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Pesquisa e Tecnologia Rafaela Cordeiro Gama Neste e-book você conhecerá o histórico da pesquisa até o surgimento da internet e como ela influenciou e revolucionou o fazer científico. Além disso, conhecerá sites e ferramentas necessárias para realização de uma pesquisa na internet com qualidade e refletirá sobre a importância da ética na pesquisa científica. 2 Subtópicos Pesquisa antes da Internet: breve histórico � 3 Considerações finais ���������������������������������������������������������������������12 Pesquisa utilizando Internet ���������������������������13 Considerações finais ���������������������������������������������������������������������19 Pesquisa e recursos tecnológicos �����������������20 Considerações finais ���������������������������������������������������������������������26 Ética na Pesquisa ����������������������������������������������27 Considerações finais ���������������������������������������������������������������������33 Referências Bibliográficas & Consultadas ��34 3 Pesquisa antes da Internet: breve histórico A ciência historicamente avança por meio do acúmulo de conhecimento construído pelo ser humano ao longo da história da humanidade� Esse acúmulo depende do registro e da divulgação científica, para que no movimen- to de questionamento e reconstrução se dê o processo de avanço do conhecimento (DEMO, 2011). Esse processo de avanço do conhecimento científico teve um grande salto de complexidade quando se de- senvolveu a escrita, tecnologia importantíssima para facilitar esse registro e divulgação das pesquisas cien- tíficas. Mas isso não quer dizer que antes da invenção da escrita não exista a produção de conhecimento� Sabemos que o conhecimento também pode ser compar- tilhado por meio da oralidade, como os povos originários e também na Grécia antiga, por exemplo. A oralidade foi – e ainda é – de grande importância na construção do conhecimento e no processo de acúmulo dele� Ape- sar disso, esse processo passou por uma progressão com o surgimento de diferentes tecnologias, como a imprensa e a internet� Você imagina como era realizar uma pesquisa antes da internet? Por exemplo, antes da existência do Google? Hoje conseguimos realizar uma pequena pesquisa em segundos, desde que tenhamos acesso a um aparelho 4 com conexão à internet. Essa também é uma questão específica, pois esbarramos na discussão sobre a de- sigualdade social e o seu desdobramento no acesso à informação� Entretanto, voltemos alguns milhares de anos para co- nhecermos um pequeno histórico de como as questões de comunicação e de compartilhamento de informações foram se modificando na história da humanidade. Mattar (2017) nos apresenta uma divisão da história da humanidade em relação à questão da comunicação e da transmissão de informações em quatro períodos importantes, em que aconteceu um salto de desenvolvi- mento humano: a sociedade oral, a sociedade escrita, a sociedade da imprensa e a sociedade eletrônica� Dentro de cada uma dessas divisões podemos perceber o de- senvolvimento de diversos tipos de tecnologia e como elas influenciaram o desenvolvimento da ciência. Muitos povos construíram o seu conhecimento sobre o mundo a partir do compartilhamento de informações e conhecimentos na tradição da oralidade (MATTAR, 2017). O conhecimento era passado dos adultos aos mais novos, num processo educativo rico e importante para formação das crianças. A sabedoria existente, por exemplo, do uso de plantas e ervas para cura medicinal vinha de um processo de observação por largos períodos de tempo e eram transmitidos com a intencionalidade de preservação desse conhecimento� 5 Entretanto, como Mattar (2017) nos chama atenção, a transmissão de conhecimento a partir da oralidade dependia da presença dos interlocutores no espaço- -tempo. Hoje isso se transformou, haja vista que com o desenvolvimento tecnológico e a possibilidade de gravar áudios de diferentes maneiras, podemos ouvir, por exemplo, um podcast sobre a temática pesquisada e utilizar essas informações na produção de uma pes- quisa. Isso foi reconhecido pela própria comunidade científica quando apresenta a possibilidade de refe- renciar uma produção oral gravada, estabelecendo a autoria do conteúdo� Entretanto, enquanto não existia a possibilidade de gra- vações de falas e de armazenamento de conteúdo para fácil acesso, como na Internet, a tradição oral dependia do espaço-tempo em que acontecia o compartilhamento de conteúdo� Com o desenvolvimento da escrita, primeiro com a utilização de desenhos para representação do que era observado no cotidiano e depois com o desenvolvimento de pictogramas, existiu um salto de desenvolvimento na transmissão de conhecimento e de possibilidades de comunicação entre os seres humanos� 6 FIQUE ATENTO Pictogramas são grafemas de escrita