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FLEURY, S. Políticas sociais. In:OLIVEIRA, D.A.; DUARTE, A.M.C.; VIEIRA, L.M.F. DICIONÁRIO : 
trabalho, profissão e condição docente. Belo Horizonte: UFMG/Faculdade de Educação, 2010. CDROM 
POLÍTICAS SOCIAIS 
 
O termo designa o conjunto de intervenções políticas de caráter distributivo, voltadas para 
assegurar o exercício dos direitos sociais da cidadania e impulsionar a segurança e coesão 
da sociedade por meio do acesso e utilização de benefícios e serviços sociais considerados 
como necessários para promover a justiça social e o bem-estar dos membros da 
comunidade. 
A proteção social, nas sociedades tradicionais, é parte da esfera familiar ou da caridade 
religiosa e se insere nas relações de troca de dependência por proteção tutelada. Sua 
inserção como parte da esfera pública foi consequência das novas relações de produção no 
capitalismo industrial, que destruiu os laços tradicionais de proteção e, inicialmente, deixou 
desprotegidos os pobres e trabalhadores, em nome do liberalismo que apregoava a 
liberdade dos indivíduos e o Estado mínimo (POLANYI, 1980). A educação foi a primeira 
política social aceita pelos liberais, na medida em que ela assegurava a igualdade de 
oportunidades e seus beneficiários não eram ainda cidadãos, portanto não estavam sendo 
assim tutelados pelo Estado. 
As demais políticas sociais vieram responder muito mais às demandas dos trabalhadores do 
que à questão da pobreza, mas, ao permitir por seu intermédio uma melhor distribuição da 
riqueza, elas contribuíram para elevar o padrão de vida nas sociedades. As lutas dos 
trabalhadores foram fundamentais para a inclusão dos direitos sociais como parte da 
condição de cidadania, mas as políticas sociais também foram utilizadas como forma de 
desmobilizar a agitação operária, compatibilizando um sistema produtivo baseado na 
desigualdade de classes com um status político de cidadão, baseado na igualdade de todos 
diante do Estado (MARSHALL, 1967). 
A introdução das políticas sociais como direitos de cidadania alterou a estrutura restrita do 
Estado em direção a um Estado ampliado. No entanto, essas mudanças não se deram de 
forma idêntica em cada sociedade, pois a assimilação das demandas sociais foi 
institucionalizada a partir dos valores predominantes e das estruturas sociais existentes, em 
FLEURY, S. Políticas sociais. In:OLIVEIRA, D.A.; DUARTE, A.M.C.; VIEIRA, L.M.F. DICIONÁRIO : 
trabalho, profissão e condição docente. Belo Horizonte: UFMG/Faculdade de Educação, 2010. CDROM 
uma dada correlação de forças sociais. Analisando casos históricos sobre o 
desenvolvimento dos sistemas de proteção social em países considerados industrializados, 
foi possível construir uma tipologia das formas de proteção social. Nessa tipologia, além 
dos elementos ideológicos e valorativos que estão nas bases dos sistemas de proteção, são 
incluídos os elementos organizativos e institucionais. Por fim, nessa tipologia, são 
assinaladas as relações entre os modelos de proteção social e as condições de cidadania 
geradas em cada caso. Portanto, os mesmos benefícios concedidos podem ter significados 
políticos distintos. 
Os diferentes modelos podem ser entendidos a partir da modalidade de proteção social que 
provêm os critérios de organização dos sistemas e de incorporação das demandas sociais, 
por meio de uma institucionalidade específica. Assim, encontramos as seguintes 
modalidades da proteção social: a assistência social, o seguro social e a seguridade 
social. Por outro lado, tomando a expressão jurídica e política da articulação 
Estado/Sociedade em cada uma das modalidades, encontramos, respectivamente, as 
