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Teoria geral dos contratos – Contratos aleatórios. Contrato com pessoa a declarar. Extinção dos contratos Professor Me. Adive Cardoso Ferreira Júnior Faaaaaaaala!!!! Na aula passada, nós tivemos nossa terceira aula sobre a Teoria Geral dos Contratos. Já sabe como funciona, né?! Antes de acompanhar a aula de hoje, volta na aula passada e reviiiiiiisa!!!! Agora sim, continuemos! Hoje iremos, finalmente, encerrar a Teoria Geral dos Contratos. Então, sem mais delongas, papel e caneta numa das mãos, Código Civil – CC na outra, e vamos dar início ao nosso estudo do Direito Contratual!! 1. Contratos aleatórios (arts. 458 a 461, CC). O contrato aleatório é aquele que dota de incerteza, sendo, pois, um contrato de risco. Álea = Risco Assim, pelos contratos aleatórios, há um evento futuro e incerto, como por exemplo, loteria; seguro; compra e venda de determinada safra, entre tantos outros. Adive, e se o evento ou coisa futura não vier a acontecer? Nesse caso, se o contratante assumir tal risco, deverá cumprir integralmente com o que foi contratado. Vejamos a previsão do CC: Art. 458. Se o contrato for aleatório, por dizer respeito a coisas ou fatos futuros, cujo risco de não virem a existir um dos contratantes assuma, terá o outro direito de receber integralmente o que lhe foi prometido, desde que de sua parte não tenha havido dolo ou culpa, ainda que nada do avençado venha a existir. Não entendi, professor, poderia explicar? Claaaro! Imagine, por exemplo, o contrato de seguro de carro, em que nós pagamos o preço independentemente de acontecer o acidente. Entendeu? Maaassa!! Diferentemente, é o trazido pelo art. 459: Art. 459. Se for aleatório, por serem objeto dele coisas futuras, tomando o adquirente a si o risco de virem a existir em qualquer quantidade, terá também direito o alienante a todo o preço, desde que de sua parte não tiver concorrido culpa, ainda que a coisa venha a existir em quantidade inferior à esperada. Parágrafo único. Mas, se da coisa nada vier a existir, alienação não haverá, e o alienante restituirá o preço recebido. Imagine, por exemplo, que você é um grande produtor de tomates e eu celebrei contigo um contrato para comprar toda a sua safra do ano de 2022. No contrato, eu assumi os riscos que pudessem ocorrer. Infelizmente, uma praga destruiu grande parte da sua safra e você não poderá me entregar a quantidade que foi contratada. No entanto, como eu assumi o risco, deverei pagar, de modo integral, o valor, desde que não tenha ocorrido dolo ou culpa da sua parte. Diferentemente ocorreria se eu não tivesse assumido tal risco. O parágrafo único, de outro modo, afirma que se nada vier a existir da sua safra de tomates, eu não devo pagar nada. Professor, eu não entendi a diferença entre os dois artigos. Poderia esclarecer? Veja que o artigo 458 trata de o fato de um dos contratantes assumir os riscos da coisa não existir. Se assim ocorrer, ainda será devido o valor. Por outro lado, o artigo 459 trata de o adquirente assumir os riscos em relação à quantidade. Se for em quantidade menor, ele deverá pagar o valor integral. No entanto, inexistindo, haverá falta do objeto contratado e o contrato será nulo, pois o objeto é um dos requisitos do negócio jurídico. 2. Contrato com pessoa a declarar/nomear (arts. 467 a 471, CC). Assim como na estipulação em favor de terceiro, foge à regra dos aspectos comuns da contratação, uma vez que vai além das partes originais do contrato (contratante e contratado). Nesta espécie contratual, como o próprio nome já nos deixa claro, há uma celebração de um contrato em que o sujeito do contrato ainda será nomeado. Oxe, como assim, Adive? No contrato com pessoa a declarar, há uma contratação original entre os contratantes, mas é estipulado que um dos contratantes irá designar terceira pessoa para assumir o seu lugar na relação