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<p>Sursis Penal e Livramento</p><p>Condicional</p><p>Matheus Nascimento</p><p>Servidor Público Federal e Advogado</p><p>Pós Graduado em Direito Penal e Processo Penal</p><p>Ex-assessor de Procurador da República - MPF/RS</p><p>Art. 77 - A execução da pena privativa de liberdade, não superior a 2 (dois) anos, poderá ser</p><p>suspensa, por 2 (dois) a 4 (quatro) anos, desde que:</p><p>I - o condenado não seja reincidente em crime doloso;</p><p>II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e personalidade do agente, bem como os motivos</p><p>e as circunstâncias autorizem a concessão do benefício;</p><p>III - Não seja indicada ou cabível a substituição prevista no art. 44 deste Código.</p><p>§1º - A condenação anterior a pena de multa não impede a concessão do benefício.</p><p>§2º A execução da pena privativa de liberdade, não superior a quatro anos, poderá ser suspensa, por</p><p>quatro a seis anos, desde que o condenado seja maior de setenta anos de idade, ou razões de</p><p>saúde justifiquem a suspensão.</p><p>Art. 78 - Durante o prazo da suspensão, o condenado ficará sujeito à observação e ao cumprimento das</p><p>condições estabelecidas pelo juiz.</p><p>§ 1º - No primeiro ano do prazo, deverá o condenado prestar serviços à comunidade (art. 46) ou</p><p>submeter-se à limitação de fim de semana (art. 48).</p><p>§ 2° Se o condenado houver reparado o dano, salvo impossibilidade de fazê-lo, e se as</p><p>circunstâncias do art. 59 deste Código lhe forem inteiramente favoráveis, o juiz poderá substituir a</p><p>exigência do parágrafo anterior pelas seguintes condições, aplicadas cumulativamente:</p><p>a) proibição de frequentar determinados lugares;</p><p>b) proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do juiz;</p><p>c) comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e justificar suas</p><p>atividades.</p><p>Art. 89. Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou inferior a um ano,</p><p>abrangidas ou não por esta Lei, o Ministério Público, ao oferecer a denúncia, poderá</p><p>propor a suspensão do processo, por dois a quatro anos, desde que o acusado não</p><p>esteja sendo processado ou não tenha sido condenado por outro crime, presentes os</p><p>demais requisitos que autorizariam a suspensão condicional da pena (art. 77 do Código</p><p>Penal).</p><p>Sursis Penal ≠ Sursis Processual</p><p>A suspensão condicional da pena ("sursis")</p><p>● Dentro do espírito de evitar o recolhimento do condenado à</p><p>prisão (de curta duração), o nosso ordenamento penal (CP, arts.</p><p>77 a 82, LEP, arts. 156 a 163) prevê o "sursis", instituto de política</p><p>criminal que suspende, por um tempo certo (período de prova), a</p><p>execução da pena privativa de liberdade, ficando o sentenciado em</p><p>liberdade sob determinadas condições.</p><p>Para nós, hoje, a suspensão condicional da pena é, como disse Soler, é uma</p><p>verdadeira condenação, ou seja, não é mais que uma simples modificação na forma</p><p>de cumprimento das penas que suspende, especialmente na regulamentação do</p><p>Código Penal brasileiro, que determina que, determina que, no primeiro ano de</p><p>prazo, deverá o condenado prestar serviços à comunidade (art. 46) ou submeter-se à</p><p>limitação de fim de semana (art. 48)'. Em realidade é uma alternativa aos meio</p><p>sancionatórios tradicionais com que conta o moderno Direito Penal." (Bitencourt)</p><p>Espécies, requisitos e condições</p><p>Da combinação dos arts. 77 e 78 do Código Penal, o</p><p>legislador nos apresenta quatro espécies de "sursis":</p><p>1)"sursis" simples (art. 77 c.c. o art. 78, §1°);</p><p>2)"sursis" especial (art. 77 c.c. o art. 78, §2º);</p><p>3)"sursis" etário (art. 77, §2º, 1ª parte) e</p><p>4)"sursis" humanitário (art. 77, §2º, 2ª, parte).