relações de cidadania invertida, cidadania regulada e cidadania universal. Os 
diferentes modelos de proteção social podem ser assim resumidos: (FLEURY, 1994). 
No modelo assistencial, as ações, de caráter emergencial, estão dirigidas aos grupos de 
pobres mais vulneráveis, inspiram-se em uma perspectiva caritativa e reeducadora, 
organizam-se em base à associação entre trabalho voluntário e políticas públicas, 
estruturam-se de forma pulverizada e descontínua, gerando organizações e programas 
muitas vezes superpostos. Embora permitam o acesso a certos bens e serviços, não 
configuram uma relação de direito social, tratando-se de medidas compensatórias que 
terminam por ser estigmatizantes. Por isso, denomino a esta relação como de cidadania 
invertida, na qual o indivíduo tem que provar que fracassou no mercado para ser objeto da 
proteção social. 
No modelo de seguro social, a proteção social dos grupos ocupacionais estabelece uma 
relação de direito contratual, na qual os benefícios são condicionados às contribuições 
pretéritas e à afiliação dos indivíduos a tais categorias ocupacionais que são autorizadas a 
operar um seguro. A organização altamente fragmentada dos seguros expressa a concepção 
FLEURY, S. Políticas sociais. In:OLIVEIRA, D.A.; DUARTE, A.M.C.; VIEIRA, L.M.F. DICIONÁRIO : 
trabalho, profissão e condição docente. Belo Horizonte: UFMG/Faculdade de Educação, 2010. CDROM 
dos benefícios como privilégios diferenciados de cada categoria, como resultado de sua 
capacidade de pressão sobre o governo. Como os direitos sociais estão condicionados à 
inserção dos indivíduos na estrutura produtiva, Wanderley G. dos Santos (1979) denominou 
a relação como de cidadania regulada pela condição de trabalho. 
No modelo de seguridade social, busca-se romper com as noções de cobertura restrita a 
setores inseridos no mercado formal e afrouxar os vínculos entre contribuições e benefícios, 
gerando mecanismos mais solidários e redistributivos. Os benefícios passam a ser 
concedidos a partir das necessidades, com fundamentos nos princípios da justiça social, o 
que obriga a estender universalmente a cobertura e integrar as estruturas governamentais. 
Portanto, nesse caso, o Estado passa a assegurar os direitos sociais estendidos a uma 
cidadania universal. 
Um exemplo da implantação desse último modelo em país em desenvolvimento encontra-se 
na Constituição Federal Brasileira de 1988. Como outros países que se democratizaram, 
buscou-se incluir os direitos sociais como parte da condição de cidadania. Nela, define-se 
um novo padrão constitucional da política social que se caracteriza pela universalidade na 
cobertura, o reconhecimento dos direitos sociais, inclusive a uma renda mínima, a 
afirmação do dever do estado, a subordinação das práticas privadas à regulação em função 
da relevância pública das ações e serviços nessas áreas, uma perspectiva publicista de 
cogestão governo/sociedade, um arranjo organizacional descentralizado. 
A originalidade da Seguridade Social brasileira está dada em seu forte componente de 
reforma do Estado, ao redesenhar as relações entre os entes federativos e ao instituir formas 
concretas de participação e controle sociais, com mecanismos de articulação e pactuação 
entre os três níveis de governo. A organização dos sistemas de proteção social deveria 
adotar o formato de uma rede descentralizada, integrada, com comando político único e um 
fundo de financiamento em cada esfera governamental, regionalizada e hierarquizada, com 
instâncias deliberativas que garantissem a participação paritária da sociedade organizada 
em cada esfera governamental. 
 
