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Fundamentos de Fisioterapia Forense Responsável pelo Conteúdo: Prof.ª Esp. Valéria Aparecida Fernandes Revisão Textual: Caique Oliveira dos Santos A CIF na Fisioterapia Forense A CIF na Fisioterapia Forense • Reconhecer a importância do uso da CIF no diagnóstico fisioterapêutico e na formulação dos documentos da fisioterapia forense; • Averiguar a diferença entre as avaliações da capacidade funcional e da capacidade laboral. OBJETIVOS DE APRENDIZADO • O Diagnóstico; • Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF); • Capacidade Laboral. UNIDADE A CIF na Fisioterapia Forense O Diagnóstico Diagnóstico nosológico A Lei nº 12.842, 10 de julho de 2013, que dispõe sobre o exercício da Medicina, em seu art. 4º, § 1º, expõe que: Art. 4º. [...] [...] § 1º. Diagnóstico nosológico é a determinação da doença que acomete o ser humano, aqui definida como interrupção, cessação ou distúrbio da função do corpo, sistema ou órgão, caracterizada por, no mínimo, 2 (dois) dos seguintes critérios: I – agente etiológico reconhecido; II – grupo identificável de sinais ou sintomas; III – alterações anatômicas ou psicopatológicas. (BRASIL, 2013) É importante destacar que, na referida lei, foi vetado o inciso I do art. 4º, no qual se constava que, entre as atividades privativas do médico, estaria a formulação do diag- nóstico nosológico e respectiva prescrição terapêutica, ou seja, outros profissionais da saúde podem firmar diagnóstico nosológico e prescrever terapêuticas. A justificativa é simples: os profissionais da saúde, entre as suas áreas, têm capacidade e competência técnica afirmada em suas grades curriculares para identificar sinais e sintomas e iden- tificar alterações anatômicas e/ou psicopatológicas. Além disso, quando dentro de sua competência profissional, é possível estimar o fator etiológico por diferentes modelos de compreensão. Contudo, na prática, comumente, o médico é quem faz uso do diagnósti- co nosológico para firmar o seu diagnóstico clínico. Figura 1 Fonte: Getty Images A fim de classificar e codificar doenças, sinais e sintomas, achados anormais, cau- sas externas relacionadas a doença, entre outras, é utilizada a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID), publicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e utilizada mundialmente. A CID é revista 8 9 periodicamente e, atualmente, está em sua décima edição (CID-10), estando prevista sua substituição pela 11ª edição em 1º de janeiro de 2022 (WHO, [s. d.]) . Mas, na prática, qual a diferença de um paciente comparecer para consulta fisiote- rapêutica com queixas de dor em coluna lombar, sem o diagnóstico médico firmado, e com o diagnóstico nosológico de lombalgia (CID-10: M54.5)? Isso ocorre porque o diagnóstico nosológico não possui a finalidade de exprimir a com- plexidade da condição do paciente, mas apenas apontar o que ele tem em comum com os demais indivíduos incluídos no mesmo diagnóstico que o caracteriza como enfermo. Por isso, como o fisioterapeuta necessita de informações complexas sobre o estado do paciente para avaliá-lo, prescrever terapêuticas, realizar o acompanhamento da sua evolução e determinar critérios para alta, é essencial que o profissional firme o seu diag- nóstico fisioterapêutico baseado na avaliação físico-funcional do indivíduo. O diagnóstico fisioterapêutico Como vimos anteriormente de nosso curso, a Resolução COFFITO nº 80, de 9 de maio de 1987, que versa sobre o exercício do profissional fisioterapeuta, trata, em seu artigo 1º, do diagnóstico fisioterapêutico: Artigo 1º. É competência do Fisioterapeuta, elaborar o diagnóstico fisio- terapêutico compreendido como avaliação físico-funcional, sendo esta, um processo pelo qual, através de metodologias e técnicas fisioterapêu- ticas, são analisados e estudados os desvios físico-funcionais intercorren- tes, na sua estrutura e no seu funcionamento, com a finalidade de de- tectar e parametrar as alterações apresentadas, considerados os desvios dos graus de normalidade para os de anormalidade; prescrever, baseado no constatado na avaliação físico-funcional as técnicas próprias da Fisio- terapia, qualificando-as e quantificando-as; dar ordenação ao processo terapêutico baseando-se nas técnicas fisioterapêuticas indicadas; induzir o processo terapêutico no paciente; dar altas nos serviços de Fisioterapia, utilizando o critério de reavaliações sucessivas que demonstrem não ha- ver alterações que indiquem necessidade de continuidade destas práticas terapêuticas. (COFFITO, 1987) A resolução é clara ao expor que o fisioterapeuta é competente para elaborar o diag- nóstico fisioterapêutico. Entretanto, como esse diagnóstico é firmado? Na própria resolução, consta que o diagnóstico fisioterapêutico é compreendido como avaliação físico-funcional, realizado mediante metodologias e técnicas fisioterapêuticas, analisando e estudando os desvios físico-funcionais, a fim de detectar e parametrizar as alterações existentes. Ou seja, o fisioterapeuta deve avaliar seu paciente/cliente com me- todologias adequadas e comparar os desvios encontrados com o considerado “normal” e, em seguida, qualificar e quantificar o seu resultado. Importante salientar que o profissional poderá escolher a metodologia que melhor atender a suas necessidades, conforme a avaliação a ser realizada, bem como qual será o parâmetro utilizado para comparar os resultados encontrados em sua avaliação com o considerado normal pela literatura científica. 