não fonéticas que bus- cam, por meio da repetição, comunicar alguma coisa de forma estruturada, sendo possível olhar para a representação gráfica e saber que aquele desenho comunica algo específico que já foi utilizado em outros momentos, como o símbolo de banheiro que encontramos em lugares públicos. Portanto, é uma figura que representa algo e já está codificada e padronizada em seu significado para realizar a comunicação de algo (CORRÊA, 2020). A padronização importante para uniformização do en- tendimento de um pictograma foi importante para a construção de diferentes formas de escrita, como a al- fabética ou a ideográfica, pois é a partir disso que está o cerne do processo de construção de símbolos para constituição de sentidos e significados e, por conse- quência, para a comunicação. Além do que essa cons- trução da escrita permitiu o acúmulo de conhecimento e ampliou a sua possibilidade de transmissão entre os seres humanos e suas sociedades� Assim, surgem em diferentes sociedades na antiguidade diversos tipos de escrita, como na China, na Mesopo- tâmia, no Egito, Grécia, entre outras sociedades. Eram utilizados diferentes materiais e suportes para registro dessas escritas, como argila, mármore, madeiras, metais, tecidos, papiro, pergaminho etc. É importante salientar que o desenvolvimento das escritas ideográficas se deu por volta de 3100 a.C. (MATTAR, 2017). 7 Figura 1: Exemplo de escrita ideográfica. Fonte: https://www�ricardolengruber�com/post/ novossimboloseacomunicacao� Já a escrita fonética surge por volta de 1000 a.C. com os fenícios inventando um alfabeto e depois sendo adotado e desenvolvido pelos gregos, chegando a ser transmitidos para os romanos e etruscos� Percebe-se que naquela região do mundo, por conta dos contatos entre essas sociedades, a transmissão da escrita per- mitiu o seu desenvolvimento e transformação� Mattar (2017) afirma que nos primeiros séculos os chine- ses já utilizavam o papel para registros escritos e foram os primeiros a desenvolverem uma prensa no século 8. A partir da inserção do papel na Europa pelos Árabes e o desenvolvimento industrial, a imprensa se torna um padrão para difusão e democratização da informação https://www.ricardolengruber.com/post/novossimboloseacomunicacao https://www.ricardolengruber.com/post/novossimboloseacomunicacao 8 por trazer facilidade na reprodução dos textos, que an- tes eram feitos à mão� Primeiro surge a prensa manual e depois surge a mecânica, no século 19, assim como o papel feito de celulose� SAIBA MAIS A prensa, que é uma ferramenta técnica capaz de reproduzir palavras, frases e textos por meio do uso de caracteres ou tipos móveis, é considerada uma revolução na facilitação da trans- missão do conhecimento por meio dos livros e outras publica- ções. Conheça mais sobre essa ferramenta e a importância de Johann Gutenberg para a história do desenvolvimento da escrita acessando o link: https://super�abril�com�br/mundo-estranho/ como-funcionava-a-prensa-de-gutenberg� A partir do desenvolvimento e da especialização da técnica de impressão e do papel, surgem os livros im-pressos, os quais substituíram os livros manuscritos, por exemplo. Isso facilitou a reprodução dos textos, suas traduções e o alcance dos livros para outros espaços e tempos. Mattar (2017) destaca que esse momento teve papel decisivo na Revolução Científica, pois possibilita- va a divulgação das pesquisas e dos textos científicos. Em paralelo aos avanços tecnológicos na escrita du- rante o século 19 e o seguinte, o século 20, existiram outras invenções, como o telégrafo, o rádio, o telefone, a televisão etc. Mattar (2017) destaca que essas foram invenções importantes para se chegar na invenção do computador. Perceba que o movimento de acúmulo https://super.abril.com.br/mundo-estranho/como-funcionava-a-prensa-de-gutenberg https://super.abril.com.br/mundo-estranho/como-funcionava-a-prensa-de-gutenberg 9 de conhecimento e avanço tecnológico possibilitou a transformação das técnicas e ferramentas a serem utilizadas na difusão de conhecimento e de pesquisas. Essas transformações foram ocorrendo cada vez mais rapidamente, dadas as condições para que isso acon- tecesse� Hoje a velocidade de divulgação e de acesso a informações é mais rápida que na época em que as pesquisas precisavam ser realizadas nas bibliotecas, com o uso de atlas, enciclopédias e outros livros, que por vezes, dependendo do assunto, não eram de fácil acesso. Muitos pesquisadores precisavam se deslocar para outros lugares para acessarem livros e documentos que só se encontravam em um lugar específico. Imaginem um pesquisador brasileiro que, antes da in- venção da Internet e dos grandes repositórios de pro- duções, gostaria de aprofundar o estudo da literatura italiana, e que em determinado momento precisaria de uma coleção de livros que não era encontrado no Brasil. Ele