</p><p>● Basicamente, nos dois primeiros (simples e especial), a pena</p><p>privativa de liberdade a ser suspensa não pode ser superior a</p><p>2 anos (considerando-se o concurso de crimes), caso em que o</p><p>período de prova será de 2 a 4 anos;</p><p>● Nos dois últimos (etário e humanitário), a pena a ser suspensa</p><p>não pode suplantar 4 anos (também levando em conta o</p><p>concurso de crimes), com período de prova variando de 4 a 6</p><p>anos.</p><p>● Só se beneficia do "sursis" etário o condenado maior de 70</p><p>anos (não importando sua condição física), enquanto no</p><p>humanitário razões de saúde justificam a suspensão (doenças</p><p>que têm o tratamento impossibilitado no regime prisional).</p><p>PERÍODO DE PROVA E ESCOLHA DAS CONDIÇÕES</p><p>● Deve variar o período de prova em três patamares:</p><p>a) de 2 a 4 anos, para penas que não ultrapassem 2 anos;</p><p>b) de 4 a 6 anos para penas superiores a 2 anos, que não ultrapassem 4 (sursis</p><p>etário ou para enfermo);</p><p>c) de 1 a 3 anos para penas provenientes de contravenções penais.</p><p>● Quanto à duração do cumprimento das condições, indica o § 1.º do art. 78 que o</p><p>condenado, no primeiro ano do prazo, deve prestar serviços à comunidade ou</p><p>submeter-se à limitação de fim de semana.</p><p>● Portanto, também quando forem aplicadas as condições do § 2.º do art. 78, em</p><p>lugar das primeiras, devem elas ser cumpridas apenas pelo período de um ano. O</p><p>mesmo se diga quanto às condições peculiares previstas no art. 79.</p><p>● Preceitua, ainda, o art. 80 do Código Penal que a suspensão da pena não se aplica às</p><p>restritivas de direitos, o que é lógico.</p><p>CAUSAS DE REVOGAÇÃO</p><p>● Revogação obrigatória;</p><p>Art. 81 - A suspensão será revogada se, no curso do prazo, o</p><p>beneficiário:</p><p>I - é condenado, em sentença irrecorrível, por crime doloso;</p><p>II - frustra, embora solvente, a execução de pena de multa ou não efetua,</p><p>sem motivo justificado, a reparação do dano;</p><p>III - descumpre a condição do § 1º do art. 78 deste Código (prestar</p><p>serviços à comunidade (art. 46) ou submeter-se à limitação de fim de</p><p>semana (art. 48)).</p><p>Revogação facultativa</p><p>Fixa o art. 81, § 1.º, do Código Penal as seguintes:</p><p>a) descumprimento de outra condição diversa da prestação de serviços à comunidade</p><p>ou da limitação de fim de semana. Se o beneficiário deixar de seguir as condições dos</p><p>arts. 78, § 2.º, e 79, a suspensão condicional da pena pode ser revogada, ficando a</p><p>decisão ao prudente critério do magistrado. O ideal é, antes de qualquer providência,</p><p>buscar incentivar o condenado a cumprir as condições, tentando saber a razão pela qual</p><p>vem descumprindo o pactuado;</p><p>b) condenação irrecorrível, por crime culposo ou contravenção, a pena privativa de</p><p>liberdade ou restritiva de direitos. Depende do prudente critério do juiz. Se o beneficiário</p><p>do sursis fora condenado, por exemplo, por lesão corporal grave e, posteriormente, pela</p><p>contravenção de porte ilegal de arma branca (carregava consigo um punhal, por exemplo),</p><p>pode não apresentar mérito para continuar gozando da suspensão. Em qualquer situação</p><p>de revogação, exige-se a prévia audiência do sentenciado, em homenagem aos</p><p>princípios da ampla defesa e do contraditório. Tratando-se de uma forma alternativa ao</p><p>cárcere, é importante ouvir, antes de qualquer medida drástica, as razões do condenado.</p><p>Afinal, pode ocorrer uma justificativa razoável para não ter sido cumprido o disposto na</p><p>suspensão condicional da pena.</p><p>PRORROGAÇÃO DO PERÍODO DE PROVA</p><p>● Se o condenado for processado (deve haver recebimento</p><p>de denúncia ou queixa) por outro crime ou</p><p>contravenção, considera-se automaticamente</p><p>prorrogado o prazo da suspensão até o julgamento</p><p>definitivo (art. 81, § 2.º, CP).</p><p>● Se houver nova condenação, o benefício será revogado.</p><p>● Eventualmente, quando for facultativa a revogação, o</p><p>juiz pode prorrogar o período de prova até o máximo,</p><p>se este já não for o fixado (art. 81, § 3.º, CP).