9 UNIDADE A CIF na Fisioterapia Forense Vamos a um exemplo para facilitar a compreensão. O Senhor X comparece a uma clínica para avaliação. Após realização da anamnese, análise dos documentos e exames complementares de interesse, observa-se que ele tem o diagnóstico de CID-10 M75 (lesões do ombro) firmado pelo médico que o assiste, bem como foi submetido a tratamento cirúrgico no ombro direito com colocação de uma âncora. Até esse momento, não temos nenhuma informação da situação físico-funcional dele, mas apenas seu diagnóstico e tratamento imposto. Depois de coletar informações da história clínica, o fisioterapeuta inicia o exame físico-funcional do Senhor X, e chega o momento de avaliar a amplitude de movimento (ADM) do ombro direito. Nessa etapa, o fisioterapeuta deve decidir qual será a metodo- logia utilizada na sua avaliação. Apenas a título de exemplo, nesse caso, o profissional tem a possibilidade de realizar a avaliação com a goniometria, a biofotogrametria computadorizada ou a avaliação de movimentos complexos. Além disso, após a escolha do método a ser utilizado, o exa- minador precisa selecionar a metodologia utilizada, incluindo o protocolo de avaliação, em qual posição o examinado estará, quantos movimentos serão solicitados, com qual período de pausa entre os movimentos, entre outros. Importante ressaltar que quem decidirá qual será a forma de avaliação da ADM do Senhor X será o profissional fisioterapeuta que está realizando o exame e firmará seu diagnóstico. Claro que sua escolha deve estar baseada em uma metodológica reconhecida e validada, devendo constar, em sua avaliação, a fundamentação utilizada. Continuando, depois de realizar a avaliação da ADM do Senhor X, o fisioterapeuta de- verá comparar os resultados encontrados em sua avaliação com os parâmetros considera- dos normais na literatura, a fim de determinar e parametrizar as alterações apresentadas. Todavia, com qual literatura o profissional deve comparar os seus resultados para determinar os desvios encontrados? Adivinhe... a que ele selecionar em sua avaliação. Ou seja, o profissional deve selecionar a metodologia que utilizará para avaliar cada aspecto de seu exame físico-funcional, como ADM, força muscular, reflexos, sensibilidade, entre outros, e selecionar o padrão de normalidade com o qual irá comparar os resultados encontrados para identificar os desvios dos graus de normalidadepara os de anormalidade. Assim, o diagnóstico fisioterapêutico é de responsabilidade do profissional que realiza a avaliação físico-funcional, por meio de metodologias adequadas, e analisa a existência de desvios, ao comparar os resultados encontrados em seu exame com a literatura selecionada. Destacamos que o objetivo de nosso curso não é ensiná-lo(a) a fazer a avaliação físico- -funcional, mas, sim, demonstrar como utilizar os conhecimentos adquiridos nas outras matérias de seu curso de graduação no ambiente forense. Por fim, após os resultados encontrados na avaliação físico-funcional realizada e com- parando-os com os resultados considerados normais pela literatura, o profissional deve quantificar e qualificar o seu resultado. 10 11 Agora vem a questão principal do diagnóstico fisioterapêutico, como quantificar e qua- lificar os resultados de sua avaliação? Finalmente, chegamos ao tema desta unidade, pois utilizaremos a CIF (Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde). Em síntese A CID classifica e registra a enfermidade e a CIF a complementa com as informações de fun- cionalidade. As classificações são complementares e devem ser utilizadas de forma conjunta. Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) Como vimos em outra unidade de nosso curso, o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO) promulgou a Resolução nº 370 em 2009, determinan- do a adoção da CIF por fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, conforme observa- mos nos arts. 1º e 2º da referida resolução: Art. 1º. O Fisioterapeuta e o Terapeuta Ocupacional adotarão a Classi- ficação Internacional de Funcionalidade, incapacidade e saúde (CIF), se- gundo recomenda a Organização Mundial de Saúde (OMS), no âmbito de suas respectivas competências institucionais. [...] Art. 2º O Fisioterapeuta e o Terapeuta Ocupacional aplicarão, após os respectivos diagnósticos fisioterapêuticos e terapêuticos ocupacionais, a versão atualizada da CIF e sua derivada. (COFFITO, 2009, grifos nossos) De acordo com a OMS (2003), a CIF é um modelo para a organização e documen- tação de informações sobre funcionalidade e incapacidade. Oferece uma linguagem pa- dronizada, base conceitual e classificações e códigos. Importante! A CIF não é um método de avaliação, é uma classificação! Ou seja, a partir dos resulta- dos encontrados na avaliação físico-funcional, que são comparados com os resultados considerados normais pela literatura, é possível quantificar, qualificar e codificar tais resultados pela CIF. Destacamos que, para a CIF, não importa o diagnóstico nosológico do indivíduo ou a etiologia de seu quadro. Por exemplo, uma pessoa pode não andar por diferentes condi- ções de saúde, mas a repercussão funcional é a mesma, independentemente do motivo. Assim, as condições de saúde estão na mesma posição e podem ser comparadas apenas por meio da funcionalidade do indivíduo. Vamos a alguns exemplos para facilitar o entendimento. 