precisaria se deslocar para a Itália e realizar sua pesquisa. Esse movimento custaria dinheiro, tem- po e recursos tecnológicos que poderiam inviabilizar a pesquisa. Hoje, com a Internet, é possível acessar obras raras por meio de sites de repositórios de livros digitalizados e salvos na nuvem. O computador e a internet surgiram a partir de uma demanda específica. A história da computação, segun- do Mattar (2017), é intimamente ligada aos órgãos de 10 defesa, os quais são os principais estimuladores do desenvolvimento das tecnologias da informática. Os primeiros computadores surgem por volta de 1945, na Segunda Guerra Mundial. A partir disso, essas ferra- mentas foram se desenvolvendo e se aprimorando e os primeiros microcomputadores, mais próximos do que conhecemos hoje, surgiram na década de 1970. Já na década de 1990, a internet começa a se popularizar. A internet também foi uma invenção relacionada a órgãos de defesa, mais especificamente norte-americano, o qual criou a precursora da internet, a Arpanet (MATTAR, 2017). SAIBA MAIS Conheça mais sobre a história do surgimento dos computado- res e da Internet acessando o site Brasil Escola, onde Carolina Mendes apresenta essa história e as possibilidades de utilização dessas ferramentas importantíssimas para a nossa comunicação nos dias de hoje� Acesso o link: https://brasilescola�uol�com�br/ curiosidades/como-surgiu-a-internet�htm� O vídeo do site TecMundo A história da internet! também apro- funda o conhecimento sobre o desenvolvimento da Internet e as pesquisas para o seu surgimento. Acesse em: https://www� youtube�com/watch?v=pKxWPo73pX0� A internet como conhecemos hoje, com seus portais de comunicação, conteúdo em nuvem e alcance na palma da mão, representa grande parte do local onde buscamos informações, pesquisamos e nos comuni- https://brasilescola.uol.com.br/curiosidades/como-surgiu-a-internet.htm https://brasilescola.uol.com.br/curiosidades/como-surgiu-a-internet.htm https://www.youtube.com/watch?v=pKxWPo73pX0 https://www.youtube.com/watch?v=pKxWPo73pX0 11 camos com diferentes pessoas, em diferentes lugares do mundo. A internet influencia e dá possibilidades de explorar a diversidade de conhecimento do mundo, ter acesso a pesquisas científicas e a dados importantes para o nosso cotidiano� No entanto, existem também questões com a internet que chamam atenção, principalmente nos dias de hoje. Como o acesso à informação é facilitado, é também fa- cilitada a produção dessa informação e dos conteúdos, o que gerou questões específicas como as chamadas “fake news”, ou seja, as notícias falsas. Além disso, existe também a crescente discussão sobre plágio e, mais atualmente, o uso da Inteligência Artificial para a produção de conteúdo� 12 Considerações finais 9 A ciência historicamente avança por meio do acú- mulo de conhecimento construído pelo ser humano ao longo da história da humanidade� 9 A oralidade é de grande importância na construção do conhecimento e no processo de acúmulo dele� 9 O processo de avanço do conhecimento científico teve um grande salto de complexidade quando se de- senvolveu a escrita� 9 A construção da escrita permitiu o acúmulo de conhe- cimento e ampliou a possibilidade de sua transmissão entre os seres humanos e suas sociedades� 9 A partir da inserção do papel na Europa, a informa- ção e conhecimento impressos se tornam um padrão para difusão e democratização. 9 O movimento de acúmulo de conhecimento e avanço tecnológico possibilitou a transformação das técnicas e ferramentas na difusão de conhecimento� 9 A história da computação é ligada aos órgãos de defesa, os quais são os principais estimuladores do desenvolvimento das tecnologias da informática. 9 A internet influencia e dá possibilidades de ter aces- so a pesquisas científicas e a dados importantes para o nosso cotidiano� 13 Pesquisa utilizando Internet Nesse momento iremos refletir sobre o uso da internet para pesquisa e como ela media esse processo no fazer ciência do investigador� Com a invenção e popularização da internet, o conhe- cimento científico passou a ser divulgado de maneira fácil e rápida. Na internet podemos acessar diferentes sites e repositórios, de diferentes lugares do mundo, para acessar o conhecimento de investigações diver- sas, o que diminui a distância entre as instituições que realizam pesquisas. Por exemplo, durante a pandemia de Covid-19, a co- munidade acadêmica do mundo todo pôde quase que instantaneamente divulgar e compartilhar informações sobre o coronavírus, como qual seu mapa genético, se era uma variante, o potencial de infecção etc. Além disso, foi possível que instituições de desenvolvimento de vacinas compartilhassem gratuitamente as infor- mações sobre suas vacinas e como foram realizadas. É claro, com exceção daquelas empresas que criaram as vacinas, que as patentearam para geração de lucro. A