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Aula 01
Direito Empresarial p/ Polícia Civil de Goiás (Delegado) - Com videoaulas
Professor: Gabriel Rabelo
Direito Empresarial para Delegado PC/GO - 2016 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Gabriel Rabelo – Aula 01 
Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 1 de 83 
 
SUMÁRIO 
 
1 APRESENTAÇÃO ....................................................................................................... 2 
2 ESCRITURAÇÃO E LIVROS EMPRESARIAIS ................................................................... 2 
2.1 INTERPRETAÇÃO DOS DISPOSITIVOS....................................................................... 6 
2.2 LIVROS EMPRESARIAIS .......................................................................................... 8 
2.2.1 PONTO AVANÇADO – LIVRO DE REGISTRO DE DUPLICATAS .......................... 10 
2.3 EXIBIÇÃO DE LIVROS ........................................................................................... 10 
2.4 LIVROS OBRIGATÓRIOS PARA AS SOCIEDADES ANÔNIMAS ...................................... 13 
2.5 ANÁLISE DOS ARTIGOS DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL ........................................ 13 
3 DOS PREPOSTOS .................................................................................................... 14 
3.1 RESPONSABILIDADE PELOS ATOS DOS PREPOSTOS ................................................ 17 
3.2 GERENTE ............................................................................................................ 18 
3.3 CONTABILISTA .................................................................................................... 19 
4 REGISTRO ............................................................................................................. 20 
4.1 EFEITOS DO REGISTRO ........................................................................................ 24 
4.2 ATOS DE REGISTRO ............................................................................................. 24 
4.3 ÓRGÃOS DE REGISTRO E PROCESSO DECISÓRIO .................................................... 25 
4.4 DO EMPRESÁRIO CONSIDERADO INATIVO .............................................................. 27 
5 NOME EMPRESARIAL ............................................................................................... 27 
5.1 PROTEÇÃO AO NOME EMPRESARIAL ....................................................................... 33 
6 DAS SOCIEDADES .................................................................................................. 34 
6.1 DISPOSITIVOS DO CÓDIGO CIVIL SOBRE AS SOCIEDADES ...................................... 35 
7 CLASSIFICAÇÃO DAS SOCIEDADES EMPRESÁRIAS ..................................................... 38 
7.1 CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO ATO CONSTITUTIVO ................................................... 38 
7.2 CLASSIFICAÇÃO QUANTO À RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS ................................. 39 
7.3 CLASSIFICAÇÃO QUANTO ÀS CONDIÇÕES DE ALIENAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO 
SOCIETÁRIA ................................................................................................................. 39 
8 TIPOS SOCIAIS ...................................................................................................... 40 
8.1 SOCIEDADES NÃO PERSONIFICADAS ..................................................................... 40 
8.1.1 SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO ................................................. 42 
8.1.2 SOCIEDADE EM COMUM ........................................................................... 45 
9 RESUMO DOS ASSUNTOS TRATADOS NESTA AULA ..................................................... 49 
10 QUESTÕES COMENTADAS ..................................................................................... 54 
10.1 REGISTRO E SOCIEDADES ................................................................................. 54 
10.2 ESCRITURAÇÃO ................................................................................................ 65 
10.3 SOCIEDADE EM COMUM..................................................................................... 70 
10.4 SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO ........................................................... 74 
1.1 NOME EMPRESARIAL ............................................................................................ 76 
11 QUESTÕES COMENTADAS NESTA AULA .................................................................. 78 
12 GABARITO DAS QUESTÕES COMENTADAS NESTA AULA ............................................ 83 
 
AULA 01: SOCIEDADES INSTITUTOS COMPLEMENTARES 
Direito Empresarial para Delegado PC/GO - 2016 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Gabriel Rabelo – Aula 01 
Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 2 de 83 
 
1 APRESENTAÇÃO 
 
Olá, meus amigos. Como estão?! 
 
É com um imenso prazer que estamos aqui, no Estratégia Concursos, para 
ministrar para vocês mais uma aula do Direito Empresarial para o concurso 
de Delegado da Polícia Civil de Goiás. 
 
Hoje, começaremos a falar sobre os seguintes tópicos: 
 
CRONOGRAMA 
Sociedades. Institutos Complementares. 
 
Está ok?! É isso! Vamos começar a nossa batalha?! 
 
Forte abraço! 
 
GABRIEL RABELO 
 
2 ESCRITURAÇÃO E LIVROS EMPRESARIAIS 
 
Quando estudamos ciências contábeis, temos que, essencialmente, quatro são 
as técnicas contábeis de que a disciplina se utiliza para atingir a sua finalidade 
(fornecimento de informações), a saber: escrituração, elaboração das 
demonstrações contábeis, auditoria e análise de balanços. 
 
Para nós, por ora, somente interessa a escrituração, que passamos a esclarecer 
um pouco melhor. 
 
Funciona, grosso modo, mais ou menos da seguinte forma: Imagine-se que eu 
e você somos administradores da sociedade GRS. Cada nota fiscal de compra 
de mercadoria, cada NF de venda, cada cheque emitido, cada compra de ativo 
imobilizado para a produção, tudo isso tem de ser controlado. Pensem vocês se 
não houvesse um controle de todos os atos e fatos que ocorrem no âmbito de 
uma empresa. O que seria desta empresa?! O que seria do mercado? E o que 
seria da economia nacional? 
 
Pois bem, todos esses eventos devem ser contabilizados. Então, no período de 
competência, colheremos todos os documentos necessários e lançaremos nos 
respectivos livros, sejam eles comerciais ou fiscais. A técnica utilizada para o 
registro dos fatos contábeis nos livros é chamada de escrituração. 
 
Então, em um primeiro momento, devemos escriturar, por meio de 
lançamentos contábeis, todas as notas fiscais e documentos que comprovem 
alteração no patrimônio da entidade. 
 
Direito Empresarial para Delegado PC/GO - 2016 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Gabriel Rabelo – Aula 01 
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Por exemplo, a lei que disciplina as sociedades por ações (Lei 6.404/76) 
prescreve: 
 
Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros 
permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta 
Lei (a própria 6.404) e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, 
devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e 
registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. 
 
De igual sorte, o Código Civil de 2002 traz alguns artigos que correspondem ao 
assunto. Senão vejamos. 
Capítulo IV - Da Escrituração 
Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um 
sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração 
uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e 
a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. 
 
§ 1o Salvo o disposto no art. 1.180, o número e a espécie de livros ficam a 
critério dos interessados. 
§ 2o É dispensado das exigências deste artigo o pequeno empresário a que se 
refere o art. 970. 
 
Art. 1.180. Alémnela 
figurar o nome de um ou mais sócios. 
§ 3o A omissão da palavra "limitada" determina a responsabilidade solidária e 
ilimitada dos administradores que assim empregarem a firma ou a denominação 
da sociedade. 
 
Portanto, reitere-se, a sociedade limitada pode adotar a firma ou denominação, 
integrando-se, obrigatoriamente, a palavra “limitada” ou sua abreviatura ao 
final. A omissão da palavra "limitada" determina a responsabilidade solidária e 
ilimitada dos administradores que assim empregarem a firma ou a denominação 
da sociedade (CC, art. 1.158, parágrafo 3º). 
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Caso a sociedade limitada opte pela firma poderá designar o ramo da atividade. 
Caso utilize a denominação, esta indicação é obrigatória. 
 
Exemplo: “Gabriel & Silva, Ltda”, “Rabelo & Rosa, Padaria Limitada”. 
 
Segundo a IN 116/2011 do DNRC: 
 
Art. 5º Observado o princípio da veracidade: 
 
II - a firma: 
 
d) da sociedade limitada, se não individualizar todos os sócios, deverá conter o 
nome de pelo menos um deles, acrescido do aditivo "e companhia" e da palavra 
"limitada", por extenso ou abreviados; 
 
III - a denominação é formada com palavras de uso comum ou vulgar na língua 
nacional ou estrangeira e ou com expressões de fantasia, com a indicação do 
objeto da sociedade, sendo que: 
 
a) na sociedade limitada, deverá ser seguida da palavra "limitada", por extenso 
ou abreviada; 
 
NOME DAS SOCIEDADES ANÔNIMAS 
 
A sociedade anônima deve adotar denominação. 
 
Art. 1.160. A sociedade anônima opera sob denominação designativa do objeto 
social, integrada pelas expressões "sociedade anônima" ou "companhia", por 
extenso ou abreviadamente. 
 
Parágrafo único. Pode constar da denominação o nome do fundador, acionista, 
ou pessoa que haja concorrido para o bom êxito da formação da empresa. 
 
Exemplo: Petróleo Brasileiro S.A, Vale S.A. 
 
NOME DAS SOCIEDADES EM COMANDITA POR AÇÕES 
 
A sociedade em comandita por ações pode adotar firma ou 
denominação. 
 
Art. 1.161. A sociedade em comandita por ações pode, em lugar de firma, 
adotar denominação designativa do objeto social, aditada da expressão 
"comandita por ações". 
 
Atenção! Cuidado com a afirmação de que as sociedades cujo capital é 
dividido em ações (sociedades anônimas e sociedades em comandita 
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por ações) só podem utilizar a denominação, já que a sociedade em 
comandita por ações pode usar a firma. Essa alternativa, portanto, deve 
ser tida como incorreta. 
 
Portanto, esquematizemos tudo o que foi dito aqui: 
 
Tipo Firma Denominação 
Empresário individual X 
EIRELI X X 
Sociedade em conta de participação Não possui 
Sociedade limitada X X 
Sociedade anônima X 
Sociedade em comandita por ações X X 
Sociedade em nome coletivo X 
Sociedade em comandita simples X 
 
Outro aspecto importante: 
 
Art. 1.163. O nome de empresário deve distinguir-se de qualquer outro já 
inscrito no mesmo registro. 
 
Parágrafo único. Se o empresário tiver nome idêntico ao de outros já inscritos, 
deverá acrescentar designação que o distinga. 
 
Além deste, outro dispositivo é muito cobrado em provas de concursos: 
 
Art. 1.164. O nome empresarial não pode ser objeto de alienação. 
 
Parágrafo único. O adquirente de estabelecimento, por ato entre vivos, pode, se 
o contrato o permitir, usar o nome do alienante, precedido do seu próprio, com 
a qualificação de sucessor. 
 
Veja-se que o nome empresarial não pode ser objeto de alienação, 
ressalvando-se a hipótese de o adquirente de estabelecimento, se o 
contrato permitir, usar o nome do alienante precedido do seu próprio, 
como sucessor. 
 
Ademais, com fulcro no Código Civil: 
 
Art. 1.165. O nome de sócio que vier a falecer, for excluído ou se retirar, não 
pode ser conservado na firma social. 
 
Por fim, estando o empresário em recuperação judicial, deve acrescer ao seu 
nome a expressão “Em Recuperação Judicial”. E, também, estando enquadrado 
como microempresário ou empresário de pequeno porte deve consignar a 
expressão ME ou EPP, conforme propõe a Lei Complementar 123/2006. 
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Apenas mais dois detalhes importante. Estamos aqui falando do nome 
empresarial, que, logicamente, é do empresário. Todavia, o Código Civil prega 
que: 
 
Art. 1.155. Parágrafo único. Equipara-se ao nome empresarial, para os efeitos 
da proteção da lei, a denominação das sociedades simples, associações e 
fundações. 
 
NOME DAS SOCIEDADES DE ADVOGADOS E SOCIEDADES ESTRANGEIRAS 
 
Por fim, mais um adendo. O Estatuto da Advocacia e da Ordem dos Advogados 
do Brasil (Lei 8.906/1994) dispõe que a sociedade de advogados é sempre 
sociedade simples, isto é, que explora o seu objetivo de forma não 
empresarial. 
 
Ademais, o registro para sua constituição é feito na própria OAB! 
 
A sociedade estrangeira funcionará no território nacional com o nome que tiver 
em seu país de origem, podendo acrescentar as palavras "do Brasil" ou "para o 
Brasil" (CC, art. 1.137, parágrafo único). 
 
5.1 PROTEÇÃO AO NOME EMPRESARIAL 
 
Imaginem que constituamos uma empresa cujo nome é Casa do Zé – Papelaria 
Ltda. Pode outra pessoa constituir uma sociedade empresária com mesmo 
nome? Há uma tutela, uma proteção ao nome empresarial, prevista no 
ordenamento jurídico. 
 
A primeira coisa que você tem que saber é que a proteção ao nome 
empresarial decorre automaticamente do registro. 
 
Segundo a Lei de Registro Público de Empresas Mercantis (8.934/1994): 
 
Art. 33. A proteção ao nome empresarial decorre automaticamente do 
arquivamento dos atos constitutivos de firma individual e de sociedades, ou de 
suas alterações. 
 
Segundo o Código Civil: 
 
Art. 1.166. A inscrição do empresário, ou dos atos constitutivos das pessoas 
jurídicas, ou as respectivas averbações, no registro público, asseguram o uso 
exclusivo do nome nos limites do respectivo Estado. 
 
Parágrafo único. O uso previsto neste artigo estender-se-á a todo território 
nacional, se registrado na forma da lei especial. 
 
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Vejam, portanto, que a proteção é no âmbito estadual, já que as Juntas 
Comerciais são órgãos estaduais. Todavia, o parágrafo único prevê a 
possibilidade de proteção nacional, na forma da lei especial. 
 
Ocorre que a referida lei ainda não foi editada. Mesmo assim, doutrina e 
jurisprudência entendem que a proteção pode sim se dar em âmbito nacional, 
mesmo que não haja previsão, com o arquivamento na Junta Comercial. 
 
6 DAS SOCIEDADES 
 
Começaremos, agora, a falar sobre as sociedades em si. 
 
No Brasil, as pessoas jurídicas podem se encontrar sob o manto de dois regimes 
jurídicos: 
 
1) Regime jurídico de direito público: nele se encontram, quase que sempre, 
a União, Estados, Distrito Federal, Municípios, Territórios e autarquias. 
2) Regime jurídico de direito privado: compreende todas as outras pessoas. 
 
A diferença entre os regimes reside justamente no tratamento jurídico que lhes 
são conferidos. As pessoas jurídicas de direito público, em virtude de zelarem 
pelo interesse coletivo, se situam quase sempre em posição de superioridade, 
de supremacia, sobre as pessoas privadas. 
 
Ao revés, as pessoas jurídicas de direito privado se respaldam no princípio da 
isonomia,inexistindo, entre elas, valoração diferenciada de seus interesses. 
 
Continuando, as pessoas jurídicas de direito privado podem se constituir sob 
duas formas: 
 
a) pessoas jurídicas de direito privado estatais: que compreende as empresas 
públicas e as sociedades de economia mista; 
b) pessoas jurídicas de direito privado não-estatais: abarcando este conceito as 
fundações, associações e sociedades. 
 
Nesta esteira, distinguem-se as fundações e associações das sociedades 
pelo escopo negocial das sociedades. 
 
Para nós, interessará o estudo das sociedades, que podem se subdividir em 
simples e empresárias. 
 
A distinção entre uma sociedade simples e uma sociedade empresária reside em 
quê? Seria no lucro? Bem, quem acha que é isso errou. Esse é um critério 
insuficiente para separar os dois institutos. Por exemplo, por força de disposição 
legal, as sociedades de advogados são sempre sociedades simples, mas, ora, 
como um advogado viveria sem a remuneração de sua profissão? Percebam, 
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Teoria e exercícios comentados 
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pois, que não podemos separar uma sociedade simples e empresária pelo 
critério lucro, uma vez que as simples também podem possuir fins lucrativos. 
 
A diferença, então, entre uma sociedade simples e 
uma sociedade empresária reside na exploração de 
seu objeto de forma profissional e organizada, como 
propõe o artigo 966 do Código Civil. 
 
Sem prejuízo do exposto, as sociedades por ações (que compreendem as 
sociedades anônimas e sociedades em comanditas por ações) são sempre 
sociedades empresárias, ainda que possuam fins pios. Ao revés, as 
cooperativas são sempre sociedades simples. É este o comando do artigo 
982, par. único do CC. 
 
6.1 DISPOSITIVOS DO CÓDIGO CIVIL SOBRE AS SOCIEDADES 
 
Vejamos alguns dispositivos importantes do Código Civil para a prova. Em 
seguida, façamos as devidas explicações. 
 
TÍTULO II - Da Sociedade 
 
CAPÍTULO ÚNICO - Disposições Gerais 
 
Art. 981. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se 
obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade 
econômica e a partilha, entre si, dos resultados. 
 
Art. 982. Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade 
que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a 
registro (art. 967); e, simples, as demais. 
 
Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considera-se empresária a 
sociedade por ações; e, simples, a cooperativa. 
 
Art. 983. A sociedade empresária deve constituir-se segundo um dos tipos 
regulados nos arts. 1.039 a 1.092; a sociedade simples pode constituir-se de 
conformidade com um desses tipos, e, não o fazendo, subordina-se às normas 
que lhe são próprias. 
 
Art. 984. A sociedade que tenha por objeto o exercício de atividade própria de 
empresário rural e seja constituída, ou transformada, de acordo com um dos 
tipos de sociedade empresária, pode, com as formalidades do art. 968, requerer 
inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis da sua sede, caso em que, 
depois de inscrita, ficará equiparada, para todos os efeitos, à sociedade 
empresária. 
 
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Art. 985. A sociedade adquire personalidade jurídica com a inscrição, no 
registro próprio e na forma da lei, dos seus atos constitutivos (arts. 45 e 
1.150). 
 
O artigo 981 prescreve que “celebram contrato de sociedade as pessoas que 
reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício 
de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados”. 
 
Um primeiro aspecto importante a frisar é o que o dispositivo em comento 
alude tanto às sociedades simples, como às empresárias. Note-se que o artigo 
fala em atividade econômica. Portanto, como já frisamos, não é este o ponto 
que discerne as sociedades simples das empresárias. 
 
Outro ponto que merece destaque é o de que a sociedade nasce do encontro da 
vontade de sócios. Este encontro é denominado affectio societatis. Essa 
vontade comum de celebração de uma avença será concretizada por um 
contrato social ou estatuto, conforme o tipo societário que se queira adotar. 
 
Ademais, vale dizer que o artigo 981 também traz outro item essencial para a 
constituição da sociedade, um pressuposto fático, qual seja, a pluralidade de 
sócios, porquanto celebram contrato de sociedades as pessoas. 
 
A doutrina diz que a unipessoalidade da sociedade somente poderá em 
regra ser incidental e temporária. Se A e B constituem uma sociedade e B, 
posteriormente, vem a óbito, a sociedade deverá ser reconstituída em um prazo 
de 180 dias, sendo que, não o fazendo, o possível caminho para a sociedade 
será o da dissolução (CC, art. 1.033, IV). 
 
O artigo 982 já fora visto. 
 
Art. 982. Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade 
que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a 
registro (art. 967); e, simples, as demais. 
 
Contudo, como é de importância salutar, vamos aqui repetir a explicação. Já 
dissemos que o conceito de empresário (individual ou sociedade empresária) 
está estatuído no artigo 966 do Código Civil, que propõe: 
 
Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade 
econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. 
 
Algumas exceções, todavia, existem. São pessoas que, inobstante exerçam 
atividade econômica, não devem ser consideradas empresárias. Neste caso, 
caso sejam pessoas jurídicas, serão chamadas de sociedades simples. Já vimos 
que são elas: 
 
 
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Exceções ao regime empresarial 
Exceções 
Profissionais intelectuais 
Ainda que 
com 
auxiliares 
Salvo se 
constituir 
elemento 
de empresa 
Profissionais de natureza científica 
Profissionais de natureza literária 
Profissionais de natureza artística 
Cooperativas 
Sociedade de advogados 
 
Rurais (pessoa natural e sociedade) 
 
O artigo 983 argui que “a sociedade empresária deve constituir-se segundo um 
dos tipos regulados nos arts. 1.039 a 1.092; a sociedade simples pode 
constituir-se de conformidade com um desses tipos, e, não o fazendo, 
subordina-se às normas que lhe são próprias”. 
 
Assim, já sabemos que a sociedade pode ser simples ou empresária. Sendo 
empresária, poderá se constituir sob as seguintes formas: 
 
Formas adotadas pela sociedade empresária: 
 
- Sociedade em nome coletivo; 
- Sociedade em comandita simples; 
- Sociedade limitada; 
- Sociedade em comandita por ações; 
- Sociedade anônima. 
 
Em se tratando de sociedade simples podem assumir a forma de organização de 
um dos tipos societários destinados às sociedades empresárias previstos no 
novo Código Civil. Mas nem todos, posto que as sociedade em comandita por 
ações e a sociedade anônima, que são tipos de sociedades por ações, sempre 
serão sociedades empresárias. 
 