11 UNIDADE A CIF na Fisioterapia Forense • Exemplo 1: temos duas pessoas, ambas possuem o diagnóstico clínico de CID-10 M51.1 (transtornos de discos lombares e de outros discos intervertebrais com radi- culopatia). O indivíduo X necessita de uma cadeira de rodas para se locomover, já o indivíduo Y pratica corridas diárias de 10 km. Veja como um diagnóstico clínico não é suficiente para determinar a repercussão da doença na funcionalidade de uma pessoa; • Exemplo 2: temos duas pessoas, ambas necessitam de cadeiras de rodas para locomoção – o caso do indivíduo X é devido ao diagnóstico de CID-10 M51.1, já o caso do indivíduo Z é devido ao diagnóstico de CID-10 Q05.7 (espinha bífida lombar, sem hidrocefalia). Veja como condições de saúde distintas podem acarretar repercussões similares na funcionalidade. Os termos “funcionalidade” e “incapacidade” são entendidos na CIF como termos abrangentes que se relacionam com aspectos positivos e negativos da funcionalidade do ponto de vista biológico, individual e social, com base em uma abordagem biopsicosso- cial, considerando, inclusive, a influência de fatores ambientais. Resumidamente, a CIF considera aspectos relacionados a estruturas e funções e, a par- tir das deficiências constatadas nas estruturas e funções, classifica as repercussões na vida ativa e participativa do indivíduo, apontando a limitação de capacidade e restrições de de- sempenho. Ainda, analisa a influência de fatores contextuais, como pessoais e ambientais. Para facilitar o entendimento dos termos utilizados pela CIF, apresentamos as defini- ções constantes no texto da CIF (OMS, 2003): • Funcionalidade é um termo abrangente para funções do corpo, estru- turas do corpo, atividades e participação. Ela denota os aspectos posi- tivos da interação entre um indivíduo (com uma condição de saúde) e os fatores contextuais daquele indivíduo (fatores ambientais e pessoais); • Incapacidade é um termo abrangente para deficiências, limitações de atividade e restrições de participação. Ela denota os aspectos negativos da interação entre um indivíduo (com uma condição de saúde) e os fatores contextuais daquele indivíduo (fatores ambientais e pessoais); • Funções do corpo: As funções fisiológicas dos sistemas do corpo (in- clusive funções psicológicas); • Estruturas do corpo: Partes anatômicas do corpo como órgãos, mem- bros e seus componentes; • Deficiências: Problemas nas funções ou estruturas do corpo como um desvio significativo ou perda; • Atividade: A execução de uma tarefa ou ação por um indivíduo; • Participação: Envolvimento em situações da vida diária; • Limitações de atividade: Dificuldades que um indivíduo pode encon- trar na execução de atividades; • Restrições de participação: Problemas que um indivíduo pode en- frentar ao se envolver em situações de vida; • Fatores ambientais: O ambiente físico, social e de atitude no qual as pessoas vivem e conduzem sua vida. Estes são barreiras ou facilitadores para a funcionalidade de uma pessoa. 12 13 Organização da CIF As informações da CIF são dividias em duas partes: parte 1 (funcionalidade e incapa- cidade) e parte 2 (fatores contextuais), e cada parte possui dois componentes: CIF Funcionalidade e incapacidade Fatores contextuais Funções e estruturas do corpo Atividades e participação Fatores ambientais Fatores pessoais Figura 2 – Organograma da organização da CIF Fonte: Adaptada de OMS, 2003 A funcionalidade em um domínio específico é resultado de uma interação entre a condi- ção de saúde e o contexto, sendo possíveis diversas associações entre as entidades estudadas. Condição de Saúde (distúrbio ou doença) Funções e Estruturas do Corpo Atividades Participação Fatores PessoaisFatores Ambientais Figura 3 – Interação entre os componentes da CIF Fonte: Adaptada de OMS, 2003 Resumidamente, vamos avaliar as estruturas e funções do corpo do indivíduo, ou seja, avaliar as estruturas do corpo e verificar os impactos nas funções. A partir dos re- sultados encontrados, verificaremos o impacto das deficiências nas estruturas e funções na vida ativa e participativa desse indivíduo. Em seguida, identificaremos o quanto o ambiente em que ele está inserido propicia facilitadores (melhoram o desempenho) ou barreiras (dificultam o desempenho). Visando à facilitação do raciocínio, inicialmente avaliamos a estrutura (anatomia) – como ossos, músculos, tendões, órgãos e assim por diante. Após