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Aula 05 (Prof. Gabriel Rabelo) Direito Empresarial p/ Polícia Civil de Goiás (Delegado) - Com videoaulas Professores: Gabriel Rabelo, Vicente Camillo RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 1 de 98 SUMÁRIO 1 APRESENTAÇÃO ...................................................................................................................... 1 2 TÍTULOS DE CRÉDITO: PRINCÍPIOS GERAIS ............................................................................... 2 3 ALGUMAS CARACTERÍSTICAS INERENTES AOS TÍTULOS DE CRÉDITOS .......................................... 3 4 PRINCÍPIOS DOS TÍTULOS DE CRÉDITO ..................................................................................... 3 4.1 LITERALIDADE ..................................................................................................................... 4 4.2 CARTULARIDADE .................................................................................................................. 4 4.3 AUTONOMIA ........................................................................................................................ 5 5 CLASSIFICAÇÃO DOS TÍTULOS DE CRÉDITO ............................................................................... 6 5.1 QUANTO À ESTRUTURA ......................................................................................................... 6 5.2 QUANTO AO MODELO ........................................................................................................... 8 5.3 QUANTO À CRIAÇÃO ............................................................................................................. 8 5.4 QUANTO À CIRCULAÇÃO ....................................................................................................... 9 6 ENDOSSO ............................................................................................................................. 11 6.1 RESPONSABILIDADE DO ENDOSSANTE ................................................................................. 11 6.2 ENDOSSO EM PRETO X ENDOSSO EM BRANCO ...................................................................... 12 6.3 ENDOSSO X CESSÃO CIVIL DO CRÉDITO .............................................................................. 13 6.4 TIPOS DE ENDOSSO ........................................................................................................... 14 6.5 ENDOSSO PARCIAL ............................................................................................................ 15 6.6 PONTO AVANÇADO – PERDA DE TÍTULO ENDOSSADO ............................................................ 16 7 AVAL .................................................................................................................................... 16 8 PROTESTO ............................................................................................................................ 19 9 DISPOSIÇÕES DO CÓDIGO CIVIL SOBRE OS TÍTULOS DE CRÉDITO ............................................. 20 10 LETRA DE CÂMBIO.............................................................................................................. 26 11 NOTA PROMISSÓRIA........................................................................................................... 31 12 CHEQUE ............................................................................................................................ 36 12.1 QUESTÃO PRÁTICA SOBRE O CHEQUE ............................................................................... 44 13 DUPLICATAS ...................................................................................................................... 46 13.1 ACEITE NAS DUPLICATAS ................................................................................................ 48 13.2 COBRANÇA DA DUPLICATA .............................................................................................. 51 13.3 LIVRO REGISTRO DE DUPLICATAS .................................................................................... 52 14 CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO .......................................................................................... 53 15 LETRA DE CRÉDITO IMOBILIÁRIO ........................................................................................ 60 16 CÉDULA DE CRÉDITO IMOBILIÁRIO ...................................................................................... 63 17 QUESTÕES COMENTADAS ................................................................................................... 66 18 QUESTÕES COMENTADAS ................................................................................................... 66 18.1 CONCEITOS GERAIS E PRINCÍPIOS ................................................................................... 66 18.2 ENDOSSO E AVAL ........................................................................................................... 72 18.3 PROTESTO ..................................................................................................................... 76 18.4 LETRA DE CÂMBIO .......................................................................................................... 77 18.5 NOTA PROMISSÓRIA ....................................................................................................... 80 18.6 CHEQUE ........................................................................................................................ 86 18.7 DUPLICATA .................................................................................................................... 89 19 QUESTÕES COMENTADAS NESTA AULA ................................................................................. 92 20 GABARITO DAS QUESTÕES COMENTADAS NESTA AULA .......................................................... 98 1 APRESENTAÇÃO Olá, meus amigos. Como estão?! É com um imenso prazer que estamos aqui, no Estratégia Concursos, para ministrar mais uma aula da disciplina de Direito Empresarial para o concurso de Delegado da Polícia Civil de Goiás. Hoje, conforme prometido, falaremos sobre os títulos de crédito. AULA 05 – TÍTULOS DE CRÉDITO RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 2 de 98 CRONOGRAMA Aula 05. 15 Títulos de crédito: atributos gerais; integração das leis uniformes de Genebra no direito brasileiro; nota promissória, duplicata; cheque. 11 Teoria geral dos títulos de crédito. 11.1 Títulos de crédito: letra de câmbio; cheque; nota promissória; duplicata. 11.2 Aceite; aval; endosso; protesto; prescrição. 11.3 Ações cambiais. O fórum de dúvidas está funcionando. Está ok?! É isso! Vamos começar a nossa batalha?! Forte abraço! GABRIEL RABELO 2 TÍTULOS DE CRÉDITO: PRINCÍPIOS GERAIS O mundo hoje é vive eminentemente do crédito, do consumo. Não mais consegue andar a sociedade sem que as pessoas (físicas ou jurídicas) se utilizem, com toda a voracidade, de operações mercantis. O crescente desuso da moeda em papel, manual, torna muito mais célere a mobilização da riqueza, exigindo-se, para isso, documentos representativos. Mas o crédito pode ser apresentado de várias maneiras, seja contratual, seja por título, escritura. Contudo, o título de crédito, dentre todos os modos, é o que propicia maiores vantagens em sua emissão, dada a simplicidade, baixo custo e facilidade de cobrança. Mas o que vem a ser o título de crédito?! O conceito, emanado por Cesare Vivante, é o que melhor responde a pergunta. Tanto que o Código Civil encampou sua doutrina para narrar: Art. 887. O título de crédito,vendeu um carro para Valente. Na nota promissória existem duas figuras: emitente (devedor), que é quem promete o pagamento, e beneficiário (credor), que é a quem o pagamento é prometido. Valente, portanto, emitiu uma nota promissória, em que se compromete a pagar o valor em 30, 60, 90 e 120 dias. Glória endossou o título em branco para Paulo Afonso. O que é mesmo o endosso? Juridicamente falando, é um ato unilateral, solidário e autônomo, pelo qual se transferem os direitos emergentes de um título. O endosso, além de transferir o título, é uma garantia. Segundo o Código Civil: RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 34 de 98 Art. 914. Ressalvada cláusula expressa em contrário, constante do endosso, não responde o endossante pelo cumprimento da prestação constante do título. Seguindo a inteligência do artigo 914, o endossante não responde, via de regra, pelo pagamento da obrigação. Porém, não podemos olvidar que o Código Civil é norma geral e pode ser excepcionado por norma especial. Tanto o é que, de acordo com as legislações especiais, o cheque, duplicata, nota promissória e letra de câmbio, são títulos que mantêm o endossante como devedor solidário. E o endosso em branco? O que é? O endosso ocorre com a assinatura do endossante na própria cártula, que pode ocorrer com a indicação do nome do novo beneficiário (endossatário), caracterizando o chamado endosso em preto, ou sem a indicação do beneficiário, o denominado endosso em branco. Neste caso, o endosso foi em branco, sem o nome do novo beneficiário. Portanto, temos: - Emitente (devedor original): Valente. - Endossante (primeira beneficiária na cadeia e endossante, responsável solidária): Glória. - Endossatário e beneficiário do título (quem tem o direito de receber): Paulo Afonso. Depois disso, houve extravio. E agora? Segundo o Código Civil: Art. 909. O proprietário, que perder ou extraviar título, ou for injustamente desapossado dele, poderá obter novo título em juízo, bem como impedir sejam pagos a outrem capital e rendimentos. Parágrafo único. O pagamento, feito antes de ter ciência da ação referida neste artigo, exonera o devedor, salvo se se provar que ele tinha conhecimento do fato. A responsabilidade do emitente e do endossante perante o portador subsiste ainda que os títulos tenham sido perdidos ou extraviados involuntariamente. Portanto, o nosso gabarito é a letra b. Feitas essas considerações, analisemos as assertivas: RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 35 de 98 a) Apenas o emitente responde pelo pagamento dos títulos porque o endossante não é coobrigado, salvo cláusula em contrário inserida na nota promissória. Item incorreto. O endossante é coobrigado. b) A responsabilidade do emitente e do endossante perante o portador subsiste ainda que os títulos tenham sido perdidos ou extraviados involuntariamente. Gabarito! c) O endossante e o emitente não respondem perante o portador pelo pagamento das notas promissórias em razão do desapossamento involuntário. Incorreto. Uma vez que o endosso é em branco, o portador poderá comparecer perante o emitente e endossante para que estes arquem com suas obrigações. Todavia, esse direito restará anulado, caso o proprietário prove que o título deva ser pago a ele, bem como compareça em juízo, requerendo a emissão de novo título, evitando que seja pago a outrem. Art. 909. O proprietário, que perder ou extraviar título, ou for injustamente desapossado dele, poderá obter novo título em juízo, bem como impedir sejam pagos a outrem capital e rendimentos. Parágrafo único. O pagamento, feito antes de ter ciência da ação referida neste artigo, exonera o devedor, salvo se se provar que ele tinha conhecimento do fato. d) O emitente e o endossante não respondem pelo pagamento dos títulos porque só é permitido ao vendedor sacar duplicata em uma compra e venda. Item incorreto. A lei de duplicatas prescreve que: Art. 2º No ato da emissão da fatura, dela poderá ser extraída uma duplicata para circulação como efeito comercial, não sendo admitida qualquer outra espécie de título de crédito para documentar o saque do vendedor pela importância faturada ao comprador. E agora? A duplicata é o único título hábil para documentar compra e venda? Não! A duplicata é o único título que pode ser emitido pelo vendedor, nas hipóteses arroladas na Lei de Duplicatas. Todavia, a nota promissória e o cheque, por exemplo, são títulos de crédito emitidos pelo devedor, eis que a utilização destes instrumentos é permitida em compra e venda, sim. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 36 de 98 Gabarito B. 12 CHEQUE O cheque é uma ordem de pagamento à vista. O cheque é regido pela Lei 7.357/85 (Lei do Cheque), e emitido pelo sacador (emitente) contra o sacado (instituição bancária), em favor próprio ou de terceiro, e que incide sobre fundos que o sacador dispõe em poder do sacado. Art. 3º O cheque é emitido contra banco, ou instituição financeira que lhe seja equiparada, sob pena de não valer como cheque. Art. 4º O emitente deve ter fundos disponíveis em poder do sacado e estar autorizado a sobre eles emitir cheque, em virtude de contrato expresso ou tácito. A infração desses preceitos não prejudica a validade do título como cheque. § 1º - A existência de fundos disponíveis é verificada no momento da apresentação do cheque para pagamento. Ainda, segundo a Lei do Cheque: Art. 32 O cheque é pagável à vista. Considera-se não-escrita qualquer menção em contrário. Os títulos de créditos podem ser classificados em dois aspectos quanto ao modelo, modelo vinculado (cheque e duplicata) e modelo livre (nota promissória e letra de câmbio). Art. 1º O cheque contêm: I - a denominação ‘’cheque’’ inscrita no contexto do título e expressa na língua em que este é redigido; II - a ordem incondicional de pagar quantia determinada; III - o nome do banco ou da instituição financeira que deve pagar (sacado); IV - a indicação do lugar de pagamento; V - a indicação da data e do lugar de emissão; VI - a assinatura do emitente (sacador), ou de seu mandatário com poderes especiais. O cheque não admite aceite considerando-se não escrita qualquer declaração com esse sentido (LC, art. 6º). A seguir um modelo de cheque com as características citadas acima: RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 37 de 98 Fonte: https://www.tcn.com.br/nastur/ajuda/chequemodelo.gif O sacado (banco) não se obriga ao pagamento do cheque, sendo a responsabilidade do emitente. Art. 15º O emitente garante o pagamento, considerando-se não escrita a declaração pela qual se exima dessa garantia. Art. 6º O cheque não admite aceite considerando-se não escrita qualquer declaração com esse sentido. Levem para a prova: o banco sacado não responde pela inexistência ou insuficiência de fundos. A responsabilidade do banco se dá somente quando do processamento de pagamento indevido, como creditamento a cliente errado, que não seja beneficiário do título, ou ainda no caso de pagamento de cheque falso, falsificado oualterado, exceto se houver dolo ou culpa do correntista, endossante ou beneficiário (LC, art. 39). Outro aspecto que é sempre cobrado, é o seguinte: Art. 39 O sacado que paga cheque ‘’à ordem’’ é obrigado a verificar a regularidade da série de endossos, mas não a autenticidade das assinaturas dos endossantes. A mesma obrigação incumbe ao banco apresentante do cheque a câmara de compensação. Portanto, o banco (sacado) deve verificar a regularidade da série de endossos, se eles atendem os requisitos formais, contudo, a autenticidade da assinatura de cada endossante não é tarefa que cabe ao banco. Continuemos! Dissemos que o cheque é uma ordem de pagamento à vista (LC, art. 32). Nos dizeres do STJ “A emissão de cheque pós-datado, popularmente conhecido como cheque pré-datado, não o desnatura como título de crédito, e traz como única consequência a ampliação do prazo de apresentação”. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 38 de 98 Desta forma, está incorreto o seguinte item apresentado no exame da Ordem dos Advogados do Brasil/2004: O cheque é uma ordem de pagamento à vista, sendo que qualquer menção em contrário o inutiliza como título de crédito. Como bem salientou o E. STJ, a única consequência é a ampliação do prazo de apresentação do título. Não será o cheque desnaturado como título de crédito! A emissão do cheque pré-datado é aceita como praxe, não havendo alicerce jurídico para tanto. Então, o que temos de saber é o seguinte: o cheque é ordem de pagamento à vista. Contudo, a emissão de cheque pré-datado é aceita no Brasil, por ser praxe, trazendo como única consequência a ampliação do prazo de apresentação, não o desnaturando como título de crédito! A Súmula 370 do STJ propõe que “caracteriza dano moral a apresentação antecipada do cheque pré-datado". Assim, encontra-se plenamente aceita em nossos tribunais pátrios a possibilidade de emissão de cheque pré-datado, embora constitua verdadeiro costume contra legem. Agora, outro aspecto interessante. Imagine-se que determinado comerciante emite cheque no valor de R$ 5.000,00 e o banco, quando da apresentação da cheque pelo fornecedor, não efetua o pagamento, devolvendo o cheque, por motivo não conhecido. Se o comerciante tinha saldo à época e mesmo assim o pagamento não fora efetuado, caracterizado está o dano moral. É o exato teor da súmula 388 do STJ: A simples devolução indevida de cheque caracteriza dano moral. Outro assunto interessante, diz respeito ao endosso dos cheques. Art. 18 O endosso deve ser puro e simples, reputando-se não-escrita qualquer condição a que seja subordinado. Importantíssimo agora: Art. 18, § 1º São nulos o endosso parcial e o do sacado. A lei que instituía a Contribuição Provisória sobre a Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF, qual seja a Lei 9.311/96, permitia tão somente um único endosso nos cheques, com o intuito de proibir a circulação de cheques sem o devido recolhimento do tributo. Ocorre que a referida lei não mais se encontra em vigor, podendo o cheque agora ser objeto de mais de um endosso. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 39 de 98 Art. 20 - O endosso transmite todos os direitos resultantes do cheque. Se o endosso é em branco, pode o portador: I - completá-lo com o seu nome ou com o de outra pessoa (torna o endosso em preto); II - endossar novamente o cheque, em branco ou a outra pessoa; III - transferir o cheque a um terceiro, sem completar o endosso e sem endossar. O detentor de cheque "à ordem’’ é considerado portador legitimado, se provar seu direito por uma série ininterrupta de endossos, mesmo que o último seja em branco. Para esse efeito, os endossos cancelados são considerados não- escritos (Lei do Cheque, artigo 22). Art. 23 O endosso num cheque passado ao portador torna o endossante responsável, nos termos das disposições que regulam o direito de ação, mas nem por isso converte o título num cheque ‘’à ordem’’. Sobre o aval, temos que a Lei do Cheque prevê: Art. 29 O pagamento do cheque pode ser garantido, no todo ou em parte, por aval prestado por terceiro, exceto o sacado, ou mesmo por signatário do título. Vê-se, pois, a possibilidade do aval parcial para o cheque. Sobre a classificação dos cheques, existem diversos tipos de cheques, senão vejamos: - Cruzado: é o cheque em que o emitente apõe dois traços paralelos no anverso do título (LC, art. 44). A principal finalidade do cruzamento é impedir que um cliente saque o cheque no caixa, permitindo-se apenas que se pague através de crédito em conta corrente. O parágrafo primeiro do art. 44 dispõe que se diz geral o cruzamento que contenha as duas linhas em branco, ou que apenas contenha a palavra banco (sem especificações) entre as suas linhas. Será especial o cruzamento se existir nome específico do banco entre as linhas do cruzamento. O cheque com cruzamento geral só pode ser pago pelo sacado a banco ou a cliente do sacado, mediante crédito em conta. O cheque com cruzamento especial só pode ser pago pelo sacado ao banco indicado, ou, se este for o sacado, a cliente seu, mediante crédito em conta. Pode, entretanto, o banco designado incumbir outro da cobrança (Lei do Cheque, art. 45). Segundo a Lei do Cheque: RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 40 de 98 Art. 44. § 2º O cruzamento geral pode ser convertido em especial, mas este não pode converter-se naquele. § 3º A inutilização do cruzamento ou a do nome do banco é reputada como não existente. O cruzamento especial não pode ser convertido em geral e a inutilização do cruzamento ou a do nome do banco é reputada como não existente Vejamos exemplos de cheque cruzado especial (em preto) e cheque cruzado geral (em branco): Cheque cruzado especial (ou em preto): Fonte: http://contabilidadycomercios.blogspot.com.br/2013/07/cheque.html Cheque cruzado geral (ou em branco): Fonte: http://oficialblog.com/cheque-cruzado-como-funciona-como-descontar/ Portanto, um cruzamento geral pode ser convertido em especial! Caso inutilizem o cruzamento, essa condição será tida como não existente. Gabriel, e se tiverem vários cruzamentos especiais em um cheque? Utilizaremos as regras a seguir: RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 41 de 98 Art. 45. § 2º O cheque com vários cruzamentos especiais só pode ser pago pelo sacado no caso de dois cruzamentos, um dos quais para cobrança por câmara de compensação. E o que é uma câmara de compensação? Segundo o glossário do Banco Central do Brasil é a “central ou mecanismo de processamento central por meio do qual as instituições financeiras acordam trocar instruções de pagamento ou outras obrigações financeiras (por exemplo: valores mobiliários). As instituições liquidam os instrumentos trocados em um momento determinado com base em regras e procedimentos da Câmara de Compensação. Em alguns casos, ela pode assumir responsabilidades significativas de contraparte, financeiras ou de administração do risco para o sistema de compensação. Por definição, a Câmarade Compensação deve ser ente dotado de personalidade jurídica”. Portanto, para os cheques a câmara de compensação é o local onde os cheques de diversas instituições são compensados entre si. A aposição de dois cruzamentos, sendo um para a câmara de compensação, não invalidará o cheque. - Visado: também é conhecido por cheque bancário, cheque de caixa ou cheque comprado. Está previsto no artigo 7º da Lei 7.357/85 (Lei do Cheque), é aquele em que o emitente solicita ao banco (sacado) que vise, certifique, o cheque, atestando haver fundos para pagamento durante o prazo em que o título será apresentado. O CESPE, sobre o assunto, formulou a seguinte questão: (Cespe/Defensor Público do Ceará/2008) Considere que, ao efetuar o pagamento de um automóvel recentemente adquirido, Lucas tenha emitido cheque em que, no verso, havia sido lançada declaração do banco indicando a existência de provisão de fundos para a sua liquidação, durante o prazo de apresentação do título de crédito. Nessa situação, o cheque utilizado por Lucas é considerado um cheque administrativo ou bancário. O item está incorreto. Apontou-se na assertiva o conceito de cheque visado e não de cheque administrativo. - Administrativo: é o cheque emitido pelo próprio banco. A instituição financeira figurará como sacador e sacado. Pode ser comprado pelo cliente em qualquer agência bancária. O banco o emite em nome de quem o cliente efetuará o pagamento. - Especial: assim denominado porque o banco concedeu ao titular da conta um limite de crédito para saque quando não dispuser de fundos. O cheque especial é concedido ao cliente mediante contrato firmado previamente. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 42 de 98 - Viagem/Turismo: (traveler check) é um tipo de cheque emitido em quantia prefixada, traz uma quantia expressa, em moeda estrangeira. Serve para atender gastos em viagens internacionais, tendo a vantagem sobre o dinheiro em espécie de ter proteção contra furto, roubo ou perda. Outro ponto que vez ou outra aparece em provas de concursos é a possibilidade da emissão de cheque ao portador, ou seja, que não contém o nome do beneficiário. Essa possibilidade existe, desde que o cheque não exceda o valor de R$ 100,00. Falemos, agora, do prazo para apresentação do cheque. O portador do cheque deve apresentá-lo para pagamento no prazo de 30 dias, quando emitido no lugar em que for pago, ou 60 dias, se emitido em lugar diverso ou no exterior (LC, art. 33) – isso tudo considerando que o cheque é uma ordem de pagamento à vista. Adendo: se houver insuficiência de fundos ou divergência na assinatura constante do cadastro da instituição financeira, poderá ser recursado o pagamento. Esvaído o prazo in albis [sem que seja apresentado] perde-se o direito de executar os coodevedores. Uma vez expirado este prazo, o beneficiário do cheque tem ainda o prazo de 6 meses para promover a execução (LC, art. 59) ou tentar receber do banco. Segundo a Lei do Cheque... Art. 59 Prescrevem em 6 (seis) meses, contados da expiração do prazo de apresentação, a ação que o art. 47 desta Lei assegura ao portador. Art. 47 Pode o portador promover a execução do cheque: I - contra o emitente e seu avalista; II - contra os endossantes e seus avalistas, se o cheque apresentado em tempo hábil e a recusa de pagamento é comprovada pelo protesto ou por declaração do sacado, escrita e datada sobre o cheque, com indicação do dia de apresentação, ou, ainda, por declaração escrita e datada por câmara de compensação. Anote-se, pois, que o prazo para execução é contado a partir do término do prazo de apresentação e não da data de emissão. Essa questão é recorrente em concursos. Continuando... RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 43 de 98 Art. 40 O pagamento se fará à medida em que forem apresentados os cheques e se 2 (dois) ou mais forem apresentados simultaneamente, sem que os fundos disponíveis bastem para o pagamento de todos, terão preferência os de emissão mais antiga e, se da mesma data, os de número inferior. Se o portador não apresentar o cheque em tempo hábil ou não comprovar a recusa de pagamento na forma acima, perderá o direito de execução contra o emitente, caso se comprove que este tinha fundos disponíveis durante o prazo de apresentação e os deixou de ter, em razão de fato que não lhe seja imputável (art. 47, § 3.º, da LC). O protesto do cheque acontece pela ausência de fundos. Se a ação é proposta contra o emitente e seus avalistas, não há necessidade de protesto. Se proposta contra endossantes e respectivos avalistas, exige-se o protesto. Protesto – cheque!! Cobrança dos endossantes e seus avalistas necessário Cobrança do emitente e seus avalistas desnecessário O protesto ou as declarações devem ser feitos no lugar de pagamento ou do domicílio do emitente, antes da expiração do prazo de apresentação. Mas se a apresentação ocorrer no último dia do prazo, o protesto ou as declarações podem fazer-se no primeiro dia útil seguinte (art. 48 da LC). Se, após o protesto, o cheque for pago, o protesto poderá ser cancelado, a pedido de qualquer interessado, mediante arquivamento de cópia autenticada da quitação que contenha perfeita identificação do cheque no Cartório de Protesto de Títulos (art. 48, § 4.º, da LC). Cuidado! Algumas questões propõem o prazo de 6 meses para promover a execução contados a partir da emissão. Está errado! O prazo é de 6 meses após o transcurso dos 30 ou 60 dias (prazo de apresentação). Olhem este item proposto no concurso para Juiz Substituto TRT 23ª, em 2008: a ação de execução do cheque prescreve em seis meses contados da data de sua emissão. Percebe-se que o item incidiu no exato erro que estamos alertando. O mesmo assunto foi cobrado no concurso para Juiz Federal da 5ª região elaborado pelo CESPE, em 2009, item incorreto: O prazo prescricional do cheque é de seis meses a contar da data da sua emissão. Amigos, outro aspecto importante é o seguinte: RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 44 de 98 Após a prescrição do cheque (6 meses a contar a expiração do prazo para apresentação) não é mais possível sua execução. Contudo, cabe, nesta hipótese, uma ação de enriquecimento ilícito, também conhecida como ação de locupletamento. O prazo para impetrar esta ação é de 2 anos a partir do dia em que findar a prescrição da ação cambial. Por fim, mesmo que prescreva a ação de locupletamento, caberá a ação por cobrança ordinária, desde que se comprove a relação que deu causa à emissão do cheque. Art. 62 Salvo prova de novação, a emissão ou a transferência do cheque não exclui a ação fundada na relação causal, feita a prova do não-pagamento. Há que se salientar, ainda, que a morte do emitente ou sua incapacidade superveniente à emissão não invalidam os efeitos do cheque (Lei do Cheque, art. 37). 12.1 QUESTÃO PRÁTICA SOBRE O CHEQUE Vamos examinar um exemplo prático sobre o cheque, com aspectos que podem aparecer na sua prova? A questão apareceu no concurso para Fiscal de Tributos, da Prefeitura de Niterói. (FGV/Auditor Tributário/ISS Niterói/2015) João, endossatário, apresentou um cheque emitido em 30/09/2010, ao sacado para pagamento em 01/10/2010, que foi devolvido por insuficiência de fundos disponíveis com declaraçãoescrita e datada da câmara de compensação. No cheque constam as assinaturas de Maria Madalena, emitente, e Sebastião, endossante. A situação é a seguinte: Vamos começar a nos perguntar: 1) Deve haver protesto para eventual cobrança? Havendo necessidade, qual o local para se protestar? Segundo a Lei do Cheque: RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 45 de 98 Art. 48 O protesto ou as declarações do artigo anterior devem fazer-se no lugar de pagamento ou do domicílio do emitente, antes da expiração do prazo de apresentação. Se esta ocorrer no último dia do prazo, o protesto ou as declarações podem fazer-se no primeiro dia útil seguinte. Protesto: - Local do pagamento ou domicílio do emitente. - Antes da expiração do prazo de apresentação. Se o beneficiário apresentar no último dia possível, poderá fazê-lo no primeiro dia útil seguinte. - Necessário para cobrar dos endossantes e seus avalistas. - Desnecessário para cobrar do emitente e seus avalistas. Art. 47 Pode o portador promover a execução do cheque: I - contra o emitente e seu avalista; II - contra os endossantes e seus avalistas, se o cheque apresentado em tempo hábil e a recusa de pagamento é comprovada pelo protesto ou por declaração do sacado, escrita e datada sobre o cheque, com indicação do dia de apresentação, ou, ainda, por declaração escrita e datada por câmara de compensação. § 1º Qualquer das declarações previstas neste artigo dispensa o protesto e produz os efeitos deste. § 2º Os signatários respondem pelos danos causados por declarações inexatas. § 3º O portador que não apresentar o cheque em tempo hábil, ou não comprovar a recusa de pagamento pela forma indicada neste artigo, perde o direito de execução contra o emitente, se este tinha fundos disponíveis durante o prazo de apresentação e os deixou de ter, em razão de fato que não lhe seja imputável. 2) Quando começa o prazo prescricional para ação de execução, já que não havia fundos para receber o cheque? Segundo a Lei do Cheque: Art. 59 Prescrevem em 6 (seis) meses, contados da expiração do prazo de apresentação, a ação que o art. 47 desta Lei assegura ao portador. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 46 de 98 3) Pode haver a proibição de que o cheque seja pago em dinheiro? Nos termos da Lei do Cheque: Art. 46 O emitente ou o portador podem proibir que o cheque seja pago em dinheiro mediante a inscrição transversal, no anverso do título, da cláusula ‘’para ser creditado em conta’’, ou outra equivalente. Nesse caso, o sacado só pode proceder a Iançamento contábil (crédito em conta, transferência ou compensação), que vale como pagamento. O depósito do cheque em conta de seu beneficiário dispensa o respectivo endosso. Portanto, pode haver a proibição, desde que haja uma inscrição na frente (anverso do título) com o dizer: para ser creditado em conta ou equivalente. 4) João deveria comunicar para Maria Madalena ou para Sebastião que houver devolução do cheque? Vejamos: Art. 49 O portador deve dar aviso da falta de pagamento a seu endossante e ao emitente, nos 4 (quatro) dias úteis seguintes ao do protesto ou das declarações previstas no art. 47 desta Lei ou, havendo cláusula ‘’sem despesa’’, ao da apresentação. Portanto, deve haver comunicação da falta de pagamento ao endossante e emitente, nos quatro dias úteis seguintes ao protesto ou ao prazo da apresentação (se o protesto for dispensado). 13 DUPLICATAS A duplicata é o título de crédito emitido com base em obrigação proveniente de compra e venda comercial ou prestação de certos serviços. Rege-se pela Lei 5.474/1968 - LD. É conhecida por ser um título causal, ou seja, encontra-se vinculada à relação jurídica que lhe dá origem que é a compra e venda mercantil. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 47 de 98 Contudo, tão logo emitida, a duplicata deixa de ter nexo com o negócio que lhe deu origem, tornando-se independente. Essa distinção deve estar clara na cabeça: não obstante se perfaça em título de crédito causal, assim que emitida, deixa de ter nexo com o negócio jurídico que lhe deu origem. Somente a compra e venda mercantil (e a prestação de serviços) permite o saque da duplicata mercantil. Art. 1º Em todo o contrato de compra e venda mercantil entre partes domiciliadas no território brasileiro, com prazo não inferior a 30 (trinta) dias, contado da data da entrega ou despacho das mercadorias, o vendedor extrairá a respectiva fatura para apresentação ao comprador. Art. 2º No ato da emissão da fatura, dela poderá ser extraída uma duplicata para circulação como efeito comercial, não sendo admitida qualquer outra espécie de título de crédito para documentar o saque do vendedor pela importância faturada ao comprador. Percebam que a lei diz prazo não inferior a 30 dias para a emissão obrigatória de fatura. Se o prazo for menor, torna-se facultativa a emissão. De acordo com a lei, uma só duplicata não pode corresponder a mais de uma fatura (LD, art. 2º, §2º). Segundo a lei, a duplicata conterá: I - a denominação "duplicata", a data de sua emissão e o número de ordem; II - o número da fatura; III - a data certa do vencimento ou a declaração de ser a duplicata à vista; IV - o nome e domicílio do vendedor e do comprador; V - a importância a pagar, em algarismos e por extenso; VI - a praça de pagamento; VII - a cláusula à ordem; VIII - a declaração do reconhecimento de sua exatidão e da obrigação de pagá- la, a ser assinada pelo comprador, como aceite, cambial; IX - a assinatura do emitente. A lei ainda prescreve que na duplicata poderão constar outras indicações, desde que não alterem sua feição característica (LD, art. 24). Vamos ver um modelo de duplicata, com todos os requisitos expressos acima: RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 48 de 98 Fonte: http://www.cosif.com.br/imgs/leisfn/dm.jpg Nos casos de venda para pagamento em parcelas, poderá ser emitida duplicata única, em que se discriminarão todas as prestações e seus vencimentos, ou série de duplicatas, uma para cada prestação distinguindo-se a numeração sequencial, pelo acréscimo de letra do alfabeto, também em seqüência (LD, art. 2º, §3º). 13.1 ACEITE NAS DUPLICATAS Falaremos agora sobre o aceite. Vimos que entre os requisitos para emissão de uma duplicata consta a declaração do reconhecimento de sua exatidão e da obrigação de pagá-la, a ser assinada pelo comprador, como aceite, cambial. Assim, com base nesse texto legal, tem-se que o aceite é o reconhecimento da dívida pelo sacado (comprador/recebedor dos serviços). O aceite, na duplicata, é obrigatório (na letra de câmbio é facultativo). Grave-se! Aceite: Duplicata Obrigatório Letra de câmbio Facultativo Depois de emitida a duplicata deve ser remetida ao comprador para que se dê o aceite, no prazo de 30 dias a contar da emissão. Prazo para aceite 30 dias da emissão! Art. 6º A remessa de duplicata poderá ser feita diretamente pelo vendedor ou por seus representantes, por intermédio de instituições financeiras, procuradores ou,correspondentes que se incumbam de apresentá-la ao RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 49 de 98 comprador na praça ou no lugar de seu estabelecimento, podendo os intermediários devolvê-la, depois de assinada, ou conservá-la em seu poder até o momento do resgate, segundo as instruções de quem lhes cometeu o encargo. O comprador, por sua vez, deve devolvê-la em um prazo de 10 (dez) dias. Como o aceite é obrigatório, em regra, o comprador não pode recusá-lo. Todavia, a LD, arrola hipóteses em que caberá a recusa do aceite: Importantíssimo - Hipóteses de recusa ao aceite na duplicata Art. 8º O comprador só poderá deixar de aceitar a duplicata por motivo de: I - avaria ou não recebimento das mercadorias, quando não expedidas ou não entregues por sua conta e risco; II - vícios, defeitos e diferenças na qualidade ou na quantidade das mercadorias, devidamente comprovados; III - divergência nos prazos ou nos preços ajustados. Portanto, caso o comprador receba uma duplicata está obrigado a aceita-la. Ressalvando-se as hipóteses: - De avaria ou não recebimento da mercadoria. - De vícios, defeitos e diferenças na qualidade ou quantidade das mercadorias. - De divergências nos prazos ou preços ajustados. O assunto foi cobrado pela FCC com o seguinte teor (item incorreto): (Promotor/MP CE/2009/FCC) Quanto aos títulos de crédito, é correto afirmar que a divergência nos prazos ou nos preços ajustados com o vendedor não é motivo de recusa de aceite de uma duplicata mercantil pelo comprador. Temos, portanto, o seguinte esquema: O aceite da duplicata pode ocorrer das seguintes formas: Emissão de duplicata Envio para aceite: 30 dias (obrigatório) Devolução: 10 dias Pode rejeitar por: 1) Avaria/não recebimento da mercadoria; 2) Vício, defeito, diferença nos produtos; 3) Divergência no prazo/preço ajustado. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 50 de 98 Formas de aceite da duplicata a) aceite expresso ou ordinário: resultante de assinatura lançada no título pelo comprador; b) aceite por comunicação: resultante de retenção da duplicata pelo sacado, autorizado por instituição financeira cobradora, e de comunicação escrita do aceite (LD, art. 7º, § 1º); c) aceite tácito ou presumido: resultante da prova de recebimento das mercadorias, da falta de recusa justificada do aceite, no prazo de 10 dias, e do protesto do título (LD, art. 15, inc. II). Dessa forma, a Fundação José Pelúcio, no concurso para AFTE RO em 2006, apresentou o seguinte enunciado: Dos títulos de crédito abaixo relacionados, aquele que admite o instituto do denominado aceite presumido é (...). Ficou fácil inferir que a resposta correta é duplicata. Mas, e se a duplicata for enviada para aceite e, no meio do caminho, houver perda, extravio? Neste caso, o vendedor deve lançar mão da triplicata, prevista no artigo 23 da LD: Art. 23. A perda ou extravio da duplicata obrigará o vendedor a extrair triplicata, que terá os mesmos efeitos e requisitos e obedecerá às mesmas formalidades daquela. Sobre o pagamento da duplicata, é lícito ao comprador resgatar a duplicata antes de aceitá-la ou antes da data do vencimento (LD, art. 9º). Este é o denominado pagamento antecipado. A prova do pagamento é o recibo, passado pelo legítimo portador ou por seu representante com poderes especiais, no verso do próprio título ou em documento, em separado, com referência expressa à duplicata (LD, art. 9º, §1º). Constituirá, igualmente, prova de pagamento, total ou parcial, da duplicata, a liquidação de cheque, a favor do estabelecimento endossatário, no qual conste, no verso, que seu valor se destina a amortização ou liquidação da duplicata nele caracterizada (LD, art. 9º, §2º). No pagamento da duplicata poderão ser deduzidos quaisquer créditos a favor do devedor resultantes de devolução de mercadorias, diferenças de preço, enganos, verificados, pagamentos por conta e outros motivos assemelhados, desde que devidamente autorizados (LD, art. 10). Art. 11. A duplicata admite reforma ou prorrogação do prazo de vencimento, mediante declaração em separado ou nela escrita, assinada pelo vendedor ou endossatário, ou por representante com poderes especiais. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 51 de 98 13.2 COBRANÇA DA DUPLICATA Caso o pagamento não seja efetuado deverá ser procedida à cobrança da duplicata. A cobrança não necessita ser efetuada pelo banco. Pode ser feita diretamente na via judicial. A duplicata precisa conter o aceite (assinatura) do sacado/devedor, para que se comprove que os valores foram aceitos e que a mercadoria foi devidamente entregue. Se o aceite foi devidamente realizado, o título não precisa necessariamente ser protestado para sua execução judicial. Contudo, o portador que não tirar o protesto da duplicata, em forma regular e dentro do prazo de 30 (trinta) dias, contado da data de seu vencimento, perderá o direito de regresso contra os endossantes e respectivos avalistas. Se a duplicata não contiver o aceite, para execução da duplicata serão necessários 3 procedimentos cumulativamente: Execução de duplicata sem aceite 1 – Protesto; 2 – Documentos que comprovem a entrega e recebimento da mercadoria, e 3 – Verificar se o sacado/devedor recusou o aceite pelos motivos descritos nos arts. 7.º e 8.º da Lei das Duplicatas. O protesto é o ato formal e solene pelo qual se comprova a inadimplência e o descumprimento de obrigação originada em títulos e outros documentos de dívida. Protesta-se a duplicata por falta de aceite, de devolução (obrigatório por parte do devedor/sacado) ou de pagamento (LD, art. 13). Repetimos. A duplicata pode ser protestada por: 1) Falta de aceite; 2) Falta de devolução; 3) Falta de pagamento. Perde o direito de crédito contra endossantes e respectivos avalistas aquele que não protestar a duplicata em até 30 dias após o vencimento (LD, art. 13, §4º). Atente-se, também, para o fato de que a cobrança do devedor principal (comprador/sacado) independe de protesto, desde que o aceite tenha ocorrido. Duplicata – Protesto RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 52 de 98 Endossante e respectivos avalistas Protesto em 30 dias Devedor principal e respectivos avalistas Independe de protesto – se ocorrido o aceite O assunto prescrição está disposto no art. 18 da Lei de Duplicatas. O prazo para propor ação contra o sacado e seus avalistas é de 3 anos da data do vencimento. O prazo para propor ação contra os endossantes e seus avalistas é de 1 ano da data do protesto. Se ação for movida por um coobrigado, há direito de regresso. Neste caso, o direito de ação contra outros extingue-se no prazo de um ano a partir da data do pagamento. Sobre o vencimento da duplicata, deve ela ser à vista ou à data certa. Não se pode emitir duplicata com vencimento a certo termo de vista (a letra de câmbio pode). Título a certo termo de vista é aquele em que o vencimento é computado a partir da data do aceite, ou, na falta deste, do protesto. Vejamos como dispõea LD sobre o assunto: Art. 2º No ato da emissão da fatura, dela poderá ser extraída uma duplicata para circulação como efeito comercial, não sendo admitida qualquer outra espécie de título de crédito para documentar o saque do vendedor pela importância faturada ao comprador. § 1º A duplicata conterá: III - a data certa do vencimento ou a declaração de ser a duplicata à vista; Portanto, a duplicata deve conter a data certa do vencimento quando enviada para o aceite ou constar que se trata de título à vista. Não se pode contar o vencimento da duplicata quando do aceite ou protesto. 13.3 LIVRO REGISTRO DE DUPLICATAS Segundo a Lei de Duplicatas: Art. 19. A adoção do regime de vendas de que trata o art. 2º desta Lei obriga o vendedor a ter e a escriturar o Livro de Registro de Duplicatas. § 1º No Registro de Duplicatas serão escrituradas, cronologicamente, todas as duplicatas emitidas, com o número de ordem, data e valor das faturas RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 53 de 98 originárias e data de sua expedição; nome e domicílio do comprador; anotações das reformas; prorrogações e outras circunstâncias necessárias. § 2º Os Registros de Duplicatas, que não poderão conter emendas, borrões, rasuras ou entrelinhas, deverão ser conservados nos próprios estabelecimentos. § 3º O Registro de Duplicatas poderá ser substituído por qualquer sistema mecanizado, desde que os requesitos deste artigo sejam observados. Portanto, o livro de registro de duplicatas é obrigatório para o vendedor que efetua vendas com prazo igual ou superior a 30 (trinta) dias. 14 CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO Pessoal, a cédula de crédito bancário – CCB - está prevista na Lei 10.931/2004. Vamos estudar a lei, tecendo comentários sobre os seus principais pontos. Art. 26. A Cédula de Crédito Bancário é título de crédito emitido, por pessoa física ou jurídica, em favor de instituição financeira ou de entidade a esta equiparada, representando promessa de pagamento em dinheiro, decorrente de operação de crédito, de qualquer modalidade. § 1o A instituição credora deve integrar o Sistema Financeiro Nacional, sendo admitida a emissão da Cédula de Crédito Bancário em favor de instituição domiciliada no exterior, desde que a obrigação esteja sujeita exclusivamente à lei e ao foro brasileiros. § 2o A Cédula de Crédito Bancário em favor de instituição domiciliada no exterior poderá ser emitida em moeda estrangeira. Portanto, vamos começar o estudo da CCB pelo seu artigo 26. A cédula é título de crédito impróprio e suas características principais são: Principais características da cédula de crédito bancário: - Emitido por pessoa física ou jurídica. Na verdade, quando contratamos uma operação de crédito, empréstimos, é emitido contra a instituição financeira uma CCB. - A CCB é emitida contra instituição financeira (do SFN) ou equiparada. - É uma promessa de pagamento, pela contratação de crédito de qualquer modalidade. Por exemplo, ao pegarmos um crédito consignado na Caixa Econômica Federal, há emissão de uma CCB. - Pode ser emitida contra instituição no exterior (inclusive em moeda estrangeira), mas o foro é necessariamente no Brasil. - Pode ser emitida na forma cartular (papel mesmo) ou escritural (sistema). Art. 27. A Cédula de Crédito Bancário poderá ser emitida, com ou sem garantia, real ou fidejussória, cedularmente constituída. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 54 de 98 Parágrafo único. A garantia constituída será especificada na Cédula de Crédito Bancário, observadas as disposições deste Capítulo e, no que não forem com elas conflitantes, as da legislação comum ou especial aplicável. Aqui dois pontos importantes. A CCB pode ser com ou sem garantia. A garantia, se existente, é real ou fidejussória. O que é garantia real? O que é garantia fidejussória? A garantia é real quando recai sobre determinado bem, já a fidejussória é pessoal (como aval, fiança, caução). A garantia da Cédula de Crédito Bancário poderá ser fidejussória ou real, neste último caso constituída por bem patrimonial de qualquer espécie, disponível e alienável, móvel ou imóvel, material ou imaterial, presente ou futuro, fungível ou infungível, consumível ou não, cuja titularidade pertença ao próprio emitente ou a terceiro garantidor da obrigação principal. Art. 28. A Cédula de Crédito Bancário é título executivo extrajudicial e representa dívida em dinheiro, certa, líquida e exigível, seja pela soma nela indicada, seja pelo saldo devedor demonstrado em planilha de cálculo, ou nos extratos da conta corrente, elaborados conforme previsto no § 2o. § 1o Na Cédula de Crédito Bancário poderão ser pactuados: I - os juros sobre a dívida, capitalizados ou não, os critérios de sua incidência e, se for o caso, a periodicidade de sua capitalização, bem como as despesas e os demais encargos decorrentes da obrigação; II - os critérios de atualização monetária ou de variação cambial como permitido em lei; III - os casos de ocorrência de mora e de incidência das multas e penalidades contratuais, bem como as hipóteses de vencimento antecipado da dívida; IV - os critérios de apuração e de ressarcimento, pelo emitente ou por terceiro garantidor, das despesas de cobrança da dívida e dos honorários advocatícios, judiciais ou extrajudiciais, sendo que os honorários advocatícios extrajudiciais não poderão superar o limite de dez por cento do valor total devido; V - quando for o caso, a modalidade de garantia da dívida, sua extensão e as hipóteses de substituição de tal garantia; VI - as obrigações a serem cumpridas pelo credor; VII - a obrigação do credor de emitir extratos da conta corrente ou planilhas de cálculo da dívida, ou de seu saldo devedor, de acordo com os critérios estabelecidos na própria Cédula de Crédito Bancário, observado o disposto no § 2o; e VIII - outras condições de concessão do crédito, suas garantias ou liquidação, obrigações adicionais do emitente ou do terceiro garantidor da obrigação, desde que não contrariem as disposições desta Lei. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 55 de 98 § 2o Sempre que necessário, a apuração do valor exato da obrigação, ou de seu saldo devedor, representado pela Cédula de Crédito Bancário, será feita pelo credor, por meio de planilha de cálculo e, quando for o caso, de extrato emitido pela instituição financeira, em favor da qual a Cédula de Crédito Bancário foi originalmente emitida, documentos esses que integrarão a Cédula, observado que: I - os cálculos realizados deverão evidenciar de modo claro, preciso e de fácil entendimento e compreensão, o valor principal da dívida, seus encargos e despesas contratuais devidos, a parcela de juros e os critérios de sua incidência, a parcela de atualização monetária ou cambial, a parcela correspondente a multas e demais penalidades contratuais, as despesas de cobrança e de honorários advocatícios devidos até a data do cálculo e, por fim, o valor total da dívida; e II - a Cédula de Crédito Bancário representativa de dívida oriunda de contrato de abertura de crédito bancário em conta corrente será emitida pelo valor total do crédito posto à disposição do emitente, competindo ao credor, nos termos deste parágrafo, discriminar nos extratos da conta corrente ou nas planilhas de cálculo, que serão anexadosà Cédula, as parcelas utilizadas do crédito aberto, os aumentos do limite do crédito inicialmente concedido, as eventuais amortizações da dívida e a incidência dos encargos nos vários períodos de utilização do crédito aberto. § 3o O credor que, em ação judicial, cobrar o valor do crédito exeqüendo em desacordo com o expresso na Cédula de Crédito Bancário, fica obrigado a pagar ao devedor o dobro do cobrado a maior, que poderá ser compensado na própria ação, sem prejuízo da responsabilidade por perdas e danos. O artigo 28 basicamente reúne informações que devem constar da CCB, quando de sua cobrança. Primeiro, ele diz que a cédula de crédito bancário é título executivo extrajudicial, ou seja, ela não depende de autorização, aval do juiz, para que seja cobrada. Ademais, ela é dívida em dinheiro, certa, líquida e exigível, seja pela soma nela indicada, seja pelo saldo devedor demonstrado em planilha de cálculo, ou nos extratos da conta corrente. Portanto, podemos comprovar o montante devido numa cédula de crédito bancário: - Pela própria cédula. - Por planilha de cálculo. - Por extrato de conta corrente. O parágrafo primeiro traz informações que devem constar de um CCB, como, por exemplo, juros, multas, condições de garantia, obrigações do credor, etc. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 56 de 98 Os juros podem ser prefixados, flutuantes (utilizando DI e SELIC, por exemplo), pelo índice de preços ou até mesmo por variação cambial, quando cabível. Se o credor cobrar valor indevidamente em juízo, será obrigado a ressarcir o dobro do que está cobrando a maior, o que pode ser apurado na mesma ação. Art. 29. A Cédula de Crédito Bancário deve conter os seguintes requisitos essenciais: I - a denominação "Cédula de Crédito Bancário"; II - a promessa do emitente de pagar a dívida em dinheiro, certa, líquida e exigível no seu vencimento ou, no caso de dívida oriunda de contrato de abertura de crédito bancário, a promessa do emitente de pagar a dívida em dinheiro, certa, líquida e exigível, correspondente ao crédito utilizado; III - a data e o lugar do pagamento da dívida e, no caso de pagamento parcelado, as datas e os valores de cada prestação, ou os critérios para essa determinação; IV - o nome da instituição credora, podendo conter cláusula à ordem; V - a data e o lugar de sua emissão; e VI - a assinatura do emitente e, se for o caso, do terceiro garantidor da obrigação, ou de seus respectivos mandatários. Esses são os requisitos básicos de uma cédula de crédito bancário. Art. 29. § 1o A Cédula de Crédito Bancário será transferível mediante endosso em preto, ao qual se aplicarão, no que couberem, as normas do direito cambiário, caso em que o endossatário, mesmo não sendo instituição financeira ou entidade a ela equiparada, poderá exercer todos os direitos por ela conferidos, inclusive cobrar os juros e demais encargos na forma pactuada na Cédula. Aqui, muito importante, a cédula somente pode ser transferida por endosso em preto, que indica expressamente o nome do beneficiário (vejam, a legislação não fala do endosso em branco). Não necessariamente o endosso será feito a instituição financeira. Art. 29. § 2o A Cédula de Crédito Bancário será emitida por escrito, em tantas vias quantas forem as partes que nela intervierem, assinadas pelo emitente e pelo terceiro garantidor, se houver, ou por seus respectivos mandatários, devendo cada parte receber uma via. § 3o Somente a via do credor será negociável, devendo constar nas demais vias a expressão "não negociável". Portanto, a via do credor é negociável, já que poderá endossa-la. As demais devem ter a expressão "não negociável". RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 57 de 98 Art. 29. § 4o A Cédula de Crédito Bancário pode ser aditada, retificada e ratificada mediante documento escrito, datado, com os requisitos previstos no caput, passando esse documento a integrar a Cédula para todos os fins. Art. 30. A constituição de garantia da obrigação representada pela Cédula de Crédito Bancário é disciplinada por esta Lei, sendo aplicáveis as disposições da legislação comum ou especial que não forem com ela conflitantes. Art. 31. A garantia da Cédula de Crédito Bancário poderá ser fidejussória ou real, neste último caso constituída por bem patrimonial de qualquer espécie, disponível e alienável, móvel ou imóvel, material ou imaterial, presente ou futuro, fungível ou infungível, consumível ou não, cuja titularidade pertença ao próprio emitente ou a terceiro garantidor da obrigação principal. Art. 32. A constituição da garantia poderá ser feita na própria Cédula de Crédito Bancário ou em documento separado, neste caso fazendo-se, na Cédula, menção a tal circunstância. Atenção! A garantia pode ser na própria CCB ou em documento separado! Art. 33. O bem constitutivo da garantia deverá ser descrito e individualizado de modo que permita sua fácil identificação. Parágrafo único. A descrição e individualização do bem constitutivo da garantia poderá ser substituída pela remissão a documento ou certidão expedida por entidade competente, que integrará a Cédula de Crédito Bancário para todos os fins. Art. 34. A garantia da obrigação abrangerá, além do bem principal constitutivo da garantia, todos os seus acessórios, benfeitorias de qualquer espécie, valorizações a qualquer título, frutos e qualquer bem vinculado ao bem principal por acessão física, intelectual, industrial ou natural. § 1o O credor poderá averbar, no órgão competente para o registro do bem constitutivo da garantia, a existência de qualquer outro bem por ela abrangido. § 2o Até a efetiva liquidação da obrigação garantida, os bens abrangidos pela garantia não poderão, sem prévia autorização escrita do credor, ser alterados, retirados, deslocados ou destruídos, nem poderão ter sua destinação modificada, exceto quando a garantia for constituída por semoventes ou por veículos, automotores ou não, e a remoção ou o deslocamento desses bens for inerente à atividade do emitente da Cédula de Crédito Bancário, ou do terceiro prestador da garantia. Art. 35. Os bens constitutivos de garantia pignoratícia ou objeto de alienação fiduciária poderão, a critério do credor, permanecer sob a posse direta do emitente ou do terceiro prestador da garantia, nos termos da cláusula de constituto possessório, caso em que as partes deverão especificar o local em RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 58 de 98 que o bem será guardado e conservado até a efetiva liquidação da obrigação garantida. § 1o O emitente e, se for o caso, o terceiro prestador da garantia responderão solidariamente pela guarda e conservação do bem constitutivo da garantia. § 2o Quando a garantia for prestada por pessoa jurídica, esta indicará representantes para responder nos termos do § 1o. Art. 36. O credor poderá exigir que o bem constitutivo da garantia seja coberto por seguro até a efetiva liquidação da obrigação garantida, em que o credor será indicado como exclusivo beneficiário da apólice securitária e estará autorizado a receber a indenização para liquidar ou amortizar a obrigação garantida. Art. 37. Se o bem constitutivo da garantia for desapropriado, ou se for danificado ou perecer por fato imputável a terceiro, o credor sub-rogar-se-á no direitoà indenização devida pelo expropriante ou pelo terceiro causador do dano, até o montante necessário para liquidar ou amortizar a obrigação garantida. Art. 38. Nos casos previstos nos arts. 36 e 37 desta Lei, facultar-se-á ao credor exigir a substituição da garantia, ou o seu reforço, renunciando ao direito à percepção do valor relativo à indenização. Art. 39. O credor poderá exigir a substituição ou o reforço da garantia, em caso de perda, deterioração ou diminuição de seu valor. Parágrafo único. O credor notificará por escrito o emitente e, se for o caso, o terceiro garantidor, para que substituam ou reforcem a garantia no prazo de quinze dias, sob pena de vencimento antecipado da dívida garantida. Art. 40. Nas operações de crédito rotativo, o limite de crédito concedido será recomposto, automaticamente e durante o prazo de vigência da Cédula de Crédito Bancário, sempre que o devedor, não estando em mora ou inadimplente, amortizar ou liquidar a dívida. Portanto, por exemplo, numa operação de abertura de crédito, o banco deverá recompor o limite de modo automático, na vigência da cédula, quando o devedor amortizar ou liquidar a dívida! Art. 41. A Cédula de Crédito Bancário poderá ser protestada por indicação, desde que o credor apresente declaração de posse da sua única via negociável, inclusive no caso de protesto parcial. Assim, o protesto é, em regra, instrumento necessário para cobrar a dívida do endossante e seus avalistas. Todavia, a própria lei dispensa o protesto para RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 59 de 98 cobrar dos endossantes e seus avalistas (art. 44). Então, o protesto servirá para formalizar a dívida. Se, por algum motivo, o credor não tiver de posse das vias assinadas, poderá fazê-lo por indicação, com a sua via, comprovando que houve a operação, mas que o devedor não cooperou para a operação se completar. Art. 42. A validade e eficácia da Cédula de Crédito Bancário não dependem de registro, mas as garantias reais, por ela constituídas, ficam sujeitas, para valer contra terceiros, aos registros ou averbações previstos na legislação aplicável, com as alterações introduzidas por esta Lei. Com efeito, para que uma CCB tenha efeito, não é necessário o registro. Regra, todavia, que não é válida para as suas garantias, as quais devem obedecer à legislação aplicável. Art. 43. As instituições financeiras, nas condições estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional, podem emitir título representativo das Cédulas de Crédito Bancário por elas mantidas em depósito, do qual constarão: I - o local e a data da emissão; II - o nome e a qualificação do depositante das Cédulas de Crédito Bancário; III - a denominação "Certificado de Cédulas de Crédito Bancário"; IV - a especificação das cédulas depositadas, o nome dos seus emitentes e o valor, o lugar e a data do pagamento do crédito por elas incorporado; V - o nome da instituição emitente; VI - a declaração de que a instituição financeira, na qualidade e com as responsabilidades de depositária e mandatária do titular do certificado, promoverá a cobrança das Cédulas de Crédito Bancário, e de que as cédulas depositadas, assim como o produto da cobrança do seu principal e encargos, somente serão entregues ao titular do certificado, contra apresentação deste; VII - o lugar da entrega do objeto do depósito; e VIII - a remuneração devida à instituição financeira pelo depósito das cédulas objeto da emissão do certificado, se convencionada. § 1o A instituição financeira responde pela origem e autenticidade das Cédulas de Crédito Bancário depositadas. § 2o Emitido o certificado, as Cédulas de Crédito Bancário e as importâncias recebidas pela instituição financeira a título de pagamento do principal e de encargos não poderão ser objeto de penhora, arresto, seqüestro, busca e apreensão, ou qualquer outro embaraço que impeça a sua entrega ao titular do certificado, mas este poderá ser objeto de penhora, ou de qualquer medida cautelar por obrigação do seu titular. § 3o O certificado poderá ser emitido sob a forma escritural, sendo regido, no que for aplicável, pelo contido nos arts. 34 e 35 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976. § 4o O certificado poderá ser transferido mediante endosso ou termo de transferência, se escritural, devendo, em qualquer caso, a transferência ser RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 60 de 98 datada e assinada pelo seu titular ou mandatário com poderes especiais e averbada junto à instituição financeira emitente, no prazo máximo de dois dias. § 5o As despesas e os encargos decorrentes da transferência e averbação do certificado serão suportados pelo endossatário ou cessionário, salvo convenção em contrário. Portanto, existe o que chamamos de possibiliade de emissão da CCCB, que são os certificados da cédula de crédito bancário. É um título que é emitido, sob a forma cartular ou escritural e negociado no mercado. O banco tem uma série de cédula de créditos bancários, e pactuará a negociação desses títulos, emitindo, para tanto, uma CCB. Art. 44. Aplica-se às Cédulas de Crédito Bancário, no que não contrariar o disposto nesta Lei, a legislação cambial, dispensado o protesto para garantir o direito de cobrança contra endossantes, seus avalistas e terceiros garantidores. Art. 45. Os títulos de crédito e direitos creditórios, representados sob a forma escritural ou física, que tenham sido objeto de desconto, poderão ser admitidos a redesconto junto ao Banco Central do Brasil, observando-se as normas e instruções baixadas pelo Conselho Monetário Nacional. § 1o Os títulos de crédito e os direitos creditórios de que trata o caput considerar-se-ão transferidos, para fins de redesconto, à propriedade do Banco Central do Brasil, desde que inscritos em termo de tradição eletrônico constante do Sistema de Informações do Banco Central - SISBACEN, ou, ainda, no termo de tradição previsto no § 1o do art. 5o do Decreto no 21.499, de 9 de junho de 1932, com a redação dada pelo art. 1o do Decreto no 21.928, de 10 de outubro de 1932. § 2o Entendem-se inscritos nos termos de tradição referidos no § 1o os títulos de crédito e direitos creditórios neles relacionados e descritos, observando-se os requisitos, os critérios e as formas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional. § 3o A inscrição produzirá os mesmos efeitos jurídicos do endosso, somente se aperfeiçoando com o recebimento, pela instituição financeira proponente do redesconto, de mensagem de aceitação do Banco Central do Brasil, ou, não sendo eletrônico o termo de tradição, após a assinatura das partes. § 4o Os títulos de crédito e documentos representativos de direitos creditórios, inscritos nos termos de tradição, poderão, a critério do Banco Central do Brasil, permanecer na posse direta da instituição financeira beneficiária do redesconto, que os guardará e conservará em depósito, devendo proceder, como comissária del credere, à sua cobrança judicial ou extrajudicial. 15 LETRA DE CRÉDITO IMOBILIÁRIO Vamos falar um pouco sobre a letra de crédito imobiliário, as chamadas LCIs, títulos de crédito muito utilizados nos dias de hoje. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 61 de 98 Art. 12. Os bancos comerciais, os bancos múltiplos com carteira de crédito imobiliário, a Caixa Econômica Federal, associedades de crédito imobiliário, as associações de poupança e empréstimo, as companhias hipotecárias e demais espécies de instituições que, para as operações a que se refere este artigo, venham a ser expressamente autorizadas pelo Banco Central do Brasil, poderão emitir, independentemente de tradição efetiva, Letra de Crédito Imobiliário - LCI, lastreada por créditos imobiliários garantidos por hipoteca ou por alienação fiduciária de coisa imóvel, conferindo aos seus tomadores direito de crédito pelo valor nominal, juros e, se for o caso, atualização monetária nelas estipulados. A primeira coisa que temos de ressaltar é que a letra de crédito imobiliário representa a chamada LCI, que vemos em nossos bancos como opção de investimentos. A LCI é um investimento do tipo "conservador" e tem sua regulamentação na Lei 10.931/2004. Portanto, a LCI pode ser emitida por instituições financeiras em geral, autorizadas pelo Banco Central. A LCI é lastreada por créditos imobiliários garantidos por hipoteca ou por alienação fiduciária de coisa imóvel. Assim, você investe nesse título de crédito e ele fomentará o mercado imobiliário. Os imóveis devem ser garantidos por hipoteca ou mesmo alienação fiduciária, como forma de dar maior proteção ao crédito. Quem toma o crédito tem direito a receber juros e atualização (sendo o caso). O funcionamento é basicamente o posto acima. Art. 12. § 1o A LCI será emitida sob a forma nominativa, podendo ser transferível mediante endosso em preto, e conterá: I - o nome da instituição emitente e as assinaturas de seus representantes; II - o número de ordem, o local e a data de emissão; III - a denominação "Letra de Crédito Imobiliário"; IV - o valor nominal e a data de vencimento; V - a forma, a periodicidade e o local de pagamento do principal, dos juros e, se for o caso, da atualização monetária; RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 62 de 98 VI - os juros, fixos ou flutuantes, que poderão ser renegociáveis, a critério das partes; VII - a identificação dos créditos caucionados e seu valor; VIII - o nome do titular; e IX - cláusula à ordem, se endossável. A LCI deve ser nominativa, isto é, será expedida em nome de determinada pessoa, cujo nome está no registro do emitente. A LCI também pode ser escritural. O que são títulos escriturais? São aqueles cuja transferência não depende da existência do título. A transferência é feito em um livro ou em sistema compenetre. A transferência se dá simplesmente por meio de ordem. Não existe a necessidade de se estar com o título em mãos (forma cartular). No caso da LCI, se ela for escritural, deverá estar registrada em sistema do BACEN. Art. 12. § 2o A critério do credor, poderá ser dispensada a emissão de certificado, devendo a LCI sob a forma escritural ser registrada em sistemas de registro e liquidação financeira de títulos privados autorizados pelo Banco Central do Brasil. Ademais, tal qual a CCB, somente poderá ser objeto de endosso em preto. Art. 13. A LCI poderá ser atualizada mensalmente por índice de preços, desde que emitida com prazo mínimo de trinta e seis meses. Parágrafo único. É vedado o pagamento dos valores relativos à atualização monetária apropriados desde a emissão, quando ocorrer o resgate antecipado, total ou parcial, em prazo inferior ao estabelecido neste artigo, da LCI emitida com previsão de atualização mensal por índice de preços. Portanto, a CDI pode prever ao seu comprador que será atualizada pelo índice de preços (que deve ser o IPCA), todavia, o comum no mercado é que seja ela atrelada à CDI (certificado de depósito interbancário). Entretanto, somente poderá a LCI ser vinculada ao índice de preços se tiver prazo maior ou igual a 36 meses. Art. 14. A LCI poderá contar com garantia fidejussória adicional de instituição financeira. Aqui, o que se quer dizer é que a LCI pode contar com uma garantia pessoal, de outra instituição financeira, que não seja a emitente do título. Essa é uma garantia adicional, já que o próprio título já é garantido pelos imóveis hipotecados ou em alienação fiduciária. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 63 de 98 Art. 15. A LCI poderá ser garantida por um ou mais créditos imobiliários, mas a soma do principal das LCI emitidas não poderá exceder o valor total dos créditos imobiliários em poder da instituição emitente. O banco tem créditos imobiliários a receber. Esses créditos garantem a emissão da LCI. Todavia, o total de LCI emitidas não pode superar o total de créditos imobiliários existentes. Art. 15. § 1o A LCI não poderá ter prazo de vencimento superior ao prazo de quaisquer dos créditos imobiliários que lhe servem de lastro. § 2o O crédito imobiliário caucionado poderá ser substituído por outro crédito da mesma natureza por iniciativa do emitente da LCI, nos casos de liquidação ou vencimento antecipados do crédito, ou por solicitação justificada do credor da letra. Art. 16. O endossante da LCI responderá pela veracidade do título, mas contra ele não será admitido direito de cobrança regressiva. Aqui, outra disposição importante para provas. A lei 10.931 exclui a responsabilidade do endossante no cumprimento da obrigação. A responsabilidade se dá somente pela veracidade do título. Art. 17. O Conselho Monetário Nacional poderá estabelecer o prazo mínimo e outras condições para emissão e resgate de LCI, observado o disposto no art. 13 desta Lei, podendo inclusive diferenciar tais condições de acordo com o tipo de indexador adotado contratualmente. (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) 16 CÉDULA DE CRÉDITO IMOBILIÁRIO A cédula de crédito imobiliário é título de crédito também previsto na Lei 10.931/2004. Vamos estudar? Art. 18. É instituída a Cédula de Crédito Imobiliário - CCI para representar créditos imobiliários. Portanto, já estudamos a CCB, que é a cédula de crédito bancário, e tem origem em crédito bancário. Agora, veremos a CCI, a cédula de crédito imobiliário, que tem origem em crédito imobiliário concedido a alguém. Quem emite o título é o credor! A sua vantagem em detrimento do contrato de financiamento é a possibilidade de negociação no mercado, independentemente de anuência do devedor. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 64 de 98 Art. 18. § 1o A CCI será emitida pelo credor do crédito imobiliário e poderá ser integral, quando representar a totalidade do crédito, ou fracionária, quando representar parte dele, não podendo a soma das CCI fracionárias emitidas em relação a cada crédito exceder o valor total do crédito que elas representam. Portanto, a CCI pode ser integral ou parcial. Se for parcial, não poderá a soma das CCI ser maior que o crédito que elas representam. Se eu preciso de um crédito imobiliário de R$ 100.000,00, não posso ter 10 CCI de R$ 11.000,00, pois ultrapassou o total do crédito imobiliário. Art. 18. § 2o As CCI fracionárias poderão ser emitidas simultaneamente ou não, a qualquer momento antes do vencimento do crédito que elas representam. Portanto, determinada pessoa precisa de um crédito imobiliário de R$ 200.000,00, num período de 3 anos. Ficou acordado que seriam emitidas 5 CCI fracionárias. Se estivermos em 01.01.2015, as CCI podem ser emitidas a qualquer momento antes de 01.01.2018. Art. 18.