Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

DIREITO 
PROCESSUAL 
CIVIL I
Cássio Vinícius
 
Das provas I
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Explicar a importância da prova no processo.
  Diferenciar provas típicas de provas atípicas.
  Explicar o objeto, o ônus da prova, a valoração e a prova emprestada.
Introdução
A ideia de prova é basilar no contexto processual. A prova não apenas 
confere crédito às alegações feitas pelas partes em juízo, como também é 
constitutiva na formação do convencimento do juiz acerca da controvérsia 
que justifica a própria razão de ser do processo. Desse modo, se não 
fosse oportunizada às partes a possibilidade de provar as suas alegações, 
estariam comprometidas as ideias constitucionais de contraditório, ampla 
defesa e acesso à justiça. 
Neste capítulo, você vai ler sobre o conceito de prova e a sua im-
portância no contexto processual civil. Você também vai ler sobre as 
classificações doutrinárias das provas, os conceitos de objeto da prova, 
o ônus da prova e a prova emprestada. 
Importância da prova para o processo
Do ponto de vista etimológico, a palavra prova vem do latim proba, cujo 
signifi cado é “aquilo que possui força sufi ciente para demonstrar que uma 
dada afi rmação é verdadeira”. Ou seja, é a garantia que — quando vincu-
lada a uma certa alegação — faz tal alegação ser acreditada e considerada 
fi dedigna. No contexto jurídico, não é difícil perceber que a noção de prova 
guarda relação íntima com a noção de prova, pois ela é considerada o liame 
ou a ponte que conecta as alegações factuais feitas pelas partes e a prestação 
da tutela jurisdicional por parte do Poder Judiciário. 
Um exemplo da importância do instituto da prova no processo seria a parte deman-
dante alegar o fato de ter pago ao demandado por um produto que nunca recebeu 
e a demandada alegar que entregou o produto conflituoso da lide. Agora, supondo 
que o ordenamento processual não requeira qualquer possibilidade de sustentar as 
alegações com provas, isto é, que não exista a ideia de que há prova no processo. 
Nesse caso, o juiz seria obrigado a fundar seu juízo de convencimento tão somente 
nas alegações. Assim, não seria possível eliminar o aspecto arbitrário da decisão, pois 
ela se fundamentaria na vacuidade probatória das alegações contraditórias das partes. 
Com isso em mente, como eliminar as marcas da arbitrariedade da decisão judicial, 
garantindo que a formação da convicção do juiz esteja bem fundamentada?
Nesse caso, é necessária a adoção de um critério para decidir sobre a verdade e a 
falsidade das alegações, de modo que seja possível testar a consistência das afirma-
ções contrapostas e a verdade dos fatos que conformam a controvérsia geradora da 
causa. É justamente nesse contexto que aparece a função essencial da prova. No caso 
citado, poderia ser uma nota de recebimento do produto, uma foto da parte com o 
produto ou mesmo uma testemunha que garantisse que o produto não foi entregue 
ao demandado, por ter sido recebido por um terceiro. 
Com base nisso, sobre o conceito de prova no contexto processual, José 
Frederico Marques (1990, p. 310) afirma que se trata do:
Meio e modo utilizado pelos litigantes com o escopo de convencer o juiz da 
veracidade dos fatos por eles alegados, e igualmente, pelo magistrado, para 
formar sua convicção sobre os fatos que constituem a base empírica da lide. 
Torna-se possível reconstruir, historicamente, os acontecimentos geradores do 
litígio, de sorte a possibilitar, com a sua qualificação jurídica, um julgamento 
justo e conforme o Direito.
Assim, a doutrina costuma distinguir três funções básicas da prova no 
interior do processo, a saber: 
  demonstrar a verdade dos fatos controversos; 
  testar a consistência das alegações feitas pelas partes; 
  formar a convicção do juiz. 