internet, portanto, quase eliminou as barreiras de comunicação no mundo todo e deu a possibilidade de muitas transformações na sociedade� Uma dessas trans- formações é a velocidade que o conhecimento científico 14 é divulgado, gerando uma quantidade imensa de dados. Oliveira, Moura e Sousa (2015, p. 51) afirmam que es- sas transformações na sociedade ocorrem por conta: “[���] de novas tecnologias de informação e comunicação, que aos poucos vão se interligando a atividade educativa. A revolução da informática trouxe consigo inúmeros impactos que, por sua vez, atingiram diversas áreas sociais. A educação não escapa dessa mudança� [���] Diante das mu- danças que a sociedade passou e vem passando nos últimos anos, a educação foi umas das que mais sofreu com essas transformações� Portanto, com esse acesso dos atores educacionais a diferentes conhecimentos e informações tem requerido habilidades de seleção e escolha das melhores ferra- mentas para investigação. Fernandes (2019) afirma que ainda se faz necessário qualificar os utilizadores da in- ternet para investigação para que conheçam e utilizem adequadamente as possibilidades da internet. A internet pode ser uma ferramenta que facilita a rea- lização de trabalhos acadêmicos de pesquisa, tanto da graduação quantoda pesquisa de ponta, visto que amplia os horizontes de investigação, sendo possível conhecer diferentes realidades, ter acesso a diferentes pessoas e grupos sociais que nos possibilita ter uma visão que reconhece a diversidade. 15 Nesse sentido, como afirma Fernandes (2019), escolas, universidades e instituições de pesquisa estão inves- tindo cada vez mais em Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs). Hoje, por exemplo, você pode realizar uma graduação ou um curso de pós-graduação totalmente on-line. A autora afirma: “No contexto da Internet como ferramenta para a pesquisa acadêmica, tem-se acompanhado ao longo dos anos uma profunda transformação nos processos educacionais e na forma de se realizar estudos e pesquisa científica. Desde as concepções tradicionais com modelos de ensino e pesquisa voltados para a investigação da realidade através da pesquisa “in loco” até os nossos dias, com as possibilidades advindas das Tecnologias Educacionais Informatizadas (TEI) que nos forne- cem subsídios para estudos e pesquisas através de recursos tecnológicos altamente inovadores� A sociedade contemporânea vive uma explosão infor- macional com milhares de publicações impressas e eletrônicas surgindo a cada dia e informações brotando de todos os lados nos mais variados suportes e veículos, principalmente na internet. (FERNANDES, 2019, p. 172). Entretanto, além da produção e divulgação de conheci- mento científico, a internet também propiciou a produção e a divulgação de informações não verdadeira, como as notícias falsas ou discursos violentos� Com essas problemáticas relacionadas ao acesso da internet, o 16 pesquisador necessita se atentar a como utilizar essa ferramenta em suas investigações� Assim, se faz necessário saber onde pesquisar e quais sites são confiáveis (principalmente na pesquisa cien- tífica). Essa é uma atitude e habilidade necessária para manter a idoneidade das investigações e contribuir para a construção e avanço do conhecimento científico. Estando a par dessa habilidade para realização da pes- quisa pela internet, o investigador tem a possibilidade de entrar em contato com diferentes tipos de conhe- cimento, de diferentes partes do mundo. Isso abre a possibilidade de ampliação do repertório de pesquisa para coleta de dados, fundamentação teórica e abertura de novas possibilidades para investigações� Essa situação, como destaca Fernandes (2019), abre também possibilidade para novas formas de construção do processo de ensino-aprendizagem. Realizar uma pes- quisa na internet necessita, além de uma visão e leitura críticas, de uma constituição de criação e de inovação na construção do conhecimento� A abertura de diferentes periódicos e revistas científicas, além de divulgação das investigações realizadas a nível tanto de graduação, quanto de pós-graduação, abre a possibilidade de um referencial bibliográfico vasto para a investigação� Os livros ainda constituem uma impor- tante fonte de conhecimento, principalmente quando se fala dos referenciais bibliográficos clássicos. Entretanto, 17 a internet tem conquistado lugar mais importante na divulgação rápida de resultados de investigação. Além disso, como observamos a tendência durante a pandemia de Ccovid-19, os eventos científicos e tam- bém as aulas e defesas de trabalhos nas Instituições de Ensino Superior igualmente puderam ser realizadas no modelo remoto por meio da internet� Existiu um in- vestimento imenso em plataformas de transmissão de eventos on-line ao vivo. Nesse sentido, pesquisadores alojados no Brasil podem hoje realizar conferências