§ 3o A CCI poderá ser emitida com ou sem garantia, real ou fidejussória, sob a forma escritural ou cartular. Assim como a CCB e a LCI, a CCI pode ser escritural (em sistema de registro) ou cartular (em papel). Alguns outros artigos da legislação que podem ser objeto de cobraça. Art. 18. § 4o A emissão da CCI sob a forma escritural far-se-á mediante escritura pública ou instrumento particular, devendo esse instrumento permanecer custodiado em instituição financeira e registrado em sistemas de registro e liquidação financeira de títulos privados autorizados pelo Banco Central do Brasil. § 5o Sendo o crédito imobiliário garantido por direito real, a emissão da CCI será averbada no Registro de Imóveis da situação do imóvel, na respectiva matrícula, devendo dela constar, exclusivamente, o número, a série e a instituição custodiante. Art. 19. A CCI deverá conter: I - a denominação "Cédula de Crédito Imobiliário", quando emitida cartularmente; II - o nome, a qualificação e o endereço do credor e do devedor e, no caso de emissão escritural, também o do custodiante; III - a identificação do imóvel objeto do crédito imobiliário, com a indicação da respectiva matrícula no Registro de Imóveis competente e do registro da constituição da garantia, se for o caso; RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 65 de 98 IV - a modalidade da garantia, se for o caso; V - o número e a série da cédula; VI - o valor do crédito que representa; VII - a condição de integral ou fracionária e, nessa última hipótese, também a indicação da fração que representa; VIII - o prazo, a data de vencimento, o valor da prestação total, nela incluídas as parcelas de amortização e juros, as taxas, seguros e demais encargos contratuais de responsabilidade do devedor, a forma de reajuste e o valor das multas previstas contratualmente, com a indicação do local de pagamento; IX - o local e a data da emissão; X - a assinatura do credor, quando emitida cartularmente; XI - a autenticação pelo Oficial do Registro de Imóveis competente, no caso de contar com garantia real; e XII - cláusula à ordem, se endossável. Art. 20. A CCI é título executivo extrajudicial, exigível pelo valor apurado de acordo com as cláusulas e condições pactuadas no contrato que lhe deu origem. Parágrafo único. O crédito representado pela CCI será exigível mediante ação de execução, ressalvadas as hipóteses em que a lei determine procedimento especial, judicial ou extrajudicial para satisfação do crédito e realização da garantia. Art. 21. A emissão e a negociação de CCI independe de autorização do devedor do crédito imobiliário que ela representa. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 66 de 98 17 QUESTÕES COMENTADAS 18 QUESTÕES COMENTADAS 18.1 CONCEITOS GERAIS E PRINCÍPIOS 1) (CESPE/Juiz Estadual/TJ PI/2014) De acordo com o Código Civil, o título de crédito, documento necessário ao exercício do direito literal e autônomo nele contido, somente produz efeito quando preenchidos os requisitos legais. Com base nessa informação e na teoria geral dos títulos de crédito, assinale a opção correta. a) De acordo com a teoria da emissão, embasada nos estudos de Kuntze, os títulos de crédito representam obrigações abstratas, porquanto a causa não é essencial à formação do título. b) Reputam-se abstratos ou perfeitos os chamados títulos representativos, cuja circulação importa a transferência da mercadoria a que se referem, como o conhecimento de transporte ferroviário ou marítimo e a duplicata. c) Consoante o princípio da autonomia, o título de crédito desvincula-se do negócio jurídico que lhe deu origem, ou seja, questões relativas a esse negócio jurídico subjacente não afetam o cumprimento da obrigação do título. d) Enquanto estiver em circulação, só o título de crédito poderá ser dado em garantia, ou ser objeto de medidas judiciais, e não separadamente os direitos ou mercadorias que ele represente. e) O conceito mais clássico de título de crédito, praticamente reproduzido no artigo 887 do Código Civil, foi elaborado por Tullio Ascarelli. Comentários Comentemos item a item... a) De acordo com a teoria da emissão, embasada nos estudos de Kuntze, os títulos de crédito representam obrigações abstratas, porquanto a causa não é essencial à formação do título. Existem várias teorias que estudam o momento em que surge um título de crédito. Teoria da criação: Segundo esta teoria, adotada por Einert/Kuntze, a partir do momento em que o título de crédito é assinado, passa a existir obrigação. Fica dispensado até mesmo o acordo de vontade, sendo os títulos de crédito tratados como uma espécie de testamento. Teoria da emissão: Segundo essa teoria o ato de assinar não traz obrigação alguma. O título de crédito é criado apenas com o “abandono voluntário”, ou seja, a tradição. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 67 de 98 O direito empresarial brasileiro não adotou expressamente qualquer destas teorias. Na verdade, ambas as teorias são utilizadas no Código Civil. A questão erra ao dizer que Kuntze adotou a teoria da emissão. b) Reputam-se abstratos ou perfeitos os chamados títulos representativos, cuja circulação importa a transferência da mercadoria a que se referem, como o conhecimento de transporte ferroviário ou marítimo e a duplicata. Títulos representativos (não estão expressamente cobrados no edital) são os que não exprimem necessariamente uma operação de crédito. Possuem eles finalidade diversa, visando a representar as mercadorias ou bens fundamentam a sua existência. São exemplos: conhecimento de depósito, conhecimento de transporte e warrant. A duplicata não é título representativo. Item incorreto. c) Consoante o princípio da autonomia, o título de crédito desvincula-se do negócio jurídico que lhe deu origem, ou seja, questões relativas a esse negócio jurídico subjacente não afetam o cumprimento da obrigação do título. Como dissemos, quanto ao princípio da autonomia, quando se diz que os títulos de créditos são autônomos, tal autonomia não se refere à relação de débito e crédito que lhe deu origem, e sim ao relacionamento entre o devedor e terceiros. Há uma independência dos diversos e sucessivos possuidores dos títulos de crédito em relação a cada um dos outros. Item incorreto. d) Enquanto estiver em circulação, só o título de crédito poderá ser dado em garantia, ou ser objeto de medidas judiciais, e não separadamente os direitos ou mercadorias que ele represente. O item está correto. Não pode uma pessoa, em regra, por exemplo, alegar que deixará de pagar um cheque recebido em endosso por conta de um vício existente nas mercadorias negociadas quando da emissão do título. Não pode uma pessoa que recebeu um título de crédito negociá-lo à conta das mercadorias ou direitos que representavam inicialmente este título. e) O conceito mais clássico de título de crédito, praticamente reproduzido no artigo 887 do Código Civil, foi elaborado por Tullio Ascarelli. O mundo hoje é vive eminentemente do crédito, do consumo. Não mais consegue andar a sociedade sem que as pessoas (físicas ou jurídicas) se utilizem, com toda a voracidade, de operações mercantis. O crescente desuso RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentadosdocumento necessário ao exercício do direito literal e autônomo nele contido, somente produz efeito quando preencha os requisitos da lei. Portanto, o conceito mais recorrentemente cobrado em provas é o seguinte: Título de crédito é o documento necessário para o exercício do direito, literal e autônomo, nele mencionado (Cesare Vivante). Segundo Fábio Ulhoa, os títulos de crédito são documentos representativos de obrigações pecuniárias. Não se confundem com a própria obrigação, mas se distinguem dela na medida em que a representam. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 3 de 98 Assim, deste conceito, devemos destacar: - O título é um documento. - O título é literal, isto é, os valores exigidos só podem ser aqueles ali, expressamente firmados. - O título é autônomo, isto é, se desvincula da relação que lhe deu origem. 3 ALGUMAS CARACTERÍSTICAS INERENTES AOS TÍTULOS DE CRÉDITOS Diversas são as características que podem ser atribuídas aos títulos de crédito. Listemos algumas: - Agilidade ou celeridade: por ser título de formalidade mais simples, se comparado a outros instrumentos de dívida, e, também, por ser um título executivo, de fácil cobrança. - Liquidez da obrigação: a obrigação é conhecida, determinada. - Caráter quesível da obrigação: os títulos de crédito, em regra, são quesíveis, isto é, deve o credor buscar a satisfação no domicílio do devedor. - Caráter pro solvendo: o título de crédito, de modo geral, tem característica pro solvendo. E o que é isso? Significa que, em regra, a simples tradição, ou entrega do título, não necessariamente implica o pagamento, pois há uma dilação do prazo para pagamento. Os títulos pro solutos são aqueles que devem ser quitados quando houver a entrega do título. Isso foi cobrado na prova de Procurador da Fazenda Nacional, pela ESAF, em 2015, com a seguinte assertiva (item incorreto): (ESAF/Procurador da Fazenda Nacional/2015) Os títulos de crédito são documentos representativos de obrigações pecuniárias ふ de origem cambial ou extracambial ふ e, como regra, têm natureza “pro soluto”. 4 PRINCÍPIOS DOS TÍTULOS DE CRÉDITO Três são os princípios que se relacionam aos títulos de crédito. Os principais consagrados em nosso direito pátrio são: PRINCÍPIOS DO REGIME CAMBIAL 1) Literalidade Só vale no título o que tiver nele escrito. 2) Cartularidade O exercício do direito ao crédito só vale se o seu beneficiário apresentar o documento (proíbe-se cópias). RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 4 de 98 3) Autonomia As obrigações são autonomas, umas em relação as outras. 4.1 LITERALIDADE Por este princípio, só vale no título o que estiver nele escrito. Sendo o título de crédito um documento, somente aquilo que nele estiver circunstanciado valerá como obrigação, sua data, valor, titular, entre outros dados. Se João é beneficiário de um cheque emitido por Maria no valor de R$ 10.000,00, não poderá alegar que o valor correto a lhe ser pago pela instituição financeira seria de R$ 15.000,00, pois, pelo princípio da literalidade, só vale no cheque o que estiver nele contido. A FCC, em 2015, cobrou este item, com a seguinte questão: (FCC/Julgador Administrativo Tributário/SEFAZ/PE/2015) Nos títulos de crédito, ensina-se que o devedor não é obrigado a mais, nem o credor pode querer outros direitos, que não aqueles declarados só expressamente no título. Esta lição refere-se aos efeitos da: a) literalidade. b) autonomia. c) abstração. d) incorporação. e) causalidade. O gabarito é a letra a. 4.2 CARTULARIDADE Pelo princípio da cartularidade, o direito à cobrança somente pode ser exercido mediante a apresentação do título. Ainda, no mesmo exemplo citado acima, imagine-se que o cheque não foi pago, por insuficiência de fundos. Todavia, João perdeu o documento. Porém, astuto RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 5 de 98 que é, providenciou a fotocópia do título. Poderá promover a cobrança com a apresentação de cópia? Não! Pois, segundo o princípio da cartularidade, deve-se apresentar o documento para se exercer o direito. Doutrina vem apontando o princípio da cartularidade como um daqueles que vem sofrendo ligeira relativização, dada a crescente utilização de títulos eletrônicos. De todo o modo, o que há, na verdade, é a substituição de títulos “manuais” pelos eletrônicos Mas, veja, ele ainda é válido! 4.3 AUTONOMIA Quanto ao princípio da autonomia, quando se diz que os títulos de créditos são autônomos, tal autonomia não se refere à relação de débito e crédito que lhe deu origem, e sim ao relacionamento entre o devedor e terceiros. Há uma independência dos diversos e sucessivos possuidores dos títulos de crédito em relação a cada um dos outros. Cite-se um exemplo. Se X emite uma nota promissória a favor de Y, que a transfere a Z, por meio de endosso. Z será seu legítimo beneficiário, podendo receber o valor na data do vencimento. Não poderá X, no vencimento do título, alegar contra Z que não a paga por ser Y seu devedor de igual ou superior soma, pois, uma vez sendo os títulos cambiários autônomos, o possuidor de boa fé exercita um direito próprio, que não pode ser restringido ou desconfigurado em virtude das relações existentes entre os anteriores possuidores e o devedor. Cada obrigação que deriva do título é autônoma em relação às demais. X emite NP a favor de Y Y endossa essa NP a Z Z é o novo beneficiário Z vai cobrar de X. X não pode alegar problemas com Y, com a finalidade de não pagar Z. O princípio da autonomia, por seu turno, se desdobra em dois: SUBPRINCÍPIOS DERIVADOS DO PRINCÍPIO DA AUTONOMIA RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 6 de 98 1) Abstração: qualquer título de crédito colocado em circulação se desvincula da relação originária que lhe deu causa. 2) Inoponibilidade das exceções pessoais aos terceiros de boa-fé: uma vez que as relações cambiais são autônomas entre si, não pode o devedor original do título alegar em juízo as exceções (defesas) pessoais que possui contra o credor original, opondo-as ao portador de boa-fé. Veja bem, a inoponibilidade das exceções pessoais tem uma faceta processual. Vejamos uma questão bem sutil do CESPE, explorada no ano de 2015 para que possamos entender: (CESPE/Defensor Público/PE/2015) A sociedade empresária X firmou contrato com a sociedade empresária Y, para que Y lhe prestasse determinado serviço, tendo Y recebido como título de crédito uma nota promissória, sem indicação expressa da sua vinculação ao citado contrato. Com referência a essa situação hipotética, julgue o item seguinte. Caso o contrato não seja cumprido e a sociedade Y ponha a nota promissória em circulação, o devedor não poderá opor-se ao pagamento a terceiro que apresente o referido título de crédito, em face da autonomia da cártula e da inoponibilidade das exceções ao terceiro de boa-fé. Comentários: A incorreção da questão está em afirmar que ele não poderá opor ao pagamento em face da autonomia e da inoponibilidade das exceções. Na verdade, é em homenagem à abstração.Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 68 de 98 da moeda em papel, manual, torna muito mais célere a mobilização da riqueza, exigindo-se, para isso, documentos representativos. Mas o crédito pode ser apresentado de várias maneiras, seja contratual, seja por título, escritura. Contudo, o título de crédito, dentre todos os modos, é o que propicia maiores vantagens em sua emissão, dada a simplicidade, baixo custo e facilidade de cobrança. Mas o que vem a ser o título de crédito?! O conceito, emanado por Cesare Vivante, é o que melhor responde a pergunta. Tanto que o Código Civil encampou sua doutrina para narrar: Art. 887. O título de crédito, documento necessário ao exercício do direito literal e autônomo nele contido, somente produz efeito quando preencha os requisitos da lei. Portanto, o conceito mais recorrentemente cobrado em provas é o seguinte: título de crédito é o documento necessário para o exercício do direito, literal e autônomo, nele mencionado (Cesare Vivante). Gabarito D. 2) (CESPE/Analista Processual/TJ/RO/2012) A afirmação de que só quem exibe o título pode pretender a satisfação da obrigação nele representada corresponde ao princípio da a) autonomia. b) pessoalidade. c) literalidade. d) representação. e) cartularidade. Comentários Pelo princípio da cartularidade, o direito à cobrança somente pode ser exercido mediante a apresentação do título. Gabarito E. 3) (CESPE/Defensor Público/DPE/ES/2012) O cosmopolitismo, uma das principais características do direito empresarial, deu origem a usos e costumes comuns a todos os comerciantes, independentemente de sua RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 69 de 98 nacionalidade, a exemplo da criação, pela Convenção de Genebra, de uma lei uniforme para a letra de câmbio e a nota promissória. Comentários O cosmopolitismo diz respeito nada mais aos aspectos transcendentais de uma norma. A aplicação além de um território nacional. Tal característica se faz totalmente necessária no direito empresarial, já que, com a globalização, os costumes mercantis precisam estar em total sintonia. Com tal escopo, a Convenção de Genebra aprovou a Lei Uniforme de Genebra, que trata da letra de câmbio e da nota promissória. Gabarito Correto. 4) (CESPE/Consultor Legislativo/Senado Federal/2002) Se Renato emitir determinado cheque em favor de André, e este o endossar em favor de Aldo, sustando-o em seguida, caso o título não seja pago, em decorrência do princípio da literalidade, Renato não poderá, em regra, opor contra Aldo a causa que o levou a sustar o pagamento do cheque. Comentários: O princípio em comento é o subprincípio da inoponibilidade das exceções pessoais aos terceiros de boa-fé e não o da literalidade. O princípio da literalidade diz que só vale no título o que tiver nele escrito. Gabarito Errado. 5) (CESPE/Juiz Substituto TJ PI/2007) A cartularidade é o princípio de direito cambiário que determina que apenas têm eficácia para a relação jurídico cambial os atos jurídicos instrumentalizados pela própria cártula a que se referem. Comentários A questão, com palavras mais rebuscadas, está perguntando qual o princípio que salienta que só vale no documento o que estiver nele escrito. É o da cartularidade? Não, amigos. É o da literalidade. Portanto, o item está incorreto. O princípio da cartularidade define que o exercício do direito ao crédito só vale se o seu beneficiário apresentar o documento (proíbe-se cópias). Gabarito Errado. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 70 de 98 6) (CESPE/Analista de Controle Externo/TCE AC/2009) Com relação à disciplina dos títulos de crédito inserta no Código Civil, assinale a opção correta. a) As normas relativas aos títulos de crédito são gerais em relação às normas das leis que disciplinam cada espécie de título de crédito, razão pela qual, se houver incompatibilidade entre as normas do Código Civil e aquelas das leis especiais, aplicam-se as normas do Código Civil. b) Independentemente de cláusula expressa no título de crédito, o endossante responde perante o endossatário pelo cumprimento da obrigação constante no título. c) Na aquisição de título de crédito à ordem, por meio diverso do endosso, não se aplicam as regras da cessão civil de crédito. d) Na disciplina dos títulos à ordem, o endossatário, para ser considerado titular do crédito, além do ônus de provar a regularidade da cadeia de endossos, deve, ainda, fazer prova da autenticidade das assinaturas dos endossantes. e) Com a circulação de título à ordem, não pode o devedor do título de crédito opor contra o seu atual e legítimo portador exceções baseadas no negócio jurídico que lhe deu causa, a menos que o portador tenha agido com dolo na aquisição do título. Comentários Comecemos pela letra b. b) Independentemente de cláusula expressa no título de crédito, o endossante responde perante o endossatário pelo cumprimento da obrigação constante no título. Já vimos que sua resposta se encontra no artigo 914 do Código Civil. Art. 914. Ressalvada cláusula expressa em contrário, constante do endosso, não responde o endossante pelo cumprimento da prestação constante do título. Essa é a regra geral, que pode, todavia, ser ressalvada por disposição especial, como de fato o fazem as leis específicas. Item incorreto. Passemos à alternativa a. a) As normas relativas aos títulos de crédito são gerais em relação às normas das leis que disciplinam cada espécie de título de crédito, razão pela qual, se houver incompatibilidade entre as normas do Código Civil e aquelas das leis especiais, aplicam-se as normas do Código Civil. A legislação aplicável aos títulos de crédito é esparsa. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 71 de 98 Para as letras de câmbio e notas promissórias aplicamos o Decreto 57.663/1966 (incorporou ao ordenamento jurídico a chamada Lei Uniforme de Genebra). Para o cheque, aplicamos a Lei 7.357/1985, também conhecida como Lei do Cheque. Subsidiariamente, o Decreto 57.595/1966, que incorporou ao ordenamento brasileiro a Lei Uniforme de Genebra sobre cheques. A duplicata é regida pela Lei da Duplicatas, a Lei 5.474/68, e, subsidiariamente, pela legislação referente à letra de câmbio (Lei 5.474/1968, art. 25). O Código Civil de 2002, por sua vez, trouxe normas gerais sobre títulos de crédito, constantes em seus artigos 887 a 926, regras que, no entanto, só se aplicam aos títulos que possuem lei própria de forma subsidiária. Art. 903. Salvo disposição diversa em lei especial, regem-se os títulos de crédito pelo disposto neste Código. O item a está incorreto. d) Na disciplina dos títulos à ordem, o endossatário, para ser considerado titular do crédito, além do ônus de provar a regularidade da cadeia de endossos, deve, ainda, fazer prova da autenticidade das assinaturas dos endossantes. A letra d também está incorreta (sempre há questões que constam com esta redação). Segundo o Código Civil... Art. 911. Considera-se legítimo possuidor o portador do título à ordem com série regular e ininterrupta de endossos, ainda que o último seja em branco.Parágrafo único. Aquele que paga o título está obrigado a verificar a regularidade da série de endossos, mas não a autenticidade das assinaturas. e) Com a circulação de título à ordem, não pode o devedor do título de crédito opor contra o seu atual e legítimo portador exceções baseadas no negócio jurídico que lhe deu causa, a menos que o portador tenha agido com dolo na aquisição do título. A letra e é o nosso gabarito. É o famoso princípio da inoponibilidade das exceções pessoais a terceiros de boa-fé. Art. 916. As exceções, fundadas em relação do devedor com os portadores precedentes, somente poderão ser por ele opostas ao portador, se este, ao adquirir o título, tiver agido de má-fé. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 72 de 98 c) Na aquisição de título de crédito à ordem, por meio diverso do endosso, não se aplicam as regras da cessão civil de crédito. A letra c está também incorreta. Art. 919. A aquisição de título à ordem, por meio diverso do endosso, tem efeito de cessão civil. Assim, se numa negociação for incluído um título de crédito à ordem, sem o respectivo endosso, ser-lhe-ão aplicadas as regras da cessão civil do crédito, perdendo-se algumas prerrogativas dos títulos de crédito comerciais. Vejamos a diferença entre um e outro instituto. Endosso Cessão civil do crédito É o ato pelo qual o credor de um título de crédito com a cláusula à ordem transmite os seus direitos à outra pessoa. É o ato pelo qual o credor de um título de crédito com a cláusula não à ordem transmite os seus direitos à outra pessoa. Quem transfere o título de crédito responde pela existência do título e também pelo seu pagamento. Quem transfere o título de crédito só responde pela existência do título, mas não responde pelo seu pagamento. O devedor não pode alegar contra o endossatário de boa-fé exceções pessoais. O devedor pode alegar contra o cessionário de boa-fé exceções pessoais. Gabarito E. 7) (CESPE/Procurador/PGE/BA/2014) As normas do Código Civil sobre títulos de crédito aplicam-se supletivamente em relação às letras de câmbio, notas promissórias, cheques e duplicatas. Comentários: Todos esses títulos de crédito possuem legislação especial, utilizando-se, porém, o Código Civil, de maneira supletiva. Gabarito Correto. 18.2 ENDOSSO E AVAL 8) (CESPE/Defensor Público/DPE/TO/2013) O avalista se obriga pelo avalizado, e sua responsabilidade subsiste ainda que nula a obrigação daquele a quem se equipara, mesmo que a nulidade decorra de vício de forma. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 73 de 98 Comentários Segundo o Código Civil: Art. 899. O avalista equipara-se àquele cujo nome indicar; na falta de indicação, ao emitente ou devedor final. § 1° Pagando o título, tem o avalista ação de regresso contra o seu avalizado e demais coobrigados anteriores. § 2º Subsiste a responsabilidade do avalista, ainda que nula a obrigação daquele a quem se equipara, a menos que a nulidade decorra de vício de forma. Gabarito Errado. 9) (CESPE/Juiz do Trabalho/TRT/5/2013) O Código Civil, ao tratar genericamente dos títulos de créditos, comina com a nulidade o endosso parcial. Comentários: Art. 912. Considera-se não escrita no endosso qualquer condição a que o subordine o endossante. Parágrafo único. É nulo o endosso parcial. Gabarito Correto. 10) (CESPE/Juiz do Trabalho/TRT/5ª/2013) O Código Civil, ao tratar genericamente dos títulos de créditos, permite a prestação de aval para garantia de pagamento de apenas parte do valor do título de crédito. Comentários O Código Civil veda o aval parcial. Art. 897 do Código Civil: O pagamento de título de crédito, que contenha obrigação de pagar soma determinada, pode ser garantido por aval. Parágrafo único. É vedado o aval parcial. Gabarito Errado. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 74 de 98 11) (CESPE/Delegado de Polícia Federal/2013) Com relação aos títulos de crédito, julgue o item abaixo. O devedor que, como forma de pagamento de um negócio celebrado, transfere ao credor, por simples tradição, títulos de crédito emitidos por terceiros, sem endossá-los, não possui responsabilidade solidária pelo pagamento da cártula. Comentários De acordo com o Código Civil: Art. 919. A aquisição de título à ordem, por meio diverso do endosso, tem efeito de cessão civil. Endosso Cessão civil do crédito É o ato pelo qual o credor de um título de crédito com a cláusula à ordem transmite os seus direitos à outra pessoa. É o ato pelo qual o credor de um título de crédito com a cláusula não à ordem transmite os seus direitos à outra pessoa. Quem transfere o título de crédito responde pela existência do título e também pelo seu pagamento. Quem transfere o título de crédito só responde pela existência do título, mas não responde pelo seu pagamento. O devedor não pode alegar contra o endossatário de boa-fé exceções pessoais. O devedor pode alegar contra o cessionário de boa-fé exceções pessoais. Portanto, o item está correto. Gabarito Correto. 12) (CESPE/Advogado Geral da União/2008) Para a validade do endosso dado no anverso do título de crédito, é suficiente a assinatura do endossante, imediatamente após a qual ocorre a transferência do referido título. Comentários. Amigos, esse é um pequeno detalhe trazido pelo Código Civil, mas que pode “pegar” muita gente boa, senão vejamos: Art. 910. O endosso deve ser lançado pelo endossante no verso ou anverso do próprio título. § 1o Pode o endossante designar o endossatário, e para validade do endosso, dado no verso do título, é suficiente a simples assinatura do endossante. Então, o endosso pode ser dado no verso ou anverso do título. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 75 de 98 Observem que o parágrafo primeiro trouxe que para a validade do endosso no verso é suficiente a simples assinatura do endossante. Ora, o parágrafo falou sobre o anverso? Não! Concluímos, em interpretação a contrario sensu, que a simples assinatura para endosso feito no anverso não é suficiente para a transferência do título. Devemos expressamente dizer que se trata de endosso, sob pena de ser reputado como aval (como já visto quando do estudo deste instituto). Art. 898. O aval deve ser dado no verso ou no anverso do próprio título. § 1o Para a validade do aval, dado no anverso do título, é suficiente a simples assinatura do avalista. Gabarito Errado. 13) (CESPE/OAB SP/2009) Assinale a opção em que é apresentada declaração cambial que transmite, de modo imediato, a propriedade do título de crédito. a) endosso-mandato b) endosso-penhor c) endosso puro e simples. d) mera assinatura do beneficiário ou tomador no anverso do título Comentários O endosso divide-se em próprio ou impróprio. O endosso próprio ou puro e simples transfere a propriedade imediata do título e torna o endossante responsável solidariamente (lembre-se: segundo o CC, apenas se contiver cláusula expressa, todavia, a legislação especial que rege os diversostítulos previu a responsabilidade solidária) pelo pagamento do crédito (Gabarito da questão). O endosso impróprio é o que não transfere a propriedade do título, permitindo apenas ao endossatário exercer direitos relativos à cártula. Da espécie endosso impróprio resultam as espécies endosso-mandato e endosso- caução. A FGV, no concurso para Procurador do TCM-RJ, 2008, explorou este assunto, com a seguinte sentença: O endosso impróprio transfere o exercício dos direitos inerentes à cambial. O item deve ser analisado com muita cautela. O endosso impróprio transfere, sim, os direitos inerente à cártula, exceto a transmissão da propriedade. Gabarito, portanto, correto. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 76 de 98 Endosso-mandato ou endosso procuração é aquele através do qual o endossatário atua em nome do endossante, não possuindo a posse sobre o título. Com a morte ou a superveniente incapacidade do endossante, não perde eficácia o endosso-mandato (CC, art. 917, §2º). Ademais, o título poderá ser novamente endossado, desde que nos mesmos poderes recebidos e, também, na qualidade de endosso-procuração. O endosso caução, endosso garantia ou endosso penhor é utilizado quando o endossante deposita ou dá o título, perante o endossatário como garantia de uma dívida. São inseridas as expressões: "Valor em garantia" e "Valor em penhor". O título endossado em garantia permanecerá com o endossatário até que haja a liquidação da dívida. Com o inadimplemento do endossante, o endossatário passará a ter a efetiva propriedade do título. Existe, ainda, o endosso após o vencimento do título, que é conhecido como endosso póstumo. Produzirá efeitos tal como tivesse sido feito antes do vencimento, salvo se feito após o protesto por falta de pagamento ou após a expiração do prazo para protestar. O gabarito da nossa questão é a letra c, portanto. A letra d está incorreta. Lembrem-se de que dissemos que a simples assinatura no anverso do título será considerada como aval. Gabarito C. 18.3 PROTESTO 14) (CESPE/Defensor Público/DPE/ES/2012) Em se tratando de protesto por falta de aceite, deverá este ser providenciado após o vencimento da obrigação e do decurso do prazo legal para aceite ou devolução. Comentários Conforme doutrina Fábio Ulhoa Coelho, o protesto por falta de aceite pode ser feito até o final do prazo para aceite ou no dia seguinte ao término do prazo para aceite, caso o título seja apresentado no último dia para aceite. Gabarito Errado. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 77 de 98 18.4 LETRA DE CÂMBIO 15) (CESPE/Analista do BACEN/Área 4/2013) No Brasil, a Convenção de Genebra para a regulação das letras de câmbio e notas promissórias, não foi adotada integralmente, haja vista que algumas regras contidas na Lei Uniforme, não são aplicáveis ao Brasil. Comentários Questão muito específica. Exige conhecimentos do Decreto 57.663/66, que incorporou a Convenção de Genebra ao ordenamento pátrio. Segundo a norma em epígrafe: Decreto nº 57.663, de 24 de janeiro de 1966 (DOU 31.01.1966, ret. DOU 02.03.1966) Promulga as Convenções para adoção de uma Lei Uniforme em matéria de letras de câmbio e notas promissórias: O Presidente da República: Havendo o Governo brasileiro, por nota da Legação em Berna, datada de 26 de agosto de 1942, ao secretário-geral da Liga das Nações, aderido às seguintes Convenções assinadas em Genebra, a 7 de junho de 1930: 1ª) Convenção para adoção de uma Lei Uniforme sobre letras de câmbio e notas promissórias, anexos e protocolo, com reservas aos artigos 2, 3, 5, 6, 7, 9, 10, 13, 15, 16, 17, 19 e 20 do Anexo II; Gabarito Correto. 16) (CESPE/Procurador/MPTC/DF/2013) Cláudio sacou letra de câmbio contra Mauro e em favor de Ruy, com vencimento a certo termo de vista estipulado para cinco dias após o aceite. Ato sequente, Ruy endossou o referido título para Bruno, que o endossou para Sílvia. Com referência a essa situação hipotética, julgue o item subsequente. A recusa do aceite pelo sacado determinará o vencimento antecipado do título, ocasião em que o portador, para conservar o seu direito de ação contra os demais coobrigados, deverá, necessariamente, promover o seu protesto. Comentários: RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 78 de 98 Como já frisamos, a letra de câmbio necessita de aceite. A letra pode ser apresentada, até o vencimento, ao aceite do sacado, no seu domicílio , pelo portador ou até por um simples detentor (LUG, art. 21). O aceite é escrito na própria letra. Exprime-se pela palavra "aceite" ou qualquer outra palavra equivalente; o aceite é assinado pelo sacado. Vale como aceite a simples assinatura do sacado aposta na parte anterior da letra (LUG, art. 25). O aceite é puro e simples, mas o sacado pode limitá-lo a uma parte da importância sacada (LUG, art. 26). Se recusado o aceite, considera-se que há vencimento antecipado do título. Ademais, já dissemos que para conservar o direito de ação contra os demais coobrigados, faz-se necessário o protesto. Gabarito Correto. 17) (CESPE/Juiz Substituto/TJ AC/2007) Ênio deve R$ 500,00 a Flora, que possui dívida com Frederico pela mesma quantia. Assim, Flora emitiu letra de câmbio, pagável a certo termo de vista, para que Ênio pagasse a Frederico a dívida de R$ 500,00. Como Frederico possuía dívida com Gilda, ele endossou o título de crédito a ela. Tendo como referência a situação hipotética apresentada, deve ser considerada como não-escrita, na letra de câmbio emitida por Flora, eventual cláusula de juros. Comentários Já vimos o que é um título a certo termo de vista é aquele em que o vencimento é computado a partir da data do aceite, ou, na falta deste, do protesto. O item está incorreto. Alguns mais apressados vão se perguntar o porquê, uma vez que o artigo 890 do nosso Código Civil prevê: Art. 890. Consideram-se não escritas no título a cláusula de juros, a proibitiva de endosso, a excludente de responsabilidade pelo pagamento ou por despesas, a que dispense a observância de termos e formalidade prescritas, e a que, além dos limites fixados em lei, exclua ou restrinja direitos e obrigações. Lembrem-se, porém, de que o Código Civil é norma geral, que, como tal, pode ser excepcionada por regra especial. E assim a LUG o fez, no artigo 49, para as notas promissórias e letras de câmbio. Vejamos a literalidade: RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 79 de 98 Art. 49 – A pessoa que pagou uma letra pode reclamar dos seus garantes: 1 – A soma integral que pagou; 2 – Os juros da dita soma, calculados a taxa de 6 por cento, desde a data em que a pagou; 3 – As despesas que tiver feito. Gabarito Errado. 18) (CESPE/Banco da Amazônia/Técnico Científico/2007) Júlia adquiriu de Poliana um aparelho televisor pela quantia de R$ 400,00. A dívida ainda não foi quitada porque Júlia não dispõe do montante necessário para fazê-lo. Como Camila deve R$ 400,00 a Júlia, que pegou emprestado há cerca de um ano, a credora sacou letra de câmbio para que Camila efetuasse o pagamentodos R$ 400,00 a Poliana. Tendo como referência inicial a situação hipotética acima, ao confeccionar a letra de câmbio, é imprescindível que Júlia faça constar o nome de Poliana, pois não se admite que o referido título de crédito seja sacado ao portador. Comentários A letra de câmbio e a nota promissória têm uma série de requisitos a serem preenchidos para que sejam validamente emitidas. Entre esses requisitos encontra-se indicar o nome do tomador (que é o beneficiário), o que significa dizer que não se admite letra de câmbio ao portador (LU, art. 1º, n. 6). Relembrando, título ao portador é aquele que não indica o nome do beneficiário do crédito. Gabarito Correto. 19) (CESPE/Banco da Amazônia/Técnico Científico/2007) Júlia adquiriu de Poliana um aparelho televisor pela quantia de R$ 400,00. A dívida ainda não foi quitada porque Júlia não dispõe do montante necessário para fazê-lo. Como Camila deve R$ 400,00 a Júlia, que pegou emprestado há cerca de um ano, a credora sacou letra de câmbio para que Camila efetuasse o pagamento dos R$ 400,00 a Poliana. Tendo como referência inicial a situação hipotética acima, a ausência da data em que a letra de câmbio deve ser paga descaracteriza o documento como título de crédito. Comentários A letra em que não se indique a data de pagamento deve ser considerada pagável à vista. Não há descaracterização como título de crédito. Ausência de data de vencimento Título à vista. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 80 de 98 Gabarito Errado. 20) (CESPE/Juiz Substituto/TJ/PI/2007) O aceite de uma letra de câmbio resulta da simples assinatura do sacado no verso do título de crédito. Comentários Segundo a LUG, art. 25, o aceite é escrito na própria letra. Exprime-se pela palavra "aceite" ou qualquer outra palavra equivalente; o aceite é assinado pelo sacado. Vale como aceite a simples assinatura do sacado aposta na parte anterior (ou seja, na frente do título, em seu anverso) da letra. Gabarito Errado. 18.5 NOTA PROMISSÓRIA 21) (CESPE/Defensor Público/PE/2015) A sociedade empresária X firmou contrato com a sociedade empresária Y, para que Y lhe prestasse determinado serviço, tendo Y recebido como título de crédito uma nota promissória, sem indicação expressa da sua vinculação ao citado contrato. Com referência a essa situação hipotética, julgue o item seguinte. No título de crédito, a indicação de vencimento e do lugar em que se deve efetuar o pagamento não são requisitos indispensáveis. Na falta dessas informações, a nota promissória será considerada nota à vista e pagável no local de sua emissão. Comentários: Segundo a Lei Uniforme de Genebra: Art. 75 - A nota promissória contém: 1 - Denominação "Nota Promissória" inserta no próprio texto do título e expressa na língua empregada para a redação desse título; 2 - A promessa pura e simples de pagar uma quantia determinada; 3 - A época do pagamento; 4 - A indicação do lugar em que se deve efetuar o pagamento; 5 - O nome da pessoa a quem ou a ordem de quem deve ser paga; 6 - A indicação da data em que e do lugar onde a nota promissória é passada; 7 - A assinatura de quem passa a nota promissória (subscritor). Art. 76. O título em que faltar algum dos requisitos indicados no artigo anterior não produzirá efeito como nota promissória, salvo nos casos determinados das alíneas seguintes. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 81 de 98 A nota promissória em que não se indique a época do pagamento será considerada pagável à vista. Na falta de indicação especial, lugar onde o título foi passado considera-se como sendo o lugar do pagamento e, ao mesmo tempo, o lugar do domicílio do subscritor da nota promissória. A nota promissória que não contenha indicação do lugar onde foi passada considera-se como tendo-o sido no lugar designado ao lado do nome do subscritor. Gabarito Correto. 22) (CESPE/OAB/2008.2) Os títulos de crédito são tradicionalmente concebidos como documentos que apresentam requisitos formais de existência e validade, de acordo com o regulado para cada espécie. Quanto aos seus requisitos essenciais, a nota promissória: (A) poderá não indicar o nome do sacado, permitindo-se, nesse caso, saque ao portador. (B) precisa ser denominada, com sua espécie identificada no texto do título. (C) poderá ser firmada por assinatura a rogo, se o sacador não puder ou não souber assiná-la. (D) conterá mandato puro e simples de pagar quantia determinada. Comentários A nota promissória é uma promessa de pagamento. Através de uma nota promissória determinada pessoa se compromete a pagar uma quantia a terceiro. A lei não estabelece uma forma X ou Y para a nota promissória (é o que, dentro da classificação já estudada, denominamos títulos de forma livre). Contudo, traz em seu bojo alguns requisitos que o título deve cumprir, a saber: REQUISITOS DA NOTA PROMISSÓRIA 1) a denominação “nota promissória” inserta no próprio texto do título e expressa na língua empregada para a redação desse título; 2) a promessa pura e simples de pagar uma quantia determinada; 3) a época do pagamento; 4) a indicação do lugar em que se efetuar o pagamento; 5) o nome da pessoa a quem ou à ordem de quem deve ser paga (a nota promissória não pode ser emitida ao portador); 6) a indicação da data em que e do lugar onde a nota promissória é passada; 7) a assinatura de quem passa a nota promissória (subscritor). RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 82 de 98 Esses requisitos estão todos insertos na Lei Uniforme de Genebra, em seu artigo 75. Ainda, segundo a lei, em seu artigo 76... Art. 76 - O título em que faltar algum dos requisitos indicados no artigo anterior não produzirá efeito como nota promissória, salvo nos casos determinados das alíneas seguintes. A nota promissória em que não se indique a época do pagamento será considerada pagável à vista. Na falta de indicação especial, lugar onde o título foi passado considera-se como sendo o lugar do pagamento e, ao mesmo tempo, o lugar do domicílio do subscritor da nota promissória. A nota promissória que não contenha indicação do lugar onde foi passada considera-se como tendo-o sido no lugar designado ao lado do nome do subscritor. Feitas as considerações, passemos a responder o nosso exercício da OAB... (A) poderá não indicar o nome do sacado, permitindo-se, nesse caso, saque ao portador. Está incorreto. A nota promissória não pode ser emitida ao portador. Gravem. Deve obrigatoriamente constar o nome da pessoa a quem ou à ordem de quem deve ser paga. (B) precisa ser denominada, com sua espécie identificada no texto do título. A assertiva está correta. Segundo a LUG, é requisito da nota promissória a denominação “nota promissória” inserta no próprio texto do título e expressa na língua empregada para a redação desse título. (C) poderá ser firmada por assinatura a rogo, se o sacador não puder ou não souber assiná-la. Assinar a rogo é apor a assinatura no lugar do outro que não tem condições para tanto. Coloca-se a impressão digital do analfabeto no documento e o outro coloca o nome e o número identidade ou CPF e assina, na presença de testemunhas. A nota promissória não pode ser firmada a rogo, uma vez que é requisito para sua validade a assinatura de quempassa a nota promissória (subscritor). (D) conterá mandato puro e simples de pagar quantia determinada. A letra d está errada, haja vista que a nota promissória se configura como promessa de pagamento e não mandato puro e simples. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 83 de 98 Gabarito B. 23) (CESPE/Juiz Substituto/TJ/SE/2008) Alfredo emitiu nota promissória em favor de Pedro e estabeleceu que seu vencimento se daria 6 meses após o vencimento do título. Entretanto, esqueceu-se de apor este acordo no título, que foi emitido sem data de vencimento. Pedro, por sua vez, negociou a nota promissória, colocando-a em circulação. A respeito da situação hipotética acima, assinale a opção correta. a) Pedro pode tirar cópia da nota promissória e transferi-la por endosso, desde que a cópia indique que o original encontra-se em sua posse. b) Se, no curso da circulação da nota, for dado aval sem a indicação da pessoa por quem se dá, esse aval será considerado nulo. c) Caso o emitente tenha colocado a expressão "não a ordem", ou outra equivalente, a nota promissória será considerada intransferível. d) Se, durante a circulação da nota promissória emitida por Pedro, houver alteração de seu texto original, os signatários posteriores poderão aceitá-la ou não. e) No caso de a cártula da nota promissória ser preenchida consignando data de vencimento contrária à originalmente estabelecida, Pedro poderá negar-se ao pagamento antecipado da nota, independentemente da boa-fé do portador. Comentários Essa questão é considerada difícil. Vamos analisá-la? a) Pedro pode tirar cópia da nota promissória e transferi-la por endosso, desde que a cópia indique que o original encontra-se em sua posse. Dissemos que em função do princípio da cartularidade, o crédito existe na medida em que está contido expressamente na cártula. Assim, o título se torna documento necessário ao exercício do direito nele mencionado. Então, como poderia alguém tirar cópia de uma nota e transferi-la por endosso, apoderando- se da via original? Não contrariaria o princípio referido? Pois bem, a LUG propõe que (o artigo é para a letra de câmbio, mas também se aplica à nota promissória)... Art. 67. O portador de uma letra tem o direito de tirar cópias dela. A cópia deve reproduzir exatamente o original, com os endossos e todas as outras menções que nela figurem. Deve mencionar onde acaba a cópia. A cópia pode ser endossada e avalizada da mesma maneira e produzindo os mesmos efeitos que o original. Art. 68. A cópia deve indicar a pessoa em cuja posse se encontra o título original. Esta é obrigada a remeter o dito título ao portador legítimo da cópia. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 84 de 98 Se se recusar a fazê-lo, o portador só pode exercer o seu direito de ação contra as pessoas que tenham endossado ou avalizado a cópia, depois de ter feito constatar por um protesto que o original lhe não foi entregue a seu pedido. Se o título original, em seguida ao último endosso feito antes de tirada a cópia, contiver a cláusula "daqui em diante só é válido o endosso na cópia" ou qualquer outra fórmula equivalente, é nulo qualquer endosso assinado ulteriormente no original. Portanto, em que pese essa exceção ao princípio da cartularidade, a letra a configura-se correta. Passemos à próxima. b) Se, no curso da circulação da nota, for dado aval sem a indicação da pessoa por quem se dá, esse aval será considerado nulo. Sobre o aval nas letras de câmbio e notas promissórias, alguns aspectos são relevantes para concursos. Dissertemos. O pagamento da letra de câmbio e da nota promissória pode ser no todo ou em parte garantido por aval. O aval é escrito na própria letra ou numa folha anexa. Exprime-se pelas palavras "bom para aval" ou por qualquer fórmula equivalente; e assinado pelo dador do aval. O aval considera-se como resultante da simples assinatura do dador aposta na face anterior da letra, salvo se se trata das assinaturas do sacado ou do sacador. O aval deve indicar a pessoa por quem se dá. Na falta de indicação entender- se-á ser pelo sacador. Portanto, se não constar do título a pessoa que está sendo avalizada, entende-se que o avalizado é o sacador. Portanto, o item está incorreto. O dador do aval é responsável da mesma maneira que a pessoa por ele afiançada. A sua obrigação mantém-se, mesmo no caso de a obrigação que ele garantiu ser nula por qualquer razão que não seja um vicio de forma. Por fim, se o dador de aval paga a letra, fica sub-rogado nos direitos emergentes da letra contra a pessoa a favor de quem foi dado o aval e contra os obrigados para com esta em virtude da letra. c) Caso o emitente tenha colocado a expressão "não a ordem", ou outra equivalente, a nota promissória será considerada intransferível. O item está incorreto. Poderá circular por cessão civil do crédito. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 85 de 98 d) Se, durante a circulação da nota promissória emitida por Pedro, houver alteração de seu texto original, os signatários posteriores poderão aceitá-la ou não. O item está incorreto. Não existe aceite em nota promissória! e) No caso de a cártula da nota promissória ser preenchida consignando data de vencimento contrária à originalmente estabelecida, Pedro poderá negar-se ao pagamento antecipado da nota, independentemente da boa-fé do portador. Já dissemos que é requisito da nota promissória conter a época em que o pagamento deve ser realizado. Todavia, a nota promissória em que não se indique a época do pagamento será considerada pagável à vista. Assim, Pedro não poderá opor ao portador de boa-fé as exceções pessoais que tinha com Alberto. Portanto, item incorreto. Gabarito A. 24) (CESPE/Juiz Substituto/TJ/PI/2007) Suponha-se que Leonardo tenha emitido nota promissória que, posteriormente, tenha sido endossada por Letícia. Suponha-se, também, que, em razão da falta de pagamento, o título tenha sido protestado. Nesse caso, eventual ação cambial do portador contra Letícia deveria ter sido ajuizada no prazo de três anos contados da data do protesto. Comentários A prescrição do título é a perda do direito do interessado para ajuizar uma ação para lhe garantir o que de direito. Tracemos o seguinte esquema... Prescrição das notas promissórias e letra de câmbio Portador x Emitente e seus avalistas 3 anos a contar do vencimento Portador x Endossantes e seus avalistas 1 ano a partir do protesto feito em tempo hábil ou a contar do vencimento se se tratar de título com cláusula sem despesas. Endossantes e avalistas uns contra os outros RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 86 de 98 Lembrem-se de que cláusula sem despesas é aquela que permite a execução do título independentemente de protesto. O item está incorreto. A ação deveria ser intentada no prazo de um ano a partir do protesto. Gabarito Errado. 18.6 CHEQUE 25) (CESPE/Delegado de Polícia Federal/2013) O denominado cheque pré-datado, apesar de usual no comérciobrasileiro, não está previsto na legislação, segundo a qual o cheque é uma ordem de pagamento à vista, estando a instituição bancária obrigada a pagá-lo no ato de sua apresentação, de modo que a instituição não pode ser responsabilizada pelo pagamento imediato de cheques datados com lembrete de desconto para data futura. Comentários O cheque é ordem de pagamento à vista. Contudo, a emissão de cheque pré- datado é aceita no Brasil, por ser praxe, trazendo como única conseqüência a ampliação do prazo de apresentação, não o desnaturando como título de crédito. A Súmula de n. 370 do STJ estabelece que: caracteriza dano moral a apresentação antecipada do cheque pré-datado. Todavia, tal sanção não é aplicável à instituição financeira que procedeu ao pagamento, mas, sim, ao portador do cheque. Gabarito Correto. 