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10/08 Primeira aula Bibliografia Aury lopes Jr Direito processual penal Nosso sistema penal é acusatório. Princípios Obrigatoriedade da ação penal Presunção da inocencia Críticas à Teoria geral do processo Uma vez que você entra com processo civil se você quiser, o processo penal é obrigatório, a liberdade de uma pessoa está em jogo pois um crime ocorreu e precisa ser punido, diferente do processo civil. Com relação ao processo penal, forma é garantia e limite de poder. Ou seja, ele precisa se adequar às regras do jogo sob pena de nulidade, qualquer violação dos princípios anula-se tudo. Já no processo civil não exige-se essa formalidade pois não trata de algo tão importante como a liberdade de alguém. No processo penal não é possível entrar na justiça sem analisar o mérito, mesmo que superficialmente, já no processo civil “se eu cismar que o carro do meu vizinho, eu posso entrar na justiça com uma ação pública, autônoma e abstrata”. Com relação às condições da ação, no processo civil é interesse de agir e legitimidade do pedido. No processo penal cada ação tem um pedido distinto, é a necessidade de agir, um crime foi praticado. Com relação ao juiz natural e a imparcialidade, esse juiz imparcial não existe pois é impossível ser neutro em relação a alguma coisa. O promotor de justiça precisa provar que o réu é culpado pelo princípio da presunção de inocência, o juiz vai analisar a defesa. Na dúvida, o penal absolveu o réu, no civil, é preciso tomar uma decisão. Para pedir uma medida cautelar de urgência no processo civil Fumus bonus iuris Periculum in mora OBS: Adverte Juarez Cirino dos Santos de que o processo penal não se constitui de partes livres e iguais como no processo civil, ao contrário, trata-se de uma relação de poder instituída pelo estado com a finalidade de descobrir a verdade de fatos criminosos e punir os autores considerados culpados. OBS1: O direito civil é autoexecutável e só chamará o processo civil quando houver uma lide, uma pretensão resistida. Já no campo penal não, o direito penal não é autoexecutável, ele é castrado, ele não existe, não tem uma realidade concreta fora do processo penal. 17/08 Contexto Histórico - Sistemas Processuais OBS: 4 Institutos do pacote anti crime foram suspensos Suspensão promovida pelo STF diante da lei 13964/2019 I- Juiz das garantias, fundamental para um processo acusatório limpo, suspenso. Acrescentará o artigo 3-A a 3-F do CPP. II- Arquivamento do inquérito policial dentro do ministério público, artigo 28 CP, o juiz que tem o poder para arquivar inquérito policial e não mais o ministério público. III- Impedimento do juiz que tem contato com a prova inadmissível, ilícita, em desfavor do réu. IV- Ilegalidade da prisão pela não realização da audiência de custódia no prazo legal, 310, par. 4. CPP SISTEMAS Acusatório: Vem da Grécia antiga, a ação popular era para delitos graves, e os menos gravosos a ação era mais privada. Se houvesse recurso, esse processo seria submetido ao povo. Esse período só era possível para o cidadão e varão/chefe de família, e a mulher não era considerada cidadã. Características: I- Atuação dos juízes deveria ser passiva, no sentido de que deveriam manter a apresentação das provas e a contestação delas entre as partes, mas havia a figura do juiz extremamente inerte. II- Atividade de acusar e de julgar era distribuída para pessoas distintas III- A vedação ao procedimento de ofício pelo magistrado, ele deveria ser provocado pela acusação. IV- A acusação deveria ser por escrita indicando as provas, deveria haver o contraditório e o direito de defesa, o procedimento era oral V- Os julgamentos eram públicos, com o magistrado votando ao final, sem deliberação. Inquisitivo: Características: I- O poder de acusar, investigar e julgar estava na mão de um único sujeito II- Não havia contraditório nem ampla defesa III- Buscava-se a qualquer custo, legitimando tortura, a verdade real IV- O acusado é mero objeto de um procedimento estatal, não um sujeito de direitos Misto: É a regra, o mundo trabalha com esse sistema, também chamado de Sistema Francês. O processo é dividido em 2 fases, a inquisitiva e a acusatória, na 1 as provas são colhidas em segredo por meio de um encarregado, e depois é trazida integralmente para dentro do processo, e a 2a fase é o processo. O indiciado também é tratado como mero objeto na 1a fase. O processo é uma mera repetição do inquérito, tudo que foi coletado é trazido para dentro do processo, e o juiz acaba reproduzindo com ares de um sistema acusatório. O Brasil passou a seguir o sistema acusatório, e traz isso no artigo 3-A do pacote anti crime. O artigo 129 purificou o sistema acusatório Normas de investigação pura - inquérito policial feito pela polícia judiciária Investigação criminal derivada - apuração de infrações militares Investigação criminal impura - não autorizada pela constituição A investigação criminal hoje no brasil é sempre inquisitorial? Não, a forma inquisitorial é um procedimento, já o processo, no brasil, é acusatório. Pode, por uma questão de política criminal, o legislador ordinário suprimir do processo penal o contraditório e a ampla defesa? Não. Isso é uma garantia fundamental. O legislador pode introduzir nesse procedimento o direito contraditório a ampla defesa, mas não pode suprimir do processo Resumo: O sistema acusatório, o inquisitório e o misto ou francês. O sistema do Brasil é acusatório. Interação existente entre Promotor acusação - Juiz- Defesa Papel do Juiz na produção das provas Direito de defesa do acusado 24/08 Princípios Processuais Penais Presunção de Inocência/Não culpabilidade ou Estado de Inocência: Consiste no direito de não ser declarado culpado senão após o trânsito em julgado, o final do processo quando não cabe mais recurso, da sentença penal condenatória. Sua previsão legal está no artigo 8 do CAD, par. 2, e artigo 5, inciso LVII da CF Comment by Jorrany Fernandes: Toda pessoa acusada de delito tem direito a que se presuma sua inocência enquanto não se comprove legalmente sua culpa. Durante o processo, toda pessoa tem direito, em plena igualdade, às seguintes garantias mínimas Comment by Jorrany Fernandes: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória; Esse princípio tem duas dimensões: Interna: Voltada para dentro do processo. Trabalha com A) Regra Probatória: O ônus da prova cabe a quem acusa, no caso, o ministério público, o ônus de provar a não culpabilidade é toda do estado, em regra nas ações públicas. Nas ações privadas cabe àquele que foi acusado provar sua inocência. B) Regra de Tratamento: Externa: Voltada para fora do processo. O princípio da presunção de inocência e as garantias constitucionais da imagem, da dignidade e privacidade demandam uma proteção contra a publicidade abusiva e a estigmatização do