2003, p. 21)
Trago à baila a afirmação do autor de que a DVA é 
um instrumento que colabora diretamente para as 
questões de economia fiscal e tributária, baseada 
no seguinte cenário apresentado:
A partir do entendimento que a 
Demonstração do Valor Adicionado 
é capaz de evidenciar os benefícios 
socioeconômicos que as empresas geram 
para a região onde estão instaladas, e 
considerando que os incentivos fiscais são 
concedidos às empresas com o objetivo 
de desenvolver a região onde se instalam, 
procura se estabelecer nesse trabalho 
a relação custo-benefício, analisando 
seu comportamento como um indicador 
da viabilidade ou não da concessão dos 
incentivos fiscais. (RODRIGUES JÚNIOR, 
2003, p. 11)
70
O pensamento é demonstrar a relevância do 
tema por meio da exposição da análise desse 
índice. Com isso, espera-se responder ao seguinte 
questionamento: A contabilidade, por meio da 
Demonstração do Valor Adicionado (DVA), é um 
instrumento efetivo para a evidenciação dos 
benefícios gerados pela empresa na região onde se 
encontra instalada?
Essa é a busca do autor e o que muito interessa 
neste momento é entender a qualidade de 
informação que a DVA pode oferecer para ajudar 
na construção da resposta ao questionamento 
realizado pelo autor.
A pesquisa do autor aborda os seguintes recursos:
1. O conceito de valor adicionado: econômico X 
contábil;
2. Valor adicionado X Faturamento;
3. Riqueza gerada e não transferida;
4. O tratamento da depreciação na apuração do 
valor adicionado;
5. DVA e balanço social.
A pesquisa do autor foi bastante intensa, trouxe 
várias contribuições para o meio acadêmico, com 
71
muitas informações e, principalmente, trouxe a 
certeza de que, por meio do relatório da DVA, foi 
possível identificar os benefícios que a empresa 
pesquisada levou à região. E o autor afirma em 
suas conclusões que a DVA em conjunto com 
outros “indicadores sociais e laborais, é capaz de 
oferecer uma espécie de controle do incentivo 
fiscal, atuando de forma punitiva, com a perda, ou 
redução, do incentivo fiscal, caso a empresa não 
apresente condições mínimas de favorecimento à 
sociedade” (RODRIGUES JÚNIOR, 2003, p. 155).
Para saber mais sobre essa pesquisa 
riquíssima em comparações envolvendo a 
DVA, acesse: https://teses.usp.br/teses/
disponiveis/12/12136/tde-30082004-145853/
publico/Manuel_Salgueiro.pdf.
SAIBA MAIS
AULA 8
PATRIMÔNIO 
LÍQUIDO 
– RESERVAS
voltar para 
o sumário
73
Patrimônio líquido é o grupo de contas mais 
observado nos balanços de qualquer empresa; é o 
documento do qual nasce todo e qualquer negócio, 
grande ou pequeno; é onde está registrado o 
investimento inicial dos sócios.
Desde 1º de janeiro de 2008, a Lei das Sociedades 
por Ações idealizou a divisão do grupo patrimônio 
líquido desta forma:
1. capital social;
2. reservas de capital;
3. ajustes de avaliação patrimonial;
4. reservas de lucros;
5. ações em tesouraria;
6. prejuízos acumulados.
Vamos, a seguir, detalha cada uma das contas que 
compõem o patrimônio líquido.
74
CAPITAL SOCIAL
A composição da conta capital social pode ser feita 
por meio de valor em espécie ou bens e também 
direitos advindos de seus sócios pela subscrição de 
capital.
RESERVA DE CAPITAL
Diante das regras contábeis, os lucros que 
não podem ser distribuídos aos acionistas são 
registrados em forma de reservas. Como esses 
lucros não podem ser considerados um ganho ou 
até mesmo receita, devem ser incorporados ao 
capital, tornando-se uma reserva.
As reservas de capital são formadas por: reservas 
de correção monetária do capital realizado, reserva 
de ágio a emissão de ações, reserva de alienação 
de partes beneficiárias e reserva de alienação de 
bônus de subscrição.