e comunicações orais em um evento científico na Ingla- terra, por exemplo, sem precisar se deslocar até lá. Antes da internet, essa participação ao vivo de maneira remota em eventos científicos era inimaginável. Isso mostra que ela proporcionou um avanço tecnológico e de conhecimento que antes dela duraria séculos. Fernandes (2019), ao realizar uma pesquisa com aca- dêmicos de um curso de graduação que estavam se preparando para a construção do Trabalho de Conclusão de Curso, observou que a internet e os repositórios de trabalhos acadêmicos são as principais ferramentas utilizadas pelos alunos. Essa é uma tendência obser- vada em diferentes universidades� Contudo, acerca dessas questões em relação à pesqui- sa na internet, Fernandes (2019) reafirma a importância do rigor científico e da produção de conhecimento de maneira ética. Isso dará possibilidade de acompanha- 18 mento da evolução do conhecimento científico e de perceber possibilidade investigativas para contribuir com essa construção� Por fim, para a realização de investigação utilizando-se da Internet também é necessário conhecer os recursos tecnológicos que temos a nossa disposição para realizar uma pesquisa com maior precisão possível. 19 Considerações finais 9 Com a invenção e popularização da internet, o conhe- cimento científico passou a ser divulgado de maneira fácil e rápida. 9 A internet quase eliminou as barreiras de comuni- cação no mundo todo e deu a possibilidade de muitas transformações na sociedade� 9 Com esse acesso a diferentes conhecimentos e in- formações, tem-se requerido habilidades de seleção e escolha das melhores ferramentas para investigação� 9 A internet amplia os horizontes de investigação, sendo possível conhecer diferentes realidades, o que nos possibilita ter uma visão da diversidade� 9 A internet propicia a produção e a divulgação de in- formações não verdadeira, como as notícias falsas ou discursos violentos� 9 Se faz necessário saber onde pesquisar e quais sites são confiáveis (principalmente na pesquisa científica). 9 A abertura de diferentes periódicos e revistas cientí- ficas abre a possibilidade de um referencial bibliográfico vasto para a investigação� 9 Para a realização de investigação utilizando-se da Internet também é necessário conhecer os recursos tecnológicos para realizar uma pesquisa. 20 Pesquisa e recursos tecnológicos Como sabemos, a internet é uma ferramenta de pesquisa poderosa, a qual nos permite, enquanto investigadores, entrar em contato com uma gama de conhecimento produzido por diferentes pesquisadores no mundo. Isso abre possibilidades de investigação infinitas e em alguns momentos isso pode se tornar um desafio, prin- cipalmente em tempos de “fake news”� SAIBA MAIS “Fake news” é um termo utilizado para descrever a tendência contemporânea de disponibilização na internet e em diferentes plataformas de informações e notícias falsas sobre determinado assunto. Não quer dizer que antes da internet isso não existia, mas hoje as “fakes news” têm maior alcance com o uso da rede mundial de computadores� Para saber mais sobre como surgi- ram as fakes news e seus potenciais perigos, acesse: https:// brasilescola.uol.com.br/curiosidades/o-que-sao-fake-news�htm� Nesse sentido, se faz necessário conhecer os caminhos para realização de uma pesquisa ou de um levantamento bibliográfico de referenciais genuínos. Isso está ligado ao conhecimento de sites de instituições de pesquisas oficiais, onde ocorrem a seleção por profissionais da área da pesquisa, ou seja, que já passaram por uma criteriosa seleção e avaliação� https://brasilescola.uol.com.br/curiosidades/o-que-sao-fake-news.htm https://brasilescola.uol.com.br/curiosidades/o-que-sao-fake-news.htm 21 Existem diferentes recursos que podem ser utilizados na pesquisa que fornece informação e conhecimento científico de qualidade. Os grandes portais de repositó- rios de periódicos e de dissertações e teses são fontes de trabalhos de investigação que possuem avaliações e controle por pares mais experientes� Por exemplo, os periódicos científicos são publicações sistemáticas, reguladas por regras específicas. Podem ser chamadas também de revistas científicas. Nelas são apresentados diferentes trabalhos científicos, sendo os mais comum os artigos, e as publicações podem ser organizadas por temáticasespecíficas ou diversas. Esses periódicos são submetidos a avaliações por ór- gãos de regulamentação de pesquisa – no Brasil é a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). A partir do processo de avaliação da estrutura dos pe- riódicos, os quais devem atender alguns critérios es- pecíficos para uma boa classificação (como a revisão por pares mais experientes na investigação daquele determinado tema), são atribuídas “notas” para essas publicações. Essa classificação no Brasil é chamada de Qualis Capes, ou seja: “[…] sistema