acusado, funcionando como limites democráticos à abusiva exploração midiática em torno do fato criminoso e do próprio processo judicial. Por exemplo, o ministério federal em relação à condenação do Lula, apresentou o powerpoint colocando o Lula no centro como líder da organização criminosa para a imprensa, foi um abuso de autoridade. O poder público não pode agir dessa maneira. Artigo 13, I e II, Lei 13689/2019 proíbe o costume das pessoas de filmarem a pessoa sendo presa, é vexatório. Comment by Jorrany Fernandes: Art. 13. Constranger o preso ou o detento, mediante violência, grave ameaça ou redução de sua capacidade de resistência, a: I - exibir-se ou ter seu corpo ou parte dele exibido à curiosidade pública; II - submeter-se a situação vexatória ou a constrangimento não autorizado em lei; Na dúvida beneficia-se o réu, in dubio pro reo, que é no momento da sentença se a acusação não conseguiu provarnada que alegou e o juiz tem dúvidas, e nesse caso deverá absolver artigo 386, VI Comment by Jorrany Fernandes: Art. 386. O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte dispositiva, desde que reconheça: VI – existirem circunstâncias que excluam o crime ou isentem o réu de pena, ou mesmo se houver fundada dúvida sobre sua existência; Limite Temporal do Princípio 1 Período - Fevereiro de 2009: aqui é possível a execução provisória da pena. Se o réu fosse condenado em segunda instância e interpusesse recurso especial ou recurso extraordinário teria que iniciar o cumprimento da pena enquanto aguardava o julgamento de tais recursos. 2 Período - Fevereiro de 2016: o ministro Eros Grau, ao julgar o HC(habeas corpus) 84078 mudou a posição do STF por votação de 7 a 4, e passou a entender que não era possível a execução provisória da pena 3 Período - Novembro de 2019: o HC 126.292 da relatoria do Teori Zavascki retorna-se a primeira posição, entendo que até o segundo grau é considerado inocente, e a partir da segunda instância já deve dar início ao cumprimento da pena. Os fundamentos dessa decisão determinavam que é possível a execução provisória da pena após a prolação do acórdão condenatório em segundo grau, que não ofende o princípio da não culpabilidade; como principal argumento o recurso especial e o extraordinário não possuem efeito suspensivo, artigo 637 CPP; terceiro argumento matéria fática Comment by Jorrany Fernandes: Art. 637. O recurso extraordinário não tem efeito suspensivo, e uma vez arrazoados pelo recorrido os autos do traslado, os originais baixarão à primeira instância, para a execução da sentença. artigo 283 CPP, se este artigo é constitucional, cai por terra a decisão do Teori Zavascki. Comment by Jorrany Fernandes: Art. 283. Ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente, em decorrência de prisão cautelar ou em virtude de condenação criminal transitada em julgado. Agora presume-se a inocência até o trânsito em julgado, até esgotarem-se todos os recursos. Só tem início o cumprimento da pena após o trânsito em julgado, mas os tribunais ficam atentos, e veio o artigo 116 do pacote anti crime para tentar buscar a prescrição. Não cabe a execução provisória da pena mas quando for para os tribunais superiores suspende-se a prescrição Princípio de Nemo Tenetur se Detegere: Ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo, é o princípio da não autoincriminação. Sua previsão legal está na CF artigo 5, LXIII e no Pacto SJ da Costa Rica, artigo 8, par. 2, G. Comment by Jorrany Fernandes: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado; Comment by Jorrany Fernandes: 2. Toda pessoa acusada de delito tem direito a que se presuma sua inocência enquanto não se comprove legalmente sua culpa. Durante o processo, toda pessoa tem direito, em plena igualdade, às seguintes garantias mínimas: g. direito de não ser obrigado a depor contra si mesma, nem a declarar-se culpada; O raciocínio de quem cala consente está errado, a defesa que pede para o réu fazer silêncio dá um tiro no pé, mas baseado nisso entra em vigor a reforma de 2008, o réu não é mais obrigado a estar presente no plenário, logo, o silêncio não será mais interpretado contra ele. Há uma divergência no que se refere ao policial que na hora da prisão deve advertir sobre o direito que ele tem de não produzir provas contra ele mesmo. Há uma corrente minoritária que diz que não é necessária essa advertência, pois não pode ser utilizado o argumento do desconhecimento da lei, pois presume-se de que todos sabem e conhecem a lei O aviso de Miranda: consiste na obrigação de informar o acusado de seu direito ao silêncio, de que tudo o que disser poderá ser usado contra si e da garantia de assistência jurídica, sob pena de nulidade Essa advertência é obrigatória? Uma parcela entende que sim, é para todos. A segunda corrente, majoritária, entende que não, esse aviso só vale para o estado, para os policiais, o magistrado, o ministério público, etc. Desdobramentos desse princípio: O 198 do CPP é um artigo contraditório, só a primeira parte é recepcionada. Comment by Jorrany Fernandes: Art. 198. O silêncio do acusado não importará confissão, mas poderá constituir elemento para a formação do convencimento do juiz. Além do direito ao silêncio, esse princípio tem a inexigibilidade da verdade, isso não é punido mas também não é um direito, pois é antiético e o governo não pode dar o direito de tal ação, mas o réu pode mentir, ele não tem a obrigação de falar a verdade. O réu sendo interrogado nega sua culpa e acusa outra pessoa, mesmo sabendo que essa pessoa seja inocente, se houver a partir disso uma ação sobre essa pessoa, o acusado incide no 339, imputando um fato criminoso a uma pessoa determinada, ou se dali não houver uma movimentação da máquina administrativa, é fato falso e criminoso, calúnia. Comment by Jorrany Fernandes: Art. 339. Dar causa à instauração de inquérito policial, de procedimento investigatório criminal, de processo judicial, de processo administrativo disciplinar, de inquérito civil ou de ação de improbidade administrativa contra alguém, imputando-lhe crime, infração ético-disciplinar ou ato ímprobo de que o sabe inocente: A falsa identidade, nome falso, endereço, qualquer coisa, incide no 307,e está sumulado na 522 do STJ, o réu tem a obrigação, no que tange às identificações pessoais, de não mentir. Praticar comportamento ativo consiste em não autoincriminação, ser submetido a exame grafotécnico, espectrograma, o bafômetro ativo(o de assoprar, mas tem o passivo, que somente capta sua respiração e não tem como se abster desse exame), reconstituição do crime, o réu não é obrigado sob o argumento de não produzir provas contra si mesmo. Renato brasileiro diz que o réu não precisa se recusar a participar da fila de reconhecimento de criminosos, pois não é um comportamento ativo. O Aury entende que isso é um comportamento ativo Direito de não produzir