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Contabilidade Intermediária Módulo de Estudo 2 AULA 5 CUSTOS DE TRANSAÇÃO E PRÊMIOS NA EMISSÃO DE TVM – EM PRÁTICA voltar para o sumário 49 Colocando em prática o que já foi apresentado, suponha que, em 31/12/2013, a Cia. Financiada realizou a emissão de debêntures para captação de recursos no valor de R$ 10.000.000,00. As debêntures apresentaram as seguintes características: ● Prazo total: 5 anos; ● Taxa de juros: 10% ao ano; ● Pagamentos: parcelas iguais e anuais de R$ 2.637.974,81. Para a emissão e colocação das debêntures no mercado, a Cia. incorreu em custos de transação no valor total de R$ 150.000,00. No entanto, a expectativa do mercado futuro de juros era que ocorreria um aumento nas taxas de juros nos próximos anos e a Cia. obteve um valor inferior ao da emissão, vendendo os títulos por R$ 9.500.000,00. A taxa de custo efetivo da emissão foi 12,6855% ao ano. Qual foi o valor dos encargos financeiros apropriados no resultado de 2014 em reais? 50 Veja como resolver. A questão aborda a NBC TG 08 – Custos de Transação e Prêmios na Emissão de Títulos e Valores Mobiliários. Segundo esta norma, “encargos financeiros são a soma das despesas financeiras, dos custos de transação, prêmios, descontos, ágios, deságios e assemelhados, a qual representa a diferença entre os valores recebidos e os valores pagos (ou a pagar) a terceiros”. A norma ainda dispõe que “o registro do montante inicial dos recursos captados de terceiros, classificáveis no passivo exigível, deve corresponder ao seu valor justo líquido dos custos de transação diretamente atribuíveis à emissão do passivo financeiro”. Os encargos financeiros incorridos na captação de recursos junto a terceiros devem ser apropriados ao resultado em função da fluência do prazo, pelo custo amortizado, usando o método dos juros efetivos. Esse método considera a Taxa Interna de Retorno (TIR) da operação para a apropriação dos encargos financeiros durante a vigência da operação. A utilização do custo amortizado faz com que os encargos financeiros reflitam o efetivo 51 custo do instrumento financeiro e não somente a taxa de juros contratual do instrumento, ou seja, incluem-se neles os juros e os custos de transação da captação, bem como prêmios recebidos, ágios, deságios, descontos, atualização monetária e outros. Assim, a taxa interna de retorno deve considerar todos os fluxos de caixa, desde o valor líquido recebido pela concretização da transação até todos os pagamentos feitos ou a serem efetuados até a liquidação da transação (NBCTG08). É importante observar que, na questão, temos um deságio na venda das debêntures no valor de 500.000,00. Valor de emissão: 10.000.000 (-) Valor de venda: 9.500.000 = Deságio: 500.000 Para calcular o valor dos encargos financeiros usaremos a seguinte fórmula: Encargos financeiros = (Valor nominal (−) Deságio (−) Custos de transação) x Taxa efetiva. Encargos financeiros = (10.000.000 (−) 500.000 (−) 150.000) x 0,126855 Encargos financeiros = 1.186.094,25 52 Quando se fala da captação de recursos de terceiros, surgem dúvidas quanto ao tratamento contábil a ser destinado para tal situação, observando CPC 08 (R1), esse recurso deve ser registrado como empréstimos ou financiamentos? É do seu conhecimento a diferença entre empréstimo e financiamento? Você já parou para pensar que, quando você busca por um empréstimo, você está comprando dinheiro? A diferença é que é com juros, os quais futuramente você irá liquidar. Já o financiamento, usualmente, já tem um destino para essa cifra, um projeto de investimento é o mais comum Em geral os financiamentos estão destinados a gerar lucros para a empresa. Essas são as diferenças básicas entre empréstimo e financiamento. O CPC 08 R1 estabelece os critérios para o tratamento dos títulos e valores mobiliários, as despesas financeiras incorridas, os encargos financeiros, bem como a taxa interna de retorno. 