</p><p>Livramento condicional</p><p>O livramento condicional é uma medida penal consistente na liberdade</p><p>antecipada do reeducando, etapa de preparação para a soltura plena,</p><p>importante instrumento de ressocialização.</p><p>O benefício é decorrência do sistema progressivo de cumprimento de pena</p><p>(porém, para sua concessão, não pressupõe a passagem por todos os</p><p>regimes prisionais).</p><p>Sua previsão legal se encontra no artigo 83 do Código Penal, sendo de</p><p>competência do juízo da execução penal, motivo pelo qual a matéria está</p><p>bem detalhada nos artigos 131 a 146 da Lei de Execução Penal. Atente-se</p><p>que o livramento não é um benefício que está à mercê da vontade do</p><p>julgador, mas é um claro direito subjetivo do apenado, desde que</p><p>preenchidas as formalidades constantes do preceito.</p><p>Crime culposo ou</p><p>contravenção</p><p>Não</p><p>cometimento</p><p>de falta grave</p><p>nos últimos 12</p><p>(doze) meses</p><p>JOÃO foi condenado pela prática do crime de furto</p><p>(art. 155 do CP). Na sentença, o juiz fixa a pena de 2</p><p>anos de reclusão. Sendo reincidente em crime doloso,</p><p>JOÃO não merece restritivas de direitos, multa ou</p><p>"sursis".</p><p>Considerando a pena em concreto, o condenado poderá</p><p>voltar ao convívio em sociedade após cumpridos doze</p><p>meses e um dia, ou seja, mais da metade da pena</p><p>imposta, pois é reincidente em crime doloso.</p><p>Art. 83 - O juiz poderá conceder livramento condicional ao condenado a pena privativa de liberdade</p><p>igual ou superior a 2 (dois) anos, desde que:</p><p>I - cumprida mais de um terço da pena se o condenado não for reincidente em crime doloso e tiver</p><p>bons antecedentes;</p><p>II - cumprida mais da metade se o condenado for reincidente em crime doloso;</p><p>III - comprovado:</p><p>a) bom comportamento durante a execução da pena;</p><p>b) não cometimento de falta grave nos últimos 12 (doze) meses;</p><p>c) bom desempenho no trabalho que lhe foi atribuído; e</p><p>d) aptidão para prover a própria subsistência mediante trabalho honesto;</p><p>IV - tenha reparado, salvo efetiva impossibilidade de fazê-lo, o dano causado pela infração;</p><p>V - cumpridos mais de dois terços da pena, nos casos de condenação por crime hediondo, prática de</p><p>tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, tráfico de pessoas e terrorismo, se o apenado não</p><p>for reincidente específico em crimes dessa natureza.</p><p>Parágrafo único - Para o condenado por crime doloso, cometido com violência ou grave ameaça à</p><p>pessoa, a concessão do livramento ficará também subordinada à constatação de condições pessoais que</p><p>façam presumir que o liberado não voltará a delinqüir.</p><p>Requisitos</p><p>● Objetivos:</p><p>Os requisitos objetivos do livramento estão relacionados com a pena imposta e reparação do dano.</p><p>Vejamos:</p><p>(A) A pena imposta deve ser privativa de liberdade; O instituto do livramento condicional, a</p><p>exemplo do "sursis", somente poderá ser concedido à pena privativa de liberdade (não alcança as</p><p>penas restritivas de direitos ou pecuniária).</p><p>(B) A pena concreta a ser cumprida deve ser igual ou superior a dois anos. Nos termos do artigo</p><p>84 do Código Penal, o magistrado deverá somar as penas aplicadas em processos diversos para a</p><p>verificação desse requisito.</p><p>(C) O apenado deve ter cumprido parcela da pena:</p><p>I. cumprimento de um terço, se não for reincidente em crime doloso e tiver bons antecedentes;</p><p>II. metade, se reincidente em crime doloso;</p><p>III. dois terços, se autor de crime hediondo, tráfico de entorpecentes, tortura, tráfico de pessoas ou</p><p>terrorismo, desde que não seja reincidente específico.</p><p>(D) Exige-se a reparação do dano causado pela infração penal, salvo impossibilidade de fazê-lo.</p><p>(E) Não cometimento de falta grave nos últimos doze meses.