Vejamos rapidamente cada uma, começando pela função demonstrativa 
da prova:
Das provas I2
Demonstrar a verdade dos fatos controversos — Quando a controvérsia 
jurídica está fundada em um confl ito acerca da verdade dos fatos, a prova 
se mostra necessária para garantir que as alegações feitas pelas partes são 
verdadeiras. Nesse contexto, mesmo que uma dada alegação corresponda 
fi elmente aos fatos, sendo, em última análise, verdadeira, se não for possível 
aduzir qualquer prova que a substancie, ela não passará de uma alegação 
fragilizada pela falta de provas. Assim, a força de uma alegação é diretamente 
proporcional ao poder probatório a ela vinculado. 
Testar a consistência das alegações — Relacionada ao ponto anterior, está 
a virtude da prova para garantir a consistência das alegações feitas pelas 
partes em juízo. Assim, o conjunto de alegações formado pelas alegações de 
ambas as partes será inconsistente. Dessa forma, via de regra, enquanto uma 
parte alega uma série de fatos que justifi quem um certo pedido, a outra parte 
defende-se alegando uma série de fatos que justifi quem o descabimento do 
pedido em questão. Nesse caso, devemos recorrer às provas para, abandonando 
algumas das alegações conjuntamente contraditórias, garantir que a decisão 
seja proferida apenas com base naquelas devidamente comprovadas e que 
conjuntamente fazem sentido. 
Formar a convicção do juiz — Por fi m, uma última função da prova no 
contexto processual é convencer ou fornecer elementos capazes de formar 
a convicção do juiz acerca do confl ito. Nesse contexto, quanto melhores as 
provas, mais convencido o juiz fi cará acerca da alegação de uma ou outra parte. 
Nem todas as controvérsias judiciais dependem da produção de provas para a conso-
lidação da convicção do juiz. Assim, é importante distinguir dois tipos de controvérsia: 
a controvérsia de fato e a controvérsia de direito. Se a controvérsia é de direito, não 
haverá necessidade de produção de provas que substanciem o pedido da parte. Já, 
se a controvérsia está ligada aos fatos, a produção de prova será fundamental.
Nessa esteira, o art. 371 do CPC de 2015 — ao dispor que o juiz apreciará a 
prova constante dos autos, independentemente do sujeito que a tiver promovido, 
e indicará na decisão as razões da formação do convencimento —enaltece 
3Das provas I
justamente a relação íntima entre a decisão proferida pelo juiz e as razões 
probatórias que justificam a formação do seu convencimento.
Ainda com relação à ideia da convicção do juiz, está a questão da valoração 
da prova no processo civil. Conforme lição de Humberto Theodoro Júnior 
(2018), no curso da história do Direito Processual, foram apresentados três 
critérios distintos, a saber:
  o critério legal; 
  o da livre convicção;
  o da persuasão racional.
Conforme o critério legal, o juiz avalia as provas com base em uma certa 
hierarquia legal previamente determinada. Nesse contexto, a decisão surge 
com base em um processo dedutivo fortemente marcado pelo formalismo, 
que a doutrina costuma chamar de verdade formal. O problema desse crité-
rio é que tornava a decisão judicial relativamente engessada e insensível às 
particularidades dos casos concretos, muitas vezes, inclusive completamente 
desvinculada da realidade fática.
O critério da livre convicção é o extremo oposto do critério de valoração 
legal da prova, pois ele confere máxima força ao juiz para valorar as provas 
produzidas no processo. Tal critério foi muito criticado por possibilitar que 
o juiz proferisse sua decisão, inclusive, a despeito das provas produzidas no 
processo, tornando a própria decisão um ato judicial arbitrário.