contratual. Esse terceiro é chamado de nomeado. Assim, o contratante original que designar o nomeado se tornará um terceiro na relação contratual, pois o nomeado irá assumir o seu lugar no negócio jurídico. Adive, poderia esclarecer melhor? Claro! Imagine que Messi quer abrir uma empresa em sociedade com Cristiano Ronaldo. Para tanto, eles me buscam com o intuito de adquirir um imóvel meu. Querendo evitar duas transferências (minhas para eles e depois deles para a empresa), nós podemos celebrar um contrato com pessoa a declarar, no qual, eles se reservam ao direito de nomear uma terceira pessoa (no nosso exemplo, a pessoa jurídica que será constituída) que assumirá os direitos e deveres da relação. Veja que isso acaba por facilitar, por vezes, as relações. Imagine que se não existisse essa hipótese eles teriam que comprar o meu imóvel, pagando ITBI, depois teriam que repassar o imóvel para a Pessoa Jurídica. Se passassem por doação, pagariam ITCMD, se passassem de forma onerosa, outro ITBI. Vejam, portanto, que ficaria mais caro até, pois pagariam dois tributos, mas como há o contrato com pessoa a declarar, no nosso exemplo, pagarão apenas uma vez. Professor, e se o nomeado se recusar a aceitar a nomeação? Nesse caso, o nomeante (no nosso exemplo, Messi e Cristiano Ronaldo) será mantido no contrato. Professor, e se o nomeado for insolvente ao tempo da indicação e o outro contratante não sabia disso? Será aplicada a mesma situação acima, bem como se a pessoa nomeada for incapaz no momento da nomeação. Adive, existe algum prazo para que seja feita a nomeação? Claaaro que sim! Em regra, será o prazo previsto no contrato. Todavia, caso não haja estipulação de prazo, a nomeação deve ser feita em 05 (cinco) dias. Caso não haja a nomeação no prazo estipulado ou legal, a contratação será válida entre os contratantes originais. A aceitação da pessoa nomeada deve se dar da mesma forma que as partes usaram no contrato. Assim, se o contrato foi por instrumento público, assim também deve ser a aceitação. Por fim, não é necessário que seja celebrado um instrumento contratual próprio apenas para que haja o contrato com pessoa a declarar, é possível que haja, tão somente, cláusula contratual com essa previsão. 3. Extinção dos contratos (arts. 472 a 480, CC). No mundo ideal, onde todos cumprem com suas obrigações, o contrato será extinto com o adimplemento das obrigações contratuais. Porém, sabemos que nem sempre isso ocorrerá. Por muitas vezes, surgirão problemas ou descumprimento de obrigações que farão com que haja o anseio de um dos contratantes, ou de ambos, pela extinção forçada do contrato celebrado. A extinção dos contratos é analisada, de modo geral, a partir do instituto da rescisão contratual (em sentido amplo). A partir da rescisão, temos as demais formas de extinção contratual. Iremos, a partir daqui, analisar as espécies de extinção contratual. 3.1. Resolução. A resolução irá ocorrer quando houver o inadimplemento de uma das partes. Assim, tecnicamente, quando ocorrer o inadimplemento das partes, o contrato será resolvido. Imagine, por exemplo, que eu celebrei contrato de compra e venda de um carro com Paul McCartney, pelo qual, ficou acordado que ele me pagaria o valor integral de R$ 30.000,00 (trinta mil reais), cinco dias após a assinatura do contrato. Passado o prazo, ele não realizou o pagamento. Desse modo, eu posso pleitear a resolução contratual, em razão do inadimplemento de Paul McCartney. CUIDADO MASTER BLASTER MEGA HIPER SUPER!!! Em que pese a ausência de pagamento ser a forma mais cotidiana de inadimplemento de obrigações, não é a única. Assim, em regra, qualquer espécie inadimplemento de obrigações poderá ensejar a resolução dos contratos. A eficácia da resoluçãoé, de forma geral, ex tunc, ou seja, retroage. Contudo, nem sempre será possível que seja aplicado o efeito retroativo. Como assim, Adive? Imagine