Todavia, caso não opte a sociedade simples por qualquer destes tipos, sujeitar-
se-á às regras peculiares às sociedades simples, que estão previstas no Código 
Civil (chamada de sociedade simples pura ou simples simples). 
 
Portanto, ficamos assim, para as sociedades simples: 
 
Formas adotada pela sociedade simples: 
 
- Adota a forma de sociedade simples pura, com as regras que lhes são 
próprias. 
- Adota a forma de uma sociedade empresária (mas nem todas): 
 
- Sociedade em nome coletivo; 
- Sociedade em comandita simples; e 
- Sociedade limitada. 
 
A FGV, inteligentemente,explorou este assunto do seguinte modo: 
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(FGV/Auditor/TCM-RJ) As sociedades simples podem adotar qualquer tipo 
societário específico das sociedades empresárias. 
 
O item está incorreto, posto que as sociedades por ações são sempre 
empresárias, não podendo a sociedades simples (gênero) adotar a forma de 
sociedade anônima ou em comandita por ações (espécies). 
 
Por fim, o artigo 985 já foi explicado: a personalidade jurídica tem início com o 
registro no órgão competente. 
 
Lembre-se de que: 
 
Art. 1.150. O empresário e a sociedade empresária vinculam-se ao 
registro público de empresas mercantis a cargo das juntas comerciais, 
e a sociedade simples ao registro civil das pessoas jurídicas, o qual 
deverá obedecer às normas fixadas para aquele registro, se a sociedade simples 
adotar um dos tipos de sociedade empresária. 
 
7 CLASSIFICAÇÃO DAS SOCIEDADES EMPRESÁRIAS 
 
A classificação das sociedades empresárias pode se dar do seguinte modo: 
 
 
 
7.1 CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO ATO CONSTITUTIVO 
 
Wilges Bruscato argumenta que o “ato constitutivo é peça fundamental para a 
existência regular da sociedade empresária, posto ser a positivação da 
manifestação da vontade dos sócios e das condições em que essa vontade se 
dá. 
 
As sociedades, por este escopo, podem ser contratuais, quando o ato 
constitutivo e regulamentar é um contrato social. São exemplos de sociedades 
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contratutais as em nome coletivo, em comandita simples e a sociedade 
limitada. Rege-se precipuamente pelas disposições do Código Civil. 
 
Além disso, podem ser também instuticionais ou estatutárias, como a 
sociedade anônima ou a sociedade em comandita por ações. Nesta hipótese, a 
constituição da sociedade se dá por estatuto social. Rege-se eminentemente 
pelas letras da Lei 6.404/76. 
 
7.2 CLASSIFICAÇÃO QUANTO À RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS 
 
Primeiramente, deve se ter claro que a sociedade, qualquer que seja o tipo 
societário escolhido responderá sempre de maneira ilimitada pelas 
obrigações que contrair. Isto deve estar perfeitamente compreendido. 
 
Todavia, em algumas ocasiões os sócios podem ser chamados a responder. 
Falamos algumas situações, pois vige no direito empresarial o princípio da 
separação patrimonial, ou seja, o patrimônio dos sócios não se confunde com o 
a da sociedade. 
 
Com sorte, a responsabilidade dos sócios pelas obrigações sociais será sempre 
subsidiária em relação à sociedade, ou seja, somente após exaurido o 
patrimônio da entidade é que eventual responsabilidade poderá recair sobre os 
sócios. 
 
Assim, as sociedades empresárias, de acordo com a responsabilidade que 
emprega aos sócios, podem ser de: 
 
- Responsabilidade ilimitadas: os sócios respondem ilimitadamente pelas 
obrigações sociais. Nestes moldes, só temos no direito pátrio a sociedade em 
nome coletivo, a ser estudada. 
- Responsabilidade limitada: todos os sócios respondem de maneira limitada 
pelas obrigações sociais, tais como a sociedade limitada e a sociedade anônima. 
- Responsabilidade mista: alguns sócios terão responsabilidade limitada, 
outros terão responsabilidade ilimitada. A sociedade em comandita simples 
pertence a esta categoria, bem como a sociedade em comandita por ações. 
 
7.3 CLASSIFICAÇÃO QUANTO ÀS CONDIÇÕES DE ALIENAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO 
SOCIETÁRIA 
 
Sob este último escopo a sociedade empresária poderá ser dividida em 
sociedade de pessoas e de capital. 
 
Sociedades de pessoas são aquelas em que o objeto social baseia-se 
fundamentalmente dos atributos individuais dos sócios. A pessoa do sócio é 
mais importante que sua contribuição material ou patrimonial para a sociedade. 
 
Os sócios têm direito a vetar o ingresso de estranhos no quadro associativo. 
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As sociedades em nome coletivo e em comandita simples são de pessoas. A 
sociedade limitada pode ser de pessoas e capital. Já a sociedade simples é 
eminentemente de pessoas, na qual os sócios não podem ser substituídos nas 
suas funções sem o consentimento dos demais. 
 
As sociedades de capital são aquelas que as aptidões, a personalidade e o 
caráter do sócio são menos importantes para a exploração do objeto societário. 
Por conseguinte, não se pode vetar o ingresso de novos sócios. Há a livre 
circulabilidade da participação societária. O sócio pode alienar sua participação 
societária a quem quer que seja, independentemente da anuência dos demais. 
A sociedade limitada pode ser de capital. As sociedade anônimas e em 
comandita por ações são sempre de capital. 
 
8 TIPOS SOCIAIS 
 
Começaremos a falar agora sobre as sociedades em espécie. Iniciaremos pela 
sociedade em comum e pela sociedade em conta de participação. 
 
8.1 SOCIEDADES NÃO PERSONIFICADAS 
 
Começaremos a falar hoje sobre os dois tipos societários não personificados, de 
acordo com o Código Civil. São eles: sociedade em comum e sociedade em 
conta de participação. 
 
São as seguintes as disposições do Código Civil concernentes a estes dois tipos 
societários: 
 
Subtítulo I - Da sociedade não personificada 
 
Capítulo I - Da sociedade em comum 
 
Art. 986. Enquanto não inscritos os atos constitutivos, reger-se-á a sociedade, 
exceto por ações em organização, pelo disposto neste Capítulo, observadas, 
subsidiariamente e no que com ele forem compatíveis, as normas da sociedade 
simples. 
 
Art. 987. Os sócios, nas relações entre si ou com terceiros, somente por escrito 
podem provar a existência da sociedade, mas os terceiros podem prová-la de 
qualquer modo. 
 
Art. 988. Os bens e dívidas sociais constituem patrimônio especial, do qual os 
sócios são titulares em comum. 
 
Art. 989. Os bens sociais respondem pelos atos de gestão praticados por 
qualquer dos sócios, salvo pacto expresso limitativo de poderes, que somente 
terá eficácia contra o terceiro que o conheça ou deva conhecer. 
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Art. 990. Todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas 
obrigações sociais, excluído do benefício de ordem, previsto no art. 1.024, 
aquele que contratou pela sociedade. 
 
Capítulo II - Da sociedade em conta de participação 
 
Art. 991. Na sociedade em conta de participação, a atividade constitutiva do 
objeto social é exercida unicamente pelo sócio ostensivo, em seu nome 
individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, participando os 
demais dos resultados correspondentes. 
 
Parágrafo único. Obriga-se perante terceiro tão-somente o sócio ostensivo; e, 
exclusivamente perante este, o sócio participante, nos termos do contrato 
social. 
 
Art. 992. A constituição da sociedade em conta de participação independe de 
qualquer formalidade e pode provar-se por todos os meios de direito. 
 
Art. 993. O contrato social produz efeito somente entre os sócios, e a eventual 
inscrição de seu instrumento em qualquer registro não confere personalidade 
jurídica à sociedade. 
 
Parágrafo único. Sem prejuízo do direito de fiscalizar a gestão dos negócios 
sociais, o sócio participante não pode tomar parte nas relações do sócio 
ostensivo com terceiros, sob pena de responder solidariamente com este pelas 
obrigações em que intervier. 
 
Art. 994. A contribuição do sócioparticipante constitui, com a do sócio 
ostensivo, patrimônio especial, objeto da conta de participação relativa aos 
negócios sociais. 
 
§ 1o A especialização patrimonial somente produz efeitos em relação aos 
sócios. 
§ 2o A falência do sócio ostensivo acarreta a dissolução da sociedade e a 
liquidação da respectiva conta, cujo saldo constituirá crédito quirografário. 
§ 3o Falindo o sócio participante, o contrato social fica sujeito às normas que 
regulam os efeitos da falência nos contratos bilaterais do falido. 
 
Art. 995. Salvo estipulação em contrário, o sócio ostensivo não pode admitir 
novo sócio sem o consentimento expresso dos demais. 
 
Art. 996. Aplica-se à sociedade em conta de participação, subsidiariamente e no 
que com ela for compatível, o disposto para a sociedade simples, e a sua 
liquidação rege-se pelas normas relativas à prestação de contas, na forma da 
lei processual. 
 
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Parágrafo único. Havendo mais de um sócio ostensivo, as respectivas contas 
serão prestadas e julgadas no mesmo processo. 
 
8.1.1 SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO 
 
A sociedade em conta de participação (SCP), também conhecida como 
sociedade secreta, não possui personalidade jurídica, patrimônio, 
tampouco nome empresarial. 
 
Este quesito foi cobrado no concurso para AFRFB (quando ainda caia direito 
empresarial neste certame), com a seguinte redação (item incorreto): 
 
(ESAF/Auditor Fiscal da Receita Federal) A sociedade em conta de 
participação é uma pessoa jurídica. 
 
Trata-se, segundo parte da doutrina, de mero contrato de investimento, em 
que alguns sócios exercem a atividade empresarial e os outros participam dos 
resultados obtidos. Porém, para concursos, devemos considerá-la como 
sociedade (até mesmo por que o próprio Código assim dispôs). 
 
Só com o exposto, já “matamos” muitas questões em provas, como esta 
apresentada pela FGV no concurso para Auditor do TCM RJ, segundo a qual: “A 
sociedade em conta de participação não pode ter firma ou denominação”. 
 
Pensemos. Se se trata de sociedade secreta, qual seria a finalidade de um 
nome empresarial (firma ou denominação)? Vamos ao teor do art. 1.162 do CC: 
A sociedade em conta de participação não pode ter firma ou denominação. O 
item está correto. 
 
Na SCP existem duas espécies de sócios: 
 
a) Ostensivo: quem opera o negócio frente a terceiros, assumindo 
responsabilidade ilimitada pelas obrigações contraídas, não havendo que se 
falar sequer em subsidiariedade, face à falta de personalidade jurídica e de 
patrimônio da Sociedade; e, 
b) Participante: também chamado de sócio oculto, não aparece nas relações 
desenvolvidas com terceiros, sendo mero prestador de capital, respondendo na 
forma estipulada em contrato (e apenas frente ao ostensivo). 
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Assim, imagine-se uma sociedade limitada, que atua no ramo de 
comercialização de tênis para corrida e atravessa uma grave crise financeira, 
necessitando urgentemente de recursos, mas que tem encontrado dificuldades 
insuperáveis de tomar empréstimo junto a instituições financeiras; noutro pólo, 
imagine-se um grupo de dez investidores que têm um grande capital disponível 
e que estão dispostos a investir no setor produtivo, muito embora não tenham 
qualquer conhecimento sobre o mercado de tênis. 
 
Como, então, os investidores poderiam aplicar seu capital, de forma segura, 
nesta empresa cuja rentabilidade eles acreditam? A formação de uma sociedade 
em conta de participação é uma alternativa bastante viável. Neste caso, a 
sociedade limitada seria designada sócio ostensivo, enquanto que os 
investidores seriam os sócios participantes. 
 
Certo? Vamos ao que diz o CC: 
 
Art. 991. Na sociedade em conta de participação, a atividade constitutiva do 
objeto social é exercida unicamente pelo sócio ostensivo, em seu nome 
individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, participando os 
demais dos resultados correspondentes. 
 
Parágrafo único. Obriga-se perante terceiro tão-somente o sócio ostensivo; e, 
exclusivamente perante este, o sócio participante, nos termos do contrato 
social. 
 
A constituição da sociedade em conta de participação independe de qualquer 
formalidade e pode provar-se por todos os meios de direito (CC, art. 992). 
Assim, não há necessidade de se registrar a sociedade em conta de 
participação, pois sua constituição independe de formalidade. 
 
Art. 993. O contrato social produz efeito somente entre os sócios, e a eventual 
inscrição de seu instrumento em qualquer registro não confere personalidade 
jurídica à sociedade. 
 
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Com efeito, se os sócios dessa sociedade em conta de participação resolverem 
registrar a sociedade, isso não conferirá a ela personalidade jurídica. A conta de 
participação não existe para terceiros, somente para os sócios. 
 
Anote-se, pois, que pode o contrato ser levado a registro. Contudo, tal fato não 
conferirá personalidade jurídica à sociedade, nem deixará ela de ser classificada 
como sociedade em conta de participação. De igual sorte, o contrato produzirá 
efeito somente entre os sócios desta sociedade. 
 
Na sociedade em conta de participação não há falência da sociedade, pois, 
juridicamente falando, não há sociedade personalizada. 
 
Importante salientar que mesmo que a conta de participação tenha registro na 
Junta Comercial ou no Cartório (o que pode ocorrer apenas para melhor 
assegurar os interesses dos contratantes), ela não adquire personalidade 
jurídica, não sendo passível de falir. 
 
Ademais, via de regra, a falência é requerida pelo credor, e como pode um 
credor requerer falência de uma sociedade que ele nem sabe que existe? 
 
Assim, nas SCPS os sócios estão sujeito à falência, sejam os ostensivos, 
sejam os participantes. 
 
O Código Civil assim dispõe sobre a falência dos sócios: 
 
Art. 994. A contribuição do sócio participante constitui, com a do sócio 
ostensivo, patrimônio especial, objeto da conta de participação relativa aos 
negócios sociais. 
 
§ 1o A especialização patrimonial somente produz efeitos em relação aos 
sócios. 
 
§ 2o A falência do sócio ostensivo acarreta a dissolução da sociedade e 
a liquidação da respectiva conta, cujo saldo constituirá crédito quirografário. 
 
§ 3o Falindo o sócio participante, o contrato social fica sujeito às normas que 
regulam os efeitos da falência nos contratos bilaterais do falido. 
 
Vamos explicar melhor! A sociedade em conta de participação não possui 
personalidade jurídica, não é obrigada a se registrar. 
 
A atividade não é exercida pela sociedade em conta de participação, em nome 
desta, mas, sim, pelos sócios ostensivos. 
 
Na sociedade em conta de participação, temos a falência dos sócios. O sócio 
ostensivo faliu, e agora? Como ele responde pelos negócios em seu próprio 
nome, se ele falir, a sociedade irá junto. Liquida-se a sociedade. 
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Então, temos, em resumo, o seguinte: a sociedade em conta de participação 
não exerce atividade alguma! Quem faz é o sócio ostensivo! Este sim poderá 
falir. Falindo, a sociedade em conta de participação também “vai pro brejo”. A 
falência do sócio ostensivo acarretará necessariamente a dissoluçãoda 
sociedade e a liquidação da respectiva conta, cujo saldo constituirá crédito 
quirografário (que é uma das espécies de crédito que o devedor deve pagar 
para seus credores na falência). 
 
Falindo o sócio oculto, os direitos do contrato da sociedade em conta de 
participação integram a massa, ou seja, também vão para o bolo que os 
credores terão para receber, e aplicamos as regras dos contratos bilaterais. 
 
8.1.2 SOCIEDADE EM COMUM 
 
Segundo o artigo 986, enquanto não inscritos os atos constitutivos, reger-se-á 
a sociedade, exceto por ações em organização, pelo disposto neste Capítulo (da 
sociedade em comum), observadas, subsidiariamente e no que com ele forem 
compatíveis, as normas da sociedade simples. 
 
As sociedades em comum são espécies de sociedade sem personalidade 
jurídica, posto que ainda não providenciaram o registro no órgão competente. 
 
Insta frisar que a sociedade em comum não é elegível pelas partes, posto que 
ela é irregular. Assim, se A e B resolvem contratar uma sociedade, eles não 
podem, na ótica do Código Civil, estipular em contrato social que a sociedade 
será uma sociedade em comum, sendo impossível juridicamente levar o 
contrato social a registro desta forma. 
 
A sociedade em comum é aquela que não inscreveu seus atos 
constitutivos na junta comercial. É, por esse motivo, despida de 
personalidade jurídica. 
 
Assim, se os sócios fazem o contrato social para formarem uma sociedade 
limitada e não registram, será ela regida pelas regras da sociedade em comum 
do Código Civil. Contudo, para as sociedades por ações, essas regras não se 
aplicam, pois devemos utilizar a Lei 6.404/76. Vejam que todos os tipos 
societários (sociedade limitada, sociedade em comandita simples, sociedade em 
nome coletivo, sociedade simples), enquanto não registrados, serão regidos 
pelo Capítulo que trata da sociedade em comum (exceto a sociedade por 
ações). 
 
O CESPE cobrou este entendimento no concurso para magistrado da 1ª região, 
com a seguinte dissertação (item incorreto): 
 
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(CESPE/Juiz do Trabalho Substituto/TRT 1ª) Aplicam-se à sociedade anônima 
em fase de organização as regras atinentes à sociedade em comum enquanto 
não ultimados os atos de registro. 
 
Outro aspecto importante a se salientar é que, subsidiariamente às normas 
previstas para a sociedade em comum, utilizaremos as normas que regem as 
sociedades simples. 
 
Temos de saber como se dá a responsabilidade dos sócios nas sociedades em 
comum. Passemos a estudá-la. Segundo o Código Civil: 
 
Art. 990. Todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas 
obrigações sociais, excluído do benefício de ordem, previsto no art. 1.024, 
aquele que contratou pela sociedade. 
 
E o que diz o referido 1.024? 
 
Art. 1.024. Os bens particulares dos sócios não podem ser executados por 
dívidas da sociedade, senão depois de executados os bens sociais. 
 
Esta é a regra aplica aos mais diversos tipos societários: A execução dos bens 
dos sócios só pode ser feita depois de esgotado o patrimônio social e apenas 
em determinados casos. 
 
Alguns me perguntarão: mas, professor, você afirmou que a sociedade em 
comum não tem personalidade jurídica, não tendo, também, por consequência, 
patrimônio próprio. Como então o patrimônio da sociedade responderia 
primeiro? 
 
A resposta para esta pergunta esta neste artigo: 
 
Art. 988. Os bens e dívidas sociais constituem patrimônio especial, do qual os 
sócios são titulares em comum. 
 
Neste caso, devemos ver quais os patrimônios estão sendo efetivamente 
utilizados na atividade da sociedade em comum. Se conseguirmos identificar, 
estes, então, formarão o patrimônio especial, que responderá antes dos sócios 
que não contrataram pela sociedade. 
 
Desta maneira, a responsabilidade é apurada assim: 
 
- É possível identificar quais os bens estão sendo utilizados na atividade 
empresarial da sociedade em comum?! 
 
1) Sim. É possível identificar o patrimônio! 
 
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Nesta hipótese, segundo o artigo 990, para a sociedade em comum a 
responsabilidade para aqueles sócios que contratam pela sociedade será 
ilimitada, direta e solidária com esta. Para os que não contrataram a 
responsabilidade continua será feita de acordo com o artigo 1.024 (bens 
pessoais dos sócios só respondem depois dos bens sociais), mas será solidária 
entre eles. 
 
Ou seja, para os que não contrataram pela sociedade em comum há 
subsidiariedade na relação sociedade-sócio, mas há solidariedade na relação 
sócio-sócio. Conseguiram captar? 
 
Exemplifiquemos. Alberto, Bruno, Caio e Diogo são sócios da sociedade em 
comum ALFA. 
 
Bruno e Caio realizam constantemente os atos de gestão da sociedade, 
contratando pela sociedade. Pois bem, determinado credor ingressou em juízo, 
a fim de ver satisfeito crédito que possui em face da sociedade ALFA. 
 
Quem responderá primeiro? Bem, neste caso a sociedade responderá 
solidariamente com Bruno e Caio, que contratam pela sociedade, uma vez que 
eles estão excluídos do benefício de ordem previsto no artigo 1.024. 
 
Se porventura todos os bens sociais, de Bruno e de Caio tiverem se esgotado, 
aí, sim, passaremos a executar os bens de Alberto e Diogo, uma vez que há 
subsidiariedade em relação à sociedade. Todavia, entre eles (Alberto e Diogo) 
teremos uma relação de solidariedade, respondendo de forma ilimitada, como 
prevê a parte inicial do artigo 990. Ficou claro? 
 
Assim, temos: 
 
Importantíssimo!!! 
 