Por fim, para superar as críticas atribuídas aos critérios citados, é necessário 
desenvolver o critério da persuasão racional, adotado pelo nosso ordenamento 
processual. Em linhas gerais, ele vincula a decisão do juiz aos elementos 
probatórios produzidos no processo. Diferentemente do que acontece com 
o critério legal, por não precisar se determinar em um sistema hierárquico 
rígido e inflexível, o juiz poderá formar o seu convencimento com uma certa 
margem de liberdade. Porém,não de modo ilimitado, como acontece no caso 
da adoção do critério do livre convencimento. Conforme a lição de Humberto 
Theodoro Júnior (2018, p. 904):
[...] enquanto no livre convencimento o juiz pode julgar sem se atentar, ne-
cessariamente, para a prova dos autos, recorrendo a métodos que escapam ao 
controle das partes, no sistema da persuasão racional, o julgamento deve ser 
fruto de uma operação lógica armada com base nos elementos de convicção 
existentes no processo.
Das provas I4
No contexto processual, a doutrina costuma considerar o conceito de prova sob duas 
acepções: uma objetiva e outra subjetiva. 
Sobre a acepção objetiva, Alexandre Freitas Câmara (2017, p. 200) afirma que “[...] prova 
é qualquer elemento trazido ao processo para tentar demonstrar que uma afirmação é 
verdadeira”. Nesse contexto, quando uma das partes afirma, por exemplo, que juntou 
aos autos do processo uma nota fiscal que comprova o pagamento de uma dívida sob 
disputa judicial, ela usa o termo prova em sentido objetivo, pois a nota fiscal consiste 
em um elemento probatório que pretende garantir a verdade da alegação da parte. 
Sobre a acepção subjetiva, o doutrinador afirma que “[...] a prova é o convencimento 
de alguém a respeito da verdade de uma alegação” (CÂMARA, 2017, p. 200). Nesse caso, 
alguém alega que existe prova de que o pagamento foi feito, ou seja, há uma afirmação 
acerca do próprio poder de convencimento de uma certa prova no interior do processo. 
Luiz Guilherme Marinoni (1996, p. 153) observa que “[...] o direito de 
produzir prova engloba o direito à adequada oportunidade de requerer a sua 
produção, o direito de participar da sua realização e o direito de falar sobre os 
seus resultados”. Assim, o Direito deve garantir que as partes possam oferecer 
a demonstração de tudo aquilo que alegam em juízo. 
Ainda quanto a isso, Humberto Theodoro Júnior (2018, p. 897) afirma que:
Sem a garantia de prova, anula-se a garantia dos próprios direitos, já que “todo 
direito resulta de norma e fato”. Portanto, sendo a existência ou o modo de 
ser do fato (origem do direito controvertido) posto em dúvida, não há como 
se possa fazer valer o direito sem a produção de prova. 
Assim, se a lei apenas disponibilizasse que as partes pudessem alegar a 
ocorrência de certos fatos, mas não oportunizasse que as partes pudessem 
provar o que alegam, seria impossível exigir que o Poder Judiciário prestasse 
a tutela jurisdicional adequada (nos casos que envolvem controvérsias acerca 
dos fatos). Assim, além de não ser possível decidir entre as alegações proferidas 
pela parte autora e pela ré, não haveria nada capaz de ancorar as alegações de 
ambas as partes em algo da própria realidade. Dessa forma, não seria possível 
encontrar um critério para decidir entre aquele que alega com razão e aquele 
que apenas alega. 
5Das provas I
Classificação das provas
O art. 369 do CPC de 2015 estabelece que as partes têm o direito de empregar 
todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não 
especifi cados nesse código, para provar a verdade dos fatos em que se funda 
o pedido ou a defesa e infl uir efi cazmente na convicção do juiz. 
Em primeiro lugar, o direito de prova não é absoluto, pois ele encontra 
limites tanto de ordem moral quanto de ordem pragmática. No primeiro caso, 
há expressa vedação de que as partes utilizem provas obtidas por meios mo-
ralmente ilegítimos. Já no segundo caso, temos uma clara restrição de que 
as partes se valham apenas de provas úteis para influir no convencimento ou 
na formação da convicção do juiz, bem como tenham alguma relação com o 
pedido ou a defesa. Nessa linha, o parágrafo único do art. 370 ainda estabelece 
que o juiz inclusive poderá indeferir, em decisão fundamentada, todas aquelas 
diligências inúteis ou meramente protelatórias. 