usado para classificar a produ- ção científica dos programas de pós-graduação no que se refere aos artigos publicados em pe- riódicos científicos. Qualis afere a qualidade dos artigos e de outros tipos de produção, a partir da 22 análise de qualidade dos veículos de divulgação, ou seja, periódicos científicos. (PLATAFORMA SUCUPIRA, 2023). Por exemplo, uma revista científica pode ser classifi- cada com A, B ou C. Além da classificação por letras também se utiliza números. Uma revista classificada como A (que tem um fator de impacto mais alto) pode ser A1 ou A2. As classificações em B podem ir de B1 a B5, já a C não possui a numeração. FIQUE ATENTO O fator de impacto é uma métrica que qualifica as publicações científicas com base nas citações que são realizadas da publi- cação em outros periódicos� Essa medida do fator de impacto é realizada pelo Institute for Scientific Information (ISI), o qual tem como objetivo “oferecer uma cobertura ampla das mais importantes e influentes revistas publicadas em todo o mundo” (TESTA, 1998, p. 233). As quatro primeiras classificações e que possuem fa- tor de impacto na divulgação científica são apenas A1, A2 (a nível internacional) e B1, B2 (a nível nacional). Dessa maneira, observa-se a importância de escolher periódicos que possuem uma classificação Qualis mais alta, pois isso quer dizer que são periódicos que tem uma avaliação maior em termos de rigor científico e também um alcance maior em termos de citação em outros trabalhos� 23 SAIBA MAIS Para consultar a classificação Qualis Capes de uma publicação científica você deve acessar o site Plataforma Sucupira (https://su- cupira�capes�gov�br/sucupira/public/consultas/coleta/veiculoPu- blicacaoQualis/listaConsultaGeralPeriodicos.jsf)� No vídeo do ca- nal no YouTube de Camila Mendes, ensina-se o passo a passo para conhecer a classificação Qualis Capes fazendo a consulta na Pla- taforma Sucupira� Acesse o vídeo no link a seguir: https://www�you- tube.com/watch?v=IS9GDYpBgcQ&ab_channel=CamilaMendes� Nesse sentido, a partir da consulta da classificação dos periódicos você pode selecionar as revistas científicas por temas e buscar os sites de cada revista. Atualmente, a grande maioria das publicações científicas possuem a versão eletrônica da revista. Por exemplo, a publicação Cadernos de Pesquisa (Qualis A1) da Fundação Carlos Chagas, a qual existe desde 1971, possui hoje sua versão on-line. Grande parte das universidades públicas tam- bém possuem revistas científicas com acesso on-line. Mas também existe a opção de realizar uma consulta em sites de consulta de produção acadêmica mais abrangentes. É o caso do uso dos sites Scielo e Google Acadêmico para uma consulta inicial e mais geral de um tema a ser investigado� https://www.youtube.com/watch?v=IS9GDYpBgcQ&ab_channel=CamilaMendes https://www.youtube.com/watch?v=IS9GDYpBgcQ&ab_channel=CamilaMendes 24 O SciELO, abreviatura para Scientific Electronic Library Online, é uma biblioteca digital de livre acesso para a consulta de publicações digitais de periódicos cien- tíficos (SCIELO, 2021). Como bases de publicações científicas como a SciELO existem também a LILACS, Portal de Periódicos CAPES e a Biblioteca do IBICT, onde podemos encontrar a Biblioteca Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD). Além dessas bibliotecas, nacionais e internacionais, podemos utilizar o Google Acadêmico para consultar publicações científicas dos temas investigados. Ele também é um site para pesquisa de livre acesso, que concentra diferentes bases de dados de publicações� Entretanto, por ser de consulta geral é importante se atentar a quais revistas científicas os artigos estão publicados, relembrando a questão da classificação Qualis Capes� Todos esses sites e bases de dados possuem um sis- tema de consulta por meio de palavras-chave� Você já observou que em publicações de artigos, abaixo do resumo, existem as palavras-chave relacionadas àque- le tema? Elas são importantíssimas para a consulta e pesquisa de artigos e outras produções científicas para consulta, referência e estudo. Segundo a NBR 6028 (ABNT, 2021, p. 1), a palavra-chave é uma “palavra representativa do conteúdo do docu- mento, escolhida, preferencialmente, em vocabulário 25 controlado”. Nesse sentido, as palavras-chave devem ser escolhidas de maneira específica, representando as principais discussões realizadas no trabalho. Kobashi (2008, p. 1) nos explica que o vocabulário controlado é: “[...] elaborado para padronizar e facilitar a entrada e a saída de dados em um sistema de informações� Tais atributos promovem maior pre- cisão e eficácia na comunicação entre os usuários e o sistema de informações. [...] Todo vocabulário controlado é composto por um conjunto de termos que representam conceitos de um ou vários cam- pos de conhecimento� Assim, o uso de palavras-chave é uma maneira