- Responde inicialmente (solidária e ilimitadamente): Bens sociais 
(patrimônio especial) + Bens dos sócios que contrataram pela sociedade. 
- Responde subsidiariamente em relação à sociedade (responsabilidade 
solidária em relação aos sócios): Bens dos sócios que não contratam pela 
sociedade em comum. 
 
2) Não! Não é possível identificar o patrimônio utilizado pela sociedade 
em comum. 
 
Neste caso, iremos direto no patrimônio dos sócios. 
 
Sobre a responsabilidade é isso o que temos a tratar. 
 
Mudemos de assunto... 
 
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Quanto à capacidade processual da sociedade em comum, deve o candidato 
esclarecer que esta não existirá quando a sociedade for pólo ativo da 
demanda, porém haverá em caso de figurar como pólo passivo, inclusive 
para o requerimento de sua falência. 
 
Na verdade, quanto à capacidade processual ativa, doutrina diverge a esse 
respeito, mas as bancas até hoje, cobram que ela não possui capacidade ativa. 
Qualquer mudança postarei aqui. 
 
Sociedade em comum 
 
Pólo ativo  Não existe capacidade processual. 
Pólo passivo  Pode ser demandada, inclusive requerimento de 
falência. 
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9 RESUMO DOS ASSUNTOS TRATADOS NESTA AULA 
 
Escrituração: 
 
- O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de 
contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus 
livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar 
anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico (CC, art. 1.179). 
 
- Deve ser feita por contabilista legalmente habilitado. 
 
Exceções: 
 
1) Contabilista: bacharel em ciências contábeis + técnico de contabilidade. 
2) Se não houver contabilidade na localidade,o próprio empresário faz. 
 
- Feita em idioma e moeda corrente nacionais, em forma contábil, por ordem 
cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em branco, nem entrelinhas, 
borrões, rasuras, emendas ou transportes para as margens, sendo permitido o 
uso de código de números ou de abreviaturas, que constem de livro próprio, 
regularmente autenticado. 
 
- Obrigação: conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e 
mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou 
decadência no tocante aos atos neles consignados. 
 
- Pequeno empresário (MEI): dispensado da escrituração. 
 
Livros empresariais: 
 
- Além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o Diário, que pode ser 
substituído por fichas no caso de escrituração mecanizada ou eletrônica (CC, 
artigo 1.180). A adoção de fichas não dispensa o uso de livro apropriado para o 
lançamento do balanço patrimonial e do de resultado econômico (CC, artigo 
1.180, parágrafo único). 
 
- Escrituração resumida do Diário: 
 
- Não pode exceder período de 30 dias. 
- Operações: numerosas ou fora da sede. 
- Obrigatório: livro auxiliar autenticado que contenha todas as operações e 
conservados os documentos. 
 
- Demonstração do resultado e balanço patrimonial: lançados no Diário. 
Assinados pelo contabilista e administrador. 
 
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- Autenticação de livros na Junta: dar-se-á antes de pô-los em uso.A 
autenticação não se fará sem que esteja inscrito o empresário, ou a sociedade 
empresária, que poderá fazer autenticar livros não obrigatórios. 
 
Exibição de livros: 
 
- Provas: contra e a favor. 
 
- Prova a favor: não pode estar eivado de vício extrínseco ou intrínseco. Há 
ainda necessidade de comprovação por outros subsídios. 
- Prova contra: independe da regularidade dos livros. Comerciante pode 
provas que o livro não corresponde à realidade. 
 
- Regra: sigilo dos livros (nenhuma autoridade, juiz ou tribunal) poderá 
ordenar diligência. Não é direito absoluto. Exceções: autoridades fiscais no 
exercício da fiscalização e nos limites desta. 
 
- Exibição judicial: 
 
A exibição total somente pode ser determinada pelo juiz, a requerimento da 
parte, e em algumas ações (art. 1.191). O próprio Código cita os casos em que 
é possível a exibição total: 
 
1) sucessão; 
2) comunhão/ sociedade; 
3) administração; 
4) falência/liquidação; 
5) quando a lei determinar. 
 
Todavia, a exibição parcial pode ser feita de ofício ou a requerimento da parte, 
em qualquer ação judicial, quando necessário ou útil à solução da lide (CC, art. 
1.191, parágrafo primeiro). 
 
Exibição Quem pode requerer? Quando? 
Integral Parte Questões relativas à sucessão, comunhão, 
sociedade, administração, falência, liquidação 
Parcial Parte ou de ofício (juiz) Qualquer processo 
 
- Prepostos: 
 
- Conceito: representante da empresa, tais como gerentes, contabilistas e 
outros auxiliares. 
 
- O preposto não pode, sem autorização escrita, fazer-se substituir no 
desempenho da preposição, sob pena de responder pessoalmente pelos atos do 
substituto e pelas obrigações por ele contraídas (CC, art. 1.169). 
 
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O preposto, salvo autorização expressa, não pode negociar por conta própria ou 
de terceiro, nem participar, embora indiretamente, de operação do mesmo 
gênero da que lhe foi cometida, sob pena de responder por perdas e danos e de 
serem retidos pelo preponente os lucros da operação (CC, art. 1.170). 
 
- Responsabilidade pelos atos dos prepostos: 
 
Onde? Preponente 
Dentro do estabelecimento Responsável mesmo que não autorizados por escrito 
Fora do estabelecimento Responsável somente por atos autorizados por escrito 
 
- No exercício das funções, prepostos: 
 
Atos culposos: pessoalmente responsáveis perante o preponente. Não há 
responsabilidade perante terceiros. 
Atos dolosos: solidariamente responsáveis perante terceiros. 
 
- Gerente: principal preposto. Quando a lei não exigir poderes especiais, 
considera-se o gerente autorizado a praticar todos os atos necessários ao 
exercício dos poderes que lhe foram outorgados (CC, art. 1.173). 
 
- Pode estar em juízo para obrigações relacionadas ao exercício da função. 
- Mais de um gerente: poderes solidários, se não houver estipulação. 
 
- Registro: aquisição de personalidade jurídica (CC, art. 985) 
 
- Empresário e sociedade empresária: Registro Público de Empresas Mercantis, 
a cargo das Juntas Comerciais. 
- Sociedades simples: Registro Civil de Pessoas Jurídicas. 
 
- O simples fato de uma sociedade ser constituída e iniciar as suas 
atividades não lhe confere personalidade jurídica. Para tanto é necessário 
o registro de seus atos constitutivos no órgão competente. 
 
Caso a sociedade simples opte por uma das outras formas que lhe são possíveis 
(sociedade limitada, sociedade em nome coletivo, sociedade em comandita 
simples), o Registro Civil obedecerá aos ritos previstos para inscrição dessas 
sociedades na Junta Comercial. O registro, todavia, continua sendo feito do 
registro civil. 
 
- Prazo para registro: 30 dias. Dentro desse prazo, retroage à origem. Se 
posterior, efeitos somente para frente. 
 
- Atos de registro: 
 
- Matrícula: Registro de leiloeiros, tradutores públicos, intérpretes, trapicheiros 
e administradores de armazéns gerais. 
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- Arquivamento: Constituição, alteração, dissolução e extinção de empresários 
individuais e sociedades empresárias, como contrato social, atas de reunião, 
atas de alteração contratual, entre outros. 
- Autenticação: Registro da escrituração realizada pelos empresários e 
sociedades empresárias. 
 
- Órgãos de registro: 
 
- Departamento Nacional dos Registros de Comércio – DNRC: função 
supervisora, orientadora, coordenadora, normativa e supletiva no plano 
administravio. 
- Juntas Comerciais: funções de execução. Órgãos estaduais com execuções 
de atribuições de interesse federal. 
 
- As juntas comerciais subordinam-se administrativamente ao governo da 
unidade federativa de sua jurisdição e, tecnicamente, ao DNRC, nos termos 
desta lei. 
 
- Empresário ou sociedade que não registrar qualquer arquivamento em 10 
anos: comunica se quer manter-se em funcionamento. Na ausência: considera-
se inativa, cancelando o registro. 
 
- Nome empresarial: 
 
Tipo Firma Denominação 
Empresário individual X 
Empresário individual de responsabilidade limitada X X 
Sociedade em conta de participação Não possui 
Sociedade limitada X X 
Sociedade anônima X 
Sociedade em comandita por ações X X 
Sociedade em nome coletivo X 
Sociedade em comandita simples X 
 
- Não pode ser objeto de alienação, ressalvando-se a hipótese de o adquirente 
de estabelecimento, se o contrato permitir, usar o nome do alienante precedido 
do seu próprio, como sucessor. 
- O nome de sócio que vier a falecer, for excluído ou se retirar, não pode ser 
conservado na firma social. 
 
- Das sociedades não personificadas: 
 
- Sociedade em conta de participação: 
 
- Não possui personalidade jurídica. 
- Não possui nome empresarial. 
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- Não se registra. Constituição independe de formalidade. Pode ser provada a 
existência por todosos meios de direito. 
- Sócio ostensivo: exerce as atividades. Responsabilidade ilimitada. 
- Sócio participante: é o sócio oculto ou sócio de capital, mero prestador de 
capital. 
- Falência: dos sócios, não da sociedade. 
- Falência do ostensivo: sociedade é liquidada. Valor da sociedade é crédito 
quirografário. 
- Falência do oculto: direitos do contrato da sociedade em conta de participação 
integram a massa, ou seja, também vão para o bolo que os credores terão para 
receber, e aplicamos as regras dos contratos bilaterais. 
 
- Sociedade em comum: 
 
- Sociedades não inscritas: exceto as sociedades por ações. 
- Não é elegível, pois ela é irregular. 
- Não tem personalidade jurídica. 
- Normas subsidiárias: das sociedades simples. 
- Responsabilidade: Todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente. 
Primeiro da sociedade e dos sócios que contrataram. Depois dos demais sócios. 
- Capacidade processual: em regra, não é reconhecida capacidade processual 
ativa para a sociedade em comum, mas é reconhecida a capacidade processual 
passiva. 
 
 
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10 QUESTÕES COMENTADAS 
 
10.1 REGISTRO E SOCIEDADES 
 
 
1) (CESPE/Advogado Geral da União/AGU/2015) Sociedade rural que 
não seja registrada na junta comercial com jurisdição sobre o território de sua 
sede é considerada irregular, razão por que não pode contratar com o poder 
público. 
 
Comentários 
 
O item está incorreto. As sociedades rurais registram-se no Registro Civil de 
Pessoas Jurídicas. Somente se optarem é que farão o registro no Registro 
Público de Empresas Mercantis, a cargo das Juntas Comerciais. 
 
Gabarito  Errado. 
 
 
2) (CESPE/Advogado Geral da União/AGU/2015) A adoção do regime 
legal das companhias permite maior liberdade quanto à disciplina das relações 
sociais, o que constitui uma vantagem desse regime em relação ao das 
sociedades contratualistas. 
 
Comentários 
 
As sociedades, quanto ao ato constitutivo, podem ser estatutárias ou 
contratuais. As estatutárias, como as companhias, regidas pela Lei 6.404/76 
têm menor grau de liberdade para disciplinar as relações sociais, já que muitas 
das suas regras têm previsão legal. 
 
Gabarito  Errado. 
 
 
3) (CESPE/Titular de Serviços Notariais/TJ/SE/2014) Qualquer 
pessoa, sem precisar justificar interesse, tem direito de consultar os registros 
de uma junta comercial e requerer a expedição de certidões mediante 
pagamento do preço devido. 
 
Comentários 
 
Segundo a Lei n° 8.934/94, artigo 29: Qualquer pessoa, sem necessidade de 
provar interesse, poderá consultar os assentamentos existentes nas juntas 
comerciais e obter certidões, mediante pagamento do preço devido. 
 
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Gabarito  Correto. 
 
 
4) (CESPE/Advogado Geral da União/AGU/2012) No que diz respeito 
aos livros empresariais e aos contratos empresariais, julgue o item seguinte. 
 
No curso do processo judicial, a eficácia probatória dos livros empresariais 
contra a sociedade empresária opera-se independentemente de eles estarem 
corretamente escriturados. 
 
Comentários: 
 
Deve-se absorver que o Código Civil prega que os livros podem fazer prova 
quer a favor quer contra o empresário. Todavia, para fazer prova a favor não 
pode estar eivado de vício, seja ele extrínseco ou intrínseco. 
 
Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as 
pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício 
extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. 
 
Gabarito  Correto. 
 
 
5) (CESPE/Juiz do Trabalho/TRT/5/2013) Ainda que regularmente 
escriturados, os livros empresariais podem fazer prova plena contra o 
empresário, sendo permitida a este, no entanto, a produção de prova para 
demonstrar a inexatidão dos lançamentos. 
 
Comentários: 
 
O item está correto. Como dissemos: 
 
Art. 378. Os livros comerciais provam contra o seu autor. É lícito ao 
comerciante, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, 
que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos. 
 
Imagine-se que por meio da análise do fluxo de caixa de determinada empresa, 
feita em seus livros contábeis, um Agente Fiscal de Rendas descubra um grande 
valor de omissão de receita. Partindo-se dessa premissa, ele faz um lançamento 
de ofício, cobrando ICMS e multas correspondentes a tal omissão. 
 
A cobrança foi ajuizada e o valor será executado a favor do erário. Os livros 
comerciais utilizados pelo auditor provam contra a empresa. Todavia, pode o 
comerciante provar, por meio de outras formas permitidas em direito, 
que os lançamentos realizados no livro estão equivocados. Pode, por exemplo, 
demonstrar, com todas as notas fiscais relacionadas, que houve pagamento 
correto do ICMS relativo àquele fato e que, não obstante a escrituração 
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estivesse errada, o imposto sobre circulação de mercadorias foi corretamente 
apropriado e pago. 
 
Gabarito  Correto. 
 
 
6) (CESPE/Juiz do Trabalho/TRT/5/2013) O juiz pode determinar, em 
qualquer tipo de litígio, a exibição integral dos livros do empresário. 
 
Comentários: 
 
O item está incorreto. 
 
Art. 1.191. O juiz só poderá autorizar a exibição integral dos livros e papéis de 
escrituração quando necessária para resolver questões relativas a sucessão, 
comunhão ou sociedade, administração ou gestão à conta de outrem, ou em 
caso de falência. 
 
§ 1o O juiz ou tribunal que conhecer de medida cautelar ou de ação pode, a 
requerimento ou de ofício, ordenar que os livros de qualquer das partes, ou de 
ambas, sejam examinados na presença do empresário ou da sociedade 
empresária a que pertencerem, ou de pessoas por estes nomeadas, para deles 
se extrair o que interessar à questão. 
 
§ 2o Achando-se os livros em outra jurisdição, nela se fará o exame, perante o 
respectivo juiz. 
 
O Código de Processo civil ainda propõe que: 
 
Art. 381. O juiz pode ordenar, a requerimento da parte, a exibição integral dos 
livros comerciais e dos documentos do arquivo: 
 
I - na liquidação de sociedade; 
II - na sucessão por morte de sócio; 
III - quando e como determinar a lei. 
 
Art. 382. O juiz pode, de ofício, ordenar à parte a exibição parcial dos livros e 
documentos, extraindo-se deles a suma que interessar ao litígio, bem como 
reproduções autenticadas. 
 
Entendamos os artigos em epígrafe. 
 
A exibição total somente pode ser determinada pelo juiz, a requerimento da 
parte, e em algumas ações (art. 1.191). O próprio Código cita os casos em que 
é possível a exibição total: 
 
1) sucessão; 
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2) comunhão/ sociedade; 
3) administração; 
4) falência/liquidação; 
5) quando a lei determinar. 
 
Todavia, a exibição parcial pode ser feita de ofício ou a requerimento da parte, 
em qualquer ação judicial, quando necessário ou útil à solução da lide (CC, art. 
1.191, parágrafo primeiro). 
 
Exibição 
Quem pode 
requerer? Quando? 
Integral Parte 
Questões relativas à sucessão, comunhão, 
sociedade, administração, falência, 
liquidação 
Parcial 
Parte ou de ofício 
(juiz) Qualquer processo 
 
Gabarito  Errado. 
 
 
7) (CESPE/Juiz do Trabalho/TRT/5/2013) Conforme previsto no Código 
Civil, a escrituração do livro diário e do livrocaixa é obrigatória para todos os 
empresários. 
 
Comentários 
 
O item está incorreto, já que o próprio Código Civil faz a ressalva do pequeno 
empresário. 
 
Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um 
sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração 
uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e 
a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado 
econômico. 
 
§ 2o É dispensado das exigências deste artigo o pequeno empresário a que se 
refere o art. 970. 
 
O pequeno empresário a que se refere o artigo 1.179 é aquele que, segundo a 
Lei Complementar 123/2006 fature até R$ 36.000,00 por ano (até 31.12.2011) 
e R$ 60.000,00 (após 01.01.2012). 
 
Gabarito  Errado. 
 
 
8) (CESPE/Auditor Fiscal da Receita Estadual/SEFAZ/ES/2013) O 
empresário e a sociedade empresária são obrigados a adotar um sistema de 
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contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus 
livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar 
anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. 
 
Comentários: 
 
O item está correto. Segundo o Código Civil: 
 
Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um 
sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração 
uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e 
a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado 
econômico. 
 
§ 2o É dispensado das exigências deste artigo o pequeno empresário a que se 
refere o art. 970. 
 
Gabarito  Correto. 
 
 
9) (CESPE/Auditor Fiscal da Receita Estadual/SEFAZ/ES/2013) O 
livro diário é obrigatório a todos os empresários, podendo, contudo, ser 
substituído por fichas no caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. 
 
Comentários: 
 
Em que pese a segunda parte do item estar correta, já que o diário pode ser 
substituído por fichas no caso de escrituração mecanizada ou eletrônica, ele não 
é obrigatório para todos os empresários, já que ficam ressalvados os pequenos 
empresários (MEI, assim como previsto na LC 123/2006). 
 
Gabarito  Errado. 
 
 
10) (CESPE/Auditor Fiscal da Receita Estadual/SEFAZ/ES/2013) Os 
livros comerciais podem ser analisados, sem nenhuma restrição, pelas 
autoridades fazendárias. 
 
Comentários: 
 
Segundo o Código Civil: 
 
Art. 1.193. As restrições estabelecidas neste Capítulo ao exame da escrituração, 
em parte ou por inteiro, não se aplicam às autoridades fazendárias, no exercício 
da fiscalização do pagamento de impostos, nos termos estritos das respectivas 
leis especiais. 
 
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Assim, o sigilo empresarial não é válido frente às autoridades tributárias, 
quando no exercício da fiscalização. 
 
Gabarito  Errado. 
 
 
11) (CESPE/Auditor Fiscal da Receita Estadual/SEFAZ/ES/2013) Os 
livros comerciais regularmente inscritos não podem ser utilizados como prova 
contra o empresário que os tenha escriturado. 
 
Comentários: 
 
Item incorreto. 
 
Deve-se absorver que o Código Civil prega que os livros podem fazer prova 
quer a favor quer contra o empresário. Todavia, para fazer prova a favor não 
pode estar eivado de vício, seja ele extrínseco ou intrínseco. 
 
Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as 
pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício 
extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. 
 
Gabarito  Errado. 
 
 
12) (CESPE/Auditor Fiscal da Receita Estadual/SEFAZ/ES/2013) O juiz 
ou tribunal competente pode autorizar a exibição integral dos livros e papéis de 
escrituração empresarial quando for necessária para a resolução de qualquer 
questão de caráter patrimonial. 
 
Comentários: 
 
O item está incorreto. Como vimos na aula... 
 
A exibição total somente pode ser determinada pelo juiz, a requerimento da 
parte, e em algumas ações (art. 1.191). O próprio Código cita os casos em que 
é possível a exibição total: 
 
1) sucessão; 
2) comunhão/ sociedade; 
3) administração; 
4) falência/liquidação; 
5) quando a lei determinar. 
 
Gabarito  Errado. 
 
 
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13) (CESPE/Juiz Federal Substituto/TRF 5ª/2009) De acordo com o 
Código Civil, a sociedade adquire personalidade jurídica com a inscrição, no 
registro próprio e na forma da lei, de seus atos constitutivos. 
 
Comentários 
 
ART. 985. A SOCIEDADE ADQUIRE PERSONALIDADE JURÍDICA COM A 
INSCRIÇÃO, NO REGISTRO PRÓPRIO E NA FORMA DA LEI, DOS SEUS 
ATOS CONSTITUTIVOS. 
 
A sociedade adquire personalidade jurídica com a inscrição, no registro próprio 
e na forma da lei, dos seus atos constitutivos. O simples fato de uma 
sociedade ser constituída e iniciar as suas atividades não lhe confere 
personalidade jurídica. Para tanto é necessário o registro de seus atos 
constitutivos no órgão competente. 
 