</p><p>● Subjetivos</p><p>Somando-se aos objetivos, temos os requisitos subjetivos, vinculados com o lado pessoal do</p><p>executado. São eles:</p><p>(A) Bom comportamento durante a execução da pena: Esse requisito cobra do condenado</p><p>comportamento adequado durante todo o tempo da execução da pena, seja no cumprimento das</p><p>obrigações internas, seja no seu relacionamento com demais habitantes do sistema, com os</p><p>funcionários, elementos indicativos da sua capacidade de readaptação social.</p><p>(B) Bom desempenho no trabalho que lhe foi atribuído: O legislador buscou dar ao</p><p>sentenciado a oportunidade de exercitar sua aptidão para as atividades que lhe serão</p><p>indispensáveis e úteis na volta à liberdade. Assim, deve aquele que pleiteia o livramento</p><p>condicional demonstrar que pode bem desempenhar, a título de trabalho atribuído, tanto as</p><p>atividades levadas a cabo no interior do cárcere, quanto aquelas desenvolvidas fora da prisão,</p><p>quer sejam no serviço público, quer sejam na iniciativa privada.</p><p>(C) Aptidão para prover a própria subsistência mediante trabalho honesto.</p><p>(D) No caso de crime doloso praticado com violência ou grave ameaça à pessoa, é</p><p>imprescindível a constatação de condições pessoais que façam presumir que o liberado não</p><p>voltará a delinquir.</p><p>Condições</p><p>O Juiz especificará as condições a que fica subordinado o livramento durante o</p><p>período de prova (restante da pena a cumprir), dividindo-se em condições</p><p>obrigatórias e facultativas.</p><p>● Obrigatórias</p><p>O art. 85 do CP c/c com art. 132 da LEP anuncia as obrigatórias:</p><p>(A) Obter ocupação lícita, dentro de prazo razoável</p><p>(B) Comunicar periodicamente ao juiz sua ocupação: A lei não exige que a</p><p>comunicação seja mensal, ficando a critério do juiz da execução penal.</p><p>(C) Não mudar da comarca sem prévia autorização do juízo. O liberado não está</p><p>proibido de mudar de endereço, dentro do território da comarca limite da jurisdição</p><p>do juiz da execução penal. A autorização, portanto, é condição apenas quando se</p><p>tratar de mudança de endereço que implique mudança de comarca.</p><p>● Facultativas Além das condições obrigatórias, o juiz pode fixar outras</p><p>(chamadas judiciais), de natureza facultativa, elencadas, de forma</p><p>exemplificativa, no art. 132, §2º, da LEP:</p><p>● a) não mudar de residência sem autorização do juízo;</p><p>● b) recolher-se à habitação em hora fixada;</p><p>● c) não frequentar determinados lugares;</p><p>● d) outras condições judiciais adequadas ao fato e à situação pessoal do</p><p>liberado.</p><p>Art. 132. da LEP. Deferido o pedido, o Juiz especificará as condições a que fica subordinado o</p><p>livramento.</p><p>§ 1º Serão sempre impostas ao liberado condicional as obrigações seguintes:</p><p>a) obter ocupação lícita, dentro de prazo razoável se for apto para o trabalho;</p><p>b) comunicar periodicamente ao Juiz sua ocupação;</p><p>c) não mudar do território da comarca do Juízo da execução, sem prévia autorização deste.</p><p>§ 2° Poderão ainda ser impostas ao liberado condicional, entre outras obrigações, as</p><p>seguintes:</p><p>a) não mudar de residência sem comunicação ao Juiz e à autoridade incumbida da observação</p><p>cautelar e de proteção;</p><p>b) recolher-se à habitação em hora fixada;</p><p>c) não freqüentar determinados lugares.</p><p>Revogação</p><p>● Obrigatória:</p><p>(A) Se o liberado vem a ser condenado a pena privativa de liberdade, em</p><p>sentença irrecorrível, por crime cometido durante a vigência do beneficio.</p><p>● Neste caso, revelando desadaptação do reeducando à liberdade, não se</p><p>computa na pena o tempo em que esteve solto (art. 88 do CP).</p><p>● Deve-se observar também que não se concederá, em relação à mesma</p><p>pena, novo livramento.</p><p>● Nada obsta que o preso obtenha o livramento condicional em relação à</p><p>segunda infração penal, desde que cumprida a primeira (art. 88 do CP).</p><p>● Por fim, o restante da pena cominada ao crime não pode somar-se à nova</p><p>pena para efeito da concessão do novo livramento (se a nova pena for</p><p>inferior a dois anos, incabível, também em relação a esta, o benefício).