FLEURY, S. Políticas sociais. In:OLIVEIRA, D.A.; DUARTE, A.M.C.; VIEIRA, L.M.F. DICIONÁRIO : 
trabalho, profissão e condição docente. Belo Horizonte: UFMG/Faculdade de Educação, 2010. CDROM 
SONIA FLEURY 
 
FLEURY, S. Estados sem cidadãos: a seguridade social na América Latina. Rio de 
Janeiro: Fiocruz, 1994. 
MARSHALL, T. H. Cidadania, classe social e status. Rio de Janeiro: Zahar, 1967. 
POLANYI, K. A grande transformação: as origens da nossa época. Rio de Janeiro: 
Campus, 1980. 
SANTOS. W. G. Cidadania e justiça. Rio de Janeiro: Campus, 1979. 
OLIVEIRA, D.A. Política educacional. In: OLIVEIRA, D.A.; DUARTE, A.M.C.; VIEIRA, L.M.F.DICIONÁRIO: 
trabalho, profissão e condição docente. Belo Horizonte: UFMG/Faculdade de Educação, 2010. CDROM 
 
POLÍTICA EDUCACIONAL 
 
Para melhor compreender o que é política educacional é necessário refletir sobre os dois 
termos que compõem o conceito. Por política podemos compreender arte ou ciência de 
governar ou ainda o espaço da Polis, da cidade grega, da coletividade. Já o termo 
educacional deriva de certo anglicismo que nos leva a adjetivar o que é relativo à 
educação. Para Van Zanten (2008), as políticas educacionais podem ser definidas como 
programas de ação governamental, informadas por valores e ideias que se dirigem aos 
públicos escolares e que são implementadas pela administração e os profissionais da 
educação. Nessa abordagem, a política educacional é sempre estatal e de caráter 
institucional, portadora de uma intencionalidade. O que exige, então, compreendê-la 
sempre no âmbito do Estado e sujeita às decisões governamentais. Para O’Donnel 
(2002), o conceito de Estado é uma relação social que resulta equivalente ao plano do 
especificamente político e, por sua vez, é um aspecto do fenômeno mais amplo da 
dominação social. Essa dominação relacional é uma modalidade de vinculação entre 
sujeitos sociais, sendo por definição assimétrica, já que é uma relação de desigualdade. 
Essa assimetria surge do controle diferenciado de certos recursos: o controle dos meios 
de coerção física; o controle dos recursos econômicos; o controle dos recursos de 
informação (conhecimentos científicos e tecnológicos) e o controle ideológico. O 
controle desses recursos varia de acordo com fatores que determinam seu acesso de 
maneira desigual, sendo que a articulação desigual entre as classes sociais na sociedade 
é o determinante dessa distribuição. O Estado se apresenta como a expressão de um 
interesse mais geral que o dos sujeitos sociais de cuja relação ele emana, mas esse 
interesse não é neutro ou igualitário, é o da reprodução de uma relação social que 
articula desigual e contraditoriamente a sociedade. Sua objetivação é o Direito moderno, 
racional e formal, que consagra o sujeito social como sujeito jurídico, no plano da 
igualdade correspondente ao plano da circulação de capital. O sujeito jurídico criado 
pelo direito racional-formal é a entidade abstrata que contrata, livre e, portanto, 
validamente, a venda de sua força de trabalho. Assim, o Estado pode ser caracterizado 
como muito bem o fez Weber (1982), como uma instituição política que detém o 
monopólio da força/violência (meios de coação) em um determinado território. Ainda 
OLIVEIRA, D.A. Política educacional. In: OLIVEIRA, D.A.; DUARTE, A.M.C.; VIEIRA, L.M.F. DICIONÁRIO: 
trabalho, profissão e condição docente. Belo Horizonte: UFMG/Faculdade de Educação, 2010. CDROM 
 
segundo O’Donnel (2002), o Estado como toda relação social é uma relação de força. 
Desse modo, um terceiro sujeito social precisa ser levado em conta: as instituições 
estatais. Elas são a reificação ou coisificação desse Estado, as instituições estatais são, 
portanto, um fetiche. Essas instituições parecem acima da sociedade, como a 
organização pública e coercitivamente suportada de uma superfície que encobre as 
rupturas que constituem o que é. É assim que o Estado aparece como uma força externa 
movida por uma racionalidade superior, apresentando-se como a encarnação de uma 
ordem justa, como árbitro neutro. A sociedade civil enclausurada no privado não pode 
imputar a generalidade que os interesses e as instituições estatais parecem servir. Por 
isso, elas se apresentam como as portadoras dos interesses públicos e, muitas vezes, do 
universal. As políticas públicas emanadas pelo Estado apresentam-se como dirigidas por 
interesse universal, ainda que focalizadas a determinados públicos-alvo. Contudo, essas 
políticas são resultantes de disputas em que os grupos organizados tentam legitimar 
como universais, acima de particularismos, seus próprios interesses. Para Paviglianiti 
(1993), a política educacional estuda as relações de força e tenta dar direção ao processo 
educativo e às disputas que ocorrem dentro do Estado para a configuração e o controle 
da prática institucionalizada da educação dentro de uma formação histórica 
determinada. Nesse sentido, a política educacional deve ser compreendida como 
resultante da correlação de forças entre distintos projetos, o que resulta em que 
comporte contradições no seu âmago. A legislação é a objetivação desse processo, o que 
muitas vezes reduz à luta política, por exemplo, pelo direito à educação, à formalização 
jurídica dessa conquista. As políticas educacionais sempre foram dirigidas à noção de 
justiça social, de promoção da igualdade entre os indivíduos, independente de sua 
condição econômica. O ideal de igualdade de oportunidades e a laicidade do ensino que 
orientou desde os primórdios a organização dos sistemas escolares republicanos podem 
ser considerados os principais vetores da política educacional do Século XX. Após 
longo período de expansão da educação, as políticas públicas educacionais foram 
confrontadas ao fracasso escolar das crianças e jovens originários dos meios populares, 
o que acabou resultando em reorientação dessas políticas para o desenvolvimento de 
ações compensatórias e de discriminação positiva. Segundo Van Zanten (2008), o 
enfraquecimento da noção de laicidade e a falta de consenso em torno do ideal de 
igualdade de oportunidades (mérito) favoreceram a emergência de outro ideal: a 
OLIVEIRA, D.A. Política educacional. In: OLIVEIRA, D.A.; DUARTE, A.M.C.; VIEIRA, L.M.F. DICIONÁRIO: 
trabalho, profissão e condição docente. Belo Horizonte: UFMG/Faculdade de Educação, 2010. CDROM 
 