Gabarito  Correto. 
 
 
14) (CESPE/Juiz Federal Substituto/TRF 5ª/2009) As juntas comercias 
são órgãos federais. 
 
Comentários 
 
As juntas comercias são estaduais. 
 
Gabarito  Errado. 
 
 
15) (CESPE/Juiz Federal Substituto/TRF 5ª/2009) É facultativa a 
inscrição de empresário no Registro Público de Empresas Mercantis da 
respectiva sede, antes do início de suas atividades empresárias. 
 
Comentários 
 
O registro é obrigação legal imposta a todo e qualquer empresário (CC, art. 
967). O ato deve ser feito até 30 dias após a assinatura do respectivo 
documento (Lei 8.934/94, art. 36). Se assim feito, considera-se o ato eficaz, 
perante terceiros, desde sua origem – efeito ex tunc. Ao revés, em se levando o 
ato a registro fora do prazo previsto de 30 dias, considera-se eficaz apenas a 
partir do momento em que houver deferimento – efeito ex nunc. 
 
Gabarito  Errado. 
 
 
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16) (CESPE/Advogado Geral da União/2009) A lei determina que o 
arquivamento dos instrumentos de escrituração das sociedades empresárias 
seja feito na junta comercial competente. 
 
Comentários 
 
Pegadinha das boas! Já se falou aqui também que, como dispõe o artigo 967 do 
Código Civil, é obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de 
Empresas Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade. 
 
Mas, onde é feito esse registro? Esse registro é feito na Junta Comercial. É ela 
quem executa os atos de REGISTRO (a saber, MATRÍCULA, 
ARQUIVAMENTO E AUTENTICAÇÃO) dos empresários individuais e 
sociedades empresárias. Tratemos das três espécies de registro. 
 
A matrícula é nada mais do que o registro de leiloeiros, tradutores públicos, 
intérpretes, trapicheiros e administradores de armazéns gerais. 
 
O arquivamento trata basicamente dos documentos relativos à constituição, 
alteração, dissolução e extinção de empresários individuais e 
sociedades empresárias, como contrato social, atas de reunião, atas de 
alteração contratual, entre outros. 
 
Por seu turno, a autenticação é o registro da escrituração realizada pelos 
empresários e sociedades empresárias. 
 
Portanto, a questão se referiu, em verdade, à autenticação, e não ao 
arquivamento. 
 
Gabarito  Errado. 
 
 
17) (CESPE/Advogado Geral da União/2009) Considere que o 
instrumento de dissolução decerta sociedade empresária tenha sido assinado 
no dia 19 de dezembro de 2008 e apresentado à junta comercial competente, 
para arquivamento, no dia 2 de janeiro de 2009. Nesse caso, os efeitos do 
arquivamento retroagirão à data da assinatura do instrumento. 
 
Comentários 
 
O ato deve ser feito até 30 dias após a assinatura do respectivo documento (Lei 
8.934/94, art. 36). Se assim feito, considera-se o ato eficaz, perante terceiros, 
desde sua origem, retroagindo – efeito ex tunc. Ao revés, em se levando o ato 
a registro fora do prazo previsto de 30 dias, considera-se eficaz apenas a partir 
do momento em que houver deferimento – efeito ex nunc. 
 
Gabarito  Correto. 
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18) (CESPE/Advogado Hemobrás/2008) O registro do contrato social ou 
dos estatutos sociais em cartório de registro de pessoas jurídicas ou nas juntas 
comerciais, a depender da natureza da pessoa jurídica (simples ou empresária), 
é requisito e condição para que seja adquirida personalidade. 
 
Comentários 
 
Dissemos que: 
 
ART. 985. A SOCIEDADE ADQUIRE PERSONALIDADE JURÍDICA COM A 
INSCRIÇÃO, NO REGISTRO PRÓPRIO E NA FORMA DA LEI, DOS SEUS 
ATOS CONSTITUTIVOS. 
 
E como funciona esse registro? A resposta se encontra aqui: 
 
Art. 1.150. O empresário e a sociedade empresária vinculam-se ao Registro 
Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais, e a sociedade 
simples ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas, o qual deverá obedecer às 
normas fixadas para aquele registro, se a sociedade simples adotar um dos 
tipos de sociedade empresária. 
 
Gabarito  Correto. 
 
 
19) (CESPE/Juiz Federal Substituto/TRF 5ª/2009) Uma das mais 
importantes distinções entre as sociedades civis e as sociedades comerciais é a 
possibilidade de essas últimas pedirem falência, enquanto aquelas se submetem 
à insolvência civil. 
 
Comentários 
 
A falência é instituto que se aplica basicamente ao empresário e sociedade 
empresária (Lei 11.101/2005, art. 1º). Para os devedores civis, resta o 
chamado concurso de credores, regido pelo Direito Civil. 
 
E qual a vantagem da cobrança do rito empresarial sobre o concurso de 
credores, do âmbito civil? Fábio Ulhoa cita basicamente duas: 
 
- Possibilidade de a empresa se recuperar; 
- Extinção das obrigações do falido mesmo que as dívidas não sejam totalmente 
quitadas (será visto adiante). 
 
Gabarito  Correto. 
 
 
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20) (CESPE/Juiz Federal Substituto/TRF 5ª/2009) Todos os tipos de 
sociedades previstos no Código Civil podem ser utilizados para a atividade 
comercial. 
 
Comentários 
 
As sociedades simples não são utilizadas para as atividades comerciais, vez que 
não atendem os requisitos estatuídos no artigo 966 do Código Civil. 
 
Gabarito  Errado. 
 
 
21) (CESPE/Analista de Controle Externo/TCE AC/2009) As sociedades 
comerciais não podem ser constituídas para atividade que se restrinja à 
realização de um único negócio. 
 
Comentários 
 
Segundo o Código Civil: 
 
Art. 981. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se 
obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade 
econômica e a partilha, entre si, dos resultados. 
 
Parágrafo único. A atividade pode restringir-se à realização de um ou 
mais negócios determinados. 
 
Portanto, há permissivo em lei para a constituição de sociedade para um ou 
mais negócios determinados. 
 
Gabarito  Errado. 
 
 
22) (CESPE/Analista de Controle Externo/TCE AC/2009) Aplicam-se às 
sociedades comerciais (empresárias), subsidiariamente no que for compatível 
com as suas específicas disciplinas, as normas relativas à sociedade simples. 
 
Comentários 
 
O item está correto. Aos diversos tipos societários, no caso de omissão do 
contrato ou estatuto social, aplicam-se as disposições das Sociedades Simples, 
observando-se o seguinte: 
 
Para as sociedades em conta de participação, havendo omissão do capítulo 
específico, aplicam-se as normas da sociedade simples (CC, art. 996). O mesmo 
vale para a sociedade em comum (CC, art. 986), exceto se a sociedade em 
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comum for se organizar pelo tipo sociedade por ações, quando prevalecerá as 
regras da Lei 6.404/76. 
 
A sociedade em nome coletivo também é regida supletivamente pelas normas 
das sociedades simples (CC, art. 1.040). 
 
Já a sociedade em comandita simples rege-se, prioritariamente, na omissão, 
pelas regras da sociedade em nome coletivo, aplicando-se-lhes em seguida as 
normas das sociedades simples. 
 
As limitadas podem reger-se tanto pelas normas das sociedades simples como 
pelas normas das SAs, se assim previsto expressamente (CC, art. 1.053, caput 
e parágrafo único). 
 
As cooperativas regem-se pelo disposto no Código Civil, para si, e pela 
legislação especial (CC, art. 1.093) e, no que a lei for omissa, pelas disposições 
das sociedades simples (CC, art. 1.094). 
 
A sociedade anônima rege-se pela legislação especial, aplicando se a elas, nos 
casos omissos a legislação do Código. 
 
 
Gabarito  Correto. 
 
 
23) (CESPE/Analista Judiciário/STJ/2012) Os atos submetidos ao 
registro do comércio estão sujeitos a dois regimes de julgamento, o colegiado e 
o singular, pelo plenário e pelas turmas, respectivamente. As turmas 
manifestam-se a respeito do arquivamento dos atos de constituição de 
sociedades anônimas, bem como das atas de assembleias gerais e demais atos 
relativos a essas sociedades sujeitos ao registro do comércio. 
 
Comentários 
 
O item está correto. Consoante a Lei do Registro de Empresas (8.934/94) 
 
Art. 41. Estão sujeitos ao regime de decisão colegiada pelas juntas comerciais, 
na forma desta lei: 
 
I - o arquivamento: 
 
a) dos atos de constituição de sociedades anônimas, bem como das atas de 
assembléias gerais e demais atos, relativos a essas sociedades, sujeitos ao 
Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins; 
b) dos atos referentes à transformação, incorporação, fusão e cisão de 
empresas mercantis; 
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c) dos atos de constituição e alterações de consórcio e de grupo de sociedades, 
conforme previsto na Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976; 
 
II - o julgamento do recurso previsto nesta lei. 
 
Art. 42. Os atos próprios do Registro Público de Empresas Mercantis e 
Atividades Afins, não previstos no artigo anterior, serão objeto de decisão 
singular proferida pelo presidente da junta comercial, por vogal ou servidor que 
possua comprovados conhecimentos de Direito Comercial e de Registro de 
Empresas Mercantis. 
Parágrafo único. Os vogais e servidores habilitados a proferir decisões 
singulares serão designados pelo presidente da junta comercial. 
 
Gabarito  Correto. 
 
 
10.2 ESCRITURAÇÃO 
 
24) (CESPE/Procurador/MPTCU/2004) O Código Civil apresenta regras 
relativas à responsabilidade sobre a escrituração que afetam as sociedades de 
forma geral. Acerca dessas regras, julgue os itens seguintes. 
 
Os lançamentos contábeis efetuados no livro diário de uma empresa por seu 
contador e aqueles feitos pelos preponentes (sócios administradores) produzem 
os mesmos efeitos, salvo se o contador houver procedido de má-fé. 
 
Comentários 
 
Dissemos que o empresário e a sociedade empresária sãoobrigados a seguir 
um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração 
uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e 
a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico (CC, 
art. 1.179). 
 
Essa escrituração deve ser feita por contabilista (contador ou técnico em 
contabilidade), salvo se nenhum houver na localidade. 
 
De acordo com o Código Civil: 
 
Art. 1.177. Os assentos lançados nos livros ou fichas do preponente, por 
qualquer dos prepostos encarregados de sua escrituração, produzem, salvo se 
houver procedido de má-fé, os mesmos efeitos como se o fossem por aquele. 
 
Gabarito  Correto. 
 
 
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25) (CESPE/Analista de Controle Externo/TCE AC/2009) Em princípio, 
os livros comerciais fazem prova contra os comerciantes (empresários) a que 
pertençam e, em seu favor, quando forem escriturados sem vício extrínseco ou 
intrínseco e confirmados por outros subsídios. 
 
Comentários 
 
O item está correto. Grave-se! Estando viciado o livro, poderá fazer prova 
apenas contra o empresário ou sociedade. 
 
Estando perfeitamente escriturado, fará prova a favor ou contra. 
 
Gabarito  Correto. 
 
 
26) (CESPE/Analista de Controle Externo/TCE AC/2009) Pode o juiz, 
em qualquer caso, autorizar a exibição integral dos livros e papéis da 
escrituração contábil do empresário ou da sociedade empresária. 
 
Comentários 
 
Pelo nosso esquema: 
 
Exibição Quem pode 
requerer? 
Quando? 
Integral Parte 
Questões relativas à sucessão, comunhão, 
sociedade, administração, falência 
Parcial 
Parte ou de ofício 
(juiz) Qualquer processo 
 
Portanto, a exibição total tem suas hipóteses de existência restritas. 
 
Gabarito  Errado. 
 
 
27) (CESPE/Analista de Controle Externo/TCE AC/2009) As restrições 
estabelecidas na legislação civil ao exame da escrituração contábil, em parte ou 
por inteiro, aplicam-se também às autoridades fazendárias, no exercício da 
fiscalização do pagamento de tributos. 
 
Comentários 
 
Os livros empresariais representam a vida econômica do empresário. Ali são 
encontradas informações valiosas sobre o andamento e a gestão do negócio. 
Pois bem, estes livros são resguardados por sigilo. O Código Civil confere 
proteção à escrituração através do seguinte dispositivo: 
 
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Art. 1.190. Ressalvados os casos previstos em lei, nenhuma autoridade, juiz ou 
tribunal, sob qualquer pretexto, poderá fazer ou ordenar diligência para 
verificar se o empresário ou a sociedade empresária observam, ou não, em 
seus livros e fichas, as formalidades prescritas em lei. 
 
Vejam que o próprio artigo se inicia com a redação “ressalvados os casos 
previstos em lei”, o que permite inferir que o sigilo empresarial não é direito 
absoluto. 
 
Exemplifique-se. O Código Tributário Nacional, em seu artigo 195, dispõe: 
 
Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer 
disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar 
mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou 
fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de 
exibi-los. 
 
No mesmo sentido foi o Código Civil: 
 
Art. 1.193. As restrições estabelecidas neste Capítulo ao exame da escrituração, 
em parte ou por inteiro, não se aplicam às autoridades fazendárias, no exercício 
da fiscalização do pagamento de impostos, nos termos estritos das respectivas 
leis especiais. 
 
Assim, o sigilo empresarial não é válido frente às autoridades tributárias, 
quando no exercício da fiscalização. 
 
Gabarito  Errado. 
 
 
28) (CESPE/Analista de Controle Externo/TCE AC/2009) Não constitui 
crime deixar de elaborar, escriturar ou autenticar os documentos de 
escrituração contábil obrigatórios. 
 
Comentários 
 
Segundo a legislação falimentar (Lei 11.101/2005): 
 
Art. 178. Deixar de elaborar, escriturar ou autenticar, antes ou depois da 
sentença que decretar a falência, conceder a recuperação judicial ou homologar 
o plano de recuperação extrajudicial, os documentos de escrituração contábil 
obrigatórios: 
 
Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos, e multa, se o fato não constitui 
crime mais grave. 
 
Gabarito  Errado. 
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29) (CESPE/Analista de Controle Externo/TCE TO/2009) Todas as 
sociedades empresárias são obrigadas a se registrar na junta comercial 
competente antes de iniciar suas atividades, mas apenas as que tenham capital 
social superior a R$ 200.000,00 devem levantar balanço patrimonial e de 
resultado econômico anualmente. 
 
Comentários 
 
A obrigação ao registro é imposta a todos os empresários e sociedades, de 
acordo com o artigo 967 do Código Civil. 
 
Ainda, de acordo com o Código Civil: 
 
Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um 
sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração 
uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e 
a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado 
econômico. 
 
§ 2o É dispensado das exigências deste artigo o pequeno empresário a que se 
refere o art. 970. 
 
O pequeno empresário a que se refere o artigo 1.179 é aquele que, segundo a 
Lei Complementar 123/2006 fature até R$ 36.000,00 por ano (até 31.12.2011) 
e R$ 60.000,00 (após 01.01.2012). 
 
Gabarito  Errado. 
 
 
30) (CESPE/Analista de Controle Externo/TCE TO/2009) Os livros 
empresariais obrigatórios, antes de postos em uso, devem ser autenticados no 
registro público de empresas mercantis, salvo disposição de lei em sentido 
contrário. 
 
Comentários 
 
De acordo com o Código Civil: 
 
Art. 1.181. Salvo disposição especial de lei, os livros obrigatórios e, se 
for o caso, as fichas, antes de postos em uso, devem ser autenticados 
no Registro Público de Empresas Mercantis. 
 
Parágrafo único. A autenticação não se fará sem que esteja inscrito o 
empresário, ou a sociedade empresária, que poderá fazer autenticar livros não 
obrigatórios. 
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Gabarito  Correto. 
 
 
31) (CESPE/Analista de Controle Externo/TCE TO/2009) São livros 
empresariais indispensáveis a todas as sociedades empresárias o razão e o de 
registro de duplicatas. 
 
Comentários 
 
O livro razão é facultativo sob a óptica empresarial, bem como o registro de 
duplicatas. 
 
O único livro obrigatório é comum a todos os empresários é o diário. 
 
Gabarito  Errado. 
 
 
32) (CESPE/Analista de Controle Externo/TCE TO/2009) No curso de 
processo judicial, o juiz de direito tem competência para determinar a exibição 
integral dos livros e papéis de escrituração das sociedades empresárias em 
quaisquer hipóteses. 
 
Comentários 
 
Pelo nosso esquema: 
 
Exibição 
Quem pode 
requerer? Quando? 
Integral Parte 
Questões relativas à sucessão, comunhão, 
sociedade, administração, falência 
Parcial 
Parte ou de ofício 
(juiz) 
Qualquer processo 
 
Portanto, a exibição total tem suas hipóteses de existência restritas. 
 
Gabarito  Errado. 
 
 
33) (CESPE/Analista de Controle Externo/TCE TO/2009) O livro diário 
não pode ser substituído em nenhuma hipótese. 
 
Comentários 
 
Segundo o Código Civil: 
 
Direitodos demais livros exigidos por lei, é indispensável o Diário, 
que pode ser substituído por fichas no caso de escrituração mecanizada ou 
eletrônica. 
Parágrafo único. A adoção de fichas não dispensa o uso de livro apropriado para 
o lançamento do balanço patrimonial e do de resultado econômico. 
 
Art. 1.181. Salvo disposição especial de lei, os livros obrigatórios e, se for o 
caso, as fichas, antes de postos em uso, devem ser autenticados no Registro 
Público de Empresas Mercantis. 
Parágrafo único. A autenticação não se fará sem que esteja inscrito o 
empresário, ou a sociedade empresária, que poderá fazer autenticar livros não 
obrigatórios. 
 
Art. 1.182. Sem prejuízo do disposto no art. 1.174, a escrituração ficará sob a 
responsabilidade de contabilista legalmente habilitado, salvo se nenhum houver 
na localidade. 
 
Art. 1.183. A escrituração será feita em idioma e moeda corrente nacionais e 
em forma contábil, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em 
branco, nem entrelinhas, borrões, rasuras, emendas ou transportes para as 
margens. 
 
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Parágrafo único. É permitido o uso de código de números ou de abreviaturas, 
que constem de livro próprio, regularmente autenticado. 
 
Art. 1.184. No Diário serão lançadas, com individuação, clareza e caracterização 
do documento respectivo, dia a dia, por escrita direta ou reprodução, todas as 
operações relativas ao exercício da empresa. 
 
§ 1o Admite-se a escrituração resumida do Diário, com totais que não excedam 
o período de trinta dias, relativamente a contas cujas operações sejam 
numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados 
livros auxiliares regularmente autenticados, para registro individualizado, e 
conservados os documentos que permitam a sua perfeita verificação. 
§ 2o Serão lançados no Diário o balanço patrimonial e o de resultado 
econômico, devendo ambos ser assinados por técnico em Ciências Contábeis 
legalmente habilitado e pelo empresário ou sociedade empresária. 
 
Art. 1.185. O empresário ou sociedade empresária que adotar o sistema de 
fichas de lançamentos poderá substituir o livro Diário pelo livro Balancetes 
Diários e Balanços, observadas as mesmas formalidades extrínsecas exigidas 
para aquele. 
 
Art. 1.186. O livro Balancetes Diários e Balanços será escriturado de modo que 
registre: 
I - a posição diária de cada uma das contas ou títulos contábeis, pelo respectivo 
saldo, em forma de balancetes diários; 
II - o balanço patrimonial e o de resultado econômico, no encerramento do 
exercício. 
 
Art. 1.187. Na coleta dos elementos para o inventário serão observados os 
critérios de avaliação a seguir determinados: 
I - os bens destinados à exploração da atividade serão avaliados pelo custo de 
aquisição, devendo, na avaliação dos que se desgastam ou depreciam com o 
uso, pela ação do tempo ou outros fatores, atender-se à desvalorização 
respectiva, criando-se fundos de amortização para assegurar-lhes a substituição 
ou a conservação do valor; 
II - os valores mobiliários, matéria-prima, bens destinados à alienação, ou que 
constituem produtos ou artigos da indústria ou comércio da empresa, podem 
ser estimados pelo custo de aquisição ou de fabricação, ou pelo preço corrente, 
sempre que este for inferior ao preço de custo, e quando o preço corrente ou 
venal estiver acima do valor do custo de aquisição, ou fabricação, e os bens 
forem avaliados pelo preço corrente, a diferença entre este e o preço de custo 
não será levada em conta para a distribuição de lucros, nem para as 
percentagens referentes a fundos de reserva; 
III - o valor das ações e dos títulos de renda fixa pode ser determinado com 
base na respectiva cotação da Bolsa de Valores; os não cotados e as 
participações não acionárias serão considerados pelo seu valor de aquisição; 
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IV - os créditos serão considerados de conformidade com o presumível valor de 
realização, não se levando em conta os prescritos ou de difícil liqüidação, salvo 
se houver, quanto aos últimos, previsão equivalente. 
 