Em segundo lugar, o CPC de 2015 permite inclusive a utilização de meios 
probatórios não previstos expressamente na lei. Assim, há a possibilidade de 
classificar os meios de prova em dois tipos: os típicos e os atípicos. Os meios 
de prova típicos encontram previsão legal explícita, já os meios atípicos não 
encontram previsão legal expressa. No primeiro caso, temos, por exemplo, 
o depoimento pessoal, a perícia, a confissão, a exibição de documentos ou 
coisas, entre outros. Sobre as provas atípicas, é possível citar, a título de 
exemplo, a declaração escrita feita por terceiros. As provas atípicas, além de 
não poderem contrariar os meios moralmente legítimos de demonstração das 
alegações, também não poderão contrariar o ordenamento jurídico vigente. 
Além da possibilidade de distinguir as provas com base na questão da 
tipicidade, a doutrina também aponta para vários outros modos de classificá-las. 
Nesse contexto, seguindo a lição de Marcus Vinicius Rios Gonçalves (2017), é 
possível classificar as provas com base em três critérios bem definidos, a saber: 
  quanto ao objeto;
  quanto ao sujeito; 
  quanto à forma.
Das provas I6
No que tange ao objeto, as provas podem ser tanto diretas quanto indiretas. No 
primeiro caso, como o próprio nome indica, a prova estará diretamente conectada 
com o fato de que a parte intenta demonstrar. Já no segundo caso, a prova não 
tem por objetivo a demonstração direta daquilo que se pretende provar, possuindo 
apenas valor instrumental ou como um meio para se chegar à verdade da alegação. 
Um exemplo típico de prova direta é o recibo de pagamento. No caso da prova indireta, 
é possível citar — a título de exemplo — a declaração feita por uma testemunha que 
afirma que a parte estava fora do país, assim, é impossível que ela tenha realizado 
efetivamente uma dada ação imputada pela outra parte.
A propósito do sujeito, as provas podem ser de duas espécies: as provas 
pessoais e as provas impessoais. Enquanto a prova pessoal diz respeito às 
alegações de pessoas acerca de fatos, a prova real é aquela que se origina 
de exames ou inspeções de certas coisas. No primeiro caso, é possível citar 
depoimento de uma testemunha ou das partes, ao passo que, no segundo caso, 
temos o resultado da perícia feita por um especialista.
Por fim, no que tange à forma, as provas podem ser orais ou escritas. Se 
a prova é obtida por meio de um depoimento ou um testemunho prestado 
diretamente em juízo, então, ela será oral. Já se a prova for, por exemplo, 
obtida por meio de documentos ou perícias realizadas por especialistas, ela 
será classificada como escrita. 
Para finalizar, nada impede que uma única prova seja classificada de diver-
sos modos, a depender do critério de classificação empregado. Por exemplo, 
o depoimento de uma testemunha em juízo será, em relação à sua tipicidade, 
uma prova típica. Além disso, a propósito do sujeito, ela será pessoal; e, com 
relação à sua forma, ela será oral. 
7Das provas I
Diferença entre audiência de instrução e 
julgamento e audiência de conciliação ou 
mediação
Entre os arts. 369 a 379, o CPC de 2015 estabelece uma série de disposições 
gerais acerca das provas. A despeito das disposições gerais citadas, ressaltamos 
as seguintes:
  objeto da prova; 
  ônus da prova;
  prova emprestada.
Objeto da prova 
O objeto da prova é a demonstração da veracidade de uma certa alegação profe-
rida no processo. Quanto a isso, é importante que não confundir a alegação com 
o fato, pois o que se visa com a prova não é a demonstração de um fato, mas de 
que uma certa alegação sobre o fato é verdadeira. Ou seja, aquilo que a parte 
afi rma acerca de um dado evento condiz com a realidade (CÂMARA, 2017).