26) (CESPE/Juiz do Trabalho/TRT/5ª/2013) Não tem eficácia de cheque o documento ao qual falte a indicação do lugar do pagamento. Comentários: O item está incorreto. Segundo a Lei do Cheque: 6 meses, contados de quando o endossante pagou e de quando foi acionado para tal. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 87 de 98 Art. 2º O título, a que falte qualquer dos requisitos enumerados no artigo precedente não vale como cheque, salvo nos casos determinados a seguir: I - na falta de indicação especial, é considerado lugar de pagamento o lugar designado junto ao nome do sacado; se designados vários lugares, o cheque é pagável no primeiro deles; não existindo qualquer indicação, o cheque é pagável no lugar de sua emissão; II - não indicado o lugar de emissão, considera-se emitido o cheque no lugar indicado junto ao nome do emitente. Gabarito Errado. 27) (CESPE/Analista/Advocacia/SERPRO/2013) No caso de cheque pós- datado apresentado antes da data de emissão ao sacado ou da data pactuada com o emitente, o prazo prescricional de seis meses para o exercício da pretensão à execução do cheque pelo respectivo portador será contado da data de sua emissão. Comentários: Para responder tal questão, o candidato deve ter conhecimento dos Enunciados do Conselho de Justiça Federal. Senão vejamos: Enunciado 40. O prazo prescricional de 6 (seis) meses para o exercício da pretensão à execução do cheque pelo respectivo portador é contado do encerramento do prazo de apresentação, tenha ou não sido apresentado ao sacado dentro do referido prazo. No caso de cheque pós-datado apresentado antes da data de emissão ao sacado ou da data pactuada com o emitente, o termo inicial é contado da data da primeira apresentação. Gabarito Errado. 28) (CESPE/Defensor Público do Ceará/2008) Considere que, ao efetuar o pagamento de um automóvel recentemente adquirido, Lucas tenha emitido cheque em que, no verso, havia sido lançada declaração do banco indicando a existência de provisão de fundos para a sua liquidação, durante o prazo de apresentação do título de crédito. Nessa situação, o cheque utilizado por Lucas é considerado um cheque administrativo ou bancário. Comentários O item está incorreto. Apontou-se na assertiva o conceito de cheque visado e não de cheque administrativo. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 88 de 98 Gabarito Errado. 29) (CESPE/Procurador do BACEN/2006) Em relação ao endosso de cheques é correto afirmar que o endossatário tem ação executiva contra o endossante, independentemente do protesto ou da apresentação do título ao banco sacado. Comentários O portador do cheque deve apresentá-lo para pagamento no prazo de 30 dias, quando emitido no lugar em que for pago, ou 60 dias, se emitido em lugar diverso ou no exterior (LC, art. 33). Uma vez expirado este prazo, o beneficiário do cheque tem ainda o prazo de 6 meses para promover a execução (LC, art. 59) ou tentar receber do banco. Art. 40 O pagamento se fará à medida em que forem apresentados os cheques e se 2 (dois) ou mais forem apresentados simultaneamente, sem que os fundos disponíveis bastem para o pagamento de todos, terão preferência os de emissão mais antiga e, se da mesma data, os de número inferior. Se o portador não apresentar o cheque em tempo hábil ou não comprovar a recusa de pagamento na forma acima, perderá o direito de execução contra o emitente, caso se comprove que este tinha fundos disponíveis durante o prazo de apresentação e os deixou de ter, em razão de fato que não lhe seja imputável (art. 47, § 3.º, da LC). O protesto do cheque acontece pela ausência de fundos. Se a ação é proposta contra o emitente e seus avalistas, não há necessidade de protesto. Se proposta contra endossantes e respectivos avalistas, exige-se o protesto. Lembrem-se: PROTESTO – CHEQUE!! Cobrança dos endossantes e seus avalistas necessário Cobrança do emitente e seus avalistas desnecessário O protesto ou as declarações devem ser feitos no lugar de pagamento ou do domicílio do emitente, antes da expiração do prazo de apresentação. Mas se a apresentação ocorrer no último dia do prazo, o protesto ou as declarações podem fazer-se no primeiro dia útil seguinte (art. 48 da LC). Se, após o protesto, o cheque for pago, o protesto poderá ser cancelado, a pedido de qualquer interessado, mediante arquivamento de cópia autenticada RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 89 de 98 da quitação que contenha perfeita identificação do cheque no Cartório de Protesto de Títulos (art. 48, § 4.º, da LC). Gabarito Errado. 18.7 DUPLICATA 30) (CESPE/Analista do BACEN/Área 4/2013) O aceite nas duplicatas é uma obrigação do devedor, ressalvadas as hipóteses de recusa elencadas na lei. Comentários O item está correto. O aceita na duplicata é obrigatório, salvo as hipóteses previstas em lei. Art. 8º O comprador só poderá deixar de aceitar a duplicata por motivo de: I - avaria ou não recebimento das mercadorias, quando não expedidas ou não entregues por sua conta e risco; II - vícios, defeitos e diferenças na qualidade ou na quantidade das mercadorias, devidamente comprovados; III - divergência nos prazos ou nos preços ajustados. Gabarito Correto. 31) (CESPE/Defensor Público/DPE/ES/2012) A duplicata é um título impróprio, imperfeito, também denominado cambiariforme, visto que, assim como no cheque, nela não se vislumbra uma operação típica de crédito. Comentários Tal questão pode ser resolvida tranquilamente sob a doutrina elucidativa de Pontes de Miranda. Para o citado autor, os títulos são divididos basicamente em: - Cambiais: são aqueles regidos pelas leis cambias, que, segundo o autor, podem ser emitidos praticamente em qualquer moeda. Neste conceito, teríamos nota promissória e letra de câmbio. - Cambiariformes: tem a forma de um título cambial, sem sê-lo. Neste escopo, poderíamos enquadrar a duplicata e o cheque. Portanto, cambiariforme são aqueles títulos que embora não sejam cambiais, vão assumir a sua forma no tratamento legal que lhes será dado. Gabarito Correto. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 90 de 98 32) (CESPE/Juiz Substituto TJ/TO 2007) A Limp. Produtos de Limpeza Ltda. forneceuprodutos à BC Serviços Gerais Ltda., razão pela qual foi emitida duplicata mercantil. Contudo, a BC Serviços Gerais não aceitou o título de crédito e também não efetuou o pagamento do valor devido. A ação de execução da Limp. Produtos de Limpeza Ltda. contra a BC Serviços Gerais Ltda. prescreverá no prazo de três anos a contar da data do vencimento da duplicata. Comentários Perde o direito de crédito contra endossantes e respectivos avalistas aquele que não protestar a duplicata em até 30 dias após o vencimento (LD, art. 13, §4º). Atente-se, também, para o fato de que a cobrança do devedor principal (comprador/sacado) independe de protesto, desde que o aceite tenha ocorrido. DUPLICATA – PROTESTO Endossante e respec. avalistas Protesto em 30 dias Devedor principal e resp. avalistas Independe de protesto – se ocorrido o aceite O assunto prescrição está disposto no art. 18 da Lei de Duplicatas. O prazo para propor ação contra o sacado e seus avalistas é de 03 anos da data do vencimento. O prazo para propor ação contra os endossantes e seus avalistas é de 01 ano da data do protesto. Se ação for movida por um coobrigado, há direito de regresso. Neste caso, o direito de ação contra outros extingue-se no prazo de um ano a partir da data do pagamento. O item está correto. Gabarito Correto. 33) (CESPE/Defensor Público/CE/2008) É lícita a emissão de duplicata de prestação de serviços de engenharia com vencimento a certo termo da vista. Comentários A duplicata deve ser à vista ou à data certa. Não se pode emitir duplicata com vencimento a certo termo de vista (a letra de câmbio pode). RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 91 de 98 Título a certo termo de vista é aquele em que o vencimento é computado a partir da data do aceite, ou, na falta deste, do protesto. Vejamos como dispõe a LD sobre o assunto: Art. 2º No ato da emissão da fatura, dela poderá ser extraída uma duplicata para circulação como efeito comercial, não sendo admitida qualquer outra espécie de título de crédito para documentar o saque do vendedor pela importância faturada ao comprador. § 1º A duplicata conterá: III - a data certa do vencimento ou a declaração de ser a duplicata à vista; Portanto, gravem, a duplicata deve conter a data certa do vencimento quando enviada para o aceite ou constar que se trata de título à vista. Não se pode contar o vencimento da duplicata quando do aceite ou protesto. O item está, portanto, incorreto. Gabarito Errado. 34) (CESPE/Ministério Público AP/2006) A duplicata pode ser protestada por indicação do credor, ou seja, sem a apresentação do título no cartório, por se tratar de uma exceção à característica da literalidade. Comentários Pelo que expusemos anteriormente o princípio em questão é o da cartularidade. Item incorreto. Se, em vez de literalidade, constasse da questão cartularidade, a questão estaria escorreita. O exercício do direito ao crédito só vale se o seu beneficiário apresentar o documento (proíbe-se cópias). Gabarito Errado. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 92 de 98 19 QUESTÕES COMENTADAS NESTA AULA 1) (CESPE/Juiz Estadual/TJ PI/2014) De acordo com o Código Civil, o título de crédito, documento necessário ao exercício do direito literal e autônomo nele contido, somente produz efeito quando preenchidos os requisitos legais. Com base nessa informação e na teoria geral dos títulos de crédito, assinale a opção correta. a) De acordo com a teoria da emissão, embasada nos estudos de Kuntze, os títulos de crédito representam obrigações abstratas, porquanto a causa não é essencial à formação do título. b) Reputam-se abstratos ou perfeitos os chamados títulos representativos, cuja circulação importa a transferência da mercadoria a que se referem, como o conhecimento de transporte ferroviário ou marítimo e a duplicata. c) Consoante o princípio da autonomia, o título de crédito desvincula-se do negócio jurídico que lhe deu origem, ou seja, questões relativas a esse negócio jurídico subjacente não afetam o cumprimento da obrigação do título. d) Enquanto estiver em circulação, só o título de crédito poderá ser dado em garantia, ou ser objeto de medidas judiciais, e não separadamente os direitos ou mercadorias que ele represente. e) O conceito mais clássico de título de crédito, praticamente reproduzido no artigo 887 do Código Civil, foi elaborado por Tullio Ascarelli. 2) (CESPE/Analista Processual/TJ/RO/2012) A afirmação de que só quem exibe o título pode pretender a satisfação da obrigação nele representada corresponde ao princípio da a) autonomia. b) pessoalidade. c) literalidade. d) representação. e) cartularidade. 3) (CESPE/Defensor Público/DPE/ES/2012) O cosmopolitismo, uma das principais características do direito empresarial, deu origem a usos e costumes comuns a todos os comerciantes, independentemente de sua nacionalidade, a exemplo da criação, pela Convenção de Genebra, de uma lei uniforme para a letra de câmbio e a nota promissória. 4) (CESPE/Consultor Legislativo/Senado Federal/2002) Se Renato emitir determinado cheque em favor de André, e este o endossar em favor de Aldo, sustando-o em seguida, caso o título não seja pago, em decorrência do princípio da literalidade, Renato não poderá, em regra, opor contra Aldo a causa que o levou a sustar o pagamento do cheque. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 93 de 98 5) (CESPE/Juiz Substituto TJ PI/2007) A cartularidade é o princípio de direito cambiário que determina que apenas têm eficácia para a relação jurídico cambial os atos jurídicos instrumentalizados pela própria cártula a que se referem. 6) (CESPE/Analista de Controle Externo/TCE AC/2009) Com relação à disciplina dos títulos de crédito inserta no Código Civil, assinale a opção correta. a) As normas relativas aos títulos de crédito são gerais em relação às normas das leis que disciplinam cada espécie de título de crédito, razão pela qual, se houver incompatibilidade entre as normas do Código Civil e aquelas das leis especiais, aplicam-se as normas do Código Civil. b) Independentemente de cláusula expressa no título de crédito, o endossante responde perante o endossatário pelo cumprimento da obrigação constante no título. c) Na aquisição de título de crédito à ordem, por meio diverso do endosso, não se aplicam as regras da cessão civil de crédito. d) Na disciplina dos títulos à ordem, o endossatário, para ser considerado titular do crédito, além do ônus de provar a regularidade da cadeia de endossos, deve, ainda, fazer prova da autenticidade das assinaturas dos endossantes. e) Com a circulação de título à ordem, não pode o devedor do título de crédito opor contra o seu atual e legítimo portador exceções baseadas no negócio jurídico que lhe deu causa, a menos que o portador tenha agido com dolo na aquisição do título. 7) (CESPE/Procurador/PGE/BA/2014) As normas do Código Civil sobre títulos de crédito aplicam-se supletivamente em relação às letras de câmbio, notas promissórias, cheques e duplicatas. 8) (CESPE/Defensor Público/DPE/TO/2013) O avalista se obriga pelo avalizado, e sua responsabilidade subsiste ainda que nula a obrigação daquele a quem se equipara, mesmo que a nulidade decorrade vício de forma. 9) (CESPE/Juiz do Trabalho/TRT/5/2013) O Código Civil, ao tratar genericamente dos títulos de créditos, comina com a nulidade o endosso parcial. 10) (CESPE/Juiz do Trabalho/TRT/5ª/2013) O Código Civil, ao tratar genericamente dos títulos de créditos, permite a prestação de aval para garantia de pagamento de apenas parte do valor do título de crédito. 11) (CESPE/Delegado de Polícia Federal/2013) Com relação aos títulos de crédito, julgue o item abaixo. O devedor que, como forma de pagamento de um negócio celebrado, transfere ao credor, por simples tradição, títulos de crédito emitidos por terceiros, sem endossá-los, não possui responsabilidade solidária pelo pagamento da cártula. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 94 de 98 12) (CESPE/Advogado Geral da União/2008) Para a validade do endosso dado no anverso do título de crédito, é suficiente a assinatura do endossante, imediatamente após a qual ocorre a transferência do referido título. 13) (CESPE/OAB SP/2009) Assinale a opção em que é apresentada declaração cambial que transmite, de modo imediato, a propriedade do título de crédito. a) endosso-mandato b) endosso-penhor c) endosso puro e simples. d) mera assinatura do beneficiário ou tomador no anverso do título 14) (CESPE/Defensor Público/DPE/ES/2012) Em se tratando de protesto por falta de aceite, deverá este ser providenciado após o vencimento da obrigação e do decurso do prazo legal para aceite ou devolução. 15) (CESPE/Analista do BACEN/Área 4/2013) No Brasil, a Convenção de Genebra para a regulação das letras de câmbio e notas promissórias, não foi adotada integralmente, haja vista que algumas regras contidas na Lei Uniforme, não são aplicáveis ao Brasil. 16) (CESPE/Procurador/MPTC/DF/2013) Cláudio sacou letra de câmbio contra Mauro e em favor de Ruy, com vencimento a certo termo de vista estipulado para cinco dias após o aceite. Ato sequente, Ruy endossou o referido título para Bruno, que o endossou para Sílvia. Com referência a essa situação hipotética, julgue o item subsequente. A recusa do aceite pelo sacado determinará o vencimento antecipado do título, ocasião em que o portador, para conservar o seu direito de ação contra os demais coobrigados, deverá, necessariamente, promover o seu protesto. 17) (CESPE/Juiz Substituto/TJ AC/2007) Ênio deve R$ 500,00 a Flora, que possui dívida com Frederico pela mesma quantia. Assim, Flora emitiu letra de câmbio, pagável a certo termo de vista, para que Ênio pagasse a Frederico a dívida de R$ 500,00. Como Frederico possuía dívida com Gilda, ele endossou o título de crédito a ela. Tendo como referência a situação hipotética apresentada, deve ser considerada como não-escrita, na letra de câmbio emitida por Flora, eventual cláusula de juros. 18) (CESPE/Banco da Amazônia/Técnico Científico/2007) Júlia adquiriu de Poliana um aparelho televisor pela quantia de R$ 400,00. A dívida ainda não foi quitada porque Júlia não dispõe do montante necessário para fazê-lo. Como Camila deve R$ 400,00 a Júlia, que pegou emprestado há cerca de um ano, a credora sacou letra de câmbio para que Camila efetuasse o pagamento dos R$ RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 95 de 98 400,00 a Poliana. Tendo como referência inicial a situação hipotética acima, ao confeccionar a letra de câmbio, é imprescindível que Júlia faça constar o nome de Poliana, pois não se admite que o referido título de crédito seja sacado ao portador. 19) (CESPE/Banco da Amazônia/Técnico Científico/2007) Júlia adquiriu de Poliana um aparelho televisor pela quantia de R$ 400,00. A dívida ainda não foi quitada porque Júlia não dispõe do montante necessário para fazê-lo. Como Camila deve R$ 400,00 a Júlia, que pegou emprestado há cerca de um ano, a credora sacou letra de câmbio para que Camila efetuasse o pagamento dos R$ 400,00 a Poliana. Tendo como referência inicial a situação hipotética acima, a ausência da data em que a letra de câmbio deve ser paga descaracteriza o documento como título de crédito. 20) (CESPE/Juiz Substituto/TJ/PI/2007) O aceite de uma letra de câmbio resulta da simples assinatura do sacado no verso do título de crédito. 21) (CESPE/Defensor Público/PE/2015) A sociedade empresária X firmou contrato com a sociedade empresária Y, para que Y lhe prestasse determinado serviço, tendo Y recebido como título de crédito uma nota promissória, sem indicação expressa da sua vinculação ao citado contrato. Com referência a essa situação hipotética, julgue o item seguinte. No título de crédito, a indicação de vencimento e do lugar em que se deve efetuar o pagamento não são requisitos indispensáveis. Na falta dessas informações, a nota promissória será considerada nota à vista e pagável no local de sua emissão. 22) (CESPE/OAB/2008.2) Os títulos de crédito são tradicionalmente concebidos como documentos que apresentam requisitos formais de existência e validade, de acordo com o regulado para cada espécie. Quanto aos seus requisitos essenciais, a nota promissória: (A) poderá não indicar o nome do sacado, permitindo-se, nesse caso, saque ao portador. (B) precisa ser denominada, com sua espécie identificada no texto do título. (C) poderá ser firmada por assinatura a rogo, se o sacador não puder ou não souber assiná-la. (D) conterá mandato puro e simples de pagar quantia determinada. 23) (CESPE/Juiz Substituto/TJ/SE/2008) Alfredo emitiu nota promissória em favor de Pedro e estabeleceu que seu vencimento se daria 6 meses após o vencimento do título. Entretanto, esqueceu-se de apor este acordo no título, que foi emitido sem data de vencimento. Pedro, por sua vez, negociou a nota promissória, colocando-a em circulação. A respeito da situação hipotética acima, assinale a opção correta. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 96 de 98 a) Pedro pode tirar cópia da nota promissória e transferi-la por endosso, desde que a cópia indique que o original encontra-se em sua posse. b) Se, no curso da circulação da nota, for dado aval sem a indicação da pessoa por quem se dá, esse aval será considerado nulo. c) Caso o emitente tenha colocado a expressão "não a ordem", ou outra equivalente, a nota promissória será considerada intransferível. d) Se, durante a circulação da nota promissória emitida por Pedro, houver alteração de seu texto original, os signatários posteriores poderão aceitá-la ou não. e) No caso de a cártula da nota promissória ser preenchida consignando data de vencimento contrária à originalmente estabelecida, Pedro poderá negar-se ao pagamento antecipado da nota, independentemente da boa-fé do portador. 24) (CESPE/Juiz Substituto/TJ/PI/2007) Suponha-se que Leonardo tenha emitido nota promissória que, posteriormente, tenha sido endossada por Letícia. Suponha-se, também, que, em razão da falta de pagamento, o título tenha sido protestado. Nesse caso, eventual ação cambial do portador contra Letícia deveria ter sido ajuizada no prazo de três anos contados da data do protesto. 25) (CESPE/Delegado de Polícia Federal/2013) O denominado cheque pré-datado, apesar de usual no comércio brasileiro, não está previsto na legislação, segundo a qual o cheque é uma ordem de pagamento à vista, estando a instituição bancária obrigada a pagá-lo no ato de sua apresentação, de modo que a instituiçãonão pode ser responsabilizada pelo pagamento imediato de cheques datados com lembrete de desconto para data futura. 26) (CESPE/Juiz do Trabalho/TRT/5ª/2013) Não tem eficácia de cheque o documento ao qual falte a indicação do lugar do pagamento. 27) (CESPE/Analista/Advocacia/SERPRO/2013) No caso de cheque pós- datado apresentado antes da data de emissão ao sacado ou da data pactuada com o emitente, o prazo prescricional de seis meses para o exercício da pretensão à execução do cheque pelo respectivo portador será contado da data de sua emissão. 28) (CESPE/Defensor Público do Ceará/2008) Considere que, ao efetuar o pagamento de um automóvel recentemente adquirido, Lucas tenha emitido cheque em que, no verso, havia sido lançada declaração do banco indicando a existência de provisão de fundos para a sua liquidação, durante o prazo de apresentação do título de crédito. Nessa situação, o cheque utilizado por Lucas é considerado um cheque administrativo ou bancário. 29) (CESPE/Procurador do BACEN/2006) Em relação ao endosso de cheques é correto afirmar que o endossatário tem ação executiva contra o RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 97 de 98 endossante, independentemente do protesto ou da apresentação do título ao banco sacado. 30) (CESPE/Analista do BACEN/Área 4/2013) O aceite nas duplicatas é uma obrigação do devedor, ressalvadas as hipóteses de recusa elencadas na lei. 31) (CESPE/Defensor Público/DPE/ES/2012) A duplicata é um título impróprio, imperfeito, também denominado cambiariforme, visto que, assim como no cheque, nela não se vislumbra uma operação típica de crédito. 32) (CESPE/Juiz Substituto TJ/TO 2007) A Limp. Produtos de Limpeza Ltda. forneceu produtos à BC Serviços Gerais Ltda., razão pela qual foi emitida duplicata mercantil. Contudo, a BC Serviços Gerais não aceitou o título de crédito e também não efetuou o pagamento do valor devido. A ação de execução da Limp. Produtos de Limpeza Ltda. contra a BC Serviços Gerais Ltda. prescreverá no prazo de três anos a contar da data do vencimento da duplicata. 33) (CESPE/Defensor Público/CE/2008) É lícita a emissão de duplicata de prestação de serviços de engenharia com vencimento a certo termo da vista. 34) (CESPE/Ministério Público AP/2006) A duplicata pode ser protestada por indicação do credor, ou seja, sem a apresentação do título no cartório, por se tratar de uma exceção à característica da literalidade. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 98 de 98 20 GABARITO DAS QUESTÕES COMENTADAS NESTA AULA QUESTÃO GABARITO QUESTÃO GABARITO 1 D 18 C 2 E 19 E 3 C 20 E 4 E 21 C 5 E 22 B 6 E 23 A 7 C 24 B 8 E 25 C 9 C 26 E 10 E 27 E 11 C 28 E 12 E 29 E 13 C 30 C 14 E 31 C 15 C 32 C 16 C 33 E 17 E 34 E RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOSGabarito Errado. 