Parágrafo único. Entre os valores do ativo podem figurar, desde que se preceda, 
anualmente, à sua amortização: 
I - as despesas de instalação da sociedade, até o limite correspondente a dez 
por cento do capital social; 
II - os juros pagos aos acionistas da sociedade anônima, no período 
antecedente ao início das operações sociais, à taxa não superior a doze por 
cento ao ano, fixada no estatuto; 
III - a quantia efetivamente paga a título de aviamento de estabelecimento 
adquirido pelo empresário ou sociedade. 
 
Art. 1.188. O balanço patrimonial deverá exprimir, com fidelidade e clareza, a 
situação real da empresa e, atendidas as peculiaridades desta, bem como as 
disposições das leis especiais, indicará, distintamente, o ativo e o passivo. 
Parágrafo único. Lei especial disporá sobre as informações que acompanharão o 
balanço patrimonial, em caso de sociedades coligadas. 
 
Art. 1.189. O balanço de resultado econômico, ou demonstração da conta de 
lucros e perdas, acompanhará o balanço patrimonial e dele constarão crédito e 
débito, na forma da lei especial. 
 
Art. 1.190. Ressalvados os casos previstos em lei, nenhuma autoridade, juiz ou 
tribunal, sob qualquer pretexto, poderá fazer ou ordenar diligência para 
verificar se o empresário ou a sociedade empresária observam, ou não, em 
seus livros e fichas, as formalidades prescritas em lei. 
 
Art. 1.191. O juiz só poderá autorizar a exibição integral dos livros e papéis de 
escrituração quando necessária para resolver questões relativas a sucessão, 
comunhão ou sociedade, administração ou gestão à conta de outrem, ou em 
caso de falência. 
§ 1o O juiz ou tribunal que conhecer de medida cautelar ou de ação pode, a 
requerimento ou de ofício, ordenar que os livros de qualquer das partes, ou de 
ambas, sejam examinados na presença do empresário ou da sociedade 
empresária a que pertencerem, ou de pessoas por estes nomeadas, para deles 
se extrair o que interessar à questão. 
§ 2o Achando-se os livros em outra jurisdição, nela se fará o exame, perante o 
respectivo juiz. 
 
Art. 1.192. Recusada a apresentação dos livros, nos casos do artigo 
antecedente, serão apreendidos judicialmente e, no do seu § 1o, ter-se-á como 
verdadeiro o alegado pela parte contrária para se provar pelos livros. 
Parágrafo único. A confissão resultante da recusa pode ser elidida por prova 
documental em contrário. 
 
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Art. 1.193. As restrições estabelecidas neste Capítulo ao exame da escrituração, 
em parte ou por inteiro, não se aplicam às autoridades fazendárias, no exercício 
da fiscalização do pagamento de impostos, nos termos estritos das respectivas 
leis especiais. 
 
Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar 
em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis 
concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência 
no tocante aos atos neles consignados. 
 
Art. 1.195. As disposições deste Capítulo aplicam-se às sucursais, filiais ou 
agências, no Brasil, do empresário ou sociedade com sede em país estrangeiro. 
 
2.1 INTERPRETAÇÃO DOS DISPOSITIVOS 
 
Passemos agora a analisar os dispositivos para fins de prova. 
 
Como dissemos acima, em um primeiro momento, devemos escriturar, por 
meio de lançamentos contábeis, todas as notas fiscais e documentosEmpresarial para Delegado PC/GO - 2016 
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Art. 1.180. Além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o Diário, 
que pode ser substituído por fichas no caso de escrituração mecanizada 
ou eletrônica. 
 
Parágrafo único. A adoção de fichas não dispensa o uso de livro apropriado para 
o lançamento do balanço patrimonial e do de resultado econômico. 
 
Gabarito  Errado. 
 
 
10.3 SOCIEDADE EM COMUM 
 
 
34) (CESPE/Advogado Geral da União/AGU/2015) A sociedade 
empresária irregular não tem legitimidade ativa para pleitear a falência de outro 
comerciante, mas pode requerer recuperação judicial, devido ao princípio da 
preservação da empresa. 
 
Comentários: 
 
O item está incorreto. A sociedade em comum pode falir (falência é o instituto 
aplicável, nos termos da Lei 11.101/2005 quando não há mais possibilidade de 
se salvar a empresa). Todavia, ela não pode requerer recuperação judicial, que 
é um instituto previsto na Lei 11.101 cuja principal finalidade é recuperar o 
empresário. O artigo 48 da referida lei exige que o empresário exerça 
regularmente a atividade há mais de 2 anos. 
 
Gabarito  Errado. 
 
 
35) (CESPE/Titular de Serviços Notariais/TJ/SE/2014) Na sociedade 
em comum, a responsabilidade dos sócios é ilimitada e solidária, respondendo 
aquele que contratou em nome da sociedade com todo o seu patrimônio 
pessoal assim que esgotado o patrimônio especial. 
 
Comentários 
 
Como dissemos: Art. 990. Todos os sócios respondem solidária e 
ilimitadamente pelas obrigações sociais, excluído do benefício de ordem, 
previsto no art. 1.024, aquele que contratou pela sociedade. 
 
Gabarito  Errado. 
 
 
36) (CESPE/Titular de Serviços Notariais/TJ/DF/2014) A existência da 
sociedade irregular pode ser comprovada por qualquer modo lícito de prova, 
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seja por terceiros que negociarem com a sociedade, seja pelos sócios, no 
âmbito de suas relações recíprocas ou com terceiros. 
 
Comentários 
 
Segundo o Código Civil: 
 
Art. 987. Os sócios, nas relações entre si ou com terceiros, somente por escrito 
podem provar a existência da sociedade, mas os terceiros podem prová-la de 
qualquer modo. 
 
Gabarito  Errado. 
 
 
37) (Cespe/Advogado/HEMOBRÁS/2008) Em se tratando de sociedade 
em comum, os bens dos sócios podem ser executados por dívidas da sociedade 
em caso de insolvência. 
 
Comentários 
 
O item está correto, com fulcro no que prescreve o artigo 990 do Código Civil. 
 
Art. 990. Todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas 
obrigações sociais, excluído do benefício de ordem, previsto no art. 1.024, 
aquele que contratou pela sociedade. 
 
Gabarito  Correto. 
 
 
38) (CESPE/TJ SE/Juiz Substituto/2008) Por não ter personalidade 
jurídica, a sociedade em comum não tem capacidade processual e não se 
sujeita ao processo falimentar. 
 
Comentários 
 
Quanto à capacidade processual da sociedade em comum, deve o candidato 
esclarecer que esta não existirá quando a sociedade for pólo ativo da 
demanda, porém haverá em caso de figurar como pólo passivo, inclusive 
para o requerimento de sua falência. Ok? 
 
SOCIEDADE EM COMUM 
 
Pólo ativo  Não existe capacidade processual. 
Pólo passivo  Pode ser demandada, inclusive requerimento de 
falência. 
 
Gabarito  Errado. 
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39) (CESPE/OAB 2009.1) Na sociedade em comum, todos os sócios 
respondem limitadamente pelas obrigações da sociedade; assim, todos os 
sócios podem valer-se do benefício de ordem a que os sócios da sociedade 
simples fazem jus. 
 
Comentários 
 
As sociedades em comum são espécies de sociedade sem personalidade 
jurídica. Passemos a defini-la e ver os detalhes sobre sua existência que são 
importantes para o concurso vindouro. 
 
O artigo 1.024 do Código Civil dispõe que responde pelas obrigações sociais o 
patrimônio da própria sociedade (art. 1.024 do Novo Código Civil), dada a 
autonomia patrimonial inerente às pessoas jurídicas. Todavia, no caso de 
insuficiência desse patrimônio, os sócios podem ser chamados a responder 
subsidiariamente com o seu patrimônio pessoal. 
 
Vejam o teor do artigo em comento: 
 
Art. 1.024. Os bens particulares dos sócios não podem ser executados por 
dívidas da sociedade, senão depois de executados os bens sociais. 
 
A sociedade em comum é aquela que não inscreveu seus atos 
constitutivos na Junta Comercial. É, por esse motivo, despida de 
personalidade jurídica. A responsabilidade dos sócios neste tipo de 
sociedade é ilimitada e direta, não havendo que se falar em execução dos 
bens sociais a priori, uma vez que sequer há formação desta sociedade 
formalmente. 
 
Art. 990. Todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas 
obrigações sociais, excluído do benefício de ordem, previsto no art. 1.024, 
aquele que contratou pela sociedade. 
 
Esses são os principais aspectos cobrados quando o assunto é 
sociedade em comum. 
 
Gabarito  Errado. 
 
 
40) (CESPE/OAB/2007) Acerca da sociedade em comum, assinale a opção 
correta. 
 
a) Todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações 
sociais, excluído do benefício de ordem aquele que contratou pela sociedade. 
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b) O regime da sociedade em comum aplica-se também às sociedades por 
ações em organização. 
c) A sociedade em comum é uma espécie societária personificada. 
d) Os bens e as dívidas da sociedade em comum constituem patrimônio 
especial, administrado e titularizado pelo sócio administrador. 
 
Comentários 
 
Segundo o Código Civil: 
 
Art. 990. Todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas 
obrigações sociais, excluído do benefício de ordem, previsto no art. 1.024, 
aquele que contratou pela sociedade. 
Art. 1.024 Os bens particulares dos sócios não podem ser executados por 
dívidas da sociedade, senão depois de executados os bens sociais. 
 
A letra a está correta. Este artigo 990 é o assunto mais cobrado quando o 
assunto é sociedade em comum. 
 
A letra b está incorreta. Enquanto não registrados os atos constitutivos, o 
contrato de sociedade será regido pelos Artigos 986 a 990, e, no que for 
compatível, será regido pelas normas da sociedade simples previstas nos 
Artigos 997 a 1.038, exceto quando se tratar de sociedade por ações em 
organização, que será disciplinada por lei especial nos termos do Artigo 1.089 
(todos do Código Civil). 
 
Vimos, inúmeras vezes, que a sociedade em comum não possui personalidade 
jurrídica (letra c incorreta). 
 
A letra d também está incorreta, uma vez que o Código Civil prescreve que: 
 
Art. 988. Os bens e dívidas sociais constituem patrimônio especial, do qual os 
sócios são titulares em comum. 
 
Gabarito  A. 
 
 
41) (CESPE/Juiz do Trabalho Substituto/TRT 1ª) Aplicam-se à sociedade 
anônima em fase de organização as regras atinentes à sociedade em comum 
enquanto não ultimados os atos de registro. 
 
Comentários 
 
Como já frisamos, não se aplicam as disposições do Código Civil (art. 986 a 
990) às sociedades por ações (da qual a sociedade anônima é espécie). 
 
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Art. 986. Enquanto não inscritos os atos constitutivos, reger-se-á a sociedade, 
exceto por ações em organização, pelo disposto neste Capítulo, observadas, 
subsidiariamente e no que com ele forem compatíveis, as normas da sociedade 
simples. 
 
Gabarito  Errado. 
 
 
10.4 SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO 
 
42) (CESPE/Juiz de Direito/TJ/PI/2012) Por expressa disposição legal, a 
sociedade em conta de participação deve operar sob firma ou denominação. 
 
Comentários: 
 
O item está incorreto. Como dissemos, segundo o art. 1.162 do CC: A 
sociedade em conta de participação não pode ter firma ou denominação. 
 
Gabarito  Errado. 
 
 
43) (CESPE/Auditor do TCU/2007) Com relação aos tipos de sociedades, 
julgue os itens subseqüentes. 
 
Nas sociedades em conta de participação, a inscrição do contrato social em 
qualquer registro é o que lhe confere personalidade jurídica. 
 
Comentários 
 
O item está incorreto. A sociedade em conta de participação é despida de 
personalidade jurídica. Logo, não há necessidade de registro, posto o caráter 
secreto deste tipo societário. Contudo, mesmo que promova o registro de seu 
contrato social, não há aquisição de personalidade jurídica por parte da SCP. 
 
Gabarito  Errado. 
 
 
44) (CESPE/Procurador do MP junto ao TCU/2004) No que se refere à 
responsabilidade de sócios de sociedades privadas regidas pelo Código Civil, 
julgue os itens a seguir. 
 
Em uma sociedade em conta de participação, a responsabilidade pela atividade 
constitutiva do objeto social é exclusiva do sócio ostensivo. 
 
Comentários 
 
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Na sociedade em conta de participação, a atividade constitutiva do objeto social 
é exercida unicamente pelo sócio ostensivo, em seu nome individual e sob sua 
própria e exclusiva responsabilidade, participando os demais dos resultados 
correspondentes (Código Civil, art. 991). 
 
Obriga-se perante terceiro tão-somente o sócio ostensivo; e, exclusivamente 
perante este, o sócio participante, nos termos do contrato social (Código Civil, 
art. 991, parágrafo único). 
 
Item, pois, correto. 
 
Gabarito  Correto. 
 
 
45) (CESPE/Defensor Público da União/2007) Os sócios de certa 
sociedade em conta de participação lavraram o seu ato constitutivo em janeiro 
de 2007, mas o referido instrumento foi levado a registro apenas após cerca de 
seis meses. Nessa situação, a sociedade somente passou a ter personalidade 
jurídica no momento da inscrição de seu contrato social no registro público de 
empresas mercantis. 
 
Comentários 
 
A sociedade em conta de participação é sociedade secreta. Não há necessidade 
de registro de seus atos constitutivos e, mesmo se os sócios vierem a fazê-lo, 
eventual inscrição não lhe conferirá personalidade jurídica. 
 
Gabarito  Errado. 
 
 
46) (CESPE/Prefeitura Municipal de Rio Branco/AFTM/ 2007) Na 
sociedade em conta de participação, o contrato social produz efeitos somente 
entre os sócios; além disso, a eventual inscrição de seu instrumento em 
qualquer registro não confere personalidade jurídica à sociedade. 
 
Comentários 
 
É este o exato teor do artigo 993 do Código Civil: 
 
Art. 993. O contrato social produz efeito somente entre os sócios, e a eventual 
inscrição de seu instrumento em qualquer registro não confere personalidade 
jurídica à sociedade. 
 
Gabarito  Correto. 
 
 
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47) (CESPE/Ministério Público Especial/BA/2010) O contrato social da 
sociedade em conta de participação produz efeito somente entre seus sócios, e 
a eventual inscrição de seu instrumento em qualquer registro não confere 
personalidade jurídica à sociedade. 
 
Comentários 
 
O item está correto, com fulcro no artigo 993 do CC: 
 
Art. 993. O contrato social produz efeito somente entre os sócios, e a eventual 
inscrição de seu instrumento em qualquer registro não confere personalidade 
jurídica à sociedade. 
 
Gabarito  Correto. 
 
 
1.1 NOME EMPRESARIAL 
 
48) (CESPE/Juiz de Direito/TJ/PI/2012) É vedado ao adquirente de 
estabelecimento usar o nome do alienante precedido do seu próprio, com a 
qualificação de sucessor, mediante ato entre vivos e autorização contratual, 
visto que o nome empresarial não pode ser objeto de alienação. 
 
Comentários: 
 
O item está incorreto. Como dissemos no curso: 
 
Art. 1.164. O nome empresarial não pode ser objeto de alienação. 
 
Parágrafo único. O adquirente de estabelecimento, por ato entre vivos, pode, se 
o contrato o permitir, usar o nome do alienante, precedido do seu próprio, com 
a qualificação de sucessor. 
 
Veja-se que o nome empresarial não pode ser objeto de alienação, 
ressalvando-se a hipótese de o adquirente de estabelecimento, se o 
contrato permitir, usar o nome do alienante precedido do seu próprio, 
como sucessor. 
 
Gabarito  Errado. 
 
 
49) (CESPE/Juiz de Direito/TJ/PI/2012) A firma deve ser composta com 
o nome de um ou mais sócios, desde que sejam pessoas físicas, de modo 
indicativo da relação social, podendo ser adotada nas sociedades limitadas, nas 
sociedades em comandita por ações e nas sociedades anônimas. 
 
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Como dissemos: 
 
Tipo Firma Denominação 
Empresário individual X 
Empresário individual de responsabilidade limitada X X 
Sociedade em conta de participação Não possui 
Sociedade limitada X X 
Sociedade anônima X 
Sociedade em comandita por ações X X 
Sociedade em nome coletivo X 
Sociedade em comandita simples X 
 
Portanto, vemos que as sociedades anônimas podem somente adotar a 
denominação, pelo que o gabarito encontra-se incorreto. 
 
Gabarito  Errado. 
 
 
50) (CESPE/Juiz de Direito/TJ/PI/2012) A inscrição do nome empresarial 
deve ser cancelada, a requerimento de qualquer interessado, quando cessar o 
exercício da atividade para a qual tenha sido adotado o nome, ou quando se 
ultimar a liquidação da sociedade que o tenha inscrito. 
 
Comentários 
 
O item está correto. Segundo o Código Civil: 
Art. 1.168. A inscrição do nome empresarial será cancelada, a requerimento de 
qualquer interessado, quando cessar o exercício da atividade para que foi 
adotado, ou quando ultimar-se a liquidação da sociedade que o inscreveu. 
 
Gabarito  Correto. 
 
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11 QUESTÕES COMENTADAS NESTA AULA 
 
1) (CESPE/Advogado Geral da União/AGU/2015) Sociedade rural que 
não seja registrada na junta comercial com jurisdição sobre o território de sua 
sede é considerada irregular, razão por que não pode contratar com o poder 
público. 
 
2) (CESPE/Advogado Geral da União/AGU/2015) A adoção do regime 
legal das companhias permite maior liberdade quanto à disciplina das relações 
sociais, o que constitui uma vantagem desse regime em relação ao das 
sociedades contratualistas. 
 
3) (CESPE/Titular de Serviços Notariais/TJ/SE/2014) Qualquer 
pessoa, sem precisar justificar interesse, tem direito de consultar os registros 
de uma junta comercial e requerer a expedição de certidões mediante 
pagamento do preço devido. 
 
4) (CESPE/Advogado Geral da União/AGU/2012) No que diz respeito 
aos livros empresariais e aos contratos empresariais, julgue o item seguinte. 
 
No curso do processo judicial, a eficácia probatória dos livros empresariais 
contra asociedade empresária opera-se independentemente de eles estarem 
corretamente escriturados. 
 
5) (CESPE/Juiz do Trabalho/TRT/5/2013) Ainda que regularmente 
escriturados, os livros empresariais podem fazer prova plena contra o 
empresário, sendo permitida a este, no entanto, a produção de prova para 
demonstrar a inexatidão dos lançamentos. 
 
6) (CESPE/Juiz do Trabalho/TRT/5/2013) O juiz pode determinar, em 
qualquer tipo de litígio, a exibição integral dos livros do empresário. 
7) (CESPE/Juiz do Trabalho/TRT/5/2013) Conforme previsto no Código 
Civil, a escrituração do livro diário e do livro caixa é obrigatória para todos os 
empresários. 
 
8) (CESPE/Auditor Fiscal da Receita Estadual/SEFAZ/ES/2013) O 
empresário e a sociedade empresária são obrigados a adotar um sistema de 
contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus 
livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar 
anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. 
 
9) (CESPE/Auditor Fiscal da Receita Estadual/SEFAZ/ES/2013) O 
livro diário é obrigatório a todos os empresários, podendo, contudo, ser 
substituído por fichas no caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. 
 
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10) (CESPE/Auditor Fiscal da Receita Estadual/SEFAZ/ES/2013) Os 
livros comerciais podem ser analisados, sem nenhuma restrição, pelas 
autoridades fazendárias. 
 
11) (CESPE/Auditor Fiscal da Receita Estadual/SEFAZ/ES/2013) Os 
livros comerciais regularmente inscritos não podem ser utilizados como prova 
contra o empresário que os tenha escriturado. 
 
12) (CESPE/Auditor Fiscal da Receita Estadual/SEFAZ/ES/2013) O juiz 
ou tribunal competente pode autorizar a exibição integral dos livros e papéis de 
escrituração empresarial quando for necessária para a resolução de qualquer 
questão de caráter patrimonial. 
 
13) (CESPE/Juiz Federal Substituto/TRF 5ª/2009) De acordo com o 
Código Civil, a sociedade adquire personalidade jurídica com a inscrição, no 
registro próprio e na forma da lei, de seus atos constitutivos. 
 
14) (CESPE/Juiz Federal Substituto/TRF 5ª/2009) As juntas comercias são 
órgãos federais. 
 
15) (CESPE/Juiz Federal Substituto/TRF 5ª/2009) É facultativa a 
inscrição de empresário no Registro Público de Empresas Mercantis da 
respectiva sede, antes do início de suas atividades empresárias. 
 