53 QUADRO 6 – CRITÉRIOS PARA O TRATAMENTO DOS CUSTOS E DESPESAS INCORRIDOS NA CAPTAÇÃO DE CAPITAL DE TERCEIROS Esse CPC trata dos títulos e valores mobiliários O objetivo desta norma é estabelecer o tratamento contábil aplicável ao reconhecimento, mensuração e divulgação dos custos de transação incorridos e dos prêmios recebidos no processo de captação de recursos por intermédio da emissão de títulos patrimoniais e/ou de dívida. Entre as suas principais funcionalidades está a regulação da contabilização e evidenciação dos custos de transação incorridos na distribuição primária de ações ou bônus de subscrição, na aquisição e alienação de ações próprias, na captação de recursos por meio da contratação de empréstimos ou financiamentos ou pela emissão de títulos de dívida, bem como dos prêmios na emissão de debêntures e outros instrumentos de dívida ou de patrimônio líquido (frequentemente referidos como Títulos e Valores Mobiliários – TVM) 54 Despesas financeiras As despesas financeiras são os custos ou as despesas que representam o ônus pago ou a pagar como remuneração direta do recurso tomado emprestado do financiador derivado dos fatores tempo, risco, inflação, câmbio, índice específico de variação de preços e assemelhados; incluem, portanto, os juros, a atualização monetária, a variação cambial etc., mas não incluem taxas, descontos, prêmios, despesas administrativas, honorários etc. Encargos financeiros São a soma das despesas financeiras, dos custos de transação, prêmios, descontos, ágios, deságios e assemelhados, a qual representa a diferença entre os valores recebidos e os valores pagos (ou a pagar) a terceiros. 55 Taxa interna de retorno na captação de recursos junto a terceiros Os encargos financeiros incorridos na captação de recursos junto a terceiros devem ser apropriados ao resultado em função da fluência do prazo, pelo custo amortizado, usando o método dos juros efetivos. Esse método considera a Taxa Interna de Retorno (TIR) da operação para a apropriação dos encargos financeiros durante a vigência da operação. A utilização do custo amortizado faz com que os encargos financeiros reflitam o efetivo custo do instrumento financeiro e não somente a taxa de juros contratual do instrumento, ou seja, incluem-se neles os juros e os custos de transação da captação, bem como prêmios recebidos, ágios, deságios, descontos, atualização monetária e outros. Assim, a taxa interna de retorno deve considerar todos os fluxos de caixa, desde o valor líquido recebido pela concretização da transação até todos os pagamentos feitos ou a serem efetuados até a liquidação da transação. Fonte: Baseado no CPC 08 R1, 08/01/2010. AULA 6 Demonstração do valor adicionado (CPC 09 e CPC 26) – Apresentação das demonstrações contábeis voltar para o sumário 57 As empresas são criadas para gerarem recursos com suas forças produtivas e a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) mostra a lucratividade após o processo produtivo, antes da distribuição aos acionistas. Esse retorno é fruto do esforço dos colaboradores e de todos os envolvidos no processo empresarial. Essa riqueza gerada em toda a cadeia produtiva é chamada de valor adicionado. A DVA tem se mostrado uma ferramenta interessante para medir o retorno do esforço de um processo produtivo. Ela não era utilizada no Brasil até o momento da harmonização contábil. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já incentivava o seu uso desde 1992, porém foi a Lei nº 11.638/2007 que obrigou esse relatório para companhias de capital aberto. A mediação financeira ocorrida nos processos produtivos é perfeitamente acompanhada pela contabilidade no desenvolvimento da DVA, mostrando não só a situação operacional de um negócio, mas também sendo possível avaliar a lucratividade e a representatividade financeira. 