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DIREITOS HUMANOS AULA 3 Profª Tiemi Saito 2 CONVERSA INICIAL Dando sequência ao nosso estudo sobre os sistemas regionais de proteção aos direitos humanos, vamos abordar nesta aula o Sistema Interamericano de Direitos Humanos, do qual o Brasil é signatário. Vamos conferir como se deu o surgimento deste sistema no âmbito da Organização dos Estados Americanos e quais foram as principais convenções e protocolos que estruturaram o funcionamento de seus mecanismos e instrumentos de proteção. TEMA 1 – SURGIMENTO DO SISTEMA INTERAMERICANO DE PROTEÇÃO DE DIREITOS HUMANOS Como resposta às atrocidades cometidas pelo nazismo e pelo fascismo, surge, no período pós-guerra mundial, a necessidade de instauração do Sistema Interamericano de Direitos Humanos. Assim, a redação do anteprojeto da Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem foi encomendada ao Comitê Jurídico Interamericano na Conferência Interamericana sobre Problemas da Guerra e da Paz, em 1945, no México. Diversas foram as reuniões e debates para que posteriormente, em 1948, tanto a Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem quanto a Carta da Organização dos Estados Americanos fossem aprovadas (Bogotá, 1948). Vamos analisar especificamente alguns documentos e órgãos que atuam na proteção e promoção dos direitos humanos no âmbito interamericano. 1.1 Carta da Organização dos Estados Americanos (OEA) A Carta da Organização dos Estados Americanos, aprovada em abril de 1948 pela OEA, tem como propósito atingir uma ordem de paz e justiça, promovendo a solidariedade e a colaboração entre os países, bem como a integridade territorial e a sua independência. 1.2 Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem A Declaração Americana de Direitos e Deveres do Homem segue a diretriz das declarações de direitos humanos da época, complementando a Carta da Organização dos Estados Americanos. cris Destacar 3 Inovou ao afirmar a concepção universalista dos direitos humanos, estabelecendo que tais direitos decorrem da condição de ser humano, e não apenas de cidadão de determinado Estado. Ademais, como o próprio título demonstra, a Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem apresentou em seu bojo não apenas direitos, mas também os deveres das pessoas; entre estes, o de conviver com os demais, para que cada um possa formar e desenvolver integralmente sua personalidade. 1.3 Comissão Interamericana de Direitos Humanos O Sistema Interamericano de Direitos Humanos possui a Comissão Interamericana, cuja função principal é promover a observância e defesa dos direitos humanos. Para tanto, dispõe de mecanismos como o monitoramento dos relatórios anuais dos Estados-membros; harmonização das leis nacionais em relação aos tratados internacionais de direitos humanos; recomendações formuladas aos governos dos Estados; eventuais visitas in loco; entre outros. 1.4 Convenção Americana de Direitos Humanos A Convenção Americana de Direitos Humanas, também conhecida como Pacto de San José da Costa Rica, foi celebrada em 1969 e constitui o principal documento do Sistema Interamericano. 1.5 Corte Interamericana de Direitos Humanos Muito embora tenha função consultiva e contenciosa, a Corte IDH foi criada com o objetivo principal de julgar casos de violação aos direitos humanos consagrados pela Convenção Americana de Direitos Humanos, podendo determinar medidas protetivas em casos urgentes que apresentem risco eminente de violações graves, estabelecer recomendações ao Estado violador ou condená-lo por meio de sentença. TEMA 2 – CONVENÇÃO AMERICANA DE DIREITOS HUMANOS E O DUPLO REGIME Esta convenção, que estrutura o Sistema Interamericano de Direitos Humanos, reproduziu um rol de direitos muito semelhante ao estabelecido pelo 4 Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos da ONU, contudo, foi além ao determinar que os Estados busquem realização progressiva dos direitos decorrentes das normas econômicas e sociais no que se refere à educação, ciência e cultura, constantes na Carta da OEA. É importante salientar que se estabelece aqui um duplo regime de proteção aos direitos humanos. Por um lado fundamentado especificamente na Carta da OEA, sendo oponível a todos os Estados-membros da OEA e monitorado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos; e, por outro, com base na Convenção Americana de Direitos Humanos, que pode ser fiscalizada sua proteção de todos os Estados que ratificaram a convenção tanto pela Comissão IDH, quanto frente à Corte Interamericana de Direitos Humanos. TEMA 3 – DIREITOS ECONÔMICOS, SOCIAIS E CULTURAIS Também conhecido como Protocolo de San Salvador, o Protocolo Adicional que estabelece Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, de 1999, teve o condão de complementar os direitos humanos declarados pela Convenção Americana de Direitos Humanos. Neste sentido, estabeleceu a proteção a direitos como: direito ao trabalho, previdência social, saúde, alimentação, educação, cultura, direito a um ambiente sadio, direitos das crianças, pessoas idosas e deficientes, entre outros. Lembrando, contudo, que se trata de uma norma programática, cuja efetividade na implementação depende de condições dos recursos disponíveis internos de cada país e da respectiva legislação para que se concretizem progressivamente. O monitoramento destes direitos pode ser realizado pela fiscalização dos relatórios periódicos elaborados pelos Estados e pelo peticionamento individual em caso de violação. TEMA 4 – ABOLIÇÃO DA PENA DE MORTE O protocolo adicional à Convenção Americana sobre Direitos Humanos referente à abolição da pena de morte foi aprovado em Assunção, Paraguai, em 1990, e vetou a aplicação de pena de morte, permitindo a ressalva apenas em tempo de guerra, por delitos sumamente graves. cris Destacar 5 TEMA 5 – PREVENÇÃO E PUNIÇÃO CONTRA TORTURA A Convenção Interamericana para Prevenir e Punir a Tortura foi aprovada em Cartagena das Índias, na Colômbia, em 1985, buscando coibir em toda e qualquer circunstância, ainda que em estado de guerra, a prática de tortura. NA PRÁTICA Em 1998, foi analisado e sentenciado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos o caso Velásquez Rodrígues X Honduras, no qual, de acordo com a denúncia, o jovem universitário havia sido violentamente preso pelas Forças Armadas de Honduras e sem ordem judicial. O caso foi levado a conhecimento do governo, diante do qual se solicitaram informações, porém, sem qualquer resposta. Neste caso, a corte afastou a necessidade de esgotamento das vias internas, pois o Estado sequer respondeu, declarou que houve violação dos direitos humanos por parte de Honduras e condenou o país à indenização compensatória aos familiares da vítima. FINALIZANDO Iniciamos nesta aula os estudos acerca do Sistema Interamericano de Direitos Humanos, conhecendo sobre seu surgimento, alguns órgãos atuantes na proteção regional dos direitos humanos e a constituição de um duplo regime entre a OEA e a Convenção Americana de Direitos Humanos. Analisamos alguns dos principais documentos que estruturam e regem o funcionamento do sistema, tais como a Convenção Americana de Direitos Humanos, a Carta da OEA e protocolos adicionais. cris Destacar cris Destacar 6 REFERÊNCIAS CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS. Disponível em: . Acesso em: 20 fev. 2019. FACHIN, M. G. (Org.). Guia de proteção dos direitos humanos. Cadernos Universitários, Uninter.