</p><p>● Imaginemos a seguinte situação hipotética:</p><p>JOÃO, cumprindo pena pela prática do crime de roubo (art. 157 do CP),</p><p>foi beneficiado pelo livramento condicional faltando 3 anos para</p><p>cumprir a reprimenda.</p><p>Depois de 2 anos, é condenado definitivamente a pena privativa de</p><p>liberdade por novo crime cometido durante o livramento, mais</p><p>especificamente, estelionato (art. 171 do CP).</p><p>O benefício deve ser obrigatoriamente revogado. O tempo em que JOÃO</p><p>esteve solto (2 anos) não será computado como pena cumprida.</p><p>Em relação ao roubo (primeiro crime), não se concederá novo livramento.</p><p>Quanto ao estelionato (segundo crime), é possível, desde que na sentença</p><p>seja aplicada pena igual ou superior a 2 anos, pois está vedada a soma da</p><p>pena do novo crime com a restante do roubo.</p><p>● (B) Se o liberado vem a ser condenado a pena privativa de liberdade, em sentença</p><p>irrecorrível, por crime anterior a vigência do</p><p>beneficio</p><p>● Diferente da hipótese anterior, nesta não se revela desadaptação do reeducando à</p><p>liberdade condicional. Assim, o período de prova é computado como tempo de</p><p>cumprimento da pena.</p><p>● Também é possível a concessão de novo livramento, desde que preenchidos novamente</p><p>os requisitos, admitindo, ainda, somar as penas dos dois crimes (art. 84 do CP).</p><p>● Exemplo: JOÃO, cumprindo pena pela prática do crime de roubo (art. 157 do CP), foi</p><p>beneficiado pelo livramento condicional faltando 3 anos para cumprir a reprimenda.</p><p>Depois de 2 anos (período de prova), é condenado definitivamente a pena privativa</p><p>de liberdade por novo crime, porém cometido antes do período de prova do</p><p>livramento, mais especificamente, estelionato (art. 171 do CP). O benefício deve ser</p><p>obrigatoriamente revogado.</p><p>● Contudo, o tempo em que JOÃO esteve solto (2 anos) será computado como pena</p><p>cumprida. Em relação ao roubo, é possível conceder novamente o benefício, desde</p><p>que preenchidos os requisitos, admitindo, ainda, somar as penas dos dois crimes para</p><p>se chegar ao quantum mínimo de 2 anos (art. 84 do CP).</p><p>● Facultativa</p><p>A revogação será facultativa se o liberado deixar de</p><p>cumprir qualquer das obrigações constantes da sentença,</p><p>ou for irrecorrivelmente condenado, por crime ou</p><p>contravenção, a pena que não seja privativa de</p><p>liberdade (art. 87, CP).</p><p>● No caso, o juiz poderá:</p><p>● revogar o livramento,</p><p>● alterar suas condições ou,</p><p>● simplesmente, advertir o apenado (LEP, artigo 140).</p><p>● Prorrogação</p><p>De acordo com o artigo 89 do Código Penal, o juiz não</p><p>poderá declarar extinta a pena, enquanto não passar em</p><p>julgado a sentença em processo a que responde o</p><p>liberado, por crime cometido na vigência do</p><p>livramento.</p><p>Da simples leitura do dispositivo, conclui-se: crime</p><p>cometido antes da vigência do período de prova não</p><p>prorroga o livramento; inquérito policial também não</p><p>tem força para gerar esse efeito.</p><p>Referência bibliográfica</p><p>Manual de direito penal / Guilherme de Souza Nucci. – 16. ed. – Rio de Janeiro:</p><p>Forensse, 2020.</p><p>CUNHA, Rogério Sanches. Manual de direito penal: parte geral (arts. 1° ao 120)</p><p>/Rogério Sanches Cunha. - 8. ed. rev., ampl. e atual. - Salvador: JusPODIVM, 2020. 720</p><p>p.</p><p>GRECO, Rogério. Código Penal: comentado / Rogério Greco. – 11. ed. – Niterói, RJ:</p><p>Impetus, 2017.</p><p>Slide 1</p><p>Slide 2</p><p>Slide 3</p><p>Slide 4</p><p>Slide 5</p><p>Slide 6</p><p>Slide 7</p><p>Slide 8</p><p>Slide 9</p><p>Slide 10</p><p>Slide 11</p><p>Slide 12</p><p>Slide 13</p><p>Slide 14</p><p>Slide 15</p><p>Slide 16</p><p>Slide 17</p><p>Slide 18</p><p>Slide 19</p><p>Slide 20</p><p>Slide 21</p><p>Slide 22</p><p>Slide 23</p><p>Slide 24</p><p>Slide 25</p><p>Slide 26</p><p>Slide 27</p>