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O tempo acaba o ano, o mês e a hora, a força, a arte, a manha, a fortaleza; o tempo acaba a fama e a riqueza, o tempo o mesmo tempo de si chora. O tempo busca e acaba o onde mora qualquer ingratidão, qualquer dureza; mas não pode acabar minha tristeza, enquanto não quiserdes vós, Senhora. O tempo o claro dia torna escuro, e o mais ledo prazer em choro triste; o tempo a tempestade em grã bonança. Mas de abrandar o tempo estou seguro o peito de diamante, onde consiste a pena e o prazer desta esperança. CAMÕES, L. de. Sonetos de Camões. Seleção, apresentação e notas Izeti Fragata Torralvo. Cotia (SP): Ateliê Editorial, 1998, p. 118. A lírica de Camões, a partir o universalismo caro ao Renascimento, reflete sobre a transitoriedade das coisas do mundo pela força do tempo. No soneto, essa capacidade transformadora do tempo � ofusca o desejo de mudar o comportamento da amada. � corrobora o pessimismo do poeta em relação ao amor. � demove a esperança de realização do encontro amoroso. � contrasta com a percepção imutável do amor. � ilustra a concepção fugaz do afeto do eu lírico. Resolução Apesar de o elemento temporal ser marcado pela mudança constante, a esperança do eu lírico ter o apreço de sua Senhora, que o rejeita até então, persiste. Essa relação traduz a contradição que marca a concepção desse poema sobre o amor do eu lírico, que é ideal, eterno (platônico), e resiste à degene - ração das coisas do mundo, já que o tempo se encarrega de tornar quase tudo passageiro. Resposta: D Índio eu não sou Não me chame de “índio” porque Esse nome nunca me pertenceu Nem como apelido quero levar Um erro que Colombo cometeu. Por um erro de rota Colombo em meu solo desembarcou E no desejo de às Índias chegar Com o nome de “índio” me apelidou. Esse nome me traz muita dor Uma bala em meu peito transpassou Meu grito na mata ecoou Meu sangue na terra jorrou. Chegou tarde, eu já estava aqui Caravela aportou bem ali Eu vi “homem branco” subir Na minha Uka me escondi. Ele veio sem permissão Com a cruz e a espada na mão Nos seus olhos, uma missão Dizimar para a civilização. “Índio” eu não sou. Sou Kambeba, sou Tembé Sou Kokama, sou Sataré Sou Guarani, sou Arawaté Sou Tikuna, sou Suruí Sou Tupinambá, sou Pataxó Sou Terena, sou Tukano Resisto com raça e fé KAMBEBA, M. “Índio eu não Sou”. Disponível em: https://guatafoz.com.br/indio-eu-nao-sou-poema-de- marcia-kambeba/. Acesso em: 23 fev. 2024. Márcia Kambeba é uma indígena engajada na defesa dos direitos dos povos originários. Por meio de seu texto acima apresentado, nota-se um posicionamento crítico que permite perceber a denominação “índio” como uma QUESTÃO 38 QUESTÃO 39 33 LC • 1.o dia • RESOLUÇÕES ENEM_PROVA1_AMARELO_28_4_ALICE_2024 28/03/2024 16:20 Página 33