constatarmos as possíveis deficiências nessas estruturas, realizamos a avaliação da função, ou seja, a re- percussão das deficiências daquela estrutura nas funções – como mobilidade, força, sen- sibilidade dolorosa e assim por diante. Até o momento, sabemos que há uma deficiência numa estrutura com repercussão em uma função e, agora, vamos analisar a repercussão nas atividades e participação desse indivíduo – por exemplo, atividades de vida diária e atividades avançadas, como trabalhar –, constatando a limitação da capacidade (consta-tação do examinador de limitação para alguma atividade) e/ou restrição de desempenho 13 UNIDADE A CIF na Fisioterapia Forense (percepção do examinado da existência de dificuldade). Por fim, são avaliados os fatores ambientais, a fim de determinar se algum fator facilitador ou dificultador (barreira) da situação, bem como os fatores pessoais de influência. A codificação na CIF (OMS, 2003) A CIF é dividida em quatro componentes, e cada um é codificado com uma letra minúscula: • s: estrutura do corpo (structure); • b: função do corpo (body); • d: atividade e participação (domain); • e: fatores ambientais (environment). Após a letra inicial, o número de dígitos que compõem o código indica a categoria e seu nível. O primeiro dígito é usado para categorias de primeiro nível (capítulos 1 a 8 para funções e estruturas do corpo, 1 a 9 para atividades e participação e 1 a 5 para fatores ambientais). Um total de três dígitos é usado para as categorias de segundo nível, quatro para o terceiro nível e cinco para as categorias de quarto nível (algumas categorias não possuem o quarto nível). Além disso, depois dessa codificação inicial, há a codificação de qualificadores. Não se preocupe, vamos explicar melhor a codificação dos diferentes componentes da CIF a seguir. Estrutura do corpo (OMS, 2003) Como vimos, o código referente à estrutura do corpo se inicia com a letra (s) e o primeiro nível do componente estrutura é o mesmo número de seu capítulo, que está organizado da seguinte maneira na CIF: • Capítulo 1: s1 – estruturas do sistema nervoso; • Capítulo 2: s2 – olho, ouvido e estruturas relacionadas; • Capítulo 3: s3 – estruturas relacionadas à voz e à fala; • Capítulo 4: s4 – estruturas do aparelho cardiovascular, do sistema imunológico e do aparelho respiratório; • Capítulo 5: s5 – estruturas relacionadas ao aparelho digestivo e aos sistemas me- tabólico e endócrino; • Capítulo 6: s6 – estruturas relacionadas aos aparelhos geniturinário e reprodutivo; • Capítulo 7: s7 – estruturas relacionadas ao movimento; • Capítulo 8: s8 – pele e estruturas relacionadas. Vamos a um exemplo para facilitar o entendimento dos dígitos da categoria estrutura: o senhor X tem uma deficiência na estrutura músculo do ombro. Pela CIF, temos que: • a letra correspondente a estrutura é a s; 14 15 • o capítulo relacionado às estruturas do movimento é o 7, então o código inicial é o s7 (1º nível); dentro do capítulo 7, há: » s710: estrutura da região da cabeça e pescoço; » s720: estrutura da região do ombro; » s730: estrutura da extremidade superior; » s740: estrutura da região pélvica; » s750: estrutura da extremidade inferior; » s760: estrutura do tronco; » s770: estruturas musculoesqueléticas adicionais relacionadas ao movimento; » s798: estruturas relacionadas ao movimento, outras especificadas; » s799: estruturas relacionadas ao movimento, não especificadas; • no nosso exemplo, o código referente à estrutura da região do ombro é o s720 (2º nível); dentro desse código, há: » s7200: ossos da região do ombro; » s7201: articulações da região do ombro; » s7202: músculos da região do ombro; » s7203: ligamentos e fáscias da região do ombro; » s7208: estrutura da região do ombro, outra especificada; » s7209: estrutura da região do ombro, não especificada; • no nosso exemplo, o código referente aos músculos da região do ombro é o s7202 (3º nível). Observamos que, quanto mais específico for o código, mais números ele terá. Além disso, ressaltamos que a codificação é genérica pela região acometida, ou seja, você não encontrará os nomes de cada osso ou de cada músculo. Como vimos no nosso exemplo, na região do ombro, conseguimos classificar apenas que a deficiência da estrutura do Senhor X ocorreu no músculo da região do ombro. No site da Ciffacil, é possível consultar os capítulos de cada componente da CIF: funções do corpo, estruturas do corpo, atividades e participação e fatores ambientais. Explore-os para conseguir visualizar a extensão dessa classificação. Disponível em: https://bit.ly/3hkdOmP Até aqui, o código já estava pronto na CIF, sendo necessário apenas consultar os capítulos específicos para obter o código correto. Mas não se engane, a codificação não para por aqui. Após o início do código, a parte “pronta” existente nos capítulos da CIF, colocamos um ponto e entramos na parte dos qualificadores. No componente estruturas do corpo, temos três qualificadores: gravidade, natureza e localização. Basicamente, o código rela- cionado à estrutura fica com esta característica: sXXXX.q1q2q3, sendo q1 o qualifica- dor gravidade, q2 o qualificador natureza e q3 o qualificador localização. 