16) (CESPE/Advogado Geral da União/2009) A lei determina que o 
arquivamento dos instrumentos de escrituração das sociedades empresárias 
seja feito na junta comercial competente. 
 
17) (CESPE/Advogado Geral da União/2009) Considere que o 
instrumento de dissolução de certa sociedade empresária tenha sido assinado 
no dia 19 de dezembro de 2008 e apresentado à junta comercial competente, 
para arquivamento, no dia 2 de janeiro de 2009. Nesse caso, os efeitos do 
arquivamento retroagirão à data da assinatura do instrumento. 
 
18) (CESPE/Advogado Hemobrás/2008) O registro do contrato social ou 
dos estatutos sociais em cartório de registro de pessoas jurídicas ou nas juntas 
comerciais, a depender da natureza da pessoa jurídica (simples ou empresária), 
é requisito e condição para que seja adquirida personalidade. 
19) (CESPE/Juiz Federal Substituto/TRF 5ª/2009) Uma das mais 
importantes distinções entre as sociedades civis e as sociedades comerciais é a 
possibilidade de essas últimas pedirem falência, enquanto aquelas se submetem 
à insolvência civil. 
 
20) (CESPE/Juiz Federal Substituto/TRF 5ª/2009) Todos os tipos de 
sociedades previstos no Código Civil podem ser utilizados para a atividade 
comercial. 
 
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21) (CESPE/Analista de Controle Externo/TCE AC/2009) As sociedades 
comerciais não podem ser constituídas para atividade que se restrinja à 
realização de um único negócio. 
 
22) (CESPE/Analista de Controle Externo/TCE AC/2009) Aplicam-se às 
sociedades comerciais (empresárias), subsidiariamente no que for compatível 
com as suas específicas disciplinas, as normas relativas à sociedade simples. 
 
23) (CESPE/Analista Judiciário/STJ/2012) Os atos submetidos ao 
registro do comércio estão sujeitos a dois regimes de julgamento, o colegiado e 
o singular, pelo plenário e pelas turmas, respectivamente. As turmas 
manifestam-se a respeito do arquivamento dos atos de constituição de 
sociedades anônimas, bem como das atas de assembleias gerais e demais atos 
relativos a essas sociedades sujeitos ao registro do comércio. 
 
24) (CESPE/Procurador/MPTCU/2004) O Código Civil apresenta regras 
relativas à responsabilidade sobre a escrituração que afetam as sociedades de 
forma geral. Acerca dessas regras, julgue os itens seguintes. 
 
Os lançamentos contábeis efetuados no livro diário de uma empresa por seu 
contador e aqueles feitos pelos preponentes (sócios administradores) produzem 
os mesmos efeitos, salvo se o contador houver procedido de má-fé. 
 
25) (CESPE/Analista de Controle Externo/TCE AC/2009) Em princípio, 
os livros comerciais fazem prova contra os comerciantes (empresários) a que 
pertençam e, em seu favor, quando forem escriturados sem vício extrínseco ou 
intrínseco e confirmados por outros subsídios. 
 
26) (CESPE/Analista de Controle Externo/TCE AC/2009) Pode o juiz, 
em qualquer caso, autorizar a exibição integral dos livros e papéis da 
escrituração contábil do empresário ou da sociedade empresária. 
 
27) (CESPE/Analista de Controle Externo/TCE AC/2009) As restrições 
estabelecidas na legislação civil ao exame da escrituração contábil, em parte ou 
por inteiro, aplicam-se também às autoridades fazendárias, no exercício da 
fiscalização do pagamento de tributos. 
 
28) (CESPE/Analista de Controle Externo/TCE AC/2009) Não constitui 
crime deixar de elaborar, escriturar ou autenticar os documentos de 
escrituração contábil obrigatórios. 
 
29) (CESPE/Analista de Controle Externo/TCE TO/2009) Todas as 
sociedades empresárias são obrigadas a se registrar na junta comercial 
competente antes de iniciar suas atividades, mas apenas as que tenham capital 
social superior a R$ 200.000,00 devem levantar balanço patrimonial e de 
resultado econômico anualmente. 
 
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30) (CESPE/Analista de Controle Externo/TCE TO/2009) Os livros 
empresariais obrigatórios, antes de postos em uso, devem ser autenticados no 
registro público de empresas mercantis, salvo disposição de lei em sentido 
contrário. 
 
31) (CESPE/Analista de Controle Externo/TCE TO/2009) São livros 
empresariais indispensáveis a todas as sociedades empresárias o razão e o de 
registro de duplicatas. 
 
32) (CESPE/Analista de Controle Externo/TCE TO/2009) No curso de 
processo judicial, o juiz de direito tem competência para determinar a exibição 
integral dos livros e papéis de escrituração das sociedades empresárias em 
quaisquer hipóteses. 
 
33) (CESPE/Analista de Controle Externo/TCE TO/2009) O livro diário 
não pode ser substituído em nenhuma hipótese. 
 
34) (CESPE/Advogado Geral da União/AGU/2015) A sociedade 
empresária irregular não tem legitimidade ativa para pleitear a falência de outro 
comerciante, mas pode requerer recuperação judicial, devido ao princípio da 
preservação da empresa. 
 
35) (CESPE/Titular de Serviços Notariais/TJ/SE/2014) Na sociedade 
em comum, a responsabilidade dos sócios é ilimitada e solidária, respondendo 
aquele que contratou em nome da sociedade com todo o seu patrimônio 
pessoal assim que esgotado o patrimônioespecial. 
 
36) (CESPE/Titular de Serviços Notariais/TJ/DF/2014) A existência da 
sociedade irregular pode ser comprovada por qualquer modo lícito de prova, 
seja por terceiros que negociarem com a sociedade, seja pelos sócios, no 
âmbito de suas relações recíprocas ou com terceiros. 
 
37) (Cespe/Advogado/HEMOBRÁS/2008) Em se tratando de sociedade 
em comum, os bens dos sócios podem ser executados por dívidas da sociedade 
em caso de insolvência. 
 
38) (CESPE/TJ SE/Juiz Substituto/2008) Por não ter personalidade 
jurídica, a sociedade em comum não tem capacidade processual e não se 
sujeita ao processo falimentar. 
 
39) (CESPE/OAB 2009.1) Na sociedade em comum, todos os sócios 
respondem limitadamente pelas obrigações da sociedade; assim, todos os 
sócios podem valer-se do benefício de ordem a que os sócios da sociedade 
simples fazem jus. 
 
40) (CESPE/OAB/2007) Acerca da sociedade em comum, assinale a opção 
correta. 
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a) Todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações 
sociais, excluído do benefício de ordem aquele que contratou pela sociedade. 
b) O regime da sociedade em comum aplica-se também às sociedades por 
ações em organização. 
c) A sociedade em comum é uma espécie societária personificada. 
d) Os bens e as dívidas da sociedade em comum constituem patrimônio 
especial, administrado e titularizado pelo sócio administrador. 
 
41) (CESPE/Juiz do Trabalho Substituto/TRT 1ª) Aplicam-se à sociedade 
anônima em fase de organização as regras atinentes à sociedade em comum 
enquanto não ultimados os atos de registro. 
 
42) (CESPE/Juiz de Direito/TJ/PI/2012) Por expressa disposição legal, a 
sociedade em conta de participação deve operar sob firma ou denominação. 
 
43) (CESPE/Auditor do TCU/2007) Com relação aos tipos de sociedades, 
julgue os itens subseqüentes. 
 
Nas sociedades em conta de participação, a inscrição do contrato social em 
qualquer registro é o que lhe confere personalidade jurídica. 
 
44) (CESPE/Procurador do MP junto ao TCU/2004) No que se refere à 
responsabilidade de sócios de sociedades privadas regidas pelo Código Civil, 
julgue os itens a seguir. 
 
Em uma sociedade em conta de participação, a responsabilidade pela atividade 
constitutiva do objeto social é exclusiva do sócio ostensivo. 
 
45) (CESPE/Defensor Público da União/2007) Os sócios de certa 
sociedade em conta de participação lavraram o seu ato constitutivo em janeiro 
de 2007, mas o referido instrumento foi levado a registro apenas após cerca de 
seis meses. Nessa situação, a sociedade somente passou a ter personalidade 
jurídica no momento da inscrição de seu contrato social no registro público de 
empresas mercantis. 
 
46) (CESPE/Prefeitura Municipal de Rio Branco/AFTM/ 2007) Na 
sociedade em conta de participação, o contrato social produz efeitos somente 
entre os sócios; além disso, a eventual inscrição de seu instrumento em 
qualquer registro não confere personalidade jurídica à sociedade. 
 
47) (CESPE/Ministério Público Especial/BA/2010) O contrato social da 
sociedade em conta de participação produz efeito somente entre seus sócios, e 
a eventual inscrição de seu instrumento em qualquer registro não confere 
personalidade jurídica à sociedade. 
 
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48) (CESPE/Juiz de Direito/TJ/PI/2012) É vedado ao adquirente de 
estabelecimento usar o nome do alienante precedido do seu próprio, com a 
qualificação de sucessor, mediante ato entre vivos e autorização contratual, 
visto que o nome empresarial não pode ser objeto de alienação. 
 
49) (CESPE/Juiz de Direito/TJ/PI/2012) A firma deve ser composta com 
o nome de um ou mais sócios, desde que sejam pessoas físicas, de modo 
indicativo da relação social, podendo ser adotada nas sociedades limitadas, nas 
sociedades em comandita por ações e nas sociedades anônimas. 
 
50) (CESPE/Juiz de Direito/TJ/PI/2012) A inscrição do nome empresarial 
deve ser cancelada, a requerimento de qualquer interessado, quando cessar o 
exercício da atividade para a qual tenha sido adotado o nome, ou quando se 
ultimar a liquidação da sociedade que o tenha inscrito. 
 
12 GABARITO DAS QUESTÕES COMENTADAS NESTA AULA 
 
 
QUESTÃO GABARITO QUESTÃO GABARITO QUESTÃO GABARITO 
1 E 21 E 41 E 
2 E 22 C 42 E 
3 C 23 C 43 E 
4 C 24 C 44 C 
5 C 25 C 45 E 
6 E 26 E 46 C 
7 E 27 E 47 C 
8 C 28 E 48 E 
9 E 29 E 49 E 
10 E 30 C 50 C 
11 E 31 E 
12 E 32 E 
13 C 33 E 
14 E 34 E 
15 E 35 E 
16 E 36 E 
17 C 37 C 
18 C 38 E 
19 C 39 E 
20 E 40 Aque 
comprovem alteração no patrimônio da entidade. 
 
Neste sentido estabelece o Código Civil: 
 
Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um 
sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração 
uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e 
a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. 
 
Sistema de 
contabilidade (Art. 
1.179) 
Mecanizado ou não 
Escrituração uniforme 
Em correspondência com documentação 
Balanço e demonstração do resultado anuais 
 
Esta escrituração, nos ditames do artigo 1.182, deve ser feita por contabilista 
legalmente habilitado. Aqui, duas exceções devem ser feitas. 
 
1) O artigo fala em contabilista, expressão que abrange 
tanto o bacharel em ciências contábeis como o técnico em 
contabilidade, desde que regularmente habilitados. 
2) Há que se fazer uma exceção. Caso não haja 
contabilista na localidade, a escrituração deve ser feita 
pelo próprio empresário ou por outro auxiliar. 
 
Ainda, segundo o artigo 1.183, a escrituração será feita em idioma e moeda 
corrente nacionais e em forma contábil, por ordem cronológica de dia, mês 
e ano, sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borrões, rasuras, emendas 
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ou transportes para as margens, sendo permitido o uso de código de números 
ou de abreviaturas, que constem de livro próprio, regularmente autenticado. 
 
Portanto, a escrituração: 
 
- É feita em idioma e moeda corrente nacionais. 
- É feita em forma contábil, por ordem cronológica de dia, mês, ano. 
- Não pode ter intervalos em branco, entrelinhas, borrões, rasuras, emendas ou 
transportes para as margens (são as chamadas formalidades intrínsecas). 
- Pode ser utilizado códigos de números ou abreviaturas nos lançamentos, mas 
os códigos devem estar registrados em um livro próprio (separado) que deve 
ser autenticado. 
 
Na mesma linha, o art. 1.194 estabelece que o empresário e a sociedade 
empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, 
correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não 
ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados. 
 
Cuidado: algumas questões costumam asseverar que empresário e 
sociedade empresária devem conservar documentos de escrituração 
pelo prazo de cinco anos. Tal afirmação está incorreta. Por exemplo. O 
direito tributário tem seu regulamento geral previsto no Código 
Tributário Nacional. Nesta lei, sobre a prescrição e a decadência de 
tributos encontramos as seguintes afirmações: 
 
Decadência 
 
Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-
se após 5 (cinco) anos, contados: 
 
I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia 
ter sido efetuado; 
II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício 
formal, o lançamento anteriormente efetuado. 
 
Prescrição 
 
Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco 
anos, contados da data da sua constituição definitiva. 
 
Portanto, se a Fazenda tem um tributo relativo a janeiro de 2008 para cobrar e 
o lança em outubro de 2012, deixará de incorrer em prazo decadencial (que 
conta para o lançamento do tributo) e passará a se sujeitar ao prazo 
prescricional (de mais cinco anos). Logo, por todo este prazo deverá o 
contribuinte guardar os livros. 
 
O artigo 1.179, §2º prescreve que: 
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§ 2o É dispensado das exigências deste artigo o pequeno empresário a que se 
refere o art. 970. 
 
E quem seria este pequeno empresário que está dispensado da escrituração?! A 
resposta pode ser encontrada na Lei Complementar n. 123/2006. 
 
Art. 68. Considera-se pequeno empresário, para efeito de aplicação do 
disposto nos arts. 970 e 1.179 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 
(Código Civil), o empresário individual caracterizado como microempresa na 
forma desta Lei Complementar que aufira receita bruta anual até o limite 
previsto no § 1º do art. 18-A. 
 
Art. 18-A, § 1º Para os efeitos desta Lei Complementar, considera-se MEI o 
empresário individual a que se refere o art. 966 da Lei nº 10.406, de 10 de 
janeiro de 2002 (Código Civil), que tenha auferido receita bruta, no ano-
calendário anterior, de até R$ 60.000,00 (sessenta mil reais), optante pelo 
Simples Nacional e que não esteja impedido de optar pela sistemática prevista 
neste artigo. 
 
Portanto, o microempreendedor individual está dispensado da 
escrituração a que se refere o Código Civil. Prestem atenção, o pequeno 
empresário em tela está dispensado tanto da escrituração do livro 
diário, como também da elaboração das demonstrações contábeis 
(balanço patrimonial e demonstração do resultado econômico). 
 
2.2 LIVROS EMPRESARIAIS 
 
De acordo com o Código Civil, os números e as espécies 
de livros que o empresário vai adotar, em regra, 
ficam a seu critério. Todavia, pode haver disposição 
especial de lei em contrário, que ordene a escrituração de livros específicos, 
como o faz, por exemplo, a legislação fiscal, que exige a escrituração de livros 
como registro de entradas de mercadoria, registros de saída, entre outros. Ou a 
Lei 5.474/94 que exige a escrituração do livro de registro de duplicatas em 
determinadas hipóteses. 
 
Ademais, o Código Civil obriga a todos os empresários que escriturem o 
livro diário (ressalvado o MEI), como vemos a seguir: 
 
Art. 1.180. Além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o 
Diário, que pode ser substituído por fichas no caso de escrituração mecanizada 
ou eletrônica. 
 
Parágrafo único. A adoção de fichas não dispensa o uso de livro apropriado para 
o lançamento do balanço patrimonial e do de resultado econômico. 
 
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No Diário serão lançadas, com individuação, clareza e caracterização do 
documento respectivo, dia a dia, por escrita direta ou reprodução, todas as 
operações relativas ao exercício da empresa (CC, art. 1.184). 
 
Portanto, todos os fatos contábeis (que são eventos que alteram o patrimônio 
da empresa) são lançados no livro diário. 
 
Admite-se a escrituração resumida do Diário, com totais que não excedam o 
período de trinta dias, relativamente a contas cujas operações sejam 
numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados 
livros auxiliares regularmente autenticados, para registro individualizado, e 
conservados os documentos que permitam a sua perfeita verificação (CC, art. 
1.184. § 1o). 
 
 
E mais. Vejam acima que o artigo 1.179 obriga ao levantamento do balanço 
patrimonial e da demonstração do resultado do exercício. Essas demonstrações 
são feitas no diário, dentro dele. 
 
Art. 1.184, § 2o Serão lançados no Diário o balanço patrimonial e o de 
resultado econômico, devendo ambos ser assinados por técnico em Ciências 
Contábeis legalmente habilitado e pelo empresário ou sociedade empresária. 
 
Balanço patrimonial e DRE  Lançadas no Diário! 
 
O balanço patrimonial deverá exprimir, com fidelidade e clareza, a situação real 
da empresa e, atendidas as peculiaridades desta, bem como as disposições das 
leis especiais, indicará, distintamente, o ativo e o passivo (CC, art. 1.188). 
 
O balanço de resultado econômico, ou demonstração da conta de lucros e 
perdas, acompanhará o balanço patrimonial e dele constarão crédito e débito, 
na forma da leiespecial (CC, art. 1.189). 
 
Deve-se salientar, ainda, que os livros devem ser autenticados no registro 
competente, autenticação que se dará antes de pô-los em uso. 
 
Art. 1.181. Salvo disposição especial de lei, os livros obrigatórios e, se for o 
caso, as fichas, antes de postos em uso, devem ser autenticados no Registro 
Público de Empresas Mercantis. 
 
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Parágrafo único. A autenticação não se fará sem que esteja inscrito o 
empresário, ou a sociedade empresária, que poderá fazer autenticar livros não 
obrigatórios. 
 
Um outro ponto importante que pode cair na sua prova! É o artigo 
1.195 do Código Civil: 
 
Art. 1.195. As disposições deste Capítulo aplicam-se às sucursais, filiais ou 
agências, no Brasil, do empresário ou sociedade com sede em país estrangeiro 
 
Assim, podemos concluir que “a filial localizada no Brasil, de sociedade 
empresária com sede em país estrangeiro, fica subordinada às mesmas 
disposições relativas à escrituração dos livros comerciais, previstas no 
Código Civil brasileiro”. Esse ponto foi explorado em uma questão cobrada 
pela FGV. 
 
2.2.1 PONTO AVANÇADO – LIVRO DE REGISTRO DE DUPLICATAS 
 
Um ponto muito recorrente em provas é a questão da escrituração do livro de 
registro de duplicatas? O que é? Ele é obrigatório para todos os empresários? 
 
O livro de registro de duplicatas registra as duplicatas emitidas pelo empresário. 
Está previsto no artigo 19 da Lei de Duplicatas (5.474/68) 
 
Segundo a referida lei: 
 
Art. 19. A adoção do regime de vendas de que trata o art. 2º desta Lei obriga o 
vendedor a ter e a escriturar o Livro de Registro de Duplicatas. 
 
§ 1º No Registro de Duplicatas serão escrituradas, cronologicamente, todas as 
duplicatas emitidas, com o número de ordem, data e valor das faturas 
originárias e data de sua expedição; nome e domicílio do comprador; anotações 
das reformas; prorrogações e outras circunstâncias necessárias. 
§ 2º Os Registros de Duplicatas, que não poderão conter emendas, borrões, 
rasuras ou entrelinhas, deverão ser conservados nos próprios estabelecimentos. 
§ 3º O Registro de Duplicatas poderá ser substituído por qualquer sistema 
mecanizado, desde que os requisitos deste artigo sejam observados. 
 
O livro de registro de duplicatas só é obrigatório para aquele que efetuar 
vendas com prazo igual ou superior a 30 dias. 
 
2.3 EXIBIÇÃO DE LIVROS 
 
Inicialmente, deve-se absorver que o 
Código Civil prega que os livros 
podem fazer prova quer a favor 
quer contra o empresário. Todavia, 
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para fazer prova a favor não pode estar eivado de vício, seja ele 
extrínseco ou intrínseco. 
 
 
Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as 
pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício 
extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. 
 
O próprio Código reforça que os livros não são provas bastantes ao estatuir, no 
parágrafo único do artigo 226 que: 
 
Art. 226. Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante 
nos casos em que a lei exige escritura pública, ou escrito particular revestido de 
requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou 
inexatidão dos lançamentos. 
 