58 A DVA fornece uma visão mais abrangente sobre a real capacidade de uma empresa produzir riqueza e sobre a forma como distribui essariqueza entre os diversos fatores da produção. Por isso, “é um poderoso instrumento auxiliar do balanço social, já que a empresa estará mostrando à sociedade o quanto contribui para a geração de riqueza no país e como as parcelas agregadas são distribuídas pelos diversos agentes econômicos que a ajudaram a efetivar a produção” (NEVES; VICECONTI, 2002, p. 61). Esse relatório traz o acompanhamento do processo de forma bem interessante, pois mostra onde o valor adicionado foi distribuído dentro do percurso e quem contribuiu para sua formação. Como já mencionado, a DVA, a partir de 2007, passou a ser obrigatória para companhias abertas e, com isso, surgiu a necessidade de sua divulgação em conjunto com os demais relatórios obrigatórios. A eficiência da DVA é reconhecida e utilizada até mesmo por empresas não obrigadas, por entenderem as questões de gerenciamento dessa riqueza, que transforma seus recursos produtivos em valor. 59 Esse relatório usa como base os dados disponíveis na Demonstração de Resultado do Exercício (DRE) e é possível construí-la de tempos em tempos para comparar a evolução dos períodos. Para melhorar a contextualização, segue um modelo de DVA, no Quadro 7, para contribuir com a exposição de algumas explicações adiante. QUADRO 7 – MODELO DE DVA DESCRIÇÃO Em milhares de reais LEGISLAÇÃO SOCIETÁRIA 1 – RECEITAS 1.1) Vendas de mercadorias, produtos e serviços 1.2) Provisão para devedores duvidosos – Reversão (Constituição) 1.3) Não operacionais 2 – INSUMOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS (inclui os valores dos impostos – ICMS e IPI) 2.1) Matérias-primas consumidas 2.2) Custo das mercadorias e serviços vendidos 2.3) Materiais, energia, serviços de terceiros e outros 2.4) Perda/Recuperação de valores ativos 60 DESCRIÇÃO Em milhares de reais LEGISLAÇÃO SOCIETÁRIA 3 – VALOR ADICIONADO BRUTO (1 − 2) 4 – RETENÇÕES 4.1) Depreciação, amortização e exaustão 5 – VALOR ADICIONADO LÍQUIDO PRODUZIDO PELA ENTIDADE (3 − 4) 6 – VALOR ADICIONADO RECEBIDO EM TRANSFERÊNCIA 6.1) Resultado de equivalência patrimonial 6.2) Receitas financeiras 7 – VALOR ADICIONADO TOTAL A DISTRIBUIR (5 + 6) (RIQUEZA CRIADA PELA EMPRESA) 8 – DISTRIBUIÇÃO DO VALOR ADICIONADO 8.1) Pessoal e encargos 8.2) Impostos, taxas e contribuições 8.3) Juros e aluguéis 8.4) Juros sem capital próprio e dividendos 8.5) Lucros retidos/prejuízos do exercício Fonte: Santos, 1999, p. 103. Observem que o relatório inicia com a 61 apresentação no grupo 1 das Receitas, e, no grupo 2, ele parte para insumos adquiridos de terceiros, que vai lhe mostrar, em seguida, no item 3, o valor adicionado no período. No grupo 4 ele exclui as retenções, e apresenta já no item 5 o valor adicionado líquido produzido pela instituição. No item 6 entram as receitas e ou despesas financeiras e, então, no item 7, temos o valor adicionado a ser distribuído entre empregados, governo, financiadores e as sobras retidas. Diante do exposto, se atentem que o item 7, valor adicionado, deve ser exatamente igual ao valor distribuído no item 8. Apesar de o modelo ser claro e parecer ser simples o seu preenchimento, o exemplo anterior é simplório; nas grandes corporações, o volume de informações dificulta um pouco mais o preenchimento, apesar de, atualmente, os recursos tecnológicos contribuírem fortemente para a agilidade dos trabalhos. 62 QUESTÕES QUE GERAM DÚVIDA NO PREENCHIMENTO DA DVA Os alunos sempre fazem perguntas sobre a DVA porque nem todos, no dia a dia, possuem a oportunidade de atuar diretamente na construção desse relatório. Uma das perguntas que sempre surgem é: Na elaboração da Demonstração do Valor Adicionado (DVA), as receitas financeiras de juros recebidas por entidades comerciais e o valor da contribuição patronal para a Previdência Social considerados onde no relatório? De acordo com CPC 09 – NBC TG 09 – Resolução CFC nº 1.162/09, Na elaboração do relatório, os ganhos recebidos em transferências representam a riqueza angariada por terceiros que está sendo repassada para a empresa em questão, que, por sua vez, apropria-se dela. Já o valor da contribuição patronal para a Previdência Social correspondente ao INSS Patronal (encargo social), se configura numa distribuição de riqueza na confecção da demonstração. 