nenhuma prova incriminadora invasiva: Implica na penetração do organismo humano e na extração de uma parte dele, como colher sangue para dna não é obrigatório, pode ser importante para vitimas de estupro por exemplo para saber se a vitima foi drogada, mas o acusado não é obrigado. Fio de cabelo depende, se arrancar um fio de cabelo é uma prova invasiva, mas se pegar de um pente que já tinha um fio de cabelo não é invasiva. Lixo descartado pode ser usado como meio de prova também. Raio X no aeroporto não é prova invasiva O princípio do Nemo VS Outros princípios Os princípios não pode ser usados como escudo para cometer ilícitos Uma exceção, se um condutor da causa a um acidente que da vítimas, ele não é obrigado a ficar no local e produzir provas contra si mesmo, mas não obsta de não pedir socorro. Mas ele pode ficar a fim de não alterarem o local do crime para mostrar os fatos que são favoráveis a ele Dever de interrupção imediata do interrogatório quando o imputado optar pelo direito ao silêncio. Sede policial em juízo, não vai ficar o delegado fazendo mil perguntas e o réu dizendo que não vai responder. Artigo 15 da lei de abuso de autoridade Comment by Jorrany Fernandes: Art. 15 Constranger a depor, sob ameaça de prisão, pessoa que, em razão de função, ministério, ofício ou profissão, deva guardar segredo ou resguardar sigilo: Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa 14/09 Continuação Princípios Princípio do Contraditório Sempre que, artigo 5, LV, CF, na esfera processual civil, penal, etc, Plínio Gonçalves diz que contraditório implica no binômio informação + possibilidade de manifestação. Não existe nenhum procedimentosem o contraditório. Essa reação é uma igualdade, uma paridade. Comment by Jorrany Fernandes: LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; A informação se dá quando o sujeito tem acesso a todos os atos praticados no processo ou procedimento, e temos 3 modalidades: Citação: É o ato processual que dá ciência ao réu de que há uma ação penal correndo contra ele Intimação: Ciência de um ato a ser realizado Notificação: Dar ciência a alguém de algum despacho anterior, um fato que já ocorreu OBS: Na prática, a notificação e a intimação, tem muita confusão entre a utilização dos de um ou outro. Com relação a possibilidade de manifestação, de reação, é a possibilidade de contrariar, de contradizer aqueles fatos que estão sendo anexados aos autos e imputados ao sujeito. É importante que ela saia do plano formal e se materialize cada vez mais, para que haja uma garantia verdadeira para gerar equilíbrio entre as partes, paridade de armas. Também pode ser mediato ou imediato Contraditório Imediato, direto ou real, trata-se da prova que é produzida na presença das partes, como no interrogatório. Contraditório Postergado, diferido ou mediato, trata-se da observância feita posteriormente, não é feita na presença das partes, a interceptação telefônica, corpo de delito, posteriormente são anexadas aos autos. Princípio da Ampla Defesa Se subdivide em: Defesa técnica ou processual: É feita por um profissional da advocacia habilitado, quando não é nomeado um particular ou defensor público. O artigo 261 prevê que ninguém pode ser acusado sem um defensor, e o artigo 366 determina que o prazo prescricional continua correndo e o processo também, mesmo que o réu continue foragido, mas nomeia-se um advogado, dativo ou público, para lidar com os atos processuais, ocorrendo revelia, podendo o réu ser absolvido ou condenado. Comment by Jorrany Fernandes: Art. 261. Nenhum acusado, ainda que ausente ou foragido, será processado ou julgado sem defensor. Comment by Jorrany Fernandes: Art. 366. Se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem constituir advogado, ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional, podendo o juiz determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes e, se for o caso, decretar prisão preventiva, nos termos do disposto no art. 312. OBS: O magistrado precisa nomear, ou dar um prazo para que o réu escolha um advogado particular, a defensoria pública, ou se o ato precisa ser feito com urgência, algum advogado presente no fórum no momento é nomeado para presenciar o interrogatório, sendo o advogado dativo que só é válido para o ato para o qual foi chamado, por exemplo. Não há possibilidade de uma pessoa responder por um processo onde não há defesa técnica, e alguns atos só podem ser feitos com essa defesa presente. O acusado pode exercer sua própria defesa técnica se for um advogado habilitado, mas não é recomendado por conta do envolvimento emocional. Desembargadores, juízes e etc não podem se defender autonomamente. A defesa técnica pode representar mais de uma acusado no mesmo processo Autodefesa: É exercida pelo próprio acusado em momentos de urgência. OBS: Quanto ao interrogatório, ainda há uma controvérsia, a corrente majoritária diz que o interrogatório é meio de defesa, a segunda corrente, minoritária, é meio de prova. está no princípio da ampla defesa O fato do acusado estar preso não impossibilita de estar presente no interrogatório, vai ocorrer o deslocamento do preso para que ele faça o interrogatório, sempre com a presença da defesa técnica. É possível, com base no artigo 217, pedir que o réu saia da sala se a sua presença pode causar temor, constrangimento à testemunha ou ao ofendido, e fará a audiência por vídeo chamada. Comment by Jorrany Fernandes: Art. 217. Se o juiz verificar que a presença do réu poderá causar humilhação, temor, ou sério constrangimento à testemunha ou ao ofendido, de modo que prejudique a verdade do depoimento, fará a inquirição por videoconferência e, somente na impossibilidade dessa forma, determinará a retirada do réu, prosseguindo na inquirição, com a presença do seu defensor. A autodefesa pode ser: Positiva: É o direito de praticar atos, constituir advogado Negativa: É o direito ao silencia, de não produzir provas contra si mesmo A constituição não aceita tortura, tratamentos violentos, degradantes e afins. É vedado no interrogatório a hipnose, métodos químicos como soro da verdade, meios físicos como detector de mentiras, mesmo que o réu peça por qualquer um desses meios. Princípio da Necessidade O processo penal é o caminho necessário para se alcançar a pena. Princípio do Juiz Natural Está no artigo 5, inciso 37 e 53. Comment by Jorrany Fernandes: XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção; Comment by Jorrany Fernandes: LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente; Existem 3 regras que regem esse princípio: 1- Só podem exercer jurisdição órgãos instituídos pela constituição da república 2- Ninguém pode ser julgado por órgão ou juízo criado posteriormente após o fato delituoso 3- Entre os juízes constituídos vigora uma ordem taxativa de competência, que exclui qualquer alternativa deferida à