de ter acesso facilitado à produção científica de determinado tema e elas surgem a partir do vocabulário específico utilizado em uma ou mais áreas de conhecimento. Por isso, ao ler artigos e trabalhos científicos sobre o tema que está investigando, é necessário que você observe os termos específicos da área, ou seja, quais palavras- -chave são empregadas nas publicações e quais farão parte da sua investigação� 26 Considerações finais 9 A internet abre possibilidades de investigação infinitas e em alguns momentos isso pode se tornar um desafio, principalmente em tempos de “fake news”� 9 É necessário conhecer os caminhos para realização de uma pesquisa ou de um levantamento bibliográfico de referenciais genuínos� 9 Os grandes portais de repositórios de periódicos e de dissertações e teses são fontes que possuem ava- liações e controle por pares mais experientes� 9 Os periódicos científicos são publicações sistemá- ticas, reguladas por regras específicas. 9 Esses periódicos são submetidos a avaliações por órgãos de regulamentação de pesquisa. 9 A partir do processo de avaliação da estrutura dos periódicos são atribuídas “notas” para essas publicações� 9 Qualis afere a qualidade dos artigos e de outros ti- pos de produção, a partir da análise de qualidade dos veículos de divulgação� 9 A classificação Qualis mais alta são periódicos que tem uma avaliação maior em termos de rigor científico e de alcance maior em termos de citação� 9 Existe a opção de realizar uma consulta em sites de consulta de produção acadêmica mais abrangentes, como o Scielo, LILACS, Google Acadêmico etc. 9 O uso das palavras-chave facilita o acesso a produ- ção científica de determinado tema. 27 Ética na Pesquisa Com o maior compartilhamento de conhecimento cientí- fico amplificado pela internet, principalmente, as investi- gações no campo científico se tornaram mais complexas e a discussão sobre a ética na pesquisa se ampliou. E isso aconteceu pois, historicamente, existiram abusos realizados por pesquisadores, principalmente com seres humanos e ainda hoje com animais� As investigações científicas têm como objetivo contribuir para o avanço do conhecimento, buscando resultados importantes para a comunidade científica, de interesse social e profissional (DEL-MASSO; COTTA; SANTOS, 2014). Além disso, para realização de uma investigação é necessário seguir passos específicos, com rigor ético e metodológico. Nesse sentido, todo esse processo de realização de uma investigação deve estar permeadode condutas éticas. Essas condutas éticas precisam estar alinhadas com a questão dos direitos autorais e de proteção de dados. Essas questões já eram postas em discussão, segundo Mattar (2017), desde o surgimento da imprensa, da figura do autor e dos livros. Entretanto, na era da internet essa discussão se intensifica, pois o acesso à informação e à produção de outros pesquisadores ficou mais fácil. Além disso, a quantidade de material produzido e divul- gado na internet é imensa. Isso trouxe uma facilidade 28 maior para a realização de plágio e de cópia de textos de outros autores sem as devidas referências� Imagine: você investiu durante algum tempo toda sua concentração e habilidade para realizar uma pesquisa para um trabalho de conclusão de curso� Sabemos que a realização de uma pesquisa não é algo simples, é muito trabalhoso e requer tempo e espaço para sua realização. Você está investindo, além de horas de es- tudos e de trabalho intelectual, tempo da sua vida para realização daquela pesquisa. Reflita sobre todos os desafios que precisamos enfrentar quando realizamos uma pesquisa. O planejamento, as leituras, a busca por sujeitos de pesquisa, o conhecimen- to de normalização do trabalho escrito, enfim. Passado todo o processo, você finaliza seu estudo escrevendo e publicando os resultados daquele trabalho árduo. Essa publicação vai para a internet, onde você vê a oportunidade de ter o seu trabalho reconhecido e os resultados discutidos com outros pesquisadores. En- tretanto, um dia, lendo artigos na internet para um es- tudo, você descobre que parte do seu trabalho ou do artigo publicado foi copiado por outra pessoa que não citou sua publicação. A cópia ou plágio, além de ser um desrespeito ao trabalho intelectual e de autoria de outra pessoa, é crime. Hoje existem legislações específicas que cuidam dessas questões. 