5 CLASSIFICAÇÃO DOS TÍTULOS DE CRÉDITO Os títulos de crédito se classificam de quatro modos distintos, a saber: 5.1 QUANTO À ESTRUTURA Neste aspecto, pode ser o título de crédito ou ordem ou promessa de pagamento. O título que configura ordem de pagamento é aquele que em que existem três pessoas: aquele que dá a ordem (sacador) ao devedor (sacado), para que o título seja pago a alguém (tomador, beneficiário). ORDEM DE PAGAMENTO RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 7 de 98 Por exemplo, o cheque é emitido pelo sacador (emitente) contra o sacado (instituição bancária), em favor próprio ou de terceiro, e que incide sobre fundos que o sacador dispõe em poder do sacado. A duplicata, cheque e letra de câmbio são exemplos de ordens de pagamento. Ordem de pagamento Duplicata Cheque Letra de câmbio As promessas de pagamento possuem apenas dois pólos: aquele que promete pagar e o beneficiário do pagamento. PROMESSA DE PAGAMENTO Um exemplo de promessa de pagamento é a nota promissória. Estrutura 1) Ordem de pagamento (duplicata, cheque, letra de câmbio) 2) Promessa de pagamento (nota promissória) RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 8 de 98 A ESAF abordou o assunto, no concurso para Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, com a seguinte assertiva (item correto): (ESAF/AFRFB/2009) O cheque e a duplicata são ordens de pagamento, e a nota promissória é uma promessa de pagamento. 5.2 QUANTO AO MODELO Os títulos de créditos podem ser classificados em dois aspectos quanto ao modelo, modelo vinculado (cheque e duplicata) e modelo livre (nota promissória e letra de câmbio). Modelo Vinculado Nota promissória Letra de câmbio Livre Cheque Duplicata Modelo livre são aqueles títulos para os quais a lei não trata pormenorizadamente de seus detalhes, deixando que alguns detalhes possam variar, mas sempre obedecendo aos requisitos básicos para figurarem como título de crédito (a serem vistos a seguir). Modelo vinculado são os títulos para os quais a lei traz a forma exata de como deve ser, tal como o cheque. 5.3 QUANTO À CRIAÇÃO Quanto à forma de criação, ou surgimento, o título pode ser causal ou não causal (ou abstrato). O título é causal quando a lei determina a causa de sua emissão, surgimento. Por exemplo, a duplicata é o título de crédito emitido com base em obrigação proveniente de compra e venda comercial ou prestação de certos serviços. Rege-se pela Lei 5.474/1968. É conhecida por ser um título causal, ou seja, encontra-se vinculada à relação jurídica que lhe dá origem que é a compra e venda mercantil. Contudo, tão logo emitida, a duplicata deixa de ter nexo com o negócio que lhe deu origem, tornando-se independente. Essa distinção deve estar clara: não obstante se perfaça em título de crédito causal, assim que emitida, deixa de ter nexo com o negócio jurídico que lhe deu origem. Os títulos não causais são aqueles que podem ser emitidos em diversas hipóteses, tal como a nota promissória, cheque e letra de câmbio. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 9 de 98 5.4 QUANTO À CIRCULAÇÃO Quanto à circulação, os títulos podem ser nominativos ou ao portador. O título nominativo, por fim, é definido pelo Código Civil como: Art. 921. É título nominativo o emitido em favor de pessoa cujo nome conste no registro do emitente. O título nominativo é aquele que indica expressamente o nome do beneficiário, seja no próprio título, seja em registro do emitente. Ademais, o título nominativo pode ser à ordem (quando circula por endosso) ou não à ordem (quando circula por cessão civil). O título ao portador é aquele que não indica o nome do beneficiário. A lei 8.021/1990 proíbe a emissão de títulos ao portador. Igualmente dispõe o artigo 907 do Código Civil: Art. 907. É nulo o título ao portador emitido sem autorização de lei especial. Porém, como se vê, o CC ressalva a hipótese de lei especial prever de modo diverso. Para o cheque, a lei 9.069/95, art. 69, confere o direito de emissão de cheque ao portador, desde que o valor seja inferior a R$ 100 (cem reais). RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 10 de 98 (FCC/Julgador Administrativo/SEFAZ/PE/2015) Relativamente à classiificação dos títulos de crédito, considere: I. Os títulos de crédito devem sempre atender em sua emissão a um padrão obrigatório, de modelo vinculado quanto à disposição formal dos elementos essenciais à sua criação. II. Quanto à circulação, os títulos são ao portador ou nominativos, subdividindo- se estes em “à ordem” e “não à ordem”. III. Quanto à estrutura, os títulos de crédito se classificam em ordem de pagamento e promessa de pagamento; na ordem, o sacador do título de crédito manda que o sacado pague determinada importância, enquanto na promessa o sacador assume o compromisso de pagar o valor do título. Está correto o que se afirma em a) I, II e III. b) I e III, apenas. c) I e II, apenas. d) II e III, apenas. e) I, apenas. Comentários: O item I está incorreto. O título, quanto ao modelo, pode ser vinculado ou não vinculado. O item II está correto. A assertiva traz corretamente o conceito estabelecido pelo autor Fabio Ulhoa. O item III também está correto. Quanto à estrutura, a divisão é como ordem de pagamento e promessa de pagamento. Gabarito D. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 11 de 98 6 ENDOSSO Falaremos agora dos diversos atos ou declarações cambiários. Endosso é o ato mediante o qual se transfere a propriedade de um título. Juridicamente falando, é um ato unilateral, solidário e autônomo, pelo qual se transferem os direitos emergentes de um título. O endosso, além de transferir o título, é uma garantia. Suponhamos que Gabriel emite uma Nota Promissória a Lucas, passando a dever a ele o valor de R$ 100,00. Lucas, por sua vez, deseja efetuar uma compra no valor de R$ 300,00, mas só possui R$ 200,00 em numerários. O que poderá fazer? Poderá endossar o montante de R$ 100,00 constante de seu título de crédito, transferindo os direitos ao vendedor. De acordo com o Código Civil: Art. 893. A transferência do título de crédito implica a de todos os direitos que lhe são inerentes. Se A emite cheque a B, como pagamento de determinada obrigação que possui, e B resolve endossar este cheque para C, por possuir dívida com C no mesmo valor, transmite-se o direito a ele não só de receber o título de crédito, originário de A, mas também o direito de cobrar em juízo, por exemplo, caso o título não seja quitado. Com efeito, diz-se que a transferência do título implica a transferência igualmente de todos os direitos que lhe são inerentes. Se C quisesse endossar novamente o título, poderia fazê-lo. E assim por diante. 6.1 RESPONSABILIDADE DO ENDOSSANTE Outra pergunta interessante é se o endossantecontinua responsável pelas obrigações constantes do título. Vejamos: Art. 914. Ressalvada cláusula expressa em contrário, constante do endosso, não responde o endossante pelo cumprimento da prestação constante do título. Seguindo a inteligência do artigo 914, o endossante não responde, via de regra, pelo pagamento da obrigação. Porém, não podemos olvidar que o Código Civil é norma geral e pode ser excepcionado por norma especial. Tanto o é que, de acordo com as legislações especiais, o cheque, duplicata, nota RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 12 de 98 promissória e letra de câmbio, são títulos que mantêm o endossante como devedor solidário. Esse tópico foi abordado no concurso para Auditor Fiscal da Receita Estadual, realizado pela FGV, (item correto), com o seguinte teor: De acordo com as disposições do Código Civil, o endossante de título à ordem não responde pelo cumprimento da prestação constante do título, salvo se este contiver cláusula expressa em contrário. 6.2 ENDOSSO EM PRETO X ENDOSSO EM BRANCO O endosso ocorre com a assinatura do endossante na própria cártula (título), que pode ocorrer com a indicação do nome do novo beneficiário (endossatário), caracterizando o chamado endosso em preto, ou sem a indicação do beneficiário, o denominado endosso em branco. Importante: Endosso em preto Indica o novo beneficiário. Endosso em branco Não indica o novo beneficiário. Art. 910. O endosso deve ser lançado pelo endossante no verso ou anverso do próprio título. Outro detalhe trazido pelo Código Civil, mas que costuma ser bem cobrado em prova, é o seguinte: Art. 910. O endosso deve ser lançado pelo endossante no verso ou anverso do próprio título. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 13 de 98 § 1o Pode o endossante designar o endossatário, e para validade do endosso, dado no verso do título, é suficiente a simples assinatura do endossante. Então, o endosso pode ser dado no verso ou anverso (frente) do título. Observem que o parágrafo primeiro trouxe que para a validade do endosso no verso é suficiente a simples assinatura do endossante. Ora, o parágrafo falou sobre o anverso? Não! Concluímos, em interpretação a contrario sensu, que a simples assinatura para endosso feito no anverso não é suficiente para a transferência do título. Devemos expressamente dizer que se trata de endosso, sob pena de ser reputado como aval. Art. 898. O aval deve ser dado no verso ou no anverso do próprio título. § 1o Para a validade do aval, dado no anverso do título, é suficiente a simples assinatura do avalista. Ambos (endosso e aval) podem ser feito no verso e na frente do título. Porém: Anote-se, também, que o protesto é necessário para cobrar o título dos endossantes e de seus avalistas. 6.3 ENDOSSO X CESSÃO CIVIL DO CRÉDITO Outro aspecto importante é diferenciar o endosso da cessão civil de crédito. De acordo com o Código Civil: Art. 919. A aquisição de título à ordem, por meio diverso do endosso, tem efeito de cessão civil. Endosso Cessão civil do crédito Transmissão de títulos à ordem. Transmissão de títulos não à ordem. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 14 de 98 Endosso Cessão civil do crédito Quem transfere o título de crédito responde pela existência do título e também pelo seu pagamento. Quem transfere o título de crédito só responde pela existência do título, mas não responde pelo seu pagamento. O devedor não pode alegar contra o endossatário de boa-fé exceções pessoais. O devedor pode alegar contra o cessionário de boa-fé exceções pessoais. Não pode ser parcial Pode ser parcial Se qualquer questão perguntar, portanto, se o endosso é ato necessário para a transferência dos títulos de crédito, marque a alternativa como incorreta, já que a transmissão pode também se dar por cessão civil. Outro ponto que é muito importante frisar é que o endosso posterior ao protesto tem efeito de cessão civil de créditos. Art. 919. A aquisição de título à ordem, por meio diverso do endosso, tem efeito de cessão civil. Art. 920. O endosso posterior ao vencimento produz os mesmos efeitos do anterior. Portanto, se determinado título for endossado após o protesto, o efeito é de cessão civil! 6.4 TIPOS DE ENDOSSO Sobre os tipos de endosso, divide-se ele em próprio ou impróprio. O endosso próprio ou puro e simples transfere a propriedade imediata do título e torna o endossante responsável solidariamente (lembre-se: segundo o CC, apenas se contiver cláusula expressa, todavia, a legislação especial que rege os diversos títulos previu a responsabilidade solidária) pelo pagamento do crédito. Endosso próprio ou puro e simples Transfere a propriedade Torna o endossante responsável solidariamente O endosso impróprio é o que não transfere a propriedade do título, permitindo apenas ao endossatário exercer direitos relativos à cártula. Da espécie endosso impróprio resultam as espécies endosso-mandato e endosso- caução. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 15 de 98 Endosso impróprio Não transfere a propriedade Endossatário exerce os direitos apenas A FGV, no concurso para Procurador do TCM-RJ, explorou este assunto, com a seguinte sentença: O endosso impróprio transfere o exercício dos direitos inerentes à cambial. O item deve ser analisado com muita cautela. O endosso impróprio transfere, sim, os direitos inerentes à cártula, exceto a transmissão da propriedade. Gabarito, portanto, correto. Do genero endosso mandato resultam os endossos do tipo mandato ou procuração e caução ou pignoratício. Endosso-mandato ou endosso procuração é aquele através do qual o endossatário atua em nome do endossante, não possuindo a posse sobre o título. Com a morte ou a superveniente incapacidade do endossante, não perde eficácia o endosso-mandato (CC, art. 917, §2º). Ademais, o título poderá ser novamente endossado, desde que nos mesmos poderes recebidos e, também, na qualidade de endosso-procuração. Sobre a responsabilidade no endosso-mandato, segundo o Egrégio STJ, “só responde por danos materiais e morais o endossatário que recebe título de crédito por endosso-mandato e o leva a protesto, se extrapola os poderes de mandatário ou em razão de ato culposo próprio, como no caso de apontamento depois da ciência acerca do pagamento anterior ou da falta de higidez da cártula”. Portanto, se o banco recebeu uma duplicata para cobrar e extrapolou os limites que lhe foram concedidos, responderá pelos danos. O endosso caução, endosso garantia ou endosso penhor é utilizado quando o endossante deposita ou dá o título, perante o endossatário como garantia de uma dívida. O título endossado em garantia permanecerá com o endossatário até que haja a liquidação da dívida. Com o inadimplemento do endossante, o endossatário passará a ter a efetiva propriedade do título. Existe, ainda, o endosso após o vencimento do título, que é conhecido como endosso póstumo. Produzirá efeitos tal como tivesse sido feito antes do vencimento, salvo se feito após o protesto por falta de pagamentoou após a expiração do prazo para protestar. 6.5 ENDOSSO PARCIAL Por fim, temos de nos perguntar: pode o endosso ser parcial? Segundo o Código Civil: RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 16 de 98 Art. 912. Considera-se não escrita no endosso qualquer condição a que o subordine o endossante. Parágrafo único. É nulo o endosso parcial. Portanto, com base no Código Civil, temos que o endosso parcial é nulo. A justificativa para a proibicão do endosso parcial é no sentido de que o endosso, em regra, transfere a cártula, e não há possibilidade de se transferir só “meio título de crédito”. 6.6 PONTO AVANÇADO – PERDA DE TÍTULO ENDOSSADO Suponhamos a seguinte situação: C (emite uma n. promissória) A (endossante) B (endossatário) Perde o título. Suponha que o título seja uma nota promissória, no valor de R$ 5.000,00. O endosso foi feito em branco. Vamos nos fazer algumas perguntas! 1) Como está circulando o título? 2) O endossante vai responder pela obrigação? 3) O portador, que encontrou o título, pode exigir o valor dos devedores? 4) O que o endossatário, que tinha o direito a receber o valor, pode fazer? Bom, vamos analisar as perguntas. 1) O título está circulando ao portador. Ele está em branco. 2) O endossante, se nenhuma providência for tomada, vai responder, sim, pela obrigação. Afinal, ele é coobrigado e não sabe com quem está o título. Ele não tem a obrigação de saber que o título foi perdido. 3) O portador do título pode requerer o valor de quem quer que seja, exceto se adquirir de má-fé ou se tiver adquirido cometendo alguma fata grave. 4) Sobre o endossatário, aquele que poderia receber o valor, ele poderá ir a juízo e requerer novo título, para impedir que sejam pagos a outrem capital e rendimentos. Supondo a situação a seguir, vamos nos fazer algumas perguntas. 7 AVAL Falemos agora sobre o instituto do AVAL. Não raramente, vocês, quando já houverem passado nos certames que desejam, cheios de dinheiro, deverão se RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 17 de 98 deparar com o seguinte pedido de um amigo: “Fulano, seja meu avalista na compra de tal coisa?”. Mas o que vem a ser o aval? Pois bem, Fábio Ulhoa Coelho o define como “ato cambiário pelo qual uma pessoa (avalista) se compromete a pagar titulo de crédito, nas mesmas condições do devedor deste titulo (avalizado)”. Vejamos também a explicação do Código Civil: Art. 897. O pagamento de título de crédito, que contenha obrigação de pagar soma determinada, pode ser garantido por aval. Parágrafo único. É vedado o aval parcial. Um aspecto importantíssimo para a prova é também o seguinte: o avalista responde solidariamente (ou seja, sem benefício de ordem) com o devedor principal. Assim, se o título não for pago no vencimento, o credor poderá cobrar diretamente do avalista, se quiser. Aval Responsabilidade Solidária. Veja-se, ainda, que, segundo o Código Civil, é vedado o aval parcial. Atente- se, contudo, para o fato de que a regra que veda o aval parcial não vale para os títulos que contenham legislação específica prevendo de forma contrária. E, de fato, as legislações especiais dos mais diversos títulos de crédito prevêem a possibilidade do aval parcial. Neste escopo, a FGV perguntou aos candidatos do concurso para Procurador do TCM RJ o seguinte: O Código Civil não admite o aval parcial (O item está correto, pois faz clara remissão ao CC). A ESAF, nos idos de 1996, questionou sobre o aval, se tido ou não como obrigação acessória. Ora, a responsabilidade do avalista é solidária juntamente com o avalizado. Trata-se, portanto, de obrigação principal, autônoma, no título de crédito. Ainda, caso se dê o aval posteriormente ao vencimento do título a produção de efeitos se dará tal como tivesse sido prolatado antes de seu vencimento. Assim prevê o CC: Art. 900. O aval posterior ao vencimento produz os mesmos efeitos do anteriormente dado. Ao avalizar determinado título, o avalista passar a ser devedor solidário. O aval, como dito, não é garantia acessória, posto que, como já propagado em diversos julgados do STJ, é autônomo e independente. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 18 de 98 O aval, em regra, deve ser feito na frente do título (anverso) – CC, art. 898. Se for feito no anverso, basta que o avalista assine. Se for feito no verso, contudo, deverá ser indicado expressamente que se trata de aval, junto da assinatura. É o que se extrai da leitura dos artigos seguintes do Código Civil: Art. 898. O aval deve ser dado no verso ou no anverso do próprio título. § 1o Para a validade do aval, dado no anverso do título, é suficiente a simples assinatura do avalista. Aval Se feito no anverso (frente): basta assinatura! Se feito no verso: deve se indicar expressamente tratar-se de aval. O aval, tal como o endosso, pode indicar ou não a pessoa do avalizado. Indicando, será classificado como aval em preto. Não o fazendo teremos caracterizado o aval em branco. De acordo com o Código Civil: Art. 899. O avalista equipara-se àquele cujo nome indicar; na falta de indicação, ao emitente ou devedor final. § 1° Pagando o título, tem o avalista ação de regresso contra o seu avalizado e demais coobrigados anteriores. § 2o Subsiste a responsabilidade do avalista, ainda que nula a obrigação daquele a quem se equipara, a menos que a nulidade decorra de vício de forma. Assim, de acordo com o artigo 899, §2º, se um negócio jurídico praticado com simulação é avalizado por Beltrano, não poderá ele alegar eventual nulidade no aval, uma vez que o verdadeiro prejudicado com tal situação é o credor. Existe, perfeitamente, a possibilidade de mais de uma pessoa ser avalista de um devedor. É o que a doutrina ousa chamar de aval simultâneo. Um exemplo proposto por José Paulo Leal: Numa nota promissória, “A” é emitente e “B” o beneficiário. No anverso há assinaturas de “C” e “D”, “E” e “F”. Não há restrição alguma, apenas assinaturas; portanto, avais em branco. Presume-se que todos avalizaram “A”. Difere, todavia, do aval sucessivo, que se dá quando o avalista posterior avaliza o anterior. Aval sucessivo e aval simultâneo Aval simultâneo B, C, D, E e F avalizam A. Aval sucessivo B avaliza A, C avaliza B, D avaliza C, E avaliza D e F avaliza E. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 19 de 98 Pois bem, feitas as devidas considerações sobre a figura do aval, passemos a distingui-la de outro instituto parecido, qual seja, a fiança. Aval Fiança Regulado pelo Direito Comercial Regulado pelo Direito Civil Obrigação autônoma Obrigação acessória Responsabilidade Solidária Responsabilidade Subsidiária Deve estar contido no título de crédito Pode estar em instrumento em separado Não pode o avalista opor as exceções pessoais do avalizado para se defender do credor de boa-fé As exceções pessoais do afiançado podem ser alegadas pelo fiador. Necessita de autorização do cônjuge, salvo no regime de separação absoluta Necessita de autorização do cônjuge, salvo no regime de separação absoluta8 PROTESTO Se o devedor original de um título não o paga, o credor poderá cobrar dos demais coobrigados, efetuando antes o protesto do título. Conceito de protesto Protesto é o ato formal e solene pelo qual se prova a inadimplência e o descumprimento de obrigação originada em títulos e outros documentos de dívida (art. 1.º da Lei 9.492/1997). O protesto realiza-se no Cartório de Protesto de Títulos. Sua função é constituir em mora o devedor, fazendo prova sobre a impontualidade do devedor. Segundo a Lei da Protestos: Art. 21. O protesto será tirado por falta de pagamento, de aceite ou de devolução. Agora o principal aspecto quando o assunto é protesto: Sempre cai em concurso!!! Cobrança contra o devedor principal e seu avalista: desnecessário o protesto. Diz-se que o protesto é facultativo. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 20 de 98 Cobrança contra os demais coobrigados: necessário o protesto. A ESAF cobrou o assunto no concurso para AFTN, há mais de 10 anos, em 1996, com a seguinte redação: Nos títulos de crédito, a falta do protesto necessário, nos prazos legais, exonera os coobrigados. O item está correto. A execução dos coobrigados depende da realização do protesto. Mais um detalhe que também pode ser cobrado sob o protesto: Nos títulos de crédito pode existir cláusula denominada “sem protesto” ou “sem despesas”. A aposição desta cláusula dispensará o portador de protestar o título para exercer seu direito de ação contra os coobrigados. A cláusula pode ser aposta pelo sacador ou por um endossante ou avalista, nesta última hipótese só produzirá efeito em relação a esse endossante ou a esse avalista (art. 46 da LUG e art. 50 da Lei 7.357/1985). A FCC cobrou o tema em provas da seguinte forma: (Juiz Substituto TJ-PI/2001/FCC) Somente o sacador pode lançar na letra de câmbio a cláusula sem despesas ou sem protesto. Ora, tanto o sacador como os endossantes ou avalistas podem lançar a cláusula sem despesas ou sem protesto nos títulos de crédito. Item incorreto. Uma vez que o título esteja pago ou haja acordo com o credor, o protesto deve ser cancelado. Segundo o artigo 26 da Lei de Protestos, não há necessidade de ordem judicial para cancelamento do protesto: Art. 26. O cancelamento do registro do protesto será solicitado diretamente no Tabelionato de Protesto de Títulos, por qualquer interessado, mediante apresentação do documento protestado, cuja cópia ficará arquivada. Saliente-se que o cancelamento difere da sustação do protesto. A sustação é uma medida preventiva, que evita o protesto seja feito, em casa de flagrante equívoco, em que se saiba que o credor pretende efetuar protesto, por exemplo. 9 DISPOSIÇÕES DO CÓDIGO CIVIL SOBRE OS TÍTULOS DE CRÉDITO Os principais títulos de crédito hoje existentes são: cheque, duplicata, nota promissória e letra de câmbio. Esses configuram os chamados títulos de crédito próprios. Pois bem. O Código Civil apenas traz normas gerais sobre o assunto, não tratando pormenorizadamente de qualquer deles. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 21 de 98 Assim dispôs o artigo 903: Art. 903. Salvo disposição diversa em lei especial, regem-se os títulos de crédito pelo disposto neste Código. Com efeito, não havendo previsão na lei que rege o título, devemos aplicar as normas do Código Civil. Art. 888. A omissão de qualquer requisito legal, que tire ao escrito a sua validade como título de crédito, não implica a invalidade do negócio jurídico que lhe deu origem. Negócio jurídico, segundo a doutrina, é toda ação ou omissão humana cujos efeitos jurídicos - criação, modificação, conservação ou extinção de direitos - derivam essencialmente da manifestação de vontade. Exemplos de negócio jurídico são os contratos e os testamentos. Os títulos de crédito são NEGÓCIOS JURÍDICOS ABSTRATOS, pois produzem efeito independentemente da causa que lhes deu origem. O artigo 888 determina que se faltar algum requisito legal para a validade do documento como título de crédito, ele não anulará o negócio como um todo. Perderá o documento tão-somente sua validade como título de crédito. Perde o título o seu caráter cambiário, mas continua vigendo conforme o direito civil. Art. 889. Deve o título de crédito conter a data da emissão, a indicação precisa dos direitos que confere, e a assinatura do emitente. O título de crédito deve conter como REQUISITOS ESSENCIAIS: - DATA DA EMISSÃO: composta por ano, dia e mês. - INDICAÇÃO DOS DIREITOS QUE CONFERE: Trata-se da importância a ser paga. Por exemplo, uma duplicata que tenha por objeto a venda de 100 mercadorias a R$ 10,00, deverá narrar esta quantia. O valor deve ser certo. Não podendo ser indeterminado. Ademais, devem ser indicados também a pessoa do devedor e do credor. - ASSINATURA DO EMITENTE. Art. 889 (...) § 1o É à vista o título de crédito que não contenha indicação de vencimento. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 22 de 98 § 2o Considera-se lugar de emissão e de pagamento, quando não indicado no título, o domicílio do emitente. § 3o O título poderá ser emitido a partir dos caracteres criados em computador ou meio técnico equivalente e que constem da escrituração do emitente, observados os requisitos mínimos previstos neste artigo. A data de vencimento do título não é requisito obrigatório. Porém, se o título não contiver a data em que a obrigação vence, será considerado à vista (parágrafo primeiro). O parágrafo segundo traz, outrossim, outro requisito não essencial, a saber, o lugar de emissão e de pagamento do título de crédito. Quando o local não estiver circunstanciado no documento considerar-se-á como tal o DOMICÍLIO DO EMITENTE. Sobre o parágrafo terceiro, apenas legitima a possibilidade de emissão de títulos de maneira informatizada. Art. 890. Consideram-se não escritas no título a cláusula de juros, a proibitiva de endosso, a excludente de responsabilidade pelo pagamento ou por despesas, a que dispense a observância de termos e formalidade prescritas, e a que, além dos limites fixados em lei, exclua ou restrinja direitos e obrigações. Assim, são consideradas não escritas: - Cláusulas de juros; - Cláusula que proíba endosso; - Cláusula que exclua a responsabilidade pelo pagamento ou despesas; - Cláusula que dispense a observância de termos e formalidades prescritas; - Cláusula que exclua, restrinja direitos ou obrigações. Lembre-se de que se houver lei prevendo em sentido contrário, é ela quem prevalecerá. Lei especial prevalece sobre a lei geral. Por exemplo, a Lei Uniforme de Genebra, que regula as notas promissórias e letra de câmbio prevê: Art. 49 – A pessoa que pagou uma letra pode reclamar dos seus garantes: 1 – A soma integral que pagou; 2 – Os juros da dita soma, calculados a taxa de 6 por cento, desde a data em que a pagou; 3 – As despesas que tiver feito. Art. 891. O título de crédito, incompleto ao tempo da emissão, deve ser preenchido de conformidade com os ajustes realizados. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 23 de 98 Parágrafo único.O descumprimento dos ajustes previstos neste artigo pelos que deles participaram, não constitui motivo de oposição ao terceiro portador, salvo se este, ao adquirir o título, tiver agido de má-fé. Expliquemos o artigo 891. Se duas pessoas, ao emitirem determinado título de crédito, acordam que a cláusula X ou Y será preenchida posteriormente, estão formando o chamado pacto adjeto. Pacto adjeto ou acessório é a denominação dada a toda cláusula inserida em acordo, formando uma convenção acessória dentro de uma convenção principal, com a finalidade de garantir seu adimplemento ou modificar seus efeitos. Por exemplo, um pacto no sentido de o portador preencher corretamente o título do qual é beneficiário, de acordo com o que fora acordado. Assim, se ao receber o título, agir em desacordo com a avença poderá o portador ser acionado judicialmente pelo emitente do título. Todavia, se posteriormente esse título de crédito preenchido com má-fé pelo portador é repassado a terceiro, este terceiro terá direito a receber o crédito da forma como consta no título, salvo se este último beneficiário também agir de má-fé. Ademais, se o título for preenchido em branco ou com omissão, deverá ser preenchido antes da execução ou do protesto. Este é o exato teor da Súmula 387 do STF, que propõe: Súmula 387/STF: A cambial emitida ou aceita com omissões, ou em branco, pode ser completada pelo credor de boa-fé antes da cobrança ou do protesto. Essa súmula 387, vez ou outro, assola os concursos que cobram direito empresarial. Art. 892. Aquele que, sem ter poderes, ou excedendo os que tem, lança a sua assinatura em título de crédito, como mandatário ou representante de outrem, fica pessoalmente obrigado, e, pagando o título, tem ele os mesmos direitos que teria o suposto mandante ou representado. Exemplifique-se. Sabemos que o mandato é o instrumento que dá a uma pessoa poderes para praticar atos em nome de outra. Com fulcro no Código Civil: Art. 653. Opera-se o mandato quando alguém recebe de outrem poderes para, em seu nome, praticar atos ou administrar interesses. A procuração é o instrumento do mandato. Deste modo, imagine-se que João confere a Pedro procuração para que assine título de crédito em seu nome, no período de 01.01.2011 a 05.01.2011. De má- RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 24 de 98 fé, Pedro emite determinado título em 07.06.2011, quando a procuração já não era mais válida, para realizar a compra de determinadas mercadorias para a empresa. Como Pedro não tem mais poderes para proceder à emissão, responderá pessoalmente pela emissão. Se Pedro promover, no entanto, a quitação do título, terá a dívida extinta e, também o direito a receber as mercadorias já que “pagando o título, tem ele os mesmos direitos que teria o suposto mandante ou representado”. Art. 893. A transferência do título de crédito implica a de todos os direitos que lhe são inerentes. É o caso típico do endosso. Se A emite cheque a B, como pagamento de determinada obrigação que possui, e B resolve endossar este cheque para C, por possuir dívida com C no mesmo valor, transmite-se o direito a ele não só de receber o título de crédito, originário de A, mas também o direito de cobrar em juízo, por exemplo, caso o título não seja quitado. Com efeito, diz-se que a transferência do título implica a transferência igualmente de todos os direitos que lhe são inerentes. Se C quisesse endossar novamente o título, poderia fazê-lo. E assim por diante. Art. 894. O portador de título representativo de mercadoria tem o direito de transferi-lo, de conformidade com as normas que regulam a sua circulação, ou de receber aquela independentemente de quaisquer formalidades, além da entrega do título devidamente quitado. Para explicar este artigo, precisaremos conhecer um pouco sobre dois títulos de créditos ditos impróprios, quais sejam, o conhecimento de depósito e o warrant. O warrant e conhecimento de depósito são títulos de financiamento da atividade econômica. Fábio Ulhoa Coelho os define como títulos de créditos impróprios (para o autor não se tratam, na verdade, de títulos de crédito, apenas se aproximando do regime jurídico cambial), mais especificamente, na categoria de títulos representativos. Títulos representativos são aqueles que representam mercadorias custodiadas (esta é a palavra chave!) e possibilitam, em algumas condições, a negociação, pelo proprietário, do valor que elas têm. O warrant e conhecimento de depósito são regidos pelo Decreto 1.102/1.903. Quem emite esses títulos é o armazém geral. Se o depositante solicitar, o armazém os emitirá, em substituição ao recibo de depósito. Os títulos são emitidos conjuntamente. O portador só terá direito à entrega da mercadoria depositada se apresentar os documentos juntos, devidamente quitados. Em síntese, é isso o que quer dizer o artigo 894 do Código Civil. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 25 de 98 Art. 895. Enquanto o título de crédito estiver em circulação, só ele poderá ser dado em garantia, ou ser objeto de medidas judiciais, e não, separadamente, os direitos ou mercadorias que representa. O artigo 895 trata exatamente de um princípio que dissemos no início do estudo dos títulos de crédito, qual seja, o princípio da autonomia. Exemplifiquemos. Imagine-se que A compre um bem a prazo de B, no valor de R$ 1.000,00, para pagamento em 30 dias, mediante a emissão de uma nota promissória (quem emite a nota promissória é o devedor, A, pois se trata de uma promessa de pagamento). B é o legítimo portador dessa nota promissória (beneficiário). B, por sua vez, necessita fazer compra de matéria-prima com o fornecedor C, e, não possuindo recursos, procede ao endosso da nota promissória para C, que passa a ser o legítimo portador do título, tendo direito a receber, na data certa, a quantia estipulada no título emitido por A. Assim, no vencimento, não poderá A, por exemplo, dizer que não pagará C, por estar o bem que comprou de B eivado de vício. Deve, em virtude do princípio da autonomia, A proceder ao pagamento e, em seguida, exigir o ressarcimento por parte de B. Imaginemos a mesma situação. A compra um bem de B, emitindo (A) uma nota promissória em favor de B (que é o portador do título). B tem uma dívida perante C, mas não endossa o título. Ele, simplesmente, diz: C, tenho um bem que vendi para A, e vou deixá-lo como garantia. Poderá C fazer isso?! Não, é claro! Pois as mercadorias já se desvincularam do título de crédito, não mais pertencendo a B, uma vez que houve a tradição (entrega da mercadoria). Em síntese, é isto o que diz o artigo 895: a garantia deve ser instituída sob o título e não sobre as mercadorias que dele são objeto. Art. 896. O título de crédito não pode ser reivindicado do portador que o adquiriu de boa-fé e na conformidade das normas que disciplinam a sua circulação. O que este artigo quer, em síntese, dizer é que, se uma pessoa é legítima portadora de um título, tendo agido de boa-fé para receber os direitos que lhe são inerentes, não poderá ter seu direito prejudicado por relações travadas anteriormente. Art. 901. Fica validamente desonerado o devedor que paga título de crédito ao legítimo portador, no vencimento, sem oposição, salvo se agiu de má-fé. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br26 de 98 Parágrafo único. Pagando, pode o devedor exigir do credor, além da entrega do título, quitação regular. O título que configura venda a prazo pode, tão-logo vença, ser exigido. O pagamento quando efetuado implica a extinção da obrigação que o título carrega consigo. Assim, o pagamento pelo devedor desobriga todos aqueles que da relação cambial tiveram parte. A exceção é a existência de má-fé por parte de quem paga. E mais, uma vez efetuado o pagamento do título, pode o devedor exigir que o credor lhe entregue o título de volta. Art. 902. Não é o credor obrigado a receber o pagamento antes do vencimento do título, e aquele que o paga, antes do vencimento, fica responsável pela validade do pagamento. § 1o No vencimento, não pode o credor recusar pagamento, ainda que parcial. § 2o No caso de pagamento parcial, em que se não opera a tradição do título, além da quitação em separado, outra deverá ser firmada no próprio título. Antes do vencimento, não precisa o credor aceitar o pagamento. Se o devedor o fizer, e o fizer incorretamente, fica responsável pela validade do pagamento. Afinal, como diz o brocardo jurídico, quem paga mal paga duas vezes. Todavia, no vencimento, querendo o devedor fazer pagamento, ainda que parcial, não pode o credor recusar. Se o pagamento for parcial, o título não é entregue ao devedor. Nesta hipótese, deve ser feita uma quitação em separado, para ficar de posse do devedor, e, também, uma no próprio título, provando a quitação. Vistas estas principais considerações gerais sobre os títulos de crédito, passemos a falar sobre os títulos em espécie. 10 LETRA DE CÂMBIO Inicialmente, estudaremos a letra de câmbio. Ela é o título de crédito mais antigo. Contudo, a letra de câmbio é título que aqui, em nosso país, se encontra em franco desuso. A seguir, um modelo de letra de câmbio: RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 27 de 98 Fonte: http://www.segundoprotestosbc.com.br/sbc/img_up/letracambio.jpg Suponha-se que Alberto deve uma quantia X a Carlos, e que Breno deve uma quantia X a Alberto. Uma solução viável para Alberto é emitir uma letra de câmbio, figurando como sacador, contra Breno (sacado), que passará a dever a quantia perante Carlos (tomador). Embora neste exemplo três pessoas tenham existido, pode ocorrer de na nota promissória sacador e tomador ou beneficiário serem a mesma pessoa. Um dos motivos que torna a letra de câmbio um título de difícil utilidade prática é que depende ela do aceite do sacado, do devedor. No caso, enquanto Breno não aceitasse as condições de pagar a quantia para Carlos não poderia ser de forma alguma responsabilizado nesta obrigação. A letra de câmbio é regulada pela Lei Uniforme de Genebra e, uma vez emitida, não nasce de imediato a obrigação cambial, sendo necessário que o sacador a entregue ao sacado, a fim de que a aceite. Nasce a partir daí a obrigação. Todavia, o aceite, por parte do sacado, é facultativo. Reprise-se: o aceite é facultativo! Eis o grande motivo de essa figura cambial ser de raríssima utilização no dia-a-dia. São requisitos da letra de câmbio, segundo a Lei Uniforme de Genebra: RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 28 de 98 Art. 1º - A letra contém: 1 - A palavra "letra" inserta no próprio texto do título é expressa na língua empregada para a redação desse título; 2 - O mandato puro e simples de pagar uma quantia determinada; 3 - O nome daquele que deve pagar (sacado); 4 - A época do pagamento; 5 - A indicação do lugar em que se deve efetuar o pagamento; 6 - O nome da pessoa a quem ou a ordem de quem deve ser paga; 7 - A indicação da data em que, e do lugar onde a letra é passada; 8 - A assinatura de quem passa a letra (sacador). A letra em que se não indique a época do pagamento entende-se pagável à vista (LUG, art. 2º). Na falta de indicação especial, o lugar designado ao lado do nome do sacado considera-se como sendo o lugar do pagamento e, ao mesmo tempo, o lugar do domicílio do sacado (LUG, art. 2º). A letra pode ser pagável no domicílio de terceiro, quer na localidade onde o sacado tem o seu domicílio, quer noutra localidade (LUG, art. 4º). A letra sem indicação do lugar onde foi passada considera-se como tendo-o sido no lugar designado, ao lado do nome do sacador (LUG, art. 2º). Toda a letra de câmbio, mesmo que não envolva expressamente a cláusula a ordem, é transmissível por via de endosso (LUG, art. 11º). Quando o sacador tiver inserido na letra as palavras "não a ordem", ou uma expressão equivalente, a letra só é transmissível pela forma e com os efeitos de uma cessão ordinária de créditos (LUG, art. 11º). Segundo o artigo 11 da Lei Uniforme de Genebra: Art. 11. Toda a letra de câmbio, mesmo que não envolva expressamente a cláusula a ordem, é transmissível por via de endosso. Quando o sacador tiver inserido na letra as palavras "não a ordem", ou uma expressão equivalente, a letra só é transmissível pela forma e com os efeitos de uma cessão ordinária de créditos. O endosso pode ser feito mesmo a favor do sacado, aceitando ou não, do sacador, ou de qualquer outro co-obrigado. Estas pessoas podem endossar novamente a letra. Ainda sobre o endosso da letra, a lei uniforme de genebra prescreve o seguinte: RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 29 de 98 Art. 12 - O endosso deve ser puro e simples. Qualquer condição a que ele seja subordinado considera-se como não escrita. O endosso parcial é nulo. O endosso ao portador vale como endosso em branco. Como já frisamos, a letra de câmbio necessita de aceite. A letra pode ser apresentada, até o vencimento, ao aceite do sacado, no seu domicílio , pelo portador ou até por um simples detentor (LUG, art. 21). O aceite é escrito na própria letra. Exprime-se pela palavra "aceite" ou qualquer outra palavra equivalente; o aceite é assinado pelo sacado. Vale como aceite a simples assinatura do sacado aposta na parte anterior da letra (LUG, art. 25). O aceite é puro e simples, mas o sacado pode limitá-lo a uma parte da importância sacada (LUG, art. 26). A letra de câmbio pode ser: - À vista. - A dia certo. - A certo termo da vista. - A certo termo da data. Expliquemos rapidamente. - À vista: é o que já conhecemos. - A certo termo da vista: vencimento começa a contar a partir do aceite. Agora, para diferenciar o vencimento a certo termo da data do vencimento a dia certo, vejamos um exemplo. Alberto deve 1.000 reais a Bianca que deve 1.000 reais a Clarissa. Bianca emite uma letra de cambio, ela recebe o nome de sacador. Alberto aceita (ou nao) a letra e recebe o nome de sacado. Clarissa que e a credora recebe o nome de tomador. Letra de cambio a dia certo: Bianca estipula um vencimento "simples", como, por exemplo, dia 31/12. Letra de câmbio a certo termo da data: Bianca estipula um prazo, por exemplo, 30 dias. Estes 30 dias começam a contar a partir da emissao do titulo. A diferença fica mais clara com este exemplo prático. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 30 de 98 Se recusado o aceite, considera-seque há vencimento antecipado do título. Portanto, gravem! O aceite é facultativo, mas, se recusado, considera-se que há vencimento antecipado do título. Ocorrendo o vencimento antecipado, o beneficiário ou tomador poderá exigir a dívida do sacador. Em relação ao sacado não se opera qualquer efeito. Um último aspecto interessante sobre a letra é o seguinte: em função do princípio da cartularidade, o crédito existe na medida em que está contido expressamente na cártula. Contudo, segundo a LUG: Art. 67. O portador de uma letra tem o direito de tirar cópias dela. A cópia deve reproduzir exatamente o original, com os endossos e todas as outras menções que nela figurem. Deve mencionar onde acaba a cópia. A cópia pode ser endossada e avalizada da mesma maneira e produzindo os mesmos efeitos que o original. Art. 68. A cópia deve indicar a pessoa em cuja posse se encontra o título original. Esta é obrigada a remeter o dito título ao portador legítimo da cópia. Se se recusar a fazê-lo, o portador só pode exercer o seu direito de ação contra as pessoas que tenham endossado ou avalizado a cópia, depois de ter feito constatar por um protesto que o original lhe não foi entregue a seu pedido. Se o título original, em seguida ao último endosso feito antes de tirada a cópia, contiver a cláusula "daqui em diante só é válido o endosso na cópia" ou qualquer outra fórmula equivalente, é nulo qualquer endosso assinado ulteriormente no original. Com efeito, o título se torna documento necessário ao exercício do direito nele mencionado. Então, como poderia alguém tirar cópia de uma nota e transferi-la por endosso, apoderando-se da via original? Não contrariaria o princípio referido? Para a LUG não. Essa questão foi abordada pelo CESPE no concurso para Juiz Substituto do TJ SE, em 2008, do seguinte modo: (Cespe/Juiz Substituto/TJ/SE/2008) Alfredo emitiu nota promissória em favor de Pedro e estabeleceu que seu vencimento se daria 6 meses após o vencimento do título. Entretanto, esqueceu-se de apor este acordo no título, que foi emitido sem data de vencimento. Pedro, por sua vez, negociou a nota promissória, colocando-a em circulação. A respeito da situação hipotética acima, assinale a opção correta. a) Pedro pode tirar cópia da nota promissória e transferi-la por endosso, desde que a cópia indique que o original encontra-se em sua posse. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 31 de 98 Este item foi considerado correto pela banca. Embora remeta à nota promissória, o tratamento legislativo também se encontra na LUG. 11 NOTA PROMISSÓRIA A nota promissória, como já dito, é uma promessa de pagamento, que se consubstancia em um título de crédito emitido pelo devedor. Ele é quem promete pagar determinada quantia a alguém. A seguir um modelo de nota promissória: Fonte: http://tabelionatoroquedomingues.com.br/images/servicos/np.jpg Apenas duas figuras circundam a emissão da nota promissória: a) Emitente, devedor, promitente, que é aquele que emite a NP. b) Tomador, beneficiário, que é aquele que se beneficia na relação cambial. Para exemplificar a constituição de uma nota promissória citamos a seguinte hipótese, Pedro empresta R$ 1.000,00 (mil reais) ao seu amigo Anderson, que por sua vez se compromete a efetuar o pagamento do empréstimo em trinta dias, assim sendo, emite Anderson uma nota promissória no valor do empréstimo figurando Pedro como beneficiário, com vencimento para trinta dias da data. Segundo a LUG: Art. 75 - A nota promissória contém: 1 - Denominação "Nota Promissória" inserta no próprio texto do título e expressa na língua empregada para a redação desse título; 2 - A promessa pura e simples de pagar uma quantia determinada; RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 32 de 98 3 - A época do pagamento; 4 - A indicação do lugar em que se deve efetuar o pagamento; 5 - O nome da pessoa a quem ou a ordem de quem deve ser paga; 6 - A indicação da data em que e do lugar onde a nota promissória é passada; 7 - A assinatura de quem passa a nota promissória (subscritor). A nota promissória em que não se indique a época do pagamento será considerada pagável à vista (LUG, art. 76). Na falta de indicação especial, lugar onde o título foi passado considera-se como sendo o lugar do pagamento e, ao mesmo tempo, o lugar do domicílio do subscritor da nota promissória (LUG, art. 76). Na nota promissória não existe a figura do aceite, uma vez que emitida pelo próprio devedor. É jurisprudência do STJ que a nota promissória não pode ser emitida ao portador. A FGV, categoricamente, afirmou o seguinte no 2º concurso para Agente Fiscal de Rendas do Estado do RJ (item incorreto): a nota promissória pode ser emitida ao portador. Todavia, nada impede que seja emitida em branco. Desta forma, o credor deve completar o título de boa-fé antes da cobrança ou protesto, sob pena de não se conferir ao título natureza cambial (Ver in RT 591/220 e in RT 588/210). Torna-se nula a execução de nota promissória sem o preenchimento de seus requisitos essenciais. A nota promissória não será nula, apenas perderá as características de título cambial (LUG, art. 76). Segundo o Decreto Lei 2.044/1908: Art. 55. A nota promissória pode ser passada: I. à vista; II. a dia certo; III. a tempo certo da data. Os títulos a dia certo ou a data certa são aqueles que devem ser pagos no dia neles previsto. Nos títulos a tempo certo da data o prazo para vencimento começa a correr a partir do dia da emissão ou saque. Já para a letra de câmbio, dispõe o decreto que: Art. 6º A letra pode ser passada: I. à vista. II. a dia certo. III. a tempo certo da data. RATEIO DE MATERIAIS PARA CONCURSOS Direito Empresarial – Delegado PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 33 de 98 IV. a tempo certo da vista. Ainda, para os dois tipos de título (nota e letra), prescreve a LUG que Art. 34 - A letra à vista é pagável a apresentação. Deve ser apresentada a pagamento dentro do prazo de um ano, a contar da sua data. O sacador pode reduzir este prazo ou estipular um outro mais longo. Estes prazos podem ser encurtados pelos endossantes. O sacador pode estipular que uma letra pagável à vista não deverá ser apresentada a pagamento antes de uma certa data. Nesse caso, o prazo para a apresentação conta-se dessa data. (FGV/Exame/OAB/2014) Glória vendeu um automóvel a prazo para Valente. O pagamento foi realizado em quatro notas promissórias, com vencimentos em 30, 60, 90 e 120 dias da data de emissão. Os títulos foram endossados em branco para Paulo Afonso, mas foram extraviados antes dos respectivos vencimentos. Sobre a responsabilidade do emitente e do endossante das notas promissórias, assinale a afirmativa correta. a) Apenas o emitente responde pelo pagamento dos títulos porque o endossante não é coobrigado, salvo cláusula em contrário inserida na nota promissória. b) A responsabilidade do emitente e do endossante perante o portador subsiste ainda que os títulos tenham sido perdidos ou extraviados involuntariamente. c) O endossante e o emitente não respondem perante o portador pelo pagamento das notas promissórias em razão do desapossamento involuntário. d) O emitente e o endossante não respondem pelo pagamento dos títulos porque só é permitido ao vendedor sacar duplicata em uma compra e venda. Comentários: Vamos lá! Glória