discricionariedade de quem quer que seja. Ferrajoli chama esse princípio de Garantias Orgânicas dentro de uma relação processual, que são relativas a relação juiz, autor e defesa, actum trium personarum. OBS: Lei nova que modifica a competência VS sua aplicação imediata. Tempus regit actum, independente se for benéfica ou gravosa, ela tem ação imediata. O tempo rege o ato, é aplicado de imediato e os atos serão remetidos para o novo juiz designado na sua competência, corrente majoritária. Princípio da Publicidade Artigo 5, inciso 60 e artigo 93, inciso 9, ambos CF. Comment by Jorrany Fernandes: LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem; Comment by Jorrany Fernandes: IX todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação; Está ligado à transparência dos atos processuais. A sociedade tem direito de saber dos atos processuais para servir de “exemplo”, orientação. Essa publicidade pode ser: Interna relativa às partes: é absoluta, não tem segredo e todas as provas devem ser corroboradas, informadas a ambas as partes Externa aberta ao público geral, mitigada: Qualquer um pode chegar e pedir para ver os autos Os crimes sexuais, contendo menores, violência doméstica ocorrem em segredo de justiça 21/09 Investigação preliminar Dentro do processo penal que é a persecução penal, é dividida em 2 partes: Investigação preliminar O artigo 144 CF prevê 2 modalidades dentro da polícia: · Administrativa ou ostensiva, preventiva, que previne a criminalidade, a polícia militar, ferroviária, marítima, rodoviária, etc. Uma vez que não consigam prevenir, o crime se deu, entra em cena a polícia judiciária · Judiciária, constituída estadual e federal, atua quando o crime já se deu, entra posteriormente. Ela é integrada pelo delegado, precisando ser bacharel em direito concursado. Tem por objetivo auxiliar o poder judiciário e elaborar o inquérito policial. Inquérito Policial Trata-se de um procedimento ADMINISTRATIVO INQUISITÓRIO e PREPARATÓRIO, presidido pela autoridade policial, com o objetivo de identificar fontes de prova, e colher elementos de informação para apuração da infração penal(materialidade) e de sua autoria, a fim de fornecê-los para que o titular da ação penal, que é o promotor de justiça do ministério público. Posso ingressar em juízo(justa causa) · Se distinguede processo administrativo, pois o procedimento não gera nenhuma sanção. · Fontes de prova, elementos de informação colhidos nos autos do inquérito policial não se confundem com as provas colhidas no decorrer do processo Características do Inquérito Policial I- Trata-se de um procedimento inquisitivo, uma vez que há uma concentração de poder na mão de uma única autoridade. Sendo um procedimento inquisitivo, não flerta com o contraditório. Contudo existe um contraditório mas ele é limitado, é o direito que a defesa tem de ter acesso a informação. O Pacote anticrime alterou o artigo 7, inciso 21 do Estatuto da OAB, e 2 entendimentos surgiram. Primeiro que este procedimento inquisitivo está sujeito ao contraditório e a ampla defesa em razão dessa mudança, essa corrente é minoritária e equivocada. A segunda corrente diz que não, em hipótese alguma, e continua sendo o procedimento inquisitivo, e o contraditório está presente de forma limitada às informações documentadas no inquérito. Comment by Jorrany Fernandes: Art. 7º São direitos do advogado: XXI - assistir a seus clientes investigados durante a apuração de infrações, sob pena de nulidade absoluta do respectivo interrogatório ou depoimento e, subsequentemente, de todos os elementos investigatórios e probatórios dele decorrentes ou derivados, direta ou indiretamente, podendo, inclusive, no curso da respectiva apuração: II- Procedimento sigiloso, artigo 20 do CPP. Cabe ao delegado zelar pelo sigilo até em favor da eficiência da investigação. Apesar desse sigilo, quem tem acesso a essa investigação é o juiz, o ministério público e o advogado, este não tem acesso a tudo, mas apenas aquilo que já esteja documentado no procedimento investigativo. O advogado não tem acesso às diligências que estão em andamento. Se o delegado não permitir acesso aos documentos ao advogado, cabe mandado, habeas corpus caso a liberdade esteja em jogo, artigo 3, b, inciso 15, CPP. Comment by Jorrany Fernandes: Art. 20. A autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade. Comment by Jorrany Fernandes: Art. 3º-B. O juiz das garantias é responsável pelo controle da legalidade da investigação criminal e pela salvaguarda dos direitos individuais cuja franquia tenha sido reservada à autorização prévia do Poder Judiciário, competindo-lhe especialmente: XV - assegurar prontamente, quando se fizer necessário, o direito outorgado ao investigado e ao seu defensor de acesso a todos os elementos informativos e provas produzidos no âmbito da investigação criminal, salvo no que concerne, estritamente, às diligências em andamento; Não permitir acesso aos autos do inquérito cabe voz de prisão, artigo 32 da lei de abuso de autoridade 13869. Comment by Jorrany Fernandes: Art. 32. Negar ao interessado, seu defensor ou advogado acesso aos autos de investigação preliminar, ao termo circunstanciado, ao inquérito ou a qualquer outro procedimento investigatório de infração penal, civil ou administrativa, assim como impedir a obtenção de cópias, ressalvado o acesso a peças relativas a diligências em curso, ou que indiquem a realização de diligências futuras, cujo sigilo seja imprescindível Via de regra o advogado tem acesso aos autos do inquérito, mas tratando de situações que ocorrem em segredo de justiça, não adianta o advogado chegar sem procuração pois o delegado não vai permitir o acesso aos autos. Os crimes previstos na lei de organização criminosa, artigo 23, exige que para o advogado tenha acesso aos autos do inquérito e necessária autorização judicial. Comment by Jorrany Fernandes: Art. 23. O sigilo da investigação poderá ser decretado pela autoridade judicial competente, para garantia da celeridade e da eficácia das diligências investigatórias, assegurando-se ao defensor, no interesse do representado, amplo acesso aos elementos de prova que digam respeito ao exercício do direito de defesa, devidamente precedido de autorização judicial, ressalvados os referentes às diligências em andamento. III- Procedimento discricionário. Oportunidade e conveniência, implica na liberdade que a autoridade policial tem ao conduzir a investigação. Os artigos 6 e 7 do CPP trazem os procedimentos discricionários, um rol exemplificativo. Se a defesa quiser requisitar uma diligência, ela provocará o ministério público e ele requisitará à autoridade policial. Comment by Jorrany Fernandes: Art. 6o Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial deverá: Comment by Jorrany Fernandes: Art. 7o Para verificar a possibilidade de haver a infração sido praticada