Ainda quanto ao objeto da prova, é interessante mencionar novamente que 
nem todas as alegações feitas em juízo necessitam de prova. Por exemplo, via de 
regra, não há necessidade de prova de alegações que digam respeito aos direitos. 
Porém, tal regra é excetuada pelo art. 376 do CPC de 2015, que afirma que “[...] 
a parte que alegar direito municipal, estadual, estrangeiro ou consuetudinário 
provar-lhe-á o teor e a vigência, se assimo juiz determinar” (BRASIL, 2015, 
documento on-line). Além disso, em relação às alegações de fatos, o art. 374 
estabelece quatro outras hipóteses de desnecessidade de prova, a saber:
  quando se tratam de fatos notórios ; 
  quando os fatos são afirmados por uma parte e confessados pela parte 
contrária; 
  quando os fatos são admitidos no processo como incontroversos ; 
  quando há presunção legal de existência ou de veracidade
Das provas I8
 O Quadro 1 apresenta um resumo dos fatos que dependem de prova. 
 Fonte: Adaptado de Brasil (2015). 
Notórios Aqueles que fazem parte do 
conhecimento geral.
art. 374, I
Afirmados por 
uma parte e 
confessados pela 
parte contrária
Aqueles que foram confessados pela parte 
contrária. Tanto em razão de confissão explícita 
quanto em razão da falta de impugnação.
art. 374, II
Admitidos no 
processo como 
incontroversos
Aqueles em que ambas as partes assumem 
como consensualmente verdadeiros.
art. 374, III 
Em cujo valor 
milita presunção 
legal de 
existência ou 
veracidade
Tal presunção pode ser de dois tipos: absoluta 
ou relativa. No primeiro caso, a presunção 
não admite prova em contrário. No segundo 
caso, aquele que alega não possui o ônus 
de provar a veracidade da sua alegação.
art. 374, IV
 Quadro 1. Fatos que não dependem de prova 
Ônus da prova 
No contexto processual, a ideia de ônus da prova diz respeito à responsabilidade 
de produção de elementos que substanciem a verdade de certas alegações 
acerca dos fatos. Com relação a isso, Humberto Theodoro Júnior (2018, p. 
915) explica tratar-se da “[...] atividade processual de pesquisa da verdade 
acerca dos fatos que servirão de base ao julgamento da causa”. E complementa 
dizendo que “[...] aquele a quem a lei atribui o encargo de provar certo fato, 
se não exercitar a atividade que lhe foi atribuída, sofrerá o prejuízo de sua 
alegação não ser acolhida na decisão judicial”.
Ressaltamos que o ônus da prova não se confunde com a noção de dever, 
pois não há especificamente um dever das partes de produzir provas para suas 
alegações, mas a responsabilidade ou a incumbência de provê-las com vistas 
ao ganho da causa. Caso contrário, aquele que faltar com provas para as suas 
alegações correrá o risco de perder a causa na qual está fundada a controvérsia 
jurídica carente de tutela jurisdicional. 
Por não existir especificamente um dever de provar, a própria ideia de ônus 
acaba por funcionar no contexto processual como uma espécie de critério de 
9Das provas I
julgamento da causa. De modo que, se no momento de proferir a sentença 
o juiz avaliar que não existem provas suficientes para atestar a veracidade 
das alegações controvertidas, cumpre-lhe decidir contra a parte que tinha a 
incumbência legal de provar (THEODORO JÚNIOR, 2018). Em função disso, 
é possível garantir o julgamento de mérito das causas, inclusive quando 
faltam provas capazes de determinar a verdade real dos fatos controvertidos. 