15 UNIDADE A CIF na Fisioterapia Forense Vamos entender os qualificadores: • Qualificador de gravidade: é genérico para todos os componentes da CIF e possui as seguintes classificações e codificações: » 0: nenhuma/insignificante (0% a 4%); » 1: leve (5% a 24%); » 2: moderado (25% a 49%); » 3: grave (50% a 95%); » 4: completo (96% a 100%); » 8: não especificado; » 9: não aplicável. • Qualificador natureza: remete à natureza da deficiência da estrutura analisada, sendo classificada e codificada como: » 0: nenhuma alteração; » 1: ausência total; » 2: ausência parcial; » 3: parte adicional; » 4: dimensões aberrantes; » 5: descontinuidade; » 6: posição desviante; » 7: alterações qualitativas; » 8: não especificado; » 9: não aplicável. • Qualificador localização: possui o objetivo de facilitar a aproximação da área da estrutura afetada, sendo classificada e codificada como: » 0: mais de uma região; » 1: direita; » 2: esquerda; » 3: ambos os lados; » 4: parte anterior; » 5: parte posterior; » 6: proximal; » 7: distal; » 8: não especificado; » 9: não aplicável. Vamos a um exemplo: considerando que o Senhor X apresenta amputação completa de membro inferior esquerdo, a codificação da deficiência da estrutura corporal ficaria a seguinte: s75010.412. 16 17 Traduzindo: • s750: estrutura do membro inferior (1º nível) ; • s7501: estrutura da perna (2º nível) ; • s75010: ossos da perna (3º nível) ; • 1º qualificador: 4: deficiência completa ; • 2º qualificador: 1: ausência completa ; • 3º qualificador: 2: esquerda. Funções do corpo (OMS, 2003) Como vimos anteriormente, o componente funções do corpo é codificado pela letra minúscula b e, da mesma forma que o componente estruturas, possui sua codificação de primeiro nível conforme a separação dos capítulos do seu item: • Capítulo 1: b1 – funções mentais; • Capítulo 2: b2 – funções sensoriais e dor; • Capítulo 3: b3 – funções da voz e da fala; • Capítulo 4: b4 – funções dos sistemas cardiovascular, hematológico, imunológico e respiratório; • Capítulo 5: b5 – funções do sistema digestório, metabólico e endócrino; • Capítulo 6: b6 – funções geniturinárias e reprodutivas; • Capítulo 7: b7 – funções neuromusculares e relacionadas ao movimento; • Capítulo 8: b8 – funções da pele e estruturas relacionadas. Do mesmo modo que no componente estrutura, sua codificação possui outros quatro níveis, e, quanto mais específico for o código, mais números ele terá. Vamos a um exemplo para facilitar o entendimento dos dígitos da categoria funções: ao realizar-se a avaliação da mobilidade articular do ombro do Senhor X, foi constatado que ele apresenta 135º de amplitude ativa de abdução. Assim, pela CIF, temos que: • a letra correspondente ao componente função é a b; • o capítulo relacionado às funções neuromusculoesqueléticas e ao movimento é o 7, então o código inicial é o b7 (1º nível); • dentro do capítulo 7, há o código b710 (2º nível), referente às funções relacionadas à mobilidade das articulações; • dentro do código b710, há o código b7101 (3º nível), referente à mobilidade de várias ar- ticulações (ressalta-se que o movimento de abdução envolve mais que uma articulação). No nosso exemplo, o código mais adequado para o comprometimento do movimentode abdução do Senhor X é o b7101. Observamos que, quanto mais específico for o código, mais números ele terá. Além disso, ressaltamos que a codificação é genérica e apenas aponta qual a função acometida (funções das articulações e dos ossos, funções musculares ou funções dos movimentos), mas não é especificado, por exemplo, de qual segmento é a avaliação – no nosso caso, 17 UNIDADE A CIF na Fisioterapia Forense ombro. Isso é justificado pelo fato de já ter sido codificado o segmento na avaliação da estrutura, em que consta que a estrutura são os músculos da região do ombro e também lateralidade em questão. Assim, a codificação no aspecto função é limitada à repercus- são na função daquela deficiência já codificada na estrutura. Observamos, inclusive, que não há a sinalização de qual movimento é a codificação, devendo ser gerado um código para cada movimento avaliado do segmento, bem como para os demais domínios ava- liados, como força muscular, sensibilidade dolorosa e afins. Ainda, conforme visto no tópico anterior, da codificação das estruturas do corpo, no caso das funções também há código qualificador, mas é limitado ao qualificador gravi- dade (o mesmo utilizado no componente estruturas). Basicamente, o código relacionado à função fica com esta característica: bXXXX.q1, sendo q1 o qualificador gravidade. No nosso exemplo, é citado que, ao realizar-se a avaliação da mobilidade articular do ombro do Senhor X, foi constatado que ele apresenta 135º de amplitude ativa de abdução. Tendo em vista que a literatura atual aponta que o considerado normal seria a amplitude de 180º (tabela da American Academy of Orthopaedic Surgeons), temos que o avaliado apresenta 75% da capacidade ideal (para chegar a esse percentual, é só fazer regra de três), ou seja, 25% de deficiência (100% – 75%). Logo, no nosso exemplo, considerando a repercussão na função em 25%, temos a classificação do qualificador gravidade como moderado e codificação 2. Então, o código do Senhor X será: b7101.2. Atividade e participação (OMS, 2003) Como vimos, o código referente a atividade e participação se inicia com a letra d e, da mesma forma que os componentes anteriores, possui sua codificação de primeiro nível conforme a separação dos capítulos do seu item: • Capítulo 1: d1 – aprendizagem e aplicação de conhecimento; • Capítulo 2: d2 – tarefas e demandas gerais; • Capítulo 3: d3 – comunicação; • Capítulo 4: d4 – mobilidade; • Capítulo 5: d5 – cuidado pessoal; • Capítulo 6: d6 – vida doméstica; • Capítulo 7: d7 – relações e interações interpessoais; • Capítulo 8: d8 – áreas principais da vida; • Capítulo 9: d9 – vida comunitária, social e cívica. Da mesma maneira que no componente estruturas, sua codificação possui outros quatro níveis, e, quanto mais específico for o código, mais números ele terá. Como exemplo, citamos o conteúdo do capítulo 4 (mobilidade), em que constam ações como mudança e manutenção da posição do corpo, carregar, mover e manusear objetos, andar e mover-se e deslocar-se utilizando transporte. Assim como nos demais componentes, dentro de cada grupo de cada capítulo, há os códigos de segundo e de terceiro nível. Por exemplo, o código referente a andar distâncias curtas é o d4500. 18 19 Destacamos que, nesse componente, dentro do capítulo 8 (áreas principais da vida), há o subgrupo de trabalho e emprego, que pode ser utilizado como uma forma de classi- ficar o comprometimento da capacidade laborativa do examinado, mas a metodologia uti- lizada para definir os códigos qualificadores deve ser adequadamente fundamentada. No final desta unidade, falaremos um pouco mais sobre a avaliação da capacidade laborativa. Tal como visto nos componentes anteriores da CIF, no caso da codificação das ati- vidades e participações, também há o código qualificador. Nesse componente, há dois qualificadores no código, contudo ambos utilizam o qualificador gravidade (o mesmo uti- lizado no componente estrutura). Basicamente, o código relacionado à função fica com esta característica: dXXXX.q1q2, sendo q1 e q2 os qualificadores gravidade. A diferença entre o qualificador 1 e o qualificador 2 é simples, o primeiro (q1) é rela- cionado à restrição de desempenho, resultado baseado na percepção do examinado de sua dificuldade em desempenhar alguma atividade. Já o segundo qualificador é referente à limitação da capacidade, resultado obtido na avaliação do examinador da situação. Por exemplo, o Senhor X apresenta alteração de marcha e necessita de uma muleta canadense para deambular. Ele percebe, dentro de uma escala analógica apresentada, que apresenta restrição grave para andar curtas distâncias (menos de 1 km), ou seja, o primeiro qualificador será 3 (grave). Quanto à sua avaliação, notou-se que ele realiza as sete fases da marcha, com maior esforço para realizar e andou sem apresentar sinais de fadiga por 900 m, constatando que limitação da capacidade seria leve, isto é, o segundo qualificador seria 1 (leve). Nesse exemplo, o código referente à avaliação do componente atividades e participação, para andar curtas distâncias, seria: d4500.31. Fatores ambientais (OMS, 2003) Como vimos, o código referente aos fatores ambientais se inicia com a letra e e, da mesma forma que os componentes anteriores, possui sua codificação de primeiro nível conforme a separação dos capítulos do seu item: • Capítulo 1: e1 – produtos e tecnologia; • Capítulo 2: e2 – ambiente natural e mudanças ambientais feitas pelo ser humano; • Capítulo 3: e3 – apoio e relacionamentos; • Capítulo 4: e4 – atitudes; • Capítulo 5: e5 – serviços, sistemas e políticas. Tal como nos componentes anteriores, sua codificação possui outros quatro níveis, e, quanto mais específico for o código, mais números ele terá. Este componente possui um qualificador, de gravidade, que pode ser uma barreira (dificultador) ou um facilitador. No caso de o qualificador de gravidade ser uma barreira, a codificação segue o mesmo padrão dos anteriores, ou seja, após o código-padrão – aquele “pronto” na CIF – co- loca-se um ponto e, em seguida, o qualificador. Por exemplo, o examinado apresenta alteração de equilíbrio e marcha e faz uso de um medicamento que possui como efeito colateral tontura. Esse medicamento é considerado uma barreira, pois tem um efeito dificultador para a atividade andar, e com gravidade leve, visto que as crises de tonturas são leves. Assim, no nosso exemplo, o código será: e1101.1. 