29 Ser pesquisador é assumir o compromisso com a ética e o trabalho dos outros pesquisadores, fortalecendo a comunidade científica. Por isso se faz necessário e importantíssimo referenciar os autores que utilizamos para fundamentar nossas pesquisas. Além da cópia ou plágio com intenção, também pode- mos cometer o erro de não referenciar um autor por descuido (DEL-MASSO; COTTA; SANTOS, 2014). Du- rante uma pesquisa lemos diferentes materiais e em determinado momento começamos a construir o texto e trazemos ideias ou parte de textos de memória e não referenciamos o autor� Por isso se faz necessário durante a leitura de diversos materiais a realização de fichamentos para que, ao es- crever um texto, possamos buscar essas informações nas fichas e possamos referenciar os autores de ma- neira correta� O plágio é um problema grande dentro da academia. Ele também não contribui para o avanço do conhecimento científico e pode acarretar problemas tanto para quem cometeu o plágio, quanto para quem foi plagiado. 30 Nesse sentido, é importante que, desde a realização dos trabalhos de graduação até a realização de pesquisas a nível de pós-graduação ou em pesquisa de ponta, sejam respeitadas as normas éticas de produção científica. É assim que a ciência se torna uma fonte de informação e conhecimento fidedigno, confiável e que pode contri- buir para a realidade� O plágio pode ter diferentes formas, como nos destaca Del-Masso, Cotta e Santos (2014, p. 15): “Com o avanço da tecnologia e com o uso frequente das fontes eletrônicas de informação, o meio acadêmico também se resguardou acerca dessa questão. Hoje há meios para verificar os textos redigidos e a sua originalidade mediante ferramentas de busca como o Turnitin e o Farejador de Plágio. Caso o autor do texto não seja citado, essas ferramentas identificam o autor original, o local onde o texto original foi publicado e qual o trecho copiado do original sem citar a fonte, o que se configura em plágio. Lembre-se de que o plá- gio não se caracteriza apenas pela transcrição de frases inteiras de outro autor� Pode-se considerar plágio também a transcrição, sem marcação de autoria, de uma simples expressão. Se uma ex- pressão tem marca registrada, isto é, pertence a um autor específico, colocá-la sempre entre aspas. 31 Entretanto, a ética na pesquisa também perpassa as decisões que um pesquisador realiza durante uma in- vestigação. Spink (2012) nos chama atenção para o compromisso ético e moral do investigador em relação ao que pesquisar e para quem ou para o quê esse co- nhecimento servirá. O autor explica: “[...] a ética na pesquisa científica não se reduz ao como fazer, como comunicar e aos limi- tes do que dizer. Antes de mais nada, refere-se ao que foi investigado e para quem – eis a “questão” que precisamos aprender a desembrulhar. Se não, corremos o risco de ter uma ciência corretíssima – com procedimentos auditados, códigos de pu- blicação e manuais de melhores práticas –, mas moralmente irresponsável. (SPINK, 2012, p. 41). A ciência surge no sentido de contribuir para o avanço e o desenvolvimento da sociedade e das relações sociais� Nesse sentido, é importante considerar no momento de escolha de um tema para investigação qual a sua jus- tificativa e contribuição para com os problemas que a sociedade enfrenta. Claro que a ciência não se resume a isso, mas assumir esse compromisso ético e moral com a sociedade na produção de conhecimento cien- tífico dá sentido ao fazer da investigação. Além disso, quem terá acesso a esse conhecimento ou tecnologia construído? Será para a maioria da população ou ape- nas para grupos específicos, com objetivos financeiros? 32 Portanto, a discussão sobre ética na pesquisa na con- temporaneidade está para além da questão do plágio, que não deixa de ser uma discussão importante. Mas, discutir a ética na pesquisa passa também por consi- derar a importância da ciência para o desenvolvimento da sociedade e como e quem dessa sociedade irá se beneficiar disso. 33 Considerações finais 9 Com o maior compartilhamento de conhecimento científico gerado pela internet, a discussão sobre a ética na pesquisa se ampliou. 9 As investigações científicas têm como objetivo con- tribuir para o avanço do conhecimento� 9 As condutas éticas precisam estar alinhadas com a questão dos direitos autorais e de proteção de dados. 9 Na era da internet a discussão sobre plágio se inten- sifica, haja vista que o acesso à informação e à produção de outros pesquisadores ficou mais fácil. 9 Ser pesquisador é assumir o compromisso com a ética e com o trabalho dos outros pesquisadores, for- talecendo a comunidade científica. 9 Se faz necessário, além de importantíssimo, refe- renciar os autores que utilizamos para fundamentar nossas pesquisas. 9 Com a produção ética, a ciência se torna uma fonte de informação e conhecimento fidedigno, confiável e que pode contribuir para a realidade. 9 A ética na pesquisa também perpassa as decisões que um pesquisador realiza durante uma investigação. 9 A ciência surge no sentido de contribuir para o avan- ço e o desenvolvimento da sociedade e das relações sociais� 9 A ética na pesquisa deve considerar a importância da ciência para o desenvolvimento da sociedade e como ela irá se beneficiar disso. 34 Referências Bibliográficas & Consultadas CORRÊA, E. 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