Os livros empresariais representam a vida econômica do empresário. Ali são 
encontradas informações valiosas sobre o andamento e a gestão do negócio. 
Pois bem, estes livros são resguardados por sigilo. O Código Civil confere 
proteção à escrituração através do seguinte dispositivo: 
 
Art. 1.190. Ressalvados os casos previstos em lei, nenhuma autoridade, juiz ou 
tribunal, sob qualquer pretexto, poderá fazer ou ordenar diligência para 
verificar se o empresário ou a sociedade empresária observam, ou não, em 
seus livros e fichas, as formalidades prescritas em lei. 
 
Vejam que o próprio artigo se inicia com a redação “ressalvados os casos 
previstos em lei”, o que permite inferir que o sigilo empresarial não é direito 
absoluto. 
 
Exemplifique-se. O Código Tributário Nacional, em seu artigo 195, dispõe: 
 
Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer 
disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar 
mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou 
fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de 
exibi-los. 
 
No mesmo sentido foi o Código Civil: 
 
Art. 1.193. As restrições estabelecidas neste Capítulo ao exame da escrituração, 
em parte ou por inteiro, não se aplicam às autoridades fazendárias, no exercício 
da fiscalização do pagamento de impostos, nos termos estritos das respectivas 
leis especiais. 
 
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Assim, o sigilo empresarial não é válido frente às autoridades tributárias, 
quando no exercício da fiscalização. 
 
É possível também que os livros sejam exibidos judicialmente. A exibição em 
juízo poderá ser total ou parcial. Senão vejamos. 
 
Art. 1.191. O juiz só poderá autorizar a exibição integral dos livros e papéis de 
escrituração quando necessária para resolver questões relativas a sucessão, 
comunhão ou sociedade, administração ou gestão à conta de outrem, ou em 
caso de falência. 
 
§ 1o O juiz ou tribunal que conhecer de medida cautelar ou de ação pode, a 
requerimento ou de ofício, ordenar que os livros de qualquer das partes, ou de 
ambas, sejam examinados na presença do empresário ou da sociedade 
empresária a que pertencerem, ou de pessoas por estes nomeadas, para deles 
se extrair o que interessar à questão. 
 
§ 2o Achando-se os livros em outra jurisdição, nela se fará o exame, perante o 
respectivo juiz. 
 
O Código de Processo civil ainda propõe que: 
 
Art. 381. O juiz pode ordenar, a requerimento da parte, a exibição integral dos 
livros comerciais e dos documentos do arquivo: 
 
I - na liquidação de sociedade; 
II - na sucessão por morte de sócio; 
III - quando e como determinar a lei. 
 
Art. 382. O juiz pode, de ofício, ordenar à parte a exibição parcial dos livros e 
documentos, extraindo-se deles a suma que interessar ao litígio, bem como 
reproduções autenticadas. 
 
Entendamos os artigos em epígrafe. 
 
A exibição total somente pode ser determinada pelo juiz, a requerimento da 
parte, e em algumas ações (art. 1.191). O próprio Código cita os casos em que 
é possível a exibição total: 
 
1) sucessão; 
2) comunhão/ sociedade; 
3) administração; 
4) falência/liquidação; 
5) quando a lei determinar. 
 
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Todavia, a exibição parcial pode ser feita de ofício ou a requerimento da parte, 
em qualquer ação judicial, quando necessário ou útil à solução da lide (CC, art. 
1.191, parágrafo primeiro). 
 
Exibição 
Quem pode 
requerer? 
Quando? 
Integral Parte 
Questões relativas à sucessão, comunhão, 
sociedade, administração, falência, 
liquidação 
Parcial 
Parte ou de ofício 
(juiz) 
Qualquer processo 
 
2.4 LIVROS OBRIGATÓRIOS PARA AS SOCIEDADES ANÔNIMAS 
 
Segundo a Lei 6.404, artigo 100, a companhia deve ter, além dos livros 
obrigatórios para qualquer comerciante, os seguintes, revestidos das mesmas 
formalidades legais: 
 
I - o livro de Registro de Ações Nominativas. 
II - o livro de "Transferênciade Ações Nominativas". 
III - o livro de "Registro de Partes Beneficiárias Nominativas" e o de 
"Transferência de Partes Beneficiárias Nominativas". 
IV - o livro de Atas das Assembléias Gerais. 
V - o livro de Presença dos Acionistas. 
VI - os livros de Atas das Reuniões do Conselho de Administração, se houver, e 
de Atas das Reuniões de Diretoria. 
VII - o livro de Atas e Pareceres do Conselho Fiscal. 
 
2.5 ANÁLISE DOS ARTIGOS DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL 
 
Art. 417. Os livros empresariais provam contra o seu autor. É lícito ao 
comerciante, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, 
que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos. 
 
Imagine-se que por meio da análise do fluxo de caixa de determinada empresa, 
feita em seus livros contábeis, um Agente Fiscal de Rendas descubra um grande 
valor de omissão de receita. Partindo-se dessa premissa, ele faz um lançamento 
de ofício, cobrando ICMS e multas correspondentes a tal omissão. 
 
A cobrança foi ajuizada e o valor será executado a favor do erário. Os livros 
comerciais utilizados pelo auditor provam contra a empresa. Todavia, pode o 
comerciante provar, por meio de outras formas permitidas em direito, 
que os lançamentos realizados no livro estão equivocados. Pode, por exemplo, 
demonstrar, com todas as notas fiscais relacionadas, que houve pagamento 
correto do ICMS relativo àquele fato e que, não obstante a escrituração 
estivesse errada, o imposto sobre circulação de mercadorias foi corretamente 
apropriado e pago. 
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Art. 418. Os livros empresariais, que preencham os requisitos exigidos por lei, 
provam também a favor do seu autor no litígio entre empresários. 
 
Suponha-se que A vende determinada mercadoria para B. O vendedor (A) alega 
em juízo, porém, não ter recebido o valor do comprador (B). Nesta hipótese, se 
B houver escriturado regularmente a entrada da mercadoria, se tiver feito o 
apropriado lançamento em seus livros diário e razão, se houver algum registro 
no Livro de Registro de Inventário, e, também, se puder fazer a comprovação 
por meio da quitação bancária correspondente, podemos dizer que os livros 
comerciais farão prova a favor de B. 
 
Art. 419. A escrituração contábil é indivisível, e, se dos fatos que resultam dos 
lançamentos, uns são favoráveis ao interesse de seu autor e outros lhe são 
contrários, ambos serão considerados em conjunto, como unidade. 
 
Voltemos ao exemplo da omissão de caixa constatada pelo Agente Fiscal de 
Rendas em uma auditoria dos livros contábeis. Se o Fisco pôde constatar que 
determinada quantidade de tributos é devida e o empresário consegue, com 
base nestes mesmos livros, provar que não é, a análise será levada à lide como 
uma unidade. Ou seja, há que se fazer a análise em conjunto, não se 
considerando apenas o que alega o fisco, tampouco o que diz o empresário. 
 
3 DOS PREPOSTOS 
 
O que é um preposto? Nada mais é do que o representante da empresa que 
conhece os fatos e tem a capacidade de argumentar, defender ou esclarecer os 
assuntos por ela tratados. O Código Civil trouxe como prepostos o gerente, o 
contabilista e outros auxiliares. O assunto está previsto nos artigos 1.169 a 
1.178 do CC. 
 
O preposto não é qualquer auxiliar dependente do empresário, ou seja, 
nem todos os empregados do empresário são prepostos. O que 
caracteriza a preposição é o poder de representação. O preposto substitui o 
preponente em determinados atos, seja na organização interna da empresa, 
seja nas relações externas com terceiros. 
 
Importa dizer que os resultados das ações dos prepostos devem ser revertidos 
para o empresário, sendo vedada a negociação em interesse próprio, sob pena 
de demissão por justa causa nos termos do artigo 482, c, da Consolidação das 
Leis do Trabalho. 
 
Art. 482 - Constituem justa causa para rescisão do contrato de trabalho pelo 
empregador: 
 
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c) negociação habitual por conta própria ou alheia sem permissão do 
empregador, e quando constituir ato de concorrência à empresa para a qual 
trabalha o empregado, ou for prejudicial ao serviço; 
 
Vejamos os artigos do Código Civil que tratam a respeito dos prepostos. Em 
seguida, explicaremos o que há de mais salutar. As questões que caem (e 
quando caem) costumam exigir o texto legal. Portanto, se possível, decorem. 
 
Capítulo III - Dos Prepostos 
 
Seção I - Disposições Gerais 
 
Art. 1.169. O preposto não pode, sem autorização escrita, fazer-se substituir no 
desempenho da preposição, sob pena de responder pessoalmente pelos atos do 
substituto e pelas obrigações por ele contraídas. 
 
Art. 1.170. O preposto, salvo autorização expressa, não pode negociar por 
conta própria ou de terceiro, nem participar, embora indiretamente, de 
operação do mesmo gênero da que lhe foi cometida, sob pena de responder por 
perdas e danos e de serem retidos pelo preponente os lucros da operação. 
 
Art. 1.171. Considera-se perfeita a entrega de papéis, bens ou valores ao 
preposto, encarregado pelo preponente, se os recebeu sem protesto, salvo nos 
casos em que haja prazo para reclamação. 
 
Seção II - Do Gerente 
 
Art. 1.172. Considera-se gerente o preposto permanente no exercício da 
empresa, na sede desta, ou em sucursal, filial ou agência. 
 
Art. 1.173. Quando a lei não exigir poderes especiais, considera-se o gerente 
autorizado a praticar todos os atos necessários ao exercício dos poderes que lhe 
foram outorgados. 
 
Parágrafo único. Na falta de estipulação diversa, consideram-se solidários os 
poderes conferidos a dois ou mais gerentes. 
 
Art. 1.174. As limitações contidas na outorga de poderes, para serem opostas a 
terceiros, dependem do arquivamento e averbação do instrumento no Registro 
Público de Empresas Mercantis, salvo se provado serem conhecidas da pessoa 
que tratou com o gerente. 
 
Parágrafo único. Para o mesmo efeito e com idêntica ressalva, deve a 
modificação ou revogação do mandato ser arquivada e averbada no Registro 
Público de Empresas Mercantis. 
 
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Art. 1.175. O preponente responde com o gerente pelos atos que este pratique 
em seu próprio nome, mas à conta daquele. 
 
Art. 1.176. O gerente pode estar em juízo em nome do preponente, pelas 
obrigações resultantes do exercício da sua função. 
 
Seção III - Do contabilista e outros auxiliares 
 
Art. 1.177. Os assentos lançados nos livros ou fichas do preponente, por 
qualquer dos prepostos encarregados de sua escrituração, produzem, salvo se 
houver procedido de má-fé, os mesmos efeitos como se o fossem por aquele. 
 
Parágrafo único. No exercício de suas funções, os prepostos são pessoalmente 
responsáveis, perante os preponentes, pelos atos culposos; e, perante 
terceiros, solidariamente com o preponente, pelos atos dolosos. 
 
Art. 1.178. Os preponentes são responsáveis pelos atos de quaisquer 
prepostos, praticados nos seus estabelecimentos e relativos à atividade da 
empresa, ainda que não autorizados por escrito. 
 
Parágrafo único. Quando tais atos forem praticados fora do estabelecimento, 
somente obrigarão o preponente nos limites dos poderes conferidos por escrito, 
cujo instrumento pode ser suprido pela certidão ou cópia autêntica do seu teor. 
 
Os prepostos podem ser empregados ou pessoas que com o preponente tenham 
vínculo, como os funcionários autônomos. 
 
Havendo relação de preposição entre empresário e determinada pessoa,essa 
relação é pessoal, ou seja, deve ser exercida diretamente pelo preposto. O 
preposto deverá agir com o maior zelo possível. Se agir contrariamente, 
delegando atribuição que lhe foram cometidas, responde o preposto 
pessoalmente, exceto se houver autorização para a substituição. Assim dispôs o 
artigo 1.169. 
 
Art. 1.169. O preposto não pode, sem autorização escrita, fazer-se substituir no 
desempenho da preposição, sob pena de responder pessoalmente pelos atos do 
substituto e pelas obrigações por ele contraídas. 
 
No mesmo sentido, imaginem se Augusto, empresário, confia a seu gerente o 
exercício de decidir sobre a venda de mercadorias da empresa. O cliente X 
chega a comprar e o gerente diz: - Tenho a mercadoria de Augusto pra 
negociar, contudo, posso lhe oferecer a mercadoria Y, de minha propriedade, 
por um preço muito melhor. Não seria ético e probo por parte do gerente que 
promovesse tais atos. Por isso, o Código Civil diz: 
 
Art. 1.170. O preposto, salvo autorização expressa, não pode negociar por 
conta própria ou de terceiro, nem participar, embora indiretamente, de 
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operação do mesmo gênero da que lhe foi cometida, sob pena de responder por 
perdas e danos e de serem retidos pelo preponente os lucros da operação. 
 
Vejam que, havendo autorização, não há ilicitude. 
 
O artigo 1.171, por seu turno, prega que se terceiros entregarem papéis, bens 
ou valores, ao preposto considera-se que a entrega foi feita também ao 
preponente, se não reclamar (protestar) o empresário ou preposto. Ressalve-
se, contudo, o caso em que haja prazo para reclamação. 
 
3.1 RESPONSABILIDADE PELOS ATOS DOS PREPOSTOS 
 
Com base no Código Civil: 
 
Art. 1.178. Os preponentes são responsáveis pelos atos de quaisquer 
prepostos, praticados nos seus estabelecimentos e relativos à atividade da 
empresa, ainda que não autorizados por escrito. 
 
Parágrafo único. Quando tais atos forem praticados fora do estabelecimento, 
somente obrigarão o preponente nos limites dos poderes conferidos por escrito, 
cujo instrumento pode ser suprido pela certidão ou cópia autêntica do seu teor. 
 
A responsabilidade do preponente por atos do preposto difere caso o ato seja 
praticado dentro ou fora do estabelecimento. Senão vejamos. 
 
RESPONSABILIDADE DO PREPONENTE 
Onde? Preponente 
Dentro do estabelecimento Responsável mesmo que não autorizados por escrito 
Fora do estabelecimento Responsável somente por atos autorizados por escrito 
 
O preponente é responsável pelo ato praticado dentro de estabelecimento que 
seja relativo à atividade da empresa, mesmo que o preposto não seja 
autorizado por escrito. 
 
Todavia, para atos praticados fora do estabelecimento a responsabilidade só se 
dará no limite do poder conferido por escrito. 
 
A FEPESE cobrou este ponto, no concurso para Auditor Fiscal Tributário de 
Florianópolis, em 2014, com a seguinte assertiva (item incorreto): A 
responsabilidade dos preponentes pelos atos de quaisquer prepostos, praticados 
nos seus estabelecimentos e relativos à atividade da empresa, é limitada aos 
atos autorizados por escrito. 
 
Exemplificando. O fato de João (preposto) conceder em determinada operação 
dentro do estabelecimento um desconto de 50%, mesmo não estando 
autorizado para tanto, acarreta a responsabilidade (prejuízo, neste caso) para o 
preponente, que deverá responder por tanto. 
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Neste caso, resta perquirir, ainda, se a atitude do preposto foi com dolo ou 
culpa, pois, de acordo com a Lei: 
 
Art. 1.177, parágrafo único. No exercício de suas funções, os prepostos são 
pessoalmente responsáveis, perante os preponentes, pelos atos culposos; e, 
perante terceiros, solidariamente com o preponente, pelos atos dolosos. 
Assim, tendo João praticado o ato com negligência, imprudência ou imperícia, o 
que caracterizará a culpa, responderá ele pessoalmente frente ao 
empresário. Não haverá responsabilidade perante terceiros. 
 
Ao revés, agindo com dolo, se, por exemplo, ele tivesse tido tal conduta para 
beneficiar terceiro e levar o preponente à ruína, passaria a responder 
solidariamente com o preponente perante terceiros. 
 
- Atos culposos praticados pelo preposto: responde 
perante o preponente. Não responde perante terceiros. 
- Atos dolosos praticados pelo preposto: responde 
perante terceiros, solidariamente com o preponente. 
 
De dois prepostos cuidou o Código Civil pormenorizadamente. São eles: gerente 
e contabilista. 
 
3.2 GERENTE 
 
O gerente é o principal preposto da empresa, a quem incumbe a 
administração da atividade. 
 
Quando a lei não exigir poderes especiais, considera-se o 
gerente autorizado a praticar todos os atos necessários ao 
exercício dos poderes que lhe foram outorgados (CC, art. 
1.173). 
 
Assim, poderá o gerente realizar a venda de mercadorias, contratação de 
serviços. Contudo, se, por exemplo, é necessária a assinatura de sócio para 
assinatura de um auto de infração lavrado por determinado Fisco, não poderá o 
gerente praticar tal ato, já que é vedado por lei. 
 
Tal importância dá o Código Civil ao gerente que o permite estar em 
juízo em nome do preponente, desde que para responder por 
obrigações que tenham nexo com o exercício de sua função (CC, art. 
1.176). 
 
Mas, professor, e se houver mais de um gerente (o que é plenamente 
possível)? Bem, neste caso, o CC diz que: 
 
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Art. 1.173, parágrafo único. Na falta de estipulação diversa, consideram-
se solidários os poderes conferidos a dois ou mais gerentes. 
 
Ou seja, se não for expressamente feita uma divisão de competências, todos os 
gerentes poderão praticar os mais diversos atos relativos ao empresariado. 
 
Por fim, como não poderia deixar de saber, temos de saber como se dá a 
responsabilidade do gerente pelos atos que praticar. Tais indagações podem ser 
respondidas pelos artigos 1.174 e 1.175 do Código Civil. 
 
Art. 1.174. As limitações contidas na outorga de poderes, para serem opostas a 
terceiros, dependem do arquivamento e averbação do instrumento no Registro 
Público de Empresas Mercantis, salvo se provado serem conhecidas da pessoa 
que tratou com o gerente. 
 
Parágrafo único. Para o mesmo efeito e com idêntica ressalva, deve a 
modificação ou revogação do mandato ser arquivada e averbada no Registro 
Público de Empresas Mercantis. 
 
Art. 1.175. O preponente responde com o gerente pelos atos que este pratique 
em seu próprio nome, mas à conta daquele. 
 
Pois bem. O preponente, então, responde com o gerente pelos atos que o 
gerente praticar, em nome do empresário. Contudo, caso haja limitação nos 
poderes do gerente, estas limitações poderão ser opostas a terceiros, desde 
que estejam devidamente averbadas na Junta Comercial. 
 
Entretanto, se não estiver a limitação registrada e o preponente tiver meios de 
provar que o terceiro quando contratou conhecia desta limitação do gerente, se 
eximirá o empresário de responder. 
 
3.3 CONTABILISTA 
 
Dissemos que o empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir 
um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração 
uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e 
a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico (CC, 
art. 1.179). 
 
Essa escrituração deve ser feita por contabilista (contador ou técnico em 
contabilidade), salvo se nenhum houver na localidade.De acordo com o Código Civil: 
 
Art. 1.177. Os assentos lançados nos livros ou fichas do preponente, por 
qualquer dos prepostos encarregados de sua escrituração, produzem, salvo se 
houver procedido de má-fé, os mesmos efeitos como se o fossem por aquele. 
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4 REGISTRO 
 
A primeira coisa que temos de lembrar sempre é que o registro para o 
empresário tem natureza declaratória! Repitamos: a natureza do registro 
não é constitutiva, mas, sim, declaratória. Não é um requisito para que a 
pessoa seja considerada empresária, mas um requisito para 
regularidade. Devemos ressalvar os rurais, que se registram no Registro Civil 
de Pessoas Jurídicas e, se quiserem, podem requerer a inscrição na Junta 
Comercial. 
 
E mais. Segundo a Lei de Registro Público de Empresas Mercantis: 
 
Art. 2º Os atos das firmas mercantis individuais e das sociedades mercantis 
serão arquivados no Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins, 
independentemente de seu objeto, salvo as exceções previstas em lei. 
 
Agora, vamos direto ao Código Civil. 
 
Art. 1.150. O empresário e a sociedade empresária vinculam-se ao Registro 
Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais, e a sociedade 
simples ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas, o qual deverá obedecer às 
normas fixadas para aquele registro, se a sociedade simples adotar um dos 
tipos de sociedade empresária. 
 
Art. 1.151. O registro dos atos sujeitos à formalidade exigida no artigo 
antecedente será requerido pela pessoa obrigada em lei, e, no caso de omissão 
ou demora, pelo sócio ou qualquer interessado. 
 
§ 1o Os documentos necessários ao registro deverão ser apresentados no prazo 
de trinta dias, contado da lavratura dos atos respectivos. 
 
§ 2o Requerido além do prazo previsto neste artigo, o registro somente 
produzirá efeito a partir da data de sua concessão. 
 
§ 3o As pessoas obrigadas a requerer o registro responderão por perdas e 
danos, em caso de omissão ou demora. 
 