eficácia. Esse ideal tem encontrado dificuldades, entretanto, na fraca crença no papel 
dos conhecimentos e experimentações como ponto de apoio para a elaboração das 
políticas educacionais. 
A crise na orientação das políticas educacionais que emergiu, sobretudo, nas últimas 
décadas do Século XX foi resultado de novas exigências apresentadas por movimentos 
sociais em defesa de seu reconhecimento, entre eles: movimentos feministas, 
étnicos/raciais, de portadores de deficiência, etc. Tais movimentos passaram a 
questionar os critérios de justiça social assentados no princípio de redistribuição 
econômica - o ideal de igualdade de oportunidades, fundado na meritocracia e na 
possibilidade de mobilidade social - que orientaram as políticas educacionais na 
organização dos sistemas escolares nacionais (PETITAT, 1994). Esses movimentos 
exigem novos critérios de justiça calcados no reconhecimento de sua condição 
(FRASER, 2001). Nas últimas décadas do Século XX, assistimos a um amplo processo 
de reformas educacionais em vários países no mundo, capitaneado em grande medida 
por organismos internacionais vinculados à ONU, que buscaram o redirecionamento das 
políticas educativas, cujo emblema foi a educação para todos com equidade social. 
 
DALILA ANDRADE OLIVEIRA 
 
FRASER, N. Da redistribuição ao reconhecimento? Dilemas da justiça na era pós-
socialista. In: SOUZA, J. (Org.). Democracia hoje: novos desafios para a teoria 
democrática contemporânea. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2001. p. 245-
282. 
INNERARITY, D. O novo espaço público. Lisboa: Teorema, 2010. 
O'DONNEL, G. Anotações para uma teoria do Estado. Campinas: Instituto de 
Geociências, 2002. Disponível em: . Acesso 
em: 1 out. 2010. 
OLIVEIRA, D.A. Política educacional. In: OLIVEIRA, D.A.; DUARTE, A.M.C.; VIEIRA, L.M.F. DICIONÁRIO: 
trabalho, profissão e condição docente. Belo Horizonte: UFMG/Faculdade de Educação, 2010. CDROM 
 
PAVIGLIANITI, N. Aproximaciones al desarrollo histórico de la política 
educacional. Buenos Aires: Oficina de Publicaciones de la Facultad de Filosofía y 
Letras, UBA, 1993. 
PETITAT,A. Produção da escola, produção da sociedade: análise sócio-histórica de 
alguns momentos decisivos da evolução escolar no ocidente. Porto Alegre: Artes 
Médicas, 1994. 
VAN ZANTEN, A. Politiques éducatives. In: VAN ZANTEN, A. (Dir.) Dictionnaire 
de l’éducation. Paris: Quadrige/PUF, 2008. 
WEBER, M. Ensaios de sociologia. Rio de Janeiro: Ed. Guanabara, 1982.

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