75
QUADRO 8 – TIPOS DE 
RESERVAS DE CAPITAL
Reservas 
de correção 
monetária do 
capital realizado
Trata-se do valor da correção 
monetária do capital realizado até 
o momento de sua capitalização, no 
qual os sócios decidem transformar a 
reserva em capital social.
Reserva de ágio 
a emissão de 
ações
Trata-se da contrapartida do resultado 
a maior recebido na venda das ações 
da empresa.
Reserva de 
alienação 
de partes 
beneficiárias
Essa reserva se forma quando há 
venda de partes beneficiárias. As 
partes beneficiárias são instrumentos 
de captação de recursos utilizados 
pelas empresas, em vez de emitir 
títulos de dívidas de ações.
Reserva de 
alienação 
de bônus de 
subscrição
É o resultado da venda por subscrição. 
Esses títulos permitem aos seus 
donos o direito à subscrição de ações 
da companhia, sendo essas ações 
emitidas por um preço determinado 
em data futura.
Fonte: Elaborado pela autora com base na Lei nº 11.638/2007 
(BRASIL, 2007).
76
RESERVA DE LUCROS
O valor que fica registrado em reservas, torna-se 
uma garantia para a empresa, pois não é distribuído 
aos sócios ou acionistas, essa retenção é feita com 
finalidades específicas.
As reservas de lucros estão divididas conforme 
consta no Quadro 9.
QUADRO 9 – RESERVAS DE LUCRO
Legal
É a única obrigatória e que é composta 
por cerca de 5% do valor total do lucro 
líquido.
Estatutária Pré-definida no estatuto da empresa, no 
momento de sua criação.
Contingencial
É formada por uma pequena parte dos 
lucros. É criado um fundo para proteger 
a empresa de futuras perdas que possam 
prejudicar o seu patrimônio.
Retencionária
É constituída por uma parte do lucro 
líquido com um único objetivo: expandir 
o negócio, seja criando novas filiais, seja 
investindo na própria empresa.
Reserva de 
incentivos 
fiscais
É formada pela restituição do imposto de 
renda de doações.
Fonte: Baseado na Lei nº 11.638/2007 (BRASIL, 2007).
77
AÇÕES
As ações de uma empresa representam o total 
das ações da própria empresa que não foram 
adquiridas até o momento.
PREJUÍZOS ACUMULADOS
Como o nome indica, é o valor total de todos os 
prejuízos da empresa. Eles são contabilizados antes 
da conta final do patrimônio líquido.
Com o advento da Lei nº 11.638/2007, para 
as sociedades por ações e para os balanços do 
exercício social terminado a partir de 31 de 
dezembro de 2008, o saldo final desta conta 
não pode mais ser credor.
FIQUE ATENTO
78
CÁLCULO DO PATRIMÔNIO 
LÍQUIDO (PL)
Para calcular o PL é importante ter em mãos todas 
as informações referentes a ativo e passivo. E a 
fórmula para este cálculo é:
Valor total do passivo ( − ) Valor total do ativo = 
patrimônio líquido.
Segue um exemplo numérico e hipotético.
Uma empresa que comercializa sapatos tem em 
seu capital um investimento de R$ 200.000,00 
parcialmente integralizado em dinheiro no valor 
de R$ 160.000,00, os $ 40.000,00 restantes estão 
por integralizar. Nos primeiros meses de operação 
a empresa já obteve um faturamento de R$ 
85.000,00 e R$ 33.000,00 de lucro.
O Patrimônio Líquido (PL) foi apurado no Quadro 
10, utilizando essas informações.
79
QUADRO 10 – APURAÇÃO 
DO PL EXEMPLO
Capital social 200.000,00
Capital a integralizar (40.000,00)
Lucros acumulados 33.000,00
Total do PL 193.000,00
Fonte: Elaborado pela autora.
No futuro, quando o capital for totalmente 
integralizado, o valor do PL será o demonstrado no 
Quadro11.
QUADRO 11 – INTEGRALIZAÇÃO 
DO CAPITAL SOCIAL
Capital social 200.000,00
Lucros acumulados 33.000,00
Total do PL 233.000,00
Fonte: Elaborado pela autora.
Esse é um exemplo bem simples. É evidente que, 
em uma empresa real, com todos os seus trâmites, 
existem outras cifras para serem trabalhadas.