um contrato de locação. Eu aluguei meu imóvel para você, que cumpriu com suas obrigações por um ano, mas depois atrasou seis meses seguidos de aluguel. Entramos em consenso pela resolução do contrato. Veja que, nesse exemplo, não é possível retroagirmos os efeitos, uma vez que você já morou no imóvel por determinado tempo. A resolução pode se dar de modo expresso, tácito, ou por onerosidade excessiva. A resolução expressa é aquela que há a previsão direta em instrumento contratual, como por exemplo, as cláusulas contratuais que abordam que se não houver determinado pagamento até certa data, haverá multa de x% e o contrato será extinto. Tal cláusula não precisa de intervenção do poder judiciário para ser cobrada. A resolução tácita é aquela que não está diretamente prevista no instrumento contratual, dependendo, pois, de determinação judicial. Por fim, a resolução por onerosidade excessiva é aquela que ocorre quando o contrato se tornou demasiadamente oneroso para uma das partes. Tal espécie está prevista nos arts. 478 a 480 do CC. Vejamos: Art. 478. Nos contratos de execução continuada ou diferida, se a prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra, em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, poderá o devedor pedir a resolução do contrato. Os efeitos da sentença que a decretar retroagirão à data da citação. ATENÇÃO MASTER BLASTER MEGA HIPER SUPER!! Não cabe resolução por onerosidade excessiva em contratos de execução instantânea, tão somente naqueles de execução continuada ou diferida. Assim, vejamos os requisitos que autorizam a resolução por onerosidade excessiva: • Contratos de execução continuada ou diferida; • Prestação da parte se tornou excessivamente oneroso; Veja que não basta que se torne apenas mais oneroso, é necessário que se torne excessivamente oneroso; • Vantagem extrema para a outra parte; • Acontecimentos extraordinários e imprevisíveis. Então, se o fator que gerou a onerosidade excessiva for algo ordinário, não poderá ensejar tal resolução. Por exemplo, a variação do dólar não pode ensejar tal resolução, pois é um fator ordinário, apesar de imprevisível. Os requisitos citados são cumulativos. Analisemos, agora, o art. 479: Art. 479. A resolução poderá ser evitada, oferecendo-se o réu a modificar eqüitativamente as condições do contrato. Nesse caso, o réu poderá se oferecer para que mude as cláusulas do contrato a fim de que não haja a resolução da celebração. Por fim, vejamos o art. 480: Art. 480. Se no contrato as obrigações couberem a apenas uma das partes, poderá ela pleitear que a sua prestação seja reduzida, ou alterado o modo de executá-la, a fim de evitar a onerosidade excessiva. Pelo artigo citado, se o contrato for unilateral (obrigações apenas a uma das partes), é possível requerer que a obrigação seja reduzida, ou que seja alterada a forma como ela é executada, buscando, assim, que não haja a resolução do contrato. 3.1.1. Adimplemento substancial. Essa hipótese não é trazida expressamente pelo Código Civil, motivo pelo qual, trouxe em um tópico separado. Foi adotado pacificamente a partir da IV Jornada de Direito Civil, por meio do enunciado 361, com o seguinte teor “O adimplemento substancial decorre dos princípios gerais contratuais, de modo a fazer preponderar a função social do contrato e o princípio da boa-fé objetiva, balizando a aplicação do art. 475.” Desse modo, o adimplemento substancial consiste em uma teoria, pela qual não operará a resolução quando o devedor, ainda que não tenha cumprido de modo integral com a sua obrigação, tiver cumprido de modo aproximado (substancial), como por exemplo, em um contrato de compra e venda em que o devedor deveria pagar R$ 20.000,00 (vinte mil reais) por determinada coisa e paga R$ 19.800,00 (dezenove mil e oitocentos reais). 