63 Outra situação que gera debate entre os alunos é: A Demonstração do Valor Adicionado (DVA) é um relatório que apresenta ordenadamente a riqueza gerada pela entidade e a forma como essa riqueza foi distribuída e as partes que contribuíram para geração desta riqueza. Sendo assim, onde cada um dos itens a seguir deve ser inserido na DVA? 1. Participação dos acionistas minoritários no componente relativo à distribuição do valor adicionado, quando há divulgação de DVA consolidada. 2. A DVA deve utilizar mais algum relatório além do DRE? 3. A DVA deve passar por auditoria? 4. As respostas para essas questões: 5. Segundo o artigo 188 da Lei nº 6.404/76 “o valor da riqueza gerada pela companhia, a sua distribuição entre os elementos que contribuíram para a geração dessa riqueza, tais como empregados, financiadores, acionistas, governo e outros, bem como a parcela da riqueza não distribuída”. 6. Todas as informações que fundamentam as demais demonstrações devem ser base também 64 para a DVA, que deve ser conciliada com registros auxiliares, caso seja necessário. 7. Todas as demonstrações devem ser objeto de revisão e auditoria. A auditoria não deve ser realizada tendo por fundamento apenas algumas demonstrações, mas, sim, todas as demonstrações emitidas pela entidade. APRESENTAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS – DVA COMO RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DE ACORDO COM O CPC 26 O CPC 26 apresenta todos os relatórios contábeis obrigatórios para companhias abertas, de acordo com a lista a seguir (CPC 26, 2009, p. 7). a) Balanço patrimonial. b) Demonstração do resultado. c) Demonstração do resultado abrangente. d) Demonstração das mutações do patrimônio líquido. 65 e) Demonstração dos fluxos de caixa. f) Notas explicativas. g) Demonstração do valor adicionado, O CPC 26 aborda de maneira reguladora as questões de transparência de divulgação das informações constantes nos demonstrativos contábeis. Essa regra deve ser usada por todos, sem exceção. Para tanto, utiliza o recurso da informação comparativa, divulgando de forma descritiva ou narrativa quando a classificação de qualquer item seja alterada; impõe a regra de que os valores envolvidos sejam reclassificados com sua correta divulgação. E todas as informações divulgadas devem apresentar de maneira clara as informações quanto à empresa, se é um grupo ou entidade única, moeda de apresentação, encerramento do período e, se há arredondamento, como este foi realizado. AULA 7 DVA COMO FERRAMENTA DE ECONOMIA TRIBUTÁRIA – CASO FORD voltar para o sumário 67 Em uma das pesquisas que fiz sobre DVA, deparei- me com o tema a seguir. [...] ‘Guerra Fiscal’ tem provocado a ira de alguns governadores, [...]. Vários estados brasileiros, [...] estão sendo acusados de oferecer a isenção fiscal, desviando dos polos produtivos de São Paulo a instalação de novas empresas. Manuela Salgueiro Rodrigues Júnior. Muito me interessou o artigo e fui buscar saber do que se tratava. Entendi que era um caso polêmico entre a montadora Ford e o governo do estado da Bahia. Como o assunto envolvia várias situações, entre elas política e econômica do país, logo apareceram estudiosos buscando por maiores detalhes. Com base na pesquisa de mestrado realizada na Universidade de São Paulo (USP) pelo 68 mestrando Manuel Salgueiro Rodrigues Júnior,3 vou apresentar esta aula como a DVA foi usada para auxiliar o desfecho dessa história. O fato: A concessão de incentivos fiscais federais e estaduais, além de financiamentos do BNDES, para a sua instalação, provocou muitos questionamentos, principalmente por parte do governo do Estado de São Paulo,de onde a Ford se transferira. Além da própria contestação das partes interessadas – os governos dos Estados de São Paulo e Bahia – verificaram várias discussões a respeito da concessão 3 RODRIGUES JÚNIOR, Manuel Salgueiro. A DVA como instrumento para mensuração da relação custo-benefício na concessão de incentivos fiscais: um estudo de casos. 