de determinado modo, a autoridade policial poderá proceder à reprodução simulada dos fatos, desde que esta não contrarie a moralidade ou a ordem pública. IV- Procedimento escrito, o inquérito precisa ser escrito, artigo 9 do CPP. Comment by Jorrany Fernandes: Art. 9o Todas as peças do inquérito policial serão, num só processado, reduzidas a escrito ou datilografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade. V- Procedimento unidirecional, é destinado ao titular da ação penal, se direciona exclusivamente aquele que detém a opinião delitiva, que é o ministério público. VI- Procedimento indisponível, com base no artigo 17 do CPP, a autoridade policial não pode dispor do inquérito, uma vez instaurado o inquérito, a autoridade policial não tem autorização para o arquivamento. Por isso geralmente os policiais instauram a VPI, que vai decidir se o inquérito será instaurado, e a autoridade policial tem direito de arquivar essa VPI, que é a Verificação de Procedência das Informações. Comment by Jorrany Fernandes: Art. 17. A autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de inquérito. VII- Procedimento dispensável, se o MP tiver fortes indícios de autoria e materialidade, ele entra com a denúncia de plano, artigos 27 e 39 do CPP. Nas ações penais privadas, fica a critério da vítima se ela vai querer promover a ação penal ou não. Comment by Jorrany Fernandes: Art. 27. Qualquer pessoa do povo poderá provocar a iniciativa do Ministério Público, nos casos em que caiba a ação pública, fornecendo-lhe, por escrito, informações sobre o fato e a autoria e indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção. Comment by Jorrany Fernandes: Art. 39. O direito de representação poderá ser exercido, pessoalmente ou por procurador com poderes especiais, mediante declaração, escrita ou oral, feita ao juiz, ao órgão do Ministério Público, ou à autoridade policial. Elementos de informação se dão nos autos do inquérito policial VS Provas Elementos de Informação: colhidos na fase investigatória, no inquérito policial, na investigação preliminar. · Tem exceção de prova que pode ser perdida, irrepetível, que não estará disponível depois de um determinado tempo, e precisa de autorização judicial. · Não é obrigatório a observância do contraditório(mitigado, limitado) e da ampla defesa. O juiz só vai intervir se for extremamente necessário e quando provocado. · Sua finalidade é de fazer com que o ministério público forme sua opinio delicti, fornecer um lastro probatório mínimo para a justa causa, para que o MP de início a ação penal. · Quando chegar na sua materialidade(existência do crime) e autoria, tem a justa causa. · As ações penais que não deixam vestígios são chamadas de transeuntes(deixam vestígios, não passam, essa materialidade deve ser submetida a exame de corpo de delito ou perícia técnica, artigo 158 CPP) Comment by Jorrany Fernandes: Art. 158. Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado. · O inquérito serve para que o titular da ação penal, o ministério público, forme sua opinio delicti, para que possa ingressar em juízo. Artigo 395, III, CPP. Comment by Jorrany Fernandes: Art. 395. A denúncia ou queixa será rejeitada quando: III - faltar justa causa para o exercício da ação penal. Segundo a doutrina, o inquérito policial possui uma dupla função: I- Uma função preparatória,fornecer elementos mínimos para que o titular da ação penal, que é o ministério público, possa ingressar em juízo. II- Uma função preservadora, a instauração prévia do inquérito policial inibe, limita processos infundados à liberdade de inocentes. Provas: Em regra, a prova é produzida na fase judicial, no processo. · É obrigatória a observância do contraditório e ampla defesa sob pena de total nulidade. · Sua finalidade é auxiliar o juiz na sua convicção sobre o caso. Processo criminal 19/10 Inquéritos não policiais 3 hipótese - Inquérito magistratura 4 hipótese - Inquérito Ministério público o procurador geral conduz o inquérito por crimes praticados por membros do ministério público. lei complementar 35/93, art 41 par. único da lei 8625 5 hipótese - Inquérito ministerial(PIC) PIC Procedimento investigatório criminal: como se fosse um inquérito policial, mas tramita no ministério público. podem pedir interceptação telefônica, chamam para oitiva de testemunha, etc pode conversar com o inquérito policial Vai correr perante o ministério público Teoria dos poderes implícitos O pleno do STF empregou a teoria dos poderes implícitos entendendo ser o mesmo do constitucional. A constituição ao conceder uma função a um determinado órgão ou instituição, também lhe confere, implicitamente, os meios necessários para a consecução das suas atividades. *Súmula 234 do stj o promotor que conduz nao se tornara impedido ou suspeito de conduzir o processo Valor Probatório Elementos de informação colhidos em sede em momento pré processual serão submetidos ao crivo do contraditório da ampla defesa, então, o OBS: elementos de investigação VS elementos de prova EI: são colhidos de forma inquisitiva na fase investigatória pré-processual, servindo de base para um futuro ajuizamento da demanda. Auxiliam na formação da opinio delicti. EP: são usualmente colhidos perante o juiz sob o crivo da ampla defesa do contraditório e do devido processo legal, servindo de base para uma eventual condenação. Auxilia na convicção do juiz Elementos de migração: são provas que, na verdade, poderão ser coletadas numa fase pré-processual se assim houver necessidade, migram do inquérito policial para o processo e poderão sustentar uma condenação. São eles: provas cautelares: são aquelas justificadas pela necessidade e urgência. Há um risco de desaparecimento do objeto da prova em razão do decurso do tempo. Depende de autorização judicial provas não repetíveis: são aquelas de fácil perecimento, que dificilmente serão refeitas na fase processual. Uma vez produzida não pode ser mais produzida de novo. Trata-se de crimes que deixam vestígio, a situação fática provas antecipadas: depende de autorização judicial pois tem que ser feito na presença do magistrado, acusação e defesa. 