3.2. Resilição. Diferentemente da resolução, a resilição não é a extinção decorrente de inadimplemento de uma das partes, mas em decorrência do arrependimento da parte. Um exemplo claro é o do direito de arrependimento trazido pelo Código de Defesa do Consumidor – CDC, pelo qual, quando uma compra for feita fora do estabelecimento comercial, como pela internet, por exemplo, o consumidor pode se arrepender no prazo de 07 (sete) dias. Nesse caso, será feita a resilição do contrato de compra e venda. Quanto à eficácia, a resilição não retroage, sendo, portanto, ex nunc, ou seja, irretroativa. Adive, sempre confundo isso de ex nunc e ex tunc, tem um jeito de ajudar a memorizar? Claro! Ex Tunc, com T de Testa, retroage. Ex Nunc, com N de Nuca, não retroage. Guarde: Fonte: Google imagens A resilição pode se dar de modo unilateral ou bilateral. A resilição unilateral é também chamada de denúncia. Por outro lado, a resilição bilateral é também denominada de distrato. Vejamos a previsão do CC quanto à forma do distrato: Art. 472. O distrato faz-se pela mesma forma exigida para o contrato. ATENÇÃO MASTER BLASTER MEGA HIPER SUPER!!! A forma do distrato é aquela exigida para o contrato e não aquela em que foi celebrado o contrato. Assim, se determinada forma for exigida, mas além dela, os contratantes trouxerem mais requisitos lícitos na contratação, tais novos requisitos de forma não se aplicarão ao distrato, tão somente aqueles que já são legalmente exigidos para a contratação, ok? A denúncia (unilateral) pode ser motivada ou imotivada. Podemos, aqui, aplicar, analogicamente, a relação de emprego, quando há demissão (resilição) por justa causa (motivada) ou sem justa causa (imotivada). Quando a denúncia for motivada, será denominada de denúncia cheia, já quando for imotivada, será denominada de denúncia vazia. Basta lembrar de cheia de motivos (denúncia cheia) ou vazia de motivos (denúncia vazia). Por fim, em caso de denúncia (resilição unilateral), se a parte tiver feito investimentos para a execução do contrato, ela só poderá ocorrer após transcurso de prazo suficiente para que a parte possa reaver o que investiu. 3.2.1. Multa na Resilição x Multa na Resolução. Ocorrendo a resolução ou a resilição, obviamente, será necessário penalizar aquele que deu causa à extinção. Se for na resolução, ocorrerá por inadimplemento, como vimos, havendo cláusula penal. Se for na resilição, ocorrerá por arrependimento da parte, havendo multa penitencial. Em resumo: Fonte: Estratégia concursos 3.3. Rescisão. Essa é a rescisão em sentido estrito, sendo aplicável, de modo geral, aos casos de lesão, estado de perigo, ou vícios de consentimento. Então, guarde as hipóteses de extinção do contrato: Fonte: Estratégia Concursos 3.4. Exceção de contrato não cumprido. É trazido pelo CC nos artigos 476 e 477. Quando o contrato for bilateral, tendo ônus e obrigações recíprocas entre os contratantes, nenhum deles poderá exigir que o outro cumpra com a obrigação antes de ter cumprido regularmente com a sua. Assim, quando uma das partes contratuais não cumprir com a sua obrigação, poderá pleitear a exceção de contrato não cumprido a fim de justificar a sua inadimplência. Professor, não consegui entender. Pode dar um exemplo? Imagine que eu contratei um engenheiro para construir a minha casa. A título de honorários, eu pagaria, mensalmente, R$ 2.000,00 (dois mil reais). Ao chegar no terceiro mês, não realizei o pagamento. Desse modo, o engenheiro pode invocar a exceção de contrato não cumprido, alegando que eu não adimpli com a minha obrigação e não continuar com a obra até que eu cumpra com a minha obrigaçãode pagar os honorários que estão atrasados. Conseguiu compreender? 4. Considerações finais. Assim, encerramos o nosso encontro de hoje e, consequentemente, com a Teoria Geral dos Contratos. A partir da próxima aula, já iniciaremos o estudo dos contratos em espécie, analisando o contrato de compra e venda. Bons estudos e até a próxima aula!