19 UNIDADE A CIF na Fisioterapia Forense Contudo, há uma diferença na codificação em relação aos anteriores, se o qualificador for um facilitador. Neste caso, em vez do ponto, faz-se uso do sinal de somatória (+). Por exemplo, o examinado apresenta alteração de marcha devido à síndrome do pé caído; para melhorar a marcha, ele faz uso de uma órtese, que melhora moderadamente sua marcha. Desse modo, a órtese é considerada um facilitador e seu código será: e1151+2. Fatores pessoais (OMS, 2003) Os fatores pessoais não são codificados na CIF, mas possuem importância na contex- tualização do seu diagnóstico fisioterapêutico, que deve considerar fatores como: sexo, raça, idade, outros estados de saúde, estilo de vida, hábitos, educação, profissão, renda per capita etc. Por exemplo, vamos considerar dois indivíduos, ambos sofreram uma fratura de cabeça do úmero direito (dominante), com necessidade de intervenção cirúrgica e colocação de placa bloqueada, apresentando, no componente função, repercussão na mobilidade de ombro em 25%. A Senhorita X tem 25 anos e se locomove por meio de carro próprio. Já o Senhor Y tem 55 anos e se locomove por meio de transporte público. Concorda que, apesar da mesma codificação no componente estrutura e função, apenas com as informações de idade e meio de transporte é possível estimar a existência de barreiras e facilitadores que irão influenciar diretamente o qualificador gravidade do componente de atividades e participação, por exemplo, no aspecto deslocar-se? Por isso,a CIF é um modelo biopsicossocial e deve considerar o meio em que o indi- víduo está inserido e os fatores pessoais. A CIF na esfera forense Do exposto, a CIF é uma ferramenta quantificadora, qualificadora e codificadora das disfunções, de interesse a todas as áreas de especialização e atuação fisioterapêutica. De acordo com Lucas (2016), no universo forense, é de suma importância a avaliação da repercussão de um quadro na função do indivíduo, assim como a equiparação dos percentuais de deficiência encontrados com as escalas da CIF, a fim de quantificar e codificar a repercussão encontrada. Além disso, com a avaliação do aspecto atividades e participações, é possível qualificar essa repercussão na vida desse indivíduo, visto que, no ambiente forense, essa informação embasará a existência de dano, de forma qualita- tiva e quantitativa. A CIF não é uma ferramenta de alta complexidade para aplicação, até porque é baseada nos resultados obtidos na avaliação cinético-funcional já realizada, sendo neces- sárias apenas a quantificação, a qualificação e a codificação dos resultados encontrados com o existente na ferramenta. O objetivo desta unidade foi auxiliar na construção do raciocínio para o uso dessa classificação, mas, ao abrir a CIF, você verá que são inúmeros códigos relacionados a cada componente, e a melhor forma de aprimorar seu entendimento sobre ela é fa- zendo. Então, acesse os códigos da CIF e tente classificar alguns casos hipotéticos ou mesmo reais. 20 21 Capacidade Laboral A capacidade laboral, como o próprio nome indica, é a aptidão de um indivíduo para exercer o seu trabalho de forma habitual. O Manual técnico de perícia médica previ- denciária do INSS (2018, p. 26) explicita a conceituação de incapacidade laborativa da seguinte forma: Incapacidade laborativa é a impossibilidade de desempenho das funções específicas de uma atividade, função ou ocupação habitualmente exerci- da pelo segurado, em consequência de alterações morfopsicofisiológicas provocadas por doença ou acidente. Pela OMS, considera-se incapacidade “qualquer redução ou falta (resultante de uma deficiência ou disfunção) da capacidade para realizar uma atividade de maneira conside- rada normal para o ser humano, ou que esteja dentro do espectro considerado normal” (HORVATH JÚNIOR, 2008, p. 163). Importante destacar que a capacidade laborativa não significa que o indivíduo não tenha doença ou lesão, mas, sim, que não há repercussão para o desempenho das ati- vidades laborais habituais. Vamos a um exemplo para facilitar. Continuando com os dois indivíduos do exemplo anterior, ambos sofreram uma fratura de cabeça do úmero direito (dominante), com necessidade de intervenção cirúrgica e colocação de placa bloqueada, apresentando, no componente função, repercussão na mobilidade de ombro em 25%. A Senhorita X tem 25 anos, Ensino Superior completo em Ciências da Computação e trabalha como programadora em uma empresa de tecnologia. Já o Senhor Y tem 55 anos, Ensino Fundamental incompleto e trabalha como pintor. No exemplo, ambos possuem a mesma repercussão na função por uma alteração es- trutural, mas a repercussão na capacidade de desempenhar as atividades laborais habitu- ais é a mesma? Claramente, é diferente, já que o labor da Senhorita X é desempenhado em frente a um computador, com o ombro em posição neutra, e o labor desempenhado pelo Senhor Y exige movimentos de ombros em grandes amplitudes, comumente asso- ciados à sobrecarga. Continuando, o Manual técnico de perícia médica previdenciária (INSS, 2018) aponta, ainda, que a incapacidade deve ser analisada quanto ao grau, à duração e à profissão desempenhada, descrevendo as seguintes classificações e características: Quanto ao grau, a incapacidade laborativa pode ser: I – parcial: limita o desempenho das atribuições do cargo, sem risco de morte ou de agravamento, embora não permita atingir a meta de rendi- mento alcançada em condições normais; ou II – total: gera impossibilidade de desempenhar as atribuições do cargo, função ou emprego. Quanto à duração, a