Art. 1.152. Cabe ao órgão incumbido do registro verificar a regularidade das 
publicações determinadas em lei, de acordo com o disposto nos parágrafos 
deste artigo. 
 
§ 1o Salvo exceção expressa, as publicações ordenadas neste Livro serão feitas 
no órgão oficial da União ou do Estado, conforme o local da sede do empresário 
ou da sociedade, e em jornal de grande circulação. 
 
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§ 2o As publicações das sociedades estrangeiras serão feitas nos órgãos oficiais 
da União e do Estado onde tiverem sucursais, filiais ou agências. 
 
§ 3o O anúncio de convocação da assembléia de sócios será publicado por três 
vezes, ao menos, devendo mediar, entre a data da primeira inserção e a da 
realização da assembléia, o prazo mínimo de oito dias, para a primeira 
convocação, e de cinco dias, para as posteriores. 
 
Art. 1.153. Cumpre à autoridade competente, antes de efetivar o registro, 
verificar a autenticidade e a legitimidade do signatário do requerimento, bem 
como fiscalizar a observância das prescrições legais concernentes ao ato ou aos 
documentos apresentados. 
 
Parágrafo único. Das irregularidades encontradas deve ser notificado o 
requerente, que, se for o caso, poderá saná-las, obedecendo às formalidades da 
lei. 
 
Art. 1.154. O ato sujeito a registro, ressalvadas disposições especiais da lei, não 
pode, antes do cumprimento das respectivas formalidades, ser oposto a 
terceiro, salvo prova de que este o conhecia. 
 
Parágrafo único. O terceiro não pode alegar ignorância, desde que cumpridas as 
referidas formalidades. 
 
Indubitavelmente, o artigo mais cobrado sobre registro em prova é o artigo 
1.150, que deve ser interpretado harmonicamente com o artigo 985. 
 
Art. 985. A sociedade adquire personalidade jurídica com 
a inscrição, no registro próprio e na forma da lei, dos seus 
atos constitutivos. 
 
A sociedade adquire personalidade jurídica com a inscrição, no registro próprio 
e na forma da lei, dos seus atos constitutivos. O simples fato de uma 
sociedade ser constituída e iniciar as suas atividades não lhe confere 
personalidade jurídica. Para tanto é necessário o registro de seus atos 
constitutivos no órgão competente. 
 
Fulanos Sociedade Ltda iniciou as atividades de modo profissional e 
economicamente organizado, para a circulação de serviços. Fulanos 
Sociedade Ltda é considerado empresário? Sim! Mas Fulanos terá 
personalidade jurídica? Não! Pois não há registro! 
 
Assim, pode ocorrer de um empresário constituir seu negócio e iniciar suas 
atividades sem que tenha feito requerimento de seu registro ao órgão 
competente, quando estará em situação irregular, regendo-se pelas regras 
relativas à sociedade em comum (vista à frente). Portanto, se cair na sua 
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prova, é errado asseverar que a personalidade jurídica se inicia com a 
constituição e início das atividades da empresa. Ok? 
 
Personalidade jurídica  Inscrição no Registro 
 
Também é importante: 
 
 
Art. 1.150. O empresário e a sociedade empresária vinculam-se ao 
registro público de empresas mercantis a cargo das juntas comerciais, 
e a sociedade simples ao registro civil das pessoas jurídicas, o qual 
deverá obedecer às normas fixadas para aquele registro, se a sociedade simples 
adotar um dos tipos de sociedade empresária. 
 
O entendimento desse artigo 1.150 é o que se segue: 
 
 
Esse tema foi objeto de cobrança 
no concurso para Fiscal de 
Rendas do Estado do Rio de 
Janeiro) da seguinte forma: “Os 
atos constitutivos da sociedade 
são sempre arquivados na Junta 
Comercial”. Fácil perceber agora 
que o gabarito da questão é falso, 
pois as sociedades simples 
registram-se no Registro Civil de 
Pessoas Jurídicas. 
 
Se a sociedade simples obedecer ao regime próprio que lhe fora previsto no 
Código Civil (o regime próprio das sociedades simples), o registro será nos 
moldes estabelecidos para o Registro Civil de Pessoas Jurídicas. 
 
Caso a sociedade simples opte por uma das outras formas que lhe são possíveis 
(sociedade limitada, sociedade em nome coletivo, sociedade em comandita 
simples), o Registro Civil obedecerá aos ritos previstos para inscrição dessas 
sociedades na Junta Comercial. O registro, todavia, continua sendo feito do 
registro civil. 
 
Assim, José e Alfredo, médicos, formam uma sociedade simples pura, que 
obedecerá às regras próprias deste tipo societário previstas no Código Civil. 
Logo, o registro é feito no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, da “forma 
comum”, como é feito para todas as outras sociedades simples. 
 
Imagine-se agora que José e Alfredo formam uma sociedade simples, adotando 
a forma de sociedade limitada (vejam, é uma sociedade simples com a forma 
de sociedade limitada). O registro será feito seguindo todas as regras previstas 
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para as sociedades limitadas (as LTDAs que são sociedades empresárias se 
registram na Junta Comercial), contudo, continuará sendo feito no Registro 
Civil. 
 
O registro dos atos sujeitos à formalidade exigida no artigo antecedente será 
requerido pela pessoa obrigada em lei, e, no caso de omissão ou demora, pelo 
sócio ou qualquer interessado (CC, art. 1.151). 
 
Outro aspecto importante é que segundoo artigo 1.151, parágrafo primeiro, os 
documentos devem ser apresentados à Junta Comercial no prazo de 30 dias. 
Sendo feito no prazo, o registro retroage à data da origem. Entretanto, caso o 
registro seja feito após o prazo previsto, o efeito do registro surtirá apenas após 
a data da concessão (CC, art. 1.151, §2º). 
 
Quando obrigatório o registro, as pessoas que forem responsáveis por efetuá-lo 
e retardarem injustificadamente responderão por perdas e danos (CC, art. 
1.151, §3º). 
 
A FCC explorou este assunto do seguinte modo: 
 
(FCC/OAB SP) Os efeitos do arquivamento de documentos no registro de 
comércio operam-se apenas na data da publicação do seu extrato. 
 
O item está incorreto. O registro é obrigação legal imposta a todo e qualquer 
empresário (CC, art. 967). O ato deve ser feito até 30 dias após a assinatura do 
respectivo documento (Lei 8.934/94, art. 36). Se assim feito, considera-se o 
ato eficaz, perante terceiros, desde sua origem – efeito ex tunc. Ao revés, em 
se levando o ato a registro fora do prazo previsto de 30 dias, considera-se 
eficaz apenas a partir do momento em que houver deferimento – efeito ex 
nunc. 
 
Por fim, é importante saber que decai em três anos o direito de anular a 
constituição das pessoas jurídicas de direito privado, por defeito do ato 
respectivo, contado o prazo da publicação da sua inscrição no registro (CC, 
artigo 45, par. único). 
 
Atenção! Sobre o registro das cooperativas, temos o seguinte: as cooperativas 
são sempre sociedades simples, estas, por seu turno, são registradas no 
Registro Civil de Pessoas Jurídicas. Todavia, a Lei das Cooperativas (5.764/71) 
prega que: 
 
Art. 18. Verificada, no prazo máximo de 60 (sessenta) dias, a contar da data de 
entrada em seu protocolo, pelo respectivo órgão executivo federal de controle 
ou órgão local para isso credenciado, a existência de condições de 
funcionamento da cooperativa em constituição, bem como a regularidade da 
documentação apresentada, o órgão controlador devolverá, devidamente 
autenticadas, 2 (duas) vias à cooperativa, acompanhadas de documento 
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dirigido à Junta Comercial do Estado, onde a entidade estiver sediada, 
comunicando a aprovação do ato constitutivo da requerente. 
 
Portanto, há uma óbvia contradição! De um lado, as sociedades simples são 
registradas no Registro Civil. Contudo, a Lei das Cooperativas ordena que os 
atos sejam registrados na Junta. 
 
Alguns tribunais, como o TRF 3ª região, vem entendendo que as cooperativas 
devem se registrar na Junta. A Lei 5.764/1971 vem sendo aplicada em 
detrimento do Novo Código Civil, por conta da especialidade. Portanto, em 
provas, hoje, levem o entendimento de que as cooperativas se registram 
no Registro Público de Empresas Mercantis. 
 
4.1 EFEITOS DO REGISTRO 
 
O registro dos empresários possui natureza declaratória, isto é, serve para 
declarar que ele está cumprindo os requisitos que lhe foram exigidos, 
atestando-se sua regularidade no âmbito do direito mercantil. Relembre-se, 
porém, que para os rurais a inscrição tem natureza constitutiva. 
 
4.2 ATOS DE REGISTRO 
 
Já se falou aqui que, como dispõe o artigo 967 do Código Civil, é obrigatória a 
inscrição do empresário no Registro Público de Empresas Mercantis da 
respectiva sede, antes do início de sua atividade. 
 
Mas, onde é feito esse registro? Esse registro é feito na Junta Comercial. É ela 
quem executa os atos de registro (a saber, matrícula, arquivamento e 
autenticação) dos empresários individuais e sociedades empresárias. 
Tratemos das três espécies de registro. 
 
A matrícula é nada mais do que o registro de leiloeiros, tradutores 
públicos, intérpretes, trapicheiros e administradores de armazéns 
gerais. 
 
O arquivamento trata basicamente dos documentos relativos à 
constituição, alteração, dissolução e extinção de empresários 
individuais e sociedades empresárias, como contrato social, atas de 
reunião, atas de alteração contratual, entre outros. 
 
Por seu turno, a autenticação 
é o registro da 
escrituração realizada 
pelos empresários e 
sociedades empresárias. 
 
 
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4.3 ÓRGÃOS DE REGISTRO E PROCESSO DECISÓRIO 
 
Segundo a Lei 8.934/94: 
 
Art. 3º Os serviços do Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades 
Afins serão exercidos, em todo o território nacional, de maneira uniforme, 
harmônica e interdependente, pelo Sistema Nacional de Registro de Empresas 
Mercantis (Sinrem), composto pelos seguintes órgãos: 
 
I - o Departamento Nacional de Registro do Comércio, órgão central Sinrem, 
com funções supervisora, orientadora, coordenadora e normativa, no plano 
técnico; e supletiva, no plano administrativo; 
II - as Juntas Comerciais, como órgãos locais, com funções executora e 
administradora dos serviços de registro. 
 
Assim, com fulcro na Lei, temos, no topo da estrutura, o Sistema Nacional de 
Registro de Empresas Mercantis – SINREM. O SINREM é ligado ao Ministério 
do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. 
 
Abaixo, o DNRC tem funções supervisora, orientadora, coordenadora e 
normativa, no plano técnico; e supletiva, no plano administrativo. 
 
Já as Juntas executam os atos de registro. Elas são órgãos integrantes do 
Estado, embora executem funções que têm interesse de caráter federal. 
 
Portanto: 
 
- Juntas comerciais: órgãos estaduais. 
- DNRC: órgão federal. 
 
Haverá uma junta comercial em cada unidade federativa, com sede na capital e 
jurisdição na área da circunscrição territorial respectiva (Lei 8.934/94, art. 5º). 
 
E mais. 
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Art. 6º As juntas comerciais subordinam-se administrativamente ao governo da 
unidade federativa de sua jurisdição e, tecnicamente, ao DNRC, nos termos 
desta lei. 
 
Com efeito, grave-se. Tecnicamente, as Juntas são subordinadas ao DNRC. Já 
administrativamente, a subordinação se dá à própria unidade federada. 
 
De acordo com a lei: 
 
Art. 32. O registro compreende: 
 
I - a matrícula e seu cancelamento: dos leiloeiros, tradutores públicos e 
intérpretes comerciais, trapicheiros e administradores de armazéns-gerais; 
 
II - O arquivamento: 
a) dos documentos relativos à constituição, alteração, dissolução e extinção de 
firmas mercantis individuais, sociedades mercantis e cooperativas; 
b) dos atos relativos a consórcio e grupo de sociedade de que trata a Lei nº 
6.404, de 15 de dezembro de 1976; 
c) dos atos concernentes a empresas mercantis estrangeiras autorizadas a 
funcionar no Brasil; 
d) das declarações de microempresa; 
e) de atos ou documentos que, por determinação legal, sejam atribuídos ao 
Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins ou daqueles que 
possam interessar ao empresário e às empresas mercantis; 
 
III - a autenticação dos instrumentos de escrituração das empresas mercantis 
registradas e dos agentes auxiliares do comércio, na forma de lei própria. 
 
Os documentos referidos no inciso II do art. 32 deverão ser apresentados a 
arquivamento na junta, dentro de 30 (trinta) dias contados de sua assinatura, a 
cuja data retroagirão os efeitos do arquivamento; fora desse prazo, o 
arquivamento só terá eficácia a partir do despacho que o conceder (Lei 
8.934/94, art. 36). 
 
Estão sujeitos ao regime de decisão colegiada pelas juntas comerciais, na forma 
da lei (art. 41): 
 
I - o arquivamento: 
 
a) dos atos de constituição de sociedades anônimas,bem como das atas de 
assembléias gerais e demais atos, relativos a essas sociedades, sujeitos ao 
Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins; 
b) dos atos referentes à transformação, incorporação, fusão e cisão de 
empresas mercantis; 
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c) dos atos de constituição e alterações de consórcio e de grupo de sociedades, 
conforme previsto na Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976; 
 
II - o julgamento do recurso previsto na lei de Registro Público. 
 
Ainda, de acordo com o texto legal: 
 
Art. 42. Os atos próprios do Registro Público de Empresas Mercantis e 
Atividades Afins, não previstos no artigo anterior, serão objeto de decisão 
singular proferida pelo presidente da junta comercial, por vogal ou servidor que 
possua comprovados conhecimentos de Direito Comercial e de Registro de 
Empresas Mercantis. 
 
Portanto, a regra é a decisão singular nos atos de registro, proferida pela 
Presidente da Junta, por vogal ou servidor que possua comprovados 
conhecimentos de Direito Comercial e de Registro de Empresas Mercantis.. 
 
4.4 DO EMPRESÁRIO CONSIDERADO INATIVO 
 
Segundo o artigo 60 da Lei 8.934/94, a firma individual ou a sociedade que não 
proceder a qualquer arquivamento no período de dez anos consecutivos 
deverá comunicar à junta comercial que deseja manter-se em 
funcionamento. 
 
Na ausência dessa comunicação, a empresa mercantil será considerada inativa, 
promovendo a junta comercial o cancelamento do registro, com a perda 
automática da proteção ao nome empresarial (Lei 8.934/1994, art. 60, 
parágrafo primeiro). 
 
 
 
5 NOME EMPRESARIAL 
 
Antes de qualquer coisa, temos de nos perguntar do que se trata este instituto. 
 
A definição é estatuída pelo próprio Código Civil, que diz: 
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Art. 1.155. Considera-se nome empresarial a firma ou a denominação adotada, 
de conformidade com este Capítulo, para o exercício de empresa. 
 
O nome empresarial está para o empresário e sociedade empresária tal como o 
nome civil está para nós, pessoas naturais. 
 
Enquanto eu, como pessoa física, contraio obrigações e direitos pelo nome de 
Gabriel Rabelo da Silva, a sociedade empresária Petróleo Brasileiro S.A o faz 
por esta denominação. 
 
O empresário individual tem um nome empresarial que pode ou não coincidir 
com o nome civil. Por seu turno, a sociedade empresária não tem outro nome 
que não o empresarial. 
 
Existem, como dito acima, dois tipos de nome empresarial: a firma (ou razão) 
e a denominação. 
 
Atenção: é comum que no cotidiano, na linguagem coloquial, adotemos a 
expressão firma como sinônimo de empresa, comércio. Todavia, esta é uma 
imprecisão terminológica. Juridicamente falando, a firma é uma espécie de 
nome empresarial. 
 
Falemos um pouco sobre as espécies de nome empresarial. 
 
A firma tem por base nome civil. Esse nome civil pode ser do empresário 
individual (quando o empresário exerce atividade sozinho) ou dos sócios de 
uma sociedade empresária. 
 
Portanto, na composição, no núcleo deste tipo de nome empresarial sempre 
haverá um ou mais nomes civis. 
 
Exemplo: Gabriel Rabelo da Silva. 
 
A denominação, por seu turno, tem de designar o objeto da empresa, 
adotando como núcleo um nome civil ou outra expressão linguística. 
 
Exemplo: Petróleo Brasileiro S.A. 
 
No que diz respeito à função, deve-se anotar que a firma serve, além de 
elemento de identificação, também como assinatura para o empresário, 
ao passo que a denominação é somente elemento de identificação. 
 
Para cada tipo de empresário e sociedade empresária há uma regra específica 
para a formação do nome empresarial. Senão vejamos. 
 
NOME DO EMPRESÁRIO INDIVIDUAL 
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O empresário individual somente poderá adotar a firma, baseado no nome 
civil. Ademais, poderá ser de modo extenso ou abreviado, aditando-lhe, se 
quiser, o ramo de atividade a que se dedica. 
 
Estas são as determinações do Código Civil: 
 
Art. 1.156. O empresário opera sob firma constituída por seu nome, completo 
ou abreviado, aditando-lhe, se quiser, designação mais precisa da sua pessoa 
ou do gênero de atividade. 
 
Por exemplo, “Gabriel Rabelo da Silva”, “G. R. Silva”, “Rabelo da Silva”, 
“Gabriel Rabelo, Mercado”. 
 
NOME DO EMPRESÁRIO INDIVIDUAL DE RESPONSABILIDADE LIMITADA 
 
O empresário individual de responsabilidade limitada, por sua vez, 
poderá operar sob firma ou denominação. 
 
Art. 980-A. par. 1º O nome empresarial deverá ser formado pela inclusão da 
expressão "EIRELI" após a firma ou a denominação social da empresa individual 
de responsabilidade limitada. 
 
Feitas as considerações sobre os empresários individuais, falemos sobre os 
diversos tipos societários. 
 
NOME DA SOCIEDADE EM NOME COLETIVO E DA SOCIEDADE EM COMANDITA SIMPLES 
 
Tendo em vista a responsabilidade ilimitada de seus sócios, a sociedade em 
nome coletivo somente poderá utilizar a firma ou razão social. 
 
Art. 1.157. A sociedade em que houver sócios de responsabilidade ilimitada 
operará sob firma, na qual somente os nomes daqueles poderão figurar, 
bastando para formá-la aditar ao nome de um deles a expressão "e companhia" 
ou sua abreviatura. 
 
Parágrafo único. Ficam solidária e ilimitadamente responsáveis pelas obrigações 
contraídas sob a firma social aqueles que, por seus nomes, figurarem na firma 
da sociedade de que trata este artigo. 
 
Se forem sócios de uma sociedade em nome coletivo Gabriel Rabelo da Silva, 
Luciano Silva Rosa e Joana Angélica, o nome empresarial deverá ser: “Gabriel 
Rabelo da Silva, Luciano Silva Rosa e Joana Angélica”, “Rabelo, Rosa e 
Angélica, Restaurante”, “Gabriel Rabelo da Silva & Cia”, etc. 
 
É facultativa a inclusão do termo “& Companhia”. 
 
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A sociedade em comandita simples também deverá se utilizar de firma, 
haja vista que os sócios comanditados possuem responsabilidade ilimitada pelas 
obrigações sociais. Como os comanditários possuem responsabilidade limitada, 
não podem constar do nome social. Com efeito, deve ser utilizada a expressão 
“e companhia”. 
 
Segundo a IN 116/2011, do DNRC: 
 
Art. 5º Observado o princípio da veracidade: 
 
b) da sociedade em comandita simples deverá conter o nome de pelo menos 
um dos sócios comanditados, com o aditivo "e companhia", por extenso ou 
abreviado; 
 
Nome da Sociedade em Comandita Simples: Nome de um dos 
comanditados + & Cia. 
No nosso exemplo, sendo comanditados Gabriel Rabelo e Luciano Silva e 
comanditária Joana Angélica, o nome empresarial poderá ser: “Gabriel Rabelo, 
Luciano Silva & Cia”, “Gabriel Rabelo & Cia”, “Rabelo, Silva & Cia”. 
 
NOME DA SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO 
 
A sociedade em conta de participação não só não tem nome 
empresarial, como está proibida de adotá-lo. 
 
NOME DA SOCIEDADE LIMITADA 
 
A sociedade limitada pode optar pela adoção de firma ou denominação. 
 
Segundo o Código Civil: 
 
Art. 1.158. Pode a sociedade limitada adotar firma ou denominação, 
integradas pela palavra final "limitada" ou a sua abreviatura. 
 
§ 1o A firma será composta com o nome de um ou mais sócios, desde que 
pessoas físicas, de modo indicativo da relação social. 
§ 2o A denominação deve designar o objeto da sociedade, sendo permitido

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