225 CP. Daqui um tempo a testemunha pode não estar mais disponível para depor, então ela deve ser ouvida de imediato. Comment by Jorrany Fernandes: Art. 225. Nos crimes definidos nos Capítulos I e II deste Título, procede-se mediante ação penal pública condicionada à representação. OBS: Mesmo quando colhidos em presença do advogado não significa que foi submetido ao crivo do contraditório, não transforma um elemento de investigação em elemento de prova A lei 13431/2017 trata do depoimento sem dano. Essa lei tem no seu artigo 11, par. 1, art 8, em determinadas situações a pessoa só será ouvida uma vez para evitar o dano maior, uma revitimização. Em sede de inquérito é uma prova antecipada, em que vítimas de até 7 anos de idade ou vítimas de crimes sexuais só serão ouvidas uma única vez, se for em fase pré-processual é acompanhada de psicóloga, assistente social e etc, sendo filmados. Comment by Jorrany Fernandes: Art. 11. O depoimento especial reger-se-á por protocolos e, sempre que possível, será realizado uma única vez, em sede de produção antecipada de prova judicial, garantida a ampla defesa do investigado. § 1º O depoimento especial seguirá o rito cautelar de antecipação de prova: I - quando a criança ou o adolescente tiver menos de 7 (sete) anos; II - em caso de violência sexual. Comment by Jorrany Fernandes: Art. 8º Depoimento especial é o procedimento de oitiva de criança ou adolescente vítima ou testemunha de violência perante autoridade policial ou judiciária. Vícios do Inquérito Policial Se um delegado conduz de forma equivocada uma investigação comprometendo a investigação, existe a avocatória, que é um despacho motivado, que na má condução do inquérito por uma autoridade policial, aquelas atos serão viciados, foram colhidos com irregularidasde ou de forma ilegal. Sendo assim, pode acontecer do chefe de polícia designar outra autoridade para seguir com a investigação, a avocatória. O inquérito viciado contamina o processo? 1 corrente, majoritária. Não contamina o processo pois o inquérito é dispensável, portanto não faz diferença os erros cometidos no inquérito para a fase processual uma vez que ele será descartado. 2 corrente, minoritária. Hamilton Bueno de Carvalho diz que tudo a que temos acesso entra na nossa cabeça e fica, então, por mais que saibamos que uma prova precisa ser desconsiderada, ela fica na nossa cabeça. São informações contidas nessa fase investigativa que quando chegam para o juiz, por mais que esteja viciada, o juiz teve acesso àquela informação. Prazos do Inquérito O investigado preso, 10 dias, podendo ser prorrogado por mais 15 dias O investigado solto, 30 dias podendo ser prorrogado indefinidamente O STJ decretou o fechamento de inquéritos que ultrapassaram o tempo de 10 anos A autoridade policial não tem competência, o próprio código de processo penal usa a palavra competência onde é para usar a palavra atribuição Atribuição VS Competência Competência é a medida da jurisdição, típica da atuação dos magistrados, dos juízes e dos tribunais. Promotor, delegado e etc possuem atribuições Atribuição é a quantidade de poder conferido por lei e que vai delimitar a atuação de determinada autoridade Critérios de atribuição da autoridade policial Territorial: a atribuição da polícia é definida pela circunscrição do local onde se consumou a infração penal. Nada obsta que em uma comarca haja várias circunscrições, que é onde a polícia atua. Material: Delegacias especializadas para a apuração de um determinado tipo penal Pessoal: Olha para a vítima, encontra-se a delegacia da mulher, do idoso, do consumidor, etc. Indiciamento Convergir a investigação em face de uma pessoa. Essa situação se dá, na prática, após a oitiva do suspeito, e o advogado presente antes da oitiva, é importante que ele chegue para a autoridade policial para saber se o indivíduo será tratado como testemunha ou como suspeito Na teoria entra-se o HC, se ocorreu alguma ilegalidade, na prática não é bem visto esse HC, pois haverá um juiz decidindo sobre uma arbitrariedade, uma ilegalidade que ele praticou. Para trancar um inquérito policial, é muito mais simpático entrar com uma ação de desindiciamento, pois se estará cassando todos os atos praticados anteriormente,e caso essa ação não dê certo se entra com o HC. Deflagração do Inquérito Policial · Instauração de ofício pela própria autoridade policial, chamada de portaria. É uma peça escrita que marca o início de uma investigação · A lei diz que a requisição do juiz ou do mp. Está errado, pois viola o princípio do sistema acusatório, o juiz deverá provocar o mp e o mp requisita. O delegado é obrigado a atender a requisição do mp? 1 corrente. Sim, estará obrigado a atender 2 corrente, majoritária. Não pode ser entendida como uma ordem, pois não há uma hierarquia entre mp e o delegado, mas se houve notícia de que houve infração penal, pelo princípio da obrigatoriedade, o delegado estará obrigado a investigar essa notícia que chegou até ele · Requerimento do ofendido do seu representante legal, precisa do requerimento, pois o estado delega a vítima se ela vai querer promover a ação penal contra terceiros. E se quiser . Na prática, não se faz ação inominada para chefe de polícia quando não se tem inquérito,ai o mp faz instauração do inquérito · Auto de prisão em flagrante se deflagra o inquérito policial · Notícias oferecida por qualquer um do povo, se for na circunscrição dele, ele vai verificar a procedência da informação, e o delegado não é obrigado a instaurar o inquérito de plano, e há a instauração da vpi(verificação de procedência de informação) antes do inquérito, instaurada e arquivada pelo delegado Encerramento do Inquérito Se dá por meio de um relatório, é uma peça, e essencialmente vai ter descrito todas as diligências que foram ou não realizadas, a justificativas, e não é necessário entrar em juízo de valor, a única valoração é no que tange autoria e materialidade, havendo esses dois tem justa causa e vai pro mp. Não é facultado ao delegado entrar em juízo de valoração, mas ele pode opinar. A única hipótese onde o delegado decide onde vai enquadrar, onde faz uma valoração, é na lei de drogas, 11443/2006 art 52, I. Comment by Jorrany Fernandes: Art. 52. Findos os prazos a que se refere o art. 51 desta Lei, a autoridade de polícia judiciária, remetendo os autos do inquérito ao juízo: I - relatará sumariamente as circunstâncias do fato, justificando as razões que a levaram à classificação do delito, indicando a quantidade e natureza da substância ou do produto apreendido, o local e as condições em que se desenvolveu a ação criminosa, as circunstâncias da prisão, a conduta, a qualificação e os antecedentes do agente; ou 09/11 Desdobramento procedimental Quando a pessoa recebe vários zaps, emails e não se sabe a fonte, o certo é noticiar o fato na delegacia, e a autoridade policial, com a materialidade, vai investigar para chegar na autoria, o autor desses emails. Chegando ao conhecimento da autoria, a vítima vai ter 6 meses para ofertar a queixa crime, diferente dos crimes de ação penal pública, que a denúncia já deflagra a ação penal. Quando se sabe a autoria do fato, corre o fato de 6 meses. Na ação penal privada ou pública, o inquérito é remetido ao MP, em ação penal privada, que vai solicitar a permanência dos autos no cartório aguardando até que o ofendido dê continuação à ação. Na pública, em regra, recebendo os autos do inquérito o MP pode: · Se tiver autoria e materialidade, vai oferecer a denúncia, a deflagração penal, art 24 cpp Comment by Jorrany Fernandes: Art. 24. Nos crimes de