2003. 164 f. Dissertação (Mestrado em Contabilidade e Controladoria) – Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2003. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/12/12136/tde- 30082004-145853/publico/Manuel_Salgueiro.pdf. Acesso em: 16 ago. 2020. 69 desses incentivos fiscais, questionando- se inclusive o seu fim principal, que seria a geração de desenvolvimento na região em que as indústrias se instalarem. (RODRIGUES JÚNIOR, 2003, p. 21) Trago à baila a afirmação do autor de que a DVA é um instrumento que colabora diretamente para as questões de economia fiscal e tributária, baseada no seguinte cenário apresentado: A partir do entendimento que a Demonstração do Valor Adicionado é capaz de evidenciar os benefícios socioeconômicos que as empresas geram para a região onde estão instaladas, e considerando que os incentivos fiscais são concedidos às empresas com o objetivo de desenvolver a região onde se instalam, procura se estabelecer nesse trabalho a relação custo-benefício, analisando seu comportamento como um indicador da viabilidade ou não da concessão dos incentivos fiscais. (RODRIGUES JÚNIOR, 2003, p. 11) 70 O pensamento é demonstrar a relevância do tema por meio da exposição da análise desse índice. Com isso, espera-se responder ao seguinte questionamento: A contabilidade, por meio da Demonstração do Valor Adicionado (DVA), é um instrumento efetivo para a evidenciação dos benefícios gerados pela empresa na região onde se encontra instalada? Essa é a busca do autor e o que muito interessa neste momento é entender a qualidade de informação que a DVA pode oferecer para ajudar na construção da resposta ao questionamento realizado pelo autor. A pesquisa do autor aborda os seguintes recursos: 1. O conceito de valor adicionado: econômico X contábil; 2. Valor adicionado X Faturamento; 3. Riqueza gerada e não transferida; 4. O tratamento da depreciação na apuração do valor adicionado; 5. DVA e balanço social. A pesquisa do autor foi bastante intensa, trouxe várias contribuições para o meio acadêmico, com 71 muitas informações e, principalmente, trouxe a certeza de que, por meio do relatório da DVA, foi possível identificar os benefícios que a empresa pesquisada levou à região. E o autor afirma em suas conclusões que a DVA em conjunto com outros “indicadores sociais e laborais, é capaz de oferecer uma espécie de controle do incentivo fiscal, atuando de forma punitiva, com a perda, ou redução, do incentivo fiscal, caso a empresa não apresente condições mínimas de favorecimento à sociedade” (RODRIGUES JÚNIOR, 2003, p. 155). Para saber mais sobre essa pesquisa riquíssima em comparações envolvendo a DVA, acesse: https://teses.usp.br/teses/ disponiveis/12/12136/tde-30082004-145853/ publico/Manuel_Salgueiro.pdf. SAIBA MAIS AULA 8 PATRIMÔNIO LÍQUIDO – RESERVAS voltar para o sumário 73 Patrimônio líquido é o grupo de contas mais observado nos balanços de qualquer empresa; é o documento do qual nasce todo e qualquer negócio, grande ou pequeno; é onde está registrado o investimento inicial dos sócios. Desde 1º de janeiro de 2008, a Lei das Sociedades por Ações idealizou a divisão do grupo patrimônio líquido desta forma: 1. capital social; 2. reservas de capital; 3. ajustes de avaliação patrimonial; 4. reservas de lucros; 5. ações em tesouraria; 6. prejuízos acumulados. Vamos, a seguir, detalha cada uma das contas que compõem o patrimônio líquido. 74 CAPITAL SOCIAL A composição da conta capital social pode ser feita por meio de valor em espécie ou bens e também direitos advindos de seus sócios pela subscrição de capital. RESERVA DE CAPITAL Diante das regras contábeis, os lucros que não podem ser distribuídos aos acionistas são registrados em forma de reservas. Como esses lucros não podem ser considerados um ganho ou até mesmo receita, devem ser incorporados ao capital, tornando-se uma reserva. As reservas de capital são formadas por: reservas de correção monetária do capital realizado, reserva de ágio a emissão de ações, reserva de alienação de partes beneficiárias e reserva de alienação de bônus de subscrição. 