A título de regra geral, o art. 373 do CPC de 2015 estabelece que cumpre ao 
autor o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito e ao réu a existência de 
fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Em outras palavras, 
o autor é responsável por demonstrar a veracidade dos fatos que embasam o 
direito que ele alega ter, ao passo que cumpre ao réu demonstrar que existem 
razões suficientes para garantir que o autor não possui o direito que alega. 
Além da regra geral do ônus direto, o CPC de 2015 também estabelece três 
exceções, em que acontece a chamada inversão do ônus da prova, a saber: 
  quando existe algum acordo entre as partes que estipula que o ônus 
será invertido (inversão convencional do ônus da prova); 
  quando existe alguma imposição legal que determina casos em que o 
ônus da prova será invertido (inversão legal do ônus da prova); 
  quando o juiz determina no caso concreto que o ônus da prova deverá 
ser invertido (inversão judicial do ônus da prova). 
Com relação ao caso de inversão convencional do ônus da prova, cuja celebração 
pode acontecer antes ou durante o processo (art. 373, § 4º), é importante destacar 
que ela não poderá ser absoluta. Isso ocorre porque o CPC de 2015 veda, em seu 
art. 373, § 3º, a possibilidade de as partes convencionarem sobre o ônus da prova 
que recaia sobre direito indisponível da parte, bem como quando a convenção 
acabar tornando excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. 
Sobre a inversão judicial do ônus da prova, o juiz só poderá o fazer quando verificar 
que as peculiaridades da causa impossibilitem ou dificultem muito o cumprimento 
do encargo ou quando for muito mais fácil a obtenção da prova do fato contrário. 
Quanto a isso, vale destacar que a decisão do juiz sempre deverá ser fundamentada, 
justificando o motivo pelo qual desincumbiu a parte de demonstrar a veracidade de 
suas alegações. Porém, nesses casos, a inversão não pode acarretar um ônus impossível 
ou excessivamente difícil para a parte que recebeu a incumbência (art. 373, § 2º).
Das provas I10
Prova emprestada 
Via de regra, as provas que importam a uma certa causa são produzidas no 
interior do próprio processo a que se destinam. Porém, não é difícil imaginar 
que, em um dado processo, tenha sido produzida uma tal prova que calharia 
ser também útil para um processo diverso. Nesse caso, seria possível utilizar 
uma prova produzida em processo diverso? Sim. Conforme art. 372 do CPC 
de 2015: “Art. 372 O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em 
outro processo, atribuindo-lhe o valor que considerar adequado” (BRASIL, 
2015, documento on-line).
Porém, nesses casos, ele deverá oportunizar a possibilidade do contraditório 
para a outra parte.
BRASIL. Lei nº. 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil. Diário Oficial 
[da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 17 mar. 2015. Disponível em: . Acesso em: 26 ago. 2018.
CÂMARA, A. F. O novo processo civil brasileiro. 3. ed. São Paulo: Altas, 2017.
GONÇALVES, M. V. R. Direito Processual Civil esquematizado. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2017.
MARINONI, L. G. Novas linhas do processo civil. 2. ed. São Paulo: Malheiros, 1996, p. 153.
MARQUES, J. F. Manual de Direito Processual Civil. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 1990.
THEODORO JÚNIOR, H. Curso de Direito Processual Civil. 59. ed. Rio de Janeiro: Forense, 
2018. v. 1.
Leituras recomendadas
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Promulgada em 5 de 
outubro de 1988. Disponível em . Acesso em: 26 ago. 2018.
DIDIER JUNIOR, F. Curso e Direito Processual Civil. 18. ed. Salvador: JusPodvim, 2016.
DONIZETTI, E. Curso didático de Direito Processual Civil. 20. ed. São Paulo: Atlas, 2017.
MARINONI, L. G. Novo Código de Processo Civil anotado. 3. ed. São Paulo: Revista dos 
Tribunais, 2017.
11Das provas I
http://planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/
Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para 
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual 
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.
Conteúdo:

Mais conteúdos dessa disciplina