ação pública, esta será promovida por denúncia do Ministério Público, mas dependerá, quando a lei o exigir, de requisição do Ministro da Justiça, ou de representação do ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo. · Se ele achar que não é caso de oferecer denúncia, ele baixa novas diligências, vai devolver para a autoridade policial investigar melhor para ter um lastro probatório mínimo para que possa continuar com a ação. art 16 cpp. Comment by Jorrany Fernandes: Art. 16. O Ministério Público não poderá requerer a devolução do inquérito à autoridade policial, senão para novas diligências, imprescindíveis ao oferecimento da denúncia. · Ofertar o acordo de persecução penal · Requerer que o juiz decline da sua competência, e suscite um conflito de competência, caso ele identifique que aquele não seja o juízo competente · Quando o promotor de justiça, o MP, identificar que não há crime ou que não existem provas o suficiente mesmo tendo sido feitas todas das diligências, não há robustez para o oferecimento da denúncia, nesse caso pode requerer ao juiz o arquivamento Antes do pacote anticrime- Nesse caso, o magistrado está atuando como fiscal do princípio da obrigatoriedade da função penal. Quando o'mp requer o arquivamento ao juiz, sempre se criticou que o mp, dono da ação penal, requer o arquivamento, e o juiz se manifestar contra ou a favor, no momento em que se manifesta fiscalizando o mp, se o juiz não concordar, suscita-se um conflito, aí entra o artigo 28 do cp, o procurador geral de justiça vai resolver o conflito. O juiz decidir se vai ou não arquivar é violação ao sistema acusatório. se o magistrado discordou do arquivamento e o procurador insistiu no arquivamento, o juiz estará obrigado a arquivar. Se o procurador concordar com o juiz e não arquivar, ele vai procurar outro promotor para oferecer a denúncia 1 corrente majoritária entende que sim, esse promotor designado pelo procurador geral estará obrigado a oferecer a denúncia, mas ele pode requerer absolvição 1 corrente garantista, no art 127 da constituição, pelo princípio do promotor natural, esse promotor designado pelo procurador não estará obrigado a oferecer denúncia, tem discricionariedade, tem liberdade e autonomia para decidir se insiste no arquivamento ou se oferece a denúncia Comment by Jorrany Fernandes: Art. 127. O Ministério Público é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. Depois do pacote anticrime- Nesse caso, o juiz foi retirado para que não haja violação do sistema acusatório, o artigo 28 não mais prevê a participação do magistrado no pedido de arquivamento, quando o promotor entende ser caso de arquivamento, esse controle passa para a vítima ou seu representante legal, o pode de fiscalizar o princípio da obrigatoriedade e entra para a vítima ou seu representante. Comment by Jorrany Fernandes: Art. 28. Ordenado o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer elementos informativos da mesma natureza, o órgão do Ministério Público comunicará à vítima, ao investigado e à autoridade policial e encaminhará os autos para a instância de revisão ministerial para fins de homologação, na forma da lei. O MP ordena o arquivamento inexistindo apreciação do juiz, e o mp entendendo ser caso de arquivamento, ele vai intimar a vítima pelo princípio do contraditório e ampla defesa, vai intimar o acusado e vai intimar o delegado, a autoridade policial para dizer que é caso de arquivamento, essa autoridade policial que é responsável pela prisão preventiva OBS: importante consignar que a eficácia do artigo 28 do cpp, na redação dada pela lei 13964/2019(anticrime) foi suspensa em virtude da medida cautelar concedida pelo ministro Luiz Fuchs nos autos da ADI 6305 de 22 de janeiro de 2020 OBS: Diante do arquivamento não cabe ação penal privada subsidiária da pública, uma vez que não houve inércia por parte do MP OBS: O tipo de ação vem no próprio tipo penal, traz a procedência de representação de ação pública ou privada, queixa é privada, representação da vítima é pública OBS: prisão provisória, quando os autos do inquérito vão para o mp e não é identificado um lastro probatório mínimo, se o indiciado estiver preso, é fundamental que, se nao ha elementos para a denuncia, tambem nao pode haver para a manutenção da prisão preventiva. Se não há elementos suficientes para oferecer a denúncia, também não se justifica as medidas cautelares, devendo o MP requerer ao juiz a revogação da prisão preventiva, para após determinar a devolução dos autos para a delegacia de origem para investigar melhor. Fundamentos para o arquivamento A doutrina entende que os fundamentos estão previstos de forma implícita no artigo 395, II, III, e artigo 397, ambos do cpp. Comment by Jorrany Fernandes: Art. 395. A denúncia ou queixa será rejeitada quando: II - faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal; III - faltar justa causa para o exercício da ação penal. Comment by Jorrany Fernandes: Art. 397. Após o cumprimento do disposto no art. 396-A, e parágrafos, deste Código, o juiz deverá absolver sumariamente o acusado quando verificar Dos fundamentos A atipicidade do fato, se o fato for atípico não deveria nem ter se instaurado inquérito, se for instaurado não se deve oferecer denúncia, não se deve deflagrar. Com relação a ordem tributária, entende-se por insignificância até 20 mil, e nos demais estados entende-se como bagatela até 100 reais. Causas extintivas da punibilidade, não há que se falar em arquivamento Ausência de elementos informativos, quanto a autoria e materialidade.se não houver o mínimo desses dois, só resta arquivar Coisa julgada da decisão de arquivamento Não comporta recurso, torna definitivo aquela decisão, imutável pode ser formal(o processo), material(situação fática) ou formal material Formal: é a imutabilidade da decisão no processo que foi proferida. Neste processo não poderá mais ser modificada, mas em outro sim. é um problema processual, cabe arquivamento Material: pressupõe a formal, é a imutabilidade da decisão fora do processo nas qual foi proferida a decisão. Não se pode desarquivar Hipóteses · Ausência de pressupostos processuais ou condições da ação: faz coisa julgada formal · Falta de justa causa para a ação penal: se não houver lastro probatório mínimo não se pode deflagrar ação penal, coisa julgada formal · Quando o'arquivamento se pautar na atipicidade do fato: faz coisa formal e material, não pode ser desarquivado · Excludentes de ilicitude: Para a doutrina se faz coisa julgada formal e material. O STF entende que só se faz coisa julgada formal, havendo novas provas poderá ocorrer o desarquivamento · Se a motivação do arquivamento for por excludente de culpabilidade: faz coisa julgada formal e material · Excludente de punibilidade: cabe coisa formal e material, não cabe arquivamento Ainda existe coisa julgada no arquivamento no inquérito com a advento do pacote anticrime? 