incapacidade laborativa pode ser: I – temporária: para a qual se pode esperar recuperação dentro de prazo previsível; ou 21 UNIDADE A CIF na Fisioterapia Forense II – indefinida: é aquela insuscetível de alteração em prazo previsível com os recursos da terapêutica e reabilitação disponíveis à época. Quanto à profissão, a incapacidade laborativa pode ser: I – uniprofissional: aquela que alcança apenas uma atividade, função ou ocupação específica; II – multiprofissional: aquela que abrange diversas atividades, funções ou ocupações profissionais; ou III – omniprofissional: aquela que implica na impossibilidade do desem- penho de toda e qualquer atividade função ou ocupação laborativa, sen- do conceito essencialmente teórico, salvo quando em caráter transitório. (INSS, 2018, p. 27, grifos nossos) Destacamos que não é possível determinar a existência de repercussão na capaci- dade laborativa de um indivíduo sem verificar exatamente a atividade desenvolvida e as exigências para desenvolvê-la. Além disso, não é possível classificá-la sem saber o prognóstico do quadro, bem como os fatores pessoais do examinado, visto que fatores como idade, escolaridade e habilidades são de suma importância para determinar a pos- sibilidade de reinserção desse indivíduo em outras atividades laborativas. Ressaltamos, inclusive, que a capacidade laborativa é avaliada de forma transversal, ou seja, o que foi constatado no momento da avaliação, podendo sofrer alterações ao longo do tempo. Por exemplo, um indivíduo sofreu uma fratura cominutiva de fêmur, sendo submetido a tratamento cirúrgico com colocação de haste intramedular, estando, no momento da avaliação, fazendo uso de um fixador externo. No momento da avaliação, o examinado apresenta incapacidade total, temporária e omniprofissional e, após se findarem as pos- sibilidades terapêuticas, poderá apresentar redução da capacidade laboral de forma par- cial, permanente e multiprofissional, a depender da evolução do quadro e da atividade desempenhada, ou então evoluir para o restabelecimento de sua capacidade laborativa. Contudo, a repercussão de seu quadro em sua capacidade no futuro só poderá ser de- terminada por meio de uma avaliação realizada futuramente. Há outras metodologias para qualificar e quantificar a incapacidade laboral, cabendo ao examinador a escolha, citando como exemplos a classificação proposta pelo Dr. Penteado, a própria CIF e a tabela ESC. Nas unidades seguintes, iremos estudar como a avaliação da capacidade funcional e laborativa é de interesse nas diferentes áreas de atuação da fisioterapia forense. O Dr. Eduardo Santana Cordeiro escreveu um artigo na Revista CIF Brasil sobre como utili- zar a tabela ESC, baseada na CIF, para quantificar, qualificar e codificar a incapacidade laboral. Disponível em: https://bit.ly/3yap4Je 22 23 Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Vídeos Descomplicando o diagnóstico fisioterapêutico em tempos de pandemia https://youtu.be/Dwq2Zq3pFC8 VI Fórum de Saúde Funcional https://youtu.be/0XU6Dzik3tQ Leitura Análise da confiabilidade e replicabilidade do protocolo de avaliação da capacidade funcional aplicado a perícia judicial trabalhista https://bit.ly/363SPPS Observatório do Cuidado https://bit.ly/2UeZp38 23 UNIDADE A CIF na Fisioterapia Forense Referências BRASIL. Lei nº 12.842, de 10 de julho de 2013. Dispõe sobre o exercício da Me- dicina. Brasília, DF: Presidência da República, 2013. Disponível em: . Acesso em: 13/03/2021. COFFITO – CONSELHO FEDERAL DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIO- NAL. Resolução nº 80, de 9 de maio de 1987.Baixa Atos Complementares à Reso- lução COFFITO nº 8, relativa ao exercício profissional do fisioterapeuta, e à Resolução COFFITO nº 37, relativa ao registro de empresas nos Conselhos Regionais de Fisiote- rapia e Terapia Ocupacional, e dá outras providências. Brasília, DF: COFFITO, 1987. Disponível em: . Acesso em: 13/03/2021. ________. Resolução nº 370, de 6 de novembro de 2009. Dispõe sobre a adoção da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) da Orga- nização Mundial de Saúde por Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais. Brasília, DF: COFFITO, 2009. Disponível em: . Acesso em: 13/03/2021. INSS – INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL. Manual técnico de perícia médica previdenciária. Brasília: INSS, 2018. HORVATH JÚNIOR, M. Direito previdenciário. São Paulo: Quartier Latin, 2008. LUCAS, R. W. C. Fisioterapia forense: atuação fisioterapêutica na Justiça estatal e privada. 4. ed. Florianópolis: Gráfica e Editora Rocha, 2016. OMS – ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. CIF: Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde. Organização geral Centro Colaborador da Orga- nização Mundial da Saúde para a Família de Classificações Internacionais; coordenação da tradução Cassia Maria Buchalla. São Paulo: EDUSP; 2003. WHO – WORLD HEALTH ORGANIZATION. International Statistical Classification of Diseases and Related Health Problems (ICD). Genebra: WHO, [s. d.]. Dispo- nível em: . Acesso em: 13/03/2021. 24