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SURSIS (Se fala “Sursi”) NATUREZA JURÍDICA O SURSIS é um benefício, um direito subjetivo do condenado que consistente na suspensão da execução da pena privativa de liberdade. Permite ao indivíduo condenado por infrações de menor gravidade a satisfação de sua pena de forma mais branda CLASSIFICAÇÃO DO SURSIS (MODALIDADES) O sursis pode ser classificado como: · Simples - art. 77 CP · Especial - art. 78 § 2º CP · Etário e Humanitário - Art. 77 § 2º CP ARTIGOS Art. 77 - A execução da pena privativa de liberdade, não superior a 2 (dois) anos, poderá ser suspensa, por 2 (dois) a 4 (quatro) anos ART. 78 § 2° - Se o condenado houver reparado o dano, salvo impossibilidade de fazê-lo, e se as circunstâncias do art. 59 deste Código lhe forem inteiramente favoráveis, o juiz poderá substituir a exigência do parágrafo anterior pelas seguintes condições, aplicadas cumulativamente a) proibição de frequentar determinados lugares; b) proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do juiz; c) comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e justificar suas atividades. Art. 77 § 2º - A execução da pena privativa de liberdade, não superior a quatro anos, poderá ser suspensa, por quatro a seis anos, desde que o condenado seja maior de setenta anos de idade, ou razões de saúde justifiquem a suspensão. REQUISITOS PARA SURSIS OBJETIVOS · Pena até 2 anos (Simples / Especial) · Pena até 4 anos (Etário / Humanitário) · Que não caiba restritivas de direitos ou pena de multa SUBJETIVOS · Que não seja reincidência em crime DOLOSO · Que as circunstâncias judiciais sejam favoráveis OBS - A condenação anterior a pena de multa NÃO IMPEDE a concessão do benefício “Art. 80 - A suspensão não se estende às penas restritivas de direitos nem à multa” OBS2 : Inquérito policial e processo em andamento não caracteriza mais antecedentes (S444 STJ “444-STJ. É vedada a utilização de inquéritos policiais e ações penais em curso para agravar a pena-base” No caso de SURSIS ETÁRIO E HUMANITÁRIO, a lei estabelece: · Limite da pena · Período de suspensão · Caracterização do etário (idade) · Caracterização do humanitário (doença) Além desses pontos, a lei não fornece mais detalhes sobre os institutos etário e humanitário. Portanto, para aplicar corretamente o sursis etário e humanitário, é necessário seguir as mesmas regras do sursis simples e especial No estudo do sursis, começa-se pelo entendimento do SURSIS SIMPLES. No entanto, na prática, o SURSIS ESPECIAL é frequentemente aplicado. Isso ocorre porque a lei exige a reparação do dano, salvo impossibilidade. Quando se comprova a impossibilidade de reparar o dano (por exemplo, devido à idade avançada ou doença), o juiz pode aplicar as regras do SURSIS ESPECIAL. Assim, mesmo que a base teórica seja o SURSIS SIMPLES, a prática leva em consideração as circunstâncias especiais para determinar a aplicação mais adequada. PERÍODO DE PROVA (Vide quadro) Condenação poderá ser suspensa pelo sursis, por 2 (dois) a 4 (quatro) anos, desde que cumpridas as condições estabelecidas pelo juiz. Art. 78 - Durante o prazo da suspensão, o condenado ficará sujeito à observação e ao cumprimento das condições estabelecidas pelo juiz. · 1º ANO Deverá o condenado prestar serviços à comunidade OU submeter-se à limitação de fim de semana. · SUBSTITUIÇÃO DA EXIGÊNCIA Se o condenado tiver reparado o dano (se possível) e se as circunstâncias do caso forem favoráveis, o juiz pode substituir a exigência anterior por outras condições, que podem incluir: a) Proibição de frequentar determinados lugares; b) Proibição de sair da cidade onde reside sem autorização do juiz; c) Comparecimento mensal obrigatório ao tribunal para informar e justificar suas atividades. Essas condições são aplicadas cumulativamente, ou seja, o condenado pode ter que cumprir mais de uma delas ao mesmo tempo. SIMPLES ESPECIAL HUMANITÁRIO/ETÁRIO PENA ATÉ 2 ANOS ATÉ 2 ANOS ATÉ 4 ANOS BENEFICIADO QUALQUER PESSOA QUALQUER PESSOA DOENTE OU + DE 70 ANOS 1º ANO SURSIS PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COMUNITÁRIOS DISPENSADO PRESTAÇÃO DE SERVIÇO COMUNITÁRIO E LIMITAÇÃO DE FINAL DE SEMANA. SEGUE A REGRA DO SIMPLES E ESPECIAL OBS: JUIZ PODE FIXAR OUTRAS CONDIÇÕES JUDICIAIS (ART 79 CP) PORÉM: PROIBIÇÃO DE FREQUENTAR LUGARES, PROIBIÇÃO DE SE AUSENTAR DA COMARCA E COMPARECIMENTO PARA INFORMAÇÕES DEVIDAS. OBS: PRÁTICA ESPECIAL (RAZÃO??? SALVO IMPOSSIBILIDADE) PERÍODO DE PROVAS 2 a 4 anos 2 a 4 anos 4 a 6 anos REVOGAÇÃO DA SURSIS · OBRIGATÓRIA O benefício será obrigatoriamente revogado, no curso do prazo, nos casos que: · O beneficiado seja definitivamente condenado por outro crime doloso; · Não efetua, sem motivo justificado, a reparação do dano; · Descumpra no 1º anos das condições impostas pelo magistrado (PSC). Obs: Não importa o momento do crime – Importa a condenação provada por certidão (Efeito automático – Não tem contraditório) Obs 2: Condenado a crime doloso com pena de multa, não perde o sursis. · FACULTATIVA (Aqui o Juiz analisa o caso concreto) · Superveniência de condenação IRRECORRÍVEL a pena privativa de liberdade ou restritiva de direitos por crime culposo ou por contravenção · Descumprimento de qualquer condição judicial · Obs: Aqui abre contraditório para o beneficiário se explicar. CASSAÇÃO SURSI ( Nem inicia!!!) · Não aceita o benefício · Não comparece para audiência admonitória para aceitar o benefício e as condições PRORROGAÇÃO DO PERÍODO DE PROVA Prorrogação do Período de Prova Existem duas situações em que o período de prova do sursis pode ser prorrogado: 1. Outro Processo em Andamento: Se a pessoa beneficiada pelo sursis está sendo processada por outro crime ou contravenção, o prazo da suspensão fica prorrogado até o julgamento final desse novo processo. Isso significa que o período de prova é suspenso até que haja uma decisão definitiva. 2. Revogação Facultativa: Quando a revogação do sursis é opcional para o juiz, ele pode decidir não revogar imediatamente a suspensão da pena. Se o beneficiário violar as condições do sursis, o juiz pode prorrogar o período de prova até o limite máximo permitido, dando uma segunda chance para cumprir as condições e demonstrar capacidade de reintegração à sociedade. Essa prorrogação oferece ao beneficiário a oportunidade de se ressocializar e seguir as condições impostas, sem a necessidade imediata de revogar o benefício da suspensão da pena EXTINÇÃO DA PENA Expirado o prazo sem que tenha havido revogação e mediante o cumprimento das condições o condenado obtém a extinção de sua pena.