75 QUADRO 8 – TIPOS DE RESERVAS DE CAPITAL Reservas de correção monetária do capital realizado Trata-se do valor da correção monetária do capital realizado até o momento de sua capitalização, no qual os sócios decidem transformar a reserva em capital social. Reserva de ágio a emissão de ações Trata-se da contrapartida do resultado a maior recebido na venda das ações da empresa. Reserva de alienação de partes beneficiárias Essa reserva se forma quando há venda de partes beneficiárias. As partes beneficiárias são instrumentos de captação de recursos utilizados pelas empresas, em vez de emitir títulos de dívidas de ações. Reserva de alienação de bônus de subscrição É o resultado da venda por subscrição. Esses títulos permitem aos seus donos o direito à subscrição de ações da companhia, sendo essas ações emitidas por um preço determinado em data futura. Fonte: Elaborado pela autora com base na Lei nº 11.638/2007 (BRASIL, 2007). 76 RESERVA DE LUCROS O valor que fica registrado em reservas, torna-se uma garantia para a empresa, pois não é distribuído aos sócios ou acionistas, essa retenção é feita com finalidades específicas. As reservas de lucros estão divididas conforme consta no Quadro 9. QUADRO 9 – RESERVAS DE LUCRO Legal É a única obrigatória e que é composta por cerca de 5% do valor total do lucro líquido. Estatutária Pré-definida no estatuto da empresa, no momento de sua criação. Contingencial É formada por uma pequena parte dos lucros. É criado um fundo para proteger a empresa de futuras perdas que possam prejudicar o seu patrimônio. Retencionária É constituída por uma parte do lucro líquido com um único objetivo: expandir o negócio, seja criando novas filiais, seja investindo na própria empresa. Reserva de incentivos fiscais É formada pela restituição do imposto de renda de doações. Fonte: Baseado na Lei nº 11.638/2007 (BRASIL, 2007). 77 AÇÕES As ações de uma empresa representam o total das ações da própria empresa que não foram adquiridas até o momento. PREJUÍZOS ACUMULADOS Como o nome indica, é o valor total de todos os prejuízos da empresa. Eles são contabilizados antes da conta final do patrimônio líquido. Com o advento da Lei nº 11.638/2007, para as sociedades por ações e para os balanços do exercício social terminado a partir de 31 de dezembro de 2008, o saldo final desta conta não pode mais ser credor. FIQUE ATENTO 78 CÁLCULO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO (PL) Para calcular o PL é importante ter em mãos todas as informações referentes a ativo e passivo. E a fórmula para este cálculo é: Valor total do passivo ( − ) Valor total do ativo = patrimônio líquido. Segue um exemplo numérico e hipotético. Uma empresa que comercializa sapatos tem em seu capital um investimento de R$ 200.000,00 parcialmente integralizado em dinheiro no valor de R$ 160.000,00, os $ 40.000,00 restantes estão por integralizar. Nos primeiros meses de operação a empresa já obteve um faturamento de R$ 85.000,00 e R$ 33.000,00 de lucro. O Patrimônio Líquido (PL) foi apurado no Quadro 10, utilizando essas informações. 79 QUADRO 10 – APURAÇÃO DO PL EXEMPLO Capital social 200.000,00 Capital a integralizar (40.000,00) Lucros acumulados 33.000,00 Total do PL 193.000,00 Fonte: Elaborado pela autora. No futuro, quando o capital for totalmente integralizado, o valor do PL será o demonstrado no Quadro11. QUADRO 11 – INTEGRALIZAÇÃO DO CAPITAL SOCIAL Capital social 200.000,00 Lucros acumulados 33.000,00 Total do PL 233.000,00 Fonte: Elaborado pela autora. Esse é um exemplo bem simples. É evidente que, em uma empresa real, com todos os seus trâmites, existem outras cifras para serem trabalhadas.