1 corrente do MP, entende que sendo decisão administrativa, não está sujeito a apreciação judicial, não há que se falar em coisa julgada 2 corrente Renato brasileiro, diz que por mais que a decisão de arquivamento não esteja mais sujeita ao controle judicial, deve-se manter a mesma sistemática, mesmo correndo no âmbito do MP como decisão administrativa e não judicial, deve-se manter a mesma sistemática nessas hipóteses. Tratando-se de questão processual, cabe desarquivamento, por questões materiais não há que se falar em desarquivamento Desarquivamento Nos casos em que só se faz coisa julgada formal será possível o desarquivamento. A pedido do MP quando tiver notícias de novas provas. Provas novas são: Súmula 524 do STF, na verdade, trabalha com provas que já existiam na época do fato mas não foram produzidas em sede de inquérito policial no momento oportuno. Quando houver pedido de arquivamento e for arquivado, surge uma prova nova que já existia, uma testemunha com provas que fortalecem o lastro probatório mínimo, uma prova fundamental para não só desarquivar, mas oferecer a denúncia direto imediatamente. O promotor vai provocar o procurador geral requerendo o desarquivamento para investigar caso sejam notícias de provas novas que não sejam fundamentais, que não tenham robustez, e aí entra o artigo 18 do cpp que é diferente da súmula acima Comment by Jorrany Fernandes: Art. 18. Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária, por falta de base para a denúncia, a autoridade policial poderá proceder a novas pesquisas, se de outras provas tiver notícia. Arquivamento implícito Pode ser subjetivo ou objetivo Subjetivo com relação às pessoas, aos envolvidos, aos comparsas Objetivo com relação aos tipos penais, os fatos Afranio silva jardim Fenômeno de ordem processual decorrente de o titular da ação penal deixar de incluir na denúncia algum fato investigado ou alguns dos indiciados, sem expressa manifestação ou justificação deste procedimento. Tanto na ação penal pública quanto na privada. Trancamento do inquérito policial Antes do pacote: o instrumento adequado, se estiver em jogo a liberdade de locomoção, é por meio do habeas corpus, se não se tratar da locomoção da vítima, mandado de segurança 16/11 O fato pode ser omesmo, o mp não pode oferecer denúncia para uma única pessoa que atuou em conjunto, isso não é possível, e preciso dar a denúncia para todos o processo não é divisível pode ocorrer desmembramento a ação penal pública é divisível com base no desmembramento do processo, majoritária o que vai mitigar o princípio da obrigatoriedade e a transação penal, a colaboração premiada e o acordo de não persecução penal princípio da Intranscendência a pena não pode passar da pessoa condenada, ninguém pode responder por ele princípio da autoridade a ação penal é titularidade por uma autoridade pública, o mp, então princípio da oficialidadd a açao penal é exercida por órgão oficial do estado princípio da oficiosidade a ação pena él deflagrada de ofício, por escrito ação penal de iniciativa pública condicionada: a representação do ofendido ou a requerimento do ministro de justiça, Ela exige, art 100 par. 1. Essa representação do ofendido é um pedido e uma autorização que condiciona o início da persecução penal incondicionada: não depende da prévia manifestação de vontade da vítima ou de terceiros legitimidade ativa: para representar é da vítima ou representante legal emancipado, seja sujeito ativo ou passivo, não interfere em nada na esfera criminal. o art 24 traz o rol de direitos de representação. CADI, cônjuges, ascendentes, descendentes e irmãos. se não houver nenhum desses, nomeará um curador prazo decadencial de 6 meses a contar do momento em em se sabe quem é o autor do fato para ofertar sua representação, ofertada que o estado dali pra frente de início a persecução penal com relação a essa representação Quando se sabe quando a ação penal é de iniciativa pública incondicionada, condicionada ou de iniciativa privada? a regra é que a ação penal seja de iniciativa pública e incondicionada, pq o estado que tem interesse em chegar na verdade processual Vem expresso no código quando for ação de iniciativa pública ou privada, por ex o 145 que determina que é ação penal privada, queixa, com exceções. quando não for expresso, será ação de iniciativa pública incondicionada. o mp não é obrigado a oferecer denúncia em caso de falta de justa causa, o ministro da justiça apenas requisita, o mp vai analisar se é o caso de oferecer a ação penal acao penal de iniciativa privada ela é titularizada pela vítima ou por seu representante legal, na condição de substituição processual, o estado concedeu ao ofendido ou a seu representante a pretensão punitiva uma responsabilidade extraordinária É processado a partir da queixa crime, não é necessário que haja inquérito se a vítima tiver indícios, justa causa, de autoria e materialidade o suficientes. O prazo aqui também é decadencial de 6 meses a partir do momento em que se sabe a autoria do fato. Ainda que os autos não saiam da sede policial, é preciso comunicar o fato, entrar com a queixa crime, para não perder o direito da ação penal, 107 cp. Pode ocorrer renúncia na ação penal privada, ocorre pela declaração da vítima que não pretende ajuizar ação penal de forma tácita(é a incompatibilidade de ofertar uma queixa crime sobre um padrinho de casamento, por exemplo) ou impressa, art 50 e 57 cpp. Princípios da ação penal privada Disponibilidade O ofendido pode desistir da demanda, uma vez que entrou com a queixa crime ele pode desistir, seja perdoando tácita ou expressamente, o perdão tácito é bilateral portanto depende da concordância das duas partes. Art 58 cpp, tem 3 dias para aceitar ou não o perdão. A Perempção trata-se de uma sanção judicialmente imposta pelo descaso da vítima na condução da ação penal privada Princípio da oportunidade cabe a vítima decidir se quer oferecer a queixa crime Princípio da indivisibilidade não é possível, como vítima, oferecer denúncia contra uma única pessoa sobre um crime sendo que foi um grupo que cometeu o crime espécies de ação penal privada propriamente dita o titular é o ofendido e cabe, art 31 cpp, representação. personalíssima 236 cp aquela que só pode ser deflagrada pela vítima, pelo ofendido, não cabe representação nem sucessão processual subsidiária da pública cláusula pétrea, art 5, inciso 69 ou 49 quando o mp recebe os autor, tratando de indiciado preso, tem 5 dias para oferecer denúncia. Indiciado solto 15 dias, dps desse prazo se houver inércia do mp abre para o ofendido oferecer a queixa 6 meses de prazopara o interessado ofertar a ação penal privada subsidiária da pública nesse período de 6 meses, se tem a legitimidade concorrente, vale o que chegar primeiro, seja a denúncia ou a queixa